
168ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: CARLOS GIANNAZI, DANILO CAMPETTI e CAPITÃO TELHADA
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h.
2 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Endossa o pronunciamento do deputado Reis. Comenta ato realizado por policiais civis, penais e militares, no dia 18/11, no Largo São Francisco.
4 - DR. JORGE DO CARMO
Por inscrição, faz pronunciamento.
5 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Endossa o pronunciamento do deputado Dr. Jorge do Carmo. Tece elogios à homenagem feita ao ex-vereador de São Paulo, José Laurindo de Oliveira.
6 - DR. JORGE DO CARMO
Para comunicação, faz pronunciamento.
7 - DANILO CAMPETTI
Por inscrição, faz pronunciamento.
8 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Parabeniza o município de Itaoca pelos seus 34 anos de emancipação.
9 - CAPITÃO TELHADA
Por inscrição, faz pronunciamento.
10 - DANILO CAMPETTI
Assume a Presidência.
11 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
12 - CAPITÃO TELHADA
Por inscrição, faz pronunciamento.
13 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
14 - CAPITÃO TELHADA
Para comunicação, faz pronunciamento.
GRANDE EXPEDIENTE
15 - CARLOS GIANNAZI
Para comunicação, faz pronunciamento.
16 - CAPITÃO TELHADA
Para comunicação, faz pronunciamento.
17 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
18 - CAPITÃO TELHADA
Assume a Presidência.
19 - DANILO CAMPETTI
Por inscrição, faz pronunciamento.
20 - CONTE LOPES
Por inscrição, faz pronunciamento.
21 - DANILO CAMPETTI
Para comunicação, faz pronunciamento.
22 - PRESIDENTE CAPITÃO TELHADA
Cumprimenta os alunos da Universidade Presbiteriana Mackenzie, presentes nas galerias.
23 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
24 - EDUARDO SUPLICY
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
25 - PRESIDENTE CAPITÃO TELHADA
Defere o pedido. Manifesta solidariedade aos policias do 39º BPM/I que estão hospitalizados em decorrência de acidente de trânsito em serviço. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 24/11, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 15h58min.
* * *
ÍNTEGRA
* * *
-
Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Carlos Giannazi.
*
* *
- Passa-se ao
PEQUENO
EXPEDIENTE
*
* *
O SR. PRESIDENTE -
CARLOS GIANNAZI - PSOL
- Presente o número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a
proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a
leitura da Ata da sessão anterior e recebe o expediente.
Dando
início à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o
deputado Delegado Olim. (Pausa.) Com a palavra o deputado Carlos Cezar.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Atila Jacomussi. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Reis, que fará uso regimental da tribuna.
O
SR. REIS - PT
- Saudar o presidente e deputado Carlos Giannazi, também o público presente, os
funcionários desta Casa. Cumprimentar também os integrantes da Polícia Civil,
da Polícia Militar, da Polícia Penal, da Polícia Técnico-Científica, e também
todos aqueles e aquelas que estão nos acompanhando pela Rede Alesp.
Presidente,
deputado Carlos Giannazi, eu trabalhei lá na Timken do Brasil, uma metalúrgica,
que ficava ali na Chácara Santo Antônio, e, às vezes, tinha aquele movimento de
luta, movimento de greve dos trabalhadores metalúrgicos, por melhores salários,
melhores condições de trabalho.
E é o que está
acontecendo hoje na polícia, com os policiais civis, policiais
técnico-científicos, policiais penais, os veteranos, e os policiais militares,
que têm se manifestado, mas eles não podem participar de movimento armado.
Então, a
Constituição veda uma série de ações, mas eles têm externado a insatisfação com
o governo que aí está. Governo de plantão, porque o governo não é eterno, daqui
a pouco ele vai embora. Nada é eterno, só é eterno Deus. O resto tem prazo de
validade. Tem lá um carimbo, como vai do supermercado “válido, até 31 de
dezembro de 2027”. E assim vai. Ou de 2026.
E ontem eu fui
até a manifestação dos policiais. E V. Exa. também estava lá, a deputada,
também, Monica Seixas, estava lá, o deputado Palumbo estava lá. E eu achei
muito estranho como aquela manifestação se deu. Eu me lembrei muito da época
das greves dos metalúrgicos, que a gente achava ou falava que o presidente do
sindicato era um “pelego”.
Vossa Excelência
se lembra disso, a “pelegagem”, ou seja, ele usava os trabalhadores para fazer
o movimento grevista, depois ia lá, sentava com o patrão e negociava com o
patrão nas costas dos trabalhadores.
E ontem eu
fiquei assim... Observando que parece que aconteceu isso com o presidente da
Associação dos Delegados, porque eles tiraram o movimento. E, ao que me parece,
o secretário interino da insegurança pública, porque não dá para se falar que
nós temos segurança pública em São Paulo. Capão Redondo, primeiro lugar em
roubos e furtos; Campo Limpo, em segundo; Pinheiros, em terceiro...
Então, o
secretário interino da insegurança pública o chamou para fazer um acordo para
que desmantelasse o movimento, para que o movimento não acontecesse. E, se caso
acontecesse, que não desse voz para os representantes classistas e também para
os parlamentares. E foi o que aconteceu. E foi o que aconteceu.
Até o delegado
Palumbo subiu na carruagem do Dr. André e não pôde falar. Eu achei muito
estranho aquilo ali. Eu achei muito estranho. Isso enfraquece o movimento. Esse
movimento que poderia ficar forte, se multiplicar no estado, ele fica, ele foi
enfraquecido, da forma como aconteceu.
Eu achei até
estranho porque o presidente da associação falou: “Eu fui lá na Assembleia e
não falei”. É fato que nós tivemos uma sessão solene aqui, a Assembleia fez o
cerimonial, e nesta mesa não cabe todo mundo. Então foram convidadas algumas
pessoas para a mesa, mas, ao que me parece, ele não foi convidado. Ele ficou
ressentido. Não tem relação nenhuma com o movimento isso. Não tem relação
nenhuma com o movimento.
Então eu vim
aqui para dizer do meu repúdio ao comportamento do presidente da Associação dos
Delegados, cerceando a voz dos representantes classistas. Nenhum representante,
nem o presidente do Sindicato dos Investigadores, nem o presidente do Sindicato
dos Escrivães, da associação, o presidente dos Peritos Criminais, nenhum
representante classista pôde subir na sua carruagem para falar sobre o
movimento, sobre o protesto contra o tratamento que o governo está dando para
os policiais em São Paulo.
Fica aqui o
repúdio porque eu entendo que isso enfraquece o movimento, isso traz
desconfiança àqueles que saíram de suas casas, foram lá no Largo São Francisco
e viram apenas uma pessoa falando o tempo todo, que não deu voz para aqueles
que representam os policiais em São Paulo. Vossa Excelência estava lá e V. Exa.
comprovou tudo o que eu estou falando.
Inclusive pedi
a ele: “Olha, coloque em votação então”. “Não, mas eu fiz um acordo”. O governo
chamou-o para um acordo. O governo também, com essa atitude, mostra ser um
governo mesquinho. O governo não tem necessidade de fazer isso. Ele não tem
necessidade de calar a boca daqueles que querem falar. Ele não tem necessidade
de fechar a boca daqueles que querem externar a sua liberdade de expressão.
Então não dá
para compactuar com isso, não dá para aceitar esse comportamento. O que me cabe
é vir à tribuna falar em nome daqueles que não tiveram voz na data de ontem,
Sr. Presidente.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Muito
obrigado, deputado Reis.
Quero aqui me associar ao que disse
Vossa Excelência. Estive lá presente também e estranhei muito a não
participação, não nossa, talvez, dos deputados, nem fazia questão de falar, de
usar o microfone, de subir no caminhão, mas eu estranhei, deputado Reis, a não
presença das outras entidades, que não se manifestaram, porque ali era um ato
chamado por várias entidades dos servidores da Segurança Pública, e apenas uma
entidade estava no caminhão de som. Muito estranho isso.
Nunca vi. Nós temos experiência em
manifestações com entidades, mas nunca vi, porque me parece que houve um acordo
com o governo, o governo ficou com medo do ato, na verdade, e tentou cooptar o
movimento, fez algum acordo para que não houvesse o ato, para que não houvesse
uma caminhada até, talvez, a Secretaria da Segurança Pública.
Eu só sinto que as entidades caíram
numa armadilha, na verdade, porque como alguém acredita que esse governo cumpra
alguma palavra? Agora, no final, no apagar das luzes do governo, talvez eles se
arrependam de ter feito algum acordo, porque esse governo não cumpre palavra.
Dando sequência à lista de oradores
inscritos, com a palavra o deputado Bruno Zambelli. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Rafa Zimbaldi. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Dr. Jorge do
Carmo, que fará uso regimental da tribuna.
O SR. DR. JORGE DO
CARMO - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado
professor Carlos Giannazi, presidindo o Pequeno Expediente, Sras. Deputadas,
Srs. Deputados, público da TV Alesp, assessores aqui presentes, policiais.
Sr. Presidente,
eu vim a esta tribuna para falar de uma pessoa com quem eu tive a alegria de
conviver. Hoje eu vou falar um pouco sobre a trajetória dele, o pouco que eu
conheço, que eu conheci e a convivência que eu tive.
Eu me refiro ao
ex-vereador por São Paulo, Dr. José Laurindo de Oliveira. O Dr. José Laurindo
de Oliveira era um cearense lá de Tauá. Eu pediria que o Machado colocasse
algumas imagens, porque eu vou falar um pouco ao que eu me refiro aqui. Um
advogado veio lá de Tauá.
Eu costumava
dizer, o (Inaudível.) era muito amigo dele, que ele era de vaqueiro a vereador.
Ele era vaqueiro lá aonde ele morava, no município de Tauá, lá no sertão do
Ceará.
E ele chegou em
São Paulo, um negro, que passou por muitas dificuldades para se formar em
Direito, na PUC, e depois para advogar. Era um ilustre, um exímio advogado,
muito competente, muito dedicado às causas sociais, sobretudo e principalmente
à luta pela moradia, pela regularização fundiária. E eu tive a alegria de
aprender muito com ele.
Quando eu
estava estudando Direito, nem advogado ainda era, ele me ajudou muito, me ensinou
muito sobre a luta, sobre a advocacia, sobre a defesa de uma sociedade mais
justa e mais igualitária.
E,
infelizmente, ele nos deixou há um ano e meio, mais ou menos, um ano e meio
atrás. E eu fiz questão aqui, Sr. Presidente, de apresentar um projeto de lei,
que era o Projeto nº 57, de 2024, que denominou, e isso foi aprovado aqui na
Casa, e hoje é a Lei n° 18.327, de 14 de novembro de 2025, que denominou o
vereador José Laurindo de Oliveira o viaduto de transposição codificado VDT
003/021, localizado no km 002,600 do Rodoanel Mário Covas, ou seja, a SP-021,
no município de São Paulo. Isso é uma demonstração exatamente da localização.
Então, de
acordo com essa lei, que é a Lei nº 18.327, passa a denominar-se “Vereador José
Laurindo de Oliveira” o viaduto de transposição, de acordo com o que já falei,
localizado no quilômetro 02,6 do Rodoanel Mário Covas, no município de São
Paulo. Esse viaduto fica na região de Perus, mais próximo do acesso da
continuação do Rodoanel Trecho Norte.
E, como eu
dizia, o José Laurindo de Oliveira foi advogado, foi vereador em São Paulo, mas
antes, no governo da Luiza Erundina, de 1989 a 1992, ele foi administrador
regional de Pirituba, Jaraguá e Perus. E, em seguida, no governo da prefeita
Marta Suplicy, lá em 2000, ele se elegeu vereador por São Paulo, e foi também
líder da Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara Municipal de São Paulo.
Então, eu tive
a alegria de conviver com ele, de aprender muito com ele, e, infelizmente, ele
nos deixou, deixou um legado fantástico para a cidade de São Paulo, para o
estado de São Paulo e para o Brasil, como advogado, como vereador, mas,
sobretudo, um ser humano fantástico.
Uma pessoa com
quem tive muita alegria mesmo, muito aprendizado com ele, pela sua humildade,
pela sua simplicidade, pela sua coerência, pelo seu trabalho, pela defesa que
ele tinha de ter um Brasil menos desigual, ter uma cidade, uma região. Ele
sempre trabalhou na periferia de São Paulo, sempre na defesa daqueles menos
favorecidos.
Então, quero
dizer que essa é a justa homenagem, que esse trecho da cidade de São Paulo, uma
região onde ele trabalhou muito e se dedicou muito, que esse viaduto possa ser
denominado, porque é justa homenagem para aqueles que conheceram José Laurindo
de Oliveira.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Parabéns, deputado Jorge do
Carmo, por essa importante iniciativa.
Conheci também o Laurindo, o nosso
colega vereador, fui vereador com ele de 2001 a 2004, um vereador combativo,
amigo, e foi líder da nossa bancada na época. Então, é uma importante
iniciativa e faço minhas as suas palavras aqui, homenageando o nosso colega
vereador.
Dando sequência à lista de oradores
inscritos, com a palavra o deputado Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.)
Com a palavra a deputada Maria Lúcia Amary. (Pausa.) Com a palavra o deputado
Paulo Fiorilo. (Pausa.) Com a palavra o deputado Alex Madureira. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Enio Tatto. (Pausa.) Com a palavra o deputado Thiago
Auricchio. (Pausa.) Com a palavra o deputado Major Mecca. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Danilo
Campetti, que fará uso regimental da tribuna.
O SR. DR. JORGE DO CARMO - PT -
Sr. Presidente, pela ordem, é possível fazer uma comunicação antes do...
Enquanto o deputado se dirige à tribuna?
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Com certeza.
Para uma comunicação, o deputado Jorge do Carmo.
O SR. DR. JORGE DO CARMO - PT -
PARA COMUNICAÇÃO - Obrigado, Sr. Presidente.
Eu não poderia deixar de fazer render
aqui também as minhas homenagens a uma guerreira, a uma valorosa companheira
aqui da nossa Assembleia, que é a sempre deputada Leci Brandão, que é uma
companheira fantástica.
Ela sempre costuma dizer que não é
política, que é artista, até porque ela é cantora mesmo do samba. E ela foi
homenageada aqui neste plenário com o Troféu Raça Negra. Esse troféu foi
oferecido às figuras que ajudam e ajudaram a promover uma sociedade mais justa,
mais plural e antirracista.
Então eu queria dizer que, nesta semana
da Consciência Negra, é justa esta homenagem a esta valorosa companheira, que
eu tenho um carinho especial por ela, um respeito. Eu conheço ela, faz parte da
nossa federação, tem passado por muitos problemas de saúde, mas está sempre na
luta por uma sociedade mais justa, mais igualitária, menos racista e mais
plural.
Então, Leci Brandão, querida, que Deus
abençoe você e te dê muita saúde. Esta homenagem foi justíssima, porque você é
uma guerreira e uma combativa aqui da Assembleia.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Com a palavra o
deputado Danilo Campetti.
O SR. DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS - SEM REVISÃO DO ORADOR - Muito obrigado, Sr.
Presidente, deputado Carlos Giannazi. Cumprimentá-lo, cumprimentar as Sras.
Deputadas e os Srs. Deputados, as assessorias, os servidores da Casa, aqueles
que nos acompanham nas galerias, aqueles que nos acompanham na Rede Alesp, os
meus irmãos policiais militares, policiais civis, policiais penais.
Senhoras e
senhores, hoje é o dia de nós celebrarmos um marco legal de combate às
organizações criminosas aqui no Brasil. Ontem à noite, o Congresso Nacional, a
Câmara dos Deputados, aprovou o projeto de lei antifacção, que foi apresentado
pelo nosso secretário de Segurança Pública, deputado federal Guilherme Derrite.
E nós não temos
problema nenhum aqui em São Paulo de emprestar aquelas experiências, aquelas
políticas públicas que deram certo, de emprestar ao País aquelas experiências
com resultados comprovados em dados e em evidências aqui no estado de São Paulo
- experiências essas implementadas aqui no nosso estado que reduziram em até
60% o número de roubos e furtos no nosso estado, que reduziram o patamar
histórico de homicídios aqui no nosso estado, o mais baixo desde o início da
série histórica, que foi no ano de 2001.
O estado de São
Paulo se apresentou na pessoa do nosso secretário Guilherme Derrite por esse
importante papel, por esse importante desafio que foi a relatoria do Marco do
Combate ao Crime Organizado aprovado ontem, que trouxe avanços notáveis, trouxe
avanços que eram esperados pela nossa população, não só do estado de São Paulo,
mas pela população também do nosso país.
São avanços que
vão ter reflexos diretos na Segurança. São avanços que nós já falamos aqui que
o governador Tarcísio já defendia, ou seja, que nós aumentássemos o custo do
crime, que nós mantenhamos o criminoso na cadeia. E foram esses avanços
apresentados a muito custo pelo nosso secretário de Segurança, deputado federal
Guilherme Derrite, que logrou sucesso ontem à noite.
E nós estamos
muito felizes porque nós aproveitamos uma janela de oportunidade que foi aberta
com uma brilhante operação, com uma operação cujos resultados foram os mais
favoráveis possíveis que ocorreram no estado do Rio de Janeiro.
A discussão
veio à tona e a Câmara dos Deputados aproveitou essa janela de oportunidade
para passar esse projeto tão importante para o nosso país, um projeto que acaba
com a banalização do crime que ocorria no nosso país, um projeto que é o marco
histórico para que as instituições policiais, para que os nossos policiais, os
nossos agentes sejam valorizados no combate ao crime, para que o trabalho das
nossas polícias seja valorizado ante ao Judiciário e seja reconhecido pela
nossa população que tanto sofre com a criminalidade que assola as ruas da nossa
cidade.
O atual
presidente, o Sr. Luiz Inácio, disse que houve uma matança no Rio de Janeiro. O
que há é uma matança todos os dias da nossa população que sofre com a
criminalidade e que, a partir de agora, deputado Capitão Telhada, com o
brilhante trabalho do nosso governador Tarcísio e também da relatoria do nosso
secretário e deputado federal Guilherme Derrite, a população vai ter um sopro,
um alívio para que a criminalidade seja tratada como deve ser tratada: com penas
duras, sem benefício e aumentando o custo do crime.
Então parabéns
aos 370 deputados federais que foram favoráveis a esse projeto e, mais do que
isso, que foram favoráveis aos anseios daqueles que eles representam, que foram
favoráveis ao combate ao crime, que foram favoráveis ao povo brasileiro. Fica
aqui o meu registro, os meus parabéns pelo excelente trabalho realizado.
Houve ajustes
no projeto, mas ajustes que foram necessários para que fosse aprovado. Não é o
fim, querido amigo, deputado Telhada, é o começo de uma luta, de um trabalho
que nós vamos fazer daqui para a frente, seja nas assembleias e seja também
perante o Congresso Nacional, para que esse projeto seja apenas o início de um
combate que, com certeza, trará muito custo à criminalidade e que combaterá a
impunidade no nosso país.
Fazemos votos
de que o Senado Federal agora mantenha a mesma linha, mesma linha dura de
combate ao crime organizado que foi implementado agora na Câmara dos Deputados.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Com a palavra o
deputado Donato. (Pausa.) Fabiana Bolsonaro. (Pausa.) Dr. Eduardo Nóbrega.
(Pausa.) Marina Helou. (Pausa.) Rafael Saraiva. (Pausa.) Solange Freitas.
(Pausa.) Gil Diniz. (Pausa.) Com a palavra agora o deputado Capitão Telhada,
que fará o uso regimental da tribuna.
Enquanto V. Exa. se dirige à tribuna,
gostaria de parabenizar a cidade, o município de Itaoca pelos seus 34 anos de
emancipação. Itaoca, uma cidade importante que fica ali no Alto Vale do
Ribeira.
Quero saudar toda a população, saudar o
prefeito Frederico e dizer que estaremos sempre apoiando a cidade para que
recursos públicos sejam canalizados para o desenvolvimento da cidade, tanto do
ponto de vista do governo estadual, do governo federal, porque aquela região
precisa de muito investimento. Então parabéns, cidade de Itaoca.
Com a palavra o deputado Capitão
Telhada.
O
SR. CAPITÃO TELHADA - PP -
Obrigado, Sr. Presidente.
Excelente tarde
aos senhores parlamentares que nos acompanham nesta tarde de quarta-feira,
véspera de feriado em São Paulo e no Brasil. À galeria, aos funcionários
militares, aos funcionários civis da Casa, uma excelente tarde. Venho à tribuna
mais uma vez, fazendo eco ao meu irmão policial e deputado estadual Danilo
Campetti, que trouxe essa temática anteriormente. Nós não podemos deixar de
trazer visibilidade e de dar ênfase à grande vitória que aconteceu na data de
ontem em Brasília.
Um projeto que
vira uma chave, uma virada moral para o Brasil, uma oportunidade do Estado
brasileiro, do governo federal e dos governos estaduais, de fato, terem uma
ferramenta para combater e não só combater o crime organizado, mas para vencer
o crime. Por quê? Simplesmente ontem foi aprovado o texto mais duro da história
do Brasil contra o crime organizado.
Um relatório
elaborado de maneira técnica, responsável, democrática, com conhecimento de
causa, por um deputado federal, nosso secretário de Segurança aqui em São
Paulo, policial militar que trabalhou, que serviu a população nas Rondas
Ostensivas Tobias de Aguiar, na Rota, que é o meu amigo, meu padrinho de
braçal, inclusive, de Rota, Guilherme Derrite.
Um relatório
onde foram ouvidos diversos, dezenas de parlamentares, governadores,
secretários, um relatório de um projeto que, inclusive, é oriundo de uma
proposta, sim, do governo federal, mas uma proposta que tinha diversas brechas,
uma proposta que era frouxa com o crime, uma proposta fraca, um texto que era
fraco contra o crime, que era um gesto do governo federal para fingir que o PT
combate o crime, mas era só um teatrinho.
E o que
aconteceu que desagradou toda a esquerda, todos os partidos de esquerda? Prova
é a votação de ontem. Qualquer cidadão aqui que me acompanha quiser verificar
como votaram as bancadas da esquerda, abra lá a votação e vai ver se votaram a
favor do projeto que endurece as penas contra o crime organizado ou se votaram
contra o projeto e a resposta você vai encontrar.
Mas, enfim, o
relatório caiu na mão do deputado Derrite, foram feitas alterações e o
resultado que a sociedade brasileira alcançou através do trabalho do Congresso
Nacional, da Câmara dos Deputados... Eu não posso deixar de parabenizar aqui
publicamente, na tribuna da Alesp, o presidente Hugo Motta, presidente Danilo
Campetti, que manteve sua postura, conseguiu dar estrutura para que o relatório
tramitasse dentro da Casa, não cedeu à pressão externa, de órgãos de imprensa,
de outas bancadas do próprio governo federal, que pressionou para que fosse
trocado o relator, para que fosse adiada a votação.
O presidente
Hugo Motta manteve a sua palavra desde quando assumiu a Presidência da Câmara,
que seria reforçar a pauta da Segurança Pública e cumpriu. Então quando a gente
vem aqui para criticar, é justo, mas quando a postura é digna de ser
enaltecida, nós temos que fazê-lo também.
Então parabéns
ao presidente Hugo Motta, parabéns ao nosso governador Tarcísio de Freitas,
governador de São Paulo, que teve a sensibilidade e percebeu que precisaria ter
uma pessoa que conhece do combate ao crime organizado, à frente do relatório, e
liberou o secretário Derrite para retornar à Câmara e relatar.
E o resultado
está aí, entregue à população, 370 votos favoráveis ao relatório que aprova o
novo marco legal do combate ao crime organizado, que eleva as penas até 66 anos
de prisão para faccionados, líderes de facção criminosa, para aqueles que matam
agentes policiais até 66 anos de prisão, com a progressão do regime a partir de
70% do cumprimento da pena ou, em casos mais graves, a partir de 85% do
cumprimento da pena.
Uma pena que,
sendo contra indivíduos faccionados, vai ter o seu início em presídio federal,
sem benefício, sem visita íntima, sem auxílio reclusão, sem a possiblidade de
graça, de indulto, uma pena que de fato vai manter o criminoso atrás das
grades, porque é esse o clamor da sociedade brasileira nos dias atuais.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Capitão Telhada.
* * *
Todo mundo já
tem essa consciência, a gente conseguiu demonstrar - através dos nossos cargos
eletivos, através da nossa voz -, nós, que combatemos nas trincheiras o crime
organizado, nós conseguimos demonstrar para a população e a população de bem se
conscientizou que Segurança é a base de uma sociedade que quer ser
desenvolvida, de uma sociedade decente, que quer progredir e quer dar uma
situação melhor para as futuras gerações e está aí um resultado entregue.
Nós vamos
acabar com, ou pelo menos diminuir, a reincidência criminal, porque o bandido
vai ser preso, condenado e vai ficar atrás das grades, não vai sair em um mês
depois, não vai sair em um ano depois, não vai ser condenado a 20 anos e vai
cumprir dois, três, uma pouca vergonha do nosso sistema de Justiça Criminal.
Então, como o
deputado Danilo Campetti citou aqui, é o início do fim da impunidade. Não
resolve todos os problemas do Brasil, até porque esse projeto ainda tem que
passar no Senado e ainda tem que ser sancionado pelo presidente da República ou
vetado. Se for vetado, volta para o Congresso, volta para a Câmara, mas temos
certeza de que o recado já está dado. A população quer uma polícia mais
valorizada e quer se sentir mais segura.
Parabéns,
secretário e deputado federal Derrite, pelo relatório. Parabéns a todas as
bancadas que se posicionaram, que se mantiveram firmes nessa luta. Tenham
certeza de que a sociedade brasileira reconhece o esforço.
Nós, deputados
estaduais, faremos nossa parte, ecoando esses projetos, ecoando essas
iniciativas em âmbito estadual, levando também segurança jurídica para nossas
polícias atuarem, valorização dos nossos agentes de segurança e principalmente
defesa da vida, defesa da integridade física e defesa do cidadão de bem,
trabalhador paulista.
Obrigado,
presidente.
Deus abençoe,
viva a Segurança Pública.
O
SR. PRESIDENTE - DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS -
Obrigado, deputado Capitão Telhada.
Seguindo a lista de oradores, convido o
deputado Vitão do Cachorrão. (Pausa.) Deputado Sebastião Santos. (Pausa.)
Deputado Eduardo Suplicy. (Pausa.) Deputada Carla Morando. (Pausa.) Deputado
Dirceu Dalben. (Pausa.) Deputada Thainara Faria. (Pausa.) Deputado Luiz Fernando
Teixeira Ferreira. (Pausa.) Deputado Conte Lopes. (Pausa.)
Deputado Dr. Elton. (Pausa.) Deputado
Marcos Damasio. (Pausa.) Deputado Paulo Mansur. (Pausa.) Deputada Letícia
Aguiar. (Pausa.) Deputado Marcelo Aguiar. (Pausa.) Deputada Márcia Lia.
(Pausa.) Deputada Ana Perugini. (Pausa.) Deputada Dani Alonso. (Pausa.)
Deputado Agente Federal Danilo Balas. (Pausa.) Deputada Andréa Werner. (Pausa.)
Deputado Rodrigo Moraes. (Pausa.) Deputado Fábio Faria de Sá. (Pausa.)
Passamos agora à Lista Suplementar.
Convido o deputado Agente Federal Danilo Balas. (Pausa.) Deputado Sebastião
Santos. (Pausa.) Deputado Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Deputada
Professora Bebel. (Pausa.) Deputado Luiz
Claudio Marcolino. (Pausa.) Deputada Thainara Faria. (Pausa.) Deputado Paulo
Mansur. (Pausa.) Deputado Carlos Giannazi.
Vossa Excelência tem a palavra pelo
tempo regimental de cinco minutos.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Danilo Campetti, Srs.
Deputados, Sras. Deputadas, público aqui presente, telespectador da TV
Assembleia, ontem eu participei de uma manifestação, de um ato, na verdade, com
estudantes, com professores, com pais de alunos, em frente à Escola Estadual
Lins do Rego, que fica exatamente na região de M’Boi Mirim, ali na região do
Jardim Ângela.
Foi um ato que
tinha dois objetivos centrais: o primeiro era comemorar o movimento vitorioso
de 2015, que impediu o fechamento de dezenas de escolas estaduais por conta de
um projeto, de um programa do ex-governador Alckmin, na época, e de seu
secretário de Educação, o professor Herman, que queria fechar escolas do ensino
médio, em um projeto de reorganização.
Houve uma ampla
mobilização em todo o estado de São Paulo, várias escolas foram ocupadas
democraticamente, de uma forma civil e organizada, por alunos, para impedir que
suas escolas fossem fechadas pelo governo estadual, um movimento que teve
repercussão nacional, que teve apoio da sociedade, da imprensa, da Defensoria
Pública, do Ministério Público Estadual e de vários parlamentares aqui da
Alesp.
Eu, inclusive,
estava presente nessas ocupações, dando apoio, logicamente, aos estudantes,
contra o fechamento de escolas. Isso aconteceu em novembro de 2015, foi um
movimento vitorioso que impediu o fechamento das escolas. O governo recuou e
demitiu ainda o secretário da Educação.
Essa escola que
citei é uma escola que foi um símbolo de resistência desse movimento.
Inclusive, professores foram duramente reprimidos, na época, pela Polícia
Militar. Professores foram presos exatamente nesse período. Então, essa escola
virou um símbolo de resistência. É uma escola que tem ensino médio e tem ensino
médio noturno.
Então, esse ato
de ontem serviu para relembrar, para comemorar esse episódio aqui do estado de
São Paulo, o movimento vitorioso dos estudantes e professores contra o
fechamento de escolas da rede estadual, e também para denunciar e lutar contra
o fechamento dos períodos noturnos das escolas estaduais, porque o atual
governo Tarcísio de Freitas, com seu secretário empresário da Educação, Renato
Feder, colocou em prática o fechamento dos cursos noturnos da rede estadual de
ensino.
Hoje, o aluno
que trabalha durante o dia, ou estuda durante o dia, não tem mais onde estudar
no período noturno, na área do ensino médio, porque o governo Tarcísio deu a
ordem para fechar o curso noturno. É difícil achar uma escola hoje que tenha o
ensino médio noturno.
Eles estão
todos em extinção, esses cursos, no estado de São Paulo, inclusive nessa escola
que eu citei aqui, Sr. Presidente, a Escola Lins do Rego, que fica na estrada
do M'Boi Mirim, ali no Piraporinha, perto do Jardim Ângela. É uma escola
central, escola de periferia, que atende milhares de alunos daquela região.
Enfim, o ato
também serviu para protestar e denunciar o fechamento do curso noturno dessa
escola. Imaginem V. Exas. que o governo vai fechar uma escola, o curso noturno,
o ensino médio dessa escola, que atende milhares de alunos. Esses alunos serão
deslocados para outras escolas e outras regiões.
Então esse foi
o teor do nosso ato contra o fechamento do período noturno, não só da Escola
Lins do Rego, mas também de toda a rede estadual que está sendo vítima dessa
política de fechamento de salas e a comemoração exatamente do movimento
vitorioso. Mas aconteceu um fato inusitado, Sr. Presidente.
Primeiro que,
quando nós chegamos na escola, os alunos tinham sido dispensados, aliás,
durante todo o dia. Porque, segundo a direção da escola, houve o roubo de uma
fiação da escola e a escola estava sem energia elétrica. Então não estou
duvidando aqui da direção da escola, acho que houve mesmo o roubo e a escola
estava sem energia elétrica. Então não teve aula, a escola estava na mais
profunda escuridão.
O ato foi feito
do lado de fora, na calçada da escola. Mas o que mais nos chamou a atenção, Sr.
Presidente, foi o deslocamento de várias viaturas da Polícia Militar para
acompanhar esse ato. Várias viaturas, quatro, cinco, seis, sete viaturas ali.
Tenho aqui as
imagens mostrando um forte aparato policial ali, acompanhando uma manifestação
com alunos de escolas públicas, com professores de escolas públicas.
* * *
- É exibido o
vídeo.
* * *
Estão aqui os
professores, são essas pessoas, inclusive, com a presença da TV Alesp, fazendo
a cobertura de um ato importante em defesa da educação pública. Olhem lá,
alunas falando e um grande aparato da Polícia Militar.
Ou seja, esse
governo está instrumentalizando a Polícia Militar contra a Educação, para
tentar intimidar. Já fizeram isso em 2015, porque essa escola foi vítima da
repressão da Polícia Militar a mando do governo da época.
E agora de
novo, Sr. Presidente, olhe só, uma ostentação, várias viaturas, acompanhando
uma manifestação de estudantes e professores da rede estadual de ensino. Fui
conversar, tentar entender, mas nós vamos tomar providências, porque esses
policiais deveriam estar combatendo crime lá na região; deve ter muita
ocorrência lá.
Eu acho que
naquele momento que eles estiveram ali, durante duas, três horas no seu tempo,
muitas ocorrências ocorreram na região, e esses policiais estavam fazendo falta
para combater o crime na região. E ali não tinha crime nenhum, era uma
manifestação de estudantes.
Então eu estou
pedindo aqui informações para o comandante-geral da Polícia Militar. Tem que
explicar por que deslocou todo esse aparato militar para “acompanhar”, entre
aspas, que estavam intimidando, logicamente, porque a escola já tinha um
trauma, Sr. Presidente, em relação a 2015.
Inclusive, dois
professores - uma professora e um professor - que estavam ali presentes, tinham
sido presos e agredidos, na época, pela Polícia Militar. Então havia ali um
temor de que houvesse algum tipo de repressão.
Não houve,
porque nós conversamos ali com um dos policiais. Enfim, mas foi muito estranha
essa atitude da Polícia Militar. Não desses policiais, que são trabalhadores, são
servidores da Segurança Pública, Sr. Presidente. Não tenho nada contra eles - é
o contrário. Não é pessoal, mas é com quem pediu para que eles fossem até lá.
Essa é a
questão. Foi o secretário da Educação que sabia do ato, sabia da manifestação,
foi o governo estadual, foi a gestão Tarcísio de Freitas, foi a própria Polícia
Militar, o comandante da Polícia Militar. Então nós queremos informações. Vou
fazer requerimento de informação e convocação do comandante-geral da Polícia
Militar para que ele venha explicar o que aconteceu.
Aliás, ele já
está sendo convocado para explicar o que aconteceu lá na Emei, a Escola
Municipal de Educação Infantil Antônio Bento, aqui no Caxingui, pertinho aqui
da Assembleia Legislativa, Sr. Presidente.
Para concluir,
não posso deixar de denunciar mais uma vez que policiais armados com
metralhadora entraram em uma escola de Educação Infantil, ameaçando a diretora
da escola, ameaçando a professora, constrangendo crianças de quatro e cinco
anos. Um escândalo, toda a imprensa está falando sobre isso.
Quatro viaturas
foram intimidar uma Escola de Educação Infantil aqui da Rede Municipal de
Ensino. Está todo mundo falando, “Folha”, “Metrópoles”, “Rede Globo”. É o
assunto do momento, porque um pai militar, um servidor da Polícia Militar que
tem uma filha lá não gostou do projeto pedagógico da escola e quis fiscalizar,
dizendo que ali havia aula de ensino religioso.
Enfim, um pai
que desconhece a LDB, a Lei de Diretriz e Base da Educação Nacional, porque a
escola estava cumprindo ali um papel importante de política antirracial, que é
obrigatória pela legislação de ensino.
Mas é isso, Sr. Presidente, queria fazer esse
registro e manifestar a nossa indignação com o que aconteceu ontem nessa
manifestação, com esse aparato enorme da Polícia Militar, que intimidou, sim,
criou um clima de terror, de medo entre os pais de alunos e os estudantes.
Totalmente
desnecessário o que aconteceu. A Polícia tem que combater o crime e não ficar
na frente de escola com quatro, cinco viaturas, com um pelotão de choque,
intimidando os alunos e professores de uma escola pública.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS - Obrigado,
deputado Carlos Giannazi. Seguindo a lista de oradores, convido o deputado
Carlos Cezar. (Pausa.) Deputado Thiago Auricchio. (Pausa.) Deputado Capitão
Telhada. (Pausa.) Vossa Excelência tem a palavra pelo tempo regimental de cinco
minutos.
O
SR. CAPITÃO TELHADA - PP -
Obrigado, presidente. Mais uma vez retornamos aqui ao Pequeno Expediente. É
interessante, senhoras e senhores, presidente Campetti, que nos acompanha, como
a esquerda age.
Então quer
dizer que a viatura da Polícia Militar está cumprindo o seu horário de serviço,
cumprindo suas missões, acompanhando os acontecimentos que tem na sua subárea,
dentro da sua companhia, aquela radiopatrulha que é acionada para um
atendimento de ocorrência em uma residência, ou que é acionada via 190 para
atendimento em uma UBS.
Ou,
eventualmente, que é acionada para um atendimento de ocorrência em uma escola
municipal, estadual, em uma manifestação que esteja fechando o trânsito, ou em
uma manifestação que ocorra e algum popular não entende o que está acontecendo,
liga 190, porque sabemos que o recurso que o cidadão de bem tem e confia é a
polícia militar. Tem até aquela expressão “Ora a Deus e liga 190”, porque é a
Polícia que vai resolver os problemas, é a Polícia Militar que chega em todos
os cantos do Estado.
E, quando
estamos lá trabalhando, estamos levando o terror, segundo a esquerda. Então, o
policial militar, fardado, defendendo o cidadão, colocando o seu peito ali para
fazer cumprir a sua missão constitucional, para defender as entidades, as
instituições, para defender a vida, a integridade física. Estamos levando o
terror. Quem tem medo da Polícia é quem deve para a Polícia.
O cidadão de
bem não tem medo da Polícia. O cidadão de bem não tem repulsa com o policial
militar. Pelo contrário, o que mais temos pedido e o que mais ouvimos é a
presença da Polícia Militar. Olha que engraçado. Tanto pedem a presença da
Polícia Militar e, quando a Polícia Militar se vê presente em um evento, ela
está levando o terror.
Desculpe,
deputado Carlos Giannazi, que me antecedeu, eu tomei conhecimento também da
ocorrência em uma escola onde um pai de aluno, independente se é policial
militar ou não, ele era policial militar, se não fosse, tem o mesmo direito de
acionar a viatura da Polícia Militar.
Ou por quê? O
policial militar tem menos direito que outras pessoas, que outros cidadãos? Por
ser policial militar, ele não pode acionar uma viatura da PM? Porque ele está
chamando os comparsas como uma deputada federal ontem usou essa expressão lá em
Brasília.
Ela vai ser
também acionada porque o policial militar, fazendo seu uso democrático, seu
direito de cidadão, acionou a polícia, porque de alguma maneira ele vislumbrou
um atentado a um direito, a um dever; uma dúvida pairou e ele acionou a viatura
da PM. Qual o problema? Qual o problema de ele ser policial? Nenhum.
A Polícia
Militar foi atender a ocorrência. Aí a deputada federal lá em Brasília fala:
“Ah, mas os policiais armados entraram na escola”. Não, o policial não vai
entrar armado, não; porque o atendimento de uma ocorrência é dentro de uma
escola, ele vai tirar a arma e vai deixar lá no quartel. Ah, eu vou lá atender
a ocorrência na escola, eu vou sem arma, eu vou desarmado, porque quase não tem
perigo aqui em São Paulo, não existe risco.
Quando tem
atentado dentro da escola, quem vai lá trocar tiro e atuar contra aquele
tentante, aquele agressor ativo, é o policial militar. É um pai de aluno
policial militar, como foi lá em Mauá, que quem atuou e quem fez a primeira
intervenção contra aqueles dois delinquentes, assassinos, que entraram lá na
Escola Raul Brasil e atentaram contra a vida de professores e alunos, foi um
policial militar de folga. Aí ele podia aparecer.
Aí cadê a
polícia? Cadê a polícia? Agora, quando a polícia está trabalhando, “a polícia
está levando terror, a polícia está agredindo, tropa de choque”. Onde tem tropa
de choque ali? Três viaturas de radiopatrulha, provavelmente o CGP, tomando
nota, anotando os dados, anotando as partes, orientando as partes, cumprindo
seu dever de maneira exemplar.
Então não, não
venha falar que a minha instituição, a nossa Polícia Militar do Estado de São
Paulo, com quase 200 anos de serviço público prestado à sociedade, é de alguma
maneira protagonista em tirar direitos de alguém, em de alguma maneira agredir
qualquer que seja o direito do cidadão de bem. Nós respeitamos muito os nossos
profissionais da educação, respeitamos muito os nossos jovens. Nós morremos por
eles. Nós morremos pela sociedade.
Não venha falar
que o policial, porque ele estava com uma arma na cinta e foi atender uma
ocorrência na escola, estava de alguma maneira constrangendo alguém, porque não
estava: ele estava trabalhando, ganhando mal, sim, mas trabalhando, procurando
levar decência e ordem para uma sociedade caótica e doente, infelizmente, como
é a sociedade atual brasileira, que tem uma crise de autoridade, que não
respeita nem o professor em sala de aula, não respeita a figura do policial.
Que exemplo nós
vamos dar para os nossos jovens se a gente não entende e não respeita a figura
do policial trabalhando? Dizer que eles estão indo lá levar de alguma maneira
horror ou terror? Isso é um absurdo, eu não admito que digam isso dos nossos
policiais. Isso é um absurdo.
Então,
presidente, fica aqui a minha constatação, o meu reconhecimento pelo trabalho
desses bravos policiais. Com certeza estavam lá acionados, eu nem tenho os
dados da ocorrência, mas eu falo sem medo de errar, porque eu conheço a nossa
Polícia Militar.
Estavam lá
porque foram acionados por algum cidadão, foram verificar, tomaram nota,
orientaram quem tinha que orientar e voltaram para o patrulhamento. Aliás,
pelas imagens, eles estão na rua, não é? E a rua, até onde eu sei, é um local
público. Não tinha ninguém dentro da escola. Então fica aqui, presidente, a
nossa colocação e sempre a nossa defesa intransigente em relação às nossas
instituições policiais.
Obrigado, presidente.
O
SR. PRESIDENTE - DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS
- Obrigado, deputado Capitão Telhada. Seguindo a lista de oradores, convido o
deputado Carlos Giannazi. Vossa Excelência tem a palavra pelo tempo regimental
de cinco minutos.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Danilo Campetti, deputado
Capitão Telhada, antes de entrar num assunto muito importante aqui, Sr.
Presidente, que eu quero falar sobre a Secretaria da Educação, eu quero só
esclarecer para o deputado Telhada, que é um defensor da Polícia Militar, que
eu conheço o seu trabalho, conheço o trabalho do seu pai, o Coronel Telhada,
que a minha crítica aqui nunca foi à instituição da Polícia Militar.
Nesses dois
casos específicos que citei aqui, o primeiro deles, em relação ao ato que
realizamos ontem na Escola Lins do Rego, deputado Telhada, ninguém chamou a
polícia. Não havia necessidade de Polícia Militar.
A escola não
chamou - conversei com a direção da escola -, os pais não chamaram, os alunos
não chamaram. A Polícia Militar foi deslocada para lá, eu tenho certeza, não a
pedido de nenhum morador, porque talvez os moradores nem soubessem ali do ato.
Mas, com
certeza, eu falo aqui, eu afirmo que, com certeza, foi uma decisão política de
instrumentalizar a Polícia Militar, os servidores da Segurança Pública, para
ali, de uma certa forma, inibir a movimentação, porque não foram três viaturas,
foram várias viaturas passando o tempo todo.
Havia uma
movimentação de vários carros da Polícia Militar, de vários soldados, que,
repito, deveriam - acho que eles nem gostariam de estar ali -, achar ridícula a
presença deles ali, porque não havia necessidade alguma: alguns poucos
estudantes, alguns poucos pais, alguns poucos professores fazendo um ato público
em defesa da educação pública. E era só isso.
Mas, não, eles
ficaram ali o tempo todo. Repito: deveriam combater o crime na região ali.
Gente, é Jardim Ângela, M’Boi Mirim, Capão Redondo, Campo Limpo, aquela região
precisa de policiamento para defender a população, mas não ficar na frente de
uma escola. Ninguém chamou a polícia para acompanhar essa movimentação. Mas,
com certeza, foi o governo estadual.
Em relação
também à escola, a Emei Antônio Bento, ali foi grave a situação: um militar
entrou com uma metralhadora na mão, constrangendo uma diretora de escola e
crianças de quatro e cinco anos numa Emei. Aquilo é muito grave e vai ser
apurado.
Eu entendo que
V. Exa. defende os policiais. Nós também defendemos aqui melhores salários,
melhores condições de trabalho, melhores condições funcionais para todos os
servidores da Segurança Pública.
Então defender
os servidores da Segurança Pública não é monopólio, não é reserva de mercado só
da base governista aqui, da base de extrema direita bolsonarista, não, porque
nós sempre, historicamente, defendemos todos os servidores públicos do estado
de São Paulo, inclusive os da Segurança Pública também.
Mas quero, Sr.
Presidente, aqui aproveitar para... Olha, nós estamos chocados, porque eu já
fiz várias denúncias em relação a essa questão da avaliação de desempenho dos
professores, que foi fruto de uma resolução da Secretaria da Educação, do
governo, do desgoverno, Tarcísio de Freitas.
Eu me refiro
aqui à Resolução nº 83, que foi publicada agora, em 2025, que estabelece a
avaliação de desempenho. E, entre os pontos, os critérios, ficou estabelecido
que os alunos iriam também avaliar os profissionais da Educação. Olha que
absurdo, Sr. Presidente: como que um aluno vai avaliar o trabalho do professor?
É muito difícil, os alunos não estão instrumentalizados para fazer esse tipo de
avaliação.
Então o que nós
estamos acompanhando, Sr. Presidente? A imprensa toda está falando sobre isso.
Aqui tem a matéria da “Folha”, dando conta exatamente dessa contradição de que
o governo Tarcísio de Freitas, com o seu secretário empresário da Educação,
está jogando os alunos contra os professores, contra os profissionais da
Educação, os alunos estão se vingando. Olha aqui, olha, aqui é: “‘Quem mandou
dar zero?’”, tem um aluno falando isso. “Alunos usam a avaliação criada pela
gestão Tarcísio para ameaçar os professores”.
Então o
professor é avaliado pelo aluno, mas se o professor não tem o apoio desses
alunos, se o professor é um pouco mais rígido, cobra mais esses alunos, os
alunos vão dar nota zero para ele e ele será prejudicado na sua avaliação de
desempenho. E vai ter sérios prejuízos, Sr. Presidente, na escolha de aulas, na
questão salarial, na questão funcional. Isso é o que eu quero colocar aqui.
Então eu
apresentei já um PDL, um projeto de decreto legislativo, para revogar essa
famigerada Resolução nº 83. E também o nosso coletivo Educação em Primeiro
Lugar apresentou uma Ação Popular. Nós protocolamos uma Ação Popular aqui no
Tribunal de Justiça para revogar essa Resolução, essa medida, Sr. Presidente. O
nosso Coletivo, que é constituído pela deputada federal professora Luciene
Cavalcante, pelo vereador Celso Giannazi, da Comissão de Educação da Câmara
Municipal, e pelo nosso mandato.
Estamos
esperando que a Justiça revogue imediatamente essa medida, essa Resolução nº
83, de 2025, que é uma verdadeira farsa, que pune. Ela é punitivista e
criminaliza os professores, joga os alunos para atacar, para punir os
professores.
Tem várias
imagens na internet hoje mostrando exatamente isso, Sr. Presidente, que os
professores estão sendo agora humilhados e perseguidos pelos alunos. O aluno
está se vingando do professor. Se o aluno não teve uma boa nota na matéria de
matemática, de português, se vinga do professor, dando nota zero para o
professor.
Tem vídeos na
internet dando conta de que é para dar zero, movimentos de alunos em várias
escolas dando zero para todos os professores da escola. É um absurdo esse tipo
de resolução e essa política destruidora da rede estadual, que criminaliza cada
vez mais os profissionais da Educação. Então nós estamos lutando para aprovar o
nosso PDL aqui, revogar a resolução, e esperamos que o Tribunal de Justiça, Sr.
Presidente, dê um parecer favorável à nossa ação popular.
Por fim, Sr.
Presidente, só para concluir a minha intervenção no dia de hoje, queria dizer
que eu apresentei um projeto de lei, isso foi em 2014, o PL 56, de 2014, que
foi aprovado em 2017, mas, infelizmente, foi vetado pelo governador em 2018.
Era outro governo ainda.
Um projeto de
lei que obriga a Secretaria da Educação a pagar a aula vaga, quando o professor
está entre uma aula e outra, mas está dentro da escola, na sala dos
professores, está ali trabalhando, está à disposição da escola. Ele tem que
receber por essa hora/aula, chamada de aula vaga, enfim, tem vários nomes.
O projeto foi
aprovado, que é uma antiga reivindicação aqui dos profissionais da Educação, do
Magistério estadual. E eu estou em uma luta há muito tempo para derrubar esse
veto, para fazer justiça aos professores e às professoras da rede estadual.
Mas eu fiquei
muito contente e feliz, o Magistério também, com essa notícia de que o Supremo
Tribunal Federal julgou agora, que reconhece, está aqui a matéria também:
“Supremo Tribunal Federal reconhece que intervalo entre aulas e recreio integra
a jornada de trabalho dos professores”.
Então essa
decisão do Supremo Tribunal Federal reforça a nossa luta, diz que nós estávamos
e estamos no caminho certo fazendo essa reivindicação, porque o professor
trabalha o tempo todo, não é só em sala de aula. Quando ele está na sala dos
professores, está trabalhando; no recreio, está trabalhando; tudo é trabalho. E
esse trabalho tem que ser remunerado, todo o tempo que o professor está dentro
da escola, e até fora também.
Por isso nós
temos uma parte da jornada que o professor realiza também fora da sala de aula.
O professor trabalha no feriado, no sábado, no domingo, preparando as suas
aulas, preparando provas, corrigindo provas, se atualizando. Então o trabalho
do professor é dia e noite, não é só dentro da escola e não é só na sala de
aula.
Essa decisão
importante do Supremo Tribunal Federal só reforça a nossa luta aqui na Câmara
Municipal para derrubar o veto ao meu Projeto de lei nº 56, de 2014, vetado,
aprovado pela Alesp. A Alesp reconheceu que o Estado tem que pagar essa aula
vaga, aula-intervalo - tem vários nomes, Sr. Presidente.
Infelizmente,
na época, o governador, em 2018, vetou o nosso projeto, mas agora a Assembleia
Legislativa tem todas as condições objetivas, inclusive com uma referência
importante de uma decisão do Supremo Tribunal Federal para que nós possamos
derrubar imediatamente o veto ao PL 56/2014 e fazer justiça a todos os
professores e professoras da rede estadual de ensino.
Então era isso,
Sr. Presidente.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS -
Obrigado, deputado Carlos Giannazi.
Com a palavra o deputado Capitão
Telhada, pelo tempo remanescente. Se V. Exa. preferir depois fazer uma
comunicação, deputado. Pode ser? Ou a gente pode encerrar e ir para o Grande
Expediente. Então, para uma comunicação, deputado Capitão Telhada.
O SR. CAPITÃO TELHADA - PP - PARA COMUNICAÇÃO - Perfeito, é
dois minutinhos mesmo. Eu ia citar, presidente, como que é interessante, né?
Como que uma arma longa, no caso o que o deputado Carlos Giannazi citou, dos
nossos policiais militares lá em uma ocorrência em uma escola esta semana, a
arma longa na mão de um sargento, ou de um oficial da Polícia Militar que está
ali utilizando aquela arma para a segurança da sociedade escandaliza os
deputados, os parlamentares da esquerda, mas os mais de 100 fuzis apreendidos,
por exemplo, na megaoperação no Morro da Penha não escandaliza os
representantes da esquerda.
O tráfico de
drogas utiliza como proteção, no Brasil inteiro, crianças e moradores de áreas
de favela, utiliza no Brasil todo para proteger a sua atividade ilícita com
pessoas inocentes, constrangidas e feitas reféns através do poderio das armas
de fogo, mas isso não escandaliza os parlamentares da esquerda que após a
megaoperação da Penha, presidente, fizeram até comitiva.
Ministra dos
direitos humanos, ministra de não sei o quê, Aniele Franco do PT foram lá
passar a mão na cabeça de bandido. Um ministro do PSOL, deputado Carlos
Giannazi, pediu um minuto de silêncio pelos traficantes que foram mortos
atirando contra os policiais. Inclusive, em uma pesquisa pública, 87% dos
moradores do próprio Complexo da Penha acharam extremamente, registraram isso,
desumano por parte do ministro Boulos pedir um minuto de silêncio para traficantes.
Cento e
dezessete mortos, mais de cem fuzis apreendidos, mas isso não escandaliza os
parlamentares da esquerda, o que escandaliza é um policial militar trabalhando,
de serviço, atendendo uma ocorrência com uma arma de fogo. Eu acho isso muito
interessante e a gente tem que deixar bem claro aqui.
Aliás, a
questão de armas. Quando a gente verifica a votação de ontem lá no Congresso
Nacional, na Câmara dos Deputados, a gente vê que quem votou a favor do
endurecimento das penas contra o crime organizado foram as bancadas da direita,
e quem votou contra o projeto que coloca as facções criminosas contra a parede
foram todas bancadas da esquerda que votaram contra o projeto. Isso é fato, não
é o Capitão Telhada falando, isso é fato e está na internet.
O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
Pela ordem, Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS - Muito
obrigado, Capitão Telhada. Deputado Carlos Giannazi, deixa eu só fechar o
Pequeno Expediente e eu já abro e já concedo a palavra a Vossa Excelência.
Então está encerrado o Pequeno
Expediente, e imediatamente aberto o Grande Expediente.
* * *
-
Passa-se ao
GRANDE EXPEDIENTE
* * *
O SR. PRESIDENTE - DANILO CAMPETTI -
REPUBLICANOS - Deputado Carlos Giannazi, V. Exa. tem a palavra para uma comunicação.
O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - PARA COMUNICAÇÃO - Para uma
comunicação, Sr. Presidente, eu só queria aqui dialogar com o deputado Telhada.
Deputado, a extrema direita bolsonarista é muito incoerente, porque V. Exa.
falou agora do armamento que foi encontrado nessa operação no Rio de Janeiro,
mas eu não vejo também os deputados, os membros da extrema direita bolsonarista
indignados com aquele armamento encontrado, me parece, com o amigo do Ronnie
Lessa, o assassino da Marielle. Mais de 120 fuzis foram encontrados e não vi
nenhum pronunciamento de nenhum deputado indignado aqui.
E também não vi
nenhum tipo de denúncia, de crítica à liberação das armas feitas no governo
Bolsonaro, que liberou geral para todo mundo comprar armamento, a pessoa pode comprar
centenas de armas. Inclusive, os famosos CAC’s que estão nas mãos desses
criminosos que V. Exa. citou.
E sobre a
aprovação de ontem daquele projeto, o projeto que seria um projeto antifacção,
e que com a aprovação virou um projeto pró facção. O Derrite, secretário da
Educação, que foi lá a mando do Tarcísio de Freitas, fez seis relatórios, e os
primeiros relatórios ele atacava a Polícia Federal, ele sabotava o trabalho da
Polícia Federal contra o crime organizado dizendo o seguinte...
Eu li os
relatórios e eu fiquei chocado, o Brasil todo leu o relatório, não tem como
dizer que não. O que o Derrite dizia: “Olha, a Polícia Federal só vai poder
investigar facções se os governadores autorizarem, senão, nem pensar”. Olha que
absurdo, ele tentou sabotar o tempo todo, até o final.
Então isso nós
conseguimos retirar com muita pressão, ele queria comparar facção criminosa a
grupos terroristas e foi, inclusive, reprimido pelo próprio mercado financeiro,
pelo empresariado, falou “Calma aí, você vai transformar o Brasil no maior
celeiro de terroristas do mundo, do planeta”,
porque aí vai considerar o PCC terrorista, o Comando Vermelho e várias
facções, aí ninguém mais vai querer investir aqui no Brasil.
Era uma
proposta burra do Derrite, mostra que não entende nada de... Um capitãozinho
que foi expulso da Rota. Nem a Rota quis o Derrite, deputado, não sei como V.
Exa. consegue elogiar, porque parece que matava demais, ele foi afastado da
Rota, não tem experiência nenhuma e estava a serviço, na verdade, com certeza,
dessa lógica de proteger as facções.
Tanto é que
estourou agora o caso Master, ninguém falou nada. Não vejo a extrema direita
falando do banqueiro preso que tinha conexões com governadores do Distrito
Federal, do Rio de Janeiro, com vários políticos ligados à extrema-direita e
também ao centrão. Ninguém está falando nada aqui na Assembleia Legislativa
sobre esse escândalo.
A Operação
Carbono Oculto também. Cadê o Tarcísio de Freitas? Onde estava o Derrite? Então
todos os relatórios apresentados pelo deputado Derrite foram para minar a
tentativa de investigação da Policia Federal. A Polícia Federal que está
investigando o crime organizado e as facções criminosas no Brasil.
Mas,
logicamente, que esse projeto será ajustado, o Senado Federal não vai aceitar
isso, esse relatório que foi aprovado ontem às pressas, na calada da noite, em
articulação com o Eduardo Cunha, com o Lira. Tem aquela foto daquele jantar no
restaurante chique de Brasília, o Brasil inteiro viu aquilo, a articulação do
Derrite com o que há de pior na Câmara dos Deputados.
Obrigado, Sr.
Presidente.
O
SR. CAPITÃO TELHADA - PP - Pela ordem, Sr.
Presidente, para uma comunicação.
O
SR. PRESIDENTE - DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS
- Obrigado, deputado.
Pela ordem, deputado Capitão Telhada.
O
SR. CAPITÃO TELHADA - PP -
PARA COMUNICAÇÃO - Realmente, Sr. Presidente, quem conhece de Segurança Pública
deve ser o Haddad, deve ser o Boulos. Aliás, acho que o Boulos quase nada,
porque nunca trabalhou, não é? Nunca trabalhou. Ele conhece de invadir terra.
Então devem ser as pessoas que estão na esquerda, sem dúvida nenhuma.
Aliás, como é
que o secretário de Segurança, Guilherme Derrite, que trabalhou 17 anos na
ativa da Polícia Militar, comandou pelotão de Rota, combateu o crime
organizado, alcançou na sua gestão, na Secretaria de Segurança Pública, os
melhores índices criminais da história, de todos os últimos 25 anos, de todo o
retrospecto histórico, desde quando se mantém os números...
Será que ele
conhece alguma coisa de Segurança Pública? Acho que não, não é? Acho que não
somos nós da direita que estamos conectados com o sentimento do povo, deve ser
realmente a esquerda, sem dúvida nenhuma. A população quase não quer bandido na
cadeia.
Então,
presidente, está muito claro, está muito claro quem hoje tem a consciência da
necessidade da população. E somos nós. Somos nós que estamos no dia a dia
conversando com as pessoas e conhecendo as reais demandas. Somos nós,
deputados, vereadores, estaduais, federais, parlamentares políticos da direita,
do campo conservador, que conhecemos a real necessidade do cidadão. Porque a
gente vive na sociedade.
A gente não
fica por aí arrotando caviar, querendo se fazer de humilde, gastando milhões e
milhões de reais no orçamento secreto, como é o presidente Lula e a mulher
dele, a Janja, Europa afora, mundo afora, gastando dinheiro público, tudo
escondido, gastando na COP30 - aquela vergonha mundial, internacional, onde foi
flopada, uma verdadeira decepção. Uma vergonha para o Brasil levar pouquíssimas
autoridades, pouquíssimos chefes de Estado em comparação a outras COPs, fazer
aquela vergonha sem estrutura.
Realmente, nós
não devemos conhecer nada de Segurança Pública. Aqui em São Paulo, hoje, só tem
o menor índice de homicídio do Brasil. Nós só temos índices comparados a
estados americanos, só isso: 5.1 homicídio por 100 mil habitantes. Nós não
conhecemos nada de Segurança Pública. A
bancada da Segurança Pública que eu, deputado Danilo Campetti, o senhor, não
devemos conhecer nada, a gente nunca fez polícia na nossa vida.
Quem deve
conhecer de Segurança Pública é o Haddad, igualzinho conhece de Fazenda,
igualzinho conhece de Economia: nada, absolutamente nada. O Brasil está à
deriva. Não vejo a hora de chegar 2026 para a gente retomar a nossa
Presidência, colocar novamente um presidente decente, que leve o Brasil para
onde ele sempre mereceu estar, que é entre as maiores nações do nosso planeta.
Presidente,
havendo acordo de lideranças... Vai falar?
Então, presidente,
muito obrigado pela comunicação.
O
SR. PRESIDENTE - DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS -
Muito obrigado, deputado Capitão Telhada.
Seguindo a lista de oradores do Grande
Expediente, convido para fazer uso da palavra o deputado Reis, em permuta com o
deputado Paulo Fiorilo. Vossa Excelência tem a palavra pelo tempo regimental de
dez minutos.
O
SR. REIS - PT
- Presidente, deputado Danilo Campetti, já que todo mundo está falando de
Segurança Pública, eu também vou falar um pouquinho. A realidade é que eu estive,
nesse final de semana, várias agendas ali na região do Jardim Ângela, ali na
Chácara Santa Maria, no Jardim dos Reis, na Rua das Três Marias, na Rua
Ciclades, na Rua José Alves.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Capitão Telhada.
* * *
Foram várias
agendas e não teve uma que as pessoas não reclamassem da falta de Segurança
Pública. Não teve uma agenda que as pessoas não levantassem a mão para falar
que não há policiamento no seu bairro. Falar aqui é muito fácil, mas lá na
ponta, quem está no dia a dia sendo vítima é que pode contar a verdadeira
história.
Então eu vou
dar uma relação de ruas aqui que foram pedidas, foram faladas nas reuniões e
vou pedir ao deputado Capitão Telhada para que ele encaminhe as notas
taquigráficas desse meu discurso para o comandante-geral da Polícia Militar e
para o secretário de Segurança Pública, para que ele tome conhecimento e
providências e reforce o policiamento nessas ruas que foram me trazidas nas
reuniões que eu participei, todas lá na região do Jardim Ângela, do Parque Novo
Santo Amaro.
Avenida
Turquesa, Rua Álvaro Ferreira, Rua Barbosa de Freitas, Rua Beira Rio, Rua
Carneiro Vilela, Rua Castelo Branco, Rua Cerdeira, Rua Coelho Lousada, Rua das
Três Marias, Rua Doutor Renato Locchi, Rua Esmeralda de Barros, Rua Getúlio
Vargas, Rua Jânio Quadros, Rua José Alves da Silva, Rua José Porfírio da Silva,
Rua Juscelino Kubitschek, Rua Luz Soriano, Rua Maiteno, Rua Padre Marcelino
Duarte, Rua Particular, Rua Pinheirão, Rua Porta do Prado, Rua Professor
Cassiano de Figueiredo, Rua Reverendo Eclésio Corrêa de Oliveira, Rua Rosalina
de Faria Vita, Rua Sagáris, Rua Tancredo Neves, Rua Vermelino de Almeida,
Travessa Belém, Travessa Betânia, Travessa Galileia, Travessa Jericó, Travessa
Jerusalém, Travessa Joel, Travessa Nazaré, Travessa Samaria.
Então, todas
essas ruas, as pessoas estão reclamando que sai de manhã para ir trabalhar, são
vítimas, até tentaram arrancar uma aliança de uma senhora com os dentes, com os
dentes.
Então a
realidade é que tem um apagão na Segurança Pública, essa é a verdadeira
realidade, tanto é que as estatísticas trazem lá o Capão Redondo, primeiro
lugar em roubos e furtos e o segundo lugar é o Campo Limpo, que está ao lado do
Capão Redondo, e o terceiro lugar é o Parque Santo Antônio, que está ao lado do
Campo Limpo e ao lado do Capão Redondo, porque o Parque Santo Antônio engloba
Jardim São Luís, toda aquela região, que é a região do 92º DP.
Então a região
do 92º DP, do 47º DP, do 100º DP e do 37º DP, todos reclamando da falta de
Segurança Pública. Então eu peço que chegue ao conhecimento de quem tem o poder
de resolver, de quem administra a Segurança Pública em São Paulo, e dê resposta
para essa população que não pode sair de suas casas.
Quando saem
para trabalhar, são vítimas no ponto de ônibus. Estão lá no ponto de ônibus,
passa um motoqueiro e leva o celular, leva os documentos, leva os pertences
daquelas pessoas, e está causando pânico. Pânico! Essa é a verdadeira
insegurança pública que a gente está vivendo em São Paulo.
Eu também,
presidente, tenho um vídeo que gostaria de passar, que é uma outra reclamação
dos policiais militares. Os policiais militares têm mandado várias reclamações
para mim, os veteranos. Eles reclamam da questão salarial, reclamam da falta de
estrutura, da falta de viaturas, da dificuldade que eles têm para trabalhar no
dia a dia.
E agora chegou
reclamação do Hospital Militar, o HPM. Dizem que, segundo relatos, quando eles
vão lá, tem dias em que nem médicos tem lá no HPM. Eu inclusive vou fazer uma
visita ao HPM para constatar a realidade do que está acontecendo naquilo que é
para ser a garantia da saúde da Polícia Militar, porque o Hospital Militar
cuida do atendimento médico aos policiais militares e a Cruz Azul dos
familiares.
Então eu
gostaria que o Machado passasse o vídeo para a gente deixar registrado aqui na
Assembleia Legislativa essa situação degradante e que põe em risco a saúde dos
policiais militares.
* * *
- É exibido o vídeo.
* * *
Então para
deixar registrado, presidente, eu vou pedir também para que V. Exa. encaminhe
essa matéria para o governador de São Paulo.
É muito
importante que ele tome conhecimento dessas reclamações com relação ao Hospital
Militar. Tem que garantir o atendimento digno para os policiais. Tem que
garantir que os policiais, quando chegarem lá, tenham o atendimento adequado.
Não dá para
ter, para a gente receber essas reclamações e os policiais se encontrarem aí à
deriva. O governo tem que cumprir o seu papel. Ele se comprometeu, quer
melhorar a polícia, quer valorizar a polícia, que seria a décima polícia mais
bem paga do País.
Então o que nós
queremos? É só que o governador cumpra as suas promessas e que garanta a saúde
de qualidade para os nossos policiais.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CAPITÃO TELHADA - PP - Serão
encaminhadas as notas taquigráficas, conforme a V. Exa. solicitou.
Dando continuidade na lista de oradores
do Grande Expediente, convido os seguintes deputados a fazerem uso da palavra:
deputado Lucas Bove. (Pausa.) Deputado Tomé Abduch. (Pausa.) Deputado Valdomiro
Lopes. (Pausa.) Deputado Rafael Silva. (Pausa.)
Deputado Dr. Eduardo Nóbrega. (Pausa.)
Deputado Rodrigo Moraes. (Pausa.) Deputado Fábio Faria de Sá. (Pausa.) Deputado
Dr. Elton. (Pausa.) Deputado Alex Madureira. (Pausa.) Deputado Enio Tatto.
(Pausa.) Deputado Jorge Caruso. (Pausa.) Deputado Danilo Campetti, V. Exa. tem
o tempo regimental do Grande Expediente.
O
SR. DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS - SEM REVISÃO DO ORADOR - Cumprimentar, Sr. Presidente, meu
amigo, meu irmão, Capitão Telhada. Deputado, é uma honra ser presidido aqui por
Vossa Excelência.
Parabéns pelos
pronunciamentos feitos aqui no Pequeno Expediente, que eu tive a oportunidade
de acompanhar atentamente. E agora, no Grande Expediente, nós poderemos, com
mais tempo, falar um pouco mais sobre esse marco importante para nós, que
atuamos na Segurança Pública, seja aqui na bancada, seja na nossa vida
profissional.
Cumprimentar
aqui nosso comandante, deputado capitão Conte Lopes, cumprimentar novamente a
todas as assessorias, servidores da Casa, aqueles que nos acompanham pela Rede
Alesp, meus irmãos, policiais militares, civis, penais. Sr. Presidente, eu ouvi
muito atentamente o que V. Exa. manifestou aqui na tribuna e eu quero dizer que
eu concordo em gênero, número e grau com tudo o que V. Exa. falou.
E reitero que o
estado de São Paulo, que hoje lidera uma política pública que traz resultados,
que traz efetivamente segurança à nossa população, que baixou os índices de
criminalidade a patamares nunca antes conhecidos na história, desde as
primeiras medições, nos anos de 2001.
E esse trabalho
foi reproduzido através do nosso secretário de Segurança, deputado federal
Guilherme Derrite, que tem atuação direta na área, como tem V. Exa.,
presidente, como tem o deputado Conte Lopes, que esteve nas ruas, assim como eu
estive, e que trouxe essa experiência, essa expertise, para o nosso arcabouço
legal, e que teve a coragem de assumir a relatoria.
E aí faço coro
ao que V. Exa. disse sobre o nosso presidente Hugo Motta, presidente da Câmara
dos Deputados, que teve coragem de manter o relator, que suportou todas as
pressões e manteve a sua palavra, e ontem a população sagrou-se vencedora nesse
processo.
E nós temos
vários avanços. Eu gostaria de elencar alguns aqui, Sr. Presidente, como, por
exemplo, novos tipos penais, como domínio social estruturado, cujas penas
chegam a 40 anos de prisão. Temos também a categorização de crime organizado
ultraviolento, que também classifica essas organizações criminosas e estabelece
novos apenamentos.
Para mim, um
avanço muito importante foi com relação aos novos percentuais que servem de
base para a progressão de pena. Nós temos ali 70% da pena, caso o réu seja
primário, por crime hediondo, 75% se réu for primário, mas o crime hediondo
resultar morte, 80% se ele é reincidente na prática de crime hediondo, e 85% se
ele é reincidente na prática de crime hediondo com resultado morte.
Então são
avanços que, na nossa concepção, eu tenho certeza que de todos que estão aqui,
dos deputados, eu, de V. Exa., do deputado Conte Lopes, nós batalhamos pelo fim
da progressão de pena. Esse deve ser o caminho. Como deve ser o caminho? O fim
da audiência de custódia.
O fim efetivo
das saidinhas. Outra proposta aprovada pelo deputado federal Guilherme Derrite,
que aí recebeu um golpe, isso sim foi um golpe, de uma interpretação jurídica
que delimitou que a saidinha só seria extinta para aqueles criminosos que
cometessem crimes a partir daquela data, o que é um verdadeiro absurdo.
Nós temos que
trabalhar também pelo fim da visita íntima. Deputado, eu, enquanto estive na
Polícia Civil, em algumas atividades de monitoramento, deputado Conte Lopes, eu
via casos de mulheres que eram, entre aspas, “comercializadas” entre os presos.
O preso, por
exemplo, tinha uma irmã, e o preso estava devendo na cadeia, ele tinha que
oferecer essa irmã, essa mãe, para o outro preso que ele estava devendo. Então,
são institutos que promovem esses absurdos.
Aqueles que a
gente conseguia plotar e identificar, nós avisávamos e impedíamos a entrada da
mulher na cadeia. Mas é esse tipo de absurdo que é tolerado nos presídios e que
deve ser eliminado na sua gênese. O preso não tem que ter visita íntima, o
preso não tem que ter progressão de pena, o preso tem que cumprir a pena em
regime fechado o tempo que for condenado.
Aí vem aquela
outra aberração, aqueles cavalos de Troia ideológicos, a ressocialização.
Porque é dever do Estado ressocializar o preso. Onde está escrito que é dever
do Estado? Em algum lugar nesse mundo?
Qual outro país
que defende que o Estado tem responsabilidade de ressocializar um cara que
agrediu o próprio Estado, que está ferrando a nossa população? Então, temos que
começar a abandonar essas ideias erradas. E esse abandono começou na data de
ontem.
O preso tem que
ter oportunidade, sim, o Estado tem que estender a mão, mas não deve ser
responsabilidade do Estado, não. O preso se reabilita ou continua preso. E a
partir do momento que ele cumprir toda a pena, se ele quiser voltar para a rua
e cometer outro crime, ele vai cumprir um outro lote de pena, do começo ao fim.
É o que é chamado, presidente, cumprimento de pena ponto a ponto. Tem que ser
desse jeito.
Então, nós
reiteramos aqui os nossos parabéns à política pública que é feita aqui no
estado de São Paulo de combate às organizações criminosas, que já apresentaram
resultados que são constatados através de dados e evidências efetivamente
comprovados.
São resultados,
são números que são apresentados aqui de redução da criminalidade e que agora,
com a atuação do secretário Derrite, como deputado federal, na condição de
relator do projeto, do marco legal do combate ao crime organizado, agora o
secretário está levando em âmbito nacional essas experiências que deram certo
aqui em São Paulo. E foi uma guerra. Foi uma guerra porque o governo orientou
contra.
E só para
deixar registrado, o que é ruim para esse governo federal é bom para o Brasil.
Essa é a premissa básica, seja na Economia, seja na Segurança, seja na Saúde. O
que é ruim para o governo federal é bom para o povo.
Temos que
pensar nisso e já começar a trabalhar em 2026 com essa premissa, porque o
Brasil não suporta mais o mandato desse governo que só gasta, desse governo
federal, que é baseado naquilo que dizia a ensacadora de vento lá atrás, não é?
Dizia que gasto era vida. Gasto era vida. E esse governo segue a mesma linha.
São já oito trilhões de dívida.
Para se ter uma
ideia, Sr. Presidente, a cada ano, deputado Conte Lopes, um trilhão do
orçamento é reservado apenas para o serviço da dívida. É juro que a gente paga
da nossa dívida pública.
E eles não
cansam de cometer esses erros, eles não cansam de passar vergonha como foi
agora nessa flop trinta: uma tragédia total que não resolveu nada, que na minha
opinião é só para o governo tentar tomar dinheiro de outros governos. É fundo
daqui, fundo dali, que nunca resolve nada.
O maior
desmatamento da história foi agora, nos governos que dizem proteger. Aí que faz
musiquinha, “salve a Amazônia”. E aí vêm os artistas internacionais e dizem,
“Nossa, nós precisamos salvar os leões e as girafas da Amazônia”, com total
conhecimento de causa.
Então é esse
governo que está aí, e que só faz a gente constatar que o nosso País é muito
resiliente. É muito resiliente. Se nós colocássemos uma nuvem de gafanhotos
para governar o governo federal, faria menos estrago que esse governo que está
aí, esse senhor Luiz Inácio, que quer resolver problema de guerra em mesa de
botequim. Então, assim, tudo é uma tragédia.
Mas se Deus
quiser isso vai passar. Em 2026 as urnas vão mostrar o que a nossa população já
está demonstrando e foi comprovado agora diante desse marco legal da Segurança
Pública, marco legal de combate ao crime organizado.
Então meus
parabéns, governador Tarcísio, pelo que tem feito aqui no governo do estado de
São Paulo, meus parabéns ao deputado federal e secretário de Segurança Pública
Guilherme Derrite, e também meus parabéns ao presidente da Câmara dos
Deputados, Hugo Motta, por ter sido firme, ter resistido à pressão e ter
mantido o relator que com muita coragem aprovou esse marco legal e que favorece
diretamente a segurança da nossa população.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CAPITÃO TELHADA - PP - Obrigado,
deputado Danilo Campetti. Dando continuidade na lista de oradores do Grande
Expediente, convido para fazer uso da palavra a deputada Professora Bebel.
(Pausa.) Deputado Major Mecca. (Pausa.) Deputado Teonilio Barba. (Pausa.)
Deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Deputado Jorge do Carmo. (Pausa.)
Deputada Dani Alonso. (Pausa.) Deputado
Itamar Borges. (Pausa.) Deputado Rômulo Fernandes. (Pausa.) Deputada Beth
Sahão. (Pausa.) Deputado Rafael Saraiva. (Pausa.) Deputado Dirceu Dalben.
(Pausa.) Deputada Carla Morando. (Pausa.) Deputado Vitão do Cachorrão. (Pausa.)
Deputado André Bueno. (Pausa.) Deputado Delegado Olim. (Pausa.)
Deputado Carlos Giannazi. (Pausa.)
Deputada Andréa Werner. (Pausa.) Deputado Paulo Fiorilo. (Pausa.) Deputada Ana
Perugini. (Pausa.) Deputado Caio França. (Pausa.) Deputado Thiago Auricchio.
(Pausa.) Deputado Agente Federal Danilo Balas. (Pausa.) Deputado Sebastião
Santos. (Pausa.)
Deputado Mauro Bragato. (Pausa.)
Deputado Edson Giriboni. (Pausa.) Deputado Donato. (Pausa.) Deputada Márcia
Lia. (Pausa.) Deputada Leci Brandão. (Pausa.) Deputado Luiz Fernando Teixeira.
(Pausa.) Deputado Gil Diniz. (Pausa.) Deputada Fabiana Bolsonaro. (Pausa.)
Deputado Conte Lopes, com a palavra no Grande Expediente.
Deputado
Capitão Telhada, que comanda a nossa sessão, eu cheguei, naquela época nem
revólver tinha, a gente trabalhava sem arma. Depois fui para a Academia do
Barro Branco, fui para a Rota, cheguei na Rota em 74, e apreendia-se,
presidente Telhada, garrucha, 32, vinte e dois.
Quantos
bandidos foram apreendidos com vinte e dois? E bandido aqui em São Paulo, desde
que eu estava na Rota, não tinha nome, não. Nenhum. Não se criava bandido. Aqui
não se criava bandido, não. Aqui em São Paulo, pelo menos, no nosso tempo, não
havia.
Pelo contrário,
quando ele cometia crime, ele era punido. E se matasse policial ou matasse alguém
e enfrentasse a polícia, provavelmente ele morreria também. Tanto é que eu
respondi a mais de, sei lá, 40, 50, cem processos.
O Caco Barcelos
sabe mais do que eu, tanto é que ele escreveu o livro Rota 66 e deu um capítulo
para mim, o deputado matador. Mas para muita gente que eu salvei, eu fui
salvador, não fui matador. Para a Thabata e dezenas que nós ajudamos, não fui
matador, fui salvador.
Mas eu volto a
repetir: lei sem força é uma palavra vã. Eu espero realmente que esse projeto
que se aprovou ontem venha a funcionar, porque não adianta nada a polícia
prender e a Justiça soltar. Não adianta nada. Esse é o grande problema nosso: é
que o preso não fica preso. O preso não fica preso.
Semana passada,
uma menina de 18 anos viu o namorado ser assaltado, o pai ser assaltado. Ela
veio vender um drone aqui no grupo que deram nela, era de Sorocaba, e ela
resolveu tentar salvar o namorado com um “spray”. O bandido deu-lhe um tiro no
rosto.
O bandido foi
preso ontem, o bandido foi preso ontem. Jovem o bandido também, seus 20 anos,
já tinha passagem por assalto, por porte de arma. Eu pergunto: como é que ele
está solto? Se a justiça deixasse o cara preso, essa menina estava morta? A
Bruna estava morta? Não.
Dois meses
atrás, uma dentista chegava em casa, em Suzano. Quando foi guardar o carro, foi
atacada por um bandido. Assustou-se, o bandido deu-lhe um tiro no rosto. Ela
ficou alguns dias no hospital e morreu. Só que, naquele dia, Deus é bom, ele
cruzou com a Rota. E com a Rota, ele enfrentou a Rota e morreu, graças a Deus.
O bandido já
tinha matado um policial, já respondia por latrocínio de outro de crime de
policial, matou um outro policial, já respondia a dois latrocínios e foi preso
duas vezes por latrocínio e por roubo. Como é que ele está na rua, matando a
dentista? Porque puseram na rua. Então, não adianta falar que o cara vai pegar
40 anos de cadeia, se o juiz vai lá e solta. Não adianta.
“Calma, vamos
criar uma lei”. Lei sem a força é uma palavra vã, não vale porcaria nenhuma.
Essa é a grande verdade. Fica essa briga aí de direita, de esquerda, de um
lugar... O que precisa cuidar é do povo. A Segurança Pública tem que ser do
povo.
Eu vim parar
nessa Casa aqui, para quem não sabe, porque Michel Temer, como secretário de
Segurança Pública - e a gente não deixava bandido criar nome -, tirou-me da
Rota, como muitos outros, quando ele foi secretário de Segurança Pública. Por
mim... Disse que eu era impetuoso. Não sei por que impetuoso? Porque eu
combatia o crime, porque eu enfrentava bandido?
Tanto é que eu
nunca fiz política, nunca fiz uma reunião política, e vim parar aqui em 74 e
não saí mais. Saí uma vez, fui ser vereador duas vezes e voltei para cá pela
minha história de pessoas que eu ajudei e que realmente acham que a polícia tem
que agir, como a Rota age. Essa é a grande verdade.
Agora, criar
uma lei e o cara não fica preso... Como é que pode o André do Rap ser solto
pelo Supremo Tribunal Federal? É o maior traficante do mundo, do mundo. O maior
traficante do mundo foi preso. A polícia ficou dez anos para prender o cara.
Ele é preso, num sábado o advogado entra com “habeas corpus” no Supremo - o
desembargador Melo, o ministro Melo, na época - e solta o cara. Era sábado.
“Ah! Mas na
segunda-feira ele ficou sabendo quem era o André do Rap. Não podia ter sido
solto”. O que que ele fez? Baixa uma determinação para nós, polícias:
“prenda-se”.
Vai achar o
André do Rap nesse mundo afora. Helicóptero, avião, barco, lancha, navio, tem
tudo. E, além do mais, o próprio Supremo, depois, liberou as coisas dele, mandou
devolver tudo que tinha sido apreendido.
Então, adianta
alguma coisa? Eu espero que adiante, eu espero que adiante. Mas, enquanto a
polícia prender e a Justiça soltar, não tem jeito, não tem jeito. Essa é a
grande verdade. Então, vamos torcer para que realmente essa lei prevaleça, que
o Derrite foi o relator.
Por que é que
melhorou a Segurança em São Paulo? Uma coisa que eu estou pedindo desde 67, há
mais de 50 anos atrás: que a Segurança seja colocada na mão de policiais. Foi o
que o Tarcísio fez.
O Ovo de
Colombo de Tarcísio foi colocar a polícia sendo comandada por policial, não por
promotor público, que não entende nada de Segurança Pública, não por juiz, não
por general do exército, mas por policiais. É evidente que os policiais
conhecem o trabalho. O cara não fica quatro anos para saber onde é a Rota, onde
é a Delegacia de Entorpecentes, onde é o Deic, onde é o Homicídios. Eles
conhecem. Então o Ovo de Colombo do Tarcísio foi esse.
Tanto é que
acabou com a Cracolândia. De que forma? Pondo a polícia lá. E acabou. Queira ou
não, acabou. Sei que o pessoal do PT, do PSOL aqui vieram criticar o Tarcísio
outro dia. Ele está fazendo um grande governo aqui em São Paulo. Está com mais
de 60% de aprovação, quase setenta. Então eles vêm criticar. Estava vendo até o
deputado Reis cobrar aí o policial que está reclamando de Saúde, mandando o
Tarcísio ir lá.
Primeiro, eu
conheço o Hospital Militar desde que entrei na polícia, em 67. Todo mundo que
foi lá foi atendido. Eu não sei de nenhum policial que... Agora, ir lá fazer um
vídeo na porta qualquer um faz. Minha última unidade foi o Hospital Militar.
Minha última unidade na polícia, quando eu fui castigado, me tiraram do
policiamento e me jogaram no Hospital Militar para não pegar bandido, para não
caçar bandido.
Fui colocado
lá. Então vejam que eu estou falando aqui com conhecimento de causa, eu não
estou fazendo discurso para a esquerda, para a direita. Estou falando a
realidade. Estou falando a realidade.
Hoje bandido
tem a arma que quer, .50... Bandido mata quem ele quiser. O PCC mata quem
quiser. As armas, estão as provas aí, as armas que eles têm. Então eu espero
que, realmente... Não é o projeto em si, mas que se mude o combate ao crime.
Que bandido vá para a cadeia mesmo, porque não adianta nada.
Nós demos até
um exemplo esses dias aqui, na nossa Casa. Eu era deputado aqui, quando o
deputado Marcio Nakashima veio me procurar no meu gabinete. “Capitão Conte,
minha irmã foi almoçar na casa dos meus pais, não chegou na casa dela”. “Com
quem que ela foi?” “Ela foi com o namorado, um ex-cabo da Polícia Militar e
advogado”. Fomos levantar o que havia acontecido, eu com a minha equipe, o
major Luiz Carlos. Fizemos contato, pedimos apoio para o deputado Olim, que na
época estava no Homicídios. O cara fez a maior: “Não, o que é isso? Eu não, não
sei e tal.”
Conclusão: ele
levou a namorada até a represa, para lá de Mairiporã, não lembro a cidade
agora, deu um tiro no rosto dela, junto com o vigilante da firma dele, e jogou
o carro dentro da água. Foi difícil achar a moça e o carro. E o cara foi para a
cadeia, brigando, imprensa. Foi condenado.
Tempos atrás,
saiu o Mizael de terno e gravata do presídio, sendo filmado. Igual vocês estão
vendo aí nesse negócio de “play não sei o que lá”, que está filmando bandido,
história de bandido. Ele saindo da cadeia. E o pior de tudo, ele está
processando o deputado Marcio Nakashima, que falou desta tribuna contra ele,
por injúria e difamação. Quer dizer, o cara matou a irmã do deputado e hoje
denuncia o deputado. Que porra de país é esse em que vagabundo tem essa colher
de chá?
Para mim, se
não aplicar a lei, enquanto a Justiça soltar, nós vamos só assistir. De
concreto, não vamos ter nada. E quem sofre é o povo. Dei até meu exemplo. Para
mim, quer funcionar uma PEC? Une as polícias, Civil e Militar, começa por aí,
que aí já não vai ter briga.
Quando o
cidadão for à delegacia, o delegado vai mandá-lo ligar para o 190. E quando ele
ligar no 190, o 190 vai mandá-lo à delegacia. A partir daí a gente até poderia
ter a polícia, realmente, no estado de São Paulo.
Obrigado, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CAPITÃO TELHADA - PP - Obrigado,
deputado Conte Lopes.
O
SR. DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS - Pela ordem,
Sr. Presidente. Para uma comunicação.
O
SR. PRESIDENTE - CAPITÃO TELHADA - PP - É regimental.
O
SR. DANILO CAMPETTI - REPUBLICANOS - PARA COMUNICAÇÃO - Sr.
Presidente, só para corroborar, parabenizar os oradores, V. Exa., deputado
Conte Lopes, e dizer que o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado trouxe
inovações que, com certeza, vão endurecer muito e vão facilitar o trabalho dos
policiais ante o crime organizado.
Digo, por
exemplo, Sr. Presidente, a questão do perdimento, sequestro e perdimento de
bens, de uma forma cautelar ainda na investigação. Outro avanço importante foi
a “insuscetibilidade” de anistia, graça, induto e alguns crimes que são
imprescritíveis, além do aumento de penas, como eu disse anteriormente, o crime
de domínio social estruturado, que leva penas aos patamares de 40 anos de
prisão.
Então é
realmente uma resposta aos anseios da sociedade, a sociedade que hoje clama por
segurança, a sociedade que hoje clama por ruas mais seguras, e aqui o Governo
do Estado de São Paulo está trabalhando nesse sentido, ao encontro do que
espera a nossa sociedade. E o exemplo que fica é o exemplo da atuação do
relator, o deputado federal Guilherme Derrite, também secretário de Segurança,
que fez um trabalho fantástico lá em Brasília.
Então era isso,
Sr. Presidente, para deixar ressaltado novamente esse trabalho, para nós que
somos da área de Segurança, é um trabalho importante, é um trabalho que traz
uma nova luz, é um trabalho que traz um novo horizonte para a Segurança pública
de São Paulo e do País.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CAPITÃO TELHADA - PP - Muito obrigado,
deputado Danilo Campetti.
Dando continuidade na lista de oradores
do Grande Expediente, convido a fazer o uso da palavra o deputado Carlos Cezar.
(Pausa.) Deputado Atila Jacomussi. (Pausa.) Deputado Bruno Zambelli. (Pausa.)
Deputado Rafa Zimbaldi. (Pausa.) Deputado Jorge Wilson. (Pausa.)
Deputada Maria Lúcia Amary. (Pausa.)
Deputada Marina Helou. (Pausa.) Deputada Solange Freitas. (Pausa.) Deputado
Capitão Telhada, abro mão. (Pausa.) Deputado Eduardo Suplicy, V. Exa. vai fazer
o uso no Grande Expediente, da palavra? Tem o tempo regimental.
Enquanto o deputado se direciona à
tribuna, eu aproveito para cumprimentar todo o curso de Direito da Universidade
Presbiteriana Mackenzie, que acompanha as atividades legislativas nesta tarde,
sob os cuidados do professor Júlio. Sejam muito bem-vindos à Assembleia
Legislativa, a maior Casa Legislativa estadual da América Latina.
Muito obrigado pela presença e solicito
uma salva de palmas aos nossos universitários. (Palmas.)
Muito obrigado.
Com a palavra o deputado Eduardo
Suplicy.
O SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR -
Prezado presidente Capitão Telhada, deputado Capitão Telhada, sei que o
deputado Danilo Campetti está com um compromisso, vai precisar sair, mas eu
justamente hoje resolvi escolher como tema refletir sobre o seu pronunciamento
de ontem a respeito da chamada Cracolândia e o processo de reassentamento das
famílias da favela do Moinho.
Se precisar
sair, pode, mas eu vou aqui comentar, porque muito tem sido dito sobre o fim da
Cracolândia, contudo, com toda a serenidade e com a responsabilidade pública
que este tema exigi, é preciso afirmar que não é verdade que o problema tenha
sido resolvido.
O que temos
visto e recebido diariamente por meio de denúncias é que a população, o usuário
em situação de rua, foi dispersada pela cidade, formando diversas pequenas
cenas de uso em bairros diferentes, sem acesso adequado ao serviço de cuidado,
sem o mínimo de estabilidade territorial, sem políticas contínuas de saúde e
assistência social ao trabalho ou moradia.
As intervenções
que provocaram essa dispersão, segundo inúmeros relatos de organizações de
direitos humanos, profissionais de Saúde e moradores da região, ocorreram com
muita violência. Inclusive com denúncias de violações, repressão a iniciativas
da sociedade civil e interrupção de ações que vinham construindo vínculos com
essa população ao longo de muitos anos.
Se o objetivo
era a reinserção social, precisamos de transparência sobre quantas pessoas
foram efetivamente acolhidas, quantas conseguiram acesso a tratamento
voluntário, quantas tiveram garantia de moradia, trabalho ou renda, porque não
dispomos de dados consistentes que demonstrem que essa política produziu
inclusão social real.
Acompanho esse
território há anos e aqui na Assembleia Legislativa coordeno um grupo de
trabalho interinstitucional com parlamentares da Câmara Municipal e diversos
atores da sociedade para acompanhar de perto a situação da região.
Inclusive,
lançamos um relatório, que disponibilizo aos colegas: a realidade apresentada
ali é muito distinta da narrativa de que o problema acabou, mostra que pessoas
ainda sem atendimento adequado espalhadas pela cidade, com dificuldade de
acesso aos serviços básicos e submetidas quase exclusivamente a ações de caráter
repressivo.
Quanto a Favela
do Moinho, o cenário também é de grande gravidade. Ontem mesmo minha assessoria
esteve presente no ato dos moradores na Faculdade de Direito São Francisco,
onde ecoava o grito “Ainda estamos aqui”. E, de fato, mais de 300 famílias
permanecem na comunidade.
O processo de
saída das famílias tem sido marcado por violência, insegurança e denúncias
seríssimas, relatos de perseguição política às lideranças comunitárias, prisões
sem provas robustas, denúncias de tortura, flagrantes forjados e intimidações.
Muitas famílias
relatam dificuldades e pressões na relação com a CDHU, sem clareza nos
procedimentos e com comunicação insuficiente. Mas há uma situação que precisa
ser dita com absoluta urgência, o governo estadual está promovendo demolições
dentro do Moinho, contrariando o acordo inicial construído no âmbito do
Ministério Público, Defensoria e órgãos do próprio Estado de que as demolições
só ocorreriam depois que todas as famílias fossem reassentadas, justamente para
evitar riscos a integridade física dos moradores.
Hoje, porém,
essas demolições estão comprometendo a estrutura das casas vizinhas, inclusive
com pessoas ainda morando nelas. Recebemos relatos e imagens de paredes
desabando, riscos eminentes de quedas, escombros, ratos e um ambiente
insalubre, um verdadeiro cenário de guerra, onde crianças e famílias seguem
vivendo. Isso não é compatível com a dignidade humana, nem com qualquer
política habitacional séria.
Por fim, é
importante esclarecer que as afirmações que o governo federal não enviou um
centavo não correspondem ao que temos acompanhado oficialmente. A política
acordada para o Moinho é um modelo de compra assistida, e o que foi pactuado é
que o Governo Federal a aporta 180 mil dos 250 mil disponibilizados para cada unidade
habitacional.
A Caixa
Econômica Federal já validou uma lista expressiva de beneficiários e as
condições de contratações foram organizadas de acordo com as regras do programa
“Minha Casa, Minha Vida”, que segue os procedimentos legais necessários para
liberação de recursos federais.
Ou seja, o
governo federal não apenas participa, mas viabiliza a maior parte do subsídio.
É preciso responsabilidade ao informar a população sobre essas etapas para não
gerar desinformação sobre quem está contribuindo, para garantir moradia digna
às famílias do Moinho.
Meus colegas
aqui me conhecem, e reconheço avanços quando existem, mas não posso compactuar
com versões que ocultam violações e inviabilizam a dor das famílias ou apagam a
responsabilidade do Poder Público.
As pessoas que
viviam no Fluxo e as pessoas que vivem no Moinho são cidadãs e cidadãos
brasileiros com direitos garantidos pela Constituição. E esta Casa tem o dever
de assegurar que qualquer intervenção, seja na Saúde, na Assistência, na
política sobre drogas ou na Habitação, seja conduzida na legalidade, com
transparência e respeito absoluto à dignidade humana.
Continuarei
acompanhando de perto esses dois temas, dialogando com todas as esferas de
governo e defendendo que a solução para problemas tão complexos jamais será construída
à força, mas sim com cuidado, direitos e compromisso público verdadeiro.
Eu quero aqui
até... Quem sabe? Eu gostaria até de fazer um convite ao deputado Danilo
Campetti, uma hora dessas irmos até os lugares onde era a Cracolândia. E eu vou
distribuir tanto ao presidente Capitão Telhada quanto ao deputado Conte Lopes
este relatório do Grupo de Trabalho Interinstitucional sobre a região conhecida
como a Cracolândia, que é um resultado de trabalho, dentre outras pessoas, com
a Luna Zarattini, eu próprio e diversos outros parlamentares da Assembleia
Legislativa e, também, da Câmara Municipal de São Paulo.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CAPITÃO TELHADA - PP - Obrigado,
deputado Eduardo Suplicy. Dando continuidade na lista, convido a deputada
Thainara Faria. (Pausa.) Deputado Marcos Damasio. (Pausa.) Deputado Paulo
Mansur. (Pausa.) Deputada Letícia Aguiar. (Pausa.) Deputado Marcelo Aguiar.
(Pausa.)
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Havendo concordância
dentre os líderes, peço que seja levantada a sessão.
O
SR. PRESIDENTE - CAPITÃO TELHADA - PP - Perfeito,
deputado Eduardo Suplicy, é regimental. Antes, porém, eu trago ao conhecimento
de quem nos acompanha que estamos em oração e atentos em relação ao estado de
saúde de dois policiais militares do 39º BPM/I São Vicente, que nessa madrugada
sofreram um grave acidente na Rodovia dos Imigrantes.
Chegou para mim aqui a informação do
sargento Borges, que se encontra internado, entubado, aguardando avaliação de
neurologista, e do soldado Joelson, que passou por cirurgia, porém sofreu uma
parada cardiorrespiratória e também se encontra entubado.
Então policiais lá da Baixada Santista
que passaram por acidente enquanto auxiliavam um motorista de caminhão a trocar
o pneu do caminhão. É a vida dos nossos policiais militares, ajudando o cidadão
de bem acabaram sofrendo um atropelamento por um outro caminhão e se encontram
em um estado gravíssimo e estamos em oração para que, de maneira rápida,
estejam reestabelecidos em relação à sua saúde e no seio de suas famílias.
Sendo assim, Sras. Deputadas e Srs.
Deputados, havendo acordo de lideranças, esta Presidência, antes de dar por
levantados os trabalhos, convoca V. Exas. para a sessão ordinária de
segunda-feira, à hora regimental, sem Ordem do Dia.
Está levantada a sessão.
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- Levanta-se a
sessão às 15 horas e 58 minutos.
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