Os culpados pelos atentados devem ser punidos, mas sem a justiça do bangue-bangue, diz Jamil Murad

PLENÁRIO
21/09/2001 18:25


A homenagem da comunidade árabe-muçulmana de São Paulo ao presidente de honra do PT, Luis Inácio Lula da Silva, foi tema do discurso do deputado Jamil Murad (PCdoB). Segundo Murad, durante o evento foi divulgado um manifesto daquela comunidade condenando os atos terroristas praticados contra os Estados Unidos, dando condolências às famílias das vítimas e conclamando todos os membros da comunidade a ajudar as vítimas e seus familiares. De acordo com o deputado, o texto pede ainda que a mídia não divulgue notícias apressadamente e que o povo americano e pessoas de todo o mundo diferenciem o que é um ato de fanatismo religioso da postura da comunidade árabe-muçulmana, "que quer a paz". Murad lembrou sua origem (é neto de muçulmanos) e citou as palavras do cardeal D. Paulo Evaristo Arns que pediu a punição do culpado, mas sem fazer sofrer aqueles que tem a mesma raça, ideologia ou religião. O deputado pediu que se procure os responsáveis com calma e determinação, mas sem a "justiça do bangue-bangue, sem John Wayne". E perguntou: "Vão invadir 60 países? Não vão respeitar fronteiras?" Murad criticou que os Estados Unidos queiram ser a justiça do mundo, a polícia do mundo, a lei do mundo. "Querem ser uma civilização superior, um povo superior. Hitler pensava assim. Dessa forma não vai acabar bem." Murad pediu que o Brasil não entre nessa "guerra absurda que os Estados Unidos querem fazer mundo afora".