
2 DE FEVEREIRO DE 2026
1ª SESSÃO SOLENE PARA COMEMORAÇÃO AO RETORNO DOS REFÉNS DE 7 DE OUTUBRO E OUTORGA DO COLAR DE HONRA AO MÉRITO LEGISLATIVO A RAFAEL ERDREICH E GILI VILIAN
Presidência: DANILO CAMPETTI
RESUMO
1 - DANILO CAMPETTI
Assume a Presidência e abre a sessão às 20h31min.
2 - MESTRE DE CERIMÔNIAS
Nomeia a Mesa e demais autoridades presentes. Convida o público para ouvir, de pé, o "Hino Nacional de Israel" e o "Hino Nacional Brasileiro".
3 - RAV SANY
Rabino, faz oração.
4 - PRESIDENTE DANILO CAMPETTI
Informa que a Presidência efetiva convocara a presente sessão solene para "Comemoração ao Retorno dos Reféns de 7 de Outubro e Outorga de Colar de Honra ao Mérito Legislativo a Rafael Erdreich e Gili Vilian", por solicitação deste deputado. Tece considerações sobre o trabalho da Frente Parlamentar em Defesa da União Brasil e Israel e sua Soberania. Elogia a comunidade judaica.
5 - MESTRE DE CERIMÔNIAS
Anuncia apresentação musical do Coral Beitênu, da Sinagoga Beth-El de São Paulo. Informa a exibição de vídeo sobre ataque do Hamas a Israel em 2023.
6 - SARITA MUCINIC SARUE
Coordenadora de Educação e Cultura do Memorial do Holocausto de São Paulo, faz pronunciamento.
7 - HANNAH CHARLIER
Sobrevivente do Holocausto, faz pronunciamento.
8 - LUIZ KIGNEL
Vice-presidente da Conib - Confederação Israelita do Brasil, faz pronunciamento.
9 - CÉLIA PARNES
Presidente da Fisesp - Federação Israelita do Estado de São Paulo, faz pronunciamento.
10 - SAMO TOSATTI
Chefe da Assessoria Internacional do Governo de São Paulo, faz pronunciamento.
11 - CAPITÃO TELHADA
Deputado estadual, faz pronunciamento.
12 - OSEIAS DE MADUREIRA
Deputado estadual, faz pronunciamento.
13 - GIL DINIZ BOLSONARO
Deputado estadual, faz pronunciamento.
14 - BENJAMIN BACK
Jornalista, faz pronunciamento.
15 - MESTRE DE CERIMÔNIAS
Anuncia a exibição de vídeo com pronunciamentos dos parlamentares Danilo Campetti, Paulo Mansur, Gil Diniz Bolsonaro, Capitão Telhada, Oseias de Madureira e Lucas Bove, a favor de Israel. Lê currículos e anuncia a outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo a Gili Vilian, vice-cônsul-geral de Israel em São Paulo, e a Rafael Erdreich, cônsul-geral de Israel em São Paulo.
16 - GILI VILIAN
Vice-cônsul-geral de Israel em São Paulo, faz pronunciamento.
17 - RAFAEL ERDREICH
Cônsul-geral de Israel em São Paulo, faz pronunciamento.
18 - PRESIDENTE DANILO CAMPETTI
Tece considerações sobre viagem a Israel, em 2025. Comenta ataque do Hamas a israelenses em 2023. Critica o antissemitismo. Lamenta política, do Governo Lula, de retirar o Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto. Comemora a libertação de reféns sequestrados pelo Hamas. Manifesta solidariedade a famílias enlutadas pelo ataque. Lembra representação, ao Ministério Público, contra iniciativas a favor do Hamas. Faz agradecimentos gerais. Encerra a sessão às 22h57min.
* * *
ÍNTEGRA
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- Assume a Presidência e abre a sessão
o Sr. Danilo Campetti.
*
* *
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Sras. e Srs., muito
boa noite. Sejam muito bem-vindos a este Plenário, a Assembleia Legislativa do
Estado de São Paulo.
Esta sessão solene tem como finalidade
prestar uma homenagem ao retorno dos reféns sequestrados durante os ataques
terroristas de 7 de Outubro de 2026, um dos episódios mais brutais da história
recente de Israel e da humanidade, e reafirmar os valores humanitários de
defesa da vida e também da dignidade humana.
Junto a isso, será realizada a outorga
do Colar de Honra ao Mérito Legislativo a Rafael Erdreich, cônsul-geral de
Israel em São Paulo, e a Gili Vilian, a vice-cônsul-geral de Israel em São
Paulo, como reconhecimento institucional por suas relevantes contribuições à
sociedade paulista.
Comunicamos também a todos que esta
sessão solene está sendo transmitida ao vivo pela TV Alesp e pelo canal da
Alesp.
Antes eu quero dar o meu boa noite
inicial e dizer que o Brasil é um país extraordinário. Eu sou filho de libanês,
neto de padre ortodoxo, e aqui estou emocionado, mais uma vez, para me dirigir
a uma das comunidades que mais me fez aprender nessa vida e que eu convivo
dentro da minha casa, a comunidade israelita, vocês, meus irmãos judeus.
É uma honra estar aqui neste momento
importante de um retorno de um movimento bárbaro que aconteceu não só com
vocês, com o povo de Israel, mas com o mundo, com as pessoas de bem. Tenho
muita honra e muita emoção de estar aqui conduzindo esta solenidade. Muito
obrigado. (Palmas.)
Muito bem, esse programa é ao vivo e
evidentemente eu tenho aqui os meus pontos para me ajudar e eu estou
perfeitamente perdoado aqui por todos vocês. Muito bem, eu vou então chamar os
nossos convidados que irão compor a Mesa Diretora. Peço que qualquer equívoco
seja desculpado.
Sras. e Srs., recebam, com muito
carinho, o deputado estadual Danilo Campetti, proponente e presidente desta
solenidade e também coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da União Brasil
e Israel e suas Soberanias. (Palmas.)
Deputado estadual Gil Diniz Bolsonaro,
autor da homenagem a Rafael Erdreich e coautor da homenagem a Gili Vilian.
(Palmas.) Rafael Erdreich, cônsul-geral de Israel em São Paulo. (Palmas.) Samo
Tosatti, chefe da Assessoria Internacional do Governo do Estado de São Paulo.
(Palmas.) Célia Parnes, presidente da Federação Israelita de São Paulo, a
Fisesp. (Palmas.)
Muito bem, faço também o convite para a
Mesa de Extensão da Mesa Diretora a vice-cônsul-geral de Israel em São Paulo,
Gili Vilian. (Palmas.) Gili Vilian vai estar na Mesa Extensora, e não estará na
Mesa Diretora por conta, evidentemente, da sua bebê que a acompanha e para que
ela tenha melhores condições, está certo, deputado? Então, vamos ali. Muito bom
ter uma bebê ao lado de todos nós.
Deputado Oseias de Madureira, membro da
Frente Parlamentar em Defesa da União Brasil e Israel e suas Soberanias.
(Palmas.) Deputado Capitão Telhada, apoiador da Frente Parlamentar em Defesa da
União Brasil e Israel e suas Soberanias. (Palmas.) Deputado estadual Guto
Zacarias. (Palmas.)
Meu amigo Luiz Kignel, vice-presidente
da Conib - Confederação Israelita do Brasil. (Palmas.) Ricardo Berkiensztat -
acho que acertei, obrigado -, presidente executivo da Fisesp, Federação
Israelita do Estado de São Paulo. (Palmas.) Sidney Klajner, presidente do
Einstein Hospital Israelita. (Palmas.)
Marcos Knobel, vice-presidente do Einstein
Hospital Israelita e ex-presidente da Fisesp - Federação Israelita do Estado de
São Paulo.
Então, para compor também a nossa tribuna de honra,
gostaria de chamar Guto Issa, prefeito de São Roque, acompanhado da primeira
dama, Josi Mattos. (Palmas.) Luis Altikes, CEO da Alma Premium, meu querido
sobrinho, acompanhado da sua filha Bruna... A Bruna não veio. Luis, Luis
Altikes. (Palmas.)
Ricardo Fleury Cavalcanti de
Albuquerque, fundador da BR Partners. (Palmas.) Deyvid Arazi - está muito
feliz com o seu Corinthians -, presidente da Associação Brasileira “A
Hebraica”, esse símbolo de São Paulo e do Brasil, acompanhado... Não, não está
acompanhado pela sua esposa.
Rabino Rav Sany, presidente do Instituto Rav Sany de
Comunicação e Cultura Judaica e Grupo Sonnen. (Palmas.) Querido amigo, um
grande representante da comunidade, Daniel Bialski, advogado, ex-presidente da
Hebraica, ex-vice-presidente da Conib e atual assessor da Presidência da Conib.
(Palmas.) Muito bem, então compostas aí as mesas. Prazer em recebê-los aqui,
com muito carinho.
Eu peço a todos que, em posição de respeito, ouviremos
então o Hino Nacional de Israel e, em seguida, o Hino Nacional Brasileiro,
executados pela Banda Musical da Guarda Civil Metropolitana da Cidade de São
Paulo, sob a regência do maestro subinspetor Renato Inácio.
*
* *
- É executado
o Hino Nacional Israelense.
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* *
- É executado
o Hino Nacional Brasileiro.
*
* *
O SR. MESTRE DE
CERIMÔNIAS - Muito obrigado, maestro. Muito obrigado à Banda Musical
da Guarda Civil Metropolitana. Dizer que me foi pedido aqui, maestro, para
tocar o hino do Corinthians, mas eu vou pular essa parte. Não, não.
Eu confesso a vocês que, na semana passada, eu fui
convidado para vir para essa cerimônia, para conduzir essa cerimônia, pelo
deputado Danilo Campetti, o Luis Altikes e membros da comunidade. Sofri uma
cirurgia e achei que eu não iria conseguir estar aqui. Mesmo não plenamente,
100%, consegui estar aqui com muita alegria.
E para celebrar
esse momento, não é? Até pelas bênçãos que recebi para estar nesse momento,
nessa posição tão honrosa, eu convoco aqui o rabino Sany, Rav Sany, para
proferir aqui uma oração inicial desta solenidade.
O SR. RAV SANY
- Boa noite. Hoje, no calendário judaico, foi celebrado o Tu Bishvat, o ano
novo das árvores, uma data que nos ensina que a vida verdadeira começa nas
raízes, que mesmo após os invernos mais longos e escuros, a seiva da vida
continua correndo silenciosa, insistente e fiel. E é por isso que nesse momento
cabe a bênção. (Pronunciamento em língua estrangeira.)
Abençoado é o Eterno, nosso D’us, Rei do universo, que
nos manteve vivos e nos sustentou e nos fez chegar até esse tempo, porque
chegar até aqui já é por si só um milagre. Hoje não estamos aqui apenas para
celebrar o retorno de todos os reféns para os seus lares, estamos aqui para
fazer história. Mas que fique claro, ninguém aqui está celebrando por vingança,
ninguém aqui está celebrando por ódio. Pelo contrário, celebramos porque a vida
venceu.
E antes de proferirmos um salmo em elevação da alma de
todos aqueles que foram brutalmente assassinados no atentado terrorista de sete
de outubro, em elevação da alma daqueles reféns que não voltaram vivos para
seus lares, eu queria só deixar claro, deputado, que o eterno D’us de Israel o
abençoe, não só você como o Gil Diniz e todos os outros deputados que,
corajosamente, Oseias de Madureira, deputado Zacarias, todos que corajosamente
levantam a bandeira em prol dos direitos humanos, em prol da liberdade, em prol
da independência do estado de Israel nessa Casa.
Antes do salmo, eu queria só compartilhar com vocês
que eu estava na sala do embaixador de Israel, querido cônsul, e ele me colocou
para falar com a mãe de um dos reféns, presidente Célia, na época em que ele
estava em cativeiro nas mãos dos terroristas do Hamas.
E eu perguntei para ela: "Como a senhora consegue
sorrir sem saber o destino do seu filho sequestrado? Como?". E ela me
respondeu: "Veja, rabino, eu não sei se meu filho está vivo, mas eu sei
que se eu desistir da vida, eu o perco duas vezes". É isso que nós estamos
celebrando essa noite, é transformar toda essa dor que o povo de Israel viveu
em responsabilidade, o legado para as futuras gerações.
E na nossa geração especialmente, onde a velocidade
das informações é praticamente incomensurável, é muito rápido, elas se
alastram, o dever das autoridades, das lideranças, dos líderes comunitários de
se posicionarem como bem estão fazendo. Nessa época, nós precisamos nos
enraizar em nossos valores sem esquecer o que é sagrado para o próximo.
Vamos levantar para proferir o salmo. (Pronunciamento
em língua estrangeira.) Eis que não cochila nem dorme o guardião de Israel. O
Eterno é quem te guarda, o Eterno é a tua sombra, à tua direita. Do dia ao sol,
não te ferirá, nem a lua de noite. O Eterno te guardará de todo o mal, guardará
a tua alma. O Eterno guardará a tua saída e a tua entrada desde agora e para
sempre.
Amém.
TODOS - Amém.
(Palmas.)
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito bem. Quero
registrar aqui a presença do meu amigo Benjamin Back. Parabéns Benja,
representando aqui a CNN, o SBT, a Transamérica, a TMC. Está com o Jimmy Back,
seu amigo. Parabéns, hein? Estão felizes com o Timão.
Bom, quero registrar também a presença
das seguintes autoridades e personalidades presentes neste momento. Eu estava
vendo o rabino proferir a bênção e vi vocês aqui no evento da frente parlamentar,
os meus queridos sobreviventes aqui. Ele fala em paz e fala em sorriso.
Eu pensei muito em dizer que vocês são
mestres da vida. Como é que vocês conseguem ter ainda força para levar uma
mensagem de paz e de vitalidade às pessoas que são, não só brutalmente
assassinadas, são brutalmente decapitadas até dos seus devidos valores. Então,
é uma honra mais uma vez dividir este plenário com todos vocês, a quem peço uma
salva de palmas. (Palmas.) É uma emoção muito grande.
Queria registrar a presença de Edgar
Lagus, presidente da B’nai B’rith São Paulo. (Palmas.) Abraham Goldstein,
presidente da Associação Beneficente Cultural B’nai B’rith do Brasil. (Palmas.)
Isabel Cohn, presidente da Sinagoga Beth-El. (Palmas.) Jacques Griffel,
presidente do Conselho de Administração do Colégio Renascença. (Palmas.) Susana
Gabriela Koln, diretora da Unibes Cultural. (Palmas.) Gabriel Milevsky, CEO do
clube A Hebraica de São Paulo. (Palmas.)
Daniel Kignel, diretor da Federação
Israelita do Estado de São Paulo. (Palmas.) Tania Tarandach, representando o
Museu Judaico de São Paulo. (Palmas.) Minha querida Monica Rosenberg,
secretária de Governança da OAB-São Paulo. Só tem corintiano hoje aqui, é
impressionante. Uma salva de palmas a todos.
Evidentemente, gostaria de convidar meu
querido deputado Danilo Campetti para que proceda então à abertura oficial
desta sessão solene.
O
SR. PRESIDENTE - DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS -
Boa noite. Que Deus abençoe a todos. Muito obrigado pela presença. Iniciamos os
nossos trabalhos nos termos regimentais.
Senhoras e senhores, esta sessão solene
foi convocada pelo presidente desta Casa de Leis, deputado André do Prado,
atendendo a minha solicitação e do deputado Gil Diniz, com a finalidade de
celebrar a volta dos reféns de 7 de Outubro de 2023 e outorgar o Colar de Honra
ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo ao cônsul-geral de Israel em São
Paulo, Rafael Erdreich, e à vice-cônsul-geral de Israel em São Paulo, Gili
Vilian.
Quero cumprimentar, com profundo
respeito, inicialmente, meu colega Gil Diniz, deputado estadual, que também é
autor das homenagens. Quero cumprimentar os meus colegas também que estão nessa
trincheira conosco, os deputados estaduais Oseias de Madureira, Capitão
Telhada, Guto Zacarias. Em nome deles, que estão aqui presentes, todos os 30
deputados da Frente Parlamentar em Defesa da União Brasil e Israel, uma frente
parlamentar inédita nesta Casa de Leis.
Nunca houve uma frente que tratasse
dessa união entre esses dois povos. Então, eu gostaria de uma salva de palmas a
esses abnegados deputados. (Palmas.) Todos estamos imbuídos desta missão,
imbuídos do que eu digo que seria uma missão de Deus, porque estamos aqui
também representando o povo de Deus.
Quero cumprimentar, com muito orgulho,
o nosso cônsul-geral Rafael Erdreich, cônsul-geral de Israel em São Paulo.
Muito obrigado pela presença, muito obrigado pelo apoio. Quero cumprimentar
também a vice-cônsul-geral de Israel em São Paulo, Gili Vilian, que juntos
proporcionaram que uma comitiva de deputados visitasse o estado de Israel.
Acredito que uma das viagens mais marcantes de todos nós, deputados, e no meu
discurso final vou estender esse agradecimento.
Quero cumprimentar o meu irmão Samo
Tosatti, chefe da Assessoria Internacional de Governo do Estado de São Paulo,
que aqui representa o nosso governador Tarcísio de Freitas, também juntamente
com nosso prefeito Ricardo Nunes, defensores do estado de Israel, defensores da
comunidade judaica no estado de São Paulo e no Brasil, homens com coragem de se
posicionar do lado certo, seja da história ou seja dos dias atuais. Muito
obrigado, Samo. (Palmas.)
Quero com muita alegria também
cumprimentar a Sra. Célia Parnes, que recentemente assumiu a Presidência da
Federação Israelita do Estado de São Paulo. Muito obrigado, Célia. Que Deus
abençoe muito a sua missão de representar a comunidade aqui em São Paulo. Conte
conosco aqui da Assembleia Legislativa.
Também cumprimentar meu amigo Luiz
Kignel, vice-presidente da Confederação Israelita do Brasil. Muito obrigado,
Luiz, pela sua presença. Meu amigo Ricardo Berkiensztat, presidente executivo
da Federação Israelita do Estado de São Paulo, um grande amigo, também um
grande interlocutor, idealizador dessa frente. Obrigado.
Quero estender os cumprimentos também
ao Bruno, que é da assessoria do Governo do Estado de São Paulo, que foi também
nosso anfitrião nessa comitiva de Israel. Obrigado, Bruno. Parabéns, Ricardo,
pelo brilhante filho.
Quero cumprimentar também Sidney
Klajner, presidente do Einstein Hospital Israelita. Muito obrigado, Sidney,
pela presença, pelo apoio de sempre. Cumprimento Deyvid Arazi, presidente da
Associação Brasileira Hebraica de São Paulo. Muito obrigado, Deyvid, pela
presença. Meu grande amigo Luis Altikes, CEO da Alma Premium, que também me
ajudou muito juntamente com Beetto Saad na idealização dessa frente.
Cumprimento também Ricardo Fleury
Cavalcanti de Albuquerque, um grande amigo, fundador da BR Partners, um grande
operador do mercado financeiro, que gera muito emprego aqui no nosso Estado.
Ele aqui representa todos aqueles empreendedores que fazem o estado de São
Paulo ser como é. Muito obrigado, Ricardo, pela sua presença.
Cumprimentar com muita alegria também o
rabino Rav Sany, que fez uma oração belíssima, presidente do Instituto Rav Sany
de Comunicação e Cultura Judaica e Grupo Sonnen. Muito obrigado, meu amigo,
pela presença.
Meu grande amigo e irmão Daniel
Bialski, assessor da Presidência da Conib, ex-presidente da Hebraica e
ex-vice-presidente da Conib, também um dos idealizadores, um dos apoiadores
desta frente, uma pessoa a quem sempre recorro, um amigo a quem sempre recorro
quando preciso de orientações.
Meu grande amigo e irmão Beetto Saad,
representando a Band e hoje nos abrilhantando novamente como mestre de
cerimônias desta noite.
Cumprimento também meu amigo, um grande
guerreiro pela causa, uma pessoa que não tem medo de se expor: Benjamin Back.
Obrigado, Benjamin. Obrigado, Benja, pela sua presença - juntamente com seu
filho - representando a CNN Brasil, com seu filho Jimmy Back. Parabéns pela
coragem. Não é fácil a gente se expor e se posicionar, mas hoje os tempos
requerem homens com coragem.
Eu cumprimento todos vocês e deixei
para o final um cumprimento muito especial. Vou cumprimentar a Sra. Hannah
Charlier, que é sobrevivente do Holocausto, em nome de quem eu cumprimento a
todos os demais sobreviventes aqui presentes da comunidade israelense e peço,
de pé, uma salva de palmas. (Palmas.)
Eu gosto sempre de estar nos eventos da
comunidade e ver como a comunidade, os judeus, toda a comunidade judaica cuida
de seus sobreviventes, como cuida da memória daqueles que pereceram em um dos
episódios mais trágicos da nossa história.
Cumprimento a todos os presentes,
senhoras e senhores. Quero fazer um cumprimento especial a minha família, que
está em casa me assistindo: a minha esposa Vanessa, os meus filhos João Otávio
e Maria Clara, que não puderam estar presentes, mas estão acompanhando pela
Rede Alesp.
Saúdo toda a comunidade judaica aqui
representada, seus presidentes, diretores, conselheiros e colaboradores das
instituições já nominadas, as lideranças religiosas, as senhoras e os senhores,
os policiais civis e militares que atuam garantindo nossa segurança e
tranquilidade, meus irmãos incansáveis que não negam nenhuma missão. Quero aqui
cumprimentar também a banda da GCM, em nome do subinspetor maestro Renato
Inácio.
De forma muito especial, volto a me
dirigir aos sobreviventes do Holocausto. A presença das senhoras e dos senhores
neste plenário nos emociona, nos inspira e nos recorda de maneira viva e
incontornável da importância da memória, da dignidade humana e do compromisso
permanente com a vida, com a verdade e com a justiça.
Eu quero aqui também, como já fiz,
reiterar um agradecimento especial ao nosso governador Tarcísio de Freitas pelo
posicionamento, pela sua conduta em prol de toda comunidade judaica aqui no
estado de São Paulo. Com certeza isso repercute em todo o País e é essa seara,
essa esteira que nós vamos seguir aqui, nós, deputados da frente.
Muito obrigado a todos pela presença e
por compartilharem conosco este momento de reflexão, respeito e
responsabilidade histórica.
Aproveitem a nossa solenidade, que Deus
abençoe a todos e vamos agora continuar, nosso mestre de cerimônias. (Palmas.)
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito bem. Olha, eu
também quero fazer um agradecimento especial à Sandra Becker, que é artista
plástica. Muito obrigado. Ela se apresenta nesta noite. (Palmas.) É, pode bater
palmas. Fica em pé, Sandra, por favor. Fica em pé. É, Sandra, você que aqui no
Salão dos Espelhos, não é? Você trouxe parte da sua exposição e a exposição não
é em vão. Na verdade, “Memória, presença e apagamento da mulher após o 7 de
Outubro”.
Segundo você, a exposição não se propõe
a narrar o acontecimento em sua literalidade, mas a refletir sobre o que
permanece após a violência: os vestígios, as marcas e as memórias que resistem
à eliminação.
Parabéns, muito legal, muito obrigado,
viu, Sandra? Parabéns. Como disse bem o rabino, isto não é uma noite de ódio, é
uma noite de paz. E vocês realmente são, de maneira absoluta, a essência e
materializam realmente após tantas barbáries, o que significam essas três
letras: a palavra “paz”.
Bom, vamos assistir então. Estou vendo
aí nosso coral, não é? Apresentação do Coral Beitênu, da Sinagoga Beth-El, é
isso? Beth-El, está certo? De São Paulo, sob a regência do maestro Márcio
Besen, que vai nos prestigiar com todas essas... Estou vendo aqui umas meninas,
todas uniformizadas, bonitas, os meninos também, todos muito bem-posicionados,
não é?
Com a canção, é, Bênção Cher Haikun, é
isso? “Shehecheyanu”, muito bem, obrigado. Que a bênção do agradecimento e o “Oseh
Shalom”, que venha a paz, com “Am Yisrael Chai”, o povo de Israel vive. Por
favor, maestro. Podemos bater palmas, viu? Podemos bater palmas. (Palmas.)
O
SR. MAESTRO MÁRCIO BESEN- Boa noite, boa
noite, todas as autoridades. Nosso querido mestre de cerimônia já adiantou, nós
vamos fazer uma coletânea curta. Quatro melodias, na verdade. A bênção “Shehecheyanu”,
já citada pelo rabino. “Oseh Shalom”, que é da liturgia também. As duas primeiras
são da liturgia. Depois, “Am Yisrael Chai”, “Od Avinu Chai” - nosso Pai ainda
vive. “Am Yisrael Chai” - o povo de Israel vive.
Para terminar, uma música brasileira: “Estão
Voltando as Flores”, de Paulo Soledade, comemorando a volta dos reféns e também
o Dia das Árvores, que celebramos hoje.
*
* *
- É feita apresentação musical.
*
* *
O SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Olha que
final, que final mais feliz. Não poderia escolher uma música melhor. Parabéns,
viu? Aliás, você viu, maestro Márcio? Poderia convidar aqui algumas pessoas que
estavam cantando de maneira simultânea com o nosso coral. Parabéns. Olha lá, já
estão convidados, hein? Muito bem.
Vamos agora, então, assistir a um vídeo
que retrata os bárbaros ataques de 7 de Outubro, o acordo de paz e o retorno
dos reféns a Israel.
*
* *
- É exibido o vídeo.
*
* *
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito bem. Quero
registrar também a presença da Sarita Sarue, coordenadora de Educação e Cultura
do Memorial do Holocausto de São Paulo. Obrigado você por me receber, muito bem
recebido por todos vocês lá. Realmente é um emblema fundamental, e eu convoco
aqui pela TV Alesp, para todos que estão nos assistindo, que se dirijam até o
Museu do Holocausto para que realmente a gente possa sentir na pele algo
absolutamente inenarrável.
Bom, quero então passar a palavra à
Sra. Hannah Charlier, sobrevivente do Holocausto, acompanhada pela professora
Sarita Mucinic Sarue, coordenadora de Educação e Cultura do Memorial do
Holocausto, já citada aqui. Por favor, aliás eu queria dizer a vocês que vocês
não passam, vocês desfilam.
Por favor.
A
SRA. SARITA MUCINIC SARUE - Eu prometi que ia dar
mão, não é Hannah? Porque a Hannah é uma sobrevivente novinha, que a gente
encontrou há bem pouco tempo, sem querer, passando aí pela vida. Mas eu queria
agradecer essa oportunidade do Memorial do Holocausto estar aqui presente na
Alesp.
Em nome do deputado Danilo, muito
obrigada por essa amizade, por esse apoio, assim, que não tem nem palavras para
agradecer. Cada vez que eu venho para cá eu venho emocionada e pode contar com
tudo que você precisar, que eu estou aqui para atender.
Em nome do nosso cônsul Rafael Erdreich
e toda a liderança aqui presente, judaica, todos os deputados, obrigada por
essa oportunidade. Recordar é fundamental, a memória é muito importante, e eu
sinto que o deputado Danilo, ele é nosso parceiro na memória. Essa memória que
liberta e que pode trazer um caminho da justiça, que é o que a gente mais quer.
E como o Rabino Sany falou, a gente
nunca vem com discurso de ódio, a gente não quer brigar, a única coisa que a
gente quer é existir e ter paz. Eu não vou tomar o tempo mais precioso, que é o
da Hannah, que faz um trabalho junto com Joshua Stroh, Ariella Segri, Gabriel
Waldman e Gisele Levy, o grandioso trabalho de conversar com jovens no Memorial
do Holocausto de São Paulo. Todas as vezes que são chamados, vêm com boa
vontade, força de vontade, viajam, vêm para Alesp, não importa a hora, sempre atendem nossos pedidos.
Então acho que os nomes têm que ser
lembrados, seis milhões de vítimas, na verdade são seis milhões de histórias.
Infelizmente, lá em Israel são mais de mil histórias. Não é qualquer coisa o
que a gente passa e o que a gente tem que enfrentar, e a gente fica firme
juntos e jovens, porque essas pessoas não têm idade, eles são eternos, jovens,
que têm uma força para nos inspirar.
Vou dar a palavra para a Hannah
Charlier, que tem muita coisa interessante para contar.
A
SRA. HANNAH CHARLIER - Posso mesmo contar
a minha história? Eu vou fazer o possível.
Eu quero inicialmente agradecer a
oportunidade de estar aqui contando parte da minha história ao deputado Danilo
Campetti. Muito obrigada a todos os presentes, e ao Memorial do Holocausto, que
foi, na minha vida, uma bênção ter conhecido e feito contato com o Memorial.
Porque nós, sobreviventes, sofremos de
um problema muito sério. Normalmente, na vida diária, a gente não comenta nada
do que aconteceu conosco com ninguém, existe uma espécie de receio. Depois que
eu conheci o Memorial, eu passei a contar não só no Memorial, mas passei a
contar para as pessoas que eu conheço, e isso me fez muito bem, e é como se eu
tivesse me curado um pouco das minhas dores e sofrimentos, que eu procuro fazer
o possível para não demonstrar. Então, inicialmente, eu vou contar alguma coisa
da minha história.
Eu nasci em 1944, na Bélgica, ainda
ocupada pelos nazistas. Os meus pais eram judeus, e eles caíram na
clandestinidade, ou seja, eles se juntaram com um grupo de resistentes que
lutavam com armas na mão contra os nazistas. Eles não tinham chance de ganhar,
eles não tinham as armas suficientes e nem as condições necessárias para
enfrentar uma guerra com os nazistas.
Então, em 1944, que foi justamente o
ano em que eu nasci, eles foram presos, porque eles estavam tentando dinamitar
as linhas de trem que levavam os trens direto para Auschwitz. Eles já tinham
conseguido algumas vezes, os nazistas consertavam e eles explodiam as linhas
novamente, e dessa vez eles foram pegos. Minha mãe estava grávida, então eu
nasci na prisão.
E, finalmente, eles resolveram, acho
que, fuzilar todos aqueles prisioneiros, porque em 1944, eu acho, suponho, que
os alemães começaram a perceber que eles não tinham mais chance de ganhar essa
guerra. Já havia uma reação contra eles em todos os lugares. Mas eu nasci na
prisão.
Então, eles colocaram todos esses
prisioneiros para serem fuzilados, e minha mãe me embrulhou em alguma coisa e
me segurou nas costas. E ela caiu em cima de mim, e em cima caíram outras
pessoas, de modo que eu não fui atingida por tiro nenhum, eu sobrevivi. Um
oficial nazista achou estranho que essa mulher, que estava para ser morta,
tentasse proteger alguma coisa escondida nas costas.
Então, era de noite, muito frio, isso
foi ele que me contou mais tarde. Ele mandou o pessoal ir beber, que estava
muito frio, e no dia seguinte eles jogariam a terra. E quando todos esses
soldados saíram de lá, e as pessoas, ele ficou, ele entrou quietinho lá embaixo
e tirou aquele pacote que estava atrás das costas da minha mãe e viu que era
uma criança.
Aí ele colocou na mochila, fechou a
mochila e saiu desse acervo militar sem ninguém perceber. Ele tinha liberdade
de circular, porque ele tinha um cargo importante. E ele foi até a cidade de
Charleroi e Dampremy, que eram lugares onde ele achava que poderia encontrar
alguém para entregar a criança. Ele tinha que me entregar para alguém, e na
altura de Dampremy, ele foi pego por um grupo de resistentes. Ele com um
uniforme nazista, caminhando por aquelas ruas estreitas, já era de noite.
Essas pessoas viram esse homem, pegaram
o cara, levaram para um porão, bateram muito nele e ele gritava para tomar
cuidado com a mochila, mas ele não falava a mesma língua que eles falavam e
eles não entendiam alemão, até que finalmente apareceu um belga que falava
alemão e abriu a mochila e viu que tinha realmente uma criança lá dentro.
Eles deduziram que, lógico, era filho
da minha mãe, porque todo mundo conhecia a minha mãe, era uma das poucas
mulheres que pegou em armas e que foi presa grávida. Aí eles me entregaram para
uma senhora chamada Yvonne Nèvejean, que era a responsável pelo serviço social
à infância na Bélgica.
Antes da guerra e depois da guerra, os
alemães não se preocuparam com ela, ela continuou tendo essa função e eles
nunca desconfiaram dela. Essa mulher salvou mais de cinco mil crianças judias.
Então ela me colocou em um orfanato, onde eu vivi até os meus nove anos, quando
finalmente eu fui adotada por um casal que já conhecia os meus pais de antes da
guerra.
Esse senhor, que eu chamo de avô, que
me adotou, ele tinha sido professor do meu pai na Université Libre de
Bruxelles, e ela, a esposa dele, era uma pianista, e a minha mãe também era uma
pianista antes da guerra. E as duas costumavam dar recitais juntas. E aí eles
me adotaram. Ele, o meu avô, já conhecia o Brasil, ele tinha casa aqui no
Brasil, investimentos no Brasil, e ele resolveu emigrar para o Brasil e me
trouxe, e é por isso que eu estou aqui hoje.
Essa é a minha história. (Palmas.)
Muito obrigada por ter tido a oportunidade de contá-la. Cada vez que eu conto,
eu me curo um pouco.
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Eu confesso que nunca
ouvi uma história similar, e acho que vocês são um berço da cultura, e vocês
preservam na sua essência o saber e a memória. Eu serei, desde que conheci toda
a história promovida pelos alemães, essa barbárie toda, e quando estive aqui
também na frente parlamentar.
Confesso a vocês que sou um
incentivador para que as pessoas leiam e se dirijam até o Museu do Holocausto.
É muito importante saber que realmente a vida tem um valor muito especial.
Então, seguimos em frente com esses exemplos maravilhosos. Luiz Kignel,
vice-presidente da Conib, Confederação Israelita - deixe-me ver se estou
correto aqui - Israelita do Brasil. Por favor. (Palmas.)
Meu amigo Luiz, pai do Rafa, grande
advogado.
O
SR. LUIZ KIGNEL - Prezado deputado Danilo
Campetti, presidente da Frente Parlamentar em Defesa da União Brasil Israel,
deputado Gil Diniz, coautor do convite desta solenidade, em nome dos quais eu
cumprimento todas as autoridades parlamentares aqui presentes.
Rafael Erdreich, nosso cônsul-geral de
Israel, nosso homenageado nesta noite. Célia Parnes, que é presidente da
Federação Israelita de São Paulo, em nome da qual eu cumprimento os presidentes
das entidades e demais lideranças judaicas.
Queridos amigos que comparecem nesta
cerimônia, senhoras e senhores, com a permissão dos rabinos aqui presentes.
Deputado Campetti, no último dia 12 de janeiro, recebi da sua assessoria o
convite para a cerimônia desta noite.
Além da justíssima homenagem ao nosso
cônsul, Rafael Erdreich, também era objetivo comemorar o retorno dos reféns do
ataque terrorista do Grupo Hamas. Após tanto sofrimento, tanta dor, tantos
inocentes assassinados, tantos corpos vilipendiados, o convite de V. Exas. caiu
em um conforto de acolhida para a nossa comunidade. Mas a verdade é que naquela
data sabíamos que ainda havia um último corpo retido pelos terroristas do
Hamas.
Ran Gvili, mencionado como o primeiro
herói a chegar em defesa dos civis naquele fatídico dia e o último a de lá
sair. Ran Gvili, policial da unidade de elite da polícia israelense, foi um dos
primeiros a se levantar no dia mais sombrio desde a criação de Israel.
Foi ele quem correu para onde os outros
precisavam fugir. Foi ele quem se colocou entre o terrorismo do Hamas e a vida dos
inocentes. Foi ele quem entrou em confronto com os terroristas, salvou vidas
até perder a sua.
Absolutamente anônimo, cumpriu com a
própria vida a sua missão, como tantos outros heróis que ali lutaram. Após 843
dias, Ran Gvili foi o último a sair de Gaza. Do anonimato anterior para a fama
que certamente não pretendia ter.
Saiu, não mais caminhando como deveria,
mas envolto em um caixão com a bandeira de Israel. Quando se esgotaram as
evidências de reféns vivos em Gaza, restando apenas corpos para serem
devolvidos, a guerra para muitos era considerada encerrada.
Os que voltaram vivos, fossem pelas
negociações, ou resgatados vivos pelas forças de Israel, já se encontravam em
território israelense. Os corpos das vítimas inocentes, assassinadas num ataque
terrorista, levados já mortos para Gaza como futura moeda de troca, ou dos
reféns que pereceram no cativeiro, também já haviam sido resgatados.
Mas um único corpo restava nas mãos do
Hamas. Uma missão arriscada, envolvendo centenas de soldados israelenses,
colocando, eles, sim, a própria vida em risco, que seguiram dentro de Gaza até
encontrarem o corpo de Ran Gvili. O Estado judeu, seu governo e seu exército em
momento algum cogitaram desistir. Em momento algum pretenderam encerrar a luta
sem que todos estivessem de volta em suas casas, fossem vivos ou, infelizmente,
mortos.
Para Israel, a guerra não podia
terminar, mesmo contrariando aliados de primeira hora do governo israelense,
que, afinal, entenderam que, paciência, o fim da guerra podia ser decretado e
aquele último corpo, mesmo assim, seria sempre lembrado.
Deputado Campetti, isso poderia
funcionar para outras nações, mas não para Israel. Lembrar o corpo de um
combatente não seria suficiente. Era necessário encontrá-lo e oferecê-lo a
acolhida de sua família para enterrá-lo na Terra Santa.
Nós mesmos, aqui no Brasil, fomos
questionados por amigos da comunidade, que nos perguntavam se valia a pena
esticar uma guerra, que poderia ter sido encerrada semanas atrás, por conta de
um único corpo que, na extensa Gaza, com seus túneis, labirintos e armadilhas,
dificilmente seria encontrado.
Como explicar o princípio judaico do
respeito ao corpo, mesmo quando despido de uma alma? A obrigação judaica de não
esquecer um corpo já havia sido registrada, digo-lhe, 3.400 anos atrás, sem
imaginar que V. Exa., com merecida inspiração, marcou para esta semana a
verdadeira comemoração.
No judaísmo, deputado, não há
coincidências. Tudo está na divina providência. Na última semana, quando Ran
Gvili foi resgatado e enterrado em Israel, os judeus do mundo inteiro se
surpreenderam com a leitura da porção semanal do último Shabat. E aí, então,
encontraram a resposta decifrando esse dilema.
Na leitura semanal da Torá da semana
passada, o nosso Antigo Testamento, temos a porção de Beshalach, quando, após
as dez pragas contra o faraó, finalmente Moisés estava prestes a sair com os
judeus, então escravos. Mas havia um dilema.
Duzentos anos antes, José, o vice-rei
do Egito, filho do patriarca Jacó, falecera no Egito e havia suplicado aos seus
irmãos hebreus que, quando saíssem em direção a Israel, não deixassem seu corpo
esquecido. Dois séculos de escravidão não fizeram o povo esquecer.
Na porção de Beshalach, está escrito:
“Moisés tomou os ossos de José com ele, pois ele tinha feito com que os filhos
de Israel jurassem, dizendo: ‘Deus certamente lembrará de vocês e vocês devem
levar os meus ossos daqui consigo no caminho para Israel para ali eu ser
enterrado’”. E Moisés, liderando milhares de pessoas a caminho da liberdade, recusou-se
a sair do Egito sem antes localizar os ossos de José, que haviam sido
enterrados e escondidos no rio Nilo.
O Midrash, um dos nossos livros
sagrados, que oferece interpretações para tornar os textos sagrados da Torá
mais compreensíveis, nos conta que Moisés foi até a beira do rio Nilo e disse:
“José, a hora da libertação de Israel chegou. Queremos cumprir o juramento que
fizemos aos nossos pais. Não faça por tua causa a demora pela redenção.” E diz
o Midrash que o caixão de José emergiu do rio Nilo e seguiu com Moisés para ser
enterrado em Israel.
Três mil e quatrocentos anos depois,
também uma alma ficou em território inimigo, perdida, mas jamais esquecida. E,
não tendo nós o grande Moisés ao lado, coube às forças de defesa de Israel
repetirem o mesmo ato sagrado e não saírem de Gaza até terem o último corpo.
José veio para o descanso final em Israel, assim como Ran Gvili.
Embora possa ser incompreensível para
muitos, tantos riscos e custos para salvar um único corpo, para Israel nada
mais era do que a obrigação moral que aprendemos com os nossos antepassados,
eternizada pelo Criador na Torá, justamente na semana passada.
Enquanto terroristas explodem inocentes
mundo afora, em atentados já tão conhecidos, ofertando ao mundo cenas de ódio e
terror, os judeus, inspirados em Israel, seguem seu trajeto firme e inabalável
de ofertar ao mundo os princípios da humanidade, base de uma sociedade judaica
e cristã que vive e convive civilizadamente.
Quando recebemos o convite para as
comemorações desta noite, havia um misto de alegria, por um momento tão
esperado, mas com um pingo de tristeza, porque sabíamos que a comemoração
talvez não fosse completa. Na data de hoje, tudo mudou. E aqui estamos, nesta
Casa Legislativa, nas pessoas dos deputados Danilo Campetti e Gil Diniz, para
realmente comemorar.
Imagino que o deputado Campetti não
havia aberto o Antigo Testamento para achar, na porção semanal desta semana da
Beshalach, a semana ideal para esta homenagem. Mas não há coincidência. Para
nós, é claro que V. Exa. o fez por divina inspiração, porque, sem saber,
escolheu não a melhor data, mas a única data que realmente se relacionava com o
Ran Gvili.
Aprendemos hoje, com V. Exa., a renovar
a nossa crença de que as histórias sagradas da Torá não são metáforas, mas sim
bússolas que nos guiam com serenidade para superar e entender os desafios.
Não poderia haver oportunidade melhor
do que nesta noite homenagear exatamente quem representa Israel, o nosso cônsul
Rafael Erdreich, com quem tive a honra de conviver quando presidi a Federação
Israelita de São Paulo, hoje, nas melhores mãos de Célia Parnes.
Rafael Erdreich representa um Israel
que honra tanto vivos como mortos, que busca cada um dos seus, onde quer que
estejam, que se recusa a permitir que o mal tenha a última palavra.
Se temos memória para lembrar os que se
foram, também temos para registrar os que seguem ao nosso lado. Nesta Casa
Legislativa, temos mais do que amigos, temos irmãos de fé na crença que nós,
judeus brasileiros, somos gratos ao Brasil que nos acolheu, do qual
orgulhosamente fazemos parte.
Como cidadãos brasileiros, seguimos
juntos, especialmente nos dias atuais, onde somos constantemente atacados por
discursos de ódio, manifestações de antissemitismo, escondidas atrás do
antissionismo. É fundamental lembrar que não estamos sozinhos.
Nesta noite, a homenagem é importante,
tem um peso que não cabe nas paredes desta Casa. Ela fala algo maior do que a
política, maior do que a conjuntura nacional, maior do que a diplomacia.
Falamos de memória, de pacto, de fé e de identidade.
Deputado Campetti, nossa dor não está
curada, mas talvez, quem sabe, costurada, porque cumprindo o mandamento divino,
ninguém ficou para trás. Que no Brasil, particularmente em São Paulo, sigamos
dando exemplo de respeito e diálogo com a sociedade maior na qual participamos
ativamente. Hoje, nas mãos de V. Exa., sabemos que, como judeus brasileiros, não
estamos sozinhos.
“Am Yisrael Chai.” (Palmas.)
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito bem, vamos dar
sequência então. Isso aqui não é uma tribuna, deputado. Isso aqui virou uma
sala de aula. Virou uma sala, uma grande sala de aula.
Célia Parnes, presidente da Federação
Israelita do Estado de São Paulo, a Fisesp, por favor.
A
SRA. CÉLIA PARNES - Obrigada. Obrigada,
Beetto.
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Oi, tudo bom, Célia?
A
SRA. CÉLIA PARNES - Boa noite, senhoras e
senhores, autoridades, representantes da sociedade civil, deputados Danilo
Campetti e Gil Diniz, proponentes desta sessão, membros da Assembleia
Legislativa de São Paulo, os deputados Oseias de Madureira, Capitão Telhada,
deputado Guto Zacarias e todos os membros da comunidade judaica aqui presentes.
Parabéns a Rafael Erdreich, homenageado
desta noite, que é daqueles nomes que se confundem com firmeza de caráter,
presença serena, compromisso inabalável e uma rara capacidade de transformar
responsabilidade em referência. Parabéns.
Hoje celebramos a volta de reféns
sequestrados em Israel nos ataques de 7 de Outubro de 2023 e todos os que
resistiram ao terror. Famílias que puderam, enfim, interromper a espera tão
angustiante.
Mas esta cerimônia não pode ser
confortável nem complacente, porque a verdade é que nem todos voltaram com
vida. Seres humanos foram reduzidos a moeda de barganha e, mesmo após a morte,
retidos como instrumento político. Isso não é apenas crueldade, é a violação
final da dignidade humana.
Na tradição judaica, honrar os mortos é
um dever sagrado. O judaísmo ensina que, mesmo após a morte, a pessoa não perde
seu nome, sua honra nem seu lugar no mundo, e assegura que ninguém seja
reduzido a uma estatística.
Pouco se falou sobre isso, mas na
semana passada, para que se chegasse à identificação do último refém mantido em
Gaza, as Forças de Defesa de Israel precisaram realizar 250 autópsias no lugar
onde se encontrava; 250 autópsias para encontrar o DNA de um único homem. Um
trabalho doloroso e profundamente humano que revela o compromisso absoluto de
não transformar vítimas em números anônimos.
Enquanto o terrorismo aposta no
sequestro, ocultação e destruição de corpos, o Exército de Israel responde com
respeito e a determinação de restituir identidade e dignidade a cada refém
assassinado. É a diferença moral entre quem luta para honrar a vida e quem
cultua a morte.
A pergunta que se impõe a todos nós é
simples, mas incômoda: até quando o mundo aceitará o terror como
contextualizável? Não existe causa que legitime o terror. Não existe contexto
que absolva o sequestro e a violação de civis.
É por isso que esta Casa, por meio da
Frente Parlamentar em Defesa da União Brasil e Israel e suas Soberanias, assume
hoje um papel que vai muito além da diplomacia simbólica - assume um papel
moral. Defender a soberania de Israel é, antes de tudo, defender o direito de
qualquer Estado democrático existir sem que seus cidadãos sejam caçados,
sequestrados ou assassinados por grupos terroristas.
Mas precisamos ir além das declarações.
A Assembleia Legislativa de São Paulo tem avançado muito em projetos de lei que
enfrentam diretamente o antissemitismo, projetos que reforçam a educação para a
memória do Holocausto e que tipificam e combatem práticas discriminatórias.
Ao longo dos anos, o Holocausto vem
sendo cada vez mais citado de forma abstrata, diluído em expressões genéricas
como, “milhões de pessoas”, como se essa tragédia tivesse sido um evento sem
alvo definido.
Essa despersonalização não é inocente.
Ela apaga o fato central de que foram seis milhões de judeus assassinados por
serem judeus. Distorcer a narrativa de sua concretude clara e cruel para algo
vago como seis milhões de pessoas enfraquece a verdade histórica, turva a
memória coletiva e banaliza um crime que teve alvo definido, ideologia clara e
intenção de extermínio total.
O antissemitismo se dissimula nessa
série de adulteração dos fatos, criando versões cheias de omissões calculadas e
falsas equivalências que diluem responsabilidades, apagam vítimas específicas e
transformam um projeto de extermínio em uma tragédia genérica. Por isso, não há
encerramento possível, não há página virada. Há uma ferida aberta e ela
interpela governos, parlamentos, instituições e consciências.
Esta cerimônia, portanto, não é apenas
uma homenagem, é uma cobrança e uma certeza de que São Paulo, por meio desta
Casa, não normaliza o terror, não relativiza o antissemitismo e não aceita a
desumanização seletiva. Que esta Assembleia siga legislando e agindo com a
firmeza que a conjuntura exige, porque há momentos decisivos na história em que
a neutralidade deixa de ser prudência e passa a ser cumplicidade.
Muito obrigada, deputados. (Palmas.)
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Convidar, então, Samo
Tosatti, chefe da Assessoria Internacional do Governo do Estado de São Paulo.
O
SR. SAMO TOSATTI - Muito boa noite a todos, boa
noite a todas. “Erev tov.” Gostaria de iniciar cumprimentando de maneira muito
especial o deputado Danilo Campetti, presidente da Frente Parlamentar em Defesa
da União do Brasil e Israel e suas Soberanias, e o deputado Gil Diniz, ambos
organizadores desta solenidade.
Aproveito também para cumprimentar o
cônsul-geral de Israel em São Paulo, o Rafael Erdreich, meu grande amigo, e a
vice-cônsul ou cônsul-adjunta, Gili Vilian, em nome de quem cumprimento todos
os representantes da comunidade judaica aqui.
Cumprimento também o rabino Rav Sany; a
Sra. Hannah Charlier, muito obrigado pelo lindo depoimento, realmente
emocionante. É impossível ouvi-la e não se emocionar. Obrigado. Também saúdo o
Sr. Luiz Kignel, vice-presidente da Confederação Israelita do Brasil, a Sra.
Célia Parnes, com esse belíssimo discurso, presidente da Federação Israelita do
Estado de São Paulo, e também cumprimento os deputados Capitão Telhada, Oseias
de Madureira, em nome de quem saúdo todas as demais autoridades presentes.
Como eu disse, boa noite a todos. Eu
digo sempre que é uma honra e uma responsabilidade representar o Governo do
Estado de São Paulo. Eu queria muito elogiar a liderança do deputado Danilo
Campetti, que organizou essa frente. Cá entre nós não precisava.
Ele não organizou por fins eleitorais,
ele organizou porque ele acredita nessa causa. Aliás, é a primeira frente de
união entre Brasil e Israel que não tem um cunho religioso. Ele, de fato,
acredita na causa. Parabéns pela iniciativa e parabéns a todos os integrantes
dessa frente parlamentar. (Palmas.)
É importante dizer isso e elogiar a
liderança de todos que estão realizando e conduzindo os trabalhos. Estão
conduzindo com muito equilíbrio, muita seriedade e espírito público, o que é
muito importante.
O governador Tarcísio costuma... Ele
tem uma frase em que ele diz que São Paulo é muito admirado pelo exemplo do seu
poder, mas também pelo poder do seu exemplo. São Paulo é admirado pelo exemplo
do seu poder, é um Estado rico, mas também pelo poder do seu exemplo. E eu acho
que iniciativas como essa ilustram isso.
Deputados, todos os senhores que
participaram e organizaram essa frente lideram pelo exemplo. E é muito
importante liderar pelo exemplo hoje em um País que carece de líderes com
autoridade moral. Então, parabéns.
É evidente que essa solenidade é sempre
uma oportunidade para reiterar o posicionamento do estado de São Paulo. E não é
segredo para ninguém que São Paulo escolheu o lado certo da história: em defesa
de Israel, contra o antissemitismo, em favor da civilização e contra a
barbárie. O governador sempre que pode reitera esse posicionamento. Reiterou
semana passada em homenagem às vítimas do Holocausto.
Então, é evidente que, e eu faço
questão de sempre reiterar que São Paulo escolheu o lado certo da história. E
como foi dito aqui, muito bem, pela senhora Parnes, não há nesse conflito,
nunca houve equivalência moral. A gente está falando de uma democracia
consolidada, que defende as liberdades contra um grupo terrorista, que fique
claro isso. Então, não é sobre escolher lado, porque nem há que se escolher
lado. Então, eu queria reiterar isso.
Mas o dia de hoje, foi dito aqui
também, aproveito para além de reiterar, é um dia para, além de reiterar o
posicionamento de São Paulo, para repudiar a instrumentalização da vida humana,
assim como para repudiar o sequestro e morte de civis inocentes. Ela serve
também para a gente manifestar a nossa solidariedade e apoio aos familiares e
às vítimas do atentado de outubro de 2023.
E também, por fim, não menos importante,
para celebrar a vida, de novo, vitória da civilização contra a barbárie. Ainda
que semana passada o último corpo tenha sido devolvido, a gente tem que
celebrar essa vitória. Nós fomos a Israel o ano passado, numa comitiva, de
novo, liderada pelo deputado Danilo Campetti.
E uma das coisas que mais nos marcou, a
mim, marcou pessoalmente, foi a mobilização da sociedade israelense em favor
das vítimas do 7 de Outubro, ali na Praça dos Reféns, no centro que os
familiares montaram. Isso me marcou profundamente.
Eu me lembro de um dos depoimentos do
senhor Itzik Horn, eu lembro que ele tinha até uma descendência argentina, um
filho já havia voltado, e o outro não havia voltado, e aquele depoimento, à
medida que ele ia conversando com a comitiva, todos choravam.
Eu me lembro que um dos filhos havia
voltado e o outro não. Graças a Deus, o outro retornou. E aquilo nos marcou
profundamente, e ele ali chorando disse: “eu não vou desistir, eu acredito, até
que eu receba meu filho vivo ou morto”. Isso nos marcou profundamente.
Por fim, não menos importante, eu
queria agradecer os homenageados hoje, o cônsul-geral Rafael e a Gili. Eu
costumo dizer, Rafael e Gili, que diplomacia é feita de pessoas para pessoas. E
vocês tem feito, desempenhado um trabalho fantástico aqui, um trabalho que
muitos nos orgulha.
Os dois são uma inspiração para mim. E
por fim, eu gostaria de citar uma frase do ex-primeiro-ministro Shimon Peres,
ganhador do Prêmio Nobel, que disse: “o papel da liderança é transformar visões
em realidade”.
E eu acredito que todos nessa sala, de
alguma maneira, contribuem para transformar as ideias em iniciativas, para que
a gente aproxime cada vez mais o Estado de Israel do Brasil e, particularmente,
do estado de São Paulo. “Am Yisrael Chai”.
Muito obrigado. (Palmas.)
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito bem. Fazendo
uma reflexão aqui, Célia, do que você falou, que a sua voz ecoe realmente na
memória, e que as pessoas possam propagar, de fato, o Holocausto e esse
movimento do 7 de Outubro com muita intensidade, para que a gente possa
realmente valorizar, e nunca foi tão valorizado, o ato de voltar para casa.
Deputado Capitão Telhada, por favor.
(Palmas.)
O
SR. CAPITÃO TELHADA - PP - Senhoras e senhores,
boa noite.
TODOS
- Boa noite.
O
SR. CAPITÃO TELHADA - PP - Está ficando tarde,
mas vamos colocar energia, porque essa é uma oportunidade rara, é uma
oportunidade rica de reunirmos e utilizarmos a Assembleia Legislativa de São
Paulo, de utilizarmos a Casa do povo, o maior Parlamento estadual do País e da
América Latina, para darmos visibilidade, enaltecer causa tão nobre.
Estou honrado, presidente Danilo
Campetti, meu irmão deputado estadual, faz um trabalho magnífico aqui, mas de
compartilhar essa Mesa com tão seletas autoridades, viu? Parabéns. Gostaria de
pedir uma salva de palmas ao nosso presidente Danilo Campetti pela iniciativa.
(Palmas.) Bem como ao nosso parceiro deputado Gil Diniz, deputado Oseias de
Madureira, que aqui está conosco e Guto, que teve que sair. Eu quero tentar ser
rápido.
Cumprimento a todas as autoridades, em
nome do cônsul, meu xará, Rafael. Cumprimento a todas as mulheres aqui, faço
questão, que o plenário está repleto de mulheres, da presença feminina. Em nome
da presidente Célia e da vice-cônsul Gili cumprimento a todas as mulheres e
cumprimento aos familiares, em nome do Dr. Eviar. E da nossa nenê, recém-vinda
ao nosso mundo, me corrija, Shachar Noah. Correto? Muito bem-vindos. Aqui é a
Casa da família brasileira, a Casa do cidadão de bem.
Senhoras e senhores, eu quero
concentrar minhas palavras nessa noite, principalmente nessa matéria, porque
hoje aqui é palco de política. A gente briga pela prosperidade do Brasil e pela
prosperidade de São Paulo, mas hoje a gente traz um tema que está acima da
política. Nós trazemos um tema, hoje, que fala de proteger vidas, proteger
famílias. Um direito básico de qualquer povo, assim como o povo judeu.
Os ataques de 7 de Outubro de 2023, que
levaram diversas centenas, milhares de vítimas fatais, e outros que foram
sequestrados, marcaram não só o povo judeu, mas marcaram também a humanidade,
marcaram todo cidadão de bem, que tem o mínimo de empatia nesse planeta. E eu e
essa bancada de deputados tivemos oportunidade de estar lá pessoalmente, em
missão oficial, proporcionada pelo Estado de Israel e pelo Consulado.
E nessa oportunidade, nós vivenciamos
algumas situações que nos marcaram também, pessoalmente, e nos confirmaram que
a nossa posição de defender a soberania e o direito do Estado de Israel em
defender o seu território, defender o seu povo, é o posicionamento correto.
Nós tivemos oportunidade lá, de visitar
kibutzim, de visitar moshav, inclusive o moshav, divisa com a faixa de Gaza,
onde 17 judeus foram assassinados, um casal foi queimado, nós estivemos em
frente a essa residência. Nós estivemos na casa onde um pai faleceu por uma
granada, protegendo seus filhos, como eu faria com os meus filhos, como os
senhores e senhoras fariam aqui. Nós estivemos em um bunker onde uma senhora de
80 anos foi fuzilada, ajoelhada dentro desse bunker.
Nós estivemos presentes no Festival
Nova, onde 364 jovens inocentes foram mortos por covardes, assassinos covardes,
que são os terroristas. E com terrorista não há de termos tolerância. (Palmas.)
Não podemos nunca, nunca passar a mão na cabeça de bandido, na cabeça de
terrorista, assassinos, covardes.
Então, senhores e senhoras, a
comunidade judaica pode ter certeza absoluta que ganharam aqui, dentro dessa
Assembleia, uma bancada, uma frente parlamentar, verdadeiros soldados, que
defenderemos o Estado de Israel, aquele que pertence a um Deus que vive, seja
aonde for, seja nas trincheiras, seja nessa guerra política, seja na guerra de
narrativas que enfrentamos na mídia, que enfrentamos nas redes sociais, tão
maléfica, assim como é a guerra física. Essa guerra que, infelizmente, ela
tenta ocupar espaços nos corações e mentes, mas nós estamos aqui para frear
essa empreitada da esquerda, e aqueles que defendem os terroristas.
Então, senhoras e senhores, para
encerrar minhas palavras, eu gostaria de me lembrar, o primeiro dia que nós
estivemos lá em Tel Aviv, a primeira oportunidade, nós tivemos uma palestra com
um comandante militar veterano do 7 de Outubro.
E ele, na sua explanação, tivemos a
oportunidade de falar com ministros, com prefeitos, com familiares de reféns
que estavam sequestrados à época, mas me marcou muito as palavras desse
comandante, que combateu e esteve liderando a tropa na linha de combate, na
linha de frente, e ele trouxe um conceito que ele colocou, não sei se vou falar
corretamente, mas era chamado de anti-shavir, anti-shavir.
E esse conceito me marcou muito porque
eu também sou militar, eu sou capitão da Polícia Militar. Combati por 19 anos o
crime, o crime organizado aqui em São Paulo, e eu entendo quando ele traz anti-shavir,
que é o sentimento de resiliência, é o sentimento de a cada desafio, e de a
cada nova agressão, a cada dificuldade, o Estado de Israel ficar mais forte,
ficar mais poderoso, com capacidade de se defender, e esse é o espírito desse
povo heroico, desse povo abençoado.
Senhoras e senhores, obrigado por todos
estarem aqui conosco nesta noite, contem com a Assembleia Legislativa, e que
Deus abençoe o povo judeu.
Obrigado, boa noite. (Palmas.)
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito bem, estou
dizendo que isso aqui é uma sala de aula, é uma sala de aula mesmo. Deputado
Oseias de Madureira, por favor.
O
SR. OSEIAS DE MADUREIRA - PSD - Senhoras e senhores,
muito boa noite. Eu quero ser rápido nas minhas palavras, depois de tantos
discursos que enobrecem este momento tão sublime, um momento tão especial. Mas
eu gostaria de cumprimentar a todas as autoridades, todos os convidados, em
especial aos que compõem a Mesa.
Permita-me cumprimentá-lo, na pessoa do
Dr. Sidney Klajner, presidente do Hospital Israelita Albert Einstein;
cumprimentar o presidente da nossa frente parlamentar, que, de forma tão
brilhante, tem conduzido os trabalhos e defendido essa causa tão nobre, querido
amigo, deputado Danilo Campetti; cumprimentar também
meu grande amigo, deputado Gil Diniz, que, ao lado do deputado Campetti nos
promove este momento tão especial. Cumprimentando também meu amigo, deputado,
querido deputado Telhada, que, de forma tão brilhante, me antecedeu.
Esta sessão solene transcende o
protocolo institucional e se afirma como um gesto civilizatório de memória, de
consciência moral e também de defesa da dignidade humana. Ao celebrarmos o
retorno dos reféns sequestrados em 7 de Outubro de 2023, recordamos não apenas
um fato histórico recente, mas uma ruptura brutal ao direito elementar de
existir, sem terror, sem violência e sem sequestro.
Foram 251 vidas arrancadas de suas
rotinas, afetos e projetos, cada uma portadora de um universo próprio de
sentido. Celebrar o seu retorno é restaurar simbolicamente a continuidade da
vida contra a lógica da desumanização, reafirmando que nenhuma causa ou
ideologia pode legitimar o uso do corpo humano como um instrumento de guerra ou
chantagem política.
Registro, ainda, o reconhecimento ao
querido deputado Danilo Campetti e ao deputado Gil
Diniz por trazer essa memória ao centro do Parlamento paulista, bem como
cumprimentar de forma muito honrosa o cônsul-geral de Israel Rafael Erdreich.
Se eu falei errado, por favor, me corrija.
E a vice-cônsul
Gili Vilian, que, de forma tão brilhante, nos fez ter momentos inesquecíveis em
Israel. A presença de vocês, dos senhores nesta Casa, reafirma os laços
civilizatórios fundados na defesa da vida, da liberdade e da democracia.
Que esta sessão
reverbere como um ato público de resistência moral contra a barbárie e de
compromisso inegociável contra a dignidade humana. A Bíblia vai dizer em Salmo
121:4: quem guarda Israel não dormita, nem dorme. Que Deus abençoe Israel.
Muito obrigado.
(Palmas.)
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Deputado Gil Diniz, também autor das homenagens de hoje, por favor.
Samo Tosatti disse que estamos do lado certo, e acho que estamos mesmo.
Todos do mesmo
lado, remando para o mesmo lado e, principalmente, abraçados com o nosso
governador Tarcísio, que nos dá ombro e acalma um pouco as nossas angústias.
O
SR. GIL DINIZ BOLSONARO - PL - Meu “boa noite” a
todos. Confesso ao deputado Danilo Campetti que falar
após o deputado Oseias de Madureira, o deputado Telhadinha, o Rafael Telhada, é
muito, mas muito difícil mesmo. Senhoras e senhores, obrigado pela presença de
cada um de vocês. É uma noite histórica, como já foi dito aqui.
Cumprimentar a
todos, em nome do cônsul Rafael - Rafi, carinhosamente chamado -, da Gili
Vilian, são tantas coisas para falar, para celebrar hoje, mas não tem como
deixar de falar, Beetto, dessa jovialidade, dessa vida que pulsa em Israel,
principalmente no povo judeu.
Está aqui a Shachar
Noah - acertei, Doc? Creio que é a mais nova integrante da comunidade judaica,
pelo menos aqui, nesta noite. A Gili nos dizia, a Gili nos recebeu em sua casa,
aqui em São Paulo, e ela nos explica o nome. “Shachar” significa amanhecer,
alvorada, e Noah é em homenagem a uma soldado de Israel, 19 anos, se eu não me
engano, Gili, que faleceu lutando contra os terroristas do Hamas, defendendo o
povo judeu, defendendo o povo de Israel.
Quando nós
vemos a Shachar Noah aqui, na Assembleia Legislativa, nós nos comprometemos
ainda mais a lutar, a defender o povo judeu aqui em São Paulo, em todo o
Brasil, e nos unirmos às comunidades de Israel pelo mundo.
Nós tivemos, Dr. Ricardo, a
oportunidade de estar em Jerusalém, estar em Tel Aviv, e uma das cenas mais
marcantes que eu guardo no coração foi ao lado do seu filho, Bruno, que está
aqui. Era véspera do Ano Novo Judaico e o Bruno me acompanhou nas orações, no
muro oeste. Chamam de Muro das Lamentações. Tive a oportunidade de estar ali,
vendo aquele povo clamando ao nosso Deus pela volta de todos os reféns. Então
não tem como deixar de celebrar esta noite para o Rafi, para a Gili.
Dando parabéns, Campetti, V. Exa. que
bem escolheu esta data. Nós não imaginávamos que justamente nesta data o último
refém estaria de volta à casa, estaria de volta a Israel. Eu dizia que uma das
minhas orações ali no muro era justamente isso, que Deus os trouxesse, que as
famílias pudessem dignamente sepultá-los. E Deus nos atendeu nessa prece, nessa
oração.
Falo mais uma experiência, Bruno,
marcante para todos nós: o Shabat na casa da Gili.
Que coisa maravilhosa, nunca tinha participado de um Shabat, e vendo ali aquela
família de judeus reunidos, o pai, a mãe da Gili,
todos reunidos em volta da mesa, rezando, fazendo as suas orações, falando das
suas histórias, que coisa maravilhosa. Nós precisamos resgatar aqui no Brasil,
nós precisamos usar de exemplo para trazer as nossas famílias.
Eu fico muito feliz e à vontade. Eu sou
cristão, eu sou católico, e ali em Israel eu pude visitar a Gili, o Santo Sepulcro, eu pude adorar o meu Deus, o
nosso Deus, porque eu estava em Israel, protegido pelos soldados de Israel,
esses homens e mulheres, heróis, que dão a sua vida pelo seu povo, que dão a
sua vida por um outro povo que eles não conhecem, porque os soldados judeus
estão na primeira trincheira contra a barbárie, eles estão lá, lutando por
todos nós aqui, por que não?
Então hoje é um dia de celebração, de
lembrar as vítimas desse atentado cruel, desse atentado terrorista. E digo a
vocês aqui, o combate, deputado Telhada, é constante, porque os inimigos de
Israel têm amigos aqui neste Parlamento, infelizmente. Se Israel hoje tem uma
bancada de deputados estaduais que os defende, há a bancada aqui dos amigos do
Hamas, e não se enganem, não são amigos da Palestina.
Há deputados que vêm aqui neste
plenário dizendo “liberdade ao povo da Palestina, do rio ao mar”. Nós sabemos o
que eles querem dizer com isso e nós combatemos esse discurso.
Para finalizar, dia 27 agora, foi o Dia
Internacional do Combate ao Antissemitismo, e nós verdadeiramente tentamos
lutar contra esses antissemitas, que se travestem entre antissionistas, porque
ainda têm vergonha de falar o que realmente querem, então é uma alegria para
mim estar ao lado dos senhores, estar ao lado de Israel, estar do lado certo da
história.
Há um provérbio muito dito lá em
Israel, quando nós fomos, me corrijam aqui, não sou tão bom assim de memória,
que quem salva uma vida, salva o mundo. E eu me lembro aqui que foram vocês,
amigos judeus, no Hospital Albert Einstein, que salvaram a vida do presidente
Bolsonaro, que o receberam ali, naquele momento de vida ou morte, e fizeram de
tudo para salvá-lo.
Eu me lembro daquela noite, em setembro
de 2018: estava com ele lá em Juiz de Fora e fazia as minhas orações ali ao
Senhor, para que ele restabelecesse a saúde do presidente Bolsonaro. E que
alegria foi quando eu soube que ele iria para o Albert Einstein, porque eu
sabia que ali ele seria bem atendido.
Presidente Bolsonaro é como um pai para
mim. Seus filhos Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, que estavam lá em
Israel, inclusive denunciando as arbitrariedades do governo federal
antissemita, um governo que ataca Israel sempre que pode. E a comunidade nos
ajudou nisso.
Então, eu sou eternamente grato pelos
que estão nessa primeira trincheira contra a barbárie e com toda a comunidade
que está aqui em São Paulo e que utilizou todos os seus recursos para salvar
essa vida, para salvar este grande amigo. Mais uma vez, parabéns, deputado
Danilo Campetti.
Parabéns aqui a todos os amigos
deputados que defendem o povo de Israel, que defendem o povo judeu e que não se
furtam, Benjamin Back, a dizer que Israel é uma democracia no meio de vários
países que são ditaduras; que não se furtam a fazer a discussão neste plenário,
nas comissões; que não se furtam a homenagear o povo judeu nestes que são os
representantes oficiais do Estado de Israel aqui em São Paulo.
Então, essa celebração, essa homenagem
é para cada um de vocês aqui, é para cada judeu que não se curva ao
antissemitismo, que não se curva à barbárie do Hamas e de seus aliados.
Parabéns, Rafi, parabéns, Gili.
Muito obrigado pela amizade. Vocês e
suas famílias estão nas nossas orações. E vocês aqui têm não só uma bancada
parlamentar, uma frente parlamentar, mas vocês têm uma bancada de amigos de
Israel, de amigos do povo judeu.
Muito obrigado. (Palmas.)
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito bem. Convido
aqui meu amigo, companheiro, Benjamin Back. Vem cá, Benja, fazer uma análise da
Supercopa do Rei aqui.
O
SR. BENJAMIN BACK - Boa noite a todos. Eu
não vou falar de futebol, porque hoje eu estou muito feliz, então não vou
falar. Mas eu queria agradecer demais ao deputado Danilo Campetti, agradecer
demais a todos vocês deputados. Vocês não sabem o quão gratificante é para o
povo judeu, principalmente aqui no Brasil, que tem sofrido coisas que nós
jamais imaginaríamos que fôssemos sofrer...
Meu pai - eu canso de falar - era
fugitivo do campo, era alemão, de Berlim. Eu carrego com ele aqui o passaporte,
eu tenho aqui no meu celular, com uma suástica, com o “J” de “juden”, com o
carimbo de “cancelado”.
E toda vez que eu sofro algum ataque
antissemita, quando eu vejo qualquer coisa, eu faço questão de olhar para o
passaporte. E lembro do meu pai, porque eu falei que se o meu pai estivesse
aqui, acho que ele gostaria que eu me manifestasse.
Eu trabalho na mídia, eu trabalho com
futebol. E na minha vida eu nunca tinha sofrido antissemitismo até o dia 7 de
Outubro de 2023, e de lá para cá são raros os dias em que eu não recebo ameaças
antissemitas, ofensas. E uma perseguição assim, cruel e desleal. Então, eu
agradeço do coração, viu deputado Danilo Campetti, a vocês todos, porque hoje,
infelizmente, os valores estão invertidos, totalmente invertidos.
Então, vocês deputados, que estão aqui
publicamente, se expondo em prol da nossa comunidade, vocês também,
provavelmente, devem sofrer muito preconceito, muitos ataques. Então, eu me vi
aqui na obrigação de vir te prestigiar, de ficar feliz em saber que temos
políticos, temos deputados que estão realmente do lado certo, que estão nos
defendendo.
Vocês foram visitar Israel, vocês viram
como é que funciona. É um país democrático. Quando as pessoas falam que Israel
tem um apartheid, isso é de uma ignorância ou de uma maldade incrível. Vocês
andaram em Israel, as placas são em inglês, hebraico, árabe.
Os árabes em Israel vivem da melhor
maneira possível. Então, eu não vou me alongar, só queria, realmente, agradecer
demais, do fundo do coração, porque se meu pai estivesse vivo...
Meu pai fugiu da Alemanha, não pôde vir
ao Brasil, porque pegou o governo Getúlio Vargas; meu pai foi morar na Bolívia,
durante muitos anos em La Paz, só depois conseguiu vir ao Brasil. E acho que,
se meu pai estivesse vivo, realmente ele não ia acreditar no que ele está vendo
e ouvindo.
E eu... Você sabe, né deputado, que eu
sou um cara muito sincero. Eu andava muito desacreditado com a nossa classe
política. E, vendo vocês, eu me animo de novo. E fico aqui, sempre à
disposição, de coração aberto a vocês todos, que o que precisarem de mim, eu
estou à inteira disposição.
Torço muito pelo nosso governador
Tarcísio. Espero que ele vá mais longe, porque ele tem meu total apoio. Então,
eu queria agradecer do fundo do coração a todos vocês. Deputado, sem palavras.
A todos vocês deputados: muito obrigado. (Expressão em língua estrangeira.)
(Palmas.) Eu estava brincando com o Beetto Saad, que é meu amigo. Eu falei:
“daqui a pouco, ele vai virar judeu - Beetto Sadenberg”.
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Já virei. Por que não?
Você sabe, Benja, que eu fui convidado para ser diretor do Sindi Clubes, que
reúne os clubes de São Paulo, pelo Nabhan, presidente. E, na cerimônia de
lançamento, a minha primeira medida, eu disse lá no meu discurso inicial, foi
fazer um fair-play entre a Hebraica, o Clube Sírio e o Monte Líbano, e juntar
as comunidades todas.
E vai ser o meu primeiro ato como
diretor, para juntar e mostrar, realmente, como é saudável a gente poder estar
num clube social e, principalmente, nas comunidades. Vai ser muito legal levar
os meus primos lá na Hebraica para a gente poder comer aquelas comidas
deliciosas. Muito bem... A comida do Monte Líbano é melhor? Também gosto.
Bom, agora nós vamos assistir a mais um
vídeo com falas dos demais deputados que compõem esta Frente Parlamentar em
Defesa da União Brasil-Israel e suas Soberanias.
*
* *
- É exibido o vídeo.
*
* *
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Então vamos dar
início aqui à outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo a Rafael Erdreich
e a Gili Vilian, cônsul e vice-cônsul-geral de Israel em São Paulo.
O Colar de Honra ao Mérito Legislativo
é a mais alta honraria conferida pela Assembleia Legislativa do Estado de São
Paulo. Foi criado em 2015 e é concebido a pessoas naturais ou jurídicas,
brasileiras ou estrangeiras, civis ou militares que tenham atuado de maneira a
contribuir para o desenvolvimento social, cultural e econômico do nosso Estado
como forma de prestar-lhes pública e solenemente uma justa homenagem.
Esta sessão solene homenageia com a
outorga de Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo o cônsul-geral
de Israel em São Paulo, Rafael Erdreich, e a vice-cônsul-geral de Israel em São
Paulo, Gili Vilian.
Gili Vilian é vice-cônsul-geral de
Israel em São Paulo desde 2024, em sua primeira missão no Brasil... Ela é
formada em Serviço Social e Direito, e atua no fortalecimento do diálogo e direito
institucional na promoção dos valores democráticos da sociedade israelense.
Vou convidar então, o deputado já está
aqui à frente, os membros da Mesa Diretora. Por favor, todos aqui juntamente
com a homenageada para a outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo do
Estado de São Paulo. Convoco todos para que estejam aqui à frente. Os
deputados, Campetti e Gil Diniz, outorgam o Colar de Honra ao Mérito
Legislativo do Estado de São Paulo à homenageada Gili Vilian.
*
* *
- É feita a outorga do Colar de
Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo.
*
* *
Eu vou pedir também as autoridades que
permaneçam aí à frente para a outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo
do Estado de São Paulo a Rafael
Erdreich, nosso cônsul de Israel.
Ah, está entregando o do cônsul.
Uma salva de palmas ao nosso cônsul,
que é cônsul-geral de Israel em São Paulo desde 2021, diplomata de carreira há
cerca de 30 anos. Atuou em missões na Europa, América Latina e Jerusalém, e no
Brasil destaca-se pelo fortalecimento do diálogo institucional e das pautas
humanitárias. (Palmas.)
*
* *
- É feita a outorga do Colar de
Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo.
*
* *
Eu vou pedir as autoridades que
retornem aos seus lugares, por favor, e vou passar a palavra então a
homenageada, nossa Gili Vilian. A Gili vai proferir o seu discurso em inglês e
depois eu vou traduzir o discurso.
A
SRA. GILI VILIAN - (Pronunciamento em língua
estrangeira.)
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito bem. “Gostaria
de agradecer a todos por esta grande honra, significa muito para mim, tanto
pessoalmente, como representante do Estado de Israel. Gostaria de agradecer aos
deputados Danilo e Gil pela organização do evento especial desta noite que
acontece em um momento muito significativo a todos nós com o retorno de Ran
Gvili, o último refém, para casa, e a esperança de que esse período difícil
chegue ao fim.
Costumo dizer que a relação entre
Brasil e Israel vai além dos laços institucionais e estratégicos, por mais
importantes que sejam, ela atinge um nível mais profundo, algo como uma família
dentro da comunidade das nações.
Hoje celebramos o ‘Tu Bishvat’, um
feriado judaico conhecido como o ano novo das árvores: simboliza fé em
processos lentos e constantes mesmo quando os resultados não são imediatamente
visíveis, assim como uma árvore.
A verdadeira força vem de raízes
profundas, paciência e compromisso a longo prazo. Valores compartilhados por
nossas nações enquanto crescemos, investimos e construímos juntos para um
futuro sólido.
Um ótimo exemplo disso foi quando eu -
você - tive a oportunidade de acompanhar membros da frente parlamentar a
Israel. Lá pude ver claramente como esses laços são fortes, verdadeiros e
genuínos. Espero dar continuidade a esta conexão calorosa e especial. Mais uma
vez, muito obrigada a todos”. Thank you very much. Uma salva de palmas para a
nossa Gili Vilian. (Palmas.)
Muito bem, chegou a sua vez, Sr.
Cônsul.
Por favor, venha cá. Uma salva de
palmas para o nosso Rafael Erdreich.
Sempre um prazer
revê-lo. (Palmas.)
O
SR. RAFAEL ERDREICH - Senhoras e senhores,
boa noite. É uma honra muito grande, não só para mim, mas também para a nossa
vice-cônsul-geral Gili, receber essa honraria tão importante.
A medalha é acima de tudo um símbolo do
trabalho, parceria e amizade entre o estado de Israel e o estado de São Paulo.
É fruto de inúmeros projetos que visam o desenvolvimento social, cultural e
econômico do Estado que é a maior economia do Brasil.
Gostaria de cumprimentar e saudar todas
as autoridades presentes na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, os
deputados Danilo Campetti e Gil Diniz, que viabilizaram esse evento, as
lideranças das comunidades judaica de São Paulo, e também todas as demais
autoridades aqui presentes também, membros da sociedade civil.
Cumprimento a Frente Parlamentar Brasil
Israel e seus membros aqui representados, e agradeço por toda a cooperação,
trabalho em conjunto e amizade que desenvolvemos ao longo desse período. Vocês
são todos grandes amigos do estado de Israel e do povo judeu.
Hoje é uma data especial, onde
lembramos dos reféns que foram brutalmente levados de suas casas e
sequestrados, passando pelas mais diversas crueldades durante o seu cativeiro.
O ataque terrorista no dia 7 de Outubro de 2023, foi um crime, não só contra o estado
de Israel e de seus cidadãos, mas também contra todos aqueles que acreditam em
um futuro onde a paz é o principal objetivo.
No último dia 26, depois de 841 dias
que os terroristas, na Faixa de Gaza atacaram Israel, o último refém que foi
levado no dia 7 de Outubro retornou para Israel, Ran Gvili, que foi morto
lutando contra os terroristas, se apossando das vidas de pessoas inocentes
durante o ataque, teve os seus restos mortais levados para dentro de Gaza.
Da mesma maneira que Israel não se
cansou de buscar seus reféns, com ou sem vida, e trazer eles para casa. Não nos
cansamos até que o corpo de Ran Gvili voltasse para Israel e sua família tivesse
a chance de enterrar de maneira digna.
Esse ataque terrorista não foi um
acontecimento isolado, mas sim um primeiro disparo em uma guerra onde forças
atacariam o estado de Israel em sete frentes ao mesmo tempo. Esse ataque
simultâneo era a estratégia do Círculo de Fogo do Irã para destruir
Israel.
A estratégia foi se manter na mesma,
radicalizar, financiar e armar grupos terroristas em quase todo o Oriente Médio,
a fim de desestabilizar a região e a vida de todos que vivem ali.
Israel combateu todos os inimigos
mostrando que por mais que grupos terroristas tentassem testar a nossa
convicção e nos destruir, somos um povo resiliente e forte. Porém a guerra
ainda não acabou. O Irã, que hoje tenta reprimir sua própria população,
atirando e matando pessoas que protestam por uma vida mais livre e melhores
condições, mostra sua verdadeira face.
A face de um regime que não tem a
dignidade da própria população e que da mesma forma que exporta terror e o
violência para o Oriente Médio, usa as mesmas armas para matar suas próprias
pessoas. Isso sim, senhoras e senhores, é um genocídio de verdade.
Mas sabemos que regimes que dependem da
repressão e violência para conter suas próprias pessoas, tendem a ter os dias
contados. Porém, não podemos nos deixar ser engolidos por esse regime
teocrático e nem pela visão de mundo que eles querem impor nos outros. Antes
mesmo de sua independência, o estado de Israel sempre buscou esforços pela paz.
A paz não se constrói pela passividade, mas sim pela força aliada a
resiliência.
Uma maneira que os inimigos de Israel
encontraram são os ataques a legitimidade do estado de Israel e seu direito de
existir entre a comunidade das nações. Essa luta é o que chamamos em Israel do
oitavo front, ou seja, o combate a desinformação é a guerra das narrativas.
Durante as últimas três décadas
enfrentamos constantemente uma guerra de narrativas, não só contra o estado de
Israel, mas também contra o povo judeu ao redor do mundo. Essa campanha de
desinformação orquestrada por regimes totalitários ao redor do mundo é patrocinada
por países como o Catar, que investiram ao longo deste tempo um trilhão de
dólares.
Essas manobras focaram em deslegitimar
o estado de Israel, além de fazer lobby contra o povo judeu e o mundo ocidental
em geral, através de financiamento em universidades, mídias, ONGs e várias
outras ferramentas desse aparato de mentiras e desinformação.
Isso são mentiras que são
deliberadamente contadas várias vezes, a fim de convocar as pessoas de que
aquela mentira é uma verdade. Vimos isso como um dos métodos que o governo
nazista usou para disseminar o antissemitismo na cabeça de sua população e hoje
vemos o mesmo fenômeno.
A desinformação na era de informação
digital que vivemos não é somente uma mentira compartilhada; essas mentiras tem
um efeito terrível no mundo real. Vemos esse efeito em ameaças às comunidades
judaicas pelo mundo, como o ataque em Sidney no final do ano passado, onde um
pai e um filho, cegos pelo ódio e alimentados pela desinformação, atacaram, no
feriado de Chanucá, a Festa das Luzes, um símbolo de esperança milenar para o
povo judeu, pessoas indefesas e mataram em nome do ódio.
Todos os aqui presentes, peço que
escutem, peço que possamos deixar o ódio de lado, é aquilo que não se paga e
focaremos em (Inaudível.) e prosperidade para que sempre possamos ter uma vida
em paz e em segurança, para que o ódio não se espalhe. Assim poderemos cada vez
mais focarmos em um futuro comum, onde todos possam viver livremente e não
ficaremos reféns do terrorismo ou das forças do mal que tentam nos destruir. O
povo de Israel livre. “Am Ysrael Chai”.
Mais uma vez, agradeço a todos aqui
presentes por essa solenidade, as autoridades e os membros da Frente Parlamentar
Brasil e Israel, que todos possamos viver em paz.
Muito obrigado, boa noite. (Palmas.)
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito bem, que as
suas palavras reverberem muito, cônsul. Que o terror tenha os dias contados, se
Deus quiser. Deputado Campetti, por favor, faça aqui uso desta tribuna para
poder se dirigir a todos.
O
SR. PRESIDENTE - DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS -
Quero reiterar os agradecimentos, reiterar as boas-vindas, enfatizar que esta
Casa do povo, esta Casa de Leis é também a casa da comunidade judaica, vocês
são sempre muito bem-vindos na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
Reiterar o cumprimento a todas as autoridades, aos meus colegas, não vou me
estender, porque já o fiz no começo.
Em fevereiro do ano passado nos
reunimos nesta Casa para o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da União
entre Brasil e Israel. Em setembro, eu ao lado de outros colegas, viajamos a
Israel em busca de melhor compreender a realidade da população israelense e
também de estreitar laços entre comunidades.
Essa viagem durou poucos dias, mas
foram dias suficientes para nunca mais sair da minha memória. A cultura,
conversas com civis, a ida até a Faixa de Gaza, tudo o que vi e vivi reforçou a
ideia que eu já tinha do quão resistente e resiliente é o povo judeu. Apesar de
toda essa força, Israel atravessou um dos momentos mais sombrios da história
recente da humanidade. Meu amigo Marcelo Suano, obrigado pela presença.
O ataque brutal ocorrido em 7 de
Outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 israelenses e sequestrou outros 251,
não foi apenas uma agressão armada contra Israel, foi também uma ação calculada
para distorcer a percepção pública internacional.
O Hamas não atuou apenas por meio de
uma invasão armada chocante, atuou também com uma estratégia deliberada de
manipulação da opinião pública global. Sabia desde o início que a reação de
Israel, em legítima defesa, seria rapidamente rotulada. Em muitos ambientes ela
foi rotulada como excessiva desproporcional.
A partir disso construiu-se uma
narrativa perversa de inversão de responsabilidades, transformando o agressor
em vítima e o atacado em vilão. Esse ataque não foi suficiente, não foi somente
contra a integridade física de um povo, mas contra o seu direito de existir, de
se proteger e de garantir a segurança de sua população, Benjamin.
Tanta verdade que as consequências
dessa manipulação já são visíveis e profundamente preocupantes. Desde o
atentado o mundo assiste a uma escalada de discurso de ódio. Há perseguição do
povo judeu em diferentes países e a relativização explícita do terrorismo.
O antissemitismo, que nunca foi
totalmente erradicado, reaparece agora com a intensidade preocupante. Dados da
Liga Antidifamação dos Estados Unidos apontam um aumento de 400% nos incidentes
antissemitas logo após os ataques de outubro.
Esse padrão se repete em escala global.
Relatórios da Organização Sionista Mundial e da Agência Judaica para Israel
indicam que o antissemitismo cresceu 340% entre 2022 e 2024.
Esses números deixam claro que o
objetivo do ataque não era apenas espalhar medo e causar mortes em Israel, mas
corroer a imagem do povo judeu e estimular o ódio ao redor do mundo. É nesse
contexto que decisões ruins ganham um peso ainda maior.
E cito, infelizmente, como exemplo, o
que o governo Lula fez em julho de 2025, quando retirou o Brasil da Aliança
Internacional para a Memória do Holocausto, um pacto internacional voltado ao
combate ao antissemitismo e à preservação da memória histórica, adotada pelo
próprio Brasil em 2021 e já incorporado por 12 estados brasileiros, entre eles:
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás,
Amazonas, Rondônia, Mato Grosso, Distrito Federal e o nosso querido estado de
São Paulo através do governador Tarcísio.
Hoje, é possível reconhecer um avanço
com o acordo de paz que encerrou o cativeiro de todos os reféns judeus... Luiz,
que você muito bem colocou, aqui, um discurso preciso.
Uma bênção de Deus essa data escolhida,
propósito divino. Encerrou o cativeiro de todos os reféns judeus sequestrados
pelo Hamas, tanto aqueles 168 que retornaram com vida às suas famílias, quanto
os 85 que, infelizmente, tragicamente, não sobreviveram.
Também vale lembrar que, pela primeira
vez desde os ataques de 7 de Outubro, o Hamas não mantém nenhum judeu em
cárcere, um fato de enorme significado histórico e humanitário. Ainda assim,
esse momento de alívio não apaga a dor, nem diminui a responsabilidade de
manter viva a memória daqueles que não retornaram.
O verdadeiro desafio é manter o
compromisso com o bem, quando o tempo passa e as manchetes mudam. É neste ponto
que se revela o caráter de uma sociedade: na capacidade de transformar dor em
compromisso com a vida, com a verdade e com a justiça.
Aqui, hoje, deixo registrada a minha
total solidariedade às famílias que perderam os seus entes queridos. Aqui há e
sempre haverá uma voz... Várias vozes que defenderão Israel onde for
necessário, levando adiante uma mensagem clara de apoio e solidariedade, como as
senhoras e senhores puderam ver em uma pequena mostra dos nossos parlamentares,
aqui representados pelo deputado Gil Diniz, pelo deputado Capitão Telhada e por
mim, do que nós atuamos aqui nesta tribuna.
Desejo que esta solidariedade seja mais
do que uma homenagem: que ela se torne um marco de responsabilidade moral, que
a memória das vítimas seja uma bênção e permaneçam vivas inspirando em cada um
de nós a coragem de fazer o que é certo, mesmo quando o mundo parece caminhar
em outra direção.
E aqui eu abro um adendo e quero
enaltecer um discurso brilhante seu, Célia, em que você diz que o Holocausto
ocorreu em razão da indiferença de pessoas que deixaram que acontecesse esse,
que foi o evento mais trágico e mais desumano da história da humanidade.
Nós aqui não nos omitiremos. Nós aqui
não deixaremos que memórias sejam subvertidas ou apagadas, Sarita. Estivemos em
comitiva no estado de Israel, estivemos em Jerusalém no Museu do Holocausto.
Foram seis milhões de vidas de judeus que foram aniquiladas.
Mas tem uma parte no museu que me
chocou muito, que é aquela parte onde um milhão de crianças são retratadas, e
os nomes vão passando a todo momento. Um milhão de crianças. Um milhão de
crianças. Como via a nossa querida Shachar Noah,
que está aí, vê a vida agora. Essas crianças foram mortas, aniquiladas.
Meu Deus do céu, que cidade doente. Que
sociedade doente nós vivemos hoje, que esquece, que nega o que aconteceu. Aqui,
meu irmão Samo, nós não deixaremos que nenhuma voz antissemita se levante nesta
tribuna aqui. Não vai se levantar sem ter uma resposta condizente e à altura,
contestando. (Palmas.)
Nós tivemos um fato, um acontecimento,
Beetto, nefasto, em uma entidade aqui em São Paulo, que representa uma classe
nobre, que é a classe dos professores. Essa entidade deveria se envergonhar de
celebrar um evento nojento que saudava o Hamas pelo que o Hamas tinha feito.
Todos vão responder, porque nós
representamos. Nós representamos ao Ministério Público. Nós representamos a
todos os órgãos institucionais do estado de São Paulo, e todos vão ser
responsabilizados porque cometeram um crime, porque não poderiam impor a
suástica, porque não poderiam falar o que falaram, não poderiam usar um órgão
que representa uma classe tão necessária à nossa sobrevivência, que é a classe
dos professores, e que se dispôs a fazer esse papel nojento, nefasto.
Mas aqui nós vamos atuar não só na
tribuna, mas nós vamos atuar concretamente para rebater, para combater esses
ataques, esses crimes. E vocês podem ter certeza: da nossa parte aqui, São
Paulo será um lugar onde haverá coexistência, onde vocês, comunidade judaica,
vão viver em paz, e vocês vão ter segurança e vão ter paz. Fica aqui o nosso
compromisso. E quero dizer, Luiz, da volta - você muito bem falou -do último
refém, do Ran Gvili, que foi resgatado.
Eu e o Capitão Telhada somos de grupos
especiais, somos policiais. O Gil foi policial também. Nós sabemos o que é na
hora do perigo todos correrem para um lado e a gente ir ao encontro ao perigo.
Todos nós já passamos por isso.
Então nós temos que saudar mesmo a
memória dele. E você, Luiz, fez referência a uma das pessoas que esteve nesta
terra há mais de 3.400? 3.600 anos. Foi José do Egito. A história dele é
fantástica. É a história que eu mais me emociono. Lógico que depois da de Jesus
Cristo. Nós somos cristãos.
Mas o José saiu de prisioneiro para ser
governador do Egito. Ele trouxe prosperidade a um reino onde o faraó não sabia
o que fazer. Ele desvendou os sonhos do faraó, e desvendando esses sonhos por,
lógico, providência divina, ele trouxe prosperidade em um país. Tanto que a sua
primogenitude foi passada aos seus filhos, Manassés e Efraim, que são os nomes
de duas tribos de Israel. Mas não é esse o ponto que eu quero tocar.
O meu ponto é o seguinte: mesmo depois
disso tudo, o povo de Deus foi novamente escravizado por aqueles aos quais eles
trouxeram prosperidade. Então a história nos conta que nós não podemos de forma
alguma perder a nossa memória. Nós não podemos, como você muito bem disse,
Célia, sermos indiferentes, sermos omissos. E aqui nós não seremos.
Eu agradeço a presença de todos.
Agradeço por essa abençoada sessão. Agradeço aos nossos queridos sobreviventes.
Muito obrigado. A presença de vocês é uma bênção a esta Assembleia, ao povo de
São Paulo, aos mais de 46 milhões de brasileiros que nós representamos aqui.
Sejam muito, sempre muito bem-vindos. Que Deus abençoe o Brasil, que Deus
abençoe Israel.
“Am Ysrael Chai”. (Palmas.)
O
SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Fique aqui. Fique
aqui comigo. Bom, eu quero finalizar. Agradecer mais uma vez a você, Campetti,
pelo carinho, ao Luiz, enfim, aos deputados todos. Dizer que, como filho de
libanês, eu me sinto também já um judeu, absolutamente abençoado por uma
comunidade maravilhosa.
E dentro desta noite reflexiva, que para
mim é uma das mais importantes da minha vida, confesso a vocês que atingi um
grau de reflexão que jamais imaginei que pudesse chegar em um nível tão
elevado.
Queria lembrar o Rafa Zimerman, que
esteve aqui na frente parlamentar e que emocionou a todos quando se fingiu de
morto vendo as barbáries acontecidas. Então fica aqui a minha saudação a esse
bebê maravilhoso na figura do Rafa Zimerman, um herói.
E, deputado, só para concluir, eu nunca
imaginei valorizar tanto a volta para casa e uma mochila. Eu nunca imaginei que
uma mochila pudesse ser tão valorizada por mim. Obrigado, deputado. Boa noite a
todos.
Muito obrigado. (Palmas.)
O
SR. PRESIDENTE - DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS -
Obrigado, Beetto. Obrigado. Agradecer com excelência o Beetto. Eu preciso fazer
um final regimental.
Antes, porém, não posso deixar de
agradecer a presença de todos. Luiz, leve o nosso abraço ao Dr. Claudio
Lottenberg, Marcos, todos os que estão, que compuseram as mesas.
Quero agradecer a todos os que tornaram
possível este momento, cada servidor. E agradeço à minha equipe, aos servidores
da Casa, cada autoridade presente e sobretudo a cada cidadão que prestigiou
este momento pela Rede Alesp.
Declaro encerrada a presente sessão.
(Palmas.)
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- Encerra-se
a sessão às 22 horas e 57 minutos.
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