30 DE ABRIL DE 2026
52ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: EDUARDO SUPLICY e REIS
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h01min.
2 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - REIS
Assume a Presidência.
4 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
5 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
6 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência.
7 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
8 - REIS
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
9 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Anota o pedido. Cumprimenta os alunos da Escola do Legislativo da Câmara Municipal de Cajamar, presentes nas galerias.
10 - REIS
Para comunicação, faz pronunciamento.
11 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Defere o pedido do deputado Reis. Convida os alunos da Escola do Legislativo da Câmara Municipal de Cajamar a visitarem seu gabinete. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 04/05, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 14h40min.
* * *
ÍNTEGRA
* * *
- Assume a Presidência e
abre a sessão o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
- Passa-se ao
PEQUENO
EXPEDIENTE
* * *
O SR. PRESIDENTE -
EDUARDO SUPLICY - PT - Presente
o número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de
Deus, iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata
da sessão anterior e recebe o expediente.
Passamos
à lista dos oradores do Pequeno Expediente. Tem a palavra o deputado Olim.
(Pausa.) Tem a palavra a deputada Márcia Lia. (Pausa.) Ediane Maria. (Pausa.)
Dr. Jorge do Carmo. (Pausa.) Deputado Carlos Giannazi. (Pausa.) Deputada
Thainara Faria. (Pausa.) Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Delegada
Graciela. (Pausa.) Rafa Zimbaldi. (Pausa.) Valdomiro Lopes. (Pausa.) Rui Alves.
(Pausa.) Deputado Reis.
Tem
a palavra pelo tempo regimental.
O SR. REIS - PT
- Saudar o presidente, deputado Eduardo Matarazzo Suplicy, o público presente,
os integrantes da Polícia Civil, da Polícia Militar, da Polícia Penal, da
Polícia Técnico-Científica e, também, os funcionários desta Casa e todos
aqueles e aquelas que estão nos acompanhando, deputado Suplicy, pela Rede Alesp.
Eu quero deixar registrado neste
Pequeno Expediente, presidente, mais uma denúncia que chega para mim com
relação ao Instituto Médico Legal de Taubaté. A informação é que o Instituto
Médico Legal, a partir de então, passa a ser fechado à noite. Ele passa a ser
fechado das 19 horas às sete da manhã.
E segundo o que se fala aqui na
denúncia, é que esta decisão drástica foi tomada devido às condições de
biossegurança e infraestrutura da unidade, culminando em eventos de risco de
vida para o corpo clínico e técnico. Então, há muito que nós temos denunciado
aqui esse governo, o governo “O Rei da Sucata”, porque ele sucateia todo
serviço público.
E o serviço do Instituto Médico
Legal também é um serviço que está sendo sucateado desde quando ele chegou,
porque todos os lugares em que a gente anda em São Paulo vêm as reclamações dos
IMLs, de IML que fecha, de IML que abre dois dias por semana, de IML que às
vezes nem está abrindo mais. E vem essa denúncia agora do IML de Taubaté.
Segundo as informações, um dos médicos,
o Dr. Joaquim Manoel, foi picado por um escorpião durante o exercício de suas
funções noturnas, necessitando de atendimento emergencial em UPA. O aumento da
atividade de escorpiões e baratas no período noturno torna o ambiente laboral
uma armadilha biológica reincidente, ou seja, o médico legista foi vítima de um
escorpião. Dizem que a unidade está cheia de escorpiões.
“Da infraestrutura e contaminação
biológica: piso e higienização. O pavimento atual é áspero e poroso, impedindo
a assepsia adequada. O acúmulo de fluídos biológicos em porosidades contraria
as normas da vigilância sanitária e da Norma nº 32. Equipamentos obsoletos: as
macas de necropsia apresentam corrosão e falhas estruturais, resultando no
extravasamento de sangue e fluídos.” Essa é a situação do IML de Taubaté.
“Fluídos cadavéricos diretamente no chão e nos profissionais.”
“Risco de contaminação por
patógenos de alta virulência, pragas e vetores. Há uma infestação incontrolável
de moscas de cadáveres, mosquitos e baratas, potencializada pela proximidade
com o cemitério local, que apresenta mato alto e acúmulo de detritos. A unidade
encontra-se cercada por área de abandono municipal.”
Ou seja, ele cobra da prefeitura
também, que nem sequer está fazendo a limpeza dos terrenos em volta, servindo
de pontos para usuários de entorpecentes. Ou seja, uma Cracolândia.
“A falta de iluminação e segurança
perimetral adequada somada à precariedade do mobiliário; alojamentos cujos
colchões e aparelhos de ar-condicionado são custeados pelos próprios médicos.”
Não é o governo que dá infraestrutura.
Os próprios médicos legistas é que
estão garantindo a infraestrutura e até o ar-condicionado desse IML. “Torna a
permanência noturna uma exposição injustificável ao perigo. Apesar das
constantes notificações ao Ministério Público, à Secretaria de Segurança
Pública, à prefeitura, CRM e vigilância sanitária, e da existência de projetos
de reforma que nunca saem do papel, a unidade permanece sem condições adequadas
de funcionamento.”
É fato que o governador cortou do
Orçamento cerca de 400 milhões para reformas de prédios. Está aqui ele falando
que tem projeto para reformar o IML, projeto esse que não sai do papel, ou
seja, o governo realmente é de uma incompetência, porque ele veio para
governar, ele deveria estar cuidando disso. “Olha, qual é o problema dos IMLs?
O que precisa ser feito?” Chame o seu secretário de Infraestrutura, seu
secretário de Obras, seu secretário de Segurança, determine as reformas, porque
quem está perdendo com isso é a população, que agora vai precisar de
atendimento à noite e não vai ter. Por quê? Porque o IML está fechado.
“Diante do limite do bom senso e
do dever ético de zelar pela saúde dos subordinados e pela qualidade do
atendimento da população, informamos que a equipe não possui condições
psicológicas ou técnicas para o plantão noturno. A reabertura do período de 24
horas condiciona-se à apresentação de cronograma imediato de reformas,
dedetização, substituição de macas e reforço nos insumos de higiene.”
Então eu não vou dizer o nome da
pessoa que assina essa denúncia, mas dizer que não é o primeiro caso de IML
abandonado, sucateado. Nós já denunciamos outros casos, inclusive o IML de
Santos, da Praia Grande, do Guarujá, de Araçatuba, de vários lugares. E mostra
esse desgoverno que temos em São Paulo, um governo que não se cuida a resolver
os problemas da sua própria infraestrutura.
O governo não resolve os problemas
da sua infraestrutura e nós temos esse sucateamento, sucateamento de
delegacias, sucateamento de Instituto Médico Legal, e a população acaba sendo
prejudicada, porque, a hora que ela precisa do atendimento, não tem o
atendimento.
Conforme veio a denúncia aqui, o
IML, então, não funcionará mais à noite, o IML de Taubaté, por conta desse
abandono que tem, na pessoa do Sr. Tarcísio de Freitas, pelo estado de São
Paulo, pelas políticas públicas, pelos equipamentos públicos.
Esse abandono que ele impõe a todo
o sistema de Segurança Pública, porque não é só os IML, nós temos batalhões em
condições precárias, companhia em condições precárias, delegacias em condições
precárias, ou seja, nós não temos a presença do governo.
Por conta disso, nós estamos
questionando o governo, estamos fazendo requerimento de informações, para que o
governo informe por que esse abandono, por que ele não resolve esses problemas,
porque são problemas recorrentes, volta e meia, vêm essas denúncias, a gente
notifica o governo, pede informações, e ele não toma nenhuma providência,
parece que não é com ele.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE -
EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos, deputado Reis. Seguindo agora a lista de oradores, chamo o
deputado Mauro Bragato. (Pausa.) Paula da Bancada Feminista. (Pausa.) Marcelo
Aguiar. (Pausa.) Deputado Donato. (Pausa.) Professora Bebel. (Pausa.) Sebastião
Santos. (Pausa.) Tenente Coimbra. (Pausa.) Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.)
Fábio Faria de Sá. (Pausa.) Leci Brandão. (Pausa.) Atila Jacomussi. (Pausa.)
Teonilio Barba. (Pausa.)
Rômulo
Fernandes. (Pausa.) Beth Sahão. (Pausa.) Enio Tatto. (Pausa.) Carla Morando.
(Pausa.) Alex Madureira. (Pausa.) Prof.ª Camila Godoi. (Pausa.) Major Mecca.
(Pausa.) Andréa Werner. (Pausa.) André Bueno. (Pausa.) Paulo Mansur. (Pausa.)
Capitão Telhada. (Pausa.) Paulo Fiorilo. (Pausa.) Eduardo Suplicy.
Então,
peço a gentileza do deputado Reis presidir a sessão, para que eu possa ocupar a
tribuna.
* * *
-
Assume a Presidência o Sr. Reis.
* * *
O SR. EDUARDO SUPLICY -
PT- SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro
presidente, deputado Reis, eu venho hoje manifestar minha preocupação com a
rejeição, pelo Senado Federal, da indicação do advogado-geral da União, Jorge
Messias, para o Supremo Tribunal Federal.
Trata-se de um fato grave e raro
na nossa história republicana. A última rejeição ocorreu em 1894, por isso, não
estamos diante de um episódio comum, mas de um sinal que precisa ser
compreendido com seriedade.
Quero, antes de tudo, afirmar que,
em uma democracia, o voto contrário é legítimo. O Senado tem o direito
constitucional de sabatinar, avaliar e aprovar ou rejeitar uma indicação feita
pelo presidente da República.
Não devemos desrespeitar nenhum
parlamentar pelo simples fato de divergir, mas também é nosso dever observar o contexto
e as consequências políticas deste episódio.
O que vimos não parece ter sido
uma rejeição baseada na incapacidade, no despreparo ou na falta de qualificação
de Jorge Messias, pelo contrário, trata-se de uma pessoa preparada, com
trajetória no serviço público, conhecimento jurídico e experiência
institucional.
O que vimos foi a transformação de
uma indicação constitucional em uma disputa política mais ampla, marcada por
pressões, ressentimentos, cálculos eleitorais e demonstrações de força. Isso deve
preocupar todas as pessoas que defendem a democracia. A Constituição estabelece
a harmonia e a independência entre os poderes. Executivo, Legislativo e
Judiciário precisam se respeitar.
Nenhum poder deve se considerar
maior que os demais. Nenhum poder deve atuar para constranger ou subjugar o
outro. Quando isso acontece, quem perde não é apenas o governo, um indicado ou
um partido.
Quem perde é o povo brasileiro,
porque a confiança nas instituições fica abalada. Se esse caminho se tornar
regra, o Brasil correrá o risco de transformar prerrogativas constitucionais em
instrumentos permanentes de enfrentamento político e isso seria muito perigoso.
A democracia depende de
divergência, mas também de limites, respeito institucional, compromisso com a
estabilidade do País. Nos últimos anos, o Congresso Nacional passou a ter peso
cada vez maior na definição das prioridades nacionais. O Parlamento é essencial
à democracia.
O problema começa quando essa
força se expressa por meio de pautas que enfraquecem direitos, ampliam a
desinformação, dificultam o enfrentamento dos fatos, das “fake news”, ou tornam
o Orçamento público refém de interesses pouco transparentes.
O presidente Lula, ao indicar
Jorge Messias, sinalizou com um nome de perfil moderado, institucional, respeitador
da ordem democrática. Ainda assim, sua indicação foi derrotada.
Isso revela que o problema talvez
não estivesse no nome indicado, mas no ambiente político em que a indicação foi
recebida. Por isso, precisamos refletir seriamente sobre o nosso sistema
político.
Precisamos de uma reforma política
que fortaleça os partidos, reduza o peso do poder econômico nas eleições,
amplie a participação popular e permita que o Parlamento represente de fato os
interesses do povo.
Também precisamos defender nossa
democracia com participação popular, debate público honesto, movimentos
sociais, sindicatos, estudantes, universidades, sociedade civil organizada e
todas as pessoas que acreditam em um Brasil mais justo e soberano.
Hoje, o presidente Lula falará ao
povo brasileiro em rede nacional. Tenho plena confiança em sua serenidade, em
sua experiência e em seu compromisso com o Brasil.
Lula já enfrentou momentos
difíceis e sempre soube colocar os interesses do País acima das dificuldades do
momento. Tenho certeza de que ele saberá avaliar o caminho mais adequado,
respeitando a Constituição, preservando a democracia e fazendo aquilo que for
melhor para o povo brasileiro.
Que este episódio nos lembre da
responsabilidade histórica que todos nós temos de proteger a democracia,
respeitar as instituições e trabalhar para que o Brasil volte a ser um País de
justiça, diálogo, desenvolvimento e esperança.
Presidente Reis, eu teria ainda
mais uma fala, se for possível, mas eu posso trocar com Vossa Excelência.
O SR. PRESIDENTE -
REIS - PT -
Acho que V. Exa. pode terminar a outra fala, porque aí eu desço, o Fábio e a
gente...
O SR. EDUARDO SUPLICY
- PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Está bem.
Muito bem. Então, eu gostaria de registrar aqui que o emprego com carteira
cresce e o rendimento dos trabalhadores bate recorde no primeiro trimestre
deste ano, aponta o IBGE. No trimestre encerrado em março, 600 mil pessoas
deixaram a informalidade. O rendimento médio dos trabalhadores chegou a novo
valor recorde, chegando a R$ 3.722,00.
A taxa de desocupação do trimestre
móvel encerrado em março ficou em 6,1%, menor índice para um trimestre
encerrado em março em toda a série histórica da pesquisa iniciada em 2012. O
rendimento médio real habitual dos trabalhadores cresceu 5,5% no ano, já descontada
a inflação.
O Brasil teve um crescimento no
total de pessoas trabalhando com carteira assinada e, consequentemente, bateu
recorde no rendimento médio dos trabalhadores. Os dados são da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios, do PNAD Contínua, divulgada nesta
quinta-feira, 30 de abril, pelo IBGE.
No trimestre encerrado em março, a
taxa de informalidade foi de 37,3% da população ocupada, o equivalente a 38,1
milhões de trabalhadores informais. Esse indicador ficou abaixo dos 37,6% ou
38,7 milhões de informais registrados no trimestre móvel anterior, bem como os
38% ou 38,2 milhões de ocupações informais no trimestre encerrado em março de
2025.
O número de empregados com
carteira assinada no setor privado, excluindo-se os trabalhadores domésticos,
ficou em 39,2 milhões, sem variações significativas no trimestre, mas subindo
1,3% ou 504 mil pessoas a mais com carteiras assinadas no ano.
Já o número de empregados sem
carteira no setor privado recuou 2,1% menos 285 mil pessoas no trimestre, chegando
a 13,3 milhões. Na comparação anual, esse indicador não teve variação
estatisticamente significativa.
O número de trabalhadores por
conta própria ficou estável no trimestre, mantendo-se nos 26 milhões. Na
comparação anual, houve alta de 2,4% ou 607 mil pessoas a mais, trabalhando por
conta própria.
Segundo Adriana Beringuy,
coordenadora de Pesquisas Domiciliares do IBGE, a redução observada do número
de trabalhadores informais decorreu da retração dos contingentes de empregados
sem carteira assinada no setor privado e de trabalhadores por conta própria,
sem CNPJ.
A massa de rendimento médio real,
ou seja, a soma das remunerações dos trabalhadores do País bateu um novo
recorde no trimestre encerrado em março, 374 bilhões de reais, com estabilidade
no trimestre e alta de 7,1% ou mais 24,8 bilhões no ano. Já o rendimento médio
real habitual dos trabalhadores chegou a novo valor recorde, chegando a 3.722
reais, e crescendo nas duas comparações: 1,6% no trimestre e 5,5% no ano, já
descontada a inflação nos dois períodos.
Frente ao trimestre móvel
anterior, houve aumento do rendimento médio de dois dos dez grupamentos de
atividades estudadas pelo PNAD Contínua: Comércio, 3% ou mais 86 reais, e a
Administração Pública, 2,5% ou mais 127 reais. Os demais grupamentos não
apresentaram variação significativa. O rendimento cresceu em atividades que
reduziram a participação em seus contingentes de trabalhadores informais ou
deformais com menores rendimentos.
Dessa forma, relativamente à base
de comparação trimestral, com maior participação de ocupação informal, uma
média de rendimento no trabalho atual registrou alta, observa Adriana.
A taxa de desocupação do trimestre
móvel encerrado em março de 2026 ficou em 6,1%, crescendo um ponto percentual
frente ao trimestre de outubro a dezembro, 5,1%, mas ficando 0,9% abaixo do
trimestre encerrado em março de 2025, de sete por cento.
Apesar da alta na comparação
trimestral, essa foi a menor taxa de desocupação para um trimestre encerrado em
março em toda a série histórica da pesquisa iniciada em 2012. A população
desocupada chegou a 6,6 milhões, com alta de 19,6% no trimestre, ou mais 1,1
milhão de pessoas em busca de uma ocupação.
Na comparação anual, entretanto, o
contingente de pessoas procurando trabalho recuou 13%, menos 987 mil pessoas. O
total de trabalhadores no País ficou em 102 milhões, recuando 1% ou um milhão
de trabalhadores a menos no trimestre, mas permanecendo 1,5 por cento - mais
1,5 milhão de pessoas ocupadas acima do contingente registrado no mesmo trimestre
móvel de 2025.
Frente ao trimestre anterior, não
houve aumento do número de pessoas ocupadas em nenhum dos dez grupamentos de
atividade analisadas pela PNAD Contínua do IBGE, e em três deles ocorreram
reduções.
Comércio, 1,5% ou menos 287 mil
pessoas ocupadas. Administração Pública, 2,3% ou menos 439 mil pessoas. Serviço
doméstico, 2,6% ou menos 148 mil pessoas juntas. Esses três grupamentos
perderam mais de 870 mil postos de trabalho ainda na comparação trimestral.
Apesar desses recuos, dois
grupamentos mostraram aumentos no contingente de ocupados frente ao mesmo
trimestre no ano passado. Informação, Comunicação e atividades financeiras,
imobiliárias, profissionais e administrativas, 3,2% ou mais 466 mil pessoas. E
a Administração Pública, 4,8%, ou mais 860 mil pessoas. Nessa comparação anual,
houve redução do grupamento de serviço doméstico, 3,6% ou menos 202 mil
pessoas.
Para Adriana Beringuy,
coordenadora de Pesquisas Domiciliares do IBGE, a redução do contingente de
trabalhadores ocorreu em atividades que tipicamente apresentam esse
comportamento, seja devido à tendência de recuo do comércio nesse período do
ano, seja pela dinâmica do encerramento de contratos temporários na atividade
de Educação e Saúde no setor público municipal.
A PNAD Contínua é o principal
instrumento para monitorar a força de trabalho no País. Sua amostra corresponde
a 211 mil domicílios distribuídos pelos 26 estados e Distrito Federal, que são
visitados a cada trimestre. Cerca de dois mil entrevistadores trabalham na
coleta de pesquisas, integrados à rede de mais de 500 agências do IBGE.
Em função da pandemia da Covid-19,
o IBGE implementou a coleta de informações e pesquisas por telefone a partir de
17 de março de 2020. Em julho de 2021, houve a volta da coleta presencial. É
possível confirmar a identidade do entrevistado no site respondendo ao IBGE ou
via central de atendimento 0800-721-8181, conferindo a matrícula RG ou CPF do
entrevistador, dados que podem ser solicitados pelos informantes.
Link: https//agênciadenotícias.ibge.gov.br
- Agência de Notícias.”
Então eis alguns dados importantes
para a evolução da economia brasileira e do nível de emprego.
Agradeço a gentileza.
Deputado Reis, posso agora assumir
a Presidência, para que V. Exa. possa fazer mais um pronunciamento.
* * *
-
Assume a Presidência o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
O SR. PRESIDENTE -
EDUARDO SUPLICY - PT -
Tem a palavra, então, pelo tempo regimental, o deputado Reis.
O SR. REIS - PT -
Sr. Presidente, eu me reinscrevi para falar sobre... Continuar esse debate
sobre o sucateamento da Segurança Pública. É fato que tiveram pesquisas esses
dias e ainda tem muita gente aí que está sendo enganada pelo governo de
plantão, porque a pesquisa está dando aí uns 38% para ele.
Mas é interessante que a pesquisa vê
que o maior problema que São Paulo tem é a violência, é a segurança pública. O
maior problema, aliás, ultrapassou a saúde, porque nós vínhamos sempre com
saúde em primeiro lugar, trabalho, desemprego, falta de emprego.
Então, ao que me parece, o governo
federal trabalhou muito para a geração de emprego. Então, nós estamos com a
menor taxa de desemprego da história, desde 2012, 5,8 por cento. Então, esse
problema de desemprego não aparece mais tanto na pesquisa. A Saúde, ela é
problemática, é alto, a população que fala sobre saúde.
Mas hoje o que está se falando em
primeiro lugar é o medo que o paulista e o paulistano estão tendo por conta da
falta de segurança pública, por conta da violência. Esse é o calcanhar de
Aquiles do governador Tarcísio de Freitas. Esse é o calcanhar de Aquiles. E vai
aflorar no processo eleitoral esse debate.
Vai aflorar essa questão da
insegurança pública que toma conta do estado de São Paulo. A questão do
sucateamento dos equipamentos da Segurança Pública, falta de estrutura para
trabalhar, falta de valorização para os policiais, falta de recomposição do
efetivo.
Então, esse problema vai ser
pesado na campanha e eu não tenho dúvida que na hora do paulista e do
paulistano escolher o seu próximo governo, eles vão pensar bem as condições em
que o governador de São Paulo está deixando a Segurança Pública. E a semana
passada eu falei nesta tribuna sobre um caso que aconteceu no 54º DP.
Onde uma pessoa invadiu a
delegacia, quebrou as vidraças da delegacia, e entrou em luta corporal com
integrantes que estavam sozinhos de plantão, porque à noite você vai... A
maioria das delegacias de São Paulo estão fechadas. E às vezes tem um policial
só, tão somente ali, cuidando daquele prédio. E aí houve essa invasão, e eu fui
levantar, presidente, descobri que não é a primeira vez que isso acontece, ou
não foi a primeira vez que isso aconteceu.
Nós já tivemos um caso, inclusive,
que foi relatado aqui, debatido aqui à época, e desde lá o governo não tomou
nenhuma providência, porque ele poderia ter, sim, tomado providência no que se
refere a reabrir as delegacias. As delegacias darem um atendimento para a
população.
Então, em 08/09/2024, um homem
morreu após invadir a delegacia e entrar em luta corporal com um policial, na
madrugada de um domingo, do dia 8, em Pindamonhangaba. Segundo a Secretaria da
Segurança Pública, o homem invadiu a delegacia e durante o atendimento passou a
gritar e danificar objetos da unidade.
A Secretaria informou ainda que um
policial abordou o homem e que o rapaz teria reagido violentamente, iniciando
uma luta corporal entre os dois. A nota cita que o homem caiu ao solo e que o
serviço de atendimento móvel, Samu, foi acionado. O homem não resistiu aos
ferimentos e morreu no local.
A história se repetindo, a mesma
história dos 54º DP. E isso em 2024. Então, há muito que a gente vem
denunciando para o governo, a falta de estrutura, a questão das delegacias
fechadas, do sucateamento da segurança pública, mas parece que o governo faz
ouvidos moucos, entra por um ouvido e sai pelo outro, e não se toma nenhuma
providência, e aí esses fatos vão se repetindo.
Como o governo não recompõe o
efetivo, faltam cerca de 15 mil policiais civis. Das 93 delegacias da cidade de
São Paulo, apenas 27 funcionam diuturnamente, funcionam 24 horas - apenas 27
das 93 -, as demais fecham à noite, fecham aos sábados, fecham aos domingos,
fecham aos feriados, como se o crime acontecesse somente em dias úteis e em
horário de expediente. Essa é a lógica do governador que aí está, do governador
privatizador e destruidor da segurança pública e dos serviços públicos.
Então aconteceu em 2024 em
Pindamonhangaba e o mesmo caso se repetiu agora, recentemente, na delegacia de
Cidade Tiradentes, o 54º DP, onde um homem invade a delegacia, quebra as
vidraças da delegacia, entra em luta corporal, acaba caindo, batendo a cabeça e
vindo a óbito.
Se o governo tivesse já, lá atrás,
tomado providências e as delegacias estivessem funcionando adequadamente, com
certeza nós não teríamos esse resultado morte, que já aconteceu lá em
Pindamonhangaba e agora se repetiu na Cidade Tiradentes, no 54º DP, Sr.
Presidente.
Então, para deixar registrado
aqui, deixar registrado que o sucateamento da segurança pública vem de muito
tempo e esse governo que aí está é a continuidade desse sucateamento, o que
mostra que a sociedade está com medo, que o povo de São Paulo está com medo. O
povo de São Paulo tem medo de sair à rua, porque não tem segurança pública.
O SR. REIS - PT - Sr. Presidente,
havendo acordo de lideranças, eu requeiro de V. Exa. o levantamento da presente
sessão.
O SR. PRESIDENTE -
EDUARDO SUPLICY - PT -
Caro deputado Reis, acaba de ingressar no plenário aqui da Assembleia
Legislativa de São Paulo, nesta sessão em que V. Exa. acaba de falar uma
palavra, mas estão justamente nos visitando os estudantes da Escola do
Legislativo da Câmara Municipal de Cajamar.
Quero
dar as boas-vindas e passar a palavra para o deputado Reis também, assim
proceder.
O SR. REIS - PT – PARA COMUNICAÇÃO - Sejam
todos bem-vindos à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Lamento a
gente estar encerrando as atividades com o levantamento da presente sessão, mas
dou as boas-vindas, desejo um bom aprendizado para vocês, bons estudos e que a
visita aqui à Assembleia Legislativa possa contribuir com o conhecimento de
vocês no dia-a-dia, conhecendo aqui o maior Parlamento do estado de São Paulo
e, pode-se dizer, o maior Parlamento estadual da América Latina.
O SR. PRESIDENTE -
EDUARDO SUPLICY - PT -
Muito obrigado, Reis. Eu gostaria de transmitir aos estudantes da Câmara
Municipal de Cajamar, da Escola do Legislativo de Cajamar, que se desejarem
obter alguma informação sobre tema que eu possa contribuir, podem me procurar
ali no andar M, M de Maria, como é que se chama? (Vozes fora do microfone.) M
de Mezanino, gabinete 6 ou 7.
Se
quiserem, podem obter ali um livreto sobre a “Renda Básica de Cidadania”, o
direito de toda e qualquer pessoa, não importa sua origem, raça, sexo, idade,
condição civil ou socioeconômica, de participarmos todos da riqueza comum da
Nação, através de uma renda - na medida do possível - suficiente para atender
às necessidades vitais de cada um. Se quiserem, podem me encontrar daqui a
instantes ali no gabinete e eu darei a vocês um exemplar desse livro.
Havendo,
então, acordo de lideranças, esta Presidência, antes de dar por levantados os
trabalhos, convoca V. Exas. para a sessão ordinária de segunda-feira, à hora
regimental, sem Ordem do Dia.
Está
levantada a presente sessão.
Muito
obrigado.
* * *
-
Levanta-se a sessão às 14 horas e 40 minutos.
* * *