Opinião - Do you speak English?


10/06/2016 12:50 | Gilmaci Santos*


Quase todo mundo já ouviu essa pergunta de algum estrangeiro perdido pelas ruas; e essa é uma cena cada vez mais comum, principalmente nas cidades turísticas brasileiras, que têm recebido milhares de turistas vindos do mundo inteiro, principalmente com a proximidade dos grandes eventos internacionais. Quando chegam aqui, a maior parte dos estrangeiros tenta, inicialmente, se comunicar por meio da língua inglesa, e isso porque o inglês é hoje o idioma mais difundido no mundo, mas, infelizmente, apenas 5% dos brasileiros dominam o idioma.

Pensando na falta de proficiência da língua e na quantidade de estrangeiros que recebemos diariamente em nosso Estado e naqueles que receberemos durante eventos como a Olimpíada, apresentei no ano passado o Projeto de Lei 1228, que dispõe sobre a informação das formas de pagamento disponíveis em estabelecimentos comerciais localizados em pontos turísticos no Estado de São Paulo.

A propositura obriga os estabelecimentos comerciais do ramo alimentício, como bares, restaurantes, lanchonetes e afins, localizados em pontos turísticos no Estado, a informar, prévia e adequadamente, sobre as formas de pagamento disponíveis. A informação seria inserida em cartazes em local de fácil visualização, escritos na língua portuguesa e traduzidos para a língua inglesa. A ideia é facilitar a comunicação com os estrangeiros, pois a maior parte dos comerciantes não possui fluência em outra língua.

Segundo o projeto, os comerciantes também precisariam disponibilizar cardápios em português, mas traduzidos para o inglês. Isso facilitaria a comunicação e até mesmo aumentaria a venda dos produtos. Uma das maiores dificuldades encontradas pelos turistas estrangeiros é justamente na comunicação com comerciantes brasileiros, que geralmente não conseguem informar de forma clara sobre o tipo de serviço oferecido e a forma de pagamento disponível.

Não podemos esquecer também que o Estado de São Paulo recebe milhões de turistas estrangeiros por ano, sendo que apenas a capital recebe mais de 5 milhões. É importante que os estrangeiros conheçam ao menos as formas de pagamento disponíveis no comércio local, isso facilitaria muito a relação de compra e venda. Muitos comerciantes ainda não aceitam o cartão de crédito como forma de pagamento, mas, por outro lado, a maioria dos turistas utiliza apenas essa opção em suas compras nas viagens internacionais, e por isso é fundamental que o comerciante informe previamente e adequadamente ao consumidor sobre as formas de pagamento disponíveis no local.

A adaptação do comércio evitaria muitos transtornos e aumentaria as vendas. Recentemente, uma matéria publicada pelo portal R7 mostrou um caso feliz de empreendedorismo. O texto intitulado "Baianas do acarajé criam cardápio em três línguas", destaca a história das baianas que adaptaram suas barraquinhas de comidas típicas para receber os turistas com cardápio em três línguas. Segundo as comerciantes, com a mudança, as vendas já subiram cerca de 30%.

Infelizmente, várias oportunidades foram perdidas pelo Brasil por falta de profissionais com domínio do inglês. É claro que a baixa qualidade da educação em nosso país é o verdadeiro problema, mas já que a resolução deste problema é algo que ocorrerá apenas em longo prazo, por agora são necessárias políticas que contribuam com o turismo em nosso Estado, e a adaptação que pede o projeto é algo simples, mas extremamente benéfico para clientes e comerciantes.

*Gilmaci Santos é deputado pelo PRB e membro efetivo da Comissão de Constituição, Justiça e Redação.