17ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência:
EMIDIO DE SOUZA, ROMEU TUMA JR., PEDRO TOBIAS e SIDNEY BERALDO
Secretário:
CALDINI CRESPO
DIVISÃO TÉCNICA DE
TAQUIGRAFIA
Data: 08/04/2003 - Sessão
17ª S.
ORDINÁRIA Publ. DOE:
PEQUENO EXPEDIENTE
001 - EMIDIO DE SOUZA
Assume
a Presidência e abre a sessão.
002 - ROMEU TUMA JR.
Critica
a intenção do Ministro da Justiça de unificar as polícias.
003 - JOSÉ BITTENCOURT
Registra
o bom atendimento do Hospital de Vila Alpina. Congratula-se com Santo André
pela inauguração do Hospital de Clínicas.
004 - ROMEU TUMA JR.
Assume
a Presidência.
005 - MÁRIO REALI
Registra
a condenação, ontem, de um dos assassinos da Prefeita do Mundo Novo, Dorcelina.
006 - CARLINHOS ALMEIDA
Registra
a falta de resposta da Artesp a seu pedido de informações sobre contratação de
empresa sem licitação e a preços superfaturados
007 - SEBASTIÃO ARCANJO
Apóia
o discurso do Deputado Mário Reali. Convida seus pares para formação de um
grupo que estude um patamar para a ética na TV.
008 - ANA MARTINS
Registro
evento, hoje, no Parlatino, sobre a questão fundiária das favelas de São Paulo.
009 - NIVALDO SANTANA
Acusa
recebimento de solicitação de entidades do funcionalismo, por espaço para
discussão da Reforma Previdenciária no Estado.
010 - SEBASTIÃO ALMEIDA
Destaca
pontos positivos dos cem dias do Governo Lula, em particular o programa Fome
Zero.
011 - SOUZA SANTOS
Fala
sobre o início das obras do campus da Unesp em Sorocaba. Discorre sobre a
importância da educação na formação dos jovens.
GRANDE EXPEDIENTE
012 - ALBERTO TURCO LOCO
HIAR
Parabeniza
o Governador do Estado por sua atuação na área da saúde. Protesta pela
liberação da propaganda de cigarros na Fórmula-1 e os gastos exigidos para sua
realização.
013 - SEBASTIÃO ARCANJO
Comenta
avanços implementados nos cem dias do Governo Lula. Contesta o orador anterior
e discorre sobre a atuação do PSDB em oito anos de governo e a atuação atual do
PT, através de programas diversos, principalmente os sociais.
014 - ÍTALO CARDOSO
Critica
o governo do PSDB em São Paulo. Protesta pelo vandalismo que vem ocorrendo, com
a depredação de onibus e com a paralisação da cidade. Discorre sobre a
reurbanização de favelas.
015 - LUIZ GONZAGA VIEIRA
Comenta
ações do Governo do Estado na região de Itapetininga. Pede atenção para a Santa
Casa de Tatuí.
016 - ARY FOSSEN
Elogia
programa na Rádio Cidade de Jundiaí, cujo locutor fez campanha para vacinação
contra a gripe. Discorre sobre a importância para os idosos desta vacina, que
passará a ser fabricada pelo Instituto Butantã.
017 - MAURO MENUCHI
Agradece
a presença de Vereadores do PT de Jundiaí e Várzea Paulista. Expressa
satisfação com os rumos do Governo Lula. Refere-se à greve dos ônibus na Capital, às audiência públicas no Estado e
ao sistema penal (aparteado pelos Deputados Carlinhos Almeida, José Zico Prado
e Ary Fossen).
018 - CÂNDIDO VACCAREZZA
Para
Questão de Ordem, lê indagação a respeito de parecer dado ao PL 88/01, de sua
autoria, sobre a adição de álcool anidro à gasolina.
019 - VANDERLEI MACRIS
Para
reclamação, lembra o tempo regimental para uso em questões de ordem.
020 - Presidente ROMEU TUMA
JR.
Recebe
a Questão de Ordem e promete encaminhamento à Presidência efetiva.
021 - ENIO TATTO
Pelo
art. 82, parabeniza a Prefeita Marta Suplicy por sua firmeza em relação ao
setor de transporte público. Traz preocupações de professores e pais de alunos
com a segurança em escolas da zona sul da Capital.
022 - Presidente ROMEU TUMA
JR.
Anuncia
a presença dos Vereadores Mariano Pereira Durães, Silvio Luiz Baccarin e
Antonio Claudio Felisbino Júnior, da Câmara Municipal de Cosmópolis,
acompanhados do Deputado Antonio Mentor, e do Secretário de Obras da Prefeitura
de Ribeirão Pires, Douglas Araújo, acompanhado do Deputado Mário Reali.
023 - MARQUINHO TORTORELLO
Pelo
art. 82,cumprimenta a cidade de Santo André pelo transcurso de seu aniversário.
Cumprimenta também o Sr. Aramis Rubio Lobosco, Diretor da Escola Municipal de
Informática.
024 - HAVANIR NIMTZ
Parabeniza
o Presidente da Alesp pela formação de comissão para discutir as reformas
Tributária e da Previdência.
ORDEM DO DIA
025 - Presidente ROMEU TUMA
JR.
Anuncia
o recebimento de oito requerimentos de inversão da Ordem do Dia. Consulta o Plenário sobre a admissão de
modificação na Ordem do Dia, que dá por aprovada.
026 - MARCELO CÂNDIDO
Requer
verificação de votação.
027 - Presidente ROMEU TUMA
JR.
Acolhe
o pedido e determina que se proceda à verificação pelo sistema eletrônico.
Anuncia o resultado, que confirma a deliberação anterior
028 - VANDERLEI MACRIS
Requer
a prorrogação dos trabalhos por 2h30min.
029 - Presidente ROMEU TUMA
JR.
Acolhe
o pedido, põe em votação e declara aprovada a prorrogação da sessãopor 2h30min.
030 - CARLINHOS ALMEIDA
Requer
verificação de votação.
031 - Presidente ROMEU TUMA
JR.
Acolhe
o pedido e determina que se proceda à verificação de votação pelo sistema
eletrônico, que confirma o resultado anterior. Coloca em votação, pela
precedência, o requerimento de inversão da Ordem do Dia, de autoria do Deputado
Vaz de Lima. Anuncia a presença do Presidente da Câmara Municipal de Peruíbe,
Nelson Gonçalves Pinto, acompanhado do Deputado Arnaldo Jardim.
032 - FAUSTO FIGUEIRA
Encaminha
a votação do requerimento de inversão da Ordem do Dia pelo PT.
033 - Presidente ROMEU TUMA
JR.
Põe
em votação e declara aprovado o requerimento de inversão.
034 - RENATO SIMÕES
Requer
verificação de votação.
035 - Presidente ROMEU TUMA
JR.
Acolhe
o pedido e determina que se proceda à verificação pelo sistema eletrônico.
Anuncia o resultado, que confirma a aprovação do requerimento. Põe em discussão
o PL 311/02.
036 - MARCELO CÂNDIDO
Discute
o PL 311/02.
037 - LUIZ GONZAGA VIEIRA
Encaminha
o PL 311/02 pelo PSDB (aparteado pelos Deputados José Zico Prado, Rodolfo Costa
e Silva, Renato Simões, Campos Machado e Vanderlei Macris).
038 - CÂNDIDO VACCAREZZA
Para
reclamação, protesta contra a composição de Comissão para acompanhar Congresso
dos Municípios, na maioria do PSDB, e sem nenhum Deputado do PT.
039 - Presidente ROMEU TUMA
JR.
Anuncia
que encaminhará o reclamo à Presidência efetiva.
040 - CAMPOS MACHADO
Encaminha
o PL 311/02, pelo PTB (aparteado pelos Deputados Cândido Vaccarezza, Arnaldo Jardim,
Luiz Gonzaga Vieira, Antonio Mentor e Sebastião Arcanjo - Tiãozinho).
041 - RICARDO TRIPOLI
Discute
o PL 311/02 (aparteado pelos Deputados Antonio Mentor, Sebastião Arcanjo -
Tiãozinho e Rodolfo Costa e Silva).
042 - CAMPOS MACHADO
Discute
o PL 311/02 (aparteado pelos Deputados Nivaldo Santana e José Bittencourt).
043 - PEDRO TOBIAS
Assume
a Presidência.
044 - Presidente ROMEU TUMA
JR.
Assume
a Presidência. Anuncia a presença do ex-Deputado Nabi Chedid.
045 - ANTONIO MENTOR
Pede
a suspensão da sessão por cinco minutos.
046 - Presidente ROMEU TUMA
JR.
Acolhe
o pedido e suspende a sessão às 20h14min, reabrindo-a às 20h29min. Declara
encerrada a discussão do PL 311/02.
047 - Presidente SIDNEY
BERALDO
Assume
a Presidência.
048 - VANDERLEI MACRIS
De
comum acordo entre as lideranças, pede o levantamento da sessão.
049 - Presidente SIDNEY
BERALDO
Acolhe
o pedido. Convoca os Srs. Deputados para sessão extraordinária, a realizar-se
hoje, 60 minutos após o término desta sessão. Convoca-os também para a sessão
ordinária de 09/04, à hora regimental, com Ordem do Dia. Levanta a sessão.
O SR. PRESIDENTE - EMIDIO DE SOUZA - PT - Havendo número legal, declaro aberta a sessão. Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos. Convido o Sr. 2º Secretário para proceder à leitura da Ata da sessão anterior.
O SR. 2º SECRETÁRIO - CALDINI CRESPO - PFL - Procede à leitura da Ata da sessão anterior, que é considerada aprovada.
O SR. PRESIDENTE - EMIDIO DE SOUZA - PT - Convido o Sr. Deputado Caldini Crespo para, como 1º Secretário "ad hoc", proceder à leitura da matéria do Expediente.
O SR. 1º SECRETÁRIO - CALDINI CRESPO - PFL - Procede à leitura da matéria do Expediente, publicada separadamente da sessão.
* * *
- Passa-se ao
* * *
O SR. PRESIDENTE - EMIDIO DE SOUZA - PT - Srs. Deputados, tem a palavra o primeiro orador inscrito, nobre Deputado Edson Ferrarini. (Pausa) Tem a palavra o nobre Deputado Eli Corrêa Filho. (Pausa) Tem a palavra o nobre Deputado Vitor Sapienza. (Pausa) Tem a palavra o nobre Deputado João Caramez. (Pausa) Tem a palavra o nobre Deputado Sebastião Arcanjo. (Pausa) Tem a palavra o nobre Deputado Nivaldo Santana. (Pausa) Tem a palavra o nobre Deputado José Zico Prado. (Pausa) Tem a palavra a nobre Deputada Anna Martins. (Pausa) Tem a palavra o nobre Deputado Orlando Morando. (Pausa) Tem a palavra o nobre Deputado Ary Fossen. (Pausa) Tem a palavra o nobre Deputado Romeu Tuma Jr..
O SR. ROMEU TUMA JR. - PPS - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, Srs. Deputados, telespectadores da TV Assembléia, ouvintes da Rádio Assembléia, senhores presentes em Plenário, venho a esta tribuna para me manifestar com relação a uma matéria veiculada ontem no jornal O “Estado de S. Paulo” na qual o ministro da justiça, Dr. Márcio Thomaz Bastos, propõe a urgência da unificação das polícias no chamado sistema único de segurança. Constantemente tenho feito uso desta tribuna e por experiência profissional tenho dito que toda a legislação referente ao âmbito de segurança pública que é feita sob clima de emoção acaba se mostrando absolutamente ineficaz e inaplicável.
A unificação das polícias não pode ser feita sem estudo, até porque as formações das polícias são completamente diferentes. Para o telespectador entender, a partir do momento em que o crime ocorre, compete à Polícia Civil investigar a autoria do crime. A Polícia Militar é preventiva, faz o policiamento preventivo para que o crime não ocorra. Ocorrendo o crime, em tese houve falha na prevenção, passa-se à repressão, que é a investigação. Não se pode falar em unificação sem que haja um debate, até porque existe um problema sério de vaidades pessoais, vaidades corporativas e não vai funcionar. Vamos ficar diante de um elefante branco, de um problema sério e só vai agravar o problema do sistema de segurança não só do nosso estado mas também do nosso país.
Há um ou dois anos as cúpulas das polícias de São Paulo - o secretário de segurança, o comandante geral da Polícia Militar e o delegado geral da Polícia Civil - foram coabitar num mesmo prédio. Mas os órgãos que fazem parte da delegacia geral e do comando geral da PM continuaram distantes. O que podemos falar neste momento para que realmente tenhamos resultados positivos para a sociedade é uniformidade de procedimentos. Cada um cumprir a sua condição constitucional uniformizando procedimentos para que não haja atropelos, para que a Polícia Militar não faça investigação e a Polícia Civil não faça patrulhamentos, faça investigação.
Para isso passamos por um aspecto muito mais sério, que é o problema dos presos. Vou encaminhar ao Sr. Presidente um texto que escrevi com relação ao cumprimento da lei no transporte de presos neste estado. Há uma decisão na justiça de que a Polícia Civil não deve fazer o transporte de presos, o que não tem sido cumprido. Vemos juizes de direito vítimas da violência.
Portanto,
vou pedir o encaminhamento desse texto para a egrégia Presidência do Tribunal
de Justiça do Estado, douta Procuradoria Geral de Justiça na pessoa do seu
procurador chefe, Exmo. Sr. Governador do Estado, Secretário de Estado da
Segurança Pública, Secretário de Administração Penitenciária, Presidente da
Associação Paulista dos Magistrados - Apamagis, à Presidência da Ordem dos
Advogados, secção São Paulo, e aos Presidentes das diversas associações de
funcionários que trabalham no Judiciário paulista.
Há
uma decisão judicial que não está sendo cumprida. Houve uma portaria conjunta
entre a Secretaria de Segurança Pública e a Secretaria de Administração
Penitenciária, datada de 1995, que transfere o transporte de presos à Polícia
Civil. Isso já foi derrubado no tribunal e o Governo não tem cumprido essa
decisão da Justiça. Trata-se de um fato grave. Quase oito anos já se passaram.
Eu acompanhei isso de perto, porque há quase 25 dias eu era um Delegado seccional
de Polícia.
É
preciso que se tenha muita cautela hoje. É preferível que se faça um debate
público e se ouçam os organismos interessados na melhoria da Segurança Pública.
Que se demore 60 dias para tomar uma medida, mas que se tome uma medida definitiva,
porque esse negócio de se fazer pacotão da Segurança para dar resposta imediata
à sociedade, o tempo já mostrou principalmente para aqueles que aplicam a lei -
delegado de polícia, promotor de Justiça e advogados - que esse sistema de
legislar sob clima de emoção é absolutamente ineficaz.
Quero
deixar isso registrado para que no futuro não tenhamos de reclamar ou que eles
digam que não foram avisados.
Já
fiz um apelo aqui recentemente e volto a fazê-lo para todos os partidos aliados
ao Governo federal: agilizem na Câmara Federal a aprovação do projeto de lei de
autoria do Senador Romeu Tuma, aprovado por unanimidade no Senado, que dá poder
de polícia às Guardas Municipais, em outras palavras, permite que estados
firmem convênios com as Guardas Municipais. Com a aprovação desse projeto
teremos mais policiais nas ruas e a Polícia Militar vai poder ter outro tipo de
função. As Guardas Municipais vão corroborar e os municípios que não ainda não
têm, vão ser incentivados a criá-las. Isso gera emprego e segurança.
O SR. PRESIDENTE - EMIDIO DE
SOUZA - PT - Tem
a palavra o nobre Deputado Pedro Tobias. (Pausa.) Tem a palavra o nobre
Deputado Sebastião Almeida. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Afonso
Lobato. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Roberto de Jesus. (Pausa.) Tem
a palavra o nobre Deputado Arnaldo Jardim. (Pausa.) Tem a palavra a nobre
Deputada Dra. Maria Almeida. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado José
Bittencourt.
O SR. JOSÉ BITTENCOURT - PTB
- SEM
REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente e
Srs. Deputados, nesta tarde quero deixar um registro de modo positivo sobre o
serviço público estadual, em especial ao Hospital de Vila Alpina, na pessoa do
Diretor Superintendente Dr. Nelson Frank.
Há
três ou quatro dias o Pastor Jandiro Alves da Silva, da Igreja Assembléia de
Deus de Vila Alpina, teve o seu neto quase que dilacerado por um cão pastor
alemão que tinha em sua própria residência. Qual não foi a surpresa do pastor
ao verificar o atendimento de primeira que o diretor superintendente daquele
hospital, a assistente social Sra. Regina e a Dra. Rosana, do Instituto
Pasteur, dispensaram àquele caso!
Aproveito
o ensejo do Dia Mundial da Saúde para dizer que o nosso Presidente da
República, em ato público, cobrou mais eficiência, mais empenho não apenas do
serviço público federal, mas do estadual e do municipal.
Até
aqui representamos o pensamento do nosso ilustre Presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, que disse que um hospital tem de funcionar com qualidade e presteza no
atendimento à demanda de uma comunidade. E foi o que constatamos no atendimento
prestado pelo diretor superintendente do Hospital de Vila Alpina, como já
citei.
Isso
mostra que o Estado está fazendo a sua parte no que tange à Saúde. Registro
também que foi muito bom para a região do ABC a inauguração do Hospital Geral
de Clínicas em Santo André, onde se verificou uma efetiva qualidade no
atendimento à população de Santo André e região.
Portanto,
Sr. Presidente, faço esses registros e digo que no que depender deste
Parlamentar, desta Casa e da nossa atividade no que diz respeito a reproduzir o
pensamento e as demandas sociais, estaremos aqui atentos não apenas para fazer
os elogios e o registro positivo, mas também para cobrar no momento certo a
quem de direito. Acho que a nossa principal atividade não é apenas atuar de
modo direto no processo legislativo, mas também cobrar os atos do Executivo e o
cumprimento daquilo que está estabelecido na peça orçamentária.
* * *
-
Assume
a Presidência o Sr. Romeu Tuma.
* * *
O SR. PRESIDENTE - ROMEU
TUMA JR. - PPS - Tem a palavra o nobre Deputado Ricardo Tripoli. (Pausa.) Tem a palavra
o nobre Deputado Conte Lopes. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Marcelo
Bueno. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Antônio Salim Curiati. (Pausa.)
Tem a palavra a nobre Deputada Rosmary Corrêa. (Pausa.) Tem a palavra o nobre
Deputado Geraldo (Bispo Gê) Tenuta. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado
Mário Reali.
O SR. MÁRIO REALI - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, nobres companheiros
Srs. Deputados, parece-me que a Justiça está sendo contemplada no Mato Grosso
do Sul.
Ontem,
foi o julgamento do assassino da Prefeita Dorcelina, de Mundo Novo. Ela foi
companheira e militante do Movimento Sem Terra, que, por lutar contra a ação do
narcotráfico e contra esquemas de corrupção de administrações anteriores em
Mundo Novo, foi brutalmente assassinada na frente de suas duas filhas, na
varanda de sua casa em 1999
Dos seis suspeitos do assassinato três já foram julgados. Ontem foi o julgamento do quarto assassino e no dia 13 de maio vamos ter o julgamento do mandante, o Sr. Josmar Martins. Ontem foi o julgamento do Sr. Getúlio Machado, que foi quem atirou e assassinou a nossa companheira Dorcelina. Hoje é um dia de justiça e esperamos que no dia 13 de maio seja julgado, em Campo Grande, o mandante do assassinato da Dorcelina. Recebi um e-mail da Secretaria Estadual de Mulheres do PT, de Mato Grosso do Sul, solicitando que sejam enviados ao Tribunal de Justiça, em Campo Grande, ao Sr. desembargador Rubens Bossay, documentos pedindo rigor no julgamento e que esse mandante do assassinato seja condenado como foram os outros assassinos.
Gostaria também de utilizar meu tempo na tribuna para solicitar ao presidente do Grupo Santander e à direção do Grupo Santander Banespa que tenham sensibilidade e prorroguem a cláusula de garantia de emprego dos banespianos. Muitos Deputados e funcionários da Casa conhecem a luta que houve contra a privatização do Banespa, hoje, sob direção do Santander. Sabemos que o Santander pretende continuar os investimentos no Brasil. Só em São Paulo, mais de 600 cidades têm agências do Santander Banespa e a direção do banco está com uma política de demissões. Assim, estamos trazendo todo o apoio aos companheiros, funcionários do Santander Banespa, e solicitando à direção que mantenha a cláusula de garantias de empregos. Era isso o que gostaria de comentar em plenário. Quero agradecer a todos. Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE - Romeu Tuma JR. - PPS - Srs. Deputados, tem a palavra o nobre Deputado Coronel Ubiratan. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado José Carlos Stangarlini. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Vicente Cândido. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Rogério Nogueira. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Simão Pedro. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Milton Vieira. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Giba Marson. (Pausa.) Tem a palavra a nobre Deputada Maria Lúcia Amary. (Pausa.)
Esgotada a lista de oradores inscritos para falar no Pequeno Expediente, vamos passar à Lista Suplementar. Tem a palavra o nobre Deputado Carlinhos Almeida.
O SR. CARLINHOS ALMEIDA - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, cidadãos que nos acompanham das galerias desta Casa, telespectadores que acompanham a TV Assembléia, recentemente, vim à tribuna desta Casa para cobrar da direção da Artesp, Agência Reguladora dos Transportes do Estado de São Paulo, criada por esta Casa há pouco tempo, o cumprimento de uma lei - aliás, constante das Constituições Federal e Estadual - que garante ao Deputado e à Assembléia Legislativa o acesso a informações e documentos referentes à atuação de qualquer órgão público.
Reclamava aqui o fato de que a Artesp, em primeiro lugar, respondeu com grande atraso; em segundo lugar, respondeu não respondendo. Ou seja, pedimos informações sobre a contratação, sem concorrência, sem licitação, de um escritório de advocacia para a prestação de vários serviços, que somam o montante de um milhão e meio de reais. Essas informações não vieram. Cobrei desta tribuna, reiterei aquele pedido que havíamos feito, para que a Artesp respondesse o requerimento exatamente como ele foi feito, não só com as informações, mas com os documentos que estávamos solicitando, entre eles, a cópia de todo o processo. Mas a informação foi sonegada pela Artesp.
Posteriormente, este Deputado recebeu cópia dessa documentação. Não daquela que deveria ter sido enviada pela Artesp, mas de terceiros que, indignados - inclusive com o não-cumprimento dessa obrigação, que é prestar informações -, nos encaminharam cópia desse processo. Ao analisar esse processo, percebemos que a Artesp fez uma contratação de um escritório de advocacia, sem concorrência, por um milhão e meio de reais, desrespeitando completamente a legislação; violando princípios legais, que estão na Lei de Licitações e violando também princípios éticos e morais que devem presidir qualquer atividade pública.
Por que estamos dizendo isso? E não estamos dizendo apenas na tribuna, dissemos, também, através de uma ação popular que impetramos contra a Artesp, seus dirigentes e o escritório contratado. Quais são os problemas identificados? O primeiro deles: a justificativa para não se fazer uma concorrência neste processo, já que existem vários escritórios de advocacia que poderiam prestar esse serviço. O acompanhamento de uma série de ações, atribuições que a Artesp recebeu da Secretaria de Transportes.
Esse acompanhamento, essa dispensa de licitação, foi feita com a alegação de que havia uma emergência que tornava impossível realizar a licitação e que era necessário fazer este contrato, caso contrário haveria um grave prejuízo para a administração pública. Isso não está caracterizado. Por quê? Porque esta Casa começou a discutir a criação da Artesp no ano de 2000 e essa contratação, por emergência, entre aspas, foi feita no ano de 2002. Portanto, o Governo do Estado e a própria Agência tiveram tempo suficiente para se preparar e realizar o processo necessário para contratar, por concorrência, um escritório de advocacia. Não se justifica, portanto, a chamada emergência.
Segundo problema, e o que é grave: os preços praticados estão acima dos preços do mercado. Terceiro problema, mais grave ainda: não foi feita, conforme prevê a lei, a cotação de preços para este contrato. Pelo contrário, para definir esse preço, a Artesp se baseou na cotação feita pela própria empresa contratada. O que caracteriza não só uma ilegalidade, mas, inclusive, uma imoralidade.
Portanto, fiz questão de fazer este registro. Acho lamentável que a Artesp tenha sonegado informações a esta Casa e não tenha respondido nosso requerimento de informação. Entendo, inclusive, que este tipo de comportamento e de contratação são inaceitáveis. Por isso ingressamos com ação popular e vamos cobrar dessa Agência Reguladora dos Transportes respeito a esta Casa, respeito às leis deste país e respeito aos princípios éticos e morais que devem, volto a repetir, presidir todos os administradores públicos.
O SR. PRESIDENTE - ROMEU
TUMA JR. - PPS
- Tem a palavra o nobre Deputado Sebastião Arcanjo.
O SR. SEBASTIÃO ARCANJO - PT
- SEM
REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, Srs. Deputados, quero fazer uma homenagem à
Prefeita Dorcelina, uma batalhadora, que foi assassinada barbaramente. Temos
assistido a vários assassinatos de homens públicos, sejam militantes de
movimentos ou não, como ocorreu ontem, com mais um líder que luta pela reforma
agrária no país, assassinado no Pará. A Prefeita Dorcelina, que implementava
uma gestão correta e transparente, sobretudo no trato da coisa pública naquela
cidade, foi violentamente assassinada.
Esperamos
que aqueles que estão sendo punidos passem parte desse tempo na cadeia tendo um
tratamento semelhante ao daqueles que utilizam o fuzil para saquear, assaltar,
violentar, seqüestrar os nossos amigos e familiares. Da mesma forma, que
aqueles que usam a caneta e a função pública para cometer crimes e atrocidades
tenham o mesmo tipo de condenação e tratamento. Isto porque, muitas vezes, a
caneta no Brasil faz tão mal quanto o fuzil.
Portanto,
quero registrar aqui o meu descontentamento, porque estou entre aqueles que
ainda não estão convencidos da solução do episódio que envolveu o assassinato
do Prefeito da nossa cidade de Campinas, o Toninho da Costa Santos. Queremos
utilizar, inclusive, da nossa condição de Deputado, desta tribuna e do apoio
dos Deputados desta Casa para que possamos convencer o Secretário de Segurança
Pública no sentido de que retome as investigações sobre o caso.
O
nobre Deputado Souza, que é da nossa região, e que freqüenta a nossa
comunidade, sabe que a cidade de Campinas não se convenceu dessas investigações
e espera que possamos um dia vir a esta tribuna dizer, com convicção, que
aqueles que estão sendo apontados são realmente aqueles que cometeram o assassinato
do nosso Prefeito. Mais do que isso, que possamos identificar os mandantes e
quais foram os motivos que levaram ao assassinato do Prefeito de Campinas,
Toninho.
Portanto,
o nosso esforço é no sentido de fortalecer o Poder Judiciário para que possa
fazer também um julgamento transparente e isento daqueles que estão sendo
acusados. E quem sabe um dia não precisemos mais ocupar a tribuna para falar de
crimes políticos no Brasil. Quem sabe um dia possamos dizer que estamos vivendo
uma democracia de fato, onde as pessoas, seja no campo da luta institucional,
seja no campo do movimento social, possam fazer a sua atuação política com
regras, com combinação do jogo, dentro daquilo que prevê a nossa lei maior, que
é a Constituição brasileira.
Como
eu já havia anunciado ontem, disse que estaríamos nos reunindo hoje com
militantes do fórum que no Brasil todo se articula para defender algum
mecanismo, não de censura, mas que estabeleça princípios que norteiem a
publicidade nos nossos meios de comunicação, na mídia, sobretudo na televisiva.
Desta forma, queremos convidar os Deputados desta Casa para, juntamente
conosco, fazer um movimento muito parecido com o que hoje já se faz no
Congresso Nacional. Ou seja, constituirmos aqui um conjunto de Deputados que
tenham a preocupação com a propaganda, para que possamos banir dos nossos lares
aqueles que financiam as baixarias e que, portanto, colocam-se contra a
cidadania. Esse é o mote da campanha e queria convidar os Deputados para isso.
Inicialmente
estamos propondo para o dia 23 o lançamento dessa frente aqui na Assembléia
Legislativa do Estado de São Paulo. Penso que essa frente possa articular com
outras iniciativas que já foram tomadas pela Mesa anterior desta Casa. Isso
para que possamos nos colocar nesse esforço nacional com um conjunto de
entidades da sociedade civil e organizações não governamentais no sentido de
darmos um tratamento adequado à essa questão. Já disse aqui que não se trata de
discutir um conceito moral ou ético mas a ética na propaganda, também do ponto
de vista jornalístico, sem a censura, evidentemente. Interessa-nos trazer esse
debate a esta Casa.
E
não só aqui. A nossa intenção é de estabelecer, seguindo o exemplo do que
fizemos na última oportunidade, quando tratávamos da crise do setor elétrico,
uma relação com outras Assembléias Legislativas do Brasil. Pode ser que esse
esforço que estamos iniciando aqui culmine com uma lei, no âmbito do Congresso
Nacional, que estabeleça um patamar de relação ética na utilização da
publicidade nos nossos meios de comunicação. Portanto, queria convidar os
Deputados desta Casa para que participem desse debate, uma vez que não é
pretensão deste Deputado tratar dessa matéria com exclusividade, mas que
possamos nos unir com a sociedade civil organizada do Estado de São Paulo para
que o nosso Estado cumpra esse papel de vanguarda na defesa da ética da
propaganda e da publicidade nos nossos meios de comunicação. Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE - ROMEU
TUMA JR. - PPS
- Quero cumprimentar V. Exa. pela iniciativa. Já acompanhei ontem o seu
discurso e me interessei porque acho extremamente relevante. Acho V. Exa.
despojado de interesse pessoal e visando sempre o interesse público. Quero aqui
prestar o meu testemunho, o que já tive oportunidade de fazer aqui nesta tribuna,
no sentido de que o grande sucesso do plano de tolerância zero em Nova York,
deu-se justamente em função da colaboração da imprensa falada, escrita e
televisada. Assim, V. Exa. está de parabéns. Este Deputado, em nome da bancada
do PPS, gostaria muito de fazer parte desse projeto, porque realmente essa é
uma das causas da violência.
Tem
a palavra o nobre Deputado Gilberto Marson. (Pausa.) Tem a palavra o nobre
Deputado Baleia Rossi. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Edson Gomes.
(Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Waldir Agnello. (Pausa.) Tem a palavra
o nobre Deputado Luis Carlos Gondim. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado
Vanderlei Macris. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Fausto Figueira.
(Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Aldo Demarchi. (Pausa.) Tem a palavra o
nobre Deputado Alberto Turco Loco Hiar. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado
Rogério Nogueira. (Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Luiz Gonzaga Vieira.
(Pausa.) Tem a palavra o nobre Deputado Donisete Braga. (Pausa.) Tem a palavra
a nobre Deputada Anna Martins.
A SRA. ANA MARTINS - PCdoB -
SEM REVISÃO
DA ORADORA - Sr. Presidente, Srs. Deputados, telespectadores da TV Assembléia,
tivemos hoje no Parlatino um grande evento que contribui muito para que as
grandes e médias cidades que hoje, através das suas concentrações urbanas,
estão ainda com suas favelas sem se urbanizar e sem regularização.
Esse
evento promovido pela Prefeitura de São Paulo, com a colaboração do Ministério
das Cidades, teve a presença do Presidente da República, do Ministro das
Cidades, Olívio Dutra, do Secretário de Habitação, Jorge Hereda e
representantes do Judiciário e da Procuradoria do Município. O objetivo
principal foi o lançamento oficial do projeto de regularização das favelas de São
Paulo. Esse programa traz para a cidade de São Paulo um grande desenvolvimento.
Sabemos que a cidade de São Paulo, na urbanização e regularização das favelas, tem um atraso de mais de 20 anos. Existem nas cidade de São Paulo um milhão e novecentos mil moradores em favelas, grande parte urbanizadas por iniciativa dos próprios moradores, que a partir dos anos 80 passaram a fazer projetos locais de canalização das águas, dos esgotos, de melhoria nas suas travessas, nas suas pequenas ruelas, e alguns projetos feitos pelo município, que foram contribuindo para que se iniciasse esta urbanização. Tivemos, nos anos 79, 80 e 81, uma grande mobilização das favelas que acabaram conquistando a regularização da água e da luz, passando a ter ligações individuais, que foi o início da urbanização. Porém, a questão fundiária até hoje não tinha sido encarada. E a Secretaria de Habitação do município de São Paulo passou, a partir desta gestão, da Prefeita Marta Suplicy, a encarar o problema que, na cidade de São Paulo, é de bastante complexidade.
Por isso, este evento hoje traz para a cidade um grande fato, e também significa que, quando a cidade de São Paulo passa a pensar na desafetação dessas áreas públicas para urbanizá-las e regularizá-las, certamente vai contribuir para a melhoria das condições de vida. E possibilitará que os municípios da Grande São Paulo também se preocupem com esta questão. Não temos mais, no Estado de São Paulo e no Brasil, nenhuma cidade que não tenha favela. Foi um fenômeno que vem desde o regime militar em que houve um empobrecimento da população, quando os salários foram sendo cada vez mais desvalorizados e perdendo seu poder aquisitivo. Os trabalhadores, com as suas famílias, passaram a tomar iniciativas próprias na solução do problema habitacional.
Por isso, através deste meu discurso, quero parabenizar o Secretário de Habitação do município de São Paulo, a Prefeita Marta Suplicy, o Ministério das Cidades e o próprio Presidente da República, preocupado com a urbanização e regularização das áreas irregulares das grandes cidades. Sei que não vai ser só para a cidade de São Paulo, mas o Ministério das Cidades estará preocupado com esta questão que existe em todas as cidades do Brasil. E possibilitar melhores condições de vida, depois de regularizadas essas áreas e urbanizadas, tirando todas as pessoas que vivem em lugares de risco. Temos certeza de que garantir cidadania é garantir a democratização dos espaços públicos, e a democratização das cidades. Muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE - ROMEU TUMA JR. - PPS - Tem a palavra o nobre Deputado Nivaldo Santana.
O SR. NIVALDO SANTANA - PCdoB - Sr. Presidente, Srs. Deputados, nós recebemos uma
Comissão Representativa de 75 entidades do funcionalismo público do Estado de
São Paulo, fazendo uma análise e emitindo suas opiniões a respeito de um tema
que, sem dúvida nenhuma, provocará uma grande controvérsia, discussão e
polêmicas, no Brasil e também no Estado de São Paulo. É o tema que trata da
reforma previdenciária.
Nós, do Partido
Comunista do Brasil, que temos um compromisso profundo com o funcionalismo
público e com os trabalhadores, acreditamos que esta matéria precisa ser
debatida de forma bastante profunda, democrática e permitir que, principalmente
as entidades representativas dos servidores públicos e dos trabalhadores,
tenham espaço para expor suas opiniões, defender as suas idéias e suas teses.
Que a proposta da Presidência da República e o Governador do Estado enviada aos
respectivos Parlamentos seja fruto não de uma decisão unilateral do Executivo, mas
produto de um consenso estabelecido mediante um debate democrático.
Todos nós sabemos que,
numa situação de grande crise em que o País vive, com o índice medíocre de
crescimento nas últimas duas décadas, com a informalização crescente do mercado
de trabalho e com as grandes dificuldades fiscais dos entes federados, tem
colocado debate da reforma da Previdência com grande proeminência entre as
chamadas reformas que estão em discussão no Brasil e também aqui em São Paulo.
Se de um lado é
importante que se tenha equilíbrio financeiro e atuarial, de tal sorte que a
Previdência tenha sustentabilidade não só para as gerações atuais, mas também
para as futuras gerações. De outro lado, também consideramos que não devemos
considerar, em hipótese alguma, o servidor público como vilão ou responsável
pela crise que o sistema previdenciário brasileiro atravessa.
A nossa opinião é a de
que devemos manter erguida e de pé a bandeira da Previdência pública e
universal, o respeito aos direitos adquiridos e discutir, de forma aberta e
franca, as medidas necessárias no sentido de reestruturar a Previdência
pública, para que consiga cumprir os elevados objetivos sociais com que ela foi
constituída e conforme reza inclusive o mandamento constitucional.
Consideramos que hoje mesmo,
na reunião de Colégio de Líderes, no Estado de São Paulo, o líder do Governo
nesta Casa, Deputado Vanderlei Macris, nos informa, repetindo inclusive uma
notícia que já havia sido informada nos jornais: que o Governador do Estado
está preparando o envio, para a Assembléia Legislativa, de uma proposta
preliminar e alterações em algumas regras da Previdência aqui no Estado de São
Paulo. A nossa opinião é de que, antes de se tentar alterar as regras do jogo
estabelecida e definir novas alíquotas e novas formas de financiamento do
sistema de Previdência, é fundamental um debate prévio nesta Assembléia,
incorporando também, às partes interessadas, suas entidades representativas dos
servidores e dos aposentados, tanto da administração direta, como da administração
indireta.
Esse debate, sem dúvida
nenhuma, eventualmente pode provocar pontos divergentes nesta ou naquela
matéria, mas acreditamos que uma discussão, tranqüila, madura e aprofundada
poderá garantir a preservação dos direitos dos servidores e garantir também que
o sistema previdenciário brasileiro e paulista consiga enfrentar a sua situação
de dificuldade. Como foi solicitado por nós, a Comissão entregou um documento
com 10 itens, emitindo uma decisão preliminar de 75 entidades no sentido de
ampliar o debate e criar condições para que os servidores possam emitir suas
opiniões.
Passo a ler, para que
seja publicado no Diário Oficial, a nota da Comissão das Entidades
Representativas dos Servidores Públicos do Estado de São Paulo. É uma posição
de 75 entidades e achamos que é uma opinião importante, e que sem dúvida
nenhuma vai servir de referência para o debate que deveremos tratar na
discussão da importante matéria.
“COMISSÃO DAS ENTIDADES REPRESENTATIVAS DOS
SERVIDORES PUBLICOS NO ESTADO DE SAO PAULO
Exmo. Sr. Deputado Estadual
NIVALDO SANTANA
SALA - 5016
Pela retirada imediata do PLP 9/99
(Projeto de Lei Complementar sobre a Previdência)
As entidades sindicais e associativas, representativas dos servidores públicos no Estado de São Paulo, reunidas no Seminário Sobre Previdência Social, ocorrido nos dias 17, 18 e 19 de março último, na cidade de São Paulo, entre outras questões, decidiram por unanimidade, lutar pela retirada imediata do PLP 9/99, em tramitação no Congresso Nacional, entendendo que ele abre precedentes para a adoção da aposentadoria complementar, com vistas à privatização, iludindo a opinião pública, preparando o campo para mais esse golpe do sistema financeiro.
Sendo assim, as entidades ligadas aos servidores públicos no Estado de São Paulo dirigem-se ao povo em geral e, em especial, aos vereadores e aos deputados estaduais para que intercedam junto ao Sr. Presidente da República e aos deputados e senadores do Congresso Nacional, para a retirada imediata do PLP 9/99, em defesa de uma Previdência Social que garanta uma vida digna para todo cidadão brasileiro.
10 pontos contra o PLP 9/99
1) Em seu conjunto, o PLP 9/99 fere a Constituição Federal. Para o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, "em nenhuma hipótese o novo sistema erigido com base nos parágrafos 14 e 15 e no artigo 202 da CF poderia contraditar direito expressamente garantido aos titulares de cargos efetivos pelos parágrafos 30 e 70 do artigo 40, sob pena de total ilogicidade do sistema constitucional".
2) Temos exemplos desastrosos do receituário financista de privatização da previdência. E o caso da vizinha Argentina. Transcrevemos o citado no Informe de Previdência Social, órgão oficial do Ministério da Previdência e Assistência Social, volume 13, nº 12, em dezembro de 2001: " ... em razão da reforma, o déficit previdenciário argentino aumentou de US$ 891 milhões em 1993, antes da reforma, para US$ 6,7 bilhões no ano de 2000". No mesmo período, observou-se a deterioração do resultado no setor público.
3) O projeto prevê a contribuição definida (CD), mas não o benefício definido (BD), ou seja, sabe-se quanto o servidor deve pagar, mas não se sabe, quando da sua aposentaria, se ele receberá o valor correto. Seria uma espécie de "poupança compulsória", cuja quantia exata deve ser depositada todo mês, mas não se sabe se, ao final de um determinado tempo, o servidor receberá a contrapartida correta, pois ficará à mercê das flutuações do mercado financeiro.
4) Esta “poupança compulsória” ficará sob a responsabilidade dos fundos privados, isto é, seguradoras ou bancos privados, que seriam os únicos beneficiados, demonstrando que a mudança para o modelo de capitalização não aumentará a poupança, contribuindo somente para proporcionar grandes lucros ao setor financeiro, em detrimento dos trabalhadores e do próprio Estado.
5) Não há certeza quanto ao retorno da aplicação dos valores arrecadados, assim como não há garantias por parte do ente federado. Portanto, daqui a alguns anos, o servidor poderá ser surpreendido com a notícia de que o saldo da sua "poupança compulsória" foi zerado.
6) Em caso de falência ou liquidação extrajudicial da entidade de previdência complementar (má gestão, má aplicação financeira, corrupção, etc.) não há garantia do ente federado perante os servidores. Em passado não muito distante, tivemos diversos exemplos nesse sentido (ex: Montepios, CAPEMI, GBOEX, etc ...).
7) Em relação ao que o servidor público já contribuiu para sua aposentadoria, antes da implementação da previdência complementar, o ente federado pode pagar em forma de benefício (proporcionalmente), quando da aposentadoria, ou então, deixar para a previdência complementar pagar. Neste caso, o ente federado deverá repassar os valores calculados atuarialmente. Por serviço passado, inclui-se o tempo de serviço na iniciativa privada (vinculação com o RGPS). Também não há garantia de que isso será feito, pois muitos governos falam em déficit previdenciário.
8) A participação dos servidores na previdência complementar é apenas junto ao Conselho Deliberativo, que terá também a participação dos representantes do ente federado. A estes últimos caberá a indicação do presidente do Conselho, que além do seu voto, terá o voto de qualidade; portanto, não haverá uma gestão democrática e paritária.
9) Os membros da Diretoria da Previdência Complementar serão nomeados e exonerados pelos membros do Conselho Deliberativo. Deverão ter formação de nível superior e experiência na área financeira, administrativa, contábil, jurídica, de fiscalização, atuarial e de auditoria. Não há obrigatoriedade de que sejam servidores públicos. Portanto, dificilmente haverá comprometimento dos Diretores com a causa dos servidores.
10) Resumidamente, a aprovação do PLP 9/99 significará a quebra de contrato com os servidores públicos; privatização da previdência dos servidores públicos; transferência de poupança pública para o setor privado; extinção de direitos dos servidores públicos e aumento brutal das despesas e dos gastos estatais. O PLP 9/99 traz consigo uma série de inconsistências de ordem técnica e jurídica e, na verdade, esse regime de capitalização significará a substituição do modelo de solidariedade para o modelo capitalista, com sérios danos para as contas públicas.
São signatárias deste documento as seguintes entidades representativas dos servidores públicos no Estado de São Paulo:
AAPMSOR - AAPS - AASPTJ/SP - ACAF - ACFP - ADPESP - ADUNESP - AEPESP (Escr) AFALESP - AFIAMSPE - AFPCESP - AFPESP - AFPJB - AFRESP - AFUSC - AFUSE - AGEPOL - ANDES / SN - AOJESP - APAMPESP - APAPESP - APASE - APATEJ - APEOESP - APESP - APESPP - APMP - APROFEM - ASJCOESP - ASPA - ASPCAmp - ASPESP - ASRUNESP - ASSERJUS - ASSETJ - ASSOJUBS - ASSOJURIS - ATAATESP - CAPESP - CNSP - CPC - CPP - FASDESBRA - FASP - FEASP - FENAL - FESPESP - FESSP-ESP - FUNSERV - MOSAP - SIMOESP - SINAFRESP - SINDALESP - SINDAPESP - SINDASP - SINDCHEFE - SINDEST - SINDFESP - SINDIF - SINDMINP - SINDIMMAR - SINDSAÚDE - SINDSEP - SINESP - SINPCRESP - SINPEEM - SINTRAJUD - SISDERESP - SISPESP - SPSMSOR - SSPMAS - UDEMO - UNAFISCO - UNSP -USPESP
São Paulo, abril de 2003.”
O SR. PRESIDENTE - ROMEU TUMA JR. - PPS - Tem a palavra o nobre Deputado Sebastião Almeida.
O SR. SEBASTIÃO ALMEIDA - PT
- SEM
REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente,
Srs. Deputados, população que nos acompanha através da TV Assembléia, estamos
comemorando no país os 100 dias do Governo Lula que, após muitos anos se
consolidou na oposição e que nas últimas eleições o povo brasileiro deixou
claro que o seu líder maior, Luiz Inácio, assumisse a Presidência da República.
Poderíamos
destacar vários pontos positivos nestes cem dias de Governo. Mas queria
prender-me a um que considero, se não o maior, pelo menos o de maior
importância para a sociedade brasileira, o Programa Fome Zero. Há muito tempo
neste país vivemos o problema da fome. Mas jamais esse problema foi enfrentado
com tamanha segurança e consciência como agora pelo Governo Lula.
Em
épocas anteriores, quando se elegia um Presidente da República, a imprensa, a
mídia de um modo geral, abordava muito mais as questões econômicas, o mercado
financeiro e seu impacto do que propriamente os problemas que afligiam o ser
humano no seu dia-a-dia, como a questão da fome, saneamento básico, Educação,
Saúde.
O
Presidente Lula foi muito feliz quando colocou na Ordem do Dia a questão da
fome como prioridade de seu Governo, chegando a ponto até de afirmar que se
durante quatro anos esse fosse o único problema resolvido, ele deixaria a
Presidência da República de consciência tranqüila por ter cumprido sua missão.
O
que estamos acompanhando nesses cem dias de Governo? Primeiro, uma participação
muito grande da população, de um modo geral, dos mais humildes, da indústria,
do comércio, de entidades sindicais. Quero aproveitar a oportunidade inclusive
para destacar o Sindicato dos Rodoviários de Guarulhos, que publicou no seu
jornal a campanha do Fome Zero e vem fazendo campanha na categoria arrecadando
alimentos. Isso é muito importante, é um exemplo a ser seguido pelos demais
sindicatos. Portanto, gostaria de cumprimentar o seu presidente Sr. Irapuã e
toda diretoria. Esperamos que todas as entidades sigam esse exemplo, fazendo
esse debate com aqueles que têm o que comer, porque a fome é, sem dúvida
alguma, uma das piores coisas que podem existir para qualquer cidadão.
Nosso
Presidente foi feliz ao fazer a campanha e está sendo muito feliz a sociedade
brasileira pela manifestação e dedicação. Todos os canais de televisão estão
abordando a questão do Fome Zero. É um programa que ganhou o coração de todo
mundo, está sendo tratado de forma clara e transparente, ninguém está se
comprometendo em fazer nenhum milagre, mas o Brasil, com a riqueza que tem, com
a potência que tem e, principalmente, com o povo generoso que tem, vai dar a
volta por cima. Não podemos admitir ninguém passando fome.
Está
de parabéns o povo brasileiro. Está de parabéns o Presidente da República e
toda a sua equipe, em que pese as dificuldades, porque polemizou-se muito a
respeito de como o programa seria iniciado. É melhor que o programa demore um
pouco mais, mas comece de forma efetiva, de forma a não deixar nenhuma dúvida
na cabeça das pessoas. Portanto, o Brasil está comemorando cem dias do Governo
Lula, acima de tudo, com muita esperança e otimismo, porque o povo brasileiro
quer um país melhor e está ajudando Lula a construir este país que todos
querem.
O SR. PRESIDENTE - ROMEU
TUMA JR. - PPS - Tem a palavra o nobre Deputado Arnaldo Jardim. (Pausa.) Tem a palavra o
nobre Deputado Souza Santos.
O SR. SOUZA SANTOS - PL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, Srs. Deputados,
amigos do rádio e da TV Assembléia, na última quinta-feira estivemos falando a
respeito do campus da Unesp de Sorocaba. Naquela ocasião, contamos com a
presença, na nossa região, de muitas autoridades, dentre elas o Governador Geraldo
Alckmin; a Deputada Federal Sra. Yara, do PT; o Deputado Pannunzio, do PSDB;
dos Deputados Estaduais Hamilton Pereira e José Caldini Crespo e dos
Secretários Meirelles e Barradas.
Faço
questão de registrar este exemplo para as pessoas que estão em casa, pois isso
é algo que deve ser imitado. Quero aqui parabenizar o nosso Prefeito de
Sorocaba, Renato Amary, e o Sr. Governador pela iniciativa, pois é em cima da
Educação que teremos as respostas para as questões sociais, para a questão da
violência, galopante em nosso país. Mas se nós, parlamentares, estivermos
atentos, como é a preocupação dos Prefeitos e do Governador, teremos esse caso
se não estancado, pelo menos bem reduzido. Então, quero deixar aqui registrado
esse exemplo do que aconteceu em Sorocaba. É um exemplo a ser seguido.
Ouvi
atentamente o discurso do meu amigo Tiãozinho sobre o que ocorreu em Campinas
com o nosso amigo Toninho. Se tivermos os jovens nas escolas, teremos menos
bandidos nas ruas. Quero dizer também, Tiãozinho, que o que faz a violência
crescer é exatamente a questão das drogas. No Brasil morre quem presta. Quem
não presta está vivo. E aqueles que lutam pela sociedade, como era o caso do
Prefeito Toninho, homem bravo e lutador, querido pela população de Campinas,
morre. Ele morreu porque queria o bem de Campinas. Infelizmente vivemos num
mundo em que os valores estão invertidos: o certo é errado e o errado é certo.
Temos de mudar nossos valores.
Tenho
como meta prioritária a questão da Educação e também a questão da Saúde. Tenho
visitado cidades e falado com Prefeitos. Apresentarei, em breve, projetos
destinando verbas para a manutenção das Santas Casas, para a manutenção das
escolas. Tenho certeza de que isso pode mudar, embora não haja vontade
política. Nós, parlamentares da Assembléia, temos de trabalhar.
Certa
vez um repórter me perguntou o que eu faria na Assembléia Legislativa.
Respondi: “Aquilo que for de interesse da população, independentemente de sigla
partidária, assinarei embaixo.” Quem não quer um país mude para melhor! Aquilo
que for bom para a nossa população viver melhor, irei apoiar.
O SR. PRESIDENTE - ROMEU
TUMA JR. - PPS - Esgotado o tempo destinado ao Pequeno Expediente, vamos passar ao
Grande Expediente.
* * *
- Passa-se ao
GRANDE EXPEDIENTE
* * *
O SR. PRESIDENTE - ROMEU
TUMA JR. - PPS - Tem a palavra a nobre deputada Analice Fernandes. Sobre a mesa
requerimento de permuta de tempo entre a deputada Analice Fernandes e o
Deputado Alberto Turco Loco Hiar. Tem a palavra o nobre Deputado Alberto Turco
Loco Hiar, pelo tempo de 10 minutos e 48 segundos.
O SR. ALBERTO TURCO LOCO
HIAR - PSDB - Sr.
Presidente, Srs. Deputados, ocupo a tribuna para, em primeiro lugar,
parabenizar o Sr. Governador de São Paulo, que vem mostrando cada vez mais
competência, principalmente na área da saúde. Houve uma grande inauguração na
zona leste, no bairro Sapopemba, região de São Mateus. Com certeza hoje, a
população terá mais saúde, em função do Hospital Estadual do Sapopemba. Durante
o Governo do PSDB já inauguramos por volta de 15 hospitais. Além disso no
Hospital Ipiranga será inaugurado um Centro de Tratamento Cardiológico, que nos
deixa muito felizes, além da reforma de mais um andar do hospital que vai nos
dar mais 50 leitos. Temos dois hospitais estaduais nesta região, o Hospital de
Heliópolis e o Hospital do Ipiranga.
Aproveitando
que estou falando em saúde, este final de semana foi um pouco triste para nós
brasileiros, em primeiro lugar pela Fórmula 1, em função de ter acabado a
gasolina do carro de Rubinho Barrichello, e pelo retrocesso que o país vive em
relação a atitude do Governo federal em liberar a propaganda de cigarro na
Fórmula 1, nos eventos esportivos.
No
meu primeiro mandato de Vereador, por volta de 95, 96, com o apelido Turco
Loco, fiz um projeto de lei que proibia a propaganda de cigarro e de bebidas
alcoólicas nos próprios municipais. Esse projeto foi aprovado na Câmara e
vetado pelo Prefeito. Derrubado o veto, o Prefeito Pitta entrou com uma liminar
para cassar a derrubada do veto.
José
Serra, Ministro da Saúde, conseguiu, através de um trabalho intenso, mostrar
que a propaganda do cigarro é nociva, aprovou esse projeto no Congresso, com
uma carência de dois anos para a implantação. O então Deputado Mercadante achou
que o projeto deveria vigorar imediatamente para impedir a propaganda do
cigarro. Nesta época o Brasil ganhou na questão da saúde, avançando na
conscientização, mostrando para a população a importância de coibir a
propaganda do cigarro e da bebida alcoólica. Agora vem o Governo federal, ou seja,
o Governo do PT e rompe com esse ganho que o Brasil teve.
O
que vimos foi uma tristeza muito grande na corrida, em função de que Rubinho
vinha disputando o primeiro lugar e perdeu a corrida por falta de gasolina, e a
propaganda de cigarro.
Causa-me
muita estranheza, porque a maioria das empresas de cigarro são
norte-americanas. Aproveito para falar do meu repúdio às marcas americanas.
Acho que a juventude de hoje tem que evitar fumar. É o livre arbítrio, cada um
faz o que quer com a sua vida, mas eu oriento meus filhos. Nunca fumei um
cigarro, graças a Deus, e nenhum tipo
de droga, não bebo, mas estou promovendo um boicote da minha maneira, pacífica,
a produtos americanos: não tomo mais Coca-Cola. Não compro mais tênis Nike. Não
abasteço o meu carro em posto Shell, Texaco, e em nenhuma outra distribuidora
de petróleo americana. Não chamo mais, isso é irônico, cachorro-quente de hot
dog. É boicote aos produtos americanos. É boicote a essa política comercial
nociva ao mundo, e ao cigarro também. E seria muito importante o Brasil dar
esse passo de independência econômica, proibindo a propaganda do cigarro na
Fórmula 1. Seria histórico para o Brasil, marcaria uma posição firme do
Presidente da República. Mas o que vejo na verdade é um fato triste quando ligo
a televisão, sabendo, é claro, que isso já era uma resolução da Presidência da
República, e que o atual presidente
Lula, liberou a propaganda do cigarro na Fórmula 1.
Não
sei quantos jovens estão me vendo, quantos pais de família, ou as pessoas que
concordam ou não com o que estou falando, mas é algo para se pensar: o que é
que tem a ver a propaganda do cigarro? Tem a ver muito com a nossa saúde. Os
males que o tabaco traz para o nosso organismo, e aqui temos médicos que
saberiam falar muito melhor a respeito disso. Eu perdi um pai de enfarto, que
fumava três maços por dia. Talvez, se ele não fumasse, estivesse aqui até hoje.
Quantos amigos que perdemos de câncer, provocado pelo cigarro, pelo tabaco?
Cabe nesse momento fazer uma reflexão do ganho cultural e no avanço que o país
teria, impedindo a propaganda de cigarro na Fórmula 1.
Acho
que o discurso que eu ouvia antes - fora o FMI, - tem alguma coisa a ver com a
imposição do mercado internacional em relação às políticas no Brasil, porque
deve ter tido um lobby muito grande para poder liberar esse tipo de propaganda.
Vou fazer só uma crítica, porque se não a fizer talvez eu não me sinta bem, aliás já a venho fazendo em anos anteriores. Eu fiquei feliz quando o Schumacher rodopiou na pista porque ele estava na frente do Rubinho. Mas quando ele saiu do carro, e o vi caminhando na chuva, a pista totalmente inundada, sem condições, achei uma vergonha para o Brasil, uma pista em condições tão precárias, com o tanto que se gasta para se fazer a Fórmula 1, e é isso que gostaria de falar. A Prefeitura de São Paulo desembolsa, em torno de 30 milhões de reais. O orçamento da Secretaria Municipal de Esportes é de aproximadamente 80 milhões e se gasta quase 30 milhões só com a Fórmula 1; quando vejo Schumacher indo em direção aos boxes em um caminho cheio de barro, com pedregulhos pergunto para onde vai esse dinheiro.
E sou fã da Secretária Municipal de Esportes, Nádia Campeão, por sua brilhante atuação. Mais uma vez vou deixar registrado aqui que o lucro é privado. É dos promotores que cobram um absurdo para se entrar na Fórmula 1. Agora, o prejuízo é público, porque se deixa lá uma quantia absurda.
Acho que a Prefeita tem que rever isso. Essa contratação de ar condicionado, de camarins, de arquibancadas, não digo que seja superfaturado, mas o que estou alegando que é muito caro para um evento em que um promotor ganha muito dinheiro. Fora a minha indignação com a propaganda do cigarro na Fórmula 1 que, repito, é um retrocesso para o país. Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE - ROMEU TUMA JR. - PPS - Tem a palavra o nobre Deputado Sebastião Arcanjo, por permuta com a nobre Deputada Maria Lúcia Amary, pelo prazo regimental de 15 minutos.
O SR. SEBASTIÃO ARCANJO - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, Deputado Romeu Tuma, Srs. Deputados, ao ocupar esta tribuna minha intenção era fazer aqui, assim como o Deputado Sebastião Almeida, um breve balanço dos 100 dias do Governo Lula, o Governo que retomou a esperança de vencer o medo e que colocou na agenda política do Brasil temas que dizem respeito ao interesse não só do povo brasileiro mas a todo o povo da América Latina, continente que sofre pressões imensas sobretudo do grande capital internacional; que possa repensar uma nova condição de estratégia geo-política que coloque o Brasil no patamar de liderança política.
Assim, o nosso país poderá se inserir na disputa que se trava no mundo, hoje, não só do ponto de vista das políticas macroeconômicas, mas da agenda social que o Lula abriu a partir do discurso que fez tanto no Fórum Social Mundial em Porto Alegre como também em Davos.
Mas seria desnecessário ocupar a tribuna para esse fim, pois penso que o nosso Presidente, ao ocupar a Rede Nacional de Televisões, deu demonstração não só de correção política, de ética, mas também de humildade ao reconhecer que há pontos no Governo que ainda precisam avançar.
Mas sem dúvida alguma seria um equívoco, como já caracterizei em outro momento, seria estar vivendo em outro país se não reconhecêssemos os avanços implementados nesses primeiros 100 dias do Governo Lula. O equívoco aumenta quando se tenta comparar quantitativamente e qualitativamente o esforço que estamos fazendo e aquele que foi feito até então. Digo até então porque qual foi o grande sentimento da população brasileira nas eleições passadas? O sentimento de que precisaríamos fazer um movimento de novo de sentir-se brasileiro, o sentimento de pertencer a uma nação, o sentimento de reconstruir valores em um país que foi descaracterizado em função de uma política entreguista, que ficaram de joelhos submetidos a uma agenda mundial imposta que nos trouxe enormes conseqüências: um processo de submissão, de endividamento astronômico, nunca passamos por uma situação de dependência tão grande. O Brasil nunca ficou tão vulnerável do ponto de vista econômico. O Brasil se deu ao luxo de importar o modelo de privatização que nos impôs a perda do patrimônio, aquele que poderia ser fator de fomento, de desenvolvimento e de indução de uma nova economia.
Portanto, temos que dar um salto e tentar reconstruir esse Brasil, apresentar uma agenda de reformas de base, aquela que foi pensada lá atrás na década de 60; reconstruir a idéia que temos de valorizar a indústria nacional; reconstruir a idéia de que este é o país do futuro. Deve ser isso que está incomodando tanto aqueles que perderam as eleições; deve ser isso que está incomodando aqueles que não compreenderam que o Brasil mudou e vai mudar mais ainda.
Assim, não podemos reduzir o debate que se coloca hoje. É uma questão pontual. Não fumo. Não sou a favor das propagandas de cigarro. Mas dizer que isso caracteriza uma situação de dependência seria, no mínimo, não reconhecer ou estar vivendo em um outro planeta.
Situação de dependência foi o modelo de privatização aqui no Estado de São Paulo, esta, sim, com a aventura no setor elétrico que fez com que a economia do Estado de São Paulo perdesse 10 bilhões de dólares em apenas um ano.
A situação do Sivam, na Amazônia, aquilo é perda de soberania. Permitir que se instalasse um equipamento de fiscalização com tecnologia, com orientação e com todo o direcionamento para que as empresas norte-americanas fossem as vencedoras naquele processo. A abertura que se faz hoje para transformar a Amazônia em um paraíso, para aqueles que vão lá não só agredir o nosso meio ambiente mas retirar dali o que hoje colocaria o Brasil em um patamar de disputa, do ponto de vista de medicamentos, da biotecnologia. Isso foi feito sem nenhum tipo de pressão, sem nenhum instrumento de fiscalização e controle. Isso é tornar um país dependente.
Atendimento da Lei de Patentes. O que é esta lei se não a exigência dos Estados Unidos? A maneira como estava se negociando a Alca, aqui neste país, é uma situação de dependência. Poderíamos ficar o dia inteiro aqui falando do que caracterizava uma situação de submissão e o que caracteriza o sentimento de pertencimento. Basta vermos como foi a posse do Lula. O que os brasileiros mais tinham orgulho de carregar era a bandeira brasileira, como se dissessem: agora, de fato, vamos ter um Presidente que defende o nosso país. Agora vamos ter um Governo que tem a preocupação com o nosso povo. Agora vamos ter um Presidente que vai viajar pelo Brasil e não pela Europa. Vamos ter um Presidente que veio do chão da fábrica, que tem uma história de vida como tantos josés, marias, bastiões das silvas. Este é o Presidente com o qual tanto sonhamos. A idéia de que a democracia possibilite que uma nova classe social, que novos políticos assumam o poder é a grande contribuição que deu o PT e aqueles que tombaram na luta contra a ditadura.
Há alguns que acham que é muito cedo para falar que o Governo Lula está acertando; outros dizem que o Governo está copiando aquilo que deu certo no outro Governo; outros, que o Governo está fazendo tudo errado.
De qualquer maneira, temos um período de balanço, como pressupõe uma democracia. Agora, negar que aqueles que criaram o fantasma, a ilusão, que fizeram terrorismo, como jogam bomba no Iraque hoje, queriam indicar o Presidente para os colombianos e tentaram, porque foram buscar lá nos Estados Unidos os articuladores e os marqueteiros para fazer a campanha deles aqui no Brasil, Isso é dependência não só econômica mas política. Quem fez a campanha, no passado, de Maluf, Alckmin? Todo mundo foi buscar assessoria dos americanos para ensinar como se ganha uma eleição, como se monta partidos, máquinas eleitorais artificiais, enquanto não discutíamos um sistema público de financiamento de campanha.
Mas o sentimento não é deste Deputado. O sentimento é do povo brasileiro que dá 85% de confiança para o Lula. O sentimento é de um Presidente que ainda tem problemas no programa Fome Zero, mas ainda queremos colocar a questão da fome na agenda. Vamos ficar discutindo que há problemas no Programa Fome Zero e vamos ficar dizer que não há problema de fome no Brasil!
Quem transformou o Brasil em um país endividado - de 800 bilhões de dólares em dívida? Isso é obra de quem? É obra do acaso? Por mais que acreditemos em Deus não é obra do Espírito Santo. Isso tem nome, tem responsável, entre eles mesmos, do que foi o processo de privatização do setor de telecomunicações.
Poderia ficar aqui
desfilando, mas como vamos ter vários meses para fazer o debate, eu penso que
poderíamos permitir o aparte em outra ocasião.
Eu gostaria de ocupar a tribuna
nesses dois minutos e trinta segundos que me restam para falar de coisas boas.
Essa notícia que a Deputada Anna Martins nos traz de ter aqui uma força tarefa
da ONU, os nossos ministros junto com o Presidente hoje em São Paulo, dizendo
para a população que hoje mora em um bairro, em uma favela, em uma ocupação,
que ela terá direito de cidadã, que portará um documento não será confundida
com um marginal se a polícia a parar. Ela tem um endereço. Mora ali. Aquela
favela hoje é um bairro, porque o Governo está urbanizando, dando dignidade.
Essas ocupações serão transformadas em assentamentos de verdade, com políticas
públicas articuladas, com cartão único que possa desenvolver esses programas.
O próprio Governo em São
Paulo admite que essa política está desarticulada, que não está sendo possível
fazer a inclusão necessária. Eu digo essas coisas porque temos esperança ainda,
que é possível propor uma nova agenda. E quem está propondo essa agenda é o
Governo Lula, em que pese termos ainda questões difíceis a serem tratadas nesta
Casa, como a reforma da Previdência.
Já existe uma articulação de
trabalhadores do serviço público que têm propostas, querem participar do
debate, e esta Casa, com a comissão constituída, irá introduzi-los nessa agenda
política, nessa agenda econômica, de tanto interesse ao Estado de São Paulo.
Quero ainda dizer, nobre
Deputado Ítalo Cardoso, que apresentamos um projeto de lei nesta Casa
instituindo um programa estadual de ações afirmativas, de promoção de
igualdade, de cotas de inclusão. É um programa bastante abrangente, com sete
itens na área da saúde, da educação, da cultura, da comunicação, que propõe um
debate aberto, franco, sincero sobre cotas.
Quero chamar a atenção
daqueles Deputados que são solidários com a emenda do Deputado Carlos Machado,
sobretudo os que fazem parte da base de sustentação do Governador Geraldo
Alckmin nesta Casa. O Governador de São Paulo, nessa atividade que houve em
Sorocaba, questionado por um repórter da região do Jornal “O Cruzeiro” sobre
sua opinião sobre as políticas públicas, disse estar interessado em debater o
assunto.
Para nossa satisfação, no
"Diário Oficial" de hoje, o Governador institui um grupo na
Secretaria da Justiça e Cidadania para debater a questão das cotas, das
políticas públicas de inclusão social, situação provocada inclusive pela
pressão que a empresa fez neste final de semana sobre a posição do Estado de
São Paulo a respeito desse tema. Penso que é um tema importante, uma agenda
atual que, mais uma vez, o Governo Lula toma a iniciativa de construir uma
Secretaria específica, com status de ministério para tratar da questão racial
no Brasil de maneira aberta.
É um problema que estamos
escondendo há mais de 500 anos no Brasil. Depois de 354 anos de suposta
abolição, quem sabe tenhamos um ministro negro no Supremo Tribunal, uma mulher,
para que esta república que queremos refundar no Brasil seja uma república de
todos os brasileiros, não só daqueles que historicamente se beneficiaram pelo
processo de concentração de riquezas, concentração de poder e daqueles que
praticaram atos discriminatórios e querem colocar embaixo do tapete.
O SR. ALBERTO TURCO LOCO HIAR - PSDB - Nobre Deputado Sebastião
Arcanjo, solicito um aparte a Vossa Excelência.
O SR. SEBASTIÃO ARCANJO - PT - Deputado Turco Loco, eu gostaria de me desculpar com V. Exa. por não conceder um aparte, porque essa não é minha prática. Inclusive já fiz isso em outro debate.
Sr. Presidente, cedo o restante do meu tempo ao nobre Deputado Ítalo Cardoso.
O SR. PRESIDENTE - ROMEU TUMA JR. - PPB - Srs. Deputados, tem a palavra, por cessão de tempo do nobre Deputado Sebastião Arcanjo, o nobre Deputado Italo Cardoso, pelo restante do tempo.
O SR. ÍTALO CARDOSO - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, Srs. Deputados, telespectadores da TV Assembléia, quero, em primeiro lugar, agradecer ao Deputado Sebastião Arcanjo, que, com mais uma demonstração de grandeza, nos cede parte do seu tempo, para que possamos falar sobre assuntos que estão acontecendo na cidade de São Paulo.
O primeiro deles, Deputado Tiãozinho, é exatamente sobre essa festa que o Deputado Turco Loco disse que ocorreu na semana passada na cidade de São Paulo. De louco, ele não tem nada, porque o conheço há muitos anos como vereador. Se fosse louco não estaria aqui e não seria o empresário tão bem sucedido que é. Portanto, nada daquilo que ele fala aqui tem a ver com louco, principalmente o fato de ele conseguir transformar em vitória aquele fato que ocorreu sábado em Sapopemba.
Foi uma farsa, Deputado Turco Loco. Um circo. Um grande circo. O Governador foi lá inaugurar a pretensão de um hospital que já está há dez anos tentando-se levantar. Ele não foi inaugurado porque nem 5% dele está em condições de funcionar. Inclusive está-se tornando prática do Governador do Estado sair inaugurando aquilo que não existe ou reinaugurando aquilo que já foi inaugurado várias vezes.
O SR. ALBERTO TURCO LOCO HIAR - PSDB - Nobre Deputado Italo
Cardoso, V. Exa. poderia me conceder um aparte?
O SR. ÍTALO CARDOSO - PT - Pelo meu tempo, não poderei ceder um aparte a V.
Exa., nobre Deputado. Portanto, peço que não insista.
O SR. PRESIDENTE - ROMEU TUMA JR. - PPB - Esta Presidência solicita
ao nobre Deputado Alberto Hiar, informado que está pelo nobre orador em não
conceder aparte, que não insista, independentemente de concordar ou não com o
posicionamento do orador.
O SR. ÍTALO CARDOSO - PT - Obrigado, Sr. Presidente. Desafio o Deputado Turco
Loco, quando ele quiser, ir a Sapobemba para ver o que de fato aconteceu
naquele dia. É um ovo que não tem nada dentro, é uma casca. O Governador
inaugurou ali algo que não existe.
Faço desta tribuna esse
desabafo em nome dos moradores da região de Sapopemba, que se sentiram, mais
uma vez, iludidos, ludibriados, em ver aquela farsa, aquele grande circo,
quando, de fato, não tem nada funcionando ali, não tem hospital pronto. O
Deputado Turco Loco poderá, quando quiser, se quiser, chamar a imprensa para ir
lá e verificar que não tem nada funcionando ali.
Quero aqui, não só me somar
à fala da Deputada Anna Martins, mas dizer que também estive hoje no Memorial
da América Latina e pude ver algo concreto acontecendo nesta cidade, que é um
sonho antigo dos moradores de favela na cidade de São Paulo. Algo que Luiza
Erundina, quando Prefeita desta cidade, tentou aprovar, mas não conseguiu, e só
o Governo Marta Suplicy conseguiu, ou seja, o direito daqueles que estão
morando em áreas municipais que já estejam consolidadas de receber um título de
permissão para moradia.
Hoje, senhoras e senhores, isso é uma realidade para 40 mil famílias na Cidade de São Paulo. Mais de 160 favelas serão, a partir de agora, reurbanizadas, podendo entrar no Orçamento Público Municipal e fazer parceria com o Governo Federal. Isso, inclusive já está acontecendo. Hoje, estavam presentes, além do Presidente Lula, o Ministro das Cidades, Olívio Dutra, e, como bem disse a Deputada, a grande equipe da ONU que está procurando dar uma moradia para o