
3 DE MARÇO DE 2026
17ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: PROFESSORA BEBEL, THAINARA
FARIA, MAJOR MECCA, EDUARDO SUPLICY, CONTE LOPES e ANDRÉ DO PRADO
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - PROFESSORA BEBEL
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h04min. Convoca
sessão extraordinária a ser realizada hoje, às 16 horas e 30 minutos, ou dez
minutos após o término da presente sessão.
2 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
4 - THAINARA FARIA
Assume a Presidência.
5 - ITAMAR BORGES
Por inscrição, faz pronunciamento.
6 - PRESIDENTE THAINARA FARIA
Parabeniza o deputado Itamar Borges pelos serviços prestados
à região de São José do Rio Preto. Envia cumprimentos ao prefeito de
Itápolis/SP, Mi Reggiani. Cumprimenta Cleiton Emerson, de Botucatu/SP, presente
nas galerias.
7 - LETÍCIA AGUIAR
Para comunicação, faz pronunciamento.
8 - PRESIDENTE THAINARA FARIA
Endossa o pronunciamento da deputada Letícia Aguiar.
9 - MAJOR MECCA
Por inscrição, faz pronunciamento.
10 - PRESIDENTE THAINARA FARIA
Cumprimenta os alunos do Senac Santana, presentes nas galerias.
11 - LETÍCIA AGUIAR
Para comunicação, faz pronunciamento.
12 - MAJOR MECCA
Assume a Presidência. Agradece à deputada Letícia Aguiar
pelo apoio à valorização das carreiras policiais.
13 - LUIZ CLAUDIO MARCOLINO
Por inscrição, faz pronunciamento.
14 - THAINARA FARIA
Por inscrição, faz pronunciamento.
15 - PRESIDENTE MAJOR MECCA
Faz aditamento à Ordem do Dia.
16 - LETÍCIA AGUIAR
Por inscrição, faz pronunciamento.
17 - PRESIDENTE MAJOR MECCA
Cumprimenta autoridades de Jaboticabal/SP, presentes no
plenário.
GRANDE EXPEDIENTE
18 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
19 - MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS
Por inscrição, faz pronunciamento.
20 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência. Cumprimenta o vereador de Itapetininga/SP,
Jé dos Luminosos, presente no plenário.
21 - BETH SAHÃO
Por inscrição, faz pronunciamento.
22 - ANA PERUGINI
Por inscrição, faz pronunciamento.
23 - CONTE LOPES
Assume a Presidência.
24 - EDUARDO SUPLICY
Para comunicação, faz pronunciamento.
25 - DANILO CAMPETTI
Por inscrição, faz pronunciamento.
26 - PROFESSORA BEBEL
Pelo art. 82, faz pronunciamento.
27 - PROFESSORA BEBEL
Para comunicação, faz pronunciamento.
28 - DANILO CAMPETTI
Pelo art. 82, faz pronunciamento.
29 - DANILO CAMPETTI
Solicita a suspensão da sessão, por acordo de lideranças,
até as 16 horas e 30 minutos.
30 - PRESIDENTE CONTE LOPES
Defere o pedido. Tece comentários acerca do caso de
feminicídio de Mércia Nakashima. Suspende a sessão às 16h15min.
ORDEM DO DIA
31 - ANDRÉ DO PRADO
Assume a Presidência e reabre a sessão às 16h39min. Encerra
a discussão, coloca em votação e declara aprovado o requerimento de urgência ao
PR 25/25. Coloca em votação e declara aprovado requerimento, do deputado
Eduardo Suplicy, de criação de comissão de representação com a finalidade de
participar do lançamento do Centro de Memória às Vítimas da Violência de
Estado, a realizar-se no dia 04/03, em Santos/SP.
32 - LUIZ CLAUDIO MARCOLINO
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
33 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO
Defere o pedido. Lembra sessão extraordinária a ser
realizada hoje, às 16 horas e 50 minutos. Convoca os Srs. Deputados para a
sessão ordinária do dia 04/03, à hora regimental, com Ordem do Dia. Levanta a
sessão às 16h40min.
*
* *
ÍNTEGRA
*
* *
-
Assume a Presidência e abre a sessão a Sra. Professora
Bebel.
* * *
-
Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
*
* *
A
SRA. PRESIDENTE - PROFESSORA BEBEL - PT - Boa tarde. Abro
a presente sessão com o número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados.
Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência
dispensa a leitura da Ata da sessão anterior e recebe o expediente. Passo a
ler.
Convocação. Nos termos do Art. 100,
inciso I, do Regimento Interno, convoco V. Exas. para uma sessão extraordinária
a realizar-se hoje às 16 horas e 30 minutos ou 10 minutos após o término da
presente sessão, em cumprimento ao interstício mínimo previsto, do § 3º, do
Art. 100, do Regimento Interno, com a finalidade de ser apreciada a seguinte
Ordem do Dia:
* * *
-
NR - A Ordem do Dia para a 5ª Sessão Extraordinária foi publicada no D.O. de
04/03/2026.
* * *
Passo então a apresentar a lista dos
inscritos. Primeiro deputado inscrito, nobre deputado Luiz Claudio Marcolino.
(Pausa.) Deputado Jorge do Carmo. (Pausa.) Deputado Reis, tem V. Exa., cinco
minutos regimentais.
O
SR. REIS - PT -
Deputada Professora Bebel, cumprimentar o público presente, cumprimentar o
deputado Suplicy, a deputada Thainara Faria, os funcionários desta Casa, os
integrantes da Polícia Civil, da Polícia Militar, da Polícia Penal, da Polícia
Técnico-Científica e, também, cumprimentar todos aqueles e aquelas que estão
nos acompanhando pela Rede Alesp.
Presidente,
deputada Professora Bebel, hoje, 3 de março, nós precisamos cobrar para que o
governador do estado de São Paulo mande o projeto urgente, para votarmos o
reajuste dos servidores públicos do Estado de São Paulo. Isso tem que ser
urgente.
Se ele vai dar
reajuste de dois dígitos, conforme diz aqui a bancada da bala, “nós
queremos...”, que agora eles resolveram falar de valorização dos servidores da
Segurança Pública, “ah, que vai ser um reajuste de dois dígitos”, que seja um
reajuste de dois dígitos para todo o funcionalismo do estado de São Paulo.
E que esta Casa
também, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, o quanto antes,
protocole o projeto de reajuste dos servidores da Assembleia Legislativa do
Estado de São Paulo.
E que a Mesa
Diretora também tome providências com relação à empresa que operava aqui as
redes sociais, a Rede Alesp, a Fundac, porque, ao que me parece, pelas
reclamações que tenho recebido, essa empresa deu um calote nos seus servidores.
Deu um calote nos seus profissionais. Uma empresa prestando serviço para a
Assembleia Legislativa, caloteira.
Então que
também a Mesa Diretora tome providências a respeito disso. Fui procurado por
vários funcionários que prestavam serviços aqui e que estão sem receber os seus
salários. Passaram o serviço para outra empresa, e essa Fundac, ao que me
parece, está caloteando aqueles que prestavam o serviço aqui.
Então que a
Mesa Diretora tome providências. Que a Mesa Diretora tome providências a
respeito da Fundac, e que ela mande o quanto antes o projeto de reajuste dos
servidores da Assembleia Legislativa, porque esse projeto tem que estar
sancionado até o início de abril, por conta da Lei Eleitoral, Sra. Presidenta.
Por conta da Legislação Eleitoral.
Hoje publicou,
no “Diário Oficial”, uma resolução na Secretaria de Segurança Pública, a
Resolução SSP nº 4, criando um grupo de trabalho: “...institui grupo de
trabalho junto à Secretaria de Segurança Pública para elaboração e apresentação
de propostas de regulamentação em âmbito estadual da Lei Orgânica Nacional das
Polícias Civis, instituído pela Lei Federal nº 14.735, de 23 de novembro de
2023”.
E houve uma
resolução conjunta da Secretaria de Segurança Pública e da Casa Civil, revogando
o anterior grupo de trabalho, que tinha sido constituído lá na Casa Civil,
desde 8 de janeiro de 2025.
Então o
governador de São Paulo, por conta das pressões pela regulamentação da Lei
Orgânica da Polícia Civil, foi feita essa revogação desse grupo que estava lá
na Casa Civil e criou-se um novo grupo na Secretaria de Segurança Pública, um
novo grupo de trabalho. Ao que me parece, o governador de São Paulo tem
recebido vários títulos aqui na Assembleia Legislativa e na sociedade.
Na Polícia
Penal, ele foi chamado de “Tarcinóquio”, uma mistura de “Tarcísio” com
“Pinóquio”. Por conta da quantidade de pedágios que ele está colocando pelo
estado todo, os pedágios “Free Flow”, ele foi chamado de “Tarciságio”, uma
mistura de “Tarcísio” com “pedágio”. Por conta dos cinco por cento que deu no
ano passado, foi chamado de “Tarcinco”, “Tarcísio cinco por cento”. E também,
agora, por conta dos vetos, da quantidade de vetos, de projetos que ele vetou
dos Srs. Deputados e das Sras. Deputadas, recebeu o título de “Vetador Geral do
Estado”.
Agora ele está
recebendo um novo título: “Enrolador Geral do Estado”, porque o que está
acontecendo com essas resoluções nada mais é do que enrolar os funcionários, os
profissionais.
Os policiais
civis, os delegados, os investigadores e os escrivães estão sendo enganados,
porque se for para tratar de valorização, nesse projeto de regulamentação da
Lei Orgânica, já não vai poder constar, porque tem os prazos para dar o
reajuste. Se o governo não cumprir os prazos, esse reajuste não vai poder ser
dado, porque a legislação eleitoral diz que tem que ser 180 dias antes da
eleição.
Então, se vier
alguma... “Olha, vamos reestruturar a polícia, vamos reestruturar a Polícia
Civil, vamos valorizá-la”. Como se vai fazer isso, se ele deu um prazo de 30
dias para apresentar um novo projeto? Para apresentar um projeto, porque o
grupo anterior não apresentou nada. Enrolou, prorrogou, foi enrolando,
enrolando, enrolando e não se apresentou nada.
Então, hoje
saiu essa nova publicação constituindo um novo grupo com prazo de 30 dias. Bom,
se chegar aqui um projeto em 30 dias, não vai ter tempo para votá-lo antes do
prazo da lei eleitoral, para garantir a valorização dos policiais civis do
estado de São Paulo.
Então, que ele
mande o projeto de reajuste dos dois dígitos. Obviamente que essa resolução
aqui hoje é uma coisa para inglês ver. É uma enrolação. O Sr. Tarcísio, além
dos títulos que ele recebeu, de “predador”, “privatizador”, ele está recebendo
esse título de “Enrolador Geral do Estado”, porque isso aqui nada mais é do que
mais uma enrolação aos servidores da Polícia Civil do Estado de São Paulo.
Muito obrigado,
Sra. Presidente.
A
SRA. PRESIDENTE - PROFESSORA BEBEL - PT - Muito
obrigada, nobre deputado Reis.
Passo a ler imediatamente a lista de
oradores e oradoras para este Pequeno Expediente. Nobre deputado Jorge Wilson
Xerife do Consumidor. (Pausa.) Deputado Lucas Bove. (Pausa.) Deputado Delegado
Olim. (Pausa.) Deputada Maria Lúcia Amary. (Pausa.) Deputado Caio França.
(Pausa.) Deputado Bruno Zambelli. (Pausa.) Deputado Enio Tatto. (Pausa.)
Deputado Fábio Faria de Sá. (Pausa.)
Deputado Carlos Giannazi. (Pausa.) Deputado Marcelo Aguiar. (Pausa.)
Deputado Eduardo Suplicy, nosso sempre senador da República, tem V. Exa. cinco
minutos regimentais.
Muito obrigada.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Querida presidente, deputada Professora Bebel, é uma
satisfação trabalhar com V. Exa. presidindo a sessão.
Gostaria hoje
de falar da alta dos casos de feminicídio. Trago a questão, porque, na última
quinta-feira, eu já havia discursado sobre isso, mas, com a notícia do “G1” de
hoje, senti que precisava novamente falar sobre o tema.
Dados da
Secretaria da Segurança Pública indicam que, em janeiro de 2026, foi batido o
recorde do número de feminicídios. Dados oficiais mostram que, em janeiro de
2026, foram assassinadas 27 mulheres no estado, um número maior do que no mesmo
mês do ano anterior, o que representa vidas interrompidas por violência de
gênero.
Esse cenário
cruel não é de episódios isolados. Em 2025, o estado registrou um dos maiores
números já observados de feminicídios da série histórica, refletindo uma
tendência preocupante de alta contínua. Enquanto isso, há um contraditório e
grave problema que não podemos ignorar: a falta de Orçamento público adequado
para enfrentar a violência contra as mulheres.
Como enfrentar
a alta da violência de gênero com Orçamento insuficiente? Como esperamos
proteger as mulheres quando as políticas públicas, que deveriam atuar
diretamente nesse combate, não têm recursos garantidos nem para sua plena
execução?
O feminicídio,
um crime tipificado justamente por refletir a dimensão de gênero da violência
letal, é um indicador extremo de falhas em toda a rede de proteção, desde a
prevenção, passando pelo acolhimento de denúncias, até o suporte efetivo às
vítimas e medidas que interrompam o ciclo da violência.
É inaceitável
que, enquanto mais mulheres perdem suas vidas, recursos destinados à sua
proteção sejam congelados, reduzidos ou sequer executados. Nós, parlamentares,
temos o dever de garantir que as políticas públicas não sejam meras declarações
de intenção.
Precisamos de, primeiro,
Orçamento adequado realmente executado para a Secretaria de Políticas para as
Mulheres, delegacias especializadas e funcionamento 24 horas em todo o estado,
centros de acolhimento e proteção para mulheres em risco com equipes
qualificadas, programas de prevenção ampla que abordam educação em gênero,
combate ao machismo e apoio às mulheres.
Além disso, é
urgente que as políticas públicas não sejam tratadas como transversais apenas
no discurso, mas tenham recursos próprios, contínuos e suficientes para serem
implementados com qualidade e alcance.
Negar
Orçamento, postergar investimentos ou subexecutar verbas não é apenas uma
escolha administrativa, é uma escolha política com consequências sobre a vida
de mulheres que vivem, trabalham, cuidam de suas famílias aqui em São Paulo.
Não podemos permitir que nossas futuras estatísticas sejam ainda mais trágicas.
Por isso tudo,
faço o apelo ao governador para agir com urgência, responsabilidade e
humanidade. Não se trata apenas de números em relatórios, trata-se de vidas.
Vidas de mulheres que têm direito à segurança, ao respeito e à proteção do Estado.
Sra. Presidenta, se ainda tem um tempinho, vou...
A SRA. PRESIDENTE - PROFESSORA BEBEL - PT - Vossa Excelência tem 30 segundos,
mas...
O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Ia falar também da alta das
vacinas. Trago ao plenário a reportagem de ontem do portal “Outra Saúde”, que
trouxe dados de vacinação em nosso país e também uma entrevista com o Eder
Gatti, diretor do departa”
“Após um
período crítico de quedas sucessivas nas coberturas vacinais entre 2015 e 2021,
os indicadores atuais demonstram uma recuperação consistente nos últimos três
anos. Observa-se, em especial, a retomada dos níveis das principais vacinas do
calendário infantil.
A cobertura da
BCG, por exemplo, que havia sofrido queda de 38,8% entre 2015 e 2021, voltou ao
nível de 97,9% em 2025. Das 16 vacinas oferecidas até um ano de idade, três
estão com cobertura acima de 90% e outras dez ultrapassam os 80%, o que
significa que milhões de crianças que estavam desprotegidas voltaram a ser
vacinadas.
Segundo Eder
Gatti, foi possível recuperar entre dez e 15 pontos porcentuais da cobertura
vacinal da maior parte do calendário vacinal. Hoje o Brasil possui algumas
vacinas registrando a meta ótima, algumas passando de 80% e outras próximas de
90 por cento. Eder também registrou que alguns desafios permanecem, observou
queda na vacinação entre idosos, que deve ser revertida com o início da
campanha da gripe, e também da dificuldade de cobertura de HPV entre
adolescentes que já tenham apresentado um bom progresso por meio do “Programa
Saúde na Escola”.
As
desigualdades regionais também exigem atenção. Comunidades ribeirinhas,
indígenas e municípios com baixa capilaridade de atenção primária demandam
esforços logísticos diferenciados, aplicando o princípio da equidade no SUS.
No campo das
inovações, o dado mais relevante é a vacina contra a dengue desenvolvida pelo
Instituto Butantan. É a primeira vacina contra a dengue em dose única no mundo.
O investimento do BNDES para a expansão da produção foi de 1,4 bilhão. A
capacidade produtiva projetada é de 60 milhões de doses anuais. Para 2026, a
previsão de entregas ao Ministério da Saúde está entre 20 e 40 milhões de
doses, o que permitirá ampliar progressivamente a vacinação para a faixa etária
de 15 a 59 anos.
* * *
- Assume a
Presidência a Sra. Thainara Faria.
* * *
Outras
incorporações importantes incluem as vacinas contra bronquiolite para gestantes
e bebês e a previsão de chegada ainda neste semestre da vacina pneumocócica 20,
atualmente a mais mordomia do mundo, contra meningites e pneumonias. Um ponto
fundamental para a credibilidade do programa é a regularidade do abastecimento.
Sobre isso, os dados são categóricos. O Ministério da Saúde não registra qualquer
tipo de desabastecimento. Os estoques para as vacinas de rotina garantem mais
de seis meses de abastecimento projetado.”
Quero
parabenizar o Ministério da Saúde em especial pelo “Programa Nacional de
Imunização”, que tem apresentado esses importantes dados de crescimento da
vacinação em nosso país.
Muito obrigado,
Sra. Presidenta.
A
SRA. PRESIDENTE - THAINARA FARIA - PT - Muito
obrigada, nobre deputado e sempre senador Eduardo Suplicy.
Seguindo a lista de oradores deste
Pequeno Expediente, hoje, terça-feira, dia 3 de março, gostaria de convocar...
Convocar não, apenas chamar, convidar a usar a palavra o nobre deputado Itamar
Borges. Tem V. Exa. o tempo regimental de cinco minutos.
O
SR. ITAMAR BORGES - MDB
- Presidente, deputada Thainara, nobres colegas, eu ocupo esta tribuna hoje
para trazer um fato marcante, um fato que chama a atenção. Eu, que já fui
prefeito, já convivi como prefeito com Santa Casa. Como deputado, presido a
Frente Parlamentar de Apoio às Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, venho
acompanhando uma trajetória de uma intervenção na Santa Casa de Itápolis há 19
anos.
Mais
recentemente, quando o prefeito Mi assumiu a gestão em Itápolis, no mandato
anterior, ele fez um movimento com a sociedade, com os empresários. E por meio
de um esforço da sua liderança, com o seu vice-prefeito, com a Câmara de
Vereadores, tinha ali um passivo de 37 milhões de reais.
Em cinco anos,
ele reduziu 30 milhões desse passivo, permitindo, depois de 19 anos, que a
Santa Casa de Itápolis e a Maternidade Julieta Lyra - juntas funcionam -
recebessem no último sábado, de forma inédita - se teve isso alguma vez, eu não
me recordo, eu não vivi -, de forma inédita, a Santa Casa de Itápolis recebeu
uma desintervenção.
A
desintervenção proporciona ao hospital, que agora, de novo, comandado pela
sociedade, possa seguir caminhos de crescimento. A etapa até agora foi de
reconstrução. Agora é um caminho de evolução. Parabéns ao prefeito Mi, parabéns
a toda a sociedade de Itápolis, que se uniu ao prefeito, ao vice-prefeito e aos
vereadores e permitiu esse fato histórico.
Também devo
destacar aqui o apoio do sempre deputado e parceiro de Itápolis, o Marco
Vignoli, nosso parceiro de luta naquela cidade e na região, e que nos unimos
para poder apoiar esse grande prefeito a fazer essa grande entrega. Com
certeza, Itápolis merece todo o aplauso, todo o respeito e todo o
reconhecimento por esse fato histórico.
Aproveito esse
momento para fazer mais uma abordagem importante. Está prestes a acontecer,
deputado Mecca, deputado Suplicy, deputado Luiz Claudio Marcolino, está prestes
a acontecer a entrega de uma conquista importante que eu tive o privilégio de
atuar para que ela acontecesse ali na cidade de São José do Rio Preto. É a
entrega da clínica pet, do hospital pet, importante conquista de todos que se
envolveram nessa luta.
E eu tenho
orgulho de, ao lado do prefeito Edinho, ter trabalhado para que pudéssemos
levar essa clínica pet, com o apoio total do governador Tarcísio e da
secretária Natália.
A secretaria
concluiu a obra. A obra está pronta. A secretaria entregou a obra ao município.
Cabe agora ao município estruturar para iniciar o seu funcionamento. Espero que
em breve nós possamos ter em funcionamento essa importante clínica, tão
esperada, tão sonhada e que trabalhamos tanto.
Um
reconhecimento especial a todos os líderes da causa pet de Rio Preto, que são
os grandes responsáveis, que lutaram e que comemoram essa importante conquista
para os pequenos animais da nossa Rio Preto, e que com certeza vai atuar
contribuindo e apoiando estruturas nas outras cidades de toda a nossa região.
Eram apenas
essas colocações, presidente, que eu gostaria de fazer. Agradecendo aqui mais
uma vez essa oportunidade. Retornaremos na sessão extra para a deliberação da
pauta já anunciada para todos nós aqui.
Muito obrigado,
presidente.
A
SRA. PRESIDENTE - THAINARA FARIA - PT - Nós que
agradecemos, nobre deputado Itamar Borges, pelo seu trabalho por toda a região
de São José do Rio Preto, levando o nosso abraço ao prefeito Mi Reggiani, de Itápolis,
e parabéns por toda a (Inaudível.). Muito importante. Parabéns pelo trabalho.
Antes de seguir a nossa lista de
oradores, saudar e cumprimentar todas as pessoas que nos acompanham aqui no
plenário, em especial o amigo Clayton Emerson, lá de Botucatu. Um grande
abraço.
A próxima oradora, deputada Márcia Lia.
(Pausa.) Nobre deputado Major Mecca, tem V. Exa. o tempo regimental de cinco
minutos para fazer uso da palavra.
A
SRA. LETÍCIA AGUIAR - PL - Senhora presidente,
por gentileza, uma comunicação?
A
SRA. PRESIDENTE - THAINARA FARIA - PT - Uma breve
comunicação, dois minutos, enquanto Major Mecca se dirige à tribuna.
A
SRA. LETÍCIA AGUIAR - PL
- PARA COMUNICAÇÃO - Obrigada, Sra. Presidente.
Quem deveria
amar, quem deveria proteger, quem deveria zelar, é quem está assassinando e
matando as próprias mulheres. O seu parceiro, o homem, o namorado, que deveria
cuidar daquela mulher que ele escolheu para amar, é justamente quem está
assassinando tantas e tantas mulheres no Brasil. E não é diferente aqui no
estado de São Paulo, em algumas cidades, e eu preciso lamentar isso.
A Ana Luíza,
uma senhora do município de Paraibuna, pertinho ali da minha casa, ela teve a
sua vida ceifada pelo namorado, ali durante o período do carnaval, e hoje esse
criminoso está atrás das grades. Eu preciso aqui mostrar o importante trabalho
da Polícia Civil na investigação e na solução de crimes. Por favor, equipe,
passe o vídeo para mim desse momento da prisão desse foragido e criminoso.
Obrigada.
* * *
- É exibido o
vídeo.
* * *
Aí é o momento
em que a polícia dirige para capturar o indivíduo. Foram mais de dois mil
quilômetros rodados. Eles foram encontrados no município de Viradouro, no
estado de São Paulo. E aí o momento da prisão, réu confesso, o assassino da
nossa querida amiga Ana Luiza, de Paraibuna.
Parabéns à
Polícia Civil do Estado de São Paulo. Quero aqui parabenizar os delegados
responsáveis, o delegado seccional, Dr. Marcos Batalha; o delegado de Paraibuna,
Dr. Rafael Pellizzola da Cunha; e os policiais civis Diego Machado de Araújo,
Guilherme Biscaro Leal e Antonio Fabio Bonfim de Azevedo Marques.
Vejam a
importância de a gente equipar, qualificar a nossa Polícia Civil, para que
possa investigar os crimes, dar celeridade à investigação e colocar bandido
atrás das grades.
Infelizmente,
isso não vai devolver a vida da nossa Ana Luiza, mas que isso sirva de exemplo,
que todos aqueles que forem assassinos, que forem abusadores de mulher,
estupradores de mulher, pedófilos, saibam qual vai ser o resultado e o fim
deles: atrás das grades. Eu espero que esse criminoso nunca mais volte à
sociedade.
Muito obrigada,
Sra. Presidente.
A
SRA. PRESIDENTE - THAINARA FARIA - PT -
Nós que agradecemos, nobre deputada Letícia Aguiar. De fato, a voz das mulheres tem se
levantado em defesa da nossa integridade física e mental, e é muito importante
seu posicionamento nesta tarde. Muito obrigada.
Nobre deputado Major Mecca, tem V. Exa.
o tempo regimental.
O SR. MAJOR MECCA - PL
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde, presidente, deputada
Thainara, todos os deputados e deputadas que aqui estão.
Deputada
Letícia, eu reforço as congratulações aos policiais civis, policiais militares,
mas digo à senhora e deixo registrado aqui que enquanto a política pública no
Brasil for de esvaziamento dos presídios, leis brandas que não mantêm bandido
dentro da cadeia - o pouco período que ele fica dentro da cadeia é usando
maconha, fazendo visita íntima, com inúmeras saídas temporárias - esse cenário
não irá mudar. Os bandidos continuarão ousados e violentos como estão.
E digo mais, a
coisa tende a piorar, porque quando o governo federal se nega a classificar
integrantes de facções criminosas como terroristas para que eles tenham penas
pesadas, isso incentiva não só o crime organizado, como aquele bandido que está
nas ruas matando por conta de um aparelho celular, aquele cara que se diz
marido. Não é porcaria nenhuma, é um covarde, sem vergonha, que agride a
própria esposa. Esses energúmenos continuarão praticando o crime, porque o
Brasil é o país da impunidade.
E eu citei aqui
uma ocorrência da semana passada, um roubo à farmácia. Dois homens e uma
mulher, três criminosos, roubaram uma farmácia e foram presos pela Polícia
Militar. A mulher e um dos homens.
A mulher,
procurada pela Justiça na Colômbia, e o cara procurado pela Justiça na
Venezuela. E sabe o que eles falaram? Vieram para o Brasil, porque o Brasil é
um terreno fértil para a prática do crime. Então, enquanto não se alterar a
legislação, pena rígida, bandido tem que pagar integralmente pelo que fez, esse
cenário não vai mudar.
E quando eu
chamo essa atenção aqui, é importante nos lembrarmos de quem está sendo, nas
costas de quem está caindo toda essa ausência de gestão pública, toda essa irresponsabilidade
em questão na Segurança Pública. Está pesando nas costas dos policiais
militares, dos policiais civis, que estão se sacrificando, estão entregando a
sua vida para defender a nossa vida e a vida da nossa família.
O quanto nós
pagamos de imposto nesse país, no estado, no município, ninguém aguenta mais
pagar tantos impostos. E o retorno do dinheiro dos nossos impostos, onde está?
Sabe onde está o dinheiro dos nossos impostos? No bolso dos políticos
corruptos, dos vagabundos, que não fazem a gestão honesta e desviam nosso
dinheiro. Porque você chega na fila de um hospital, seja hospital do estado,
seja municipal, a fila está daqui ao Rio Grande do Norte.
E agora, sabe
qual é a última moda? O ladrão acorda cedo... O cidadão trabalhador vai para
uma UBS, vai para uma UPA, tem que acordar às três e meia da manhã, se quiser
pegar uma senha.
Aí forma aquela
fila do lado de fora, aí o ladrão também: acorda às quatro horas da manhã e vai
para a fila do hospital assaltar a fila inteira, levar celular e relógio de
todo mundo. Aí quando o policial efetua a prisão desse bandido, desse
criminoso, ele logo em seguida é solto na audiência de custódia.
O juiz pergunta
ao ladrão: “o senhor foi bem tratado pela polícia? A polícia machucou o senhor?
A polícia te ofendeu? O senhor comeu alguma coisa, o senhor está com fome? O
senhor está achando que o ar condicionado está muito gelado? Alguém pode trazer
um café para o bandido, por favor?”. É assim que o Brasil funciona.
E eu pergunto
aqui desta tribuna: os órgãos do estado têm que trabalhar para quem? Eu vou
chamar atenção agora, aqui, da SPPrev, da São Paulo Previdência. Eu busco, há
um ano e meio, aprovar o Projeto de lei Complementar nº 135, que altera as
regras de incorporação de tempo de trabalho.
Porque não é
justo o policial trabalhar, contribuir e, quando chega o momento de se
aposentar, ele não pode se aposentar. E o dinheiro da contribuição dele, para
onde foi? Cadê o dinheiro da contribuição, se ele não pode se aposentar?
Deputado Marcolino, cadê o dinheiro da contribuição dele? Ficou para o estado,
para o governo, foi para o bolso deles?
Aí estou
trabalhando, articulando, articulando. Eis que a SPPrev... Já mostramos para
eles, em mesa de negociação, que o cálculo de impacto orçamentário que eles
fizeram está errado, está equivocado. Do ano passado, dos policiais militares
beneficiados pelo PLC 135, deputada Letícia, o número seria de 2.785 policiais.
Eles tinham
falado em 20.000 policiais, para não aprovar o projeto, para jogar água no
feijão e azedar tudo. Nós mostramos que não: 2.785 policiais. Eles me aparecem
com um número com um impacto orçamentário, onde nós mostramos: vocês estão
considerando que os 2.785 policiais que se aposentarão são coronéis da PM; não
são. Oitenta e cinco por cento são cabos e sargentos. O impacto não chega a um
terço disso.
Aí eles ficaram
de se certificar desses números junto à Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Eis que ontem, em reunião com o comandante-geral da PM, o comandante-geral da
PM fala: “Mecca, mandaram uma relação de perguntas que vai aqui do meu gabinete
até o seu gabinete, lá na Assembleia Legislativa, para que a gente busque
entender o que está sendo perguntado e para responder isso daqui. Isso daqui
não dá para fazer de uma hora para outra.”
Sabe qual é o
objetivo, povo do estado de São Paulo? É prejudicar os policiais militares, que
estão arriscando as suas vidas para nos defender, por um salário de miséria,
por um salário de merda, que ganham os policiais em São Paulo. E o governo não
adota providência alguma. Governo tem que ser para olhar para as pessoas, não é
para olhar para números.
Dinheiro, tem;
porque não é possível nós pagarmos tantos impostos e não ter dinheiro para
Segurança, não ter dinheiro para Saúde, não ter dinheiro para Educação. Porque
está tudo, os três, uma merda! É só sair de dentro do gabinete e ir na ponta de
linha perguntar para quem está utilizando o serviço. Se não souber o caminho,
fala para mim, que eu sei onde os problemas estão.
A
SRA. PRESIDENTE - THAINARA FARIA - PT - Muito
obrigada, nobre deputado Major Mecca. Antes de seguir a lista de oradores desta
tarde, eu gostaria de anunciar, através do comunicado que o Caio nos trouxe
aqui, a presença dos alunos do curso do Programa de Aprendizagem do Senac
Santana. Bairro Santana, aqui da cidade de São Paulo. Sejam todos muito
bem-vindos ao plenário desta Casa. (Palmas.)
Seguindo a lista de oradores, gostaria
de chamar o nobre deputado Paulo Fiorilo. (Pausa.) Deputado Conte Lopes.
(Pausa.)
Seguindo a Lista Suplementares de
oradores desta tarde, gostaria de convidar o deputado Luiz Claudio Marcolino
para fazer o uso da palavra.
Tem V. Exa. o tempo regimental de cinco
minutos.
A SRA. LETÍCIA AGUIAR - PL - PARA COMUNICAÇÃO -
Presidente, rapidamente só para fazer uma inserção na fala do deputado Mecca.
Eu acompanhei de perto a batalha do deputado Mecca a favor do PLC 135.
Inclusive eu, deputada Letícia Aguiar, também sou favorável, votei a favor.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Major
Mecca.
*
* *
Nós precisamos entender que essa
valorização, esse reconhecimento para os nossos policiais é essencial. Portanto,
deputado Mecca, conte com o meu apoio, você tem aqui comigo uma aliada para que
a gente possa vencer e que a gente possa também derrubar esse veto para que o
PLC 135 seja realidade no estado de São Paulo.
Obrigada.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito obrigado,
deputada Letícia. A senhora é uma das testemunhas das covardias que estão sendo
feitas. Não é comigo, é com os policiais militares do estado de São Paulo.
O SR. LUIZ CLAUDIO MARCOLINO - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Obrigado, Sr. Presidente.
Srs. Deputados, Sras. Deputadas, funcionárias e funcionários
da Alesp. Primeiro, quero reafirmar, nobre deputado Mecca, que, de fato, o
estado de São Paulo tem o pior governador que nós tivemos nas últimas décadas.
De fato, é um governo... O governador Tarcísio, que não se preocupa com a
Segurança Pública, não se preocupa com a Saúde, e não se preocupa com outras
áreas também do estado de São Paulo.
Eu quero trazer hoje aqui uma outra preocupação a partir de
um relatório, que foi feito no estado do Paraná, que trata justamente sobre a
violência contra a mulher que tem regido o nosso país no último período. Eu
quero trazer aqui algumas informações... Se o pessoal da Técnica quiser
colocar... Então vamos com algumas informações primeiro.
Hoje nós temos a violência negligenciada pelo governador do
estado de São Paulo, daqui a pouco vou dar alguns números mostrando que falta
investimento do governador Tarcísio nessa área. Em janeiro, no estado de São
Paulo, foram registrados 27 mil feminicídios, apenas no começo deste ano já tem
aumentado o número de feminicídios. E tivemos em 2025, também já registrados,
22 assassinatos de mulheres.
Então tanto este ano como no ano passado, demonstrando aqui
que tem aumentado o número de feminicídios no nosso país, e aqui os dados do
estado de São Paulo. Nós temos aqui um ciclo brutal de feminicídios e agressões
contra as mulheres em São Paulo, estão disparando. A maioria das vítimas de
feminicídio desta semana, em São Paulo, tinham medidas protetivas, que vem
crescendo em mais de 1000% nesse último período.
E o outro ponto que nós vamos tratar - volta um pouquinho, só
mais uma - é a questão do orçamento do Tarcísio, que reduziu em 54% comparado
com o orçamento do ano passado. Pode passar.
Aqui nós temos alguns dados, alguns elementos, nobre deputada
Thainara, de quando a gente pensa no feminicídio contra as mulheres aqui no
estado de São Paulo. Primeiro: o crime envolve principalmente relações
familiares e afetivas. Em 2025, houve recorde de feminicídios, 270 casos no
estado de São Paulo. No Brasil, aumentou de 1470 para 2149, e esses são os
dados que são da própria Secretaria de Segurança Pública do Estado de São
Paulo.
Agora, esses crimes decorrem de outras ações, de ameaças, danos
contra a mulher, constrangimento ilegal, calúnia, difamação, injuria, invasão à
domicílio e lesão corporal dolosa. Se a gente perceber, todos eles, de 2025 e
2026, tiveram um crescimento de forma significativa no último ano.
Aqui nós temos, pode passar para a próxima, um relatório que
foi feito a partir de um laboratório de estudo de feminicídio, na Universidade
Estadual de Londrina, que traz alguns dados. 6904 vítimas de feminicídio no
Brasil em 2025, um aumento de 34% em relação a 2024. Nós temos mais 2149
assassinatos consumados de mulheres, 4755 tentativas de feminicídio, é uma
média de quase seis mulheres por dia que são assassinadas no Brasil.
Pode passar. Esse outro dado que nós trouxemos aqui
demonstra, também desse relatório, entre os quase sete mil casos consumados, e
tentados no Brasil, 75% ocorreram no âmbito íntimo envolvendo companheiros,
ex-companheiros, ou parceiros com quem a vítima tinha filhos.
A violência aconteceu em majoritariamente 38% na própria casa
da vítima, 21% na residência do casal. A faixa etária aqui é em torno de 33 anos, a média é 25 a 34, 30%;
22% das mulheres já haviam denunciado os agressores antes do feminicídio; 69%
das vítimas tinham filhos ou dependentes; 101 dessas mulheres estavam gravidas
no momento da violência e 1.653 crianças ficaram órfãs em decorrência desses
crimes bárbaros que estão acontecendo no estado de São Paulo e em todo o
Brasil.
Aqui, queria
trazer o elemento, quando a gente fala que o governador Tarcísio não tem tido
uma preocupação com o combate à violência no estado de São Paulo, trouxe aqui
os dados. Como eu participo da Comissão de Finanças e Orçamento, nós temos
alguns dados dos orçamentos de 2024, 2025 e 2026.
Em 2024, o
governador Tarcísio tinha aqui uma dotação orçamentária de 24 milhões para
fazer o combate à violência contra as mulheres no estado de São Paulo. Ele usou
apenas nove milhões de reais.
Uma outra ação
que tinha era justamente a ação 6.083, enfrentamento à violência contra a
mulher, a dotação era de cinco milhões e utilizou apenas nove reais na dotação
e não empenhou nem um centavo. Em 2025, essa dotação era de dez milhões de
reais, o governador atualizou para um milhão e empenhou apena 912 mil reais
para o combate à violência no estado de São Paulo.
E agora, no ano
de 2026, está previsto no Orçamento para essa mesma dotação seis milhões e 639
reais, só que já foi empenhado até agora 799 mil e o governador Tarcísio já
retirou 100 mil reais dessa pasta de combate à violência no estado de São
Paulo, demonstrando que tinha o orçamento inicialmente empenhado de cinco
milhões no ano; dez milhões no outro, que não usou, e agora de seis milhões. Já
retirou dinheiro de uma secretaria tão importante, de uma ação tão importante,
que é o combate à violência contra a mulher.
Para encerrar,
Sr. Presidente, queria trazer aqui mais algumas informações dos dados que
também foram apresentados pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, e eu
apresentei o Projeto de lei nº 1.196, de 2023, que propõe o aluguel social para
as vítimas da violência no estado de São Paulo. Hoje um dos problemas colocados
é a questão da autonomia financeira. Muitas mulheres acabam voltando para o
lado do agressor, para o acompanhamento do agressor, porque muitas vezes não
têm condição financeira de se manter.
Então esse é
dos projetos que eu acabei apresentando também na Assembleia Legislativa em
2023, que seria uma forma também de garantir autonomia financeira das mulheres
para o combate a essa violência. Mas, reforçando, tem recursos no Orçamento, e
por três anos consecutivos o governador Tarcísio tem reduzido ou não utilizado
o recurso destinado ao combate à violência à mulher no estado de São Paulo.
Então o combate
à violência contra a mulher é um desafio de todos nós, não é da oposição, não é
da situação, é de toda a população do estado de São Paulo, é de toda a
população brasileira. Esse é um debate que tem que ser feito por todos e por
todas, mas, se tem recurso no Orçamento, se tem política pública, projetos
apresentados, o governador tem que executar.
Esse recurso
foi destinado para o Orçamento, não executou em 2024, não executou em 2025 e
queremos que execute em 2026, aumente a dotação orçamentária para que a
violência contra a mulher acabe no estado de São Paulo.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Dando
sequência à Lista Suplementar de oradores do Pequeno Expediente, deputado
Sebastião Santos. (Pausa.) Caio França. (Pausa.) Beth Sahão. (Pausa.) Thainara
Faria, tem V. Exa. cinco minutos regimentais para uso da tribuna.
A
SRA. THAINARA FARIA - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Nobre Sr. Presidente, servidores, policiais,
assessores, deputadas e deputados, pessoas que nos acompanham do plenário,
muito boa tarde. É difícil ser a voz das mulheres, quando nós todas estamos tão
machucadas. Então, desde já, peço desculpas por qualquer emoção.
Nós temos
muitas pautas importantes para defender no nosso país, é justo que o último
país a abolir a escravização do povo preto na América Latina venha a discutir o
fim da escala 6x1. É extremamente importante que nós, em um país onde 1%
concentra a maior parte das nossas riquezas e os outros 99% dividem o resto,
possamos nos posicionar para taxar, sim, os super-ricos, os bancos, as BETs.
Temos que taxar.
Mas não tem
nada mais urgente neste momento, dia 3 de março, às vésperas do 8 de março -
quando as nossas mulheres, décadas atrás, iam às ruas para defender pão e paz
-, tenhamos que falar dos casos que têm atentado violentamente contra a nossa
integridade física, mental, patrimonial. Não só dentro desta Casa,
televisionado. As violências políticas de gênero acontecem, mas fora daqui.
Se o caso do
estupro coletivo no Rio de Janeiro não atravessou cada um de nós, é porque nós
estamos mortos por dentro. Uma emboscada para uma menina de 17 anos, que voltou
com a sua calcinha ensanguentada para casa. Nós temos que dar nome à violência
e aos violadores.
E se qualquer
um de vocês que me acompanham agora disser que é porque ela estava vestindo
algum tipo de roupa ou porque ela já tinha namorado com o menino que preparou a
emboscada com os outros quatro adultos, eu digo a vocês: e o caso da freira que
foi estuprada e morta no Paraná? As vestes da freira convidavam o agressor a
violentá-la e estuprá-la, matá-la? Uma freira, uma senhora, no Paraná.
E a criança de
12 anos que, com o aval da própria mãe, era estuprada por um agressor de 35
anos? Um pedófilo que foi julgado e primeiramente absolvido por um
desembargador que pelo caso foi denunciado pelo sobrinho por estupro de
vulnerável, também, por pedofilia. O nosso Brasil, de norte a sul, está
adoecido pelo pacto da masculinidade, a doença desses “redpill”, a doença de
não aceitar um “não”. “Não quero mais esse relacionamento”. “Não quero mais
essa relação”.
E o caso do
homem que se achou no direito de matar os dois filhos, em Itumbiara, Goiás,
para atingir a esposa. É violência física. É violência mental, psicológica. É
violência patrimonial. E se calar diante desse cenário é ser conivente.
O nosso país
não pode conviver com a violência contra a mulher da maneira que tem convivido.
Nós, mulheres, mais uma vez iremos às ruas no dia 8 de março, e precisamos dos
nossos aliados do nosso lado. Todos nós temos que levantar a voz para dizer
“Basta de feminicídio. Basta de estupro. Basta de pedofilia”.
As mulheres que
resistem... As mulheres que sobrevivem a esses ataques viverão a vida inteira
lembrando de um estupro. E uma criança que não tem nem noção do que está
acontecendo com ela, quando ela se der conta da violação que ela passou a vida
inteira, o que será da vida dessa criança? É uma criança, gente. Uma criança de
12 anos.
E eu não
preciso ser mãe, esposa, irmã. É necessário ser humano para sentir isso. “E se
fosse com a sua mãe? E se fosse com a sua irmã?” Chega desse papo. A dor tem
que chegar na sua casa, a dor tem que chegar no seu coração se você é humano,
se você está vivo.
Peço, agora,
para que vocês reproduzam a cara dos bandidos que criaram uma emboscada para
estuprar uma menina de 17 anos. Inclusive, dois se entregaram, mas não acho que
se entregaram porque estão se sentindo culpados. Eu acho que eles acham melhor
a cadeia do que a morte, porque seriam linchados publicamente. Próximo slide,
por favor.
A vizinha da
Tainara, que foi arrastada e teve suas duas pernas amputadas, sofreu
feminicídio logo depois. À direita de vocês. À esquerda, o caso da Cibele. Ela
estava trabalhando em uma joalheria em São Bernardo do Campo, e o companheiro
foi assassiná-la no local de trabalho. Ou seja, a sensação de impunidade é tão
grande que ninguém se importa se tem outras pessoas no local. Ninguém se
importa se está no local de trabalho, se vai ser filmado, se vai ser preso. O
negócio deles é assassinar nossas mulheres. O próximo slide, por gentileza.
Eu só quero
chegar no ponto dos investimentos do estado de São Paulo. Uma policial
assassinada com um tiro na cabeça. A família está pedindo para que seja
investigado, porque suspeita-se de feminicídio também. Ninguém está livre, viu,
gente? Ninguém.
No próximo
slide, eu quero mostrar para vocês a evolução dos feminicídios no estado de São
Paulo: de 2018 para 2026, saltaram-se 22 casos de feminicídio, ou seja, uma
mulher por dia está sendo morta neste estado. Uma mulher por dia. Hoje,
inclusive, a gente pode receber a notícia de que mais uma mulher foi
assassinada, estuprada, e a resposta do governador do estado de São Paulo é a
seguinte: falta de investimento.
Quando ele
prevê orçamento para as mulheres, ele não executa. Quando ele coloca na folha,
ele não usa. A maioria dessas vítimas tinha medida protetiva, ou seja, adianta
pedir para ficar 500 metros longe? É a sensação de impunidade deste país. Se
não tiver Patrulha Maria da Penha, se não tiver políticas públicas
consistentes, investimentos, as nossas mulheres vão continuar morrendo, mas
isso interessa a um grupo de pessoas.
É o pacto do
patriarcado. É o pacto masculinista, que protege os homens, que protege os
homens brancos declarados héteros neste país. Se as nossas vozes não se
levantarem, nossas mulheres continuarão morrendo até que isso chegue em nossas
casas. Isso não pode ser permitido.
Muito obrigada
pela oportunidade de falar.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito
obrigado, deputada Thainara. Antes de dar sequência à Lista Suplementar, esta
Presidência informa que, cumprindo determinação constitucional, aditou à Ordem
do Dia o Projeto de lei nº 1.316, de 2025.
Na sequência, deputado Agente Federal
Danilo Balas. (Pausa.) Deputada Professora Bebel. (Pausa.) Deputado Mauro
Bragato. (Pausa.) Deputada Marina Helou. (Pausa.) Deputada Letícia Aguiar.
A
SRA. LETÍCIA AGUIAR - PL -
Obrigada, Sr. Presidente. Cumprimento V. Exa., meus colegas e quem nos
acompanha.
De fato, a
gente não consegue mais aceitar tanta violência contra a mulher, contra
crianças. Endosso aqui também e reforço a importância de termos políticas
públicas, mas nós precisamos também de uma legislação penal, criminal, mais
rigorosa.
Eu sou a favor
da redução da maioridade penal. Se com 16 anos pode escolher presidente da
República, pode escolher deputado, pode escolher senador, também pode ser responsabilizado
pelos seus atos. Essa menina foi emboscada pelo próprio namorado menor de
idade. Então, a gente precisa falar disso também.
Eu sou a favor
também da castração química para estupradores. Foi preso, está atrás das
grades: para voltar à sociedade, tem que castrar quimicamente, para que ele não
possa voltar a cometer novos crimes, novos estupros. Então, a gente precisa
avaliar esses pontos também, além de tantos outros.
Lugar de
criminoso contra a mulher é na cadeia. A gente precisa dar um recado claro para
as mulheres que têm a coragem de denunciar os seus agressores. Elas recebem
medida protetiva, mas têm medo de seguir em frente, porque muitas vezes esse
criminoso está solto, ou foi preso e já foi liberto.
As audiências
de custódia, a gente vê tanta coisa absurda acontecer nas audiências de
custódia. Então tem muita coisa dentro da legislação que precisa mudar. Redução
da maioridade penal tem meu apoio, e castração química também, para esses
criminosos.
Sr. Presidente,
utilizo também minha fala aqui hoje, estou recebendo uma visita muito especial
de Jaboticabal. Eu sou cidadã jaboticabalense, tornei-me cidadã da cidade com
muita honra, com muito orgulho, e hoje aqui recebendo meu querido vereador
Jonatas Carnevalli, vereador de Jaboticabal, junto com seu apoiador, com seu
assessor Renan, que estão hoje aqui nos visitando para a gente reforçar o nosso
apoio a mulheres que são mães atípicas, a famílias que são atípicas e a
crianças que são atípicas.
O vereador me
pediu assim: “Deputada, nós temos um projeto muito interessante para tornar
realidade em Jaboticabal, que é uma praça sensorial para crianças com autismo”.
Então, eu fui entender esse projeto e nós acabamos de enviar 200 mil reais para
que esse projeto da praça sensorial seja realizado, executado no município de
Jaboticabal.
Então, o
recurso já está na conta, a planta já está aprovada, e muito em breve vamos ver
os equipamentos adquiridos, comprados, e eu, com a benção de Deus, estarei lá
junto com nosso vereador Jonatas Carnevalli para inaugurar isso junto com as
mães, com essas mulheres atípicas que passam também por grandes desafios para
cuidar de seus filhos. Muitas dessas mulheres são abandonadas pelos seus
companheiros porque eles não suportam, não dão suporte a essas mulheres ao cuidar
dos seus filhos. Muitas dessas mulheres não conseguem mais trabalhar porque
precisam cuidar dos seus próprios filhos.
Então elas
também têm um problema de sobrevivência financeira. E muitas dessas mulheres
pedem socorro ao poder público. Então nós, como parlamentares, temos que
estender essa mão e fazer com que o nosso trabalho alcance a realidade das
famílias atípicas.
Em Jaboticabal
isso está muito próximo de acontecer, e eu fico honrada e feliz de poder
atender o pedido do nosso vereador Jonatas Carnevalli. E a todos de
Jaboticabal, obrigada pelo carinho. Conte aqui com esta deputada que tem a
honra de representá-los como parlamentar.
Muito obrigada.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito obrigado,
deputada. Bem-vindos, vereadores, todos da cidade de Jaboticabal. Um abraço a
todos vocês. Encerrando o Pequeno Expediente.
* * *
-
Passa-se ao
GRANDE EXPEDIENTE
* * *
Abrimos o Grande Expediente, iniciando
a lista de oradores. Chamamos à tribuna o deputado Eduardo Suplicy, em permuta
com o deputado Paulo Fiorilo. Tem V. Exa. dez minutos regimentais para o uso da
palavra.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro presidente Major Mecca, Sras. Deputadas, Srs.
Deputados, no último dia 25 de fevereiro, “O Estado de S. Paulo” publicou o
artigo do professor Walter Barretto Jr. no “Estadão”, o artigo “Renda Básica:
Proposta Viável ou Utopia?”, que diz o seguinte:
“A recente
declaração do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em evento no BTG, ao
afirmar que a Renda Básica poderia ser viabilizada por meio da unificação de
programas sociais brasileiros, recolocou o tema no centro do debate público.
Dediquei minha
pesquisa de doutorado ao estudo da Renda Básica - desenvolvida na Universidade
de Salvador, com período acadêmico na Universidade de Salamanca, tendo o Dr.
Eduardo Suplicy participado da banca e assinado o prefácio da obra ‘Renda
Básica Viável’.
A partir dessa
trajetória acadêmica, proponho aqui uma reflexão estruturada em três eixos de
políticas públicas. O primeiro consiste na criação de uma política de Estado
denominada Meta do Índice de Gini, voltada à redução gradual da desigualdade de
renda. O Índice de Gini é o indicador socioeconômico mais utilizado para
avaliar a desigualdade de renda.
O Brasil
permanece entre os países mais desiguais em renda do mundo: em 2023, ocupava a
15ª pior posição do ranking global e, em 2024, caiu para a 6ª pior posição, de
acordo com o Pnud da ONU; no World Inequality Report 2026, o País figura na 5ª
pior posição em estudo com 216 países.
Defendo que o Brasil estabeleça metas claras e mensuráveis de redução da desigualdade de renda - Meta do Índice de Gini -, à semelhança do que já ocorre com metas fiscais, metas de inflação e compromissos ambientais do Acordo de Paris, entre outras.
A proposta é deliberadamente conservadora em termos econômicos e políticos, de modo que o Brasil atinja, até 2040, um nível de desigualdade de renda, Índice de Gini, semelhante ao da Gâmbia, alcançando posição média no ranking internacional 14 anos.
O segundo eixo
é a renda básica viável, concebida como instrumento para o cumprimento da meta
do Índice de Gini. Trata-se de um modelo de redistribuição de renda financiada
por uma alíquota única sobre movimentações financeiras bancárias, com
possibilidade de isenção para cidadãos de menor renda, em que os recursos
arrecadados retornariam integralmente à população dentro do conceito de renda
básica.
Não se trata de
um imposto para ampliar a arrecadação do estado. Todos os recursos retornariam
aos brasileiros, ricos e pobres, trabalhando ou não, que receberiam um
benefício de igual valor. Dessa forma, quem movimenta mais recursos, cidadãos
de maior renda, contribuiriam nominalmente com valores mais elevados, enquanto
todos os brasileiros receberiam o mesmo montante por meio do benefício mensal
da renda básica.
Esse mecanismo
produziria uma redistribuição progressiva de renda. Para os mais ricos, haveria
um saldo financeiro líquido negativo, enquanto os cidadãos de menor renda
teriam resultado financeiro positivo, criando condições objetivas para o
cumprimento da meta do Índice de Gini e para a redução estrutural da
desigualdade de renda no País.
O terceiro
eixo, apresentado como exercício teórico, é a chamada renda básica utópica,
inspirada na ideia de utopia concreta, do filósofo alemão Ernest Bloch.
Considerando as despesas federais da rubrica proteção social em 2023, cerca de
1,18 trilhão, equivalentes a aproximadamente 17% do produto interno bruto, sua
distribuição, dentro do conceito de renda básica, para todos os 203 milhões de
brasileiros em 2023, resultaria num benefício anual estimado em cerca de R$
9.000,00 reais por pessoa, ou aproximadamente R$ 750,00 per capita.
Para uma
família média brasileira, cerca de 2,8 pessoas, isso significaria algo próximo
de R$ 2.100,00 mensais, 1,6 salários mínimos, em 2023. Essa família ainda teria
acesso aos serviços públicos e gratuitos de saúde e à educação e a
possibilidade de ampliar a renda por meio do trabalho sem perder o benefício da
renda básica, diferentemente do “Bolsa Família”.
Dessa forma,
sem aumentar um real de orçamento público, apenas promovendo uma redistribuição
mais equitativa dos recursos existentes na rubrica proteção social, a renda
básica utópica poderia decretar o fim da pobreza no Brasil, saindo do plano da
utopia e regressando à proposta concreta. O Brasil precisa, com urgência,
instituir uma política de Estado orientada à redução da desigualdade de renda.
A meta do
Índice de Gini, aliada a um mecanismo efetivo de redistribuição da renda que
permita ao País cumprir objetivos claros e mensuráveis, a renda básica viável,
para que deixe de figurar entre as nações mais desiguais do mundo e avance rumo
ao um desenvolvimento econômico e social mais justo.
Walter Barretto
Júnior, que, portanto, completou a sua tese de doutoramento de desenvolvimento
regional e urbano, autor da Renda Básica Viável para o Governo e o Congresso
Reduzirem a Alta Desigualdade de Renda no Brasil. Então eu gostaria de,
relacionado a este tema, divulgar aqui hoje a carta que estou enviando ao
ministro da Fazenda, Fernando Haddad. É o Ofício nº 34, de 2026, nos seguintes
termos:
‘Caríssimo
ministro da Fazenda, Fernando Haddad, gostaria de lhe dar especiais
cumprimentos por seu desempenho extraordinário, muito bem-sucedido em diminuir
a inflação e o desemprego, em aumentar o crescimento e em seus recentes
esforços para melhorar a eficiência das transferências de renda em direção à
renda básica de cidadania universal e incondicional’.
Mais e mais
vemos a publicação de inúmeros estudos acerca das formas viáveis de
financiamento da renda básica de cidadania. Por esse motivo, sirvo-me do
presente para solicitar a gentileza de me conceder uma audiência antes de
deixar o Ministério da Fazenda. Acredito que seria produtiva uma reunião dos
autores destes estudos com os principais membros de sua equipe, que têm se
debruçado sobre a pauta.
Além disso,
seria interessante incluir também os membros do grupo de trabalho que debateu a
gradual transição do programa ‘Bolsa Família’, a renda básica de cidadania no
Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, chamado Conselhão.
Antecipadamente, grato pela atenção dispensada, darei prioridade ao dia e hora
que for conveniente para o senhor e sua equipe.
Na
oportunidade, renovo votos de elevada estima e consideração. Um abraço amigo,
deputado Eduardo Matarazzo Suplicy.”
Sr. Presidente, Major Mecca, muito obrigado
pela sua condução.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito
obrigado, deputado Eduardo Suplicy. Dando sequência à lista de oradores do
Grande Expediente, deputado Tiago Auricchio. (Pausa.) Deputada Monica Seixas do
Movimento Pretas, por cessão da deputada Professora Bebel, tem, V. Exa., dez
minutos regimentais para o uso da tribuna.
A
SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa
tarde a todos. Bom, acho que o tema “violência contra a mulher” tem permeado os
nossos dias aqui na Assembleia Legislativa e deveria também permear as nossas
ações e os nossos resultados, enquanto Poder Legislativo do Estado de São
Paulo.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
Nos últimos
dias, a gente vem debatendo a necessidade de aumentar a educação e a punição
dos agressores para coibir feminicídios e estupro, mas é preciso também
discutir o cuidado com a vítima. Muitas outras mulheres que me antecederam aqui
na tribuna falaram da dor das sobreviventes, que vai segui-las, acompanhá-las
pela vida toda.
E aí ontem, no
caso da adolescente estuprada no Rio de Janeiro, eu fiquei pensando no quanto
nos falta construir o apoio às mulheres que passam por violências brutais como
essa e reconhecê-las como sujeito e tê-las centradas também, na forma de
justiça, em seu cuidado e sua reparação. O estado de São Paulo, no passado,
infelizmente não no presente momento, teve algumas políticas e programas no
acolhimento a mulheres vítimas de violência sexual.
As políticas e
os espaços de acolhimento às mulheres vítimas de violência sexual ficam no
mesmo espaço onde era e foi realizado o serviço de aborto legal. Está na mesma
chave. O aborto legal é um direito da mulher que sofreu violência sexual.
A gente tinha
no Pérola Byington um hospital de referência no acolhimento à mulher vítima de
violência sexual - mulheres e meninas - que não começa no acesso ao aborto
legal, mas tinha uma equipe preparada para acolher a vítima imediatamente após
a violência.
A gente pensa
pouco nisso. Eu, infelizmente, lido com isso cotidianamente. Mulheres me
procuram para pedir ajuda e denunciar. E, não raras vezes, elas não pensam no
acesso à saúde depois de passar pela violência. E passar pela saúde é
importante para tratar das dores físicas e emocionais. A gente está falando
dessa menina que chegou ensanguentada, com feridas no corpo, provavelmente uma
lesão na costela, mas tem também as dores da mente.
Tem também a
dificuldade de reconhecer a violência, mas tem também o acesso à profilaxia: a
pílula do dia seguinte, para evitar uma possível gestação; às medicações contra
infecções sexualmente transmissíveis, que é importante que uma vítima de
estupro acesse imediatamente após a violência. E com a destruição do serviço de
aborto legal no estado de São Paulo, a gente já não pode contar com esse serviço.
O Hospital da
Mulher, no Centro de São Paulo, em substituição ao Pérola Byington, instalou um
posto da polícia na porta. As vítimas de violência sexual têm que passar pela
polícia antes do médico.
Veja bem, uma
menina que ainda não sabe anunciar, dar nome à violência que sofreu, uma menina
que está sangrando, uma menina que precisa ser orientada nos cuidados da sua
saúde, até para evitar uma gestação fruto de estupro, a primeira coisa que ela
tem que pensar é: existe um lugar seguro, onde profissionais da Saúde vão
cuidar de mim, do meu corpo e da minha cabeça? Até para se fortalecer
psicologicamente, para fazer a denúncia, que é importante, porque não denunciar
só protege os agressores. Mas imagina ela dizer, ela pensar.
Isso acontece.
Eu acompanhei recentemente: 12 horas de espera para fazer a denúncia, sem tomar
banho, para, depois, uma vítima de estupro. Doze horas esperando para fazer a
denúncia, 12 horas para atendimento da polícia, para depois acessar a Saúde,
para depois conversar com os médicos. Essa lógica está invertida, porque punir
os agressores é muito importante, mas existe uma violência e uma vítima. E essa
vítima hoje já não conta com o Estado de São Paulo para ser reparada e cuidada.
A destruição do
serviço do aborto legal levou consigo a destruição da rede de acolhimento às
mulheres vítimas de violência sexual. E a gente segue batalhando por orçamento,
por recurso, por denúncia, para que as mulheres sejam cuidadas em sua
integralidade física e emocional.
Outro tema que
venho trazendo aqui - vou mudar de tema rapidinho -, é porque o Mecca ficou
provocando sobre a situação dos policiais. Eu acho justo e legítimo que os
policiais reivindiquem as promessas que foram feitas e não foram cumpridas.
Mas, se o Derrite não cumpriu a promessa de valorizar o policial, eu preciso
dizer que dinheiro, para ele, não está faltando.
Eu entrei no
tema dos conselhos das 19 empresas públicas do estado de São Paulo porque o Sr.
Diego Domingues, que agora vai presidir a Arsesp, fiscalizar a Sabesp, veio do
conselho da Sabesp. Aí a lista por todos os conselhos que ele passou me chamou
a atenção, porque eram dezenas. E, por cada conselho, ele ganha seis mil reais.
E aí, vendo a
lista dos conselhos das empresas públicas, eu vi o nome do ex-secretário e
agora deputado federal Guilherme Derrite em duas delas, da Cetesb e do Metrô.
Os rendimentos do secretário Guilherme Derrite chegam a 69 mil reais bruto por
mês como conselheiro.
Agora eu me
pergunto, com o que o ex-secretário Guilherme Derrite consegue contribuir na
Cetesb? Na Cetesb! É muito distante do que ele é profissional. Mas ele, por
estar nos conselhos das empresas públicas, não sofre o que os policiais que ele
dirigiu e prometeu dirigir sofrem, que é o baixo salário, porque fura o teto.
E aí, sim, vou
dizer: disse uma vez que não sabia de onde ele tirou o dinheiro para a mansão
de sete milhões dele, mas acabei de descobrir. O governador Tarcísio é muito
generoso com os seus colegas secretários e gasta cerca de 15 milhões por ano
com os 200 conselheiros das empresas públicas. Agora pergunta se no servidor
público ele está investindo. Acabou de baixar mais um decreto fechando
concurso, cargos e carreiras em todos os serviços públicos. Mas vamos em
frente.
Por fim, eu
quero aqui, presidente, me solidarizar com o servidor do Judiciário, o Sr. João
Carlos França Peres, cujo caso eu conheci em 2023. O Sr. João, servidor do
Judiciário na cidade de Ribeirão Preto, foi vítima de capacitismo por um juiz
federal, o Sr. Paulo Ricardo Arena Filho. O Sr. Paulo Ricardo quis
negar a ele um
direito constituído, por conta da deficiência desse servidor, de uma condição
de trabalho especial às pessoas com deficiência. Nós aprovamos aqui, em 2023,
uma moção de repúdio ao juiz e demos o nome, à ação, de capacitismo. E essa
ação continua sendo julgada na Justiça. O direito do servidor de acessar uma
condição de trabalho especial em função da sua deficiência - que o juiz nega,
inclusive.
A gente não
pode continuar aceitando que juízes se achem acima da lei e da Justiça. Está
todo mundo chocado, ainda, na seara da violência contra a mulher, com como um
colegiado de juízes aceitou o “casamento”... O casamento de uma criança de 12
anos e um homem de 35, porque sua família aceitava as cestas básicas.
Isso nega toda
a legislação, a jurisprudência do País, e abre prerrogativas e procedência para
que novas meninas sejam entregues a adultos pedófilos. Essa é a palavra. Não dá
para aceitar que juízes e juizados continuem legislando à sua cabeça e violando
a lei.
Portanto, todo
o nosso apoio ao servidor João Carlos França Peres, à sua luta pelas suas
condições de trabalho também é uma luta de toda pessoa com deficiência que está
no mercado de trabalho, que está no serviço público e que têm, resguardados
para si, seus direitos diferenciados para serem incluídos.
Obrigada,
presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos, querida deputada Monica Seixas. Eu gostaria de assinalar aqui a
presença do vereador Jé dos Luminosos, que está acompanhando o nosso deputado
Vitão do Cachorrão. Jé dos Luminosos é vereador de Itapetininga. Seja muito
bem-vindo. E buscando recursos para Itapetininga, especialmente junto ao nosso
deputado Vitão do Cachorrão.
Então, ainda no Grande Expediente, tem
a palavra a deputada Beth Sahão.
A
SRA. BETH SAHÃO - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Deputado Suplicy, que preside está sessão, querido
deputado, telespectadores que acompanham a TV Alesp, servidores desta Casa,
domingo agora, nós temos o dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher.
Sinceramente,
presidente Suplicy, eu gostaria de estar ocupando esta tribuna hoje para falar
de tantas coisas que eventualmente poderiam ter acontecido em relação às mulheres
aqui no nosso estado, coisas boas, mas, infelizmente, o que nós temos aqui é
uma verdadeira epidemia de violência contra a mulher.
O estado de São
Paulo, na verdade, foi o campeão de feminicídio no ano de 2025. Foi o estado
onde mais aconteceu o crime de feminicídio durante aquele ano. Eu vou dizer a
vocês: o Brasil teve 1.518 casos de feminicídio em 2025. O estado de São Paulo
teve mais de 10% desse número.
Ou seja, nós
chegamos, aqui no estado, em 2025, a 253 casos de feminicídio. É muita mulher sendo
assassinada apenas pelo fato de serem mulheres. E é uma coisa tão cruel o que
vem acontecendo, que eu fico assim, indignada e inconformada até com a forma
como isso acontece.
Deputada Ana
Perugini que está aqui, e que é mulher também neste plenário. Deputada, estes
dias eu vi um garoto de 18 anos... Uma mulher colocou o celular dela à venda e
esse garoto de 18 anos foi até a casa dela para comprar, para verificar o
celular e comprar.
Quando chegou
lá, quando viu o celular, ele tentou assediá-la, tentou beijá-la e ela se
negou, obviamente, porque não é não. Pois ele, não satisfeito, pegou uma faca e
começou a esfaqueá-la na frente dos filhos.
Então a
violência contra a mulher está chegando em um ponto que já não é mais
suportável, e é preciso que as autoridades comecem a tomar uma medida aqui
neste estado.
No final do ano
eu entrei com um processo contra o governador Tarcísio por omissão em relação
às políticas públicas voltadas para a redução da violência sobre a mulher,
porque o governador do estado é absolutamente omisso no que diz respeito a
implementação de políticas públicas nesse sentido.
Isso é tão
verdadeiro que os recursos que nós votamos e destinamos no Orçamento, seja na
Lei de Diretrizes Orçamentárias, onde a gente aponta as metas de políticas
nessa área, seja posteriormente na Lei Orçamentaria Anual, na LOA, onde a gente
coloca recursos para determinadas políticas, e o que ele faz? Ele contingência,
ele congela as verbas da Secretaria de Políticas da Mulher aqui no estado de
São Paulo.
Aliás, diga-se
de passagem, era um compromisso dele na campanha. Ele dizia que ia atender, que
ele ia fazer, que ele ia destinar verba, já se passaram mais de três anos, já
são três anos e dois meses de governo, e nada disso evoluiu, pelo contrário, a
situação da violência de gênero no estado de São Paulo só piorou.
Além de eu,
nesse processo, estar pedindo a responsabilização criminal sobre essa omissão
dele, nós também estamos pedindo para que ele apresente um plano emergencial
para poder ser implantado na área, dessa mesma redução de violência, seja na
questão do feminicídio, seja na questão do número de estupros, seja na questão
dos assédios, seja na questão das agressões que as mulheres vêm sofrendo, seja
na questão da discriminação - que tudo isso também é responsabilidade do estado
- porque não tem absolutamente nada em nenhuma área efetivamente voltada para
reduzir essa violência.
Se não...
Vejamos, as delegacias de defesa da mulher que deveriam, nas 144 delegacias que
nós temos no estado, funcionar 24 horas. Porque os estudos apontam que através
desse funcionamento de 24 horas elas são capazes de ajudar na redução da
violência, até porque a violência maior, segundo esses mesmos estudos e as
estatísticas, apontam isso que acontece no período noturno, nos finais de
semana e nos feriados, e é exatamente nessas horas que as delegacias de defesa
da mulher estão fechadas.
E agora, não
satisfeito, o que ele faz? Ele está fundindo os atendimentos, ele está
transferindo delegacias de defesa da mulher, que foi uma luta histórica da qual
muitas delas eu participei pessoalmente - nem deputada eu estava ainda - para
poder instalar as delegacias de defesa da mulher, porque a gente sabia que era
um equipamento, e continuam sendo um equipamento, importante no combate e no
enfrentamento a violência à mulher.
E hoje, depois
que essas delegacias foram instaladas, elas estão sucateadas, elas não têm o
espaço físico adequado, às vezes não tem profissional adequado. Faltam
investigadores, faltam escrivãs, faltam delegadas. Às vezes as delegadas têm
que ser aquela delegada táxi que atende em um lugar e depois tem que atender em
outro, tem que ir para outra cidade, tem que correr para lá, tem que correr
para cá.
E ainda, o que
ele fez? Ele transferiu delegacias. Fechou delegacias e as transferiu para
batalhões da Polícia Militar. A Polícia Militar tem o seu papel, ela tem uma
outra conjuntura, ela pode auxiliar nesse processo, e deve auxiliar nesse
processo e é importante que auxilie, mas ela não foi feita para isso, até
porque as mulheres se sentem humilhadas, se sentem envergonhadas, diminui a
possibilidade e a probabilidade de denúncia quando elas têm que fazê-lo em
locais que são compostos por homens e não por mulheres, muitas mulheres
continuam sofrendo assédio quando vão levar essa denúncia adiante, às vezes são
ironizadas, acontece muito isso e os exemplos são as dezenas de casos que a
gente ouve.
Em função
disso, diminui o número de denúncias e, neste sentido, às vezes, as mulheres
acabam se sujeitando a essa violência, continuando uma relação de abuso,
continuando uma relação tóxica, porque ela não tem espaços para onde socorrer,
seja através das delegacias da mulher, seja através da falta de casas-abrigos
que deveriam estar sendo instaladas nas principais cidades paulistas.
Eu não digo em
todas, porque é uma tarefa difícil levar para os 645 municípios casas-abrigos,
mas seria importantíssimo que essas casas fossem instaladas nas principais
cidades do estado. Porque uma mulher, às vezes, quer deixar aquela relação, mas
não tem força suficiente para isso, não tem independência econômica para isso,
a sua autonomia financeira é impossível, às vezes.
Às vezes, ela
depende daquele parceiro com quem está vivendo, daquele companheiro com quem
está vivendo, que ela está sofrendo agressões, que está sofrendo ameaças,
porque ela não tem para onde ir, não tem para onde levar os seus filhos.
Então a
situação é caótica. Olha, apenas, deputado Suplicy, que preside esta sessão,
somente no Tribunal de Justiça de São Paulo os pedidos de medidas protetivas
saltaram de 10.804, em 2015, para 118.258, em 2025. Um aumento de mais de
1000%, de mais de 1000 por cento! E medidas protetivas, a gente sabe que é
importante, que a Justiça desenvolveu essa questão que ajuda as mulheres, mas
não é suficiente para proteger as mulheres, infelizmente.
Porque o que a
gente tem acompanhado é que muitas mulheres com medidas protetivas estão sendo
vítimas de feminicídio, mesmo com a medida protetiva. Porque a medida protetiva
pode inibir o agressor, alguns até se sentem inibidos, eles não se aproximam da
vítima, mas outros não têm esse receio e acabam chegando, acabam agredindo e
acabam até matando as suas ex-companheiras, porque normalmente são
ex-companheiras.
E eu não
poderia deixar finalizar esta minha fala sem dizer onde que está a base disso
tudo. Está exatamente nesse machismo estrutural que nós temos na sociedade
brasileira, e isso que precisa ser trabalhado. E como que a gente trabalha
isso? Como que a gente enfrenta isso? Através da Educação.
Nós temos que começar
a promover a educação nas nossas escolas, educação de gêneros nas nossas
escolas, para que a gente tenha uma geração diferente, uma geração onde os
homens e as mulheres tenham os mesmos direitos, mas, mais do que isso, às
vezes, têm os mesmos direitos no papel, mas na prática a gente não consegue ver
isso materializado. Muito pelo contrário, as mulheres continuam sofrendo, as
mulheres continuam morrendo e nós precisamos dar um basta nisso.
E isso começa,
primeiro, com educação, mudanças até na grade curricular; segundo, com
investimentos maciços, coisa que o governador Tarcísio simplesmente abandonou.
Aliás, abandonou, não, porque ele nunca fez. Ele é omisso naquilo que diz
respeito a políticas protetivas em relação à mulher.
Por enquanto é
isso, Sr. Presidente. Certamente, neste mês de março, que é um mês bastante
emblemático para as mulheres, nós estaremos aqui ainda discutindo, falando e
cobrando mais sobre essa área que é tão importante para todos nós mulheres do
estado de São Paulo.
Obrigada, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos, deputada Beth Sahão.
Tem agora a palavra o deputado Rodrigo
Moraes. (Pausa.) Tem a palavra a deputada Ana Perugini, em permuta com a
deputada Leci Brandão, pelo tempo regimental de 10 minutos no Grande
Expediente.
A SRA. ANA PERUGINI - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Obrigada,
querido Presidente, sempre senador, mas, principalmente, nosso companheiro e
amigo, Eduardo Suplicy.
Eu venho aqui
depois de já ter ouvido, agora, a minha companheira de bancada, deputada Beth
Sahão. Ouvi, também, a deputada Thainara e ouvi também outros parlamentares
falando aqui a respeito do dia 8 de março. Nada para subtrair daquilo que foi
dito.
Mas o quanto é
importante que nós façamos deste espaço da tribuna um espaço de reverberar
aquilo que vem acontecido na vida das mulheres, principalmente aqui no estado
de São Paulo, porque aqui é onde nós tratamos da nossa responsabilidade mais
direta.
Nós estamos à
frente da Procuradoria Especial das Mulheres aqui na Casa desde o início do ano
passado. Eu havia dito que eu não ficaria na procuradoria se nós não tivéssemos
o mínimo de condição de ter estrutura dentro dessa procuradoria.
Em 25 de
novembro do ano passado, nós conseguimos inaugurar uma sala, ali ao lado da
delegacia, da delegacia e a defensoria do estado, onde nós temos, também, uma
sala que é ocupada no combate ao racismo ali do lado.
Nós temos uma
funcionária, uma estagiária. E conseguimos, com uma funcionária da Casa e uma
estagiária, traçar um fluxograma de atendimento às mulheres que chegam até a
Casa, porque aqui tem uma delegacia, aqui tem uma defensoria e aqui tem o maior
parlamento da América Latina.
Então é natural
que, muitas vezes, alguém pedindo socorro entra dentro de um táxi - como foi o
que ocorreu comigo assim que fui conhecer o mínimo da reforma das salas -,
precisava de socorro e vem parar aqui na porta da Assembleia Legislativa do
Estado. Nós não tínhamos, ainda, a sala para atendimento. Nós atendemos ali no
corredor mesmo. Fomos até a defensoria para que houvesse um atendimento
adequado de quem nos procurou ali naquele momento.
E os casos que
nos chegam são casos... Cada um não há nada igual ao outro, sempre com uma
diferença muito grande. Por último, nós tivemos um diálogo - porque aquela sala
também é um espaço de diálogo - com as mulheres que fazem parte de coletivos,
coletivos de mulheres, coletivos feministas, coletivos de proteção à gravidez
precoce. Nós conversando, uma das mulheres naquele encontro falou “Nós
precisamos fazer um mínimo de letramento para se saber o que nós temos de
direito, por que nós vivemos dessa forma”.
E agora no dia
11 de março nós vamos ter o curso que nós ousamos chamar de curso de Letramento
de Gênero, em parceira com o Instituto Legislativo Paulista e o Ministério
Público também vai estar presente conosco, a OAB vai estar presente. Olha, Dra.
Maíra Recchia, presidente da Comissão Estadual das Mulheres, vai estar presente
nesse encontro.
A Dra. Nathalie
Kiste Malveiro, que é procuradora de justiça do Ministério Público aqui em São
Paulo também estará. A Dra. Vanessa Therezinha Souza de Almeida, promotora de
justiça e coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério Público, também estará
presente.
Há um roteiro
que foi traçado por nós depois de muita discussão, que é como nós chegamos a
viver esse estado de violência que não nasceu assim. Ele foi construído dessa
forma em dado momento da história. Mas como é que nós chegamos aqui? Vamos
traçar todo o panorama da história.
Depois nós
vamos tratar da violência contra a mulher focando na Lei Maria da Penha, e com
conceitos que a Lei Maria da Penha nos traz, ali. Inclusive, falando da
violência constitucional.
Ainda ontem, me
chegou notícia de um desencorajamento sofrido por mulheres em uma cidade no
estado de São Paulo. Falei: “Preciso saber de mais detalhes, porque isso já
está tipificado”. Ninguém, nenhuma autoridade, pode dizer: “Olha, não faz isso.
Não faz boletim, não. Tenta uma conversa”.
Se a mulher
teve a coragem de procurar ajuda, nós, enquanto Estado, precisamos atender a
mulher. Jamais, jamais, em hipótese alguma, desencorajar. Porque essa atitude
muitas vezes, irresponsável, não está respeitando o texto da lei. Essa atitude
irresponsável pode levar, inclusive, a um novo feminicídio, como vem ocorrendo
aqui no estado de São Paulo.
Depois,
violência política de gênero. O que é isso, como ela se manifesta, quais são os
seus impactos. Por último, nós vamos tratar dos desafios que nós estamos
vivendo atualmente. Inclusive, tratando da violência política de gênero e da
violência política também.
Para que fosse
construído todo esse roteiro, nós dialogamos muito com muitos profissionais. E
há sempre um pedido de agravamento da pena, e não há crime que sofra mais pena
do que o feminicídio. É um crime hediondo, tem a pena maior do que qualquer
outro crime, sem qualquer soma, mas ele continua acontecendo.
Um dado
interessante dos profissionais que atuam nessa área, primeiro, a grande
dificuldade que as mulheres enfrentam é a de reconhecer que estão sofrendo
violência. Normalmente, a vítima não reconhece a violência que sofre.
E tem outros
dados que são por demais importantes, que aí sim dizem respeito ao governo do
estado e dizem respeito a este Parlamento, que é: nós precisamos investir em
políticas de combate à violência contra a mulher.
Primeiro,
precisamos garantir que, nas salas de aula, tenhamos a discussão sobre o que é
isso. Como é possível viver sem isso? É importante que haja discussão dentro da
sala de aula. Isso precisa acontecer.
A outra questão
que nós precisamos trazer à tona: a Conferência das Nações Unidas aponta que
nós precisamos de mulheres em espaços de poder. E nos espaços de poder divididos
com as mulheres, não é tolerável que qualquer liderança cometa violência contra
a mulher com chacota, com piadinha, com “cala a boca”.
Isso nós não
podemos mais tolerar. Aí é total intolerância com esse tipo de comportamento de
lideranças que ocupam espaços de poder, porque elas ensinam essa forma de
violência para a sociedade.
A outra
questão, como a deputada Beth bem colocou aqui: nós sabemos que o número de
casas-abrigo que temos no estado de São Paulo é absolutamente pequeno,
insignificante perto da necessidade das mulheres que necessitam desse
abrigamento. São casas que muitas vezes não podem abrigar quem está naquela
cidade. Muitas vezes, precisamos deslocar. São casas que têm endereços
absolutamente sigilosos e há toda uma tratativa para que a mulher possa chegar
até lá.
Outra questão
que se faz presente aqui, porque a legislação é densa e bastante dura, é que
precisamos dar condição para a vítima sair da situação de violência quando ela
faz a denúncia. Normalmente a vítima permanece na situação de violência porque
ela não tem condição econômica de sair dessa situação. Ela realmente não tem
essa condição e o Estado precisa dar essa condição econômica para a mulher sair
da violência.
Uma mulher que
depende economicamente, pela situação dela dentro de casa, com filhos, ela
pensa duas, três, quatro vezes. Normalmente uma mulher só sai para denunciar
quando a violência chega até o filho, até a filha. É isso, na prática, o que
acontece.
E a outra
questão que precisamos trazer aqui, para além do desencorajamento, que é uma
violência institucional, a questão das matérias transversais nas salas de aula,
os espaços de poder ocupados por mulheres, não aceitando que qualquer liderança
cometa qualquer tipo de violência contra nós, casas-abrigo no estado, condição
econômica para as mulheres: nós precisamos cumprir minimamente aquilo que é
colocado dentro do Orçamento público.
Não podemos
aceitar a retirada de orçamento das políticas de combate à violência contra a
mulher. A deputada Beth falou aqui muito bem do número de delegacias que não
funcionam à noite - se coloquem na pele de uma mulher vítima de violência.
Que horas esse
crime acontece? Por que essa mulher não tem a mesma liberdade, o mesmo
encorajamento, quando se trata de colocar a situação que está vivendo com um
profissional homem? Essa é uma questão na porta de entrada.
Conversando com
algumas delegadas, por que precisamos tanto de um apoio psicológico? Precisamos
de uma Casa da Mulher Brasileira nas regiões do nosso estado. Nós temos uma
aqui. No ano de 2016, foi aberto o processo para que pudéssemos ter em algumas
cidades, mas o fato é que precisamos de estrutura para entrar, tratar e
proteger essa mulher. Do contrário, a violência continua sendo perpetuada.
E o curso de
letramento de gênero, que acabei de falar, que vamos promover no dia 11, cujo
link está à disposição no site da Assembleia Legislativa. É só entrar no
Instituto Legislativo Paulista, é só entrar na Procuradoria Especial das
Mulheres. O curso será híbrido, ele vai ser presencial e pode ser feito online.
Ele vai trazer muita luz, como trouxe luz a Lei Maria da Penha, que mostrou a
violência que nós sofremos.
Aproveitando a
oportunidade, à sua Presidência, querido deputado, senador Eduardo Suplicy,
para além de tudo isso, precisamos ter a humildade de querer aprender uma
sociedade sem violência. Uma sociedade sem violência olha a mulher como ser
humano e não como um objeto, não como uma coisa.
Eu ouvi aqui
dentro deste plenário, certa vez, quando estávamos discutindo a Lei do Psiu,
que agora não se poderia mais olhar para uma mulher. Eu falei para o deputado
naquela ocasião que poderia sim, poderia, sim, olhar, contanto que a mulher não
se sentisse desnudada, não se sentisse ofendida, não se sentisse coagida e
intimidada com o olhar que lhe foi direcionado.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Conte Lopes.
* * *
Todos nós
podemos olhar uns para os outros e devemos olhar muito nitidamente uns para os
outros, mas nós precisamos saber que nós estamos olhando para um ser humano que
tem direitos como nós temos, tem obrigações como nós temos e são necessárias
neste mundo para que ele seja mais humano.
E nós
precisamos cumprir os objetivos do terceiro milênio. O Curso de Letramento de
Gênero vem ao encontro dessa necessidade de atingimento dos objetivos. E eu
espero que o curso sirva também para que nós possamos chegar a um plano que
está sendo discutido agora, que é o Efeito Werther, aquele efeito que causa a
notícia de um feminicídio, ou melhor, que causa a notícia de um homicídio no
jornal.
Hoje vocês
sabem que não se noticia homicídio em jornal, ninguém divulga, porque há um
efeito em cascata. Hoje já se estuda isso em relação aos feminicídios. Saibam
que nós tivemos em 48 horas aqui em São Paulo três feminicídios, três.
Um dos
feminicídios foi contra uma amiga, a vítima foi uma amiga de quem sofreu um
feminicídio, que foi a Thainara. E eu não falo de detalhes, porque eu entendo
que há algo que nós não devemos perpetuar, são formas, mas amiga de quem foi
vítima de um feminicídio e em 48 horas, três aqui no estado de São Paulo.
Então tem algo
grave acontecendo e fica a pergunta agora no ar: quem vai cuidar dos órfãos do
feminicídio? Quem vai tratar dessa sequela, dessa ferida na sociedade? Então eu
quero agradecer a oportunidade e convidar a todos que participem do nosso Curso
de Letramento de Gênero, e que nós observemos o Orçamento desta Casa e o
cumprimento do Orçamento desta Casa em todas as políticas que já são apontadas
como eficientes no combate ao feminicídio.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Permite, deputada Ana
Perugini? Só queria pensar...
O
SR. PRESIDENTE - CONTE LOPES - PL - O tempo de V.
Exa. já está... Sr. Deputado...
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - PARA COMUNICAÇÃO - É só uma reflexão diante do pronunciamento a respeito da violência
contra as mulheres. O dia que tivermos para valer uma Renda Básica universal e
incondicional, certamente haverá uma diminuição da violência contra as
mulheres.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - CONTE LOPES - PL - Agradecemos a
nobre deputada Ana Perugini e passamos ao próximo orador inscrito: o nobre
deputado Danilo Campetti. Vossa Excelência tem o prazo regimental de dez
minutos.
O
SR. DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS - SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde, Sr. Presidente, nobre
amigo, deputado Conte Lopes, uma honra ser presidido aqui por Vossa Excelência.
Quero cumprimentar as Sras. Deputadas, os Srs. Deputados, as assessorias, os
queridos servidores da Casa, que nos ajudam aqui nos trabalhos todos os dias,
os meus irmãos, policiais civis, militares, policiais penais, senhoras e
senhores que nos acompanham pela Rede Alesp.
Sr. Presidente,
números alarmantes. Em 2025, 1.470 mulheres morreram no Brasil. No Brasil! São
quatro mulheres por dia! Em que pese os discursos, em que pese os esforços aqui
ditos pelos oradores que me antecederam, nós temos que pensar em algo prático e
concreto para resolver esse problema.
Isso passa, Sr.
Presidente, para que a gente não crie bandido de carreira, para que a gente não
alimente a impunidade. As mulheres estão morrendo. A gente tem que agir, sim,
na Educação, tem que agir, sim, em outros setores, mas se não tiver pena, se
esse cara não cumprir a pena de ponta a ponta, isso não vai resolver. As
mulheres vão continuar morrendo, os celulares vão continuar sendo roubados, as
pessoas vão continuar sendo vítimas de homicídio.
Então a gente
tem que parar com essa questão teórica. Chega, vamos resolver na prática, vamos
tratar o criminoso como criminoso. Vamos lá trabalhar junto aos nossos pares no
Congresso Nacional, porque não é competência, não é atribuição nossa aqui
acabar com esses benefícios de vagabundo.
Tem que parar
com benefícios de vagabundo. Até quando a nossa sociedade vai ficar aguentando
criminoso andando livre e solto na rua, saindo na audiência de custódia,
recebendo uma coisa mais absurda do mundo, que são os benefícios da progressão
de regime de pena.
A saidinha
acabou, mas aí vem uma interpretação do judiciário: “Não, tem que ser do
momento em que terminou para frente, porque não há nada, a lei não pode
retroagir para prejudicar o réu”. Quem disse isso? Ah, tá na Constituição.
Está, exatamente, mas a gente está aqui é para mudar.
Nós somos
legisladores. Enquanto isso não for tratado a sério, o problema da violência
não vai acabar. Criminoso é criminoso. Criminoso tem que cumprir pena. A pena é
retributiva. Não tem essa palhaçada aí de ressocialização. Isso não existe. Eu
vou repetir, Sr. Presidente. Ressocialização não existe. Ressocialização é uma
fraude marxista, entendam. Entendam, não existe. “Ah, mas o outro lá é um preso
que estava lá, resolveu. Hoje ele trabalha.” Tá, porque se reabilitou.
A
ressocialização pressupõe uma responsabilidade do estado de trazer esse preso
para a sociedade. Isso não existe. A responsabilidade do estado é de manter
esse cara preso. O cara que estava lá, que estava preso e que entendeu, falou:
“Poxa, eu não vou ficar nesse lugar aqui, que é meio ruim. Eu não vou ficar
tomando pena, eu posso ser preso novamente, eu posso ser morto. Então eu vou
sair do crime.”
É o cara que se
reabilitou, não é o cara que se ressocializou não. Porque se o cara é um
criminoso, tranqueira, ele é um estuprador, e o cara recebe um cursinho de
contabilidade ou de fazer crochezinho de boné, ele só vai ser um cara que sabe
fazer boné, que sabe fazer contabilidade, mas vai continuar sendo estuprador.
Está na hora de a gente parar com isso daí. Está na hora de a gente ficar
relativizando a responsabilidade.
O cara é
criminoso. O cara que mata uma mulher, ele tem que responder e tem que ficar
trancado o tempo inteiro. “Ah, mas tem cara que é psicopata e tem uma
psicopatia.” Que fique preso. “Ah, mas não tem pena de morte.”
Está bom, mas
tem que ter prisão perpétua. Eu sou a favor da prisão perpétua. Não sou a favor
da pena de morte não, porque só Deus pode tirar a nossa vida. E com a justiça
falha que a gente tem, ia morrer muita senhorinha com Bíblia na mão.
Mas a pena, a
prisão perpétua, tem que ter. A gente tem que começar essa discussão: a
diminuição da menoridade penal. Até quando a gente vai fechar os olhos para
isso? Até quando a gente vai ficar cobrando só as nossas polícias, dizendo que
a culpa é da polícia: “A culpa é da polícia”.
Que polícia no
mundo funciona com um judiciário que solta numa audiência de custódia? Tem
ministro aí. O ex-ministro da Justiça se vangloriava: “Olha, política de
desencarceramento: 50 % dos que chegam na audiência de custódia, dos presos em
flagrante, são soltos.”
E aí, quem se
ferra? Quem se ferra é a senhora e o senhor que está aí, que vai virar vítima
de novo desse cara. Eu não estou nem um pouco preocupado com o preso. A minha
preocupação é com a sociedade, é com a população, deputado Conte Lopes. A gente
não pode deixar mais uma população vítima como está.
A gente não
pode mais ficar aqui com teoriazinha, com conversinha: “Não, porque a gente
precisa educar desde criança.” Está ótimo, beleza, mas e agora? E para quem vai
morrer amanhã? E para as quatro que vão morrer amanhã, o que eu faço? Eu vou
jogar a responsabilidade em cima de novo da polícia, que tem que ser
onipresente, tem que estar dentro da casa do cara que vai agredir a mulher?
A gente tem que
parar com isso. A gente tem que pensar no cidadão, tem que pensar na vítima, e
não ficar relativizando conceitos, e não ficar dizendo: “Olha, mas a gente tem
lá, o cara que cometeu tem uma justificativa, porque ele, quando era criança”,
eu não quero saber o que aconteceu com esse cara quando era criança; eu estou
preocupado é com a mulher que vai morrer agora.
Então vamos
pensar em algo efetivo, vamos pensar em algo concreto para proteger essas
mulheres, como o governador Tarcísio, por exemplo, fez aqui com a tornozeleira
para aqueles que cometem crime de violência doméstica ou tentativa de
feminicídio. Ele é tornozelado, e se ele passar no raio ali, o
georreferenciamento capta e a polícia vai lá. Essa é uma medida efetiva.
Vamos pensar no
acolhimento que foi feito aqui com relação até ao programa, que não é de
Segurança, mas de superação da pobreza, que manda uma equipe na casa da família
para identificar quais são as dores daquela família. Isso nunca foi feito. Isso
nunca foi feito. Nós temos um governo federal que fecha os olhos, que
relativiza a violência.
Eu vou falar
depois aqui da questão da guerra, não quero entrar agora. Mas está lá se
colocando a favor do Irã, repudiando os ataques. Onde já se viu isso?
Terroristas. Não tem, não tem nenhum tipo de negociação com terrorista.
Terrorista é bomba. Porque se você não matá-lo antes, ele vai juntar o positivo
e o negativo e vai se explodir com você conversando com ele. Então é isso que a
gente tem que fazer agora.
Aí chegou no
mês das mulheres. Medidas efetivas de combate ao feminicídio. Medidas efetivas
de proteção da mulher. Como se combate isso? Com combate à impunidade. Mantendo
o cara preso. Medidas de proteção a favor da mulher, e o cara que cometeu
qualquer ilicitude dessa tem que estar preso. Não tem outro caminho, Sr.
Presidente. Não existe outro caminho.
A gente não tem
que ter programa “Pena Justa”, a gente não tem que ter contribuição para preso,
que está preso, não tem que estar lá no regime previdenciário
“Auxílio-reclusão”. Que “Pena Justa”? Que programa absurdo, incoerente. Eu lá
quero colocar uma televisãozinha para ficar passando filminho para preso. Os
caras estão dando risada disso daí. Eu lá quero fazer que preso tenha aula de
jiu-jitsu. Que absurdo. Onde nós vamos parar com essa impunidade?
Eu estou
preocupado é com a vítima. Eu estou preocupado com a mulher que tem que sair,
tem que trabalhar o dia inteiro. Ela chega à noite em casa, tem que sair do
ônibus até a casa dela, e ela está correndo perigo naquele momento.
E se eu deixar
uma tranqueira dessa, um vagabundo desse na rua, esse cara vai pegar, vai
estuprar essa mulher, vai matar essa mulher. É esse, é esse o meu foco. É esse
o meu foco. Não é o foco do ladrão, não é o foco daquele que comete crime, não.
Obrigado, Sr.
Presidente.
A
SRA. PROFESSORA BEBEL - PT - Pela ordem, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CONTE LOPES - PL - Pela ordem,
nobre deputada Professora Bebel.
A
SRA. PROFESSORA BEBEL - PT - Para fazer uso do
Art. 82, pela liderança da Minoria.
O
SR. PRESIDENTE - CONTE LOPES - PL - Vossa
Excelência tem o prazo regimental de cinco minutos.
A
SRA. PROFESSORA BEBEL - PT - Muito obrigada, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CONTE LOPES - PL - Acabando,
encerrando o Grande Expediente.
A
SRA. PROFESSORA BEBEL - PT
- PELO ART. 82 - Bem, boa tarde, Sr. Presidente. Cumprimento a Mesa Diretora de
trabalho, dos assessores à minha esquerda, à minha direita, público que está
presente aqui, enfim, todos que nos ouvem e assistem através da Rede Alesp.
É importante
refletir, não só esta semana, mas eu acho que o tempo todo, sobre o papel da
mulher na sociedade. O papel da mulher na sociedade, hoje, ela compõe a
população economicamente ativa. Nós somos maioria na sociedade, mais de 50 por
cento. Nós somos aquelas que, se comparado o nível de formação, homem e mulher,
nós que temos mais formação.
Então eu
acredito que, quando a gente vai para o debate, da forma como a mulher continua
sendo tratada ainda, desde um período que foi - é bastante difícil de
acreditar, mas foi -, a mulher era propriedade do homem, ela continua sendo,
porque na medida em que um namorado não aceita que a namorada, enfim, que eles
não fiquem juntos, o namorado faz como fez com a Tainara, arrasta a Tainara em
um carro, até que ela morre, depois amputa as pernas e morre.
Quem foi que
tipificou o feminicídio como um crime de violência sobre as mulheres? Foi uma
grande mulher, que foi a ex-presidenta Dilma Rousseff. Ela que tipificou. Esse
crime era colocado como crime comum, junto com os crimes comuns, e ele não é
comum.
A Lei Maria da
Penha prevê a prisão do agressor e também a medida protetiva para que não se chegue
até a mulher que fez a denúncia e diz que está sendo importunada pelo homem.
Então acredito
que temos leis muito fortes, construídas não com ódio, não é dessa forma, mas
construídas de uma forma que a gente consiga colocar claro que as mulheres ainda
são tratadas como coisas, como objeto dos homens e que, dessa forma, os homens
não podem ser contrariados.
Se a mulher
ganha mais que o homem, você sofre já um machismo, uma misoginia. Se a mulher
está em um cargo de poder. Se tem uma pessoa que pode dizer que já sofreu muito
com machismo e misoginia, essa pessoa sou eu, dirigindo o maior sindicato da
América Latina, pela forma como os homens se dirigiam e se dirigem a mim. Mas,
como professora que sou, eu, por óbvio, sei me colocar. Mas não são todas as
mulheres assim.
Então, quando o
presidente Lula lança um pacto nacional incluindo homens em prol do combate ao
feminicídio, o presidente Lula está dizendo: “nós, homens, estamos falhando com
as mulheres”.
O
reconhecimento disso já é um grande passo para a gente vencer essa onda de
feminicídio. Se a cada 48 horas morrem três mulheres, essa conta não para,
deputado Conte Lopes, presidente. Não para. Então nós temos que ter, sim,
preocupação.
Perguntar: por
que nos odeiam tanto para nos matar? Por que nós conseguimos o voto feminino?
Por que nós conseguimos demonstrar que nós somos capazes de tocar o lar? Por
que nós somos capazes de ser mãe, mulher, enfim, administradora do lar e de
tantas outras coisas? Por isso nos odeiam e nos matam? Porque amor não mata.
Amor cuida, é preservação e cuidado. Dizer que eu mato por amor, isso é uma
enganação. Isso, na verdade, esconde uma, como eu diria, verdade que é a
seguinte, eu mando e não quero que ninguém esteja acima de mim.
Eu tenho,
graças a Deus, um exemplo em casa, porque tenho uma mãe que é muito simples,
mas ela, além de ser arrimo de família, era o braço direito do meu pai. E eu
tenho o exemplo de ter um pai, de ter tido um pai, que faleceu,
lamentavelmente, que, na verdade, aceitava ser dominado por quatro mulheres,
eu, minhas duas irmãs e minha mãe. E ele gostava, ele achava um clima bom.
Então eu tenho essa vivência, mas não são todas que têm. E, por isso, a gente
se emancipa. Não só por isso, mas a gente também está preparada para enfrentar
todas as discussões.
Então, não!
Chega de feminicídio. Mulheres vivas. Vamos entrar no pacto pelo combate ao
feminicídio em todo o Brasil. Não estou falando do estado de São Paulo, estou
falando do Brasil.
Muito obrigada.
O
SR. DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS - Pela ordem,
Sr. Presidente. Para fazer uso do Art. 82, o tempo de liderança.
O
SR. PRESIDENTE - CONTE LOPES - PL - Vossa
Excelência tem o prazo regimental de cinco minutos.
O
SR. DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS - Obrigado, Sr.
Presidente.
A
SRA. PROFESSORA BEBEL - PT - Pela ordem, Sr.
Presidente. Uma breve comunicação? Serei breve. Um minutinho, com a sua
anuência.
O
SR. PRESIDENTE - CONTE LOPES - PL - Vossa
Excelência tem o prazo regimental.
A
SRA. PROFESSORA BEBEL - PT - PARA COMUNICAÇÃO - Ok, muito obrigada,
Sr. Presidente. Nós estamos aqui na Casa, vocês viram que tem a presença de
professores aí andando pelos corredores, para tratar do Projeto nº 1.316. Esse
projeto que vai, mais uma vez... Vai ter uma outra reforma administrativa na
gestão. E cria injustiças sobre os professores no que diz respeito à avaliação
de desempenho punitiva; no que diz respeito a não ter direito a ter uma falta
para poder ir ao médico; no que diz respeito à forma de evolução.
Enfim, eu
pergunto a V. Exa., que é da polícia: seria legal, na polícia, ter avaliação de
desempenho para ter reajuste, Sr. Deputado, Sr. Presidente? Eu acho que os
senhores não concordariam com isso. Mas essa política de subsídio que está aí
colocada abre esse precedente.
Mas, se o
governo quiser, não precisa. Você pode colocar elementos de evolução na
carreira que não necessariamente, deputado Danilo Campetti, sejam só avaliação
de desempenho. O tempo de serviço denota conhecimento.
O senhor,
quando começa uma profissão, atua no primeiro dia; depois, no segundo, no
terceiro e no décimo dia, o senhor sabe como é que o senhor está. Cada
experiência é necessária. E isso é retirado, inclusive, desse PL 1.316, que é
um ataque frontal.
Eu não gosto de
ameaçar, dizer “olha, se votar, não volta”. Mas eu acho que é muito impopular,
neste momento, o governador jogar para a Casa um projeto de lei desse que mexe
com vida de professores, professoras, e com o qual os senhores poderão deixar
uma marca muito triste na Educação do estado de São Paulo.
Muito obrigada.
(Manifestação nas galerias.)
O
SR. PRESIDENTE - CONTE LOPES - PL - (Inaudível.),
nobre deputada. Com a palavra, o nobre deputado Danilo Campetti, pelo tempo
prazo regimental de cinco minutos.
O
SR. DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS - PELO ART. 82 - Obrigado, Sr. Presidente. Retorno à tribuna
para falar de um assunto também muito importante no contexto geopolítico
mundial, que se refere à reação, agora, em conjunto, dos Estados Unidos e de
Israel, contra o terror que está estabelecido há décadas pelo regime tirânico
dos aiatolás do Irã.
Temos que
enfatizar que essas ações preventivas têm repercussão no mundo todo,
especialmente para nós aqui do ocidente. Já havia notícia de que o Irã tinha
enriquecido urânio a sessenta por cento.
Sabemos que,
para que se tenha uma bomba atômica efetiva, esse urânio deve ser enriquecido
acima de 85%, 90%, mas o urânio enriquecido a 60% já diz mais ou menos o que
era aquela bomba de Hiroshima e Nagasaki, lançada 80 anos atrás.
E eu venho
aqui, Sr. Presidente, repudiar veementemente o governo brasileiro pela sua nota
oficial, que foi contra os Estados Unidos e favoreceu o Irã. Mas vamos entender
quem é o tal do Ali Khamenei, que foi eliminado. Aliás, Ali Khamenei eliminado
é um jogo de ganha-ganha, né?
É bom para nós
aqui, que temos menos um demônio na Terra, e é festa no inferno também, que
recebe mais um integrante de onde nunca devia ter saído. Então pode passar,
Wagner, a primeira... Olha o que ele fazia: ele mandava estuprar as meninas na
prisão antes da execução, porque a lei proibia executar virgens.
Nós estamos no
mês das mulheres. Por que você vem defender as mulheres aqui e relativiza lá do
outro lado do mundo? O princípio é diferente? Pode passar. O pessoal que
defende os LGBTs, olha aí: “Khamenei enforcou homens gays em guindastes em
praças públicas”. Pode passar.
Qual é a
democracia lá, qual é a liberdade de um LGBT lá no Irã? E estão defendendo o
Irã, a esquerda defende o Irã. Mês das mulheres: essa mulher foi morta só
porque mostrou o cabelo. A polícia da moral, do Khamenei, dos aiatolás mataram
ela a pedradas e porrada. É isso aí.
Agora, a gente
precisa ter o mínimo de coerência - pode passar, Wagner. Vir aqui e pedir
proteção das mulheres e fechar os olhos para o que está acontecendo em um
regime tirânico como esse.
A luta pela
liberdade, princípio básico da democracia, isso é pena de morte lá. Passa,
Wagner, por favor. Lembra do Bashar al-Assad na Síria? Pois é, o Irã financiava
o gás sarin que matava crianças. Pode passar, Wagner.
Então nós temos
um demônio a menos aqui no mundo, o mundo está mais feliz. E aí o que a gente
como país... A gente não, porque eu não faço parte, nunca faria parte disso.
Mas o governo brasileiro... E a população não faz parte disso também. O que o
governo brasileiro faz? - Pode colocar, Wagner - Declara apoio ao Irã e critica
os Estados Unidos.
O governo do
PT, o governo da esquerda está sempre do lado errado. É coincidência? Não é, é
método, gente. Eles não estão nem aí para a população, eles não estão nem aí
para aquelas mulheres que foram mortas. “Ah, mas é outro país, é
autodeterminação dos povos”. Mas a autodeterminação pressupõe democracia, eles
vivem sobre um regime tirânico.
Israel e
Estados Unidos estão livrando o mundo dessa peste, desse extremismo, porque se
não livrar vai chegar aqui, eles vão chegar aqui e nossa hora vai chegar. Hoje
são os iranianos, amanhã eles vão estender até o ocidente. Então parabéns,
presidente Trump. Parabéns, Estados Unidos. Parabéns, Israel. Parabéns, premier
Benjamin Netanyahu, por essa força tarefa que está extirpando o terrorismo.
Tem mais uma
foto, Wagner? E aí nós temos o ilustre presidente atual, descondenado,
conversando com esse demônio que matava mulheres, que mandava estuprar
mulheres, porque não podiam ser executadas virgens, que mandava dinheiro para o
terrorismo lá da Síria através... Que matava crianças pelo gás sarin, que
matava LGBT’s. Vai lá fazer uma parada gay no Irã para você ver o que acontece.
Mas aí nós
temos a esquerda defendendo: “Não, é a pacificação, é autodeterminação dos
povos”. Vai lá conversar com terrorista, vai lá tentar negociar com ele, vai lá
que você vai ver o que vai acontecer. Três segundos e uma bomba explode do seu
lado.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O SR. DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS - Sr.
Presidente, havendo acordo de lideranças, eu solicito a suspensão dos trabalhos
até às 16 horas e 30 minutos.
O
SR. PRESIDENTE - CONTE LOPES - PL - É regimental.
Antes de encerrar, eu só queria colocar que esta Assembleia sabe o que é feminicídio
na figura do nosso amigo deputado Márcio Nakashima. Márcio Nakashima perdeu a
irmã, ele não era deputado na época e veio me procurar no meu gabinete falando
que a Mércia havia saído para almoçar no domingo, era uma segunda-feira quando
ele me procurou.
Foi almoçar na casa dos pais com o
namorado, um tal de Misael que era advogado e ex-policial militar, a Mércia não
conseguiu chegar em casa e ele não conseguia mais saber onde ela estava.
Ficamos 15 dias procurando a Mércia, Dr. Olim é testemunha disso, porque ele
estava no DHPP e nós pedimos o apoio dele.
Foram 15 dias para achar essa moça, e
ela estava dentro do carro dela jogada dentro da represa. Com carro e tudo, né,
lógico. E esse Misael sempre na televisão dizendo que ele estava sendo acusado,
mas não era culpado de nada, e foi provado que ele matou. Achamos a moça e ele
foi condenado.
Ficou no presídio da Polícia Militar,
no Barro Branco, presídio dos policiais militares, depois foi parar na prisão
dos famosos. Outro dia estava assistindo televisão e está o Sr. Misael saindo
de terno e gravata da cadeia e agora está processando o Marcio Nakashima que o
atacou desta tribuna.
Então veja que inversão de valores, não
é? Enquanto a moça está morta, ele já cumpriu sua pena, entre aspas, e está na
rua, sei lá se advogando ou processando um irmão que reclamou da morte da irmã.
Então, enquanto houver impunidade, bandido faz o que bem entender.
Está suspensa a sessão até as 16 horas
e 30 minutos.
*
* *
- Suspensa às 16 horas e 15 minutos, a
sessão é reaberta às 16 horas e 39 minutos, sob a Presidência do Sr. André do
Prado.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Reaberta a
sessão.
Ordem do Dia.
* * *
-
Passa-se à
ORDEM DO DIA
* * *
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Há sobre a
mesa Requerimento de Urgência do Projeto de lei de Resolução nº 25, de 2025, de
autoria dos deputados Maurici, Donato, Eduardo Suplicy, Teonilio Barba, Reis,
Luiz Fernando Teixeira, Rômulo Fernandes, Dr. Jorge, Luiz Claudio Marcolino,
Paulo Fiorilo, Emídio de Souza, Enio Tatto e das deputadas Márcia Lia, Beth
Sahão, Thainara Faria, Professora Bebel, Leci Brandão e Ana Perugini.
Em discussão. Não havendo oradores
inscritos, está encerrada a discussão. Em votação. Os Srs. Deputados e as Sras.
Deputadas que estiverem de acordo permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovado o requerimento.
Há sobre a mesa requerimento do nobre
deputado Eduardo Suplicy com número regimental de assinaturas nos termos do
Art. 35 do Regimento Interno, para a constituição de uma comissão de
representação com a finalidade de participar do lançamento do Centro de Memória
às Vítimas de Violência de Estado, a realizar-se no dia 4 de março do corrente
ano no município de Santos, a ser custeada via verba de gabinete parlamentar.
Em votação. Os Srs. Deputados e as
Sras. Deputadas que estiverem de acordo, permaneçam como se encontram. (Pausa.)
Aprovado o requerimento.
O
SR. LUIZ CLAUDIO MARCOLINO - PT - Pela ordem, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Pela ordem,
deputado Luiz Claudio Marcolino.
O
SR. LUIZ CLAUDIO MARCOLINO - PT - Havendo acordo
entre os líderes, quero solicitar o levantamento da sessão.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - É regimental o
pedido de V. Exa., deputado Luiz Claudio Marcolino.
Então, havendo acordo entre as
lideranças, esta Presidência, antes de dar por levantados os trabalhos, convoca
V. Exas. para a sessão ordinária de amanhã, à hora regimental, com a mesma
Ordem do Dia de hoje, lembrando ainda da sessão extraordinária a realizar-se
hoje, dez minutos após o término da presente sessão.
Está levantada a sessão.
*
* *
- Levanta-se a sessão às 16 horas e 40
minutos.
*
* *