3 DE JUNHO DE 2026

73ª SESSÃO ORDINÁRIA

        

Presidência: FÁBIO FARIA DE SÁ

        

RESUMO

        

PEQUENO EXPEDIENTE

1 - FÁBIO FARIA DE SÁ

Assume a Presidência e abre a sessão às 14h. Anuncia a presença, nas galerias, de alunos da E.E. Francisco Voccio.

        

2 - EDUARDO SUPLICY

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

3 - CARLOS GIANNAZI

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

4 - DRA. DAMARIS MOURA

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

5 - REIS

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

6 - PAULO FIORILO

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

7 - PRESIDENTE FÁBIO FARIA DE SÁ

Cumprimenta o deputado Paulo Fiorilo por sua atuação parlamentar frente à Comissão de Relações Internacionais. Anuncia a presença de alunos do Senac Jabaquara nas galerias.

        

8 - CARLOS GIANNAZI

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

9 - REIS

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

10 - REIS

Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.

        

11 - PRESIDENTE FÁBIO FARIA DE SÁ

Defere o pedido. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 08/06, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 14h58min.

        

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ÍNTEGRA

 

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- Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Fábio Faria de Sá.

 

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- Passa-se ao

 

PEQUENO EXPEDIENTE

 

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O SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Presente o número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da sessão anterior e recebe o Expediente.

Antes de dar início à leitura da lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, queria registrar a presença dos alunos da Escola Estadual Francisco Voccio e do professor Marcos. Sejam todos bem-vindos.

Dando início aqui, o primeiro inscrito é o deputado Dr. Jorge do Carmo. (Pausa.) Deputado Delegado Olim. (Pausa.) Deputado Enio Tatto. (Pausa.) Deputado Paulo Fiorilo. (Pausa.) Deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Deputada Márcia Lia. (Pausa.) Deputado Reis. (Pausa.) Deputado Rafa Zimbaldi. (Pausa.) Deputado Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Deputada Thainara Faria. (Pausa.) Deputada Valeria Bolsonaro. (Pausa.) Deputado Donato. (Pausa.)

Deputada Paula da Bancada Feminista. (Pausa.) Deputado Atila Jacomussi. (Pausa.) Deputada Maria Lúcia Amary. (Pausa.) Deputado Caio França. (Pausa.) Deputado Marcelo Aguiar. (Pausa.) Deputado Dirceu Dalben. (Pausa.) Deputado Rogério Santos. (Pausa.) Deputado Major Mecca. (Pausa.) Deputada Marina Helou. (Pausa.) Deputado Luiz Fernando. (Pausa.) Com a palavra o nobre deputado Eduardo Suplicy.

Vossa Excelência tem um tempo regimental de até cinco minutos, deputado.

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro presidente, deputado Fábio Faria do Sá, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, público presente e estudantes da rede estadual que nos visitam - já estivemos dialogando juntos hoje -, queria aqui ressaltar hoje desvios em imóveis sociais, pois trago novamente um assunto sobre possíveis irregularidades envolvendo o município de São Paulo, desta vez relacionadas às políticas de moradia social, tema que eu já trouxe ao plenário nas últimas semanas.

Uma reportagem de ontem do “G1” informou que a cidade de São Paulo tem 321 mil unidades de habitação de interesse social e de habitação de mercado popular. Dessas, 170 mil estão sendo investigadas por uso indevido.

Esses imóveis de moradia social estariam sendo anunciados em plataforma de aluguéis de curta temporada, como apontou o Ministério Público de São Paulo. São imóveis que receberam incentivos públicos, benefícios fiscais e flexibilizações urbanísticas para atender famílias de baixa e média renda, mas que, segundo as investigações, estariam sendo desviados de sua finalidade social.

O Decreto nº 64.244, de 2025, proíbe a oferta de imóveis de HIS, de interesse social, e de HMP para aluguel de curta temporada, como, por exemplo, Airbnb e Booking. A tentativa também determina a remoção imediata dos anúncios dessas moradias. Essa gravidade vinha sendo debatida na CPI da Habitação de Interesse Social, realizada na Câmara Municipal de São Paulo, que, infelizmente, foi interrompida às pressas de maneira irresponsável.

Estamos falando de moradias que deveriam garantir dignidade para trabalhadores jovens, famílias, idosos e pessoas que enfrentam enormes dificuldades para acessar a casa própria.

Em vez disso, há fortes indícios de que milhares dessas unidades tenham sido transformadas em ativos de investimento alugadas por temporada ou comercializadas por pessoas que não se enquadram nos critérios dos programas habitacionais. O que estamos vendo é um possível esquema que desvirtua uma política pública construída para combater o déficit habitacional e ampliar o acesso à moradia.

Quando o poder público concede incentivos para a produção de habitação popular, toda a sociedade está investindo recursos nessa política - a renúncia de arrecadação, benefícios urbanísticos e estímulos concedidos -, justamente porque se entende que o interesse coletivo deve prevalecer sobre a lógica da especulação imobiliária.

Por isso, se houve fraude, se houve comercialização irregular, se houve conivência ou comissão de agentes públicos e privados, estamos diante de uma afronta ao interesse público e de um ataque direto ao direito à moradia. A própria Prefeitura informou que já autuou 732 unidades por uso indevido, aplicando cerca de 13 milhões em multas.

Além disso, foram encarregadas às plataformas digitais listas com mais de 60 mil anúncios, que precisariam ser removidos por estarem relacionados a imóveis destinados à habitação social.

No último dia 26, a reportagem do “G1” identificou que 36 apartamentos anunciados em um único prédio ainda estão disponíveis para aluguel de curta duração. Localizados na Bela Vista, região central de São Paulo, o prédio tem 224 apartamentos; desses, 184 pertencem a investidores e 36 estão sendo usados como moradia fixa.

Esses números mostram que não estamos diante de casos isolados; estamos diante de uma situação que exige investigação profunda, transparência absoluta e responsabilidade exemplar. É preciso apurar quem lucrou com esse modelo. É preciso verificar qual o papel dos incorporadores, dos intermediários, dos compradores irregulares e também dos órgãos responsáveis pela fiscalização.

Quem se beneficiou de incentivos destinados à população de baixa renda para obter lucro privado deve responder pelos seus atos.

Da mesma forma, não podemos permitir que o debate seja encerrado com a simples aplicação de multas ou com remoção de anúncios. A sociedade tem o direito de saber como chegamos a esse ponto, como milhares de unidades destinadas à moradia popular puderam ser desviadas de sua finalidade, quais mecanismos falharam, quem deixou de fiscalizar, quem se beneficiou.

Por isso, manifesto o meu apoio a todas as investigações conduzidas pelos órgãos de controle e pelo Ministério Público. Que os fatos sejam esclarecidos, que os responsáveis sejam identificados e que as punições ocorram na forma da lei, alcançando todos aqueles que tenham participado de irregularidades. A população que espera por uma moradia digna não pode continuar sendo prejudicada por tantas irregularidades. Moradia popular é política social e não pode virar instrumento de especulação.

Vocês têm aqui um exemplo daquilo que é uma das responsabilidades do parlamentar, no caso o deputado estadual, que tem a função de fiscalizar os atos do Executivo.

Então, neste caso, nós estamos vendo uma distorção daquilo que deve acontecer com os incentivos a construção de mais moradias popular para a população.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

 

O SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Muito obrigado, deputado Eduardo Suplicy. Dando sequência na nossa lista de oradores do Pequeno Expediente, com a palavra o deputado Edson Giriboni. (Pausa.) Com a palavra a deputada Ediane Maria. (Pausa.) Com a palavra o deputado Rui Alves. (Pausa.) Com a palavra o deputado Paulo Mansur. (Pausa.) Com a palavra o deputado Rafael Saraiva. (Pausa.) Com a palavra a deputada Leci Brandão. (Pausa.)

Com a palavra o deputado Guilherme Cortez. (Pausa.) Com a palavra o deputado André Bueno. (Pausa.) Com a palavra o deputado Rômulo Fernandes. (Pausa.) Com a palavra a deputada Ana Perugini. (Pausa.) Com a palavra o deputado Marcos Damasio. (Pausa.) Deputado Conte Lopes. (Pausa.) Com a palavra o deputado Dr. Eduardo Nóbrega. (Pausa.) Com a palavra o deputado Thiago Auricchio. (Pausa.)

Na Lista Suplementar, o deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) O deputado André Bueno. (Pausa.) O deputado Agente Federal Danilo Balas. (Pausa.) O deputado Mauro Bragato. (Pausa.) O deputado Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) A deputada Thainara Faria. (Pausa.) A deputada Márcia Lia. (Pausa.) E com a palavra o nobre deputado Carlos Giannazi.

Vossa Excelência tem o tempo regimental de até cinco minutos.

 

O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Fábio Faria de Sá, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, público aqui presente, telespectador da TV Assembleia. Quero saudar... Fazer uma saudação muito especial aos alunos da escola PEI Francisco Voccio, que estão aqui hoje visitando a Assembleia Legislativa, com o professor Márcio. Sejam bem-vindos e bem-vindas mais uma vez.

Sr. Presidente, eu quero aqui tratar de dois assuntos importantes, o primeiro é que hoje pela manhã eu estive lá em Taubaté em uma manifestação, em uma assembleia dos servidores e servidoras municipais. Eles estão em greve já, desde o dia 2, por conta dos baixíssimos salários e das péssimas condições de trabalho.

Mas, sobretudo, porque o prefeito da cidade, que foi deputado estadual aqui, Sr. Presidente, na Assembleia Legislativa, o ex-deputado do partido Novo, Sérgio Victor - Victor Sérgio, não me lembro direito o nome dele -, simplesmente não está cumprindo a legislação, não está cumprindo o Art. 37 da Constituição Federal, que obriga todos os entes federativos a dar a reposição das perdas inflacionárias. Todos os entes, municípios, estados e a união.

Então ele não deu a data base salarial dos servidores de Taubaté, já venceu no mês de maio e até agora nada. Os servidores lá de Taubaté estão com os salários arroxados, defasados, e a prefeitura ataca a insalubridade dos servidores da Saúde. Enfim, são várias pautas que estão sendo debatidas na cidade, mas o prefeito não atende a categoria, não atende as reivindicações que são colocadas pelo combativo sindicato dos servidores e servidoras de Taubaté.

Então eu faço aqui um apelo para que o prefeito, que era deputado estadual, agora é prefeito de Taubaté, embora seja do partido Novo, né, Sr. Presidente? O deputado Reis sabe que o partido Novo é contra os servidores públicos, eles votam contra o tempo todo em qualquer lugar. Seja em nível federal, em nível municipal, em nível estadual, o partido Novo é sempre contra os servidores.

E é uma pena, porque o prefeito de Taubaté tinha que saber, e tem que saber, que são os servidores públicos da Educação, da Saúde, da Segurança Pública, da Assistência Social que estão lá na ponta atendendo as pessoas, no hospital público, no Sistema Único de Saúde.

São as enfermeiras, são os médicos, são as professoras, os professores, os agentes de organização escolar, os servidores lá da Guarda Metropolitana, que estão lá na ponta atendendo o povo, executando as políticas públicas, colocando em prática os direitos fundamentais da população.

Então, para que a população tenha serviços públicos de qualidade é muito importante que haja a valorização de todos os servidores públicos lá da cidade de Taubaté.

Então fica aqui o nosso apelo para que o prefeito de Taubaté atenda as reivindicações e cumpra a legislação, porque ele está cometendo improbidade administrativa e nós tomaremos também providências aqui, Sr. Presidente, pela Assembleia Legislativa de São Paulo.

Quero ainda, Sr. Presidente, aproveitando aqui para manifestar o meu total apoio e solidariedade ao servidor público do sistema prisional, agora a Polícia Penal, o Wiltinho Borges Viana, que foi expulso, foi exonerado da Secretaria de Administração Penitenciária.

Um servidor exemplar que nunca teve nenhuma queixa contra ele, não respondia nenhum processo. Mas, talvez, o grande defeito dele, para a administração, que ele é um poeta, é um escritor, que usa a sua arte, a sua poesia, sobretudo, de cordel para denunciar o que vem acontecendo no sistema prisional.

Então está aqui, saiu até a matéria: “Policial penal é demitido por criticar diretor de presídio em poemas”, com poemas. Ele fazia poemas extremamente criativos mostrando as contradições do sistema prisional, a superlotação dos presídios, a falta de investimento, sobretudo, na valorização dos próprios servidores do sistema prisional. Ele foi exonerado, demitido, um absurdo isso. Aliás, há um processo muito grande de perseguição, esse governo está perseguindo os servidores da Polícia Penal que não podem mais ter liberdade de expressão, de manifestação.

Me lembro que nós já derrubamos a lei da mordaça aqui no estado de São Paulo, quando nós aprovamos um projeto de lei aqui no plenário, em 2008, 2009, revogando um dos incisos, lá da época da ditadura militar que não foi acolhido, inclusive pela Constituição de 88, mas que constava no Estatuto do Funcionalismo Público Estadual, na Lei nº 10.261 de 1968.

Nós revogamos, nós fizemos o movimento, o governo foi obrigado a encaminhar um projeto de lei e nós tiramos aquele inciso autoritário da época do regime militar, Sr. Presidente, que proibia servidores públicos estaduais de se manifestarem criticamente em relação aos atos da administração e também em relação às autoridades constituídas.

Passou, isso é coisa lá da ditadura militar, dos anos de chumbo, da tortura, das mortes que os militares impuseram ao Brasil durante 21 anos, agora nós estamos em um regime democrático. Que eu saiba nós vivemos na democracia, mas os servidores públicos do estado de São Paulo continuam sendo amordaçados com a lei da mordaça.

Então, estou pedindo, Sr. Presidente, só para concluir, a convocação do secretário de Administração Penitenciária, tem que vir aqui depor, explicar. E nós vamos exigir, como já estamos exigindo, a imediata readmissão desse exemplar servidor público, que também é um poeta, é um escritor e é um artista que leva, inclusive, alegria ao sistema prisional, que é o Wiltinho, Wilton Borges Viana. Todo o nosso apoio a ele.

Repito, providências serão tomadas aqui pela Assembleia Legislativa, pela sua rápida readmissão.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

 

O SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Obrigado, deputado Carlos Giannazi. Com a palavra, a depurada Dra. Damaris Moura. Vossa Excelência tem o tempo regimental de até cinco minutos.

 

A SRA. DRA. DAMARIS MOURA - PSDB - SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde a todos, Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, servidores desta Casa, policiais militares, uma boa tarde a todos.

Eu quero apenas recordar que no dia 25 de maio, Dia Estadual da Liberdade Religiosa, eu estive nesta tribuna para fazer uma denúncia e manifestar o meu repúdio a uma exposição que se encontra ainda no MASP, Museu de Arte de São Paulo, que ataca de forma expressa pela sua representação à fé cristã e símbolos religiosos cristãos.

Naquela oportunidade, eu atribuí a essa prática um crime previsto no Art. 208 do Código Penal brasileiro, que trata de vilipêndio, que trata de escárnio a símbolos religiosos e a sentimento religioso. E, naquela oportunidade, ainda me referi à denúncia que faríamos, prevista na Lei nº 17.346, de minha autoria, de 2021.

A Lei Estadual de Liberdade Religiosa, além de descrever as condutas que representam intolerância religiosa neste estado a partir do Art. 58, lá no Art. 75 prevê, ainda, as sanções administrativas que poderão ser impostas a todo aquele que promover conduta intolerante no que diz respeito à religiosidade das pessoas aqui no estado de São Paulo.

Nós apuramos a partir de tantas notícias que foram veiculadas, e presencialmente foi constatada que essa exposição efetivamente atinge de forma direta sentimento religioso de grupos religiosos cristãos. Eu quero nominá-los nesta tribuna.

Os católicos, ao identificarem nessa exposição o símbolo ou uma figura religiosa sagrada para os católicos, que é a Virgem Maria, que, em seu colo, está com Jesus Cristo, mas esses elementos religiosos estão associados, nessas obras, com carnificina, canibalismo, açougue e um ambiente absolutamente incompatível, ou uma associação absolutamente criminosa de elementos que são sagrados para os cristãos com elementos que estão diretamente relacionados à erotização.

Além disso, queridos, precisamos reafirmar que a liberdade de pensamento e de expressão neste país conquistada - e nós sabemos e defendemos que elas sejam protegidas... Mas a liberdade de pensamento e de expressão não autorizam que outras liberdades, igualmente fundamentais, sejam de forma tão direta atacadas.

Eu estou me referindo à exposição de quadros de uma artista andina chamada La Chola Poblete. Quero acrescentar que há já um precedente histórico do Supremo Tribunal Federal do caso Ellwanger, onde está expressa a confirmação de que a liberdade de pensamento e de expressão não autoriza nenhum ataque à liberdade, a outras liberdades, a exemplo da liberdade religiosa.

Portanto, eu estou em, minhas mãos agora, trazendo comigo, conforme eu antecipei naquele pronunciamento que fiz no dia 25 de maio, Dia Estadual da Liberdade Religiosa, eu trago comigo uma denúncia que faremos nos termos da Lei nº 17.346, a partir do Art. 75, e nos exatos termos da lei, uma denúncia direcionada à Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo - para concluir, Sr. Presidente -, que é o órgão responsável para a apuração administrativa e para, claro que com a ampla defesa, a aplicação, se for o caso, das sanções administrativas previstas para os crimes ou as práticas de intolerância, corrigindo para as práticas de intolerância religiosa.

Esta denúncia está sendo feita pelo IBDR, Instituto Brasileiro de Direito e Religião, do qual faço parte, eu assino conjuntamente esta denúncia, para que sejam, então, nos termos dos requerimentos finais desta denúncia, nós estamos requerendo o processamento da presente denúncia, com a imediata instauração de procedimento administrativo para a apuração dos fatos, que estão amplamente narrados nesta denúncia.

Também estamos requerendo que, ao final da apuração, sejam aplicadas, se for o caso, após a ampla defesa, as sanções administrativas previstas na Lei Estadual nº 17.346, de minha autoria notadamente, a multa que é prevista no seu Art. 64, e até, se necessário, com a majoração, também prevista no Art. 72 da mesma lei.

Estamos ainda requerendo o encaminhamento, Sr. Presidente, de cópia integral desta denúncia ao Ministério Público do Estado de São Paulo, para que instaure, se for o caso, competente inquérito civil, para apurar eventual dano coletivo às comunidades cristãs envolvidas ou expostas nestas obras de arte.

Finalmente, o encaminhamento, se for o caso, de cópia destes autos ou desta denúncia a autoridade, outras autoridades competentes para a apuração, em tese, de prática de crime previsto no Art. 208, do Código Penal Brasileiro.

Por fim, na eventualidade da aplicação de multa, que os recursos arrecadados sejam destinados a campanhas de conscientização, também previstas na Lei nº 17.346, de minha autoria, conscientização sobre respeito ao direito tão caro e fundamental à dignidade humana, que é o direito à liberdade religiosa.

Lembrando que esta denúncia é endereçada à Secretaria da Justiça em face do Masp, Museu de Arte de São Paulo. Nós esperamos, Sr. Presidente, e aqui eu encerro, que os termos desta denúncia sejam, de forma muito legalmente prevista, encaminhados e que de fato haja, ou seja resultado desta denúncia, a responsabilização que nós esperamos e que nós estamos requerendo, mais uma vez, nesta tarde e nesta tribuna.

Muito obrigada.

 

O SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Obrigado, deputada Dra. Damaris. Com a palavra, o nobre deputado Reis. Vossa Excelência tem o tempo regimental de até cinco minutos, podendo se estender um pouquinho.

 

O SR. REIS - PT - Doutora...

 

O SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Esqueceu os óculos, deputada Dra. Damaris.

 

O SR. REIS - PT - Cumprimentar o presidente, deputado Fábio Faria de Sá, o público presente, cumprimentar também o deputado Carlos Giannazi, o deputado Fiorilo, todos os funcionários desta Casa, os integrantes da Polícia Civil, da Polícia Penal, da Polícia Militar, da Polícia Técnico-Científica e também cumprimentar todos aqueles e aquelas que estão nos acompanhando pela Rede Alesp.

Presidente, eu vou repercutir aqui novamente toda essa história sobre o wi-fi da cidade de São Paulo, sobre o “cavalo azarão”, porque ontem o prefeito de São Paulo, o Sr. Ricardo Nunes, ele começou a falar muita coisa, questionando a investigação, questionando o autor da denúncia, questionando por que o Ministério Público está apurando, por que a polícia está apurando. E fazendo críticas, alegando perseguição política.

Como há de se falar em perseguição política se o governador é aliado dele? O governador de São Paulo foi apoiado por ele. Ele foi eleito apoiado pelo governador de São Paulo. Então não há de se falar em perseguição política. “Ah, porque foi um petista que fez a denúncia.”

Ora, se a denúncia não tivesse indícios, a polícia não estaria apurando, não estaria fazendo diligências, o Ministério Público não teria instaurado procedimento investigativo, a polícia não teria instaurado um inquérito para apurar as responsabilidades. A polícia está dizendo que várias informações foram pedidas para a Prefeitura e a Prefeitura sonegou informações.

Então, eu, pela primeira vez, deputado Paulo Fiorilo, vou concordar com o governador de São Paulo. Dificilmente eu concordo com o governador Tarcísio, mas ele falou que a polícia é de estado, que “a gente não interfere na investigação”. Imaginem vocês se o governador fosse interferir na investigação, se o governador fosse então escolher quem deve ser investigado e quem não deve ser investigado.

Nós estamos diante de um grande escândalo envolvendo a Prefeitura de São Paulo, um grande escândalo envolvendo todo esse processo do filme do presidente, do ex-presidente, do presidiário Jair Messias Bolsonaro.

“Após o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, criticar a operação da Polícia Civil que apontou indícios de sobrepreço...” Então a polícia está apontando indícios de sobrepreço.

Não tem nada a ver com perseguição política, não tem nada a ver que foi um petista que fez a denúncia. Se ele fez a denúncia é porque chegou ao conhecimento dele a ilegalidade, a irregularidade. Ele tinha que denunciar. “Na execução do programa ‘WiFi Livre’, ao comparar os valores cobrados pelo Instituto Conhecer Brasil - ICB, com os praticados pela Prodam.”

O governador Tarcísio de Freitas defendeu a autonomia da instituição policial, da Polícia Civil, durante visita a Rio Claro. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, criticou a operação e saiu em defesa da empresária Karina Gama.

Então ele não está aceitando a investigação, está alegando perseguição política e está defendendo lá a dona do instituto, do ICB, esse instituto que está recebendo vários recursos de emendas de deputados, emendas de vereador.

São várias denúncias que envolvem essa ONG. “A ONG produtora do filme Dark Horse contratou advogado do deputado federal Mário Frias para prestar serviço em evento bancado com emenda de vereador pela Prefeitura de São Paulo.” Então são várias denúncias.

São denúncias que envolvem valores patrocinados pela prefeitura, valores pagos a advogado para defender o deputado Frias com dinheiro público, com dinheiro da prefeitura. “A ONG recebeu R$ 5 milhões em contrato com a FAP-DF e Educação.” “Frias pagou R$ 269 mil para a empresa ligada à produtora de Dark Horse.” “Dark Horse: emenda de Frias para a ONG pode ter bancado festa rave em São Paulo.” “Dark Horse: ONG gasta emenda com o próprio conselheiro e metaverso.”

Então, para deixar bem claro aqui que a polícia está fazendo o trabalho dela, está fazendo o papel dela e parabéns à Polícia Civil de São Paulo por isso. Parabéns ao Ministério Público. Não há de se falar em perseguição política e o governo, pela primeira vez, ele foi muito assertivo. O governo não está aí para interferir na polícia, no papel da polícia.

A polícia é uma polícia de Estado, ela exerce um papel de Estado e não do governo de plantão e não do governador que está aí, e não do prefeito de plantão. E para terminar a minha fala, Sr. Presidente, eu quero dizer que ontem eu fiquei muito chateado de saber, de ficar sabendo que o deputado Gil Diniz, o maior defensor do bolsonarismo aqui nesta Casa, um bolsonarista raiz, ele estava reclamando que nem sequer ele foi convidado para ser figurante no filme Dark Horse.

Nem como figurante eles chamaram ele, esse produtor, que é o deputado Frias, que é o produtor desse filme Dark Horse, o cavalo azarão. Mas nem para ser figurante, deputado Paulo Fiorilo, o deputado Gil Diniz foi convidado. Por tudo que ele já fez pela família Bolsonaro e pelo bolsonarismo, nem para aparecer a foto dele nesse filme.

Tem que deixar registrado aqui para que todos tomem conhecimento, porque ele falou que até lá no dia da “fakeada” ele estava por lá e nem por isso ele foi convidado para fazer parte desse filme e nem sequer na condição de figurante.

Fica aqui o registro desse lamentável episódio, dessa forma como o deputado bolsonarista é tratado pelos seus próprios pares, pelos seus próprios aliados.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

 

O SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Obrigado, deputado Reis. Com a palavra o nobre deputado Paulo Fiorilo. Vossa Excelência tem o tempo regimental de até cinco minutos.

 

O SR. PAULO FIORILO - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, Srs. Deputados, público que nos acompanha pelas galerias, assessoria das lideranças, eu queria aproveitar aqui ainda a presença do deputado Reis, só para retomar a história do filme, dos desvios, dessa questão aí do wi-fi na cidade de São Paulo. O prefeito de São Paulo reclamou da operação da Polícia Civil.

Impressionante, não é, deputado Reis? Porque a Polícia Civil, assim como a Polícia Militar, assim como a Polícia Federal, tem autonomia, não é? Eu vou discordar do senhor só numa coisa. Eu vou continuar discordando do Tarcísio, porque na realidade ele só podia fazer o que ele fez para poder não ficar tão mal como ele já está com a polícia, então resolveu contemporizar.

Agora, é um governador que tem o Nunes como aliado, é um governador que bate continência para o Trump. De novo, diz que esse negócio de 25%, é um erro e tal, mas ele está olhando a eleição, porque ele é um trumpista, ele é um bolsonarista.

Bom, mas não vim aqui falar sobre isso, só queria fazer esse registro. Aliás, eu queria fazer um outro. Esse Mário Frias é uma coisa impressionante, deputado Reis, os tentáculos dele com a Karine. É uma coisa impressionante.

Não sei se o senhor viu no “Metrópoles”, saiu uma matéria em que ele deu uma emenda para a cidade de Pirassununga, para uma ONG que não efetivou e não realizou a emenda, e a emenda pode ter sido usada para outras coisas. É um desvio de emendas. Aliás, essa Karina entrou numa “Frias”, só pode ter sido isso.

Bom, mas eu estou aqui, Sr. Presidente, para falar de uma outra coisa. Na noite de ontem, deputado Reis, deputado Giannazi, que é também descendente italiano, o presidente da República da Itália me condecorou com uma homenagem conferida por ele, o título de cavaliere. Então, eu queria, eu trouxe aqui, até porque cavaliere. Essa é uma homenagem, uma das mais altas honrarias que o presidente da República pode destinar a uma pessoa.

Deputado Reis, aqui nesta Casa, o deputado Vitor Sapienza ganhou uma outra honraria, mas não essa. Então, eu estou trazendo esse registro; por quê? Porque isso significa o reconhecimento público da atuação desta Casa nas relações com a Itália, com o consulado da Itália, e deste parlamentar, que preside a Frente Brasil-Itália, que preside a Comissão de Relações Internacionais.

Então, primeiro quero agradecer ao cônsul Domenico Fornara, que infelizmente está nos deixando, volta a Roma e deve ter uma outra missão. Falava com o deputado Giannazi, que também é descendente italiano: nós vamos fazer uma homenagem ao Domenico aqui, nós vamos entregar uma medalha.

Espero, Sr. Presidente, que o senhor possa participar dessa atividade, deve acontecer no próximo dia 17, se eu não estiver enganado, e é uma homenagem que a Assembleia faz a um representante consular que deixa de atuar no estado de São Paulo, volta a Roma, e nós vamos ter um outro cônsul aqui em São Paulo em breve. Quero fazer esse agradecimento público, porque, assim, nesta Casa é o primeiro deputado que é condecorado pelo presidente da República com essa honraria.

A segunda coisa é que nós vamos ter agora, Sr. Presidente, na próxima segunda-feira, dia 8, às dez da manhã, a comemoração dos 200 anos de parceria entre o Brasil e a Suécia.

Queria convidar os deputados e deputadas, quem puder participar, eu sei que é uma segunda-feira, muitos deputados e deputadas estão nas suas bases, mas é uma atividade importante, principalmente porque fortalece as relações comerciais entre o Brasil e a Suécia.

E, para fazer só uma deferência, o Brasil tem uma parceria com a Suécia na produção do Gripen. Aliás, está produzindo agora o Gripen com dois assentos. Esse avião, que é produzido na cidade de Gavião Peixoto, ao lado de Araraquara, tem uma importância muito grande porque eles vão vender esse avião para os outros países, o que significa mais divisas, tanto para o Brasil como para a Suécia, mas também transferência de tecnologia para o Brasil.

Essa é uma parceria fundamental que o Brasil fez quando decidiu comprar o Gripen. E nós vamos ter esse evento na próxima segunda-feira, dia 8, às dez da manhã, aqui na Assembleia Legislativa. Então, eu queria deixar o convite ao presidente, aos deputados e às deputadas, para que a gente possa participar dessa atividade.

Nós teremos outras atividades ainda esse mês, o último mês antes do recesso, da Comissão de Relações Internacionais. Então, Sr. Presidente, eu quero terminar aqui o meu pronunciamento no Pequeno Expediente pedindo que essa minha referência ao cônsul Domenico Fornara pudesse ser encaminhada ao consulado, principalmente porque nós estabelecemos aqui uma relação fraterna com a maior colônia de imigrantes italianos, e aqui a gente tem o deputado Giannazi, que faz parte dessa colônia, e não só ele, mas muito mais brasileiros descendentes de italiano.

Muito obrigado, Sr. Presidente, e eu agradeço aqui a possibilidade de presidir a Comissão de Relações Internacionais e de ter recebido essa honraria do presidente da República Italiana, na comemoração dos 80 anos da República Italiana.

Muito obrigado.

 

O SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Parabéns, deputado Paulo Fiorilo, por essa honraria merecida. Preside muito bem essa comissão. Antes de chamar o próximo inscrito, queria anunciar a presença aqui dos alunos do Senac Jabaquara. Sejam todos bem-vindos. Lá na Avenida do Café, é isso? Sejam todos bem-vindos à Casa do Povo.

Com a palavra o deputado Eduardo Suplicy. (Pausa.) Com a palavra o deputado Carlos Giannazi. Vossa Excelência tem um tempo regimental, após a foto, de até cinco minutos.

 

O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Fábio Faria de Sá, parabenizar o deputado Paulo Fiorilo pela homenagem, pela honraria. Vossa Excelência tem conduzido de forma excepcional esse trabalho junto ao consulado italiano, fazendo as parcerias necessárias. Parabéns, deputado Paulo Fiorilo.

Sr. Presidente, eu quero hoje homenagear os escreventes técnicos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Hoje é o dia deles, dia três de junho, e é um dia importante de celebração, de comemoração, mas também um dia de luta, porque os escreventes técnicos do TJ estão em luta, sobretudo, Sr. Presidente, para conquistar o nível superior, como aconteceu já com os oficiais de justiça, onde nós aprovamos aqui na Assembleia Legislativa um projeto de lei tornando o cargo de oficial de justiça no nível superior, no nível universitário. E essa é uma antiga reivindicação também do cargo de escrevente técnico.

Todas as entidades representativas dos servidores do TJ estão em luta há muitos anos para consolidar esse benefício, esse direito, na verdade. Eu, inclusive, Sr. Presidente, apresentei já um projeto de lei complementar que já foi aprovado em todas as comissões com pareceres favoráveis. E, aliás, já está em regime de urgência.

Eu me refiro aqui ao PLC Projeto de Lei Complementar nº 3, de 2018. É um projeto autorizativo que autoriza o Tribunal de Justiça a implantar o nível superior para todos os escreventes técnicos do Tribunal de Justiça. E, ao mesmo tempo, eu tenho apresentado emendas, tanto à LDO como também à Lei Orçamentária, para reservar os recursos, para viabilizar, do ponto de vista orçamentário, o nível superior.

Como agora eu apresentei a emenda... Nós estamos debatendo na Assembleia Legislativa a LDO para 2027. Aí eu apresentei, Sr. Presidente, a Emenda nº 30 à LDO, que reserva recursos, que garante exatamente a implantação pelo Tribunal de Justiça, que vai canalizar recursos para que o Tribunal de Justiça possa... Tenho aqui a emenda, a Emenda nº 30, ao PL 407, que é o projeto de lei do nível universitário, ou nível superior para os escreventes técnicos. Então, nós estamos trabalhando em duas frentes, aliás, em três frentes.

Aqui tem o nosso projeto, que é autorizativo, repito. Nós apresentamos emendas à LDO e à lei orçamentária, reservando os recursos, mas estamos também conversando já com os... Eu já conversei com vários presidentes do Tribunal de Justiça, inclusive com o atual, sobre esse projeto, sobre essa proposta, na verdade, de implantação do nível superior, pedindo apoio. E há uma ampla mobilização, sobretudo das entidades representativas, dos servidores do TJ, defendendo essa pressão, está na pauta de negociação, enfim.

E nós queremos, Sr. Presidente, aprovar ou o nosso projeto, ou um projeto que venha do próprio Tribunal de Justiça. O TJ alega falta de recursos, agora nós estamos apresentando a solução, tem as emendas à Lei Orçamentária.

É importante que o Tribunal de Justiça pressione tanto o Executivo como também a própria Assembleia Legislativa aprovar as emendas, liberando os recursos para a implantação do nível superior a todos os escreventes.

Então, parabéns a todos os escreventes do Tribunal de Justiça. Nós vamos continuar na luta aqui, incessante, para que o nível superior se torne uma realidade, como nós já conseguimos essa vitória para os oficiais de justiça.

Quero ainda, Sr. Presidente, que cobrar o governador Tarcísio de Freitas, o governo estadual, em relação ao descongelamento dos quinquênios, da evolução funcional da época da pandemia.

No início do ano, foi sancionada a Lei Complementar nº 226, cujo texto é da deputada federal Luciane Cavalcante, nossa deputada federal do PSOL, que fez esse projeto andar na Câmara Federal, no Senado Federal, depois fez várias gestões para que o projeto fosse sancionado pelo presidente Lula.

Hoje, é uma lei, uma lei federal que revogou o artigo da Lei 173, da lei complementar lá do Bolsonaro, quando o Bolsonaro congelou e prejudicou milhões e milhões de servidoras e servidores em todo o Brasil, estaduais, os municipais. Mas, enfim, agora nós corrigimos esse ataque e descongelamos. No entanto, Sr. Presidente - e esse descongelamento, ele é automático - aqui em São Paulo, não.

O Tribunal de Justiça já está descongelando, Ministério Público Estadual, Tribunal de Contas, várias prefeituras, até a Prefeitura de São Paulo agora já começou o descongelamento, Diadema, vários municípios do estado de São Paulo, do Brasil, vários estados já descongelaram. E o governador Tarcísio de Freitas não descongelou ainda, seu presidente. Um absurdo.

Ele publicou um decreto, isso em fevereiro, um decreto, que é o Decreto nº 70.396, de 2026, mas, até agora, nada de concreto, servidores estaduais continuam com a evolução funcional congelada, aquela evolução do tempo da pandemia, os 583 dias. É um péssimo exemplo. Mas eu entendo, Sr. Presidente, o governador é contra, porque ele era do governo Bolsonaro, que impôs esse congelamento da evolução funcional.

E lembro que, alguns anos atrás, dois ou três anos atrás, nós tínhamos conseguido aqui, junto ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, um parecer para alguns municípios liberando o congelamento, como fez o Paraná, como fez Santa Catarina, e o governador simplesmente fez algo inédito, pelo menos que eu saiba. Ele foi ao Supremo Tribunal Federal para derrubar, para revogar, para congelar o parecer do Tribunal de Contas, que liberava o descongelamento no nosso estado.

Olhe só, ele começou a fazer militância contra os servidores. Não queria descongelar. Isso agora, dois anos, Sr. Presidente. Eu denunciei isso à exaustão. Foi um escândalo, porque nós tínhamos ali, através do parecer do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, a possibilidade de fazer exatamente o descongelamento. E o governador foi lá e derrubou, congelou o parecer, inviabilizou.

Mas agora não tem mais jeito. Agora é lei. A lei foi aprovada na Câmara Federal, foi aprovada no Senado Federal, e foi sancionado o projeto de lei. Agora virou lei. É a Lei Complementar nº 226. E o descongelamento é automático. Então, o governo ainda não fez. O estado de São Paulo...

Tive reunião na Secretaria de Gestão e até agora nada. A lei é de janeiro, o decreto estadual dizendo que ia descongelar é de fevereiro de 2026 e, no entanto, até agora, do dia 24 de fevereiro, saiu a publicação em “Diário Oficial”, e não houve descongelamento ainda, Sr. Presidente.

Então, quero aqui, da tribuna da Assembleia Legislativa, não só denunciar, mas exigir que o governo faça o descongelamento em caráter de extrema urgência para todos os servidores do estado de São Paulo. E, depois, pague o retroativo também, Sr. Presidente. Descongelamento já e pagamento imediato do retroativo, porque o governo tem recursos para isso, nós acompanhamos aqui a execução orçamentar.

Era isso, Sr. Presidente.

Muito obrigado.

 

O SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Obrigado, deputado Carlos Giannazi. Com a palavra o deputado Reis. Vossa Excelência tem um tempo regimental de até cinco minutos.

 

O SR. REIS - PT - Presidente, eu retorno à tribuna para falar de um tema que eu já falei ontem, falei também na segunda-feira, mas, como tem uma nota dos Policiais Antifascistas, eu quero deixar registrada a nota deles com relação às condições de trabalho na Cidade da Polícia, em São Bernardo do Campo, que foi recentemente inaugurada pelo governador Tarcísio de Freitas.

“Policiais civis que atuam em São Bernardo do Campo vêm a público denunciar a grave situação estrutural, operacional e humana instalada, após a inauguração do complexo denominado Cidade da Polícia.

A proposta de centralização das unidades policiais, que deveria representar modernização e melhoria nas condições de trabalho e atendimento à população, transformou-se em um cenário de precarização, improviso e sobrecarga extrema aos servidores policiais.

O prédio apresenta sérios problemas estruturais incompatíveis com a atividade policial e com o atendimento ao público. Não há qualquer acessibilidade adequada no local, uma vez que os elevadores permanecem inoperantes, impossibilitando o acesso digno de pessoas com deficiência, idosos, policiais lesionados e cidadãos com mobilidade reduzida.

Além disso, há vazamento em tubulações de esgoto e infiltrações em banheiros, expondo servidores e população a condições degradantes e insalubres. Paralelamente, a implantação da DDM 24 horas ocorreu sem a correspondente recomposição do efetivo policial. Para viabilizar o funcionamento da unidade, policiais, especialmente mulheres, foram retiradas de delegacias territoriais, já extremamente defasadas em recursos humanos.

O resultado é o enfraquecimento das unidades distritais e o aumento da sobrecarga funcional em toda a região. A situação da DDM 24 horas também é alarmante.

A unidade foi implantada sem estrutura mínima adequada para o funcionamento ininterrupto e opera atualmente em condições precárias. Não há sequer área apropriada destinada à custódia temporária de presos, situação que compromete a segurança de policiais, vítimas e da própria população atendida no local.

Além da ausência de estrutura física compatível com a atividade policial, a unidade sofre com falta de efetivo, improvisação operacional e sobrecarga constante dos servidores evidenciando que a implantação da DDM 24 horas ocorreu sem planejamento adequado e sem observância das necessidades básicas de segurança e funcionamento.

Também causa extrema preocupação e revolta o desvio de função imposto a parte do efetivo do Grupo de Operações Especiais, o GOE, cujos policiais especializados passaram a ser utilizados em atividade de portaria e controle de acesso do prédio da chamada Cidade da Polícia, em evidente desperdício de recursos técnicos e humanos altamente capacitados.

Em razão dessa decisão administrativa, as remoções e escoltas de presos entre os distritos policiais, atividade atribuída ao GOE, justamente em razão de sua preparação técnica, operacional e tática, passaram a ser executadas por policiais de delegacias territoriais especializadas, sem treinamento específico, sem efetivo suficiente e sem qualquer estrutura adequada de apoio.

A situação tornou-se ainda mais grave diante da imposição de escalas extraordinárias que avançam pela madrugada, obrigando policiais exauridos a acumularem funções investigativas, cartorárias e operacionais com atividades de escolta de presos de alta complexidade e elevado risco.

Além da sobrecarga física e psicológica, tais remoções são realizadas em condições precárias de segurança, expondo policiais e a população a riscos de fuga, a população a riscos concretos de fuga, resgate de presos, acidentes e outras intercorrências potencialmente gravíssimas.

É inadmissível que policiais sem a estrutura, treinamento e suporte adequados sejam submetidos a missões de alto risco em razão de decisões administrativas que esvaziam a função operacional do GOE e transferem, de forma improvisada, atribuições especializadas para unidades já colapsadas pela falta de efetivo.

Os policiais civis encontram-se exaustos física e mentalmente, submetidos a jornadas abusivas, acúmulo de funções e ausência de condições dignas de trabalho. Servidores passaram, inclusive, a realizar transporte de móveis, equipamentos e mudanças internas em atividades incompatíveis com suas funções, sendo tratados como mão de obra braçal improvisada.

Há, ainda, forte indignação entre os servidores diante da concentração de viaturas originalmente pertencentes aos distritos territoriais sob o controle da chefia de investigadores da seccional, privando unidades já carentes de meios operacionais essenciais e contribuindo para a sensação de desigualdade, arbitrariedade e demonstração de poder hierárquico incompatível com o interesse público.

A atual realidade da Cidade da Polícia evidencia falta de planejamento, gestão inadequada de recursos humanos e completo desrespeito às condições mínimas de trabalho aos policiais civis.

Os policiais civis solicitam fiscalização imediata das condições estruturais do prédio, garantia de acessibilidade plena no complexo policial, recomposição urgente do efetivo policial, revisão das escalas extraordinárias, retorno do Grupo de Operações Especiais às suas funções especializadas, redistribuições adequadas de viaturas, adoção de medidas efetivas para garantir segurança operacional e saúde física e mental dos servidores. A Segurança Pública não pode ser construída às custas do adoecimento, da exaustão e da humilhação de seus próprios profissionais.”

Então, Sr. Presidente, eu gostaria de requerer de V. Exa. que as notas taquigráficas de minha fala fossem encaminhadas ao secretário de Segurança Pública para que ele, tomando conhecimento dessas reclamações que estão chegando todos os dias em meu gabinete, vem por escrito, vem por e-mail, para que tome providências.

E que, também, cópia seja encaminhada ao Sr. Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para que também tome conhecimento porque ele foi lá, fazer inauguração dessa cidade e ele deveria saber de todos esses problemas que os policiais estão narrando.

Todos os dias, reclamações e reclamações das condições desse prédio, dessa Cidade da Polícia, reclamações de falta de efetivo, reclamações de sobrecarga, reclamações de falta de condições para poder prover o trabalho policial.

Então, para que o governador tome conhecimento, o secretário de Segurança Pública tome conhecimento, através dessas denúncias que estão chegando aqui na Assembleia Legislativa, através do meu gabinete.

 

O SR. REIS - PT - E agradecendo, aqui, o tempo que me foi dado, requeiro de V. Exa. que a sessão seja levantada.

 

O SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - É regimental. Havendo acordo de lideranças, essa Presidência, antes de dar por levantados os trabalhos, convoca V. Exas. para a sessão ordinária de segunda-feira, à hora regimental, sem Ordem do Dia.

Está levantada a presente sessão.

 

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- Levanta-se a sessão às 14 horas e 58 minutos.

 

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