Fevereiro Roxo chama atenção para três doenças graves


11/02/2019 16:22 | Campanha | Luiz Redha

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Embora não exista um calendário oficial sobre as cores de todos os meses, campanhas com essa associação são cada vez mais comuns, já que é uma forma de chamar a atenção para a importância de temas que envolvem a saúde. Na maioria das vezes, as doenças graves, se identificadas em estágio inicial, podem ser tratadas e têm grandes chances de cura - daí a necessidade de conscientizar a população.

Neste ocorre a campanha Fevereiro Roxo, pela conscientização sobre três patologias sérias, que não têm cura e são de difícil controle: fibromialgia, lúpus e alzheimer.

A fibromialgia é uma síndrome crônica que causa dor e fraqueza generalizada em articulações, músculos, tendões e tecidos moles. O portador pode sentir também fadiga, distúrbios do sono, dores de cabeça, depressão, ansiedade, problemas de memória e concentração, dormência e formigamento nas mãos e nós pés e palpitações.

Não se sabe ainda a causa exata da doença, mas identificam-se alguns fatores que podem facilitar seu desenvolvimento. Mulheres entre 20 e 50 anos têm mais chances de desenvolver a síndrome, que tem maior ocorrência entre membros da mesma família, indicando a possibilidade de existir um fator genético envolvido. Artrite reumatoide e outras doenças autoimunes, bem como traumas físicos e emocionais, são fatores que predispõem à fibromialgia. O tratamento é feito com medicamentos, psicoterapia e redução de estresse.

Tecnologia ajuda a lidar com a fibromialgia

Pensando na qualidade de vida do portador da doença, o departamento de Fisioterapia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo desenvolveu o aplicativo ProFibro, que traz informações importantes sobre a síndrome. Além disso, é possível preencher um questionário mensal e acompanhar o progresso da enfermidade e do controle dos sintomas. A tecnologia conta ainda com um programa de exercícios físicos e uma parte dedicada à higiene do sono.

Lúpus: vacinação em dia pode prevenir

O lúpus eritematoso sistêmico (LES), conhecido simplesmente como lúpus, é uma doença autoimune. Os sintomas são inflamação em articulações, pele, olhos, rins, cérebro, coração e pulmões. Febre, fadiga, dor nas articulações, de cabeça e no peito, rigidez muscular, dificuldade de respirar, confusão mental e perda de memória - além de queda de cabelo, ansiedade e mal-estar - podem acometer aquele que tem a doença.

Em geral, os sintomas surgem logo após o nascimento, mas em alguns casos podem aparecer tardiamente. O início se dá após a ocorrência de infecções, do uso de medicamentos ou até mesmo da exposição exagerada ao sol. Para prevenir essas doenças que têm o risco de ocorrência aumentado após uma infecção viral, é importante manter a vacinação em dia. Aconselha-se que o portador de lúpus imunize-se contra gripe, pneumonia, herpes-zóster, HPV, difteria, tétano e coqueluche (vacina tríplice viral ou dTpa) e hepatites A e B.

Assim como mais de 80 doenças autoimunes conhecidas, o lúpus não tem cura. No entanto, existem alguns tratamentos que podem ajudar a aliviar os sintomas e impedir que eles reapareçam. Problemas musculares e pulmonares são contornados com anti-inflamatórios, e lesões na pele são tratadas com protetor solar e corticoide.

Alzheimer: tratamento retarda sintomas

O paciente inicial do Alzheimer perde a memória recente, embora possa lembrar com facilidade acontecimentos de anos atrás. Com a evolução do quadro, a capacidade de atenção e orientação e a linguagem passam a ser afetadas. A doença neuro-degenerativa torna a pessoa cada vez mais dependente da ajuda dos outros, até mesmo para rotinas básicas, como a higiene pessoal e a alimentação.

O nome da doença é uma referência ao médico alemão Alois Alzheimer, o primeiro a descrevê-la, em 1906. Após o exame do cérebro de uma paciente, ele descreveu as alterações pelas quais a doença é caracterizada hoje: degeneração e morte de células cerebrais - causa do declínio da memória e da função mental.

Embora muitos pacientes possam apresentar períodos de maior estabilidade, a evolução dos sintomas pode ser dividida em três fases. O estágio inicial costuma passar desapercebido, pois frequentemente os sinais são considerados como parte do processo natural de envelhecimento: problemas de linguagem, perda de memória recente e perder-se em locais familiares. Desmotivação, dificuldade em tomar decisões e mudanças de humor também são sinais iniciais.

No estágio intermediário, com a progressão do quadro clínico, as limitações do paciente ficam mais visíveis e preocupantes. A dificuldade na fala avança, da mesma forma que aumenta a dependência de alguém para ajudar em atividades cotidianas. Problemas de ordem comportamental também tornam-se comuns, como repetição de perguntas, gritos e distúrbios de sono.

A terceira fase é a mais próxima da demência e da inatividade. Nessa situação, a pessoa não consegue mais comunicar-se, comer ou reconhecer familiares e, em geral, encontra-se confinada em cadeiras de roda ou camas, e tem incontinência urinária.

Mais de um século após sua descrição, a causa do Alzheimer é um desafio para a ciência médica. Até o momento, sabe-se que a ansiedade, o estresse e o cansaço aumentam em até 40% o risco de doenças neurológicas como o Alzheimer. Existe a possibilidade de infecções pelo vírus da herpes estarem envolvidas no desenvolvimento da doença.

Apesar de não ter cura, alguns tratamentos ajudam a retardar a progressão da doença, como o uso de medicamentos que melhoram a cognição e outras funções mentais, reduzem a pressão arterial e equilibram o humor e o sono.