Cuidadores de animais domésticos transformam paixão em negócio e impulsionam empreendedorismo

Popularmente conhecido como 'pet sitter', profissional está entre os novos Microempreendedores Individuais (MEI) em expansão; o serviço preserva o bem-estar dos animais deixando-os seguros no próprio ambiente doméstico durante viagens e períodos prolongados de ausência dos tutores
29/07/2026 18:52 | Mercado pet | Daiana Rodrigues - Foto: Arquivo/Gabriela Dorneles

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Gabriela Dorneles é cat sitter na capital paulista<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-07-2026/fg367182.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a> Pet sitter é um dos novos MEIs em expansão em SP<a style='float:right;color:#ccc' href='https://www3.al.sp.gov.br/repositorio/noticia/N-07-2026/fg367183.jpg' target=_blank><i class='bi bi-zoom-in'></i> Clique para ver a imagem </a>

A crescente busca por serviços especializados em bem-estar animal reflete o fortalecimento do vínculo entre tutores e seus animais de estimação. Cada vez mais considerados como membros da família, os pets deixaram de ser meros companheiros. Nesse cenário de mudança nos lares brasileiros, surge a profissão de pet sitter ou "cuidador de animais", que vem se expandindo no país, principalmente, no estado de São Paulo. Embora a profissão seja reconhecida como Microempreendedor Individual (MEI), a atividade ainda não é regulamentada no Brasil.

Diferente de um parente ou vizinho, que presta ajuda informal, o profissional oferece um atendimento especializado. Além de garantir água e alimentação adequadas, ele realiza a higienização, administra medicamentos, promove brincadeiras, interações e monitora possíveis alterações físicas ou comportamentais.

Geralmente, o atendimento ocorre de acordo com cada espécie. Nesse sentido, o dog sitter oferece cuidados especializados para cães, enquanto o cat sitter é responsável pelos cuidados com gatos.

O objetivo é preservar o bem-estar dos animais, reduzindo o estresse durante viagens e períodos prolongados de ausência dos tutores. O serviço contribui para preservar a rotina dos pets, deixando-os seguros e confortáveis no próprio ambiente doméstico. Por ser familiar, a casa possui o cheiro deles, dos tutores e de tudo o que faz parte da vida deles.

Surgida nos Estados Unidos, a atividade começou a crescer no Brasil após a pandemia de covid-19, período em que muitas pessoas adotaram animais como companheiros. Com a retomada das atividades presenciais, a demanda por profissionais de confiança para cuidar dos pets durante a ausência dos tutores aumentou. A expansão do serviço também foi impulsionada pela maior valorização de cuidados personalizados devido ao aumento de informações sobre comportamento e bem-estar animal.

Em São Paulo, o crescimento da atividade vem ocorrendo por fatores como alta concentração de animais de estimação e a rotina intensa dos tutores. Além disso, o aumento de informações sobre comportamento e bem-estar animal trouxe maior demanda e levou muitos tutores a valorizarem o atendimento personalizado no próprio domicílio, em vez de hotéis ou creches para animais.

Reinvenção profissional

Além de representar uma oportunidade de negócio, a atividade de pet sitter tem atraído pessoas em busca de uma nova trajetória profissional. Uma dessas histórias é a de Gabriela Dorneles, de 47 anos, que atua como cat sitter há quatro anos. Moradora da zona leste de São Paulo, ela possui cerca de 70 clientes e chega a atender, em média, nove residências por dia em época de Natal e Réveillon.

"Antes de ingressar na atividade, eu trabalhava como secretária executiva, mas precisei me reinventar profissionalmente após ser diagnosticada com fibromialgia, pois chegou um momento em que eu não conseguia mais exercer minha profissão", conta Gabriela.

Segundo Gabriela, a ideia de ser cat sitter surgiu a partir de conversas com colegas que já exerciam a atividade e a ajudaram compreender melhor esse novo tipo de empreendedorismo. Então, ela decidiu seguir uma profissão que unisse propósito, seu amor pelos gatos e respeito aos seus limites físicos.

"Ser cat sitter não é apenas trabalhar com gatos. É preciso saber como lidar com tutores, porque eles confiam em nós a vida dos seus animais e abrem as portas da própria casa, que é um lugar íntimo e sagrado. Por isso, sempre busco construir uma relação de confiança por meio de uma comunicação próxima com o envio de fotos, vídeos e relatórios de cada visita para que acompanhem tudo e sintam-se tranquilos durante a ausência", disse Gabriela.

Formalização do negócio

Transformar o amor por animais em um negócio formalizado garante segurança jurídica e crescimento econômico sustentável. A medida é feita através do registro na categoria de Microempreendedor Individual (MEI), modalidade simplificada criada para trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores.

O cadastro como MEI é feito pelo CNAE 9609-2/08 na subclasse "cuidador de animais domésticos". No entanto, esse número também abrange outras nove atividades diferentes da área pet, como adestramento. ?Seria muito importante que existisse um CNAE específico. Isso traria o enquadramento ideal para nossa profissão, pois ela vem crescendo bastante e possui características próprias?, opina Gabriela.

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o MEI proporciona um CNPJ, permitindo a emissão de notas fiscais e maior credibilidade. A formalização ainda garante acesso a benefícios previdenciários, baixa carga tributária, possibilidade de contratar um funcionário, acesso facilitado a crédito e apoio do Sebrae por meio de orientações para gestão e crescimento do negócio.

Benefícios e desafios

A atividade oferece benefícios, como flexibilidade de horários, trabalhar com o que se ama e a chance de empreender em um mercado em expansão. Outro fator favorável é a sazonalidade, que impulsiona o faturamento em épocas de alta demanda, como feriados, férias e fim de ano.

O valor do serviço varia conforme a cidade e a região. Na Capital paulista, o serviço custa, em média, R$100 por uma hora de visita. A partir daí o investimento varia conforme quantidade de pets por tutor, necessidade de cuidados especiais e deslocamento até a residência.

No entanto, administrar o próprio negócio e realizar divulgação nas redes sociais são os principais desafios. É necessário ter disciplina, organizar a agenda de clientes, planejar os deslocamentos entre uma residência e outra e lidar com os imprevistos do trânsito, especialmente em grandes cidades, como São Paulo.

Segundo Gabriela, é fundamental investir em qualificação na área para que o pet sitter esteja preparado para identificar mudanças na rotina do animal. Para isso, ela fez cursos sobre comportamento felino, agressividade em gatos, geriatria felina e eliminação fora da caixa de areia, mas também suas experiências como cat sitter também contribuíram para seu aprendizado.

"Durante uma visita, percebi que uma gatinha não estava se comportando como de costume. Como os tutores estavam viajando, eu mesma a levei ao hospital veterinário e foi descoberto um tipo de câncer. Como ela foi diagnosticada rapidamente, pôde iniciar o tratamento e hoje está muito bem. Essa história reforçou para mim como o olhar atento do pet sitter é fundamental para identificar alterações precocemente", relatou Gabriela.

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