OPINIÃO - E agora, Lula?


20/06/2016 13:12 | Abelardo Camarinha*


Enquanto o desgaste com a avalanche de denúncias ficou na esfera do seu partido, Lula não era diretamente atingido, mas agora as revelações acertam em cheio a pessoa do líder máximo do PT. A velocidade do julgamento de Lula e de seus ex-ministros e colaboradores, com a provável condenação de uma boa parte deles, em especial do próprio ex-presidente, poderá impactar a pessoa do líder máximo do PT, com consequências bombásticas nas eleições de 2018.

Se Lula tivesse um cargo político no governo federal, seu processo seria direcionado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Entretanto, com o afastamento da presidenta Dilma Rousseff e a perda dos cargos dos seus auxiliares, nenhum deles tem mais prerrogativa de foro: voltaram a ser cidadãos comuns e serão julgados pela primeira instância.

O STF tem, entre outras atribuições, a função principal de resolver questões constitucionais, porém não está devidamente estruturado e aparelhado com o necessário grande número de juízes e funcionários para julgar também questões penais e criminais. Haja vista que processos como do Maluf, do Renan e outros esperam em média 10 anos para serem julgados. E o mensalão demorou 7 anos para receber sentença no STF. Então os processos envolvendo o ex-presidente Lula e ex-ministros, agora sem foro, voltam à instância do juiz federal Sérgio Moro: o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki enviou para a 13ª Vara da 4ª Região Federal de Curitiba (PR) os processos e inquéritos que envolvem ex-ministros e o ex-presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva.

Normalmente uma ação dessas ficaria estacionada no STF, enquanto em seis meses pode ser denunciada, instruída e julgada na justiça de primeira instância, com possíveis resultados nefastos aos planos do ex-presidente Lula. O PT e a base de sustentação da presidente afastada Dilma, além dos militantes do Partido dos Trabalhadores, tinham como maior temor a possibilidade das atitudes não muito aprováveis desses políticos caírem na caneta pesada do juiz federal Sérgio Moro e suas equipes de procuradores da República, em Curitiba. E é isso o que está acontecendo.

Nessa toada, o que o futuro reserva para aquele que desempenhou um importante papel na nossa história?

*Abelardo Camarinha é deputado estadual pelo PSB e foi prefeito de Marília por três vezes