Muito gás na economia

OPINIÃO - Donisete Braga*
05/07/2004 19:37


Aos poucos o governo do presidente Lula vai dando demonstrações de que sob sua batuta o Brasil vai mudar, crescer e se transformar num país para todos. Muitas decisões estão sendo tomadas em Brasília com objetivo de afastar os obstáculos na área econômica para facilitar e permitir a exploração e potencialização das riquezas da nação, de forma que todos possam se beneficiar num futuro próximo. Os técnicos e políticos deste governo têm a compreensão de que a distribuição de renda e a justiça social estão intimamente atreladas ao crescimento econômico. É preciso crescer, produzir e distribuir.

Nesse sentido, entre outros, já está em curso a implantação de um projeto agressivo de massificação do uso do gás natural, até que se atinja o consumo de 100 milhões de m3 por dia. Fonte de energia limpa e compatível com a necessidade imperativa de preservação ambiental, o uso do gás natural vem crescendo no mundo como alternativa à dependência do petróleo.

O Brasil, que tem grandes reservas de gás natural - 316,56 bilhões em m3 -, demonstra que está no rumo certo para ativar o crescimento. A idéia é expandir o uso do gás natural como matéria prima e energético nos segmentos industrial, veicular, comercial, serviços e residencial. Temos demanda para consumir 100 milhões de m3 de gás natural por dia, mas hoje estamos bem aquém, resumindo-se o consumo a 37 milhões de m3 por dia, menos que 1/3 da capacidade, portanto com espaço enorme para crescer em toda a cadeia produtiva, beneficiando e impulsionando os negócios por todo o país.

A Petrobrás, cuja área de Gás e Energia é dirigida pelo conceituado professor Ildo Sauer, quer não só expandir como liderar a comercialização e distribuição de gás natural no Brasil. Ambiciona também liderar a expansão desse negócio nos países do Cone Sul bem como promover o domínio de tecnologias necessárias à produção, transporte, distribuição, processamento e uso final. É querer muito? Não para um projeto que tem à frente a respeitada Petrobrás, uma das maiores empresas do mundo, que reúne as condições para concretizar seu objetivo de mudar o foco, ou seja, trocar os investimentos nos grandes projetos termelétricos pelas plantas de co-geração e uso do gás natural como matéria-prima da indústria.

A meta inicial é atingir o consumo de 77,6 milhões de metros cúbicos por dia, em 2010, o que significa crescimento de 14,2% ao ano. Hoje, nossa produção é de 43 milhões de m3/dia. Dados de 2003 apontam que produzimos um total de 15,8 bilhões de m3. Quanto ao consumo, o total no ano passado foi de 13,7 bilhões de m3, ou 37,5 milhões de m3/dia.

Para que o projeto avance e dê resultados a estatal vai adotar medidas para desenvolver o mercado, ajustar o processo de co-geração, instalar gasodutos - nos quais vai investir mais de U$ 3 bilhões até 2010 - e têm planos para a compra do excedente da produção. Para atrair consumidores poderá até mesmo vincular o preço do gás natural ao da energia elétrica. Outra idéia inovadora é reduzir o custo de distribuição do gás natural para os clientes residenciais, aproveitando a mesma infra-estrutura para transportar gás natural, esgoto, água e cabos de fibra ótica. Com isso as residências teriam acesso ao gás natural, que é mais barato do que o GLP dos botijões.

Para finalizar, ilustro com fato que comprova a importância do projeto da Petrobrás. A cidade de Tambaú, interior de São Paulo, é reduto de indústrias ceramistas, setor econômico cuja produção depende da energia gerada pelo gás. O alto custo do GLP vem provocando perda de competitividade e evasão industrial, com graves prejuízos para a economia local. Por isso, em 23 de junho passado, a Assembléia Legislativa realizou cerimônia de assinatura da licença prévia para extensão do gasoduto de Porto Ferreira ao município de Tambaú, ato que contou com a presença do secretário estadual do Meio Ambiente, José Goldemberg. Em março de 2005, Tambaú poderá comemorar o início de um novo ciclo de desenvolvimento. E que ele se estenda por todo o Brasil. A economia e o meio ambiente agradecem.

*Donisete Braga é deputado estadual pelo PT e presidente da Comissão deDefesa do Meio Ambiente da Assembléia Legislativa de São Paulo.