Seqüestros: a realidade e o marketing

OPINIÃO - Afanasio JAzadji*
03/02/2005 19:30


As últimas semanas de 2004 foram parecidas com outras viradas de ano no Estado de São Paulo: o drama em torno de mais um seqüestro. Desta vez, a história terminou bem, tendo sido libertada a mãe do goleador santista Robinho, Marina da Silva Santos, após 41 dias de cativeiro.

Três anos atrás, o publicitário Washington Olivetto viveu um Reveillon dentro do cubículo em que sofreu ameaças durante 53 dias, enquanto os seus seqüestradores tomavam champanhe. Quase na mesma época, o empresário de comunicação Sílvio Santos ficou sob a mira de revólver, pouco tempo depois de sua filha Patrícia ter sido libertada pelo bandido que a havia seqüestrado.

E todos se recordam da bem-sucedida campanha feita por alguns "defensores dos direitos humanos" pela antecipação da libertação da quadrilha internacional de seqüestradores do empresário Abílio Diniz, ocorrido em 1989. As vítimas, em todos esses casos, eram pessoas famosas ou ligadas a alguém famoso.

No entanto, a lista de seqüestros dos últimos seis anos, no Estado de São Paulo, ultrapassa o total de 1.000 vítimas e é constituída principalmente por trabalhadores de classe média. Nem sempre o drama tem final feliz. Bandidos matam reféns, como aconteceu com uma advogada, em 2004, no município de Cotia, na região metropolitana da Capital.

A pergunta que se faz é: até quando, Dona Polícia? Com rapidez de marqueteiro, anuncia-se a criação de um presídio rígido, só para seqüestradores. Falta reformular a lei para castigar melhor esses facínoras...