PT vai investigar suposta relação de tucanos com Alston


12/05/2008 20:10


A Bancada do Partido dos Trabalhadores na Assembléia Legislativa prepara uma série de ações para os próximos dias com relação às denúncias de um esquema de propina internacional com suposto envolvimento de políticos do PSDB com a multinacional Alstom, do ramo de transportes e energia. As denúncias vieram à tona através do Wall Street Journal em 6/5 " encarte do Jornal Valor.

O líder da bancada do PT, deputado Roberto Felício, protocolou ofício solicitando do Tribunal de Contas do Estado todos os contratos que envolvem a empresa Alstom, inclusive o que vigora desde o governo Luiz Antonio Fleury Filho até os dias de hoje com a empresa Mafersa, adquirida pela Alston em 1997. Esse contrato foi aditado pelo governador José Serra, em 2007.

A Alstom, segundo a reportagem do jornal estrangeiro, está sendo investigada na Suíça e na França por pagar supostos pagamentos de propinas para garantir contratos em obras como a do Metrô de São Paulo e da usina hidrelétrica de Ita, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

As investigações são de um período em que existiam dois contratos com a Alstom. Um de US$ 75,9 milhões, feito em 1997 para extensão da Linha Verde do Metrô, e outro de US$ 539,3 milhões para realização de obras da Linha Amarela, esse de 2003.

Os deputados petistas têm pelo menos dois pedidos de CPI do Metrô protocolados na Assembléia Legislativa que poderiam "ter revelado este e outros esquemas de propina", como destaca o deputado Enio Tatto (PT), líder da Minoria, que encaminhou ofício à superintendência da Polícia Federal, em São Paulo, requerendo detalhamento da investigação. Tatto protesta contra a blindagem da administração Serra no Legislativo paulista. "Na Assembléia não conseguimos investigar nada. Vamos ver se com a pressão estrangeira conseguimos sensibilizar os deputados."

O deputado José Zico Prado (PT), da Comissão de Transportes e Comunicações, lembrou que a Alstom chegou ao país em 1997, com as privatizações realizadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando comprou 85% da Mafersa. Assim adquiriu a tecnologia brasileira e passou a produzir vagões para trens de aço. Em São Paulo, nas gestões dos governadores Mário Covas e Geraldo Alckmin, a empresa foi contratada para a construção da linha 5 do Metrô (Lilás) e ganhou a concorrência para operar a linha 4. A Alstom ainda administra parte do pátio de Itaquera. Para Zico Prado, é "inegável que os governadores do PSDB entregaram boa parte do Metrô paulista para esta empresa".

Na gestão de Fleury Filho, uma das fornecedoras do Metrô era a Construtora Mafersa S/A, responsável por 22 trens de seis carros para a Linha Leste-Oeste, além de seis trens para a Linha Itaquera"Guaianazes.

José Serra, em 7/6/07, publicou no Diário Oficial, aditamento do mesmo contrato de 1997 com a Mafersa S/A, no valor de R$ 70 milhões para fornecer 27 trens de seis carros cada.



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