
8 DE DEZEMBRO DE 2025
179ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: EDUARDO SUPLICY, LUIZ CLAUDIO MARCOLINO e CARLOS GIANNAZI
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h01min.
2 - LUIZ CLAUDIO MARCOLINO
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
4 - LUIZ CLAUDIO MARCOLINO
Assume a Presidência.
5 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
6 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
7 - LUIZ CLAUDIO MARCOLINO
Por inscrição, faz pronunciamento.
8 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência. Endossa o pronunciamento do deputado Luiz Claudio Marcolino.
9 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
10 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
11 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
12 - EDUARDO SUPLICY
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
13 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Defere o pedido. Informa medidas contra política adotada pela Secretaria da Educação, referente à atribuição de aulas e à avaliação de desempenho de professores. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 09/12, à hora regimental, com Ordem do Dia. Levanta a sessão às 14h50min.
* * *
ÍNTEGRA
* * *
- Assume a Presidência e abre a sessão
o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
-
Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
* * *
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Presente o
número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus,
iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da
sessão anterior e recebe o expediente.
Vamos à lista de oradores do Pequeno
Expediente, com a palavra o deputado Dr. Jorge do Carmo. (Pausa.) Paulo Fiorilo.
(Pausa.) Luiz Claudio Marcolino. Tem o tempo regimental para usar a palavra,
deputado Marcolino, do Partido dos Trabalhadores.
O
SR. LUIZ CLAUDIO MARCOLINO - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde, Sr. Presidente, nobre deputado Eduardo
Suplicy, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, hoje trago aqui uma denúncia em
relação à Sabesp. Poderia colocar, Machado, aqui as transparências.
Então, a
Sabesp, nesses últimos dias a gente tem visto de forma reiterada em diversas
cidades, em diversos bairros o descaso com a população da nossa cidade e do
nosso estado. Então trago hoje aqui duas denúncias, uma denúncia da cidade do
Guarujá e uma outra de Ferraz de Vasconcelos.
A realidade do
Guarujá. Poderia passar, Machado, para a gente ir colocando. Aqui é a cidade do Guarujá: torneiras secas
por meses, moradores de diversos bairros, como Vicente de Carvalho, Parque
Enseada e no Jardim Mar e Céu, enfrentam o desabastecimento prolongado e baixa
pressão.
Em abril foi o
período mais grave e continua o período até agora no mês de dezembro. A crise
acaba afetando a rotina de residências, compromete o funcionamento de escolas,
unidades de Saúde e gera um grave problema de higiene e Saúde Pública.
Em abril deste
ano, a prefeitura falava em torno de 150 mil pessoas afetadas. A Sabesp,
inicialmente, minimizou e reconheceu o número de 20 mil. De qualquer forma, é
um número muito grande, 20 mil pessoas hoje desassistidas na região do Guarujá.
Trouxe aqui uma
denúncia do Cleiton de Melo Souza. Ele, inclusive, é um morador do Jardim Mar e
Céu, aposentado por invalidez devido a sua deficiência visual. Foi feito o
pedido de ajuda na Sabesp. Até conseguiu um caminhão-pipa para a sua casa e foi
recusado que o caminhão-pipa pudesse garantir o abastecimento.
A exigência que
foi feita para ele, alegaram que era ele mesmo que teria a obrigação de subir
no telhado para manusear a mangueira e abastecer a sua própria caixa, mesmo
clientes com deficiência visual. Essa foi a resposta da Sabesp para esse
morador da região do Guarujá e o serviço não foi realizado. Passar aqui a
próxima. Então é uma indignação geral lá nesse bairro do Guarujá.
Em resposta, o Cleiton relata ter sido
intimidado por um oficial da Sabesp que o ameaçou de um processo por estar
fazendo reclamações descabidas. Então a gente vê aqui a inversão de valores. A
Sabesp não faz o seu serviço, encaminha um caminhão pipa e ainda obriga o
próprio morador a fazer o abastecimento da caixa d’água.
E não para por
aí. Porque nessa transparência, agora, demonstra que esse rastro alastra. Esse
padrão de negligência que teve lá na cidade do Guarujá acontece, também, em
relação a outras cidades daqui do estado de São Paulo. Então no verão de 2025,
a falta de saneamento adequado foi apontada como vetor para o grave surto de
vírus em todo o litoral, mostrando como a falha do sistema afeta a saúde de
todos.
E quem é que
paga a conta? A população paga por duas vezes. Paga a tarifa de água, que não
garante o serviço e nem a própria saúde dos moradores. Vamos ver se, agora, em
2026, de 25 para 26, se esse descaso vai continuar.
E na cidade
Ferraz de Vasconcelos também há crise no abastecimento. Bairros afetados: Vila
São Paulo, Parque São Francisco, Jardim Dayse, Vila Margarida, Vila Cristina,
entre outros. Os moradores estão há mais de dois dias sem água, impedidos de
realizar necessidades básicas e higienes de consumo. O impacto na população,
ainda mais agora, com as temperaturas acima de 30ºC. E não tem ainda data de
normalização para a cidade de Ferraz de Vasconcelos.
Então o pessoal
faz aqui um repúdio, o PT da cidade, publicamente já na cidade estamos fazendo
a cobrança aqui também a partir do pedido do Partido dos Trabalhadores. “Ferraz
de Vasconcelos: água não é mercadoria, é um bem essencial à vida”. Cuidar do
povo exige mais recurso, exige respeito e água na torneira, coisa que não
acontece, também, em Ferraz de Vasconcelos.
Então, os
compromissos que o pessoal tem desenvolvido: tem cobrado já da Sabesp da
região. O PT segue acompanhando a situação e pressionando pela solução. Reforça
o compromisso histórico com a democracia e o bem-estar da população do
município de todas as cidades do Alto Tietê.
E a lógica por
trás da ineficiência, desde que foi privado em 2024 o foco da Sabesp tem sido
apenas distribuir o lucro dos acionistas, não tendo a preocupação com a
população da nossa cidade e das cidades as quais a Sabesp é responsável hoje
pela gestão da água. E é eficiência para quem?
Nós estamos
vendo que, em tese, aquela eficiência toda que a Sabesp tinha, que alegaram que
fariam após a privatização... Está tendo o desmonte de uma empresa tão
importante para o nosso Estado. E agora, além de cobrar aumentos de tarifas,
ainda não tem feito o serviço como deveria.
Então o que nós
cobramos da Sabesp é o respeito aos consumidores no estado de São Paulo, não
apenas distribuição de lucros para os acionistas, como nós estamos vendo nesses
últimos tempos. Então tem aqui essas duas cidades, Guarujá e Ferraz de Vasconcelos,
denunciando o impacto da crise hídrica. E não é impacto da crise hídrica, é o
não serviço como deveria ser feito pela Sabesp nessas duas cidades.
Então eu
queria, Sr. Presidente, que fosse encaminhada essa minha fala à secretária
Natália, que é a secretária que hoje é responsável pela gestão também da Sabesp
no estado de São Paulo, à Arsesp, que é a agência reguladora que controla a
questão da Sabesp no estado de São Paulo, e para a Presidência da Sabesp, para
que possam tomar conhecimento e resolver tanto o de Guarujá quanto o de Ferraz
de Vasconcelos.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Muito bem,
deputado Marcolino. Solicito à Mesa que tomem as providências de enviar às
autoridades citadas o seu pronunciamento, para que possam tomar as devidas
providências.
Tem a palavra agora o deputado Fábio
Faria de Sá. (Pausa.) Deputado Reis. (Pausa.) Deputada Professora Bebel. (Pausa.) Deputado
Marcelo Aguiar. (Pausa.) Deputado Carlos Giannazi, do PSOL, já está na tribuna.
Tem
a palavra pelo tempo regimental e com a devida tolerância.
O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente deputado
Eduardo Suplicy, telespectador da TV Assembleia.
Sr. Presidente, a gestão Tarcísio/Feder continua com a
sua marcha de insensatez contra a Educação estadual. Como eu disse aqui
inúmeras vezes, tenho denunciado sistematicamente e em exaustão o fechamento de
salas e turnos, sobretudo do período noturno, impedindo, dessa forma, que
alunos trabalhadores, alunos que trabalham durante o dia, alunos que estudam cursos técnicos, por exemplo,
durante o dia ou que tenham outro tipo de atividade não possam mais estudar no
período noturno no ensino médio.
Isso vem
acontecendo de uma forma generalizada em todo o estado de São Paulo. Tenho
feito essa denúncia sistematicamente, Sr. Presidente, quase que semanalmente
dando conta dessas escolas que passam por essa situação.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Luiz
Claudio Marcolino.
*
* *
Nesse último sábado, eu estive em
Itapevi, me reuni com professores, com alunos das escolas públicas da região e
lá, Sr. Presidente, recebi mais uma denúncia, mais uma escola tendo o seu
curso... Salas fechadas, salas sendo impedidas de serem formadas para o ensino
médio regular. Eu me refiro aqui à Escola Estadual Alferes Henrique Sammartino,
que fica, Sr. Presidente, essa escola fica em Jandira.
E a Diretoria de Ensino que cuida
dessas escolas é a de Itapevi, que é uma cidade que faz fronteira com Jandira.
Então, na verdade, essa escola Alferes Henrique Sammartino fica em Jandira, lá
no bairro Jardim Rosa Emília, uma escola de periferia, que precisa do curso
noturno para atender a demanda escolar, para atender o que determina a nossa
Constituição e, sobretudo, a nossa LDB, a Lei de Diretrizes de Base da Educação
Nacional, no seu Art. 4, que diz que o governo tem que fazer a oferta do ensino
noturno regular, adequando às condições do educando, está aqui.
A Secretaria da Educação está
desrespeitando, está violando, está afrontando a LDB e a Constituição Federal,
Sr. Presidente, sobretudo a LDB aqui no seu Art. 4, inciso VI, a oferta do
ensino regular noturno, no ensino médio, aos alunos que trabalham, é isso que
diz a lei aqui, mas o governo Tarcísio insiste em prejudicar os alunos
trabalhadores.
E, também, impedindo a abertura de
educação de jovens e adultos na rede estadual, como determina o artigo
seguinte... O artigo não, o inciso seguinte ao Art. 4, que é o inciso VII, que
garante também a todas as pessoas que não tiveram acesso em idade própria a
continuidade dos seus estudos na rede pública de ensino, no caso aqui na rede
estadual no ensino médio, na modalidade de EJA.
Então, Sr. Presidente, tem um
abaixo-assinado aqui, a comunidade está mobilizada. Eu peguei uma cópia do
abaixo-assinado, nós queremos providências, para que haja a manutenção de todas
as salas do ensino médio regular, Sr. Presidente, da Escola Estadual Alferes
Henrique Sammartino.
Caso isso não ocorra, nós vamos
acionar o Ministério Público e o Tribunal de Contas. Então quero, Sr.
Presidente, que cópias do meu pronunciamento sejam encaminhadas à Diretoria de
Ensino de Itapevi e à Secretaria da Educação e solicito que providências sejam
tomadas imediatamente.
Também quero, Sr. Presidente, aqui
dizer da nossa indignação. Quando eu falo da nossa, é da minha e de todos os
servidores e servidoras do estado de São Paulo, que não aguentam mais esperar o
pagamento do BR, da Bonificação de Resultados, Sr. Presidente, fruto de uma lei
que nós aprovamos aqui, no plenário da Assembleia Legislativa. Eu me refiro
aqui à Lei nº 1.361, de 2021, que criou essa bonificação para todo o
funcionalismo público estadual.
E o governador Tarcísio de Freitas
está dando um calote nos servidores, está dando uma banana para os servidores e
servidoras do estado de São Paulo. Hoje é dia oito de dezembro, nós estamos
encerrando, praticamente, o ano, Sr. Presidente, e até agora essa bonificação,
que é do ano passado, ainda não foi paga.
Um absurdo, Sr. Presidente, o
governo afrontando a Legislação, afrontando a dignidade do funcionalismo
público, mantendo esse vale-refeição de 12 reais, “vale-coxinha”, não
respeitando a data-base dos servidores, mantendo os salários dos nossos
servidores arrochados e defasados há muitos anos e ainda dá um calote, não
pagando a bonificação de resultado, Sr. Presidente, que é aprovado aqui em lei,
nós aprovamos a lei em 2021, a Lei nº 1.361.
O governo desrespeita a lei, como
desrespeita a lei do PIS, da data-base salarial. Por isso nós estamos
acionando, Sr. Presidente, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e o Ministério
Público.
O governo está
prevaricando. O governo está cometendo improbidade administrativa. Acho que ele
está guardando o dinheiro para depois fazer algum tipo de investimento, não
sei, porque dinheiro tem.
Nós
acompanhamos a execução orçamentária, a arrecadação do estado de São Paulo está
bombando, não tem crise econômica aqui, Sr. Presidente, não tem, o governo não paga nem
o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, paga muito abaixo disso.
Então, não há
motivo para não pagar a bonificação de resultados, repito, que é lei. Então nós
estamos tomando providências, Sr. Presidente, acionando o Tribunal de Contas do município e também o
próprio Tribunal de Contas, para que providências sejam tomadas imediatamente e
o pagamento da bonificação seja feito a todos os servidores.
Nem para a
Segurança Pública, que o Tarcísio diz amar e defender, ele pagou. O pessoal da
Fazenda, o pessoal da Saúde, da Educação, ninguém recebeu a tal da bonificação.
O governador está dando um calote, está dando uma banana para os servidores
públicos, e não é falta de dinheiro.
Mas é isso, Sr.
Presidente, nós estamos tomando todas essas providências para que o governo
seja obrigado a cumprir a lei e pagar o BR.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - LUIZ CLAUDIO MARCOLINO - PT - Sua
solicitação, nobre deputado Carlos Giannazi, será encaminhada de forma
regimental.
Dando sequência aos oradores do Pequeno
Expediente. Com a palavra o deputado Major Mecca. (Pausa.) Com a palavra a
deputada Delegada Raquel. (Pausa.) Com a palavra o deputado André Bueno.
(Pausa.) Dando início à Lista Suplementar, com a palavra o deputado Lucas Bove.
(Pausa.) Deputado Danilo Campetti. (Pausa.) Deputado Eduardo Suplicy. Tem Vossa
Excelência para o tempo regimental de cinco minutos no Pequeno Expediente.
Com a palavra o deputado Eduardo
Suplicy.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - SEM
REVISÃO DO ORADOR - Caro deputado
presidente Luiz Claudio Marcolino, caro deputado Carlos Giannazi, Sras.
Deputadas e Srs. Deputados. Ontem, na Avenida Paulista e nas principais cidades
brasileiras, muitas cidades brasileiras, vivemos um dos atos mais poderosos que
esta cidade testemunhou nos últimos anos.
O ato “Mulheres
Vivas - Feminicídio Não”. Milhares de mulheres ocuparam as ruas para dizer com
firmeza e coragem que a violência não pode mais pautar as suas vidas. Eu estive
presente para conversar com muitas delas, ouvir as suas histórias, sentir a sua
força.
* * *
-
Assume a Presidência o Sr. Carlos Giannazi.
* * *
Uma força que
não nasce do privilégio, mas da necessidade de sobreviver. E me informaram,
Sras. Deputadas e Srs. Deputados, que ontem ficava reservado o espaço no
caminhão de som para as pessoas falarem apenas para as mulheres. Então, isso
obviamente foi respeitado por nós que estivemos lá.
Mas eu fiquei
muito agradecido, porque obviamente também foi informada a minha presença lá,
solidária às mulheres nesta causa contra as violências proporcionadas por
homens que precisam pensar muito melhor antes de realizar ações de violência
contra as mulheres.
Aquelas
mulheres deram uma verdadeira aula de organização de resistência e de amor pela
vida. Mostraram que quando o Estado falha, elas mesmas constroem suas formas de
autodefesa, suas redes de cuidado, seus caminhos de proteção.
E se elas
conseguem se mobilizar com tamanha rapidez e contundência, é nosso dever aqui
nesta Casa Legislativa aprender com essa energia e transformar sua luta em
políticas públicas concretas. O Brasil das mulheres já existe. Falta o Estado
acompanhá-las. Quero lembrar histórias que me tocaram profundamente e que
representam, infelizmente, uma realidade cotidiana e normalizada.
O caso de Tainara,
atropelada pelo ex-namorado, que perdeu as duas pernas, uma jovem cuja vida
ficará totalmente alterada porque um homem decidiu que seu corpo lhe pertencia.
Que absurdo! E o caso da Isabely, que teve o barraco incendiado pelo marido. Ela
e seus quatro filhos morreram queimados.
Uma tragédia tão
devastadora, que parece impossível de imaginar, mas que é real, concreta e se
repete de diferentes formas nos rincões deste País. Se já é difícil ouvir estas
histórias, é ainda mais grave reconhecer que elas são apenas a face visível de
um cotidiano marcado, não apenas pela violência física, mas também pela
violência psicológica, moral e econômica. Violências que se acumulam, se
naturalizam e empurram mulheres para círculos de medo, de silêncio e de desespero.
Nós, homens,
infelizmente, temos responsabilidade de como a sociedade se comporta e temos o
dever de mudar isso. Como disse o presidente Lula, criar uma sociedade segura
não é dever exclusivo das mulheres, é tarefa de toda a sociedade.
E nós, homens, precisamos
reconhecer nossa parcela, enfrentar o machismo nas pequenas piadas, no assédio
em forma do psiu, na exclusão das mulheres dos espaços de poder, nas decisões
que tomamos e nas omissões que cometemos.
Combatê-lo
exige mudança cotidiana, exige coragem moral, exige compromisso público. Também
é importante ressaltar que a violência não atinge todas as mulheres da mesma
forma. Ela se acentua onde há exclusão.
Mulheres negras
e pobres são as que mais morrem, as que mais sofrem, as que menos encontram portas
abertas para pedir ajuda. Portanto, respeitar essas mulheres é, antes de tudo,
garantir condições mínimas de dignidade, e é nesse ponto que eu reafirmo a
urgência da renda básica de cidadania.
A garantia de
sobrevivência, de autonomia econômica é, muitas vezes, o que separa uma mulher
viva de uma mulher morta. É o que separa a criança de um lar violento, da
possibilidade de uma vida segura. A renda básica não é apenas uma política
social, é uma política de proteção à vida das mulheres.
É instrumento,
pois, da liberdade. Senhoras e senhores, não é coincidência que, justamente no
momento em que os casos de feminicídio sobem de maneira assustadora em São
Paulo, o Governo do Estado tenha cortado mais da metade do Orçamento da Secretaria
Estadual da Mulher. Como venho dizendo há meses, esses não são cortes
administrativos, são decisões políticas que têm consequências, consequências
que matam.
Um Estado que
reduz recursos de proteção, que enfraquece políticas de acolhimento, que
desestrutura serviços essenciais, não apenas desassiste às mulheres, ele amplia
as condições para que a violência aconteça. Ele as expõe, ele as vulnerabiliza
e ele as empurra para o perigo.
Por isso, hoje,
neste plenário, quero reafirmar que caminhei ontem ao lado daquelas mulheres e continuo
caminhando ao lado delas aqui. Não há democracia possível enquanto as mulheres
forem expulsas de suas casas, de seus corpos, de suas vidas.
Não há Estado
de direito sem o direito básico de existir. Que possamos, então, transformar a
força que ecoou na Avenida Paulista, em tantas cidades brasileiras, do Rio de
Janeiro a Manaus e tantas outras, que é preciso uma ação institucional urgente,
que esta Casa assuma seu papel, que o Estado assuma sua responsabilidade e que
nós, homens, assumamos de vez o compromisso de desmontar o machismo que
estrutura a nossa sociedade.
Por todas as
mulheres que lutam, por todas elas que resistem, por todas que não puderam
estar ontem nas ruas porque já não estão entre nós. Muito obrigado. Toda força
a vocês, mulheres brasileiras e mulheres também estrangeiras que vivem no
Brasil. A nossa total solidariedade, caro presidente Carlos Giannazi.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Muito
obrigado, deputado Suplicy. Tem a palavra agora o deputado Luiz Claudio Marcolino,
que fará uso regimental da tribuna.
O
SR. LUIZ CLAUDIO MARCOLINO - PT
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, Carlos Giannazi, trago mais três
reflexões. Primeiro em relação à UPA Rio Pequeno. Essa UPA está com falta de
funcionários, com falta de medicamentos, com falta de insumos básicos.
E hoje a
comunidade da região da UPA Rio Pequeno fará uma manifestação que sai ali da Av.
Vital Brasil e vai até o metrô Butantã, para denunciar o prefeito Ricardo
Nunes, que não tem dado a atenção necessária para a saúde na zona oeste de São
Paulo.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
Então essa UPA
Rio Pequeno tem uma demanda muito grande, ao mesmo tempo tem uma ausência de
servidores para o atendimento nessa UPA, e a denúncia já foi feita por diversas
vezes à Prefeitura de São Paulo, e a prefeitura não tem tomado as devidas
providências.
Por isso o
movimento de saúde da região do Butantã, ali no Rio Pequeno, inclusive com a
participação também do nosso mandato, junto com outros mandatos também, estará
pressionando a Prefeitura de São Paulo para garantir um bom funcionamento dessa
UPA, atender bem a população, mas, principalmente, cobrando que haja mais
funcionários para atendimento dessa população.
Outro ponto, Sr.
Presidente, é em relação ao metrô 24 horas. Eu tenho um projeto de lei
apresentado em 2012 que já foi apreciado em primeira votação. Semana passada
nós recebemos um anúncio importante do Metrô, que o metrô passa a funcionar 24
horas aos sábados. Isso é muito importante, porque nós já tínhamos lá atrás
cobrado, porque hoje Grande São Paulo tem um funcionamento de 24 horas.
Os hospitais,
os bares, hotéis e restaurantes, a parte cultural, as pessoas que trabalham com
limpeza, asseio e conservação, o pessoal que tem vigilância noturna, já é um
trabalho de 24 horas.
E nós sabemos
que tem muitas pessoas que esperam o metrô abrir para poder fazer as suas
obrigações cotidianas, ou muitos não conseguem voltar para casa, que quando o
metrô fecha, ainda precisa do deslocamento, tem que aguardar o metrô abrir no
dia seguinte para poder voltar para casa. Isso em relação ao atendimento
hospitalar, quem trabalha hoje nos hospitais.
Então essa é
uma notícia boa, passar a funcionar 24 horas no final de semana. Mas o nosso
projeto que garante 24 horas durante todos os dias, com períodos, inclusive,
diversos do que tem hoje. Não estamos falando que tem que ser de dois em dois
minutos, de três em três minutos.
O metrô pode
funcionar com um período mais longo entre uma composição e outra, mas é
importante garantir o funcionamento do transporte 24 horas para o metrô, para a
CPTM, para o monotrilho e para a MTU, que são empresas operadas pelo Governo do
Estado de São Paulo que podem garantir um bom atendimento à população.
Então quero
deixar registrado que um projeto que eu apresentei ainda no meu primeiro
mandato, em 2012, é o transporte 24 horas. Já foi apreciado na primeira votação
aqui na Assembleia e aguarda a segunda votação. Então é uma notícia boa, o
metrô passava a funcionar 24 horas, porque já funciona hoje em shows, já
funciona na virada cultural, já funciona no final do ano, então é possível, não
só no final de semana, mas funcionar durante todo o dia.
Essa é notícia
boa. A cidade é da população. É um projeto que eu apresentei no meu primeiro
mandato. E para concluir, Sr. Presidente, nós ainda estamos aguardando o
governo do estado de São Paulo dar resposta aos servidores da saúde em relação
ao bônus, em relação ao prêmio de incentivo, ao GDAMSPE, e também ao Vale-Alimentação,
que hoje é apenas 12 reais, que o Governo do Estado de São Paulo se propôs a
pagar no meio de setembro, se propôs a pagar agora no final do ano e até agora
não o fez, falta alguns dias para acabar o ano de 2025 e, até agora, o
governador do estado de São Paulo não garantiu os quatro pontos de negociação
com os servidores.
O secretário Arthur,
da Casa Civil, ficou de dar resposta até sexta-feira. Já estamos na
segunda-feira e até agora não temos a resposta da Casa Civil, depois de uma
outra conversa, um outro diálogo que aconteceu na semana passada. Então ele deu
prazo até sexta-feira, que é apresentar as datas de pagamento, e até agora não
o fez.
Então eu
queria, Sr. Presidente, que fosse encaminhado também ao secretário da Casa
Civil, novamente, a nossa cobrança para garantir os quatro pontos que foram
negociados com os servidores públicos da Saúde, para garantir o bônus, para
garantir o prêmio de incentivo, o Gdamsp e o aumento do valor da alimentação -
que é apenas R$ 12,00, é o quanto os servidores da Saúde hoje recebem, apenas
R$ 12,00 para se alimentar todos os dias.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos, deputado Luiz Claudio Marcolino, por suas observações de bom
senso para que o governador venha logo a tomar providências necessárias, tais
como o ajuste do vale alimentação e as demais que foram mencionadas.
Tem agora a palavra o deputado Carlos
Giannazi, também inscrito na Lista Suplementar.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy, telespectador
da TV Assembleia, de volta à tribuna no dia de hoje, Sr. Presidente, eu quero
dizer que estou acompanhando o anúncio feito pelas duas secretarias, a
Secretaria Estadual de Saúde e a Secretaria Municipal da transferência do Caps Itapeva,
que foi o primeiro Caps do estado de São Paulo, referência, modelo para os
outros Caps, Sr. Presidente.
Eles querem
transferir do governo estadual para o governo municipal, da Secretaria Estadual
da Saúde para a Secretaria Municipal, mudando, inclusive, a organização social
que, na prática, Sr. Presidente, vai representar um desmonte.
Então os
pacientes, os seus familiares, os servidores estão preocupadíssimos com isso,
porque haverá uma grande perda da qualidade dos serviços, o histórico acumulado
ali, a experiência, tudo isso vai se perder caso haja essa transferência.
Eu pedi já uma
reunião com a Secretaria Municipal de Saúde, juntamente com o vereador Celso
Giannazi, nós estamos conversando com os usuários, já há manifestações, há um
abaixo-assinado, há um documento dos usuários do Caps, Sr. Presidente, que eu
quero repercutir aqui e manifestar o nosso total apoio a essa luta e a nossa
contrariedade com essa transferência de desmontar um Caps que funciona, que é
um centro de excelência, que será transferido para a Prefeitura.
E a Prefeitura
já anunciou que não tem condições de manter o mesmo serviço, haverá uma grande
perda do atendimento à população usuária. Nós temos aqui um documento, Sr.
Presidente, endereçado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, apelando a
ela, eu aqui assino embaixo esse apelo, para que não haja essa transferência.
Então, o que
diz o documento? “Viemos pleitear uma causa de continuidade de um trabalho que
já está sendo feita há 30 anos, sem alterações, pelo Caps Itapeva, o primeiro
Caps do Brasil, que teve origem como movimento da luta antimanicomial, como
símbolo de conquistas do âmbito da saúde mental pública.
Durante todos
esses anos, o trabalho feito pelos profissionais, em parceria com familiares e
usuários, vem trazendo muitos resultados positivos no aspecto da saúde mental.
Portanto, queremos enfatizar...” O seguinte, Sr. Presidente, olhe: “transparência
no processo de municipalização do Caps Itapeva, que ocorre à revelia do
interesse dos usuários”.
Não houve
nenhuma consulta, Sr. Presidente, aos usuários, aos familiares, nem aos
servidores que trabalham lá há anos, prestando trabalho de excelência. “Continuidade
do serviço oferecido, manter o modelo Caps Itapeva e sua história, bem como os
pressupostos da luta antimanicomial, projetos de geração de renda e economia
solidária, programa de especialização, advogado, farmácia, além de todas as
atividades que foram construídas ao longo desses últimos 38 anos.” Tem mais
ainda.
“A
transferência do Caps para o município pressupõe algumas mudanças com as quais
não concordamos, como a redução da verba pública no quadro de funcionários e,
consequentemente, no atendimento prestado. Manutenção do prédio como Caps, caso
não seja possível manter como um serviço de saúde mental. Reforçar a posição de
usuário e que sejam respeitados nossos direitos.
Não concordamos
com a imposição e a forma como está sendo feito, sequer fomos consultados sobre
essa mudança. E, por fim, mediante isso tudo, solicitamos a presença de um
representante da Secretaria da Saúde para alinhar e informar sobre o processo
de municipalização de todos os usuários, familiares e trabalhadores.
Respeitosamente,
usuários do Caps Itapeva e seus familiares.”
Aqui, Sr. Presidente,
um documento apelando à Secretaria Estadual da Educação que não cometa esse
desmonte, essa precarização do Caps Itapeva, que funciona há 38 anos, foi o
primeiro Caps do Brasil, Sr. Presidente. Tudo que funciona neste estado é
destruído. Como funciona bem, o estado vai lá e destrói, vai municipalizar.
E o município
já disse: “Nós não vamos manter a mesma estrutura, não dá para fazer isso. Os
recursos são menores.” Então, por que municipalizar, Sr. Presidente? Isso é
improbidade administrativa. Isso é um crime contra a saúde mental do estado de
São Paulo, que nós não vamos permitir.
Por fim, Sr. Presidente,
gostaria ainda de aproveitar para manifestar aqui o nosso total repúdio a um
edital que foi publicado no município de Rio Claro. Eu me refiro aqui ao Edital
de Convocação Pública nº 135, de 2025, Sr. Presidente, que, na prática, vai
tentar privatizar toda a rede municipal, todas as escolas de educação infantil
e ensino fundamental de Rio Claro.
Um absurdo esse
edital, que vai entregar a administração das escolas municipais para as
organizações sociais, Sr. Presidente. Isso é um absurdo total. Veja bem, isso é
precarização, isso é privatização. Isso aqui é a transferência do dinheiro
público, do orçamento da Educação para grupos privados. É um absurdo, Sr. Presidente.
Isso tem que ser proibido. Nós vamos, já estamos tomando providências aqui,
acionando o Tribunal de Contas, o Ministério Público.
Isso é
privatização. Um absurdo. Como que se entrega a administração de toda uma rede
de ensino, com dezenas de escolas, para uma organização social de caráter
privado? Por quê? E, Sr. Presidente, onde está a Secretaria Municipal de
Educação? A escola já tem diretores, tem coordenadores pedagógicos, tem supervisores
de ensino, já tem toda uma estrutura montada da Secretaria da Educação, que
funciona.
Por que eles
querem entregar agora a administração das nossas escolas municipais de Rio
Claro para esses grupos? Para transferir dinheiro, Sr. Presidente, dinheiro
público dos nossos impostos, dinheiro da Educação, do orçamento da Educação,
para grupos, Sr. Presidente, OSs, organizações sociais, está aqui. É o que
preconiza o Edital de Convocação Pública nº 135, de 2025.
Isso gerou uma
revolta generalizada nas comunidades escolares, porque eles sabem que isso vai
significar a precarização do atendimento. Eles sabem que isso vai prejudicar os
alunos, os professores.
Como é que
fica? Vai ter um diretor da escola estadual e um outro diretor dessa OS? Como
vai ser isso, Sr. Presidente? Um absurdo. A população não pode aceitar, a
Câmara Municipal tem que reagir a isso, porque dinheiro da Educação é para a
escola pública, Sr. Presidente, não é para a OS, não.
Que história é
essa de entregar dinheiro público para enriquecer organizações sociais? “Sem
fins lucrativos”, entre aspas, porque nós sabemos como funciona isso. Aqui em
São Paulo, nós temos a educação infantil, as creches conveniadas, tem até a
máfia das creches conveniadas, que foi investigada pela Polícia Federal, pelo
Ministério Público. Então, nós não queremos que isso aconteça em Rio Claro.
Por isso que
nós estamos aqui solidários aos profissionais da Educação, Sr. Presidente,
irmanados na luta para que esse edital seja revogado imediatamente pelo
Tribunal de Contas, pelo Ministério Público, o Tribunal de Justiça e a Câmara
Municipal, que tem que ficar do lado do povo e não dessas organizações sociais.
Tudo faremos para que esse edital seja revogado imediatamente.
Muito
obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT -
Meus cumprimentos, deputado Carlos Giannazi, pelas suas preocupações, tanto com
as instituições de Itapeva quanto da outra cidade, de Rio Claro.
Pergunto se o
deputado Carlos Giannazi pode, ainda, presidir, para que eu possa falar sobre a
viagem que fiz a Brasília nesses dias.
*
* *
- Assume a
Presidência o Sr. Carlos Giannazi.
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* *
O SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL -
Dando sequência à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, agora, já
na Lista Suplementar, deputado Eduardo Suplicy, que vai fazer novamente o uso
da tribuna, vai fazer um novo pronunciamento.
O SR. EDUARDO SUPLICY
- PT - SEM REVISÃO DO
ORADOR - Sr. Presidente, Carlos Giannazi, gostaria de, aqui, compartilhar um
breve relato da viagem que realizei a Brasília na última quinta-feira, dia 4 de
dezembro, por convite da ministra Gleisi Hoffmann, para participar da
importante 6ª Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social
Sustentável, o chamado Conselhão.
O
encontro foi realizado no Palácio Itamaraty e contou com a presença de todos os
mais de 280 conselheiros, diversos ministros como Fernando Haddad, Paulo
Teixeira, Guilherme Boulos, Luiz Marinho e Wellington Dias, além do vice-presidente
Geraldo Alckmin e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A
programação do evento foi longa, marcada por diversas entregas do Conselhão,
incluindo um anteprojeto de lei geral de direito internacional privado, um
plano estratégico de compras públicas sustentáveis, uma minuta de decreto da Política
Nacional de Conectividade em Rodovias e o guia de duplicatas escriturais.
No
entanto, a entrega que considero mais relevante foi a do documento intitulado,
abrindo aspas, “Pilares de um Projeto de Nação”. Fruto de longo trabalho
participativo e técnico, o documento contém recomendações de ações prioritárias
para os próximos cinco anos, servindo como referência prática para orientar
decisões, políticas públicas e investimentos estratégicos do próximo governo.
Gostaria
aqui de destacar o pilar Justiça Tributária, Investimento Público e Social, que
tem por objetivo fortalecer o sistema tributário e fiscal brasileiro,
promovendo progressividade, equidade e eficiência de arrecadação e aplicação
dos recursos públicos. Dentre as ações prioritárias nesse eixo, está a de
viabilizar uma estratégia de implementação de renda básica de cidadania,
integrada ao sistema de proteção social universal, promovendo dignidade,
segurança de renda e liberdade de escolha para todas as pessoas.
Permita,
Sr. Presidente, que eu leia mais uma vez esse registro. Dentre as ações
prioritárias nesse eixo, está a de, abre aspas, “viabilizar uma estratégia de
implementação de renda básica de cidadania, integrada ao sistema de proteção
social universal, promovendo dignidade, segurança de renda e liberdade de
escolha para todas as pessoas.
Fiquei
extremamente feliz e contente com essa inclusão. É muito significativo que o
Conselhão siga pensando em como implementar a Renda Básica de Cidadania de
forma permanente, universal e incondicional.
Este é mais um
passo rumo à realização deste objetivo, e espero que o documento passe a ser
bem lido e analisado pelo presidente Lula, pelos ministros e também por nós,
deputados estaduais aqui em São Paulo, já que temos a chance de aprovar o PL nº
991/25, criando uma política de Renda Básica de Cidadania em nosso estado de
São Paulo.
Agradeço muito
aos conselheiros Pedro Rossi e Paola Loureiro Carvalho, que é também a
presidente da Rede Brasileira de Renda Básica, pela sensibilidade ao tema e por
terem garantido, como membros do Conselho, do Conselhão, que a RBC esteja agora
sendo definida como prioridade para o Brasil todo.
Já no período
da tarde, tive a oportunidade de acompanhar as discussões da Comissão de
Combate às Desigualdades no Conselhão. Neste momento, o debate centrou-se em
torno da discussão da intersexualidade, e os avanços que ainda precisamos dar
em nossas políticas públicas para combater o acúmulo de desvantagens
sobrepostas.
Também neste espaço,
pude falar brevemente sobre a Renda Básica de Cidadania, as suas vantagens para
a promoção da liberdade e da dignidade reais de todos os brasileiros. Todos os
presentes se demonstraram muito interessados na proposta, o que é extremamente
positivo.
Gostaria também
de agradecer à ministra Gleisi Hoffmann, ao secretário Olavo Noleto, e toda a
equipe do Conselhão, pela receptividade e pelo apoio no evento. Embora, o que
eu posso dizer é que os membros do Conselhão com os quais tive oportunidade de
dialogar, inclusive com a empresária Luiza Trajano, ela foi muito positiva em
dar o apoio total à proposta da Renda Básica Universal e Incondicional.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Sr. Presidente,
havendo acordo entre as lideranças, solicito que seja levantada a sessão de
agora à tarde.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Muito obrigado,
deputado Eduardo Suplicy. Antes de levantar a sessão, quero informar a todos
que o nosso coletivo Educação em Primeiro Lugar, composto pela deputada federal
Luciene Cavalcante, pelo vereador Celso Giannazi, da Comissão de Educação da
Câmara Municipal, e o nosso mandato aqui na Alesp, nós já ingressamos com uma
representação no Ministério Público, e também estamos ingressando com uma ação popular
contra todas essas medidas, contra todos esses anúncios feitos pela Secretaria
da Educação, em relação à avaliação de desempenho.
Em relação, sobretudo, à atribuição de
aulas, a Resolução nº 143, a Portaria nº 4, Sr. Presidente, sobre todas essas,
contra todas essas medidas autoritárias da Secretaria da Educação, que estão
prejudicando imensamente todos os profissionais da Educação, tanto na avaliação
de desempenho, como na atribuição de aulas, dando amplos poderes, poderes
imperiais, usando os diretores contra os professores, jogando o diretor contra
o professor, o professor contra o diretor, aluno contra professor, aluno para
avaliar o professor, um absurdo que a rede está fazendo, Sr. Presidente.
Então, hoje, na atribuição de aulas, a
gente nunca viu nada parecido. Não se leva mais em conta nem mesmo a avaliação
que eles criaram, 360, nada disso. O professor pode ter a melhor nota em todos
os níveis, em todos os aspectos, aí não importa. Quem vai decidir se ele vai
permanecer naquela escola, se ele vai ter aulas ou não, vai ser a direção da
escola.
Ou seja, o professor fica refém dos
humores, das vontades, dos caprichos de uma decisão extremamente subjetiva, uma
avaliação subjetiva do próprio diretor da escola. Olha só que absurdo. É como
se não houvesse mais direito à lotação daqueles. O professor não pode mais
escolher as suas aulas, a sua escola. É isso que está acontecendo hoje na rede
estadual.
Então, nós estamos tomando todas as
medidas junto ao Ministério Público, Geduc, e também junto ao Tribunal de
Justiça, através de uma ação popular, para que seja restituída uma atribuição
justa e transparente, que leve em conta o tempo de serviço, sobretudo, dos
professores, do nosso magistério.
Era isso, deputado Suplicy.
Havendo acordo de lideranças, esta
Presidência, antes de dar por levantados os trabalhos, convoca V. Exas. para a
sessão ordinária de amanhã, à hora regimental, com a mesma Ordem do Dia da
última quarta-feira.
Está levantada a sessão.
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- Levanta-se a sessão às 14 horas e 50
minutos.
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