Eleições no Iraque e Brasileiro da Obedrecht

OPINIÃO - Said Mourad *
02/02/2005 17:44


Quero parabenizar o povo do Iraque pelas eleições realizadas no último dia 30 de janeiro e desejar que a população daquela parte do planeta possa se recuperar da guerra e que realmente tenha sua própria autodeterminação.

Apesar de o país estar ocupado militarmente por forças estrangeiras, vejo as eleições como um bom sinal; embora possam ser questionadas, representam uma luz que deve trazer a paz.

A paz e a democracia só poderão ser verdadeiras quando, de fato, as forças estrangeiras de ocupação deixarem o Iraque. Nenhuma eleição poderá ser considerada legítima enquanto houver intervenção externa.

Mas como primeiro passo, devemos elogiar a iniciativa e esperamos que num futuro próximo, não muito distante, o Iraque volte a ser controlado pelos iraquianos e que eles, de livre e espontânea vontade, possam decidir quem são os seus representantes e a forma de governo que pretendem adotar. Este primeiro passo democrático precisa ser o começo do fim do derramamento de sangue de inocentes e o início de uma nova era, não só para o Iraque como para todo o Oriente Médio.

Além da eleição ninguém lembra da riqueza do Iraque: o petróleo. Os americanos - isto é governo Bush - falam de tudo, mas nenhuma palavra sobre esta fonte estratégica. Seria importante que todos nós tivéssemos a consciência que o império está assaltando o povo do Iraque com o roubo de suas reservas petrolíferas.

Quero aqui lembrar do nosso compatriota engenheiro brasileiro João José de Vasconcellos Jr, funcionário da empresa Obedrecht, sequestrado no Iraque. A bem da verdade, nenhuma fonte segura garante quem o pegou?, por que motivo? Não seria estranho que os americanos não saibam de nada e continuam calados? Afinal são eles que ocupam o Iraque e lá mantém a mais poderosa e temível força militar do planeta e com tecnologia que muito país periférico ainda nem conhece.

Diferente do Sr. Bush e sua turma, a comunidade muçulmana no Brasil está fazendo todos os esforços possíveis, inclusive com o envio de mensageiros para o Oriente Médio, para que ele possa ser libertado o mais rápido possível. Quero parabenizar esta atitude nobre dos líderes muçulmanos no Brasil e ressaltar o seu espírito solidário de amor e paz.

Não posso também deixar de elogiar a posição do governo brasileiro em relação ao caso. O presidente Lula está de parabéns. A política externa do nosso País sempre foi contra a guerra e a favor da paz e do entendimento. Em relação ao Iraque especificamente, o Brasil foi categoricamente contra a invasão americana e defendeu a autodeterminação do povo iraquiano. Acredito que esta posição, aliada ao alto nível da diplomacia brasileira, é capaz de realmente obter um final feliz para o caso.

Com a ajuda de Deus aguardamos o retorno do engenheiro João José de Vasconcellos Jr.

*Said Mourad é deputado estadual pelo PFL.