FuncionAL - Com vocês, Telma


01/11/2018 18:43 | Entrevista | Natacha Jones - Foto : Raphael Montanaro

Telma Lovato<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-10-2018/fg227069.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Telma Lovato<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-08-2018/fg226830.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a> Telma Lovato<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-08-2018/fg226831.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Uma vida com trilha sonora de primeira. Foi assim que Telma Lovato conduziu sua história: recheou-a de decisões práticas, mas também de uma beleza que só a música poderia trazer. Aos 26 anos, era formada em educação física e dava aulas de natação - e nas horas livres entregava-se ao seu talento. Chegou até a fazer parte de uma banda, em que era "backing vocal" e ainda tocava gaita.

Naquela época, era casada e já tinha seu primeiro filho, o Victor Lovato. Ela via as reponsabilidades crescerem e as aulas de natação já lhe pareciam insuficientes para ajudar nos custos da família. "Estava saturada, até da condição que a profissão me impunha de estar todos os dias em contato com o cloro. Precisava de estabilidade e de um sustento melhor para minha família."

Foi nesse contexto que soube, por meio de uma amiga, do concurso da Assembleia - e tudo pareceu se encaixar. "Além de tudo, aqui também tinha a creche e na época meu filho estava com 10 meses. O problema era que o concurso oferecia apenas 3 vagas, ou seja, tinha de ficar nas primeiras classificações." Ela estava decidida. Em 1993, passou em segundo lugar na disputa e assumiu uma vaga de assistente de puericultura dentro da creche. "O foco do serviço era cuidar, alimentar, limpar e ensinar às crianças noções de higiene. Também aplicávamos atividades pedagógicas, tudo com muita qualidade".

Com o passar do tempo, ela foi se desanimando com as atividades repetitivas que a função exigia. "Comecei a ter outros objetivos. Por exemplo: havia cursos na Casa e a gente não podia fazer, pois havia poucas cuidadoras na creche e as crianças precisavam de supervisão o tempo todo."

Depois de 4 anos atuando na creche, Telma pediu à chefia para ser realocada em outro setor da Casa. Era um ciclo que se encerrava.

Em 1997, ela começou a trabalhar como recepcionista de uma liderança partidária, onde ficou por 6 meses. "Pouco depois de assumir a vaga, fui convidada a compor a equipe da Primeira Secretaria. Achei que dessa forma teria mais opotunidades de mostrar o meu trabalho, e aqui estou há 20 anos."

A Primeira Secretaria, por fazer parte da Mesa Diretora, discute atos e decisões relacionados ao Departamento de Recursos Humanos. Além disso, desenvolve outras atividades que envolvem eventualmente decisões financeiras.

Telma conta um pouco da rotina de atividades do setor. Ela dá andamento a questões administrativas que precisam ser encaminhadas e resolvidas pelo primeiro secretário ou por seus assessores. Além disso, trata do agendamento de audiências e de reuniões internas e externas.

Talento artístico

Por trás da profissional decidida e focada, esconde-se a artista. Aliás, nem tão escondida assim: Telma já fez algumas apresentações nos espaços da Casa, a convite dos colegas. Tudo começou ainda criança, quando demonstrava gostar de cantar; na adolescência, aventurou-se a experimentar alguns instrumentos musicais, até identificar-se com um específico. "Ganhei uma gaita e comecei a estudar. Eu parava de praticar, depois voltava. Não tinha muitas opções na época, apenas revistinha de violão e teclado nas bancas, mas sobre a gaita não tinha nada. Então o jeito era aproveitar o bom ouvido que eu tinha para a música e tentar aprender."

E ela aprendeu. Não demorou muito e, contrariando os próprios planos, o que era apenas um passatempo tornou-se uma paixão. "Eu queria só tocar e curtir, era fácil colocar a gaita no bolso e usar quando quisesse. Mas, por concidência do destino, acabei entrando numa banda."

Em uma feira de discos de vinil que frequentava perto de sua casa, Telma conheceu um músico. "Ele perguntou se eu não queria participar do próximo ensaio. Eu topei, fui uma vez, fui outras vezes e acabei entrando na Banda Expresso 222."

Foram dois anos na banda. "Depois casei, tive filho, passei no concurso da Alesp e fiz a minha opção: deixei o grupo. Não dava para dar conta de tudo ao mesmo tempo. Mas nunca deixei a música fora da minha vida."

Ela diz que criou os filhos Victor e Thales ao som de muito blues e rock dos anos 70, e que seguia apresentando-se em festas e em lugares que os amigos a convidavam. Telma seguiu essa toada até que seus filhos cresceram. "Aí já existia a internet e as opções de material para estudar também haviam aumentado. Então me empolguei e comecei a fazer aulas com alguns professores, que davam um feedback com críticas e elogios e ajudaram meu desenvolvimento."

Em 2015, Telma e a irmã, Carla Lovato, uniram-se e criaram a Musisisters. "Eu tocava gaita, ela ficava no teclado e nós duas cantávamos. Às vezes convidávamos amigos para abrilhantar o nosso dueto. Eram de 2 a 3 apresentações no ano, em barzinhos, feiras e casas de show."

As Musisisters chegaram a se apresentar várias vezes na Assembleia, em ocasiões como comemoração do Dia das Mães e nas Quintas Musicais (apresentações que aconteciam regularmente, promovidas pelo Departamento de Documentação e Informação).

Infelizmente, neste ano, ainda não houve apresentações. "Resolvi dar uma desacelerada e fazer uma cirurgia para tratamento de um edema nas cordas vocais. As pessoas achavam a voz bonita, mas eu estava rouca e não dava para cantar; era algo de que eu precisava cuidar."

Para a futura aposentadoria, ela diz que pensa em muitas coisas, mas não quer criar expectativas. "Já pensei muito, em morar na praia, no mato, comprar uma loja - e desisti de tudo. Ainda falta algum tempo, mas certamente quero dedicar mais tempo à música, e quem sabe um curso de paisagismo."

Quanto à Alesp, Telma diz: "Aqui é minha segunda Casa, só tenho a agradecer por todas as oportunidades e aos amigos, que ao longo do tempo tornaram-se grandes companheiros dessa jornada."