
26 DE JUNHO DE 2026
88ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: CARLOS GIANNAZI e EDUARDO SUPLICY
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h01min.
2 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência.
4 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
5 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
6 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
7 - EDUARDO SUPLICY
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
8 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Defere o pedido. Clama pelo trâmite do PL 1034/24, na Câmara dos Deputados. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 30/06, à hora regimental, com Ordem do Dia. Levanta a sessão às 14h39min.
*
* *
ÍNTEGRA
*
* *
-
Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Carlos Giannazi.
* * *
-
Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
* * *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Presente o
número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus,
iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da
sessão anterior e recebe o expediente.
Dando início à lista de oradores
inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra, o deputado Dr. Jorge do Carmo.
(Pausa.) Com a palavra, o deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Com a
palavra, o deputado Delegado Olim. (Pausa.) Com a palavra, o deputado Bruno
Zambelli. (Pausa.)
Com a palavra, o deputado Reis, que
fará uso regimental da tribuna. Deputado Reis.
O
SR. REIS - PT -
Hoje eu consegui ser o primeiro. Cumprimentar aí em cima, cumprimentar o
deputado Carlos Giannazi, também cumprimentar o deputado Suplicy, os
funcionários desta Casa, os integrantes da Polícia Civil, da Polícia Militar,
da Polícia Penal, da Polícia Técnico-Científica. Cumprimentar também todos os
profissionais da Educação e todos aqueles que estão em suas residências e nos
acompanham pela Rede Alesp.
* * *
- Assume a Presidência
o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
Presidente
Carlos Giannazi... Presidente Suplicy, eu quero falar um pouco sobre essa
crise, essa grande crise que envolve a família Bolsonaro. Uma crise sem
precedentes, em que a esposa do Bolsonaro, a Michelle Bolsonaro, fez vários
vídeos. Estão publicados, os seus vídeos, nas redes sociais, na rede mundial de
computadores, a internet.
Ela acusa o
candidato a presidente da República pelo PL, pelo Partido Liberal, o partido do
Valdemar Costa Neto, como tendo sido humilhada, maltratada. Ela diz que ela foi
humilhada e maltratada pelo Flávio Bolsonaro. E a crise envolve o Ciro Gomes,
lá no Ceará.
Porque o
bolsonarismo está fazendo uma coligação velada com o Ciro Gomes, e o Ciro Gomes
foi um dos que chamou o Bolsonaro de ladrão, de bandido. Isso está gravado nas
redes sociais. Está gravado no Instagram, no Facebook, o Ciro Gomes
esculhambando o Bolsonaro.
Eu não sei se
V. Exas. já viram essas matérias, esses “posts”, não é, que fala? Essas
matérias, do Ciro Gomes esculhambando o Bolsonaro, falando que ele é ladrão.
Ele fala literalmente: “O Bolsonaro é um ladrão. É um bandido”. Ele fala desse
jeito, literalmente. Abre aspas. Fala do Ciro Gomes.
E obviamente
que a esposa do Bolsonaro, a Michelle Bolsonaro, não compactuou com essa
lógica, com essas injúrias, difamações, calúnias, ilações feitas pelo Ciro
Gomes ao seu amado. Agora, nesse processo eleitoral, vem essa aproximação do PL
com o Ciro Gomes, claro, buscando derrotar o PT lá no Ceará. Não vão conseguir,
não vão conseguir.
Então, por ela
não concordar, ela diz que está sendo cancelada nesse processo todo e por isso
que faz essas reclamações. Ela fez esses vídeos dizendo que foi humilhada,
maltratada pelo Flávio Bolsonaro.
“A crise
envolve divergências dentro do PL sobre articulação do partido no Ceará, onde
aliados discutem uma aproximação com o ex-governador Ciro Gomes, agora PSDB.
Michelle criticou a possibilidade de aliança com o Ciro. Depois da repercussão,
Flávio reagiu publicamente, e a ex-primeira-dama afirmou que o senador havia
sido ríspido com ela em uma conversa por telefone.
No vídeo,
Valdemar da Costa Neto também demonstrou preocupação com o impacto eleitoral da
crise dentro do próprio bolsonarismo. Segundo ele, Flávio está ‘com a eleição
quase empatada com o Lula’”.
Claro que não,
o Flávio não vai ganhar nunca essa eleição. “E o partido precisa resolver o
atrito para não começar a disputa prejudicado. Após expor o atrito com Flávio,
Michelle voltou às redes sociais e disse que ‘não há briga nem competição’
entre aliados.” Ela afirmou que quis apenas esclarecer uma situação.
Então o
Valdemar está atuando aí, está trabalhando como um bombeiro, está tentando
apagar o incêndio, porque esses vídeos da Michelle Bolsonaro detonam, destroem,
desmontam o candidato Flávio Bolsonaro, principalmente no eleitorado feminino,
principalmente no eleitorado feminino. Um candidato misógino, um candidato
machista, um candidato que humilha as mulheres, e a humilhação ela fala nesse
vídeo, que maltrata.
Isso para
deixar registrado aqui, para que fique registrado aqui na Assembleia
Legislativa também, neste Pequeno Expediente, essa repercussão desses vídeos da
esposa do Bolsonaro com relação ao pré-candidato, o seu filho.
E, presidente
Suplicy, deixar registrado que ontem ficou determinado, ficou acertado que o
nosso pré-candidato a vice-governador será o Márcio França. Fiquei muito
contente com a chapa que está sendo construída, com o nosso pré-candidato a
governador Fernando Haddad e, agora, o pré-candidato a vice-governador Márcio
França, juntamente com as nossas pré-candidatas ao Senado, Simone Tebet e
Marina Silva.
E eu não tenho
dúvida de que é uma chapa muito forte. É uma chapa muito forte que está se
consolidado e vai, com certeza, ajudar muito na derrota do bolsonarismo e do
Sr. Tarcísio de Freitas aqui em São Paulo, vai contribuir muito essa chapa
forte.
E, obviamente,
com essa guerra toda entre eles, que está nas mídias, essa guerra familiar,
essa guerra do clã, isso daí vai ficar bem demonstrado, que essas pessoas não
têm a mínima condição de assumir cargos em nosso país.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos ao deputado Reis.
Tem agora a palavra deputado Carlos
Giannazi pelo tempo regimental.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Suplicy, deputado Reis,
telespectador da TV Assembleia, Sr. Presidente, a Artesp, na verdade o
governado estadual, anunciou um novo aumento dos pedágios. Vai ter um aumento
de 5% em todos os pedágios do estado de São Paulo, em todas as rodovias
estaduais.
Só para a gente
ter uma ideia da gravidade da situação, o pedágio da Ecovias, do complexo ali
da Anchieta, Imigrantes, vai ficar 40 reais, talvez um dos pedágios mais caros
da América Latina e do mundo, proporcionalmente falando, Sr. Presidente.
Quarenta reais
para quem precisa descer para a Baixada Santista ou voltar. Isso é um absurdo,
um reajuste acima da inflação, em todas as rodovias do estado de São Paulo. E
esse reajuste, esse aumento começa já no dia 1º de julho. Na semana que vem, já
tem aumento dos pedágios em todo o estado de São Paulo.
Isso vai
aumentar o custo de vida para toda a população, para os mais de 42 milhões de
habitantes que terão que pagar direta ou indiretamente pelo aumento do pedágio,
que eu chamo aqui, Sr. Presidente, de “a farra dos pedágios” do governador
Tarcísio de Freitas, que dá continuidade à “farra dos pedágios do Tucanistão”,
só que de uma forma mais agressiva ainda, porque, além desse reajuste acima da
inflação...
É engraçado que
ele não dá reajuste para os servidores acima da inflação. Aliás, não deu nada.
Os servidores do estado de São Paulo estão sem reajuste salarial, sem reposição
das perdas inflacionárias. Só os servidores da Segurança Pública - Polícia Civil
e Polícia Militar - que tiveram uma pequena reposição, que está muito aquém de
atender à reposição real dos salários dos servidores da Segurança Pública.
Deixou de lado
ainda os policiais penais, mas para dar aumento para enriquecer as empresas
concessionárias, muitas delas controladas por grandes empreiteiras, Sr.
Presidente, aí o reajuste vem facilmente pela Artesp.
Sem contar
ainda que não estou falando aqui dos pedágios Free Flow, que ele já instalou em
várias rodovias, está instalando, e anunciou já o estelionato eleitoral
antecipado.
Parece que o
governo, esse governo, essa gestão do Tarcísio pensa que a população não tem
inteligência, não percebe as coisas. Menospreza o bom senso e a inteligência da
população.
O próprio
governo anunciou que só vai começar a cobrar o pedágio Free Flow a partir de
janeiro, a partir do dia 1º de janeiro do ano que vem. Isso já é grave, porque
é estelionato eleitoral, porque o contrato diz que os pedágios começariam a ser
cobrados em setembro, mas o governo...
Não porque ele
esteja preocupado com a população, até porque ele está dando reajuste agora de
5%, mas porque ele tem medo de que isso prejudique a sua reeleição ao Governo
do Estado de São Paulo. É disso que se trata.
Só que, além
disso, que já é grave, já teria que ter uma intervenção judicial contra o
governador, porque isso é instrumentalizar a máquina pública para benefício
eleitoral. O contrato é setembro. O que ele está dizendo?
As empresas não
gostaram nada disso. As concessionárias querem começar a cobrar em setembro,
mas, como o governador me parece que é amigo das concessionárias, dos grandes
empresários que controlam os pedágios do estado de São Paulo, ele falou: “Não,
não se preocupem, empresários, eu vou resolver a situação de vocês, eu vou pagar
a vocês aí um dinheiro, vou dar um recurso para vocês, vou recompensar vocês
com dinheiro público para que vocês não tenham nenhuma perda”.
Então ele vai
usar dinheiro do Orçamento Público para compensar as empresas que não vão
cobrar pedágio agora, a partir do mês de setembro. Olha só o absurdo.
Então são dois
ataques à população. O primeiro é um ataque de estelionato eleitoral, dizendo
que não vai cobrar os pedágios que estão lá, muitos deles prontos, o Free Flow.
Então ele não vai cobrar porque está preocupado que vai ter um desgaste
eleitoral, mas ele vai beneficiar as empresas, porque tem um contrato de
setembro.
Como ele
resolve a crise com as empresas concessionárias, deputado Suplicy? Ele
simplesmente vai pagar as empresas, mesmo que elas não estejam com os radares
funcionando. Ou seja, todo o povo de São Paulo vai pagar esse estelionato
eleitoral.
Então, se de um
lado tem o aumento do pedágio, que é esse que estou citando aqui, a partir do
dia 1º de julho, todo o povo do estado de São Paulo vai ter o custo de vida
encarecido, todo mundo vai pagar mais pedágio no estado de São Paulo, Sr.
Presidente. Então nós vamos tomar providências aqui pela Assembleia
Legislativa, logicamente, em relação a esse fato.
Quero também,
Sr. Presidente, tratar de um outro assunto importante rapidamente aqui, mas é
muito importante mesmo, que é sobre a LDO. Vossa Excelência está acompanhando o
debate da Lei de Diretrizes ao Orçamento para 2027.
Há uma
programação para que a LDO seja votada na próxima terça-feira, dia 30. Haverá
uma reunião de líderes de manhã e, à tarde ou à noite, nós vamos votar a LDO,
que é uma peça importante, porque define, estabelece as diretrizes para o
Orçamento de 2027.
Eu apresentei a
primeira emenda, a nº 1, vou colocar aqui no telão para que todo mundo
acompanhe, a Emenda nº 1, que foi a primeira emenda apresentada à LDO, que é o
Projeto de lei nº 407, de 2026. Ela trata de uma questão muito importante, que
é, justamente, a devolução do confisco das aposentadorias e pensões.
Essa diria que
é uma das emendas mais importantes, Sr. Presidente, porque ela já coloca no
Orçamento, prepara o Orçamento para pagar uma dívida que o estado de São Paulo
tem com os aposentados e pensionistas.
Então, diante
disso, eu quero pedir o apoio de todos os deputados e deputadas, para que nós
possamos aprovar essa emenda, a Emenda nº 1. Não tem como perder o número, é a
primeira. Ela que puxa todas as outras milhares de emendas que foram
apresentadas.
Então eu peço o
apoio de todos os membros lá da Comissão de Finanças e Orçamento, do Colégio de
Líderes, dos 94 deputados e deputadas, para que nós possamos fazer justiça e
devolver o dinheiro confiscado, assaltado, roubado dos aposentados e
pensionistas durante a gestão anterior, a gestão Doria/Rodrigo Garcia, Sr. Presidente.
E tem recursos
no Orçamento, então não tem como o governo dizer isso, que não tem dinheiro,
que vai quebrar. Não vai quebrar o estado, tem muito dinheiro. Tanto é que o
próprio Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, ao julgar as contas do ano
passado, disse que há um orçamento paralelo.
Tem matéria
aqui na imprensa, olha, “Tribunal de Contas aprova contas de Tarcísio”, isso do
ano que vem, “mas relator”, indicado por ele, pelo próprio Tarcísio de Freitas,
aliado dele, político, “cita orçamento paralelo de isenções fiscais” para os
grandes grupos econômicos e, muitos deles, devedores da dívida ativa do estado
de São Paulo. Isso que é pior ainda, Sr. Presidente.
Então tem muito
dinheiro. São mais de 80 bilhões de reais sendo direcionados para esses grandes
grupos econômicos. Repito, muitos deles sonegadores do fisco estadual. Tanto é
que tem ação na Justiça, uma ação na Justiça aqui dos deputados Fiorilo e
Barba, já solicitando o nome dessas empresas, porque não tem transparência.
O governo dá
esse dinheiro de mão beijada para essas empresas, e o povo não sabe qual o nome
de cada empresa que está recebendo esse dinheirão todo do Orçamento Público e
ainda devendo, ainda dando calote nos impostos estaduais, como o ICMS, Sr.
Presidente. É isso que está acontecendo.
Então se tem
dinheiro para os grandes grupos econômicos, tem dinheiro para sonegação fiscal,
e não tem dinheiro para pagar os aposentados e pensionistas? Não dá. Então todo
apoio, peço apoio novamente à aprovação da nossa Emenda nº 1. E, também, o
projeto de lei que eu apresentei.
Tem um projeto
que eu apresentei, que está tramitando aqui na Assembleia Legislativa, que
também autoriza, que obriga, na verdade, o governo a devolver tudo o que ele
confiscou durante os dois anos da gestão passada.
Então devolve
já, Tarcísio de Freitas, governador, o confisco das aposentadorias e pensões
dos nossos servidores.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - O Art. 1º da sua emenda, da
proposta de emenda: que leia. É que daqui não é fácil ler.
O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Vou ler aqui pelo telão, então,
olha: “Acrescenta-se ao Art. 16 o parágrafo único, com a seguinte redação”. É a
nossa emenda para devolução do confisco. “O estado destinará a São Paulo
Previdência, SPPrev, os valores necessários para garantir a restituição, aos
aposentados e pensionistas, dos descontos aplicados a proventos com valores
inferiores ao teto do regime geral da Previdência Social, praticados entre os
anos 2020 e 2022, sob natureza de contribuição decorrente do déficit atuarial.
Então essa é a
nossa emenda, deputado Suplicy. Eu tenho certeza que V. Exa. apoia e apoiará
sempre a luta dos aposentados e pensionistas do estado de São Paulo.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Obrigado.
Agradeço, se puder agora presidir esta sessão.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Carlos
Giannazi.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Dando
sequência à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o
deputado Rui Alves. (Pausa.) Com a palavra a deputada Marina Helou. (Pausa.) E
com a palavra agora o deputado Eduardo Suplicy, que fará uso regimental da
tribuna.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - SEM
REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Carlos Giannazi, ontem participei
nesta Assembleia Legislativa da audiência pública “Saúde, memória, prevenção e
combate à tortura no estado de São Paulo”, realizada na véspera do Dia
Internacional do Apoio às Vítimas da Tortura, que se celebra hoje, dia 26 de
junho.
A audiência foi
organizada coletivamente por importantes organizações da sociedade civil que há
muitos anos atuam na defesa dos direitos humanos e das pessoas privadas de
liberdade.
Ao longo de
toda a tarde, reuniram-se representantes das organizações sociais, familiares
de pessoas privadas de liberdade, pesquisadores, integrantes da Defensoria
Pública do Estado de São Paulo e da União, do Mecanismo Nacional de Prevenção e
Combate à Tortura, parlamentares e diversas pessoas comprometidas com a
construção de políticas públicas voltadas à prevenção da tortura e da violência
institucional.
As exposições
evidenciaram que a tortura e os maus-tratos continuam presentes em diferentes
espaços de privação de liberdade, como estabelecimentos prisionais, unidades
socioeducativas, comunidades terapêuticas.
Um dos temas
abordados foi o elevado número de mortes ocorridas no sistema prisional
paulista, muitas delas relacionadas à falta de assistência adequada à saúde e à
demora ou ausência de qualquer atendimento. Segundo dados da própria Secretaria
de Administração Penitenciária, 500 pessoas morrem todos os anos nas unidades
prisionais paulistas.
Durante a
audiência, a Amparar relatou o sofrimento das famílias que, além da perda de
seus entes queridos, frequentemente enfrentam enormes dificuldades para serem
comunicadas, para trasladar os corpos e para realizar um sepultamento digno.
Neste sentido,
em 2024, protocolei o Projeto de lei nº 621, elaborado em articulação com o
Núcleo Especializado de Situação Carcerária da Defensoria Pública do Estado de
São Paulo, que institui o Programa Estadual de Assistência Funerária
Complementar para pessoas que morrem sob a tutela do Estado em unidades
prisionais.
Foi amplamente
defendido durante toda a audiência pública a urgente necessidade da criação do
Comitê Estadual e do Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura no
Estado de São Paulo no âmbito do Sistema Nacional de Prevenção e Combate à
Tortura.
Projeto de lei
instituindo esses órgãos chegou a ser aprovado por esta Assembleia Legislativa
por iniciativa do então deputado Antônio Adriano Diogo, mas acabou vetado pelo
Poder Executivo. Passados vários anos, essa necessidade tornou-se ainda mais
evidente e urgente.
O Comitê e o
Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura integram uma política pública
essencial para fortalecer os controles democráticos, a transparência, para
qualificar a atuação do Estado e para proteger a dignidade humana.
Neste 26 de
junho, além do Dia Internacional do Apoio às Vítimas da Tortura, celebra-se
também o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas,
instituído pela Unodc, órgão das Nações Unidas.
É nesse
contexto que a sociedade civil organiza a campanha “Acolha, Não Puna”, que visa
denunciar e lembrar às vítimas das violências e torturas provocadas, não apenas
pela aplicação repressiva da política de drogas pela ação policial, mas também
pelos abusos sistemáticos ocorridos no interior de comunidades terapêuticas.
Esses espaços
que deveriam oferecer acolhimento em saúde têm sido denunciados por práticas
que se assemelham ao modelo manicomial, com relatos de trabalho forçado e
isolamento, restrição de liberdade, configurando verdadeiras violações de
Direitos Humanos, que tornam ainda mais urgente a criação de mecanismos
estaduais de prevenção e combate à tortura.
Por fim, quero
registrar meu agradecimento a todas as entidades que organizaram esse
importante encontro, às autoridades especialistas que compartilharam seus
conhecimentos.
Sobretudo,
manifestar minha solidariedade às vítimas, aos familiares, a todas as pessoas
que diariamente enfrentam a violência institucional e lutam para que ela não
permaneça invisível.
Realizo o meu
compromisso com essa pauta, coloco meu mandato à disposição para contribuir com
todas as iniciativas voltadas à implementação desses instrumentos e ao
fortalecimento das políticas de prevenção e combate à tortura em nosso estado.
Faço também o
chamado a esta Assembleia para que assuma a responsabilidade que lhe cabe, na
aprovação das proposições legislativas necessárias à instituição desses
instrumentos. Uma democracia forte não teme a fiscalização. Ao contrário, cria
os mecanismos permanentes para prevenir abuso e garantir que a dignidade humana
seja respeitada em qualquer circunstância.
Ainda, Sr. Presidente, se me permite,
gostaria aqui de expressar minha preocupação com o terremoto tão violento que
atingiu a Venezuela e também uma palavra sobre o benefício “Pé de Meia”.
Na última
quarta-feira à noite, a Venezuela passou por tremores de magnitude 7,2 até 7,8.
Até a manhã de hoje, já havia a confirmação de 589 pessoas mortas. A tendência,
infelizmente, é que esse número aumente muito mais. Sinto muito pelas mortes. Espero
que a Venezuela consiga se reerguer o mais breve possível após essa grave
tragédia.
E como seria
bom se, ao invés de estar, os Estados Unidos, de Donald Trump, ameaçando
guerras aqui e acolá, mais e mais, inclusive a Venezuela, pudesse agora dar uma
amostra de quem não quer a guerra, mas quer a paz, e ajudando o povo
venezuelano a restituir, a recompor, reconstruir o que está sendo destruído
pelos terremotos.
Outro assunto
que quero trazer à plenária, a informação sobre o programa “Pé de Meia”. O abandono
no ensino médio caiu 34% e chegou ao menor nível desde 2007. Segundo os dados
da “Folha”, a taxa dos que deixam de ir à escola, nessa etapa, em escolas
públicas, chegou a 2,5% no ano passado, a menor desde 2007, início da série
histórica, disponibilizada pelo Ministério da Educação.
A queda de 34%
é uma comparação entre 2023, ano em que ainda não havia o programa, e 2025. O
“Pé de Meia” é um programa de incentivo financeiro ao governo federal para
promover a permanência e a conclusão escolar de estudantes de baixa
matriculados no ensino médio de rede pública.
Para ser
concluído o programa, deve cumprir os requisitos: ter entre 14 e 24 anos, ou 19
e 24 anos para os alunos do EJA, Educação de Jovens e Adultos, estar
matriculado no ensino médio regular da rede pública, pertencer à família
inscrita no cadastro único, com renda per capita até meio salário mínimo,
possuir CPF regular.
Os valores
pagos aos beneficiários são incentivo da matrícula, 200 reais pagos uma vez por
ano; incentivo frequência, 200 reais mensais para os que mantiverem pelo menos
80% de presença nas aulas; e na conclusão, mil reais pagos ao final de cada ano
concluído com aprovação.
O valor fica
retido, só pode ser sacado após a formatura do ensino médio. E o incentivo
Enem, 200 reais pagos em parceria única para o estudante do terceiro ano que
comparecer aos dois dias das provas do Enem. Até o momento, 7,2 milhões de
estudantes já foram beneficiados pelo programa.
Parabéns,
presidente Lula, os dados divulgados hoje demonstram a importância de termos
políticas de transferência de renda. Espero que o Brasil avance mais nas
políticas de transferência de renda, coloque em prática o que hoje já é lei, a
Renda Básica de Cidadania, que é o direito de todos os brasileiros residentes
no país, idosos, estrangeiros residentes há cinco anos ou mais receberem
benefício financeiro, não importando sua origem, raça, sexo, idade, condição
civil ou socioeconômica.
Sua força
reside justamente em seu caráter universal e incondicional, que oferece
segurança econômica, reduz e amplia a dignidade e liberdade real das pessoas.
Por isso, trata-se de uma política fundamental para prevenir e superar as
situações de extrema vulnerabilidade social.
Eu tive uma boa
notícia hoje, deputado Carlos Giannazi, porque soube de que a Feira Literária
de Paraty convidará, dentre tantos escritores que vêm abrilhantar aquele
festival, quem virá dessa vez será também Angela Davis, uma das mais
importantes líderes progressistas em defesa dos direitos da pessoa humana.
Inclusive, ela
é uma grande defensora da Renda Básica Universal, estará neste mês de julho,
acho que dos dias 20 a 30 de julho, alguns dias, lá em Paraty, e eu espero até
poder me encontrar pessoalmente com essa magnífica escritora, líder e campeã em
defesa dos direitos da pessoa humana, da humanidade, de todas as raças.
Um grande
abraço.
Muito obrigado,
deputado Giannazi.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Havendo concordância
dos líderes, peço que seja levantada a presente sessão.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Obrigado,
deputado Suplicy.
Só antes de fazer o levantamento, eu
quero aqui fazer um apelo, deputado Suplicy, ao deputado federal aqui por São
Paulo, Luiz Carlos Motta, do PL, Partido Liberal, que é o relator de um projeto
importante, o Projeto de lei nº 1.030, de 2024.
Projeto construído coletivamente por
centenas de cartorários, de trabalhadores e trabalhadoras dos cartórios aqui de
São Paulo, com apoio de outros cartorários do Brasil, um projeto coletivo que a
deputada federal Luciene Cavalcante apresentou em Brasília, lá na Câmara
Federal, no dia 28 de março de 2024.
Então, o projeto é de março de 2024. E
esse projeto está na comissão de trabalho, cujo relator é o deputado aqui de
São Paulo, Luiz Carlos Motta, do PL. E até agora, isso foi - ele recebeu esse
projeto para fazer a relatoria no dia 8 de agosto, de julho, 08/07/2024. Está
aqui, relator, 08/07/2024, Luiz Carlos Motta, PL-São Paulo. Só que até agora o
projeto não foi, o relatório, parecer não foi devolvido ainda para a comissão
de trabalho.
Então faço um apelo aqui ao deputado,
entrei em contato com ele via WhatsApp, ele disse que ia consultar o líder do
partido, a assessoria também me confirmou essa informação, que tinha que,
parece, consultar o líder do partido, mas quase dois anos que o projeto está
parado com o relator, não é possível, e os servidores, os trabalhadores e as
trabalhadoras dos cartórios estão sendo penalizados, porque esse projeto é
muito importante.
O CNJ soltou um provimento, mas que não
resolveu a situação. Aqui em São Paulo, nós fizemos reuniões com o TJ, com a
Corregedoria. Nós tínhamos avançado um pouco, o TJ, que tinha feito há um tempo
atrás um provimento até que avançava, mas ele foi recusado pelo CNJ, que
apresentou, repito, um provimento que não resolveu a situação dos cartorários,
que não têm...
O que acontece, deputado Suplicy, é que
os cartorários, os serventuários, aqueles trabalhadores e trabalhadoras que
trabalham lá, carregando nas costas os cartórios do Brasil, eles não têm
direitos trabalhistas.
Eles, quando são demitidos, eles não
têm direito ao essencial, eles são dispensados sem direitos elementares
trabalhistas, conquistados já na Constituição Federal, mas eles são excluídos
desses direitos.
Então há muitos anos que eles lutam,
eles construíram esse projeto, a deputada federal Luciene Cavalcante
apresentou, que é de São Paulo também, o projeto, mas está parado, não é
possível, quase dois anos, desde o dia 8 de julho de 2024.
Hoje é exatamente, nós estamos
exatamente em que dia, deputado? Vinte e seis. Hoje é dia 26 de junho. Então,
daqui a pouco o projeto vai fazer aniversário parado nessa comissão, não é
possível.
Então, os cartorários do Brasil inteiro
estão indignados, porque esse projeto resolve a situação deles, há consenso
entre todos eles. Então, por isso que estou fazendo esse apelo aqui, presidindo
esta sessão da Assembleia Legislativa agora, do Pequeno Expediente, para que o
deputado, então, Luiz Carlos Motta, devolva, entregue o relatório, parecer, que
tem acordo.
Nós consultamos os cartorários, as
pessoas que estão à frente desse movimento, eles querem que o relatório seja
entregue, de tal forma que o projeto possa tramitar e a situação deles seja
imediatamente, urgentemente resolvida, porque é inconcebível que, no século
XXI, em 2026, trabalhadores e trabalhadoras dos cartórios do Brasil não tenham
direitos trabalhistas, sejam dispensados sem nenhuma garantia.
Então, por isso que nós apelamos ao
deputado, tenho certeza de que ele vai resolver essa situação - um deputado
aqui de São Paulo -, porque os cartorários não aguentam mais essa situação, e o
projeto de lei é uma esperança, é uma possibilidade importante de mudar essa
situação.
Havendo então acordo de lideranças,
esta Presidência, antes de dar por levantados os trabalhos, convoca V. Exas.
para a sessão ordinária de terça-feira, dia 30 de junho, à hora regimental, com
a mesma Ordem do Dia da última quarta-feira.
Está levantada a sessão.
*
* *
- Levanta-se a sessão às 14 horas e 39
minutos.
*
* *