
20 DE MAIO DE 2026
64ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: CARLOS GIANNAZI, EDUARDO SUPLICY e REIS
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h01min.
2 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência.
4 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
5 - REIS
Assume a Presidência.
6 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
7 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
8 - LUIZ CLAUDIO MARCOLINO
Por inscrição, faz pronunciamento.
9 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência.
10 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Parabeniza o deputado Luiz Claudio Marcolino por seu pronunciamento.
11 - LUIZ CLAUDIO MARCOLINO
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
12 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Defere o pedido. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 21/05, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 14h38min.
* * *
ÍNTEGRA
* * *
- Assume a
Presidência e abre a sessão o Sr. Carlos Giannazi.
*
* *
- Passa-se ao
PEQUENO
EXPEDIENTE
*
* *
O SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Presente o número regimental de Sras.
Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos
trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da sessão anterior e
recebe o Expediente.
Dando início à lista de oradores
inscritos, com a palavra o deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Bruno Zambelli. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Dr. Jorge do Carmo. (Pausa.) Com a palavra o deputado
Delegado Olim. (Pausa.)
Com a palavra a
deputada Paula da Bancada Feminista. (Pausa.) Com a palavra o deputado Paulo
Fiorilo. (Pausa.) Com a palavra o deputado Donato. (Pausa.) Com a palavra a
deputada Valeria Bolsonaro. (Pausa.) Com a palavra o deputado Jorge Wilson
Xerife do Consumidor. (Pausa.) Com a palavra a deputada Beth Sahão. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Fábio Faria de Sá. (Pausa.)
Com a palavra o
deputado Marcelo Aguiar. (Pausa.) Com a palavra a deputada Marina Helou.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Thiago Auricchio. (Pausa.) Com a palavra a
deputada Thainara Faria. (Pausa.) Com a palavra o deputado Reis. (Pausa.) Com a
palavra a deputada Leci Brandão. (Pausa.)
Deputado Reis
fará uso regimental da tribuna.
O
SR. REIS - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Fiquei ali escondido, só para... Cumprimentar o
deputado Carlos Giannazi, o deputado Suplicy, o público presente, os
funcionários desta Casa, os integrantes da Polícia
Civil, da Polícia Militar, da Polícia Penal, da Polícia Técnico-Científica,
também cumprimentar todos aqueles e aquelas que estão nos acompanhando pela Rede
Alesp.
Eu, logo de
manhã, estava assistindo à GloboNews sobre esse filme do “Cavalo Azarão”, está
arrastando meio mundo para o buraco. Até a Prefeitura de São Paulo agora
apareceu envolvida nesse processo desse “Cavalo Azarão”, porque o cavalo é
azarão. Se ele é azarão, ele está azarando muita gente. É um escândalo que tem
até emendas de deputados estaduais envolvidos com essa empresa, com essa ONG
que está responsável por esse filme, emendas de deputados federais e dinheiro
público mesmo, muito dinheiro público, que a gente não sabe como e de que
forma.
Eu acredito que
a Câmara Municipal, com essas notícias, tem que instaurar lá uma CPI, uma
Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar. Conforme está aqui no “G1”, “ONG
da produtora de filme de Bolsonaro...”, que é o “Cavalo Azarão”, o “Dark
Horse”, o cavalo azarão, “apresentou 16,5 milhões em notas irregulares em
contrato de Wi-Fi com a Prefeitura de São Paulo”.
“Prestação de
contas analisadas pelo ‘G1’ entregue à gestão Ricardo Nunes...” - esse moço até
estava indo bem, mas de um tempo para cá ele só aparece em escândalos - “inclui
documentos inválidos, notas canceladas”.
Na realidade, a
sua gestão, né? Talvez ele não tenha relação nenhuma com isso, mas a gestão tem
pessoas que acabam fazendo coisas erradas. “Notas canceladas e até recibos
emitidos pela própria entidade. Karina Gama diz desconhecer cancelamento, e
prefeitura afirma que contrato é fiscalizado”.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
Foi instaurado
aqui, pela Polícia Civil de São Paulo, um inquérito policial para apurar esse
contrato de 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de
pontos de Wi-Fi gratuitos na periferia.
Houve um
chamamento público, e, ao que parece, pelo que está na matéria, só apareceu
essa ONG, esse Instituto Conhecer Brasil, cujo objetivo era instalar cinco
pontos de internet na periferia da Capital. A proprietária da ONG, Karina
Ferreira da Gama, também comanda a produtora Go Up Entertainement, responsável
pelo filme “Dark Horse”. Esse filme “Dark Horse” é o grande falatório da mídia
televisiva e escrita.
Então a Polícia
Civil instaurou um inquérito para apurar notas frias na prestação de serviço
dessa ONG, que tem um contrato de 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo e
que também é responsável pelo filme do “Cavalo Azarão”. Isso é um escândalo,
deputado Giannazi, que envolve a Prefeitura de São Paulo. Envolve alguns
mandatários, mas falar de 108 milhões não é pouca coisa.
Então, ao que
me parece, eu espero ver, porque tem alguns vereadores que representaram no
Ministério Público, inclusive um vereador nosso fez representação no Ministério
Público do Estado de São Paulo.
Mas a gente
espera que seja instaurada uma CPI, uma Comissão Parlamentar de Inquérito, na
Câmara Municipal para investigar esse grande escândalo envolvendo esses 108
milhões de reais, 16 milhões e 500 mil em notas frias, envolvendo esta ONG que
está responsável por instalar cinco mil pontos de Wi-Fi em São Paulo e também
pela produção do grande e esperado filme, o best-seller “Dark Horse”.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus cumprimentos,
deputado Reis.
Tem a palavra agora a deputada Leci
Brandão. (Pausa.) Rogério Santos. (Pausa.) Rafa Zimbaldi. (Pausa.) Professora
Bebel. (Pausa.) Paulo Mansur. (Pausa.) Rômulo Fernandes. (Pausa.) Carlos
Giannazi, tem o tempo regulamentar.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy, Srs.
Deputados, Sras. Deputadas, público aqui presente, telespectador da TV
Assembleia, Sr. Presidente, olha, quero aqui denunciar mais um ataque dessa
gestão, dessa perversa e cruel gestão Tarcísio/Feder.
Saiu agora uma
publicação, no “Diário Oficial”, que é a portaria conjunta de duas
subsecretarias, a Subsecretaria de Gestão Corporativa e a Subsecretaria
Pedagógica, conhecida como Subped na hierarquia da burocracia da Secretaria da
Educação.
Sr. Presidente,
essa portaria reforça o que nós tanto estamos denunciando aqui, vai na
contramão, reforça a avaliação de desempenho punitivista, que vai criminalizar,
que já está criminalizando e punindo os professores e os gestores da rede
estadual de ensino.
É uma portaria
que intensifica ainda mais essa política educacional fracassada, falida, que
não leva a nada, que estabelece metas inatingíveis, que estabelece farol, que
transformou a avaliação dos professores em farol de trânsito, farol vermelho. É
um absurdo, Sr. Presidente.
Nós já
denunciamos isso exaustivamente, já entramos com ações no Tribunal de Justiça,
ganhamos algumas ações populares, através do nosso coletivo Educação em
Primeiro Lugar, contra a Avaliação 360, e, no entanto, o governo insiste,
insiste o tempo todo em punir, em perseguir, em criminalizar, em desqualificar
o Magistério Estadual.
Então, ele
agora publicou essa portaria conjunta das duas subsecretarias, é a Portaria nº
1, do dia 19 de maio. Eu fiquei chocado aqui, seu presidente, porque ela
reproduz todas as maldades em curso hoje no estado de São Paulo.
Os professores
estão realmente indignados, e com toda razão, todos nós, com essa portaria,
porque ela reforça, por exemplo, algo gravíssimo: além de falar das metas no
farol, ela também joga os alunos contra os professores, porque os alunos...Está
aqui, Sr. Presidente, de novo, no Art. 3º, que os professores, olha só, serão
avaliados pelos alunos do 4º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino
médio.
Então, nós
vamos ter a reprodução do que já aconteceu no ano passado, por exemplo, onde,
até pelas redes sociais, os alunos fizeram vídeos. E isso foi denunciado
exaustivamente, inclusive pelo nosso mandato aqui, onde os alunos estavam dando
zero para todos os professores, sobretudo para aqueles professores que eram
mais exigentes, que eles não gostavam; então era hora da vingança dos alunos
contra os professores.
Só que essa
avaliação prejudica a vida dos professores, esse modelo de avaliação
implantada, que tem também essa jogada da Secretaria da Educação. Para
criminalizar ainda mais os professores, joga os alunos contra os professores,
permitindo os alunos que não têm condições de avaliar, Sr. Presidente, os
professores. Então, os professores serão punidos duplamente aqui.
É uma portaria
que trata desse diagnóstico, que estabelece procedimentos e também o cronograma
desse modelo de avaliação, que vai jogar todos contra todos. O diretor
avaliando os professores, os professores avaliando o diretor, os alunos
avaliando os professores, todos serão avaliados e todos farão avaliação. É um
caos, Sr. Presidente. É a avaliação punitivista.
Eu já
apresentei hoje mesmo um PDL, um Projeto de decreto legislativo para revogar
essa famigerada portaria, que se baseia aqui, inclusive, numa Resolução, a nº
146, que nós já questionamos, inclusive, Sr. Presidente, na Justiça. Olha só o
absurdo.
Então, nós
queremos a revogação imediata, cancelamento imediato dessa famigerada portaria
da avaliação de desempenho punitivista, que criminaliza o Magistério.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Reis.
* * *
Por fim, Sr.
Presidente, quero aqui só destacar ainda, que nós estamos acompanhando atentos
a votação, o trâmite da Medida Provisória nº 1.334, de 2026, que trata da
questão do reajuste do piso nacional do Magistério, que está sendo debatida
agora, essa medida provisória, em Brasília.
Foi formada uma
comissão mista, entre deputados federais e senadores, que já, ontem mesmo,
apresentou um parecer importante, Sr. Presidente, para que a medida provisória
seja aprovada. E ela tem que ser aprovada até o dia 1º de junho, para que o
reajuste do piso nacional do Magistério continue valendo, o reajuste de cinco
vírgula quatro por cento.
Então, houve um
avanço nesse sentido, porque se não fosse essa medida provisória do presidente
Lula, o reajuste seria de apenas zero vírgula trinta e sete por cento, ou seja,
18 reais a mais, apenas isso, no valor do reajuste do piso. Então essa medida
provisória altera as regras do cálculo, os critérios do cálculo, de tal forma
que não aja mais a possibilidade de um reajuste de apenas 0,37 por cento.
Essa medida
provisória, através de emenda apresentada - eu tenho aqui a Emenda nº 34, por
exemplo - também diz que o reajuste do piso não vai depender só do Fundeb, que
as prefeituras e que os estados podem também aumentar o valor do piso através
dos percentuais mínimos que devem ser investidos na Educação, seja 25%, seja
30%, que será definido... Está definido em cada lei orgânica municipal, ou em
cada constituição estadual
E por fim,
também, o relatório apresentado, o parecer apresentado, reforça até as que
estão sendo debatidas agora no Supremo Tribunal, que foi debatida no Supremo
Tribunal Federal que o professor contratado também terá direito ao reajuste do
piso. Então nós estamos atentos, Sr. Presidente, e fazemos gestões para que os
deputados e senadores votem em carácter de extrema urgência a Medida Provisória
nº 1.334, de 2026.
Lembrando que
para nós esse reajuste de 5,4% está muito, mas muito aquém de representar a
valorização salarial dos professores do Magistério Público Nacional, que hoje,
com esse valor do reajuste, por 40 horas semanais, o valor do piso será de
5.130 reais e sessenta e três centavos. Nós defendemos que para que aja uma
mínima valorização do Magistério Nacional nós teríamos que dobrar no mínimo
esse valor. Essa é a nossa luta em defesa da valorização, em defesa dos
direitos e da dignidade do Magistério Nacional.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Seguindo a lista de
oradores, chamo para fazer o uso da palavra o deputado Atila Jacomussi.
(Pausa.) Deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Deputado Capitão telhada. (Pausa.)
Deputado Guilherme Cortez. (Pausa.) Deputado Rui Alves. (Pausa.)
Deputado Valdomiro Lopes. (Pausa.)
Deputada Delegada Graciela. (Pausa.) Deputada Dani Alonso. (Pausa.) Deputada
Ediane Maria. (Pausa.) Deputado Luiz Fernando Teixeira Ferreira. (Pausa.)
Deputado Tenente Coimbra. (Pausa.) Deputado Eduardo Suplicy.
O SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR -
Caro presidente, deputado Reis, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, é com imensa
satisfação que registro um fato de enorme relevância para a democracia, para os
direitos humanos, para a população imigrante, os trabalhadores informais e,
sobretudo, a busca da justiça em nosso estado de São Paulo.
No último dia
18 de maio, o procurador-geral da Justiça do estado de São Paulo, Dr. Paulo
Sérgio de Oliveira e Costa, tomou uma decisão de enorme importância
institucional e humana: rejeitou o arquivamento do caso envolvendo a morte do
trabalhador ambulante senegalês Ngange Mbaye.
Ele determinou
o oferecimento de denúncias contra o policial militar responsável pelo disparo
que tirou sua vida, e para que os fatos sejam submetidos ao devido processo
legal e ao tribunal do júri. Essa é uma decisão que merece ser reconhecida por
seu profundo simbolismo e pela mensagem que transmite a sociedade paulista,
ninguém está acima da lei e toda vida humana importa.
Ngange Mbaye
era um refugiado senegalês, um trabalhador, homem, negro, imigrante, pai de
família que buscava no Brasil condições dignas de sobrevivência por meio do
comércio ambulante. Em 11 de abril de 2025, no bairro do Brás, durante a ação
chamada de operação delegada, sua vida foi interrompida por um disparo efetuado
por um policial militar.
Desde o início
paravam dúvidas profundas sobre a tese de legítima defesa utilizada para
justificar o arquivamento do caso. Os vídeos constantes dos altos, amplamente
divulgados, levantaram questionamentos fundamentais, no momento do disparo,
Ngange não oferecia qualquer ameaça a quem quer que fosse.
Diante das
dúvidas coligidas nos autos, o procurador-geral de Justiça reconheceu algo
essencial para o estado democrático de direito: não se pode arquivar um caso
dessa gravidade quando ainda existem controvérsias relevantes sobre os fatos.
Ao decidir pelo
oferecimento da denúncia, o Dr. Paulo Sérgio afirmou que a legítima defesa não
se encontra demonstrada de forma inequívoca e livre de dúvidas, e nos crimes
dolosos contra a vida, havendo dúvidas razoáveis, deve prevalecer o princípio
“in dubio pro societate”, ou seja, cabe ao Tribunal de Justiça do júri, em nome
da sociedade, apreciar as provas e decidir.
Não se trata de
antecipar condenações, não se trata de prejulgar qualquer pessoa, trata-se de
algo muito mais elementar: garantir que haja um julgamento justo, transparente
e imparcial. É precisamente isso que os familiares de Ngange Mbaye, os
movimentos sociais e organizações da sociedade civil sempre pediram.
Quero aqui
registrar que estivemos por duas vezes em diálogo institucional com o procurador-geral
da Justiça. Primeiramente fomos recebidos pelo procurador-geral substituto, Dr.
Plínio Antônio Britto Gentil, em uma reunião respeitosa de escuta e atenção.
Posteriormente,
após a recondução do Dr. Sérgio de Oliveira e Costa ao cargo, estivemos
novamente reunidos com a Procuradoria-Geral da Justiça, juntamente com a
vereadora Luana Alves, com a Defensora Pública do Estado de São Paulo.
E sobretudo
estivemos acompanhados pela força, pela coragem e pela perseverança de
movimentos de ambulantes, de organizações de direitos humanos, do Consulado do
Senegal, da Comunidade Migrante e das entidades que há anos lutam por justiça
social e pelo reconhecimento da dignidade dos trabalhadores ambulantes.
Foram vozes
firmes e incansáveis que disseram algo muito simples, mas profundamente humano:
trabalho informal não é crime; sobreviver não é crime; ser negro, ser migrante
não pode significar estar exposto à violência do Estado.
Também preciso
ressaltar que a morte do trabalhador senegalês, Ngange Mbaye, lança luz sobre
um problema maior. Há tempos organizações sociais denunciam abusos ocorridos no
âmbito da chamada Operação Delegada e em ações de fiscalização do comércio
ambulante.
Relatos de
violência, intimidação e excessos não podem ser normatizados, é preciso
reconhecer que existe, muitas vezes, um padrão de criminalização da pobreza, da
informalidade e da população migrante e negra no nosso estado de São Paulo.
O Estado não
pode tratar os trabalhadores ambulantes como inimigos. O comércio informal é,
para milhares de pessoas, a única alternativa de sobrevivência diante do
desemprego, da desigualdade e da exclusão econômica.
Por isso a
decisão do procurador-geral tem um significado que ultrapassa este caso
concreto, representa uma afirmação de que a Justiça não pode ser seletiva e que
o uso letal da força estatal precisa sempre estar submetido ao mais rigoroso
escrutínio democrático. Não haverá a paz verdadeira enquanto a dignidade humana
não for reconhecida para todos e todas sem distinção de origens, raças,
condições econômicas ou nacionalidade.
Que Ngange
Mbaye não seja apenas um nome lembrado em uma tragédia. Que sua memória ajude a
construir uma sociedade mais justa e inclusiva, verdadeiramente comprometida
com os direitos humanos.
Seguirei
acompanhando esse caso, confiando no devido processo legal, na ampla defesa, no
contraditório, na busca da verdade e justiça para Ngange Mbaye para todos
aqueles que diariamente lutam pelo direito de trabalhar e de viver com
dignidade.
Sr. Presidente,
sei que fui além da conta, e ainda teria mais uma breve comunicação, mas que
farei apenas na hora devida.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Você vai falar de
novo?
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Se puder, mais...
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Sempre pode. Aqui,
sempre pode. Então vou correr a lista, aí a gente chega novamente em Vossa
Excelência.
Chamo para fazer uso da palavra,
deputado Enio Tatto. (Pausa.) Deputado Dr. Eduardo Nóbrega. (Pausa.) Deputado
Major Mecca. (Pausa.) Deputado Rodrigo Moraes. (Pausa.) Deputada Carla Morando.
(Pausa.) Deputada Solange Freitas. (Pausa.) Deputado Rafael Saraiva. (Pausa.)
Deputado Agente Federal Danilo Balas. (Pausa.) Deputada Monica Seixas do
Movimento Pretas. (Pausa.) Deputado Conte Lopes. (Pausa.) Deputado Marcos
Damasio. (Pausa.) Deputado André Bueno. (Pausa.) Deputada Maria Lúcia Amary.
(Pausa.) Deputado Teonilio Barba. (Pausa.)
Entrando na Lista Suplementar. Deputado
Valdomiro Lopes. (Pausa.) Deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Deputada Márcia
Lia. (Pausa.) Deputado Delegado Olim. (Pausa.) Deputada Professora Bebel.
(Pausa.) Deputado Enio Tatto. (Pausa.) Deputado Agente Federal Danilo Balas.
(Pausa.) Deputado Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Deputado Carlos
Giannazi. (Pausa.)
Deputado Suplicy, tem V. Exa. o tempo regimental
de cinco minutos.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro presidente deputado Reis, quero saudar uma decisão
histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mais uma vez demonstra
de que lado está: do lado do povo trabalhador, de quem acorda cedo, enfrenta
trânsito, violência, jornadas exaustivas e luta diretamente para garantir o
sustento da família.
Estive ontem no
lançamento do programa “Move Aplicativos”, do governo federal, que oferecerá
até 30 bilhões de reais em crédito para motoristas de aplicativos e taxistas
financiarem carros novos com juros mais baixos, prazo ampliado e condições
especiais.
E por que isso
é tão importante? Porque durante muitos anos esses trabalhadores foram tratados
apenas como números pelas grandes plataformas digitais. Trabalham sem direitos
garantidos, muitas vezes alugando veículos caros, pagando manutenção abusiva,
fechando as contas do fim do mês com muito esforço.
O presidente
Lula entendeu uma coisa fundamental: o carro não é luxo para essa categoria. O
carro é instrumento de trabalho. Esse programa cria uma oportunidade concreta
para que milhões de trabalhadores possam sair do aluguel abusivo de veículos e
passem a ter um carro próprio, reduzindo o custo e aumentando a sua renda no fim
do mês.
As medidas
anunciadas são muito importantes: crédito de até 30 bilhões para financiamento,
juros abaixo do mercado, financiamento de veículos novos mais sustentáveis,
prazo de até 72 meses para pagamento, carência de seis meses para começar a pagar,
condições ainda melhores para as mulheres trabalhadoras. Além disso, o programa
atende motoristas de aplicativo com pelo menos um ano de atividade sem corridas
realizadas, além dos taxistas regularizados.
O governo
também anunciou medidas para aliviar a vida dos motoboys e mototaxistas,
reduzindo burocracias, melhorando o acesso ao trabalho, reconhecendo a
importância desses profissionais para a economia brasileira. Isso significa
geração de emprego, fortalecimento de economia, renovação da frota, mais
segurança no trânsito, mais dignidade para quem vive do próprio trabalho.
Parabéns ao
presidente Lula por mais essa iniciativa que reconhece a dignidade dos
trabalhadores de aplicativo, dos taxistas, dos motoboys e de toda a classe
trabalhadora brasileira. Seguiremos defendendo um Brasil mais justo, com
direitos e oportunidades e respeito para quem trabalha.
Para finalizar,
solicito que passem um breve vídeo, se for possível, um breve vídeo do
lançamento do programa ontem, que traz a fala do Júnior Freitas, coordenador do
Movimento dos Trabalhadores sem Direitos. Se for possível, por favor.
* * *
- É exibido o
vídeo.
* * *
Muitíssimo
obrigado, deputado Reis, por proporcionar essa oportunidade de termos conhecido
melhor esse diálogo entre os motoristas, inclusive de aplicativo, de
motocicletas, de táxis e outros com o presidente Lula.
Parabéns.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Chamo para fazer uso
da palavra o deputado Luiz Claudio Marcolino.
O
SR. LUIZ CLAUDIO MARCOLINO - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Nobre deputado Reis, deputado Suplicy, funcionárias e
funcionários da Alesp, Sr. Presidente, queria trazer aqui, ontem, rapidamente,
comentei também sobre esse projeto apresentado antes de ontem, esse programa do
presidente Lula. Tinha comentado um pouco também em relação ao Governo do
Estado de São Paulo, que muitas vezes perde algumas oportunidades.
Eu apresentei
um Projeto de lei nº 839, de 2023, que cria linha de crédito especial para
taxistas paulistas, com financiamento até 140 mil, prazo de 72 meses. Isso
valeria para veículos novos, híbridos, elétricos ou usados com até cinco anos,
(Inaudível.) transporte com pessoas com deficiência. Então esse projeto vem
tramitando aqui desde 2023 e foi construído dialogando com os taxistas no
estado de São Paulo.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
E quando nós apresentamos essa proposta ao
Governo do Estado de São Paulo, que está tramitando aqui na Casa, chegamos a
conversar com o Desenvolve São Paulo, porque lá eles alegaram que não podia
garantir essa linha de crédito para os taxistas no estado de São Paulo em
virtude que tinha que ser para donos de frota, não podia ser para os taxistas.
Aí, saindo do
Desenvolve São Paulo, fizemos uma reunião com os mesmos taxistas, também junto
ao Banco do Povo, e lá falaram que lá o máximo que podia ter de empréstimo era
até 20 mil reais para os taxistas.
Na verdade, o
Governo do Estado de São Paulo não entendeu as necessidades dos taxistas e o
presidente Lula conseguiu ter esse entendimento da importância do diálogo com
os taxistas do estado de São Paulo, ampliou esse diálogo, inclusive, para os
trabalhadores de aplicativo, dialogou com o setor empresarial.
E, agora, tem
um programa que busca, a partir do BNDES, garantir não só a troca de frota, mas
o financiamento de carros novos, principalmente para os motoristas de
aplicativo, que hoje gastam boa parte do que eles arrecadam ao longo do seu dia
de trabalho pagando aluguel para as locadoras de automóveis no estado de São Paulo.
Então,
demonstrando aí diferenças de perfis de gestores públicos, enquanto o
presidente Lula teve a sensibilidade de atender a uma parcela da população do
estado de São Paulo hoje, que garante parte da mobilidade do nosso estado, do
outro lado temos um governador insensível a essa demanda dos taxistas, dos
motoristas de aplicativo.
Mas queria
aproveitar também, Sr. Presidente, esta oportunidade: o nosso projeto continua
tramitando. Espero que agora o governador Tarcísio tenha sensibilidade e possa
ter um programa que atenda os taxistas por aplicativo no estado de São Paulo. O
presidente Lula conseguiu resolver uma parte, mas ainda tem outras demandas e é
importante o governador Tarcísio também olhar para esse segmento.
Quero
aproveitar para voltar a um debate também que está em pauta em Brasília, que é
a questão do fim da escala 6x1, com redução da jornada de trabalho, sem redução
de salários.
Nós tivemos
nesta semana - e está acontecendo ainda - o congresso da Apas, que é a
associação das redes de supermercados do estado de São Paulo, e lá diversas
falas do setor empresarial, da área supermercadista, colocando a contrariedade
à redução da jornada de trabalho, a contrariedade ao fim da escala 6x1,
demonstrando que é um setor que, ao longo dos últimos anos, vem tendo um
processo de aumento da sua rentabilidade.
Esse setor da
rede supermercadista tem ganhado muito, porque, mesmo na época da pandemia,
houve uma valorização do preço dos produtos, do arroz, do feijão, do óleo, de
todos os produtos que hoje tem nas redes de supermercado.
Só que, quando
há um processo de aumento da safra, não há uma adequação. Não há uma adequação,
uma redução dos preços. Então, o preço acaba sendo ajustado em um valor
superior àquele que efetivamente deveria ser o preço dos produtos nas redes de
supermercado.
As redes de
supermercados, a grande maioria hoje já automatizou uma parte. Muitas vezes, a
gente entra em um supermercado e a gente vê lá 20 espaços para caixas e três ou
quatro funcionando. Então, é um setor que já fez uma adequação do seu quadro de
funcionários.
A rede de
supermercados, hoje... Quando eu falo, estou falando dos grandes, não é? Tem
pequenos supermercados que são mercados familiares, mercados que têm um número
pequeno de trabalhadores. Esses, não. Esses, de fato, ajudam o desenvolvimento
do estado de São Paulo, mas essas grandes redes de supermercado foram fazendo
um processo de automatização e vêm criando um processo de redução do número do
quadro de funcionários ao longo do tempo, inclusive nos finais de semana.
Então, hoje é
possível adaptar a rede de supermercados a uma jornada 5x2, como já tem em
outros setores, como já tem os bancários, os metalúrgicos, parte do setor
químico.
Então, essa
crítica aberta, como foi feita pelo setor de supermercados nesse congresso da
Apas, ela é infundada, está fora da realidade, porque é um setor que tem
crescido muito, um setor que tem aumentado muito sua lucratividade, e está na
hora de fazer sua contribuição para o estado brasileiro, para o estado de São
Paulo, apoiando também a redução da jornada com o fim da escala 6x1, dando no
mínimo uma escala 5x2, para garantir o desenvolvimento do estado de São Paulo.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos, deputado Luiz Carlos Marcolino.
O
SR. LUIZ CLAUDIO MARCOLINO - PT - Pela ordem,
presidente. Havendo acordo entre os líderes, gostaria de solicitar o
levantamento da presente sessão.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Havendo esse
acordo de lideranças, esta Presidência, antes de dar por levantados os
trabalhos, convoca V.Exas. para a sessão ordinária de amanhã, à hora
regimental, sem Ordem do Dia.
Está levantada a sessão.
*
* *
- Levanta-se a sessão às 14 horas e 38
minutos.
*
* *