CPI ouve ex-corregedor da Secretaria da Administração Penitenciária

(com fotos) Carta de presidiário anunciava meses antes megarrebelião
13/09/2001 14:38


DA REDAÇÃO

O desembargador aposentado e ex-corregedor da Secretaria da Administração Penitenciária, Renato Laércio Talli, foi ouvido pelos membros da CPI do Sistema Prisional, presidida pela deputada Rosmary Corrêa (PMDB), na manhã desta quinta-feira, 13/9.

O desembargador, ao falar sobre as causas da violência e sobre os problemas do atual sistema prisional, colocou como centro irradiador das dificuldades a falta de respeito à dignidade humana. Para Talli, a superlotação leva necessariamente à corrupção e ao descontrole do sistema.

Em carta que o desembargador recebeu, quando ainda exercia as funções de corregedor dos presídios, do preso Edson Souza e Silva, o "Edinho", em agosto de 2000, fica explicitado o esquema de preparação da megarrebelião nos presídios paulistas. Edinho relata os passos que as diversas facções criminosas estariam realizando para estender suas ações para fora dos presídios e para organizar um movimento contestatório único a ser deflagrado ao mesmo tempo em diversos estabelecimentos prisionais. Pela carta, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e as outras quatro organizações criminosas que atuam no sistema em São Paulo (Comando Revolucionário Brasileiro da Criminalidade, Comissão Democrática da Liberdade, Seita Satânica e Comando Revolucionário Vermelho da Criminalidade) utilizariam advogados como "pombos-correio" para manter todas as unidades informadas. Segundo o detento, familiares e amantes dos presidiários também fariam parte do esquema, inclusive apoiando a montagem de centrais telefônicas e viabilizando o uso de celulares dentro dos presídios.

Para o desembargador, o governo estadual não encarou com seriedade esta denúncia e foi impotente para evitar a megarrebelião ocorrida em fevereiro deste ano.

"A triagem de presos e a identificação de lideranças nos presídios seriam fundamentais para separar os 10% da população carcerária que fomentam as rebeliões e atuam na expansão das organizações criminosas dentro das instituições. Aliada com o combate à superpopulação e à corrupção poderíamos caminhar para solucionar diversos problemas do sistema", afirmou Renato Laércio Talli.