
23 DE MARÇO DE 2026
30ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: CARLOS GIANNAZI, REIS e MAJOR MECCA
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h12min.
2 - MAJOR MECCA
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - REIS
Assume a Presidência.
4 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
5 - MAJOR MECCA
Assume a Presidência.
6 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
7 - PRESIDENTE MAJOR MECCA
Endossa o pronunciamento do deputado Reis.
8 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
9 - CARLOS GIANNAZI
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
10 - PRESIDENTE MAJOR MECCA
Defere o pedido. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 24/03, à hora regimental, com Ordem do Dia, para a qual faz aditamento. Levanta a sessão às 14h58min.
*
* *
ÍNTEGRA
*
* *
- Assume a Presidência e abre a sessão
o Sr. Carlos Giannazi.
* * *
-
Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
* * *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Presente o
número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus,
iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da
sessão anterior e recebe o Expediente.
Dando início à lista de oradores
inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o deputado Dr. Jorge do Carmo.
(Pausa.) Deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Deputado Reis. (Pausa.)
Deputado Paulo Fiorilo. (Pausa.) Deputado Delegado Olim. (Pausa.) Deputado
Fábio Faria de Sá. (Pausa.) Deputada Leci Brandão. (Pausa.)
Deputado Major Mecca, que fará uso
regimental da tribuna.
O
SR. MAJOR MECCA - PL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde, presidente, deputado Carlos Giannazi, a
todos os parlamentares que se encontram nesta Casa, os nossos irmãos policiais
militares, nossos irmãos de farda, todos os funcionários que nos dão suporte, a
todos vocês que nos acompanham pela TV Alesp.
Eu gostaria de
retratar aqui nesta tribuna uma conversa, um diálogo que eu tive a semana
passada com um casal de idosos no bairro da Mooca. É muito triste nós ouvirmos
de um casal de idosos que tinha o hábito de, duas vezes por semana, no período
da manhã, ir até o supermercado para comprar algumas coisinhas e voltar.
Eles me falaram
que era até um momento de distração, em que eles caminhavam, faziam suas
caminhadas, iam até o supermercado, passeavam um pouco, compravam uma ou outra
coisa e voltavam para a sua casa.
Aí o senhor,
chorando, falou para mim: “Major, eu não posso mais fazer isso com a minha
esposa, sabe por quê? Porque eu e a minha esposa viramos alvo de bandidos.
Hoje eu sou um
homem de idade, acompanho minha esposa, mas toda vez que um marginal nos vê nas
ruas toma tudo o que eu tenho, seja no bolso, não ando mais com relógio, nós
não andamos mais com aliança, porque nós perdemos tudo. Perdemos tudo. É muito
triste eu não poder sair de dentro da minha casa para ir até o supermercado,
porque eu sou o alvo de criminosos. É humilhante passar por isso”.
E isso acaba
sendo humilhante até para nós, policiais, porque nós, policiais, que
trabalhamos porque somos vocacionados, trabalhamos porque temos o sangue de
policial nas veias, porque nos orgulhamos de servir a população, nós também nos
sentimos muito mal com isso, inúmeras vezes.
Já falei aqui
desta tribuna dos policiais que trabalham, prendem o ladrão hoje, seja um
roubo, seja um furto, seja uma invasão a domicílio, e no outro dia esse bandido
está na rua, por conta da audiência de custódia.
Seja condenado
pela Justiça, depois de seis, oito meses, já está beneficiado, está no regime
aberto, está de benefício, está nas ruas roubando, matando, estuprando, fazendo
de tudo quanto é absurdo. E cabe a nós, policiais, cuidarmos dessa cidade,
cuidarmos dos cidadãos de bem. Cabe a nós. E nós nos dedicamos a proteger o
povo do estado de São Paulo.
Eu quero
mostrar para vocês aqui, mostrar aqui na tela, por favor, em 2025, quais foram
os números da Polícia Militar. Em 2025, sabem quantos atendimentos na chamada
de emergência, 190 e 193, tiveram ao longo do ano de 2025? Mais de 20 milhões
de chamados, mais especificamente 20,8 milhões de chamados no 190.
Vocês sabem o
que é isso? Mais de 20,8 milhões de chamados. Ano passado, foram mais de 6,3
milhões de ocorrências cadastradas. Sabem o que são as ocorrências cadastradas?
São as ocorrências atendidas pelo 190, e uma viatura é mandada ao local. Mais
de 6,3 milhões de ocorrências. Foram mais de 3,3 milhões de orientações ao
público.
* * *
- Assume a Presidência o Sr. Reis.
* * *
Então está
aqui, na Cabine Lilás. A Cabine Lilás, que trabalha para proteger a integridade
física e a vida das mulheres. Foram mais de 14 mil atendimentos realizados. Foram
mais de 11.759 acionamentos do botão de pânico. Aí vocês falam para mim: “Esses
policiais não estão trabalhando”.
Isso aí, sabe o
que significa? Mais de 57 mil atendimentos de emergência por dia. Mais de 57
mil atendimentos de emergência por dia. Mais de 17 mil viaturas empenhadas mandadas
para o atendimento, por dia. Mais de 17 mil viaturas por dia. Aí vocês falam
para mim.
Semana passada
eu mostrei aqui o policial salvando vida de bebê. Sabe quantas ocorrências
daquela nós tivemos no ano passado, de desengasgamentos? Sabe quantas? Foram
mais de 502 ocorrências daquela natureza que, quando a gente assiste, nos dá
orgulho da atividade que a gente desenvolve. Foram mais de 502 vidas de bebês
salvas, nas mãos dos policiais militares.
E é em nome
deles, é em nome desse trabalho, é em nome de todo esse esforço que nós estamos
trabalhando para que o projeto que o governo protocolou na última sexta-feira,
nesta Casa, de reajuste salarial de 10% a esses homens, seja alterado, seja
mudado, e vá para pelo menos 14,3%, pelo menos. Para que o aumento real seja de
dez por cento.
Eu já fiz a
explanação aqui da inflação acumulada dos últimos dois anos. Dá por volta de
9,3, 9,4 por cento. Retiramos os 5% de recomposição, que não foi nem
recomposição do ano passado, vão faltar 4,3. Então pelo menos 14,3% é o justo.
Não é o que esses homens e mulheres merecem. Não é. Eles merecem muito mais.
Porque, como eu
falei a todos vocês: nas contas do governo, esses 10% colocarão a polícia no
patamar de 9ª polícia mais bem paga do Brasil. Só que as contas que eles fazem
é a mesma conta que a SPPrev fez para estabelecer impacto orçamentário do
Projeto de lei Complementar nº 135.
É uma conta que
não existe e não faz sentido, não é lógica. É única e exclusivamente a prática
de se mentir com números, e isso não é justo com os policiais do estado de São
Paulo. Não é justo.
Já
não basta o que nós estamos atravessando com os policiais que foram
injustiçados na reforma previdenciária em 2021, onde policiais que faltavam
quatro dias para aposentar passaram a ter seis, sete anos para puxar.
Extremamente injustiçados. E vou mais adiante.
Nós
falamos tanto de respeito e dignidade às mulheres. As mulheres policiais
militares foram as mais injustiçadas e mais afetadas com essas alterações que
foram feitas na última reforma previdenciária. Elas foram mais afetadas e
prejudicadas ainda que os policiais militares masculinos. E nós estamos
trabalhando desde o primeiro dia deste mandato para construir legislações que
reconstruam a nossa dignidade.
Para encerrar
essa minha fala, nós temos a informação do governo que amanhã será anunciada a
data do pagamento do bônus por produtividade. Estamos aguardando, assim como
será anunciado o dia em que serão entregues as primeiras cartas de crédito.
O Programa
Moradia Segura, que é a Lei nº 18.025, de nossa autoria, com coautoria de
vários deputados desta Casa, que assinaram comigo o Projeto de lei nº 1.637,
que hoje é a Lei nº 18.025, que nós aguardamos para poder retirar policiais
militares, policiais civis, policiais técnico-científicos e policiais penais de
áreas de risco controladas pelo crime organizado.
Estamos
aguardando.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Chamo para fazer uso
da palavra o deputado Carlos Giannazi.
O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Reis, Sras.
Deputadas, Srs. Deputados, telespectador da TV Assembleia, ontem eu estive
acompanhando um verdadeiro ataque, um verdadeiro crime contra a cultura da
cidade de São Paulo contra o teatro, Sr. Presidente.
A Prefeitura de
São Paulo, a gestão Ricardo Nunes, demoliu mais um teatro popular, um teatro do
povo da nossa cidade. Já tinha feito isso com um teatro aqui perto mesmo da
Assembleia Legislativa, Sr. Presidente, o Teatro Vento Forte, que foi demolido
pela Prefeitura de São Paulo, um teatro importante, histórico na cidade de São
Paulo, que era referência em todo o Brasil.
E agora, na
data de ontem, o governo municipal destruiu mais um teatro da nossa cidade, que
já existia praticamente há dez anos na região central da cidade, ali perto da
Estação da Luz. Eu me refiro aqui ao Teatro de Contêiner, do grupo da Companhia
de Teatro Munguzá, Sr. Presidente, que é uma experiência de teatro reconhecida,
um teatro que já foi premiado nacionalmente e internacionalmente, que tem o
apoio de grandes artistas como a Fernanda Montenegro, Marieta Severo e tantos
outros.
Nesse espaço já
se apresentaram o cantor Chico César, Zeca Baleiro e tantos outros. É uma
companhia de teatro que abre espaço para várias linguagens, vários movimentos,
vários coletivos, integrando o teatro à realidade local, inclusive acolhendo as
pessoas excluídas, Sr. Presidente, e fazendo também um trabalho com escolas
públicas, escolas municipais e estaduais.
No entanto,
nada disso importou para uma decisão extremamente autoritária e criminosa, Sr.
Presidente. Olhe só o que aconteceu com o teatro, o teatro foi destruído. É um
teatro que abrigava, inclusive, crianças da região.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Major Mecca.
* * *
Tinha até um
parquinho lá, que foi... Olhe a situação. Isso foi ontem. Eu estive lá com o
vereador Celso Giannazi acompanhando a demolição. Agora, além da demolição, Sr.
Presidente, houve também algo mais cruel e perverso, porque havia um acordo
para que os equipamentos do Teatro de Contêiner fossem levados para uma nova
sede, que seria cedida pela prefeitura lá na Rua Helvétia. O governo municipal
não abriu negociação com o grupo, já ficou omisso durante três meses.
O vereador
Celso Giannazi tentou ainda uma negociação no final do ano passado com a Casa
Civil, mas não teve êxito, porque o governo municipal estava intransigente, Sr.
Presidente, não queria negociar. Estava intransigente. Estava intransigente e
não queria negociar.
E ontem o
equipamento foi retirado e levado lá para a Avenida do Estado, sendo que o
governo estava, a prefeitura estava alegando que não teria condições
financeiras de retirar o equipamento e levar para a possível nova sede, o novo
terreno que tinha sido acordado com o Grupo Mungunzá.
No entanto,
ontem, uma empresa privada a mando, a serviço da prefeitura, foi lá, retirou
todo o equipamento e levou para a Avenida do Estado, para um antigo pátio do
Detran, quando, na verdade, esse material todo, todo o equipamento, poderia ter
sido encaminhado exatamente para a Rua Helvétia, Sr. Presidente, e aí as coisas
se resolveriam.
Mas não, o
governo realmente não quer o Teatro de Contêineres na região central da cidade,
onde ele tem planos de favorecer a grande especulação imobiliária, os grandes
grupos imobiliários, as grandes empreiteiras. E esse grupo de teatro não
interessa à gestão Ricardo Nunes.
É por isso que
o governo está intransigente, não negocia, não recebe o grupo, não negocia nem
com os parlamentares que tentaram, Sr. Presidente, uma ação. Mas é deplorável a
situação. Olha só a situação de um teatro que atendia há dez anos toda a
população aqui da nossa cidade, um teatro que é referência nacional e
internacional, inclusive na sua arquitetura, seu modelo, que é construído com
containers.
Então, Sr.
Presidente, nós estamos agora acionando novamente o Ministério Público estadual,
porque essa questão está judicializada, inclusive no STJ, e o governo não
respeitou o processo de judicialização, e de forma autoritária retirou todo o
equipamento. Inclusive, nós queremos saber se houve danificação a esses
equipamentos, que não são da prefeitura, Sr. Presidente: são do próprio Grupo
Mungunzá.
O prefeito está
cometendo aí uma improbidade administrativa, porque ele está levando o material
para um lugar distante, que não é o lugar acordado com a própria prefeitura.
Existe um termo de cooperação, que foi assinado pela prefeitura, de que o
teatro seria reconstruído nesse outro endereço, nas proximidades da Rua Gusmão,
na Rua Helvétia.
O correto,
seria o mais lógico, seria o governo levar os equipamentos todos, que são
pesados, são contêineres; é preciso toda uma logística que o grupo não teria
condições de fazer. A prefeitura, que está desapropriando, deveria levar os
equipamentos para o novo terreno, mas nem isso. Isso prova que o governo
municipal demoliu o terreno e o governo municipal, a gestão Ricardo Nunes,
declarou guerra à cultura da cidade de São Paulo e, sobretudo, ao teatro.
Então, o
Ministério Público vai ter que se pronunciar, Sr. Presidente, porque isso é
muito grave e nós não vamos permitir.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Obrigado,
deputado Carlos Giannazi. Seguindo a lista de oradores do Pequeno Expediente,
deputado Gil Diniz Bolsonaro. (Pausa.) Deputada Prof.ª Camila Godoi. (Pausa.) Deputado
Danilo Campetti. (Pausa.) Deputado Dr. Elton. (Pausa.)
Entrando na Lista Suplementar, deputado
Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Deputado Delegado Olim. (Pausa.) Deputada
Marina Helou. (Pausa.) Deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Deputado Eduardo
Suplicy. (Pausa.) Deputado Thiago Auricchio. (Pausa.)
Deputado Reis, tem V. Exa. o tempo
regimental para uso da tribuna.
O
SR. REIS - PT
- Sr. Presidente, deputado Major Mecca, público presente, funcionários desta
Casa, integrantes da Polícia Civil, da Polícia Penal, da Polícia Técnico-Científica,
da Polícia Militar e também todos aqueles e aquelas que estão nos acompanhando
em suas residências e em seus afazeres, pela Rede Alesp, nós temos os projetos que
o governador mandou para essa Casa, regime de urgência, projetos que trazem
apreensão nas carreiras policiais e também que trazem luta para a Polícia
Penal, porque a Polícia Penal não foi incluída nesse processo de reajuste dos dez
por cento.
Nós
estamos fazendo emendas nesse sentido, para corrigir essa injustiça que não foi
devidamente atentada pelo governo. Hoje, eu recebi vários representantes em meu
gabinete dos sindicatos e associações da Polícia Civil, representantes da
Cobrapol, do Sipol, do Sipesp, para tratar de questões relacionadas ao
aperfeiçoamento desses projetos.
Mesmo
o projeto de promoção que o governador protocolou nesta Casa para a Polícia
Civil, nós temos várias questões em aberto, várias questões que serão
regulamentadas pelo delegado-geral, por portarias, e muitas pessoas ficam
pensando que essa promoção será de imediato - aprovou o projeto e no outro dia
já estarão promovidos - e não é bem assim.
Provavelmente,
isso vai acontecer para o ano que vem. Até porque, quando vamos para o
quantitativo, lá na justificativa, não houve previsão para esse ano
orçamentária a respeito dessas promoções.
Então,
provavelmente, se promover no final do ano é aquele modelo que eu sempre digo,
o “Sílvia Design”, o próximo pagamento com reajuste só para janeiro. Por conta
da lei eleitoral, os 10% terão que ser a partir de primeiro de abril.
Mas,
em tese, deveria ser a partir de primeiro de março, que é a data-base dos
servidores públicos. Deveria retroagir, nós estamos fazendo emendas nesse
sentido, para retroagir a primeiro de março.
Nessa
questão das promoções, o projeto da Polícia Civil achei até interessante,
porque, se tudo correr bem, todos os policiais civis alcançarão a classe
especial, seguindo aqui o critério de seis em seis anos de interstício. Só que
tem os critérios subjetivos também.
O
projeto traz critérios que, muitas vezes, se o chefe não gostar do subordinado,
poderá esse subordinado não ser promovido, porque ficará a critério do superior
a avaliação do subordinado.
Mas
há um avanço no primeiro momento, mas aqueles policiais que já estão há muitos
anos esperando a promoção, que estão aí na segunda classe, às vezes mais de dez
anos na segunda classe, é uma grande interrogação para eles.
Eu
vou receber a promoção para a primeira classe, depois vou ter que esperar mais
seis anos para chegar na classe especial. Porque as regras de transição não
ficaram claras nesse quesito.
Nós
estamos fazendo emendas também para melhorar esse texto, aperfeiçoar esse
texto, para que seja computado esse tempo que o servidor da Polícia Civil, o
investigador, o delegado, o escrivão, o papiloscopista, o agente policial, o
perito, o médico-legista, o auxiliar de necropsia, o fotógrafo policial. Então,
que todo esse tempo seja considerado também para promoção. Porque muitos que
estão aguardando essa promoção há muitos anos serão prejudicados.
Serão
prejudicados. E, no projeto da Polícia Militar, nós também vamos fazer algumas
correções, porque o projeto traz que todos os oficiais, todos aqueles que
frequentarem a Academia do Barro Branco, chegarão a coronel. Mas os praças, nem
todos chegarão a subtenente e a segundo-tenente. Então, a Polícia Civil traz um
projeto que todos chegarão à classe especial.
A Polícia
Militar traz um projeto que todos os oficiais da academia chegarão a coronel,
porque mesmo ele sendo tenente-coronel, quando ele vai se aposentar tem o posto
imediato, ele vai a coronel, mas não tem o mesmo tratamento para os cabos, os
soldados, os sargentos.
Em tese, seria
interessante que nós tivéssemos uma carreira para os policiais militares, que
eles, a cada... No caso da Polícia Civil, foi a cada seis anos, mas que eles, a
cada cinco ou seis anos, pudessem ascender de cargo. Entrasse lá soldado,
depois cabo, aí sargento, terceiro-sargento, segundo-sargento, primeiro-sargento,
subtenente.
E aí,
obviamente, o subtenente, se vai se aposentar, vai se aposentar pelo posto
imediato, na condição de segundo-tenente. Mas hoje, do jeito que está o
projeto, para o cabo passar para sargento tem que fazer o concurso. Então, não
está dando o mesmo tratamento que traz o projeto da Polícia Civil e que traz o
projeto para os oficiais da Polícia Militar.
Então, seria
importante, deputado Major Mecca, que nós pudéssemos fazer essa correção, que
os praças também tivessem o seu plano de carreira, assim como vem esse plano
dizendo que os investigadores, os escrivães, os delegados, os policiais civis
vão chegar à última classe, os oficiais vão chegar, coronel, mas os soldados,
os cabos, nem todos, por esse projeto que está aí, chegarão a subtenente e a
segundo-tenente.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - Muito
obrigado, deputado Reis. É a nossa batalha e nós não desistiremos enquanto não
vencermos. Dando sequência à lista de oradores, deputado Major Mecca. (Pausa.)
Já fiz uso da tribuna.
Deputado Carlos Giannazi. Tem V. Exa. o
tempo regimental.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - SEM
REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Major Mecca, telespectador da TV
Assembleia. Sr. Presidente, de volta à tribuna de hoje, quero aqui discordar
veementemente dessa Nota Técnica nº 3, de 2026, da Undime, que é a União
Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação.
Sr. Presidente,
é um absurdo que essa entidade, que diz representar aqui os dirigentes
municipais de Educação, os secretários municipais de Educação do Brasil, dê uma
orientação como essa, em relação à aprovação da Lei nº 15.326, da deputada
federal Luciene Cavalcanti.
Uma lei
importante, fruto de uma ampla mobilização, Sr. Presidente, em todo o
território nacional, que regulamenta a LDB, a lei federal, que estabelece as
leis... Que é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que organiza,
do ponto de vista legal, toda a Educação nacional, da educação infantil ao
ensino superior.
Então, eu me
refiro aqui à Lei Federal nº 9.394, de 1996, que, na verdade, regulamenta o
capítulo da Educação da Constituição Federal, que vai do Art. 201, se não me
engano, até o 214, Sr. Presidente, 205, do Art. 205 até o 214. Então, é uma lei...
A LDB regulamenta a Constituição Federal no seu capítulo da Educação.
E a lei da
deputada federal Luciene Cavalcanti, ela é embasada, é fundamentada na LDB, Sr.
Presidente, nos princípios da Constituição Federal, reconhecendo a função
docente de todas as pessoas que estão trabalhando, e todas as educadoras que
trabalham com crianças em creches. Mostrando claramente o óbvio, que essas
educadoras...
E não importa a
designação dos cargos que elas tenham, não importa se é pajem, se é auxiliar de
educação infantil, se é cuidadora, se é monitora, se é técnico de educação
infantil, isso não importa. O importante é a função real que essa pessoa tem
com a criança matriculada em uma creche, que é o que está na legislação, Sr.
Presidente, que é o entendimento do princípio pedagógico de educar, cuidar e
brincar.
Não há
separação entre essas três atividades. É isso que a legislação coloca, que
reconhece a função docente de todas essas profissionais. A lei é muito clara,
Sr. Presidente, ela está regulamentando o espírito da Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional.
Agora, a Undime,
ela leva os prefeitos e prefeitas do Brasil a um entendimento errático, Sr.
Presidente, quando ela solta essa nota técnica, que é eivada de contradições,
sobretudo utilizando resoluções do Conselho Nacional de Educação, que estão
agora, Sr. Presidente, abaixo da Lei nº 15.326.
Então, o que
vale é a lei, a lei da deputada federal Luciene Cavalcante, que enquadra, que
garante o enquadramento na carreira do Magistério de todas as educadoras de
educação infantil, reconhecendo a função docente, reconhecendo que não há
separação entre brincar, cuidar e educar.
É simples
assim. Mas a Undime não está entendendo dessa maneira, não está interpretando
corretamente a lei e o espírito e a intenção da lei, que é o reconhecimento,
que é o enquadramento de todas essas profissionais na carreira do Magistério.
Então, eu
queria fazer esse esclarecimento, Sr. Presidente, e dizer que, sim, todas essas
educadoras, não importa se ela é monitora, não importa se ela é cuidadora, se
ela é pajem, se ela é auxiliar, não importa o nome, a nomenclatura, o
importante é a função docente que ela está exercendo.
E não adianta aqui
a Undime querer burocratizar, usando resoluções, usando uma tabelinha aqui,
fazendo um malabarismo lógico para induzir os prefeitos e prefeitas ao erro, Sr.
Presidente, falando de planejamento, avaliação, documentação, articulação,
responsabilidade, fazendo um esforço, um malabarismo para não enquadrar essas
educadoras de educação infantil na carreira do Magistério. Mas é lei, é lei
federal, e ela tem que ser cumprida, Sr. Presidente.
Nós vamos
fiscalizar todos os municípios do estado de São Paulo e do Brasil. E aqueles
municípios que não fizerem o enquadramento das educadoras de educação infantil,
repito, não importando a designação do cargo, porque elas têm, sim, função
docente, foram aprovadas em um concurso público, elas têm formação agora.
Não é porque
não tinham na época que elas fizeram o concurso, se não havia exigência, Sr.
Presidente, de Magistério, de pedagogia, mas a partir do momento, e a lei é
muito clara, a partir do momento em que elas têm a formação, não lá na hora do
concurso, quando elas fizeram o concurso, mas agora.
Então, função
docente, concurso público e formação são os três requisitos básicos, Sr.
Presidente, para que haja o enquadramento de todas elas, de todas essas
educadoras de educação infantil na carreira do Magistério.
Então, nós
estamos atentos, vamos fiscalizar com lupa, município por município, e os municípios
que não enquadrarem as educadoras de educação infantil, nós vamos pedir para o
Tribunal de Contas enquadrá-los, e o Ministério Público também, porque haverá
aí, no caso do não enquadramento, descumprimento da legislação.
Sr. Presidente,
quero ainda, para concluir a minha participação hoje, aqui na Assembleia
Legislativa - estou inscrito novamente -, dizer, Sr. Presidente, que a Alesp
está discutindo aqui o PL 128, de 2026, que trata de um empréstimo bilionário
para o governador Tarcísio de Freitas.
E, entre alguns
dos orçamentos previstos aqui para o estado de São Paulo, nesse empréstimo está
a construção, um empréstimo para financiar a construção do centro
administrativo do governo estadual, lá no centro da cidade, na região de Campos
Elíseos. Sr. Presidente, nós já debatemos isso aqui exaustivamente. E,
primeiro, que isso é uma farsa, na verdade.
Nós sabemos que
as grandes empreiteiras, as grandes construtoras, querem invadir a região
central da cidade. Querem ganhar muito dinheiro naquela região, estão com algumas
dificuldades, aí o governador vai dar uma mãozinha. Aí ele inventou de levar o centro
administrativo para o centro da cidade. Só que uma boa parte das secretarias e
instituições do estado de São Paulo já está no centro da cidade, Sr.
Presidente.
Vamos
lá: a Secretaria da Educação está na Praça da República; o Tribunal de Justiça
está na Praça João Mendes; a CDHU, a Secretaria da Habitação, lá na Rua Boa
Vista. Sr. Presidente, uma boa... Eu tenho aqui a relação...
A
Defensoria Pública também, lá na Boa Vista; Desenvolvimento Social, também
naquela região; Segurança Pública, no Largo São Francisco; a Secretaria da
Fazenda, ali; o Tribunal de Contas, Sr. Presidente; o Ministério Público, na
Rua Riachuelo.
Uma
boa parte dos equipamentos públicos da Administração estadual e da Prefeitura
de São Paulo também já estão no centro da cidade, mas o governo inventou essa
história para justificar uma mãozinha que o governo pretende dar para essas
grandes empreiteiras.
O
fato, Sr. Presidente, é que haverá um grande prejuízo para toda a população.
Primeiro, porque ele vai esvaziar esses prédios que eu citei - esses prédios
vão virar prédios fantasmas e são prédios públicos - e ele vai desapropriar
várias famílias que moram na região de Campos Elíseos há muitos anos.
Inclusive,
eu já realizei uma audiência pública aqui denunciando isso. Acionamos o
Ministério Público e o Tribunal de Contas contra essa proposta, que agora vem
através do Projeto 128, que nós vamos votar contra aqui - estamos obstruindo
esse projeto, Sr. Presidente.
Mas
eu queria, só para concluir a minha fala, dizer que nós estamos atuando e
cobrando providências. Eu realizei, alguns meses atrás, uma audiência pública
aqui na Assembleia Legislativa. Eu queria só mostrar um vídeo aqui, mostrando
os depoimentos, alguns dos depoimentos feitos e os prejuízos que a população
vai ter - a população que mora naquela região -, tudo isso para beneficiar a
especulação imobiliária e os grandes negócios das construtoras e das
empreiteiras.
Sr.
Presidente, eu vou colocar então esse vídeo.
* * *
-
É exibido o vídeo.
* * *
Então,
Sr. Presidente, pode tirar o vídeo. São dois depoimentos importantes, um da
grande arquiteta, urbanista, professora da Universidade de São Paulo, da
Faculdade de Arquitetura, uma das pessoas mais preparadas e especializadas
nessa área, que é a professora doutora Raquel Rolnik, que participou da nossa
audiência pública e fez essa denúncia, esse depoimento importante. E depois de
uma moradora, que mora já há anos na região, num daqueles prédios, e ela vai
ser desapropriada, ela vai ser chutada daquela região.
Então, Sr. Presidente,
nesse sentido, nós apelamos aqui, primeiro, para que a Assembleia Legislativa
não vote no Projeto nº 126, que é o projeto que trata da questão do empréstimo,
para financiar, para dar uma mãozinha para essas empreiteiras ganharem mais
dinheiro, ainda com a especulação imobiliária.
E nós vamos
continuar pressionando o governo a não desapropriar nenhuma família, nenhum
comerciante daquela região.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. CARLOS GIANNAZI – PSOL - Havendo acordo
entre as lideranças e não havendo mais nenhum deputado para fazer uso da
tribuna, ou deputada, eu solicito o levantamento desta sessão.
O
SR. PRESIDENTE - MAJOR MECCA - PL - É regimental o
pedido de Vossa Excelência. Esta Presidência, cumprindo determinação
constitucional, adita a Ordem do Dia, com os projetos de lei nº 425/2025 e 1035/2025,
vetados.
Havendo acordo de lideranças, antes de
dar por levantados os trabalhos, convoco V. Exas. para a sessão ordinária de
amanhã, à hora regimental, com a mesma Ordem do Dia da última quarta-feira, e
os aditamentos posteriores.
Está levantada a sessão.
*
* *
- Levanta-se
a sessão às 14 horas e 58 minutos.
*
* *