24 DE NOVEMBRO DE 2025

169ª SESSÃO ORDINÁRIA

        

Presidência: EDUARDO SUPLICY

        

RESUMO

        

PEQUENO EXPEDIENTE

1 - EDUARDO SUPLICY

Assume a Presidência e abre a sessão às 14h09min. Discorre sobre momentos difíceis enfrentados pelo Brasil e as infrações cometidas pelo ex-presidente Bolsonaro. Lembra a comemoração do Dia da Consciência Negra, no dia 20/11. Diz ser um marco anual na luta do povo brasileiro, que é em sua maioria negro. Fala sobre o combate ao racismo e políticas públicas relacionadas ao assunto. Menciona sua participação em encontro sobre o assunto, no qual lembra discurso de Martin Luther King. Explica o programa Renda Básica da Cidadania e sua implantação no Quênia. Cita o lançamento do livro "Automação e o futuro do trabalho", de Aaron Benanav. Lê trecho do livro. Pede apoio ao PL 991/25 de sua autoria, juntamente com os deputados Marina Helou e Guilherme Cortez. Registra a presença dos alunos da Escola Estadual Jardim Iguatemi, de São Mateus. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária de 25/11, à hora regimental, com Ordem do Dia. Levanta a sessão às 14h33min.

        

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ÍNTEGRA

 

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- Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Eduardo Suplicy.

 

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- Passa-se ao

 

PEQUENO EXPEDIENTE

 

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O SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Presente o número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da sessão anterior e recebe o expediente.

Vou chamar os deputados e as deputadas, a lista de inscrição. Tem a palavra a deputada Maria Lúcia Amary. (Pausa.) Tem a palavra o deputado Agente Federal Danilo Balas. (Pausa.) Tem a palavra a deputada Solange Freitas. (Pausa.) Tem a palavra o deputado Reis. (Pausa.) Tem a palavra o deputado Dr. Jorge do Carmo. (Pausa.) Tem a palavra o Delegado Olim. (Pausa.)

Rodrigo Moraes. (Pausa.) Deputada Beth Sahão. (Pausa.) Deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Deputado Danilo Campetti. (Pausa.) Deputado Bruno Zambelli. (Pausa.) Deputado Donato. (Pausa.) Deputado Marcelo Aguiar. (Pausa.) Deputada Dani Alonso. (Pausa.) Deputado Teonilio Barba. (Pausa.)

Deputada Prof.ª Camila Godoi. (Pausa.) Deputado Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Deputado Rafa Zimbaldi. (Pausa.) Professora Bebel. (Pausa.) Fábio Faria de Sá. (Pausa.) Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Thainara Faria. (Pausa.) Capitão Telhada. (Pausa.) Paulo Mansur. (Pausa.)

Carlos Giannazi. (Pausa.) Edson Giriboni. (Pausa.) Alex Madureira. (Pausa.) Carlos Cezar. (Pausa.) Thiago Auricchio. (Pausa.) Atila Jacomussi. (Pausa.) Marcos Damasio, (Pausa.) Conte Lopes. (Pausa.) Deputado Eduardo Suplicy, que sou eu mesmo. Havendo procedimento normal então, enquanto não chegam outros deputados e outras deputadas, eu uso da palavra agora, no Pequeno Expediente.

Gostaria de falar que o Brasil vive momentos muito difíceis. Infelizmente, a pessoa que havia sido consagrada nas urnas como eleito presidente da República, infelizmente, ao terminar o seu mandato, acabou de alguma forma, agindo para tentar evitar que ele saísse da Presidência e que continuassem, os partidos que o apoiam, a realizar o que estavam fazendo.

Mas é importante o que está na Constituição e na legislação E, infelizmente, este presidente Jair Bolsonaro se contrapôs, desobedeceu, conforme foi demonstrado no Supremo Tribunal Federal, no julgamento em que o ministro Alexandre de Moraes concluiu que ele, de fato, havia cometido infrações muito graves. Mas o Brasil está agora dando os passos necessários para, sobretudo, muito bem, regulamentar a democracia e as nossas instituições, para que possamos viver em um Brasil justo, solidário e fraterno.

E gostaria de lembrar que, na última quinta-feira, 20 de novembro, celebramos o Dia da Consciência Negra. E não se trata apenas de uma data simbólica, mas de um marco anual que nos convoca a reconhecer e a reafirmar a luta permanente do povo brasileiro, um povo majoritariamente negro que construiu este País e que, ainda assim, segue enfrentando diariamente os efeitos do racismo estrutural que moldou a nação desde seus alicerces.

Quero aqui me irmanar, por exemplo, à nossa querida deputada Leci Brandão, que também se pronunciou, na semana passada, a respeito do Dia da Consciência Negra. O mandato que exerço tem plena consciência de que a questão racial não é um tema periférico nem setorial, ela é estruturante.

Assim, todas as agendas públicas, na saúde, na educação, no trabalho, na moradia, na assistência social e na segurança pública, precisam ser pensadas à luz do compromisso inegociável de combater o racismo. Não é por acaso que a população negra, que figura nos piores indicadores sociais e econômicos, é consequência direta de quase quatro séculos de escravização, seguidos de políticas insuficientes, quando não ausentes de reparação e inclusão.

E isso faz dessa pauta uma responsabilidade de estado reparar de maneira séria, comprometida e sistemática as desigualdades produzidas pelo racismo institucionalizado. É obrigação de qualquer governo. Quando olhamos para a tragédia que ocorreu no Rio de Janeiro, quando mais de 120 jovens foram assassinados, em sua maioria negros, não podemos tratar isso como um fato isolado.

Essa violência é expressão de um estado que ainda falha a cada dia em garantir que a juventude negra seja reconhecida como cidadã plena, digna de viver, de sonhar e de ter futuro. Nesse final de semana, estive na Casa Amarela, ocupação cultural no centro da Capital, em uma programação que celebrou a resistência à arte ancestralidade, reafirmando o direito à cidade, à memória e à vida digna para os nossos povos.

O encontro reuniu comunidades, instituições e movimentos que têm se levantado para fortalecer as pautas de retomada territorial, reparação histórica e políticas públicas, voltadas às populações negras, indígenas e periféricas. Ali, recordei e compartilhei um trecho das reflexões de Martin Luther King Jr. no discurso “Para onde vamos a partir daqui?”, feito em 1967, um discurso que segue absolutamente atual.

Martin Luther King Jr. nos lembra que, mesmo após conquistas importantes, a planta da liberdade apenas brotou, mas ainda não floresceu. E ele nos convoca a enfrentar a realidade tal como ela é, afirmando nossa dignidade, organizando nosso poder político e social.

E a pergunta segue válida até hoje aqui no Brasil. Para onde vamos daqui para frente? Vamos reconhecer que a desigualdade racial é o centro da desigualdade brasileira. Vamos assumir que não há justiça social possível, sem justiça racial.

Vamos compreender que o verdadeiro desenvolvimento exige políticas públicas que enfrentem as violências, garantam moradia digna, ampliem o acesso à educação, assegurem trabalho e renda e interrompam o ciclo que empurra nossa juventude negra para a morte, para o cárcere e para a marginalização.

É exatamente nesse ponto, diante da profundidade das desigualdades que enfrentamos, que precisamos afirmar quais caminhos somos capazes de construir enquanto sociedade, entre eles, destaco uma política de forma objetiva, estrutural e universal, as questões aqui apresentadas, a renda básica de cidadania. A renda básica é uma política estratégica de reparação racial e redução das desigualdades estruturais, especialmente em territórios marcados pela ausência histórica do Estado.

A experiência internacional nos oferece aprendizados valiosos. No Quênia, que fui visitar e ver isso pessoalmente, a implantação dos programas de renda básica trouxe desenvolvimento comunitário significativo, com melhorias nos indicadores de educação, alimentação, geração de renda e fortalecimento das redes sociais.

Mais do que isso, observou-se uma redução expressiva da violência doméstica contra as mulheres e da violência sexual contra as mulheres. No caso da diminuição da redução da violência doméstica contra as mulheres, foi 66%, depois de dois anos da experiência da renda básica modesta lá, 22 dólares e 50 centavos por mês, para todos de 18 anos ou mais. Mas houve redução expressiva, portanto, da violência sexual e doméstica contra as mulheres.

Esses resultados nos mostram que a renda básica não é apenas uma política econômica, é um instrumento concreto de proteção, dignidade e promoção dos direitos humanos, sobretudo para mulheres negras, imigrantes e populações periféricas. O dia da consciência negra não é apenas um chamado ao passado, mas ao futuro.

Um futuro em que o Brasil finalmente cumpra a promessa de igualdade inscrita em sua Constituição. Um futuro em que a vida das pessoas negras seja tratada com respeito à proteção e à dignidade que lhes são de direito.

Meu mandato segue comprometido, com firmeza e convicção, em trabalhar para que esse futuro se torne realidade. Porque combater o racismo não é apenas um dever moral, é condição para que o Brasil seja verdadeiramente uma democracia.

Gostaria também, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, de anunciar o lançamento de um livro denominado “Automação e o Futuro do Trabalho”, escrito pelo professor Aaron Benanav, da Universidade Cornell, em Nova Iorque. Na obra, o autor contrapõe-se ao discurso amplamente mobilizado por empresários, políticos e jornalistas, de que a automação tecnológica levará a futuros catastróficos ou utópicos.

Antes disso, Benanav sustenta que não é a tecnologia, mas são o longo declínio da economia capitalista e a extrema acumulação de capital, os responsáveis pelo desemprego e pelos subempregos contemporâneos. E é por isso que o professor aponta a renda básica da cidadania universal e incondicional como uma boa saída para os novos desafios gerados pela automação.

O jornal “Nexo” publicou, no dia 31 de outubro, um pequeno trecho do livro que gostaria de ler às senhoras e aos senhores.

“Os rápidos avanços em inteligência artificial, aprendizagem de máquina e robótica parecem destinados a transformar o mundo do trabalho. Nas fábricas mais avançadas do mundo, empresas como a Tesla estão se esforçando para ter uma produção de ‘luzes apagadas’, na qual processos de trabalho totalmente automatizados, que não precisam mais de mãos humanas, podem funcionar no escuro. Enquanto isso, nos salões iluminados das convenções de robótica, são exibidas máquinas capazes de jogar pingue-pongue, cozinhar, fazer sexo e até mesmo manter conversas.

Os computadores não estão apenas gerando novas estratégias para jogar Go, mas estão supostamente escrevendo sinfonias que levarão o público às lágrimas. Vestidos em jalecos brancos ou com ternos virtuais, os computadores estão aprendendo a identificar cânceres e, em breve, serão colocados para trabalhar no desenvolvimento de estratégias jurídicas.

Os caminhões estão aprendendo a atravessar os Estados Unidos sem motoristas; cães robóticos estão carregando armas de uso militar por áreas desoladas. Será que estamos vivendo os últimos anos da labuta humana? Será que o que Edward Bellamy chamou de ‘édito do Éden’ está prestes a ser revogado, pois os homens - ou pelo menos os mais ricos entre nós - estão se tornando deuses?

Há muitos motivos para duvidar da moda. Por um lado, as máquinas continuam comicamente incapazes de abrir portas ou, infelizmente, de dobrar roupas. Os seguranças robóticos estão caindo em fontes de shopping centers. Os assistentes digitais computadorizados podem responder a perguntas e traduzir documentos, mas não suficientemente bem para fazer o trabalho sem nenhuma intervenção humana; o mesmo acontece com os carros autônomos.

Em 2014, em meio ao movimento americano ‘Fight for Fifteen’, foram colocados outdoors em São Francisco, ameaçando substituir os trabalhadores de fast food por telas sensíveis ao toque se uma lei que aumentasse o salário mínimo fosse aprovada.”

Vou repetir a leitura dessa frase: “Em 2014, em meio ao movimento americano ‘Fight for Fifteen’, foram colocados outdoors em São Francisco, ameaçando substituir os trabalhadores de fast food por telas sensíveis ao toque se uma lei que aumentasse o salário mínimo fosse aprovada. O Wall Street Journal apelidou o projeto de lei de ‘Lei do Emprego dos Robôs’.

No entanto, muitos trabalhadores de fast food na Europa já trabalham ao lado de telas sensíveis ao toque e, muitas vezes, recebem salários melhores do que os trabalhadores equivalentes nos Estados Unidos. Então, será que a conversa sobre automação é um exagero?

Nas páginas de jornais e revistas de grande circulação, as histórias assustadoras sobre automação continuam apenas mera conversa. Entretanto, na última década, esse discurso se consolidou em uma teoria social influente que pretende não apenas analisar as tecnologias atuais e prever seu futuro, mas também explorar as consequências da mudança tecnológica para a sociedade em geral.

O discurso da automação se baseia em quatro proposições principais. Primeira: argumenta que os trabalhadores já estão sendo substituídos por máquinas cada vez mais avançadas, resultando em níveis crescentes de ‘desemprego tecnológico’. Segunda: esse fenômeno é um sinal inequívoco de que estamos prestes a alcançar uma sociedade amplamente automatizada, na qual quase todo o trabalho será realizado por máquinas, que se movimentam por conta própria e por computadores inteligentes.

Terceira. Embora a automação deva seguir a liberdade coletiva da humanidade em relação ao trabalho, vivemos em uma sociedade em que a maioria das pessoas precisa trabalhar para sobreviver, o que significa que esse sonho pode muito bem se tornar um pesadelo.

Por conseguinte, a única maneira de evitar um desemprego em massa catastrófico, como o que ocorreu nos Estados Unidos em 2020, embora por motivos muito diferentes, é instituir uma renda básica universal, rompendo a conexão entre o tamanho da renda que as pessoas recebem e a quantidade de trabalho que realizam.

Minhas amigas, meus amigos, como argumenta o professor Aaron Benanav, cada vez mais é nítido o valor de se instituir uma renda básica universal. Devemos caminhar nesse sentido para garantir a todos, aos cidadãos, o mínimo de liberdade e dignidade real.

E é por isso que eu volto a ressaltar que o PL 991/25, que escrevi em coautoria com a deputada Marina Helou, e do o deputado Guilherme Cortez, reinstitui o Programa Estadual de Renda Básica de Cidadania de São Paulo.

Eu convido todos a lerem essa proposição, assim como o livro que menciona, para que possamos debater os modos de como tornar a política da renda básica de cidadania universal e incondicional, viável e aplicável em nosso estado e no Brasil.

Gostaria de registrar que estamos recebendo a visita dos alunos da Escola Estadual Jardim Iguatemi, que fica em São Mateus, aqui em São Paulo. Sejam bem-vindos. (Palmas.) Se quiserem fazer alguma pergunta para mim, visitar o meu gabinete, podem fazê-lo. Fica nesse andar aqui, que é o M, letra M de Maria, Mezanino, IA, e o gabinete é o número 6. Se quiserem, serão bem-vindos.

Então, havendo acordo de lideranças, esta Presidência, antes de dar por levantados os trabalhos, convoca V. Exas. para a sessão ordinária de amanhã, à hora regimental, com a mesma Ordem do Dia da última quarta-feira.

Está levantada a presente sessão.

 

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- Levanta-se a sessão às 14 horas e 33 minutos.

 

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