Polêmica marca conferência contra o racismo

Delegados brasileiros farão manifestação para forçar representantes oficiais a adotar propostas de entidades (com foto)
03/09/2001 20:22


DA REDAÇÃO

Em entrevista por telefone, o deputado Nivaldo Santana (PCdoB) fez um balanço dos primeiros dias da III Conferência Mundial Contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância, em Durban, na África do Sul. Ele participa do evento como representante da Assembléia Legislativa de São Paulo.

Segundo o deputado, a polêmica tem marcado os trabalhos, "sobretudo porque as delegações dos países desenvolvidos estão dificultando os debates, inclusive abandonando a conferência". De acordo com ele, o impasse tem aparecido sobretudo em discussões sobre a implementação de políticas compensatórias aos povos que foram escravizados, sobre direitos dos homossexuais e sobre a questão israelense.

Santana confirmou que parte da delegação brasileira em Durban está programando para esta terça-feira, 3/9, uma manifestação cobrando a adoção de políticas afirmativas antidiscriminatórias no Brasil. "Embora o relacionamento não seja conflituoso, não existe consenso em torno das propostas que serão oficialmente apresentadas pela delegação", afirmou o deputado.

A comitiva brasileira é a segunda maior presente à conferência, com 300 delegados, mas só os representantes oficiais do governo, liderados pelos ministros da Justiça, José Gregori, têm direito a se manifestar nos debates. Nas reuniões diárias realizadas pela delegação, os representantes de organizações anti-racismo, ONGs e centrais sindicais não têm tido sucesso na tentativa de convencer os delegados oficiais a adotarem as propostas do grupo.