
1 DE ABRIL DE 2026
37ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: CARLOS GIANNAZI e REIS
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h01min.
2 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - REIS
Assume a Presidência.
4 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
5 - PAULO MANSUR
Por inscrição, faz pronunciamento.
6 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
7 - ANDRÉA WERNER
Por inscrição, faz pronunciamento.
8 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
9 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
10 - REIS
Assume a Presidência.
11 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
12 - CARLOS GIANNAZI
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
13 - PRESIDENTE REIS
Defere o pedido. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 06/04, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 15h02min.
* * *
ÍNTEGRA
* * *
- Assume a Presidência e abre a sessão o Sr.
Carlos Giannazi.
* * *
- Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
* * *
O SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI -
PSOL - Presente o número regimental de Sras.
Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos
trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da sessão anterior e
recebe o expediente.
Dando início à lista de oradores
inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o deputado e Delegado Olim.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Dr. Jorge do Carmo. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Rafa Zimbaldi. (Pausa.) Com a palavra a deputada Ediane Maria.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Reis, que fará uso regimental da tribuna.
O
SR. REIS - PT - Véspera de quinta-feira santa,
cumprimentar aqui o deputado Carlos Giannazi, o público presente, deveria estar
cheio aqui, mas está vazio, os funcionários, os assessores técnicos que nos
acompanham todos os dias.
Muito obrigado
pela presença de vocês, pelo trabalho de vocês, os integrantes da Polícia
Militar, todos os dias estão aqui, parabéns pelo trabalho, os integrantes da
Polícia Civil, da Polícia Penal, da Polícia Técnico-Científica, e também
cumprimentar todos aqueles e aquelas que estão nos acompanhando pela rede
Alesp.
Presidente,
ontem se votou o projeto dos 10% para os policiais civis, técnico-científicos e
militares, e se votou ontem também a reestruturação da Polícia Militar. Na
semana passada, votou-se a Dejec, para os policiais técnico-científicos poderem
vender suas folgas, e também a reestruturação de cargos ou de quadro de
promoções da Polícia Civil.
O governo está
devedor dos demais funcionários, ele está devedor dos profissionais da
Educação, devedor dos profissionais da Saúde, dos técnicos, dos profissionais
das universidades, ele está devedor dos demais servidores públicos. Os
servidores públicos são credores do governo, o governo deve para eles.
E a Assembleia
Legislativa, devedora dos funcionários da Assembleia Legislativa, porque a Mesa
Diretora, dormindo em berço esplêndido, até agora não apresentou o projeto de
reajuste dos funcionários da Alesp.
Então,
precisamos cobrar que a Mesa mande esse projeto o quanto antes. Não veio o
projeto da Defensoria, não veio o projeto do Ministério Público, não veio o
projeto do Tribunal de Contas, então, estamos aguardando também que esses
órgãos possam valorizar os seus servidores.
Mas dizer
também, Sr. Presidente, deixar registrado que os projetos que o governo mandou,
eles foram votados de forma açodada, não teve muito tempo para analisá-los com
frieza, fazer um debate, fazer audiência pública, chamar todos aqueles que têm
relação direta com a aprovação desses projetos para poder ouvi-los.
Então,
obviamente, quando se vota dessa forma, depois que você vai fazer uma análise
mais profunda, você vai ver quanta barbárie tem esses projetos. Vamos pegar o
projeto da Polícia Civil... Da Polícia Civil a reestruturação do quadro de
promoções, todo mundo no primeiro momento ficou feliz, soltando fogos, olha
agora aprovamos o projeto que todos os servidores da Polícia Civil poderão
chegar à classe especial aos 18 anos de trabalho.
Claro que tem
esse prazo de seis em seis anos, mas tem critérios ali também que muitas vezes
vão deixar o servidor na mão do seu superior, vão deixar na mão ali do delegado
de polícia, que é o seu chefe. Então, eu já recebi vários questionamentos desse
projeto de promoções.
Por exemplo, um
policial que tenha 14 anos ou mais na carreira - e ele está ali na segunda
classe vai passar para a primeira - vai chegar com 20 anos de idade na primeira
classe. E aqueles que têm mais de 20 anos de serviço?
Então, um
policial com 14 ou 15 anos de carreira, que se encontra ainda na segunda
classe, ele vai ser promovido automaticamente para a primeira classe. Ou seja,
com mais de 6 anos, ele vai chegar à classe especial aos 21 anos de trabalho.
Não está tão distante dos 18 anos que o projeto prevê.
Por outro lado,
verifica-se a situação de evidentes desigualdades. Policiais com o mesmo tempo
de carreira, 14 ou 15 anos, mas já posicionados na primeira classe, ainda que
recentemente, por critério de indicação, poderão, ao atingir 18 anos de
carreira, ser promovido à classe especial, com fundamento no inciso II do
projeto de lei, que considera a somatória dos interstícios.
Mas há um
cenário mais gravoso. Policiais com 20, 21, 22, 23 ou 24 anos de carreira, e
que permanecem na segunda classe - no meu caso, eu tenho 30 anos de carreira,
permaneço na segunda classe por conta dos afastamentos, para exercer cargo
eletivo, exercer cargo de vereador na cidade de São Paulo, e cargo de deputado
aqui na Assembleia Legislativa -, pela nova regra, serão reenquadrados na
primeira classe.
Então, esses
vão direto para a primeira classe. Mas aí ele vai ter que esperar seis anos
para ir para a classe especial. Ou seja, se ele tem 24 anos, e aí ele passou
para a primeira classe, ele está na segunda, passou para a primeira classe, e
ele vai ter que levar mais seis anos para chegar à classe especial.
Isso quer dizer
o seguinte, o idealizador desse projeto pensou tudo isso. Ele pensou da
seguinte forma, bom, a maioria dos que estão aí hoje, uma grande parte, são
novos, entraram aí na terceira classe. E uma boa parte dos policiais estão na
segunda classe.
Eles
construíram um texto, um texto muito maldoso, um texto maquiavélico. Bom,
maquiavélico é a marca registrada do governador Tarcísio de Freitas. É um
governo maquiavélico. Um governo que destrói o patrimônio público, que vende o
patrimônio público, que privatiza tudo o que vê pela frente, que tira dinheiro
da Educação, que não dá condições para os servidores trabalharem.
Obviamente que
é um governo muito maquiavélico. Então, o projeto também, Sr. Presidente... Ele
tem... Eu olhando caso a caso e as contribuições que eu recebo, eu vou
observando essa maldade que está no texto.
Ou seja,
policiais que estão aí, investigadores de polícia, delegados de polícia,
escrivães de polícia, papiloscopista, agente, auxiliar de papiloscopista,
auxiliar de necrópsia, todos esses policiais que estão aí, que estão nessas
condições, eles serão prejudicados nesse processo de promoção.
Um outro
quesito. Policiais com 18, 20, 22 ou 24 anos, que já se encontram na primeira
classe, independentemente do tempo em que nela estejam, não precisarão cumprir
integralmente o interstício de seis anos, pois, conforme o inciso II da lei, a
soma dos interstícios superior aos 18 anos de carreira já viabiliza a classe
especial, sem a necessidade de completar o tempo faltante.
Aí nós temos
uma desproporcionalidade em prejuízo dos policiais mais antigos, que se
encontram na segunda classe, que não foram indicados e não possuem padrinhos.
Então, aqueles
que não tiveram padrinhos estão muito prejudicados, sobretudo porque muitos
deles, à luz das regras anteriores, alcançariam a primeira classe
automaticamente com 25 anos.
Então, se nós
entendermos que a primeira promoção por antiguidade vai com 15 anos de
trabalho, a segunda com 25 anos de trabalho. Então esses policiais que estão na
segunda classe, e estão aí com 24 anos de serviço, vão ser prejudicados porque
eles já iriam para a primeira classe no automático.
Agora, eles vão
ter que esperar seis anos para ir para a classe especial “com 25 anos de
carreira, após terem percorrido regularmente a classe...”, e aí são aqueles que
entraram lá no início, não é?
Quando eu
entrei, era quinta classe, quarta classe, terceira classe... Tinha mais classe
do que tem hoje, a carreira. Eles tiraram duas classes e encurtaram a carreira.
O pior de tudo:
“...o policial com 24 anos de carreira, faltando um ano para ir para a primeira
classe por antiguidade, com a nova lei, será reenquadrado na primeira classe e
obrigado a permanecer seis anos, já possuindo quatro interstícios, superior aos
18 anos”. Ou seja, para esses que estão aí com seus 25 anos, esses interstícios
não vão servir para nada.
Então, deixar
registrado aqui, Sr. Presidente, porque, quando viram o projeto, muitas pessoas
soltaram fogos, não é? Pessoas de associação, foram lá: “não, é o melhor
projeto”, e na realidade não é.
É um projeto
que prejudica os policiais que têm experiência, que têm tempo, que estão aí há
muitos anos aguardando para serem promovidos. Para esses, serão bastante
prejudicados.
E tudo isso não
foi feito de forma aleatória, foi feito de forma pensada, porque o governador
Tarcísio de Freitas é um governador do mal, e eu espero que ele volte para o
Rio de Janeiro, de onde ele nunca deveria ter saído.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Dando
sequência à lista de oradores inscritos, com a palavra o deputado Luiz Claudio
Marcolino. (Pausa.) Com a palavra a deputada Thainara Faria. (Pausa.) Com a
palavra a deputada Leci Brandão. (Pausa.) Com a palavra o deputado Sebastião
Santos. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Donato.
(Pausa.) Com a palavra o deputado André Bueno. (Pausa.) Com a palavra a
deputada Delegada Graciela. (Pausa.) Com a palavra o deputado Rômulo Fernandes.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Enio Tatto. (Pausa.) Com a palavra o deputado
Major Mecca. (Pausa.) Com a palavra o deputado Marcelo Aguiar. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Thiago Auricchio. (Pausa.)
Com a palavra a deputada Maria Lúcia
Amary. (Pausa.) Com a palavra a deputada Dani Alonso. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Vitão do Cachorrão. (Pausa.) Com a palavra o deputado Itamar Borges.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Atila Jacomussi. (Pausa.)
Passo a palavra, então, para o deputado
Reis continuar presidindo esta sessão.
* * *
- Assume a Presidência o Sr. Reis.
* * *
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Chamo para fazer uso
da palavra o deputado Carlos Giannazi.
O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr.
Presidente, deputado Reis, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, público aqui
presente, telespectador da TV Assembleia.
Sr. Presidente,
eu venho recebendo inúmeras denúncias da região da antiga Diretoria de Ensino
de Taboão, agora a “Unidade Regional de Ensino” da região de Taboão da Serra,
que engloba ali as escolas tanto de Taboão da Serra, como também de Embu das
Artes, centenas de escolas.
Então, vários
profissionais da Educação estão reclamando, fazendo muitas denúncias, Sr.
Presidente, contra a dirigente de ensino daquela região, que está cometendo
várias irregularidades, vários ataques à dignidade e aos direitos dos
profissionais da Educação.
Como, por
exemplo, promovendo o afastamento em massa de diretoras e diretores, sendo mais
realista do que o rei, utilizando as resoluções autoritárias da Seduc do Renato
Feder. Parece que ela é mais realista, quer mostrar serviço, talvez, mas
afastando muitas pessoas, muitos diretores e diretoras, prejudicando as escolas
com esses afastamentos.
Então, há ali
denúncias de perseguição, de assédio, de autoritarismo, inclusive, Sr.
Presidente, uma interferência gravíssima de uma orientação totalmente errática
em relação ao conselho de classe, série e ano participativo, em que há uma
orientação dessa dirigente de ensino para que o conselho que deveria ser
participativo e coletivo seja feito individualmente. Isso não tem cabimento.
Então, são
várias irregularidades, Sr. Presidente. Eu não sei quem indicou essa dirigente,
se foi algum deputado estadual aqui, deputado Suplicy, de algum partido, melhor
o deputado repensar sua indicação, porque essa dirigente está queimando a
imagem do deputado ou de algum grupo político da Câmara Municipal, da
Assembleia, ou de outro lugar mesmo, lá da região, ou mesmo da Secretaria da
Educação, porque ela depõe contra quem a indicou, quem a nomeou.
Então, nós
queremos, Sr. Presidente, exigir providências imediatas em relação a esse caso,
que a Seduc faça uma investigação nessa unidade regional de ensino e apure os
fatos e tome as medidas necessárias em relação a esse gravíssimo caso de
autoritarismo, uma série de afastamentos em massa, perseguição de diretoras e
diretores, de gestores, Sr. Presidente.
Isso é muito
grave e nós não vamos aceitar. Tanto é que nós estamos pedindo também, porque a
Seduc tem sido leniente e, às vezes, até cúmplice desse autoritarismo que ela
promove na própria rede estadual de ensino. Então, por via das dúvidas, nós
também estamos aqui convocando essa dirigente de ensino de Taboão para depor
aqui na Comissão de Educação, para que ela venha explicar essas gravíssimas
denúncias.
Então, Sr.
Presidente, até peço que cópias do meu pronunciamento já sejam encaminhadas ao
secretário da Educação e ao governador Tarcísio de Freitas, exatamente para que
as providências sejam tomadas imediatamente.
Quero também,
Sr. Presidente, aproveitar para manifestar o nosso total apoio à luta dos
servidores e servidoras do município de Sorocaba, que conseguiram uma vitória
importante ontem, sobretudo com a mobilização que foi feita pelo sindicato de
lá, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sorocaba, que tem na sua
presidência uma mulher, a Ana Melo, que é a dirigente desse ensino, desse
sindicato.
E lá eles
conseguiram uma vitória ontem, porque o governo estava tentando, no apagar das
luzes, Sr. Presidente, às pressas, aprovar uma reforma previdenciária contra os
servidores, e, sobretudo, contra os servidores da Educação.
Depois de uma
ampla mobilização, os servidores e as servidoras ocuparam a Câmara Municipal de
Sorocaba, e o projeto foi retirado imediatamente, e abriu-se agora uma
negociação.
Mas o projeto
tem vários pontos nefastos que prejudicam vários setores do funcionalismo
público de Sorocaba. Entre eles, Sr. Presidente, é um projeto que, por exemplo,
prejudica, se ele for aprovado do jeito que foi enviado, a aposentadoria
especial de professores que foram afastados por doença, no caso aqui do estado
de São Paulo, o professor readaptado, o professor que é afastado para serviços
administrativos, esse professor perde o direito à aposentadoria especial, os
diretores, vice-diretores, supervisores, coordenadores também.
O texto deixa
claro que não é permitida a aposentadoria especial, e, Sr. Presidente, tanto é
que aqui na Prefeitura de São Paulo todos os gestores têm direito à
aposentadoria especial, nós temos agora a Lei Federal nº 15.326, da deputada
federal Luciene Cavalcante, que trata do enquadramento das educadoras de
educação infantil na carreira do Magistério, mas tem também um artigo que
reforça esse direito à aposentadoria especial de diretoras, vice-diretoras,
supervisoras e coordenadoras, porque elas integram a carreira do Magistério
municipal ou estadual.
Então, ainda
bem que o projeto foi retirado, Sr. Presidente, e outros pontos nefastos e
perversos que prejudicam os servidores e as servidoras de Sorocaba.
Nós estamos
aqui atentos e apoiando essa luta, Sr. Presidente. Parabenizar mais uma vez os
servidores, as servidoras e, sobretudo, o sindicato, que teve uma atuação firme
e decisiva na mobilização e na pressão para que o projeto fosse retirado.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Seguindo a lista de
oradores, chamo para fazer uso da palavra o deputado Paulo Mansur. (Pausa.)
Deputada Letícia Aguiar. (Pausa.) Deputado Dr.... Deputado Paulo Mansur, tem V.
Exa. o tempo regimental de cinco minutos.
O SR. PAULO MANSUR -
PL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde, presidente. Já que
estamos aqui, por que não falar para a TV Alesp, para quem está nos assistindo,
não é verdade? Hoje eu até fiz um comentário nas minhas redes sociais, Paulo
Mansur Oficial, sobre a perseguição política do presidente Bolsonaro, o fato de
que o presidente Collor, que foi o presidente deste país, estar tendo um
tratamento de presidente na prisão domiciliar dele, porque ele foi preso por
lavagem de dinheiro, por corrupção. E isso é gravíssimo, porque quando você tem
um desvio de dinheiro público, você está desviando recursos que são dos nossos
impostos, que é da população brasileira.
Agora, no lado
do presidente Bolsonaro, é uma narrativa de golpe. Que golpe é esse? Ou seja,
ninguém consegue explicar. Se você falar com qualquer autoridade internacional,
ninguém consegue entender por que o presidente Bolsonaro está preso.
E o pior, ele
está sendo preso e humilhado, porque ele não pode mexer nas suas redes sociais,
o Collor pode. Ele não pode fazer uma ligação para um familiar, o Collor pode.
Ou seja, são dois pesos e duas medidas.
E, diante
disso, mesmo o presidente Bolsonaro preso, eu vi o “calça apertada” do Doria
falando mal do presidente Bolsonaro, isso ele falou anteontem. Eu até dei um
discurso forte aqui contra o Doria, porque o Doria, na pandemia, perseguiu as
pessoas nas ruas, os trabalhadores.
O cara que não
tinha dinheiro, queria vender milho, vendedor de milho, vendedor de churros,
ele não deixava essas pessoas irem trabalhar, não deixava as pessoas irem para
a praia. Vai à praia de Santos, é gigante a praia de Santos. Ou seja, ele sim
perseguiu as pessoas na época da Covid.
O presidente
Bolsonaro não, ele queria que as pessoas tivessem a liberdade, ele queria que a
pessoa, se estivesse passando mal, o médico tivesse a liberdade de receitar a
cloroquina, por exemplo, que eu tomei e salvou minha vida.
Mas ele não foi
contra a vacina, o presidente Bolsonaro foi um dos presidentes que mais comprou
vacina no mundo. Inclusive ele fez, na época, o auxílio emergencial, que salvou
milhões de brasileiros na época da pandemia.
Ele também
ajudou as empresas, não cobrando impostos das empresas, e essas empresas
pagando depois os impostos. Assim também ele fez com os funcionários CLT, que
ele pagou metade do salário, o governo, e a outra metade quem pagou foi o
empresário. Ou seja, ele salvou empresas.
Só que o Doria
foi na contramão. O Doria aumentou o ICMS na época da pandemia e o Doria também
perseguiu trabalhadores e pequenos trabalhadores, aqueles que precisam realmente
do dinheiro para sobreviver. Então essa é a diferença de um verdadeiro líder.
É por isso que
o senador Flávio Bolsonaro tem história. Ele tem história e ele tem um laço com
o presidente Bolsonaro. Então, eu tenho certeza que ele vai administrar bem este
país e vai ser um bom presidente.
Muito obrigado,
presidente.
Obrigado a
todos vocês.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Seguindo na lista de
oradores, chamo, para fazer uso da palavra, a deputada Letícia Aguiar. (Pausa.)
Deputado Dr. Eduardo Nóbrega. (Pausa.) Deputada Valeria Bolsonaro. (Pausa.)
Deputado Eduardo Suplicy.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro deputado Reis, que preside este plenário, Sras.
Deputadas, Srs. Deputados, gostaria de falar hoje sobre a revista da Fapesp.
É com muita
tristeza que subo hoje a esta tribuna para comunicar um acontecimento
gravíssimo: a partir do mês de maio, a revista “Pesquisa Fapesp” deixará de
circular. Trata-se de uma publicação mensal que, há 27 anos, propaga
conhecimento científico com criticidade e independência aos leitores das
línguas portuguesa, inglesa, francesa e espanhola.
Diante desse
absurdo, protocolei a Moção nº 102, de 2026, que repudia a ação tomada pela
direção da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - Fapesp -, que
quer culminar com a demissão de uma equipe de dez jornalistas especializados na
difusão da ciência, que apuram entrevistas e escrevem sob responsabilidade de
um comitê científico.
Colegas
deputadas e colegas deputados, saibam que a indignação no meio científico é
enorme. Foram mobilizados mais de duas mil associações, pesquisadores, alunos e
amantes da ciência, por meio de um abaixo-assinado em defesa da continuação da
revista “Pesquisa Fapesp”.
A publicação
gira em 28.500 exemplares mensais, distribuídos gratuitamente às bibliotecas e
centros de pesquisa universitários Brasil afora, além de ser comercializada
para cinco mil assinantes e vender 800 exemplares por mês em bancas de jornal.
Além disso,
informo que não só o meu gabinete, mas também o de todos os 94 deputados
estaduais desta Casa, recebem mensalmente a revista “Pesquisa Fapesp”, que
constitui uma inestimável fonte de informação relevante para todos nós,
parlamentares, e também aos membros de nossa equipe de apoio.
Peço às
deputadas e aos deputados uma reflexão acerca da importância da ciência, da
existência da vida em nosso Planeta, por meio do papel desempenhado pelos
estudiosos ao reunirem os conhecimentos, sistematizando-os através da
observação, identificação, pesquisa e explicação dos fenômenos.
E a sociedade
só compreende de fato esse processo de se fazer ciência quando acontece uma
tragédia sanitária, como foi com a Covid-19, ou pela divulgação dos estudos com
uma linguagem acessível que noticie os feitos não só aos acadêmicos, mas também
ao público em geral.
E, com o fim da
revista “Pesquisa Fapesp”, a ciência irá sofrer um duro golpe, com o
cerceamento da liberdade crítica, pois, com o fim da publicação, sobrará apenas
o espaço institucional da Agência Fapesp, subordinado ao “status quo”,
desprovido da crítica científica ao estado de coisas propagado pela ideologia
de plantão.
Apelo a todas e
todos que se juntem a este pleito por meio do pedido de coautoria, divulgando
em suas redes sociais e conclamando a sociedade a solicitar à diretoria da
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo que repense essa ação tão
danosa à ciência. Muito obrigado a todas e todos.
Quero ainda,
antes de concluir, agradecer, enaltecer a decisão do deputado Paulo Fiorilo,
que hoje, ainda pela manhã, presidiu uma reunião da comissão de relações
exteriores com o embaixador do Canadá, o embaixador Emmanuel Kamarianakis e
também a cônsul do Canadá em São Paulo, a Sra. Joanne Lemay. Nós tivemos uma
visita de ambos. Também participou o responsável aqui pelo consulado em São
Paulo.
Na ocasião, eu
pude dar a boa notícia de que será realizada no Canadá, na cidade de Toronto,
acho que de 11 a 13 de agosto, o 25º Congresso Internacional da Bien - Basic
Income Earth Network -, a rede mundial da renda básica.
Inclusive, para
a qual eu já fui convidado, já me inscrevi e estarei lá dialogando com os
canadenses e pessoas de todos os continentes que hoje estão estudando,
colocando em prática e reportando os resultados de expediências da renda básica
de cidadania universal e incondicional pelos mais diversos países do planeta
Terra.
Eu voltarei a
esse assunto, inclusive, quando estiver para visitar o Canadá em agosto e logo
após, para aqui relatar os resultados.
Muito obrigado,
então, Sr. Presidente deputado Reis.
O SR. PRESIDENTE - REIS - PT -
Seguindo a lista de oradores, chamo para fazer uso da palavra, deputado Jorge
Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Deputado Fábio Faria de Sá. (Pausa.)
Deputado Valdomiro Lopes. (Pausa.) Deputado Conte Lopes. (Pausa.) Deputado Caio
França. (Pausa.) Deputado Marcos Damásio. (Pausa.) Deputada Solange Freitas.
(Pausa.) Deputado Luiz Fernando Teixeira Ferreira. (Pausa.) Deputado Guilherme
Cortez. (Pausa.) Deputada Beth Sahão. (Pausa.) Deputada Ana Perugini. (Pausa.)
Deputada Andréa Werner.
A
SRA. ANDRÉA WERNER - PSB -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde a todos e todas. Fazia muito tempo que eu não
vinha falar aqui na tribuna, e eu sempre penso como esta Casa legislativa seria
muito mais potente se alguns deputados e deputadas gastassem a mesma energia
que usam para defender os seus políticos de estimação para colocar as pessoas
mais vulneráveis no Orçamento.
Eu estou aqui
hoje para falar do dia 2 de abril pela última vez nesta Legislatura. Dia 2 de
abril, que é amanhã, é o Dia Internacional da Conscientização Sobre o Autismo.
Eu tive o meu diagnóstico tardio de autismo, o meu filho, que vai fazer 18 anos,
é um autista também, nível 3, com deficiência intelectual.
Eu sou ativista
dessa causa desde 2012, quando eu comecei um blog - na época que blogs
existiam. Me dá uma tristeza profunda, às vezes, de olhar para trás e analisar
o nosso cenário na Educação, na Saúde, na assistência social e ver que pouco
mudou desde 2012.
É muito
doloroso viajar com frequência, como eu viajo, conversar com as famílias, fazer
palestras, fazer rodas de conversa, e ver que, independentemente do tamanho da
cidade no nosso estado - pode ser uma cidade de 8 mil habitantes ou uma cidade
de 500 mil habitantes, os problemas são exatamente os mesmos. As mães choram
por exatamente as mesmas coisas.
A gente ainda
não tem diagnóstico precoce, faltam neuropediatras no estado. A gente não tem
intervenção precoce intensiva. A gente não tem intervenção quase de forma
nenhuma. Quem consegue alguma coisa é uma vez a cada 15 dias, é em grupo. Quem
consegue alguma coisa um pouco melhor, às vezes, é nas Apaes, que estão sempre
com as suas filas de espera.
As escolas não
estão preparadas, mas até hoje as escolas não estão preparadas para receber
esses alunos, o que é um absurdo, porque a nossa Lei Brasileira de Inclusão é
de 2015. A Lei Berenice Piana, que colocou o autismo como deficiência, é de
2012. Por que as escolas não estão preparadas até hoje? Por que a gente
continua escutando que as escolas não estão preparadas?
Eu estive em um
evento há pouco tempo, sobre síndrome de Down, para discutir empregabilidade na
vida adulta de pessoas com deficiência e eu me peguei pensando: “Que coisa
triste que é a gente ter que discutir empregabilidade na vida adulta, sendo que
a gente ainda está discutindo inclusão escolar”.
Não é que a
gente resolveu a inclusão escolar, então a gente pode agora falar em Centros
Dia, residências assistidas ou empregos dignos para aqueles que têm condições
de estar nos empregos.
A gente
continua lutando para que a escola não rejeite a matrícula do aluno autista,
para que o aluno autista tenha o atendimento decente na escola. A gente está
lutando por tudo ao mesmo tempo e a gente não vê as coisas mudarem.
A gente tem uma
situação muito triste acontecendo nas escolas por conta da falsa inclusão, em
que os alunos com autismo e outras deficiências são matriculados, mas os
professores não recebem a formação adequada, não existem cuidadores suficientes,
não se cumpre a lei, inclusive a minha lei estadual, que determina que há o
direito ao acompanhante especializado para aqueles que precisam mais.
Eu acabei de
sair do meu gabinete para vir para cá e tinha um coordenador de escola lá me
dizendo que as salas de aula na escola dele, escola estadual, têm 45 alunos por
sala. Como uma professora vai conseguir dar atenção para um aluno que tem mais
dificuldade em uma sala com 45 alunos?
O que a gente
vê, em média, são três a quatro autistas por sala nas escolas públicas, porque
as escolas particulares ainda rejeitam essas matrículas. E não estou nem
falando das crianças com outras deficiências, aquelas crianças também em que a
professora bate o olho e sabe que ali tem alguma coisa, mas ainda não veio o laudo.
O professor não consegue dar conta de toda essa demanda.
Esse ambiente
que está sendo gerado nas escolas com esse descaso do governo é que os
professores não querem esses alunos lá. Muitos professores - não vou
generalizar - não querem esses alunos lá, porque sabem que não vão dar conta,
estão com “burnout”, estão exaustos.
Os colegas não
querem esses alunos lá, porque quando esse aluno entra em crise, ninguém sabe o
que fazer. A gente recebe denúncias toda semana de escolas chamando a GCM,
chamando a PM quando um aluno autista entra em crise. Até quando? Até quando
esse descaso?
A gente teve
corte em massa de professores auxiliares nas escolas estaduais no início do
ano. Famílias desesperadas, adolescentes que não vão mais para a escola porque
não têm mais esses professores auxiliares.
E eu tive que
ouvir, na época daquele projeto de lei que tirou 5% da Educação, que a Educação
estava ótima de dinheiro, que não faltava dinheiro na Educação. Pois a pessoa
que foi na minha sala agora falou que está com 700 reais em caixa, que não
consegue fazer uma reforma na escola. Não tem elevador, sendo que tem uma aluna,
com deficiência física, que quase caiu da escada, uma vez, com a muleta.
A gente não
consegue falar da saúde das cuidadoras. Oitenta por cento são mães solo. Para
vocês terem uma ideia, no meu gabinete a gente tem uma equipe de acolhimento
com quatro mães atípicas que atendem demandas da população, respondem quando as
pessoas precisam de informação, dão uma orientação e também trazem para a gente
denúncias para que a gente oficie municípios, oficie o Ministério Público.
Essa nossa
equipe de acolhimento teve que fazer treinamento com o CVV, o Centro de
Valorização da Vida, para saberem o que fazer com tantas ligações com mães com
ideações suicidas que elas recebem todos os dias. Nosso acolhimento é treinado
pelo CVV.
*
* *
- Assume a
Presidência o Sr. Carlos Giannazi.
*
* *
Não dá mais,
gente. O trabalho do cuidado é um trabalho. Precisa ser remunerado. A gente
precisa olhar para essas famílias.
Eu queria
encerrar, porque este é o ano do oportunismo político em que todo mundo vai
fazer post falando dos autistas, todo mundo vai se dizer defensor dos autistas,
mas eu sei o que passo quando tento botar emenda no Orçamento aqui, para que os
autistas estejam no Orçamento. Nessas horas, some todo mundo. E não é só aqui,
não: em Brasília é a mesma coisa.
Então, torço
para que o autismo e os autistas sejam colocados no Orçamento, ao invés de
ficarem só nos discursos.
É isso que eu
espero para os próximos anos.
Muito obrigada.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Dando
sequência à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o
deputado Alex Madureira. (Pausa.) Com a palavra o deputado Paulo Fiorilo.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Edson Giriboni. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Teonilio Barba. (Pausa.)
Na Lista Suplementar, com a palavra o
deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Com a palavra a deputada Thainara Faria.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Delegado Olim. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Thiago Auricchio. (Pausa.) Com a palavra o deputado Jorge Wilson
Xerife do Consumidor. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Reis, que fará
uso regimental da tribuna.
O
SR. REIS - PT -
Sr. Presidente, eu retornei à tribuna para continuar uma fala que se deu na
data de ontem, uma fala minha aqui no microfone de apartes sobre o concurso da
Polícia Civil, sobre o concurso para investigadores de polícia, fato que nós
temos uma necessidade enorme de funcionários na Polícia Civil.
Segundo o
Sindicato dos Delegados de Polícia, nós temos quase 15 mil vagas em aberto, e
essas vagas estão aumentando porque, como o salário é ruim, muitas vezes as
pessoas prestam o concurso e veem que não é aquilo que elas querem e elas vão
prestar o concurso em outro estado em que ganham mais, em outro estado paga-se
melhor, aí elas vão embora.
Mas nós tivemos
um problema no concurso de investigador por conta de uma ação popular
denunciando uma fraude, onde um examinador, na prova oral, usava perguntas de
um cursinho chamado Concurseiro Pró, e isso vem desde o ano passado.
Esse imbróglio
atrasou bastante a nomeação dos candidatos, e isso é muito ruim porque nós
precisamos desses investigadores para melhorar o atendimento à população, para
elucidar os crimes, para cumprir os mandados de prisão. Então a falta de
investigadores prejudica muito o funcionamento das delegacias, o combate à
criminalidade, à persecução penal.
Então eu estou
acompanhando esse concurso desde o seu primeiro momento. Eu ouvi os candidatos,
tanto aqueles que foram aprovados, quanto os que foram reprovados, quanto
aqueles que entraram com ação, eu ouvi todos. Inclusive fui até o TJ conversar
também com o desembargador relator dessa ação popular, pedi uma audiência com
ele, e o objetivo maior nosso era que os procedimentos fossem agilizados para o
quanto antes pudessem ser esses candidatos nomeados, para dar resposta para a
população no quesito do funcionamento da Polícia Judiciária.
E depois de
tanto tempo, ontem saiu, ontem o relator publicou o acórdão. Ele publicou o
acórdão e ele reconheceu sim a fraude, porém ele deu uma decisão em que apenas
aqueles candidatos que fizeram a prova oral com esse examinador é que terão que
refazer a prova, porque são cerca de 1.400 candidatos aprovados.
Se fosse ouvir
todos os 1.400, esse concurso provavelmente não conseguiria dar resposta neste
ano ainda, principalmente que é um ano eleitoral, porque para homologar os
concursos, a legislação eleitoral diz que tem que ser até três meses antes do
pleito. Então com essa decisão da Justiça não atacando os outros examinadores...
Para a Justiça os outros examinadores não cometeram o erro, somente esse
examinador.
Então com essa
decisão, Sr. Presidente, os demais candidatos poderão sim ser nomeados e
frequentar o curso de formação. O que a gente tem que cobrar agora da administração
da Polícia Civil, da Secretaria de Segurança Pública?
Cobrar que
agilize os procedimentos, porque ouvir apenas os candidatos que fizeram prova
oral com esse examinador, que é um delegado de polícia que estava usando essas
perguntas do Concurseiro Pro. Isso é uma ilegalidade, porque se eu estou
fazendo as perguntas numa página de computador de um cursinho preparatório,
aqueles alunos que fizeram esse cursinho estão em vantagem em relação aos
demais.
Então, a
Justiça decidiu corretamente e não prejudicou os demais. Imagine ter que fazer
a prova oral para todos os candidatos: isso acabaria ano que vem, acabaria na
gestão do próximo governador, que, com certeza, não será o Tarcísio de Freitas,
eu reafirmo isso. Tenho convicção e intuição: o próximo governador não será o
Sr. Tarcísio de Freitas.
Imaginem vocês
ter que esperar até o próximo ano. Então, com essa decisão da Justiça, a
administração poderá refazer a prova oral tão somente para os candidatos que
foram arguidos por esse delegado de polícia da Academia de Polícia.
E os demais
aprovados poderão ser nomeados, o que a gente espera que a administração faça o
quanto antes, porque ouvir os alunos, os candidatos tão somente desse
professor, desse examinador, não é a mesma coisa que ouvir todos.
Então isso vai
agilizar muito esse concurso, a sua homologação. A gente espera o quanto antes
a nomeação dos candidatos para dar resposta para as delegacias.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Obrigado,
deputado Reis. Chamo V. Exa. para continuar presidindo a sessão no Pequeno
Expediente, agora já na Lista Suplementar.
* * *
- Assume a Presidência o Sr. Reis.
* * *
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Chamo para fazer
uso da palavra o deputado Carlos Giannazi.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Reis, ontem vim à tribuna da
Assembleia Legislativa manifestar o meu total apoio à luta das educadoras de
educação infantil da cidade de Conchal, sobretudo das berçaristas e das
auxiliares de desenvolvimento infantil, que lutam para serem enquadradas na
carreira do magistério, como determina a Lei nº 15.326, de 2026, da deputada
Luciene Cavalcante, que alterou a LDB e alterou também a Lei do Piso Nacional
Salarial, garantindo esse enquadramento a todas as educadoras de educação
infantil de todos os municípios do Brasil.
As educadoras
de educação infantil de Conchal estão em luta já há um tempo, tentando
negociar, apelando à Prefeitura para que respeite a legislação federal,
respeite a LDB, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e a Lei do Piso
Nacional Salarial, fazendo o enquadramento de todas elas na carreira do
magistério, como vários municípios já estão fazendo e cumprindo a legislação,
Sr. Presidente.
No entanto, a
prefeitura não se prontificou a fazer esse enquadramento, depois de várias
tentativas das educadoras, a única alternativa foi o instrumento da greve. Elas
entraram em greve segunda-feira, para pressionar a prefeitura, para que o
direito que elas conquistaram na lei federal seja garantido.
Elas entraram
em greve na segunda, ontem, também, na terça-feira, Sr. Presidente, e foram
surpreendidas por uma ação judicial, por uma liminar, suspendendo, pedindo a
suspensão da greve.
Ou seja, além
de a prefeitura não fazer o enquadramento, além de não valorizar o trabalho das
educadoras de educação infantil, que estão todos os dias lá com as crianças,
com os bebês, que cuidam da primeiríssima infância da cidade de Conchal, além
de elas serem desvalorizadas do ponto de vista salarial, do ponto de vista
funcional, elas são agora atacadas, Sr. Presidente, pela prefeitura. É uma
atitude covarde da prefeitura entrar na Justiça para que elas não possam nem
fazer greve.
Elas não podem
nada, Sr. Presidente. Elas não podem ser enquadradas na carreira do Magistério,
não podem ter direito ao piso Piso Nacional do Magistério, elas não podem ter
direito à aposentadoria especial, elas não podem nem fazer greve, que é um
direito consagrado na Constituição Federal.
A greve é uma
conquista histórica da classe trabalhadora. No entanto, a Prefeitura, em uma
atitude extremamente perversa, cruel e covarde, e machista, Sr. Presidente, porque é contra as
mulheres, são todas as mulheres que estão lá atendendo as crianças de Conchal
na Educação Infantil.
O prefeito foi
lá, entrou com uma ação na Justiça, e saiu aqui uma liminar, uma decisão da
Justiça, na verdade, suspendendo 70% da greve. É um absurdo isso aqui, Sr. Presidente. É um ataque aos
direitos e à dignidade das berçaristas e das auxiliares de desenvolvimento
infantil.
Nós vamos
continuar, Sr. Presidente,
pedindo aqui para que a Prefeitura cumpra a legislação, porque, senão, o
prefeito será enquadrado, sim. Se ele não enquadra as educadoras infantis na
carreira do Magistério, ele pode ser enquadrado, Sr. Presidente, pelo Tribunal de Contas, pelo Ministério Público,
por improbidade administrativa, pelo não cumprimento da lei.
E eu expliquei
ontem aqui da tribuna, Sr. Presidente,
a Lei nº 15.326, da deputada Luciene Cavalcanti, é muito clara. Ela altera a
LDB, altera a Lei do Piso Nacional e reafirma... Eu li, vou ler de novo aqui, Sr. Presidente, quando altera a
primeira Lei do Piso.
O que diz a
lei? “Por profissionais do Magistério Público da Educação Básica, entende-se
aqueles que desempenham atividades de docência, reconhecendo o princípio da
integralidade entre cuidar, brincar e educar. Independentemente da designação
do cargo ou da função que ocupam em suas diversas etapas e modalidades.”
Então, está
claro aqui, não importa se é berçarista, se é ADI, se é pajem, isso não
importa, está na lei aqui, a Prefeitura tem que entender, acho que o prefeito é
mal assessorado, juridicamente, ou há má-fé no cumprimento da lei, no entendimento
da lei, não é possível. Depois, continuando, Sr. Presidente, aqui na legislação, aqui era a Lei do Piso, quando
altera a LDB, fica mais claro ainda o que diz a lei.
“São
considerados professores de Educação Infantil, devendo ser enquadrados na carreira
do Magistério, independentemente da designação do cargo que ocupam os que
exercem função docente e atuam diretamente com as crianças educandas.”
Está aqui, seu
presidente. Essas berçaristas e as ADIs atuam diretamente com as crianças. Qual
é a dúvida que a prefeitura tem para fazer o enquadramento? São três requisitos
básicos para o cumprimento da lei.
Ingresso por
concurso público, na época em que elas ingressaram. Função docente, que é
exatamente o que está aqui na lei, porque não há separação entre cuidar e
educar, reconhecendo o princípio da integralidade entre cuidar, brincar e
educar.
Essa é a função
docente da Educação Infantil, da creche, que é diferente da função docente na
área do Ensino Médio, no Ensino Fundamental. Então está claro. E formação
agora, não é quando elas ingressaram.
Agora, no
enquadramento, elas terão que ter, logicamente, Pedagogia, o curso superior, ou
Magistério. É simples assim, não tem segredo. A lei foi feita exatamente para
dar, Sr. Presidente, garantia jurídica, segurança jurídica, para que as
prefeituras possam fazer o enquadramento.
Não é
transposição de cargo. Não é nada disso. É o reconhecimento. E ao reconhecer,
se integra na carreira do Magistério. Então, Sr. Presidente, é grave essa
situação. A Prefeitura acionar o Tribunal de Justiça para afrontar o direito.
Já está afrontando o direito das educadoras de serem valorizadas do ponto de
vista salarial funcional. Agora está afrontando o direito à greve. Isso é um
absurdo.
É de uma
crueldade, de uma perversidade. E a população de Conchal tem que saber o que o
prefeito está fazendo com as educadoras de Educação Infantil, que estão
cuidando, Sr. Presidente, das crianças, dos filhos, das famílias da população
que elegeu esse prefeito. Ele está atacando de uma forma machista e covarde,
porque são as mulheres que estão lá na ponta recebendo as crianças, Sr.
Presidente.
Então, fica
aqui o nosso apelo, o nosso pedido ao prefeito para que faça o enquadramento
imediato das berçaristas e também das auxiliares desenvolvimento infantil.
Quero ainda,
Sr. Presidente, aproveitar aqui para dizer que V. Exa. fez aqui um
pronunciamento importante sobre a questão do reajuste dos servidores ontem da
Segurança Pública, que está muito aquém de atender as necessidades, muitos
setores ficaram de fora, inclusive a Polícia Penal, que nós denunciamos
exaustivamente, apresentamos emendas, V. Exa. apresentou várias emendas, enfim,
as nossas emendas não foram acatadas.
Mas, além
disso, Sr. Presidente, eu quero aqui dizer que há uma situação mais grave
ainda, que é o não cumprimento da data-base salarial para os servidores do
estado de São Paulo. O governo está afrontando tanto a Lei nº 12.391, que foi
aprovada aqui, em 2006, que institui dia 1º de março, com uma data-base, dos
servidores estaduais, que obriga o estado a, pelo menos, fazer a reposição das
perdas inflacionárias.
E também o
governo está afrontando o Art. 37 da Constituição Federal, que também obriga os
entes federativos, municípios, estados e União, a fazer essa reposição. O
governo Tarcísio é um governo fora da lei, ele está afrontando duas leis ao
mesmo tempo.
Deixando de
fora vários setores do funcionalismo público, sem reposição, sem reajuste
salarial, um absurdo que ele está fazendo, deixou de fora todos os
profissionais da Educação, agentes de organização escolar, o magistério, os
gestores, diretores, supervisores, todo mundo ficou de fora, Sr. Presidente.
E outras
categorias importantes do funcionalismo, o pessoal da Saúde ficou de fora, da
Assistência Social. Enfim, então, há um descumprimento da lei, Sr. Presidente,
e ainda, na área da Educação, não cumpriu o reajuste, Sr. Presidente,
corretamente, do piso nacional do magistério.
Ou seja, o Magistério
estadual foi prejudicado duas vezes, o não cumprimento da data-base e o não cumprimento
da Lei nº 11.738. O governador, mais uma vez, utilizou um artifício, um truque,
para burlar a lei, dizendo que está pagando o piso nacional, que está dando
reajuste, usando decreto e abono complementar, e isso é ilegal, Sr. Presidente.
Então, diante
disso, eu já tinha ido, quero fazer esse anúncio, já acionei o Tribunal de
Contas do Estado de São Paulo e também o Ministério Público Estadual,
implicando o prefeito por improbidade administrativa, pelo não cumprimento da
Constituição Federal, do Art. 37, e também da nossa Lei Estadual nº 12.396, de
2006.
Lembrando
ainda, Sr. Presidente, deputado Reis, que, ao não cumprir a legislação, ao não
dar a reposição das perdas inflacionárias para o conjunto dos servidores do
estado de São Paulo, o governador também, além de prejudicar os servidores da
ativa, está prejudicando também os aposentados e pensionistas.
Então é isso,
Sr. Presidente, agora com a palavra o Ministério Público e Tribunal de Contas.
Qual vai ser a atitude do MP e do Tribunal de Contas diante de um governador
fora da lei, que não respeita a lei e não respeita também, Sr. Presidente, não
respeita, sabe o quê? Decisão judicial, não respeita liminar.
Eu venho
denunciando exaustivamente aqui que nós ganhamos, o nosso coletivo “Educação em
Primeiro Lugar” conseguiu uma liminar, suspendendo os efeitos da Resolução nº
19 da Secretaria da Educação.
Então, a
resolução agora, do início do ano, Sr. Presidente, que deixou milhares de
professores categoria “O” fora das escolas, desempregados, nós temos várias
escolas sem professores, alunos sem aulas e professores desempregados, é um
paradoxo.
Só aqui no
estado de São Paulo, por conta também dessa resolução que proíbe professores
categoria “O” de fazerem o contrato agora, em 2026, para pegarem aulas, que não
fizeram a prova do seletivo, do programa lá... É uma provinha que existe... O
PSS, que é um programa, Sr. Presidente... Uma prova simplificada, Processo
Seletivo Simplificado, que é um absurdo.
Então, está
dizendo o seguinte, a resolução, só quem tem o PSS desse ano, de 2026, mas não
teve PSS, não teve prova no ano de 2026. Então, a Seduc não aceita o PSS do ano
passado. E com o... Foi um truque também, Sr. Presidente, uma sabotagem aos
professores categoria “O”. Isso foi feito de propósito, justamente para que
eles não peguem aulas em 2026.
Então, nós
temos milhares e milhares de professores categoria “O”. Mas nós derrubamos, Sr.
Presidente, nosso coletivo “Educação em Primeiro Lugar”, deputada federal
Luciene Cavalcante, vereador Celso Giannazi, Câmara Municipal, e o nosso
mandato, nós ingressamos com uma ação popular, ganhamos uma liminar, derrubando
esse aspecto, suspendendo, revogando a Resolução nº 19, e o governo não está
respeitando.
Tanto é que nós
fomos recentemente, Sr. Presidente, a nossa assessoria jurídica acionou o
Tribunal de Justiça, agora, nesses dias aqui, com um cumprimento de decisão
provisória, pedindo que o TJ tome providências. Como é que pode o governo, a
Secretaria da Educação, não respeitar uma liminar? É um governo que afronta a
Justiça e afronta a legislação. Está aqui, olhe, cumprimento de decisão
provisória.
Fomos obrigados
a fazer isso, Sr. Presidente, pedindo ao Tribunal de Justiça que tome as
devidas providências para o cumprimento da Resolução nº 19, de tal forma que
todos esses milhares e milhares de professores e professoras que ficaram fora,
que não puderam e não podem ainda fazer os contratos para voltarem para as suas
escolas, que isso seja resolvido e que eles possam fazer o contrato
imediatamente, que a sentença judicial aqui - a sentença, não, a liminar, na
verdade - seja cumprida, Sr. Presidente.
Então, faço
esse apelo aqui ao Tribunal de Justiça e também que o governo cumpra a
legislação.
Era isso, Sr.
Presidente.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Havendo acordo entre
as lideranças, eu solicito o levantamento desta sessão.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - É regimental o
requerimento de Vossa Excelência. Sras. Deputadas e Srs. Deputados, havendo
acordo de lideranças, esta Presidência, antes de dar por levantar dos
trabalhos, convoca V. Exas. para a sessão ordinária de segunda-feira, à hora
regimental, sem a Ordem do Dia.
Está levantada a sessão.
Tenham todos uma excelente tarde.
* * *
- Levanta-se a sessão às 15 horas e 02
minutos.
* * *