Acusados de envolvimento na Conexão Atibaia depõem na CPI do Narcotráfico


15/02/2001 19:38

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A CPI estadual do narcotráfico interrogou na tarde desta quinta-feira, 15/2, dois acusados de envolvimento na chamada "Conexão Atibaia", um esquema de transporte aéreo de drogas entre Brasil e Paraguai. Os depoentes foram Odarício Quirino Ribeiro Neto e Wilson Matias da Silva, presos por agentes do Departamento de Narcóticos (Denarc) na última quinta-feira.

Odarício Pereira é um dos proprietários do Hangar União, de Atibaia, que prestava serviços para o narcotráfico. Já o comerciante Wilson Matias da Silva, conhecido como Wilson Boy, é considerado o maior traficante de drogas da Grande São Paulo. Ambos se recusaram a esclarecer as questões apresentadas pelos integrantes da CPI. Enquanto o primeiro afirmou durante todo o tempo que só responderia em juízo, o outro respondeu negativamente a todas as perguntas formuladas pelos deputados.

Segundo a advogada de Odarício, Alexandra Szafir, a recusa de seu cliente a responder aos parlamentares se deve ao fato de o inquérito já ter sido concluído e entregue à Justiça. "A ação penal já está correndo e existe um juiz encarregado do caso, por isso não há mais sentido em colher novo depoimento", afirmou ela.

Embora tenha negado ligação com a Conexão Atibaia, Wilson Boy não conseguiu explicar aos deputados a razão pela qual sua defesa está sendo feita conjuntamente com os outros 11 acusados de envolvimento no caso. De acordo com ele, a polícia o confundiu com alguém que fazia pagamentos de manutenção de aviões no Hangar União.

Para o deputado Renato Simões, presidente da comissão, os dois podem ter facilitado a prisão pelo fato de a Conexão Atibaia ter sido praticamente desmontada após os trabalhos da CPI, em parceria com o Denarc.

Com essa audiência, a CPI do Narcotráfico da Assembléia Legislativa encerrou a fase de depoimentos e deve concluir seus trabalhos até o próximo dia 25/2.