
6 DE ABRIL DE 2026
38ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: EDUARDO SUPLICY e MAJOR MECCA
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h12min. Discorre sobre problemas estruturais nas escolas públicas na gestão Tarcísio / Renato Feder. Lamenta a precariedade da Educação pública paulista. Cita a falta de salas para alunos matriculados, falta de estrutura em prédios de escolas, além da falta de segurança. Afirma que o governo estadual precisa investir em alunos e professores, na reforma de prédios e em planos de carreira.
2 - MAJOR MECCA
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
4 - MAJOR MECCA
Assume a Presidência.
5 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
6 - RUI ALVES
Para comunicação, faz pronunciamento.
7 - RUI ALVES
Por inscrição, faz pronunciamento.
GRANDE EXPEDIENTE
8 - CARLOS GIANNAZI
Para comunicação, faz pronunciamento.
9 - RUI ALVES
Para comunicação, faz pronunciamento.
10 - PRESIDENTE MAJOR MECCA
Parabeniza o deputado Rui Alves pelo trabalho da Igreja Universal e agradece o apoio aos policiais.
11 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
12 - RUI ALVES
Para comunicação, faz pronunciamento.
13 - EDUARDO SUPLICY
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
14 - PRESIDENTE MAJOR MECCA
Defere o pedido. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 07/04, à hora regimental, com Ordem do Dia. Levanta a sessão às 15h24min.
*
* *
ÍNTEGRA
*
* *
- Assume a Presidência e abre a sessão
o Sr. Eduardo Suplicy.
*
* *
- Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Presente o
número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus,
iniciamos nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da
sessão anterior e recebe o Expediente.
Como ainda não chegaram outros
deputados, vou iniciar o que será o Pequeno Expediente com a leitura do
pronunciamento que preparei. Problemas estruturais nas escolas. Novamente, com
enorme tristeza, subo a esta tribuna para falar sobre a precariedade da educação
pública paulista.
Desta vez, trago uma notícia publicada
no portal G1, na semana passada, acerca da situação de duas escolas, geridas
pela dupla Renato Feder e Tarcísio de Freitas, que estão em petição de miséria.
Uma delas, a Escola Estadual Orville
Derby, na Vila Formosa, zona leste paulistana, não tem a quantidade de salas
suficientes para abrigar os 900 alunos matriculados nos ensinos fundamental II
e médio. E, para driblar isso, o secretário Feder e o governador Tarcísio
tiveram uma ideia: implantaram um esquema de rodízio semanal no qual uma turma
estuda uma semana e a outra turma na semana seguinte. Isso é revoltante.
E a questão não é que o prédio seja
pequeno para a quantidade de alunos. O que houve foi um problema no telhado, em
dezembro do ano passado, que persiste ainda hoje. E, por ironia do destino, a
Vila Formosa fica entre as 14 zonas eleitorais paulistanas nas quais Tarcísio
de Freitas foi o vencedor na eleição de 2022.
Outra unidade com problemas é a Escola
Técnica Estadual Santa Ifigênia, na região central paulistana. Ela abriga
cursos como gastronomia, confeitaria, panificação, profissões que prezam,
sobretudo, pela higiene. Mas, infelizmente, o prédio não apresenta condições
mínimas, pois há banheiros fechados, cozinhas industriais e salas de aula
interditadas e falta de iluminação à noite, os problemas são recorrentes na
rede como um todo.
No caso das unidades do Centro Paula
Souza, no final do ano passado o diretor superintendente, Clóvis Dias, esteve
na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informação desta Casa para dizer
que todos os problemas seriam sanados antes do início do ano letivo, mas a
promessa não foi cumprida, e já estamos em 7 de março.
Já em relação as unidades geridas por
Renato Feder, dias atrás subi a esta tribuna para repercutir uma notícia também
publicada pelo portal “G1” a respeito da precariedade da Escola Estadual
Indígena Djekupe Amba Arandy, localizada na Terra Indígena Jaraguá, na região
noroeste da cidade de São Paulo.
Segundo a reportagem, a escola foi
interditada no dia 10 de março pela Defesa Civil municipal e pela Fundação para
o Desenvolvimento da Educação, FDE, por não oferecer segurança. Acontece que a
Seduc sabia disso há cinco anos. Em 2021, a comunidade pressionou por
melhorias, mas, pelo jeito, foi em vão. Por isso, caros nobres colegas, os
alunos foram alocados em uma área improvisada na própria comunidade com
banheiros precários e falta de água tratada.
Esse estado de coisa impacta também a
carreira docente, lembremos... Isso me faz puxar na memória o que o governador
disse sobre a perda da relevância do diploma universitário, pois, segundo ele,
o mercado valoriza mais a qualificação técnica, mas, pelo visto, para a dupla
Feder e Tarcísio, o que é irrelevante mesmo é a educação pública como um todo.
O governador Tarcísio de Freitas
precisa olhar para a Educação, precisa voltar a investir em nossos alunos e
docentes, oferecer condições adequadas, tanto estruturais quanto pedagógicas,
como o planejamento das reformas dos prédios e previsão de um plano de carreira
adequada aos servidores, e investir em Educação é investir em nossa sociedade.
Gostaria também de agora... Vamos
passar a lista novamente, chamando o deputado Major Mecca, tem a palavra Sua
Excelência. Permita-me apenas dizer que... Vou chamar rapidamente os deputados.
Deputado Rui Alves. (Pausa.)
Deputado Dr. Jorge do Carmo. (Pausa.)
Deputado Valdomiro Lopes. (Pausa.) Deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Deputado
Paulo Fiorilo. (Pausa.) Deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.)
Deputada Thainara Faria. (Pausa.)
Deputado Delegado Olim. (Pausa.) Deputado Rafa Zimbaldi. (Pausa.) Deputado Luiz
Fernando Ferreira. (Pausa.) Deputado Teonilio Barba. (Pausa.) Deputado Thiago
Auricchio. (Pausa.) Deputado Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.)
Deputada Valéria Bolsonaro. (Pausa.) Deputado Rômulo Fernandes. (Pausa.)
Deputado Major Mecca, tem a palavra
pelo tempo regimental.
O SR. MAJOR MECCA - PL -
SEM REVISÃO DO ORADOR -
Boa tarde, presidente deputado Eduardo Suplicy. Boa tarde meus irmãos de farda,
que aqui estão permitindo que a nossa atividade aconteça, assim como permitem
que todo o povo do estado de São Paulo possa sair da sua casa pela manhã,
exercer o seu trabalho e sustentar a sua família.
Como a gente
costuma dizer aqui, se não fosse esses homens e essas mulheres estarem nas ruas
como sentinelas, nenhum de nós saía pela manhã, de dentro das nossas casas. São
Paulo já passou por isso, e eles provaram o seu valor, mostraram a todos nós o
quanto eles são importantes.
Quando nós falamos
da importância dos policiais militares no estado de São Paulo, é importante que
nós chamemos a atenção aqui da tribuna desta Casa para o descaso que muitos
órgãos têm com os policiais militares. Dentre esses órgãos, eu destaco aqui a
SPPrev, a São Paulo Previdência.
Nós
acompanhamos, ao longo da semana passada, uma iniciativa da SPPrev. Uma
iniciativa louvável, extremamente justa, já iniciando e autorizando o pagamento
da pensão à filha da soldado Gisele, assassinada dentro de casa pelo marido,
tenente-coronel Neto, que hoje está dentro do presídio militar, preso em prisão
preventiva, e será condenado. Perderá o posto e perderá a aposentadoria, pois é
o justo. E nós vemos que a SPPrev teve essa postura louvável.
Aí cabe a nós
perguntarmos para a presidente da SPPrev e para todos que compõem aquele órgão:
por que os senhores não fazem isso em todos os casos de policias militares
mortos no estado de São Paulo. É preciso, é necessário e é justo demorar mais
de seis meses para atribuir a pensão a um filho de um policial militar
assassinado, um policial militar morto?
Porque é esse o
tempo que vocês levam para pagar uma pensão aos filhos de um policial militar
morto aqui no estado de São Paulo. E vocês sabem disso. Vocês sabem que o que
eu estou falando aqui é a expressão da verdade. Como eu falei para vocês em
todas as reuniões que tivemos, tanto no Palácio dos Bandeirantes quanto aqui na
Assembleia Legislativa.
Para que vocês
possam saber do descaso da SPPrev com os policiais militares no estado de São
Paulo, nós, desde o ano passado, que nós nos reunimos - a SPPrev, a
Procuradoria Geral do Estado, a Casa Civil, junto à Presidência da Assembleia
Legislativa, com o presidente da Alesp, deputado André do Prado, com a
liderança do governo, deputado Gilmaci Santos, o líder do PL, deputado Alex
Madureira, antes ele tinha as reuniões em que participava o deputado Carlos
Cezar.
Em todas essas
reuniões, a SPPrev tomou conhecimento da explanação que nós sempre fizemos em
relação à rotina, ao sacrifício que os policiais militares fazem para servir o
povo do estado de São Paulo.
Os horários
extenuantes de 16, 20, 24 horas de turno de serviço, 16 horas diárias de
trabalho ao longo dos 31 dias do mês, o desgaste físico, o desgaste psicológico, os problemas
contundentes de policiais com depressão, pelo afastamento que eles
consequentemente sofrem da família, o alto número de separações conjugais,
inúmeros e muitos policiais que moram em áreas de alto risco, mal podem levar a
sua farda para lavar e secar em casa, tem que fazê-lo no quartel.
Nós sempre
fazemos toda a explanação, muito mais completa que essa que eu estou fazendo
bem superficial, só para mostrar e justificar essa nossa exposição aqui da
tribuna da Assembleia Legislativa.
E o
interessante é que de um tempo para cá, pouco mais de um ano para cá, em todas
as reuniões que eu faço, eu levo policiais militares, para que os nossos
policias conheçam qual é e quais são as posturas do estado em relação a nós,
policiais.
Então, hoje,
nós temos policiais que estiveram em todas essas reuniões e conhecem a postura
e as manobras para nos enrolar, para não nos atender, para não nos
beneficiar... “Beneficiar” entre aspas: criar legislações e leis justas, que
respeitem a dignidade dos policias militares no estado de São Paulo. E a
SPPrev, a cada dia que passa, dá provas de que ela existe para nos prejudicar,
para estudar formas e maneiras de potencializar o nosso sofrimento.
Aqui, olha,
essa documentação que eu tenho nas minhas mãos, que eu trago aqui, são três
ofícios cobrando a SPPrev em relação aos últimos números que pediram para a
Polícia Militar.
E quais números
são esses? Dos 2.785 policiais militares que teriam o direito de passar para a
reserva, de reformarem com a sanção do PLC nº 135, eles precisavam saber
numericamente esse número de policiais por graduações e postos, porque nós
contestamos.
Eles
apresentaram um número extremamente superior a isso e dizendo que a média
salarial desses policiais é de 14 mil reais. Aonde que a média salarial entre
as praças chega a 14 mil reais? Nem aqui nem em Marte isso se aproxima da
realidade, não é nem 50% disso a média salarial.
Nós contestamos
e eles pediram para que a Polícia Militar fizesse esse cálculo e os entregasse.
Policial Militar entregou. Está para fazer um mês, eles nos responderam, no dia
19 de março, hoje é dia seis de abril, que eles estão... No dia 19 de março,
eles nos responderam que estão estudando os números.
Sabe o que eles
estão estudando? Uma forma de nos enrolar, uma forma de não atender a dignidade
dos policias militares no estado de São Paulo, que foram injustiçados.
Sabe do que
eles estão cansados? De participar de reunião conosco, comigo, com a minha equipe
de gabinete, com policiais militares e não terem argumentos verdadeiros e
justos para apresentar e não atender ao Projeto de lei Complementar nº 135,
essa é a verdade. Estão estudando uma forma de nos enrolar.
Sabe aquela
frase popular “empurrando com a barriga”? É o que o estado sempre fez conosco,
policiais, e é o que a SPPrev hoje está fazendo com todos nós, policiais
militares do estado de São Paulo.
Aí eu pergunto:
é justo isso com esses homens e essas mulheres que estão entregando a sua vida
para nos proteger, para proteger a família de vocês? À Sra. Presidente da
SPPrev e a todos que aí trabalham, vocês acreditam ser justo esse comportamento
comigo e com todos os policiais militares do estado de São Paulo?
Vocês realmente
acreditam ser justo? Vocês estão muito distantes de ocuparem um cargo público e
trabalharem em benefício do povo. Vocês estão muito, mas muito distantes disso.
E digo isso
porque é o que eu venho testemunhando há mais de dois anos, é o que eu venho
testemunhando em relação ao que é a SPPrev para os policiais do estado de São
Paulo e para todo o funcionalismo público.
Nós
continuaremos cobrando para que vocês tenham a mínima dignidade de olhar os
policiais militares do estado de São Paulo, principalmente os policiais
militares que foram injustiçados na última reforma previdenciária.
Nós estamos
aguardando. A nossa paciência vai muito além do que todos vocês imaginam, a
nossa persistência vai muito, mas muito além, vide o trabalho que esses
policiais militares que vocês estão desrespeitando entregam todos os dias para
o povo de São Paulo. Injustiçados, doentes, não arredam o pé e não abandonam as
trincheiras defendendo o cidadão de bem nas ruas do nosso estado.
E é muito
triste ver vocês terem uma atitude nobre, como tiveram com a filha da soldado
Gisele, na semana passada, de oito anos, única e exclusivamente pela pressão do
clamor público que o caso teve. Porque todos os demais casos que tramitam na
SPPrev vocês jogam dentro de uma gaveta e deixam às traças, e não respeitam nenhum
policial militar que entregou a sua vida, muito menos os seus familiares.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Pela defesa
dos direitos dos policiais militares, Major Mecca.
Tem a palavra agora o deputado Carlos
Giannazi, pelo tempo regimental.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - SEM
REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy, telespectador da
TV Assembleia, há cinco anos nós tínhamos derrotado a proposta do ex-governador
Doria em tentar privatizar o Ginásio do Ibirapuera, aliás, todo aquele complexo
esportivo.
Fizemos
audiências públicas aqui dentro da Assembleia Legislativa, fomos ao Ministério
Público estadual, trouxemos aqui medalhistas para darem depoimentos que
participaram das nossas audiências públicas, fomos ao Conselho do Patrimônio
Público, fizemos vários movimentos e várias gestões para impedir a
transformação do complexo de todo o Ibirapuera, do Ginásio ali do Ibirapuera
num shopping center. Era isso que o ex-governador Doria pretendia fazer.
Inclusive,
conseguimos também que o patrimônio público fizesse o tombamento histórico
daquele local. Agora, o Ginásio do Ibirapuera está tombado pelo Patrimônio
Histórico Nacional, pelo Iphan, presidente.
Foi uma
conquista importante da sociedade civil, do nosso mandato, que organizou as
audiências aqui, trouxe medalhistas, mas agora nós fomos surpreendidos pelo
anúncio de uma tentativa, Sr.
Presidente, de privatização, que o governo chama de concessão.
O governador
Tarcísio de Freitas vai privatizar o Ginásio do Ibirapuera. Ele não vai
transformar em um shopping center, mas ele vai transformar o Ginásio do
Ibirapuera, aquela região, Sr.
Presidente, aquele espaço esportivo que é do povo do estado de São
Paulo, que é do povo brasileiro, em um centro comercial subterrâneo. Olha só a criatividade.
* * *
- Assume a Presidência o Sr. Major Mecca.
* * *
E quero lembrar
que, há algum tempo atrás, ele tentou, o governo estadual tentou construir
dentro da pista de atletismo uma pista de automóveis, Sr. Presidente, para a exibição, para a corrida de automóveis, uma
categoria dessas de corrida.
Nós
denunciamos, acionamos o Ministério Público, o governo recuou, logicamente,
porque aquilo era um verdadeiro escândalo, a pista estava totalmente degradada.
Em seguida, o governo abriu uma licitação para a reforma da pista e de partes
do complexo esportivo do Ibirapuera.
Inclusive, tem
uma placa, quando qualquer pessoa passa ali na frente, tem uma placa lá de que
aproximadamente 73 milhões foram, ou estão sendo investidos, na reforma do
Ibirapuera.
Então, ele está
investindo ali dinheiro do povo de São Paulo para depois entregar para a
iniciativa privada, porque vai abrir agora uma consulta pública, nos próximos
dias, para exatamente preparar a privatização, o que ele chama de concessão do
Ginásio do Ibirapuera, Sr. Presidente,
de todo o complexo, porque não é só o ginásio em si. Ali tem pista de
atletismo, tem piscina, tem vários espaços que são utilizados pela população.
E são espaços
que são utilizados gratuitamente pela população da nossa cidade. Então, é mais
uma privataria bolsotucana do governador Tarcísio de Freitas. A única coisa que
o governo tem para mostrar é isso, é privataria. São pedágios, venda de escolas
na Bolsa de Valores de São Paulo, privatização de parques estaduais, venda de
espaços de pesquisa, privatização do metrô da CPTM, Sr. Presidente.
Então, essa é a
grande marca do governo Tarcísio, a venda do patrimônio público, o desmonte do
patrimônio público de São Paulo. E aqui mais um ataque a esse patrimônio, que é
o Ibirapuera. Isso é grave.
Nós vamos aqui,
Sr. Presidente, já estamos
estudando medidas, junto ao Tribunal de Contas, junto ao Ministério Público,
para deter essa privatização do Ibirapuera.
Quero ainda, Sr. Presidente, aqui, parabenizar a Aspal,
que é a associação dos servidores e servidoras aposentados e pensionistas da
Assembleia Legislativa, hoje presidida pelo Gaspar, que completa 22 anos de
luta, de existência, de resistência também, sempre em defesa dos aposentados e
pensionistas.
Houve hoje uma
solenidade, em homenagem aos 22 anos da Aspal. Tive a oportunidade de
participar, a deputada federal Luciene Cavalcante também. Várias outras
entidades do funcionalismo público estiveram aqui presentes, reconhecendo a
importância, reconhecendo o trabalho da Aspal, sobretudo contra o confisco das
aposentadorias e pensões.
A Aspal está na
luta pela devolução do que foi confiscado na gestão Doria/Rodrigo Garcia. A
Aspal está também na luta contra a reforma administrativa, em curso no
Congresso Nacional, e sempre esteve ao lado dos servidores e servidoras, da
ativa e dos aposentados também, Sr.
Presidente.
Por isso que
hoje celebramos os 22 anos de existência de uma entidade fundamental hoje,
juntamente com outras, como a Apampesp, que é a Associação das Professoras
Aposentadas do Estado de São Paulo, na luta em defesa dos direitos e da
dignidade dos aposentados e pensionistas.
Também a Aspal
está na luta contra os calotes dos precatórios, que são constantemente
renovados pelos governos de plantão, prejudicando os aposentados através desses
calotes.
A Aspal está na
luta também pelo reajuste salarial, pela reposição das perdas inflacionárias,
porque essa reposição é estendida também aos aposentados e pensionistas, e,
quando ela não existe, como está acontecendo aqui em São Paulo - o governador
Tarcísio de Freitas não deu reajuste para vários segmentos do funcionalismo
público estadual -, isso prejudica os servidores da ativa, como, por exemplo,
os da Educação, tem o maior número de servidores, mas também prejudica os
aposentados e pensionistas, que ficam sem esses benefícios, esse reajuste ou
essa reposição das perdas inflacionárias.
Então, só tenho
aqui que parabenizar a Aspal, na pessoa do seu presidente, Gaspar.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL -
Obrigado, deputado Giannazi. Dando sequência à lista de oradores, deputado
Donato. (Pausa.) Deputado Eduardo Suplicy. Tem V. Exa. o tempo regimental para
o uso da tribuna.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, caro Major Mecca, Sras. Deputadas, Srs.
Deputados. Meus queridos, nesse tempo de guerras absurdas, muito importante
será nos lembrarmos de todos aqueles que tanto batalharam para que as
transformações em nossa sociedade se deem pela não violência.
E, dentre
esses, está Martin Luther King Jr., que justamente completou 58 anos de sua
morte no dia 4 de abril, pois ele faleceu em 4 de abril de 1968. “Foi um dos
maiores líderes da luta pelos direitos da comunidade afro-americana.
Morreu assassinado,
aos 39 anos, na sacada do Lorraine Motel, em Tennessee, nos Estados Unidos”,
conforme diz Verônica Serpa, no artigo “Martin Luther King Jr.: da luta contra
a segregação racial à oposição ao imperialismo”, de Alma Preta, publicado por
Verônica Serpa na revista almapreta.com.br, Seção Cotidiano.
“Pastor Martin
Luther King Jr. foi morto a tiros enquanto apoiava a greve de trabalhadores
negros da cidade de Memphis, deixando um legado marcado pela defesa da justiça
racial e da igualdade de direitos. Nascido em 19 de janeiro de 1928, o ativista
cresceu no auge do ódio racial norte-americano, durante a vigência da lei
segregacionista Jim Crow.
Ao longo de sua
infância e adolescência, King foi obrigado a frequentar uma escola exclusiva
para pessoas negras, passagem que contribuiu para o seu precoce despertar sobre
a desigualdade. Formou-se em sociologia pela Morehouse College, renomada
universidade ligada à comunidade afro-americana, e realizou um doutorado em
teologia sistemática na Universidade de Boston.
Em um contexto
de tensões e conflitos no Alabama, Martin Luther King se filiou à Associação
Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor - NAACP, na sigla em inglês, e
liderou diversos protestos por direitos civis e trabalhistas.
Junto à
estratégia da desobediência civil, a ideologia de Martin Luther King Jr. se
baseou no princípio da não violência, adotada também por Nelson Mandela na
África do Sul - e eu aqui acrescento também por Mahatma Gandhi, na Índia. O
teólogo esteve à frente das manifestações em apoio à ativista negra Rosa Parks,
presa por desobediência civil em 1955, após se recusar a ceder o lugar no
ônibus para um homem branco.
Além da intensa
mobilização, a resposta do movimento negro veio na criação da Associação de
Melhoria do Montgomery, fundada para reivindicar o fim da segregação racial na
cidade, presidida pelo ativista. Com a organização, o ativista conduziu um
boicote ao ônibus municipal que durou mais de 300 dias e resultou na abolição
da segregação no transporte coletivo pela Suprema Corte.
Até o final da
década de 1950, o militante teve participação direta no acesso dos
afro-americanos a parques públicos, bibliotecas, lanchonetes e restaurantes em
diversas cidades. A Marcha sobre Washington, elaborada por King, reuniu mais de
250 mil pessoas na capital estadunidense e se tornou um momento histórico para
a luta pela igualdade racial em todo o mundo. O evento foi palco para o célebre
discurso “I have a dream” - “Eu tenho um sonho”, que até hoje reverbera nos
movimentos pelo fim do racismo ao redor do mundo.
Uma parte pouco
comentada da sua trajetória são as duras críticas ao sistema capitalista e
imperialista, com a atuação em defesa das causas trabalhistas e da
redistribuição radical do poder econômico e político. No livro “Para onde vamos
a partir daqui?”, publicado pelo pastor em 1967, defende explicitamente a
criação de uma renda básica universal, com a abolição total, direta e imediata
da pobreza.
Para Martin
Luther King Jr., a cidadania só seria alcançada a partir do acesso igual a bens
culturais, sociais e educacionais, como um direito básico, permitindo o
desenvolvimento igualitário do potencial humano.
Diz ele:
“Precisamos entender agora que os males do racismo, da exploração econômica e
do militarismo estão todos interligados. Não se pode realmente se livrar de um
sem desapegar-se dos outros. Toda a estrutura da vida americana precisa ser
mudada.
Os Estados
Unidos são uma nação hipócrita e precisamos colocar nossa própria casa em
ordem”, destacou King em um relatório à Conferência da Liderança Cristã do Sul,
em maio de 1967.
Em entrevista à
Bomb Magazine, de 1994, a autora Bell Hooks destacou que, apesar da importância
do ativista na articulação anticapitalista e anti-imperialista, sua proximidade
com o socialismo não é amplamente divulgada, tornando-se secundária na memória
coletiva.
Por causa de
sua persistente atuação contra o regime segregacionista, Martin Luther King Jr.
foi classificado pelo diretor do Departamento Federal de Investigação, FBI,
Edgar Hoover, como o mais perigoso e efetivo líder negro no país, e passou a
ser monitorado pela Agência de Segurança Nacional. Foi acusado de manter vínculos
com o Partido Comunista dos Estados Unidos e com a União Soviética, enfrentando
uma dura campanha de difamação e diversas prisões.
À época dos
protestos por Rosa Parks, sua casa foi bombardeada. Quando foi alvejado na
sacada do hotel em Memphis, o pastor chegou a passar por uma cirurgia de
emergência, mas não resistiu aos ferimentos. A autoria do crime foi atribuída a
James Earl Ray, que morreu na prisão em 1998.
Mesmo alegando
inocente, o homem confessou formalmente o assassinato para evitar a sentença de
morte. No entanto, os familiares do ativista expressaram dúvidas sobre o
responsável pelo crime, em virtude da constante perseguição do governo. O
receio é compartilhado com milhares de apoiadores que organizaram a onda de
protestos pelo país.
As suspeitas
tomaram proporções maiores após Loyd Jowers, afirmar, em 1993, que recebeu 100
mil dólares para arquitetar o assassinato, que teria o oficial da polícia, Earl
Clark, como verdadeiro autor.
Mais de meio
século após a sua morte, o legado de Martin Luther King Jr. segue mobilizando
lutas ao redor do mundo, especialmente diante das persistentes desigualdades
raciais e econômicas. Suas críticas estruturais ao racismo, ao capitalismo, ao
militarismo continuam atuais, reforçando que a busca por justiça social exige
transformações profundas e coletivas, capazes de enfrentar as raízes históricas
da opressão.
Querido Major
Mecca, eu ainda gostaria de completar esta homenagem, se for possível, então,
até me inscrevo outra vez, porque eu acho que é tão belo esse discurso dele, “I
have a dream”, “Eu tenho um sonho”, que eu gostaria muito de ler aqui e
comentar.
O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Você me permite um aparte, Sr.
Deputado?
O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Pois não?
O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - O senhor terá oportunidade,
deputado. A gente vai prosseguir com os trabalhos, o senhor terá oportunidade
de fazer a leitura.
O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Está bem.
O
SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - PARA COMUNICAÇÃO -
Quero parabenizar o senhor por essa lembrança, do nosso pastor Martin Luther
King, um ativista social que se preocupava com o ser humano, com as pessoas.
Parabenizo por essa lembrança, por essa retomada desse fato histórico, que
dignificou tanto a todos aqueles que lutam, por aqueles que têm, são mais
vulneráveis.
Parabéns ao senhor, muito obrigado.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Eu agradeço muito a
sua consideração e, ainda mais, neste momento que vive o planeta Terra com
guerras que contraíam o bom senso e toda a reflexão de Martin Luther King Jr.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Deputado
Suplicy, o próximo orador é o deputado Rui Alves.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Eu posso ouvi-lo e
daí, se tudo estiver bem ou, então, eu estou inscrito, mais uma vez, no Grande
Expediente, ter o tempo de ler “I have a dream”, “Eu tenho um sonho”.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Ok, muito
obrigado, deputado Suplicy.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Eu agradeço.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Dando sequência
à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente. Delegada Graciela.
(Pausa.) Deputado Reis. (Pausa.) Deputado Bruno Zambelli. (Pausa.) Deputado
Atila Jacomussi. (Pausa.) Deputado Alex Madureira. (Pausa.) Deputada Maria
Lúcia Amary. (Pausa.) Deputada Leci Brandão. (Pausa.) Deputada Ediane Maria.
(Pausa.) Deputado Dirceu Dalben. (Pausa.)
Deputada Carla Morando. (Pausa.)
Deputado Dr. Eduardo Nóbrega. (Pausa.) Deputado Caio França. (Pausa.) Deputado
Rogério Santos. (Pausa.) Deputado Capitão Telhada. (Pausa.) Deputada Profª
Camila Godoi. (Pausa.) Deputado Dr. Elton. (Pausa.) Deputado Paulo Mansur.
(Pausa.) Deputado Marcelo Aguiar. (Pausa.)
Deputado Marcos Damasio. (Pausa.)
Deputado Itamar Borges. (Pausa.) Deputado Rodrigo Moraes. (Pausa.) Deputado
Guilherme Cortez. (Pausa.) Deputada Ana Perugini. (Pausa.) Deputado Fábio Faria
de Sá. (Pausa.) Deputado Gil Diniz Bolsonaro. (Pausa.) Deputado Conte Lopes.
(Pausa.)
Na Lista Suplementar, deputado Delegado
Olim. (Pausa.) Deputado Enio Tatto. (Pausa.) E deputado Rui Alves. Tem V. Exa.
o tempo regimental para o uso da tribuna.
O
SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde a todos. Boa tarde, Major Mecca, prazer estar
novamente com o senhor, principalmente o senhor dirigindo essa sessão, que é a
minha primeira participação depois de um ano e nove meses fora da Alesp.
Quero
cumprimentar todos os nossos amigos deputados, deputado Eduardo Suplicy,
deputado Giannazi. Quero cumprimentar todos os funcionários da Casa e a todos
que nos acompanham através da Alesp. Passamos dois anos à frente da Secretaria
Municipal de Turismo da maior cidade da América Latina. Foram dois anos em que
a missão que me foi dada foi a de movimentar a cidade de São Paulo, criar uma
cadeia produtiva do turismo dentro da cidade de São Paulo.
Os resultados
foram notórios. São Paulo é uma cidade que, quando você tem disposição para
trabalhar, corresponde à altura a tudo aquilo que você faz. Os números em 2025
foram muito significativos. São Paulo alcançou a marca de 47,2 milhões de
visitantes, Major Mecca. É a cidade que tem o
turismo mais agressivo no Planeta, porque o acréscimo, esses 47,2 milhões de
turistas dentro da cidade, trouxe para 2025 um aumento no turismo, na cadeia
produtiva do turismo, de 25 por cento.
E os números
não ficam só no âmbito empresarial. Também a cadeia produtiva, a geração de
empregos, nosso deputado, digníssimo Eduardo Suplicy, foi de um avanço fora do
comum. Nós criamos mais de 137 mil vagas de emprego direcionadas nesse ano de
2005 no segmento de Turismo. Movimentou a cadeia produtiva do turismo dentro da
cidade de São Paulo em 25,4 bilhões de investimentos em 2025, em relação ao ano
de 2024.
A cidade de São
Paulo é uma potência no turismo global. Hoje, a cidade de São Paulo é um
destino turístico internacional. A Capital fomentou, em 2025, Major Mecca, a
visita de mais de 3 milhões de turistas estrangeiros, em que eu ressalto um
programa que criamos na Secretaria de Turismo, deputado Eduardo, chamado
“Discovery City São Paulo”. Colocamos a mala debaixo do braço e fomos às
principais feiras internacionais de turismo que aconteciam no Planeta.
A cidade de São
Paulo tinha um stand próprio, que vendia tudo o que a cidade tem de turismo, os
equipamentos turísticos da cidade, a gastronomia, os grandes eventos, o turismo
esportivo.
Foi o maior
sucesso esse evento, tanto que ainda está em execução na Secretaria Municipal
de Turismo, movimentou. E a gente vê que paulista e paulistano está em todo o
mundo. Onde a gente colocava o stand, a gente era muito bem recebido por todos
os paulistas que estão espalhados pelo mundo todo.
Essa foi uma
missão que nos foi dada com o objetivo de aumentar a cadeia produtiva da cidade
de São Paulo, e isso foi feito em 2025. Retorno para a Alesp com a mesma
missão, com a mesma disposição de ampliar todas as conexões que a gente já
tinha no estado, todo o estado de São Paulo, e criar novas, junto com meus
colegas, novas alternativas para que políticas públicas cheguem de fato a todas
as pessoas dentro do estado.
Então estamos
de volta, Major Mecca, com toda a força, com toda a disposição. É um prazer
estar aqui com todos vocês, principalmente hoje ouvindo o senhor falar de
Martin Luther King Jr., que é um homem que é um exemplo.
Vou estar aqui
ouvindo o que o senhor tem a falar, sobre o que ele vai, que o senhor vai ler
junto com a gente. Eu acho muito interessante, porque o mundo está necessitado
em pessoas que olhem para os outros como iguais. É isso que importa, é isso que
nós queremos. Queremos política para todos. Para todos.
Obrigado a
todos.
Que Deus nos
abençoe até o final do ano, final do mandato, e que traga sucesso para todos
nós.
Forte abraço.
O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito
obrigado, deputado Rui Alves. Seja muito bem-vindo a esta Casa.
Eu encerro, neste momento, o Pequeno
Expediente.
* * *
- Passa-se ao
GRANDE EXPEDIENTE
* * *
O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Abro
o Grande Expediente dando início à lista de oradores do Grande Expediente.
Deputado Marcos Damasio. (Pausa.) Deputado
Paulo Mansur. (Pausa.) Deputado Eduardo Suplicy, em permuta com a deputada Leci
Brandão.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Pela ordem, Sr.
Presidente. Enquanto o deputado Suplicy se dirige à tribuna, eu gostaria de
fazer uma comunicação.
O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - É
regimental.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
PARA COMUNICAÇÃO - Muito obrigado, Sr.
Presidente. Eu queria divulgar, Sr. Presidente, agradecer também e parabenizar
uma nota pública do Observatório do Trabalho Docente da Faculdade de Educação
da Unicamp.
É
uma nota de apoio desse importante Observatório do Trabalho Docente à luta de
professoras, professores e demais trabalhadoras e trabalhadores do sistema
público do ensino paulista.
Não vou ler,
porque não dá tempo, Sr. Presidente, de ler aqui em dois minutos. Mas eu quero
dizer que é uma nota importante, porque é uma nota que faz o diagnóstico de
toda a situação, de todo o desmonte da Educação do estado de São Paulo, tocando
na questão da privatização das escolas, que eu denunciei agora há pouco; dos leilões;
da militarização das escolas; do fechamento de salas, sobretudo do período
noturno do ensino médio regular e da Educação de Jovens e Adultos; da demissão
em massa de professores categoria “O”; das resoluções autoritárias que são
publicadas o tempo todo, punindo, perseguindo, assediando, criminalizando
professores e professoras, não só categoria “O”, mas categoria “F”, professor
efetivo, Sr. Presidente.
É uma nota que
dá conta de todo o cenário da crise da Educação, que não é uma crise, é um
projeto de destruição da rede estadual de ensino. Fala também da questão da
redução das aulas de disciplinas importantes, como sociologia, filosofia,
geografia; da reforma do ensino médio, que é mais realista do que o rei no
estado de São Paulo.
Então uma nota
importante, Sr. Presidente, cuja publicação nós vamos depois solicitar no
Diário Oficial. Quero parabenizar então o observatório, na pessoa do seu
coordenador, o Prof. Dr. Evaldo Piolli, que tem feito um trabalho importante,
coordenando esse observatório e ajudando no diagnóstico e também trazendo
informações importantes para que nós possamos fazer o combate a esses ataques e
defender a Educação estadual.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito
obrigado, deputado.
O
SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - Um breve comunicado,
presidente.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Tem a anuência?
O deputado pode fazer uma comunicação, deputado Suplicy?
O
SR. EDUARDO SUPLICY - Sim.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - É regimental.
Tem V. Exa. o tempo para comunicação, deputado.
O
SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - PARA COMUNICAÇÃO - Eu
quero deixar registrado e parabenizar a organização de um grande evento que
aconteceu no Brasil. Esse evento é chamado “Família ao Pé da Cruz”. E aqui na
cidade de São Paulo aconteceu no estádio Neo Química Arena, nessa sexta-feira
Santa, e também no Pacaembu, como também em muitos lugares no Brasil.
Parabenizar a todos os que participaram
desse evento, que mobilizou milhões de pessoas em todo o Brasil por um único
propósito: a favor da família. A gente estava no estádio Neo Química Arena,
Major Mecca, e a gente criou até um slogan: “vai, família!”. Costuma-se gritar
muito, no Neo Química Arena, “vai Corinthians!”. Aí nós gritamos assim: “vai,
família!”.
Para você ver como muitas pessoas estão
preocupadas em ter uma família tranquila, feliz, digna, e eu achei isso muito
interessante. E é bom salientar e parabenizar a toda a organização desse grande
evento.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Parabéns,
deputado Rui, pelo trabalho que a Igreja Universal realiza, salvando vidas; e
por toda a assistência que os senhores sempre deram aos nossos policiais militares,
por todo o estado de São Paulo. Muito obrigado, em nome de todos os policiais
militares e de todos os policiais do estado de São Paulo.
Tem a palavra o deputado Eduardo
Suplicy.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - SEM
REVISÃO DO ORADOR - Agradeço ao caro presidente Major Mecca e também ao
deputado Rui Alves, que aqui colabora comigo nesta homenagem a um dos homens
que...
Cada vez,
diante dos acontecimentos que acontecem no planeta Terra, especialmente diante
dos conflitos e guerras terríveis, que têm levado à morte de milhares de
pessoas, é tão importante que nós venhamos a recordar, registrar e promover os
ideais deste homem fantástico que foi Martin Luther King Jr. Pois bem, eu quero
aqui lembrar um dos mais belos discursos da história da humanidade, que ele
justamente fez ali.
Era
1963, os Estados Unidos passavam por momentos de grande tensão e de conflitos
raciais. Formaram-se os Black Panthers. Ali, Chicago, Detroit, Los Angeles, San
Francisco, de repente, começaram a ser incendiados, e Martin Luther King
começou a pensar no que fazer e lembrou, então, de que havia líderes pacifistas
no mundo e resolveu ir até a Índia estudar os passos dados por Mahatma Gandhi
para conquistar, em 1949, a independência da Índia.
Mahatma Gandhi
teve, depois, lideranças que seguiram seus passos, como Nelson Mandela e tantas
outras, que fizeram com que Martin Luther King estivesse, cada vez mais,
lutando por tudo aquilo que ele acreditava e que está tão bem explicado neste
belíssimo discurso que passo a ler.
“Eu estou feliz
de me juntar hoje a vocês naquela que ficará na história como a maior
demonstração em favor da liberdade na história de nossa nação.”
Quero apenas
lembrar um episódio: John Kennedy, o presidente, ficou tão preocupado com a
conclamação de Martin Luther King Jr. para os americanos virem para ali, diante
do Memorial de Abraham Lincoln, para lembrar dos 100 anos da abolição da
escravidão, assinada pelo presidente Abraham Lincoln... Mas o presidente John
Kennedy o chamou na Casa Branca: “Não faça isso, esse pessoal vindo aqui vai
destruir a capital.” “Pode estar certo de que vai ser uma demonstração
pacífica.”, como assim aconteceu.
E assim, 250
mil pessoas compareceram. Primeiro, vieram grandes artistas, cantores como Joan
Baez, Peter Paul and Mary, Bob Dylan e tantos que cantaram músicas também pela
paz. Líderes das mais diversas organizações e partidos. Até que, ao final,
Martin Luther King Jr. usou da palavra para dizer:
“Eu estou feliz
de me juntar, hoje, a vocês naquela que ficará na história como a maior
demonstração em favor da liberdade na história de nossa nação. Há 100 anos, um
grande americano, sob cuja sombra simbólica estamos hoje, assinou a proclamação
da emancipação.
Esse oportuno
decreto tornou-se uma grande fonte de luz para milhões de escravos negros que
foram queimados nas chamas de causticante injustiça. Veio como alegre raiar do
amanhecer que acabou com a longa noite de seu cativeiro.
Mas, 100 anos
depois, o negro ainda não é livre; 100 anos depois, a vida do negro está ainda
tristemente mutilada pelas formas de segregação, pelas correntes de
discriminação; 100 anos depois, o negro vive numa solitária ilha de pobreza em
meio a um vasto oceano de prosperidade material; 100 anos depois, o negro ainda
definha pelos cantos da sociedade americana e se encontra exilado em sua
própria terra.
Assim, nós
viemos hoje aqui para dramatizar uma condição vergonhosa. De certo modo, viemos
à capital de nossa nação para descontar um cheque. Quando os arquitetos de
nossa República escreveram as palavras magníficas da Constituição e da
Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória de que
todos os americanos se tornariam herdeiros.
Essa nota era a
promessa de que todos os homens, sim, negros, assim como brancos, teriam
garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade, à busca da felicidade.
É óbvio, hoje,
que a América não pagou essa nota promissória no que concerne aos seus cidadãos
de cor. Ao invés de honrar essa obrigação sagrada, a América deu ao povo negro
um cheque sem fundo, um cheque que foi devolvido com anotação: ‘fundos
insuficientes’. Nós nos recusamos a acreditar que há fundos insuficientes na
grande caixa forte de oportunidades desta nação.
E assim viemos
para descontar esse cheque, um cheque que vai nos assegurar as riquezas da
liberdade e a segurança da justiça. Nós também viemos a esse lugar sagrado para
recordar à América da intensa urgência do momento. Este não é o tempo de nos
darmos ao luxo de nos acalmar ou de tomar a droga tranquilizadora do
gradualismo.
Agora é a hora
de tornarmos reais as promessas da democracia. Agora é a hora de nos
levantarmos do vale escuro e desolado da segregação para o caminho iluminado de
sol da justiça racial. Agora é o momento de levantar a nossa nação das areias
movediças da injustiça social para a rocha sólida da fraternidade.
Agora é o
momento de fazer da justiça uma realidade para todas as crianças de Deus. Seria
fatal para a nação não perceber a urgência do momento. O verão abraçador do
legítimo descontentamento dos negros não passará até que haja um outono
revigorante de liberdade e igualdade. O ano de 1963 não é um fim, mas um
começo.
E aqueles que
esperavam que os negros precisassem expelir a sua energia e com isso se
contentar, vão ter um rude despertar se a nação voltar a sua rotina habitual.
Não haverá descanso e nem tranquilidade na América até que o negro consiga
garantir os seus direitos à cidadania. Os turbilhões da revolta continuarão a
sacudir as fundações de nossa nação até que surja o dia brilhante da justiça.
Mas há algo que
eu preciso falar para o meu povo que está no limiar caloroso que nos leva para
o palácio da justiça. No processo de ganhar o nosso lugar direito, não podemos
ser culpados de ações erradas. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo
do cálice da amargura e do ódio.
Precisamos
sempre conduzir nossa luta no plano alto da dignidade da disciplina. Nós não
podemos deixar nossos protestos criativos degenerar em violência física. Todas
às vezes e a cada vez que nós precisarmos alcançar as alturas majestosas de
confrontar a força física com a força da alma.” Ah, esse presidente Trump
precisa saber melhor dessas lições dadas por Martin Luther King Junior.
E ele
prossegue: “A maravilhosa nova militância, na qual se engajou à comunidade negra,
não pode nos levar a desconfiar de todo o povo branco, pois muitos de nossos
irmãos brancos, como evidenciado por sua presença aqui hoje, vieram a perceber
que o seu destino está inteiramente ligado ao nosso destino. E que a sua
liberdade está inextricavelmente ligada à nossa liberdade.
Esse ataque que
nós compartilhamos, montados para tomar de assalto as batilhas da injustiça,
precisa ser carregada por um exército bi racial. Não podemos andar sós,
enquanto caminhamos, precisamos nos comprometer a sempre marchar para a frente.
Não podemos retroceder.
Há aqueles que
estão perguntando os devotos dos direitos civis: ‘Quando vocês estarão
satisfeitos?’ Nós nunca poderemos estar satisfeitos enquanto o negro estiver
sendo vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca
poderemos estar satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da
viagem, não puderem se hospedar nos motéis de nossas autoestradas e os hotéis
de nossas cidades.
Nunca poderemos
estar satisfeitos enquanto a mobilidade básica do negro fora de ir de um gueto
menor para um maior. Nós nunca poderemos estar satisfeitos enquanto nossas
crianças forem desprovidas de sua autoestima e roubadas de sua dignidade por
placas que estampam ‘Apenas para brancos’.
Nós não
poderemos estar satisfeitos enquanto um negro no Mississipi não puder votar e
um negro em Nova Iorque acreditar que eles não têm qualquer motivo para votar.
Não. Nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a
justiça escorra como as águas, a integridade como uma poderosa corrente.
Eu não estou
desconsiderando que muitos de vocês vieram depois de excessivas provações e
tribulações. Alguns de vocês chegaram aqui depois de recentemente estarem em
celas estreitas de prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde a sua batalha
de liberdade os deixou abatidos pelas tempestades de perseguição e abalados
pelos ventos de brutalidade policial.
Vocês têm sido
os veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que o
sofrimento merecido é redentor. Não é redentor. Voltem para o Mississipi,
voltem para o Alabama, voltem para Carolina do Sul, para a Geórgia, voltem para
a Luisiana, para as favelas e os guetos das cidades do norte, sabendo que, de
alguma maneira, essa situação pode ser e será melhorada. Não fiquemos ainda
atolados no vale do desespero.
Assim eu lhes
digo, meus amigos, que muito embora tenhamos que enfrentar a dificuldade de
hoje e de amanhã, eu ainda tenho um sonho. “I have a dream”. Eu tenho um sonho
profundamente enraizado no sonho americano, de que um dia esta nação vai se
levantar e viver plenamente o verdadeiro sentido de seu crédito.
Nós acreditamos
que essas verdades são evidentes por si próprias, pois todos os homens são
criados iguais. Pois todos os homens são criados iguais. E eu tenho um sonho de
que um dia, nos morros vermelhos da Geórgia, os filhos de ex-escravos e os
filhos de ex-donos de escravos serão capazes de se sentar juntos na mesa da
fraternidade.
Eu tenho um
sonho de que um dia mesmo o estado de Mississipi, um estado sufocado pelo calor
da injustiça, sufocado pelo calor da opressão, será transformado em um oásis de
liberdade e de justiça. Eu tenho um sonho de que meus quatro filhos pequenos
viverão um dia em uma nação onde eles não serão julgados pela cor da sua pele,
mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho hoje um sonho.
Eu tenho um
sonho de que um dia, lá embaixo, no Alabama, com os seus racistas viciosos, com
o seu governador que tem seus lábios gotejados com palavras de interposição e
de anulação, que um dia, ali mesmo no Alabama, meninos negros e meninas negras
serão capazes de se dar as mãos com meninos brancos e meninas brancas, como
irmãs e irmãos.
Eu tenho um
sonho hoje. Eu tenho um sonho de que um dia todo vale será elevado, todo morro
e toda montanha será rebaixada, tornados retos e a glória do Senhor será
revelada, e todos juntos verão isso acontecer.
Essa é a nossa
esperança. Essa é a fé com a qual eu volto para o sul. Com essa fé, nós
poderemos extrair da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com essa fé,
nós seremos capazes de transformar as desafinadas discordâncias de nossa nação
em uma bonita sinfonia da fraternidade. Com essa fé, nós seremos capazes de
trabalhar juntos, de rezar juntos, de ir para a cadeia juntos, de levantar juntos
para lutar pela liberdade, sabendo que, um dia, seremos livres.
Esse será o dia
em que todas as crianças de Deus serão capazes de cantar com um novo sentido.
Meu país é para
você, minha doce terra da liberdade, para você eu canto, terra onde meus pais
morreram, terra do orgulho dos peregrinos, de todos os lados das montanhas
deixai a liberdade soar. E se for para a América se tornar uma grande nação,
isto precisa se tornar uma verdade.
Portanto,
deixai a liberdade soar dos prodigiosos picos dos morros de New Hampshire,
deixai a liberdade soar das poderosas montanhas de Nova Iorque, deixai a
liberdade soar dos elevados Alleghenys da Pensilvânia, deixai a liberdade soar
dos picos envoltos de neve das montanhas rochosas do Colorado, deixai a
liberdade soar das colinas cheias de curvas da Califórnia.
Mas não apenas
isso, deixai a liberdade soar da montanha rochosa da Geórgia, deixai a
liberdade soar da Montanha de Observação do Tennessee, deixai a liberdade soar
de todo o morro do Mississippi, de todos os lados das montanhas, deixai a
liberdade soar.
E quando nós
deixarmos a liberdade soar, quando nós deixarmos soar em todas as vilas e
vilarejos, em todas as cidades e estados, poderemos ver mais depressa a chegada
em que o dia que todas as crianças de Deus, homens negros e homens brancos,
judeus e gentios, católicos e protestantes serão capazes de se dar as mão e
cantar as palavras daquele velho hino espiritual negro: ‘Finalmente a
liberdade, finalmente a liberdade, a liberdade!’. Graças a Deus Todo Poderoso,
hoje nós somos todos livres.”
Que beleza! Que
importante é que o presidente Donald Trump também escute essas palavras, as
palavras de quem acredita que é possível, sim, avançar rumo a uma sociedade
melhor, pela não violência. Deputado Rui Alves.
O
SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - Um aparte, Sr.
Presidente.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Com prazer.
O
SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - Um pronunciamento.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito obrigado
pelas suas palavras, deputado Eduardo Suplicy. O senhor vai fazer uma
comunicação?
O
SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - Um aparte. Rapidinho.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - É, tem que ser
uma comunicação.
O
SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - Uma comunicação,
tranquilo.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Tem V. Exa.
uma comunicação. Tempo regimental.
O
SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - PARA COMUNICAÇÃO - Um
pronunciamento tão relevante que aconteceu em 1963, no dia 28 de agosto, nos
degraus do Lincoln Memorial Washington DC, tão atual, tão presente na nossa
sociedade nos dias de hoje e traz uma reflexão.
Tem um versículo na Bíblia que fala
muito a respeito disso, dos pacificadores. A Bíblia diz assim: “Bem-aventurados
os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.
Deus criou todo mundo igual, com os
mesmos direitos e deveres. É uma reflexão que eu parabenizo o Sr. Deputado, que
trouxe à nossa memória esse momento tão importante para o nosso mundo que nós
vivemos.
Obrigado.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Muito obrigado,
deputado Rui Alves. Que bom tê-lo hoje aqui no plenário. Presidente Major
Mecca, muito obrigado por sua atenção, tolerância, participação.
E havendo concordância dos líderes,
pode levantar a sessão, por favor.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - É regimental o
pedido de Vossa Excelência.
Havendo acordo de lideranças, esta
Presidência, antes de dar por levantado os trabalhos, convoca V. Exas. para a
sessão ordinária de amanhã, à hora regimental, com a mesma Ordem do Dia da
última quarta-feira.
Está levantada a sessão.
*
* *
- Levanta-se a
sessão às 15 horas e 24 minutos.
*
* *