Brasil volta a registrar casos confirmados de sarampo


14/12/2018 01:24 | Campanha | Isabella Tuma

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Considerada uma das principais causas de mortalidade infantil em países subdesenvolvidos, o sarampo é uma doença infectocontagiosa e causada pelo vírus Morbillivirus. Em 2016, o Brasil recebeu um certificado de eliminação da circulação do vírus pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), resultado da vacinação ocorrer, majoritariamente, durante a infância. A "volta" da doença ao país se dá à importação, uma vez que o genótipo do vírus (D8), que circula atualmente no Brasil, é o mesmo que circula na Venezuela " país em estado de surto de sarampo desde 2017.

O Ministério da Saúde contabilizou, do inicio do ano até o dia 10 de dezembro, 10.262 casos no Brasil. Dois estados do país enfrentam surtos até então: o Amazonas, com 9.779 ocorrências confirmadas, e Roraima, com 349 casos. Sobre óbitos, já foram contabilizados seis no estado do Amazonas, quatro em Roraima e dois no Pará.

Altamente contagiosa, a doença apresenta alguns sintomas em sua fase inicial, como febre, tosse persistente, conjuntivite, coriza e fotofobia. Após o período entre o segundo e o quarto dia, manifestam-se manchas vermelhas " que não coçam - pelo corpo, e a pessoa contagiada apresenta sinais de prostração (debilidade física, fraqueza). Além disso, pode causar otite (infecção nos ouvidos), pneumonia, diarreia e convulsões.

O sarampo pode enganar com remissão, ou seja, alívio em alguns de seus sintomas, como diminuição da febre, escurecimento das manchas avermelhadas, e até mesmo uma descamação fina da pele.

A enfermidade não apresenta causas específicas, a não ser por conta de pessoas suscetíveis (não vacinadas) ao sarampo, além da diminuição de cobertura vacinal nos últimos anos. A transmissão não necessita de um vetor, ou seja, ocorre de pessoa a pessoa por meio de secreções mucosas (como saliva), expelidas pelo enfermo ao tossir, respirar ou falar.

De acordo com Luis Fernando Correia, médico e comentarista de saúde na rádio CBN Brasil, a diminuição de cobertura vacinal pode ser decorrente a alguns fatores, como a dificuldade ao acesso da vacina por falta temporária no mercado nacional e internacional, a distribuição irregular da antiviral realizada por algumas prefeituras, e a réplica praticada por alguns brasileiros de campanhas internacionais contra vacinas - que divulgam informações não embasadas cientificamente.

A Vacina Tríplice Viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola, doenças virais e de fácil contágio, que surgem com mais frequência em crianças. Assim, de acordo com a rotina do Programa Nacional de Imunizações (PNI), a primeira dose desta vacina ocorre, segundo recomendações médicas, aos doze meses do bebê, e a segunda dose ocorre aos quinze meses. No entanto, indivíduos até 29 anos de idade podem se vacinar também em duas doses (com intervalo mínimo de trinta dias), e cidadãos de 30 a 49 anos em apenas uma dose. A antiviral pode ser encontrada em Unidades Básicas de Saúde (UNB).

Gestantes, idosos (+50), pessoas com comprometimento de imunidade por doença ou medicação, ou indivíduos com histórico de anafilaxia após a primeira aplicação da dose ou reação a algum componente não são recomendadas tomar a vacina.

Correia ressaltou a importância da imunização da maior parte da população, uma vez que, quanto maior a parcela de pessoas imunizadas, menor a circulação do vírus na sociedade. "Dizemos que a cobertura ideal da vacinação é de 95% da população, para conseguir proteger não só quem foi vacinado, mas também as pessoas que não podem tomar a vacina " seja por questões de saúde, de idade". O médico acrescentou que, ao não se proteger, a pessoa está tomando uma decisão que afeta a sociedade como um todo, e não apenas ela como indivíduo.