20 DE MARÇO DE 2026

08ª SESSÃO SOLENE PARA ENTREGA DA MEDALHA THEODOSINA ROSÁRIO RIBEIRO

        

Presidência: LECI BRANDÃO

        

RESUMO

        

1 - LECI BRANDÃO

Assume a Presidência e abre a sessão às 10h43min.

        

2 - MESTRE DE CERIMÔNIAS

Anuncia a composição da Mesa e as demais autoridades presentes. Convida o público a ouvir, de pé, o "Hino Nacional Brasileiro".

        

3 - PRESIDENTE LECI BRANDÃO

Informa que a Presidência efetiva convocou a presente sessão solene, para realizar a "Entrega da Medalha Theodosina Rosário Ribeiro", por solicitação desta deputada, na direção dos trabalhos. Discorre sobre o histórico e o significado da medalha. Fala sobre a trajetória de Theodosina Rosário Ribeiro. Presta homenagem à jornalista Fernanda Santos, falecida em 18/03. Acentua a importância de combater a violência contra as mulheres. Destaca que a presente edição da premiação celebra o legado da jornalista Glória Maria.

        

4 - TAMYSIE CRISTINA MORAES RIBEIRO

Neta de Theodosina Rosário Ribeiro, faz pronunciamento.

        

5 - JOSELICIO FREITAS DOS SANTOS JÚNIOR

Secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas, faz pronunciamento.

        

6 - LARISSA CAMARGO

Vereadora de São Carlos, faz pronunciamento.

        

7 - MESTRE DE CERIMÔNIAS

Anuncia a exibição de vídeo sobre a trajetória da jornalista Glória Maria. Dá início à entrega da Medalha Theodosina Ribeiro às homenageadas desta edição.

        

8 - ADRIANA BARBOSA

Fundadora e diretora executiva da Feira Preta e homenageada, faz pronunciamento.

        

9 - GABRIELA SOARES CAMPOS

Representante da desembargadora federal homenageada Inês Virgínia Prado Soares, faz pronunciamento.

        

10 - ANDREA BARCELOS

Enfermeira homenageada, faz pronunciamento.

        

11 - REGINA APARECIDA FERREIRA

Líder quilombola homenageada, faz pronunciamento.

        

12 - IDEILDE OLIVEIRA (IYA ANDRÉIA D'IYEMONJÁ)

Presidente do Instituto Ecoar e homenageada, faz pronunciamento.

        

13 - CLAUDIA ALEXANDRE

Jornalista homenageada, faz pronunciamento.

        

14 - LUCIANA RIBAS

Advogada homenageada, faz pronunciamento.

        

15 - CLARA GODINHO

Pedagoga homenageada, faz pronunciamento.

        

16 - CLAUDIA RODRIGUES

Presidente da União Brasileira de Mulheres na cidade de São Paulo e homenageada, faz pronunciamento.

        

17 - ANA CRISTINA JUVENAL

Professora da Universidade Federal de São Carlos e homenageada, faz pronunciamento.

        

18 - ROSY SILVA

Produtora de eventos homenageada, faz pronunciamento.

        

19 - ELIANE DIAS

Empresária homenageada, faz pronunciamento.

        

20 - PRESIDENTE LECI BRANDÃO

Ressalta a importância da Medalha Theodosina Rosário Ribeiro e tece elogios às homenageadas desta edição. Expressa sua gratidão a todos os que fizeram parte de sua trajetória política. Faz agradecimentos gerais. Encerra a sessão às 12h31min.

        

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ÍNTEGRA

 

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- Assume a Presidência e abre a sessão a Sra. Leci Brandão.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Senhoras e senhores, bom dia. Sejam todas, todos e todes bem-vindos à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Esta cerimônia está sendo transmitida ao vivo pela TV Alesp e pelo canal da Alesp no YouTube com a finalidade de entregar a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro, instituída pela Resolução nº 898, de 2014.

Esta sessão solene é uma celebração que carrega a força, a coragem e o legado de uma mulher que transformou a história com sua luta por justiça e igualdade. Ao dar nome a esta medalha, o estado de São Paulo reconhece não apenas a importância histórica de Theodosina Rosário Ribeiro, mas reafirma o compromisso com os valores que ela representou.

Esta medalha não é apenas uma honraria, ela é símbolo, é continuidade, é memória viva, é o reconhecimento de que a luta contra o racismo, contra o preconceito e pela dignidade das mulheres precisa e vai seguir adiante.

Convidamos para compor a Mesa desta sessão solene a excelentíssima senhora deputada estadual Leci Brandão, presidenta e proponente desta sessão solene. (Palmas.) Convidamos o Sr. Joselicio Freitas dos Santos Júnior, secretário-adjunto da Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas. (Palmas.)

A excelentíssima senhora vereadora da cidade de São Carlos, Larissa Camargo. (Palmas.) A Sra. Tamysie Cristina Moraes Ribeiro, neta da Dra. Theodosina Rosário Ribeiro. (Palmas.)

Convidamos todos os presentes para, em posição de respeito, ouvirmos o Hino Nacional Brasileiro.

 

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- É reproduzido o Hino Nacional Brasileiro.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Registramos e agradecemos a presença das seguintes personalidades: Senhor Reginaldo de Oliveira Sabará, vereador da Câmara Municipal de Batatais. Senhor Jamil Murad, sempre deputado estadual. Senhor Vinícius Oliveira, tesoureiro estadual do PCdoB.

Senhor José Carlos Negrão, diretor executivo do Sindicato dos Motoristas de São Paulo. Senhora Celeste Gastão, diretora da União Brasileira de Mulheres. Senhora Isabel Kausz, secretária da Mulher do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da UGT. Senhor Patrick Gontier, presidente da 93 Produções. Senhor Zito Pereira, presidente do PCdoB de Capela do Socorro, Parelheiros.

Juninho, secretário adjunto de diálogos da Secretaria-Geral da Presidência. Senhora Kele Cristina, assessora parlamentar, representando o deputado federal Orlando Silva. E Sr. André Bezerra, da Executiva Estadual do PCdoB. Com a palavra a proponente e presidenta desta sessão solene, deputada estadual Leci Brandão.

 

A SRA. PRESIDENTE - LECI BRANDÃO - PCdoB - Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos nos termos regimentais. Esta sessão solene foi convocada pelo presidente desta Casa de Leis, deputado André do Prado, atendendo à minha solicitação, com a finalidade de entregar a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro. Que Deus proteja, abençoe e ilumine todos e todas que estão aqui.

Esta medalha foi criada há 12 anos, como uma forma de celebrar e reconhecer o trabalho de mulheres que impactam positivamente na vida dos que mais precisam. Portanto, cada sessão que outorga esta medalha é uma oportunidade para celebrarmos a vida e as conquistas, mas, encontros como esse também são momentos para reafirmarmos essa posição, nossa posição, realinhar objetivos, olhar para o lado e sorrir ao vermos, de quem está com a gente, quem continua segurando a nossa mão, apesar das dificuldades.

Embora hoje seja um dia de celebrar, preciso prestar minha homenagem a minha amiga, jornalista, Fernanda Santos, que faleceu ontem, vítima de um acidente de carro. Peço aplausos para a memória de Fernanda Santos. (Palmas.) Foi a Fernanda que me ajudou, quando entrei na Rede Globo, para comentar o Carnaval. A precoce partida dessa jovem, mulher negra, profissional de uma competência ímpar e de uma generosidade imensa, me deixou muito e muito triste.

Neste encontro, hoje, presto minha homenagem a ela, que sabia como ninguém que, quando a gente se junta, a gente fica mais forte e vai mais longe. Mas nesse encontro com mulheres, e sobre mulheres, também não posso deixar de falar sobre nossa luta coletiva, e a gravidade do momento em que vivemos.

Enfrentamos uma guerra em vários aspectos, mas a mais violenta, para as mulheres e meninas em nosso país, tem acontecido, na maioria das vezes, num lugar onde deveriam estar cada vez mais seguras, dentro de casa. Vivemos uma verdadeira epidemia de feminicídios.

A misoginia, os discursos de ódio, as falas criminosas disseminadas em redes sociais, que estão formando e educando nossos jovens, estão matando e violentando mulheres de todas as idades e de todas as formas.

A violência contra as mulheres não nasce do nada. Ela é disseminada todos os dias, em ambientes que naturalizam a agressão. Portanto, quando olhamos umas para as outras, em momentos como este, também nos lembramos do porquê estamos aqui, e quanto custou a cada uma de nós, e àquelas que vieram antes que ousaram e ousam levantar a voz, ocupar espaços e, sim, insurgir contra tudo isso.

Uma dessas mulheres, que foi e continua sendo referência para todas nós, é Glória Maria, que dá nome e nos inspira nesta edição. Glória Maria iniciou sua carreira trabalhando como telefonista da Companhia Telefônica Brasileira.

Eu, quando soube disso, considerei uma feliz coincidência, porque eu também trabalhei como telefonista. Mas o que eu gosto mais é de pensar que é ela que teve durante toda a vida uma coragem e pioneirismo que todas nós admiramos, no qual nos espelhamos.

Ela foi a primeira repórter negra da TV brasileira, em 1970. Foi a primeira mulher a fazer cobertura jornalística de uma guerra. Era conhecida por suas reportagens especiais pela Europa, África, e Oriente, e se aventurou em lugares que a gente nem imaginava que existiam.

Glória apresentou os programas mais importantes da maior emissora do País. Fez entrevistas marcantes, com personalidades importantes do mundo todo. Durante uma entrevista, ela disse certa vez: “desde que eu era pequena, sempre soube que ia vivenciar e enfrentar o racismo”.

Ela vivenciou e enfrentou o racismo diversas vezes - e de muitas formas. Em um desses momentos, um desses enfrentamentos, mais uma vez, ela foi pioneira, pois foi a primeira a fazer uso da Lei Afonso Arinos, primeira lei brasileira a proibir a discriminação racial.

E disse o seguinte: “Nada blinda preto de racismo, ainda mais a mulher preta, nós somos mais abandonadas, discriminadas, porque você tem que aprender a se blindar da dor. Se você for esperar o blindamento universal, você está perdida.” Disse ela que não foi só pioneira, mas foi ousada e insubmissa diante da realidade.

Ela foi o que sempre quis ser, livre. Nessa edição, não apenas celebramos seu legado, mas nos inspiramos em sua coragem para enfrentar, enfrentar com firmeza, as estruturas que alimentam a misoginia, o racismo e a discriminação.

E como estamos falando de exemplos e legados, preciso falar da mulher extraordinária que dá nome a essa medalha, Dra. Theodosina Rosário Ribeiro, que também teve a coragem de enfrentar o racismo e foi pioneira ao ser eleita a primeira deputada negra desta Casa, tornando-se uma referência para todos nós.

Doutora Theodosina sempre foi uma inspiração para que todas nós perseguíssemos o ideal de vermos os espaços de poder sendo ocupados por aquelas que de fato representam a maioria do nosso povo.

Glória Maria disse uma vez: “Eu não tive referência, não tive em quem me espelhar. Felizmente, hoje temos muitas como referência e algumas estão aqui nesta manhã.” Portanto, inspiradas em Glória Maria e na doutora Theodosina Ribeiro, prestamos nossas homenagens a essas 12 mulheres celebradas hoje. Mulheres que nos dão coragem para realizar, para ousar e para mergulharmos em nossos sonhos de liberdade.

São elas: Claudia Alexandre, jornalista, escritora; Professora Ana Cristina Juvenal, historiadora e professora; Mãe Andréia, liderança religiosa, embaixadora da liberdade religiosa; Professora Clara Godinho, pedagoga, graduada em educação especial e inclusiva; Dona Regina Ferreira, liderança quilombola, orientadora, artesã; Andrea Barcelos, sindicalista, enfermeira.

Doutora Inês Virgínia Soares, desembargadora do Tribunal Federal; Cláudia Rodrigues, presidenta da União Brasileira de Mulheres em São Paulo; Rosy Silva, produtora de eventos, chefe de segurança do Anhembi; Doutora Luciana Ribas, defensora de Direitos Humanos; Eliane Dias, advogada, empresária, ativista; Adriana Barbosa, fundadora, diretora executiva do ecossistema Feira Preta. A todas quero dizer muito obrigada.

É uma honra prestar essa homenagem e continuar de mãos dadas com vocês, mulheres corajosas e que me ajudam a ter coragem, força e muita fé. Quero dizer a vocês e a todos que estão aqui que estou firme, forte e cheia de disposição para dar continuidade à minha caminhada no Parlamento. Muito axé e que Deus e os nossos orixás continuem abençoando a caminhada de vocês.

Obrigada.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Agradecemos a deputada Leci Brandão pelas palavras.

E, neste momento, convidamos a fazer uso da palavra e realizar uma breve saudação, inicialmente, a Sra. Tamysie Cristina Moraes Ribeiro, neta da Dra. Theodosina Rosário Ribeiro, que é, que outorga, que dá nome à Medalha Outorgada no dia de hoje.

 

A SRA. TAMYSIE CRISTINA MORAES RIBEIRO - Bom dia. Gente, eu sempre fico nervosa, muito. Eu fico extremamente emocionada em falar da minha avó, então não me julguem se eu chorar, por favor, tá? Bom dia, deputada.

 

A SRA. PRESIDENTE - LECI BRANDÃO - PCdoB - Bom dia, minha filha, Deus te abençoe.

 

A SRA. TAMYSIE CRISTINA MORAES RIBEIRO - Obrigada. Muito obrigada.

Bom dia. Bom dia. Eu estou muito feliz, gente. Eu sempre fico muito feliz em pisar nessa casa e de me lembrar da minha avó, né? Ela era a minha melhor amiga, então eu sempre vou ficar muito emocionada em falar dela. Eu quero parabenizar todas. É uma honra para mim estar aqui.

Quero agradecer a gentileza. A senhora sempre lembrando da minha avó, sempre exaltando a minha avó e é o maior orgulho da minha vida. Eu sinto muita falta dela, mas ela cumpriu a missão dela direitinho, ela foi maravilhosa, maravilhosa, gente.

A minha avó, ela não era, eu conheci a minha avó como avó, ela já não era mais deputada, ela já não fazia mais parte da vida política, então eu tenho uma visão diferente dela do que todas as outras pessoas. E eu posso garantir para vocês que ela foi uma das melhores pessoas que passou nessa terra.

A minha avó era muito altruísta, a minha avó era autodidata, a minha avó era solidária, a minha avó era gentil, a minha avó era educada e ela de fato lutava por nós, não só pelo povo negro, ela lutava pelas mulheres, ela lutava pelos professores. E, poxa, se eu fosse 1% do que a minha avó foi, eu acho que eu ficaria muito feliz e honraria muito o nome dela.

É um privilégio estar aqui, muito obrigada pela atenção de vocês, tenham todos uma boa comemoração e parabéns, mais uma vez, eu ainda vou chegar aí, eu ainda vou ser igual a vocês.

Obrigada, gente, bom dia.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Com a palavra o Sr. Joselicio Freitas dos Santos Júnior, secretário adjunto da Secretaria Nacional de Diálogos Sociais e Articulação de Políticas Públicas.

 

O SR. JOSELICIO FREITAS DOS SANTOS JÚNIOR - Gente, bom dia. Nem todo mundo sabia que eu me chamava Joselicio, a maioria me conhece como Juninho.

Primeiro, dizer que eu estou muito emocionado aqui, cumprimentar minha querida amiga, deputada Leci Brandão, figura que eu admiro, conheço e acompanho o seu mandato desde o início. E estive muitas vezes aqui acompanhando várias iniciativas do seu mandato e acho que essa é uma das mais bonitas e importantes, que é esse prêmio, essa medalha.

Cumprimentar a Tamysie, Larissa também, grande companheira, lutadora. Quero trazer aqui um abraço do nosso ministro, Guilherme Boulos, que também tem um carinho muito grande pela deputada Leci, por essa iniciativa. E queria também cumprimentar todas as homenageadas, todos os presentes e dizer que é emocionante estar aqui também, Leci.

Porque nada mais simbólico do que a entrega da Medalha Theodosina numa semana que talvez tenha marcado tão negativamente essa Casa com a postura de uma parlamentar que fez um ato repugnante, que repercutiu muito no Brasil todo, fazendo um ato racista, transfóbico, enfim, tudo o que tem de pior que a gente possa imaginar, que a gente nem imaginava que a sociedade e as pessoas fossem capazes de produzir.

Além das punições, que eu acho que a Casa tem que buscar os caminhos, inclusive na Justiça ou internamente, mas mais do que isso, a melhor resposta que a gente pode dar é ter Leci Brandão como deputada desta Casa, ter uma bancada de mulheres negras que se somam junto contigo e você poder encher esta Casa de mulheres lutadoras, que fazem a diferença no dia a dia da sociedade brasileira, na sociedade paulista.

Então essa é a melhor resposta que a gente pode dar, além das respostas cabíveis do ponto de vista Legislativo e da Justiça, mas é também a resposta política e simbólica de empoderar, de demonstrar para a sociedade a potência a partir da memória da história de Theodosina, exaltar a história de mulheres que fazem a diferença no cotidiano.

Quero finalizar aqui... Você na sua saudação inicial tocou em um ponto muito importante, e eu aqui como representante do governo federal, encabeçado pelo nosso querido presidente Lula, que tem apontado uma responsabilidade... Ele tem falado muito e já está pensando no legado que ele quer deixar para a sociedade, e ele tem deixado alguns recados muito importantes, um deles é chamando de: a responsabilidade de nós homens em torno dessa pauta do pacto contra o feminicídio.

Então a gente acabou de ter mais uma tragédia terrível aqui no nosso estado, que tem tido uma grande repercussão, mas tem muitos outros casos que não repercutem. Então nós precisamos fortalecer esse pacto federativo, institucional, mas nós, enquanto homens dentro da sociedade brasileira, também assumirmos a nossa responsabilidade dessa bandeira de luta.

Nós que somos militantes do movimento negro sempre reivindicamos isso, né? Que a luta antirracista não era só dos negros, era da sociedade brasileira, e a luta contra o feminicídio, a luta das mulheres não pode ser uma luta só das mulheres. É uma responsabilidade de nós homens de lutarmos por isso e também termos posturas que garantam e avancem nessa direção.

Então muito obrigado, estou honrado de estar aqui nesta Mesa. Nem esperava por isso de estar aqui nesta Mesa. Vim aqui muito mais para prestigiar, para homenagear e poder curtir esse momento com vocês, mas fiquei muito feliz de ser convidado aqui para a Mesa, e poder deixar esse abraço, esse carinho aqui para vocês.

Tamo junto. (Palmas.)

 

A SRA. PRESIDENTE - LECI BRANDÃO - PCdoB - Obrigada, Júnior.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Com a palavra a excelentíssima senhora vereadora de São Carlos, Larissa Camargo.

 

A SRA. LARISSA CAMARGO - Muito obrigada.

Bom dia a todas as pessoas presentes aqui neste plenário. Também quero cumprimentar e agradecer pelo privilégio de poder caminhar ao seu lado, de aprender todos os dias contigo. Sinto-me muito abraçada pelo seu trabalho, pelo seu mandato. E aqui já cumprimento a todos os trabalhadores do gabinete da nossa maravilhosa Leci Brandão.

Cumprimentar a Tamysie, que está sempre com essa alegria nos olhos, né? Segunda vez que eu estou aqui na edição da medalha, e é muito bom te encontrar honrando o legado e a história da sua vó. Também cumprimentar o Juninho, que hoje que eu descobri o nome dele de verdade, que é um parceiro, tem somado com a gente em São Carlos para a gente fortalecer a nossa luta pela Educação e por essa educação antirracista.

Quero dizer sobre a honra de poder estar aqui, neste momento, como a primeira vereadora negra do PCdoB, e primeiro mandato do PCdoB em São Carlos. Eu me sinto responsável por levar essa voz do que é o pensamento do bem comum, do que é levar para todas as pessoas esse propósito de que é possível ter uma vida mais digna, é possível transformar as desigualdades e buscar as equidades.

Digo sempre que eu sou cria do PCdoB de muito anos, estou no partido há 17 anos, então toda a minha formação política e de entender os princípios de política de transformação começou nesse partido.

Dizer da importância dos movimentos sociais, que também fazem parte da nossa caminhada, que a gente vai aprendendo, crescendo e entendendo que é possível ter essa pluralidade, essa sociedade mais equânime, que todos os dias que a gente levanta tem o fôlego de vida, e a gente tem que estar dispostos a buscar alguma transformação de alguma forma.

Quero dizer que é uma honra poder homenagear essas 12 mulheres poderosas, potentes e maravilhosas. Quero dizer que eu tenho uma caminhada muito próxima com a professora Ana Cristina, que está ali nos fortalecendo em São Carlos, através da universidade, e da força que a Claudinha também nos dá todos os dias ali pelo trabalho desenvolvido na UBM.

Dizer da importância também desse pacto federativo citado aqui pelo Juninho. São Carlos vai fazer, pela primeira vez na história, uma audiência pública para tratar da questão da violência contra as mulheres. Está convocando a sociedade como um todo para dali sair um comitê técnico que discuta o plano municipal de combate à violência contra as mulheres em São Carlos.

É uma iniciativa da Câmara Municipal, provocando todos os setores da sociedade. Igrejas, escolas, comércios, está todo mundo convocado, literalmente, para somar a força nesse projeto.

E dizer também da alegria de poder, nesta manhã, celebrar a vida das mulheres em semanas que tem sido muito difíceis. Nos últimos meses, têm sido muito difícil a gente não levantar com uma notícia fatídica em relação a violências e violações de direitos contra os nossos corpos.

Muitas vezes a gente também precisa diariamente se lembrar das mulheres que estão vivas fisicamente, mas que estão por dentro mortas, porque já esqueceram que são mulheres, porque já esqueceram, já fizeram com que elas esquecessem que elas têm o direito de continuar vivas.

E eu acho que é esse o nosso papel, de trazer e elucidar todos os dias que nós estamos aqui para estabelecer os direitos das mulheres, e que sejam cumpridos no nosso papel social e diário. Muito obrigada.

PCdoB esse mês completa 104 anos, e é uma honra poder fazer parte da luta da história deste partido, que tem um compromisso para que a vida das mulheres e a vida da sociedade seja mais digna, mais equânime e mais igualitária.

Muito obrigada. (Palmas.)

 

A SRA. PRESIDENTE - LECI BRANDÃO - PCdoB - Obrigada.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Agradecemos as palavras da Sra. Tamysie Ribeiro, do Sr. Joselicio Freitas e da Sra. Larissa Camargo.

Adentramos ao momento de especial significado e elevada relevância simbólica, a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro - Edição Glória Maria, que constitui em uma justa reverência a uma personalidade cuja trajetória transcende o exercício profissional, inscrevendo-se na história como exemplo de coragem, pioneirismo e excelência.

Glória Maria destacou-se como uma das mais importantes vozes do jornalismo brasileiro, rompendo barreiras e ampliando horizontes. Nesse espírito de reconhecimento e reverência, convidamos todas as pessoas a assistirem ao vídeo sobre a sua trajetória.

 

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- É exibido o vídeo.

 

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Então, pessoal, findas as questões protocolares, daremos início agora a essa magnífica e maravisplêndida femenagem que, inspiradas em Glória Maria, trará 12 mulheres constelares que, com suas vozes, com suas trajetórias, com as suas potências e sobretudo com as suas escrevivências, trazem impactos significativos nos seus trabalhos, nas atividades que desenvolvem.

Elas são 12. Eu diria que, se nós tivéssemos em calendários, teríamos uma para cada mês do ano, de tão maravisplêndidas que são. Para começarmos a nossa outorga da Medalha Theodosina Rosário Ribeiro, edição Glória Maria... A luz de Glória Maria... Glória Maria era uma mulher leonina, portanto, de brilho, uma mulher solar.

Vamos iniciar essa nossa femenagem com a potência daquela que nos inspira, e também inspiradas por aquela que traz a nominata e também a trajetória especial da nossa Medalha Theodosina Rosário Ribeiro. Então hoje nós teremos uma cerimônia magistral e, sobretudo, ancestral.

E vamos começar a nossa femenagem com ela, que é mulher negra, mãe, empreendedora, fundadora e diretora-executiva da Feira Preta. (Palmas.) Eu conheci essa mulher quando a Feira Preta começou, lá atrás. Uma das principais plataformas de fomento à economia negra no Brasil.

Há mais de 20 anos, ela atua conectando cultura, empreendedorismo e desenvolvimento, impactando milhares de negócios. Sua trajetória é marcada pela força da ancestralidade e pela influência de sua família matriarcal. Convidamos Adriana Barbosa para receber a Medalha Theodosina Ribeiro. (Palmas.)

Parabéns, Adriana. Só lembrando que cada uma das femenegeadas terá três minutos para, com a sua emoção, traduzir aqui toda a emoção que estão sentindo. À vontade, Adriana. A palavra é sua.

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. ADRIANA BARBOSA - Obrigada, gente. Obrigada, Claudia.

Eu estou nervosa. Estou aqui tremendo. Bom dia, gente. Muito obrigada por estar aqui. Quero agradecer à deputada excelentíssima Leci Brandão e a todo o mandato, a todo o time, a esta Mesa incrível.

Tem muitos marcos para mim aqui. Eu fiz a Feira Preta aqui há quase 20 anos atrás. Na época que Nivaldo Santana era deputado, e ajudou. Quando a gente não tinha espaço para fazer a Feira Preta, ele: “Vamos tentar, então, fazer a Feira Preta dentro da Assembleia”.

Eu trabalhei com a Leci Brandão, para a Leci Brandão, pela Gravadora Trama, há quase 30 anos, quando eu levava o CD da Leci e a Leci para fazer a agenda de rádio. Então tem marcos importantes na minha trajetória. E o que eu posso dizer é que a Leci é uma deputada como poucos deputados são: coerentes com a sua história.

Transformar uma trajetória cultural em política pública não é para qualquer pessoa. Então quero dizer que todo o trabalho que você tem feito nos seus últimos mandatos... Vamos caminhar para o quinto? Quinto mandato. Eu votei em todos.

Que todo esse processo de coerência que você tem feito para políticas públicas, com o seu posicionamento cultural e artístico, possibilitando que surgissem muito mais “Lecis”, muito mais artistas, tanto no campo da juventude negra, quanto no campo do coletivo de clubes sociais negros, que eu estive recentemente participando, e tantos processos que tem feito na questão de gênero também.

Dizer que, por conta de você, a gente, na Feira Preta, nos últimos três anos inspirados no seu mandato e também no de outros deputados e deputadas negras, criou uma área de políticas públicas dentro da Feira Preta.

Nos últimos três anos, a gente tem trazido essa perspectiva da política pública no campo da economia. A economia é um lugar que a gente tem que cunhar, é um lugar que a gente tem que disputar. E Juninho está aqui, a gente está lá, junto, tentando travar essa batalha, para que a gente fale, também, faça também justiça econômica. Então muito obrigada por ser inspiração para todos nós.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Parabéns, Adriana Barbosa.

E agora nós vamos chamar ela, que é desembargadora federal do Tribunal Regional Federal da 3ª Região desde 2018. Atuou no Ministério Público Federal por mais de duas décadas.

Ela que é mestra, doutora pela PUC, com pós-doutorado pela USP, coordenadora de obras jurídicas, destacou-se na defesa de direitos fundamentais de grupos vulneráveis no combate à discriminação, na atuação contra o tráfico de pessoas e que sua trajetória tem como característica fundamental a transformação.

Ela que, junto ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região esteve e participou ativamente no primeiro concurso da magistratura em que juízas e juízes negros puderam adentrar aquela casa. Eu estou falando da Dra. Inês Virgínia Prado Soares que, neste ato, é representada por sua filha, a Sra. Gabriela Soares Campos. (Palmas.)

Isso, nós temos mulheres que transformam em todas as áreas, não é? As mulheres que recebem a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro são, definitivamente, incríveis. (Palmas.)

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. GABRIELA SOARES CAMPOS - Oi, gente, é uma honra e uma felicidade estar aqui representando a minha mãe. Acho que as palavras da Tamysie me tocam, porque quando a gente conhece a pessoa na vida pessoal, e a gente vê o comprometimento dela e vê esse reconhecimento por uma pessoa que é tudo para mim, é algo que me toca muito.

Então, vocês vão me perdoar pela emoção, mas minha mãe me mandou algumas palavras de agradecimento pelo prêmio. Eu vou lê-las aqui e espero que eu dê conta do recado. Então:

“Expresso minha imensa honra e alegria ao receber este prêmio. A luta por justiça e pela proteção de direitos para minorias e grupos minorizados, como o das mulheres, das pessoas negras e das pessoas transexuais, é cotidiana.

Há camadas de dificuldade para nós mulheres. Ainda somos poucas mulheres a ocupar cargos e espaços de poder. Quando conseguimos, temos a possibilidade de abrir caminhos nos posicionando contra injustiças, violências e práticas opressoras.

Minha mãe é uma das mulheres com poder, e ela procura usar as oportunidades que tem como desembargadora no Tribunal Regional Federal da 3ª Região para lançar à luz isso, para os direitos das mulheres e para fortalecimento dos direitos dos grupos mais vulneráveis.

Nem sempre tem sucesso no desempenho dessas tarefas, mas, ao receber a condecoração no dia de hoje, percebo que tem valido a pena trilhar esse caminho e renovar todo dia o compromisso com os direitos humanos.

Expresso minha gratidão à Alesp e à deputada Leci Brandão pela iniciativa. Dedico este prêmio a todas as operadoras do direito, especialmente a juízes e empregadoras da Justiça Federal. Que mulheres incríveis como a advogada Cláudia Luna, a deputada Leci Brandão e a deputada federal Erika Hilton possam continuar a nos inspirar.

Como canta lindamente Gal Costa: ‘É preciso estar atento e forte, mas não temos tempo de temer a morte’. Obrigada a todos”. (Palmas.)

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Quanta emoção, não é, gente? Mas está só começando, porque agora nós teremos a nossa terceira femenegeada.

Ela, que é mulher, mãe do Eric, atleta paralímpico, e profissional da Saúde. Ela, que atua como enfermeira na Prefeitura de São Paulo, com histórico como bancária e representante sindical e, durante a pandemia da Covid-19, esteve na linha de frente com dedicação e empatia.

Ela, que é pessoa com deficiência, transforma sua vivência em luta por inclusão, acessibilidade e justiça social. Venha, Andrea Barcelos, receber a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro. (Palmas.)

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. ANDREA BARCELOS - Bom dia ainda, não é? Bom dia a todos do plenário. Bom dia a todas as homenageadas.

Para mim, é uma honra muito grande estar com vocês aqui. São mulheres de luta. E vou dar uma saudação a todos na Mesa, em especial à nossa deputada estadual, Leci Brandão.

Eu sou Andrea Barcelos, fui bancária, dirigente sindical e trabalhei na linha de frente no combate à Covid-19. Trabalho no SUS e sou mulher PCD. Eu tenho uma patologia com o nome de Charcot-Marie; ela gera uma fraqueza muscular nos membros inferiores e essa doença surgiu, mais ou menos, aos 30 anos de idade.

Então, de repente, eu me vi com a mobilidade reduzida e me deparei com uma sociedade extremamente... que discrimina as pessoas. Em momento algum eu fui acolhida.

Então, a minha única alternativa nessa sociedade, Leci, é a gente lutar e a gente se organizar para alcançar direitos e diminuir a desigualdade social.

Hoje nós temos cerca de 20% da população que se autodeclara pessoa com deficiência. Tem os níveis leve, moderado e grave. Então, é uma população muito grande. E, por vezes, a gente não tem acesso ao Transporte, à Educação, a uma saúde específica.

Nós temos a lei de cotas, Leci, que é muito positiva. Cinco por cento das vagas são reservadas para as pessoas com deficiência. Porém, pasmem vocês, essas vagas não são ocupadas. Geralmente, em torno de dois por cento, só.

Por que isso? Porque não tem pessoas capacitadas para ocupar essas vagas. E aí que entra a força da Leci Brandão, aí que entram as políticas públicas para reduzir as desigualdades sociais, que é o investimento em transporte.

Essas pessoas, que estão dentro de casa, estão vivendo o isolamento social que nós vivemos na pandemia, que a gente lamentou tanto.

Então, eu falo tudo isso, Leci, porque eu sei o trabalho que você desempenha para reduzir a desigualdade social. Você é extremamente necessária aqui na Alesp para dar voz às mulheres, para dar voz às mulheres trabalhadoras.

Eu venho de duas categorias de maioria mulheres, que é bancária e profissional da Saúde. Sou filha do Eric, um garoto também que tem a patologia, e é um atleta paralímpico.

Então, é um prazer para mim estar com você, e estar com a Leci, defendendo as desigualdades sociais, em combate ao feminicídio, à igualdade racial.  Investe muito em cultura, o nosso país precisa disso.

Então, eu só tenho que agradecer. E é uma honra muito grande estar aqui nesta manhã hoje.

Obrigada. (Palmas.)

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Parabéns, Andrea.

E, dando continuidade a esse time magnífico de mulheres inspiradoras, a nossa quarta femenegeada - olha como está a diversidade nesse prêmio, está incrível -, ela é uma mulher negra, descendente de comunidade quilombola, que tem forte atuação na preservação da cultura e memória afro-brasileira.

Representou o Brasil em intercâmbio cultural em Angola, sendo reconhecida pelo fortalecimento dos laços com o continente africano. Artesã e agente cultural, dedica sua vida à valorização da ancestralidade, da natureza e dos direitos das comunidades. Vamos femenegear agora a Sra. Regina Aparecida Ferreira. (Palmas.)

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. REGINA APARECIDA FERREIRA - Vocês me desculpem a emoção também. Receber essa medalha, para mim, nesse momento, me dá um ânimo novo e reforça o meu compromisso com a luta.

No sábado passado, perdi uma sobrinha para o feminicídio. Então, esse meu fortalecimento vem através dessas ações e me fortalece, porque enquanto houver mulheres sofrendo violência, enquanto o racismo barrar o futuro dos nossos jovens e enquanto os nossos direitos fundamentais sofrerem ameaças, a nossa voz não pode ser calada e ela precisará ser ouvida.

Em nome das comunidades quilombolas, em nome de todas as mulheres que estão lá dentro da comunidade, criando seus filhos para a liberdade e não baixando a cabeça para o preconceito, a gente agradece você, Leci, pelo reconhecimento da nossa história, da nossa luta, pelo carinho que você sempre nos dedicou. E eu só tenho uma coisa para te dizer, eu acho que você vai se lembrar dessa frase. (Pronunciamento em língua estrangeira.) (Palmas.)

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Parabéns, senhora Regina Ferreira. E agora, dando continuidade às nossas constelares, às nossas maravisplendidades, nós vamos chamar ela, que é mãe, líder social e religiosa, presidenta do Instituto Ecoar.

Atua na promoção do desenvolvimento sustentável e da igualdade racial em Francisco Morato, no estado de São Paulo, com trajetória marcada por diversos prêmios e reconhecimentos, ela se destaca na valorização das religiões de matriz africana e na defesa dos direitos humanos.

Convido, nesse momento, para receber a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro a Sra. Ideilde Oliveira, mais conhecida como Iya Andréia D’Iyemonjá. (Palmas.)

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Incrível, não é? Se nós fôssemos pensar que cada femenegeada representa um mês do ano, um período ou um signo do zodíaco, nós estaríamos em junho agora, não é isso? E coincidentemente, junho está ligado ao signo de Gêmeos, que é associado à comunicação.

E, misticamente, a nossa femenegeada é uma mulher negra, jornalista, dessa área da comunicação... Ah, desculpe. Olha só, gente! Mas, olha, essa cerimonialista fake está, assim, aceleradíssima. Mãe Andréia, mil perdões, a palavra é sua. Até já quebrei o protocolo, adiantei o que eu ia dizer, olha só! Fique à vontade.

 

A SRA. IDEILDE OLIVEIRA (IYA ANDRÉIA D'IYEMONJÁ) - É emoção, é emoção.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muita emoção e muita responsabilidade também.

 

A SRA. IDEILDE OLIVEIRA (IYA ANDRÉIA D'IYEMONJÁ) - Estamos todas muito emocionadas. Em primeiro lugar, aqui eu quero pedir a bênção de todas as minhas mais velhas, as que se antecederam antes de mim, eu quero pedir a bênção aos meus ancestrais. Como a senhora disse, perdeu a sua sobrinha. Eu perdi a minha mãe em julho do ano passado e meu pai, em janeiro deste ano, por idade também e por estar doente.

Mas receber uma homenagem como esta, com o nome desta mulher que foi professora, advogada, primeira vereadora de sua cidade e primeira deputada aqui nessa Casa de Leis, eu tenho certeza que muito representa a todos nós, que temos essa luta social por igualdade, não é? Por igualdade, por cultura, por sermos mulheres negras.

Eu, mulher negra de matriz africana, costumo dizer preta, macumbeira e nordestina. Imagine quanto que nós sofremos de discriminação e o quanto nós levantamos todos os dias dizendo que nós temos que ser resistentes, resilientes e dar continuidade.

E aí vem esses três ícones, não é? Doutora Theodosina Ribeiro, a nossa jornalista, que nós acordávamos todos os domingos esperando o “Fantástico” para ver qual era a próxima aventura de Glória Maria. Aí vem a nossa deputada Leci Brandão, que antes de ser deputada, cantora, mulher resistente, resiliente, que, através da sua música, fazia as suas denúncias e nos tirava da cama logo pela manhã, as manhãs de sábado, para fazer as nossas faxinas.

E eu costumo dizer que isso não são palavras minhas, são palavras de todas as mulheres negras e brancas que acordavam com suas mães, para deixarem as suas casas limpas e cheirosas para a continuidade da semana.

Deputada, eu quero lhe dizer que essa homenagem que a senhora nos oferece não é só nossa, é da senhora e é de todas as mulheres que estão aqui e as que não puderam estar também - nós perdemos várias mulheres aqui neste mês por feminicídio. E nós mulheres do Instituto Ecoar e homens do Instituto Ecoar lutamos muito pela vida dessas mulheres todos os dias.

Deus, os orixás, sabem o quanto eu e o meu esposo, que ali sentado está, por diversas vezes, acordamos no meio da noite para socorrer uma mulher vítima de violência doméstica ou uma filha ou a vítima de violência no trabalho. E quando elas chegam na delegacia, elas sofrem uma segunda violência, que é ficar esperando, não ser atendida como devia.

E eu vou falar aqui em meu nome, em nome das instituições, em nome dos ilês-axés que nós temos por aí, das casas de Umbanda, que vamos continuar resistindo e vamos continuar lutando para que essa senhora continue sentada nessa cadeira mais resiliente que nunca e que ela continue nos representando, sendo a nossa voz, que ela continue com esse legado deixado a ela, que isso é missão e essa missão não é só dela, é nossa também de mantê-la ali.

A minha gratidão à senhora e gratidão a todas as mulheres homenageadas aqui. Eu me sinto muito representada por todas as senhoras. Gratidão a todas. Axé, que Iemanjá, Baba Mi, Ogum “ati” Onã deem muitos anos de vida com saúde.

Felicidade a todos. (Palmas.)

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito obrigada, mãe Andréia, pelas suas palavras.

E agora, vamos voltar aqui, já que a pessoa que está aqui fazendo esse cerimonial resolveu antecipar, mas vamos voltar aqui à nossa sexta femenegeada, que a gente já deu um spoiler, não é, pessoal?

Ela, que é mulher negra, jornalista, escritora e pesquisadora, doutora em Ciência da Religião e pós-doutoranda em Antropologia Social, especialista em Culturas Afro-brasileiras, é autora premiada e referência no Carnaval paulistano, atuando na mídia, na Academia e na preservação da ancestralidade das tradições.

Nós estamos falando aqui da Sra. Claudia Regina Alexandre, mais conhecida como Claudinha Alexandre, que neste ato recebe a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro das mãos da deputada Leci Brandão.

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. CLAUDIA REGINA ALEXANDRE - Minha saudação a todos, todas e todes, a nossa querida deputada Leci Brandão, nossa cidadã brasileira maravilhosa, a toda a Mesa.

Estou muito emocionada. Quero pedir a benção para quem é de benção. Eu sou uma mulher de terreiro, de terreiro do samba, de terreiro sagrado dos candomblés e das umbandas, uma mulher de Oxum. É por isso que as lágrimas estão caindo o tempo inteiro.

Eu fico sempre muito emocionada, porque Leci Brandão faz parte da minha vida. Eu vi pessoas falando das pessoas que perderam, a Iya lembrou do pai e da mãe, e eu lembrei que, nas festas de casa, meu pai e minha mãe iam para o centro do quintal para dançar “Mamãe vadiou, papai dançou, papai dançou, mamãe vadiou”. Nós aplaudíamos e víamos o casal. Eu venho desse casal, meu pai iniciado do candomblé, que me deu essa perspectiva de mundo.

Eu estou hoje triplamente preenchida, preenchida porque essa medalha é de dona Theodosina, que pavimentou este chão em que a gente está aqui, mostrando a nossa possibilidade de transformar o mundo, enquanto mulheres negras, na política institucional.

Seguida por Leci Brandão, brilhantemente, uma mulher múltipla, porque é da música, porque compõe, porque tem voz, porque a voz dela é uma voz pela justiça social de todos, pela igualdade social, porque é uma mulher do samba e porque hoje está nesse mandato, mandato que a gente tem que fortalecer, não só como mulheres negras, mas pela possibilidade de outras meninas negras virem e ocuparem este espaço que primeiramente foi pavimentado por dona Theodosina.

Em terceiro, porque esta edição homenageia Glória Maria. Eu, como uma mulher da comunicação, também fui inspirada pelo caminho que ela pavimentou e que outras meninas negras sejam também inspiradas.

Minha filha está aqui, é o nosso legado, legado de axé, herdeira do nosso axé também, e eu só posso dizer que esta foi uma semana muito doída para nós, Leci, e hoje está sendo muito difícil.

Perdemos Fernanda. Eu queria que você permitisse que eu também lembrasse dela e oferecesse esta medalha a ela. (Palmas.)

A Leci, enquanto uma mulher da comunicação também, porque Leci foi à televisão e valorizou essas comunidades de terreiro que eu tanto trabalhei também para visibilizar pela Comunicação, pelo rádio, pelo Jornalismo, e ao nosso lado nós tivemos o apoio de Fernanda Santos, que foi a Orum hoje, mas eu peço que Fernanda leve a certeza de que cumpriu a missão dela neste lugar, para nós, mulheres negras, de terreiro, porque Fernanda também era de terreiro, e nós, da comunicação negra.

Obrigada, Leci, por esta emoção. Que Oxum, com as águas doces, te ilumine e te dê muita saúde, agora e sempre, e que você possa contar com a gente no próximo mandato. Axé. Axé.

Obrigada. (Palmas.)

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Parabéns, Claudia Alexandre.

E agora, dando continuidade ao nosso time dos sonhos de femenageadas que vão receber aqui a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro, nós vamos chamar a minha colega, que é advogada, consultora jurídica, doutora em Direitos Humanos, com atuação na gestão pública e na Educação, ela que desenvolve projetos de impacto social nas áreas de Direito, Inclusão e Políticas Públicas, sendo referência na defesa de populações em situação de vulnerabilidade. Neste ano, convido para receber a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro, a Dra. Luciana Ribas.

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. LUCIANA RIBAS - Bom dia a todas as pessoas aqui presentes. Meu nome é Luciana, eu sou uma mulher branca, cabelo encaracolado, curto, estou usando um casaco branco. Eu vou pedir licença, porque eu vou ler. Estou muito emocionada, não estou acostumada a homenagens e a gente tem poucos minutos, então achei melhor organizar aqui as minhas ideias.

Receber a Medalha Theodosina Ribeiro é para mim uma honra profunda. Theodosina Rosário Ribeiro foi uma mulher que ousou existir politicamente em um tempo que negava a tantas pessoas o direito de serem vistas. Por isso, ser homenageada com esta distinção que carrega seu nome vai muito além de um reconhecimento individual. É uma convocação para continuar lutando e contribuir para seu legado.

Quero agradecer imensamente ao mandato e à deputada Leci Brandão, essa referência ética, cultural e política no nosso país. Leci é alguém que, assim como Theodosina, insiste em colocar dignidade no centro da vida pública. Receber esta medalha pelas suas mãos, uma mulher com sua história, é algo que vou guardar para sempre.

Eu quero agradecer à minha família, que é meu porto seguro, minha mãe, Lourdes, meu pai, Geraldo, minha irmã, Elizabeth, que são meu exemplo de ética e caráter; meu companheiro Luiz, que é meu equilíbrio diário em meio a tantas atividades diárias de trabalho e da militância.

É com o amor e a compreensão de vocês que eu encontro força e inspiração para seguir. Obrigada por entenderem as minhas ausências, as minhas inquietações e essa urgência que me move.

Eu agradeço especialmente ao Thiago Silva, presidente da Comissão de Políticas Públicas para as Pessoas em Situação de Rua, da subseção Penha de França, que fez esse ato de generosidade de sugerir meu nome. O Thiago foi meu aluno e hoje é meu professor diário, companheiro de trabalho e ativismo, de trocas diárias, encaminhamentos, estratégias jurídicas que fazem a gente fazer valer os direitos que são constantemente violados em nossa cidade.

Mas eu não cheguei aqui sozinha. O trabalho de defesa da população em situação de rua é coletivo e é construído no chão da cidade, tecido todos os dias com afeto, persistência e também indignação, porque ninguém deveria naturalizar que vidas sigam invisibilizadas.

Nesse sentido, agradeço ao Fórum da Cidade de São Paulo em Defesa da População em Situação de Rua, essa coalizão a que pertenço, que existe há décadas em São Paulo, que reúne pessoas, movimentos sociais, entidades, na luta por políticas públicas dignas para a população em situação de rua.

A gente só encontra forças para atuar na defesa dos direitos humanos quando o trabalho é coletivo. Sem uma articulação em rede a gente não consegue avançar. Eu dedico esse reconhecimento para todas as pessoas em situação de rua com quem eu aprendi e aprendo diariamente.

Cada história, cada luta, cada resistência, me lembra porque eu escolhi esse caminho, em especial quando eu passei a realizar os atendimentos jurídicos lá no Chá do Padre, em 2011, quando as Defensorias Públicas passaram a atender a população em situação de rua lá.

A rua ensina sobre coragem, mas também revela a falha estrutural, resultado desse sistema capitalista, neoliberal, que orienta nosso país. Este país que é maravilhoso, mas vive imerso nas próprias contradições.

Um país que esquece a própria história de exploração, de escravização, que insiste em negar direitos básicos, mantém privilégios para determinados grupos e ainda não teve a coragem de trabalhar por reparação histórica, por saneamento básico, pela reforma agrária e por moradia digna para todas as pessoas. 

A rua não é e nunca foi um fracasso individual. Ela é resultado da falência humanitária que vivemos como sociedade. Quando uma pessoa morre na rua, morre o nosso sentimento de humanidade e coletividade.

Eu queria lembrar essa medalha em nome de Neide Vita, que morreu na rua com 19 facadas, no ano de 2018. Neide Vita foi uma mulher que ajudou a constituir o Comitê Pop Rua aqui na cidade de São Paulo, e ela sempre... A ausência dela nos faz falta todos os dias, mas ela continua sendo lembrada. Receber essa medalha, é receber em nome da Neide também.

Muito obrigada a todas as pessoas aqui presentes.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Parabéns, Dra. Luciana Ribas.

E agora a nossa próxima femenegeada é da Educação. Ela, que é pedagoga, especialista em Educação Inclusiva, atua desde 2007 na rede pública, com foco na educação especial, e desenvolve práticas que promovem inclusão, autonomia e valorização das diferenças, sendo referência no atendimento educacional especializado.

Sua atuação é guiada pelo compromisso social e pela convicção de que a educação inclusiva é transformadora para toda a sociedade. Receba, professora Clara Godinho, a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro.

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. CLARA GODINHO - Bom dia para todos. Estar aqui hoje é um momento de muita alegria. Deus conhece todas as coisas. Eu sou cristã e acredito muito em Deus. Num primeiro momento, a minha história começou no ano passado, quando fiz um projeto de homenagem para uma mulher. E Deus me falou que a mulher a ser homenageada seria a Leci Brandão. Então, fizemos uma homenagem na escola, conseguimos uma agenda aqui na Alesp e nós a conhecemos.

Eu já estava muito desacreditada de políticas públicas, para ser bem sincera, porque vivemos em um país onde a discriminação não fala, ela grita. E, quando a gente fala em pessoas com necessidades especiais, a dor é muito grande.

Eu também sou mãe do Pedro, que é autista, e fazer um trabalho com pessoas especiais, eles exigem muito amor, exigem muito comprometimento, exigem muita dedicação, porque são pessoas que já passaram momentos muito difíceis, tanto de atendimento médico, atendimento para passar, às vezes, por uma condução.

É um ônibus que você precisa e você não consegue; é uma medicação que você precisa e o governo não aprova; você, às vezes, não tem dinheiro para comprar. E tudo é muito difícil. Você tenta uma escola e não tem vaga; você fala que quer fazer uma matrícula em uma escola particular e eles não te aceitam; você fala que precisa do Estado e o Estado não tem um cuidador.

Então, tudo é muito difícil, é muito doído. Então, quando essa mãe chega para mim na sala, ela já vem de uma luta muito grande, só que é uma luta que eu também conheço, porque eu também faço parte dela. Então, eu sei como dói você querer levar o seu filho a um evento e você não poder, porque a presença dele constrange, incomoda. Ele faz barulho, ele grita, ele chora.

Então, isso dói, mas dói muito. Então, comecei a criar eventos na escola, festas para eles, passeios, e isso tem dado certo, tem desenvolvido autonomia nas crianças. É um mundo novo você visitar museu, espaços que antigamente não eram abertos para eles.

Mas, quando nós estamos juntos, nós somos mais fortes. Vamos até lá, visitamos o museu, somos bem recebidos.  Estivemos aqui na Alesp junto com a Leci. Então, eu voltei a acreditar, porque vi que é um telefone que é respondido, é um e-mail que você manda e eles respondem. Então, é verdade, ela luta mesmo pela causa inclusiva e isso moveu o meu coração.

Sou apaixonada, eu amo a Leci, porque ela é uma pessoa maravilhosa, ela te escuta. É verdade, gente. A gente anda tão desacreditado na política brasileira e, quando você encontra alguém que realmente é aquilo que ela fala, é muito difícil. Ela é transparente e isso, hoje em dia, é muito difícil, é muito difícil.

Então, agradeço aos meus filhos, ao Giovanni, à Rebeca, ao Pedro, ao meu genro, que está aqui hoje junto com os meus filhos, minha netinha Noemi, aos meus avós, porque eu penso assim, a minha trajetória foi marcada por nomes, o Seu Milton, porque meu avô ensinava a gente a brigar sempre pelo certo.

Ele mandava a gente comprar um pão. Estava o troco errado, “volte lá, está errado”.  Então, você vai acostumando a lutar. E, graças a ele, nós estamos aqui. Pela minha avó, que sempre dividiu tudo, fazia um bolo, “esse filho vai chegar mais tarde, esse aqui é dele”. 

Então, você vai aprendendo, e isso foi construindo, gerando caráter. E, como é bom, minha mãe, guerreira, que voltou a estudar depois de casar, porque ela é daquele tempo em que a mulher casou, pronto, ela vai ter filhos e vai ser mãe. Mas não, ela voltou a estudar, a trabalhar. Meu pai, que ensinou a ser ético, nunca faltar no serviço, honrar seus compromissos.

Então, foi uma trajetória feita de nomes, nomes de pessoas especiais. Ao meu tio Tomé, meu pai tinha falecido, eu não tinha força para ir fazer vestibular. Meu tio falou: “Não, você vai conseguir”.

E eu fui e fui uma das primeiras classificadas. Então, isso tudo tem nome, essa trajetória tem nome, essa medalha tem nome. Nome da minha família, nome de todas as mães que lutaram, nome de todas as pessoas que não foram reconhecidas.

E eu luto, sim, estou aqui e vou continuar lutando para que a deficiência seja vista como uma característica, porque ela não pode definir uma pessoa e ela não vai definir no que depender de mim. Que todas as pessoas que tenham necessidades especiais possam ser vistas, ser amadas. Elas têm um lugar no mundo, elas têm desejos e elas são capazes, sim.

A deficiência não vai definir ninguém. Então, eu agradeço esse prêmio, agradeço a Leci, me perdoem se eu me esqueci de alguém. Amo todas as mães especiais. A medalha é nossa, a vitória é nossa. Nós estamos aqui e vamos ocupar espaços.

Muito obrigada.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Parabéns, Clara Godinho. Vocês estão observando quão diversa é essa edição, a edição Glória Maria, da Medalha Theodosina Ribeiro. Nós tivemos aqui, nós temos mulheres que são do Axé, mulheres que atuam, que vêm de comunidades quilombolas, mulheres defensoras de Direitos Humanos, mulheres que estão nos espaços de poder do campo da Justiça, mulheres que estão na Educação, enfim, mulheres que realmente, mulheres da comunicação, mulheres que transformam.

E agora, continuando, nós vamos chamar a nossa próxima femenegeada, que é uma mulher negra, mãe, líder social e política, com trajetória de superação e atuação em diferentes áreas.

Ela, que o nome dela é “revolução”, não é? Ela que é presidente da União Brasileira de Mulheres em São Paulo e dirigente nacional do PCdoB, atua na defesa dos direitos das mulheres, na promoção da igualdade e no combate à violência. Estou falando de Claudinha Rodrigues. (Palmas.) Receba, Claudinha, em nome de toda a sua trajetória, a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro.

 

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- É entregue a homenagem.

 

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A SRA. CLAUDIA RODRIGUES - Primeiro agradecer a Leci, a deputada Leci Brandão, por trazer este projeto para a Câmara, de homenagear as mulheres lutadoras. Agradecer a participação de todas as pessoas aqui do plenário. Dizer que a gente sempre fica nervoso, não tem jeito. Parece que é sempre a primeira vez na vida, né? Mas vamos lá.

Quando saí de casa, eu disse assim: “Talvez eu não tenha nem roupa para me vestir direito para chegar na Assembleia Legislativa e receber a homenagem.” Aí, no meio do caminho, eu disse: “Eu vou me vestir de diversas maneiras”. Então, eu me vesti de Helenira Resende, que tombou neste país lutando pela democracia do nosso país.

Eu me vesti de diversas companheiras que constituíram a União Brasileira de Mulheres e hoje não trilham mais entre nós, a não ser os seus conhecimentos e as suas lutas, que colocaram à disposição da gente. Eu também me vesti, Leci, de Theodosina Ribeiro. E me vesti, sobretudo, Leci, de Leci Brandão.

A companheira Ana, que recebeu a homenagem aqui, fez uma referência também muito bonita e que me levou à Rua Blumenau, no Jardim do Papai, em Guarulhos. Quando a minha mãe dizia: “Vai buscar um quilo de carne, ou a carcaça de frango, na rua de baixo”, era justamente na hora que a Leci estava cantando. Mas não tinha problema, porque nós podíamos sair da casa e andar a rua inteira, porque a rua inteira estava ouvindo o samba “Pede Passagem”, e a gente continuava ouvindo o samba até ir ao açougue e voltar para casa.

Eu queria aproveitar o momento e dizer que essa medalha é uma medalha coletiva: ela é uma medalha de todos os que me formaram, que me trouxeram até aqui e que vão me levar mais longe ainda, porque o nosso povo precisa dessa energia coletiva nossa, precisa dessa inteligência coletiva a todo tempo. A todo tempo a gente precisa estar atenta.

O companheiro aqui do governo federal diz muito bem: Lula lançou o pacto contra o feminicídio. Nós precisamos fazer o estado de São Paulo e os municípios de São Paulo aderirem a esse pacto.

Recentemente, companheiras e companheiros, assumiu uma vaga no Conselho Nacional de Direitos Humanos, e na reunião agora em abril nós vamos constituir um GT no conselho, junto com os tribunais de Justiça, para a gente rodar o País e colocar esse debate do feminicídio, que é uma escalada crescente.

Mas só é possível a gente fazer esse enfrentamento se a gente assumir que é necessário, nesse pacto, cumprir com algumas missões. Entre elas, trabalhar com as crianças nas escolas; entre elas, trabalhar a formação dos nossos companheiros, dos homens, da nossa sociedade; entre elas, fortalecer o empoderamento das mulheres, financeiramente, emocionalmente, na saúde, familiar e etc. Nós precisamos que as mulheres tenham condições de trabalho dignas.

Então é importante que a gente diga que essa medalha é pertencimento dessa luta, e a recebo com muito orgulho, em nome da nossa coletividade, em nome da União Brasileira de Mulheres, da cidade de São Paulo, que fez e que faz grandes enfrentamentos, grandes lutas importantes para as mulheres da nossa cidade, do nosso estado e do nosso país.

Não podia também deixar de registrar o sempre tão importante deputado Jamil Murad, do Partido Comunista do Brasil, aqui presente, e nossos companheiros do partido, no qual eu tenho a honra de dizer que milito há quase 39 anos, nesse partido, que é o nosso partido, o partido que luta pelo povo brasileiro, que agora, dia 25, completa mais um ciclo de vida e de luta.

Então, um abraço para todas e todas as pessoas aqui presentes, em especial para a minha querida Leci. (Palmas.)

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Maravilhosa. Parabéns. Parabéns, Claudinha. E agora vamos... Gente eu me dou conta de já estar quase acabando. Tantas mulheres maravilhosas, tantas trajetórias, mas ainda temos duas, viu?

E a nossa femenegeada de agora é uma mulher negra que passou por cursinho popular e políticas de ações afirmativas, ela, que é historiadora, doutora em Educação e professora da Universidade Federal de São Carlos, é referência na Educação das Relações Étnico-Raciais, primeira mulher negra a dirigir o Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade, atua na formação acadêmica e na promoção da educação antirracista.

Convidamos para receber a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro a professora Ana Cristina Juvenal. (Palmas.)

 

A SRA. ANA CRISTINA JUVENAL - Bom dia a todas as pessoas. Muito obrigada pelo convite, pela oportunidade de estar aqui e de receber essa honraria. É uma alegria muito grande celebrar a vida de todas essas pessoas. Também muito obrigada por partilhar isso com vocês, estar aqui nesse dia. Agradeço a Leci Brandão, doutora honoris causa pela UFSCar. (Palmas.)

É uma alegria que a gente tenha podido outorgar este título a ela. Nós estamos aqui falando sobre muitas trajetórias, muitas histórias e muitas pessoas dizendo: “Eu sou a primeira pessoa a fazer isso, a primeira pessoa a fazer aquilo”. Felizmente e infelizmente nós ainda vivemos uma atmosfera em que mulheres negras e pessoas negras ainda são primeiras em muitos lugares.

A Leci é a primeira mulher negra a receber o título de honoris causa pela UFSCar e é uma alegria poder estar lá, a partir do lugar que eu ocupo como primeira diretora negra do Centro de Educação e Ciências Humanas e ter participado do processo que colocou a propositura do título a ela.

Então, cumprimento a ela, a todas as pessoas da Mesa, em especial a Larissa, companheira de luta e de caminhada em São Carlos, lugar onde fui me formar, fui me constituir como profissional e onde acompanho o trabalho da Larissa, e é uma alegria ver o que ela está conseguindo construir lá também como a primeira vereadora negra. E a gente espera, daqui a algum tempo, que nós não precisemos mais ouvir “a primeira pessoa negra”, “a primeira mulher negra em vários desses espaços”.

E, com isso, eu gostaria de aproveitar o momento e lembrar o Ato Nacional em Defesa das Cotas, no próximo dia 31 de março, aqui em São Paulo. Um momento importante que nós reafirmaremos a luta e a presença das pessoas que vieram antes de nós, que construíram a política de ação afirmativa e que fizeram as cotas raciais serem a política mais revolucionária da história da educação superior brasileira.

E eu posso dizer isso não apenas porque fui estudante e fui beneficiária das políticas de ação afirmativa, como várias pessoas aqui, mas porque nós sabemos o que ouvimos sobre nós antes de entrarmos na universidade. O que diziam que aconteceria com o ensino superior público brasileiro, o que aconteceria com as universidades com a nossa chegada lá.

Nós não só chegamos, como nós estamos lá e nós vamos continuar. A nossa luta é permanente. As políticas de ação afirmativa e as cotas raciais melhoraram a universidade. Hoje a universidade se parece mais com a sociedade brasileira e hoje nós demonstramos que nós fazemos ciência, nós fazemos conhecimento, nós produzimos uma epistemologia própria, e, nesse legado, uma das pessoas mais proeminentes é a Leci.

Leci que foi nossa professora. Quando as nossas histórias, quando os nossos conhecimentos não eram contados na sala de aula, quando nós não tínhamos a oportunidade de ouvir sobre nós, era o samba da Leci, era o trabalho dela e de tantas outras pessoas que nós aprendíamos sobre nós mesmas.

Então agora é o nosso trabalho de dar continuidade a quem veio antes de nós. Eu agradeço a todas as pessoas, peço também e reconheço a bênção, também sou uma mulher de Axé e estar nesse lugar também com essa composição também é um desafio e também é uma responsabilidade muito grande.

Então agradeço quem veio antes de nós, peço a bênção a Ogum e Iansã, que guiam o meu caminho, muito obrigada por tudo e a nossa luta por justiça e por igualdade continua e nós vamos seguir firmes e fortes na luta por justiça, por igualdade para todas as pessoas.

Muito obrigada.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Parabéns, professora Ana Juvenal.

E agora chegamos à nossa penúltima, não é a última ainda, a nossa 11ª maravisplêndida Mulher Negra, que é a nossa 11ª femenegeada, ela que é contabilista, bacharel em Direito, produtora de eventos e atua há mais de 20 anos no Sambódromo de São Paulo, sendo referência em produção e segurança.

Nós vamos chamar agora ela, que é envolvida em projetos sociais, destaca-se pela liderança, resistência, resiliência e compromisso com a comunidade, venha, Rosy Silva, receber a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro. Boa tarde a todos.

 

A SRA. ROSY SILVA - Eu trouxe uma colinha aqui porque eu não ia conseguir falar. É uma honra imensa estar aqui hoje recebendo esta homenagem, a homenagem de medalha de Theodosina Ribeiro, que carrega muito significado em ensinamentos. Obrigada, querida Leci, e obrigada a toda a sua assessoria. E eu queria agradecer ao Jorginho, que eu acho que ele não está aqui, pela indicação. Obrigada, Jorginho Saracura.

Tem uma frase que eu uso como lema na minha vida, a vida é feita de escolhas, faça valer a pena, e eu acho que está dando certo. Eu sou contabilista, sou bacharel, mas o que me trouxe até aqui hoje foi meu trabalho na frente da produção de segurança do Carnaval de São Paulo. São 21 anos à frente desse trabalho, que no começo não foi fácil, porque eu trabalhava diretamente com muitos homens e ninguém aceitava uma mulher e negra ali na frente.

Mas acho que deu certo; 21 anos. Agradeço a Deus, meus irmãos aqui presentes, Cristina e Carlos, pelo apoio incondicional. Meus amigos que sempre acreditaram nos meus esforços. A minha amiga e comadre Fernanda, que está aqui presente. E eu estou muito feliz.

Gratidão. Laroyê.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Parabéns, Rosy Silva.

E agora está acabando, gente. Nós chegamos à nossa última, mas não menos importante. Vamos fechar com chave de diamante e chamar ela, que é negra, mãe, advogada, empresária e referência na cultura hip-hop. É fundadora da Boogie Naipe e responsável pela gestão de grandes artistas.

Atua na intersecção entre cultura, negócios e impacto social, sendo reconhecida nacional e internacionalmente por sua liderança e inovação. Vamos chamar Eliane Dias para receber a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro, a nossa 12ª femenegeada.

 

A SRA. ELIANE DIAS - Acho que está todo mundo falando assim: “Ufa!”. Vou ser breve. Quero agradecer imensamente, muito, muito, muito, a Leci Brandão, por essa lembrança, por essa gentileza. Eu te amo e, sempre que te vejo, falo que te amo, te amo muito, sou muito grata. Quero cumprimentar a todos, a todos, a todas aqui, aqui presentes. Agradecer o tempo de vocês, por vocês se dedicarem, por vocês saírem da sua rotina para estar aqui nos homenageando.

Muito obrigada, estou muito grata. Quero agradecer também a pessoa que indicou o meu nome. Não sei quem foi, mas estou muito grata. E também agradeço a equipe da Leci Brandão, que aceitou o meu nome.

Porque não basta indicar, tem que ser aceito, tem que bater uma chancela ali. Essa medalha para mim é muito importante. Trabalhei dez anos nesta Casa de Leis, entrei por essa porta trazida por Leci Brandão, depois fui trabalhar em outros setores.

Tenho um grande respeito e um grande carinho. Espero que a Leci consiga, estou torcendo e vou trabalhar para isso, para a Leci continuar nos representando, continuar com esse legado. É muito importante que tenhamos uma mulher preta falando por nós, nos dedicando, nos homenageando, trabalhando por nós, porque juntas somos mais fortes.

E nós, mulheres pretas, sabemos que precisamos nos defender, porque, neste momento, raros são os homens que nos defendem, raras são as mulheres brancas que nos defendem. Então, as mulheres pretas têm que estar juntas. Juntas somos mais fortes. Essa medalha vou deixar aqui registrada, que não é só minha, esta medalha é de todas as mulheres que eu amo.

Entre elas está lá a minha filha, a Ayomi Domenica, que me empurra para frente, uma mulher guerreira, linda, maravilhosa, que está trabalhando fora de São Paulo. A minha mãe Cida, que me deu à luz sozinha.

Eu nasci sozinha, então costumo dizer que a coisa mais difícil que fiz na vida foi nascer, porque a minha mãe me deu à luz. Ela estava só lá, então eu cheguei, nasci sozinha, de parto normal.

De repente, alguém ouviu um barulho e foi lá e falou que precisava ajudar essa mulher negra que pariu sozinha nesse quarto, sem energia elétrica. Não sei nem o horário em que nasci.

Quero deixar também essa medalha e ofereço também a minha ialorixá, que partiu ano passado. A coisa mais difícil da minha vida é viver esse luto. Estou num processo de luto ainda. A gente perder uma ialorixá fica um buraco na alma. Fiquei muitos meses sem chão. Ela faleceu em 17 de maio do ano passado, então estamos no processo de luto ainda.

E também ofereço essa medalha à minha tia Lourdes, que tirou a minha mãe da rua, porque a minha mãe morou comigo na rua, até completar um ano e oito meses. Todas as mulheres negras que me trazem até aqui. Agradeço à Leci Brandão por lembrar que faço um trabalho para guardar um legado também.

Compactuo com você, meu bem, que, às vezes, proteger uma pessoa importante, a gente não é lembrada. A Leci Brandão tem essa sensibilidade de saber que proteger uma pessoa importante, um legado, também precisa ser lembrado. Quero finalizar dizendo que este dia é muito especial para mim e que vamos seguir lutando não só por nós, mulheres, mas por todos nós negros, pelos seres humanos.

E, Leci, muito obrigada pela sua coragem, muito obrigada pela sua força, muito obrigada por estar aqui. Um beijo. Axé. A benção, minha mãe.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Parabéns, Eliane Dias. E, nesse ato, parabenizamos a todas as mulheres pelo reconhecimento, luta e trajetória até aqui. Aproveitamos a oportunidade para convidar todas as pessoas presentes para o coquetel que será servido no Hall Monumental, ao término desta cerimônia.

E, nesse momento, fará uso da palavra à nossa nobre deputada Leci Brandão, para o seu pronunciamento final e o encerramento desta solenidade.

 

A SRA. PRESIDENTE - LECI BRANDÃO - PCdoB - Deus os abençoe, proteja e ilumine todos, todas que estão aqui. Desculpem a voz embargada, desculpem a voz que não está muito nítida por algumas razões que vocês são sabedores. Vocês rezaram, tocaram tambores, colocaram folhas, foram ao mar, foram às cachoeiras, foram a todos os lugares da natureza para pedir forças para que hoje, neste 20 de março, eu esteja aqui.

Eu não sabia se eu ia poder ter condições para estar presente nessa solenidade, mas, ouso dizer que essa edição da Medalha Theodosina Ribeiro trouxe uma soma de coisas, de histórias de vida, de gente que não tem nenhuma importância na comunicação nacional. São pessoas que não estão todos os dias na TV, nas revistas, nas redes sociais. Não são pessoas badaladas, não são pessoas deslumbradas.

São pessoas, mulheres pretas e brancas, que sempre tiveram na sua vida uma coisa chamada dignidade. Sempre tiveram na sua vida uma noção do que é viver num país chamado Brasil, que, infelizmente, não tem respeito e não tem a verdadeira liberdade para todas as mulheres.

O que acontece no nosso país nos dias de hoje, ultimamente, são coisas que nos fazem ficar com muita vergonha, desencanto, vontade de lutar, mas, é uma luta diferente, porque, quando luta com consciência, luta respeitando, é uma coisa. E, quando ofende, assassina, prejudica, você tem atitudes de preconceito, preconceito de toda ordem - porque, hoje, o Brasil é campeão de todo tipo de preconceito. É muito ruim.

E, quando estou aqui nesta Mesa, cercada por pessoas muito importantes, mulheres e homens também, o povo que conduz o Quilombo da Diversidade, porque posso estar deputada, mas não sou a dona nem sou a maior cabeça daquela sala lá do terceiro andar. Só estou naquela sala, desde 2011, por causa dessas pessoas.

Inclusive, quem acompanhou a nossa caminhada aqui nesta Casa sabe que todo mundo que chegou lá, em março de 2011, são as mesmas pessoas. São as mesmas pessoas. Não tem ninguém da minha família, não tem ninguém que é ligado a mim por algum tipo de parentesco ou interesse, absolutamente. São seres humanos, mulheres e homens que conheci durante a campanha política.

Inclusive, tenho que abrir um parêntese para fazer um profundo agradecimento a uma mulher que nos está presente, uma mulher branca, de cabelos grisalhos. O nome dela é Ana Martins. E o outro é um homem que está presente aqui, que é Jamil Murad. (Palmas.)

Por que cito o nome dos dois? Porque foram as pessoas que, uma pegou o braço esquerdo e outra o direito e saíram comigo pelas ruas de São Paulo me apresentando ao povo de São Paulo politicamente.

O povo de São Paulo conhecia a gente por causa do samba, por causa do meu pandeiro, que hoje não toco mais, por causa do meu tantã, que também não toco mais, por causa do meu passinho de samba, que andava curtinho, mas que também não estou fazendo mais isso porque a condição física não me permite.

Então, nunca vou esquecer que eles me apresentaram ao povo de São Paulo como candidata. E aí, quando olho para a minha caminhada, olho para a minha história, fico pensando o que a responsabilidade, a lealdade e a dignidade que cada mulher e cada homem que pertence ao Quilombo da Diversidade, que é o nome do nosso gabinete, o que eles representam para mim.

Se não fossem eles, não sei se eu teria condições de ter feito mais uma edição da Medalha Theodosina Ribeiro. Não fossem eles, eu talvez não tivesse condições de ter a oportunidade de trazer outras mulheres pretas para esta Assembleia e também para outras câmaras de vereador. Tenho aqui uma representante que é a Larissa hoje, mas sei que todas as mulheres que entraram aqui depois da nossa chegada a esta Casa, elas falam para mim o seguinte: “Você foi a nossa referência, nós estamos aqui porque você também nos incentivou e tal, tudo bem”.

Então eu fico vendo o tamanho dessa história, é uma história que pode não ser uma história de riqueza, mas é uma história de dignidade, de respeito e, principalmente, de crença na nossa religião e crença também na história da nossa ancestralidade. E eu peço aplausos para a nossa ancestralidade, que foi importante. (Palmas.)

Talvez nesta Casa, que tem mais de 93 pessoas, eu seja a menos letrada, porque eu tenho certeza, tenho consciência de que todo mundo que está aqui tem diploma universitário, tem formação acadêmica.

E, quando eu me vejo nesse espaço, afinal de contas eu sou filha da dona Lecy de Assumpção Brandão, uma servente de escola pública, uma mulher que, junto comigo, varreu muitas salas de aula, lavou muitas salas de aula, varreu muito quintal, lavou muitos banheiros.

Ou seja, eu tenho muito carinho pelo povo, sabe, dos serviços gerais desta Casa, porque eu cumprimento todos eles, faço questão, porque eles fazem parte da minha história. Eu sou filha de uma servente de escola, dona Lecy de Assumpção Brandão. E, talvez, por essa caminhada da minha vida, eu tenha tanto carinho por quem leva a educação, que são professores, professoras.

Professores que são, inclusive, não são reconhecidos pelo poder público de São Paulo, que eu acho que era porque o professor tinha que ter uma outra condição, um outro olhar. Porque a educação é tudo. Quem tem educação, quem tem a oportunidade de estudar, é muito bom. Eu não tenho diploma universitário, eu tenho diploma do ginásio e tal.

E muita coisa que eu aprendi, o pouco saber que eu tenho, eu agradeço a muitas pessoas que estão sentadas aqui, nessa plateia deste plenário. Eles que me ensinam. E eu não tenho vergonha de dizer para as pessoas, eu não sei, como é que é isso? Ensine-me, oriente-me. Isso eu falo, inclusive, para os estagiários que estão no nosso gabinete.

E eu quero agradecer a cada cidadão, a cada cidadã que chegou comigo aqui, lugar que, quando eu entrei, falei: “Eu estou na Assembleia Legislativa de São Paulo, e eu sou carioca de Madureira, mangueirense, sou do samba, sou preta, sou da religião de matriz africana”. Então, tudo que é do povo, tudo que é raiz, que é a cara do Brasil, é isso aí que eu pertenço.

E é por isso que o nosso repertório musical tem tanta coisa falando de tantas histórias. A gente fala de mãe, de pai, fala de negro, de trabalhador, de nordestino, fala do Brasil todo, fala dos LGBTs, fala das mulheres, dos homens, daqueles que tiveram muitas necessidades na sua vida.

Então, quando eu entro aqui nesse plenário, eu fico pensando, puxa vida, eu estou aqui, não é? E quem me botou aqui? Foi o povo do estado de São Paulo, que não olhou, sabe, o meu currículo. Afinal de contas, cadê o diploma dela? Eu tenho o diploma da vida. E esse diploma da vida foram vocês que me deram.

Então, eu quero agradecer a cada pessoa, agradecer cada palavra que foi dita ali naquele púlpito, cada história mais maravilhosa que outra. E tenho certeza de que hoje eu saio daqui com mais ensinamentos, com muito ensinamento. Porque cada mulher que chegou ali naquele microfone só falou coisas verdadeiras, coisas que engrandecem, sabe, a nossa interioridade.

Então, é isso que me ensina, é isso que me faz ser a pessoa que sou. Eu não sou nada, absolutamente nada demais. Eu sou uma cidadã brasileira chamada Leci Brandão da Silva, filha de dona Lecy de Assumpção Brandão, que está nos braços de Deus há algum tempo. E quero agradecer a cada assessor parlamentar que tenho, que, não fossem eles, eu não sei se a minha história seria a história que ela é hoje, em 2026.

E muito mais obrigada a cada um que rezou, que orou, que tocou tambor, que ofereceu uma folha, que ofereceu uma água, seja ela do rio, da cachoeira, do mar. Valeu. Axé para todo mundo que está aqui. Muito axé para todo mundo que está aqui. Muito axé para todo mundo. Muito obrigada. (Palmas.)

E quero dizer, de forma geral, para todas as pessoas que trabalham no nosso gabinete, ali não é gabinete, ali é um quilombo. É o Quilombo da Diversidade. Quilombo da Diversidade. É o gabinete desta pessoinha aqui, chamada Leci Brandão.

Muito obrigada.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Obrigada, deputada Leci Brandão.

 

A SRA. PRESIDENTE - LECI BRANDÃO - PCdoB - Esgotado o objeto da presente sessão, agradeço a todos, todas e todes envolvidos na realização desta solenidade, bem como a presença de todos vocês. Está encerrada esta sessão solene.

E quero aproveitar para dizer que só não vai ter samba nem pagode, mas tem um salgadinho e tem um suquinho para tomar, porque também não pode ter cerveja, não pode ter nada diferente disso aí. Estou falando disso para poder descontrair, porque eu sou exatamente assim.

Muito obrigada.

E também quero agradecer às mulheres desta Casa, que são deputadas, trabalhadoras, assessores, principalmente, seja do civil, do militar, por tudo que têm dado para mim, que é carinho, respeito e que me reconhecem, enquanto parlamentar. Eles não me discriminam pelo fato de eu não ter a história que os 93 deputados e deputadas desta Casa têm. A minha história é um pouquinho diferente.

A minha história é de uma cidadã brasileira que Deus, Ogum e Iansã deram condições para que eu estivesse aqui um dia. E parabéns para todas as religiões, que eu respeito toda e qualquer religião, mas eu quero sempre que respeitem a minha.

Viva a Umbanda, viva o Candomblé - viva o Ketu, o Jeje, o Angola -, vamos para isso.

Muito obrigada.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito obrigada, deputada Leci Brandão.

E também quero registrar a presença do coordenador do SOS Racismo, Sr. Jorginho Saracura, e já chamar as femenegeadas, que acabam de receber a Medalha Theodosina Rosário Ribeiro para se aproximarem aqui e tirarem uma foto. Vamos nos reunir aqui.

E lembrando que, na sequência, já saindo, a deputada Leci Brandão já se despede porque tem uma agenda urgente a aguardando e não poderá permanecer conosco. Então, também agradeço a honra e a oportunidade de poder, pela 12ª edição, estar com vocês aqui na condução desses trabalhos.

Muito obrigada e parabéns às maravisplêndidas mulheres que receberam a outorga na edição Glória Maria da Medalha Theodosina Rosário Ribeiro.

 

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- Encerra-se a sessão às 12 horas e 31 minutos.

 

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