
18 DE MAIO DE 2026
62ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: CARLOS GIANNAZI, REIS e EDUARDO SUPLICY
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h01min. Menciona sua participação, juntamente com o deputado Eduardo Suplicy, no lançamento do livro de Tom Cardoso sobre a vida de Gilberto Gil.
2 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - REIS
Assume a Presidência.
4 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
5 - DRA. DAMARIS MOURA
Por inscrição, faz pronunciamento.
6 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
7 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
8 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
9 - REIS
Assume a Presidência.
10 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
11 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência.
12 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
13 - REIS
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
14 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Defere o pedido. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária de 19/05, à hora regimental, com Ordem do Dia. Levanta a sessão às 14h55min.
*
* *
ÍNTEGRA
*
* *
-
Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Carlos Giannazi.
* * *
-
Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
* * *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Presente o
número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus,
iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da
sessão anterior e recebe o expediente.
Dando início à lista de oradores
inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o deputado Dr. Jorge do Carmo.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Reis. (Pausa.) Com a palavra o deputado Paulo Fiorilo. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Bruno Zambelli. (Pausa.) Com a palavra o deputado Major
Mecca. (Pausa.) Com a palavra o deputado Fábio Faria de Sá. (Pausa.) Com a palavra
o deputado Rui Alves. (Pausa.) Com a palavra o deputado Donato. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Eduardo
Suplicy, que fará uso regimental da tribuna. Deputado Suplicy e eu estivemos
juntos, no sábado, lá no lançamento do livro do Tom Cardoso, “Nem tanto
esotérico assim”, o livro do Gilberto Gil. Tom Cardoso, um grande escritor, faz
várias biografias importantes, resgatando os nossos grandes artistas.
Com a palavra o deputado Eduardo
Suplicy.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro presidente, deputado Carlos Giannazi, que bom
lembrar do lançamento do livro de Tom Cardoso, que mais uma vez foi um sucesso.
Ele tem uma pessoa muito querida e que sabe trabalhar muito bem.
Mas eu quero
destacar uma notícia extremamente importante para o povo brasileiro e para os
trabalhadores e as trabalhadoras de nosso país. A reportagem publicada, na
sexta-feira, pelo “Valor Econômico” mostrou que o grupo de brasileiros sem
emprego há mais de dois anos caiu cerca de 22%, atingindo o menor nível na
série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Segundo os
dados, no fim de março, havia 1.089.000 pessoas sem emprego há mais de dois
anos no País, uma queda de 21,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025 ou
302.000 pessoas a menos. Na comparação com o primeiro trimestre de 2012, a
retração é de 37,8 por cento. O número de desempregados há menos de um mês
também caiu, de um total de 1.634.000, no primeiro trimestre de 2025, para
1.393.000, no primeiro trimestre de 2026. A queda foi de 14,7 por cento.
Esses dados não
são apenas números, representam esperança, dignidade e oportunidade voltando à
vida de milhões de famílias brasileiras. Representam a gente que voltou a
sonhar, a consumir, voltou a sustentar sua casa com o fruto do próprio
trabalho.
Durante muito
tempo, o Brasil conviveu com o desalento, com filhos de desemprego, com
famílias inteiras vivendo em insegurança alimentar. E é preciso reconhecer,
mudar essa realidade. Exige decisão política, investimento público e
compromisso social.
Os números
divulgados pelo IBGE mostram que o País está novamente gerando empregos e
reduzindo o tempo de permanência das pessoas no desemprego. Isso acontece
porque o governo federal retomou investimentos, fortaleceu programas sociais,
valorizou o salário-mínimo, recolocou o Estado como indutor de desenvolvimento
econômico.
Quando o
governo investe em infraestrutura, em habitação, em indústria, em crédito para
pequenos empreendedores e em políticas sociais, a economia gira. E quando a
economia gira, o emprego aparece. O mais importante é perceber que esse
resultado é consequência de escolhas, escolhas diferentes daquelas que
congelaram investimentos públicos, desmontaram políticas sociais e abandonaram
o povo brasileiro à própria sorte.
Hoje o Brasil
volta a crescer com inclusão social. O governo do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva demonstra que é possível combinar responsabilidade econômica com
geração de emprego, distribuição de renda e combate à pobreza. Claro que ainda
existem desafios. Ainda temos milhões de brasileiros buscando oportunidades e
precisamos avançar na qualidade do emprego, na valorização salarial e na
proteção dos direitos trabalhistas. Precisamos ver a Renda Básica de Cidadania
implementada em nosso país, mas os indicadores mostram que estamos no caminho
certo.
Por isso faço
questão de registrar: toda vez que um trabalhador volta ao mercado de trabalho,
toda vez que uma mãe ou um pai consegue levar alimento para casa com dignidade,
toda vez que um jovem encontra a sua primeira oportunidade o Brasil inteiro
vence. Que esses dados sirvam para fortalecer a confiança do nosso povo e para
mostrar que política pública séria transforma vidas.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Reis.
* * *
Gostaria também
de ressaltar que hoje é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, uma data que nos
convoca à memória, à responsabilidade e à defesa da dignidade humana. A luta
antimanicomial nasceu da coragem das pessoas que denunciaram um sistema baseado
no abandono, na violência e na exclusão.
Durante
décadas, milhares de brasileiros foram privados de liberdade em manicômios
afastados de convivência social, tratados não como cidadãos, mas como
invisíveis. Muitas dessas pessoas perderam não apenas seus direitos, mas também
seus nomes, suas histórias, sua humanidade.
Foi contra essa
lógica cruel que trabalhadores da Saúde, familiares, usuários e movimentos
populares construíram uma das mais importantes conquistas da democracia
brasileira. A Lei da Reforma Psiquiátrica, nº 10.216, de 2001, que completa 25
anos hoje, representou um marco civilizatório ao afirmar que pessoas com
sofrimento psíquico têm direito à liberdade, ao cuidado humanizado, ao convívio
familiar e comunitário e ao tratamento em serviços públicos de Saúde territorializados.
A reforma
psiquiátrica brasileira não é apenas uma política de saúde, é uma política de
Direitos Humanos. Saúde mental não pode ser construída com isolamento,
violência ou exclusão social. Cuidado não é prisão.
Por isso
defender a luta antimanicomial é defender o SUS, os CAPs, as residências
terapêuticas, as equipes multiprofissionais, a atenção básica e toda a rede
pública de cuidado em liberdade; é também reconhecer que saúde mental não se
separa das condições concretas da vida do povo. Não existe saúde mental plena
em meio ao desemprego, à fome, ao racismo, à violência contra as mulheres, à
LGBTfobia, à proibição das drogas e à falta de perspectiva para a juventude.
O sofrimento
psíquico também é produzido pelas desigualdades sociais. Precisamos defender
uma política de saúde mental baseada na Ciência, no acolhimento e na dignidade.
Uma política que enxergue cada pessoa em sua integralidade. Uma política que
compreenda que ninguém se recupera sozinho, isolado ou privado de seus vínculos
afetivos e sociais.
Neste Dia
Nacional de Luta Antimanicomial, presto homenagem aos profissionais que
resistem diariamente, às famílias que lutam por um cuidado digno e
principalmente aos usuários dos serviços psicossociais que transformaram sua
dor em organização e luta coletiva.
Que esta Casa
reafirme seu compromisso com a reforma psiquiátrica, com o fortalecimento do
SUS e com a defesa intransigente dos Direitos Humanos.
Muito obrigado,
deputado Reis, que agora preside a sessão.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Seguindo na lista de
oradores, chamo o deputado Carlos Giannazi para fazer uso da palavra.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Reis, Sras. Deputadas, Srs.
Deputados, telespectadores da TV Assembleia, Sr. Presidente, o governo, essa
gestão Tarcísio-Feder não tem mais limites para prejudicar, para militar contra
a educação especial do estado de São Paulo.
Há um bom tempo
que nós estamos denunciando o desmonte da área da Educação Especial na rede
estadual, que é um desmonte feito através de várias maneiras: com publicações,
com a publicação da Resolução nº 129 e outros documentos.
E, na semana
passada, foi publicado, Sr. Presidente, um comunicado conjunto da Secretaria da
Educação, aqui de setores internos da Secretaria, falando sobre o novo fluxo e
modelo de contratação de profissionais de apoio escolar.
E o que nos
chama a atenção é que esse documento só confirma as denúncias que nós estamos
fazendo já há um bom tempo, que é a tentativa do governo de acabar com o
atendimento de crianças e adolescentes com deficiência da rede estadual com
professores especializados, com professores auxiliares de educação especial,
professores com formação na área, com graduação, com licenciatura plena, muitos
com especialização, com pós-graduação na área de Educação Especial.
As nossas
professoras de educação especial, as auxiliares, estão atendendo os alunos da
rede que conseguiram, Sr. Presidente. Isso é grave, eu quero destacar, ação
judicial em que a família, para conseguir esse tipo de atendimento, vai à
Justiça.
Porque o que é
um direito garantido na Constituição Federal, lá no capítulo da Educação, na
LDB, que é a Lei de Diretriz e Base da Educação Nacional, no Plano Nacional da
Educação, que toda criança, que todo adolescente, até mesmo todo adulto, tem
direito ao atendimento na área da Educação Especial, tem direito a requisitar
essa vaga na escola pública, seja ela municipal ou estadual, com especialistas,
com professor especializado, Sr. Presidente. Está na lei, na LDB, lá tem um
capítulo só sobre educação especial, na Lei nº 9.394.
No entanto,
aqui no estado de São Paulo, o estado mais rico do Brasil, que tem a maior rede
de ensino do nosso país, não oferece a vaga. Se a mãe, se o pai não consegue
uma ação judicial, esse aluno não terá atendimento especializado, não terá
atendimento com uma professora auxiliar. Isso já é um absurdo, já é um
escândalo.
Mas, dentro do
escândalo tem mais um outro escândalo, Sr. Presidente, que é esse agora, de o
estado fazer uma militância trevosa, que é cruel e perversa, para dificultar ao
máximo a contratação dessa professora, e substituir a professora por outros
profissionais, que não têm a mesma formação.
E, nesse
documento, o estado vai contratar... Não é nem um contrato,
porque aqui ele fala dos agentes de organização escolar, dos nossos valorosos
agentes de organização escolar, que estão com os salários arrochados,
defasados, que não são valorizados, não têm o pagamento da promoção.
Enfim, a situação dos agentes de organização
escolar, do quadro de apoio escolar, que nós chamamos do QAE, QSE, deplorável,
Sr. Presidente, o governo, abandonou esse segmento fundamental.
Eles são profissionais da Educação,
mas, no entanto, não são valorizados pela Secretaria da Educação, em todos os
níveis. E sem contar que há uma falta enorme desses servidores, porque não tem
concurso público. As contratações são precarizadas, através da Lei nº 1.093,
onde o agente de organização escolar, hoje, só fica um ano na escola, depois
vai para a “duzentena”. Não é nem quarentena, é “duzentena”. Ele fica 200 dias
fora da sala da escola, não pode ser contratado, fica desempregado, esse é o
quadro.
E o que o comunicado está dizendo, em
outras palavras, é o que nós já denunciamos exaustivamente, inclusive nós já
acionamos o Ministério Público, tem uma ação popular nossa, do nosso coletivo
Educação em Primeiro Lugar, no Tribunal de Justiça, contra a terceirização
desse tipo de atendimento, Sr. Presidente.
Mas agora é isso, o comunicado deixa
bem claro que é para as diretorias de ensino - para as escolas contratarem
agentes de organização escolar - darem essa atribuição ao agente de organização
escolar, que já está com sobrecarga de trabalho, que está com salário
arrochado. Ele não vai ganhar nada mais, vai ter uma atribuição a mais na sua
função. Ele vai ser duplamente explorado agora e vai substituir, na prática, o
professor auxiliar de educação especial.
Isso que o documento está apontando,
Sr. Presidente, em outras palavras... Só quero ler um trecho aqui, como ele
deixa muito claro isso e faz todo o esforço para que não haja contratação de
professor auxiliar. Olha só, só vou ler essa parte, Sr. Presidente, e eu
encerro.
“A contratação de professor auxiliar
para função de apoio somente ocorrerá quando decisão judicial analisada em seu
conjunto, incluindo o pedido inicial e o desenvolvimento do processo,
estabelecer de forma explícita e inequívoca a obrigatoriedade de contratação de
professor para essa finalidade, mesmo em contraposição ao modelo de atendimento
previsto na política pública vigente”. Olha que absurdo, Sr. Presidente.
Então tem todo um esforço para que o
professor - a professora, na verdade, porque são mulheres -, que as professoras
auxiliares de educação especial não sejam contratadas.
Ou seja, o governo quer empurrar essa
atribuição para os agentes de organização escolar, que são importantíssimos na
escola, que nós defendemos com unhas e dentes aqui na Assembleia Legislativa.
Mas tudo isso para não contratar mais as professoras auxiliares de educação
especial.
Então nós estamos tomando várias
medidas, Sr. Presidente. Já acionamos o Ministério Público, Tribunal de Contas,
Tribunal de Justiça e vamos continuar denunciando esse ataque cruel e covarde
aos nossos alunos, crianças e adolescentes com deficiência, e às nossas
professoras auxiliares de educação especial.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Seguindo a lista de oradores, chamo
para fazer o da palavra o deputado Caio França. (Pausa.)
Entrando na Lista Suplementar, chamo para fazer uso da
palavra o deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Deputado Delegado Olim. (Pausa.)
Deputado Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Deputada Dra. Damaris
Moura.
A SRA. DRA. DAMARIS MOURA - PSDB -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputadas, deputados, servidores,
nossos policiais militares que estão aqui, boa tarde a todos, ao povo de São
Paulo que nos assiste.
Este é um dia solene. Eu me propus,
cumprindo o prometido desde o início do mês de maio, ao “Maio Laranja”, no qual
eu convidei todos que puderem - ou que pudessem - a se vestir de laranja para nós chamarmos a atenção,
para talvez, deputado Eduardo, o mais grave, o mais desafiador problema social
que nós vivemos neste país.
O Ministério da
Justiça noticia que, na última década, nós triplicamos o número de estupros de
vulneráveis. E isso dá uma média, dá uma média de 121 estupros de vulneráveis
por dia. Daqui a pouco, vamos nos aproximar de 60 mil estupros de vulneráveis
por ano. E por isso temos o “Maio Laranja”. Muitas pessoas nem sabem por que o
“Maio Laranja”, né?
Há 53 anos, no
ano de 1973, no estado do Espírito Santo, uma menina de oito anos chamada
Araceli foi sequestrada, estuprada e morta por homens influentes naquele
estado. Em 1991, portanto, anos depois, eles foram absolvidos e, até hoje, 53
anos depois, este crime continua impune.
Até que no ano
2000, então, foi instituído o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração
Sexual de Crianças e Adolescentes. É o dia de hoje, 18 de maio, o dia em que Araceli
foi morta há 53 anos. Uma data que nós não podemos esquecer, porque quantas,
quantas Aracelis continuam sendo vítimas do mais cruel crime contra a dignidade
humana, que são os crimes sexuais?
Não há crime
mais violador da dignidade do que quando alguém é submetido à violação da sua
integridade sexual. E nós estamos falando de crianças e adolescentes, cujo
número neste país é assustador. Nós somos, provavelmente, o quinto país do
mundo que mais abusa sexualmente, que mais explora sexualmente de suas crianças
e adolescentes. E aí vale uma distinção importante aqui, o abuso sexual é a
prática para satisfação da lascívia do abusador. A exploração sexual é a
prática deste crime para finalidade de lucro.
E, queridos, eu
quero hoje trazer uma boa notícia, eu estive nesta manhã com o secretário da
Educação do estado de São Paulo, o secretário Vinícius. Porque, no ano de 2021,
eu tive a honra, presidente, de propor uma lei, deputado Eduardo, para criar o
primeiro programa escolar de combate ao abuso sexual e a outras violências
intrafamiliares. A lei propõe a criação de um curso de formação de professores
para que eles estejam aptos para identificar os sinais de crianças e
adolescentes.
E elas emitem
sinais quando são vítimas de abuso sexual e exploração sexual. E também para
que estes professores estejam aptos a tratar deste tema em sala de aula e,
naturalmente, conforme a faixa etária de cada aluno. A linguagem precisa ser
adequada à idade de cada aluno.
Então, Sr.
Presidente, para concluir, para que estes alunos possam ser conduzidos para o
autocuidado, a valorização do próprio corpo, são caminhos que nós precisamos
encontrar e a escola pode ser um potente vetor para criar este ambiente de
segurança, onde muitas crianças só encontram na escola este lugar para
compartilhar, para contar, para denunciar a importância da escola. Ela pode ser
determinante para a segurança das nossas crianças.
A boa notícia é
que esse curso que nasceu dessa lei, que já capacitou milhares de professores
de forma mais específica, em torno de 20 mil professores, vai ser reeditado,
atualizado para que, no próximo semestre, novamente, esteja disponibilizado na
plataforma de formação de professores, para que os nossos professores no estado
de São Paulo estejam aptos a fazer essa identificação e a participar dos
esforços de educar as nossas crianças para que elas próprias se protejam, para
que elas próprias cuidem do seu corpo, valorizem o seu corpo, uma vez que os
agressores e abusadores, uma grande parte deles, estão dentro das suas próprias
casas, e muitas vezes são os próprios genitores dessas crianças que são os
abusadores e os exploradores.
E as notícias
assustam. São bebês abusados e explorados sexualmente, crianças e adolescentes
que não são só o futuro desta nação, são um presente. Nós precisamos salvar a
infância.
Eu quero
convidar o povo de São Paulo que me ouve agora, hoje não é simplesmente uma
data no calendário deste país instituída por lei no ano de 2000. Não é só uma
data, é uma data para nos encorajar, para nos mover, nos preparar a romper
silêncios que ainda são o maior obstáculo para se combater o abuso sexual e a
exploração sexual contra crianças e adolescentes.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Carlos Giannazi.
* * *
Que Deus
abençoe a todos nós que estamos tão comprometidos e temos empreendido tantos
esforços para que nossas crianças e adolescentes sejam salvas do mais hediondo
crime contra a dignidade humana, que são os crimes de natureza sexual.
Muito obrigada,
presidente. Eu agradeço a oportunidade de chamar a atenção do nosso povo para o
“Maio Laranja” e para o Dia Nacional de Combate ao Abuso Sexual e Exploração
Sexual de Crianças e Adolescentes.
Muito obrigada.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Dando sequência
à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o deputado
Guilherme Cortez. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Reis, que fará
uso regimental da tribuna.
O SR. REIS - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR -
Cumprimentar o presidente, deputado Carlos Giannazi. Cumprimentar o deputado Suplicy,
a deputada Dra. Damaris - dar os parabéns pelo seu retorno, seja bem-vinda.
Cumprimentar o
público presente, os funcionários desta Casa, os integrantes da Polícia Civil,
da Polícia Militar, da Polícia Penal, da Polícia Técnico-Científica e também cumprimentar
todos aqueles e aquelas que estão nos acompanhando em seus lares, em seus
afazeres pela Rede Alesp.
Presidente, eu
vou falar um pouquinho sobre esse grande escândalo que não sai da mídia
televisiva e da mídia escrita, todos os dias, que é o caso do Vorcaro, o caso do Banco Master, prejuízo estimado em
cerca de 500 bilhões de reais, não sei de onde ele arrumou tanto dinheiro para
distribuir da forma que ele distribuiu.
Tinha um
programa na televisão, no Silvio Santos, que era o “Topa Tudo Por Dinheiro”, e
ele chegava lá e gritava: “Quem quer dinheiro? Vai para lá, vai para lá! Quem
quer dinheiro? São notas de 50, notas de 100”. Aí imagine vocês agora, a gente
vê cada dia um escândalo envolvendo o filme do “Cavalo Azarão”, dinheiro para
lá, dinheiro para cá, dinheiro em fundo, dinheiro comprando mansão nos Estados
Unidos.
E obviamente
que muitas pessoas vão ter muito prejuízo com tudo isso, porque o fundo
garantido, ao que se sabe, vai pagar cerca de 52 bilhões. Mas se está estimado
em 500 bi, obviamente que muitos correntistas vão ficar no prejuízo.
Eu fiquei
observando aqui uma coisa inusitada: como os estados e os municípios aportaram
dinheiro nesse Banco Master? Eu não sei qual que é, qual que foi a promessa, o
que foi falado para esses governadores e esses prefeitos para pegar dinheiro
público, dinheiro de Previdência pública, que pertence aos trabalhadores, e
aportar dinheiro nesse modelo de banco fraudador, essa grande fraude que chamam
de “bolsomaster”.
O Rio de
Janeiro, o Governo do Rio de Janeiro, o governo Cláudio Castro, do Partido
Liberal, aportou 970 milhões de reais no Banco Master. O Sr. Governador, na
época, Clécio Luís, da União Brasil, aportou 400 milhões, governador esse, na
época, que era do Amapá, um estado pobre, não é um estado rico. Foram 400
milhões no Banco Master.
O governador
Wilson Lima, na época também do União Brasil, do Amazonas, 50 milhões de reais
no Banco Master; Maceió, a capital Maceió, prefeito João Henrique Caldas, do
PSDB, 97 milhões aportado no Banco Master; o ex-prefeito Vilmar, do União
Brasil, de Aparecida de Goiânia, 40 milhões; a prefeita Adriane Lopes, do PP,
Campo Grande, um milhão e 200; Yves Ribeiro, prefeito de Paulista, do MDB,
Pernambuco, três milhões de reais.
E aqui em São
Paulo também apareceram alguns municípios aportando dinheiro no Banco Master,
inclusive está sendo objeto de investigação pelo Ministério Público do Estado
de São Paulo. Prefeito de São Roque, Guto Issa, do Podemos, 93,15 milhões no
Banco Master; um outro grande escândalo, Cajamar, o ex-prefeito na época,
Danilo Joan, do PP, 87 milhões; Pedrinho Eliseu, do PL, em Araras, prefeito de
Araras, 29 milhões.
Prefeito João
Leandro, MDB, de Santo Antônio de Posse, um município pequeno, sete milhões;
Osmar Sampaio, do PL, Santa Rita d'Oeste, dois milhões; o prefeito Rubem
Vieira, do Podemos, Itaguaí, no Rio de Janeiro, 59,6 milhões; prefeito Cláudio
Antonio, do PSD, Congonhas, Minas Gerais, 14 milhões.
Lá no estado do
Mato Grosso, também tivemos prefeitos e prefeitas aportando dinheiro nesse
banco: Em Fátima do Sul, Ilda Salgado, do PSDB, sete milhões; São Gabriel do
Oeste, Jeferson Luiz, do PSDB, três milhões; Eraldo Leite, do PSDB, em Jateí,
2,5 milhões; Cidade de Angélica, Edinho, PDT, dois milhões.
Então esses
municípios estão sendo objetos de investigação, porque, obviamente, esse
dinheiro foi de Previdência, dinheiro de Previdências locais, municipais,
estaduais e que foi aportado nesse banco e que hoje está trazendo esse prejuízo
de 500 bilhões. Nós já tivemos seis fases da Operação Compliance, da Polícia
Federal, várias pessoas presas, inclusive o dono do banco, o Vorcaro. Até o seu
pai foi preso.
Mas eu não vi
ainda as pessoas da política presas que estão envolvidas nesse escândalo, nesse
escândalo bilionário. É um escândalo bilionário e tem muito dinheiro público,
tem muito dinheiro do povo nessa operação.
Muito prejuízo
para essa população, que muitas vezes abriu suas contas aí para essas
prefeituras que colocaram o dinheiro público nesse banco, eu não sei a pretexto
de que promessa, só sei que o banco foi liquidado. O fundo garantidor paga até
250 mil reais, mas se a gente pegar, que tem cidades aqui que colocaram 90 e
tantos milhões, como que vai ficar esse prejuízo? O tamanho desse prejuízo?
Por isso que é
objeto, sim, de investigação do Ministério Público. Eu até estava
representando, mas aí eu levantei que já tem lá um processo de investigação
criminal para apurar esses desvios, apurar esse escárnio, porque o prejuízo
sempre vai parar na mão de quem tem menos, sempre do mais fraco, acaba o povo
pagando essa conta.
A gente espera
que haja realmente uma investigação dura e essas pessoas que estão envolvidas,
que estão dilapidando o dinheiro do povo, que realmente vão para a cadeia, seja
quem for - que seja produtores de filme, que esteja envolvido com filme de A ou
de B -, que realmente paguem pelos seus erros.
É muita gente
envolvida, muita gente da política envolvida, prefeitos envolvidos, porque não
é normal um negócio desse. Por isso que o cara distribui tantos milhões para um,
tantos milhões para outro, dinheiro para lá, dinheiro para cá e a conta sempre
vai ficar na mão de quem mais precisa de política pública.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Dando sequência
à lista de oradores inscritos, com a palavra o deputado Eduardo Suplicy, que
fará uso regimental da tribuna.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro presidente Carlos Giannazi, Sras. Deputadas, Srs.
Deputados, ontem, 17 de maio, celebramos duas das datas profundamente
políticas, o Dia Mundial da Reciclagem e o Dia Internacional da Luta contra a
LGBTfobia.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Reis.
* * *
Eu quero
começar dizendo que esses dois assuntos estão mais próximos do que podemos
imaginar, pois falam sobre a dignidade e enfrentamento da cultura do descarte.
Infelizmente, nossa sociedade descarta pessoas da mesma forma que descarta
recursos naturais. Isso acontece porque entende tudo como mercadoria, seja o
meio ambiente, as pessoas, as relações humanas e até os direitos básicos e
fundamentais, como o de existir.
Um relatório
divulgado na última semana mostra que o Brasil reaproveita apenas 1,3% dos
materiais que consome, quer dizer que praticamente tudo o que extraímos da
natureza é entendido como possível de descarte e vira lixo.
É um modelo
econômico baseado no desperdício, no lucro imediato e na destruição ambiental.
Enquanto isso, toneladas de resíduos seguem sendo despejadas em periferias, nos
rios e nas comunidades vulneráveis, prejudicando a população pobre,
trabalhadora, periférica e marginalizada.
Entre a
população marginalizada, está a comunidade LGBT+, que, ontem, mais uma vez, foi
às ruas e às redes lembrar que existir ainda é um ato de resistência neste
país, que continua sendo um dos que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo.
São vidas
interrompidas pelo ódio, pela intolerância e pela omissão. São jovens expulsos
de casa e até do mercado de trabalho, travestis empurradas para a informalidade
e para a violência, pessoas que têm o direito básico de viver com dignidade
negado.
Combater a
LGBTfobia é defender os Direitos Humanos, a democracia, acima de tudo, a vida.
Da mesma forma, defender o meio ambiente é defender Saúde pública, justiça
social e futuro de todas e todos que vivem neste planeta.
Quando
defendemos reciclagem como um trabalho fundamental para a sociedade, estamos
defendendo também os catadores e catadoras deste país, trabalhadores
invisibilizados que sustentam boa parte da cadeia ambiental brasileira sem
reconhecimento, sem direitos e, muitas vezes, sem proteção.
Não existe
política séria de reciclagem sem valorização das cooperativas formadas por
esses trabalhadores, não existe desenvolvimento sustentável mantendo
trabalhadores na precariedade e não existe democracia plena convivendo com
discriminação e violência contra pessoas LGBT+. Só uma sociedade que respeita
tanto as diferenças humanas quanto os recursos da natureza pode ser
sustentável, e devemos entender a sustentabilidade como uma questão
democrática.
Neste plenário,
meu mandato reafirma o nosso compromisso com um projeto de sociedade
verdadeiramente sustentável, onde nem os recursos naturais e nem as pessoas
sejam tratadas como descartável. Nem o meio ambiente, nem os trabalhadores, nem
as pessoas LGBT+.
Sr. Presidente,
muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Chamo para fazer uso
da palavra o deputado Carlos Giannazi.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Reis, de volta à tribuna no
dia de hoje.
Eu quero
primeiramente, Sr. Presidente, parabenizar aqui a Apampesp, que é a associação
das professoras aposentadas do estado de São Paulo, que tem como presidente a
professora Walneide Romano.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
A Apampesp está
organizando várias atividades, vários movimentos e várias carreatas pelo estado
de São Paulo, no interior paulista, na Baixada Santista, em várias regiões, Sr.
Presidente, contra o confisco das aposentadorias e pensões e sobretudo pela
devolução do que foi confiscado na gestão Doria/Rodrigo Garcia.
Eu tive a
oportunidade de participar de uma dessas atividades lá em Presidente Prudente,
que congregou aposentados e aposentadas da região. Recentemente, houve uma
outra carreata, uma outra atividade na cidade de Lins e região, inclusive com a
presença da deputada federal Luciene Cavalcante, que faz essa luta aqui em São
Paulo e também no Congresso Nacional, junto ao Supremo Tribunal Federal.
Nós vamos ter
outras atividades, vai ter em Assis, depois vai ter uma audiência pública da
Apampesp aqui na Assembleia Legislativa, no dia 28 ou 29, depois nós vamos
divulgar. Então são várias atividades da Apampesp, que teve uma participação
muito importante, fundamental na derrubada do confisco das aposentadorias.
É sempre bom lembrar
que a Apampesp conseguiu mais de 400 moções de apoio ao nosso PDL 22, aquele
PDL que eu apresentei, revogando o decreto do Doria, que impôs o confisco das
aposentadorias. Então a Apampesp ajudou muito, e ela foi uma instituição, uma
entidade fundamental para colocar fim ao confisco das aposentadorias aqui no
estado de São Paulo.
Tem imagens
aqui da professora Walneide, da manifestação, essa de Lins. Mas a luta da
Apampesp não é só essa, é pela valorização das professoras aposentadas, a luta
pelo pagamento dos precatórios, a luta pelo pagamento também da data-base
salarial dos servidores, que com certeza é estendida também - essa data-base -
aos aposentados e pensionistas.
A Apampesp tem
participado, sobretudo também aqui na Assembleia Legislativa, de várias
audiências, de vários movimentos em defesa dos servidores e das servidoras em
geral, dos aposentados.
Destaco aqui a
participação da professora Walneide, da Apampesp, na reunião que nós fizemos
junto ao ministro do Supremo Tribunal Federal, o ministro Fachin. Fomos lá
debater com ele a necessidade urgente da volta do julgamento das Adins que
versam sobre o fim do confisco das aposentadorias e pensões.
Estivemos lá, a
professora Walneide fez um apelo importante ao ministro para que volte
imediatamente com esse julgamento, porque já temos lá seis votos de seis
ministros contra o confisco. O julgamento tinha sido suspenso no ano passado
por conta de um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, que já devolveu o
processo. Então só falta a retomada do julgamento.
Se não houver
alteração dos votos, nós vamos ter uma grande vitória, porque vai se confirmar
o óbvio, o que a própria PGR já confirmou: que o confisco das aposentadorias e
pensões é inconstitucional. Então é muito importante que haja esse julgamento.
A Apampesp está
lá batalhando, conversando com os ministros, conversando com os deputados para
aprovar o nosso projeto. Eu tenho um projeto de lei aqui tramitando, que já foi
aprovado na Comissão de Constituição e Justiça, que obriga o governo a
devolver, com juros e correção monetária, tudo o que foi confiscado dos
aposentados e pensionistas.
Então queria
fazer esse destaque e parabenizar mais uma vez a Apampesp pela sua luta em todo
o estado de São Paulo em defesa das professoras aposentadas e, sobretudo, neste
momento, fazer esse movimento, essa carreata, essa peregrinação pelo estado de
São Paulo, em defesa da devolução do que foi confiscado durante a pandemia, Sr.
Presidente. Então queria fazer esse destaque aqui.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos, deputado Carlos Giannazi.
Tem a palavra agora o deputado Reis,
pelo tempo regimental.
O
SR. REIS - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Deputado Suplicy, eu retorno à tribuna para falar um
pouco sobre Segurança Pública. A última pesquisa que saiu, pesquisa de intenção
de votos para o Governo do Estado de São Paulo, eles fizeram uma pesquisa,
colocaram nessa pesquisa de intenção de votos a questão de quais eram os
maiores problemas que o estado de São Paulo tem. Apareceu em primeiro lugar a
Segurança Pública, a violência, o medo.
Eu já havia
dito, alguns anos atrás, assim que cheguei a esta Casa, que, pela falta de
investimentos na Segurança Pública, pela falta de recomposição do efetivo das
polícias, da estruturação das polícias, de uma política de Segurança presente
nos territórios, de uma política de Segurança preventiva, nós teríamos um
apagão. E está se consolidando aquilo que eu falei há três anos quando
denunciei aqui que a falta de investimentos do Governo do Estado de São Paulo
iria promover esse grande apagão na Segurança Pública. E virou o tema de debate
para as eleições de 2026.
Na campanha
eleitoral, no programa de televisão, nos debates, isso vai aparecer muito
forte, porque é o que a população está falando, e aí cada um faz o seu discurso
e se defende. “Ah, nós estamos cuidando, o governo federal está cuidando do
andar de cima e o governo do estado não cuida do andar de baixo.” Tem que
cuidar do andar de cima, mas tem que cuidar de tudo aquilo que tem relação com
Segurança Pública.
Hoje,
inclusive, eu estava debatendo com o sociólogo Dr. Benedito Mariano e falando
para ele que a sensação que o povo tem, o sentimento que o povo tem é de medo.
O povo está com medo de sair às ruas.
Na pesquisa,
apareceram mudanças de hábitos: 36% da população está mudando o percurso, mudou
o percurso de ida e vinda de suas casas, por medo, por conta do medo; 35% está
deixando de sair à noite. Não vai mais a restaurantes, não vai mais a bares
noturnos, com medo da violência.
Isso é ruim
para a economia, porque quando as pessoas deixam de sair à noite, obviamente
elas também deixam de gastar. E, não gastando, não há circulação de recursos,
de dinheiro. Isso prejudica a economia. Então a falta de Segurança Pública está
também prejudicando essa questão econômica.
Várias pessoas
já não andam mais com aliança no dedo, estão tirando a aliança para poder
circular nas ruas de São Paulo, deixam o celular em casa. Muitos, à noite, se
vão a algum lugar, não vão com o celular, e 80% desses pesquisados dizem que
têm medo de morrer em um assalto.
Porque eles,
obviamente, quando ligam a televisão e que veem lá muitas vezes o assaltante
atirando nas pessoas, isso então provocou esse medo. Oitenta por cento tem medo
de morrer em assalto, isso quer dizer que a população de São Paulo está em
pânico quando na pesquisa aparece isso.
Qual que é o
grande temor? Roubos e furtos, tráfico de drogas e violência contra a mulher -
foi o mais mencionado, deputado Suplicy, na pesquisa que a Quaest fez. Na
pesquisa que ela fez, o que apareceu?
Olha, a questão
da violência contra a mulher, que é muito forte em São Paulo, muitas mulheres
morrendo vítimas de feminicídio, o tráfico de drogas que está em todos os
lugares. O tráfico de drogas é uma coisa que a população diz, a maioria da
população já viu próximo de suas casas ou dos seus bairros acontecer; e roubos
e furtos, que é pandêmico em São Paulo.
Então nós temos
um apagão, esse assunto vai ficar muito forte no debate eleitoral. O Governo de
São Paulo não tem muito o que mostrar e vai também remeter essa discussão para
o governo federal. O governo federal aprovou uma PEC, a Lei Antifacção, mas o
que o povo sente é aqui no território, quando ele sai à rua, quando ele sai à
rua e muitas vezes é vítima de uma arma apontada em sua direção.
Uma pessoa que
tem uma arma apontada em sua direção nunca mais será a mesma. Ela vai ter um
trauma eterno na sua vida, um trauma eterno, um medo eterno, nunca mais será a
mesma.
Então é muito
importante discutir essa questão da Segurança, do crime organizado, da Faria
Lima, das facções, mas é importante discutir a segurança territorial, a
segurança local, aquela que está ligada diretamente à população, ao direito de
ir, vir, ficar, à circulação de pessoas, porque é essa que mexe com as pessoas,
que mexe principalmente com o psicológico das pessoas.
Então é essa
resposta que nós estamos cobrando desde o primeiro momento que chegamos aqui,
denunciando a falta de estrutura, a falta de investimento, a valorização dos
servidores da Segurança Pública, que não aconteceu.
Não aconteceu
na gestão anterior do Sr. João Agripino Doria e não aconteceu na gestão do Sr.
Tarcísio de Freitas. Por mais aqueles reajustes que ele deu, escalonados de 13%
a 32%, depois 5%, depois 10%, mesmo com esses reajustes, o salário da polícia
em São Paulo era tão baixo que mesmo com isso não surtiu efeito. O policial
ainda continua ganhando em São Paulo o 22º pior salário do País.
Então o próximo
governo tem que estar atento a isso, tem que estar atento à valorização dos
policiais, tem que ter um grande programa de recomposição do efetivo dos
policiais, um grande programa de Segurança Pública preventiva nos territórios,
plano de carreira.
Ou seja, tudo
aquilo que não foi feito pelos governos anteriores, o próximo governo tem que
se comprometer em fazer, porque é daí que vai surgir a escolha, o sim ou o não.
E entendendo
que nós temos que pensar tudo isso, pensar a valorização, recomposição, plano
de carreira e atentar para essa questão tecnológica, porque, muitas vezes, o
governo fala: “Não, eu investi em tecnologia, eu investi em câmeras”, mas só
isso não é suficiente.
Eu sempre tenho
dito, a câmera ou a câmera fotográfica, ou a câmera que está filmando não desce
do posto para prender ninguém. Então o que se espera é que o governo, o próximo
governo, possa tirar São Paulo do mapa do medo, porque, com o Sr. Tarcísio de
Freitas, São Paulo está sentindo muito medo, muito pânico por falta de
Segurança Pública, Sr. Presidente.
O SR. REIS - PT - Sr.
Presidente, havendo acordo de lideranças, requeiro de V. Exa. que esta sessão
seja levantada.
O SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Havendo
acordo de lideranças, esta Presidência, antes de dar por levantados os
trabalhos, convoca V. Exas. para a sessão ordinária de amanhã, à hora
regimental, com a mesma Ordem do Dia da última quarta-feira.
Está levantada
a sessão.
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- Levanta-se a
sessão às 14 horas e 55 minutos.
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