12 DE DEZEMBRO DE 2025

83ª SESSÃO SOLENE PARA HOMENAGEM AO CEDECA/SP - CENTRO DE DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

         

Presidência: EDIANE MARIA

         

RESUMO

         

1 - EDIANE MARIA

Assume a Presidência e abre a sessão às 19h04min.

         

2 - MESTRE DE CERIMÔNIAS

Informa apresentação cultural do coletivo Negra Sou. Anuncia a composição da Mesa. Convida o público para ouvir, de pé, o "Hino Nacional Brasileiro".

         

3 - PRESIDENTE EDIANE MARIA

Informa que a Presidência efetiva convocara a presente solenidade para a "Homenagem ao Cedeca - SP: Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente", por solicitação desta deputada, na direção dos trabalhos. Saúda as autoridades presentes. Esclarece que, em 190 anos de Assembleia Legislativa, nunca houve uma homenagem ao Cedeca. Cita visita das companheiras e meninas integrantes da Cedeca à esta Casa. Lembra sua trajetória, de criar 4 filhos sem ajuda, aprendendo a ser mãe na prática. Afirma que ela abre espaço para que outras cheguem ao lugar onde chegou. Afirma que esta sessão solene tem também como objetivo reparar o que o estado de São Paulo não faz, que é olhar para a periferia com afeto. Demonstra seu carinho pelo Djalma, homenageado desta solenidade. Ressalta que o Cedeca garante os direitos das crianças e adolescentes de estudar, de morar, de ter amor e afeto. Diz estar honrada de estar aqui. 

         

4 - LUCÉLIA MARIA DA SILVA

Coordenadora da Anced – Associação Nacional dos Cedecas, faz pronunciamento.

         

5 - LÍGIA GIMENES

Representante do Cedeca Sapopemba, faz pronunciamento.

         

6 - HÉVILIN MARCELLE

Integrante do Cedeca Interlagos, faz pronunciamento.

         

7 - MESTRE DE CERIMÔNIAS

Anuncia apresentação musical do Coletivo Negra Sou durante a entrega de placas a membros dos Cedecas. Lê currículo e informa a outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo a Djalma Costa.

 

8 - DJALMA COSTA

Fundador do Cedeca-SP e homenageado, faz pronunciamento.

         

9 - PRESIDENTE EDIANE MARIA

Diz ter a sensação de dever cumprido. Cita sua participação no Comitê de Segurança Pública. Ressalta a construção de um caminho árduo e com espinhos, mas também seguro. Faz agradecimentos gerais.

         

10 - GILBERTO

Homenageado pelo Cedeca de Osasco, faz pronunciamento.

         

11 - PRESIDENTE EDIANE MARIA

Encerra a sessão às 20h25min.

 

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ÍNTEGRA

 

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- Assume a Presidência e abre a sessão a Sra. Ediane Maria.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Bom, gente, sejam todos bem-vindos, todas as pessoas bem-vindas aqui a este espaço.

Esta sessão solene tem a finalidade de outorgar o Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo para o Sr. Djalma Costa. Então, uma salva de palmas. (Palmas.)

E, para além disso, também tem o objetivo de prestar uma homenagem a cada um dos Cedecas do Estado de São Paulo. Então, uma salva de palmas também. (Palmas.)

É a primeira vez que uma cerimônia como essa acontece nesta Casa. Então nós estamos vivenciando um momento histórico de homenagear uma história de mais de 30 anos aqui no estado de São Paulo.

E, para abrir os caminhos desta nossa noite, que vai ser muito bonita, muito emocionante, eu vou convidar aqui o Coletivo Negra Sou. E quero saudar a Cintia Araújo, que organiza esse coletivo. Então, por favor, gente, venham aqui na frente. (Palmas.)

O coletivo Negra Soul vai fazer uma apresentação para a gente, e vai abrir os caminhos para a nossa homenagem.

 

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- É feita a apresentação musical.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Vamos aplaudir de pé, gente, vamos aplaudir de pé. Por favor, uma salva de palmas. (Palmas.) Bom, gente, podem se sentar. Agora eu vou convidar, depois desse início potente, vou convidar agora cada pessoa que vai compor a nossa Mesa na noite de hoje.

Então, para começar, vou convidar para vir aqui e compor a Mesa a deputada estadual Ediane Maria, que é a primeira trabalhadora doméstica eleita no estado de São Paulo e é a proponente dessa sessão solene. Uma salva de palmas. (Palmas.) Já na sequência, vou convidar o Djalma Costa, que é fundador do Cedeca Interlagos e referência na luta pelos direitos humanos das crianças e adolescentes e, hoje, homenageado com o Colar de Honra ao Mérito Legislativo. (Palmas.)

Convido também para compor a Mesa Lucélia Maria da Silva, que é coordenadora da Associação Nacional do Cedecas, a Anced. (Palmas.) Vem para cá também Lígia Gimenes, representante do Cedeca Sapopemba, o mais antigo em atividade aqui no estado de São Paulo. (Palmas.) E Hévilin Marcelle, que é jovem, parte da família do Cedeca Interlagos. (Palmas.)

Bom, gente, vou pedir para a Mesa permanecer em pé e para todas as pessoas também levantarem e se colocarem em posição de respeito, para a gente ouvir o Hino Nacional agora.

 

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- É executado o Hino Nacional Brasileiro.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Sem anistia, não é, gente?

 

TODOS - Sem anistia.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Podem se sentar, fiquem à vontade. Bom, vou passar a palavra agora para a deputada Ediane Maria para que ela faça a abertura regimental da nossa sessão solene e também já faça sua primeira fala.

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Iniciamos os nossos trabalhos nos termos regimentais. Senhoras e senhores, esta sessão solene foi convocada pelo presidente desta Casa de Leis, deputado André do Prado, atendendo à minha solicitação com uma finalidade de homenagear os Cedecas do estado de São Paulo e entregar o Colar de Honra ao Mérito Legislativo para Djalma Costa. Iniciou? Agora sim, gente, aberta a sessão. Sem anistia, gente. Gente, é muita coisa, tá? É bom que vocês vejam na prática como funcionam as coisas. Bom, primeiro, agora sim, gente, boa noite.

Quero saudar os Cedecas que estão aqui presentes, todos os homenageados desta Mesa. Quero saudar o nosso homenageado de hoje, Djalma Costa. Também quero saudar a Lucélia Maria da Silva, coordenadora da Associação Nacional dos Cedecas. Quero saudar também a Lígia Gimenes, representante do Cedeca Sapopemba, o mais antigo em atividade no estado de São Paulo. Quero saudar a Hévilin Marcelle, jovem que passou pelo Cedeca Interlagos.

Bom, eu queria, nesta noite, ainda estou aqui um pouco nervosa, e não seria diferente, até porque em 190 anos da Assembleia Legislativa de São Paulo nunca houve uma homenagem ao Cedeca que pudesse entrar nesta Casa de cabeça erguida e poder sentar nessas cadeiras, que não são do deputado, essas cadeiras são nossas. Isso é importante a gente trazer.

Então esta semana eu tive a honra muito grande, primeiro, de receber - foi antes de ontem, na quarta-feira – de receber minhas companheiras do Cedeca Interlagos, que trouxeram as meninas para esta Casa. E eu fiz a questão de pegá-las. Tem umas também que estavam aqui na quarta-feira. Levante a mão quem estava aqui na quarta-feira. Foi lindo demais. Foi um dia em que, no dia anterior, na madrugada anterior, a gente viu no Congresso Nacional o nosso deputado federal Glauber Braga ser arrancado da cadeira da mesa da Presidência. E nós chegamos aqui e eu falei: “Vamos dar um giro”, porque seria, Djalma, somente uma vinda ao gabinete. Eu falei, por que não pegar as meninas e andar nesta Casa e mostrar como que funciona a Casa de Leis? Que é aqui.

É nesta Casa que sai se as crianças vão ter alimentação, se vão ter dignidade. É desta Casa que sai. Então quando eu fiz aquele giro, junto com o Zig - inclusive, daqui a pouco eu vou homenageá-lo também -, quando a gente fez esse giro nesta Casa, o que eu estava fazendo naquele momento, Djalma? Porque isso é muito importante para as nossas crianças. Eu estava fazendo ali um giro para que essas crianças não cheguem, como eu, depois, com quase 40 anos de idade nesta Casa, e se sintam intimidadas por ela. Cheguem nesta Casa sem medo.

Então rodar por aqui e ver, inclusive, naquele dia estava aqui o presidente André do Prado. Ele falou: “Não, pode sentar aqui também, meninas. Pode subir e sentar na cadeira da Presidência”. Aquilo ali foi um gesto muito bonito, porque isso mostra para nós o quanto nós estamos avançando. O quanto este mandato está avançando em, primeiro, ter parceria com os Cedecas do estado de São Paulo. Eu tenho muita honra de ter andado em cada um deles, de ser recebida por cada um deles, de ter o carinho, a resiliência, o respeito. Eu, enquanto mãe solo de quatro filhos, moradora do Sítio dos Vianas, sei o que foi criar quatro filhos sem ter ninguém me olhando, ter que aprender, enquanto uma adolescente que não teve tantos cuidados assim, aprender a ser mãe, aprender a cuidar dos meus filhos para que não sofressem abuso, a aprender na prática.

Então, estar aqui hoje, ocupando esta cadeira é para abrir espaço para que mais pessoas cheguem, para que pessoas, meninas pretas, que a juventude possa olhar para esta Casa e se sentir pertencente. Quando vocês entram aqui nesta Casa, vocês saibam de uma coisa, que muita gente, o Djalma falou: “Ediane, por que está me homenageando?” O Djalma trouxe um olhar para mim que para nós, Djalma, foi um olhar para nós, que quando a gente avança, a gente traz os nossos.

A gente traz e homenageia, porque esta Casa tem uma prática também. Esta Casa tem a prática de homenagear aqueles que já são muito vistos e que o Djalma trouxe com excelência e que é importante ser homenageado. Só que não é possível que ninguém tenha tido a capacidade de olhar para o Cedeca e falar: “Precisamos homenagear, precisamos falar”. Porque é desta Casa que vamos pensar políticas, juntos, coletivos.

Então, estar aqui hoje é para fazer uma reparação. Primeira coisa: aqui é para reparar o que o estado de São Paulo não faz. Eu vi, e quero saudar também o Negra Sim, que abriu aqui cantando sobre a favela. É sobre moradia, é sobre educação, é sobre saúde. Não adianta o estado que nos olha e fala que vai, quer nos ajudar, tem empatia, mas que não olha para a periferia com aquele afeto. E quem faz esse trabalho são as lideranças, são as coordenações, são os Cedecas, que vão lá, que ocupam, que vão para os espaços onde muita gente não quer ir.

Estou aqui hoje, e quem me elegeu sabe disto: que nós iríamos entrar em todo e qualquer lugar em que nunca a política pública chegou. E nós estamos aqui. Vocês chegaram aqui. Que bom. Que bom que nós estamos juntos, unidos. Então, homenagear o Djalma, por quem eu tenho um carinho muito grande, não só pela feijoada que ele fez para mim um dia, não só pela feijoada, mas pelo que você representa, Djalma. Você representa para mim esperança. Eu tenho esperança com este País.

Não é fácil para nós. Nunca foi fácil para a periferia, nunca foi fácil para um País que precisou alguém olhar e falar: “Olha, a criança e o adolescente são sujeitos também dignos de direito”. Ou seja, que País é esse em que a gente mora, hein? Que País é esse em que a gente mora, em que ainda olham para as crianças pretas e tratam como se não fôssemos dignos de direitos? O Cedeca faz esse trabalho, que é de garantir que as crianças da periferia, que as crianças do Brasil, tenham direito. Então, hoje essa audiência pública é para que a gente paute o direito: o direito de brincar, o direito de estudar, o direito de morar, o direito de ter amor, o direito de ter afeto, o direito de ter carinho, o direito de se olhar no espelho e se sentir lindo.

Nós somos uma sociedade onde criança preta cresceu sem autoestima. Crianças pretas cresceram sem se olhar no espelho, porque não era o perfil que agradava. Crianças pretas que cresceram sem um elogio, sem um abraço, sem olhar para ela e falar: “Teu nariz é lindo, teu cabelo é lindo, tua pele é linda, olha seus traços como são lindos”. Então estar aqui hoje é para que a gente faça, comece, aqui nesta Casa, o processo de reparação, e que esta Casa tenha responsabilidade com as crianças do estado de São Paulo e também, se dá certo no estado de São Paulo, dá certo no Brasil.

Então, quero saudar nosso homenageado, quero saudar todos os Cedecas, e dizer que eu estou muito honrada de estar aqui hoje. Que bom que a gente se encontrou. Talvez, pela estatística, eu também não iria encontrar vocês. Que bom que a gente se encontrou no meio do caminho, que bom que a gente se encontrou num momento em que estamos no mandato e podemos contribuir para que a gente consiga fazer com que nossas crianças se espelhem e olhem, inspirem-se. Eu quero que as crianças do Brasil, do estado de São Paulo, saiam daqui, sabe como? Igual saíram na quarta-feira: felizes, podendo dormir feliz, podendo dizer: “Como eu estou feliz de ter entrado ali dentro, ter sentado naquela cadeira, ter falado ali onde a Tábata está, que é no plenário, ter sentado na mesa da Presidência”. É sobre pertencer. Esta Casa é nossa, tá gente? Parece que não, porque fazem com que não seja, mas ela é nossa também. Muito obrigada. (Palmas.)

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito obrigada, Ediane. Bom, vou passar já direto para a próxima pessoa, para fazer a intervenção, que vai ser a Lucélia, representando aqui a coordenação da Anced, que é a Associação Nacional dos Cedecas.

 

A SRA. LUCÉLIA MARIA DA SILVA - Obrigada, boa noite a todos, todas e todes. É um prazer estar aqui. Agradeço à Ediane, sempre aí na luta, parceria com os Cedecas de São Paulo e com a causa da infância e da adolescência. E também saudar os colegas Djalma, que a gente se fortalece cada vez que a gente acompanha a trajetória dele. É um marco histórico da história dos Cedecas. Enfim, gente, é um mestre que vai nos ensinando a abrir caminhos, e a gente tenta minimamente segui-los. Não é, Djalma? Então, as colegas do Cedeca Sapopemba. Também sou do Cedeca Sapopemba, e hoje compartilho a coordenação colegiada da Associação Nacional dos Centros de Defesa, seguindo muito essa trajetória do Djalma também, que vai me apoiando e vai: “Olha, vamos lá, a gente está junto”. Então é uma caminhada longa de muitos anos, de mais de 30 anos, que a gente tem.

E aí falar um pouco da trajetória da Anced: ela tem atuado de forma incansável para garantir que meninos, meninas e menines tenham seus direitos respeitados, conforme estabelecido no Estatuto da Criança e do Adolescente e nas Diretrizes Internacionais de Proteção Integral.

A associação reúne centros, entidades e profissionais comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa, mais humana e verdadeiramente inclusiva. Seu trabalho envolve monitoramento de políticas públicas, incidência política, formação, produção de conhecimento e apoio às organizações que diariamente enfrentam desafios para assegurar que nenhuma criança e nenhum adolescente seja deixado para trás.

Falar sobre a Anced é reconhecer o valor de quem luta para transformar realidades e promover dignidade. É reafirmar nosso compromisso coletivo com a infância e adolescência. Que possamos seguir fortalecendo essa rede, ampliando os diálogos e, acima de tudo, garantindo que cada criança e cada adolescente tenham seus direitos e vozes ouvidas.

O objetivo da Anced é garantir os direitos de criança e adolescente a receber a proteção, apoio e oportunidades. A Associação também acompanha essas políticas públicas existentes e voltadas para criança e adolescente. E também dizer - não vou me estender muito -, atualmente, a Associação Nacional conta com 23 Cedecas espalhados nacionalmente em 15 estados, incluindo o Distrito Federal.

Temos, na região Nordeste, uma concentração maior, de oito Cedecas, e São Paulo vem em segundo lugar, onde compõe essa rede. Ela é composta por cinco Cedecas filiados à Anced. Sabemos que tem outras Cedecas. Já tivemos muito mais Cedecas, mas que, por conta das vastas brigas, das lutas, da resistência, acabaram tendo que fechar ou recuar um pouco o trabalho para poder depois seguir em frente.

Então, nós temos cinco Cedecas de São Paulo, formamos uma rede, como eu falei, e estamos, enquanto Anced, nesse apoio também, nessa coordenação nacional, trazendo essa reflexão, provocando os debates em torno da defesa de crianças e adolescentes. Nas diversas pautas, acho que um pouco a gente tem acompanhado qual é a situação dos debates em torno da infância e da adolescência no Senado, na própria mídia, o que tem nos mobilizado e que tem nos trazido cada vez mais resistência para dar continuidade para que não percamos o nosso senso.

E ser centro de defesa é isso, é estar na luta, é não desistir, é buscar cada dia uma inspiração, é contar com as parcerias diversas que precisamos contar, que muitas vezes não são do governo local, não são do governo nacional, muitas vezes são parcerias que precisamos, para garantir dignidade e efetividade de direito, parcerias internacionais.

Então, sabemos que isso é a situação da realidade da infância e da adolescência no nosso País. Para se garantir que criança e adolescente sobreviva, ou viva com o mínimo de dignidade e de direito fundamental, temos que recorrer, muitas vezes, a diferentes formas de sobrevivência e de luta enquanto centros de defesa.

Eu queria muito agradecer e dizer que estamos disponíveis aqui, agradecer às crianças e adolescentes que estão aqui presentes, que são por vocês que lutamos todos os dias e que buscamos esse lugar, abrindo sempre esses caminhos, para que vocês deem continuidade, que vocês busquem garantir e se sentirem protegidos, de fato, por uma legislação que faça o que está dentro e prescrito dentro das prerrogativas legais, que ela garanta, de fato, e que ela não viole o direito de crianças e adolescentes no nosso País.

Uma boa noite aos homenageados, muito obrigada. E é isso, a parceria é enorme e é longa também. Estamos juntos. Obrigada. Eu não citei o nome dos Cedecas, gente, calma.

Os cinco Cedecas somos, de São Paulo, o Cedeca Sapopemba, e vamos fazer a ordem cronológica de idades. Depois vem Interlagos, o Cedeca Ermínia Circosta, que a gente conhece mais como Cedeca Itaim, o Cedeca Limeira também, que eu acredito que temos representantes aqui do Cedeca Limeira, o Cedeca Sé, que é o Cedeca Mariano Kleber dos Santos, e o Cedeca Sapopemba, que é o Mônica Paião Trevisan.

E um muito obrigada e uma boa noite para todos nós.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito obrigada, Lucélia. Vou aproveitar esse momentinho antes de passar para a Lígia, para saudar algumas pessoas que estão aqui presentes, que são muito importantes para essa construção, para essa homenagem, para o equipamento do Cedeca como um todo.

Começar saudando o Cedeca Mariano Kleber dos Santos, Cedeca da Sé, que não está aqui representado na Mesa, logo, logo vai vir para ser homenageado. Então, por favor, uma salva de palmas para todas as pessoas presentes do Cedeca da Sé. (Palmas.) Rose, Camila, Joyce, Daisy e Cris, representando todas as adolescentes do Coletivo Desvendando Potências, um quilombo contemporâneo. (Palmas.) Fábio Paz, representando as Cefras. (Palmas.) Marquinhos e William, representando a escola de samba Império Vila da Paz. (Palmas.) Carlinhos Moreira, representando o coletivo de arte circense Acrobaz. (Palmas.) Roseloi, cantora. (Palmas.) Zig, diretor do Cedeca Interlagos e aniversariante do dia. (Palmas.) Gabriel Alexandre Gonçalves, representando o Centro de Movimentos Populares...a Central de Movimentos Populares. Bom, gente, vou passar agora a palavra para Lígia Gimenes, representando o Cedeca mais antigo em atividade, o Cedeca Mônica Paião Trevisan. Por favor, Lígia.

 

A SRA. LÍGIA GIMENES DE MENEZES - Boa noite. Que prazer estar aqui hoje. Ediane, muito obrigada pela parceria sempre. Não é a primeira vez que a gente está aqui do lado a lado na Alesp e a gente sabe o desafio que é estar nesta Casa Legislativa pautando as coisas que você pauta. Então, muito obrigada. Um prazer estar aqui nesta Mesa.

Meu nome é Lígia, eu sou representante hoje do Cedeca Sapopemba, o que é um trabalho gigantesco de ser feito, porque são muitos e muitos anos de trabalho. E, curiosamente, o colegiado mandou a mais nova entre nós para falar, o que eu acho também que dá a volta do processo de continuidade que os Cedecas produzem e que o Cedeca Sapopemba, em especial, que é de onde eu estou, faz de uma forma muito bonita e muito importante.

Eu sou coordenadora dentro do Cedeca, de um projeto que se chama Enu Itan, também o caçula do Cedeca, é um projeto de recuperação de memória LGBT em Sapopemba, com a molecada. Eu sou sapatão, eu sou... E é isso, estou no Cedeca já faz uns quatro anos.

Acho que eu fui pensando em como falar do Cedeca Sapopemba é uma grande tarefa, porque são muitos anos de história. São muitos anos de história, são muitas pessoas, qualquer pessoa que viesse aqui falar hoje, falaria através de um corpo coletivo.

Não tem como eu falar em nome do Cedeca, se não pensando, principalmente, estando no Enu Itan, pensando esse lugar do Cedeca enquanto um espaço de tantas memórias. Acho que o Cedeca Sapopemba, na sua própria memória, guarda a força da luta da população de Sapopemba. O Cedeca tem 36 anos de atuação.

A gente, quando chega no Cedeca, vai aprendendo sobre essa história a partir do lugar de que algumas pessoas que estavam no território se organizaram para defender e para reagir à sistemática de mortes dos jovens negros no território, à sistemática da violação sexual que acontecia com as meninas. Tanto que a gente carrega o nome da Mônica como um brasão no peito. O nome do Cedeca leva o nome da Mônica para que a gente não se esqueça dessas histórias.

Então, o Cedeca Sapopemba, eu acho que ele surge como uma revolta, ele é uma resposta, assim como todos os Cedecas. A gente carrega esse lugar dessa herança do movimento negro, do movimento de Sapopemba. Sapopemba é um território muito vivo, um território extremamente vulnerabilizado, mas que responde de forma muito ativa através da organização da comunidade, seja no movimento de moradia, seja no movimento de infância, seja no movimento de saúde, seja no movimento LGBT.

Então, acho que esse lugar dessa história, que a gente vai 36 anos depois, eu chego no aniversário de 32 do Cedeca, e aprendo isso muito fortemente, isso está muito vivo ali, para qualquer pessoa que vai entrar no Cedeca, enquanto educador de qualquer um dos nossos núcleos, essa história de luta não se perde, porque exatamente é um espaço que guarda essas memórias, e isso é de extrema importância.

Acho que os próprios Cedecas surgem como esse lugar de uma promessa ali que está escrita no ECA. Eu acho que o ECA foi uma grande promessa que foi feita para as gerações futuras, porque nunca teve um momento em que o ECA foi uma fotografia da sociedade.

As pessoas discutem muito esse lugar de tipo é muito bonito no papel, mas na realidade é outra coisa. É bonito no papel, porque é o objetivo de onde a gente quer chegar, não porque a gente está imaginando que a gente já chegou até ali. E eu acho que o Cedeca surge como esse lugar de preservação, esse lugar de um guardião dentro da comunidade, de guardar esse lugar, desse projeto de sociedade, para que as crianças e os adolescentes não cresçam sozinhos, para que a gente tenha, de fato, uma aldeia para criar uma criança. Isso tudo está posto ali no ECA.

E o ECA é uma grande resposta a uma sociedade que vem ali em um momento histórico também muito específico e que entra ali em um monte de coisa que eu também não vou entrar para não entediar vocês. Eu acho que o Cedeca Sapopemba tem esse caminho da transformação pelo afeto.

Eu acho que isso faz muito parte da metodologia de trabalho do Cedeca e isso, sem dúvida, é escrito pelas mãos de quem veio antes. Isso, sem dúvida, é passado de mãos em mãos enquanto fundamento de um trabalho que não pode acontecer sem isso. É impossível que a gente faça o que a gente faz, que a gente aguente o que a gente aguenta, se a gente não tiver um profundo afeto nas nossas relações e um profundo afeto na crença de que é possível construir comunidades protetivas.

É possível construir, apesar de... Apesar de que o mundo lá fora segue exatamente o mesmo, de que as questões não mudaram muito nos últimos 30 anos, elas se agravam em certos lugares, a gente tem certos avanços, depois eles arrancam isso da nossa mão, mas a gente tem, acho que uma certeza muito grande, acho que o Cedeca Sapopemba carrega esse lugar da reescrita da possibilidade de novas histórias.

Não existe uma história única a ser contada dentro de um Cedeca. Dentro do Cedeca Sapopemba não existe, pelo menos, eu tenho certeza que nos outros Cedecas também não. Acho que essa construção dessas comunidades protetivas são uma marca muito importante e é por isso que a gente chega até aqui, é por isso que a gente homenageia os nossos mais velhos e agradece quem veio antes, porque sem eles a gente não chegava, e é para isso que a gente está em um espaço como o Cedeca, para que as nossas crianças e os nossos adolescentes também saibam que os futuros podem ser outros. E isso é muito petulante da nossa parte, a gente dizer o tempo todo que os futuros podem ser outros, mas a realidade do trabalho também é que a gente vê isso acontecendo efetivamente ao longo de décadas.

Se o Cedeca Sapopemba tem 36 anos, são 36 anos escrevendo histórias de outras possibilidades. Quando a gente vê as histórias que as famílias contam mesmo e os lugares que a gente vai conseguindo chegar, isso está posto. Acho que o Cedeca é uma trincheira. A gente tem uma luta dentro do Cedeca e, pessoalmente, a partir do lugar do Cedeca Sapopemba, é uma trincheira, eu acho, porque é um espaço que aceita lutar por coisas que em outros lugares não se luta.

Então, acho que a gente está há um ano com um trabalho financiado com crianças e adolescentes LGBT no Cedeca Sapopemba, fazendo uma resistência de que é isso. Como é que a gente trabalha a partir desse lugar? Discussões que não são desejadas, que são inclusive proibidas, muitas vezes, nos lugares. Quantos projetos legislativos existem para negar os direitos de crianças e adolescentes LGBT? Quantos efetivamente existem para garantir esses direitos?

Quantos espaços e trabalhos são feitos abertamente dizendo, a gente trabalha com adolescentes travestis que são expulsos das suas casas e que se encontram em situação de exploração sexual, por exemplo, de adolescentes bissexuais que apanham em casa, e que a gente vai ter que nomear isso por esse nome em algum momento. Assim como em outros momentos, outras lutas foram vanguarda que o Cedeca leva para a frente.

Então, acho que esse lugar é muito importante e de uma resistência que cansa a gente. Eu e a Ediane, a gente estava falando quanto a gente anda cansada. Eu sou muito nova para estar cansada, não é? Eu ainda tenho muita luta pela frente. Mas eu acho que é isso. A gente vai ficando cansada porque a gente toca para frente uma luta que não tem fim. A gente sabe que não tem fim, porque não teve fim para quem veio antes da gente.

E é muito difícil ter que dizer para as crianças que para elas também não vai ter fim, para os adolescentes. E que a gente vai andando de pouquinho em pouquinho. E eu acho que essa luta tem um lugar que é muito importante de ser pensado, principalmente aqui na Alesp, de que a gente precisa de financiamento para os nossos trabalhos. A gente precisa de políticas públicas que funcionem.

A gente precisa discutir... O afeto a gente lida no cotidiano. O papo aqui não é sobre afeto. O papo aqui é: por que os Cedecas não têm um financiamento, por exemplo, próprio, dentro do Orçamento? Por que a gente tem que correr atrás de grana em todo lugar e ficar quebrando a cabeça com salário pouco, com...

Meu, às vezes é dinheiro que falta para comida com a molecada e garantir uma oficina que continue uma coisa. Mas os efeitos do nosso trabalho estão postos. Então, que lugar é esse que a gente vai tendo, frente ao poder público, que vai repetindo essa história? Então, acho que algo de estar aqui hoje é um chamado também que a gente.

Quando os nossos tambores tocam, as nossas crianças tocam o tambor, elas afastam a morte. E a morte nesse lugar vai chegando para a gente nesse trabalho estrangulado, nesse trabalho precarizado, que a gente vai ficando exausta de não ter como fazer. A gente só quer fazer nosso trampo. A gente está disposta a fazer tanta coisa. A gente vai no além do além do além, para estar junto com um adolescente, para estar junto com aquela família, para pensar a partir de um outro lugar.

Mas quem está conosco? Então, acho que... Quem está financiando os nossos trabalhos? Por que a gente está tão desfinanciado dessa forma? Por que a gente fica batendo cabeça sobre nota fiscal e as coisas que a gente tem que ir inventando de fazer para conseguir ter um administrativo no Cedeca para cuidar das contas e da Receita Federal? Sabe assim?

Então, a gente faz nó em pingo d'água. A luta é longa, a luta não acaba. E acho que isso é uma cobrança a ser feita neste espaço. Acho que é preciso que a gente se organize também neste lugar. E é importantíssima a parceria de mandatos como a da Ediane, que realmente olham para isso e pensam como é que a gente vai ganhando novos espaços de luta.

Acho que eu agradeço muito por estar aqui, eu agradeço muito a escuta. É muito bom ver vocês. Tem rostos que eu conheço já, tem outros rostos que eu não conheço. Acho que o coletivo dos Cedecas, enquanto centros de defesa, a gente não é uma coisa única. Não tem como dizer que um Cedeca é igual ao outro, porque a gente é territorializado, porque a gente vive a partir das nossas realidades.

Mas tem algo de uma ética desse trabalho, tem algo de um desejo. O Cedeca, para mim, é uma semente de justiça. A justiça, como diz a Miriam Duarte, enquanto um desejo de vida, enquanto um desejo de companhia, enquanto um desejo de novas histórias, do direito à memória, do direito a um dia ao bem viver.

Eu agradeço muito a oportunidade de estar aqui, e agradeço a vocês. Que nosso trabalho tenha vida longa e uma vida um pouco menos sofrida. E, aos adolescentes aqui presentes, às crianças: isso é tudo de vocês, que a vida de vocês seja o resultado de tudo que vocês sonharem e que os educadores dos Cedecas, que a gente tenha plantado lugares aí para que vocês tenham no caminho a terra um pouco mais molhada do que um dia a gente teve.

Muito obrigada.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito obrigada, Lígia. Gostaria de saudar também a presença do Movimento Povo Pelo Povo. Salva de palmas, gente. (Palmas.) E do Enu Itan também, que a gente esteve juntos aí, numa audiência pública há pouquinho mais de alguns meses. Uma salva de palmas. (Palmas.)

Bom, gente, em sessão solene, a gente tem uma tradição, não é? Segue um protocolo. O Léo estava ali falando: “Não, tem um protocolo.” Mas a gente fugiu um pouco do protocolo, na verdade, não fugindo. Em geral, a Mesa, ela segue da pessoa que tem o menor cargo institucional para o maior cargo institucional, a ordem das falas. Então, a última fala é sempre de quem tem o maior cargo institucional.

Neste caso, a última fala é da Hévilin Marcelle, que é atendida pelo Cedeca Interlagos, uma jovem que faz parte, que constrói a história do Cedeca Interlagos. É ela que vai fazer a fala de encerramento deste primeiro bloco. (Palmas.)

Eu soube que você quer vir aqui, não é, Hévilin? Pode vir, se quiser. Pode vir.

 

A SRA. HÉVILIN MARCELLE - Estou nervosa, gente. Ai. Calma. Oi, meu nome é Hévilin, tenho 17 anos, e hoje estou aqui como alguém que teve a vida transformada pelo Cedeca, um espaço que não é só de formação, mas de defesa real da nossa juventude.

Eu conheci o Cedeca pelo grêmio estudantil da minha escola, que foi quando eu entrei no curso de direitos humanos. Foi ali que minha perspectiva de vida mudou, mudou a forma como eu enxergo o futuro e, principalmente, a forma como eu enxergo o futuro do nosso País.

No Cedeca, eu aprendi que conhecimento é ferramenta de mudança; que entender nossos direitos, nossa história e nossas condições de vida é parte fundamental de construir uma sociedade mais justa. Aprendi que políticas públicas só existem de verdade quando atingem as pessoas que mais precisam, e que nós, jovens periféricos, devemos estar no centro desse debate.

Sempre tive vontade de ajudar outras pessoas, mas faltava um espaço que mostrasse que isso é possível, e o Cedeca despertou isso em mim. Participei de dois projetos que marcaram o meu caminho, que é o “Desvendando Potências” e o “Direitos Humanos”, onde entendemos que não só o que está escrito na lei, mas aquilo que falta ser cumprido. Ali, aprendi que nossos direitos são reais, mas que ainda não são plenamente garantidos, e que o nosso direito não é um gesto individual, é algo coletivo.

No Cedeca, eu descobri que não somos minorias, somos maiorias, que foram historicamente colocadas à margem; que somos cultura; que somos arte; que somos potência. Quando a juventude entende isso, ela muda a si mesma e ao território onde vive.

O Cedeca abriu portas para a experiência, o conhecimento e para a compreensão das raízes do nosso País. É um espaço que forma o nosso senso crítico, que fortalece a nossa identidade e que prepara os jovens para participarem da vida pública com responsabilidade e autonomia. Foi no Cedeca onde encontrei o incentivo para a profissão que eu quero e para me entender como parte ativa da sociedade.

O Cedeca faz parte da minha história e sei que faz parte de muitos adolescentes também. Meus educadores me ajudaram a construir o meu caminho, quem eu sou de melhor. Eu desejo profundamente que mais adolescentes possam ter essa experiência, porque ter mais Cedecas significa ter mais democracia, mais direito, fortalecer nossos territórios e reconhecer que temos os direitos de existir com dignidade e de construir um País melhor.

Receber esta homenagem aqui hoje mostra o quão importante é o Cedeca. É um reconhecimento do que nós somos. Eu tenho muito a agradecer ao Cedeca, gente.

Muito obrigada. (Palmas.)

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito obrigada, Hévilin. Bom, agora a gente vai passar para um momento de homenagear cada um dos Cedecas. Esse é um momento, um dos momentos de homenagem aqui que a gente vai ter hoje.

Eu acho que, na fala da Ediane, fica muito nítido o porquê que a gente quis ocupar este espaço, trazer esse debate à tona. Eu acho que nesse ano - é importante que a gente faça uma reflexão - vivemos dois momentos que o debate público ficou ocupado por essa pauta.

Um primeiro momento, faz um pouco mais de tempo, ficou popularizado como o debate da adultização na internet. Todo mundo aqui lembra e acompanhou. Mais recentemente, a gente viveu uma tragédia muito grande envolvendo o Gerson Vaqueirinho, lá em João Pessoa, na Paraíba, que teve a vida marcada por falta de assistência, por falta de acolhimento, em diversos momentos de sua vida, o que culminou em uma tragédia, que tomou também a imprensa e chegou ao nosso conhecimento.

Eu acho que, nesses momentos, todo mundo se pergunta: “O que fazer? Qual é a resposta para tudo isso?” A gente chegou à conclusão que a resposta está aqui também. Está no trabalho que vocês fazem, está no trabalho feito pelo Cedeca, está na disputa que vocês fazem do presente e do futuro.

Tem uma frase do Paulo Freire, que é muito importante e que eu gosto muito dessa frase, que ele fala assim, um trecho de uma entrevista. Ele fala: “Eu sou um educador que não tem medo de ser amoroso. Eu amo as gentes, eu amo o mundo. E é porque eu amo as pessoas e amo o mundo que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.” Eu acho que é essa a disputa que o Cedeca tem feito ao longo desses mais de 30 anos. E é por isso que a gente está aqui hoje e tem o prazer de fazer esta homenagem.

Então nós vamos chamar aqui na frente agora cada um dos Cedecas. Vamos começar... Antes disso, eu queria convidar o Coletivo Negra Soul, de novo, para pegar os instrumentos, vão fazer aí o fundo da nossa homenagem. Vamos soar os tambores para espantar a morte, para trazer muita felicidade neste momento.

Então, enquanto eles vão tomando assento, eu queria já convidar algumas pessoas para ficarem de pé. As representantes e os representantes do Cedeca Mariano Kleber dos Santos, o Cedeca da Sé. Peço que fiquem de pé, por favor. E peço também...

Até inverti a ordem, gente. Vou pedir para a Ediane e para o Djalma virem aqui para frente para fazer esse momento de homenagens. Pedi para ficarem em pé, né meninas? Espera aí, espera um pouquinho.

Bom, então podem vir aqui na frente para receber a primeira homenagem. Cedeca Mariano Kleber dos Santos, o Cedeca da Sé, por favor, gente, uma salva de palmas. (Palmas.)

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Bom, gente, vou convidar agora Cedeca Interlagos, o NI. NI, né? Vocês se reconhecem assim, Núcleo Institucional. Podem vir. (Palmas.)

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Bom, gente, o próximo Cedeca a ser homenageado é o Cedeca Mônica Paião Trevisan, Cedeca Sapopemba. Vou chamar todas as pessoas, inclusive o Enu Itan, por favor. Venham todos, todas.

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Gente, tem três Cedecas que não puderam estar presentes, tem um que está a caminho, que está vindo de Limeira, o Cedeca David Arantes. O companheiro está vindo de Limeira, pegou alguns acidentes na estrada, daqui a pouco ele aparece aí. E os outros dois Cedecas, infelizmente, não conseguiram estar presentes, mas vão receber as homenagens, tá bom?

Vou pedir para a Mesa voltar para a sua composição. Pode voltar, por favor. Negra Soul, pode sentar também. Muito obrigada, gente. E agora a gente vai dar início à outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo para o Djalma. Bom, gente, tem uma série de protocolos que temos que seguir aqui, então vou ler um textinho, mas prometo que não vai ser muito longo.

O Colar de Honra ao Mérito Legislativo é a mais alta honraria conferida pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Foi criado em 2015 e é concedido a pessoas naturais ou jurídicas, brasileiras ou estrangeiras, que tenham atuado de maneira a contribuir para o desenvolvimento social, cultural e econômico do nosso estado, como forma de prestar uma homenagem pública e, solenemente, uma justa homenagem. Esta sessão solene homenageia com a outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo, o Djalma Costa. Djalma Costa, por favor, gente. (Palmas.)

Vamos com animação, então. Djalma Costa, mais conhecido como “Dja”, é educador social, formado em Filosofia, natural da Bahia, pai de Esdras e Liz Costa, avô coruja de Bia, Gabi, Pedrinho e Liz, militante dos Direitos Humanos, especialmente de crianças e adolescentes. Na década de 1970, ele participou das comunidades eclesiais de base e deu corpo ao seu ativismo religioso, na inconformidade com as desigualdades sociais e a violência no campo.

Ainda no estado da Bahia, participou da luta pela defesa da terra, contra o latifúndio e grandes fazendeiros, que nada produziam, a não ser o aumento das desigualdades. Foi seminarista em Vitória da Conquista e participou do movimento. Causou perplexidade e desconforto quando solicitou autorização à igreja, para que seu trabalho de conclusão de curso fosse feito junto a profissionais do sexo daquela cidade.

Ainda seminarista, e dessa vez em Salvador, aproximou-se do debate em torno do Estatuto da Criança e do Adolescente. Já residindo na cidade de São Paulo, se engajou na militância em prol de crianças e adolescentes, Moradia e Saúde, em Capela de Socorro e Parelheiros, participando da luta pela implementação dos conselhos tutelares em toda a região.

Nessa época, conheceu o Tuto e o querido frei Reginaldo, dois suíços que amavam o Brasil e, como Djalma, residiam nas favelas do entorno do Autódromo de Interlagos. Somaram forças com a saudosa irmã Agostina, e tantos outros companheiros e companheiras de lutas por direitos nas lideranças dessas comunidades.

Movido pela indignação e sede de justiça social, fez parte da fundação do Sedec Interlagos, que inicia o trabalho na época das grandes rebeliões da antiga Fundação de Bem-Estar do Menor, a Febem. Esteve em grandes complexos, como o Tatuapé e Imigrantes, para auxiliar na mediação das crises que eram instaladas.

Atuou intensamente pela municipalização das medidas socioeducativas, e no fechamento desses grandes complexos. Na inconformidade com a morte violenta e precoce de crianças e adolescentes, por criminosos e pelo braço armado do estado, Djalma e seus companheiros e companheiras, alimentados pela utopia e pela inconformidade com tanta desigualdade, com tantas violências e violações, iniciam debates em torno da construção de uma nova organização, o Centro de Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes, o Cedeca Interlagos.

O ano era 99. Foi membro da Cooperativa de Consumo Margarida Alves Copema, na década de 90, numa parceria de luta entre o campo e a cidade. É membro da Central de Movimentos Populares, ao lado de Raimundo Bonfim, Graça Xavier e Eduardo Cardoso, em São Paulo. Foi presidente da primeira gestão do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, o CMDCA, da cidade de São Paulo no início da década de 90, quando ajudou a fundar o Fundo Municipal dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, o Fumcad.

Atualmente faz parte, novamente, da Diretoria colegiada do Cedeca Interlagos e foi eleito em assembleia para representar esse centro de defesa na coordenação da Associação Nacional dos Direitos da Defesa da Criança e do Adolescente, Anced, onde foi eleito por dois mandatos consecutivos, somando três coordenações dessa associação. Representando a Anced, esteve como conselheiro do Conselho Nacional de Direitos das Crianças e Adolescentes, o Conanda.

Djalma trabalha há décadas com movimentos de cooperação internacional, apoiando diversos movimentos sociais na luta por direitos humanos, na luta pela terra, moradia, com MTST, questões indígenas, guaranis e yanomamis, e ambientais, direitos das mulheres, na Marcha Internacional das Mulheres e Soberania Alimentar, Conselho das Domésticas, da Sindoméstica, entre outras lutas.

Esse é um pouquinho do que o Djalma é. Uma página e meia de uma trajetória de muitos anos e que muita gente aqui acompanhou, testemunhou e é fruto também dessa luta, desse engajamento.

Então, neste momento, a gente vai fazer a outorga do Colar de Honra ao Mérito. Vou pedir para... Vamos fazer aqui embaixo, então. Vou pedir para toda a Mesa descer. Por favor. E agora a deputada Ediane Maria vai fazer a entrega do Colar de Honra ao Mérito Legislativo. Vamos ficar em pé, todo mundo, para prestigiar este momento.

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Olhe que momento histórico. Quero uma salva de palmas para o Djalma, por todo o trabalho, por toda a construção e para dizer que esta Casa, Djalma, está te homenageando hoje com... (Palmas.) Esta daqui, gente, é a maior honraria do estado de São Paulo e vai ser entregue para o Djalma. Muito obrigada por ser quem é, por construir caminhos seguros. Obrigada. (Palmas.)

 

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- É feita a outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Agora vou convidar o Djalma para vir até a tribuna fazer a fala do homenageado. E a Mesa pode voltar para a mesa. Fique à vontade, gente.

 

O SR. DJALMA COSTA - Bom, difícil é falar depois de tudo isso. Companheiras e companheiros, na figura da Ediane, na Mesa, a Hévilin, a Lucélia e a Lígia, esta é uma plenária histórica. É uma entrega de uma homenagem do estado de São Paulo histórica. Nunca, pelo menos até onde a minha memória alcança, não houve igual. Não é porque eu estou no pescoço com um colar que é de todos nós, mas muito obrigado, Ediane, por, na minha figura e do Centro de Defesa, trazer esse reconhecimento ao Movimento de Defesa de Direitos Humanos deste estado, deste País. (Palmas.) Muito, muito, muito, muito obrigado.

Eu quero agradecer profundamente a todas as minhas companheiras e aos meus companheiros de caminhada, de luta, de lágrimas, de alegrias, de festas, que no cotidiano, nós fazemos na lida, dentro do Cedeca Interlagos. Eu quero agradecer a vocês pela paciência histórica que cada um e cada uma de vocês tem na lida, no cotidiano. Vocês sabem muito bem que tudo a que nós nos dedicamos naquele território, naquele lugar, é maior do que nós mesmos. Dizia o grande mestre Pedro Casaldáliga: a nossa luta é maior do que nós, a nossa luta é maior do que nós, a nossa caminhada é maior do que nós”. E eu não fiz outra coisa na minha vida senão me dedicar a isso.

Quero agradecer a Interlagos, quero agradecer à Rede de Centros de Defesa de São Paulo. Mas também quero agradecer, na figura da Lucélia, a toda a Rede de Centros de Defesa do País. Em nome da Anced, nosso território, nosso lugar de luta, nosso lugar de enfrentamento, nosso lugar de construção e reconstrução daquilo a que nós nos propusemos, dentro desta caminhada.

Muito obrigado.

E é histórica por isso. Mas também é histórica, não é porque está dando à periferia pela primeira vez. É porque este colar, aqui, sob os cuidados desta Casa, sempre foi entregue à elite deste estado.

E nós, a periferia, na periferia, no Grajaú, na zona leste, na zona sul, na zona norte, no interior do estado, que estamos com o pé no barro, amassando o barro 24 horas por dia, para poder fazer aquilo que o estado às vezes não faz, não cumpre, como já foi dito aqui, não recebemos, não há reconhecimento. (Palmas.) E quando há, há um reconhecimento paternalista, que não enche os olhos de ninguém. E nossas crianças, nossas famílias, nossas comunidades não gostam e não querem esse tipo de homenagem, de maneira nenhuma.

Por que Interlagos recebe este colar? E não é meu, sozinho. Isso aqui é de todo mundo. O Cedeca Interlagos é feito, e foi feito, e continua sendo feito por múltiplas mãos. Mãos de todo... E aqui eu estou lembrando do velho companheiro... Que trabalhamos juntos, que sofremos juntos, aqueles que já tombaram, aqueles que foram. Meu velho companheiro que está fora, não está aqui, mas que com certeza está acompanhando. A minha família, minhas irmãs estão aqui, os meus filhos, os meus pais, enfim, todo mundo. O meu amor, que está aqui. Por que não? Na construção desta caminhada. E um agradecimento especial a todo este coletivo, que entende, que sabe, mesmo naquele momento mais difícil, sabe quando tem que parar e que todo mundo tem que dar as mãos, porque a construção e a reconstrução, ela faz cotidianamente.

Ediane, nós somos feitos e feitas, forjados e forjadas num tipo de barro que você não encontra no Morumbi ou em Alphaville. Nós somos forjados e forjadas com um tipo de argila que encontramos no sonho e na utopia da periferia das grandes cidades e deste País como um todo. Eu estou feliz, em especial, por receber este colar de suas mãos, porque você se parece conosco, com a nossa luta. Você se parece com aquilo que mais nos aproxima um do outro, no cotidiano, quando nós estamos com as nossas famílias. Você veio da periferia, você ocupou uma cadeira neste Parlamento, como mulher negra, trabalhadora doméstica, periférica, do movimento de moradia, e você sabe que nesses quatro anos em que você está sentada nessa cadeira, o que significou para você do ponto de vista da resistência a esta cambada de brancos elitistas, que acham que são melhores do que os outros, que compõem esta Assembleia no estado como um todo.

É verdade, esta Casa é a Casa do Povo Paulista e, portanto, isso aqui deve ser de responsabilidade e deve ser entregue a todo mundo em cada lugar neste estado. Aqui nós temos centros de defesa em Limeira, nós temos centros de defesa em São José dos Campos, nós temos centros de defesa nos quatro cantos da cidade de São Paulo, entendeu? E nós tínhamos em Alto Paulista, que infelizmente não está caminhando agora, porque a conjuntura impediu, e não continua caminhando. Companheiras e companheiros, muito obrigado. Muito obrigado por esta oportunidade, muito obrigado por terem caminhado com a gente.

Eu peço e eu digo isso em nome das crianças e dos adolescentes que estão nesta sala, mas também dos que ficaram lá, no território, que não puderam vir, mas peço licença, principalmente, aos adolescentes e às crianças que infelizmente não puderam chegar aqui. E não é porque não pôde comprar um carro ou ter comprado um bilhete de ônibus para chegar aqui. É porque tombaram antes. Eu peço licença a todos eles por isso. E aí nós podemos fazer um exercício rápido e podemos rapidamente lembrar de quem nós estamos falando. Cada menino e cada menina que nós tivemos, infelizmente, a trágica oportunidade de chorar por eles ou de irmos ao necrotério fazer o reconhecimento do teu corpo.

No ano de 2025, quantas crianças morreram ao bel-prazer de uma bala que se disse que se justifica como perdida? Tanto no Rio de Janeiro quanto na cidade de São Paulo quanto nas principais capitais, mas também no interior deste País. Quantas foram? E quantas não tiveram a oportunidade de comer, de ter comida na mesa para poder comer? Obviamente que a missão central, a espinha dorsal dos Cedecas, dos centros de defesa, é mover por dentro do sistema de justiça. Porque isso nos dá força suficiente para poder encarar o desafio cotidiano e intervir naquilo que nós gostaríamos, no Parlamento, no Executivo e no Judiciário. É nosso trabalho, é nossa luta, é nosso sonho.

E a utopia, companheiras, não é que no ano que vem a gente possa voltar aqui para receber uma homenagem, uma honraria como esta, a utopia é que um dia não precisaremos mais de centro de defesa, não precisaremos mais de Cedeca, porque quando chegar esse dia, a justiça também chegou. É essa utopia que nós levantamos de manhã, que nós dormimos cansados no final da noite e pensando que esse dia vai chegar.

Em nome dessa utopia e de todas as companheiras e companheiros que lutam comigo no cotidiano, eu quero agradecer mais uma vez, muito obrigado. Obrigado quem está aqui e quem está fora. (Palmas.) Obrigado a Interlagos, que me deu a oportunidade de estar aqui neste momento.

Por fim, e só para terminar, eu diria agora, parafraseando uma passagem histórica e bíblica que fez parte da nossa leitura e dos nossos estudos nas comunidades eclesiais de base, lá dos anos 80, dos anos 90, que diz o seguinte: “Agora, Senhor, eu posso morrer em paz”.

Muito obrigado. (Palmas.)

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Depois dessas palavras é até difícil continuar, Djalma. Parabéns, obrigada pelas palavras. Gente, o Cedeca de Limeira chegou, ainda bem que conseguiu chegar. (Palmas.) Queria saudar o presidente municipal do PSOL também, o Gabriel Gonçalves que está aqui. (Palmas.)

Edi, eu vou pedir para você vir aqui na frente de novo, já com o microfone, para fazer a entrega da homenagem para o Cedeca de Limeira e a sua fala de encerramento, tá bom? Então por favor, gente, Cedeca David Arantes, peço que venha aqui na frente também para receber a sua homenagem. (Palmas.)

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - A palavra está com você, Edi, para o encerramento.

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Foi tão rápido, né? Foi muito rápido, muito organizada para tanto tempo de espera para este Colar, para esta homenagem. Bom, eu finalizo aqui esta nossa audiência com o coração, assim como Djalma, mais tranquilo e com a sensação de um dever cumprido, sabe?

Quando eu cheguei aqui, quando eu entrei na Comissão de Segurança Pública, os debates ali são muito duros. Não é fácil estar na Comissão de Segurança Pública, é um lugar difícil, é um lugar árduo, é um lugar que por dois anos eu fiquei ali com muito medo, que o nosso corpo está sempre na mira, ele está sempre na frente da tal bala perdida.

Quando a gente faz desta Casa um instrumento de transformação, um instrumento de trazer quem está pautando a Segurança Pública, quem está lutando para a nossa sobrevivência a gente enche o peito de orgulho.

Eu quero saudar todo mundo que trabalha comigo, meus - não falo assessores – meus companheiros que lutam todos os dias comigo, que acompanham o meu cansaço, que acompanham também a minha alegria, que veem o quanto que eu me renovo todos os dias.

Eu quero uma salva de palmas, e cantar parabéns, para o Zig, eu não poderia terminar esta audiência sem parabeniza-lo. (Palmas.) E vamos cantar! O estado de São Paulo vai cantar parabéns para o Zig.

 

TODOS - Parabéns para você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida. Parabéns para você nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida.

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - E para o Zig nada!

 

TODOS - Tudo!

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Então como é que é? É luta! É luta! É luta! É luta! É vitória! É vitória! É vitória! É vitória!É vitória pra você! Obrigada, Zig. Parabéns, meu amor. (Palmas.) Olha, o Zig ficou todo envergonhado. Mas, Zig, esse aqui é o estado de São Paulo te homenageando, viu?

Eu acho que a gente vai aprendendo com o tempo onde é o nosso lugar, o Djalma trouxe uma coisa muito importante, que é sobre fazer o caminho, né? Eu acho que a gente está construindo esse caminho, e assim como a Lígia colocou, não é fácil. É um caminho árduo, é um caminho com espinhos, é um caminho com várias frustações, várias perdas, mas quando eu vejo também aqui a Hévilin, eu olho e falo: “tem caminho”.

A gente está construindo um caminho seguro, um caminho que as nossas não irão se perder, os nossos não irão se perder no caminho, porque vão falar: “Não, nós já chegamos lá. Alguém cavou esse caminho, alguém sangrou nesse caminho e é esse caminho que eu quero continuar construindo”. Então vamos juntos. Muito obrigada ao Cedecas, muito obrigada às crianças, muito obrigado a todos que estão assistindo agora na TV Alesp, e dizer que a nossa luta não para.

E para encerrar... Nós agora vamos ter que encerrar, é? Não vai encerrar, né? Qual é o Cedeca que chegou? Uma salva de palmas aqui para o nosso Cedeca de Osasco, vamos também homenageá-los.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - É isso.

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Estamos chegando, viu, Djalma. Todos, todos.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Podem vir os representantes do Cedeca de Osasco, por favor. Podem vir. (Palmas.)

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Agora sim, Edi.

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Ele quer fazer uma fala, rapidinho. Aqui o microfone.

 

O SR. GILBERTO - Peço licença à nobre deputada, parabéns pela homenagem. Dizer a importância do Djalma na vida de todas as pessoas que lutam pelos Direitos Humanos. Sou Gilberto, era conselheiro tutelar em Osasco quando nós tivemos uma palestra com um advogado chamado Dr. Rildo. E o Dr. Rildo perguntou: “Em Osasco tem Cedeca?” E aí ninguém sabia o que era Cedeca e passou.

O Claudino era o outro conselheiro tutelar e aí ele falou: “Gilberto, descobri que tem Cedeca lá em Interlagos, vamos lá para a gente conhecer?” E aí nós viemos em cinco pessoas. Fomos lá, o Djalma recebeu a gente, mostrou a casa, mostrou toda a estrutura do Cedeca, falou o que é o Cedeca. Nós nos apaixonamos pela ideia do Cedeca e levamos o Cedeca para Osasco. Nós fundamos a nossa instituição em Osasco, hoje nós temos quatro unidades de Cedeca, atendemos em média 200 crianças por semana, temos várias parcerias, construímos alguns caminhos com o Poder Público para poder trazer fomento.

E quando a Tábata entrou em contato comigo perguntando se eu podia vir - hoje eu concluí um curso na USP e hoje foi o dia da apresentação - eu falei: “Vou sair de lá seis horas e vou lá dar um abraço no Djalma para agradecer a grandiosidade deste homem na luta dos Direitos Humanos”. Muito obrigado. (Palmas.)

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Parabéns.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito obrigada, Gilberto. Agora, sim, Edi, podemos...

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Agora sim? Não, vou encerrar com o Djalma. Vem cá Djalma, nós dois juntos. A sua flor, você esqueceu a sua flor. Osasco. Cedeca Osasco, vamos. Vamos lá então. Vamos encerrar do lado do Djalma, meu grande homenageado.

Esgotado o objeto da presente sessão, agradeço a todos os envolvidos na realização desta sessão solene e assim agradeço a presença de todos.

Está encerrada a sessão solene.

Quero agradecer à TV Alesp, a todo mundo que está assistindo também esta homenagem, que está sendo televisionada e isso é muito lindo. Que bom que o estado de São Paulo, se tinha dúvida onde tem Cedeca, agora vocês sabem e podem contar com eles. Muito obrigada. (Palmas.)

 

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- Encerra-se a sessão às 20 horas e 25 minutos.

 

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