
19 DE MARÇO DE 2026
28ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: CARLOS GIANNAZI, MAJOR MECCA e REIS
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h03min. Manifesta apoio à greve dos servidores de Araras, encerrada no dia de hoje, e parabeniza os trabalhadores pelas conquistas.
2 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - MAJOR MECCA
Assume a Presidência.
4 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
5 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
6 - MAJOR MECCA
Por inscrição, faz pronunciamento.
7 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Critica a não inclusão da Polícia Penal no projeto de reajuste salarial das polícias Militar e Civil, enviado à Alesp pelo Governo do Estado.
8 - MAJOR MECCA
Assume a Presidência. Cumprimenta os alunos do Centro Universitário Anhanguera de Osasco, presentes nas galerias.
9 - LECI BRANDÃO
Por inscrição, faz pronunciamento.
10 - PRESIDENTE MAJOR MECCA
Parabeniza a deputada Leci Brandão por sua atuação parlamentar, e destaca o respeito da deputada à categoria policial.
11 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
12 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
13 - MAJOR MECCA
Por inscrição, faz pronunciamento.
GRANDE EXPEDIENTE
14 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
15 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Cumprimenta o bombeiro civil João Cássio, presente no plenário, e agradece sua contribuição para a elaboração do Projeto de lei n° 177/26. Cumprimenta o Jornalista Rick, de Santos, presente no plenário.
16 - CONTE LOPES
Pelo art. 82, faz pronunciamento.
17 - REIS
Assume a Presidência.
18 - CARLOS GIANNAZI
Pelo art. 82, faz pronunciamento.
19 - CONTE LOPES
Para comunicação, faz pronunciamento.
20 - GIL DINIZ BOLSONARO
Para comunicação, faz pronunciamento.
21 - GIL DINIZ BOLSONARO
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
22 - PRESIDENTE REIS
Defere o pedido. Faz aditamento à Ordem do Dia. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 20/03, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 15h39min.
* * *
ÍNTEGRA
* * *
-
Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Carlos Giannazi.
* * *
-
Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
* * *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Presente o
número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus,
iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da
sessão anterior e recebe o Expediente.
Dando início à lista de oradores
inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o deputado Rodrigo Moraes.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Jorge do Carmo. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Com a palavra o deputado Luiz Claudio
Marcolino. (Pausa.) Com a palavra o deputado Delegado Olim. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Paulo Fiorilo. (Pausa.) Com a palavra o deputado Enio Tatto.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Reis, que fará o uso regimental da tribuna.
Eu só queria, enquanto o deputado Reis
se dirige à tribuna, dar uma informação importante. Nós tínhamos agendado para
amanhã, sexta-feira, às 14 horas, uma audiência pública em apoio à greve dos
servidores e servidoras de Araras, que estavam em greve há já... Hoje seria o
nono dia de greve. Mas como hoje, pela manhã, houve uma negociação, a greve foi
encerrada, com algumas conquistas para a categoria.
Eu quero parabenizar então os
servidores, as servidoras, o Sindicato dos Servidores Municipais de Araras, que
fez um trabalho muito importante, fez um bom combate. Tenho certeza, deputado Reis,
deputada Leci Brandão, que a categoria acumulou bastante força política e de
mobilização para fazer novos enfrentamentos em defesa dos direitos e da
dignidade dos servidores e servidoras de Araras. Então contem sempre com o
nosso apoio, mas a audiência de amanhã está, pelo menos, suspensa, até que haja
necessidade de uma nova mobilização.
Com a palavra o deputado Reis.
O
SR. REIS - PT -
Muito obrigado, presidente, deputado Carlos Giannazi. Cumprimentar também a
deputada Leci Brandão, o público presente, os integrantes da Polícia Civil, da
Polícia Militar, da Polícia Penal, da Polícia Técnico-Científica e também
cumprimentar os trabalhadores, os funcionários públicos desta Casa e todos aqueles
que estão nos acompanhando pela rede Alesp.
Presidente, o
governador protocolou, nesta madrugada, alguns projetos que tratam da
reestruturação da Polícia Civil, da Polícia Militar e também o projeto que traz
10% de reajuste. Dez por cento que deixou a tropa indignada.
Os policiais
militares, os policiais civis, os policiais técnico-científicos estão
indignados, e os policiais penais ainda mais, porque nem sequer os colocaram
nesse projeto; o projeto não fala dos policiais penais.
Esperava-se
muito mais, porque o governador tem uma promessa para ser cumprida. A promessa
dele é que a polícia de São Paulo ficaria entre as dez mais bem pagas do País.
Obviamente, com esses míseros 10% não vai acontecer.
A bancada dele
está batendo o bumbo, “reajuste, 10%”, mas é muito pouco pela promessa que foi
feita. Inclusive, eu quero pedir para a nossa assessoria técnica colocar aqui o
vídeo do presidente do Sindicato dos Peritos. Depois a gente vai para essa
tabela.
* * *
- É exibido o vídeo.
* * *
Filho de Gepeto.
Quando o presidente do Sindicato dos Peritos fala “filho de Gepeto”, eu fiquei
pensando. Num primeiro momento eu falei, “caramba, mas quem é filho de Gepeto?”
E levei um tempo para entender o que ele quis dizer com isso. Aí lembrei que o
Gepeto é o que criou o Pinóquio. E aí, como o Gepeto criou o Pinóquio, vem à
mente aquele título que os policiais penais deram ao governador, de “Tarcinóquio”.
É por isso que ele se referiu ao “Prometeu” como filho de Gepeto.
Esperava-se
muito mais. Eu gostaria de mostrar a tabela agora do que vão representar esses
10%, considerando o padrão, o RTP e a insalubridade. Para a próxima página.
Aqui é a tabela atual de remuneração, como está hoje.
Então está aí:
um cabo PM ganha com o padrão RTP e insalubridade 5.669 reais; um soldado de
primeira classe, 5.305 reais; um soldado de segunda classe, 5.055 reais. Esse é
o salário bruto, sem o desconto de Previdência, de imposto de renda, de caixa
beneficente, sindicato, associação. Obviamente, quando colocarem os descontos
cai lá para três mil e uns quebrados, três mil e novecentos, quatro mil reais.
A próxima tabela. Pode passar a próxima.
Agora, o que
representou o reajuste dos 10% e o que vai representar para cada um. Então
vamos pegar aqui o soldado de primeira classe, que vai representar R$ 452,00
brutos; e o soldado de segunda classe 426 reais. Só que aí, conforme ele entra
com esse reajuste, ele vai entrar na tabela do imposto de renda, porque hoje
quem ganha até cinco mil reais tem isenção. Ele provavelmente não vai
significar todo esse reajuste.
Então por isso
que esses 10% são muito pouco, se esperava muito mais. Além de que existem
algumas inconsistências no projeto, por exemplo: o projeto traz - eu estou com
o projeto aqui - até o agente de telecomunicação no anexo dois, mas ele não
traz aqui, por exemplo, os demais servidores. Então eu vou até o agente de
telecomunicação, mas existem os papiloscopistas, os auxiliares de
papiloscopista, o carcereiro, o agente policial e o fotógrafo.
Então no anexo,
não sei se foi por erro na hora de protocolar o projeto, mas veio no anexo
dois... No anexo nós temos os delegados de polícia, no anexo dois nós temos até
o agente de telecomunicação. Ou seja, nós temos o médico legista, o perito
criminal, o escrivão de polícia, o investigador de polícia, o fotógrafo
técnico-policial, o agente de telecomunicações, e aí no anexo três entram os
cargos da Polícia Militar.
Então tem
vários cargos da Polícia Civil, Sr. Presidente, que não estão publicados neste
projeto, e isso gera dúvida. Hoje eu recebi várias indagações, várias
reclamações, porque no projeto de reajuste não estão especificadas no anexo
essas carreiras que eu acabei de falar aqui: auxiliar de necropsia, o
desenhista, o papiloscopista, o atendente de necrotério, o auxiliar de
papiloscopista, o carcereiro, o agente policial.
Então é uma
coisa que a gente tem... Como agora abre espaço para emendas, nós temos que
propor as emendas, vamos propor emendas para que esse reajuste seja também para
os policiais penais e que no anexo incluam esses cargos que no projeto original
foram esquecidos, porque... “Ah, não, mas é para toda a polícia”.
Não, mas se
está aqui detalhadamente o investigador de polícia, o escrivão e o delegado, os
demais também, Sr. Presidente, no meu entendimento, têm que estar muito bem
detalhados, muito bem especificados.
Então isso
também é uma falha do projeto que a gente precisa, nesse processo de emendas,
ou cobrar o governo que ele conserte o projeto, ou emendar o projeto para
corrigir esses erros. Hoje eu recebi no meu e-mail, no meu WhatsApp centenas de
reclamações de policiais indignados com relação a estruturação.
Eu falei para
eles que nós vamos avaliar bem a estruturação, tanto da Polícia Militar como da
Polícia Penal, e vamos propor, por exemplo, na estruturação da Polícia Militar
não veio a promoção para o cabo, o cabo vai ter que fazer concurso para
sargento.
Então tem que
corrigir isso, tem que corrigir, tem que dar acesso também para que o cabo
possa passar para sargento dentro daquele prazo de promoção, como o projeto
trouxe. Eu achei alguns pontos positivos, mas tem alguns pontos que precisam,
sim, ser corrigidos. E é o nosso papel fazer emendas para que sejam corrigidos.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
*
* *
- Assume
a Presidência o Sr. Major Mecca.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito obrigado,
deputado Reis. Dando sequência a lista de oradores do Pequeno Expediente,
deputado Bruno Zambelli. (Pausa.) Deputado Marcelo Aguiar. (Pausa.) Deputada
Márcia Lia. (Pausa.) Deputado Edson Giriboni. (Pausa.) Deputado Rafa Zimbaldi.
(Pausa.) Deputada Profª Camila Godoi. (Pausa.) Deputado Fábio Faria de Sá.
(Pausa.) Deputado Atila Jacomussi. (Pausa.) Deputado Caio França. (Pausa.)
Deputado Capitão Telhada. (Pausa.)
Deputada Dani Alonso. (Pausa.) Deputada Carla Morando. (Pausa.) Deputada
Delegada Graciela. (Pausa.) Deputado Gil Diniz Bolsonaro. (Pausa.) Deputado
Valdomiro Lopes. (Pausa.) Deputado Itamar Borges. (Pausa.) Deputado Rômulo
Fernandes. (Pausa.) Deputado Alex de Madureira. (Pausa.) Deputado Carlos
Giannazi, tem V. Exa. o tempo regimental.
O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr.
Presidente deputado Major Mecca, deputada Leci Brandão, público aqui presente, telespectador da TV Assembleia.
Sr. Presidente, queria novamente aqui apelar e exigir à Secretaria da Educação
do Estado de São Paulo para que continue chamando os aprovados no último
concurso que ocorreu em 2023, concurso para o cargo de professor da rede
estadual de ensino.
Sabemos que há
aproximadamente 100 mil professores da categoria “O” na rede estadual de ensino
admitidos precariamente pela Lei nº 1.093, com um dado assustador ainda, Sr.
Presidente, que hoje o número de professores efetivos diminuiu drasticamente
nos últimos anos.
Nós temos mais
professores precarizados, no sentido da contratação precarizada, que são
vítimas da famosa quarentena, não podem utilizar o Iamspe, são professores que
são punidos se faltarem, não podem adoecer. Então esse tipo de contratação pela
Lei nº 1.093, que é a contratação precarizada, já é maior do que o número de
professores efetivos.
Nós, Sr.
Presidente, já estamos denunciando há um bom tempo. Fomos ao Ministério Público
Estadual com essa denúncia já também há um bom tempo. O Ministério Público
acolheu a nossa denúncia e também das unidades representativas do Magistério e
entrou com uma ação civil pública contra a Secretaria da Educação, exigindo que
a Secretaria da Educação, que o secretário Renato Feder chame no mínimo 40 mil
professores aprovados no último concurso de 2023.
Ele só fez uma
chamada de 15 mil, sendo que desses 15 mil apenas 12 mil foram nomeados, de
fato, porque muitos foram reprovados no exame médico de uma forma muito
suspeita, Sr. Presidente, porque muitos dos professores que não passaram na
perícia médica já eram professores há muitos anos da rede estadual de ensino,
nesse modelo de contratação pela Lei nº 1.093.
Então ficou
muito estranho: o professor da categoria “O” fica 10, 20 anos trabalhando pela
Lei nº 1.093, e aí quando ele vai se efetivar o Estado barra, porque ele usa
óculos, porque está com sobrepeso, enfim. Isso aconteceu e nós denunciamos
também exaustivamente.
O fato é que só
12, aproximadamente 12 ou 13 mil no máximo, assumiram. No entanto nós temos um
número muito grande de professores aprovados que estão lecionando como
professores da categoria “O” que deveriam ser efetivados e, no entanto, o
governo não chamou mais ninguém.
E o que nos
preocupa agora, Sr. Presidente, além disso, é que esse concurso tem validade
por dois anos e pode ser prorrogado por mais dois anos. O vencimento dele, dos
dois anos, é agora em julho, vence a primeira fase desse concurso.
Então,
primeiro: nós queremos exigir que o governo faça a prorrogação desse concurso.
Segundo lugar: faça a chamada imediata de todos os professores aprovados e
classificados, Sr. Presidente, para que nós possamos efetivar esses
professores.
É um absurdo
que a maior rede de ensino da América Latina tenha mais professores contratados
do que professores efetivos. Quando falo contratado é porque eles perdem
direitos, eles são mais atacados ainda do que os próprios professores efetivos
nos seus direitos, na sua dignidade.
Então, Sr.
Presidente, eu inclusive quero dizer que tenho um projeto de lei complementar
que apresentei já em 2023, que é esse projeto que estabelece a obrigatoriedade
de realização de concurso público para provimento de cargos vagos que atinjam
5% do total de cargos de cada classe.
Esse projeto é
muito importante, porque vai estabelecer um limite de contratação precarizada
para todo o estado de São Paulo. Então, na rede estadual, por exemplo, se o
nosso projeto for aprovado, o nosso PLC 25, não vai haver mais essa
discrepância. Então a cada período em que haja 5% de professores não efetivos,
o Estado é obrigado a abrir concursos públicos de provas e títulos em todas as
áreas, Sr. Presidente.
Então queria
pedir o apoio aqui de todos os 94 deputados e deputadas para que a gente possa
exatamente aprovar esse PLC 25, que eu apresentei em 2023, que ele ajuda a
colocar um freio nesse tipo de contratação precarizada que, infelizmente, se
espraia por toda a administração estadual.
Veja bem, lá no
Iamspe, eu tenho denunciado, Sr. Presidente. No Iamspe estão terceirizando
tudo. No pronto-socorro do Iamspe as enfermeiras são terceirizadas, os médicos
são terceirizados, os laboratórios são terceirizados. Não há mais a permanência
dos médicos por muito tempo, porque eles são contratados por empresas de saúde,
laboratórios, e eles saem a qualquer momento, porque recebem uma proposta melhor
de um hospital que pague mais. Então não há vínculo com os pacientes.
E nós, também,
lá, entramos com uma representação no Ministério Público, entramos com a ação
civil pública, deputada Leci Brandão, para que não haja terceirização no
Iamspe. Porque a terceirização, além de consumir mais recursos do Poder
Público, ela precariza o atendimento para a população.
Então queria
fazer esse registro, Sr. Presidente, e exigir que a Secretaria da Educação faça
chamada imediata e urgente de todos os aprovados no último concurso de
professor, concurso de 2023, e faça também imediatamente a prorrogação desse
concurso que vence em julho para mais dois anos.
Nós vamos
acompanhar e continuar exigindo esse procedimento, Sr. Presidente.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Obrigado,
deputado Carlos Giannazi. Dando sequência à lista de oradores, deputado Jorge
Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Deputada Maria Lúcia Amary. (Pausa.)
Deputado Dr. Eduardo Nóbrega. (Pausa.) Deputada Solange Freitas. (Pausa.)
Deputado Danilo Campetti. (Pausa.) Deputado Major Mecca.
Solicito ao deputado Giannazi que
assuma a Presidência para que eu possa fazer uso da tribuna.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Carlos
Giannazi.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Dando início à
lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra agora pelo
tempo regimental, deputado Major Mecca.
O
SR. MAJOR MECCA - PL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde, presidente, todas as deputadas, os deputados
presentes nesta Casa, os nossos irmãos policiais militares, os nossos
funcionários que nos dão suporte.
Nós estamos em
um momento extremamente importante, que é o momento de valorização dos
policiais do estado de São Paulo. O projeto foi protocolado hoje aqui na Assembleia
Legislativa e o projeto que o governo protocolou consta 10% de reajuste
salarial.
É importante
nos debruçarmos sobre esse percentual, porque, quando nós falamos em
valorização, é importante nós sabermos que os percentuais de reajuste precisam
ser minimamente acima do cálculo da inflação acumulada. Quando eu faço essa
análise, eu vou fazer uma análise superficial do cálculo acumulado da inflação
dos últimos dois anos.
O cálculo
acumulado da inflação dos últimos dois anos, que não é a inflação real - e
todos nós sabemos disso -, mas é a inflação acumulada dos últimos dois anos,
pelo IPCA é de 9,5%, dos últimos dois anos. Se nós subtrairmos desses 9,5% uma
recomposição, ano passado, de 5%, sobra 4,5. Logo, 10% de aumento significa,
mais uma vez, uma recomposição de cinco por cento.
E eu faço essa
exposição simples porque nós tivemos o projeto em mãos na data de hoje, porque
eu já me habituei a compartilhar os números que a Secretaria da Fazenda, que a
SPPrev, que Procuradoria Geral, que os demais órgãos costumam fazer quando
trata-se de benefício, de valorização dos policiais no estado de São Paulo.
Eles brincam
com o número e jogam os números de forma a querer mentir e mostrar o que eles
estão apresentando, que eu não tenho dúvidas, eu não tenho dúvidas, vão
apresentar que os 10% de reajuste salarial colocam a polícia de São Paulo na
nona colocação das polícias mais bem pagas do Brasil. E isso é mentira! Não
coloca!
Não apresentem
esses cálculos absurdos e inadequados que vocês fazem, de querer falar que o
salário médio de um policial em São Paulo é de 14 mil e 500 reais, que o
soldado está muito longe de ganhar 14 mil e 500 reais, mas muito, muito, muito
distante! Sabe por que eu digo isso, deputada Leci? Porque você pega...
Eu acompanho
isso, porque eu estou em inúmeras discussões e debates com a SPPrev e eles,
para justificarem o impacto orçamentário excessivo, que não permite a sanção do
PLC nº 135, eles colocaram que a média salarial dos policiais que fariam jus a
essa promoção era de 12 mil e 500 reais.
Eu mostrei para
eles que não é, porque eles juntam um número, um montante, aí eles pegam
policial que tem quinquênios, tem um quinquênio, dois quinquênios, três
quinquênios, tem sexta-parte, os policias que tem vantagens de frequência, que
ninguém tem, veterano não tem diário alimentação, não tem auxílio-alimentação,
O veterano não
tem esses direitos de vantagem de frequência, que o Estado colocou para os
policiais da ativa para justamente driblar a legislação da paridade, porque a
lei diz que o policial veterano tem que ganhar o mesmo salário e ter os mesmos
reajustes que o pessoal da ativa, mas o governo, o Estado dribla a legislação
para prejudicar os policiais.
Nós estamos, no
nosso gabinete, construindo emendas a esse projeto, emendas que permitam... Se
o governo quer apresentar 10% de valorização, que seja um percentual que
realmente dê dez por cento. E se o governo pretende dar 10% de reajuste
salarial, o percentual apresentado no projeto teria que ser minimamente de 15%,
minimamente de quinze por cento.
Nós estamos
trabalhando todos esses números no gabinete, porque eu tive acesso ao projeto
hoje e nós temos que estudar, porque todo projeto quando chega, por mais que
nós tentemos acompanhar, sempre vem com alguma coisa diferente.
E além da promessa
de valorização dos policiais no estado de São Paulo, feito pelo governador
Tarcísio durante a campanha, eu também tive a palavra dele, quando do primeiro
reajuste no ano de 2023, que os terceiros-sargentos e os segundos-tenentes
seriam compensados nos reajustes vindouros a 2023, e não foi isso que
aconteceu, tanto no cinco por cento do ano passado quanto nesses dez agora.
Não há nada
compensando os veteranos, terceiros-sargentos e segundos-tenentes, que não
ocupam cargos transitórios. Não ocupam. Equívoco de conceito. Não é
transitório. Eles só sairão desses cargos... Transitório para eles é só após a
morte, porque eles vão morrer nessa graduação e nesse posto.
Então, nós
apresentaremos emendas nesse sentido. Exploraremos mais essa pauta, porque cabe
a atenção, o cuidado com os homens e mulheres que arriscam as suas vidas
defendendo as nossas famílias dentro do Estado.
Reforço aqui:
homens e mulheres que arriscam as suas vidas dentro de um cenário, em um País
onde não há legislação que lhes dê segurança jurídica, em um País onde a lei
beneficia o criminoso, o bandido, o traficante, o traficante de drogas, o
traficantes de armas, o traficante de pessoas e órgãos, os assassinos
feminicidas, como mostrei aqui ontem.
Um sem vergonha
de um criminoso espancando a ex-esposa dentro de um elevador. Só não consumou o
homicídio porque uma amiga da ex-esposa entrou no meio para cessar a agressão.
E o canalha foi solto na última terça-feira, 24 horas depois, na audiência de
custódia.
É esse o
cenário, senhoras e senhores, em que os policiais do estado de São Paulo
trabalham e se sacrificam por todos nós. Então, em um momento importante como
este, de valorização, há de se fazer cálculos justos, que realmente os
valorizem, que realmente valorizem os seus familiares.
Como eu já
falei para o secretário de Segurança Pública e já citei ao governador: você
quer agradar um homem, uma mulher, um pai, uma mãe de família? Dê a ele um
salário digno, com que ele possa dar um mínimo de suporte a seus filhos, a sua
família, de educação, de assistência médica.
Nós
continuaremos, presidente, neste debate aqui no plenário da Assembleia
Legislativa e no congresso de comissões. Trabalharemos, e conto com o apoio de
todos os líderes desta Casa para que aprovemos uma emenda que dê um reajuste em
um percentual justo, à altura da dignidade dos policiais do estado de São Paulo.
Porque é fácil
subir à tribuna, fazer discurso na comissão de Segurança Pública, elogiar,
enaltecer os policiais, mas, na hora da verdade - e a hora da verdade é a hora
de pagar um salário digno -, não nos ajudar a aprovar as nossas emendas ao
projeto de lei que apresentou dez por cento, mas, se nós fizermos conta, não
são dez por cento. Não chega a seis por cento.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Obrigado,
deputado Mecca. Lembrando ainda que, além de esse reajuste estar muito aquém de
atender as necessidades mínimas dos servidores da Segurança Pública, o governador
deixou de fora os policiais penais.
Lutamos tanto para fazer a
transformação, para aprovar a PEC da Polícia Penal em 2022, depois lutamos
tanto para fazer a regulamentação, e o governo não dava reajuste aos servidores
do Sistema Prisional dizendo que não havia ainda regulamentação da lei.
Agora já tem a PEC, já tem a
regulamentação e, no entanto, o governo dá mais um golpe, mais um
“passa-moleque” nos policiais penais do estado de São Paulo, que ficaram sem
nenhum tipo de reajuste.
E também vamos cobrar o reajuste,
estamos cobrando o reajuste das outras categorias, da área da Saúde e,
sobretudo, dos profissionais da Educação. Até agora nada, nem a data-base, nem
o reajuste do piso nacional salarial, que é lei federal que tem que ser
cumprida aqui no estado de São Paulo, mas vou falar daqui a pouco sobre esse
tema também aqui na tribuna.
Devolvo a palavra aqui para o deputado
Major Mecca continuar presidindo a sessão.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Major
Mecca.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Reassumo a Presidência
do Pequeno Expediente e anuncio aqui a visita guiada dos alunos e professores
do Centro Universitário Anhanguera de São Paulo, da unidade de Osasco. Sejam
muito bem-vindos a esta Casa Legislativa.
O Senhor Jesus os abençoe, abençoe a
família de todos vocês. E é importantíssima a participação da população na
política. Afinal de contas, somos nós que faremos com que políticos tomem
vergonha na cara e trabalhem para melhorar a nossa vida e a vida das nossas
famílias. Sejam muito bem-vindos.
Dando sequência à lista de oradores deste
Pequeno Expediente, deputado Agente Federal Danilo Balas. (Pausa.) Deputada
Fabiana Bolsonaro. (Pausa.) Deputado Rogério Santos. (Pausa.) Deputada Ediane
Maria. (Pausa.) Deputado Conte Lopes. (Pausa.) Deputada Andréa Werner. (Pausa.)
Deputado Rafael Saraiva. (Pausa.)
Deputado Luiz Fernando Teixeira Ferreira. (Pausa.) Deputado Thiago Auricchio.
(Pausa.) Deputado Marcos Damasio. (Pausa.) Deputado Eduardo Suplicy. (Pausa.)
Deputado Paulo Mansur. (Pausa.)
Adentrando a Lista Suplementar, o deputado
Thiago Auricchio. (Pausa.) Deputado Caio França. (Pausa.) Deputado Enio Tatto.
(Pausa.) Deputada Leci Brandão, tem V. Exa. cinco minutos regimentais para o
uso da tribuna.
A
SRA. LECI BRANDÃO - PCdoB -
SEM REVISÃO DO ORADOR – Excelentíssimo Sr. Presidente Major Mecca, Sras.
Deputadas, Srs. Deputados, funcionários desta Casa, alunos aqui presentes na
nossa Casa, meus cumprimentos, meu respeito, senhoras e senhores.
Sras.
Deputadas, Srs. Deputados, povo de São Paulo que acompanha esta sessão, ontem
esta Casa foi palco de uma das cenas mais revoltantes e abjetas que assisti
nesses meus 81 anos de vida. Esta Casa aqui é a Casa do povo e é onde
deveríamos nos sentir respeitados. Dois crimes foram praticados, ou seja, o
racismo e a transfobia.
Primeiro, é
necessário dizer que “blackface” jamais pode ser usado como argumento, porque a
nossa dor, a dor do povo preto, não é entretenimento e, muito menos, recurso
para fazer demagogia com uma pauta tão importante quanto a luta das mulheres
por justiça, igualdade e oportunidades de bem viver.
Segundo, porque
polemizar e tentar separar mulheres trans do conjunto das mulheres usando uma
falsa determinação biológica para os gêneros é falácia, porque serve apenas
para alimentar o discurso de ódio que leva o Brasil a ser um dos países que
mais mata LGBT neste mundo.
Considero
imoral, antiético e uma afronta à cidadania de LGBT o que vem sendo propagado
em relação à eleição legítima e democrática da deputada federal Erika Hilton
para a Presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara
Federal.
E aqui quero
dizer um parêntese para parabenizar a deputada Erika, minha amiga, mulher
inteligentíssima, extremamente capaz e uma das melhores parlamentares da Câmara
dos Deputados, que, em seu primeiro mandato, já apresentou mais de 20 projetos
em defesa das mulheres.
Quero encerrar
minha fala fazendo duas perguntas. Onde fica toda a disposição para garantir o
lugar das mulheres, como vimos aqui ontem, quando organizações e partidos
conservadores, a maioria liderados por homens brancos, sucateiam as políticas
públicas de combate à violência e fortalece o discurso de ódio contra mulheres,
contra negros e pessoas LGBTs?
Para onde vai
toda aquela indignação visto aqui ontem, quando mulheres são assassinadas ou
quando tentam impedir que se façam projetos para acabar com os discursos de
ódio e misoginia nas redes sociais, e com essa epidemia de feminicídios que
estamos vivendo? É uma epidemia de feminicídios. Evocar pautas legítimas de
mulheres e de negros e negras e usá-las para humilhar e negar a cidadania das
pessoas trans é inadmissível. É inadmissível.
Manifesto meu
total apoio e quero dizer: assinei a representação no Conselho de Ética aqui da
Alesp pedindo apuração do fato grave que aconteceu nesta tribuna ontem. Quero
dizer para as deputadas e deputados do PSOL que embora eu seja uma pessoa do
PCdoB, tenho muita honra de ser do PCdoB, queria dizer que estou plenamente a
favor de qualquer providência que seja tomada em relação ao que aconteceu ontem
nesta Casa. A gente custa a acreditar que dentro da Alesp é possível que haja
ações como as que aconteceram ontem.
Sr. Presidente,
muito obrigada, me desculpe qualquer coisa e parabenizá-lo também pelo discurso
em defesa da sua classe. Nós não temos nada contra os militares. Nós queremos
sempre respeitar a democracia.
Eu sou uma
mulher, uma cidadã brasileira que, independentemente de partido, independente
da minha função, independente do exercício de Parlamento que eu tenho, eu
respeito os seres humanos e eu respeito, acima de tudo, a democracia. Parabéns
pelo seu discurso.
Quero
aproveitar também para parabenizar o deputado, meu amigo, inclusive, Giannazi,
pelo seu discurso em defesa da Educação. Este País precisa dar prioridade à
Educação, aos professores e professoras.
Muito obrigada,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito obrigado, deputada Leci. Eu sou
testemunha do seu respeito com todos nós, policiais, com a nossa farda, e fica
aqui a nossa gratidão. Como eu falei para a senhora, desde menino fui criado na
Vila Brasilândia ouvindo Leci Brandão e meu filho herdou esse gosto pelo samba.
Muito obrigado.
Dando continuidade à lista de oradores
do Pequeno Expediente, deputado Carlos Giannazi. Tem V. Exa. cinco minutos
regimentais para o uso da tribuna.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Major Mecca, deputada Leci
Brandão, alunos e professores da Anhanguera, sejam bem-vindos.
Nós estamos já
há um bom tempo defendendo que haja, em relação ao piso nacional do Magistério,
que é fruto de uma lei aprovada em 2008 no Congresso Nacional, eu me refiro
aqui à Lei nº 11.738, de 2008, aprovada na Câmara Federal e no Senado,
sancionada na época pelo presidente da República, na época, o presidente Lula,
e depois uma lei que foi contestada por alguns estados no Supremo Tribunal
Federal por meio de ADIs, mas a lei permaneceu e permanece até hoje. Ela
estabelece um piso nacional para o Magistério público em todo o Brasil.
E o piso hoje,
com o último reajuste feito, Sr. Presidente, é de 5.130 reais e 63 centavos por
40 horas semanais. É o mínimo que um professor deveria ganhar no Brasil, seja
numa escola municipal, numa estadual, ou mesmo numa escola federal. Mas, no
entanto, esse piso não é respeitado em muitas regiões do Brasil. Há uma forma
de sabotagem do pagamento do piso. Muitos prefeitos e governadores utilizam abonos
complementares para atingir o valor do piso, transformando, na verdade, o piso
em teto, e não em piso.
Agora o Supremo
Tribunal Federal está para fazer, já começou a fazer o julgamento do Tema
12.18, com repercussão geral em todo Brasil, em todas as redes de ensino. Esse
julgamento foi interrompido no ano passado, em dezembro do ano passado, quando
o ministro Dias Toffoli pediu vista do processo.
Ele tem 90 dias
ainda para devolver o processo e para que haja a volta desse julgamento. De tal
forma, qual que é o teor do julgamento, Sr. Presidente? Isso que eu queria
explicar aqui para a população, sobretudo para o Magistério do nosso Estado.
O julgamento é
o seguinte: se esse reajuste, se o piso tem repercussão na carreira do
Magistério, se ele impacta as classes e níveis, sobretudo a tabela salarial.
Nós defendemos que sim.
E o valor do
piso, que agora teve um reajuste de 5,4%, ele tem que ser sobre o que o
professor já tem, com os quinquênios, com a sexta-parte, no caso aqui da rede
estadual de ensino, com toda a sua evolução e progressão funcional. Ele não
pode ser o teto salarial. Então é isso que o Magistério nacional está
defendendo, que o valor do piso tenha repercussão, que o reajuste do piso tenha
repercussão em toda a carreira do Magistério.
Havia um boato
nas redes sociais de que amanhã, sexta-feira, dia 20, haveria a retomada desse
julgamento, mas, na verdade, isso não está na pauta do Supremo Tribunal Federal,
até porque ainda o Dias Toffoli, que é o ministro que pediu vista, ele tem até
pelo menos maio, até o dia sete de maio, para devolver o processo.
Mas nós estamos
acompanhando, monitorando, fazendo gestões junto ao Supremo Tribunal Federal
para que haja esse entendimento que o reajuste do piso, o valor do piso tem que
ser dado com repercussão em toda a carreira.
Essa é a nossa
grande luta, Sr. Presidente. E lembrar que aqui em São Paulo, o governador
Tarcísio de Freitas não paga corretamente o piso nacional do Magistério. Ele
usa esse truque, esse artifício que alguns prefeitos utilizam, pagando por abono
complementar. Aqui em São Paulo, infelizmente, é isso que acontece. O piso
virou teto. É um absurdo isso. O Estado mais rico da Federação não paga
corretamente.
E dizer ainda, Sr. Presidente, que além de o governador não ter
ainda dado o reajuste da data base salarial, que já venceu no dia 1º de março,
para os profissionais da Educação, da Saúde e vários outros segmentos do
funcionalismo público estadual. Então, está devendo esse reajuste, que é
obrigatório por lei estadual e pelo Art. 37 da Constituição Federal, ele também
não deu ainda o reajuste do piso nacional, que é instituído por lei federal.
Isso já foi
feito em medida provisória pelo presidente Lula em janeiro, com esse reajuste,
que seria bem menor, mas o presidente Lula bancou e alterou os critérios do
reajuste para 5,4%, que nem isso o Centrão queria aprovar, Sr. Presidente, e também a base bolsonarista de
extrema direita lá no Congresso Nacional. Mas, enfim, esse é o reajuste.
Então, o
governador Tarcísio de Freitas não deu nem a data-base, e muito menos o
reajuste do piso nacional salarial. Fazendo isso, ele está prejudicando não só
os profissionais da Educação da ativa, que estão nas escolas, mas, sobretudo,
também os aposentados e pensionistas, que têm direito também à data-base
salarial e ao valor do reajuste do piso nacional. Mas nós estamos, Sr. Presidente,
cobrando o governo para que ele encaminhe aqui à Assembleia Legislativa, porque
o prazo já vai vencer dia seis, sete de abril.
É o prazo
limite para que a gente possa dar reajustes salariais aos servidores. Então,
tem que encaminhar em caráter de urgência, como ele fez hoje com os quatro
projetos dos servidores da Segurança Pública, da Polícia Militar e da Polícia
Civil. Como eu disse, deixou de fora, Sr. Presidente, um absurdo, os policiais
penais. Deixou de fora a Fundação Casa, também que reivindica uma proximidade
com a Segurança Pública.
Esses
profissionais ficaram de fora do reajuste salarial. E mais ainda, todos os
outros servidores não vão receber, pelo que eu estou vendo, se ele não enviar
rapidamente o projeto de lei do reajuste, nós vamos ter mais uma vez os
servidores da Educação, sobretudo sem reajuste salarial, sem reposição das
perdas inflacionárias.
E, por fim, Sr.
Presidente, para concluir a minha intervenção na data de hoje, eu queria dizer
que estive, hoje pela manhã, na Secretaria, na Subsecretaria de Gestão de
Pessoas, lá na Secretaria de Gestão do Governo Digital. Fui atendido pela
subsecretária, a secretária dessa subsecretaria, a Eva Lorena, para falar sobre
o descongelamento, sobre a Lei do Descongela, como ela vai ser aplicada. O
governo já publicou um decreto, tardiamente, mas publicou, sobre o
descongelamento.
Então ela
deixou claro para todos nós que o descongelamento será automático, o servidor
público do Estado de São Paulo não precisa entrar com requerimento, protocolar
nada. O descongelamento é automático.
Quem estava na
ativa no período da pandemia, naqueles 583 dias, e se aposentou em seguida,
terá direito a uma reestruturação do seu provento na aposentadoria. Haverá
correção, de tal forma que ele ganhe um pouco mais na sua aposentadoria.
Então isso
ficou claro também, Sr. Presidente. Lá nós tivemos também a explicação sobre o
decreto. Eu queria até fazer uma correção, Sr. Presidente, porque nós tínhamos
informado, tinha uma interpretação dúbia de que o decreto publicado
recentemente, o nº 70.410, de 2026, que institui novamente o PDI, o Programa de
Demissão Incentivada, abrangeria os servidores efetivos.
Não, não
abrange os efetivos, não abrange os professores, nem categoria “O”, nem os
efetivos. Só os celetistas estáveis, Sr. Presidente, que serão alcançados pelo
Decreto nº 70.410, de 2026. Então eu queria fazer esse esclarecimento. Agora, o
outro não. O outro decreto que eu denunciei, infelizmente, continua de pé.
A extinção de
mais de 33 mil cargos efetivos do Estado de São Paulo, que poderiam ser
preenchidos através do concurso público, esses continuam extintos, que é o
outro decreto, o Decreto nº 70.410., no qual há extinção, por exemplo, de 1.278
cirurgiões dentistas do Estado de São Paulo, do SUS, do Sistema Único de Saúde,
que poderiam atender a população nas periferias das cidades do estado de São Paulo;
1.100 enfermeiros da Secretaria da Saúde; 2.966 cargos de técnico de Enfermagem
foram extintos, também do SUS, Sistema Único de Saúde, Sr. Presidente; 1.613
cargos de agente de organização escolar da rede estadual foram extintos, também.;
e 315 cargos de técnico de Enfermagem do Iamspe, que eu acabei de falar da
questão da privatização, das terceirizações.
Essa aqui é a
interpretação correta, infelizmente. Mas que nós estamos... Já acionamos o
Ministério Público, para que ele seja revogado, e também entrei com o PDL...
PDL 7, para que ele seja também revogado aqui na Assembleia Legislativa.
Era isso, Sr.
Presidente.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito
obrigado, deputado Giannazi.
Dando sequência à Lista Suplementar dos
oradores do Pequeno Expediente, chamo o deputado Major Mecca. E eu solicito ao
deputado Giannazi que conduza os trabalhos para que eu possa fazer o uso da
tribuna.
*
* *
-
Assume a Presidência o Sr. Carlos Giannazi.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Dando
sequência à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra,
novamente, agora já pela Lista Suplementar, deputado Major Mecca.
O
SR. MAJOR MECCA - PL - SEM
REVISÃO DO ORADOR - Presidente, eu retomo a minha fala nesta tribuna, onde, na
minha fala inicial, eu mostrei que os 10% de reajuste salarial apresentado no
projeto que o governo protocolou hoje aqui nesta Casa Legislativa, não são, de
fato, dez por cento.
Porque quando
nós submetemos toda essa análise a questões de inflação... Eu nem citei aqui a
questão do custo de vida no estado de São Paulo, que é o estado com o maior
custo de vida do País, eu retomo a minha fala e eu quero fazer uma observação em
relação a um dos projetos, que é a reestruturação da Polícia Militar.
Nós
continuaremos falando da valorização do projeto que traz o reajuste salarial,
continuaremos explorando essa questão, mas agora eu queria falar, só fazer
algumas observações em relação à reestruturação da Polícia Militar.
A última vez
que eu tive contato com o projeto de reestruturação da PM, lá citava que o cabo
da Polícia Militar permaneceria na graduação pelo período de cinco anos, sendo
promovido à graduação de terceiro-sargento. Eu li o projeto apresentado aqui
hoje, nesta Casa legislativa, e não consta esse item. O item em relação aos
cabos da Polícia Militar foi subtraído.
E, quando eu
fiz a leitura desse projeto de reestruturação, eu citei ao secretário de
Segurança Pública que eu daria publicidade àquele projeto que eu tomei
conhecimento. E é importante, dentro de todo o processo de transparência, nós
reavaliarmos o motivo pelo qual foi subtraído esse item.
É importante
nós citarmos também que o número de vagas destinadas ao aumento do cargo de
subtenente não é um aumento suficiente para que atenda ao principal objetivo do
projeto, que é a fluidez na ascensão da carreira. Foi um aumento de vagas de
subtenente extremamente simplório, que não atende à expectativa dos sargentos e
subtenentes da Polícia Militar. Precisamos reavaliar essa questão.
Um item muito
importante que precisa ser estudado e analisado é uma vacância em relação ao
concurso, ao curso de habilitação ao quadro de oficiais especialistas, que na
lei consta que somente os subtenentes poderão prestar esse concurso. As regras
atuais permitem que cabos, sargentos, que outras graduações também participem
do concurso.
E, quando eu
falo de uma vacância, nós temos inúmeros cabos e sargentos que estão se
preparando, pagando curso preparatório há anos para prestarem esse concurso e
terem a oportunidade de ascensão na carreira.
Então eu
acredito que deve haver, em relação ao curso de habilitação, uma vacância de
pelo menos quatro anos, para que os policiais, as policiais que estão se
preparando para esse curso, não tenham subtraída de pronto a sua oportunidade
de ascensão na carreira.
Em relação aos
postos de major e de tenente-coronel, não acho justo diminuir o número de vagas
de major e de tenente-coronel. Porque também se distancia e foge do objetivo
principal da lei, do projeto de lei, melhor dizendo, que é a fluidez na
carreira. Como que você vai atender a fluidez diminuindo o número de cargos?
Sendo que hoje, todos os cargos de major e de tenente-coronel na Polícia
Militar estão preenchidos.
Então, há de se
ter uma atenção com esses pontos do projeto de reestruturação da PM. Nós
trabalharemos em cima disso, discutiremos em cima dessa questão. Como também,
eu reforço e saliento aqui, a frustração da grande maioria dos parlamentares
desta Casa em relação à Polícia Penal, que não foi incluída nesse reajuste,
junto com as polícias.
Porque se a Polícia
Penal, os policiais penais, que outrora eram classificados como agentes
penitenciários, e ascenderam à função de polícia, não é coerente não os tratar
como policiais. Então nós trabalharemos em cima de todas essas questões.
Estamos
aguardando, pois houve a manifestação na Comissão de Segurança Pública semana
passada, comissão a qual eu presido, e o secretário nos transmitiu que o
pagamento do bônus por produtividade dos policiais seria pago mais adiante, que
seria inclusive anunciada, junto com o reajuste, a data de pagamento. E pelo
que eu vi, não tenho conhecimento, não foi apresentada a data do pagamento do
bônus por produtividade.
Esse bônus já
existe desde 2014, todo ano é pago. Repito, não é coerente todo ano o governo
atrasar, principalmente em relação à grandeza da atividade que desenvolvem
esses homens e mulheres no Estado, que é defender a nossa vida, arriscando a
vida deles.
E repito aqui:
eu, ao longo dos meus 32 anos de polícia, eu sempre trabalhei na rua, sempre
combati o crime, troquei tiro nas ruas. Sei o que é você participar de uma
troca de tiro, você prender um criminoso violento, encurralado no teatro de
operações. A gente sabe o risco e o desgaste físico e psicológico que tudo isso
traz.
Então nós temos...
O governo precisa começar a respeitar a data de pagamento do bônus por
produtividade. Afinal de contas, o resultado da produtividade de trabalho dos
policiais em São Paulo, coloca as polícias de São Paulo como as mais eficientes
do Brasil.
Logo, esses
homens e mulheres precisam ter o tratamento à altura, minimamente, do trabalho
que eles entregam à sociedade, com todas as dificuldades já apresentadas aqui,
ao longo de todos os meus pronunciamentos.
Então, estamos
aguardando a data do pagamento do bônus por produtividade e a data da entrega
das primeiras cartas de crédito aos policiais militares, aos policiais civis,
aos policiais técnico-científicos e aos policiais penais, no qual o Programa
Moradia Segura, que é um programa que foi criado por um projeto de lei da minha
autoria, o Projeto de lei nº 1.637, que hoje é a Lei nº 18.035, já aprovada e
sancionada há um ano e meio...
Nós aguardamos
a entrega das primeiras cartas de crédito para que os policiais possam sair de
dentro das áreas de risco que moram hoje com as suas famílias, ao lado dos
criminosos, dos bandidos faccionados, integrantes do PCC e de outras facções.
Há de se olhar
e ter o cuidado devido, no seu devido tempo. Não adianta aprovar uma lei... Aprovamos
a lei: Programa Moradia Segura. Faz um ano e meio e eu não sei nem a data da
entrega da carta de crédito. Isso não é respeito. E eu digo e repito aqui nesta
tribuna - eu aprendi com o meu pai. O homem vale não é pelo que ele fala, o
homem vale pelo que ele faz e realiza.
O
SR. MAJOR MECCA - PL - Presidente, havendo
acordo de lideranças...
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Deputado Mecca...
O
SR. MAJOR MECCA - PL - Pois não?
O SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL -
Vamos entrar no Grande Expediente, está bem?
O
SR. MAJOR MECCA - PL - Está ok.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Muito
obrigado, deputado Mecca.
O
SR. MAJOR MECCA - PL - Está ok, presidente.
Obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Eu quero então
aqui encerrar o Pequeno Expediente e já ingressar no Grande Expediente.
* * *
-
Passa-se ao
GRANDE EXPEDIENTE
* * *
O SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL -
Com a palavra o deputado André Bueno. (Pausa.) E agora com a palavra o deputado
Reis, em permuta com o deputado Teonilio Barba. O deputado Reis tem acesso à
tribuna por até dez minutos no Grande Expediente.
O
SR. REIS - PT -
Presidente, eu quero cumprimentar aqui o público presente e dizer para V. Exa.
que eu volto à tribuna por conta dos questionamentos que a polícia de São Paulo
está fazendo com relação ao reajuste de dez por cento.
Esperava-se
muito mais do governador, muitos tinham expectativa de até 25%, porque se falou
de dois dígitos, de aumento robusto, mas, conforme já disse até aqui o meu
antecessor, não repõe sequer a inflação esse reajuste de dez por cento. Nós
tínhamos cálculos, a hora em que você joga com a insalubridade e faz uma
análise de um cargo para o outro, chega a menos do que isso.
A grande
frustração da Polícia Civil, dos policiais civis, foi o adiamento da
regulamentação da Lei Orgânica Nacional, da regulamentação da Lei nº 14.735.
Essa lei era muito esperada, essa regulamentação, a estruturação dos cargos.
O governo fez
uma estruturação de seis em seis anos para promoção, no projeto que ele mandou
para esta Casa, mediante curso de aperfeiçoamento. Mas há uma pergunta para
muitos que estão aí, que já passaram, estão nove anos na segunda classe, agora
vão ter que esperar, se eles passarem agora para a primeira, vão ter que
esperar mais seis anos para ir para a classe especial.
Então esse
projeto ainda não está redondo, da forma que deve ser, precisa discutir muito
ele e talvez fazer as alterações. Mas a regulamentação da Lei Orgânica Nacional
não fala só disso, ela traz várias questões, como o adicional noturno - o
policial não recebe para trabalhar à noite, ele não recebe o adicional noturno
- e as horas extras - quando se pega uma ocorrência e fica, às vezes, 20 horas,
24 horas.
Eu já peguei
ocorrência, Sr. Presidente, de ficar três dias em diligências, e não recebi por
essas horas a mais que trabalhei. Os policiais não recebem por horas extras.
Mas a lei federal, no seu escopo, agora traz que deve, sim, pagar horas extras;
deve, sim, pagar o adicional noturno. Então tem várias questões da Lei Orgânica
Nacional que o Governo de São Paulo precisa resolver.
A questão do
oficial investigador de polícia, que a lei prevê. Talvez alguns cargos tivessem
então que ser agrupados, juntados em um cargo só, mas o governo se amedrontou,
não teve coragem de apresentar um projeto para resolver essa questão.
Talvez ele já
esteja sabendo, já tenha, assim, na sua intuição que não será reeleito, e está
deixando para o próximo governador resolver aquilo que ele não teve coragem
para fazer. A realidade, a não regulamentação da Lei Orgânica da Polícia Civil
é falta de coragem desse governador.
Aliás, Sr.
Presidente, eu já estou com um projeto pronto sobre esse tema, ele está bem
maduro para ser protocolado aqui nesta Casa e nós vamos protocolar, vamos
trabalhar para que ele seja aprovado.
Muitos colegas
meus vão falar, “mas a iniciativa é do governador, tem um vício de iniciativa”.
É verdade, mas nós podemos protocolar, nós podemos tramitar os projetos. Obviamente
que eu vou locar na minha cota para ele ser aprovado. Como o governador, a
maioria dos projetos aqui, costuma vetar...
Nós já estamos com
cerca de 300 projetos vetados pelo governador Tarcísio de Freitas, projetos que
tenham relação com a Saúde, com a Educação, com a Segurança Pública, com
Alzheimer, com autismo foram vetados.
Então nós vamos
apresentar mais um, e provavelmente ele vai vetar. Quando se veta um projeto
existe o ônus do veto, quando se aprova existe o bônus do veto, então a realidade
é que o governador vai assumir o ônus da sua incompetência. Não foi competente
para apresentar um projeto de regulamentação da Lei Orgânica Nacional da
Polícia Civil, não teve competência.
Ele criou
grupos de trabalho, prorrogou os prazos desse grupo de trabalho, dissolveu esse
grupo de trabalho, criou agora um novo grupo de trabalho na Secretaria de
Segurança Pública, criou grupo de trabalho na Casa Civil, mas não conseguiu
chegar a uma minuta.
Presidente
deputado Carlos Giannazi, ele não teve competência para apresentar uma minuta
de regulamentação da Polícia Civil do Estado de São Paulo, e por isso que nós o
alertamos na reunião em que esteve aqui o seu secretário, o alto staff da
Segurança Pública.
Nós alertamos
sobre os prazos - semana que vem vai ter que correr para aprovar esses projetos
aqui, porque tem projeto de reajuste, de recomposição inflacionária e tem que
estar sancionada até o dia primeiro... Ah, não, é até o dia sete. Cuidado, tem
feriado, tem Semana Santa, tem Sexta-feira Santa, tem quinta-feira, que aqui é
ponto facultativo.
Então tem que
ter o devido cuidado para que esses projetos sejam, a toque de caixa, aprovados
para que não se prejudique. Não é aquilo que se esperava? Não é, mas o que foi
dado tem que ser aprovado o quanto antes.
Mas a Polícia
Civil está sentindo muito essa falta de atenção. Eu tenho aqui várias
reclamações, estou até aqui com a tabela do salário da Polícia Federal que faz
inveja para as polícias de São Paulo. Investigador de classe especial, R$
25.250,00 de salário. Primeira classe, 19.617 reais. Segunda classe, 16.761
reais. Terceira classe, 14.710 reais. Faz inveja, porque São Paulo é um estado
rico, São Paulo tem condições reais de pagar um salário digno para os seus
policiais, tem condições reais.
Então o que se
esperava na regulamentação da Lei Orgânica Nacional é que pudesse vir uma
tabela semelhante a essa, vir uma tabela que colocasse a polícia de São Paulo
entre as primeiras mais bem valorizadas do País. Delegado federal, 41.350 reais
na classe especial. “Ah, porque é federal tem que ganhar mais”. Não existe
subordinação, o Estado pode, sim, prover o melhor reajuste para os seus
servidores, pode prover os melhores salários.
Então essa
tabela aqui da Polícia Federal, que foi reajustada pelo governo da esquerda,
porque eles falam: “Não, o governo da direita que apoia a polícia”. Mas um
soldado lá no Distrito Federal, aonde o governo federal que paga o salário
dele, está 11.600 reais. Lá em Roraima, aonde o governo federal é que paga o
salário, está 11.600 reais.
Em São Paulo o
padrão agora com o reajuste, deputado Conte Lopes... Vossa Excelência até fala
que o PT que é o culpado. Vossa Excelência que está a tanto tempo aqui na
condição de deputado, porque tiraram a aposentadoria dos parlamentares em, se
eu não me engano, 1986. Vossa Excelência já estava aqui, em 1988 já estava
aqui.
Então quando
você pega a tabela lá, pega aqui - pega a tabela de Roraima, do Distrito
Federal - e pega o salário do soldado aqui em São Paulo, o padrão, com esse
reajuste, do soldado segunda classe 2.348 reais.
Aí você soma
mais o RTP, que é para ele ficar 24 horas a disposição do Estado, mais 2.348
reais, com a insalubridade, 5.482 reais. Aí tira a Previdência, 11% de
Previdência, alguns descontos que tem de associação beneficente, associação de
classe, imposto de renda. Isso vai cair para quanto? Quatro mil reais, quatro
mil e cem reais, uma insignificância em relação a estados mais pobres que pagam
salários melhores.
Então, para
encerrar a minha fala, Sr. Presidente, deixar registrado, os 10% são
insuficientes, não são aquilo que se esperava. Estão todos os policiais
indignados, porque se esperava, sim, a valorização daquilo que foi prometido
pelo Sr. Governador, que a polícia de São Paulo ficaria entre as dez mais bem
pagas do País e isso não aconteceu.
E quando a
gente pega outros estados, bem mais pobres do que São Paulo, com salários bem
melhores é deplorável o que o governador de plantão aí pensa e age. A falta de
coragem dele de apresentar um projeto de lei complementar para regulamentar a
Lei Orgânica Nacional, que, pelo jeito, não vai acontecer em seu governo.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Obrigado,
deputado Reis.
O
SR. CONTE LOPES - PL - Pela ordem, Sr.
Presidente. Se for encerrado o Grande Expediente, queria falar pelo Art. 82.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Pela ordem,
deputado Conte Lopes. Vossa Excelência tem a palavra pelo Art. 82 do Regimento
Interno.
Enquanto V. Exa. se dirige à tribuna,
quero anunciar aqui a honrosa presença do bombeiro civil, João Cássio, que é
autor aqui de um projeto de lei importante junto com o grupo coletivo de
bombeiros, do projeto de lei que nós protocolamos aqui na Assembleia
Legislativa de São Paulo, o Projeto de lei nº 177, de 2026, que estabelece a
presença de bombeiros civis em cozinhas industriais compartilhadas em complexos
gastronômicos, feiras e eventos culinários do estado de São Paulo. Um projeto
importante.
Parabéns, João Cássio, pelo seu
trabalho, sua luta e o grupo que você organiza aqui na Assembleia Legislativa e
fora dela também, e também pelos outros projetos que vocês encaminharam à
Assembleia Legislativa e que estão tramitando aqui nesta Casa de Leis. Seja
bem-vindo.
Anuncio também a presença do jornalista
Rick, lá de Santos, que está aqui acompanhando os trabalhos da Assembleia
Legislativa, das comissões, do plenário, conversando com os deputados e as
deputadas.
Com a palavra o deputado Conte Lopes.
O
SR. CONTE LOPES - PL -
PELO ART. 82 - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, público que
nos acompanha aqui na Assembleia, queria primeiramente cumprimentar o
governador Tarcísio de Freitas, que tem 60% da aprovação no estado de São
Paulo, a aprovação do governador que seria um grande candidato para ganhar do
Lula lá.
Aí saía de
verdade. Agora o Lula escalou o Haddad para disputar o governo aqui, mesmo o
Haddad não querendo, mas é obrigado a disputar para perder aqui, para perder de
pouco.
O deputado Reis
dizia: “Desde 1986...”. Eu venho para esta Casa aqui, Sr. Presidente, Srs.
Deputados, porque eu trabalhava na Rota, e o secretário de Segurança Pública
era o Michel Temer. E para acabar com o trabalho da Rota que combatia o crime
aqui, bandido não se crescia e não se criava.
Praticamente
acabaram com a Rota e acabaram conosco. Fui transferido primeiro para a zona
leste e depois para hospital militar para não combater mais o crime. Tenho duas
promoções de bravura para o hospital, acho que no Brasil é o único.
Agora, está
aqui, olha, a minha vida está aqui, olha: “Capitão Conte Lopes, não sei se o
senhor é quem cuida das suas redes sociais, mas, mesmo assim, vou deixar o meu
recado - é de hoje isso -, o senhor se lembra do caso do Maníaco do Parque? Do
maníaco de São Mateus, em 1984?
O senhor se lembra
do caso do maníaco de São Mateus, em 1984? Ele matou mais de dez moças,
inclusive a minha irmã. Na época, o senhor chegou a ir na minha casa. Foi um
caso ruim, de muita repercussão na época. Meses depois, ele foi morto. Se não
me engano, foi o senhor que estava em diária ativa na Rota. Tenho até hoje um
livro seu autografado. Sempre o meu voto e o do meu marido é no senhor.”
Então é o nosso
trabalho aqui. Nós chegamos aqui por combater o crime e nos retiraram das ruas
e o crime cresceu, está aí o PCC. Está aí o Comando Vermelho. E um monte de
gente passando a mão na cabeça de bandido mesmo. Quando o Sr. Lula fala que o
cara rouba o celular para tomar uma cervejinha, e, quando a gente vê, o cara
está roubando o celular e matando moças, matando meninos, não é verdade?
Então isso aqui
é um exemplo do nosso trabalho. E nos tiraram das ruas, sim. Eu fui tirado, fui
mandado para um hospital para não combater o crime. Então por isso nós estamos
aqui desde 86. Ganhamos já dez eleições. Já perdemos, já ganhamos dez. E
continuamos aqui, dentro dos meus limites. Dentro dos meus limites. A gente não
trabalha muito politicamente, então vou tocando aqui.
Se a moça
quiser voltar e eu ainda estiver vivo em outubro, eu agradeço. Ela lembra,
depois de 40 anos, que eu prendi o cara, que depois morreu, que matou a irmão
dela, e que eu fui na casa dela na época, porque eu não aceito apoio de bandido
nenhum.
Como eu falei
ontem ao deputado Paulo Fiorilo, que diz que me viu pegando um cara na praça de
São Mateus, preso com as calças arriadas. Não, eu fui ajudar uma mulher que me
chamou - porque eu estava até fazendo campanha -, dizendo: “Capitão, tem um
cara atrás de mim no carro, me mostrando o pênis”.
E eu fui mesmo.
Fui por trás do carro, arranquei ele dali e ele estava sem calça. Eu arranquei
ele do carro e amarrei ele em um poste até chegar a viatura. Porque se não
amarro no poste, ele vai falar: “Eu não fiz nada disso”. Até a colocação dele
naquela época para mim, deputado Paulo Fiorilo, foi: “Eu fiz isso aí porque a minha
mulher virou evangélica e não quer mais fazer sexo comigo”. A colocação dele.
É que a gente
vê todo mundo defendendo mulher hoje aqui, não é? Virou, agora, todo mundo. A
gente sempre defendeu. Sempre defendeu. Então essa é a nossa colocação.
Então o nosso
exemplo está aí. Não é porque a gente está aqui desde 86 que a gente quer. E
também é isso. A gente faz o nosso trabalho. Se for para o candidato ganhar, a
gente continua. Se não formos, se perdemos, a gente vai embora, como todo
mundo.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Reis.
* * *
Então é a nossa
colocação, deputado Reis. Nós estamos aqui pelo nosso trabalho na polícia.
Agora, o governador está fazendo um excelente trabalho. Tanto é que tem a
aprovação de 60% da população de São Paulo. E volto à repetição, para fechar:
quem dá aumento para policial é o governador. Eu não posso dar.
Eu não vou
ficar jogando fumaça para ninguém. Eu não vou dar aumento. Não adianta a gente
falar que “Ah, vou fazer um projeto, vou fazer não sei o quê”. Quem dá é o
Executivo. Deputado não legisla em cima de Orçamento. Ponto final. É a primeira
coisa que a gente aprende nesta Casa.
Obrigado.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Pela ordem, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Pela ordem, deputado
Carlos Giannazi.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Sr. Presidente, eu
gostaria de utilizar a tribuna pelo Art. 82 do Regimento Interno, pela
Liderança do PSOL.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - É regimental o
requerimento de Vossa Excelência. Tem cinco minutos.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
PELO ART. 82 - Sr. Presidente deputado Reis, alunos, professores da
Universidade Anhanguera. Sr. Presidente, de volta à tribuna de hoje, eu
gostaria aqui de trazer um tema na área de segurança, na área da insegurança
pública.
Eu recebi nesta
semana aqui a professora Vera, e também a Janaína, que é síndica, coordenadora
de um prédio aqui ao lado, Sr. Presidente, aqui ao lado do Viaduto Major
Quedinho. Tem a Rua, tem o Viaduto Major Quedinho, e lá há uma escadaria.
E ali tem uma
série de assaltos, de crimes, porque a prefeitura abandonou completamente o
lugar, não há limpeza pública, não há iluminação correta a Segurança Pública,
também, Sr. Presidente, não tem dado ali o apoio aos moradores. A população
está sendo abandonada e assaltada diariamente.
A situação é
tão grave que ontem nós tivemos, aqui, essa semana, uma reunião. O comandante
aqui da Polícia Militar de dentro da Assembleia Legislativa fez, já, uma
solicitação para a Secretaria de Segurança Pública, o comando geral da Polícia
Militar, para que haja algum tipo de intervenção na região.
Mas eu queria,
Sr. Presidente, mostrar um vídeo de uma matéria que foi feita ontem lá, para
que a população tenha noção do que está acontecendo, e é aqui perto, aqui
pertinho da Assembleia Legislativa, na escadaria da Nove de Julho, da Avenida
Nove de Julho, deputado Conte Lopes, ali no Viaduto Major Quedinho. Vou colocar
a matéria e depois volto a falar disso.
* * *
- É exibido o
vídeo.
* * *
Então, Sr. Presidente,
só para concluir, primeiro que é uma situação de calamidade pública. A população
totalmente refém dessa situação, abandonada pelo Governo do Estado, abandonada
pelas forças de Segurança, abandonada pela Prefeitura de São Paulo. Onde está a
GCM, Sr. Presidente? Isso é um absurdo. Milhares de pessoas não podem circular
naquela região. A matéria é muito clara em relação a isso.
Então, eu
quero, da tribuna da Assembleia Legislativa, exigir providências da Secretaria
Estadual de Segurança Pública, do Comando Geral da Polícia Militar, do prefeito
Ricardo Nunes e da GCM, Guarda Civil Metropolitana, para que as providências
sejam tomadas imediatamente, que ali seja instalada uma base, ou da Polícia
Militar, ou da GCM, para dar proteção a milhares de moradores. Não é só um
prédio, são vários prédios ameaçados. As pessoas ali não conseguem sair às
ruas.
Quero agradecer
aqui a gentileza do coronel Roldan, que fez os encaminhamentos nesta semana,
atendendo ao apelo da população, mas que a Secretaria de Segurança Pública tome
providências. É uma obrigação da prefeitura e do Estado.
Então, eu
gostaria que cópias do meu pronunciamento, juntamente com a matéria que foi
exibida aqui no plenário da Assembleia Legislativa, sejam encaminhadas ao
secretário de Segurança Pública do estado de São Paulo, ao comandante-geral da
Polícia Militar, ao prefeito Ricardo Nunes e também à Secretaria de Segurança
Pública municipal, para que providências imediatas e urgentes sejam tomadas, no
sentido de dar proteção aos moradores da região, do Viaduto da Rua Major
Quedinho, Viaduto Major Quedinho, sobretudo daqueles prédios.
Repito: os
moradores estão abandonados, reféns dessa situação.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Defiro o pedido de
Vossa Excelência.
O
SR. CONTE LOPES - PL - Pela ordem,
presidente. Para uma comunicação?
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - É regimental. Vossa
Excelência tem dois minutos.
O
SR. CONTE LOPES - PL -
PARA COMUNICAÇÃO - Sr. Presidente, eu queria pedir desculpas que eu me
emocionei. Eu recebi esse comunicado dessa moça pelo meu funcionário, Bruno
Rota, na hora que estava chegando. Então, eu me emocionei na colocação, porque
foi um caso que aconteceu há 42 anos, quando eu trabalhava em São Mateus, no
49.
Foi um caso que
foi uma das primeiras ocorrências que, depois que me transferi da Rota, atendi
lá. Eu vi duas meninas de 15, 16 anos, atrás da delegacia, deitadas no chão,
mortas, com os livros no chão, ambas estupradas e estranguladas por um marginal
que tinha o apelido de “Preto”. Tinha 16, 17 anos.
Ele fez isso,
como falou a menina aqui nesse comunicado, com mais de dez pessoas. Conseguimos
prendê-lo. Aliás, ele se entregou sozinho quando estava com medo. Só que depois
ele saiu da Febem, porque o cara, depois dos 18 anos, vai para a rua. No Brasil
não se cumpre pena. E ele acabou fazendo os mesmos crimes e acabou morrendo.
Então, somente
isso. Eu acompanhei, sim. Fui até a casa dessa moça, eu me lembro. A mãe dela
perdeu 15 quilos em praticamente uma semana, quando perdeu a menina de 16 anos,
e a outra também. Eram colegas. Ele fez isso com várias meninas na região de
São Mateus.
Então, só isso.
A gente se emociona porque eu voltei 42 anos atrás e fiquei um tanto quanto
emocionado.
Obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Parabéns.
O
SR. GIL DINIZ BOLSONARO - PL - Pela ordem,
presidente. Uma breve comunicação?
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - É regimental o pedido
de Vossa Excelência.
O
SR. GIL DINIZ BOLSONARO - PL - Obrigado, presidente.
Vossa Excelência é um dos poucos que respeitam o nosso novo nome parlamentar,
presidente. Obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Parabéns pelo nome.
O
SR. GIL DINIZ BOLSONARO - PL – PARA
COMUNICAÇÃO - Obrigado, presidente.
Presidente, primeiro cumprimentar o deputado Conte Lopes pela sua história,
pela sua trajetória na Polícia Militar. Eu cresci na zona leste de São Paulo,
morei muito tempo ali em São Mateus, e realmente o trabalho do Conte Lopes ali
na região fez história, marcou realmente.
Então ele
merece toda a nossa consideração sempre pela sua história, sua trajetória na
Polícia Militar e especialmente também neste Parlamento aqui, onde ele defende
a nossa tropa e faz a boa discussão. O deputado Conte Lopes é um exemplo para
nós, um verdadeiro soldado que está todos os dias aqui discutindo, subindo à
tribuna, debatendo, colocando seus pontos.
O deputado
Suplicy, a deputada Leci também, mas é da nossa bancada, que é uma grande
liderança. Eu fico muito orgulhoso de ombrear na bancada do Partido Liberal ao
lado do deputado Conte Lopes. Parabéns, Conte, pela história.
Presidente,
outra coisa, hoje é dia 19 de março, Dia de São José. Eu sou devoto, muito
devoto de São José, então faço aqui o registro. Construí dentro do meu gabinete
uma pequena capela em homenagem a São José. O senhor, V. Exa., está convidado a
ver a capela. Já foi lá.
O SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Já visitei a capela.
O SR. GIL DINIZ BOLSONARO - PL - Já está um pouquinho diferente aqui,
mas convidar todos os nossos assessores, que porventura tenham curiosidade,
quem for católico ou não, mas fica aqui o registro desta data, um grande santo
da Igreja Católica. É o patrono universal da Igreja Católica, um homem que teve
o privilégio de chamar nosso Senhor Jesus Cristo, Deus, de Filho. Então fica
aqui esse registro também, presidente.
E para
finalizar, ontem, neste plenário, acabei saindo aqui e não vi a discussão. Vi
que a deputada Fabiana Bolsonaro subiu à tribuna, fez ali as suas colocações.
Neste momento eu nem vou entrar no mérito aqui, só adiantando que eu estou ao
lado sempre da deputada Fabiana Bolsonaro. Então Vossa Excelência já deve saber
as minhas posições.
Mas eu preciso
lembrar aqui aos pares que a deputada, ela tem algo que alguns esqueceram que
se chama imunidade parlamentar, material inclusive, porque queriam aqui
prendê-la em flagrante ontem.
Constrangeram a
Polícia Civil, a Polícia Militar, queriam dar voz de prisão aqui; deputado está
achando aqui que agora é o xerife. Claro que você precisa estar ao outro lado
do que eles pregam, porque se for do lado daquilo que eles defendem, então “tudo
bem, muito obrigado”.
Então, deixar
registrado aqui o meu apoio à deputada Fabiana Bolsonaro, já conversei com ela.
Orientei ela inclusive a colocar todos os deputados que estão aqui a difamando,
a caluniando, esses sim cometendo crimes contra a honra da deputada Fabiana
Bolsonaro, que ela também acione o Conselho de Ética e terá todo o meu apoio,
todo o apoio da bancada do Partido Liberal, presidente.
Triste momento
onde um deputado, uma deputada mulher, não pode colocar aqui as suas posições
dentro de um Parlamento e ver aqui os xerifes, as xerifes, querendo prender em
flagrante uma deputada. Presidente, é um sinal dos tempos e isso a gente não
pode permitir. É uma vergonha para este Parlamento.
Novamente, todo
o meu apoio à deputada Fabiana Bolsonaro.
O
SR. GIL DINIZ BOLSONARO - PL - E presidente, se
houver aqui acordo entre as lideranças, levantar a presente sessão.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Muito bem, xerife é só
o deputado Jorge Wilson. Sras. Deputadas, Srs. Deputados, esta Presidência,
cumprindo determinação constitucional adita à Ordem do Dia os seguintes
projetos de lei vetados: Projeto de lei nº 435; Projeto de lei nº 551; Projeto
de lei nº 630; Projeto de lei nº 888; Projeto de lei nº 1.278; e Projeto de lei
nº 1.307, todos de 2025.
Havendo acordo de lideranças, antes de
dar por levantado os trabalhos, convoco V. Exas. para a sessão ordinária de
amanhã, à hora regimental, sem a Ordem do Dia.
Está levantada a sessão.
Tenham todos uma excelente tarde.
*
* *
- Levanta-se a sessão às 15 horas e 39
minutos.
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