
21 DE MAIO DE 2026
65ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: EDUARDO SUPLICY
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h08min. Tece comentários sobre a peça de teatro "Sete Minutos", escrita e dirigida pelo ator Antônio Fagundes. Defende a não privatização dos parques públicos de São Paulo. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 22/05, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 14h21min.
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ÍNTEGRA
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- Assume a Presidência e abre a sessão o Sr.
Eduardo Suplicy.
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- Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
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O SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Presente o número regimental de Sras. Deputadas e Srs.
Deputados, sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos.
Esta
Presidência dispensa a leitura da Ata da sessão anterior, e recebe o
Expediente. Em primeiro lugar, chamar os oradores da lista do Pequeno
Expediente. Deputado Valdomiro Lopes. (Pausa.) Sebastião Santos. (Pausa.)
Thainara Faria. (Pausa.) Márcia Lia. (Pausa.) Paulo Fiorilo. (Pausa.) Dr. Jorge
do Carmo. (Pausa.) Delegado Olim. (Pausa.) Rui Alves. (Pausa.) Atila Jacomussi.
(Pausa.)
Professora
Bebel. (Pausa.) Edson Giriboni. (Pausa.) Enio Tatto. (Pausa.) Fábio Faria de
Sá. (Pausa.) Donato. (Pausa.) Bruno Zambelli. (Pausa.) Reis. (Pausa.) Agente
Federal Danilo Balas. (Pausa.) Marina Helou. (Pausa.) Delegada Graciela.
(Pausa.) Caio França. (Pausa.) Alex Madureira. (Pausa.) Jorge Wilson Xerife do
Consumidor. (Pausa.) Eduardo Suplicy, presidindo hoje a sessão.
Então,
eu vou falar os pronunciamentos que preparei para hoje. Em primeiro lugar, sobre
a peça “Sete Minutos”, do grande ator, compositor, dramaturgo brasileiro
Antônio Fagundes.
Eu, ontem, assisti à divertida peça
“Sete Minutos”, dirigida pelo meu querido amigo, ator Antônio Fagundes. Fiquei
muito feliz em reencontrá-lo à frente de um grande espetáculo, dirigindo um
extraordinário elenco diante de uma Cultura Artística lotada. O Teatro Cultura
Artística, que foi reaberto recentemente, estava praticamente lotado.
Eu conheço o Antônio Fagundes há mais
de 40 anos, e desde então admiro e compartilho do seu entusiasmo, do seu amor
pelo teatro, pela arte, um amor contagiante.
A comédia acompanha um ator que
abandona o palco no meio de “Macbeth”, desencadeando um embate nos bastidores
sobre o pacto entre o palco e a plateia.
Inclusive, hoje, a “Folha de S. Paulo”
trouxe uma notícia sobre a peça para a “Folha”. Fagundes, que escreveu o texto
há 26 anos, disse: “Ao longo de minha carreira, passei por tudo o que aparece
nessa peça. Era uma forma de concretizar a minha paixão pelo público e pelo
fazer teatral”.
A peça foi protagonizada pela primeira
vez em 2002. O título da peça faz referência a uma pesquisa sobre a
concentração humana que ele encontrou na época. De acordo com o estudo, as
pessoas conseguem se manter atentas a uma determinada atividade por até sete
minutos.
O artista disse à “Folha”: “Hoje, eu
reduziria esse tempo para sete segundos e tenho medo de que daqui a 20 anos
sejam sete milésimos de segundo. A nossa atenção realmente está cada vez
menor”.
Parabenizo Antônio Fagundes pelo texto
e pela direção formidável; Natália Beukers, idealizadora da peça; o elenco,
Norival Rizzo, Walter Breda, Fábio Esposito, Ana Andreatta, Conrado Sardinha e
Natália Beukers e todos os trabalhadores e trabalhadoras que se dedicaram para
essa produção.
Obrigado Antônio Fagundes, por tanta
dedicação à cultura brasileira. E eu vou atender, sim, o seu convite para
assistir a outra peça que você está dirigindo, na qual também é ator, diretor,
compositor. Então, deve ser reapresentada proximamente e eu faço questão de
assistir.
E também, agora, gostaria de falar uma
palavra sobre o tema da privatização dos parques de São Paulo, em especial do
Trianon e do Villa-Lobos. Quando morei no bairro do Jardim Paulista, cresci com
a belíssima vista do Parque Tenente Siqueira Campos, mais conhecido como Parque
Trianon, que considero um parque extraordinário, um belíssimo remanescente da
nossa Mata Atlântica, com árvores centenárias, que desempenham serviços ecosistémicos
essenciais à nossa cidade.
Me espantei muito ao descobrir, a
partir de uma carta de repúdio, escrita por diversos representantes da
sociedade civil, que uma área do parque, próxima a Peixoto Gomide e Alameda
Santos, estava sendo devastada para a implementação de um bar-restaurante em
uma região que é amplamente rica em serviços com estas características.
O Parque Trianon, por sua vez, tem
atributos singulares na cidade. Foi inaugurado em 1892, um ano após a abertura
da Avenida Paulista, e possui área aproximada de 48.600 metros quadrados. Sua
vegetação remanescente origina-se da antiga Mata do Caaguaçu, sobrevivente ao
intenso processo de urbanização da cidade.
Trata-se de um patrimônio histórico,
ecológico, paisagista e afetivo, de valor inestimável para São Paulo. O parque
abriga dezenas de espécies nativas da Mata Atlântica, incluindo espécies
ameaçadas, cumprindo função ambiental essencial na reputação térmica, na
biodiversidade, na permeabilidade do solo e na qualidade do ar, em uma das
regiões mais adensadas da Capital. É reconhecido pelos órgãos do patrimônio
como bem cultural de interesse histórico e paisagístico, justamente por
representar um raro exemplar preservado de vegetação original da cidade.
Diante dessa singularidade, é espantoso
assistir à descaracterização de áreas vegetadas e à implantação de estruturas
incompatíveis com a vocação ambiental e histórica do parque. É inaceitável que
um espaço de tamanha importância ecológica seja submetido a uma lógica de
mercantilização e exploração urbana já intensamente consolidada no entorno da
Avenida Paulista, uma região marcada pela concentração de bares e restaurantes,
empreendimentos privados de diversas naturezas.
O Parque Trianon não demanda estruturas
gastronômicas, cozinhas ou equipamentos que aumentem a pressão sobre um
território ambientalmente frágil. A população busca o parque justamente como
local de pausa, sombra, tranquilidade, contato com a Mata Atlântica,
convivência pública, alimentação simples e bem-estar em meio à intensa
urbanização da cidade.
Converter um dos raros remanescentes de
floresta urbana em suporte para atividades comerciais representa uma profunda
distorção dos valores ambientais e urbanísticos que deveriam orientar a cidade
- e a sociedade civil tem reagido a isso. É lamentável também a falta de
zeladoria com o espaço desde que a concessionária do Consórcio Borboletas assumiu
a gestão do parque.
Uma reportagem do Portal G1 mostra que,
apesar do parque ter sido concedido à iniciativa privada em outubro, o
consórcio alega que só irá assumir a gestão em agosto, e a Prefeitura de São
Paulo não respondeu quem é responsável pela zeladoria do parque até agosto.
Enquanto isso, o patrimônio da cidade fica abandonado e refém de empresas que
não respeitam a sua história.
A entrega dos parques públicos à
iniciativa privada tem sido um tema espinhoso e problemático, como temos visto
também no Parque Villa Lobos e Cândido Portinari, que foram privatizados em
2022, com a gestão da empresa Reserva Novas Parques Urbanos, e desde então a
população tem se queixado do excesso de eventos, com áreas cercadas e sem
acesso à população que não faz parte dos eventos, prejudicando a experiência
pública do parque.
Na última segunda-feira, o Ministério
Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para investigar a concessão
dos parques estaduais Villa Lobos e Cândido Portinari, e a apuração mira possíveis
irregularidades envolvendo a exploração econômica dos espaços e a atuação dos
órgãos públicos na fiscalização do contrato.
O documento cita a realização frequente
de eventos privados que ocupam grandes áreas por períodos prolongados, muitas
vezes mantendo controle de acesso aos visitantes. Para o Ministério Público,
esses elementos podem indicar a utilização dos parques para atividades
predominantemente comerciais, em detrimento da função pública, de lazer e
convívio social.
É imperativo que as empresas
responsáveis pelas concessões priorizem a natureza e a função original dos
parques, sem torná-los grandes polos gastronômicos, em detrimento da fruição
pública e preservação da biodiversidade. A Secretaria do Verde deve cumprir com
o mais empenho a fiscalização desses parques, que são patrimônios da cidade e
do povo paulistano.
Havendo acordo de lideranças, esta
Presidência, antes de dar por levantados os trabalhos, convoca V. Exas. para a
sessão ordinária de amanhã, à hora regimental, sem Ordem do Dia.
Está levantada a presente sessão.
Muito obrigado.
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- Levanta-se a sessão às 14 horas
e 21 minutos.
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