6 DE ABRIL DE 2026

38ª SESSÃO ORDINÁRIA

        

Presidência: EDUARDO SUPLICY e MAJOR MECCA

        

RESUMO

        

PEQUENO EXPEDIENTE

1 - EDUARDO SUPLICY

Assume a Presidência e abre a sessão às 14h12min. Discorre sobre problemas estruturais nas escolas públicas na gestão Tarcísio / Renato Feder. Lamenta a precariedade da Educação pública paulista. Cita a falta de salas para alunos matriculados, falta de estrutura em prédios de escolas, além da falta de segurança. Afirma que o governo estadual precisa investir em alunos e professores, na reforma de prédios e em planos de carreira.

        

2 - MAJOR MECCA

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

3 - CARLOS GIANNAZI

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

4 - MAJOR MECCA

Assume a Presidência.

        

5 - EDUARDO SUPLICY

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

6 - RUI ALVES

Para comunicação, faz pronunciamento.

        

7 - RUI ALVES

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

GRANDE EXPEDIENTE

8 - CARLOS GIANNAZI

Para comunicação, faz pronunciamento.

        

9 - RUI ALVES

Para comunicação, faz pronunciamento.

        

10 - PRESIDENTE MAJOR MECCA

Parabeniza o deputado Rui Alves pelo trabalho da Igreja Universal e agradece o apoio aos policiais.

        

11 - EDUARDO SUPLICY

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

12 - RUI ALVES

Para comunicação, faz pronunciamento.

        

13 - EDUARDO SUPLICY

Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.

        

14 - PRESIDENTE MAJOR MECCA

Defere o pedido. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 07/04, à hora regimental, com Ordem do Dia. Levanta a sessão às 15h24min.

        

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ÍNTEGRA

 

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- Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Eduardo Suplicy.

 

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 - Passa-se ao

 

PEQUENO EXPEDIENTE

 

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O SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Presente o número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus, iniciamos nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da sessão anterior e recebe o Expediente.

Como ainda não chegaram outros deputados, vou iniciar o que será o Pequeno Expediente com a leitura do pronunciamento que preparei. Problemas estruturais nas escolas. Novamente, com enorme tristeza, subo a esta tribuna para falar sobre a precariedade da educação pública paulista.

Desta vez, trago uma notícia publicada no portal G1, na semana passada, acerca da situação de duas escolas, geridas pela dupla Renato Feder e Tarcísio de Freitas, que estão em petição de miséria.

Uma delas, a Escola Estadual Orville Derby, na Vila Formosa, zona leste paulistana, não tem a quantidade de salas suficientes para abrigar os 900 alunos matriculados nos ensinos fundamental II e médio. E, para driblar isso, o secretário Feder e o governador Tarcísio tiveram uma ideia: implantaram um esquema de rodízio semanal no qual uma turma estuda uma semana e a outra turma na semana seguinte. Isso é revoltante.

E a questão não é que o prédio seja pequeno para a quantidade de alunos. O que houve foi um problema no telhado, em dezembro do ano passado, que persiste ainda hoje. E, por ironia do destino, a Vila Formosa fica entre as 14 zonas eleitorais paulistanas nas quais Tarcísio de Freitas foi o vencedor na eleição de 2022.

Outra unidade com problemas é a Escola Técnica Estadual Santa Ifigênia, na região central paulistana. Ela abriga cursos como gastronomia, confeitaria, panificação, profissões que prezam, sobretudo, pela higiene. Mas, infelizmente, o prédio não apresenta condições mínimas, pois há banheiros fechados, cozinhas industriais e salas de aula interditadas e falta de iluminação à noite, os problemas são recorrentes na rede como um todo.

No caso das unidades do Centro Paula Souza, no final do ano passado o diretor superintendente, Clóvis Dias, esteve na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informação desta Casa para dizer que todos os problemas seriam sanados antes do início do ano letivo, mas a promessa não foi cumprida, e já estamos em 7 de março.

Já em relação as unidades geridas por Renato Feder, dias atrás subi a esta tribuna para repercutir uma notícia também publicada pelo portal “G1” a respeito da precariedade da Escola Estadual Indígena Djekupe Amba Arandy, localizada na Terra Indígena Jaraguá, na região noroeste da cidade de São Paulo.

Segundo a reportagem, a escola foi interditada no dia 10 de março pela Defesa Civil municipal e pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação, FDE, por não oferecer segurança. Acontece que a Seduc sabia disso há cinco anos. Em 2021, a comunidade pressionou por melhorias, mas, pelo jeito, foi em vão. Por isso, caros nobres colegas, os alunos foram alocados em uma área improvisada na própria comunidade com banheiros precários e falta de água tratada.

Esse estado de coisa impacta também a carreira docente, lembremos... Isso me faz puxar na memória o que o governador disse sobre a perda da relevância do diploma universitário, pois, segundo ele, o mercado valoriza mais a qualificação técnica, mas, pelo visto, para a dupla Feder e Tarcísio, o que é irrelevante mesmo é a educação pública como um todo.

O governador Tarcísio de Freitas precisa olhar para a Educação, precisa voltar a investir em nossos alunos e docentes, oferecer condições adequadas, tanto estruturais quanto pedagógicas, como o planejamento das reformas dos prédios e previsão de um plano de carreira adequada aos servidores, e investir em Educação é investir em nossa sociedade.

Gostaria também de agora... Vamos passar a lista novamente, chamando o deputado Major Mecca, tem a palavra Sua Excelência. Permita-me apenas dizer que... Vou chamar rapidamente os deputados. Deputado Rui Alves. (Pausa.)

Deputado Dr. Jorge do Carmo. (Pausa.) Deputado Valdomiro Lopes. (Pausa.) Deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Deputado Paulo Fiorilo. (Pausa.) Deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.)

Deputada Thainara Faria. (Pausa.) Deputado Delegado Olim. (Pausa.) Deputado Rafa Zimbaldi. (Pausa.) Deputado Luiz Fernando Ferreira. (Pausa.) Deputado Teonilio Barba. (Pausa.) Deputado Thiago Auricchio. (Pausa.) Deputado Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Deputada Valéria Bolsonaro. (Pausa.) Deputado Rômulo Fernandes. (Pausa.)

Deputado Major Mecca, tem a palavra pelo tempo regimental.

 

O SR. MAJOR MECCA - PL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde, presidente deputado Eduardo Suplicy. Boa tarde meus irmãos de farda, que aqui estão permitindo que a nossa atividade aconteça, assim como permitem que todo o povo do estado de São Paulo possa sair da sua casa pela manhã, exercer o seu trabalho e sustentar a sua família.

Como a gente costuma dizer aqui, se não fosse esses homens e essas mulheres estarem nas ruas como sentinelas, nenhum de nós saía pela manhã, de dentro das nossas casas. São Paulo já passou por isso, e eles provaram o seu valor, mostraram a todos nós o quanto eles são importantes.

Quando nós falamos da importância dos policiais militares no estado de São Paulo, é importante que nós chamemos a atenção aqui da tribuna desta Casa para o descaso que muitos órgãos têm com os policiais militares. Dentre esses órgãos, eu destaco aqui a SPPrev, a São Paulo Previdência.

Nós acompanhamos, ao longo da semana passada, uma iniciativa da SPPrev. Uma iniciativa louvável, extremamente justa, já iniciando e autorizando o pagamento da pensão à filha da soldado Gisele, assassinada dentro de casa pelo marido, tenente-coronel Neto, que hoje está dentro do presídio militar, preso em prisão preventiva, e será condenado. Perderá o posto e perderá a aposentadoria, pois é o justo. E nós vemos que a SPPrev teve essa postura louvável.

Aí cabe a nós perguntarmos para a presidente da SPPrev e para todos que compõem aquele órgão: por que os senhores não fazem isso em todos os casos de policias militares mortos no estado de São Paulo. É preciso, é necessário e é justo demorar mais de seis meses para atribuir a pensão a um filho de um policial militar assassinado, um policial militar morto?

Porque é esse o tempo que vocês levam para pagar uma pensão aos filhos de um policial militar morto aqui no estado de São Paulo. E vocês sabem disso. Vocês sabem que o que eu estou falando aqui é a expressão da verdade. Como eu falei para vocês em todas as reuniões que tivemos, tanto no Palácio dos Bandeirantes quanto aqui na Assembleia Legislativa.

Para que vocês possam saber do descaso da SPPrev com os policiais militares no estado de São Paulo, nós, desde o ano passado, que nós nos reunimos - a SPPrev, a Procuradoria Geral do Estado, a Casa Civil, junto à Presidência da Assembleia Legislativa, com o presidente da Alesp, deputado André do Prado, com a liderança do governo, deputado Gilmaci Santos, o líder do PL, deputado Alex Madureira, antes ele tinha as reuniões em que participava o deputado Carlos Cezar.

Em todas essas reuniões, a SPPrev tomou conhecimento da explanação que nós sempre fizemos em relação à rotina, ao sacrifício que os policiais militares fazem para servir o povo do estado de São Paulo.

Os horários extenuantes de 16, 20, 24 horas de turno de serviço, 16 horas diárias de trabalho ao longo dos 31 dias do mês, o desgaste físico,  o desgaste psicológico, os problemas contundentes de policiais com depressão, pelo afastamento que eles consequentemente sofrem da família, o alto número de separações conjugais, inúmeros e muitos policiais que moram em áreas de alto risco, mal podem levar a sua farda para lavar e secar em casa, tem que fazê-lo no quartel.

Nós sempre fazemos toda a explanação, muito mais completa que essa que eu estou fazendo bem superficial, só para mostrar e justificar essa nossa exposição aqui da tribuna da Assembleia Legislativa.

E o interessante é que de um tempo para cá, pouco mais de um ano para cá, em todas as reuniões que eu faço, eu levo policiais militares, para que os nossos policias conheçam qual é e quais são as posturas do estado em relação a nós, policiais.

Então, hoje, nós temos policiais que estiveram em todas essas reuniões e conhecem a postura e as manobras para nos enrolar, para não nos atender, para não nos beneficiar... “Beneficiar” entre aspas: criar legislações e leis justas, que respeitem a dignidade dos policias militares no estado de São Paulo. E a SPPrev, a cada dia que passa, dá provas de que ela existe para nos prejudicar, para estudar formas e maneiras de potencializar o nosso sofrimento.

Aqui, olha, essa documentação que eu tenho nas minhas mãos, que eu trago aqui, são três ofícios cobrando a SPPrev em relação aos últimos números que pediram para a Polícia Militar.

E quais números são esses? Dos 2.785 policiais militares que teriam o direito de passar para a reserva, de reformarem com a sanção do PLC nº 135, eles precisavam saber numericamente esse número de policiais por graduações e postos, porque nós contestamos.

Eles apresentaram um número extremamente superior a isso e dizendo que a média salarial desses policiais é de 14 mil reais. Aonde que a média salarial entre as praças chega a 14 mil reais? Nem aqui nem em Marte isso se aproxima da realidade, não é nem 50% disso a média salarial.

Nós contestamos e eles pediram para que a Polícia Militar fizesse esse cálculo e os entregasse. Policial Militar entregou. Está para fazer um mês, eles nos responderam, no dia 19 de março, hoje é dia seis de abril, que eles estão... No dia 19 de março, eles nos responderam que estão estudando os números.

Sabe o que eles estão estudando? Uma forma de nos enrolar, uma forma de não atender a dignidade dos policias militares no estado de São Paulo, que foram injustiçados.

Sabe do que eles estão cansados? De participar de reunião conosco, comigo, com a minha equipe de gabinete, com policiais militares e não terem argumentos verdadeiros e justos para apresentar e não atender ao Projeto de lei Complementar nº 135, essa é a verdade. Estão estudando uma forma de nos enrolar.

Sabe aquela frase popular “empurrando com a barriga”? É o que o estado sempre fez conosco, policiais, e é o que a SPPrev hoje está fazendo com todos nós, policiais militares do estado de São Paulo.

Aí eu pergunto: é justo isso com esses homens e essas mulheres que estão entregando a sua vida para nos proteger, para proteger a família de vocês? À Sra. Presidente da SPPrev e a todos que aí trabalham, vocês acreditam ser justo esse comportamento comigo e com todos os policiais militares do estado de São Paulo?

Vocês realmente acreditam ser justo? Vocês estão muito distantes de ocuparem um cargo público e trabalharem em benefício do povo. Vocês estão muito, mas muito distantes disso.

E digo isso porque é o que eu venho testemunhando há mais de dois anos, é o que eu venho testemunhando em relação ao que é a SPPrev para os policiais do estado de São Paulo e para todo o funcionalismo público.

Nós continuaremos cobrando para que vocês tenham a mínima dignidade de olhar os policiais militares do estado de São Paulo, principalmente os policiais militares que foram injustiçados na última reforma previdenciária.

Nós estamos aguardando. A nossa paciência vai muito além do que todos vocês imaginam, a nossa persistência vai muito, mas muito além, vide o trabalho que esses policiais militares que vocês estão desrespeitando entregam todos os dias para o povo de São Paulo. Injustiçados, doentes, não arredam o pé e não abandonam as trincheiras defendendo o cidadão de bem nas ruas do nosso estado.

E é muito triste ver vocês terem uma atitude nobre, como tiveram com a filha da soldado Gisele, na semana passada, de oito anos, única e exclusivamente pela pressão do clamor público que o caso teve. Porque todos os demais casos que tramitam na SPPrev vocês jogam dentro de uma gaveta e deixam às traças, e não respeitam nenhum policial militar que entregou a sua vida, muito menos os seus familiares.

 

O SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Pela defesa dos direitos dos policiais militares, Major Mecca.

Tem a palavra agora o deputado Carlos Giannazi, pelo tempo regimental.

 

O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy, telespectador da TV Assembleia, há cinco anos nós tínhamos derrotado a proposta do ex-governador Doria em tentar privatizar o Ginásio do Ibirapuera, aliás, todo aquele complexo esportivo.

Fizemos audiências públicas aqui dentro da Assembleia Legislativa, fomos ao Ministério Público estadual, trouxemos aqui medalhistas para darem depoimentos que participaram das nossas audiências públicas, fomos ao Conselho do Patrimônio Público, fizemos vários movimentos e várias gestões para impedir a transformação do complexo de todo o Ibirapuera, do Ginásio ali do Ibirapuera num shopping center. Era isso que o ex-governador Doria pretendia fazer.

Inclusive, conseguimos também que o patrimônio público fizesse o tombamento histórico daquele local. Agora, o Ginásio do Ibirapuera está tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, pelo Iphan, presidente.

Foi uma conquista importante da sociedade civil, do nosso mandato, que organizou as audiências aqui, trouxe medalhistas, mas agora nós fomos surpreendidos pelo anúncio de uma tentativa, Sr. Presidente, de privatização, que o governo chama de concessão.

O governador Tarcísio de Freitas vai privatizar o Ginásio do Ibirapuera. Ele não vai transformar em um shopping center, mas ele vai transformar o Ginásio do Ibirapuera, aquela região, Sr. Presidente, aquele espaço esportivo que é do povo do estado de São Paulo, que é do povo brasileiro, em um centro comercial subterrâneo. Olha só a criatividade.

 

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- Assume a Presidência o Sr. Major Mecca.

 

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E quero lembrar que, há algum tempo atrás, ele tentou, o governo estadual tentou construir dentro da pista de atletismo uma pista de automóveis, Sr. Presidente, para a exibição, para a corrida de automóveis, uma categoria dessas de corrida.

Nós denunciamos, acionamos o Ministério Público, o governo recuou, logicamente, porque aquilo era um verdadeiro escândalo, a pista estava totalmente degradada. Em seguida, o governo abriu uma licitação para a reforma da pista e de partes do complexo esportivo do Ibirapuera.

Inclusive, tem uma placa, quando qualquer pessoa passa ali na frente, tem uma placa lá de que aproximadamente 73 milhões foram, ou estão sendo investidos, na reforma do Ibirapuera.

Então, ele está investindo ali dinheiro do povo de São Paulo para depois entregar para a iniciativa privada, porque vai abrir agora uma consulta pública, nos próximos dias, para exatamente preparar a privatização, o que ele chama de concessão do Ginásio do Ibirapuera, Sr. Presidente, de todo o complexo, porque não é só o ginásio em si. Ali tem pista de atletismo, tem piscina, tem vários espaços que são utilizados pela população.

E são espaços que são utilizados gratuitamente pela população da nossa cidade. Então, é mais uma privataria bolsotucana do governador Tarcísio de Freitas. A única coisa que o governo tem para mostrar é isso, é privataria. São pedágios, venda de escolas na Bolsa de Valores de São Paulo, privatização de parques estaduais, venda de espaços de pesquisa, privatização do metrô da CPTM, Sr. Presidente.

Então, essa é a grande marca do governo Tarcísio, a venda do patrimônio público, o desmonte do patrimônio público de São Paulo. E aqui mais um ataque a esse patrimônio, que é o Ibirapuera. Isso é grave.

Nós vamos aqui, Sr. Presidente, já estamos estudando medidas, junto ao Tribunal de Contas, junto ao Ministério Público, para deter essa privatização do Ibirapuera.

Quero ainda, Sr. Presidente, aqui, parabenizar a Aspal, que é a associação dos servidores e servidoras aposentados e pensionistas da Assembleia Legislativa, hoje presidida pelo Gaspar, que completa 22 anos de luta, de existência, de resistência também, sempre em defesa dos aposentados e pensionistas.

Houve hoje uma solenidade, em homenagem aos 22 anos da Aspal. Tive a oportunidade de participar, a deputada federal Luciene Cavalcante também. Várias outras entidades do funcionalismo público estiveram aqui presentes, reconhecendo a importância, reconhecendo o trabalho da Aspal, sobretudo contra o confisco das aposentadorias e pensões.

A Aspal está na luta pela devolução do que foi confiscado na gestão Doria/Rodrigo Garcia. A Aspal está também na luta contra a reforma administrativa, em curso no Congresso Nacional, e sempre esteve ao lado dos servidores e servidoras, da ativa e dos aposentados também, Sr. Presidente.

Por isso que hoje celebramos os 22 anos de existência de uma entidade fundamental hoje, juntamente com outras, como a Apampesp, que é a Associação das Professoras Aposentadas do Estado de São Paulo, na luta em defesa dos direitos e da dignidade dos aposentados e pensionistas.

Também a Aspal está na luta contra os calotes dos precatórios, que são constantemente renovados pelos governos de plantão, prejudicando os aposentados através desses calotes.

A Aspal está na luta também pelo reajuste salarial, pela reposição das perdas inflacionárias, porque essa reposição é estendida também aos aposentados e pensionistas, e, quando ela não existe, como está acontecendo aqui em São Paulo - o governador Tarcísio de Freitas não deu reajuste para vários segmentos do funcionalismo público estadual -, isso prejudica os servidores da ativa, como, por exemplo, os da Educação, tem o maior número de servidores, mas também prejudica os aposentados e pensionistas, que ficam sem esses benefícios, esse reajuste ou essa reposição das perdas inflacionárias.

Então, só tenho aqui que parabenizar a Aspal, na pessoa do seu presidente, Gaspar.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Obrigado, deputado Giannazi. Dando sequência à lista de oradores, deputado Donato. (Pausa.) Deputado Eduardo Suplicy. Tem V. Exa. o tempo regimental para o uso da tribuna.

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, caro Major Mecca, Sras. Deputadas, Srs. Deputados. Meus queridos, nesse tempo de guerras absurdas, muito importante será nos lembrarmos de todos aqueles que tanto batalharam para que as transformações em nossa sociedade se deem pela não violência.

E, dentre esses, está Martin Luther King Jr., que justamente completou 58 anos de sua morte no dia 4 de abril, pois ele faleceu em 4 de abril de 1968. “Foi um dos maiores líderes da luta pelos direitos da comunidade afro-americana.

Morreu assassinado, aos 39 anos, na sacada do Lorraine Motel, em Tennessee, nos Estados Unidos”, conforme diz Verônica Serpa, no artigo “Martin Luther King Jr.: da luta contra a segregação racial à oposição ao imperialismo”, de Alma Preta, publicado por Verônica Serpa na revista almapreta.com.br, Seção Cotidiano.

“Pastor Martin Luther King Jr. foi morto a tiros enquanto apoiava a greve de trabalhadores negros da cidade de Memphis, deixando um legado marcado pela defesa da justiça racial e da igualdade de direitos. Nascido em 19 de janeiro de 1928, o ativista cresceu no auge do ódio racial norte-americano, durante a vigência da lei segregacionista Jim Crow.

Ao longo de sua infância e adolescência, King foi obrigado a frequentar uma escola exclusiva para pessoas negras, passagem que contribuiu para o seu precoce despertar sobre a desigualdade. Formou-se em sociologia pela Morehouse College, renomada universidade ligada à comunidade afro-americana, e realizou um doutorado em teologia sistemática na Universidade de Boston.

Em um contexto de tensões e conflitos no Alabama, Martin Luther King se filiou à Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor - NAACP, na sigla em inglês, e liderou diversos protestos por direitos civis e trabalhistas.

Junto à estratégia da desobediência civil, a ideologia de Martin Luther King Jr. se baseou no princípio da não violência, adotada também por Nelson Mandela na África do Sul - e eu aqui acrescento também por Mahatma Gandhi, na Índia. O teólogo esteve à frente das manifestações em apoio à ativista negra Rosa Parks, presa por desobediência civil em 1955, após se recusar a ceder o lugar no ônibus para um homem branco.

Além da intensa mobilização, a resposta do movimento negro veio na criação da Associação de Melhoria do Montgomery, fundada para reivindicar o fim da segregação racial na cidade, presidida pelo ativista. Com a organização, o ativista conduziu um boicote ao ônibus municipal que durou mais de 300 dias e resultou na abolição da segregação no transporte coletivo pela Suprema Corte.

Até o final da década de 1950, o militante teve participação direta no acesso dos afro-americanos a parques públicos, bibliotecas, lanchonetes e restaurantes em diversas cidades. A Marcha sobre Washington, elaborada por King, reuniu mais de 250 mil pessoas na capital estadunidense e se tornou um momento histórico para a luta pela igualdade racial em todo o mundo. O evento foi palco para o célebre discurso “I have a dream” - “Eu tenho um sonho”, que até hoje reverbera nos movimentos pelo fim do racismo ao redor do mundo.

Uma parte pouco comentada da sua trajetória são as duras críticas ao sistema capitalista e imperialista, com a atuação em defesa das causas trabalhistas e da redistribuição radical do poder econômico e político. No livro “Para onde vamos a partir daqui?”, publicado pelo pastor em 1967, defende explicitamente a criação de uma renda básica universal, com a abolição total, direta e imediata da pobreza.

Para Martin Luther King Jr., a cidadania só seria alcançada a partir do acesso igual a bens culturais, sociais e educacionais, como um direito básico, permitindo o desenvolvimento igualitário do potencial humano.

Diz ele: “Precisamos entender agora que os males do racismo, da exploração econômica e do militarismo estão todos interligados. Não se pode realmente se livrar de um sem desapegar-se dos outros. Toda a estrutura da vida americana precisa ser mudada.

Os Estados Unidos são uma nação hipócrita e precisamos colocar nossa própria casa em ordem”, destacou King em um relatório à Conferência da Liderança Cristã do Sul, em maio de 1967.

Em entrevista à Bomb Magazine, de 1994, a autora Bell Hooks destacou que, apesar da importância do ativista na articulação anticapitalista e anti-imperialista, sua proximidade com o socialismo não é amplamente divulgada, tornando-se secundária na memória coletiva.

Por causa de sua persistente atuação contra o regime segregacionista, Martin Luther King Jr. foi classificado pelo diretor do Departamento Federal de Investigação, FBI, Edgar Hoover, como o mais perigoso e efetivo líder negro no país, e passou a ser monitorado pela Agência de Segurança Nacional. Foi acusado de manter vínculos com o Partido Comunista dos Estados Unidos e com a União Soviética, enfrentando uma dura campanha de difamação e diversas prisões.

À época dos protestos por Rosa Parks, sua casa foi bombardeada. Quando foi alvejado na sacada do hotel em Memphis, o pastor chegou a passar por uma cirurgia de emergência, mas não resistiu aos ferimentos. A autoria do crime foi atribuída a James Earl Ray, que morreu na prisão em 1998.

Mesmo alegando inocente, o homem confessou formalmente o assassinato para evitar a sentença de morte. No entanto, os familiares do ativista expressaram dúvidas sobre o responsável pelo crime, em virtude da constante perseguição do governo. O receio é compartilhado com milhares de apoiadores que organizaram a onda de protestos pelo país.

As suspeitas tomaram proporções maiores após Loyd Jowers, afirmar, em 1993, que recebeu 100 mil dólares para arquitetar o assassinato, que teria o oficial da polícia, Earl Clark, como verdadeiro autor.

Mais de meio século após a sua morte, o legado de Martin Luther King Jr. segue mobilizando lutas ao redor do mundo, especialmente diante das persistentes desigualdades raciais e econômicas. Suas críticas estruturais ao racismo, ao capitalismo, ao militarismo continuam atuais, reforçando que a busca por justiça social exige transformações profundas e coletivas, capazes de enfrentar as raízes históricas da opressão.

Querido Major Mecca, eu ainda gostaria de completar esta homenagem, se for possível, então, até me inscrevo outra vez, porque eu acho que é tão belo esse discurso dele, “I have a dream”, “Eu tenho um sonho”, que eu gostaria muito de ler aqui e comentar.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Você me permite um aparte, Sr. Deputado?

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Pois não?

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - O senhor terá oportunidade, deputado. A gente vai prosseguir com os trabalhos, o senhor terá oportunidade de fazer a leitura.

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Está bem.

 

O SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - PARA COMUNICAÇÃO - Quero parabenizar o senhor por essa lembrança, do nosso pastor Martin Luther King, um ativista social que se preocupava com o ser humano, com as pessoas. Parabenizo por essa lembrança, por essa retomada desse fato histórico, que dignificou tanto a todos aqueles que lutam, por aqueles que têm, são mais vulneráveis.

Parabéns ao senhor, muito obrigado.

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Eu agradeço muito a sua consideração e, ainda mais, neste momento que vive o planeta Terra com guerras que contraíam o bom senso e toda a reflexão de Martin Luther King Jr.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Deputado Suplicy, o próximo orador é o deputado Rui Alves.

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Eu posso ouvi-lo e daí, se tudo estiver bem ou, então, eu estou inscrito, mais uma vez, no Grande Expediente, ter o tempo de ler “I have a dream”, “Eu tenho um sonho”.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Ok, muito obrigado, deputado Suplicy.

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Eu agradeço.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Dando sequência à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente. Delegada Graciela. (Pausa.) Deputado Reis. (Pausa.) Deputado Bruno Zambelli. (Pausa.) Deputado Atila Jacomussi. (Pausa.) Deputado Alex Madureira. (Pausa.) Deputada Maria Lúcia Amary. (Pausa.) Deputada Leci Brandão. (Pausa.) Deputada Ediane Maria. (Pausa.) Deputado Dirceu Dalben. (Pausa.)

Deputada Carla Morando. (Pausa.) Deputado Dr. Eduardo Nóbrega. (Pausa.) Deputado Caio França. (Pausa.) Deputado Rogério Santos. (Pausa.) Deputado Capitão Telhada. (Pausa.) Deputada Profª Camila Godoi. (Pausa.) Deputado Dr. Elton. (Pausa.) Deputado Paulo Mansur. (Pausa.) Deputado Marcelo Aguiar. (Pausa.)

Deputado Marcos Damasio. (Pausa.) Deputado Itamar Borges. (Pausa.) Deputado Rodrigo Moraes. (Pausa.) Deputado Guilherme Cortez. (Pausa.) Deputada Ana Perugini. (Pausa.) Deputado Fábio Faria de Sá. (Pausa.) Deputado Gil Diniz Bolsonaro. (Pausa.) Deputado Conte Lopes. (Pausa.)

Na Lista Suplementar, deputado Delegado Olim. (Pausa.) Deputado Enio Tatto. (Pausa.) E deputado Rui Alves. Tem V. Exa. o tempo regimental para o uso da tribuna.

 

O SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde a todos. Boa tarde, Major Mecca, prazer estar novamente com o senhor, principalmente o senhor dirigindo essa sessão, que é a minha primeira participação depois de um ano e nove meses fora da Alesp.

Quero cumprimentar todos os nossos amigos deputados, deputado Eduardo Suplicy, deputado Giannazi. Quero cumprimentar todos os funcionários da Casa e a todos que nos acompanham através da Alesp. Passamos dois anos à frente da Secretaria Municipal de Turismo da maior cidade da América Latina. Foram dois anos em que a missão que me foi dada foi a de movimentar a cidade de São Paulo, criar uma cadeia produtiva do turismo dentro da cidade de São Paulo.

Os resultados foram notórios. São Paulo é uma cidade que, quando você tem disposição para trabalhar, corresponde à altura a tudo aquilo que você faz. Os números em 2025 foram muito significativos. São Paulo alcançou a marca de 47,2 milhões de visitantes, Major Mecca. É a cidade que tem o turismo mais agressivo no Planeta, porque o acréscimo, esses 47,2 milhões de turistas dentro da cidade, trouxe para 2025 um aumento no turismo, na cadeia produtiva do turismo, de 25 por cento.

E os números não ficam só no âmbito empresarial. Também a cadeia produtiva, a geração de empregos, nosso deputado, digníssimo Eduardo Suplicy, foi de um avanço fora do comum. Nós criamos mais de 137 mil vagas de emprego direcionadas nesse ano de 2005 no segmento de Turismo. Movimentou a cadeia produtiva do turismo dentro da cidade de São Paulo em 25,4 bilhões de investimentos em 2025, em relação ao ano de 2024.

A cidade de São Paulo é uma potência no turismo global. Hoje, a cidade de São Paulo é um destino turístico internacional. A Capital fomentou, em 2025, Major Mecca, a visita de mais de 3 milhões de turistas estrangeiros, em que eu ressalto um programa que criamos na Secretaria de Turismo, deputado Eduardo, chamado “Discovery City São Paulo”. Colocamos a mala debaixo do braço e fomos às principais feiras internacionais de turismo que aconteciam no Planeta.

A cidade de São Paulo tinha um stand próprio, que vendia tudo o que a cidade tem de turismo, os equipamentos turísticos da cidade, a gastronomia, os grandes eventos, o turismo esportivo.

Foi o maior sucesso esse evento, tanto que ainda está em execução na Secretaria Municipal de Turismo, movimentou. E a gente vê que paulista e paulistano está em todo o mundo. Onde a gente colocava o stand, a gente era muito bem recebido por todos os paulistas que estão espalhados pelo mundo todo.

Essa foi uma missão que nos foi dada com o objetivo de aumentar a cadeia produtiva da cidade de São Paulo, e isso foi feito em 2025. Retorno para a Alesp com a mesma missão, com a mesma disposição de ampliar todas as conexões que a gente já tinha no estado, todo o estado de São Paulo, e criar novas, junto com meus colegas, novas alternativas para que políticas públicas cheguem de fato a todas as pessoas dentro do estado.

Então estamos de volta, Major Mecca, com toda a força, com toda a disposição. É um prazer estar aqui com todos vocês, principalmente hoje ouvindo o senhor falar de Martin Luther King Jr., que é um homem que é um exemplo.

Vou estar aqui ouvindo o que o senhor tem a falar, sobre o que ele vai, que o senhor vai ler junto com a gente. Eu acho muito interessante, porque o mundo está necessitado em pessoas que olhem para os outros como iguais. É isso que importa, é isso que nós queremos. Queremos política para todos. Para todos.

Obrigado a todos.

Que Deus nos abençoe até o final do ano, final do mandato, e que traga sucesso para todos nós.

Forte abraço.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito obrigado, deputado Rui Alves. Seja muito bem-vindo a esta Casa.

Eu encerro, neste momento, o Pequeno Expediente.

 

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- Passa-se ao

 

GRANDE EXPEDIENTE

 

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O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Abro o Grande Expediente dando início à lista de oradores do Grande Expediente. Deputado Marcos Damasio. (Pausa.) Deputado Paulo Mansur. (Pausa.) Deputado Eduardo Suplicy, em permuta com a deputada Leci Brandão.

 

O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Pela ordem, Sr. Presidente. Enquanto o deputado Suplicy se dirige à tribuna, eu gostaria de fazer uma comunicação.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - É regimental.

 

O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - PARA COMUNICAÇÃO - Muito obrigado, Sr. Presidente. Eu queria divulgar, Sr. Presidente, agradecer também e parabenizar uma nota pública do Observatório do Trabalho Docente da Faculdade de Educação da Unicamp.

É uma nota de apoio desse importante Observatório do Trabalho Docente à luta de professoras, professores e demais trabalhadoras e trabalhadores do sistema público do ensino paulista.

Não vou ler, porque não dá tempo, Sr. Presidente, de ler aqui em dois minutos. Mas eu quero dizer que é uma nota importante, porque é uma nota que faz o diagnóstico de toda a situação, de todo o desmonte da Educação do estado de São Paulo, tocando na questão da privatização das escolas, que eu denunciei agora há pouco; dos leilões; da militarização das escolas; do fechamento de salas, sobretudo do período noturno do ensino médio regular e da Educação de Jovens e Adultos; da demissão em massa de professores categoria “O”; das resoluções autoritárias que são publicadas o tempo todo, punindo, perseguindo, assediando, criminalizando professores e professoras, não só categoria “O”, mas categoria “F”, professor efetivo, Sr. Presidente.

É uma nota que dá conta de todo o cenário da crise da Educação, que não é uma crise, é um projeto de destruição da rede estadual de ensino. Fala também da questão da redução das aulas de disciplinas importantes, como sociologia, filosofia, geografia; da reforma do ensino médio, que é mais realista do que o rei no estado de São Paulo.

Então uma nota importante, Sr. Presidente, cuja publicação nós vamos depois solicitar no Diário Oficial. Quero parabenizar então o observatório, na pessoa do seu coordenador, o Prof. Dr. Evaldo Piolli, que tem feito um trabalho importante, coordenando esse observatório e ajudando no diagnóstico e também trazendo informações importantes para que nós possamos fazer o combate a esses ataques e defender a Educação estadual.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito obrigado, deputado.

 

O SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - Um breve comunicado, presidente.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Tem a anuência? O deputado pode fazer uma comunicação, deputado Suplicy?

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - Sim.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - É regimental. Tem V. Exa. o tempo para comunicação, deputado.

 

O SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - PARA COMUNICAÇÃO - Eu quero deixar registrado e parabenizar a organização de um grande evento que aconteceu no Brasil. Esse evento é chamado “Família ao Pé da Cruz”. E aqui na cidade de São Paulo aconteceu no estádio Neo Química Arena, nessa sexta-feira Santa, e também no Pacaembu, como também em muitos lugares no Brasil.

Parabenizar a todos os que participaram desse evento, que mobilizou milhões de pessoas em todo o Brasil por um único propósito: a favor da família. A gente estava no estádio Neo Química Arena, Major Mecca, e a gente criou até um slogan: “vai, família!”. Costuma-se gritar muito, no Neo Química Arena, “vai Corinthians!”. Aí nós gritamos assim: “vai, família!”.

Para você ver como muitas pessoas estão preocupadas em ter uma família tranquila, feliz, digna, e eu achei isso muito interessante. E é bom salientar e parabenizar a toda a organização desse grande evento.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Parabéns, deputado Rui, pelo trabalho que a Igreja Universal realiza, salvando vidas; e por toda a assistência que os senhores sempre deram aos nossos policiais militares, por todo o estado de São Paulo. Muito obrigado, em nome de todos os policiais militares e de todos os policiais do estado de São Paulo.

Tem a palavra o deputado Eduardo Suplicy.

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Agradeço ao caro presidente Major Mecca e também ao deputado Rui Alves, que aqui colabora comigo nesta homenagem a um dos homens que...

Cada vez, diante dos acontecimentos que acontecem no planeta Terra, especialmente diante dos conflitos e guerras terríveis, que têm levado à morte de milhares de pessoas, é tão importante que nós venhamos a recordar, registrar e promover os ideais deste homem fantástico que foi Martin Luther King Jr. Pois bem, eu quero aqui lembrar um dos mais belos discursos da história da humanidade, que ele justamente fez ali.

Era 1963, os Estados Unidos passavam por momentos de grande tensão e de conflitos raciais. Formaram-se os Black Panthers. Ali, Chicago, Detroit, Los Angeles, San Francisco, de repente, começaram a ser incendiados, e Martin Luther King começou a pensar no que fazer e lembrou, então, de que havia líderes pacifistas no mundo e resolveu ir até a Índia estudar os passos dados por Mahatma Gandhi para conquistar, em 1949, a independência da Índia.

Mahatma Gandhi teve, depois, lideranças que seguiram seus passos, como Nelson Mandela e tantas outras, que fizeram com que Martin Luther King estivesse, cada vez mais, lutando por tudo aquilo que ele acreditava e que está tão bem explicado neste belíssimo discurso que passo a ler.

“Eu estou feliz de me juntar hoje a vocês naquela que ficará na história como a maior demonstração em favor da liberdade na história de nossa nação.”

Quero apenas lembrar um episódio: John Kennedy, o presidente, ficou tão preocupado com a conclamação de Martin Luther King Jr. para os americanos virem para ali, diante do Memorial de Abraham Lincoln, para lembrar dos 100 anos da abolição da escravidão, assinada pelo presidente Abraham Lincoln... Mas o presidente John Kennedy o chamou na Casa Branca: “Não faça isso, esse pessoal vindo aqui vai destruir a capital.” “Pode estar certo de que vai ser uma demonstração pacífica.”, como assim aconteceu.

E assim, 250 mil pessoas compareceram. Primeiro, vieram grandes artistas, cantores como Joan Baez, Peter Paul and Mary, Bob Dylan e tantos que cantaram músicas também pela paz. Líderes das mais diversas organizações e partidos. Até que, ao final, Martin Luther King Jr. usou da palavra para dizer:

“Eu estou feliz de me juntar, hoje, a vocês naquela que ficará na história como a maior demonstração em favor da liberdade na história de nossa nação. Há 100 anos, um grande americano, sob cuja sombra simbólica estamos hoje, assinou a proclamação da emancipação.

Esse oportuno decreto tornou-se uma grande fonte de luz para milhões de escravos negros que foram queimados nas chamas de causticante injustiça. Veio como alegre raiar do amanhecer que acabou com a longa noite de seu cativeiro.

Mas, 100 anos depois, o negro ainda não é livre; 100 anos depois, a vida do negro está ainda tristemente mutilada pelas formas de segregação, pelas correntes de discriminação; 100 anos depois, o negro vive numa solitária ilha de pobreza em meio a um vasto oceano de prosperidade material; 100 anos depois, o negro ainda definha pelos cantos da sociedade americana e se encontra exilado em sua própria terra.

Assim, nós viemos hoje aqui para dramatizar uma condição vergonhosa. De certo modo, viemos à capital de nossa nação para descontar um cheque. Quando os arquitetos de nossa República escreveram as palavras magníficas da Constituição e da Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória de que todos os americanos se tornariam herdeiros.

Essa nota era a promessa de que todos os homens, sim, negros, assim como brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade, à busca da felicidade.

É óbvio, hoje, que a América não pagou essa nota promissória no que concerne aos seus cidadãos de cor. Ao invés de honrar essa obrigação sagrada, a América deu ao povo negro um cheque sem fundo, um cheque que foi devolvido com anotação: ‘fundos insuficientes’. Nós nos recusamos a acreditar que há fundos insuficientes na grande caixa forte de oportunidades desta nação.

E assim viemos para descontar esse cheque, um cheque que vai nos assegurar as riquezas da liberdade e a segurança da justiça. Nós também viemos a esse lugar sagrado para recordar à América da intensa urgência do momento. Este não é o tempo de nos darmos ao luxo de nos acalmar ou de tomar a droga tranquilizadora do gradualismo.

Agora é a hora de tornarmos reais as promessas da democracia. Agora é a hora de nos levantarmos do vale escuro e desolado da segregação para o caminho iluminado de sol da justiça racial. Agora é o momento de levantar a nossa nação das areias movediças da injustiça social para a rocha sólida da fraternidade.

Agora é o momento de fazer da justiça uma realidade para todas as crianças de Deus. Seria fatal para a nação não perceber a urgência do momento. O verão abraçador do legítimo descontentamento dos negros não passará até que haja um outono revigorante de liberdade e igualdade. O ano de 1963 não é um fim, mas um começo.

E aqueles que esperavam que os negros precisassem expelir a sua energia e com isso se contentar, vão ter um rude despertar se a nação voltar a sua rotina habitual. Não haverá descanso e nem tranquilidade na América até que o negro consiga garantir os seus direitos à cidadania. Os turbilhões da revolta continuarão a sacudir as fundações de nossa nação até que surja o dia brilhante da justiça.

Mas há algo que eu preciso falar para o meu povo que está no limiar caloroso que nos leva para o palácio da justiça. No processo de ganhar o nosso lugar direito, não podemos ser culpados de ações erradas. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo do cálice da amargura e do ódio.

Precisamos sempre conduzir nossa luta no plano alto da dignidade da disciplina. Nós não podemos deixar nossos protestos criativos degenerar em violência física. Todas às vezes e a cada vez que nós precisarmos alcançar as alturas majestosas de confrontar a força física com a força da alma.” Ah, esse presidente Trump precisa saber melhor dessas lições dadas por Martin Luther King Junior.

E ele prossegue: “A maravilhosa nova militância, na qual se engajou à comunidade negra, não pode nos levar a desconfiar de todo o povo branco, pois muitos de nossos irmãos brancos, como evidenciado por sua presença aqui hoje, vieram a perceber que o seu destino está inteiramente ligado ao nosso destino. E que a sua liberdade está inextricavelmente ligada à nossa liberdade.

Esse ataque que nós compartilhamos, montados para tomar de assalto as batilhas da injustiça, precisa ser carregada por um exército bi racial. Não podemos andar sós, enquanto caminhamos, precisamos nos comprometer a sempre marchar para a frente. Não podemos retroceder.

Há aqueles que estão perguntando os devotos dos direitos civis: ‘Quando vocês estarão satisfeitos?’ Nós nunca poderemos estar satisfeitos enquanto o negro estiver sendo vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca poderemos estar satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não puderem se hospedar nos motéis de nossas autoestradas e os hotéis de nossas cidades.

Nunca poderemos estar satisfeitos enquanto a mobilidade básica do negro fora de ir de um gueto menor para um maior. Nós nunca poderemos estar satisfeitos enquanto nossas crianças forem desprovidas de sua autoestima e roubadas de sua dignidade por placas que estampam ‘Apenas para brancos’.

Nós não poderemos estar satisfeitos enquanto um negro no Mississipi não puder votar e um negro em Nova Iorque acreditar que eles não têm qualquer motivo para votar. Não. Nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça escorra como as águas, a integridade como uma poderosa corrente.

Eu não estou desconsiderando que muitos de vocês vieram depois de excessivas provações e tribulações. Alguns de vocês chegaram aqui depois de recentemente estarem em celas estreitas de prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde a sua batalha de liberdade os deixou abatidos pelas tempestades de perseguição e abalados pelos ventos de brutalidade policial.

Vocês têm sido os veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que o sofrimento merecido é redentor. Não é redentor. Voltem para o Mississipi, voltem para o Alabama, voltem para Carolina do Sul, para a Geórgia, voltem para a Luisiana, para as favelas e os guetos das cidades do norte, sabendo que, de alguma maneira, essa situação pode ser e será melhorada. Não fiquemos ainda atolados no vale do desespero.

Assim eu lhes digo, meus amigos, que muito embora tenhamos que enfrentar a dificuldade de hoje e de amanhã, eu ainda tenho um sonho. “I have a dream”. Eu tenho um sonho profundamente enraizado no sonho americano, de que um dia esta nação vai se levantar e viver plenamente o verdadeiro sentido de seu crédito.

Nós acreditamos que essas verdades são evidentes por si próprias, pois todos os homens são criados iguais. Pois todos os homens são criados iguais. E eu tenho um sonho de que um dia, nos morros vermelhos da Geórgia, os filhos de ex-escravos e os filhos de ex-donos de escravos serão capazes de se sentar juntos na mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho de que um dia mesmo o estado de Mississipi, um estado sufocado pelo calor da injustiça, sufocado pelo calor da opressão, será transformado em um oásis de liberdade e de justiça. Eu tenho um sonho de que meus quatro filhos pequenos viverão um dia em uma nação onde eles não serão julgados pela cor da sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho hoje um sonho.

Eu tenho um sonho de que um dia, lá embaixo, no Alabama, com os seus racistas viciosos, com o seu governador que tem seus lábios gotejados com palavras de interposição e de anulação, que um dia, ali mesmo no Alabama, meninos negros e meninas negras serão capazes de se dar as mãos com meninos brancos e meninas brancas, como irmãs e irmãos.

Eu tenho um sonho hoje. Eu tenho um sonho de que um dia todo vale será elevado, todo morro e toda montanha será rebaixada, tornados retos e a glória do Senhor será revelada, e todos juntos verão isso acontecer.

Essa é a nossa esperança. Essa é a fé com a qual eu volto para o sul. Com essa fé, nós poderemos extrair da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com essa fé, nós seremos capazes de transformar as desafinadas discordâncias de nossa nação em uma bonita sinfonia da fraternidade. Com essa fé, nós seremos capazes de trabalhar juntos, de rezar juntos, de ir para a cadeia juntos, de levantar juntos para lutar pela liberdade, sabendo que, um dia, seremos livres.

Esse será o dia em que todas as crianças de Deus serão capazes de cantar com um novo sentido.

Meu país é para você, minha doce terra da liberdade, para você eu canto, terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, de todos os lados das montanhas deixai a liberdade soar. E se for para a América se tornar uma grande nação, isto precisa se tornar uma verdade.

Portanto, deixai a liberdade soar dos prodigiosos picos dos morros de New Hampshire, deixai a liberdade soar das poderosas montanhas de Nova Iorque, deixai a liberdade soar dos elevados Alleghenys da Pensilvânia, deixai a liberdade soar dos picos envoltos de neve das montanhas rochosas do Colorado, deixai a liberdade soar das colinas cheias de curvas da Califórnia.

Mas não apenas isso, deixai a liberdade soar da montanha rochosa da Geórgia, deixai a liberdade soar da Montanha de Observação do Tennessee, deixai a liberdade soar de todo o morro do Mississippi, de todos os lados das montanhas, deixai a liberdade soar.

E quando nós deixarmos a liberdade soar, quando nós deixarmos soar em todas as vilas e vilarejos, em todas as cidades e estados, poderemos ver mais depressa a chegada em que o dia que todas as crianças de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e gentios, católicos e protestantes serão capazes de se dar as mão e cantar as palavras daquele velho hino espiritual negro: ‘Finalmente a liberdade, finalmente a liberdade, a liberdade!’. Graças a Deus Todo Poderoso, hoje nós somos todos livres.”

Que beleza! Que importante é que o presidente Donald Trump também escute essas palavras, as palavras de quem acredita que é possível, sim, avançar rumo a uma sociedade melhor, pela não violência. Deputado Rui Alves.

 

O SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - Um aparte, Sr. Presidente.

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Com prazer.

 

O SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - Um pronunciamento.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito obrigado pelas suas palavras, deputado Eduardo Suplicy. O senhor vai fazer uma comunicação?

 

O SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - Um aparte. Rapidinho.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - É, tem que ser uma comunicação.

 

O SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - Uma comunicação, tranquilo.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Tem V. Exa. uma comunicação. Tempo regimental.

 

O SR. RUI ALVES - REPUBLICANOS - PARA COMUNICAÇÃO - Um pronunciamento tão relevante que aconteceu em 1963, no dia 28 de agosto, nos degraus do Lincoln Memorial Washington DC, tão atual, tão presente na nossa sociedade nos dias de hoje e traz uma reflexão.

Tem um versículo na Bíblia que fala muito a respeito disso, dos pacificadores. A Bíblia diz assim: “Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus”.

Deus criou todo mundo igual, com os mesmos direitos e deveres. É uma reflexão que eu parabenizo o Sr. Deputado, que trouxe à nossa memória esse momento tão importante para o nosso mundo que nós vivemos.

Obrigado.

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Muito obrigado, deputado Rui Alves. Que bom tê-lo hoje aqui no plenário. Presidente Major Mecca, muito obrigado por sua atenção, tolerância, participação.

E havendo concordância dos líderes, pode levantar a sessão, por favor.

 

O SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - É regimental o pedido de Vossa Excelência.

Havendo acordo de lideranças, esta Presidência, antes de dar por levantado os trabalhos, convoca V. Exas. para a sessão ordinária de amanhã, à hora regimental, com a mesma Ordem do Dia da última quarta-feira.

Está levantada a sessão.

 

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- Levanta-se a sessão às 15 horas e 24 minutos.

           

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