
18 DE JUNHO DE 2026
82ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: CARLOS
GIANNAZI
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h11min. Tece comentários sobre matéria da “Folha de São Paulo” a respeito das isenções fiscais concedidas pelo Governo do Estado. Discorre sobre a morosidade na implantação dos direitos remuneratórios congelados em razão da pandemia aos servidores estaduais. Comenta sobre acórdão da Ação Popular, a qual suspende os efeitos da Resolução Seduc nº 97/2025. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 19/06, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Por acordo de lideranças, levanta a sessão às 14h30min.
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ÍNTEGRA
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- Assume a Presidência e abre a sessão
o Sr. Carlos Giannazi.
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-
Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
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O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Presente o
número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus,
iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da
sessão anterior e recebe o expediente.
Dando início à lista de oradores
inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o deputado Valdomiro Lopes.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Delegado Olim. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Dr. Jorge do Carmo. (Pausa.) Com a palavra o deputado Bruno Zambelli.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.)
Com a palavra a deputada Thainara
Faria. (Pausa.) Com a palavra o deputado Paulo Fiorilo. (Pausa.) Com a palavra
o deputado Rui Alves. (Pausa.) Com a palavra o deputado Reis. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Fábio Faria de Sá. (Pausa.) Com a palavra a deputada Profª
Camila Godoi. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Donato.
(Pausa.) Com a palavra a deputada Fabiana Bolsonaro. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Conte Lopes. (Pausa.) Com a palavra o deputado Enio Tatto. (Pausa.)
Com a palavra a deputada Professora Bebel. (Pausa.) Com a palavra a deputada
Leci Brandão. (Pausa.) Com a palavra o deputado Edson Giriboni. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Caio França. (Pausa.) Com a palavra o deputado Carlos
Giannazi. Eu vou falar aqui mesmo da tribuna.
Hoje nós recebemos, pela imprensa, a
notícia de que o Tribunal de Contas, ao julgar as contas do governador, as
contas de 2025, descobriu que o estado de São Paulo mantém aqui o orçamento
paralelo, o orçamento paralelo das isenções fiscais.
Está aqui a matéria da “Folha de S.
Paulo” de hoje: “Tribunal de Contas aprova contas de Tarcísio, mas relator cita
orçamento paralelo de isenções fiscais” - algo que nós já estamos denunciando
há muito tempo aqui na Assembleia Legislativa, esse orçamento que é direcionado
às isenções fiscais para grandes grupos econômicos.
Quem faz essa afirmação no seu voto, no
seu parecer, é o conselheiro do TCE Marco Aurélio Bertaiolli, que foi já
deputado estadual aqui nesta Casa e prefeito de Mogi das Cruzes.
Ele faz essa afirmação e levanta aqui
as previsões para esse orçamento paralelo do Tarcísio de Freitas para
beneficiar os grandes grupos econômicos. A previsão para 2026 é de que haverá
um orçamento paralelo de 83 bilhões; em 2027, 88 bilhões; e em 2028, 97
bilhões, dinheiro público que será direcionado a esses grandes grupos
econômicos.
Mas o que mais nos chama a atenção
também é algo que eu já venho denunciando - eu e outros deputados aqui na
Assembleia Legislativa - que são os grandes devedores da dívida pública. Na
verdade, da dívida ativa do estado de São Paulo.
Então tem um dado aqui importante, os
25 devedores que receberam 12 bilhões de reais em renúncias fiscais, eles devem
ao fisco estadual, ao povo do estado de São Paulo, aproximadamente 4 bilhões de
reais. Isso já está na dívida ativa do estado de São Paulo, não tem nem como
recorrer mais. Eles perderam, entraram com todos os recursos.
Então tem 25 grandes empresas que são
devedoras do fisco, elas devem 4 bilhões de reais, são devedoras, são
caloteiras do fisco estadual. No entanto, o governo estadual, mesmo elas sendo
caloteiras, devedoras do fisco estadual, elas recebem isenções fiscais, essas
empresas, esses grupos econômicos. Não sei como isso acontece, por isso que nós
temos que investigar, elas receberam 12 bilhões de reais em renúncias fiscais,
dinheiro do povo do estado de São Paulo.
Então isso é muito grave. Não há
transparência nenhuma em relação a esse orçamento e o governo sempre alega que
é por conta do sigilo fiscal, para proteger as empresas. É sempre a mesma
ladainha.
Tem outras questões levantadas nesse
debate sobre a aprovação das contas na data de ontem, mas eu vou depois falar
sobre os outros temas também, que são graves, mas esse nos chama muito a
atenção, porque é o próprio Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, onde o
governador tem maioria de conselheiros indicados, aliados, que foram, pelo
menos, aliados do seu governo.
Então o próprio Tribunal de Contas está
dizendo que há um orçamento secreto, paralelo. Na verdade, fazendo aqui uma
alusão ao orçamento secreto criado no governo do Bolsonaro, que criou o
orçamento secreto, que, infelizmente, vigora até hoje, onde ele entregou o
orçamento do Brasil, uma boa parte do orçamento do Brasil, para os deputados e
senadores.
Então, queria fazer esse destaque aqui,
mas dizer que um governo que dá 12 bilhões de reais em renúncias fiscais para
25 grupos econômicos, que são devedores da dívida pública, não pode ter as suas
contas aprovadas. Nós vamos reprovar as contas aqui.
Quando chegar o relatório, o projeto,
aqui na Assembleia Legislativa, nós vamos votar contra a aprovação das contas
de 2025 do governador Tarcísio de Freitas, porque o governo não cumpriu a data
base dos servidores, não deu reajuste salarial, não fez a reposição das perdas
inflacionárias.
O governo não paga corretamente o piso
nacional do Magistério para os professores. O governo diz que não tem dinheiro
para isso. O governo mantém um vale-refeição de 12 reais para a maioria dos
servidores do estado de São Paulo, da Educação, da Saúde, da Segurança Pública,
da Assistência Social. Então um governo que maltrata, que mantém salários
arrochados e defasados dos servidores, não cumpre, como eu disse, a data base
salarial.
Neste ano, somente um setor teve um
pequeno reajuste, que foi um setor da Segurança Pública, Polícia Civil e
Polícia Militar. Os policiais penais ficaram de fora, por exemplo.
E mesmo o reajuste dado a esse setor da
Segurança Pública foi insignificante, porque eles estão também há muitos anos com
salários defasados. Mas, então, não tem dinheiro para os servidores, para o
reajuste, para a reposição da inflação, mas tem dinheiro para os grandes grupos
econômicos.
Só para o ano que vem, a previsão é de
83 bilhões de reais para esses grupos econômicos. Então, por que não tem
dinheiro também para valorizar a Educação pública, o SUS, o Sistema Único da
Saúde, e, sobretudo, aqui, os seus servidores?
E vou mais além, também para valorizar
os aposentados e pensionistas, que lutam hoje para receber o que foi confiscado
nos dois últimos anos da gestão Doria/Rodrigo Garcia.
O governo tem que devolver, porque,
embora tenha sido o confisco dos tucanos, é o governo o responsável. O Estado,
na verdade, é o responsável por um confisco, na nossa opinião, ilegal. Já tem
até parecer da PGR se manifestando contra o confisco de aposentadorias para
quem ganha abaixo do teto do INSS.
Então nós queremos que o governo
estadual, que o estado de São Paulo devolva imediatamente tudo aquilo que foi
confiscado durante os dois anos. Nós conseguimos derrubar o confisco. Agora
trata-se de devolver com juros e correção tudo aquilo que foi confiscado.
Esse relatório, esse debate que
aconteceu agora no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, é revelador de
que o governo está a serviço de grandes grupos econômicos, em detrimento dos
servidores e das áreas sociais, que continuam com falta de recursos, sobretudo
a Educação, a Saúde, a Segurança Pública, a Assistência Social e vários outros
segmentos importantes.
Quero ainda aproveitar para cobrar o
governo estadual em relação ao “Descongela”. O governador Tarcísio de Freitas
parece que vai ser o último governador do Brasil, o último governante, o último
gestor do nosso país a descongelar.
Já foi aprovada a Lei Complementar nº
226, de 2026, que foi fruto de uma ampla mobilização no Brasil, mas, sobretudo,
de um trabalho obstinado da deputada federal Luciene Cavalcante, que apresentou
o PLP 21.
O texto dela foi aprovado, foi o texto
que foi incorporado à Lei Complementar nº 226, que descongelou o tempo da
pandemia, da evolução funcional para todos os servidores do Brasil. É uma
conquista importante da deputada Luciene Cavalcante e, sobretudo, dos
servidores públicos de todo o Brasil.
A lei foi aprovada em janeiro... Foi
aprovada, na verdade, no final do ano de 2025, e sancionada pelo presidente
Lula no dia 12 de janeiro. E até agora, hoje é dia 18 de junho, até agora o
governador Tarcísio de Freitas não fez o descongelamento para os servidores e
as servidoras do estado de São Paulo, que, como eu disse, estão com salários
arrochados, defasados.
Essa evolução faria algum tipo de
diferença, daria um certo alento para aqueles que têm o direito a um
quinquênio, a uma sexta-parte, ou mesmo para as pessoas que já querem e
precisam se aposentar, mas estão esperando essa incorporação. Mas até agora nada do governo estadual.
Embora tenha publicado um decreto dizendo que iria fazer o descongelamento, até
agora nada. São mais de cinco meses de espera após a aprovação da lei.
Lembrando que vários municípios já
fizeram, aqui no estado de São Paulo, o Tribunal de Contas do Estado de São
Paulo, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público, todo mundo está fazendo já
o descongelamento. Tem municípios já pagando até o retroativo, que nós queremos
também. Descongela o quinquênio e depois o pagamento já do retroativo.
Mas aqui em São Paulo, o governador,
que na verdade fez parte, foi ministro do governo Bolsonaro, que concordou com
esse criminoso congelamento, ele também, há dois anos, três anos, entrou com uma
ação no Supremo Tribunal Federal para bloquear um parecer, para inviabilizar um
parecer do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo que autorizava os
municípios, cinco municípios aqui do estado de São Paulo...
Cinco, não, dois municípios, e,
consequentemente, haveria uma jurisprudência para o descongelamento geral em
todo o estado de São Paulo, como fez o Tribunal de Contas do Paraná, o Tribunal
de Contas de Santa Catarina, onde houve autorização, houve uma interpretação
incorreta da lei.
E aqui em São Paulo nós tínhamos
conseguido isso, no entanto, o governador entrou com uma ação e derrubou, ele
conseguiu revogar um parecer do Tribunal de Contas que autorizava o
descongelamento. Isso foi dois, três anos atrás. Nós denunciamos aqui
exaustivamente. Talvez por isso que ele esteja agora atrasando.
Ele concordou com o congelamento na
gestão do governo Bolsonaro. Ele foi ministro do Bolsonaro e foi bancado aqui
em São Paulo, depois ele fez militância aqui no estado de São Paulo, como
governador, contra o parecer do Tribunal de Contas que liberava o
descongelamento. E agora, lei aprovada, não tem mais saída para ele, mas ele
está atrasando, dificultando aqui o descongelamento para os servidores.
Então fica aqui a nossa denúncia e a
nossa exigência para que haja o descongelamento imediato dos quinquênios, das
sextas-partes, enfim, do tempo do congelamento da pandemia. E também o
pagamento imediato do retroativo. Que o governador mande o projeto de lei aqui
para a Assembleia Legislativa, como determina a Lei nº 226, e nós com certeza
vamos aprovar em caráter de urgência.
E por fim quero aqui, ainda, confirmar
que agora saiu já a publicação do acórdão de uma ação popular que nós ganhamos
- o nosso coletivo Educação em Primeiro Lugar.
Está aqui no telão da Assembleia
Legislativa: acórdão publicado no dia 15 de junho. O nosso coletivo Educação em
Primeiro Lugar - a deputada federal Luciene Cavalcante, o vereador Celso
Giannazi e o nosso mandato aqui da Alesp -, nós conseguimos vencer na Justiça,
nós conseguimos derrotar, nós conseguimos revogar definitivamente a Resolução
nº 97, de 2025, aquela resolução que tratava da extinção dos contratos dos
professores categoria “O” que porventura tivessem 5% de faltas da sua carga
horária.
E também prejudicava os professores de
PEI, os professores do Programa do Ensino Integral, mesmo os efetivos, todos
aqueles que tivessem também acima de 5% de faltas da sua carga horária seriam
prejudicados, seriam inabilitados para voltar a trabalhar em PEI no ano
seguinte.
Olha só o absurdo, extrapolando toda a
legislação, afrontando a própria Lei nº 1.093, extrapolando o Estatuto do
Magistério, extrapolando a Lei nº 444, de 85, extrapolando o Estatuto do
Funcionalismo Público, a Lei nº 10.261. Então o governo recorreu, nós ganhamos,
conseguimos liminar, o governo recorreu, perdeu; perdeu a sentença e perdeu a
apelação também.
Está aqui, olha. Quer dizer, nós
ganhamos na sentença, o governo apelou e perdeu. E agora saiu definitivamente o
acórdão, que eu já tinha anunciado aqui o julgamento, mas agora saiu a
publicação - está aqui -, nós vamos disponibilizar nas nossas redes sociais,
para que nenhum professor do estado de São Paulo seja punido por conta dessa
famigerada Resolução nº 97, de 2025.
Um absurdo o que o governo estadual
está fazendo com a Educação do estado de São Paulo, sobretudo com os seus
servidores, com o Magistério e com o quadro de apoio escolar.
Nós nunca tivemos um ataque tão brutal,
tão nefasto, tão perverso e tão cruel contra a Educação, em todos os níveis: a
ditadura; a máfia das plataformas digitais; o fechamento de salas em todos os
níveis, sobretudo no período noturno, impedindo que alunos trabalhadores possam
estudar no período noturno no ensino médio regular, na Educação de Jovens e
Adultos.
A redução do Orçamento da Educação; o
projeto, PEC do governo aprovada aqui pela base do governo, na Assembleia
Legislativa; a privatização de escolas; a venda de escolas na bolsa de valores
de São Paulo; a militarização das escolas. São inúmeros ataques. Avaliação de
desempenho punitivista, demissão em massa de professores e tantas outras
denúncias que nós já fizemos.
Nós vamos continuar lutando aqui,
acionando o Ministério Público, o Tribunal de Contas, o Tribunal de Justiça e
todos os mecanismos para que possamos impedir esse massacre, esse extermínio da
Educação praticado pelo governador Tarcísio de Freitas e o seu secretário
empresário da Educação, Renato Feder.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Não havendo
mais nenhum orador aqui no plenário, esta Presidência, cumprindo determinação
constitucional, adita à Ordem do Dia os Projetos de lei nº 413 e nº 414, ambos
de 2026.
Havendo acordo de lideranças, antes de
dar por levantados os trabalhos, convoco V. Exas. para a sessão ordinária de
amanhã, à hora regimental, sem Ordem do Dia.
Está levantada a sessão.
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- Levanta-se a sessão às 14 horas e 30
minutos.
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