Mineração, construção civil e especulação imobiliária ameaçam meio ambiente em Itapecerica da Serra

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28/01/2022 15:33 | Atividade parlamentar | Da assessoria do deputado Carlos Giannazi

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Adriana Abelhão, Carlos Giannazi e o jornalista Geremias Gomes<a style='float:right' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-01-2022/fg281184.jpg' target=_blank><img src='/_img/material-file-download-white.png' width='14px' alt='Clique para baixar a imagem'></a>

Com 100% de seu território em área de mananciais, o município de Itapecerica da Serra é estratégico para o abastecimento hídrico da capital, uma vez que contribui com 30% do volume da represa de Guarapiranga. Seria uma questão de bom senso o poder público estadual preservar esse território da degradação ambiental, mas é mais do que isso. É lei. A região está inserida na Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais da Bacia Hidrográfica do Guarapiranga, criada pela Lei 12.233, aprovada pela Alesp em 2006.

Apesar disso, empreendimentos de vultoso impacto ambiental estão sendo aprovados pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), e muitos outros ocorrem de forma irregular, visto que não há fiscalização. A denúncia foi feita pela ambientalista Adriana Abelhão, presidente da ONG Preservar Itapecerica da Serra, que participou, junto com o deputado Carlos Giannazi (PSOL), do programa Alesp Cidadania, veiculado em 25/01.

Um desses empreendimentos parece singelo. Um pequeno clube com seis quadras esportivas e uma recepção. A questão é que a construção será feita em um vale, que será preenchido com 3 milhões de m³ de terra e entulho. "É evidente que o grande negócio não é o clube, mas o aterro", denunciou a ambientalista.

A proximidade com a capital faz Itapecerica - junto com outros municípios da região sudoeste da Grande São Paulo - ser vista como área de descarte da terra que é retirada para dar lugar às garagens, no subsolo dos edifícios. E mesmo havendo outros locais onde essa terra seria bem-vinda, sem prejudicar o meio ambiente, o que orienta o cálculo dos empresários é o custo do transporte.

A mesma lógica também opera no sentido inverso, talvez usando os mesmos caminhões. Trata-se da pedreira explorada no município pelo grupo Votorantim desde os anos 1980, que hoje ocupa 20 hectares, mas está pleiteando junto à Cetesb a permissão para triplicar a área de exploração. "Nessa área existem mais de 30 nascentes do rio São Lourenço, que em 2015 foi transposto para abastecer a cidade de São Paulo", advertiu.

Entretanto, o maior avanço em área de Mata Atlântica é realizado de forma clandestina, em loteamentos promovidos com participação do crime organizado. Esse é o motivo que levou Carlos Giannazi a propor o Projeto de Lei 886/2021, criando no município o Parque Ecológico do Crispim, às margens da represa e em área de influência direta do Rodoanel. "Essa é uma reivindicação dos moradores da região, que querem evitar que a área se transforme em um loteamento clandestino", explicou o deputado. "Todos os municípios da região receberam áreas como forma de compensação ambiental, mas quase todas estão abandonadas", complementou Adriana.