
14 DE NOVEMBRO DE 2025
72ª SESSÃO SOLENE PARA OUTORGA DE COLAR DE HONRA AO MÉRITO LEGISLATIVO DO ESTADO DE SÃO PAULO AO PADRE OVÍDIO JOSÉ ALVES DE ANDRADE E HOMENAGEM À PASTORAL DO MENOR DE FRANCA
Presidência: TEONILIO BARBA
RESUMO
1 - TEONILIO BARBA
Assume a Presidência e abre a sessão às 19h09min.
2 - MESTRE DE CERIMÔNIAS
Nomeia a Mesa e demais autoridades presentes. Convida o público para ouvir, de pé, o "Hino Nacional Brasileiro".
3 - PRESIDENTE TEONILIO BARBA
Informa que a Presidência efetiva convocara a presente sessão solene para "Outorga de Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo ao Padre Ovídio José Alves de Andrade e Homenagem à Pastoral do Menor de Franca", por solicitação deste deputado. Comenta a credibilidade da Igreja Católica na sociedade. Menciona defesa da população vulnerável durante a ditadura militar. Afirma que a instituição favorece a formação político-social do País. Lembra trabalho do papa Francisco.
4 - MESTRE DE CERIMÔNIAS
Anuncia a exibição de vídeo institucional sobre a Pastoral do Menor de Franca.
5 - BERENICE MARIA GIANNELLA
Consultora de Direitos Humanos, faz pronunciamento.
6 - ANTÔNIO DE PÁDUA DIAS
Vigário Judicial e presidente do Tribunal Eclesiástico da Diocese de Franca, faz pronunciamento.
7 - MARCELO TIDY
Vereador na Câmara Municipal de Franca, faz pronunciamento.
8 - DHEISON SILVA
Vereador na Câmara Municipal de São Paulo, faz pronunciamento.
9 - DOM PEDRO LUIZ STRINGHINI
Bispo na Diocese de Mogi das Cruzes, faz pronunciamento.
10 - DOM CARLOS SILVA
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, faz pronunciamento.
11 - MESTRE DE CERIMÔNIAS
Anuncia apresentação musical do Serviço de Convivência Beija-Flor.
12 - JOSÉ ROBERTO ROSA
Coordenador da Pastoral do Menor de Sorocaba, faz pronunciamento.
13 - JOÃO CLEMENTE
Coordenador da Pastoral do Menor da Lapa, faz pronunciamento.
14 - SUELI CAMARGO
Coordenadora da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo, faz pronunciamento.
15 - CECÍLIA STRINGHINI
Coordenadora estadual da Pastoral do Menor, faz pronunciamento.
16 - MARILDA DOS SANTOS LIMA
Coordenadora Nacional da Pastoral do Menor, faz pronunciamento.
17 - MESTRE DE CERIMÔNIAS
Anuncia a exibição de vídeo com pronunciamento de Alfredinho, deputado federal, e apresentação musical do Grupo do Contraturno Escolar de Franca. Informa a entrega de homenagem à Pastoral de Franca. Orienta apresentação musical da Pastoral do Menor de Franca.
18 - DIEGO
Representante de funcionários e de colaboradores da Pastoral do Menor de Franca, faz pronunciamento.
19 - MESTRE DE CERIMÔNIAS
Anuncia a exibição de vídeo com pronunciamento de Dom Paulo Beloto, bispo da Diocese de Franca. Informa a outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo ao Padre Ovídio José Alves de Andrade.
20 - OVÍDIO JOSÉ ALVES DE ANDRADE
Padre fundador da Pastoral do Menor de Franca, faz pronunciamento.
21 - PRESIDENTE TEONILIO BARBA
Faz agradecimentos gerais. Lembra transformação da Febem em Fundação Casa. Encerra a sessão às 21h32min.
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ÍNTEGRA
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- Assume a Presidência e abre a sessão
o Sr. Teonilio Barba.
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A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Senhoras e
senhores, boa noite a todos. Sejam todos bem-vindos à Assembleia Legislativa do
Estado de São Paulo. Esta sessão solene tem como finalidade outorgar o Colar de
Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo ao padre Ovídio José Alves
de Andrade e homenagear a Pastoral do Menor de Franca. Comunicamos aos
presentes que esta sessão solene está sendo transmitida ao vivo pela TV Alesp e
pelo canal Alesp no YouTube.
Convido para compor a Mesa Diretora o
deputado Teonilio Barba, proponente e presidente desta sessão solene. (Palmas.)
Também convidamos para a Mesa o padre Ovídio José Alves de Andrade, fundador da
Pastoral do Menor de Franca e vice-coordenador da Pastoral do Menor do Regional
Sul 1 da CNBB. (Palmas.) Convidamos também dom Pedro Luiz Stringhini, bispo da
Diocese de Mogi das Cruzes. (Palmas.)
Para compor também a nossa Mesa, dom
Carlos Silva, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, aqui representando o
nosso cardeal, dom Odilo Scherer. (Palmas.) Também para compor a nossa Mesa, Dheison
Silva, vereador de São Paulo. (Palmas.)
Também para fazer parte da nossa Mesa,
Marcelo Tidy, vereador de Franca. (Palmas.) Padre Antônio de Pádua Dias,
vigário judicial e presidente do Tribunal Eclesiástico da Diocese de Franca. (Palmas.)
Convidamos também para compor a Mesa a Dra. Berenice Maria, consultora na área
de Direitos Humanos. (Palmas.)
Para a extensão da Mesa Diretora,
convidamos também Marilda dos Santos Lima, coordenadora nacional da Pastoral do
Menor. (Palmas.) Chamamos também, para compor a Mesa, Cecília Stringhini, coordenadora
estadual da Pastoral do Menor. (Palmas.)
Chamamos agora, para compor a Mesa,
Sueli Camargo, coordenadora da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo. (Palmas.)
Também para fazer parte da Mesa, coordenador da Pastoral do Menor da região Lapa,
João Clemente. (Palmas.) Convidamos também José Roberto Rosa, coordenador da
Pastoral do Menor da região Sorocaba. (Palmas.)
Convido a todos os presentes para, em
posição de respeito, ouvirmos o Hino Nacional Brasileiro, executado pelo
Serviço de Convivência Beija-Flor, de Patrocínio Paulista.
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* *
- É executado o Hino Nacional
Brasileiro.
*
* *
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Agradecemos ao
Serviço de Convivência Beija-Flor pela execução do Hino Nacional. Passo a
palavra ao deputado Teonilio Barba para que proceda à abertura desta sessão
solene.
O
SR. PRESIDENTE - TEONILIO BARBA - PT - Iniciamos os
nossos trabalhos nos termos regimentais. Senhoras e senhores, esta sessão
solene foi convocada pelo presidente desta Casa de Leis, deputado André do
Prado, atendendo a minha solicitação. - paro neste momento para já agradecer ao
deputado André do Prado.
Então, presidente, muito obrigado -, com
a finalidade de outorgar o Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de
São Paulo ao padre Ovídio José Alves de Andrade e homenagem à Pastoral do Menor
de Franca.
Agora eu vou falar da tribuna, porque é
a minha vez de fazer discurso.
Eu vou quebrar o protocolo. Boa noite
senhoras e senhores presentes. Boa noite à meninada aqui, que com certeza é o
presente e o futuro do nosso País. Então, dizer que é uma honra recebê-los
todos aqui. Aproveito para cumprimentar, se me entregaram todo mundo aqui, o
meu amigo, o meu mais novo amigo, o padre Ovídio José Alves de Andrade.
Muito obrigado por o senhor existir,
resistir e ser resiliente. Dom Pedro Luiz Stringhini, amigo, irmão da minha
amiga Cecília Stringhini, muito obrigado pela presença.
Ele é bispo da Diocese de Mogi das
Cruzes. Marcelo Tidy, nobre vereador de Franca, muito obrigado pela presença e
por vir de tão longe prestigiar o evento da homenagem ao padre e à Pastoral do
Menor, mas também acaba sendo um prestígio para mim que sou deputado proponente
dessa sessão.
Ao padre Antônio de Pádua Dias, vigário
judicial, presidente do Tribunal Eclesiástico da Diocese de Franca, muito
obrigado pela presença. Sua presença nos honra muito. Marilda dos Santos Lima,
coordenadora nacional da Pastoral do Menor, que esteve aqui quando nós
homenageamos o Samaritano. Ela esteve presente, não é, Cecília? Então, muito
obrigado aqui pela presença, Marilda.
Minha amiga Cecília Stringhini,
coordenadora estadual da Pastoral do Menor, muito obrigado pela presença. Sueli
Camargo, a coordenadora da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo,
também muito obrigado pela presença. João Clemente, coordenador da Pastoral do
Menor da região Lapa, muito obrigado pela presença. João, você também, prazer
em revê-lo.
José Roberto Rosa, coordenador da
Pastoral do Menor da região de Sorocaba, também muito obrigado pela sua
presença. José. A Berenice Giannella, consultora na área de Direitos Humanos,
muito obrigado, Berenice, pela tua presença. Dra. Berenice.
Meu amigo e companheiro, ex-chefe de
gabinete, vereador Dheison, da Capital, muito obrigado pela sua presença
também. Estamos aguardando, assim que chegar o prefeito de Franca, alguém nos
avise para que ele incorpore a Mesa aqui e acompanhe a Mesa junto conosco.
Quero agradecer aqui a minha companheira Célia, que está aqui presente.
Agradecer toda a assessoria, os
trabalhadores da Assembleia Legislativa, a Júlia, que acompanha o tempo todo
aqui, ela sofre comigo porque eu vou quebrando os protocolos. A Cristina, que é
lá da Cidade Tiradentes, também do Instituto Samaritano, que está aqui sendo a
nossa mestre de cerimônias.
Primeiro, padre José Ovídio, dizer que
é uma honra ter todas as autoridades da igreja aqui, compondo conosco a sessão
solene. Este lugar, meninos e meninas, onde vocês estão sentados, é onde ficam
os deputados da Assembleia Legislativa, deputados e deputadas.
Quem sabe, no meio de vocês, um dia
pode surgir uma vereadora, um vereador, um deputado, uma deputada, uma
governadora, ou governador do estado, senador ou senadora, ou presidente da
República. Por isso eu disse que vocês são o presente e o futuro do Brasil.
(Palmas.)
Quando nós resolvemos discutir e
homenagear o padre Ovídio, foi pela sua história da fundação da Pastoral do
Menor, lá na cidade de Franca. Eu estive lá duas semanas atrás, o padre me
acompanhou o dia inteiro.
Depois, na parte da manhã, nós fomos
conhecer a Flor da Vida, que trabalha com planta medicinal, com canabidiol, e,
à tarde, nós fomos conhecer a Pastoral do Menor e outros recintos que o governo
estava, que o padre nos apresentou.
Agradecer o dom Carlos da Silva. Não
estava aqui no meu script, porque ele veio, na verdade, substituindo o dom
Odilo Scherer. Já aproveito para mandar um abraço para o nosso bispo e agradeço
por ele ter mandado você representando-o aqui.
E muito me anima, porque, gente, eu
primeiro fui batizado, sou um cristão, sou batizado na Igreja Católica – viu,
diácono Alex? -, sou batizado na Igreja Católica. Eu fiz a primeira comunhão na
Igreja da Matriz de São Bernardo do Campo, era a igreja que tinha na época.
Eu fui catequizado na beira da Anchieta.
Quando não tínhamos igrejas suficientes, os catequistas iam até as famílias,
nas casas, e ali cada final de semana era feita a aula de catecismo na casa de
uma família, juntava todo mundo, e depois nós fizemos a primeira comunhão na
Matriz de São Bernardo do Campo, que é a principal igreja de São Bernardo do
Campo.
Embora São Bernardo tenha o segundo
santuário de Nossa Senhora Aparecida, que está localizado no bairro da
Pauliceia. Então, para mim, é uma honra, por quê? Porque a igreja tem um papel importante.
Todas as religiões têm um papel importante. Então, eu fiquei muito feliz
quando, há três ou quatro semanas atrás, saiu uma pesquisa, uma pesquisa que eu
avalio muito importante.
Então, a cada dois anos, os órgãos de
pesquisas fazem pesquisas sobre as entidades, a importância das entidades, qual
a credibilidade que essas entidades têm. Então, lá aparecia, por exemplo, a
entidade Congresso Nacional. Qual era o prestígio deles há dois anos atrás?
Eles tinham 54% de aprovação. Passados dois anos, eles caíram nove pontos
percentuais, caíram para 45 por cento.
A Presidência da República, e não é
nome do presidente, é a Presidência. A instituição tinha 56%, havia caído para
50 por cento. O STF tinha 52%, também caiu para 50 por cento. E a instituição com
maior credibilidade que aparece nesse momento é a instituição Igreja Católica,
com 74% de aprovação pelo povo que foi pesquisado. (Palmas.) Então, isso mostra
o papel que tem a Igreja Católica, o papel que ela cumpriu, o papel que ela
teve nas nossas lutas.
No ABC, quando nós, metalúrgicos,
estávamos em greve, no período da ditadura, como a Igreja nos socorreu, nos
acolheu. Então, a gente entrava dentro da igreja, a polícia não entrava, porque
aquilo é o espaço, é o solo sagrado dos cristãos, dos católicos, e tem que ser
respeitado, e foi muito respeitado.
Então, a Igreja tem uma participação
importante na história da formação religiosa, mas também política, econômica e
social do nosso País. Uma história importante.
Aqui nós podemos lembrar dom Pedro Casaldáliga,
podemos lembrar dom Paulo Evaristo Arns, várias lideranças importantes que
tiveram esse papel importante. E o papa Francisco, e agora o papa Leão. Mas o papa
Francisco, para mim, se tornou uma das maiores referências mundiais entre todos
os papas. Em memória ao papa Francisco, eu gostaria de saudá-lo com uma salva
de palmas, porque eu acho que isso é importante para nós. (Palmas.)
Então, a Igreja sempre teve esse papel
preponderante de socorrer os mais pobres, de ajudar a organizar, de ajudar na
formação. Não é só a formação para eu entender a religião na qual eu fui
batizado, mas também de formação social, de ter igrejas que ajudam no ensino.
Então, eu costumo dizer, padre Ovídio, que, por exemplo, no Brasil tem algumas
organizações nacionais.
Então, você tem as Forças Armadas, que
estão organizadas no Brasil inteiro, mas você tem a Igreja Católica, que também
está organizada no Brasil inteiro, e hoje em quase todos os bairros de quase
todas as cidades.
Então, a Igreja foi crescendo,
avançando, e esse papel da Igreja, fazendo lá o contraturno com a meninada da
escola, eu acompanhei lá com o padre Ovídio a creche, a central da Pastoral do
Menor, passei lá o dia inteiro, almoçamos lá, uma comida boa, não é, padre?
Então, foi muito bom.
E nós resolvemos homenagear o padre Ovídio
em função disso. Porque não é fácil a gente deixar toda uma outra vida que
podemos ser lá fora, para podermos nos dedicar a ser um padre, a ser um bispo,
a ser, na questão das mulheres, uma irmã lá na Igreja. Então, a vida dentro da
Igreja, ela é bela; fora da Igreja também ela é bela, e não é fácil trazer
juventude, trazer novos formandos para serem seminaristas e serem padres.
Então, eu quero agradecer a toda esta
bancada, esta Mesa, por existir, resistir e continuar pregando e defendendo o
nome de Deus, defendendo a religião e sem ser negacionista. Não dá para aceitar
negacionismo. Então, isso nós temos que combater o tempo todo.
Então, a Igreja é importante na
ciência, é importante na fé, na religiosidade, é importante em tudo. Mas,
principalmente, para ajudar a formar a nossa juventude.
Muito obrigado a todos vocês.
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Agradecemos ao
deputado Teonilio Barba. Neste momento, assistiremos a um vídeo institucional
sobre a Pastoral do Menor de Franca.
*
* *
- É exibido o vídeo.
*
* *
A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Seguindo
com a nossa cerimônia, ouviremos os membros da Mesa Diretora. Convido para que
faça uso da palavra a Dra. Berenice Maria.
A
SRA. BERENICE MARIA GIANNELLA - Boa noite a todos.
Queria saudar os integrantes da Mesa, na pessoa do dom Pedro Luiz Stringhini. Prazer
em revê-lo. Desde os nossos tempos de Tatuapé, o famoso Complexo Tatuapé... E,
em nome do padre Ovídio, meu amigo padre Ovídio.
É um prazer estar aqui nesta homenagem
mais do que merecida ao padre. Como é que a gente começou a nossa relação, não
é, padre? Em 2005, eu fui convidada para ser presidente da Febem, hoje Fundação
Casa, e a fundação vivia um período de uma grave crise, com rebeliões, fugas,
tortura a adolescentes autores de ato infracional que lá se encontravam com sua
liberdade restrita. E era tão complicado que, quando eu assumi, várias pessoas
falaram: “Você vai acabar com a sua carreira profissional, porque ninguém dura
lá mais do que três, quatro meses”.
Eu acabei ficando 12 anos lá na
presidência. Nós transformamos a Febem em Fundação Casa. Mas, logo no começo,
com toda a dificuldade, porque todo mundo queria que a fundação acabasse, todo
mundo queria que... Todo mundo tinha uma proposta excelente para resolver o
problema da fundação, mas poucas pessoas estavam dispostas a colaborar de
coração e voluntariamente.
Foi aí que, um dia, eu recebi a visita
da queridíssima irmã Maria do Rosário, da Ruth Pistori - ambas, infelizmente,
não estão mais conosco - e do padre Ovídio - um jovem padre ainda, eu também
era jovem. E eles três, ao invés de virem criticar a Febem, ao invés de virem
dar uma solução mágica para o problema, vieram oferecer auxílio, vieram
oferecer ouvidos e vieram se colocar à disposição para os projetos que a gente
pudesse fazer na fundação.
E ali nasceu, em 2005, esse
relacionamento, que teve alguns momentos conturbados, mas que significou muito
na minha história pessoal - por isso eu fiz absoluta questão de vir hoje - e
muito na história da Febem, da Fundação Casa. Porque, no momento em que todo
mundo criticava o governo, todo mundo criticava a fundação, essas três pessoas
estiveram lá presentes para apoiar o nosso projeto. Não sem fazer as devidas
críticas quando elas eram devidas e necessárias.
E depois, mais para frente, nós
implantamos um modelo inovador de gestão na fundação, porque nós concedemos a
administração de algumas unidades nossas para as organizações do terceiro
setor. E a Pastoral do Menor foi uma das primeiras a anuir à proposta.
Nós chegamos a ter 24 unidades
compartilhadas com o terceiro setor, mas a Pastoral esteve presente em
Sorocaba, em Jundiaí, em Franca... Acho que as três, não é? O Zé Rosa estava lá
em Sorocaba, o padre Ovídio, em Franca. E eles, mais do que nos ajudarem a administrar
as unidades, ajudaram a construir esse modelo, que foi o modelo que deu certo,
o modelo que juntou governo e terceiro setor para cuidar dos adolescentes
autores de ato infracional.
Então, eu tinha mais do que dever, de
coração, de vir aqui hoje, padre, porque a minha história como presidente da
fundação - que eu julgo que foi uma história de sucesso - é muito devida a
vocês, à Pastoral, que nos ajudou, que acreditou em mim, que acreditou no nosso
trabalho. E mais do que acreditar, trabalhou conosco, não sem sacrifícios
pessoais, mas trabalharam conosco durante os 12 anos que eu permaneci lá como
presidente.
Então, padre, receba meu carinho, minha
homenagem e minha eterna gratidão pelo apoio que todos vocês deram para o Estado,
para a Fundação Casa e para os meninos, para os adolescentes, meninos e meninas
internados durante os 12 anos que eu lá estive.
Muito obrigada e parabéns pela
homenagem. (Palmas.)
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Convidamos para fazer
sua palavra padre Antônio de Pádua Dias, vigário judicial e presidente do
Tribunal Eclesiástico da Diocese de Franca.
O
SR. ANTÔNIO DE PÁDUA DIAS - “Todas as vezes que
fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o
fizestes.”
Excelentíssimos Srs. Deputados,
estimadas autoridades civis e religiosas, prezados irmãos e irmãs, em nome da
Diocese de Franca e de nosso bispo diocesano, dom Paulo Roberto Beloto, é com
grande alegria e profundo reconhecimento que tomamos a palavra nesta sessão
solene para homenagear o reverendíssimo padre Ovídio José Alves de Andrade - e
junto a ele toda a Pastoral do Menor de Franca.
A outorga deste Colar de Honra ao Mérito
Legislativo não é apenas um gesto simbólico, é o reconhecimento público de uma
vida entregue ao serviço, à promoção da dignidade humana e à defesa dos mais
pequeninos, aqueles que são o rosto de Cristo entre nós.
O padre Ovídio, com sua presença firme
e coração sensível, fez da Pastoral da Criança e da Pastoral do Menor um
verdadeiro sinal do Evangelho em ação. Sua dedicação ultrapassa fronteiras. Onde
há vulnerabilidade, ele semeia esperança. Onde há dor, ele semeia vida. Onde há
abandono, ele constrói ponte de fraternidade.
A Diocese de Franca se alegra e se
orgulha por ver um de seus filhos e pastor ser reconhecido pelo Poder Público
por sua missão evangelizadora e social. Este mérito é partilhado com todos os
agentes de pastorais, voluntários e famílias que silenciosamente constroem o
reino de Deus com gestos concretos de amor.
Que esta homenagem seja um incentivo
para que continuemos firmes na construção de uma sociedade mais justa,
solidária e fraterna, onde toda criança e todo adolescente possam crescer com
dignidade, fé e oportunidades.
Parabéns, padre Ovídio. Sua vida é
testemunho do que o evangelho pode realizar quando encontra um coração
disponível para servir.
Muito obrigado. (Palmas.)
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Chamamos agora para
fazer uso da fala Marcelo Tidy, vereador de Franca.
O
SR. MARCELO TIDY - Boa noite a todos. Honra-me muito
estar aqui nesta noite. Em nome do meu amigo Guilherme, da Ana Paula Peixe, eu
cumprimento todos os colaboradores da Pastoral do Menor de Franca e Patrocínio.
O padre Ovídio tem um lado
diferenciado, que aqui nós temos essas crianças, e eu tenho certeza que a
equipe da Pastoral cuidou de vocês, desde a saída de Franca, até de Patrocínio
Paulista, para vir aqui à Assembleia Legislativa.
Eu trabalhei como assessor durante 20
anos aqui, e hoje agradeço ao deputado Barba, que teve esse olhar em homenagear
uma das figuras mais impactantes da nossa cidade, que é o padre Ovídio. O padre
Ovídio é um inventor de serviços. Todo dia, quando conversamos com ele, ele
sempre tem algo pensando nas nossas crianças, idosos, pessoas em
vulnerabilidade, a gente sempre fala.
A Pastoral do Menor trabalha com as
crianças, e também com aquela pessoa em vulnerabilidade, que está na rua,
dependente químico, que muitas vezes é marginalizado pela nossa sociedade.
Padre Ovídio, o senhor proporciona a mim um dos momentos mais especiais da
minha vida, porque quando eu criança, e a gente tinha o sonho de estar
representando a nossa cidade, hoje estar como vereador, durante muitos anos, hoje
é a primeira vez que eu subo à tribuna da Alesp, uma das casas mais importantes
do nosso País.
Vereador Davis, me honra estar ao seu
lado. E o Barba, quando ele outorga o Colar parlamentar ao padre Ovídio, ele
está dando a maior honraria que o estado de São Paulo proporciona a uma pessoa.
E essa pessoa só ganha essa medalha, esse colar, porque tem história.
Padre Ovídio, se fosse falar do senhor,
de tudo que eu acompanhei na trajetória do senhor, que a gente se conhece há
mais de 30 anos, a gente tem ali uma das festas que a população francana tem
saudade, que é a festa da família, que era a festa da integração, que até hoje,
eu não lembro quanto tempo se encerrou essa festa, mas até hoje a sociedade
francana cobra a volta desse evento tão importante.
E o maior legado que a Pastoral do Menor
deixa, o bispo dom Luís, que esteve na nossa cidade, é isso, é cuidar das
nossas crianças, é cuidar dos nossos jovens e dos nossos idosos.
E eu vou fazer um pedido ao deputado
Barba. Eu, vereador Tidy, destinei 150 mil de emenda impositiva à Pastoral do Menor.
É um recurso pequeno. Eu sei que o deputado tem um olhar muito especial para a Pastoral.
Então, deputado, pensa com carinho, manda uma verba lá para a Pastoral do Menor,
que o senhor vai ter certeza de que vai ser o melhor investimento para a verba
parlamentar do deputado. (Palmas.)
Muito obrigado, uma boa-noite a todos, e
bom retorno para a nossa cidade.
O
SR. PRESIDENTE - TEONILIO BARBA - PT - Vereador
Marcelo, nós já estamos de lá com a listinha na mão. Pode ficar tranquilo, está
bom? Muito obrigado.
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Chamamos agora o
vereador Dheison Silva.
O
SR. DHEISON SILVA - Boa noite a todos e
todas. Boa noite, gente.
TODOS
- Boa noite.
O
SR. DHEISON SILVA - Bom, pensei que
estava todo mundo cochilando aí nas cadeiras. Primeiro, eu estou muito feliz e emocionado,
padre Ovídio, de poder estar aqui hoje nessa homenagem. Eu conheci o padre Ovídio
pessoalmente no dia de hoje, nesta noite, minutos antes de chegar aqui. Mas
saiba, padre Ovídio, que o seu legado, o seu trabalho te precede.
Há muito tempo eu ouço falar do senhor,
seja pela minha amiga Cecília, que está ali em cima, a Cris, que sempre fala. E
recentemente o deputado Barba e o deputado Alfredinho estiveram lá em Franca
com o senhor. E eu perguntei para eles como é que foi. Eles ficaram uma hora
descrevendo o trabalho lindo e bonito que o senhor realiza na cidade.
Confesso que fiquei com inveja de não
ter acompanhado essa viagem e de conhecer, mas estou me convidando para ir lá,
viu, padre? E eu acho que isso é o mais importante. É importante quando o
legado de uma pessoa, de um homem, que se propõe a realizar coisas incríveis,
aqui em vida, na terra, para o próximo.
E parece óbvio dizer isso, mas
infelizmente a gente tem vivido num mundo muito egoísta, em que as pessoas muitas
vezes não têm olhar pelo próximo, não tem tempo de pensar como estão as
pessoas, de olhar para as pessoas mais fragilizadas, que estão marginalizadas
na sociedade, ausentes de serviço público.
E o padre Ovídio e aquele vídeo
institucional nos mostram a quantidade de coisa que dá para fazer, que é possível
fazer. O vereador Marcelo, que me antecedeu nesta tribuna, falou bastante, com
muita propriedade do trabalho do padre Ovídio. E isso inspira. Acho que não só
o Marcelo lá na Câmara, mas inspira cada um de nós.
Cada um de nós pode fazer mais, pode fazer
melhor todos os dias. E eu acho que hoje é o ensinamento que nós vamos levar
daqui. A partir dessa homenagem do padre Ovídio, que é para ele, mas é para
toda essa obra, para todo mundo que o acompanha, porque ninguém faz nada
sozinho.
E ele como bom líder, um líder
espiritual, um líder de pessoas, sabe da importância de guiar as pessoas para o
caminho do bem. Para o caminho de quem quer ver um mundo melhor, uma cidade
melhor e um país melhor.
Eu saio daqui no dia de hoje, padre Ovídio,
muito fortalecido. E pode ter certeza de que o seu exemplo vai me inspirar na
Câmara Municipal de São Paulo, para fazer boas leis, para fazer um bom
trabalho. E quem dera que um dia eu chegue pelo menos aos pés da sua obra, do
seu legado e do seu trabalho.
Parabéns, padre Ovídio. (Palmas.)
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Convidamos agora,
para fazer uso da palavra, dom Pedro Luiz Stringhini, bispo da Diocese de Mogi das
Cruzes. (Palmas.)
O
SR. PEDRO LUIZ STRINGHINI - Saúdo a todos os
irmãos e irmãs aqui nesta noite, com muita alegria de encontrar o povo de
Franca aqui na Assembleia Legislativa de São Paulo. (Palmas.) Que maravilha.
Deputado Barba, eu depois de ter ficado 20 anos como padre aqui em São Paulo,
mais nove anos como bispo aqui em São Paulo, sempre lá na zona leste, aí tive a
graça de estar durante tempo curto, três anos, lá em Franca.
E Franca, então, continua sempre no meu
coração. Quando eu posso, eu estou lá. Este ano mesmo, em janeiro, estive na
ordenação do Fernandinho. Ganhei até essa cruz lá de Franca. Então, uma alegria
muito grande. E, sobretudo, ver as crianças, que certamente, a maioria delas
não tinha nascido quando estava lá em Franca há 13 anos, porque são crianças.
Mas uma alegria muito grande. Peço que
o padre Toninho leve meu abraço a dom Paulo Beloto, que é o meu sucessor. O
padre Toninho era padre já naquele tempo lá comigo. E saudando aqui dom Carlos
Silva, que é o secretário, bispo secretário do estado de São Paulo, da CNBB
Regional, o Regional Sul 1 da CNBB. CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil, está representando dom Odilo. Uma alegria, dom Carlos, estar aqui com o
senhor.
Deputado Barba, pela segunda vez
estamos juntos aqui. Agradeço aquela homenagem que o senhor prestou à minha
irmã, Cecília, que hoje é a coordenadora estadual da Pastoral do Menor,
substituindo aquele que foi por muitos anos, acho que até décadas, o padre Ovídio,
à frente da Pastoral aqui no Estado. Pois bem, padre Ovídio, parabéns por esta
noite. Parabéns, que alegria.
Não podia deixar de estar aqui. Eu tinha
uma crisma. Primeiro convite que eu recebi. Eu falei que não estaria, porque
tinha a crisma. Mas depois é Diego que manda convite, é não sei quem que manda
convite, eu não posso faltar nessa noite. E dom Carlos Lema, daqui de São
Paulo, vai fazer a crisma no meu lugar. Graças a Deus está fazendo e eu, graças
a Deus, pude estar aqui.
Já como padre, eu conheci padre Ovídio.
Eu já tenho 24 anos de bispo. Como padre, já conheci padre Ovídio, porque ele
já batalhava. Nas reuniões em Itaici, a gente se encontrava e também aqui em
São Paulo. Se for contar as noites que padre Ovídio passou em ônibus, vindo de
Franca para São Paulo, nem dá para contar. Depois, como bispo, também o
conheci. E depois, surpresa de estarmos juntos lá em Franca.
Quando eu cheguei em Franca, o primeiro
dia que eu visitei Franca, 10 de janeiro de 2010, foi exatamente no dia da
morte por acidente, pelo terremoto, da Dra. Zilda Arns. Foi naquele dia.
À noite eu celebrei no Cambuí, que era
uma capelinha - hoje tem uma igreja bonita -, e no dia seguinte percorri o dia
todo com o padre Ovídio. Levou-me na Fundação Casa, levou-me em projetos
sociais da Pastoral do Menor. E nós estivemos juntos por três anos. Depois
também fui, agora ultimamente por cinco anos, presidente do Regional. Então o
padre Ovídio sempre com a gente.
Então eu posso testemunhar uma vida
mesmo de dedicação para esta obra, iniciada há 48 anos por dom Luciano Pedro
Mendes de Almeida, que era o bispo da região leste, na região Belém. Foi quem
fundou. Eu era um seminarista de teologia. Eu e mais alguns tivemos a graça de
Deus de estar com dom Luciano no início.
Lembro-me perfeitamente a primeira
visita com dom Luciano lá na Fundação... Na Fundação Casa, não, na Febem - a
Dra. Berenice já mencionou a Febem, que depois foi ficando cada vez mais
desastrosa - e nós começamos a Pastoral do Menor. Dom Luciano hoje deve estar
muito feliz de ver isso aqui e parte do resultado da sua inspiração e da sua
dedicação.
Bem, as pessoas que citei, saúdo a
todos da Mesa, os que estão em cima, os que estão embaixo. A alegria de
encontrar a Dra. Berenice, que tudo aquilo que ela falou, eu presenciei de
fato. Ela foi gigante, foi gigante porque entrou no momento mais conturbado.
Antes dela era Alexandre de Moraes,
secretário - hoje ministro -, era secretário da Justiça e ao mesmo tempo
presidente da Febem. E Alexandre de Moraes deu uma sacudida, porque balançou a
árvore que estava cheia de “fruto podre”. Mas não bastava balançar essa árvore,
tinha que refazer o plantio e refazer a construção e quem fez isso foi a Dra.
Berenice.
Não vou contar tudo o que ela contou,
porque é exatamente aquilo. Nós da Pastoral vimos nela - eu era bispo auxiliar
aqui -, vimos nela realmente consistência, competência e muito coração também.
E por isso é toda essa história que ela acabou de contar. Merece um aplauso,
sem dúvida nenhuma. (Palmas.)
Bem, por isso que, com tudo isso e com
muito mais, essa noite é muito abençoada. E padre Ovídio merece essa homenagem.
E nós nos sentimos todos homenageados, não tem dúvida, padre Ovídio. Através do
senhor nós nos sentimos todos homenageados.
Vamos saudar o pessoal que está aqui em
cima: a Cecília, minha irmã; o nosso irmão; Marilda - conheci a mãe da Marilda,
a Miralda, lá em São Mateus, há 45 anos atrás, quando eu comecei a ser padre;
Sueli, estivemos juntos, tanto tempo também; Zé Roberto, então, é primeiro,
conheci o Zé Roberto há 60 anos, ele é de Sorocaba, quando eu fui no seminário
de Sorocaba, 60 anos atrás. Eu era uma criança, tinha 11 anos, e ele era mais
criança do que eu ainda, acho que ele tinha 10, no Seminário Menor de Sorocaba.
Bem, saudar os que estão aqui, os que
estão aqui e os que estão ali.
E viva o padre Ovídio e viva a Pastoral
do Menor. (Palmas.)
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Convidamos agora
dom Carlos Silva para fazer uso da sua palavra.
O
SR. CARLOS SILVA - Diz que padre e bispo falam
muito. Então, eu vou fazer como o padre fez aqui: vou ler uma mensagem para o
padre Ovídio, para todos nós aqui.
Irmãos e irmãs, que alegria participar
dessa noite. Eu sentei antes de subir à Mesa, no primeiro banco aqui, olhei
para trás e olhei para aquelas duas meninas. Falei: "qual o seu nome,
deputada?" e ela ficou lisonjeada, feliz da vida.
Então, é com grande alegria, em nome do
nosso Regional Sul 1, padre Ovídio, Sul 1 da CNBB, como nos lembrava dom Pedro,
e do nosso cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São
Paulo, que expressamos nossa saudação e gratidão nessa sessão solene de outorga
do Colar de Honra ao Mérito Legislativo ao padre Ovídio José Alves de Andrade e
de homenagem à Pastoral do Menor da Diocese de Franca.
Hoje reconhecemos não apenas pessoas e
instituições, mas um testemunho concreto do Evangelho e do serviço. Padre
Ovídio, com sua dedicação serena e firme, o senhor tem sido uma presença de
pastor que acolhe, que orienta, que inspira. Seu ministério tão fecundo, já
lembrado aqui, mostra que a missão da Igreja se realiza onde há proximidade,
onde há escuta, onde há compromisso e onde há caridade. E o senhor é a
expressão, aqui para todos nós nessa noite, dessa verdade.
De igual modo, a Pastoral do Menor de
Franca é sinal vivo de esperança. Nós estamos num ano jubilar, o ano da
esperança, e é São Paulo que nos lembra que a esperança não decepciona. E um
grande cardeal dessa Igreja dizia: "de esperança em esperança, e esperança
sempre, avante", né? Acho que essa palavra se faz muito necessária nesta
noite. Então essa Pastoral do Menor de Franca é um sinal de esperança.
Em tempos, irmãos e irmãs, de tantos
desafios sociais, esta Pastoral se destaca por colocar no centro aqueles que
mais precisam: nossas crianças, nossos adolescentes, nossos jovens,
especialmente aqueles mais vulneráveis.
É um trabalho que transforma vidas -
quantos anos transformando vidas -, que fortalece famílias, que constrói
cidadanias. Quando alguém me disse assim, olhando para a coordenadora, né,
da... do nosso País, da Pastoral do Menor, que ela foi uma que desfrutou, né,
desse serviço, isso é construir cidadania, isso é construir.
Então, em nome do nosso Regional Sul 1,
padre Ovídio, e do nosso cardeal, manifestamos nosso reconhecimento, nossa
gratidão e nossa oração a Deus para que continue te abençoando. Não só o
senhor; na sua pessoa, todos os agentes da Pastoral do Menor.
Que o Espírito Santo lhe conceda seguir
este caminho, perseverar no caminho iniciado, alegria renovada e um ardor
missionário. Que esta homenagem seja estímulo para que continuem com humildade,
coragem e bela missão, na bela missão de servir.
Muito obrigado, Padre Ovídio.
Muito obrigado, Pastoral do Menor.
(Palmas.)
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Agradecemos as
palavras. E neste momento assistiremos a uma apresentação musical do Serviço de
Convivência Beija-Flor, que é executado pela Pastoral do Menor em parceria com
a Prefeitura de Patrocínio Paulista.
*
* *
- É feita a apresentação musical.
*
* *
A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS
-
Agradecemos a apresentação do grupo, e convidamos agora, para que faça uma
breve saudação, o Sr. Roberto Rosa, coordenador da Pastoral do Menor da região
de Sorocaba.
O SR. JOSÉ ROBERTO ROSA - Boa noite. Eu queria dizer
uma palavra para a criançada de Franca e Patrocínio, mas justo agora eles
saíram da sala, mas enfim... Olha lá, tem dois ali. Então eu falo para eles e
eles repartem depois com os coleguinhas. Criançada de Franca e de Patrocínio
Paulista, sabe uma coisa que a gente admira no padre Ovídio? É que parece que
ele não cansa nunca, né? Ele não cansa, a gente fica cansado de ver ele
trabalhar, mas ele não cansa nunca.
Então,
criançada, eu fico pensando: “Será que ele é meio super-herói? Será que ele é
parente do Homem Aranha? Sei lá”. Mas não, na verdade ele não é super-herói, o
que move o padre Ovídio é a fé e o compromisso com Jesus Cristo, e isso faz com
que ele se renove a cada dia. Sempre que você o vê parece que ele está mais
jovem, mais animado e mais cheio de vida.
Então
a gente quer trazer aqui o abraço de 1.300 crianças da Pastoral do Menor de
Sorocaba, Serviço de Convivência, contraturno de lá. E padre Ovídio, criançada,
agentes de Franca, vocês são um exemplo para nós.
Então
Pastoral do Menor de Sorocaba procura humildemente seguir os passos de vocês,
seguir os passos do Centro Social do Bom Parto para que a gente possa melhorar
esse mundo.
Obrigado.
(Palmas.)
A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS
- Também
fará uma breve saudação o Sr. João Clemente, coordenador da Pastoral do Menor
da Lapa.
O SR. JOÃO CLEMENTE - Boa noite a todos, e
especialmente às crianças. Também gostaria de começar a minha saudação ao padre
Ovídio fazendo a saudação com as crianças.
Criançada,
se vocês desejam conhecer Jesus Cristo, se vocês desejam conhecer o Evangelho,
olhem para o padre Ovídio. O padre Ovídio tem o sabor do Evangelho, a alegria e
a esperança que percorrem todo o Evangelho. Padre Ovídio é encantado, animado e
dá alegria e dá ânimo para todos nós.
Eu
queria falar de um gesto que o padre Ovídio me tocou e que foi muito importante,
que foi quando ele me deu a imagem de São José que eu estava sonhando, porque o
padre Ovídio queria me dizer o seguinte: “Continue sonhando o sonho do Evangelho”.
Então
a minha saudação para o padre Ovídio é que ele permaneça sonhando o sonho do Evangelho.
Parabéns,
padre Ovídio, e gratidão ao senhor por tudo que o senhor tem feito por todos
nós, especialmente para a Pastoral do Menor. (Palmas.)
A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS
-
Convidamos também a Sra. Sueli Camargo, coordenador da Pastoral do Menor da Arquidiocese
de São Paulo.
A SRA. SUELI CAMARGO - Boa noite a todos. É uma
alegria estar aqui. Que momento bonito de se ver e de se viver, né? Quanto nós
temos que dar graças a Deus por este momento.
Eu
quero em um primeiro momento agradecer ao Barba. Parabéns por esta iniciativa. Quando
nós temos tantas pessoas nesta cidade imensa que é São Paulo a serem
homenageadas, e ele ter esse olhar sensível a uma ação pastoral e a um padre.
Parabéns, Barba. Muito obrigada por isso.
E
quanto é bom, e mais bonito não há, não é, crianças? Mais bonito não há.
Estamos aqui por vocês. Eu também quero cumprimentar... Hoje, crianças e
adolescentes, aqui neste espaço, vocês são tudo de mais importante. Quero
parabenizá-los por este momento e agradecer a presença de vocês.
Padre
Ovídio, muito obrigada, sua vida para nós é um testemunho, e não há nada melhor
do que o testemunho de vida que o senhor dá a todos nós da Pastoral do Menor e
ao clero também. Sua vida é um testemunho, somos gratos a Deus pela sua
presença no meio de nós, que possamos continuar firmes, crendo em Deus e sermos
testemunhas de Jesus no meio dos prediletos de Deus.
Quero
neste momento também pedir a benção aos dois bispos que nos acompanham a muitos
anos, dom Pedro Luiz Stringhini e dom Carlos, que continuem
nos abençoando e nos acompanhando nesta missão de servir a Deus junto à criança
e ao adolescente.
Parabéns, padre Ovídio, que Deus o
abençoe muito e que lhe dê muitos e muitos anos de vida para poder continuar
testemunhando este amor no meio de nós.
Parabéns. (Palmas.)
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Convidamos a Sra.
Cecília Stringhini, coordenadora estadual da Pastoral do Menor.
A
SRA. CECÍLIA STRINGHINI - Boa noite a todos e a
todas. Cumprimento aqui, em nome do deputado Barba, a Mesa debaixo e a Mesa de
cima, as duas Mesas e louvo e agradeço a Deus, padre Ovídio, pela tua vida.
Parabéns ao senhor, à Pastoral do Menor
de Franca, 42 anos, 42 anos. Muitos de vocês não tinham nem nascido 42 anos
atrás e o padre Ovídio já estava começando essa missão maravilhosa, encantadora
que fez com que estivéssemos aqui hoje, inclusive todos vocês, a Pastoral do
Menor de Franca.
Vou repetir o que a Sueli disse,
parabéns ao deputado Barba e a toda sua equipe do gabinete pela sensibilidade
em fazer esta homenagem à Pastoral do Menor de Franca e ao nosso querido e
amado padre Ovídio. Padre Ovídio, o senhor nos inspira muito. Começamos essa
caminhada há mais de 20 anos, nem sei quando, mas há muito tempo, o senhor já
vinha há mais tempo, muito antes de mim.
Claro, também
já foi dito quantas noites no ônibus, depois de um final de semana de tanto
trabalho nas paróquias. O padre Ovídio tomava o ônibus, deputado, meia-noite e
chegava aqui em São Paulo seis, sete horas da manhã para as reuniões que nós
fazíamos mensalmente, não é, Sueli? Não é, Zé Rosa?
Mensalmente
essa reunião e o padre Ovídio nunca mediu esforços, nunca disse que estava
cansado - agora, às vezes, ele diz, porque agora também já não é tão jovem.
Então, às vezes diz que está cansado - mas na época não dizia nunca que estava
cansado.
Quando dom
Caetano vinha junto com ele, ele vinha dirigindo de Franca até aqui, saía de
madrugada e ficava o dia todo na reunião. Ele conduzia a reunião, não
participava da reunião, conduzia, então ficava o dia todo na reunião e depois
retornava para Franca dirigindo e ainda levando o bispo do lado.
Então, era uma
responsabilidade muito grande, mas era um compromisso com a Pastoral do Menor
que ele sempre foi encantado e sempre nos encantou. Então, sempre nos inspirou,
sempre nos inspirou à luz do Evangelho de Jesus Cristo, sempre esteve à frente.
Então estamos vivendo agora esse ano, o ano santo e estamos aí como peregrinos
da esperança, esperança sempre.
Então, padre Ovídio,
o senhor tem a esperança do esperançar, não é? Traz para nós e para a Pastoral
do Menor, não só de Franca, mas de todo o estado de São Paulo, por onde o
senhor também esteve à frente por muitos anos junto com o diácono Everton, que
também está por aqui. Diácono, muito obrigada também por estar nessa caminhada
do Pastoral do Menor, o senhor também nos inspirou muito e nos abriu muitas
portas, muitos caminhos para que a gente pudesse também seguir.
Quantas
crianças, quantos adolescentes e jovens foram acolhidos, amados, cuidados pela
Pastoral do Menor de todo o estado de São Paulo estando à frente tantas
pessoas, claro, como o dom Luciano Mendes de Almeida, irmã Maria do Rosário,
Rute e tantos outros.
Depois nós,
mais jovens... Eu digo que nós somos a segunda geração da Pastoral do Menor,
não é, padre Ovídio? A geração que iniciou nós. Aí nossa esperança são vocês
que estão chegando agora, que estão chegando há algum tempo, mas que são
jovens, como essas agentes que estão aqui na frente bem jovenzinhas. Então,
depois de nós, vem vocês e depois a criançada que está sendo formada por todos
vocês.
Então,
parabéns, padre Ovídio, muito obrigada por caminhar conosco, por ser sempre
essa inspiração.
Muito obrigada,
deputado Barba e toda a sua equipe e toda Pastoral do Menor de Franca.
Viva a Pastoral
do Menor de Franca. (Palmas.)
A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS -
Para fazer agora uma breve saudação, a Sra. Marilda dos Santos Lima,
coordenadora nacional da Pastoral do Menor.
A SRA. MARILDA DOS SANTOS LIMA -
Boa noite, gente linda; boa noite, Mesa linda aí debaixo, a Mesa linda aqui de
cima, todo pessoal, é uma grande alegria estarmos aqui para celebrar.
O padre Ovídio
vem fazendo várias celebrações, a gente esteve lá na celebração dos 40 anos de
caminhada de Franca e é tão importante celebrar. A gente vive momentos de muita
tristeza, de muito sofrimento em uma conjuntura geral, principalmente nós que
caminhamos com as pessoas sofridas, e esse momento é de encher o nosso coração.
Fiquei
lembrando, porque... Vocês viram que dom Pedro lembrou da minha mãe? O padre Ovídio
sempre lembra da minha mãe e ela foi uma educadora que começou a semear junto
com a Pastoral do Menor lá nos anos 80 e eu já estava ali junto com ela, como
adolescente.
Minha mãe
falava uma coisa que guardei sempre, ela fazia uma oração, ela pedia um
coração, um coração forte para lutar e um coração grande para amar. Esse é o
coração do padre Ovídio, que tem força para enfrentar tantas lutas e que é
grande. Às vezes, ele ama de um jeito bravo, não é, gente? Às vezes fica... Mas
é sempre amor, mesmo bravo. Às vezes um pouco apressado, ansioso, mas é um
amor, um amor à vida, um amor que inspira.
Queria terminar
com Guimarães Rosa, trazer um pouco de poesia aqui, porque acho que é isso que
é o padre Ovídio: “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e
esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta”. Não é o padre Ovídio,
gente? Mas o que a vida pede da gente? Coragem.
Lembro sempre
da professora Stela Graciani, outra pessoa importante na nossa história, minha
professora da PUC de São Paulo e que também caminhou muito com a Pastoral do
Menor e com o Sul 1. E ela fala que coragem é isso, é o coração que age.
Então, o padre Ovídio
é esse coração que age, age lá localmente no seu território, na sua comunidade,
age no Estado, que é o estado de São Paulo e age nacionalmente.
Porque tem sido
uma referência para o Conselho Nacional da Pastoral do Menor há muitos anos.
Depois ele pode lembrar, mas acredito que desde que o conselho iniciou o seu
trabalho por todo o Brasil, o padre Ovídio sempre esteve presente com essa
coragem, com esse ânimo.
Então, que
todos nós continuemos nessa marcha, nessa toada e que ele não faz isso sozinho,
não é? Poderia levantar a mão aqui quem está no dia a dia com o padre Ovídio,
para a gente dar uma salva de palmas, porque ele tem esse pessoal maravilhoso
aí que está todo dia com ele. Levanta a mãozinha aí para a gente bater palmas.
Olha aí que gente linda.
Obrigada.
(Palmas.)
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - O deputado federal
Alfredinho não pôde estar presente aqui conosco esta noite, por questões de
saúde, mas enviou um vídeo para prestar homenagem ao padre Ovídio.
*
* *
- É exibido o vídeo.
*
* *
A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS -
Agradecemos as palavras. E para alegrar o nosso evento chamamos mais uma
apresentação musical. Agora, o grupo do Contraturno Escolar de Franca.
*
* *
- É feita a apresentação musical.
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* *
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Agradecemos ao grupo
pela apresentação. E, neste momento, daremos início a um momento muito especial
do nosso evento, as nossas homenagens.
Convidamos para vir à frente o deputado
estadual Teonilio Barba e o padre Ovídio José Alves de Andrade para a entrega
de uma homenagem à Pastoral de Franca.
*
* *
- É entregue a homenagem.
*
* *
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Seguindo com a nossa
solenidade, assistiremos mais uma apresentação musical dos adolescentes e
crianças da Pastoral do Menor de Franca.
*
* *
- É feita a apresentação musical.
*
* *
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito obrigada pela
apresentação. E agora, continuando com as nossas homenagens, será realizada a
Outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo ao padre Ovídio José Alves de
Andrade.
O Colar de Honra ao Mérito Legislativo
é a mais alta honraria conferida pela Assembleia Legislativa do Estado de São
Paulo. Foi criada em 2015 e é concedida a pessoas naturais ou jurídicas,
brasileiras ou estrangeiras, civis ou militares que tenham atuado de maneira a
contribuir para o desenvolvimento social, cultural e econômico do nosso Estado,
como forma de prestar-lhes pública e solenidade uma justa homenagem.
Esta sessão solene homenageia, com a
Outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo, o padre
Ovídio José Alves de Andrade, fundador da Pastoral do Menor de Franca.
Vamos escutar agora um breve relato da
caminhada do padre Ovídio que será feita pelo Diego.
O
SR. DIEGO - Boa noite a todas e todos, estou
aqui representando os nossos quase 700 funcionários, colaboradores e as nossas
mais de 3.500 pessoas atendidas diariamente pela Pastoral do Menor em Franca.
Padre Ovídio José Alves de Andrade, nascido em
24 de dezembro de 1957, em Franca, veio ao mundo em circunstâncias delicadas,
mas desde o início mostrava que sua missão seria marcada pela superação.
Quarto dos sete filhos de Agostinho e
Milda, cresceu em um lar simples entre costuras, fé e vínculos familiares
profundos. Desde cedo, a espiritualidade fez parte de sua rotina da catequese à
cruzada eucarística, da convivência com os irmãos maristas às atividades no
Colégio Champagnat e na Colmeia, onde já se envolvia em ações com as irmãs de
São José de Chambéry, principalmente no atendimento aos mais pobres.
Durante a infância e adolescência,
enfrentou sérios problemas de saúde, erroneamente atribuídos ao cérebro. Apenas
aos 27 anos teve o diagnóstico correto de disritmia cardíaca e, que após
receber um marca-passo, pôde viver com mais liberdade e vigor, algo que ele
passou a ver como uma segunda chance para dedicar sua vida ainda mais
plenamente ao serviço do próximo.
A inquietação com as dores sociais e
sua intensa vivência comunitária o levaram a discernir a vocação sacerdotal.
Após experiências com grupos de jovens, pastorais e encontros vocacionais, optou
pelo caminho do clero diocesano, ingressando no Seminário da Arquidiocese de
Ribeirão Preto em 1977. Ali, formou-se em filosofia e teologia, concluindo seus
estudos em 1982. Sua formação foi marcada não apenas por conteúdos acadêmicos,
mas pelo desejo sincero de servir com justiça, ternura e presença.
Foi com esse espírito que, já como
padre, fundou na cidade de Franca a Pastoral do Menor, um marco na história da
defesa e promoção dos direitos de crianças, adolescentes e famílias. Com
sensibilidade pastoral, escuta ativa e forte compromisso social, padre Ovídio
deu início a um trabalho que transformaria vidas e comunidades inteiras.
A Pastoral do Menor e Família da
Diocese de Franca cresceu sob sua inspiração, tornando-se referência no
atendimento a crianças, adolescentes, famílias e educadores. Hoje, seu legado
segue vivo em mais de 75 espaços de atendimento em Franca e também na região,
mais de 3.500 atendimentos diários, quase 700 colaboradores diretos, restando
todos os indiretos.
Mais do que criar uma instituição,
padre Ovídio plantou uma cultura de cuidado, de valorização da dignidade e da
esperança. Para ele, evangelizar era também garantir oportunidade, educação e
afeto especialmente aos mais vulneráveis. Sua presença serena, combinada com a
firmeza de propósito, fez dele uma liderança respeitada e uma figura querida em
Franca.
Padre Ovídio é, acima de tudo, um homem
que decidiu fazer da própria história um espaço de acolhimento, fé e
transformação social. Sua trajetória nos lembra que uma vocação verdadeira se
constrói no cotidiano, com coragem para amar e servir, mesmo diante das maiores
dificuldades.
Hoje, o seu marca-passo, Deus o deu o privilégio e
a graça de continuar sem ele e continua ainda mais forte e mais turbinado, mas
quero lembrar aqui, parafrasear, lembrar o Hino Nacional Brasileiro: “Verás que
um filho teu não foge à luta”. Esse é o padre Ovídio José Alves de Andrade, não
fugiu à luta e continua não fugindo.
Parabéns ao padre Ovídio. (Palmas.)
A SRA.
MESTRE DE CERIMÔNIAS - Neste momento, assistiremos a
uma homenagem muito especial e, com certeza, ela não poderia faltar, um vídeo
enviado pelo dom Paulo Roberto, bispo da Diocese de Franca.
*
* *
- É exibido o vídeo.
*
* *
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Convidamos
para vir à frente os membros da Mesa Diretora, juntamente com o homenageado,
para a outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo.
*
* *
- É feita a outorga do Colar de Honra
ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo.
*
* *
A SRA. MESTRE
DE CERIMÔNIAS - Passo a palavra ao
homenageado da noite, padre Ovídio José Alves de Andrade.
O SR. OVÍDIO
JOSÉ ALVES DE ANDRADE - Será que vou
dar conta? Passou um filme na cabeça hoje, viu, gente?
Porque essa história começa... Ela não
está aqui hoje, a Vitalina. Quando dom Diógenes a convida a ir a São Paulo
juntamente com seu companheiro Giovanni em 1981. Após o convite, que ela foi...
Ela não está aqui hoje conosco por questão de saúde. O pessoal da Pastoral a
conhece, a nossa Vitalina.
A partir de 1982, quando fui pela
primeira vez, na segunda Semana Ecumênica, que aconteceu lá na região Belém,
lembrada aqui pelo dom Luiz, eu tive a oportunidade de conhecer dom Luciano,
irmã Maria do Rosário, Ruth Pistori, Stela Graciani, aqui lembrada também. Dom
Pedro, que naquela época era padre. Era seminarista, né? Em 82? Era padre já. O
Júlio Lancellotti.
Pela primeira vez, eu escutei uma frase
que me marcou, da boca, dos lábios, do coração do Luciano: “O menor não é
problema, o menor é solução”. Isso me marcou. Me marcou, porque lá, naquele
dia, eu escutava as pessoas e achava que Franca não tinha menino de rua. O meu
olhar não dava aquele olhar de ver o menino, a menina de rua, mas ali meu
coração quebrou. (Palmas.)
Eu ainda era seminarista. Cheguei em Franca
e pude ver aquilo que meus olhos não viam, aquilo que meu coração não via. O
que eram os meninos e meninas de rua no passado é o que são hoje as pessoas em
situação de rua. E quando acontecia alguma coisa, “lá vem os meninos do padre
Ovídio”, porque eu tomava as dores dos meninos. Tomava as dores deles. Ali na
Praça Central, na catedral.
Mas tive apoio das pessoas que eu
conheci, Maria do Rosário, Ruth Pistori, dom Diógenes. Com o apoio dele, nós
lançamos, ele lançou, o coração dele abriu, lá na cúria, no espaço da cúria, no
terreno onde é o estacionamento, tinha um cômodo lá, ele lançou o “Pingo de
Mel”. “Pingo de Mel” nunca saiu do meu coração, porque dom Diógenes dizia o
seguinte: “Vai ser através do mel que nós vamos atrair as abelhas, que são as crianças,
para serem atendidas, serem curadas, serem salvas”. Isso também ficou no meu
coração.
Começamos um trabalho ali no centro de
Franca com meninos e meninas de rua. Quando eu digo “começamos”: eu nunca fiz
nada sozinho. Como hoje está acontecendo graças a vocês, que fazem a Pastoral
do Menor. Não é o padre Ovídio que é a pastoral. Nunca foi. Cada um daqueles
que atenderam, olharam, escutaram, ouviram uma criança, um adolescente, uma
família, é Pastoral do Menor. Não é o padre Ovídio.
Então, lá eu aprendi isso. Nós
começamos um trabalho com os meninos no centro da cidade. Foi muito difícil.
Naquela época, está aqui presente a Dra. Dulce, ela já fazia parte da comissão
da Aids de Franca. Ela me convidou, naquela época, a fazer parte da comissão
multidisciplinar. Eu já era padre na catedral. Por conta dos meninos de rua.
Muitos já tinham Aids. Eu me lembro que muitos morreram de Aids.
Lembro de uma vez em que levaram um
adolescente para tirar sangue, fazer exame. A enfermeira não achava as veias
dele. Ele falou: “Dá aqui, eu tiro”. Ele pegou a injeção, cercou a artéria, ele
que enfiou a injeção. A enfermeira: “Tenho trinta anos de profissão, nunca vi
isso na minha vida”. Ele entregou a injeção.
Aquilo me chocava. Não existia ainda
estatuto. Existia todo um trabalho voltado para a criança e o adolescente. Eu
comecei a viajar por São Paulo, conforme foi lembrado aqui. Então, isso marcou
meu coração, foi marcando cada vez mais.
Quando resolvemos então... Por que
fomos à periferia de Franca? Na época, 75% da meninada de rua... É bom lembrar:
“de rua”, “na rua”. O menino na rua é aquele que volta para casa, aquele que
ainda tem a convivência social, aquele que tem o vínculo familiar.
Na época, o menino de rua, aquele que
perdeu o vínculo familiar, aquele que não tinha mais espaço. Ele tinha que
roubar, fazer alguma coisa para poder levar. São os “Joílsons” da vida aqui de São
Paulo, que morreu. Assim tinha também em Franca.
Então, assim começa o trabalho. Depois
vamos para baixo de uma árvore, no Jardim Aeroporto. Ali começa um trabalho,
sempre com várias mãos, sempre com pessoas que abraçavam a ideia.
Com isso, a pastoral foi crescendo com
muita dificuldade, muito desafio, muita crítica, muita bomba, porque aquele que
se envolve com aquele que é “lixo”, aquele que incomoda, aquele que perturba, também
se torna “lixo”, também se torna incômodo, como aconteceu com Jesus Cristo.
Porque Jesus Cristo tocou no leproso, ele também ficou impuro. Ele teve que
conviver fora da cidade.
Eu passei por isso também. Nunca me
assustei. Passei por perseguições. No ano da campanha da fraternidade, 1987, um
menino foi morto na frente da mãe dele, por um policial, a um metro de
distância. Eu denunciei o soldado, na época, mas passei por uma perseguição
muito grande, muito grande, por conta dessa denúncia.
Inclusive, já estava trabalhando com as
prostitutas de Franca por conta da Pastoral da Aids, para tirar aquelas que
estavam contaminadas. Por conta dessa denúncia e as ameaças, dom Diógenes dizia
assim: “Cala a boca, quem vai amanhecer com formiga vai ser você”.
Passei por isso também. Até que um dia
dom Diógenes me chamou e falou assim: “Ovídio, não volta lá, não. Eu sei que
você ama o que está fazendo, também, com as prostitutas, mas você pode
amanhecer morto mesmo”.
Foi difícil para mim sair de lá, mas
não deixei de ter o vínculo com elas, para poder resgatar também vidas. Elas
eram obrigadas a continuar trabalhando, contaminadas por aquelas pessoas que
diziam ser donas das casas. Não eram. Eram empregadas também.
Mas consegui. O trabalho foi
acontecendo, resistindo com muita dificuldade financeira. Onde existe pastoral
em que não tem falta financeira? Não é só Franca, não. Não é só São Paulo. É o
Brasil inteiro. Então, digo que muitas mãos foram construindo a pastoral.
Até economicamente, a gente fazia pizza
para poder pagar o salário, não é, Saad? Tinha que fazer pizza, fazer promoção
de pizza para poder fazer o pagamento dos salários, entre os funcionários.
Quantos e quantas. A gente tinha que se debruçar.
É diferente do que é hoje. No passado,
a gente batia na porta da prefeitura para ela ser um patrocinador dos projetos.
Era assim. Mas eu digo que tive a oportunidade... Conforme foi lembrado aqui,
eu vivi todas as semanas ecumênicas. As semanas ecumênicas me ajudaram a
entender o que é construção de políticas públicas.
Eu fiz parte, juntamente com dom
Luciano, de um grupo de pessoas que trabalhou na implantação, na Constituição
Federal, do Art. 227, do Art. 228. Criança, adolescente, prioridade absoluta.
Eu entendi o que era isso.
E antes de esse fato acontecer, eu me
lembro de uma vez em que dom Luciano, dom Paulo Evaristo Arns, lá no Belém, a
irmã Maria do Rosário falou assim: “É você que vai coordenar o encontro”. “O
quê?” Dois gigantes na minha frente, o presidente da CNBB e o cardeal de São
Paulo. Eu? Coordenar o encontro? Eu respirei e fiquei lá.
Eu passava por um momento difícil na
minha vida. Foi quando os meninos entraram na cúria e roubaram a cúria.
Roubaram a cúria. Veio malha de cima e de baixo. Imagina, menino entrar na
cúria, roubar a cúria de Franca? Quanta bordoada eu levei! Eu cheguei chorando
a esse encontro.
O dom Luciano, no final, me abraçou,
segurou no meu braço e falou assim para mim: “Ovídio, faça como a água. Quando
a água encontra uma dificuldade, o que ela faz? Ou ela passa pela direita, ou
ela passa pela esquerda, ou ela passa por cima, ou ela encosta. Ela vai
passando devagarzinho”. Assim o fiz com a minha vida. E faço. Nas minhas
dificuldades, eu faço como a água.
Aprendi com dom Luciano também, com a
Maria do Rosário, com a Ruth Pistori, com muitas outras pessoas que passaram
pela Pastoral. Também com a Vitalina, que não está presente.
Quando saiu o Estatuto da Criança e do
Adolescente... Para quem não sabe, nasceu dentro da casa da irmã Maria do
Rosário, com o dom Luciano, com Ruth Pistori, o rascunho do estatuto, graças às
conferências, graças às semanas ecumênicas que estavam acontecendo.
Eram documentos que construíam o estatuto.
E aqueles documentos foram também construindo cartilhas que nós usávamos já
como se o estatuto existisse, e aquilo fez parte da minha vida em Franca.
Eu lembro que na luta para construir
creches, fizemos em Franca o Fórum de Defesa das Crianças e dos Adolescentes.
Fui criticado por alguns irmãos nossos. Fizemos juntos, lutamos por isso.
Graças a quê? Ao trabalho que estava acontecendo em São Paulo, e eu junto e
tudo mais, participando das semanas ecumênicas. Quando saiu o estatuto...
E um detalhe que faço questão de contar.
Muita gente não sabe o que não está registrado na história. Já existia o
rascunho do Estatuto da Criança e do Adolescente e o dom Luciano foi convidado
para a Convenção Internacional dos Direitos da Criança e Adolescente quando
nasceu o documento internacional. O dom Luciano pegou esse rascunho: “Leve para
a conferência”.
O rascunho serviu de base para a
construção do documento internacional. O dom Luciano foi inteligente demais. Ele
entrou pela porta dos fundos para depois chegar no Congresso: “Olha, tem um
documento internacional aqui que o Brasil tem que ter”. Foi quando depois saiu
o Estatuto da Criança e do Adolescente. E a Pastoral do Menor de Franca já
estava envolvida com isso tudo, com as pessoas do meu lado.
Na época, o Dr. Celso Berardo, que era
o juiz de menor, falou assim para nós: “Vamos implantar o estatuto em Franca?”.
E saímos, não só Franca, mas em 25 municípios da região, que a Vitalina também,
além de ser professora da Unesp, ela era da Drads na época, e saímos. Franca
foi que instituiu o primeiro Conselho Municipal de Direito da Criança e do Adolescente
do Brasil, graças ao trabalho dela; o segundo Conselho Tutelar do Brasil,
graças ao trabalho da Pastoral do Menor.
Então, a gente trabalhou na construção,
na valorização dos direitos da criança e adolescente. Então, eu falo que eu
nunca fiz sozinho, não foi o padre Ovídio que fez. Fizemos juntos. “Juntos para
transformar”, porque a gente traz essa frase da pastoral, né? E eu sempre
vendo, pois, a partir de 1992, na primeira Assembleia Nacional, lá estava o padre
Ovídio.
Não tiveram mais a semana ecumênica e as
assembleias nacionais da Pastoral do Menor. Então, como a Marilda lembrou,
outros lembraram aqui, eu tenho uma história de Pastoral. Eu tenho história de
43, contando o meu tempo de seminarista de Pastoral do Menor, e graças a Deus,
eu nunca estive sozinho.
Eu falo que Deus me deu uma graça muito
grande, de eu encostar em pessoas que sabem, de eu buscar pessoas que se
comprometem. O pessoal fala às vezes que eu sou bravo. Não, eu não sou bravo.
Eu sou daquele que fala assim: “O que é combinado não é caro”. Se eu combinei
com você, é combinado. Então se você não fez eu vou ficar bravo. Aí fala: “O padre
Ovídio...”.
Eu cobro o que foi combinado e cobro de
mim também. Então, eu sempre fui bravo nesse sentido. O que é combinado não é
caro, sabe? Então, eu caminhei com pessoas que eu fui trazendo ao meu lado.
Então, quando eu vejo a história de Franca, foi nessa luta, nessa insistência.
Eu encontrava uma dificuldade, fazia como a água. Assim foram acontecendo
muitas coisas.
E sempre pessoas do meu lado para somar,
nunca para dividir. Se eu achava alguém pessimista, eu dava um jeito de pôr essa
pessoa para fora; eu quero pessoas que somam. Não suporto gente que fica: “Será
que vai dar certo? Será que consegue?”. Eu não gosto do “será”. O “será que”
perto de mim não serve. E eu falo também: “Ah, não dou conta. Não aguento mais”.
Deus anota tudo e quando chega no fim
da listinha: “Esse aqui quer vir embora, tire”. Então, não fala que você não dá
conta, não. Não fala que você está cansada, não, porque Ele te chama, certo?
Ele te chama. Tem muita gente que fica falando: “Não aguento mais, não dou
conta”. Enfim, eu tenho uma história assim, de muita gratidão, muita gratidão.
Eu vivi esse tempo todo, quando completaram
25 anos do meu sacerdócio já tinha a Fundação Casa em Franca. Os meninos da
Fundação Casa entraram lá na Igreja Catedral, um momento muito especial na
minha vida, porque a gente tinha um trabalho e toda vez se lembra disso, porque
a gente conseguia tirar os meninos que estavam internos.
Trouxe os meninos para ver o papa no
Morumbi. Reunimos, naquela época, 150
adolescentes da Fundação Casa, no Morumbi, 150 adolescentes. A gente trouxe
para o Morumbi. O pessoal me chamava de louco. Eu tive apoio dela, de alguns
juízes que concordavam com a gente, que eram doidos iguais a nós, para poder
tirar os meninos para fazer as coisas.
Então, a gente conseguiu fazer coisas
que para muitos eram impossíveis, mas fizemos, fizemos presente. E assim fui
fazendo muitas coisas ao longo da história. E eu não posso deixar de registrar
também que a Dra. Berenice mencionou aqui aquele momento...
Estava junto com a gente, Dra. Berenice,
dom Luciano também naquela reunião. Dom Luciano foi um pouco antes da morte
dele. Em 2005, como a senhora mesmo disse, enfim, foi uma construção juntos. Mas,
conforme foi dito também, a Pastoral também passou por muitas dificuldades
financeiras. E não foram fáceis, e não foram fáceis.
Mas, enquanto isso, a gente nunca
desanimou. Sempre Deus fazendo acontecer a nossa história. Quando, construindo
também esse trabalho - a Dra. Berenice lembrou - com a Fundação Casa, a gestão
compartilhada. Contava hoje no carro, Dra. Berenice, a senhora chegando lá em
Itaici com o Marrei, que eu fiquei lá naquele momento que a gente estava lá, a
senhora trazendo a dificuldade da construção do projeto, a ideia.
E depois eu me tornei um padre chato
para os bispos, porque eu entregava para o clero, os bispos, um monte de papel.
A senhora me ajudava a dar os dados da fundação. Eu entregava para cada bispo
quantos meninos dele, da diocese dele, estavam na fundação por cidade.
E eu fazia os dados estatísticos. Como
pode explicar cinco meninos numa cidade de cinquenta mil pessoas? Como é que
pode? Será que não tem cinquenta mil pessoas para cuidar de cinco meninos? Os
bispos queriam me matar. Ficavam bravos comigo. “Lá vem o padre Ovídio com os
papéis”.
O dom Luiz deve lembrar disso. Alguns
irmãos me falavam assim, mas eu nunca desanimei, nunca desanimei. Passamos por
dificuldade, conforme a Dra. Berenice também mencionou. Depois a fundação não
teve mais, com a mudança dela. Depois que ela saiu, não teve mais a gestão
compartilhada. Foi uma dor muito grande para a gente, a Pastoral do Menor e
tal.
Mas o mais interessante para Franca: a
partir do momento que nós deixamos de ter a gestão compartilhada com o Estado...
E outra coisa importante lembrar: que em 2015 foi aprovada a Lei nº 3.019, que
a partir do ano 2016 já era para vigorar a nível estadual e 2017 a nível municipal.
A Fundação Casa nos ajudou a entender o
que era a Lei nº 3.019. A gente teve que construir juntos um administrativo a
partir da nova legislação. Então, quando foi para aplicar no município, nós já
estávamos tirando nota dez no Estado, graças também ao apoio do Dr. Adriano,
que está aqui, para tentar entender essas mudanças administrativas, políticas, jurídicas
do terceiro setor.
Quando chegou em 2017, nós já estávamos
prontos para poder aplicar o que era mudança. Então, a gente conseguiu também
caminhar nas mudanças políticas, jurídicas, econômicas, administrativas do
terceiro setor. Mas o mais interessante nessa história toda foi a explosão que
virou a Pastoral depois.
Deixamos de estar com o Estado, mas a
Pastoral cresceu dentro de Franca, graças ao trabalho nosso, ao empenho nosso.
Nunca foi do padre Ovídio. As pessoas mais velhas aqui sabem do que estou
falando. O padre Ovídio não fez, vocês fizeram. Eu estava lá ajudando, certo?
Estava lá ajudando e a Pastoral passou a
crescer, vários serviços em Franca. Há três anos atrás... Nem lembro, Dra.
Berenice, a senhora foi lá dois anos, nem lembro mais se a senhora foi em
Franca.
Ela me ligou: “Estou aqui em Franca com
a esposa do governador. Estou aqui na Secretaria da Educação”, e eu fui
encontrar com ela. Fiquei feliz da vida. Falei: “A Dra. Berenice me ligou”.
Quando chego lá, estava conversando com
o Alexandre - ele disse que estaria aqui hoje, o prefeito. Na hora que eu
cheguei até ele, esses dois estavam conversando, ele pôs a mão no meu ombro
assim e perguntou: “A senhora conhece ele?”. Ela deu uma risada: “Sim, pois é,
Dra. Berenice. Se eu largar o padre Ovídio ele está ferrado - a frase que ele
usou - mas se ele me largar, eu estou fodido”.
Lembra disso, doutora? E hoje, eu tenho
certeza que se ele estivesse aqui, ele iria lembrar isso. Eu não sei a causa.
Mas eu quero dizer o seguinte: eu nunca fiz sozinho. A Pastoral do Menor existe
porque vocês existem, porque vocês acreditaram. Eu falo que a Pastoral do Menor
tem outra coisa também.
Quem bebe dessa água é uma cachaça que
te faz você ser dependente dela. Não tem como você perder essa identidade de
ser Pastoral do Menor, de ser um agente Pamen, de ser da família Pamen.
Então, eu diria que outra coisa que é
gratidão para nós é ver crianças, que um dia foram crianças e hoje são adultos,
agentes Pamen, ocupando lugares sociais em Franca, especiais. Mas uma outra
coisa, porque eu já falei demais, chega, né?
Nesses meus 25 anos de padre também, o
que foi prefeito em Franca, já faleceu, Ary Balieiro. Ele, lá na catedral, ele
virou e falou assim: “Não tem como não lembrar do padre Ovídio. Onde existe
política pública em Franca, tem a mão do padre Ovídio.” Então, escutar isso de
um prefeito, em uma celebração de 25 anos de padre; agora vou completar 42 de
padre, daqui uns dias.
Foi muito importante para mim, muito
importante, saber que a gente está junto nessa construção, de transformar
vidas, buscar vidas, resgatar vidas. Depois também assumimos a questão da população
de rua, não só criança e adolescente. Foi um outro desafio também que a gente
assumiu, há oito anos.
Quando eu falei para o dom Paulo, o dom
Paulo queria me matar, mas ele falou: “Não tem jeito de segurar o padre Ovídio”.
Não é o padre Ovídio, acho que é o que Deus coloca na minha vida. Deus me
colocou, acho que isso vem lá do meu nascimento. Falava isso hoje no carro, vem
lá do meu nascimento.
Mas eu quero dizer uma coisa hoje
pública para vocês, para finalizar minha palavra. Hoje, 14 de novembro, graças
ao Barba, ele está prestando a sua homenagem para mim. Eu falo que essa é a
homenagem dos homens ao padre Ovídio, à Pastoral do Menor, mas eu já fui
homenageado por Deus.
Deus me homenageou já, no dia 12 de
abril de 2023, depois de 38 anos de uso de marca-passo. O meu caso, quando
descobriram o meu caso, tomei remédio para cabeça durante 18 anos.
Na festa dos meus 25 anos de padre, dom
Diógenes falava assim lá no altar: “Vou contar um segredo para vocês: tentaram
impedir a ordenação do padre Ovídio”. Todo mundo arregalou o olho. “Porque ele
tomava Gardenal. E hoje quem toma a Gardenal sou eu. Será que aqueles que
tentaram impedir a ordenação dele também vão ter que tomar a Gardenal?” Ele
falou isso publicamente, está gravado, está filmado.
E depois aconteceu o quê? Agora, no dia
12 de abril de 2023, e meu caso foi parar no Congresso Internacional de Marca-passo,
porque não existiam provas do que encontraram em mim.
A minha prova, o meu caso foi servir de
prova para salvar vidas. Muitas pessoas tinham problemas de coração, mas era
tratado como se fosse problema neurológico. Foi parar no congresso internacional.
Há dois anos, depois de 38 anos, Deus me deu a graça: meu coração está curado.
Não uso mais marca-passo.
E no dia 11 de outubro de 2023, eu
estava lá no hospital, em Ribeirão, aí depois aconteceu outro fato, meu corpo
começou a rejeitar os fios do marca-passo. Os fios começaram a impulsionar para
fora. Eu tive que tirar os fios também do marca-passo. Então, na véspera de
Nossa Senhora, no dia 11, eu estava entrando no hospital para tirar os fios.
Cirurgia seríssima, porque eu podia ter
que abrir o peito, rasgar o peito. Não precisou de nada disso. No dia 11,
estava na UTI; de 11 para 12, dia 12 passei na UTI; dia 13 estava voltando para
Franca. Então, digo que Deus já me deu a medalha de honra ao mérito: ter tirado
o meu marca-passo.
Ou seja, eu tenho certeza de que eu
falo muito para Deus: “Olha, Deus, quero passar dos 100, não me ponha gente
perto de mim com preguiça para trabalhar. E vamos juntos trabalhar”.
Então, hoje eu digo para vocês, sim... Tem
muito mais coisas que eu queria partilhar aqui, mas o tempo não dá. Mas em
primeiro lugar: agradeço a Deus pela vida, aos meus pais, conforme foi lembrado
aqui, às pessoas que, toda a minha vida, estiveram do meu lado, que acreditaram
em mim. Acreditam em mim, mesmo eu ficando bravo, conforme já foi lembrado
aqui, acreditam em mim, abraçam a ideia, e a vocês que hoje estão aqui comigo,
sabe?
Que Deus possa dar a vocês todo o amor,
todo o carinho especial que vocês estão tendo comigo, de forma muito mais
especial a vocês. Eu tenho certeza de que vocês também têm o mesmo potencial
que Deus me deu, basta a gente acreditar. Creia no que Deus te deu, você tem
muito para dar. Deus nos capacita, Deus nos derrama bênçãos e mais bênçãos,
graças e mais graças, é que nós não sabemos valorizar a graça que nos é dada.
Então, vamos saber agradecer, vamos ser
gratos e vamos valorizar o que Deus coloca em nós. E aproveito a ocasião, que
eu não posso deixar: aqueles e aquelas que por um motivo eu magoei, eu ofendi,
eu faltei, me perdoem.
Me perdoem, eu espero que alguma ofensa
minha, alguma palavra minha não venha tirar, afastar da gente. Eu sei das
minhas fraquezas, sei o quanto eu sou limitado, mas eu não deixo de pedir
perdão àqueles e àquelas que por algum motivo eu possa ter ofendido também.
Então, nessa ocasião me perdoem, se
vocês tiverem algum sentimento, alguma palavra que um dia eu ofendi, e,
conforme dom Paulo disse: contem também com as minhas orações, obrigado.
Deputado, obrigado.
Eu queria agora também, deputado, se o
senhor aceitasse esse mimo, que esse mimo está chegando às mãos do senhor em
nome de todos os colaboradores da Pastoral do Menor, em nome de todos os
acolhidos, atendidos da Pastoral do Menor, que são mais de 3.500 pessoas, e
aqueles e aquelas que acreditam na Pastoral do Menor.
Obrigado. (Palmas.)
* * *
- É
entregue a homenagem.
* * *
A
SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Passamos a palavra ao
deputado Teonilio Barba, para que proceda ao encerramento desta sessão.
O
SR. PRESIDENTE - TEONILIO BARBA - PT - Padre Ovídio,
primeiro aqui, quero agradecer a Cristina, que fez esse trabalho para nós aqui
de ser a mestre de cerimônias. Agradecer a todo o pessoal da TV Assembleia, que
trabalhou até agora, toda a nossa assessoria, que trabalhou e ajudou a
construir todo esse relato. Agradecer aqui as monitoras, que cuidaram o tempo
todo das apresentações e, com certeza, cuidaram das crianças na vinda de lá
para cá.
Cumprimentar o Zé Rosa, o João
Clemente, a Marilda, a Cri, Cecília, a Sueli, e cumprimentar a Berenice, Dra.
Berenice, e em seu nome, e delas, cumprimentar todas as mulheres presentes. E
não vou falar aqui do que nós enfrentamos. (Palmas.)
Você teve um papel fundamental na
Presidência de uma Fundação Casa, o debate político que foi para transformar a
Febem em Fundação Casa. Porque o pessoal acreditava que era o modelo da Febem
que corrigia, que reintegrava os nossos jovens, e foi uma disputa política
muito acirrada naquele momento. Então, Berenice, muito obrigado. Dizer que é
uma honra conhecê-la.
Agradecer ao vereador Marcelo Tidy, meu
amigo vereador Dheison Silva, padre Toninho, muito obrigado. Agradecer aqui ao dom
Pedro Luiz, agradecer ao dom Carlos. Mais uma vez, mando um abraço para o dom
Odilo, e meu amigo aqui, padre Ovídio, que nos honra com essa quantidade de
trabalho.
Eu fui lá conhecer o trabalho, fiquei
encantado. Tem relação com 55 escolas da cidade de Franca, casa de abrigo, casa
de acolhimento, casa de recepção para as pessoas passarem a noite, depois, no
outro dia, voltar para a rua. Fiquei impressionado com o tamanho da estrutura e
quanto custa aquilo tudo para poder fazer.
Não é fácil cuidar daquela gestão. Agradecer
muito o Lucas e o Diego, que também nos acompanham lá o tempo todo. Agradecer a
todos vocês aqui presentes, homens, mulheres, crianças.
Então, cumprir aqui o meu protocolo.
Bom, quero agradecer a todos que tornaram possível esse momento. Cada servidor,
cada autoridade presente, sobretudo, cada cidadão que prestigiou este momento.
Declaro encerrada essa sessão de
solenidade aqui de homenagem ao padre Ovídio.
*
* *
- Encerra-se a sessão às 21 horas e 32 minutos.
*
* *