
18 DE MARÇO DE 2026
27ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: CARLOS GIANNAZI, MAJOR MECCA, VITÃO DO CACHORRÃO e FÁBIO FARIA DE SÁ
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h08min. Convoca sessão extraordinária a realizar-se hoje, às 16 horas e 30 minutos, ou dez minutos após o término da presente sessão.
2 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - VITÃO DO CACHORRÃO
Para comunicação, faz pronunciamento.
4 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Cumprimenta autoridades de Monte Alegre do Sul/SP, presentes no plenário. Parabeniza o deputado Vitão do Cachorrão pela luta contra os pedágios no estado de São Paulo.
5 - SOLANGE FREITAS
Por inscrição, faz pronunciamento.
6 - MAJOR MECCA
Por inscrição, faz pronunciamento.
7 - VITÃO DO CACHORRÃO
Por inscrição, faz pronunciamento.
8 - MAJOR MECCA
Assume a Presidência. Agradece ao deputado Vitão do Cachorrão pelo apoio no combate à violência contra as mulheres.
9 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
10 - VITÃO DO CACHORRÃO
Assume a Presidência. Endossa o pronunciamento do deputado Carlos Giannazi. Destaca a excelência nos serviços prestados pelo deputado Major Mecca no exercício do seu mandato.
11 - MAJOR MECCA
Por inscrição, faz pronunciamento.
12 - PRESIDENTE VITÃO DO CACHORRÃO
Destaca que fará moção à mulher que socorreu a vítima de agressão, no caso trazido pelo deputado Major Mecca. Agradece ao deputado Gil Diniz Bolsonaro pelo apoio durante a viagem de ambos à Taiwan. Informa que, na referida viagem, acordos foram firmados para trazer indústrias para o interior do estado de São Paulo.
13 - GIL DINIZ BOLSONARO
Por inscrição, faz pronunciamento.
14 - MAJOR MECCA
Assume a Presidência. Tece comentários sobre o pronunciamento do deputado Gil Diniz Bolsonaro.
GRANDE EXPEDIENTE
15 - FABIANA BOLSONARO
Por inscrição, faz pronunciamento.
16 - FÁBIO FARIA DE SÁ
Assume a Presidência.
17 - MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS
Para questão de ordem, faz pronunciamento.
18 - PRESIDENTE FÁBIO FARIA DE SÁ
Registra a manifestação, para resposta oportuna.
19 - MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS
Solicita a suspensão da sessão, por conveniência da ordem.
20 - PRESIDENTE FÁBIO FARIA DE SÁ
Indefere o pedido. Orienta a deputada Monica Seixas do Movimentos Pretas a buscar meios regimentais para representar contra a deputada Fabiana Bolsonaro. Solicita aos deputados comportamento regimental.
21 - CARLOS GIANNAZI
Solicita a suspensão da sessão, por conveniência da ordem.
22 - PRESIDENTE FÁBIO FARIA DE SÁ
Indefere o pedido.
23 - MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS
Por inscrição, faz pronunciamento (aparteada pela deputada Ediane Maria).
24 - MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS
Solicita a suspensão da sessão, por acordo de lideranças.
25 - PRESIDENTE FÁBIO FARIA DE SÁ
Informa que não há acordo entre as lideranças para suspender ou levantar a sessão.
26 - CAPITÃO TELHADA
Para comunicação, faz pronunciamento.
27 - PAULO FIORILO
Para questão de ordem, faz pronunciamento.
28 - PRESIDENTE FÁBIO FARIA DE SÁ
Responde a questão de ordem formulada pelo deputado Paulo Fiorilo.
29 - MAJOR MECCA
Por inscrição, faz pronunciamento.
30 - PRESIDENTE FÁBIO FARIA DE SÁ
Cumprimenta os professores e os alunos do Colégio Marista Arquidiocesano, presentes nas galerias.
31 - CARLOS GIANNAZI
Para comunicação, faz pronunciamento.
32 - PAULO FIORILO
Por inscrição, faz pronunciamento (aparteado pelo deputado Conte Lopes).
33 - CONTE LOPES
Por inscrição, faz pronunciamento.
34 - CONTE LOPES
Pelo art. 82, faz pronunciamento.
35 - CARLOS GIANNAZI
Pelo art. 82, faz pronunciamento.
36 - CARLOS GIANNAZI
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
37 - PRESIDENTE FÁBIO FARIA DE SÁ
Defere o pedido. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 19/03, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Lembra sessão extraordinária a ser realizada hoje, às 16 horas e 54 minutos. Levanta a sessão às 16h44min.
* * *
ÍNTEGRA
* * *
-
Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Carlos Giannazi.
* * *
- Passa-se ao
PEQUENO
EXPEDIENTE
* * *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Presente o número regimental de Sras. Deputadas e Srs.
Deputados, sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos. Esta
Presidência dispensa a leitura da Ata da sessão anterior e recebe o expediente.
Dando
início à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o
deputado Itamar Borges. (Pausa.) Com a palavra o deputado Dr. Jorge do Carmo.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Delegado Olim. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Atila Jacomussi. (Pausa.)
Com
a palavra o deputado Bruno Zambelli. (Pausa.) Com a palavra o deputado Enio
Tatto. (Pausa.) Com a palavra o deputado Fábio Faria de Sá. (Pausa.) Com a
palavra a deputada Professora Bebel. (Pausa.) Com a palavra a deputada Thainara
Faria. (Pausa.) Com a palavra o deputado Reis, que fará uso regimental da
tribuna.
Enquanto
V. Exa. se dirige a tribuna, temos uma convocação. Nos termos do Art. 100,
inciso I, do Regimento Interno, convoco V. Exas. para a sessão extraordinária a
realizar-se hoje, às 16 horas e 30 minutos ou dez minutos após o término da
presente sessão em cumprimento ao interstício mínimo previsto no § 3º do Art. 100,
do Regimento Interno, com a finalidade de ser apreciada a seguinte Ordem do
Dia:
* * *
-
NR - A Ordem do Dia para a 9a Sessão Extraordinária foi publicada no
D.O. de 19/03/2026.
* * *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Com a palavra o
deputado Reis.
O SR. REIS - PT - Cumprimentar o presidente, o
deputado Carlos Giannazi, também cumprimentar o público presente, os
integrantes da Polícia Civil, da Polícia Penal, da Polícia Militar, da Polícia
Técnico-Científica e também todos os funcionários desta Casa e todos aqueles e
aquelas que estão nos acompanhando pelas redes sociais através da Rede Alesp.
Presidente
deputado Carlos Giannazi, acho que depois de tanta pressão, manifestação,
participação dos policiais, aposentados, veteranos da Polícia Militar, as
associações de classe da Polícia Civil, os sindicatos da Polícia Civil, as
associações de classe dos policiais penais, os sindicatos dos policiais penais
e também o Sindicato dos Peritos Criminais, as associações ou Associação dos
Médicos Legistas, parece que o governo está anunciando, porque saiu hoje na
“CBN”.
Estou aqui com a matéria da “CBN” que o
governo pretende enviar um projeto de reajuste para os policiais à Assembleia
Legislativa na próxima semana. Segundo aqui a “CBN”: “A proposta será
apresentada na terça-feira, dia 24, e integra pacote mais amplo para a
Segurança Pública”.
Então,
essa é a grande expectativa que têm as carreiras policiais do reajuste. Ainda
não se sabe qual que é o valor desse reajuste, se realmente ele vai colocar a
polícia de São Paulo entre as dez mais bem pagas do Brasil, que é a promessa do
governador.
Essa
promessa nós temos que cobrar todos os dias, porque se não vier um reajuste que
garanta que a polícia de São Paulo fique nas dez mais bem pagas do País isso
deixará público para todos que governador não cumpriu a sua palavra.
E
aqui que eu devo adverti-lo, que na matéria diz que “o governador Tarcísio de
Freitas vai encaminhar na próxima terça-feira à Assembleia Legislativa de São
Paulo o projeto de lei que prevê reajuste salarial e reestruturação de carreira
das Polícias Militar, Civil e Científica”.
Percebe
que não está a Polícia Penal aqui? Dos 5%, quando ele mandou os 5%, mandou para
as polícias e também não estava a Polícia Penal. Tivemos que fazer a cobrança
para ele mandar um aditivo ao projeto original incluindo também a Polícia
Penal. Na matéria fala da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Polícia
Científica, mas não está falando da Polícia Penal. Então, advertir o governador
para que ele não esqueça também da Polícia Penal.
“Como
o texto está inserido em um pacote de reestruturação das carreiras, o prazo
para aprovação segue outra regra da legislação eleitoral. Nesse caso, a
tramitação pode ocorrer até 90 dias antes do pleito, ou seja, no início de julho.
A situação difere de reajustes gerais, que exigiriam aprovação até 180 dias
antes da eleição, prazo que necessitaria tramitação na Alesp em regime de
urgência.
Deputados
da base avaliam que o projeto será aprovado ‘com tranquilidade’, - aí eles falam
- embora considerem a possibilidade de obstrução por parte da oposição. Nos
bastidores, o governo tem sido pressionado pela categoria por reajuste de dois
dígitos, enquanto negociações com a Secretaria da Fazenda seguem em andamento”.
Então,
é um pouco aqui a matéria que foi repercutida pela “CBN”, mas deixar advertido
aqui ao governador para que ele não esqueça da Polícia Penal, porque o reajuste
é para as polícias de São Paulo, inclusive a Polícia Penal.
E
obviamente ele não esquecer do reajuste dos demais funcionários públicos. Vamos
pegar os professores, que já têm, inclusive, data marcada para greve em abril.
Dia 9, dia 10 eles têm como indicativo que eles vão efetuar uma grande
manifestação.
Então, que o
governador entenda que, sim, tem que dar o reajuste para os policiais, tem que
garantir a valorização, tem que garantir que os salários dos policiais fiquem
entre os dez mais bem pagos do País, para que ele cumpra a sua promessa, mas
que ele não esqueça que o estado de São Paulo tem, sim, outros servidores
públicos também que estão aguardando reajuste, aguardando a recomposição
salarial e que inclusive...
Os professores
têm, inclusive, data marcada para a sua manifestação, para o seu início de
greve se o governador não der resposta para os demais servidores públicos.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Dando sequência
à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o deputado
Sebastião Santos. (Pausa.) Com a palavra, o deputado Luiz Claudio Marcolino.
(Pausa.) Com a palavra, o deputado Donato. (Pausa.)
Com a palavra, o deputado Alex
Madureira. (Pausa.) Com a palavra, o deputado Danilo Campetti. (Pausa.) Com a
palavra, o deputado Thiago Auricchio. (Pausa.) Com a palavra, o deputado Tomé
Abduch. (Pausa.) Com a palavra, a deputada Beth Sahão. (Pausa.)
Com a palavra, o deputado Rômulo
Fernandes. (Pausa.) Com a palavra, a deputada Andréa Werner. (Pausa.) Com a
palavra, o deputado Rafa Zimbaldi. (Pausa.) Com a palavra, a deputada Leci
Brandão. (Pausa.) Com a palavra, o deputado Capitão Telhada. (Pausa.) Com a
palavra, o deputado André Bueno. (Pausa.) Com a palavra, o deputado Luiz
Fernando Teixeira. (Pausa.) Com a palavra, o deputado Marcelo Aguiar. (Pausa.)
Com a palavra, agora, a deputada Solange
Freitas, que fará uso regimental da tribuna.
O
SR. VITÃO DO CACHORRÃO - PODE - Pela ordem,
presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Com a palavra,
deputado Vitão do Cachorrão.
O
SR. VITÃO DO CACHORRÃO - PODE - PARA COMUNICAÇÃO -
Quero aqui anunciar, com grande alegria, a presença dos vereadores Wilian e
João Paulo, de Monte Alegre do Sul. Agradecer também V. Exa., que esteve junto,
lá, na briga contra os pedágios. “O Vitão é da base?” Sou da base, sim. Mas
somos contra os pedágios em todo o estado de São Paulo. Inclusive, assinei o
PDL 6, que derruba o decreto do governador.
Não vamos admitir o pedágio. Peça para
os outros deputados, seus amigos, a assinarem também o decreto, porque ninguém
merece mais pedágio no estado de São Paulo. Então obrigado, Wilian e João
Paulo, de Monte Alegre do Sul.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Obrigado,
deputado Vitão do Cachorrão. Vereadores, sejam bem-vindos aqui à Assembleia
Legislativa de São Paulo, e parabéns pela mobilização que vocês fizeram junto
ao deputado Vitão do Cachorrão contra os pedágios lá naquela região. Com a
palavra, deputada Solange Freitas.
A
SRA. SOLANGE FREITAS - UNIÃO -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Muito obrigada, Sr. Presidente. Uma boa tarde a todos.
Venho falar de
um assunto muito sério, porque um homem de 76 anos foi preso acusado de
estuprar a própria netinha de quatro anos de idade. Essa menina mora com a mãe
em São Vicente. Os pais são separados, e a cada 15 dias ela vai para a casa do
pai, que mora em São Paulo.
Da última vez,
a menina voltou para casa retraída, triste, com medo. A mãe conversou com ela e
ela contou detalhes do abuso do avô, que, inclusive, é médico. É um homem, um
senhor de 76 anos que é médico, e a menina contou todos os detalhes desse
abuso.
E o que ainda é
mais grave nisso: o pai da criança, de alguma maneira, a criança não soube
explicar como, se ele viu o abuso, como ele soube do abuso, mas ele falou assim
para a filha: “Minha filha, não conta para ninguém. Não conta para a mamãe. O
vovô não vai mais fazer isso. Fica tranquila, mas não conta para ninguém”. Ou
seja, o pai, que precisaria proteger a sua própria filha, preferiu proteger o
pai.
Esse caso foi
registrado na Delegacia de Defesa da Mulher de São Vicente, que teve um
atendimento totalmente humanizado. E depois, diante de todas as provas, porque
essa criança foi encaminhada para a Secretaria de Direitos Humanos de São
Vicente, que tem a escuta especializada, essa criança falou, relatou tudo o que
aconteceu - e a importância da escuta especializada em um município é essa. A
criança fala para uma pessoa técnica, profissional, e fala apenas uma vez, que
é elaborado um relatório e encaminhado para os órgãos competentes.
Então diante da
fala da criança, diante de todas as provas, a Delegacia da Defesa da Mulher
prendeu esse homem, um médico de 76 anos, acusado de estuprar a própria neta de
quatro anos de idade. Eu queria ressaltar muito que a vontade é de estampar a
cara desse homem aqui.
A gente só não
vai fazer isso para preservar a criança, a netinha dele de quatro anos de
idade, mas a vontade é de mostrar a cara desse homem, desse louco, que estuprou
a própria neta de quatro anos de idade.
E eu queria
ressaltar também a importância dessa rede de apoio, que está sendo ampliada em
São Vicente e começa a funcionar. Primeiro, dar os parabéns para a equipe da
DDM de São Vicente, comandada pelo delegado Lucas, pelo trabalho que eles vêm
desenvolvendo incansavelmente em todos os casos de abuso contra crianças e da
violência contra a mulher. Tem sido vários casos nesse ano na cidade de São
Vicente.
Quero dar os
parabéns para o secretário de Direitos Humanos de São Vicente, o Jackson e toda
a equipe também pelo trabalho que vem fazendo. É uma rede especializada. Aliás,
a escuta especializada é uma lei federal, mas que, infelizmente, nem todos os
municípios regulamentaram e estão executando. E mostra como, nesse caso, é
importante ter essa escuta especializada.
Além disso,
ontem, eu tive uma reunião com o secretário de Segurança Pública, o doutor Nico
e toda a equipe técnica dele para pedir agilidade na reforma do novo local onde
vai funcionar a DDM de São Vicente e nesse local nós vamos realizar um sonho
antigo da cidade também.
Além da DDM em
um local mais adequado, também funcionar junto outros serviços para a mulher,
que nós estamos chamando da Casa de Mulher Vicentina. Então no mesmo lugar,
como esse caso dessa mãe, a criança que precisou fazer um boletim de
ocorrência, ela seria encaminhada para a escuta especializada, que estaria
funcionando no mesmo espaço.
Então ontem,
nesta reunião, eu pedi agilidade, porque está em fase de terminar o relatório
final, para fazer esse projeto final, para começar a reforma, que nós já temos
até empenhado os recursos para a reforma de onde vai funcionar a nova DDM de
São Vicente.
Então, eu
gostaria de ressaltar esse trabalho importante, que todos os municípios
deveriam ter, mas infelizmente não têm. E falar desse abuso absurdo de um homem
de 76 anos, médico, que abusou, estuprou a própria neta de quatro anos de
idade.
Muito obrigada.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Dando
sequência à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o
deputado Dirceu Dalben. (Pausa.) Com a palavra a deputada Dani Alonso. (Pausa.)
Com a palavra a deputada Paula da Bancada Feminista. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Major Mecca, que fará uso regimental da tribuna.
O
SR. MAJOR MECCA - PL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde, presidente, deputado Carlos Giannazi, todos
os nossos irmãos policiais, aos funcionários que nos dão suporte.
Quando nós
falamos sobre Segurança Pública, lembram-se tão somente da polícia, só que
todos se esquecem que o sistema de Segurança Pública é integrado por vários
setores - as polícias na Segurança Pública, o Sistema Judiciário, a Justiça, o
Ministério Público, o Sistema Penitenciário - ou seja, é um conjunto de setores
e de esforços trabalhando para inibir e punir um criminoso.
Agora, o que
nós assistimos em São Paulo, no estado de São Paulo, todos os dias, eu pergunto,
como que nós policiais vamos tomar conta desse Estado, como que nós policiais
vamos tomar conta da população com um caso como esse que eu trago agora aqui,
no plenário da Assembleia Legislativa?
O caso que eu
vou pedir para estampar na tela aqui da Assembleia, no plenário de hoje,
aconteceu na última segunda-feira, dia 16 de março, no município de Guarulhos.
Olha o que o canalha, o agressor, o criminoso fez com a esposa que quer a
separação. Por gentileza, coloca na tela para que todos possam assistir.
* * *
- É exibido o vídeo.
* * *
Vocês me falam.
A mulher correu para dentro do elevador. Ele entrou junto. Cadê a cena dele
espancando a ex-esposa dentro do elevador? Não tem aí a cena com ela sendo
espancada?
Não, quero que
mostre a cena com ela sendo espancada, porque isso tem que mostrar. Porque
nesse caso aqui, essa mulher foi espancada por esse criminoso e pasmem todos
vocês: ontem, na terça-feira, esse bandido, esse criminoso foi solto na
audiência de custódia.
Agora eu
pergunto ao Poder Judiciário, pergunto às autoridades, ao Ministério Público:
como ser policial em um ambiente como esse, onde a Justiça é conivente com o
agressor, com a agressão?
Por gentileza,
Santinho, pede para trazer, tem as imagens que vi no celular. Santinho, pede
para trazer as imagens da mulher apanhando dentro do elevador, que é uma
realidade que as mulheres vivem no Brasil hoje e todo mundo tem que assistir,
tem que ver o que as mulheres estão passando, tem que ver o que nós, policiais,
sofremos com o sistema de Justiça que nós temos, com as leis que nós temos.
Como pode um
bandido desses, um covarde como esse, ser solto na audiência de custódia? Foi
solto e olha só: “Não, mas tem exigências”. “Olha, você vai ser colocado em
liberdade, mas você precisa ter afastamento do lar, do domicílio ou do local de
convivência com a ofendida, hein? Não pode ir na casa dela. Proibição de
aproximar-se da vítima a menos de 300 metros.”
Será que algum
juiz acredita que um canalha, um agressor como esse, vai respeitar essas
medidas cautelares? Isso é um tapa na cara de toda a sociedade. É um tapa na
cara de todos nós, policiais, que nos arriscamos todos os dias, sabe para quê?
Para nada. Para nada, porque um país como o Brasil, que protege bandido, que
protege assassino, não merece ter os policiais que tem. Não merece.
O estado de São
Paulo e o Brasil não merecem ter os policiais que tem, que todos os dias se
dedicam, arriscam a sua vida para prender um bandido, para prender um ladrão,
para morrer com uma facada, para no outro dia acontecer isso: na terça-feira,
ontem, um bandido como esse ser colocado em liberdade na audiência de custódia.
Audiência de
custódia estabelecida pelo Conselho Nacional de Justiça, comemorado pelos
ministros da Justiça do PT. Comemorações no final do ano porque mais de 60% dos
presos foram soltos na audiência de custódia.
Agora, quem
vocês pensam que vocês aprisionaram? Agora essa mulher tem que desaparecer do
mundo, para que ela possa minimamente se proteger. Agora o policial... Hoje, na
Secretaria de Segurança Pública, há um contrato em vigor de 160 milhões para
câmera corporal. Aí tem dinheiro, não é, Vitão? Para monitorar o policial, mas
para botar uma tornozeleira em um agressor de mulher, aí não tem dinheiro, aí
não tem tornozeleira.
“Nossa,
tadinho, vai deixar um coitado como esse na cadeia, preso? Tadinho. Nossa, é
muita coisa deixar ele preso, coitado. Deixa ele solto, só fala para ele não ir
lá perto da casa da esposa dele”. Essa mulher vai morrer. Ou isso não é uma
tragédia anunciada? Mas é assim o Estado: “Vamos monitorar os policiais. Os
criminosos podem ficar à vontade”.
O SR. PRESIDENTE - CARLOS
GIANNAZI - PSOL - Dando sequência à lista de
oradores inscritos, com a palavra o deputado Vitão do Cachorrão, deputado lá de
Sorocaba e de toda a região.
O SR. VITÃO DO
CACHORRÃO - PODE -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde a todos. Cumprimentar aqui o pessoal que
assiste no plenário, o pessoal aqui dos partidos que trabalham na Casa, a
Polícia Militar, a Polícia Civil.
Cumprimentar
também o pessoal da limpeza e meu amigo Mineiro, que vende um lanche excelente
aqui na frente da Alesp. Eu, como vendedor de cachorro-quente, dou muito valor
Giannazi.
Vamos comer um
lanche lá no Mineiro, Giannazi? Está convidado, o Giannazi vai junto comigo. Falar
de novo aqui do vereador Wilian e do João Paulo de Monte Alegre do Sul. É uma
honra receber vocês aqui no nosso gabinete, o gabinete do povo. Eu sempre
coloco esse nome no meu gabinete, não coloco nem escritório político, Mecca.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Major Mecca.
* * *
Porque o nosso
gabinete, a sua casa, é a Casa do povo, a nossa Casa. Olha, já foram pagos 150
mil reais de aquisição de um veículo para transporte de paciente. Eu vi um
transporte de paciente agora, uma ambulância daquela Fiorino, Major Mecca, pequenininha;
tinha uns quatro caras naquela ambulância. Pior do que ir num... Deus que me
perdoe.
Parecia que estavam
presos ali atrás de uma viatura. Quatro pacientes ali no calor, com o vidro
aberto, porque não funciona o ar-condicionado. É por isso que o governador tem
que pagar todas as nossas emendas. Eu tenho mais de 16 emendas aí que não foram
pagas. E essas emendas não são para mim. É para comprar ambulância lá para Ponta,
para Itararé, para Monte Alegre do Sul, para Itapetininga.
E é uma
vergonha a ambulância na situação que eu vi. Mas foi paga aqui. Eu quero
agradecer também ao Governo do Estado. Já está paga aqui. Não é indicação, não.
Está paga para comprar aqui esse veículo para transportar o paciente, para a
aquisição de equipamentos, para a saúde básica também está paga e para 50 mil
reais de obras para a cobertura do parquinho externo da creche.
Eu estive lá na
creche Artimed Alves da Cunha Cimei. Está tramitando. Essa aqui vai ser paga. E
é essa que eu estou cobrando aqui, que são 16 emendas minhas que não foram
pagas. Ainda tem até de 2023. Então, agradecer ao Wilian e o João Paulo.
Quero aqui
também falar, já passou um projeto de lei de nossa autoria aqui, na Casa, que
cobravam nos ginásios e nos estádios, Giannazi, uma fortuna das pessoas que iam
assistir aos jogos. Às vezes vão lá no interior...
Faz muito tempo
que o Palmeiras, o Corinthians, o São Paulo e o Santos não vão lá no interior. E
quando o pai quer levar uma criança ou até aqui na Capital, principalmente na
final, cobravam o ingresso de crianças de colo, menos de dois anos de idade.
Então já foi aprovada a nossa lei. Até dois anos incompletos, a criança não
paga.
E de 2 a 12,
nos ginásios e estádios também é somente meia-entrada. Só que eu estou lutando
aqui, e preciso, tem um projeto de lei aqui, para voltar - é o Projeto de lei
nº 431, de 2024, para voltar... Mandar um abraço aqui para o Paulinho Serdan da
Mancha Alviverde, o Izidoro, e também para o nosso presidente, para voltarem as
bandeiras com mastros.
E também já fiz
um requerimento, ofício pedindo para voltarem as duas torcidas no dia de
clássico. Está aqui, meu assessor está me filmando, ele foi assistir a um jogo
no Maracanã, acho que o Fla-Flu. Tinha muitos torcedores ali misturados das
duas torcidas. Aqui em São Paulo não pode fazer nada.
Outra coisa que
eu estou pedindo aqui também, que foi um absurdo, para que revogue o Art. 7º da
Lei nº 14.590, de 2011 - foi na época da Copa do Mundo. Proibiram as pessoas de
transitarem ao redor do estádio. Só que o que acontece? Os bares, as lanchonetes,
a pessoa que não conseguiu ingresso, não consegue assistir ao jogo ali, tomando
ali um suco, tomando uma cerveja com a sua esposa, com a sua família.
Teve
um rapaz que foi ver a mãe dele, ele não pôde ir, porque a antiga rua do Palestra,
a Turiassu, que mudou de nome agora, acho que é Palestra Itália, não deixa
ninguém passar ali e essa fiscalização está sendo feita pela Crefisa. Isso é um
absurdo. Tem que liberar, está tirando o direito de ir e vir.
Agora eu quero
falar também, dar os parabéns aqui ao nosso amigo e deputado, Major Mecca, tenha
certeza aí que futuro deputado federal, e essa lei é federal, onde se viu, a
polícia faz um serviço excelente, prender um vagabundo desse que espanca uma
mulher no elevador.
Eu falei aqui
de feminicídio a semana passada, de agressão para mulher, e no mesmo dia, na
audiência de custódia, esse vagabundo ser solto. Dá vergonha, Mecca, desses
homens, a gente que é homem. Parabéns pelo seu trabalho.
Estou
comunicando também, eu sou do Podemos, e quero dar os parabéns para a Renata
Abreu, deputada federal, que está lutando também, e está, para que isso, tem que
mudar essa lei, eu já estou falando com a Renata Abreu, para que tenha
tornozeleira permanente no agressor.
Que nunca mais
ele tire a tornozeleira do pé. Dá até para fazer uma tornozeleira de outra cor para
identificar que ele agrediu uma mulher, que ele é agressor de mulher, para onde
ele chegar ele passar vergonha porque é covarde.
Onde se viu a
outra moça, o Major Mecca mostrou aqui nas imagens, parabéns, Major Mecca,
tenha certeza que do jeito que trabalha é futuro deputado federal, e a gente
tem que mudar a lei federal, mas eu também estou conversando aqui no estado de
São Paulo. Do mesmo jeito que a gente fez algumas leis aqui só para o estado de
São Paulo, tem que montar uma tornozeleira de outra cor, uma tornozeleira
permanente e cadeia sem fiança.
Não pode soltar
um, isso aí não é nem cidadão, um vagabundo desse na rua. Ele tem que ter
cadeia sem fiança, para pedófilo e para gente desse tipo aí, que maltrata
mulher e maltrata criança. Cadeia sem fiança e tornozeleira, para quem agrediu
mulher, permanente. Nunca mais tirar tornozeleira, para quando alguém olhar ele
no banco, olhar ele no supermercado, falar: “Isso aí é vagabundo, ele agride
mulher”.
Muito obrigado,
Major Mecca.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito
obrigado, deputado Vitão. Tem o nosso apoio, agradeço as suas palavras e
parabéns pelo seu trabalho e pelo seu apoio às polícias, aos policiais e à Segurança
Pública. Dando sequência à lista de oradores do Pequeno Expediente, deputado
Edson Giriboni. (Pausa.) Deputada Ediane Maria.
(Pausa.)
Deputado Valdomiro Lopes. (Pausa.)
Deputada Delegada Graciela. (Pausa.) Deputada Prof.ª Camila Godoi. (Pausa.) Deputado
Paulo Mansur. (Pausa.) Deputada Maria Lúcia Amary. (Pausa.) Deputado Eduardo
Suplicy. (Pausa.) Deputada Letícia Aguiar. (Pausa.) Deputado Gil Diniz
Bolsonaro. (Pausa.)
Deputada Ana Perugini. (Pausa.) Deputado
Conte Lopes. (Pausa.) Deputado Dr. Eduardo Nóbrega. (Pausa.) Deputada Marina
Helou. (Pausa.) Deputado Marcos Damasio. (Pausa.) Deputada Carla Morando.
(Pausa.) Deputado Doutor Elton. (Pausa.) Deputada Márcia Lia. (Pausa.) Deputado
Rodrigo Moraes. (Pausa.) Deputado Carlos Giannazi.
Tem V. Exa. cinco minutos regimentais.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Mecca, deputado Vitão do
Cachorrão, público presente e telespectador da TV Assembleia, essa gestão do
governador Tarcísio de Freitas está fazendo talvez o maior ataque de todos os
tempos aos servidores e servidoras do estado de São Paulo, publicando várias
resoluções, decretos, portarias, em várias áreas, atacando direitos, retirando
direitos, retirando benefícios e atacando a dignidade do funcionalismo
público-estadual como nunca ocorreu no nosso Estado.
Até mesmo o
tucanato, o tucanistão, o PSDB, que sempre atacou os servidores, conseguiu
fazer essa proeza de fazer ataques sistemáticos aos nossos servidores. Eu quero
registrar alguns desses ataques. O primeiro, Sr. Presidente, foi a publicação
recente do Decreto nº 70.410, que extingue mais de 33 mil cargos efetivos de
várias secretarias. Eu já denunciei isso, mas estou resgatando, Sr. Presidente,
esse tema, porque tem outro decreto agora publicado pelo governador Tarcísio.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Vitão do Cachorrão.
* * *
Então, nesse
Decreto nº 70.410, ele está extinguindo 1.613 cargos de agente de organização
escolar, 315 cargos de técnico de enfermagem do Iamspe, 1.278 cargos de
cirurgião-dentista do SUS, do Sistema Único de Saúde de Cirurgiões Dentistas,
que poderiam estar atendendo a população mais carente nas periferias das
cidades do estado de São Paulo.
Ele está
extinguindo, também do SUS estadual, 1.100 cargos de enfermeiro, 2.966 cargos
de técnico de enfermagem, todos do Sistema Único de Saúde, Sr. Presidente, que
seriam profissionais que poderiam estar, através do concurso público, estarem
atendendo a população na área da Educação. E tem mais, tem na área da pesquisa,
na área da Segurança Pública, são mais de 33 mil cargos, esse Decreto nº
70.410.
Mas não
contente com isso, com esse desmonte da prestação de serviços públicos, agora o
governo acabou de publicar mais um decreto, o Decreto nº 70.410, que cria o
famoso PDI, o Programa de Demissão Incentivada, estimulando os servidores
efetivos de todas as secretarias do Estado, da Educação, da Saúde, da Segurança
Pública, deputado Vitão do Cachorrão, a irem embora, a abandonarem o serviço
público em troca de uma indenização.
Então, se tem
um policial que trabalha há 20 anos na Polícia Civil, na Polícia Militar, no
Sistema Prisional, se ele não quiser mais trabalhar no Estado, ele sai nesse
PDI, nesse Programa de Demissão Voluntária, recebe uma indenização e o cargo
dele ficará vago e provavelmente extinto, porque é isso que o governador está
fazendo, extinguindo os cargos efetivos.
Um professor, a
mesma coisa, um agente de organização escolar, um médico, uma enfermeira, um
assistente social, ele está estimulando que os servidores efetivos, aqueles de
carreira, que prestam serviço para a população, que têm experiência, que têm
trajetória no estado de São Paulo, na máquina pública, nas suas respectivas
secretarias, saiam, Sr. Presidente, em troca de uma indenização, para
precarizar as contratações, para contratar pessoas pela Lei nº 1.093, aquela
que tem duzentena, que tem quarentena, e o governo vai precarizar e terceirizar
a prestação de serviços públicos no estado de São Paulo, por isso que ele
publica esses decretos, essas resoluções, essas portarias.
Então, são dois
decretos aqui que atacam frontalmente, Sr. Presidente, os servidores e as
servidoras do estado de São Paulo, mas, sobretudo, a população usuária que será
prejudicada, porque, se for atendida, será atendida por pessoas, por contratações,
por trabalhadores precarizados, sem estabilidade, sem experiência no serviço
público.
Eu já
apresentei um PDL para revogar o primeiro decreto que eu citei, Sr. Presidente.
Então, é grave a situação e nós estamos em luta para denunciar e barrar essa
reforma administrativa disfarçada, Sr. Presidente, do governo aqui no estado de
São Paulo.
É um absurdo,
nós estamos lutando e eu peço o apoio de todos os deputados para que façam
frente a esse desmonte da prestação de serviços públicos e dos funcionários
públicos do estado de São Paulo.
Quero ainda,
Sr. Presidente, aqui, anunciar rapidamente, com a permissão de Vossa Excelência,
com a tolerância do tempo...
O SR. PRESIDENTE - VITÃO DO CACHORRÃO - PODE - Fique à vontade, deputado
Giannazi.
O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Uma boa notícia, Sr. Presidente.
Acabou de ser aprovada agora, na Câmara Federal, na Comissão de Constituição e
Justiça do Estado de São Paulo, o Projeto de lei nº 6.268, de 2019, da deputada
federal Luciene Cavalcanti, professora, supervisora de ensino aqui de São
Paulo, do nosso coletivo Educação em Primeiro Lugar.
E é uma
aprovação conclusiva, porque o projeto nem vai para o plenário, ele segue agora
para o Senado Federal - um projeto que autoriza que todos os profissionais da
Educação das escolas públicas do Brasil, das redes municipais, das redes
estaduais, possam também se alimentar com a merenda escolar. Sr. Presidente,
saiu agora, notícia quentíssima. Só pedindo permissão. Eu queria ver se o
pessoal da técnica coloca aqui a vitória.
* * *
- É exibido o
vídeo.
* * *
Parabéns,
deputada Luciene Cavalcante por essa vitória importante, que é uma vitória de
todos os profissionais da Educação do Brasil. Segue para o Senado agora e
depois para sanção presidencial.
Tenho certeza de
que o presidente Lula vai sancionar imediatamente esse projeto, assim que ele
chegar na sua mesa, lá no seu gabinete, porque essa é uma antiga reivindicação
do Magistério público, Sr. Presidente.
Lembrando que
nós também temos um projeto igual, semelhante, tramitando aqui, que eu
apresentei, que já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça. Então, é
uma vitória dos profissionais da Educação do Brasil, graças a essa militância
da deputada federal Luciene Cavalcante no Congresso Nacional, a primeira
deputada da rede municipal de São Paulo eleita para o Parlamento Nacional.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - VITÃO DO CACHORRÃO - PODE - Eu que
agradeço. Parabéns Giannazi. Excelente projeto, Giannazi. Quando eu era
vereador em Sorocaba, eu fiz essa lei, passou a lei, com 39 dias os professores
já estavam comendo, o prefeito votou porque precisava de alguém no governo
federal. Mas isso aqui, eu quero ser coautor, junto com V. Exa. aqui no Estado,
tem que ser aprovado em todo o estado de São Paulo.
Eles jogam comida no lixo, o professor
tem que levar marmita, tem que ir para outra escola, às vezes, não tem nem
dinheiro para comer, e desperdiçando. Além de ser pedagógico você ensinar o
aluno a comer alface, salada, coisas que, às vezes, não têm nem na casa, nem na
periferia. Excelente lei, parabéns pelo seu trabalho também. Conte com o
deputado Vitão do Cachorrão, que tem aprovado essa lei em Sorocaba, com o
vereador Fausto Peres. Obrigado, Giannazi.
Seguindo a lista do Pequeno Expediente,
dos pequenos oradores, deputado Paulo Fiorilo. (Pausa.) Deputado Luiz Claudio
Marcolino. (Pausa.) Deputado Delegado Olim. (Pausa.) Deputado Enio Tatto.
(Pausa.) Deputada Márcia Lia. (Pausa.) Deputado Gil Diniz Bolsonaro, o homem de
Taiwan. (Pausa.) Deputado Jorge Wilson Xerife do consumidor. (Pausa.)
E deputado Major Mecca. Major Meca,
regimental, tem o tempo de cinco minutos para o uso da palavra. Major Mecca vai
nos deixar aqui, ele vai lá para o governo federal, vai ser deputado federal,
vai continuar lutando agora no estado de São Paulo, e sempre lutando pela
Segurança Pública, que ele faz muito bem, com excelência, porque ele já foi
policial de rua também.
Tem o uso da palavra, Major Mecca.
O
SR. MAJOR MECCA - PL
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Presidente, deputado Vitão, muito obrigado pelas
palavras. Como a gente ora todos os dias no Pai Nosso, que a vontade do Senhor
seja feita, e que prevaleça sempre. A nossa disposição para trabalhar sempre
foi muito grande, e, com as bênçãos do Senhor, a gente já salvou muitas vidas
ao longo desses anos.
E, em respeito
ao povo do estado de São Paulo, às mulheres do estado de São Paulo, às mulheres
do Brasil, que eu fiz aquela fala anterior aqui, da tribuna, onde eu chamei a
atenção da decisão da Justiça, onde, diante do Judiciário, o juiz, ter
oportunidade de assistir o nível, o grau de agressividade de um energúmeno como
esse, que não é possível chamá-lo de homem, porque não é homem. A essência do
homem é a proteção, principalmente da mulher.
Coloca de novo
a imagem aí. Faz favor. A audiência de custódia, essa ferramenta que foi
instalada no Brasil pelo Conselho Nacional de Justiça, está potencializando a
violência. Está matando pessoas, está matando mulheres. Se não fosse essa outra
mulher, amiga da moça agredida, esse cara tinha matado essa mulher na pancada,
para ser solto no dia seguinte na audiência de custódia.
Aonde
o Poder Judiciário pensa chegar com essas medidas? Não basta o policial militar
prender um traficante com 800 quilos de cocaína, e o traficante ser solto,
porque, segundo o entendimento do excelentíssimo juiz, a abordagem policial não
contemplava o Art. 244 do Código de Processo Penal; não havia a fundada
suspeita.
Vocês
trabalham para quem? Para o povo, o povo que paga impostos, o cidadão de bem,
honesto, cristão? Vocês não trabalham para a população de bem. Isso já está bem
claro, porque esse tipo de prestação de serviço está beneficiando o criminoso,
está beneficiando o crime.
Não é por acaso
que o crime organizado, nas últimas décadas, cresceu em passos largos. Hoje, no
Brasil, o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são máfias, são
cartéis. E tudo isso que o povo passa...
A granada
explode, deputado Altair, deputado Gil. Essa granada da irresponsabilidade do
Poder Judiciário, do Ministério Público e de todos os demais setores do sistema
de Segurança Pública explode no colo dos policiais, desses homens e mulheres
que estão de farda aqui.
Porque hoje nós
trabalhamos, aí vem a segunda etapa da minha manifestação na tribuna. Nós
estamos aguardando aqui o projeto de reajuste salarial dos policiais do estado
de São Paulo. Já fizemos nossa explanação, as justificativas de um reajuste
minimamente de dois dígitos que alce as polícias de São Paulo dentro das mais
bem pagas no Brasil.
O governo já
sabe qual é o nosso ponto de vista, tudo o que nós acreditamos e confiamos, no
sentido de fazer uma Segurança Pública e construir uma política de Segurança Pública
que realmente defenda o cidadão de bem, que realmente defenda as mulheres desse
tipo de agressor.
São bons
salários; soldados motivados para trabalhar; soldados com a sua saúde física e
mental em condições, não como trabalham hoje, exaustos, depressivos. Dos 31
dias do mês, eles trabalham todos os 31 dias com turnos de no mínimo 14, 15
horas por dia.
Mas ele tem que
ter uma câmera corporal no peito para ser monitorado, porque o algoz da
sociedade para o governo é o policial, não é o bandido, não é aquele agressor.
Aquele agressor está tranquilo, espancou a mulher... Se não fosse impedido pela
amiga da mulher, que estava ao lado, ele teria matado aquela mulher. Mas ele
terá uma nova oportunidade, porque ele foi solto na audiência de custódia. E
não tem tornozeleira para ele, viu? Não tem.
O policial não
pode sair para a rua se não estiver com a “body cam”, tem que ficar dentro do
quartel, então você não sai. Se não tem uma câmera no peito, você não pode sair.
Mas o criminoso pode sair sem tornozeleira. A incoerência das políticas de governo
em relação à Segurança Pública no Brasil está uma vergonha.
O
SR. PRESIDENTE - VITÃO DO CACHORRÃO - PODE - Obrigado, Major
Mecca. Já estou pedindo para a minha assessoria. Eu gostaria que todos os
deputados assinassem para fazer uma moção de apoio a essa amiga que salvou a
vida de outra amiga que estava sendo agredida no elevador.
E esse vagabundo foi solto na audiência
de custódia. Major Mecca, deputado, estou fazendo uma moção de apoio e de
aplausos, deputado Altair, deputado Gil Diniz, Gianazzi, para essa moça que
salvou a vida da outra amiga que estava sendo agredida no elevador. Eu gostaria
que todos os colegas deputados assinassem também. Muito obrigado.
Seguindo a lista dos oradores aqui,
nosso amigo e deputado Carlos Gianazzi. Vai falar mais cinco minutos? Ah,
desculpa. Agora é o deputado Gil Diniz Bolsonaro, o homem de Taiwan. Se não
fosse o Gil Diniz, meu Deus do céu, eu fui para a Europa com o Gil Diniz numa
missão para trazer indústrias para o estado de São Paulo, Gianazzi.
Esqueci a blusa no avião. Fiquei sem
blusa, ganhei uma blusa do Gil Diniz, que estava lá num frio abaixo de sete
graus em Taiwan. Está lá a blusa, viu, Gil Diniz? Às vezes eu uso a blusa com que
V. Exa. me socorreu lá, na hora em que eu mais precisei.
Um vendedor de hot dog em Taiwan, sem
blusa. Mas, graças a Deus, um amigo, o Gil Diniz, socorreu a gente ali. E a
gente vai trazer indústrias lá para o interior, para Itapeva, Itapetininga,
Itararé, tirar o pessoal, às vezes, da roça, do serviço duro e gerar empregos,
trazer indústrias aqui para o estado de São Paulo, através de Taiwan. A nossa
visita lá, junto com outros deputados também, o deputado Tenente Coimbra, o
André Bueno e o Gil Diniz. Gil Diniz, muito obrigado.
É regimental, tem o uso da palavra por
cinco minutos.
O
SR. GIL DINIZ BOLSONARO - PL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Agradeço, presidente. Muito obrigado pela deferência com
que V. Exa. sempre me trata. Foi uma honra estar com V. Exa. em Taiwan. Passamos
anteriormente em Istambul, na Turquia. Realmente um frio, muito frio, e V. Exa.
ali, sem agasalho. Vitão é não só um deputado atuante, um deputado trabalhador,
que veio da base, mas um deputado que bem representou o nosso estado de São
Paulo.
Sem dúvida
nenhuma, essa parceria vai longe, tem aí os adversários, os inimigos, deputado
Mecca, que querem justamente o fim dessa parceria, que quando podem até nos
ameaçam quanto a isso, por essa nossa proximidade com Taiwan, mas o mandato foi
o povo que nos deu. Deus primeiramente, mas o povo que nos deu, então, enquanto
estivermos aqui, vamos representar dignamente esse povo e trazer as
oportunidades que países aliados nos dão.
* * *
- Assume a Presidência o Sr. Major Mecca.
* * *
Presidente,
venho aqui a esta tribuna no Grande Expediente abordar outros temas. Preciso
corroborar com o discurso do Major Mecca neste momento. É impressionante,
deputado Major Mecca, a banalidade do mal que nós estamos vendo nesses últimos
dias, essas imagens, esses criminosos agredindo as suas mulheres, ex-mulheres.
Mas o que me
causa ainda mais repulsa, obviamente, eu quero a punição desses canalhas, quero
que sejam presos, quero que respondam, que sejam condenados, que passem bons
anos das suas vidas atrás de uma grade, mas o que me causa tamanha repulsa é
saber que juízes, deputado Major Mecca, vendo essas imagens aqui, em 24 horas,
nessa famigerada audiência de custódia - para quem não sabe, quem inventou
audiência de custódia foi o então ministro do Superior Tribunal, do STF, que
hoje é ministro de Luiz Inácio, o Lewandowski.
Senhoras e
senhores, o criminoso preso ali por atentar contra a vida daquela mulher, ele
tem o direito de ser apresentado a um juiz, deputado Major Mecca, em 24 horas,
para o juiz lhe perguntar se ele foi bem tratado pelos policiais que o
prenderam.
Audiência de
custódia não serve para outra coisa que não seja proteger tipos de criminosos
como esse, que já está na rua. Ele vai mais uma vez atentar contra a vida dessa
mulher e de outras mais, com a conveniência do Judiciário brasileiro.
Infelizmente. Eu sei que não são todos, mas os juízes que não fazem justiça
jogam na lama o nome, a boa reputação que a Justiça brasileira já teve um dia.
Major Mecca, me
dá tristeza saber que um criminoso como esse está nas ruas, solto 24 horas
depois e senhoras de 70 anos, 75 anos como a dona Iraci, que está no presídio
de Santana cumprindo uma pena de 14 anos de prisão em regime fechado por...
Segundo um juiz que não faz justiça, aquele juiz que é esposo, que é marido da
Vivi, que tem um contrato milionário com o Vorcaro, do banco Master, 129
milhões de reais.
Ele que trocava
WhatsApp no dia da prisão do Vorcaro e condenou essa servidora pública, dona
Iraci, professora, diretora de escola, Giannazi, e nunca teve um apontamento
criminal. Ela cometeu um erro, ela cometeu um crime de estar na Praça dos Três
Poderes no fatídico dia de 8 de janeiro.
Repito aqui,
uma servidora pública aposentada que nunca teve um apontamento criminal e está
agora jogada atrás das grades no presídio feminino de Santana com 14 anos de
prisão, condenada a regime fechado com o filho remindo em câncer.
Eu poderia aqui
dar vários e vários exemplos de desumanidade que eu vejo agora nos presídios de
São Paulo, dessas pessoas que não cometeram crime algum, simplesmente estavam
em uma manifestação que descambou para vandalismo.
Mas não tem,
Major Mecca, uma foto da dona Iraci e de vários outros presos quebrando sequer
uma janela, revirando uma lixeira. Catorze anos de prisão. É esse tipo de
juizinho aqui que está julgando o povo de São Paulo, o povo brasileiro. Juiz
que solta criminoso, que solta corrupto, bandido, facínora e prende senhoras
idosas. Isso é justiça senhoras e senhores? Não é.
Mas enquanto
estivermos aqui vamos dar voz a estes que não podem mais, que não tem condições
mais, que estão no cárcere neste momento e vamos dar voz a essas pessoas que
são perseguidas e sequestradas por esse tipinho de juiz que manda, que troca
mensagem com criminoso no dia da prisão desse tipo de bandido: bandido de
colarinho branco, corrupto e vagabundo solto por esse tipinho de juiz.
Obrigado, Major
Mecca.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito obrigado,
deputado Gil. É com uma tristeza muito grande que nós testemunhamos todas essas
práticas no Brasil. Infelizmente, que desrespeito ao ser humano, as pessoas
dignas, honradas, que trabalham, que são cristãos e que sempre respeitaram ao
próximo.
Terminado o Pequeno Expediente, abrimos
o Grande Expediente.
* * *
- Passa-se ao
GRANDE
EXPEDIENTE
* * *
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Dando início a
lista de oradores, deputado Danilo Campetti. (Pausa.) Deputada Carla Morando.
(Pausa.) Deputado Luiz Fernando Teixeira Ferreira. (Pausa.) Deputada Fabiana
Bolsonaro, em sessão de tempo do deputado Alex de Madureira.
Tem V. Exa. o tempo regimental para o
uso da tribuna.
A SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Obrigada,
presidente deputado Mecca. Estou aqui ansiosa para fazer o que farei nesta
tribuna, que é de extrema importância para a nossa sociedade. Trouxe o meu
espelho, amarro os meus cabelos e aqui eu vou fazer um experimento social.
Eu quero saber o seguinte, vocês estão vendo? Eu sou
uma mulher branca, eu tive os privilégios de uma pessoa branca em todo o
decorrer da minha vida. Então aqui, eu pergunto para você, eu, sendo uma pessoa branca,
vivendo tudo o que vivi como uma pessoa branca, agora, aos 32 anos, decido me
maquiar, me travestir como uma pessoa negra, me maquiando e deixando só o fora
aparecer.
E
aqui eu pergunto, e agora, eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade por
uma pessoa negra, que jamais deveria existir? Eu te pergunto, você que está me
assistindo, eu, me pintando de negra, sinto na pele a dor que uma pessoa negra
sentiu pelo racismo, por não conseguir um trabalho, um emprego?
Tenho
uma tia, inclusive, que antes dos anos 90, foi atrás de um emprego, e ela é
negra. E ela disse que, em uma entrevista de emprego, ela foi ótima, mas aí a
pessoa que estava fazendo a entrevista de emprego disse o seguinte: “Você é
ótima, gostaria muito de contratar você, mas você é negra, e aqui a gente não
contrata pessoas negras.”
E
aí eu te pergunto, eu estou negra agora? Eu estou sentindo as dores de uma mãe,
que tem um filho que sofre tudo o que sofre na rua por ser negro? Não é isso?
Não é essa a luta? Aqui eu quero justamente mostrar, não adianta eu me maquiar,
eu não sei as dores que vocês passaram.
Não
adianta eu fingir algo, eu não sei as dores que as mulheres negras lá naquele
evento que tiveram do governo federal sentiram quando dormiram no estábulo. Mas
agora eu não sou negra? Eu estou pintada de negra por fora. Poxa, eu me
reconheço como negra. Por que não posso então presidir a Comissão sobre o
Racismo Antirracista? Por que não posso defender isso? Por que não posso cuidar
dessa pauta?
E
aí vejo, venho e falo para você, sabe o porquê eu não posso cuidar dessa pauta?
Porque eu não sou negra, eu não sei as dores da essência que essas pessoas
tiveram, as lágrimas que caíram, eu não sei o que passaram. Eu imagino, eu
imagino com muita raiva, o que passaram, a dor que viveram, mas eu não sei o
que passaram na minha essência, porque eu não sou negra.
E
aqui e agora, tirando essa maquiagem, eu digo para vocês como uma mulher, eu
sou uma mulher. Não adianta se travestir de mulher, não estou aqui ofendendo
transexual, muito pelo contrário. Estou dizendo: eu sou mulher, eu quero ser
vista como mulher.
A
mulher do ano não pode ser transexual, porque isso está tirando, por exemplo, a
mulher que inventou a vacina para a pessoa andar depois de um acidente. Ela é
uma mulher, mas alguém tirou o lugar dela para pôr como a mulher do ano uma
transexual.
Então,
o que quero dizer aqui? Transexual tem que ser respeitado sim. A gente está
vendo o maior aumento da história de assassinato de pessoas transexuais, que
têm que ser respeitados sim.
Não
quero que nenhum trans passe por nenhuma situação de preconceito. Não quero que
nenhum trans seja assassinado por ser trans e nem que seja discriminado por ser
trans, mas também não quero que nenhum trans tire o meu lugar. Cadê, não é o
meu lugar de fala?
Eu
sou mulher, como é que a gente vai cuidar da endometriose, do parto, da
amamentação, da menopausa, se a pessoa não tem lugar de fala? Se eu sou branca
e mesmo me pintando de negra eu não posso cuidar das pessoas que sofrem o
racismo por não saber na essência o que elas passaram.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Fábio Faria de Sá.
* * *
É
exatamente isso que um trans não pode fazer comigo. Por que estão tentando
tirar o espaço feminino? Por que nas lutas a gente está colocando esportistas
trans? A gente sabe muito bem que o biológico masculino tem testosterona, tem
mais força. Poxa vida, muito mais força que um corpo feminino, pelo menos isso
é na maioria dos casos.
Então
aqui eu venho protestar de uma forma totalmente didática. Não adianta se
maquiar de mulher, não vai saber o que uma mulher passa. E que bom, significa
que você, que é trans, tem a sua própria pauta para cuidar. Crie uma comissão
para cuidar das transexuais do País.
A
gente viu agora, essa semana, na comissão federal, lá em Brasília, que uma
mulher trans, Erika Hilton, foi colocada como presidente da Comissão da Mulher,
e isso me entristece muito. Não porque ela, uma trans, está como presidente,
mas porque uma trans está tirando o espaço de fala de uma mulher, assim como
várias outras estão tirando.
Assim
como nas lutas a gente vê que, quando tem uma trans no lugar, ela “vence”. Ela
“vence” a luta. Ela “vence” a natação. Ela “vence” todos os esportes, porque
são portes físicos diferentes. Então que crie a sua categoria, que crie a sua
comunidade. E tem muitas pessoas trans que precisam dessa defesa.
Então
para vocês crescerem, não precisam nos engolir. Não precisam nos tirar do
papel. Não é uma luta que demoramos muito para alcançar? Então cadê as
feministas para cobrar o nosso lugar, que estão arrancando agora? Gente, que
crie então a comunidade da mulher trans, e que deixem as mulheres mandarem nas
mulheres, as mulheres decidirem pelas mulheres, entendeu?
E
outra: eu não sou um corpo que gesta. Eu sou uma mulher. Eu sou uma mulher e eu
tive bebê, e eu tive filha, pretendo ter mais, se Deus quiser. E eu detesto que
me rebaixem. E é isso o que eu estou vendo cada dia mais.
Parece
que é uma briga entre mulheres e trans. Uma briga que só um pode vencer. Aonde
estamos? Não é uma briga. É uma soma. É uma soma. As mulheres têm que ficar
bem. A gente tem que cuidar do feminicídio, acabar com ele. E a gente também
tem que impedir que as trans morram, sofram, passe o que for que elas passem,
que eu também não sei, porque eu não sou trans.
Assim
como as trans não sabem o que é a dor de um parto, o que é uma negligência na
hora de um parto, o que é levar um xingo de um médico na hora mais sagrada de
um parto, o que é perder o útero, o que é muitas coisas. E nem têm que saber.
Não
é uma competição para ver quem tem de mais, quem é mais mulher, quem é mais
feminina. Não é uma competição, gente. É lógica. Cuide do seu, cuidamos dos
nosso e está tudo certo. Vamos aqui ampliar esses cuidados, e não para um
crescer ter que acabar com o outro, porque é isso o que eu estou vendo nesse
País. A intenção que eu vejo, a única intenção, é essa. Estão tendo que
desqualificar as mulheres para poder crescer e falar que são “mais mulheres do
que nós”.
Inclusive,
nos chamam de imbecis. Sabe por que esse termo, imbecis? Porque somos mulheres
que chamam, “mulher XX”, nos chamam de cis, mulheres cis. E aí vêm as deputadas
e dizem: imbecis. Então, para mim, isso é uma chateação muito grande. Enquanto
eu viver, será uma luta. Eu, como mulher, sempre estarei aqui para defender a
minha pauta.
A SRA. MONICA SEIXAS
DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL -
Questão de ordem. Questão de ordem. Questão de ordem. Questão de ordem. Questão
de ordem. Questão de ordem.
A SRA. FABIANA
BOLSONARO - PL -
Quero defender e sempre defenderei a minha pauta. E peço: trans, defenda a sua
pauta sem me engolir, sem retirar a minha vez.
O SR. PRESIDENTE -
FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE -
Questão de ordem, deputada Monica.
A SRA. MONICA SEIXAS
DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL -
Blackface e racismo são crimes. Deputada, eu estou...
A SRA. FABIANA
BOLSONARO - PL -
E se transvestir de mulher também não é crime?
A SRA. MONICA SEIXAS
DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL -
Não. Isso é transfobia, que também é crime.
A SRA. FABIANA
BOLSONARO - PL -
Poxa vida. Tudo é fobia, fobia, fobia, fobia, fobia.
A SRA. MONICA SEIXAS
DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL -
Inclusive, eu estou agora achando que a gente tem um problema gravíssimo aqui
na Assembleia Legislativa.
O SR. PRESIDENTE -
FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE –
Deputada, qual é o artigo da questão de ordem? Perdão, deputada Monica. Citar o
artigo da questão de ordem. Assim, eu já recomponho o tempo da deputada.
A SRA. MONICA SEIXAS
DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL -
Pois bem, presidente. É sua atribuição, expressa pelo Regimento Interno, mais
básico, o Regimento Interno é cuidar da ordem do plenário, garantindo que
valham, aqui, as leis vigentes no País.
A SRA. FABIANA
BOLSONARO - PL -
Eu não estou me fantasiando de negra, eu estou fazendo uma “experiência”. E
isso foi (Inaudível.) Eu sou formada em direito. Eu entendo de leis.
A SRA. MONICA SEIXAS
DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL -
A gente está assistindo um caso de blackface no plenário da Assembleia
Legislativa. É um caso de polícia. É racismo e transfobia. Eu estou pedindo
para o senhor uma censura por discurso de ódio na tribuna para a gente poder
lidar com isso da melhor forma possível.
A SRA. FABIANA
BOLSONARO - PL -
Não é blackface. Eu não estou zoando. Eu não estou brincando com a pessoa ser
negra. Então chama a polícia, então me prende. Me prendam por defender as
mulheres. Me prendam. Me prendam, gente. Censurem eu por discursar.
O SR. PRESIDENTE -
FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Deputada
Fabiana Bolsonaro. Só um minutinho, por favor. Questão de ordem. Vamos
respeitar a questão de ordem.
A SRA. FABIANA
BOLSONARO - PL -
Me censurem. Censurem uma mulher mais uma vez. Coloquem um trans para me
substituir.
A SRA. MONICA SEIXAS
DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL -
Eu estou pedindo, por favor, ao presidente, que suspenda a transmissão, que
suspenda a sessão, para que a gente possa lidar com isso da melhor forma
possível.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - O tempo da deputada Fabiana
Bolsonaro já se esgotou.
A
SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - É sua responsabilidade. Eu peço
que a gente suspenda a sessão, suspenda a transmissão, para que a gente possa
discutir...
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Questão de ordem da senhora vai
ser analisada. O tempo de fala da deputada Fabiana Bolsonaro já se encerrou. Eu
vou continuar seguindo a nossa lista de oradores. Peço que a deputada Fabiana
Bolsonaro... Acho que ficaram alguns segundos? Não? Cinquenta segundos.
A
SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - Presidente, então eu estou
pedindo que o senhor suspenda. A gente vai lidar com uma situação muito difícil
aqui...
A
SRA. FABIANA BOLSONARO - PL -
Vamos colocar no código...
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Vou... vou encaminhar sua questão
de ordem, deputada.
A
SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - A gente vai pedir, inclusive,
análise da polícia sobre isso. O senhor não pode permitir que siga um
blackface, presidente.
A
SRA. FABIANA BOLSONARO - PL -
Não estou fazendo blackface, não estou...
A
SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - O senhor tenha ciência do que nós
estamos fazendo.
A
SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - Não
estou brincando com a vida de pessoas negras.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Vai ser encaminhada a sua questão
de ordem nessa Presidência.
A
SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - Nós estamos diante de um
blackface, presidente.
A
SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - Não
estamos!
A
SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - É crime de racismo.
A
SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - Eu
sou formada em Direito, eu sei o que é blackface.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Eu vou pedir, deputada Fabiana
Bolsonaro... A senhora tem...
A
SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - Eu
sei o que é caçoar de alguém e eu não estou, eu estou me defendendo e
defendendo as mulheres.
A
SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - Eu sou uma pessoa negra e a
senhora está fazendo blackface!
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - A senhora...
A
SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - Eu
sou uma mulher...
A
SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - E isso é crime de racismo.
A
SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - E
estão fazendo preconceito feminino de colocar uma pessoa trans na Comissão da
Mulher.
A
SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - Presidente, por favor,
presidente...
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - A gente tem outros inscritos. A
senhora representa ela no Conselho de Ética, a sua questão de ordem será levada
à Presidência desta Casa.
Eu vou pedir para a deputada
Fabiana Bolsonaro concluir.
A
SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - Não pode, presidente, concluir
nesses termos.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Por favor, mantendo a ordem deste
plenário. Temos outros deputados inscritos aqui para poder falar.
A
SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - Não pode concluir nesses termos,
presidente. Não pode concluir nesses termos, presidente.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Olha, ela... ela é responsável
pela sua fala, você representa ela posteriormente. A sua questão de ordem será
levada.
A
SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - Quero
deixar bem claro que eu não estou fazendo blackface...
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Pode repor o tempo da deputada? A
senhora está com 40 segundos.
A
SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - Já
está rodando aqui. Eu gostaria de deixar bem claro que aqui eu estou dizendo o
seguinte: não adianta eu me pintar de negra. Eu não sei as dores que uma pessoa
negra passa. Eu não sei as dores que a violência psicológica nas mulheres
negras causou nelas, eu não sei as dores.
E, gente, eu não quero aqui causar
brigas, eu quero dizer o seguinte, eu vou lutar. Não estou fazendo blackface, muito
pelo contrário. Não vão distorcer a minha luta! Eu estou dizendo, não adianta
eu me pintar de negra que vou saber a sua dor, não adianta se travestir de
mulher, que você não vai poder defender as mulheres dentro de comissão. Que
criemos uma comissão para cada setor. E eu estou falando, estou sendo cerceada
e isso o feminismo não ajuda...
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Para concluir, deputada Fabiana
Bolsonaro.
A
SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - Porque
o feminismo só está de acordo com quem pensa igual. Essa é a democracia da
esquerda.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Continuando nossa lista de
inscritos de oradores do Grande Expediente, com a palavra a deputada Dani
Alonso. (Pausa.) Vou pedir ordem no plenário.
A
SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - As
pessoas votam em quem elas querem.
O SR. PRESIDENTE -
FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Vou pedir ordem no
plenário. A senhora pode se inscrever para falar, ainda tem tempo, senão faz
uma...
A SRA. EDIANE MARIA -
PSOL - Vou me inscrever, eu me inscrevo.
O SR. PRESIDENTE -
FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Aqui, olha, pode se
inscrever com o Caio, por favor.
Com
a palavra o deputado Valdomiro Lopes. (Pausa.) Com a palavra o deputado Paulo
Mansur. (Pausa.) Com a palavra o deputado Marcos Damasio. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Oseias de Madureira. (Pausa.) Com a palavra o deputado
Rafael Saraiva. (Pausa.) Com a palavra o deputado Enio Tatto. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) O senhor quer falar
na tribuna, deputado?
O SR. CARLOS GIANNAZI
- PSOL - Sr. Presidente, eu também quero aqui
pedir para que a sessão seja suspensa, pelo menos, por alguns momentos, porque
é grave a situação aqui.
O SR. PRESIDENTE -
FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - As deputadas estão se
inscrevendo...
O SR. CARLOS GIANNAZI
- PSOL - Suspensão por dez minutos, só para a
gente chegar em um acordo aqui, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE -
FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Olha, tem outros
oradores, deputados, para ser... Falarem e estão inscritos aguardando aqui.
O SR. CARLOS GIANNAZI
- PSOL - Tá, então...
O SR. PRESIDENTE -
FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - A palavra é do
senhor...
O SR. CARLOS GIANNAZI
- PSOL - Só um minuto, eu vou passar...
O SR. PRESIDENTE -
FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Quer fazer uma
permuta? É regimental. Você troca aqui a lista de oradores. Por permuta.
O SR. CARLOS GIANNAZI
- PSOL - Eu quero... Tá, eu estou permutando com
a deputada Monica.
O SR. PRESIDENTE -
FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - O deputado Carlos
Giannazi. Com a palavra a deputada Monica Seixas. Vossa Excelência tem o tempo
regimental de até dez minutos pelo Grande Expediente.
A SRA. MONICA SEIXAS
DO MOVIMENTA PRETAS - PSOL - Falar...
O SR. PRESIDENTE -
FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Perdão, deputada. O
seu microfone está aberto. Vamos recompor um tempo dela, por favor.
A SRA. MONICA
SEIXAS DO MOVIMENTA PRETAS - PSOL - SEM REVISÃO DO ORADOR - É até difícil falar. E eu defendo
plenamente que, depois de uma cena criminosa como essa, a gente não siga a
sessão, porque quem acompanhou, quem assistiu foi vitimado de uma violência
brutal e sem nenhum nexo causal, sem nenhuma proporcionalidade.
Blackface é crime de racismo, usar
pessoas negras para discutir uma questão que não tem nada a ver, porque quem se
levanta aqui contra a Erika Hilton não protestou quando o governador Tarcísio
deixou a própria secretária Sonaira em situação de violência política de
gênero, porque foi uma secretária sem nenhum recurso para trabalhar, não
reclamou dos dez reais.
Quando a Câmara Municipal de São
Paulo fez, inclusive com composição do PL, uma Comissão da Mulher só formada
por homens, não falou nada; quando o PL frauda a cota de gênero para eleger o
Nikolas, não falou nada; quando homens aqui atuam o tempo todo para silenciar
mulheres, não falou nada. E mente, mas também violenta pessoas que não tem nada
a ver com isso.
Usar de racismo
para debater uma questão tão importante quanto a situação horrível em que as
mulheres brasileiras estão, precisando, neste momento, de... Estou respirando,
porque, de verdade, eu não esperava ver uma coisa assim na Assembleia
Legislativa. Acho que a gente nem está pronto, presidente, mas vou ler aqui
para o senhor o Art. 282 do nosso Regimento Interno:
“Quando, no
edifício da Assembleia Legislativa, for cometido algum delito, será efetuada a
prisão do criminoso, se houver flagrante, abrindo-se a seguir o competente
inquérito, sob a direção de um dos membros da Mesa, designado pelo presidente.
No inquérito,
serão observadas as leis do processo e os regulamentos policiais em vigor no
que forem aplicáveis. Nesse processo, servirá de escrivão o funcionário da secretaria
designado pelo presidente. Depois de encerrado o inquérito, será encaminhado o
indiciamento à autoridade judiciária”.
Eu registrei
durante a fala e a gente não está preparado aqui na Assembleia Legislativa - e
vou repetir - para lidar quando crimes acontecem na tribuna e dentro da Assembleia
Legislativa.
Lembrando então
o Art. 282 e afirmando que eu, Monica, pessoa negra, acompanhada da deputada
Ediane Maria, pessoa negra, e todas as pessoas negras que quiserem, com certeza
estamos registrando crime de racismo. Houve um crime na tribuna que extrapola
qualquer debate.
Eu não consigo
nem debater o lugar das pessoas transgênero na sociedade agora, porque eu
preciso debater racismo. Eu não entendo como a gente permitiu uma cena
vexatória como essa acontecer aqui na Assembleia Legislativa como se fosse um
debate normal. Eu não entendo como um crime de racismo pode acontecer como
desculpa para discutir qualquer outra coisa. Eu estou tremendo. Eu estava em
comissão, quando estava assistindo à cena da tribuna.
Então, à
assessoria da Mesa, ao presidente atual... Rodrigo, por favor, que eu sei que o
senhor auxilia nessas situações. Estou pedindo a suspensão da sessão para que a
gente possa lidar com o devido respeito ao crime de racismo que a gente acabou
de assistir aqui na tribuna, porque não dá para continuar a permitir que esse tipo
de violência aconteça na tribuna.
Pode pegar,
Ediane, por favor.
Estou tremendo.
Eu não sei nem como lidar com uma situação como essa.
A SRA. EDIANE MARIA - PSOL – COM ASSENTIMENTO DO ORADOR - Muito
obrigada, deputada Monica. Bom, eu estava chegando aqui à Alesp, chegando. Do
nada, minha assessoria começou a mostrar essa cena bizarra. Bizarra! Por quê?
Não adianta realmente uma pessoa branca pintar a sua pele de preto. Isso já é
crime. Até porque ser preto é para além de pintar uma pele aqui no plenário.
Eu juro para os
senhores, para quem está acompanhando aqui agora a TV Alesp: é um absurdo, até porque só nós, a população
preta deste País, sabe o que são as péssimas condições em que ainda vivemos
neste País. Não é sobre a cor da pele. Pintou de preto? Pintou, mas vai lavar
daqui a pouco. Foi um teatro, um teatro, um crime que foi colocado nessa
tribuna.
É lamentável
ver o maior Parlamento da América Latina se sujeitar a esse tipo de... Nem sei
o que é isso. Nem sei falar, um papelão desses, um crime desses. Isso doeu na
minha alma.
Eu vim para cá
correndo e você sabe que eu odeio ter que responder a coisas horrorosas, mas
isso é um crime de racismo, isso é transfobia, até porque, se existe um
incômodo tão grande neste País, onde nem sequer as pessoas sabem que a Erika
Hilton é a nossa presidenta da Comissão em Defesa dos Direitos das Mulheres. E
não é à toa, o Brasil é o país que mais mata mulheres trans no mundo, não seria
diferente. Nós temos que debater aqui na sociedade. Inclusive, cadê as
políticas sociais?
Eu vejo vira e
mexe aqui, neste plenário, falarem que as políticas sociais como o direito ao
transporte público, a moradia, isso não é valorizado. Agora, como que pode,
sendo que todas as políticas...
São 137 anos,
deputada Monica, 137 anos da abolição da escravidão, 137 anos onde nós temos
que presenciar uma mulher branca, que raramente eu vejo falando neste plenário,
inclusive, colocou o sobrenome Bolsonaro. O que o Bolsonaro fez, gente? A violência
contra as mulheres, depois que ele assumiu, assumiu a Presidência, aumentou,
aumentou.
Foi uma
epidemia dentro de uma pandemia de violência doméstica contra as mulheres, de
feminicídio, nem o acolhimento assistencial, como o auxílio emergencial, que só
veio porque nós fomos para a rua. Nós enfrentamos a pandemia indo para a rua,
colocando a nossa família em risco, a nossa vida em risco.
Então, está
aqui hoje, inclusive, colocando o sobrenome de um ex-presidente que coloca,
fala da filha, “que deu uma fraquejada e por isso tem uma filha”, isso é um
absurdo. Isso é um absurdo ver alguém subir neste plenário para defender o
Bolsonaro e para cometer seus crimes. Isso é crime, isso é criminoso.
Ninguém aqui ia
se sentir bem, aqui dentro, gente. Quem iria se sentir bem vendo aqui, vamos
ver, a gente subir ali para se pintar de branco? Jamais eu faria isso, isso é
um desrespeito. Isso é um desrespeito à história deste País. História que
esqueceu, que massacrou, que matou e mata todos os dias mulheres trans, mata
mulheres. Cadê a política?
Eu vi aqui esta
semana a Valeria Bolsonaro subir aí para falar da Erika Hilton e eu me
pergunto, como secretária da Mulher, o que que fez? Cadê a indignação? O ano de
2025 foi o ano que aumentou, o estado de São Paulo está no ranking, primeiro
lugar do País que mais mata mulheres. A cada 32 horas uma mulher é assassinada
neste País apenas por ser mulher.
O crime nosso
hoje é ser mulher neste País e neste Estado. Então respeitem a população preta,
respeitem, até porque não é sobre o nosso cabelo, sobre o nosso corpo. É sobre
a questão social, a desigualdade social que a gente enfrenta neste País de
invisibilidade, de esquecimento, de falta de política pública.
Ou seja, eu
estou aqui hoje entristecida e justo hoje, acho que assim, são 190 anos de
Assembleia Legislativa de São Paulo e nós acompanhamos aqui um crime de
racismo, de transfobia aqui neste plenário da Assembleia Legislativa. Então que
isso tome suas providências.
Muito obrigada,
Sr. Presidente.
A
SRA. MONICA DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - Ediane, a
senhora é líder, por favor. Eu vou pedir para a senhora pedir o levantamento da
sessão, por favor.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ -
PODE - Não, a senhora está inscrita em
permuta, deputada Ediane, com a Leci Brandão.
A
SRA. EDIANE MARIA - PSOL - Já falei.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ -
PODE - Já falou? Não quer usar o seu tempo?
A
SRA. MONICA DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - Mas a senhora é
líder e aí eu acho que não havendo outra liderança... Tem o Gilmaci.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ -
PODE - Tem mais pessoas inscritas para falar.
A
SRA. MONICA DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - Eu acho que a
gente tem que suspender, presidente. Eu faço esse apelo.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ -
PODE - Não tem acordo, deputada Monica, da
suspensão ou do levantamento dos trabalhos, tendo em vista que tem outros
oradores inscritos para falar.
A
SRA. MONICA DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - Seguir depois
disso também é um marco vexatório.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ -
PODE - Dando sequência na nossa lista de
oradores do Grande Expediente do dia 18 de março de 2026, com a palavra o
deputado Agente Federal Danilo Balas. (Pausa.) Com a palavra o deputado
Guilherme Cortez. (Pausa.) Com a palavra o deputado Tomé Abduch. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Gil Diniz Bolsonaro. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Altair Moraes.
(Pausa.) Com a palavra a deputada Beth Sahão. (Pausa.) Com a palavra o deputado
Rodrigo Moraes. (Pausa.) Com a palavra a deputada Andréa Werner. (Pausa.) Com a
palavra a deputada Professora Bebel. (Pausa.) Com a palavra o deputado Luiz Claudio
Marcolino. (Pausa.) Com a palavra o deputado Vitão do Cachorrão. (Pausa.) Com a
palavra a deputada Ana Perugini. (Pausa.)
Com a palavra a deputada Márcia Lia.
(Pausa.) Com a palavra a deputada Thainara Faria. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Reis. (Pausa.) Com a palavra o deputado Bruno Zambelli. (Pausa.) Pulo
essa inscrição, estou na Presidência. Com a palavra o deputado Edson Giriboni.
(Pausa.) Com a palavra a deputada Valeria Bolsonaro. (Pausa.) Com a palavra a
deputada Letícia Aguiar. (Pausa.) Com a palavra o nobre deputado Major Mecca.
Vossa Excelência tem o tempo regimental
de até dez minutos, deputado.
O
SR. CAPITÃO TELHADA - PP - Pela ordem,
presidente. Uma comunicação.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Pela ordem,
deputado Capitão Telhada. O senhor tem dois minutos.
O
SR. CAPITÃO TELHADA - PP
– PARA COMUNICAÇÃO - Perfeito. Eu gostaria de deixar consignado publicamente
como me impressiona a falta de amor pela liberdade e pela democracia que
representantes da esquerda têm. A gente acabou de assistir aqui deputado
pedindo censura a V. Exa., presidente, pedido para censurar a fala de outro
deputado, a opinião de outro deputado.
Então a gente
percebe que é a maneira como a esquerda age no Brasil. Eles não gostam da
liberdade, eles não respeitam a opinião diversa. Ou você concorda com eles, ou
você é homofóbico, transfóbico, racista, criminoso, fascista, sei lá o que,
tudo “ista”.
Você, se não
concordar, ipsis litteris, de “A” a “Z”, com a cartilha de sacanagem da
esquerda, você está fadado a cancelamento, você está fadado a ser denunciado, a
responder processo. Então é impressionante como que a gente pode ver deputada
pedindo para censurar, com essas palavras, pedindo para censurar a opinião de
outro deputado.
Outra coisa,
presidente, a Assembleia Legislativa tem um Regulamento Interno, tem um Regimento
Interno, e nesse Regimento Interno existem diversos mecanismos para qualquer
deputado fazer sua reclamação, seja uma reclamação administrativa, uma
reclamação criminal, tem Conselho de Ética, tem Corregedoria da Casa, tem uma
série de documentos por meio dos quais pode-se, sim, colocar ali a opinião do
deputado.
Agora, acusar
de crime, acusar falsamente alguém de crime, eu gostaria de lembrar que também
é crime, se chama injúria, difamação e calúnia. Então, acusar falsamente
alguém, imputar crime falso a alguém, também é crime.
As pessoas se
esquecem disso às vezes. Quer só lacrar, quer fazer discurso, quer jogar para a
galera, mas na verdade o que eles demonstram é autoritarismo. É isso que a
esquerda demonstra. Autoritarismo.
Obrigado,
presidente.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Obrigado.
O
SR. PAULO FIORILO - PT - Pela ordem, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Deputado
Paulo Fiorilo, o senhor é o próximo a falar.
O
SR. PAULO FIORILO - PT - Uma questão de ordem
só.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Qual artigo,
deputado?
O
SR. PAULO FIORILO - PT
- PARA QUESTÃO DE ORDEM - Pode ser o Art. 72. Sr. Presidente. Eu não estava
aqui no plenário quando aconteceu uma manifestação de uma deputada. E eu sei
que foi solicitado suspensão dos trabalhos, há uma dúvida com relação ao
procedimento, etc. E sei que o senhor tem presidido da melhor forma possível.
O SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Obrigado.
O SR. PAULO FIORILO - PT - Mas a minha questão de ordem
diz respeito à postura do parlamentar nesse espaço. Primeiro, se a Presidência
avalia que foi correta a manifestação feita aqui, que se sabe publicamente que
pode ser caracterizado como crime.
Segundo, se a
manifestação feita aqui, que é crime, teve continuidade, qual a atitude da
Presidência com relação ao que ocorreu? Essa é a minha questão à presidência.
O SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Deputado Paulo Fiorilo, na
questão da imunidade parlamentar, a gente respeitou o tempo da deputada Fabiana
Bolsonaro, que já estava concluindo a sua fala. A gente deu a questão de ordem
à deputada Monica, a qual usou o Art. 282 da questão do crime, mas não fala de
parlamentares.
E ela pediu a
suspensão dos trabalhos. A deputada Fabiana Bolsonaro já tinha concluído. Eu
orientei as deputadas entrarem no Conselho de Ética representando, caso haja
algum crime, ser analisado pelo nosso Regimento, pelo nosso conselho.
O SR. PAULO FIORILO - PT - Isso eu entendi. A minha
pergunta é outra. Se a Presidência entende que houve, neste plenário, um ato
que caracteriza um crime? Essa é a minha pergunta. Se o senhor não puder
responder agora, eu vou aguardar a resposta.
Não cabe a esta
Presidência fazer essa análise porque a gente tem o nosso Regimento o nosso
Conselho de Ética, deputado Paulo, para fazer essa análise posteriormente. Foi
acatada aqui a questão de ordem, colocamos ordem no plenário e estamos dando a
palavra aos novos inscritos, para usar o tempo de dez minutos no Grande
Expediente.
O SR. PAULO FIORILO -
PT - Eu
farei por escrito então ao senhor.
O SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - Muito
obrigado, deputado Paulo Fiorilo.
Com a palavra o
deputado Major Mecca.
O SR. MAJOR MECCA - PL
– SEM REVISÃO DO
ORADOR - Presidente, eu retorno a
esta tribuna. Eu, no Pequeno Expediente, havia mostrado aqui no telão da
Assembleia Legislativa um ato absurdo que nós testemunhamos essa semana, e eu
quero passar mais uma vez, pela terceira vez, eu quero que seja mostrado no
Parlamento do Estado de São Paulo uma mulher sendo vítima de tentativa de
homicídio.
Por
gentileza, mostra aqui. Esse fato aconteceu na última segunda-feira no
município de Guarulhos, onde uma mulher que se separou do marido, o marido se
dá o direito de não aceitar e tentar matar a mulher.
* * *
- É exibido o
vídeo.
* * *
Por
gentileza, no início, mostra esse vagabundo, esse criminoso tentando matar a
mulher, que ele só não consumou o homicídio porque a amiga dela entrou na
frente. Olha a energia dos socos que esse homem dispara contra essa mulher.
Esse
homem foi preso pelos policiais na segunda-feira e na terça-feira a Justiça
coloca esse homem solto na rua ontem, na terça-feira, em uma audiência de
custódia. Sabe o que é isso? O Judiciário está dando a esse criminoso uma
segunda oportunidade para que ele possa consumar o homicídio, o feminicídio.
Então,
quando nós trazemos aqui a esta tribuna os absurdos em termos de legislação,
que o Brasil atravessa, leis que protegem bandidos, leis que protegem criminosos,
é porque nós já ultrapassamos a fronteira do suportável e do aceitável.
E
eu voltei neste Grande Expediente, presidente, porque eu não posso deixar de
trazer aqui à tribuna a questão da valorização e do reconhecimento dos homens e
mulheres integrantes da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Polícia
Técnico-Científico, da Polícia Penal, que se sacrificam todos os dias para
defender e proteger as pessoas, como essa mulher aí.
Coloca
o texto que foi publicado no jornal ontem, por favor. Porque nós nos
sacrificamos todos os dias, nos arriscamos, arriscamos as nossas vidas para
fazer com que a lei seja aplicada. Para que no outro dia aconteça isso aí,
segundo a amiga da mulher, o agressor não aceitava o fim do relacionamento e a
violência ocorreu no local de trabalho da vítima.
A
Justiça concedeu liberdade ao homem após audiência de custódia. Está aí. Mas
nós, policiais, nunca retrocedemos, nunca. A Justiça solta, se precisar prender
esse vagabundo por mais 500 vezes, nós vamos prender por mais 500 vezes.
E
nós sabemos que se nós prendemos por mais 500, a Justiça solta por mais 500
vezes. Porque no Brasil não há justiça, no Brasil não há lei, não há política
pública que defenda a mulher que defenda o cidadão de bem.
Tem
lei para defender vagabundo, para defender cidadão de bem não tem. E é nesse
cenário que nós policiais militares trabalhamos, que nós policiais civis
trabalhamos, que os policiais técnicos-científicos trabalhamos, que os
policiais penais trabalham. E nós precisamos ser valorizados, nós precisamos
ser reconhecidos pelo Governo do Estado.
E
tudo leva a crer o que foi passado a nós através da Secretaria de Segurança
Pública, a mim, ao Capitão Telhada, ao Conte Lopes, que está aqui, ao Danilo
Balas, à bancada de Segurança Pública, porque nós estamos num trabalho intenso
de cobrança ao governo para que haja o reajuste salarial.
E muito
provavelmente até a próxima terça-feira, o que nos foi passado pela Secretaria
de Segurança Pública ontem é que até terça-feira será protocolado aqui o
reajuste salarial dos policiais. De todos os policiais, nós esperamos.
Nós esperamos o
início do cumprimento à Lei nº 18.025, que é o programa “Moradia Segura”, que é
uma lei aprovada da minha autoria, que eu aprovei aqui com apoio e coautoria de
vários deputados aqui, do Capitão Telhada, do Conte e de vários outros que aqui
estão.
Faz um ano e
meio que nós estamos esperando o policial receber a sua carta de crédito para
que ele possa sair das áreas de risco. E será dado início a essa distribuição.
O que nos foi passado: 600 cartas de crédito para os policiais, e mais 1.200
residências a serem distribuídas aos policiais.
O anúncio da
data do pagamento do bônus por produtividade que o policial, todo ano, ele tem
direito a receber o bônus por produtividade. Os resultados por ele
apresentados. Todo ano o governo atrasa esse pagamento.
É inaceitável
esse tipo de tratamento do Governo do Estado com homens e mulheres que estão
arriscando a sua vida todos os dias. A apresentação aqui nesta Casa da
reestruturação das carreiras da Polícia Militar, para que haja uma maior
celeridade no fluxo e ascensão às carreiras, tanto das praças quanto dos
oficiais.
Aguardamos que
seja apresentada aqui a Lei Orgânica da Polícia Civil. Que o que nós
acompanhamos, há um problema intenso de diálogo entre a Secretaria de Segurança
Pública, o comando da Polícia Civil e os policiais civis, que é algo que não
pode ocorrer. Nós somos policiais.
Hoje nós temos
policiais à frente da Secretaria de Segurança Pública. Há de se ter diálogo. Há
de se ouvir os policiais e respeitá-los. Essa é a primeira proposta que nós
sempre cobramos, para que se houvesse um policial à frente da Pasta, para que
haja o canal aberto para o diálogo e para o debate.
Nós esperamos
aqui o protocolo desse projeto e trabalharemos intensamente ao longo das
discussões, ao longo de todo o processo legislativo, para que aquilo que anseiam
os heróis do estado de São Paulo, os heróis do Brasil, que são os policiais,
seja atendido.
Obrigado,
presidente.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Obrigado,
deputado Major Mecca. Antes de chamar o próximo inscrito, queria registrar a
presença dos alunos e professores do Colégio Marista Arquidiocesano, que está
aqui na galeria. Sejam todos bem-vindos à Casa do povo, à Casa da Democracia.
E, dando sequência na nossa lista de
oradores, com a palavra o Dr. Elton. (Pausa.) Com a palavra o deputado Dr.
Jorge do Carmo. (Pausa.) Com a palavra o nobre deputado Paulo Fiorilo. Vossa
Excelência tem o tempo regimental de até dez minutos. Está aqui. Está se
encaminhando à tribuna.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Pela ordem, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Pela ordem,
deputado Giannazi. É regimental.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
PARA COMUNICAÇÃO - Enquanto o deputado Paulo Fiorilo se dirige à tribuna, eu
gostaria de, primeiro, Sr. Presidente, para uma comunicação, manifestar o nosso
total apoio à greve dos servidores e servidoras do município de Araras, que
estão em greve, Sr. Presidente, paralisados há oito dias úteis por conta da
intransigência da prefeitura, que insiste em...
Não faz
negociação, Sr. Presidente, com os servidores, com as servidoras, que estão com
os salários arrochados, defasados há muitos anos, e com vários direitos
trabalhistas afrontados pela prefeitura. Então, nesse sentido, Sr. Presidente,
nós vamos realizar aqui na Assembleia Legislativa de São Paulo uma importante
audiência pública no próximo dia 20.
Tem aqui o
card, gostaria que colocasse aqui, da nossa audiência pública em apoio à greve,
em apoio à mobilização dos servidores e servidoras de Araras. Vai ser agora,
sexta-feira, dia 20, às 14h, no Plenário Tiradentes, onde nós vamos dar vez e
voz aos servidores e servidoras de Araras, ao sindicato, que é um instrumento
de luta, um sindicato combativo da Prefeitura lá de Araras, que vem fazendo uma
luta incessante.
E
esse movimento tem sido uma referência hoje para vários municípios, que estão
também organizando a sua luta pelo dissídio, pelo reajuste salarial, inclusive
aqui no estado de São Paulo, porque aqui já passou a data-base, Sr. Presidente,
que foi dia 1º de março, e até agora o governador Tarcísio de Freitas não
apresentou nenhum índice de reposição das perdas inflacionárias, afrontando a
lei estadual da data-base e afrontando também o Art. 37 da Constituição
Estadual.
Mas
é isso. Todo o apoio, Sr. Presidente, à mobilização, à luta e à greve dos
servidores e servidoras de Araras. Convido todos os deputados e deputadas aqui
da Assembleia Legislativa a darem o seu apoio a esse importante movimento do
nosso Estado.
Muito
obrigado.
O SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE -
Obrigado, deputado Giannazi. Com a palavra o deputado Paulo Fiorilo.
O SR. PAULO FIORILO -
PT - SEM REVISÃO DO
ORADOR - Obrigado, Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, aqueles que
nos acompanham ao vivo ou pela TV Alesp. Primeiro aqui, minha solidariedade à
luta dos professores de Araras, deputado Carlos Giannazi, categoria que precisa
ser valorizada, que precisa ter reajuste, porque, infelizmente, nem lá e nem
aqui os governos de plantão olham para aqueles que mais precisam.
Quero
aproveitar o Grande Expediente, Sr. Presidente, para tratar aqui de dois temas.
O primeiro é um tema que diz respeito aqui à Comissão de Relações
Internacionais, deputado Conte Lopes. Nós recebemos hoje na Comissão de
Relações Internacionais a cônsul da Bélgica, Valentine Mangez. E ela trouxe uma
série de parcerias que existem com o estado de São Paulo, uma delas com relação
à Segurança Pública, que eu entendo que os deputados, assim como o senhor, o
deputado Telhada e outros deputados...
Aliás,
o Tenente Nascimento, sempre deputado, o Coimbra, que são ligados a essa área,
talvez fosse interessante depois uma conversa sobre essa questão da parceria da
Bélgica na área de Segurança Pública, tanto do ponto de vista da atuação como
também dos instrumentos que foram criados.
Estou
fazendo essa referência porque, como a gente tem aqui deputados que se
preocupam com essa área, eu acho que nada mais justo que a gente possa
envolvê-los nessa discussão.
Aliás,
deputado Conte, pela oportunidade, me parece que a área do Batalhão do 38, ali
na Jacu-Pêssego, perto de Mauá, foi equacionada, me parece, a questão da
matrícula da área, do terreno, o que possibilitaria a gente ajudar para
reformar o alojamento. Porque o senhor deve se lembrar... Não sei se o senhor
chegou a ir, mas aquele alojamento não poderia ser chamado de alojamento. Eu estou
chamando aqui em deferência aos policiais militares e às policiais militares.
Então
eu acho que a gente deveria... Eu vou fazer uma visita e, depois, se o senhor
concordar e os outros deputados também, quem sabe a gente não pudesse, no final
do ano, construir uma emenda para transformar o alojamento em alojamento. Muito
obrigado. Eu sempre posso contar com o senhor, principalmente nessa área
importante.
Eu
me lembro, inclusive, de uma ação que o senhor fez lá em São Mateus, ao lado do
antigo Mercado Barateiro. O senhor deve ter memória como eu. Eu não era nem
parlamentar, era um jovem. E eu o encontrei lá em uma ação interessante. Depois,
quem sabe um dia, o senhor não relata a ação aqui.
Bom,
o encontro com a cônsul foi um encontro importante. Nós tivemos a oportunidade
de discutir, além dessa questão de Segurança Pública, outros projetos que a
cônsul, que o Consulado e a Bélgica têm tratado.
Mas
eu queria destacar um, em especial, que é a possibilidade de os jovens
acessarem empresas belgas que estão aqui, em especial, lá na região de São José
dos Campos. Então nós vamos tentar avançar nessa parceria e depois trago aqui
as informações.
O
segundo tema que eu queria tratar... Eu usei o microfone de aparte, por uma
questão de ordem, mas eu acho que a gente deveria depois se debruçar mais ao
que aconteceu, não do ponto de vista da manifestação individual, todo mundo
pode fazer manifestação individual aqui, é o respeito à democracia, o problema
é quando a manifestação pessoal, individual pode dialogar com um crime.
Por exemplo, eu
tenho certeza, deputado Conte Lopes, que o senhor não prenderia aquele meliante
aqui no plenário arriando as calças dele. Por quê? Porque o senhor poderia
estar cometendo aqui neste plenário um crime. Aí, se o senhor comete um crime,
é preciso que se tomem as medidas necessárias.
Então, o que
ocorreu aqui...
O SR. CONTE LOPES - PL - Um pequeno aparte, deputado, senão
fica mal para mim.
O SR. PAULO FIORILO - PT - Claro, o senhor pediu aparte
nesse caso do crime, está liberado o aparte.
O SR. CONTE LOPES - PL - COM ASSENTIMENTO DO ORADOR - É
que eu estava fazendo campanha em São Mateus.
O SR. PAULO FIORILO - PT - O senhor estava fazendo campanha?
O SR. CONTE LOPES - PL - Aí uma senhora me reconheceu e
falou que tinha um camarada com as calças abaixadas, mostrando o membro para
ela. Eu fui até lá e constatei. Então eu abri a porta do carro, arranquei o
cara. Ele estava sem calça e quis pôr a calça.
Eu não o deixei
colocar a calça, não fui eu que tirei a calça do cara, justamente para não
soltarem o cara depois e falar, como falou o Major Mecca aí, o cara espancando
a mulher, e a Justiça vai e solta. Então por isso eu o mantive amarrado num
poste com as calças arriadas. Não fui eu que arriei as calças do cara.
O SR. PAULO FIORILO - PT - Obrigado. Então, depois de 35
anos, o senhor elucida um caso que, para mim, tinha sido uma ação para prender
o meliante arriando as calças dele.
O SR. CONTE LOPES - PL - Não, foi o contrário, ele que
estava com as calças arriadas, atacando a mulher.
O SR. PAULO FIORILO - PT - Mas, se isso acontecesse aqui,
possivelmente o senhor manteria o meliante com as calças arriadas.
O SR. CONTE LOPES - PL - Está em flagrante, né? É o ato
dele.
O SR. PAULO FIORILO - PT - E não podia mexer nas calças.
O SR. CONTE LOPES - PL - Lógico, tem que mostrar a ação
dele.
O SR. PAULO FIORILO - PT - Eu estou trazendo essa situação
aqui, aproveitando o exemplo do deputado Conte Lopes que me veio, depois de 35
anos, à memória, porque eu estava lá, eu presenciei, só não lembro de o senhor
ter tirado ele do carro, para dizer ao presidente que eu acho que cabe um
questionamento formal se ocorreu aqui nesta tribuna uma manifestação fora da
lei.
Porque nós
precisamos tomar cuidado. Eu acho que a democracia, a liberdade de expressão é
permitida. O problema é quando a liberdade de expressão ultrapassa as quatro
linhas da Constituição. Aí não tem conversa. Nós não podemos permitir golpe de
Estado, nós não podemos permitir atentado, nós não podemos permitir violência
contra as mulheres.
Hoje, um
tenente-coronel foi preso porque o Ministério Público, depois da apuração da
polícia, pediu a sua prisão, diante das evidências de que ali não foi um
suicídio, mas sim um assassinato. Agora é preciso que se apure de verdade.
Quem sabe o
tenente-coronel recolhido agora assuma a responsabilidade. Até porque os
indícios mostram que ele teria atuado pelas costas e utilizado a mão esquerda
para segurar o rosto e o pescoço da esposa, e com a direita desferiu um tiro na
sua têmpora.
Então eu acho
que esse tipo de coisa nós não podemos permitir. E aí, Sr. Presidente, eu vou
pedir já para preparar, para questionar, para a gente poder ter clareza. Eu vou
repetir, manifestações democráticas, a questão da opinião, eu venho aqui a esta
tribuna e emito uma opinião pessoal, minha, e eu tenho a imunidade da palavra,
eu tenho aqui a imunidade das manifestações, sem problema nenhum. O que eu
considero que não seja possível fazer é a imunidade se transformar na
violência, no crime, e não haver ou não ocorrer aqui nenhuma punição.
Eu ouvi a
manifestação do presidente da Casa aqui nesse momento, que orientou que se
recorra ao Conselho de Ética. Eu acho que é uma medida, mas eu acho que é
preciso, nesse caso, em especial, que a gente tome outras medidas, até para que
a gente não tenha aqui outras manifestações.
O deputado
Telhada saiu, e eu lembrei de outro caso aqui também curioso. O uso de armas,
porque a gente tem policiais que são... Deputado Telhada, a gente tem policiais
que são... Aliás, a gente tem deputados que são policiais, mas tem uma
orientação de que neste plenário não se usem armas. E ninguém aqui usa arma,
nem os policiais, aqueles que estão na reserva ou que já foram policiais.
Mas, assim,
você tem o risco, às vezes até pelo hábito ou pelo trabalho que a pessoa
realiza, de ter uma arma. Agora, o problema é quando você viola essa norma
regimental. Aí sim você incorre em um crime. Então aqui a gente precisa tomar
todos esses cuidados.
Por isso, Sr. Presidente,
nós vamos encaminhar uma questão de ordem para que se possa ter esclarecido
essa situação, na minha opinião, desagradável, deselegante, desnecessária, até
porque nós não podemos transformar este espaço em um espaço que dialoga com
aquilo que não é o nosso papel, a nossa responsabilidade. Nós não podemos
transformar isso aqui em um picadeiro, está errado. Isso aqui é um absurdo.
Então eu vou
deixar essa observação aqui no Grande Expediente, e queria agradecer o deputado
Telhada... Eu não fiz ao deputado Telhada, mas vou fazer, fiz ao deputado
Conte. Nós fizemos na legislatura passada, se eu não me engano, uma emenda para
o 38º, lá na Jacu-Pêssego, o senhor conhece melhor que eu, e ali tem um
problema com alojamento, parece que eles resolverem a titulação.
Então se
resolveram, depois eu vou procurar os deputados que estão ligados à área para a
gente promover uma emenda para tentar resolver aquela situação tão grave para
os policiais que prestam serviço naquela região. Sr. Presidente, muito
obrigado. Agradeço aqui o meu tempo garantido e o aparte que deu ao deputado
Conte para que ele esclarecesse o episódio do meliante com as calças arriadas.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Obrigado,
deputado Paulo Fiorilo. Dando sequência a nossa lista de oradores no Grande
Expediente, com a palavra o deputado Conte Lopes. Só lembrando, V. Exa., que o
senhor tem o tempo remanescente do Grande Expediente até às 16 horas. Pode
falar o Art. 82 e mais cinco minutos, deputado.
O SR. CONTE LOPES - PL - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, público que nos
acompanham da TV Assembleia. É bom colocar aqui... Esclarecer a colocação do
nobre deputado Paulo Fiorilo do PT, né? Esse deputado, capitão da Rota com
várias ocorrências, que é um capítulo do livro do Caco Barcellos, o deputado
matador, não saí pelas ruas abaixando calça de ninguém. Não é a minha função.
O que houve é que em São Mateus, na Praça Um, eu era
conhecido porque trabalhei lá no 19, antes de 1988 chamava de 19 o batalhão. Em
uma campanha política uma senhora me chamou na padaria dizendo: “Olha, capitão,
um cara está lá no carro me acompanhando e mostrando o pênis para mim”.
Qualquer um do povo pede e as autoridades policiais devem prender quem se
encontra fazendo delito.
Então eu fui em direção ao carro por trás, o cara não
me viu, eu abri a porta e ele estava com a calça arriada excitado, né? E eu
arranquei o cara do carro, pus ele no poste, amarrei ele no poste, e foi o que
o deputado Paulo Fiorilo quis dizer, era jovem na época, que viu.
O cara... Eu não deixei ele amarrar a calça até chegar
a viatura, levantar a calça. Porquê? Para provar que o que a mulher falou para
mim era verdade. Ele estava acompanhando a mulher e se exibindo para a mulher,
que é um crime, isso é um crime.
Então essa é uma realidade, porque quando chegar lá o
cara vai falar que não fez nada daquilo, infelizmente é assim. E a gente é
chamado várias vezes disso aí, lá mesmo em São Mateus perto ali da 3º Divisão,
me chamaram também. Eu a paisana, porque uma mulher gritava desesperadamente
que estava sendo espancada pelo marido, também próximo a uma padaria que tem
ali naquele local.
Eu fui até o local. Era um barzinho que a mulher tinha
com o marido, invadi o bar, porque ela estava gritando lá dentro da casa, era
no fundo da casa, e armado lógico, né? Enquadrei o cara e a mulher sai com o
rosto todo cheio de sangue, e eu pergunto: “o que foi que aconteceu?” Ela fala:
“Eu caí”.
Então a partir daí evidentemente eu abandonei o local,
porque eu estava armado, pulei o balcão para entrar na casa do cara, eu ia
entrar por invasão de domicílio, por ameaça, por tudo. Fui embora e larguei a
ocorrência lá, fazer o quê. Se ela caiu, então eu estava cometendo um crime
mais grave do que o marido dela cometeu, porque eu tinha invadido o bar, pulado
a coisa e ameaçado o cara armado. Então, na verdade, é isso.
E por que eu estou falando isso? Vi a briga que houve
aqui antes da gente, mas a minha briga hoje é com a Cármen Lúcia, a ministra do Supremo Tribunal
Federal. Ela me assustou. Estou lá assistindo a Globo, a gente, terceira idade,
tranquilão na televisão, quando ela grita: “Parem de nos matar.” Eu quase
desmaiei. A ministra do Supremo.
Ministra, pare
de soltar os assassinos de mulheres que nós prendemos, nós, policiais. Eu falei
nós, porque teve caso aqui que eu participei, que já falei mil vezes, me
perdoem, mais uma vez aqui, deputado Marcio Nakashima. Mas ele me procurou em
uma segunda-feira aqui na Assembleia.
Posso continuar
pelo Art. 82, Sr. Presidente?
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Perfeitamente,
é regimental. Vossa Excelência tem mais cinco minutos.
O
SR. CONTE LOPES - PL -
PELO ART. 82 - Marcio Nakashima, que hoje é deputado, é nosso colega, me
procurou na Assembleia, que a irmã dele tinha sumido. Ela foi almoçar na casa
dos pais, no domingo, ela era advogada, junto com o namorado, um tal de Mizael,
que foi policial militar e era advogado. Se não me falha a memória até sócio da
Mércia. E ela não chegou em casa, me dizia o deputado, hoje deputado.
Foi uma
dificuldade que nós passamos, a agir para tentar achar a menina. Tivemos um
apoio grande aqui, que eu procurei o Dr. Olim, que também hoje é deputado. Veja
como o mundo muda. Explicando o que estava acontecendo, nós trabalhamos acho
que uns 15 dias para encontrar o corpo da Mércia jogado dentro de uma lagoa, de
uma represa, lá em Nazaré Paulista.
Foi
difícil encontrarmos, porque alguém falou, porque nós não damos bobeira. O COE,
major Luiz Carlos, trabalha comigo aqui, foi da Rota muito tempo, ajudou muito
nessa operação junto aos policiais. E a moça estava lá, com um tiro na fronte,
igual a menina que morreu ontem com um tiro na cabeça e dentro do carro. O tal
do Mizael: “O que é isso?” igual ao coronel aí. “Não devo nada, sou advogado,
tal, tal.” No fim comprovou que foi ele.
Mas
veja bem, ministra Cármen Lúcia, hoje depois de algum tempo o Mizael, que puxou
cadeia lá no Romão Gomes, para onde foi o coronel, o tal de Neto, e depois foi
para o presídio dos famosos em Taubaté, ele estava saindo de gravata e terno,
como estou aqui, para a cadeia.
E
por incrível, ministra Cármen Lúcia, ele está processando o deputado Marcio
Nakashima, porque o acusou desta tribuna, que ele não deve mais nada, que ele
não deve mais nada. Então, infelizmente é assim, enquanto soltarem os
assassinos, ministra, a lei do Brasil solta tudo quanto é criminoso, não
adianta nada, não adianta nada.
Aí
o Major Mecca mostrou aqui no quadro o cara espancando a ex-mulher. Precisou
uma outra moça entrar no meio para segurar. O cara foi em uma audiência de
custódia e foi solto. Ele não ficou nem uma semana preso. Na próxima ele vai
matar a mulher mesmo.
Se
essa vez que ele foi preso no flagrante, flagrado dentro de um elevador, não
deu nada para ele, então na próxima ele vai arrumar um jeito de inventar um
assalto, um sequestro e matar a ex-mulher mesmo. Pronto.
É
por isso que chama impunidade, ministra. Então não adianta a senhora gritar
“não nos mate”, a Justiça tem que agir. Se o cara pega 30 anos de cadeia, 40,
que ele cumpra, porque não pode ter pena, eu sou favorável à pena de morte.
Quem mata, para mim tem que morrer. Pena de morte. Mas no Brasil não pode, não
é? Não pode. Se o cara tiver uma pena de morte aqui, o cara vira santo, o cara
vira santo.
Prisão
perpétua, não pode; trabalho, também não pode; ele lê um gibi e aí fala que leu
um livro e vai descontando. Daqui a pouco, como o Mizael, o cara está nas ruas,
o cara está nas ruas. Então, realmente enquanto houver essa impunidade nós
vamos de mal a pior.
Então
só a recolocação para novamente responder o nobre deputado Paulo Fiorilo, não
foi que eu saio pela rua arrancando a calça dos outros não. É que se não chega
lá na frente do juiz o cara com as calças abaixadas, amarrado no poste,
comprovando que ele atacou a mulher, que eu fui ajudar e o processo sobrou para
mim ainda.
Porque
ele fala: “Esse capitão é louco. Esse capitão é louco. Ó aí. Como ele está
falando que eu fiz isso. Só porque a mulher falou?” Então infelizmente é isso.
Enquanto houver impunidade, o cara não sentir o peso da lei, nós vamos de mal a
pior. Então não adianta a senhora gritar “Não nos mate!”. A senhora tem o poder
da lei nas mãos. E aqui no Brasil criminoso, infelizmente, não fica preso.
Obrigado, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Obrigado,
nobre deputado capitão Conte Lopes.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Pela ordem, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Pela ordem,
deputado Carlos Giannazi.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Para utilizar o Art.
82 pela liderança do PSOL.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - É regimental o
Art. 82. Vossa Excelência tem o tempo de até cinco minutos.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
PELO ART. 82 - Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, público aqui
presente. Sr. Presidente, eu gostaria, deputado Fábio, de repercutir aqui algo
muito grave que está acontecendo no estado de São Paulo por conta desse
factoide que o governador Tarcísio criou no sentido de criar o famoso centro administrativo...
Na verdade, de transferir o centro administrativo do palácio do Morumbi para o
centro da cidade.
Na verdade, nós
sabemos que ele pretende, ali, beneficiar as grandes empreiteiras,
beneficiando, no fundo, a especulação imobiliária do centro. Por que, Sr.
Presidente? O centro administrativo já está, em grande parte, no centro da
cidade; na região da Sé, na região da São Bento, no Largo São Francisco.
Nós temos ali
várias secretarias. Secretaria de Educação na Praça da República. Nós temos a
Secretaria de Segurança Pública, ali no largo São Francisco. No largo São
Francisco nós temos, ainda, o Ministério Público Estadual, bem nas
proximidades, na Rua Riachuelo.
Ali na região
da Boa Vista, nós temos o CDHU, Secretaria da Habitação. O prédio central da
Defensoria Pública fica, também, na mesma rua, ali, da Boa Vista. Nós temos
vários equipamentos públicos, ali, administrativos, já, do estado de São Paulo:
a Secretaria da Saúde, a Secretaria da Fazenda, o Tribunal de Contas do Estado
de São Paulo, o Tribunal de Justiça, todos eles ficam ali, setores da PGE, da
Procuradoria-Geral do Estado.
Então o centro
administrativo já está no centro da cidade. Mas o governador inventou agora o
famoso centro administrativo... A transferência do centro administrativo, Sr.
Presidente, para a região dos Campos Elíseos. Só que isso aí está criando um
verdadeiro transtorno.
Não vai
beneficiar a população. Vai retirar, vai esvaziar, Sr. Presidente, o que nós
chamamos ali de triângulo histórico, que são esses prédios administrativos que
já estão na Sé, Largo São Bento e Largo São Francisco. Ou seja, ele vai
esvaziar todo o centro ali do triângulo histórico para levar essas secretarias,
que já ocupam espaços públicos, para outra região.
E vai
desapropriar centenas de famílias e comerciantes na região que ele pretende
levar esse centro administrativo. Então é grave a situação. E agora nós estamos
recebendo denúncias, Sr. Presidente, que já estão sendo repercutidas em toda a
imprensa, de que os moradores e os pequenos comerciantes da região já estão
sendo assediados por corretores, por imobiliárias, sendo inclusive pressionados
a venderem os seus imóveis.
Tem aqui as
matérias, queria colocar aqui, Sr. Presidente. Uma delas é do “Metrópoles”:
“Corretores assediam donos de imóveis na mira de nova sede do Governo”. Aqui,
olha, vários corretores estão lá, inclusive até ameaçando.
São denúncias
sérias, Sr. Presidente, que nós vamos pedir providências aqui. O governo não
pode abandonar a população à própria sorte, que já está vivendo o terrorismo da
desapropriação. E agora são assediados por corretores, Sr. Presidente.
Tem a outra
matéria, também, da “Folha de S. Paulo”, dando conta da mesma situação.
“Moradores relatam incertezas em prédios a serem demolidos para a futura Sede do
Governo”.
E por
coincidência, a Assembleia Legislativa está debatendo um projeto de lei que
trata de um empréstimo para financiar também, entre outros projetos, o centro histórico,
Sr. Presidente. O projeto está sendo debatido, já discutido agora aqui na
Assembleia Legislativa, que é o projeto do empréstimo de quase 15 bilhões de
reais.
E repito, tudo
isso para beneficiar a especulação mobiliária e as grandes empreiteiras. Por
isso que nós somos contra este projeto, Sr. Presidente, que está sendo votado agora,
debatido aqui na Assembleia Legislativa. E também dizer que nós vamos tomar
providências em relação a esse assédio, Sr. Presidente, muitos moradores sendo
assediados.
E por fim, Sr.
Presidente, quero ainda registrar que, na última sexta-feira, eu estive
presente em uma reunião importante com o presidente do Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo e com a sua equipe. Eu estive junto com a deputada federal
daqui de São Paulo, Luciene Cavalcante, junto com o vereador Celso Giannazi,
aqui da Câmara Municipal.
Nós tivemos uma
reunião para debater, para conversar com o presidente do TJ sobre vários temas
relacionados aos servidores e servidoras do Tribunal de Justiça. Entre eles,
Sr. Presidente, nós falamos do PLC nº 28, de 2025, que trata do adicional de
qualificação.
O projeto está
aqui na Assembleia Legislativa desde meados do ano passado, o projeto já está
pronto para ser votado praticamente, já passou em todas as comissões, já está
em condições de voto. Há alguns dias, eu tinha conversado já com o presidente
André do Prado, que disse que só estava esperando o aval na orientação, a
autorização do presidente do TJ.
E na conversa
que nós tivemos, o presidente do TJ disse que estaria vindo aqui na
Assembleia... entrando em contato com o presidente André do Prado ainda nesta
semana após a realização de uma reunião com as entidades representativas do
servidores do Judiciário, que aconteceu exatamente ontem e que ele estaria
fazendo, então, o pedido para que o projeto fosse pautado aqui na Assembleia
Legislativa.
Então, espero
que o presidente já tenha feito isso, Sr. Presidente, e nós possamos votar em
caráter de extrema urgência o PLC nº 28, de 2025, que institui o adicional de
qualificação para todos os servidores do Tribunal de Justiça. E esse projeto
foi fruto da greve, do movimento dos servidores, uma conquista, Sr. Presidente,
que foi negociada na greve que ocorreu no ano passado.
Então, faço
aqui um apelo aos 94 deputados, aos líderes partidários, ao presidente André do
Prado, para que o projeto seja votado o mais rápido possível em caráter de
extrema urgência, porque enquanto ele não é aprovado, Sr. Presidente, os
servidores estão perdendo do ponto de vista salarial, porque se tivesse
aprovado, muitos servidores já estariam sendo beneficiados, servidores e
servidoras do Tribunal de Justiça.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Obrigado,
deputado.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Havendo acordo entre
as lideranças, eu solicito o encerramento, o levantamento desta sessão.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - É regimental o
pedido de Vossa Excelência. Sras. Deputadas, Srs. Deputados, havendo acordo de
lideranças, antes de dar por levantados os trabalhos, esta Presidência convoca
V. Exas. para a sessão ordinária na data de amanhã, à hora regimental, sem
Ordem do Dia; lembrando ainda a sessão extraordinária a realizar-se hoje, às 16
horas e 30 minutos.
Está levantada a presente sessão.
* * *
-
Levanta-se a sessão às 16 horas e 14 minutos.
* * *