18 DE NOVEMBRO DE 2025

54ª SESSÃO EXTRAORDINÁRIA

        

Presidência: ANDRÉ DO PRADO

Secretaria: ALEX MADUREIRA e CAPITÃO TELHADA

        

RESUMO

        

ORDEM DO DIA

1 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO

Abre a sessão às 18h08min.

        

2 - THAINARA FARIA

Solicita verificação de presença.

        

3 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO

Defere o pedido. Determina que seja feita a chamada de verificação de presença, que interrompe quando observado quórum. Coloca em discussão o PL 1048/25.

        

4 - MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS

Discute o PL 1048/25.

        

5 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO

Encerra a discussão do PL 1048/25.

        

6 - GILMACI SANTOS

Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.

        

7 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO

Defere o pedido. Levanta a sessão às 18h37min.

        

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ÍNTEGRA

 

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- Abre a sessão o Sr. André do Prado.

 

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O SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Presente o número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da sessão anterior.

Ordem do Dia.

 

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- Passa-se à

 

ORDEM DO DIA

 

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O SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Pela ordem, deputada Thainara Faria.

 

A SRA. THAINARA FARIA - PT - Muito obrigada, nobre presidente, gostaria de pedir uma verificação de presença, por gentileza.

 

O SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - É regimental o pedido de Vossa Excelência. Solicito ao deputado Capitão Telhada, junto com o deputado Alex Madureira, para uma verificação de presença.

 

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- Verificação de presença.

 

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O SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Constatado o quórum regimental, agradeço ao deputado Alex Madureira e ao deputado Capitão Telhada pela verificação de presença.

Então, o nosso projeto da sessão extraordinária é a discussão e votação do Projeto de lei nº 1.048, de 2025, de autoria do Sr. Governador, que está em processo de discussão. Para dar sequência à discussão, pela lista de oradores inscritos, com a palavra a deputada Monica Seixas, para discutir contra.

 

A SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sempre contra, presidente. Nesse governo, sempre contra, porque cada votação é uma retirada de direito das pessoas.

Só uma pequena nota sobre a votação anterior. Embora o clima festivo - e quem nos dera a Assembleia Legislativa tivesse demonstrado autonomia assim diante de votações importantes diante do governo estadual, e não só na indicação do Carlos Cezar -, uma nota: eu me somo às mulheres que, no Brasil, pedem a indicação de uma ministra, preferencialmente uma ministra negra ao STF. Aqui na Assembleia Legislativa não seria diferente.

O Tribunal de Contas é um órgão importante. Em tempos de falta de recurso para o básico, seria importante diversidade nas indicações. O Tarcísio abocanhou quatro dos sete membros do colegiado e, por isso, me orgulho muito de ter sido o único voto contra a indicação do Carlos Cezar ao Tribunal de Contas, porque aqui também a gente tem uma única mulher indicada em toda a história do Tribunal de Contas, que agora preside o colegiado, e espero que a gente corrija essas distorções.

Além disso, me preocupa muito o malabarismo financeiro que o Tarcísio tem feito com as contas do estado e o alto grau de benefícios fiscais. Precisava também de alguém com independência para atuar sobre isso, porque o estado vai caminhando a passos largos para uma enrascada. Demarcando aqui um parêntese sobre o meu único voto contrário à indicação do Carlos Cezar ao Tribunal de Contas na votação que nos antecedeu.

Depois, entrando na matéria: o PL do SUAS Estadual, embora eu discorde de que tenha que ser um projeto de lei... A Constituição Brasileira é bastante explícita sobre o que é a Assistência Social e a importância da participação social na Assistência Social. O estado de São Paulo é o único que não tinha aderido ainda, ou organizado o seu Sistema Único de Assistência Social, e organizado a sua interface com o governo federal e municípios.

Embora a gente esteja apelidando o projeto de “SUAS Estadual”, ele não usa essa palavra, e ainda bem, porque, do meu ponto de vista, ainda não se trata do Sistema Único de Assistência Social.

Também é claro que deveria ser uma alteração na Constituição Estadual, para tratar do regramento como política, mas ainda bem que veio só um projeto de lei, porque fica mais fácil para a gente alterar depois, quem sabe um dia, se a gente ousar fazer o certo depois que esse governo passar.

Esse projeto, que trata da organização da Assistência Social no estado de São Paulo, ele tenta institucionalizar - do meu ponto de vista, é um ponto grave - o programa “Superação da Pobreza”, do Tarcísio.

Quando o projeto “Superação da Pobreza” veio aqui para a Assembleia Legislativa, eu falava dos erros de conceitos que tem o projeto e que agora vai se tornar o programa de Sistema Único de Assistência Social do Tarcísio, praticamente.

O “Superação da Pobreza” nasce errado pelo nome, porque dificilmente a gente supera a pobreza. As pessoas podem melhorar de qualidade de vida e ter mobilidade social, mas os traços da pobreza falam em primeira pessoa, como uma criança que nasceu miserável, você nunca supera.

Tampouco a Terapia e a Psicologia vão te ajudar a sair da miséria, é um conjunto de outras coisas. A pobreza, também a vulnerabilidade a que se dedica a Assistência Social, não têm só um marco financeiro. A pobreza é um marco importante, e se a gente olhasse só para aí, já seria importante, porque a gente tem uma série de servidores públicos estaduais que se enquadrariam nos benefícios das pessoas em situação de vulnerabilidade de CadÚnico.

A gente tem uma série de servidores públicos estaduais que se encaixariam para receber benefícios por conta de terem baixíssimos salários. A gente tem gente no quadro do Estado que recebe menos que um salário mínimo, com família grande para dividir esse salário de fome. Então, se a gente entendesse que a gente começa a superar a vulnerabilidade social com bons salários, já seria importante.

Mas o “Superação da Pobreza” tenta resumir a vulnerabilidade no bojo do desemprego. Não, estar desempregado é grave, as pessoas ficam sem condições materiais de subsistência, mas não só o acesso a emprego e renda vai tirar uma pessoa de vulnerabilidade.

Todas as outras vulnerabilidades estão desassistidas pelo novo Programa de Assistência Social do Governo do Estado de São Paulo. Vou dar um exemplo: pessoas com deficiência são pessoas em vulnerabilidade social.

Para muitas das pessoas com deficiência, talvez, nem só acessar o emprego as retirem da situação de vulnerabilidade social. Por quê? Vão continuar precisando de acessibilidade para se locomover, de ajuda para executar SUAS tarefas, e talvez os baixos salários que ganhem não sejam suficientes para pagar terapia, remédio, etc. Pessoas com deficiência estão em situação de vulnerabilidade muito além do acesso a emprego e renda.

Mulheres mães solo. Para mulheres mães solo, a situação de vulnerabilidade vem da falta de assistência para o cuidado da família, dos idosos e da criança pelo Estado. Para uma mulher mãe solo, antes do acesso a emprego, tem que ter acesso à creche.

E creche noturna para as mulheres que trabalham à noite. E creche que cubra pelo menos o horário comercial. Quantas mães não estão inseridas no mercado de trabalho porque a creche vai das 7 às 16 horas, mas o trabalho vai das 8 às 18 horas?

Quem é que pega às 16, às 17 horas o seu filho quando você é mãe solo? Na vulnerabilidade social estão as pessoas trans, que abandonam o Ensino Médio, que evadem e que não têm condições de terminar a formação.

Vulnerabilidade social é muito além do acesso ao emprego. O “Superação da Pobreza” troca assistente social, sociólogos, pessoas formadas na ciência da Assistência Social por desenvolvedores sociais, por “coaching”.

Qualquer formação agora vai poder ser desenvolvedor, agente de desenvolvimento social do Governo do Estado de São Paulo, qualquer pessoa.

E sabe qual vai ser o trabalho desses “coaches” no SUAS estadual? Ensinar a pessoa a arrumar um emprego. E aí, repito, acesso ao trabalho é uma política superimportante. Ter acesso a emprego e renda é essencial para as pessoas terem teto para poder comer, mas essa é uma política que deveria estar na Secretaria do Trabalho.

Deveria ser uma política muito importante, que tem que existir, mas ela não substitui as demais necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade. Os trabalhadores do Serviço Social do Estado de São Paulo tentaram se mobilizar para vir aqui participar da famigerada audiência pública que aconteceu na preparativa da votação desse projeto. E eu repito, a Constituição Federal garante que a Assistência Social deve ser preconizada pela participação popular.

Então, a audiência pública, nesse caso, não é acessória. Deveria ser um compromisso de Estado. Ouvir os servidores, os trabalhadores e a população. Mas sabe o que estava acontecendo no dia da audiência pública aqui na Assembleia Legislativa? Sabe o que estava acontecendo? O Congresso dos Trabalhadores, a etapa estadual dos trabalhadores da Assistência Social.

Ou eles participavam da conferência estadual da Assistência Social ou da audiência na Assembleia Legislativa. Ou eles palpitavam na política nacional de assistência social, ou eles vinham aqui debater o SUAS. Como garantir a participação se, propositadamente, realiza-se a audiência pública no mesmo dia que a conferência estadual de assistência social?

Por fim, o texto reduz o tamanho e a autonomia do Conselho. O Conselho do Serviço Social tinha, antes, 24 membros. Passa a ter dezoito. Paritário, é verdade, mas 18 membros. Para quem é da participação social, sabe que existe toda uma lógica e uma matemática que é difícil de encaixar na hora de conformar um Conselho.

Você quer discutir vulnerabilidade? Tem uma série de vulnerabilidades que a gente quer colocar especialidades para discutir. Representantes das pessoas com deficiência, representantes das favelas e periferias, representantes dos atingidos por fenômenos extremos e crise climática, mulheres, mães solo, pessoas negras, egressos do sistema carcerário, criança e adolescente. Uma série de cadeiras que antes ocupadas e que agora vai ter toda uma matemática de apertar para caber.

Reduzir o número do Conselho é excluir, excluir protagonismo de participação popular. Além disso, antes o Conselho poderia convocar, era obrigado a chamar reuniões extraordinárias. Agora pode chamar, não é mais obrigado.

A Presidência tem que ser revezada entre sociedade civil e governo. Diminuiu o tempo de mandato de três para dois anos. Antes eles aprovavam um fundo de Assistência Social. Podiam palpitar na política, podiam palpitar nos conselhos municipais. Agora é acompanhar. O Conselho acompanha, não delibera mais. Reduziu muito a participação social no que o governo está chamando de SUAS.

“Ah, mas pode trazer uma segurança jurídica. Ah, é uma organização no Estado que tinha a política de assistência social toda desorganizada”. Isso é verdade. Mas a somatória total entre desmonte da participação social, a falta de escuta dos profissionais, a transferência da atribuição do sociólogo e do assistente social formado por coachs e a redução da política de Assistência Social na concentração do programa de acesso a emprego do governador Tarcísio faz com que um projeto seja um projeto ruim, vazio e contraditório.

Por isso que eu falo que, para ingressar mesmo no SUAS, no Sistema Único de Assistência Social, para provocar a integração entre o governo federal, estado e município, como o estado de São Paulo deveria fazer, deveria aderir ao SUAS, tinha que ser uma mudança na Constituição Estadual.

Mas como esse projeto não é bom, que bom que ele é apenas um projeto de lei, porque como projeto de lei é uma política de Estado e que os Orixás nos ouçam que no mandato que vem, quem sabe, a gente possa alterar essas coisas e devolver ao Conselho de Assistência Social as SUAS atribuições deliberativas, ampliar a participação popular no Conselho e devolver ao Estado o conceito correto de vulnerabilidades. “Vulnerabilidades”, no plural.

Quem dera o Estado tivesse disposto a superar a pobreza, porque ia começar aqui reajustando os salários dos seus servidores. Para começar, tinha que tirar da pobreza os seus próprios servidores. É uma vergonha o quadro de apoio na Educação ganhar menos que um salário mínimo.

É uma vergonha ter policial ganhando 3.500 reais morando na mesma favela em que, às vezes, tem que combater como policial. É uma vergonha ter gente ganhando um salário mínimo no serviço público estadual. Se tivesse a fim de vencer a vulnerabilidade por salário, deveria começar pelos próprios servidores públicos estaduais. Mas como não está a fim, mandou para cá mais um capítulo da transferência, e aí aqui para mim é o mais grave, e termino com isso:

A transferência de dinheiro público para o setor privado, que é a marca do governo Tarcísio. O governador Tarcísio chegou no Governo do Estado para dar tudo que é do povo para a iniciativa privada.

O projeto vai avançar na privatização da assistência social, fazendo o que deu errado na Saúde, que é contratar organizações sociais, as OSs, terceirizando a assistência social para o seu programa de acesso a emprego e renda. Por todas essas coisas, mais uma vez, serei contrária ao projeto do governador.

 

O SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Dando sequência à lista dos oradores inscritos para discutir. Com a palavra a deputada Ediane Maria. Ausente. Com a palavra o deputado Teonilio Barba. Ausente. Com a palavra o deputado Dr. Jorge do Carmo. Ausente. Com a palavra o deputado Barros Munhoz. Ausente.

Está encerrada a discussão.

 

O SR. GILMACI SANTOS - REPUBLICANOS - Pela ordem, presidente. Sr. Presidente, eu queria pedir a V. Exa. que, havendo acordo de lideranças em plenário, que nós pudéssemos levantar esta sessão, para que a gente possa dar continuidade a essa votação na terça-feira que vem, um acordo aqui que nós estamos construindo. Eu queria ver com V. Exa. a possibilidade e sugerir o levantamento da presente sessão.

 

O SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - É regimental o pedido de Vossa Excelência. Antes, porém, esta Presidência recebe o roteiro que foi apresentado pelo deputado Gilmaci Santos, líder do governo.

Então, havendo acordo de liderança, está levantada a sessão.

 

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- Levanta-se a sessão às 18 horas e 37 minutos.

 

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