
17 DE DEZEMBRO DE 2025
186ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: CARLOS GIANNAZI, LUIZ CLAUDIO MARCOLINO, REIS, EDUARDO SUPLICY e ANDRÉ DO PRADO
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h00min. Convoca as comissões de Constituição, Justiça e Redação, Transportes e Comunicações e de Finanças, Orçamento e Planejamento, para uma reunião conjunta a ser realizada hoje, às 15 horas, em primeira convocação, e às 15 horas e 16 minutos, em segunda convocação.
2 - LUIZ CLAUDIO MARCOLINO
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
4 - LUIZ CLAUDIO MARCOLINO
Assume a Presidência.
5 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
6 - REIS
Assume a Presidência. Retifica a convocação da reunião conjunta das comissões de Constituição, Justiça e Redação, Transportes e Comunicações e de Finanças, Orçamento e Planejamento de hoje, para que tenha início às 15 horas e 30 minutos, em primeira convocação, e às 15 horas e 46 minutos, em segunda convocação.
7 - LUIZ CLAUDIO MARCOLINO
Por inscrição, faz pronunciamento.
8 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
9 - CAPITÃO TELHADA
Por inscrição, faz pronunciamento.
10 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
11 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Tece comentários sobre o trabalho realizado pelo padre Júlio Lancellotti, e destaca a importância de sua atuação social.
12 - PAULO FIORILO
Para comunicação, faz pronunciamento.
13 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência. Manifesta apoio à atuação do padre Júlio Lancellotti em prol dos moradores de rua.
14 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
GRANDE EXPEDIENTE
15 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Parabeniza o deputado Carlos Giannazi pela realização da audiência pública para discutir a municipalização do Caps Itapeva.
16 - CARLOS GIANNAZI
Para comunicação, faz pronunciamento.
17 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Parabeniza o deputado Carlos Giannazi por seu pronunciamento.
18 - ANA PERUGINI
Por inscrição, faz pronunciamento.
19 - CARLOS GIANNAZI
Para comunicação, faz pronunciamento.
20 - SOLANGE FREITAS
Por inscrição, faz pronunciamento.
21 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Parabeniza a deputada Solange Freitas por sua atuação em prol dos direitos dos autistas. Tece comentários sobre o artigo "A notável expansão das cooperativas digitais", de autoria do economista Ladislau Dowbor. Suspende a sessão, por acordo de lideranças, às 15h41min, até às 16 horas e 30 minutos.
22 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO
Assume a Presidência e reabre a sessão às 16h41min. Convoca sessão extraordinária a ser realizada hoje, dez minutos após o término da presente sessão.
23 - CAIO FRANÇA
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
24 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO
Defere o pedido. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 18/12, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Lembra sessão extraordinária a ser realizada hoje, às 16 horas e 52 minutos. Levanta a sessão às 16h42min.
*
* *
ÍNTEGRA
*
* *
- Assume a Presidência e abre a sessão
o Sr. Carlos Giannazi.
* * *
-
Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
* * *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Presente o
número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus,
iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da
sessão anterior e recebe o expediente.
Dando início a lista de oradores inscritos no
Pequeno Expediente, com a palavra o deputado Itamar Borges. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Fábio Faria de Sá. (Pausa.) Com a palavra o deputado
Valdomiro Lopes. (Pausa.) Com a palavra o deputado Jorge do Carmo. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Rafa Zimbaldi.
(Pausa.) Com a palavra a deputada Thainara Faria. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Luiz Claudio Marcolino, que fará uso regimental da tribuna. Enquanto
Vossa Excelência se dirige à tribuna, vou fazer aqui uma convocação.
Nos termos do disposto do art. 18,
inciso III, alínea “d”, combinado com o art. 68, ambos do Regimento Interno,
convoco reunião conjunta das comissões de Constituição, Justiça e Redação,
Transporte e Comunicações, Finanças, Orçamento e Planejamento a realizar-se
hoje, às 15 horas, e em seguida uma convocação às 15 horas e 16 minutos no
Salão Nobre Campos Machado, com a finalidade de apreciar o Projeto de lei nº
1.373, de 2025, de autoria do Sr. Governador.
Com a palavra o deputado Marcolino.
O SR. LUIZ CLAUDIO MARCOLINO - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Cumprimentar o Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs.
Deputados, funcionários da Assembleia Legislativa. Sr. Presidente, ontem nós
conseguimos aprovar aqui um projeto importante do nosso mandato, que é o
Projeto de lei nº 656, de 2024, que é o projeto que institui a política
estadual de negócios de impacto e cria o comitê estadual para incentivo aos
investimentos em impacto no estado de São Paulo.
O objetivo
desse projeto é fortalecer o ecossistema de inovação e tecnologia, criar
segurança jurídica para negócios de impacto, aliar São Paulo a estratégia
nacional de economia de impacto - que se chama Enimpacto - e projetar o estado
de São Paulo como uma referência nacional em negócios de impacto.
Esse projeto,
que nós apresentamos hoje, já vem sendo estruturado em outras partes do Brasil,
porque você tem esse Enimpacto, que é a criação de um ambiente de negócios para
a parte de tecnologia de sistema no Brasil como um todo. E nós já temos alguns
estados que já o aprovaram: o estado de Alagoas, o estado do Ceará, o estado do
Espirito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio
Grande do Norte. Então esses estados já aprovaram esse projeto que chama
Enimpacto.
Nós
apresentamos junto ao nosso projeto também essa criação desse comitê estadual
que vai ter como representantes desse comitê estadual o próprio Governo do
Estado de São Paulo, a partir de suas representações, universidades públicas, o
Centro Paula Souza, e entre outros. Então é importante que nós estamos
apresentando aqui um projeto que é para construir esses espaços, que a gente
fala, de inovação.
Nós tivemos um
seminário organizado pelo nosso mandato, e parte da Frente Parlamentar da
Ciência, Tecnologia e Inovação aqui no estado de São Paulo, a qual eu coordeno
essa frente parlamentar, um diálogo com o Ministério da Saúde, com a Secretaria
Estadual de Saúde, e os dois trouxeram aqui a proposta de saúde digital. É uma
adequação, uma necessidade para o estado de São Paulo.
Mas não existe
uma legislação, não existe uma segurança jurídica hoje para que você possa
fazer alguns investimentos, algumas ações, no caso da saúde digital, porque não
tem uma regulamentação. Essa lei que nós apresentamos ontem, e foi aprovada,
vai criar justamente essa segurança jurídica para que possa ser feito o
processo de inovação no estado de São Paulo com a segurança jurídica
necessária.
Esse
ecossistema que nós chamamos de inovação, parte do princípio de que tem que ter
um diálogo com as universidades, tem que ter um diálogo com os centros,
inclusive, de pesquisas no estado de São Paulo e essa nossa lei vai abrir
justamente essa possibilidade de investimento a partir da Fapesp e outros
fundos também, de fazer o investimento necessário para a parte de inovação no
estado de São Paulo.
Então, vai
estimular novos negócios, o acesso ao crédito, inclusão de pequenos produtores,
povos indígenas, comunidades quilombolas e essa criação desse comitê estadual
que nós apresentamos na lei.
Então, essa
legislação que São Paulo passa a ter, a partir da aprovação no dia de ontem,
vai ser muito importante para o desenvolvimento do nosso estado. E eu queria,
inclusive ainda nesse ponto, algumas áreas que esse projeto pode atuar:
Ele pode atuar
nas soluções para problemas sociais e ambientais, gerando inclusão, renda,
bem-estar social, inovação e desenvolvimento econômico, além de contribuir para
alavancar mercados em diversas áreas, como produção de energias renováveis, o
turismo, produção de frutas, entre outras.
Então, quero
deixar aqui à população do estado de São Paulo, o projeto que foi aprovado no
dia de ontem, nº 656/2024. Agora esperamos que esse projeto não siga na linha
em que os demais projetos desta Casa acabam sendo aprovados, depois vetados
pelo governador Tarcísio.
Então, essa é
uma adequação necessária, importante para o estado de São Paulo. Esse projeto
foi dialogado, inclusive, com a Secretaria, hoje, do estado de São Paulo, que
atua nessa área junto também com a Universidade de São Paulo.
Então,
esperamos que esse projeto, como foi um diálogo também com o Governo do Estado
de São Paulo, ele não seja vetado, porque é uma lei que vai ajudar muito no
desenvolvimento do nosso estado.
Queria
aproveitar, Sr. Presidente, para concluir também, como eu tenho dito em todas
as quartas-feiras e venho cobrado aqui publicamente; hoje, já estamos chegando
no final do ano, e o Governo do Estado de São Paulo, a partir da Casa Civil, o
secretário Arthur, ficou de dar uma resposta aos servidores da Saúde em relação
ao bônus, ao prêmio de incentivo, ao Gedamsp e ao vale-alimentação, que hoje é
de apenas 12 reais, pagos aos servidores da Saúde.
Já na semana
passada, que era para dar a resposta, não deu. Estamos chegando ao final da
semana, a última semana do nosso espaço aqui no Parlamento Estadual, e até
agora o secretário Arthur não deu a resposta para os servidores da Saúde.
Então, é
importante que o Governo cumpra a sua palavra, cumpra o que foi apresentado na
mesa de negociação e chame o Sindicato do SindSaúde, e apresente quando será
pago o prêmio de incentivo, quando será pago o Gedamsp, o bônus, para quando
será feito o pagamento do bônus dos servidores da Saúde.
Visto que a
Educação e a Segurança Pública já receberam o bônus, falta receber o bônus da
Saúde e os demais servidores também do estado de São Paulo. E também a questão do
vale-alimentação, que é importante porque apenas 12 reais é impossível de se
alimentar, com 12 reais. Muito obrigado, Sr. Presidente.
Queria que essa
minha fala aqui, do dia de hoje, seja encaminhada ao secretário Arthur, da Casa
Civil; ao secretário da Saúde; ao secretário de Gestão Digital e ao secretário
da Fazenda, porque são as quatro secretarias que eram responsáveis por garantir
o pagamento aos servidores da Saúde na negociação desse ano.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Esta
Presidência acata o pedido de V. Exa. e fará os encaminhamentos solicitados.
Com a palavra o deputado Donato.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Alex Madureira. (Pausa.) Com a palavra o deputado Reis, que fará uso
regimental da tribuna.
O
SR. REIS - PT- SEM
REVISÃO DO ORADOR - Presidente, deputado Carlos Giannazi, ontem nós votamos
aqui o Orçamento para 2026.
Eu fiz algumas
emendas, praticamente 185 emendas ao Orçamento, e o relator acatou, na forma de
subemendas, cento e cinquenta e cinco. E dessas 155 emendas acatadas, 131
emendas para a Segurança Pública.
Eu achei
interessante o que o relator fez, mas ele acatou na forma de subemendas, e eu
acho que outros deputados também fizeram emendas nesse sentido. Ele juntou tudo
e criou as subemendas. Então, das 185 emendas, ele acatou 155. Dessas 155, ele
acatou 131 emendas que têm relação com a Segurança Pública.
Mas, por
exemplo, eu apresentei a Emenda nº 28.039, que previa a aquisição de 500
viaturas para a Polícia Civil. Ele acatou essa emenda, só que colocou o valor
para atender essa emenda de cinco milhões de reais. Eu fiz um cálculo que, se
uma viatura custa em torno de 150 mil reais, 130, dependendo da viatura, 130 ou
150 mil, não vai atender as 500 viaturas. Vai atender cerca de 38 viaturas, o
que não resolve o problema de uma seccional, se a gente pensar nas seccionais
que tem em São Paulo, a quantidade de delegacias que tem essas seccionais.
Para o Iamspe,
também, ele acatou a Emenda nº 28.056, que prevê um acréscimo no Orçamento, de
400 milhões para o Iamspe. Porque o que foi aprovado no ano passado, os cerca
de 2,4 bilhões do Iamspe, que se arrecada dos trabalhadores, o governo teve que
acrescentar mais 200 milhões. E ontem o governo teve que autorizar mais 190
milhões para fechar o ano. Ou seja, o Orçamento deste ano vem menos 17% para o
Iamspe. Se ele colocasse os mesmos 200 milhões do ano passado, ainda nós
teríamos, para fazer uma comparação deste ano e do ano que vem, pelo menos,
mais 200 milhões.
Então a conta,
realmente, quando nós fizemos, colocando 400 milhões, nós fizemos de forma
acertada. Mas o relator acatou a emenda, na forma de subemenda, estabelecendo
100 milhões. Ou seja, muito aquém daquilo que será necessário para garantir o
mínimo de atendimento aos servidores públicos, que têm reclamado muito. E para
ampliar os serviços, para que o Iamspe possa ampliar esses serviços para o
interior, dar um atendimento melhor para os servidores do interior, precisa de
mais recursos.
O governo
precisava colocar pelo menos a paridade. A saúde do trabalhador tem que ser
custeada 50% pelos trabalhadores e 50% pelo patrão. No caso, o patrão é o
governo. E o que o governo faz? Ele vai administrando o Iamspe naquelas
condições precárias, vai gastando aquele dinheiro que vai sendo arrecadado e,
quando chega no final do ano, ele fala “Faltou tanto?” E ele complementa. Mas
ele não amplia a prestação de serviço, ele não melhora as condições de
atendimento do servidor. E o que nós queremos é que o servidor possa dar um
atendimento de excelência.
Então, nas
emendas que nós colocamos para Segurança Pública, por exemplo, veio lá: dez
milhões para o policiamento ostensivo; dez milhões para o “Muralha Paulista”;
40 milhões para a construção e reforma de quartéis; cinco milhões para a
Ouvidoria; cinco milhões para o atendimento à saúde do policial militar, que
também está precária - o HPM está muito deficitado no atendimento aos policiais
militares; 30 milhões para a construção e readequação de bombeiros; 15 milhões
para equipamentos, veículos e armamentos da Polícia Civil.
Uma emenda que
eles acataram... Por exemplo, nesses equipamentos, veículos e armamentos, a
gente tinha previsto 75 milhões. Nós fizemos uma emenda prevendo 75 milhões. O
governo acatou 15 milhões. O relator acatou 15 milhões. Construção, adequação e
infraestrutura para a Polícia Civil, 30 milhões.
Nós tínhamos
colocado 500 mil reais para cada delegacia na Capital, para seccionais, para
realmente atender às reformas emergenciais que esses prédios, às vezes, muito
antigos, estão carecedores. Porque, no governo anterior, ele vinha com um
programa de reforma de delegacias, mas o governador atual arrefeceu esse
programa, esfriou esse programa. Ou seja, não está na mesma batida do que
estava no governo anterior. Então muitas delegacias que poderiam estar sendo
reformadas, não foram reformadas.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Luiz Claudio Marcolino.
* * *
E aí nós colocamos no Orçamento para que se
garantisse o mínimo de reforma estrutural nessas delegacias. Mas o relator
acatou. Sim, é verdade. Não vou dizer que ele não acatou, mas só que o valor
também ficou muito baixo, porque 30 milhões não vai dar para fazer muita coisa.
Então, presidente, eu estou para dizer que esse foi um ano, praticamente, um
ano perdido para a polícia, principalmente para a Polícia Civil.
Nós não tivemos
aqui a Lei Orgânica, a regulamentação da Lei Orgânica Nacional tão prometida.
Nós não tivemos a valorização dos policiais, o governador deu um reajuste
irrisório de cinco por cento. Não corrigiu as extorsões com relação àquele
aumento escalonado. Não reajustou o vale-refeição dos servidores da Segurança
Pública. Não aumentou o teto para os policiais, para que eles pudessem todos
ter direito... Aumentar o número de policiais para ter direito a esse
vale-refeição.
Ou seja... Além
dos projetos que foram vetados. Os projetos que os policiais esperavam que
fossem sancionados, esses projetos - a questão da gratuidade no transporte
intercidades - o governador vetou; a Funcional Digital, o governador vetou; o
fim da prova oral, o governador vetou; o programa de atenção às policiais
gestantes, o governador vetou; a prisão especial para aqueles policiais, para
os guardas municipais, que não tem direito à prisão especial, ele também vetou.
Então todos os
projetos para a Segurança Pública, projetos importantes da Segurança Pública,
que foram debatidos, que foram debatidos junto com os policiais e que eles
esperavam que o governador pudesse sancionar, esses projetos não foram
sancionados, foram vetados. Então valorização zero, projetos vetados,
estruturação das carreiras zero, Lei Orgânica da Polícia Civil zero. Ou seja,
foi um ano muito difícil e um ano de pouco resultado.
Eu acho que a
única vitória que nós tivemos foi a que o Supremo nos concedeu, que foi a que
os servidores públicos não sejam mais despromovidos. Aliás, a gente precisa
cobrar da Polícia Civil para aplicar, sim, a decisão do Supremo Tribunal
Federal, que o servidor que não tinha cinco anos no cargo, no nível, ele
voltava para o nível anterior, para a classe anterior. E isso daí o Supremo
garantiu a nossa ação, que nós impetramos no Supremo Tribunal Federal,
garantiu, sim, que é inconstitucional e o Estado tem que aplicar.
A Assembleia
Legislativa já foi lá no site dela, já colocou nessa lei lá, a classe ou nível
riscou, falou que realmente foi tirado da lei por conta dessa Adin nº 7.676. A
gente precisa que o governo, que a SPPrev, que é a mais preguiçosa para atender
o ordenamento jurídico, que ela entenda que tem que, sim, aplicar essa decisão
do Supremo Tribunal Federal.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR PRESIDENTE - LUIZ CLAUDIO MARCOLINO - PT - Dando
sequência aos oradores aqui no Pequeno Expediente, com a palavra o deputado
Eduardo Nóbrega. (Pausa.) Deputada Solange Freitas. (Pausa.) Deputado Marcelo
Aguiar. (Pausa.) Deputada Beth Sahão. (Pausa.) Deputado Dirceu Dalben. (Pausa.)
Deputado Capitão Telhada. (Pausa.) Deputado Jorge Wilson Xerife do Consumidor.
(Pausa.) Deputado Danilo Campetti. (Pausa.) Deputado Atila Jacomussi. (Pausa.)
Deputada Carla Morando. (Pausa.) Deputada Profª Camila Godoi. (Pausa.)
Deputada Ediane Maria. (Pausa.)
Deputado Major Mecca. (Pausa.) Deputado Rogério Santos. (Pausa.) Deputado
Eduardo Suplicy. (Pausa.) Deputado Vitão do Cachorrão. (Pausa.) Deputada Ana
Perugini. (Pausa.) Deputado Agente Federal Danilo Balas. (Pausa.) Deputada
Professora Bebel. (Pausa.) Deputada Maria Lúcia Amary. (Pausa.) Deputado Caio
França. (Pausa.) Deputado Thiago Auricchio. (Pausa.)
Deputado Marcos Damasio. (Pausa.)
Deputada Leci Brandão. (Pausa.) Deputado Paulo Mansur. (Pausa.) Deputado Edson
Giriboni. (Pausa.) Deputado Rômulo Fernandes. (Pausa.) Deputado Rodrigo Moraes.
(Pausa.) Deputado Enio Tatto. (Pausa.) Deputada Dani Alonso. (Pausa.) Deputada
Letícia Aguiar. (Pausa.) Deputada Fabiana Bolsonaro. (Pausa.) Deputada Andréa
Werner. (Pausa.)
Entrando na Lista Suplementar, Deputada
Márcia Lia. (Pausa.) Deputado Agente Federal Danilo Balas. (Pausa.) Deputada
Thainara Faria. (Pausa.) Deputado Valdomiro Lopes. (Pausa.) Deputado Capitão
Telhada. (Pausa.) Deputado Sebastião Santos. (Pausa.)
Deputado Carlos Giannazi. Tem V. Exa.
pelo tempo regimental de cinco minutos do Pequeno Expediente.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - SEM
REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Marcolino, deputado Reis,
telespectador da TV Assembleia, Sr. Presidente, eu quero aqui divulgar uma
notícia importante, uma conquista do nosso coletivo Educação em Primeiro Lugar.
Nós ingressamos
com uma ação popular no Tribunal de Justiça aqui em São Paulo contra essa farsa
da Avaliação 360, representada por resoluções extremamente autoritárias, como a
143, número 4, como a Portaria Conjunta Coped/CGRH de 13/09/2024, pedindo a
revogação desses instrumentos autoritários que tanto têm penalizado o
Magistério Público, impondo um clima de terror, um clima de medo na rede
estadual de ensino, afastando professores das suas respectivas escolas,
promovendo um dos maiores afastamentos em massa do Magistério Estadual.
Isso vai
desestruturar todas as nossas escolas, todos os projetos pedagógicos. Nós vamos
ter o rompimento do vínculo pedagógico, social, afetivo e emocional desses
professores com os alunos, com a comunidade escolar, porque é o maior êxodo que
nós já vimos na rede estadual de ensino, talvez em uma rede de ensino do Brasil
e do mundo, onde professores ficam agora à disposição das diretorias de ensino,
são colocados em uma espécie de leilão para serem escolhidos por outros
diretores que acharem que esses professores têm a ver com o perfil que
interessa a esses gestores escolares.
Então, todas
essas resoluções deram nisso. Estão promovendo um verdadeiro terrorismo no
processo de atribuição de aulas com várias injustiças, com critérios totalmente
obscuros, que afrontam inclusive o Art. 37 da Constituição Federal.
Então, nós
recorremos à Justiça, o nosso coletivo - deputada Luciene Cavalcante, vereador
Celso Giannazi e o nosso mandato aqui -, nós entramos com uma ação popular e a
juíza da vara da Fazenda Pública, da 9ª Vara Pública de São Paulo, da Fazenda
Pública, pediu parecer do Ministério Público estadual; no caso, do Geduc, que é
o grupo de Educação que atua nessa área.
O Geduc, agora,
no último dia 15, publicou um parecer - o parecer é público - apoiando a nossa
argumentação, dizendo que realmente essas resoluções, essas publicações
prejudicam de fato os nossos professores, que elas prejudicam a Educação. Está
aqui o parecer do Ministério Público estadual dando embasamento à nossa ação
popular, do nosso coletivo “Educação em Primeiro Lugar”, confirmando que essa
Avaliação 360, esses critérios estabelecidos são todos perversos, nefastos e
cruéis.
Agora, nós
aguardamos ansiosos que a Justiça, que o Tribunal de Justiça de São Paulo dê
uma liminar suspendendo os efeitos dessas resoluções, de tal forma que haja uma
revisão desse processo de atribuição, desse leilão de professores, desse terror
que foi implantado, que está sendo implantado na rede estadual de ensino, onde
projetos pedagógicos serão todos banidos, desestruturados das escolas.
Os professores
ficarão totalmente sem estabilidade alguma, não poderão nem organizar as suas
vidas corretamente, porque não sabem onde vão lecionar. Estão à mercê da
escolha de outras escolas, de outros professores, não têm mais direito nem à
lotação. Estou falando aqui de professores efetivos também, professores
concursados que têm lotação em determinada escola e não terão mais, por conta
dessas resoluções que agridem o Estatuto do Magistério. Agridem, violam vários
artigos do próprio Estatuto do Funcionalismo Público Estadual, lei aprovada em
1968, e outros documentos legais da Educação. É um absurdo. E a própria
Constituição Federal, no seu Art. 37, que trata da questão dos princípios da
Administração Pública.
Então, estamos
aqui esperando, Sr. Presidente, que o Tribunal de Justiça tome as devidas
providências para salvar o Magistério de São Paulo contra todos esses ataques
da Secretaria da Educação.
Então, está
aqui, tenho que dividir aqui, compartilhar esse importante parecer do
Ministério Público estadual, do Geduc, dizendo exatamente isso, que não dá para
ter critérios subjetivos e autoritários impostos pela Secretaria da Educação,
prejudicando milhares e milhares de professores e professoras em todo o estado
de São Paulo, que terão as suas vidas funcionais extremamente prejudicadas,
sobretudo, também, Sr. Presidente, aqueles professores que acumulam cargos, que
têm cargos na prefeitura ou dois cargos na rede estadual. Vai ser muito difícil
conciliar esses acúmulos de cargos, e muitos ficarão sem aulas.
É um absurdo,
Sr. Presidente, o que esse secretário da Educação, o que a gestão
Tarcísio/Feder está fazendo com a Educação do estado de São Paulo. Na minha
opinião, e de muitas pessoas, trata-se de um projeto de destruição da maior
rede de ensino.
Nada disso é
feito de forma inconsciente, por incompetência administrativa. É algo
deliberado para destruir a rede estadual, para privatizá-la, para que ela seja
militarizada e que ela se torne um ativo financeiro, Sr. Presidente, para
transferir os mais de 30 bilhões de reais da Secretaria da Educação para
empresas privadas, como foi aprovado agora nesse Orçamento antipopular e
antidemocrático, na data de ontem, que vai transferir mais de R$ 85 bilhões
para os grandes grupos econômicos.
A Assembleia
Legislativa aprovou aqui um Orçamento que criou a Bolsa Empresário, que vai
beneficiar grandes grupos econômicos, muitos deles devedores da dívida ativa.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Reis.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Chamo para fazer uso
da palavra o deputado Danilo Campetti. (Pausa.) O deputado Luiz Claudio
Marcolino. Antes do deputado Marcolino falar, eu tenho que fazer uma
retificação.
Esta Presidência retifica a convocação
da reunião conjunta de hoje para apreciar o Projeto de lei nº 1.373, de 2025,
para fazer constar seu início às 15 horas e 30 minutos e, em segunda
convocação, às 15 horas e 46 minutos, mantidas as demais condições. Tem V. Exa.
o tempo regimental de cinco minutos.
O
SR. LUIZ CLAUDIO MARCOLINO - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, no dia de ontem foi aprovado aqui o
Orçamento de 2026, com o voto contrário do Partido dos Trabalhadores, porque
nós levantamos aqui os itens aprovados ontem pela base do governo Tarcísio, que
justamente tira recursos de algumas áreas importantes para o desenvolvimento do
estado de São Paulo. Nós vimos, ao longo desse último mês, um debate no País
sobre o combate ao crime organizado, não só aqui no estado de São Paulo, mas em
todo o País.
E, na hora em
que a gente olha para o Orçamento que foi apresentado pelo governador Tarcísio,
o governo retira 340 milhões de reais do combate ao crime organizado, quando
comparamos com o Orçamento de 2025. Mesmo com o remanejamento que foi feito no
dia de ontem na Comissão de Finanças e Orçamento, aumentou apenas 15 milhões de
reais.
Uma outra área
também sensível e importante, que nós estamos vendo praticamente todos os dias
no noticiário, os jornais trazendo a questão do feminicídio, que é um problema
hoje sério para o estado de São Paulo, que é necessário que haja uma punição
mais severa para os assassinos que hoje cometem o feminicídio no estado de São
Paulo, mas é necessário que também haja políticas públicas para a defesa da
mulher, que tenhamos garantias de direitos.
E a gente olha
para o Orçamento, o governador Tarcísio retira da Secretaria de Políticas para
a Mulher - já era um recurso pequeno, de apenas 36 milhões em 2025 - e ele
reduz para 16,5 milhões de reais para o ano de 2026. Isso não garante sequer o
recurso para o custeio dos servidores que trabalham nessa secretaria. Então
demonstra que nem em relação ao combate ao crime organizado ou ao combate ao
feminicídio no estado de São Paulo por políticas públicas para a Mulher, o
governador Tarcísio não tem essa preocupação.
Outra área em
que também teve redução foi a Secretaria de Transportes Metropolitanos: reduziu
de 13,4 bilhões de reais para 11,6 bilhões de reais. Reduziu da Secretaria da
Pessoa com Deficiência de 72,7 milhões de reais no ano passado para 66,7 milhões
de reais para o exercício de 2026.
Uma outra
secretaria em que houve redução foi a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e
Habitação. Nós temos rodado bastante o estado de São Paulo e percebemos que tem
um investimento fortíssimo do governo federal no “Minha Casa, Minha Vida”,
“Minha Casa, Minha Vida - Cidades”, “Minha Casa, Minha Vida - FAR”, o FNHIS,
programas estruturados do governo federal para garantir a moradia de interesse
social.
E a gente olha
para o Governo do Estado de São Paulo: reduziu de três bilhões e 44 milhões,
que foi o exercício de 2025, para o ano que vem reduziu para 2,118 bilhões de
reais, mais de 30% de redução em relação à habitação de interesse social. Uma
outra área que foi reduzida, a de Esportes: caiu de 419 milhões de reais para
274 milhões de reais, uma redução de 145 milhões de reais na área de Esportes,
34.72.
Eu trouxe
algumas dessas secretarias porque o esporte é importante para o desenvolvimento
da juventude do nosso estado. A Secretaria de Transporte Metropolitano - o
governo fala tanto em relação ao Metrô, CPTM -, as linhas que estão sendo
entregues são linhas que vêm do governo Alckmin, do governo Doria, do Rodrigo
Garcia, não tem nenhuma linha nova estruturada pelo atual governo, e agora
reduz o recurso.
Prometeu que
faria o trem intercidades, ligando regiões metropolitanas do estado de São
Paulo, que é importante para o desenvolvimento do estado de São Paulo - não o
fez e agora retira recursos do Orçamento para 2026.
Então essas
questões que nós estamos apresentando de retirada de recursos comparado com o
Orçamento de 2025 demonstram que o governador Tarcísio não tem uma preocupação
com o desenvolvimento do estado de São Paulo, não tem uma preocupação com o
servidor público, porque não aponta um percentual de reajuste para o ano que
vem. Não faz a contrapartida como deveria para o Iamspe, que é importante para
os servidores do estado de São Paulo ter um atendimento de saúde de qualidade.
Então eu faço
questão, como vice-presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, de trazer
esses pontos ora apresentados no Orçamento do dia de ontem, que na nossa
bancada do Partido dos Trabalhadores nós votamos contrariamente a essa proposta
de Orçamento apresentada pelo governador Tarcísio, porque não é uma proposta de
Orçamento que, de fato, representa as necessidades do povo do estado de São
Paulo.
Eu queria
finalizar. Como praticamente é a última sessão de 2025, desejar um feliz Natal,
um feliz Ano Novo para quem está nos acompanhando pela TV Assembleia, também
para os servidores da nossa Assembleia Legislativa, que, durante 2025, ajudaram
muito na organização dos nossos trabalhos, para as assessorias de todos os
deputados, para a Polícia Militar, para a Polícia Civil, que garantem a
segurança e o bom funcionamento da nossa Assembleia Legislativa.
Então eu queria
desejar a todos e a todas, funcionários e assessores, que fazem com que esta
Assembleia Legislativa possa ser uma Assembleia pujante. Mesmo com todos os
desmandos do governador Tarcísio, esta Assembleia consegue fazer o seu
trabalho.
Então, muito
obrigado, Sr. Presidente.
Feliz Natal,
feliz Ano Novo para todos e todas aqui da Assembleia Legislativa e para quem
nos acompanha também em casa.
Boas festas a
todos.
*
* *
- Assume a Presidência o Carlos
Gianazzi.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Obrigado,
deputado Luiz Claudio Marcolino.
Agora, com a palavra, o deputado
Capitão Telhada, que fará uso regimental da tribuna.
O
SR. CAPITÃO TELHADA - PP
- Uma excelente tarde ao presidente que comanda os trabalhos nesta tarde, a
todos os funcionários civis e militares que nos acompanham na Assembleia e aos
parlamentares, nesta tarde de quarta-feira.
Venho ao
Pequeno Expediente para trazer alguns assuntos,
primeiramente, solidarizar-me com os últimos acontecimentos graves,
violentos em relação às intempéries que o litoral norte tem sido vítima, tem
sido atingido na data de ontem, de terça-feira para a data de hoje,
principalmente o município de Ilhabela, que sofreu com praticamente 150
milímetros de chuvas fortes, localizadas em um pequeno território, muito
próximo à cidade, e ocasionou enchentes, deslizamentos, inclusive dois óbitos,
duas pessoas de idade lá na cidade de Ilhabela que acabaram sendo vítimas
fatais desses eventos catastróficos, eventos críticos, climáticos, que São
Paulo, o Brasil e o mundo, infelizmente, têm testemunhado nos últimos anos.
E é por isso,
presidente, e é por isso que todos que nos acompanham pela Rede Alesp, começam
a ter a consciência do porquê que a gente busca justamente ajustar o recurso no
Orçamento para a Defesa Civil, para a Secretaria, hoje, Coordenadoria e
Proteção de Defesa Civil, Casa Militar, que em São Paulo é a Secretaria, é a
pasta responsável, não só pela prevenção, pela educação dos jovens, pela
preparação dos municípios, das equipes, da capacitação dos agentes da Defesa
Civil, mas também é responsável pela resposta justamente nesses momentos
críticos.
Então, quando a
gente busca trazer recurso, trazer investimento, quando a gente coloca,
inclusive, emendas nossas, dos parlamentares, para aquisição de viatura, para
aquisição de equipamento, para aquisição de uniforme, de equipamentos
individuais, de capacitação para os homens e mulheres que compõem as Defesas
Civis Municipais, é justamente para procurar dar um suporte para que eles
consigam prestar um serviço agora, como o pessoal da Defesa Civil de Ilhabela
ou de São Sebastião estão trabalhando nesse momento, procurando agora socorrer
pessoas, de alguma maneira diminuir os estragos, os efeitos que os eventos climáticos
causaram na cidade, e hoje tem toda uma recuperação.
Então, a minha
solidariedade, primeiramente, às famílias que tiveram entes queridos,
infelizmente, vítimas fatais dessas fortes chuvas na Ilhabela, e também a minha
solidariedade aos homens e mulheres que estão trabalhando frente a essa crise,
e ao Poder Municipal, ao prefeito Colucci, que, nesse momento, tem acompanhado
aqui as notícias, estão numa força-tarefa gigantesca. Podem ter certeza que o
nosso mandato aqui, do Capitão Telhada e toda a Assembleia Legislativa está à
disposição para ajudar no que for necessário.
Falando de
baixada, falando sobre o litoral, eu quero noticiar a quem nos acompanha que
está começando nessa semana a Operação Verão, operação de segurança das
polícias, Polícia Militar, Polícia Civil, a Secretaria de Segurança Pública,
toda direcionada, com efetivo, com reforço operacional para todos os municípios
da Baixada, do Litoral Paulista, lá de Ubatuba, Litoral Norte, a toda Baixada
Santista, até o extremo, lá em Cananéia, divisa com o Paraná.
E eu tenho os
números aqui que eu peguei com o comando da Polícia Militar, nós teremos um
efetivo total de reforço esse ano, agora, essa Operação Verão 2025-2026, com
4.097 policiais militares, um aumento de praticamente 700 homens em relação à
última Operação Verão.
Tinham sido
3.338 homens, esse ano teremos 4.097 homens, com entrega de 235 viaturas zero
quilômetros para a Polícia Militar, ou seja, para a população, porque todas
essas viaturas serão utilizadas na Operação Verão e, posteriormente,
continuarão a serviço do cidadão de bem, levando condições de que o policial
consiga trabalhar e cumprir com suas missões condicionais de combate ao crime.
E, para
encerrar essa participação aqui no Pequeno Expediente, eu quero trazer a notícia
de que, na data de ontem, no finalzinho da sessão extraordinária aqui, nós
aprovamos o projeto 239 de 2024, de minha autoria, aprovado aqui nas bancadas e
aprovado em plenário, um projeto que traz dignidade, que faz uma justa
equiparação, que traz justiça funcional para os policiais penais.
Nós temos a
Dejep, que é a diária extraordinária que o policial penal faz no seu momento de
folga, e somente os policiais penais ainda tinham o desconto de Imposto de
Renda. A Dejem da Polícia Militar e a Dejec da Polícia Civil já estavam
incorporadas à Lei nº 17.293, que reconhece essas diárias extraordinárias como
caráter indenizatório. Ou seja, não tinham o desconto de Imposto de Renda. E a
Polícia Penal ainda estava sofrendo esse desconto, esse IR.
Com o nosso Projeto
239/24, a gente também trouxe, presidente, a Polícia Penal para dentro dessa
Lei nº 17.293, em que já estavam a Polícia Civil e a Polícia Militar. A partir
da sanção do nosso governador, esse projeto vai ser autografado aqui na
Assembleia, vai seguir para a deliberação do governador e, a partir da sanção
do governador, sendo aprovada e virando lei, os policiais penais deixarão de
ter, de perceber o desconto do Imposto de Renda.
Ou seja, se
equiparam à Dejem e à Dejec da Militar e da Civil, a gente traz um aumento real
com essa iniciativa, para que os policiais deixem de contribuir com o Imposto
de Renda e que esse valor fique líquido, total, para a sua família, para o seu
holerite, ou seja, para a sua renda familiar.
É o mandato do
Capitão Telhada trabalhando pela dignidade, pela valorização real, sem
gritaria, sem fake news, mas com trabalho efetivo para todos os nossos homens e
mulheres da Segurança Pública do estado de São Paulo.
Aproveitando, a
exemplo do deputado Marcolino, feliz Natal, ótimo Ano Novo a todos que nos
acompanham, a todos que trabalham aqui na Assembleia, a todos os funcionários,
a todos os parlamentares. Que Deus os abençoe e que tenham uma ótima passagem,
com paz, com saúde, com seus familiares e que 2026 seja um ano cada vez melhor.
Obrigado,
presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Obrigado,
deputado Capitão Telhada.
Com a palavra agora o deputado Eduardo
Suplicy, que fará uso regimental da tribuna.
O SR. EDUARDO SUPLICY
- PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro presidente Carlos Giannazi, é
com extrema preocupação que tenho acompanhado a questão do fechamento do
serviço de acolhimento para pessoas em situação de rua aqui na Capital.
No fim de
outubro, fiz um pedido no e-SIC, protocolo 92.162, via Lei de Acesso à Informação,
a respeito das vagas de acolhimento pela rede hoteleira que possui parceria com
a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo.
Segundo a secretaria, ainda este mês, serão fechados os 23 hotéis sociais, que
totalizam 2.671 vagas. Desses, oito são voltados a famílias, sendo um
específico para famílias de imigrantes, sete voltados a idosos.
Especificamente
sobre o Centro de Acolhida Especial para Famílias Ebenezer, que acolhe famílias
de imigrantes, fui procurado pelo Centro de Apoio e Pastoral do Migrante, que
gere o serviço e que somente no início desta semana recebeu o aviso de que o
espaço será fechado e as famílias transferidas no próximo dia 20. A organização
está extremamente preocupada com o encaminhamento dos imigrantes para serviços
que não possuem atendimento especializado, além do impacto sobre dezenas de
trabalhadores que perderão seus empregos na véspera de Natal.
A coluna de
hoje de Leonardo Sakamoto também destacou o fechamento do Caef Ebenezer,
considerado uma referência pela ONU no atendimento a refugiados. Em relação à
população idosa, quase 700 idosos serão transferidos para outros centros de
acolhida. Em visita recente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal
de São Paulo a um Centro de Acolhida Especial de idosos, fomos informados de
que faltam vagas nesse tipo de serviço. Inclusive, quando um idoso é internado,
ele perde sua vaga de acolhimento e retorna para a fila. Para onde esses 700
idosos irão?
Em diálogo com
a vereadora Luna Zarattini, foi feito um novo pedido de SIC, Protocolo 92.600,
sobre o processo de transferência das pessoas e a possível abertura de novos
serviços. Na última sexta-feira, a vereadora recebeu uma resposta da SMADS, sem
detalhes ou garantias. A secretaria informou apenas que todas as pessoas
acolhidas em serviço encerrados são reordenadas para a rede socioassistencial,
observando-se o perfil de cada usuário e seu desejo quanto ao encaminhamento.
Relembro que,
segundo dados do Cadastro Único, a cidade de São Paulo tem aproximadamente 100
mil pessoas em situação de rua, enquanto há cerca de 23 mil vagas de
acolhimento. A conta não fecha, faltam vagas e, principalmente, vagas
especializadas para perfis em vulnerabilidades sobrepostas, como idosos,
famílias, imigrantes e população LGBTQIA+. É importante destacar que não basta
transferir essas pessoas para equipamentos gerais: famílias, idosos e
imigrantes têm necessidades específicas, que exigem atendimento especializado.
Imigrantes
precisam de apoio para documentação, curso de língua portuguesa, atendimento em
diferentes idiomas e acolhimento sensível aos conflitos vividos. Famílias
envolvem crianças e adolescentes, que demandam proteção integral. E idosos
demandam um olhar atento à saúde, à mobilidade e ao envelhecimento.
Desconsiderar
essas especificidades é aprofundar a vulnerabilidade. É importante lembrar
também que os centros de acolhida possuem uma dinâmica de funcionamento muito
diferente dos hotéis sociais, com menor grau de autonomia. Assim, regredir para
este modelo pode ser um obstáculo na organização pessoal de todas as pessoas
que estão acolhidas nesse serviço atualmente.
Relembro também
que a Prefeitura não entregou nenhuma unidade habitacional para a população em
situação de rua nos últimos seis anos. Moradia é a principal reivindicação dos
movimentos sociais e deveria receber mais atenção da gestão municipal e
estadual.
Na última
segunda-feira, enviei um e-mail à Defensoria Pública e ao Ministério Público
solicitando atuação neste processo. Hoje, enviei ofício à Secretaria Municipal
de Assistência e Desenvolvimento Social, solicitando informações e fazendo um
apelo para que não haja fechamento dos hotéis sociais sem planejamento e
abertura de novos serviços. É dever do Poder Público garantir o acolhimento e
criar caminhos para a superação da situação de rua.
Espero que, se
não puder ser desfeita, essa decisão de fechamento dos serviços seja ao menos
adiada, para que as famílias possam se adaptar com mais tempo e para que vagas
em serviços mais adequados às suas necessidades possam ser encontradas, Sr.
Presidente, deputado Carlos Giannazi.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Obrigado,
deputado Suplicy.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - E se ainda houver a
possibilidade de uma fala... Ah, há outros inscritos. Eu vou descer então.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Obrigado,
deputado Eduardo Suplicy. Agora com a palavra o deputado Reis, que fará uso
regimental da tribuna. Enquanto V. Exa. se aproxima da tribuna, eu gostaria
aqui de manifestar o meu total apoio ao trabalho do padre Júlio Lancellotti, o
trabalho que ele vem desenvolvendo, Srs. Deputados e Sras. Deputadas, na
Pastoral do Povo da Rua.
Padre Júlio que tem um reconhecimento
internacional pelo seu trabalho, um trabalho cristão, que coloca em prática os
verdadeiros princípios do Evangelho, os verdadeiros princípios que Jesus nos
ensinou - para quem é cristão, para quem é católico. Está sendo agora
perseguido, deputado Reis, deputado Suplicy, pela própria Igreja Católica, pela
própria estrutura, pela própria burocracia da Igreja, com essa notícia que nós
recebemos ontem.
Ficamos perplexos, estarrecidos de que
o padre Júlio não poderá mais utilizar as redes sociais, não poderá mais
transmitir a sua missa aos domingos, às 10 horas, aquelas missas que ele
realiza na capela lá da Faculdade de São Judas. Isso é um absurdo, nós queremos
repudiar essa decisão, essa “orientação”, entre aspas, do cardial Dom Odilo,
acho muito estranho isso.
E dizer que se ele vai proibir que o
padre Júlio Lancellotti utilize redes sociais e transmita a sua missa pelo
Youtube e outras mídias, ele vai ter que proibir também o padre Marcelo, que
tem missa na Rede Globo, vai ter que proibir o outro padre, o padre Fábio de
Melo e tantos outros padres, sobretudo padres reacionários e padres de extrema
direita.
Esses, sim, contribuem com conteúdos
fascistas contra o povo, com conteúdos preconceituosos que reforçam a violência
contra a mulher, contra a população LGBT, contra os negros. Esses, sim,
deveriam ser censurados, mas não, a estrutura da Igreja Católica ataca agora o
nosso querido padre Júlio Lancellotti.
Então nós não vamos permitir isso,
principalmente nós católicos que também somos parte da Igreja Católica, não
admitimos, queremos que a missa... Exigimos que o Dom Odilo se retrate e libere
o padre Júlio Lancellotti em transmitir as suas ações, a sua missa, porque é um
absurdo isso.
Nós não podemos.. E nós sabemos que tem
interferência aí da extrema direita, dos fascistas querendo amordaçar o
importante trabalho do padre Júlio Lancellotti. Inclusive tem um deputado lá da
extrema direita, de Minas Gerais, que foi entregar um abaixo-assinado... Ele
não tem o que fazer, não tem proposta para o Brasil, não tem proposta para o
povo e foi lá passear no Vaticano e entregar um abaixo-assinado pedindo a
punição do padre Júlio Lancellotti.
Um deputado bolsonarista que foi lá
visitar o Bolsonaro na casa dele, quando ele estava preso, e que ameaçou matar
o Lula recentemente, um absurdo. Então aqui está todo o apoio ao padre Júlio
Lancellotti, o nosso grande pastor.
O SR. PAULO FIORILO - PT -
Pela ordem, Sr. Presidente. Se o orador permitir, queria fazer uma comunicação
de dois minutos.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Com a palavra o
deputado Fiorilo.
O SR. PAULO FIORILO - PT - PARA COMUNICAÇÃO - Sr.
Presidente, eu tive a oportunidade, deputado Eduardo Suplicy, de hoje fazer uma
visita ao padre Júlio, e dialogamos muito sobre os projetos que o padre Júlio
tem desenvolvido. Agora, um mais recente foi a abertura de uma academia para os
moradores em situação de rua, mas também a biblioteca, a atuação que é feita no
acolhimento, principalmente para aqueles que precisam de comida, de roupas e de
auxílio.
Eu ouvi o
discurso do senhor, principalmente se solidarizando com o padre Júlio, e eu
queria só reforçar esse aspecto, acho que o padre Júlio é uma voz muito
poderosa. Domingo, às 10 horas da manhã, padre Júlio celebra uma missa na
capela da Universidade São Judas, e eu queria deixar aqui um convite.
Aqueles que são
solidários, aqueles que defendem a causa dos mais humildes, dos mais pobres,
deputado Reis, deputado Suplicy e Giannazi, que pudessem participar dessa
celebração, celebração que ocorre no advento. O deputado Reis que é um temente
a Deus, que é um leitor da Bíblia, assim como o deputado Suplicy sabem da
importância do advento.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
Então eu queria
deixar esse convite, até porque não é apenas um gesto de solidariedade, mas é
sim a possibilidade de a gente compartilhar desse momento difícil em que
milhares de pessoas... Hoje o padre Júlio me disse que gente da Austrália, da
Europa, da América Latina tem se manifestado pedindo para que as transmissões,
tanto da missa como das suas intervenções nas redes sociais, possam continuar.
Eu queria
deixar esse apelo ao Dom Odilo, que é o nosso cardeal, que eu conheço e que eu
respeito, mas que pode, nesse momento, também fazer um gesto possibilitando que
as transmissões continuem e que a voz do padre Júlio ecoe por este mundo tão
importante, o mundo de Deus.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Permita-me,
deputado Reis, a expressar, também, solidariedade ao padre Júlio Lancellotti,
conforme Carlos Giannazi e Paulo acabaram de falar, aqui. Vou verificar.
Acho que sim, poderei estar presente na
missa das 10 horas de domingo. Vou verificar se poderei estar ali presente,
porque também quero manifestar o meu apoio a essa luta em favor da população de
rua que o padre Júlio tem desenvolvido desde quando Dom Paulo Evaristo Arns o
designou para estar realizando essa missão pela Igreja Católica. Meus
cumprimentos.
Tem a palavra o deputado Reis, pelo
tempo regimental.
O
SR. REIS - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Obrigado, presidente deputado Suplicy.
Presidente, há
alguns dias atrás eu fiz um pronunciamento aqui nesta tribuna sobre a
Assessoria da Polícia Militar aqui da Assembleia Legislativa. Eu apontei várias
questões que estavam deixando os policiais muito, bastante insatisfeitos com o
que vinha acontecendo aqui na Assembleia Legislativa. Falei da questão dos
coletes, que aqui, internamente, não há necessidade de o policial ficar aqui de
colete, não tem troca de tiros aqui dentro.
Falei da
questão do fuzil, porque se o policial vai ficar lá, de sentinela, tem que
seguir o que diz o Risg. O Risg diz que é dois por quatro. É duas horas no
posto, duas horas de sobreaviso e duas horas de descanso. Levei isso ao
conhecimento. Até o Gil Diniz falou que eu fui muito duro. “Conversa com o coronel
Roldan”. E eu fui lá, sentei na sala do coronel Roldan, ele foi lá no meu
gabinete, nós conversamos.
Mas, ao que me
parece, hoje eu recebi uma denúncia que é estarrecedora. Eu não vou ler toda a
denúncia, porque eu quero sentar com a Mesa Diretora e tratar desta denúncia
com os dirigentes desta Casa. Mas, caso eles não tomem providências, eu vou ler
esta denúncia todos os dias. Todos os dias eu vou vir aqui e vou ler, porque eu
posso fazer isso. E vou encaminhar para a Corregedoria da Polícia Militar, para
que ela instaure um IPM para apurar responsabilidades. Porque a denúncia é
gravíssima.
A denúncia
fala: denúncia de maus-tratos, assédio moral, abuso e risco à integridade
psicológica de policiais militares lotados na Assessoria da Polícia Militar da
Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Bom, se acontece aqui, do lado
daqueles que têm o dever de fiscalizar o Poder Executivo, que têm a obrigação
de fiscalizar a aplicação do funcionamento do estado, do respeito às pessoas, e
tem um negócio desses acontecendo debaixo dos olhos dos Srs. Deputados e das
Sras. Deputadas, aí a casa caiu de vez. Isso aqui foi para o brejo.
Então a
denúncia discorre... Eu não sei se todos os deputados receberam, porque ela
veio em um envelope fechado, lacrado. Veio de forma anônima. Mas é uma denúncia
que tem que ser apurada. Ela fala do comandante, do subcomandante, do que o
subcomandante faz e vem fazendo. Fala do major. Fala do capitão, dos capitães.
Aliás, tem um capitão aqui que foi poupado, porque diz que é profissional, que
é respeitoso. Mas ela vem falando de todos os capitães. Ela vem falando de
todos os tenentes.
Inclusive,
aqui, um caso que fala, inclusive, de como o tenente se dirigiu ao deputado
Vitão do Cachorrão. “Depois de uma discussão onde faltou com respeito para com
o subtenente que tem experiência profissional...” Quase a idade, não vou falar
aí o nome do tenente, não é? “Em conversa na administração da Assessoria, que
não tem medo do Vitão do Cachorrão e que, aliás, ‘que nome jegue é esse?’”. É,
isso é coisa de gíria policial, gíria militar.
Então tem até
denúncia de que um soldado cometeu suicídio por conta dos maus-tratos que ele
foi vítima aqui nesta Casa. As denúncias são gravíssimas. As denúncias são
gravíssimas. E esta Casa tem que tomar providências. Por isso que eu não vou
ler toda a denúncia. Eu não vou dizer o que diz de cada um. Mas, de todos os
oficiais, tem um relatório de um por um, aqui. Um por um.
Eu vou
despachar isso para a Corregedoria, vou fazer um ofício, pedindo para
Corregedoria instaurar um IPM e vou sentar com o presidente dessa Casa -
porque, inclusive, a denúncia fala questões relacionadas ao presidente. Vou
conversar com o presidente dessa Casa, com o primeiro-secretário, com o
segundo-secretário, porque providências têm que ser tomadas, isso daqui é uma
Casa plural, isso é uma Casa política.
As pessoas que
trabalham aqui têm que se dar o respeito, têm que se dar o respeito! Os
dirigentes, os diretores, comandantes, os oficiais têm que respeitar os seus
subordinados. Aqui ninguém vai tolerar que se passe por cima das pessoas, que
se humilhe as pessoas, que se cometa assédio moral! Nós não vamos tolerar isso
e o comandante tem que tomar providências, porque eu levei ao conhecimento do
comandante, ele não pode prevaricar. Nós não vamos aceitar prevaricação.
Não é a
primeira vez que eu estou falando disso, eu já falei uma vez. As coisas parecem
que não mudaram, as coisas parecem que continuam do mesmo jeito. Então o
comandante, me desculpe, eu não quero vir aqui e ler todo dia esse papel, mas
você sabe que quando eu falo, eu faço, eu não tenho problema nenhum, eu não
tenho problema nenhum, eu não quero ler.
Antes de ler
esse papel aqui na tribuna, eu vou sentar com o comandante, vou sentar com o
presidente da Casa, com a Mesa Diretora e falar: “Eu quero que vocês apurem
isso aqui”. E as pessoas que estão cometendo esses deslizes, as pessoas que
acham que pode tudo, aqui não pode tudo, não, aqui tem regras, aqui tem regras.
As pessoas que se submetam às regras, ninguém é dono de nada aqui. Servidor é
por prazo determinado, servidor não é eterno, comandante não é eterno, ninguém
é eterno.
Então, as
pessoas têm que se colocar no seu lugar, respeitar
os seus iguais, respeitar os seus subordinados. Nada de assédio, nada de
assédio moral, porque a denúncia é muito grave. E eu não vou ler ela ainda
porque eu quero conversar com a Mesa Diretora, eu quero sentar com a Mesa
Diretora e conversar com eles. Mas eu quero deixar registrado a denúncia que
recebi na data de hoje.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Encerrado o
tempo do Pequeno Expediente, passemos ao Grande Expediente.
* * *
-
Passa-se ao
GRANDE EXPEDIENTE
* * *
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Pela ordem, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Pela ordem.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Antes de V. Exa.
chamar o primeiro orador do Grande Expediente, eu gostaria de fazer uma
comunicação.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Deputado
Carlos Giannazi tem o direito regimental à comunicação. Mas eu gostaria de...
Ainda ontem, tendo em conta o seu aniversário na segunda-feira, fiz aqui um
cumprimento que quero renová-lo hoje e, também, queria parabenizá-lo pela
organização da audiência pública de segunda-feira sobre a Caps Itapeva. Meus
cumprimentos. Tem a palavra, então, para uma comunicação.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
PARA COMUNICAÇÃO - Muito obrigado, deputado Eduardo Suplicy. Vossa Excelência
esteve muito bem representado na audiência pública, sua assessoria esteve
presente, fez intervenção, estamos juntos nessa luta contra o desmonte do Caps
de Itapeva, que é, Sr. Presidente, o primeiro Caps do Brasil, virou referência
nacional e será, agora, sucateado, será destruído por conta de uma
transferência do estado para a Prefeitura.
Mas eu
gostaria, Sr. Presidente, hoje, de dizer que ontem, na verdade, eu estive em
Brasília, acompanhando e ajudando na mobilização, na aprovação de um importante
projeto no Senado Federal, que é o projeto do descongelamento da evolução
funcional, aquele congelamento feito na época da pandemia pelo ex-presidente
Bolsonaro, que aprovou a Lei Complementar nº 173, prejudicando milhões de
servidoras e servidores, congelando a evolução funcional, que é um direito
garantido pela Constituição, pelos estatutos dos funcionários públicos, os
municipais, os estaduais, de todo o território nacional.
Depois de muita
luta, muita mobilização junto com as entidades representativas do funcionalismo
e, sobretudo, com a articulação, com o empenho, com o trabalho obstinado da
deputada federal aqui de São Paulo, Professora Luciene Cavalcante, do PSOL, que
fez com que o projeto andasse.
Esse movimento
estava parado na Câmara Federal. Ela chegou lá e fez o movimento andar dentro
da Câmara, os projetos de lei. Ela apresentou o PLP nº 21. O projeto andou, ela
conseguiu aprovar em todas as comissões, com muita dificuldade, tendo que
negociar sobretudo com o centrão. Teve que negociar e fazer apelos até para a
extrema-direita bolsonarista, no sentido de que o projeto fosse votado na
Câmara Federal. O projeto chegou ao Senado, ela fez novas articulações junto
com vários senadores, sobretudo junto ao presidente do Senado Federal, senador
Alcolumbre.
E ontem, depois
de toda essa mobilização das entidades e articulação da deputada Luciene
Cavalcante - nós estávamos lá também ajudando a mobilização -, o projeto enfim
foi aprovado ontem, o projeto que descongela a evolução funcional, que é
representada pelos quinquênios, biênios, triênios, pela sexta-parte, pela
licença-prêmio de todos os servidores públicos do Brasil, de todo o território
nacional.
Quero lembrar
que esse movimento nasceu aqui em São Paulo, no nosso mandato, aqui na
Assembleia Legislativa, ainda no tempo da pandemia, quando a deputada Luciene
Cavalcante nem era ainda deputada, era integrante desse nosso movimento.
O projeto saiu
daqui de São Paulo, foi abraçado, foi o primeiro projeto de lei que ela
apresentou como deputada federal e, graças ao empenho dela... Ela fez toda uma
articulação, senão nós com certeza não conseguiríamos aprovar esse projeto. E
aí os servidores foram beneficiados com um grande presente de Natal, porque o
projeto vai ter uma interferência real na vida das pessoas, porque elas vão
conseguir ter um reajuste salarial, vão conseguir se aposentar.
E só
esclarecendo, para concluir, Sr. Presidente, que o projeto trabalha em duas
frentes: na primeira, ele descongela o tempo, os 583 dias. Para isso, não há
necessidade de aprovação de projeto aqui na Assembleia Legislativa, em Câmara
Municipal, em nenhum lugar, porque isso já ocorreu com o pessoal da Segurança
Pública e da Saúde, quando um projeto anterior foi aprovado, descongelando só
para esses dois segmentos. Então não foi aprovado nenhum projeto na Assembleia
Legislativa, nem na Câmara Municipal de São Paulo, por exemplo. Então o
descongelamento é automático.
Agora, o
pagamento retroativo, esse sim é facultativo, no sentido de que vai depender do
Orçamento de cada ente federativo e também da autorização de cada ente
federativo, mas o descongelamento, que é o que interessa de fato para o nosso
movimento, para a nossa luta, está garantido e é automático, como foi com a lei
anterior, em relação aos servidores da Saúde e da Segurança Pública. Foi o
projeto do próprio deputado Derrite, lá ainda no final do governo Bolsonaro.
Então era isso,
Sr. Presidente. Queria dar essa informação importante. Por isso que eu não
estava ontem aqui para participar da sessão. Eu estava articulando e
participando dessa grande conquista para todos os servidores do nosso país.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos, deputado Carlos Giannazi.
Agora passamos, então, ao Grande
Expediente. Então, por permuta com a deputada Márcia Lia, tem a palavra agora a
deputada Ana Perugini, do Partido dos Trabalhadores, pelo tempo regimental.
A
SRA. ANA PERUGINI - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Obrigada, companheiro e sempre senador, para nós aqui,
nosso companheiro também de bancada, Eduardo Suplicy.
Senhoras e
senhores, deputados e deputadas, o que me traz novamente à tribuna hoje é a
“Autarquização 2”, que está sendo discutida, que está sendo, na verdade,
digladiada ali na Unicamp. Primeiro, elucidar o que é esse processo. Esse
processo chegou recentemente a nós. Foi levado até meu gabinete. Inclusive eu
tive a oportunidade de falar com um colega aqui também da Comissão de Saúde sobre
isso, mas ontem ainda eu estive na tribuna noticiando. Eu tinha acabado de
chegar de um manifesto dos trabalhadores e estudantes ali da Unicamp, porque
foi chamada uma reunião extraordinária do Consu no dia 3, e houve uma...
Lá foi retirada
de pauta a autarquização, mas já houve uma convocação para que houvesse uma
nova reunião do Conselho da Universidade para debater o assunto, para votar o
assunto, aliás, ontem, no dia 16. E o que aconteceu?
Bem,
primeiramente, nós, aqui na Assembleia Legislativa, Comissão de Saúde e
Comissão de Ciência e Tecnologia, acordamos, por iniciativa, inclusive, do
deputado Barros Munhoz, que é da Comissão de Ciência e Tecnologia, que nós
faríamos uma audiência pública para ouvirmos, da direção - eu estou falando
aqui reitoria, vice-reitor, o Dr. Zeferino, que esteve presente - o porquê dos
motivos e a necessidade, segundo a direção, da autarquização do Complexo de
Saúde ou das sete unidades, sete grandes complexos.
Eu estou
falando aqui da FOP, da Faculdade de Odontologia de Piracicaba, estou falando
do Gastrocentro, do Hemocentro, do Caism, o HC. Enfim, são sete grandes
complexos que atendem, aproximadamente, hoje, sete milhões de pessoas na nossa
região de Campinas, mas também em todo o Brasil, inclusive no Mato Grosso, que
nós já temos informação precisa sobre isso.
Mas o que está
acontecendo? Nós, em função dessa audiência pública provocada pelo deputado
Barros Munhoz, que veio a calhar, porque nós precisamos de ouvir, e eu quero
deixar registrado novamente aqui que não estava convencida pela autarquização,
nem pela não autarquização.
Porque nós
temos um problema aqui. Mas eu estou convencida de que todo o processo, e agora
há pouco nós fizemos homenagem, onde nós lembramos como é importante o processo
legal na investigação, por exemplo, de um crime, porque isso leva ao nexo
causal e à possibilidade de punição, caso haja provada a culpa. Mas o processo
é tão ou mais importante que o lugar onde nós vamos chegar.
E nós
acordamos, aconteceu a audiência pública, que escutou a direção da Unicamp e
ficou acordado que no dia 3 de dezembro nós teríamos uma nova audiência, também
com a direção, mas agora também ouvindo os trabalhadores, aqueles que estão
nesses equipamentos, os sete equipamentos nesse processo de autarquização, que
precisam colocar as suas preocupações. Mas aconteceu que no dia 2 de dezembro,
na véspera da audiência pública, eu fui informada à tarde que havia sido
cancelada essa audiência. E eu perguntei para alguém qual o motivo.
“O motivo é
força maior”. Falei: “Que motivo de força maior?”. “É que vai ter um conselho,
o Consu vai estar se reunindo”. Eu falei: “Não, o Consu não vai se reunir
hoje”. E não foi. No dia 2 não teve reunião do Consu. A reunião do Consu foi no
dia 3, no dia em que deveria acontecer a audiência para ouvir os trabalhadores
nesta Casa.
E ontem nós
estivemos e acompanhamos o manifesto, o manifesto dos trabalhadores e
estudantes, os sindicalistas ali naquele espaço, que não se conformam com a
forma como isso está se dando. E não há falha na razão de fazer o manifesto que
fez a opção pela paralisação dos trabalhadores na Unicamp.
Não há falha
porque, inclusive, no Consu chamado para o dia 3, dada a ausência de uma série
de elementos ali, inclusive, de previsão daquilo que já existe dentro do
complexo, foi retirada de pauta a discussão e a votação da autarquização, por
uma maioria.
Inclusive,
aqueles que estavam defendendo ali também falaram: “Espere aí, nós precisamos
estudar melhor esse caso”. Eu estou aqui de posse de uma minuta, que deve ser
encaminhada ou não para esta Casa, de mais de 200 páginas, e que vai delimitar
por que o projeto de lei que deve ser aprovado nesta Casa vai limitar aquilo
que pode e aquilo que não pode.
E nós não
estamos falando de algo simples. Nós estamos falando de sete complexos que hoje
são referência, são referência para a Saúde pública em todo o nosso País, que
traz o nome para o estado de São Paulo.
Nós temos a
Unicamp no estado de São Paulo, a nossa Unicamp, e tem solução. Eu sou
testemunha aqui de uma grande amiga que, infelizmente, partiu este ano, há
aproximadamente dois meses, e que no ano de 1997 foi desenganada com oito meses
de vida, no máximo, e que de 1997 até o ano de 2025 esteve entre nós. Por quê?
Porque ela estava sendo tratada na Unicamp, no HC da Unicamp.
Então nós
estamos falando de um hospital-escola, de um complexo de hospital-escola que
tem uma referência e que trabalha na investigação, na produção de ciência, para
que nós tenhamos uma saúde de êxito, porque falta, sim, investimento e
recursos. Mas o problema e a argumentação que se traz é o seguinte: porque a
USP foi autarquizada desde o início, a Unesp de Botucatu foi autarquizada,
então, isso também tem que dar certo na Unicamp, porque a Unicamp não consegue
receber recursos do SUS Paulista e não consegue receber recursos do SUS. Por
quê? Porque é um hospital-escola e está vinculado à Ciência e Tecnologia, está
vinculado à Educação e não recebe.
Mas ela é
demandada pela Cross-U. E aí, na política, todos nós sabemos que a tomada de
decisão é aquilo que há de mais importante. E nós sabemos o que acontece com a
Saúde hoje quando ela é autarquizada, a precarização que acaba detonando
qualquer serviço público. Aqui, a energia aqui na Capital, na Grande São Paulo,
é um exemplo claro disso.
Você demite os
funcionários que conhecem onde existe o problema, terceiriza todo o trabalho,
torna vulnerável o serviço: quando acontece um problema, acontece de a
comunidade ficar 60 dias sem energia aqui, a ponto de estar sendo revisto o que
está acontecendo. Isso também já está acontecendo com a Sabesp, com a demissão
que houve em março, com o programa de demissão voluntária e a contratação de
terceirização de profissionais que conheciam, de fato, o trabalho.
E na Saúde não
é diferente. Nós votamos nesta Casa as organizações sociais, algumas muito
sérias, mas todas trabalhando com a terceirização de serviços importantes que
não deveriam ser terceirizados, mas que são terceirizados quando o estado
assume e coloca, de fato, a organização para prestar o serviço, e que terceiriza,
e que terceiriza.
Nós não
precisamos ir muito longe, porque esta Casa precisa fazer um debate sério sobre
essa questão de terceirização, inclusive dentro deste prédio. Mas os
trabalhadores, hoje, em assembleia, decidiram pela paralisação até o dia 23.
Vejam, está sendo discutido no Consu algo em pleno recesso, em plenas férias
dos estudantes.
E ontem eu me
deparei, e eu estive presente, e falei: “Não, nós não podemos deixar que essas
coisas aconteçam sem que isso venha a público”. Inclusive do desfecho da
ocupação dos estudantes na segunda parte do dia 16, que foi em uma reunião
online para decidir esse desfecho, quando os estudantes que têm assento no
Consu não conseguiam entrar, não conseguiam entrar na discussão online e
ocuparam a sala onde se encontrava o reitor e também professores, enfim,
membros do Consu. Mas ocuparam porque não conseguiam entrar também online.
Então, assim,
um processo que não tem nada a ver com a história e que macula a história da
Unicamp, de 59 anos, pela luta pela democracia, de prestação de serviços, de
prestação de serviços de excelência, de excelência, de alta performance no
nosso estado, que é referência para todos nós.
E fica aqui a
indagação do que pode vir a ocorrer com a autarquização da Unicamp, até nos
moldes daquilo que já foi apontado no Consu do dia 3 e que foi suprido em
parte, que onde foi advertido que tudo tem que ser colocado lá dentro desse
escopo da minuta, porque é aqui que nós vamos delimitar o que vai acontecer, e
essa luta dos trabalhadores e estudantes, a forma como esse processo se deu,
porque eles deixaram de ser ouvidos aqui, num processo que foi acordado aqui
dentro.
Então, o maior
parlamento da América Latina pode servir de joguinho para uma coisa ou para
outra, gente. É preciso dar condição de que todos tenham o mesmo espaço para
colocarem suas preocupações, e para esse processo de autarquização, acontecendo
ou não, precisa haver também uma saída.
Eu faço um
chamamento, e vou colocar um exemplo claro aqui, querido deputado Eduardo
Suplicy, um caso recente, não muito longe de nós, que foi o caso das Apaes:
conseguido o Sepas, só podiam receber recurso da assistência e também prestava
serviço de Saúde. Muita gente perdeu. Aí teve que ter a regulamentação. Hoje
está resolvido o problema.
E muitas vezes
nós criamos um problema maior, porque imagina a situação que viveu, a Graça que
ficou durante tanto tempo, fazendo esse tratamento, e que manteve a sobrevida,
uma qualidade de vida inclusive, e esteve entre nós, se isso iria acontecer com
outra perspectiva, que fosse o atendimento rotativo, o atendimento rotativo e o
atendimento visando o lucro.
Como é que vai
ficar essa questão da precarização? Como é que vai ficar uma Unicamp se
servindo de um complexo que deve ser para aprendizado, e para prestação de
serviços de excelência, e para pesquisa, visando a alta produtividade? Eu aqui
faço até uma denúncia do que vem acontecendo, inclusive com os médicos, que têm
20 minutos, 15 minutos para fazer uma avaliação clínica. Para onde nós estamos
caminhando?
Têm serviços
que podem ser privatizados, têm serviços que podem ser oferecidos a um
terceiro, que possa visar lucro, mas imagina a situação de quem precisa da
Saúde pública? Imagina a situação de quem precisa de água, de quem precisa de
energia, de quem precisa de gás? Como é que é isso?
Então, nós
precisamos de fazer um debate sério nesta Casa, e aqui eu quero dar parabéns.
Porque eu não estava convencida, e o maior intuito naquele momento em que
recebi a proposta, foi assim: “vamos ouvir para fazer o melhor possível”.
Porque não é justo ficar sem recurso, porque não pode receber recurso do SUS,
não é justo ficar mendigando, pedindo, pedindo, para manter um serviço que é
essencial e que o estado demanda, não é justo isso acontecer.
Mas hoje eu
estou convencida de que esse processo está sendo de uma truculência tão grande
que o fim já está ferido, não é possível fazer autarquização da forma como ela
está sendo manifestada nesse processo.
Porque se hoje
nós não conseguimos honrar o processo que deve acontecer, imagine depois,
depois de autarquizado, sem, de fato, o compromisso que deve ser assumido por
todos que trouxeram esse nome à Unicamp nesses 59 anos de existência - tanto aí
vou falar novamente do Caism, do HC, do Hemocentro, da FOP, do Gastrocentro.
Enfim, de todo esse complexo que vai ter interferência direta em um momento
bastante confuso, diga-se de passagem, para fazer uma autarquização.
Mas nós estamos
aqui para trabalhar e, principalmente, para garantir que a democracia continue
acontecendo, e para garantir que a Saúde pública não saia, e não volte para
trás, mas que ela ande para frente, que é onde nós precisamos continuar
caminhando, que ela tenha mais recursos, inclusive.
Nem sei se é a
questão de maior número de leis, mas de maior tecnologia, de tecnologia
avançada, tecnologia de pontas. Mas nós não podemos permitir que aquilo que é
público seja privatizado da forma como está sendo colocado aqui, nessas mais de
200 páginas, sem a devida discussão com todo o corpo discente, com todos os trabalhadores
que fazem parte da história da Unicamp.
Muito obrigada,
presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Cumprimentos,
deputada Ana Perugini. Tem agora a palavra no Grande Expediente a deputada
Fabiana Bolsonaro.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Pela ordem, Sr. Presidente. Só para uma breve
comunicação.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Tem a palavra
para uma breve comunicação.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
PARA COMUNICAÇÃO - Obrigado, deputado Eduardo Suplicy. Eu queria, aqui, Sr.
Presidente, dizer que, apesar de todos os nossos apelos, todos os nossos
esforços aqui junto ao Colégio de Líderes, junto aqui em conversas com a
Presidência da Casa, junto aos deputados, o Projeto de lei Complementar nº 28,
de 2025, que foi encaminhado à Assembleia Legislativa pelo Tribunal de Justiça,
pelo presidente, o atual presidente do Tribunal de Justiça - o PLC 28/25 - o
projeto não foi aprovado, Sr. Presidente.
Projeto
importante, projeto que foi fruto de uma conquista da greve que houve ainda
neste ano dos servidores e servidoras do Judiciário, reivindicando melhores
salários, melhores condições de trabalho, melhores condições funcionais. E
dessa greve, houve essa conquista de um reajuste, uma majoração do adicional de
qualificação dos servidores do Judiciário.
O projeto está
aqui há cinco meses, Sr. Presidente, e até hoje - é dia 17 de dezembro - e o
projeto ainda não foi aprovado, parece que não houve empenho da presidência do
TJ, enfim. Eu conversei ontem com o deputado, presidente André do Prado, e ele
disse que vai pautar em fevereiro, que esse projeto será pautado em fevereiro.
O que eu quero
dizer, Sr. Presidente, é que é um absurdo, porque é muito tempo. Os servidores
já poderiam estar sendo beneficiados há cinco meses se o projeto tivesse sido
aprovado. O projeto já foi aprovado em todas as comissões permanentes, já está
pronto, praticamente, para a Ordem do Dia. Então faço aqui um apelo para que
nós possamos votar esse projeto em caráter de extrema urgência, Sr. Presidente,
para valorizar os nossos servidores do Judiciário.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Muito bem. Tem
a palavra agora, no Grande Expediente, a deputada Solange Freitas.
A
SRA. SOLANGE FREITAS - UNIÃO -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde, Sr. Presidente. Boa tarde a todos. Ontem
aprovamos o Orçamento do estado com avanços importantes, mais recursos para a
Secretaria da Mulher, recursos para as pessoas com deficiência, para os
autistas, para as nossas lutas, a gente conseguiu ampliar alguns desses
recursos.
Mas eu gostaria
de ressaltar também algumas emendas que eu encaminhei para o Orçamento e
consegui a aprovação. Nós estamos na Operação Verão, na Baixada Santista, a
Operação Verão que começou no dia 15 agora, de dezembro, vai até o dia 20 de
fevereiro, e eu incluí no orçamento uma emenda de 10 milhões de reais para
ajudar as prefeituras da Baixada Santista na Operação Verão, porque são as
prefeituras que fazem todo esse trabalho junto aos policiais em relação ao
alojamento dos policiais, do reforço que tem de policiais nessa época do ano, a
alimentação, e é um gasto muito grande.
Os prefeitos,
numa reunião do Condesb, que é o conselho dos prefeitos, no dia 22 de outubro,
disseram que estavam muito preocupados. Aí eu tive essa ideia de reforçar essa
ajuda para os municípios com essa emenda, e essa emenda foi aprovada ontem no
Orçamento. Agora tem uma construção junto à Secretaria de Segurança Pública do
estado para que essa emenda, esse recurso seja realmente usado agora durante a
Operação Verão no custeio dos nossos policiais que estão lá ajudando nesse
reforço na Segurança.
Agora, precisa
de muito mais do que isso. Olhe só o número impressionante que a Ecovias
passou, do número de veículos que vão passar pelo Sistema Anchieta-Imigrantes
durante toda a temporada de verão. Então de 15 de dezembro, já começou essa
contagem, até o dia 20 de fevereiro, depois do Carnaval, vão passar pelo
Sistema Anchieta-Imigrantes 4 milhões e 600 mil veículos. Se a gente fizer uma
conta bem rápida, quatro pessoas por veículo vão dar mais de 16 milhões, pode
chegar a 20 milhões de pessoas que vão descer a serra durante toda essa
temporada de verão.
E o que
acontece? As unidades de Saúde ficam lotadas, superlotadas, então a gente
precisa reforçar os recursos para a Saúde da Baixada Santista, do Vale do
Ribeira e do Litoral Norte. Então eu já fiz esse pedido também, junto ao
governador, junto à Secretaria de Saúde do estado, para reforçar esses recursos
para ajudar na Saúde dessas regiões que recebem milhões de turistas durante a
temporada.
E a gente sabe
que, durante a temporada, com muita gente junto, em muitos lugares, há muitos
problemas de epidemias, de viroses, e as pessoas precisam ser atendidas. Então
já fiz esse pedido, que eu estou chamando de Operação Verão na Saúde, e eu
tenho certeza de que o governador vai se sensibilizar e vai mandar esses
recursos, esse reforço para a Saúde.
Além disso,
voltando ao Orçamento do Estado, eu também fiquei muito feliz que uma luta
minha, muito forte também, desde que eu iniciei este mandato, em 2023, que é a
causa autista, duas emendas importantes também foram aceitas, uma delas para a
criação, para a construção do Centro TEA estadual na Baixada Santista, e a outra
emenda com recursos para a construção de um Centro TEA no Vale do Ribeira.
É muito
importante a gente lutar por essa causa, porque as famílias que têm autistas já
sofrem muito com vários problemas todos os dias para conseguir tratamento, para
conseguir laudo, para conseguir ajuda na educação. Então a gente precisa,
conforme vai passando o tempo, ajudar ainda mais essas famílias atípicas. Eu
tenho certeza de que no ano que vem a gente vai conseguir atingir esses
objetivos com os recursos que a gente conseguiu aprovação no Orçamento do
estado para a construção de um centro autista na Baixada Santista e um centro
autista no Vale do Ribeira.
Além disso,
reforçando mais uma vez que este ano nós conseguimos aqui nesta Casa a
aprovação da minha lei que obriga todos os shoppings do estado de São Paulo a
ter salas sensoriais. O governador sancionou. E hoje, nosso último dia de
votação aqui na Alesp, mais uma vez eu quero deixar aqui o meu repúdio à
Associação Brasileira de Shoppings, Abrasce, que entrou na Justiça contra essa
lei tão importante, que é a sala sensorial dentro dos shoppings.
Daqui a pouco,
a gente vai ter que fazer com que todos tenham salas sensoriais, vai ser uma
obrigação comum daqui a pouquinho, e isso a gente tem que fazer por meio de
leis, infelizmente, para sensibilizar as pessoas a fazerem o que tem ser feito,
que é dar acessibilidade aos autistas e às pessoas neurodivergentes.
Então, mais uma
vez, já fiz um pedido de moção de repúdio nesta Casa contra a Abrasce,
Associação Brasileira de Shoppings. E mais uma vez eu digo: quem sabe esse povo
aí que está dentro dessa associação, que não tem sensibilidade nenhuma, não
quer saber de dar acessibilidade aos autistas - porque salas sensoriais são
acessibilidade aos autistas - quem sabe, de presente de natal, não cai a ficha
deles, eles verem a burrada que eles fizeram, o absurdo que eles fizeram de
entrar contra essa lei tão importante, que é muito melhor para os shoppings. Os
shoppings vão ter mais essas famílias dentro das unidades, dos shoppings.
Então, não dá
para entender por que a Associação Brasileira de Shoppings tomou essa atitude
tão absurda. Ou seja, eles estão dizendo aí, para as famílias que têm autistas:
“não estou nem aí para vocês, não quero vocês nos nossos shoppings”. É isso que
a Associação Brasileira de Shoppings está falando. Ainda bem que muitos donos
de shoppings com quem eu conversei são a favor da lei e vão fazer as salas
sensoriais. Mas eu queria terminar este último dia em que nós estamos aqui,
votando projetos importantes ainda, falando mais uma vez do meu repúdio à
Associação Brasileira de Shoppings.
E agradecer que
nós conseguimos, aqui, as duas emendas aprovadas, que vão criar o Centro TEA na
Baixada Santista e no Vale do Ribeira. Muito obrigada. E já desejando aqui um
feliz natal e próspero ano novo para todos. Que 2026 seja um ano de muitas
realizações, com muita saúde para todo mundo.
Muito obrigada.
Muito obrigada, Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos, deputada Solange Freitas. E sobretudo pela defesa que tem feito
dos direitos dos autistas. Meus cumprimentos.
Tem a palavra agora o deputado Caio
França. Ausente. Deputado Paulo Mansur. Ausente. Deputado Eduardo Suplicy.
É alguém por
quem tenho grande respeito, assim como tive por Paul Singer, que nos deixou um
legado essencial na construção da economia solidária no Brasil, Ladislau Dowbor
nos lembra que mais de um bilhão de pessoas participam de alguma cooperativa no
mundo.
O dado
impressiona, mas o mais relevante é a transformação que o cooperativismo vive
com a revolução de digital. Ele mostra que as tecnologias, muitas vezes
capturadas por grandes corporações, podem ser apropriadas pela sociedade para
fortalecer colaboração, autonomia dos trabalhadores e novas formas de
organização econômica.
O artigo
destaca que enquanto empresas como a Uber, a Amazon e a Meta concentrarem dados
e poder, surgem cooperativas digitais em vários países. A plataforma de
transporte em que os motoristas são donos coletivos, bancos cooperativos
digitais, cooperativa de dados e alianças internacionais de cidades que
compartilhem os sistemas tecnológicos.
Experiências
como Mondragón, no país Basco, com mais de 200 cooperativas, mostra que é
possível combinar eficiência com justiça, e temos exemplos notáveis aqui no
Brasil, quero mencionar o trabalho do meu amigo João Joaquim de Melo Neto,
fundador do Banco Palmas. João Joaquim criou a primeira moeda social brasileira
e desenvolveu a metodologia dos bancos comunitários, hoje presentes em mais de
120 territórios do país.
Entre essas
iniciativas está o Palmas e Dinheiro, um banco comunitário digital sem fins
lucrativos que utiliza moeda social eletrônica classificada em real,
fortalecendo o comércio local e ampliando a inclusão financeira. A plataforma
funciona como um arranjo de pagamento pré-pago, regulamentado pelo Banco
Central permitindo que benefícios sociais, compras e microcréditos sejam
operados de forma simples pelo celular, mantendo a riqueza circulando na
comunidade.
Essas
experiências deixam claro que a tecnologia não precisa aprofundar
desigualdades, pode servir ao bem comum, fortalecer a participação democrática
e ampliar a capacidade das comunidades de organizarem sua produção, seu crédito
e suas trocas. Paul Singer sempre dizia que a economia solidária floresce
quando as pessoas têm espaço institucional para se organizar, criar e decidir
coletivamente. Hoje as plataformas digitais cooperativas ampliam esse
horizonte.
Ladislau Dowbor
também chama a atenção para algo decisivo, os dados que todos nós produzimos
diariamente se tornaram uma das principais fontes de riqueza do mundo.
Entretanto essa riqueza é capturada por poucas empresas, enquanto trabalhadores
e cidadãos não tem qualquer controle sobre como suas informações são usadas.
Ele nos convida a imaginar cooperativas de dados, modelos de governança
distribuída e mecanismos que devolvam as pessoas o valor gerado por seu próprio
trabalho digital. Esse é um debate fundamental para o futuro da democracia e da
economia.
Gostaria de
concluir com uma reflexão sobre a relação entre o cooperativismo digital e a
renda básica. Quando asseguramos que cada pessoa tem uma renda para viver com
dignidade, criamos um espaço para escolhas mais livre e criativas.
A renda básica
permite que os trabalhadores participem de cooperativas sem medo de insegurança
imediata, fortalece modelos de propriedade compartilhada e reduz a dependência
de plataformas que exploram a necessidade das pessoas de aceitar qualquer
condição de trabalho.
A Renda Básica
de Cidadania, ao assegurar a liberdade real, pode ser o impulso que falta para
que o cooperativismo digital floresça, para que a inovação tecnológica esteja a
serviço da colaboração e não apenas do lucro concentrado.
Iniciativas
como as que Ladislau Dowbor descrevem que outro futuro é possível: um futuro em
que a tecnologia amplifique a nossa capacidade de cooperação, fortalece a
democracia econômica e abra caminhos para sociedades mais justas. Que possamos
aqui nesta Casa contribuir, também, para esse horizonte. Meus cumprimentos,
caro prof. Ladislau Dowbor, por esse tão significativo artigo publicado no site
“Outras Palavras”.
Muito obrigado.
Parabéns.
Não havendo mais oradores presentes,
então está suspensa a sessão até as 16 horas e 30 minutos. Obrigado.
*
* *
- Suspensa às 15 horas e 41 minutos, a
sessão é reaberta às 16 horas e 41 minutos, sob a Presidência do Sr. André do
Prado.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Reaberta a
sessão.
Sras. Deputadas, Srs. Deputados, nos termos do Art.
100, inciso I, do Regimento Interno, convoco V. Exas. para uma sessão
extraordinária, a realizar-se hoje, dez minutos após o término da presente
sessão, com a finalidade de ser apreciada a seguinte Ordem do Dia:
*
* *
-
NR - A Ordem do Dia para a 63a Sessão Extraordinária foi publicada
no D.O. de 18/12/2025.
*
* *
O
SR. CAIO FRANÇA - PSB - Presidente, havendo
acordo de lideranças, peço o levantamento desta sessão.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - É regimental o
pedido de Vossa Excelência. Havendo acordo de lideranças, esta Presidência,
antes de dar por levantados os trabalhos, convoca V. Exas. para a sessão
ordinária de amanhã, à hora regimental, sem Ordem do Dia, lembrando-os ainda da
sessão extraordinária a realizar-se hoje, dez minutos após o término da
presente sessão.
Está levantada a sessão.
*
* *
- Levanta-se a sessão às 16 horas e 42
minutos.
*
* *