
29 DE ABRIL DE 2026
51ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: PAULO FIORILO, FÁBIO FARIA DE SÁ, GUILHERME CORTEZ, REIS e EDUARDO SUPLICY
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - PAULO FIORILO
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h01min.
2 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - FÁBIO FARIA DE SÁ
Assume a Presidência.
4 - PAULO FIORILO
Por inscrição, faz pronunciamento.
5 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
6 - PRESIDENTE FÁBIO FARIA DE SÁ
Cumprimenta alunos de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie - Campus Alphaville, presentes nas galerias.
7 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
8 - GUILHERME CORTEZ
Por inscrição, faz pronunciamento.
9 - CAPITÃO TELHADA
Por inscrição, faz pronunciamento.
10 - GUILHERME CORTEZ
Assume a Presidência.
11 - MAJOR MECCA
Por inscrição, faz pronunciamento.
12 - SOLANGE FREITAS
Por inscrição, faz pronunciamento.
13 - REIS
Assume a Presidência.
GRANDE EXPEDIENTE
14 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
15 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência.
16 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
17 - REIS
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
18 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Defende o uso de políticas pacifistas em escala global, citando como exemplos Mahatma Gandhi e Nelson Mandela. Defere o pedido. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 30/04, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 15h22min.
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ÍNTEGRA
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- Assume a
Presidência e abre a sessão o Sr. Paulo Fiorilo.
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* *
- Passa-se ao
PEQUENO
EXPEDIENTE
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O SR. PRESIDENTE - PAULO FIORILO - PT - Presente o número regimental de Sras.
Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos
trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da sessão anterior e
recebe o Expediente.
Damos início,
então, ao Pequeno Expediente. O primeiro orador é o Dr. Jorge do Carmo.
(Pausa.) Deputado Reis. (Pausa.) Deputado Delegado Olim. (Pausa.) Deputado
Thiago Auricchio. (Pausa.) Guilherme Cortez. (Pausa.) Deputado Enio Tatto.
(Pausa.) Deputado Rogério Santos. (Pausa.) Deputado Fábio Faria de Sá. (Pausa.)
Deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Deputado Major Mecca. (Pausa.)
Deputado Eduardo Suplicy. (Pausa.) Deputado Jorge Wilson Xerife do Consumidor.
(Pausa.)
Deputado Carlos
Giannazi, com a palavra.
O SR. CARLOS GIANNAZI
- PSOL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr.
Presidente, deputado Paulo Fiorilo - fica muito bem nessa cadeira de
presidente, sempre será o nosso candidato a presidente -, deputado Reis e
telespectador da TV Assembleia, eu quero antes, deputado Paulo Fiorilo, aqui
anunciar a honrosa presença das nossas servidoras da Saúde, do SUS, do Sistema
Único de Saúde, as dentistas Sônia e Kátia, as Dras. Sônia e Kátia, que estão
hoje aqui na Assembleia Legislativa.
Aliás, sempre estiveram aqui na luta em
defesa da categoria, em defesa da saúde pública, sobretudo do acesso da
população do estado de São Paulo ao tratamento odontológico no Sistema Único de
Saúde aqui no nosso estado, sobretudo na luta pela aprovação do PLC 34, que
vocês tanto batalharam. Nós aprovamos aqui graças à mobilização de vocês, mas,
infelizmente, foi vetado. Agora a nossa luta ainda é pela derrubada do veto.
Mas hoje vocês estão aqui fazendo uma
outra mobilização, que é para aprovação dos projetos que tramitam no Congresso
Nacional, na Câmara, no Senado, e também de uma PEC que trata da questão de
instituir um piso nacional para os dentistas e os médicos em todo o território
nacional.
Porque é inconcebível, por exemplo,
deputado Paulo Fiorilo, V. Exa. que defende os servidores da Saúde, que um
dentista aqui, no estado de São Paulo, o estado mais rico da Federação, tenha
um salário médio de, no máximo, já quase em final de carreira, cinco mil reais,
que é um atentado a esses profissionais da Saúde.
Então há uma luta nacional. Nós já
realizamos, inclusive, audiência pública aqui na Assembleia Legislativa sobre
esse tema, apoiando esse importante movimento liderado por vocês aqui em São
Paulo e no Brasil. Sejam bem-vindas. Contem com o nosso total apoio nessa luta.
Sr. Presidente, eu quero aqui repudiar
veementemente o que a Prefeitura de Itapetininga está fazendo contra as
educadoras de educação infantil da cidade. Educadoras, lá elas têm o nome de
agentes de desenvolvimento escolar, que atendem as crianças, os bebês da
cidade, os filhos da cidade.
Senhor Presidente, elas estão se
movimentando dentro da legalidade, dentro da democracia, do sistema
republicano, para que a prefeitura respeite a Lei nº 15.326, de 2026, que exige
o enquadramento delas na carreira do Magistério, a lei federal da deputada
Luciene Cavalcante, que foi aprovada na Câmara Federal, no Senado, e sancionada
pelo presidente da República. No entanto, a Prefeitura de Itapetininga não está
respeitando a lei.
Então elas estão em estado de greve,
estão mobilizadas. Não estão em greve, estão em estado, fazendo mobilizações,
atos públicos na cidade
para convencer o prefeito a cumprir a lei, Sr. Presidente.
E é engraçado
que a prefeitura entrou com uma ação no Tribunal de Justiça do Estado de São
Paulo, Sr. Presidente, e conseguiu uma ação declaratória de ilegalidade de algo
que nem aconteceu: a greve não existe ainda.
Mesmo assim, a
prefeitura se antecipou e entrou na Justiça contra essa possível greve. Isso é
um absurdo, Sr. Presidente, isso é um ataque à dignidade das educadoras de
educação infantil, das agentes de desenvolvimento da cidade, que têm o direito
de serem enquadradas.
Então eu estou
com essa sentença aqui, Sr. Presidente, essa ação declaratória de ilegalidade,
que eu quero... Respeito a Justiça, mas discordo completamente. Primeiro que a
greve é um direito consagrado na Constituição Federal.
Segundo que
elas nem estão em greve ainda; elas estão fazendo manifestações públicas para
que a lei seja cumprida. Então quem está na ilegalidade, Sr. Presidente... Aqui
está falando em dano irreparável, multa diária de 50 mil reais. Isso é um
absurdo, isso é de uma covardia, Sr. Presidente, da prefeitura contra as suas
educadoras de educação Infantil.
A lei, Sr.
Presidente, está em vigor em todo o território nacional. O prefeito não é
ministro do Supremo Tribunal Federal para falar que a lei é ilegal. Isso não
tem sentido. A lei está valendo, Sr. Presidente, e essas educadoras de educação
infantil, agentes de desenvolvimento, elas cumprem, com certeza...
Eu participei
de uma audiência lá na Câmara Municipal com elas; elas cumprem as três
exigências da lei para o enquadramento. Elas foram aprovadas em concurso
público; elas têm formação na área - em pedagogia ou no Magistério, como
determina a LDB; e elas exercem, sim, a função docente, Sr. Presidente. O
prefeito tem que entender que função docente, em creche, é diferente de função
docente no ensino fundamental e médio.
Na educação
infantil, a função docente é caracterizada pelo cuidar, pelo brincar, por atividades
lúdicas, recreativas. E isso é educar - está na lei, Sr. Presidente. Não é
possível que o prefeito seja tão mal assessorado ou ele tenha má-fé. Ou ele
odeia as educadoras de educação infantil da cidade de Itapetininga.
Então quero
dizer, Sr. Presidente, que o prefeito está desrespeitando a lei federal, e ele
corre um sério risco de ser enquadrado na Lei de Improbidade Administrativa,
porque nós vamos recorrer se ele não tomar providências. O Tribunal de Contas
do Estado de São Paulo não pode aprovar contas de prefeitos que não respeitam a
lei federal. O Ministério Público de Contas também.
Nós tomaremos
providências, Sr. Presidente. Então faço aqui um apelo ao prefeito de
Itapetininga para que valorize as educadoras de educação infantil da cidade, as
agentes de desenvolvimento, que estão lá na ponta, atendendo às crianças, aos
bebês, aos filhos e filhas da população, das famílias da cidade.
Então peço o
apoio de toda a população para que a população pressione o prefeito, pressione
os vereadores a aprovarem imediatamente o enquadramento das agentes de
desenvolvimento escolar na carreira do Magistério, como determina, como obriga
a lei federal, em pleno vigor, Sr. Presidente, em todo o território nacional.
Lei aqui da deputada federal Professora Luciene Cavalcante.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - PAULO FIORILO - PT - Obrigado,
deputado Giannazi.
Seguindo a lista aqui no Pequeno
Expediente, deputado Conte Lopes. (Pausa.) Deputado Rui Alves. (Pausa.)
Deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Deputado Agente Federal Danilo Balas.
(Pausa.) Deputada Beth Sahão. (Pausa.) Deputado Dirceu Dalben. (Pausa.)
Deputado Marcelo Aguiar. (Pausa.)
Deputada Maria Lúcia Amary. (Pausa.)
Deputada Thainara Faria. (Pausa.) Deputado Luiz Fernando Teixeira. (Pausa.)
Deputado Rodrigo Moraes. (Pausa.) Deputada Marina Helou. (Pausa.) Deputado
Paulo Mansur. (Pausa.) Deputado Rômulo Fernandes. (Pausa.) Deputada Andréa
Werner. (Pausa.) Deputada Carla Morando. (Pausa.) Deputado Edson Giriboni.
(Pausa.)
Deputado Atila Jacomussi. (Pausa.)
Deputado Alex Madureira. (Pausa.) Deputada Delegada Graciela. (Pausa.) Deputada
Profª Camila Godoi. (Pausa.) Deputado Dr. Eduardo Nóbrega. (Pausa.) Deputado
Mauro Bragato. (Pausa.) Deputada Letícia Aguiar. (Pausa.) Deputado Rafael
Saraiva. (Pausa.)
Deputada Leci Brandão. (Pausa.)
Deputada Solange Freitas. (Pausa.) Deputada Ediane Maria. (Pausa.) Deputada
Monica Seixas do Movimento Pretas. (Pausa.) Deputado Vitão do Cachorrão.
(Pausa.) Deputado Marcos Damasio. (Pausa.) Deputado Caio França. (Pausa.)
Lista Suplementar. Deputada Márcia Lia.
(Pausa.) Deputada Thainara Faria. (Pausa.) Deputado Jorge Wilson Xerife do
Consumidor. (Pausa.) Deputado Valdomiro Lopes. (Pausa.) Deputado Rui Alves.
(Pausa.) Deputado Mauro Bragato. (Pausa.) Deputada Professora Bebel. (Pausa.)
Deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Deputado Enio Tatto. (Pausa.) Deputado
André Bueno. (Pausa.) Deputado Paulo Mansur. (Pausa.) Deputado Telhada.
(Pausa.) Deputado Paulo Fiorilo.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Fábio
Faria de Sá.
*
* *
O
SR. PAULO FIORILO - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, Srs. Deputados, aqueles que nos
acompanham aqui pela Rede Alesp, assessorias, queria aproveitar o Pequeno
Expediente para trazer aqui dois temas, mas, antes, um registro.
Eu acabei de
voltar, deputado Reis, da região do Vale do Ribeira. Impressionante o descaso
do governo Tarcísio com o Vale do Ribeira. Eu visitei 13 cidades e o que foi
possível constatar? As promessas do governador Tarcísio não foram realizadas,
principalmente no que diz respeito à mobilidade: estradas sem asfalto, promessa
não cumprida...
Isso a gente
vai tratar em um outro momento, até porque há suspeitas de irregularidades.
Como eu não sou leviano, a gente vai apurar primeiro e representar depois para
poder trazer a denúncia na sua totalidade, mas, assim, é uma coisa vergonhosa.
E aí, no
retorno da minha visita, das minhas atividades no Vale do Ribeira, eu recebi
uma informação que me deixou muito chocado.
Um companheiro,
Vladimir Oliveira, foi candidato a vereador na cidade de Eldorado. Na noite de
segunda-feira, o Vlad, como ele é conhecido, foi alvo de uma emboscada em um
bairro da cidade, quando foi violentamente espancado, resultando em seis pontos
na cabeça e várias escoriações pelo corpo.
O Partido dos
Trabalhadores de Eldorado fez uma nota, que eu passo a ler: “Vlad foi
encaminhado ao hospital e também à delegacia para registrar Boletim de
Ocorrência e realizar corpo de delito.
Como se não
bastasse a violência física, Vlad também foi alvo de violência política. Candidato
a vereador nas eleições de 2024 pelo Partido dos Trabalhadores, Vlad teve uma
foto sua adulterada e publicada em redes sociais e grupos de whatsApp com a
frase, abre aspas: “Já bateram no petista”, fecha aspas; o que demonstra que
seu vínculo partidário foi utilizado com discurso de ódio.
A democracia
pressupõe diversidade de ideias, de projetos e a oportunidade da população, e
toda a sociedade, fazerem escolhas e colocar em prática aquilo que entendem
como melhor para o desenvolvimento do seu território.
A violência
política não combina com democracia, por isso nós, do Partido dos Trabalhadores
em Eldorado, manifestamos nosso repúdio a qualquer forma de violência, seja
física, psicológica, verbal, e que ataque os princípios fundamentais da nossa sociedade”.
Quero aqui, Sr.
Presidente, solicitar que essa manifestação de repúdio possa ser encaminhada à
Secretaria de Segurança Pública e ao Batalhão responsável pela cidade de
Eldorado, para que se apure e que se puna os responsáveis por essa barbaridade
ocorrida com o companheiro Vlad.
Quero aqui me
solidarizar com ele e com a sua família. E por falar em segurança, eu queria
continuar num outro tema.
Essa semana
recebi um relato de uma pessoa que eu conheço, que precisou procurar uma
Delegacia de Defesa da Mulher, a tal da DDM. E aí eu passo a ler aqui o relato
que ela faz:
“No dia 24 de
abril, compareci na 7ª Delegacia da Mulher, situada no território de Itaquera,
para registrar Boletim de Ocorrência em razão de ter sofrido violência verbal,
com acusações de baixo calão e situação vexatória.
Eu e meu
advogado chegamos por volta das 14 horas e 30 minutos. Vou repetir, governador:
14 horas e 30 minutos, após ter constatado que a 8ª Delegacia da Mulher, que
fica no Jardim Marília, está interditada em razão da reforma...”.
Eu vou pedir ao
pessoal da Técnica colocar as fotos tiradas. Então está aí, delegacia fechada
para a reforma.
“Destaco que
essa informação não consta no ‘Google’...” Portanto, ela foi até a Delegacia lá
no Jardim Marília e estava fechada, “O que eu quero destacar e denunciar é a
situação do atendimento com mulheres que procuram a delegacia. Não se trata de
denunciar funcionários, e sim o sistema de atendimento.
Um: o
acolhimento é realizado com inscrição em um livro, e a mulher permanece em uma
sala, na entrada, com iluminação precária e ambiente que podemos considerar
nada acolhedor.
Dois: o tempo
de espera é desanimador, o que leva a desistência, o que pode colocar a mulher,
que já está vulnerável, em voltar para a situação de risco. Voltar para casa
sem atendimento pode resultar em mais abuso e violência.
Três: não
existe uma escuta que anteceda o B.O., não tem profissional para acolher para
que a mulher se sinta segura e confie na proteção do Estado, que deve seguir a
legislação vigente.
Quatro: existe
um banheiro para utilização e sem condições de fazer a higiene adequadamente.
Cinco: mulheres
que precisam levar as crianças, há que se perguntar que espaço tem que se
oferecer para essas mulheres que estão vulneráveis com as suas crianças”.
E aí ela faz
uma série de questionamentos, que eu faço aqui, e peço para que se encaminhe
também ao secretário de Segurança Pública. “Que política pública se oferece
para essas mulheres?” E para a Secretaria das Mulheres, que infelizmente é uma
secretaria fake news.
“Quais são os
recursos destinados para que os funcionários possam atender com humanidade e
proteção para as mulheres? A indignação tem o poder de transformar em denúncia
a luta e as ações concretas para melhorar esse atendimento. Há que se pensar:
será que essa política de atendimento não favorece o agressor?”
Sr. Presidente,
aqui há dois casos graves, um de um espancamento na cidade de Eldorado e outro
da falta de atendimento de uma DDM em Itaquera. É inadmissível que um
governador do estado mais rico da Federação tenha uma situação de Segurança
Pública em que as pessoas percebem a insegurança.
Então, Sr.
Presidente, eu solicito que seja encaminhado as duas denúncias ao secretário de
Segurança Pública e, no caso de Eldorado, ao batalhão responsável lá em Apiaí.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Obrigado,
deputado Paulo Fiorilo. Conforme solicitação de V. Exa., será encaminhado aos
respectivos órgãos.
Com a palavra o nobre deputado Reis, V.
Exa. tem o tempo regimental de até cinco minutos.
O SR. REIS - PT - Cumprimentar o Sr. Presidente,
deputado Fábio Faria de Sá, cumprimentar o público presente, os Srs. Deputados,
as Sras. Deputadas, os funcionários desta Casa, os integrantes da Polícia
Civil, da Polícia Militar, da Polícia Penal, da Polícia Técnico-Científica e
também cumprimentar todos aqueles e aquelas que estão nos acompanhando através
da Rede Alesp.
Eu quero deixar
registrado neste Pequeno Expediente que o governo do Brasil está suspendendo
mais de 3,4 milhões de multas do Free Flow. Eu quero deixar bem registrado,
porque há uns dias atrás, quando começou a se falar disso, a imprensa noticiou
cancelamento e não se trata de cancelamento das multas, mas de uma suspensão e
um prazo de 200 dias para pagar as tarifas vencidas.
Ou seja, a
pessoa passou por aquele radar Free Flow, conforme já disse aqui o deputado
Guilherme Cortez, um radar, um pedágio... Passou por um pedágio arapuca, né?
Passou por aquele pedágio arapuca e, muitas vezes, desconhece o sistema, como
pagar aquele pedágio, porque o governo não fez nenhuma campanha educativa,
informativa.
Quando o Sr.
“Tarcíságio”... O Sr. Governador Tarcísio de Freitas ou “Tarciságio” - uma mistura
de Tarcísio com pedágio - começou a implantar esses pedágios em São Paulo.
Aliás, ele é conhecido agora como rei dos pedágios. Nós chamamos audiências
públicas, inclusive uma audiência aqui nesta Casa, para alertar que a sociedade
desconhecia essa modelagem.
Eu fui autor de
duas representações no Ministério Público, uma no Ministério Público Federal e
outra no Ministério Público estadual. A representação do Ministério Público
Federal resultou, inclusive, em uma suspensão do pagamento das multas.
E agora o
governo federal está entendendo que, realmente, a sociedade desconhece essa
modelagem de pedágio e as pessoas estão recebendo multas, pontos na carteira.
Por isso que ele determinou, então, a suspensão de cerca de 3,4 milhões de
multas Free Flow por 200 dias.
O Conselho
Nacional de Trânsito, Contran, anunciou nesta terça-feira a deliberação que
suspende 3,4 milhões de multas de rodovias no sistema Free Flow. A medida
concede prazo de até 200 dias para a regularização de débitos dos usuários com
tarifas de pedágio e interrompe a aplicação de novas multas por infração
durante o período.
Ou seja,
durante esse período de 200 dias você pagando o pedágio, mesmo aqueles que você
já deixou de pagar e foi multado, essas multas serão canceladas. Já as concessionárias
terão 100 dias, a partir da deliberação do Contran, para ajustarem seus
sistemas e concluírem a integração de dados. O objetivo é que, com essa
adequação, a cobrança esteja disponível na Carteira Digital de Trânsito.
Pela nova
regra, os usuários terão até o dia 16 de novembro deste ano para quitar os
débitos sem a cobrança de multas. Quem pagar as tarifas dentro deste prazo
também poderá recuperar os pontos perdidos na Carteira Nacional de Habilitação.
A suspensão da multa só será válida até essa data. A partir do dia 17 de
novembro, o motorista com tarifas em aberto terá que arcar com o pedágio e a
multa por atraso.
Já nos casos em
que já tenha havido pagamento de multa de trânsito, o usuário poderá entrar com
o pedido de ressarcimento - então quem levou a multa e foi lá e pagou pode
pedir a devolução desse recurso - desde que efetuado o pagamento da tarifa de
pedágio correspondente - claro, ele tem que pagar o pedágio.
O ideal seria
que o governo pudesse cancelar esses pedágios, acabar com esses pedágios Free
Flow, os pedágios arapuca - dentro do prazo previsto de 200 dias. Comprovado o
pagamento da tarifa de pedágio, o usuário terá direito ao ressarcimento do
valor da multa, conforme diz o CTB.
Além da
ampliação do prazo de pagamento das tarifas em aberto, um dos principais
avanços previstos na medida é a centralização das informações sobre passagens e
débitos de pedágio eletrônico em um ambiente digital único e acessível, a CNH
do Brasil - então as pessoas, através desse aplicativo, CNH do Brasil, vão
poder saber por onde passou, os pedágios que foram gerados -, aplicativo do
Ministério dos Transportes que já conta com mais de 70 milhões de usuários
ativos.
A iniciativa,
que está em fase de desenvolvimento, busca resolver um dos principais desafios identificados
na implantação do Free Flow: a dificuldade de acesso às informações necessárias
para o pagamento das tarifas.
Com a
integração dos sistemas das concessionárias, o usuário poderá consultar, em um
só lugar, todos os registros de pedágio eletrônico do seu veículo e valores
pendentes.
E, também, as
formas e locais de pagamento do Free Flow, independentemente da rodovia ou da
via em que transitar, seja ela federal, estadual ou municipal. Os dados
unificados estarão disponíveis no aplicativo CNH do Brasil em até 100 dias, a
partir da publicação da deliberação.
Até lá, a
consulta pode ser feita diretamente nos canais, sites e aplicativos,
disponibilizados pelas concessionárias. As referidas empresas são obrigadas a
disponibilizar os meios adequados de comunicação para que o cidadão identifique
por onde o seu veículo passou e efetue o pagamento.
Então deixar
registrada essa informação, porque desde quando começou essa discussão dos
pedágios Free Flow nós fizemos uma grande batalha para mostrar para a sociedade
o prejuízo que são esses pedágios Free Flow.
Porque a
população desconhece e muitas pessoas estão sendo multadas e nem sabem, porque
elas passam por aquele pedágio e nem sabem que é um pedágio, acham que é um
radar e não procuram no site da concessionária em cerca de 30 dias para pagar o
pedágio e não serem multadas.
E quando a
gente fala aqui de 3,4 milhões de multas, é justamente o desconhecimento que a
sociedade tem dessa nova modelagem de pedágio Free Flow. O secretário da
Secretaria de Parcerias esteve aqui, nós indagamos ele a respeito disso, a
importância de que pudesse ter. Então, já que o governo não abre mão dessa
grande quantidade de pedágios que ele quer implantar em São Paulo.
O projeto dele
é implantar cerca de 118 novos pedágios, além dos 370 existentes. Como ele não
abre mão disso, pelo menos que houvesse uma campanha informativa, educativa
para a população se apropriar do que é essa nova modelagem de pedágios Free
Flow.
Então o
governo, de forma justa, toma essa decisão. O governo federal, o governo Lula
toma essa decisão de suspender, suspender a cobrança das multas e também dos
pontos na carteira - porque muitos motoristas estavam sendo penalizados, e na
hora em que eles descobriam já estavam perdendo a sua carteira de motorista por
conta da grande pontuação.
Então o governo
está suspendendo. Não é cancelamento. Porque muitas pessoas começaram a falar
de cancelamento. Não é cancelamento; é a suspensão, pelo prazo de 200 dias, à
cobrança das multas e também dos pontos na carteira. Mas as pessoas têm que
entender que o pedágio deve ser pago. Porque depois desses 200 dias de
suspensão, em não sendo pago o pedágio, voltará, sim, a cobrança da multa e a
pontuação na carteira.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Obrigado,
deputado Reis. Com a palavra, o nobre deputado Eduardo Suplicy.
Enquanto V. Exa. se dirige à tribuna,
queria anunciar a visita dos alunos do curso de Direito do Mackenzie, unidade
Alphaville. Sejam todos bem-vindos à Casa do povo.
Vossa Excelência tem o tempo regimental
de até cinco minutos, deputado Suplicy.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro deputado estadual Fábio Faria de Sá, também
cumprimento os estudantes do Mackenzie, que estão aqui nos visitando. Também há
aqui uma visita muito especial que o deputado Guilherme está por anunciar.
Permite que eu
saúde o vereador de São Roque, Paulo Juventude, do PSOL, que foi eleito há dois
anos, aos 18 anos, sendo, então, o mais jovem deputado estadual eleito no Brasil.
Então... Vereador! Futuro deputado, mas vereador. Em São Roque, ele vai... Eu
vou lhe dar o livreto sobre a Renda Básica de Cidadania. Se considerar uma boa
para fazer de São Roque um exemplo pioneiro, aqui você terá os elementos, está
bem?
Então gostaria,
aqui, de hoje registrar e elogiar a decisão do Supremo Tribunal Federal, que
condenou o Estado no caso do fotógrafo Sérgio de Silva. Houve uma decisão
histórica do Supremo Tribunal Federal ao reafirmar o princípio fundamental da
democracia. O Estado deve responder pelos danos que causa aos cidadãos.
Refiro-me à
decisão que condenou o estado de São Paulo a indenizar o fotojornalista Sérgio
Silva, que perdeu a visão após ser atingido por uma bala de borracha durante as
manifestações de 2013. Essa decisão não é apenas sobre o casto individual; é
sobre o tipo de sociedade que queremos construir.
O Supremo
Tribunal Federal reconheceu que, mesmo diante das dívidas periciais sobre a
origem exata do disparo, o contexto de atuação policial violenta e o uso
comprovado de armas de impacto justificam a responsabilização do Estado. E
mais: estabeleceu indenização e pensão vitalícia, reconhecendo a gravidade do
dano causado.
Isso é estado
de direito. Porque o que estava em jogo não era apenas um processo judicial.
Era o direito à liberdade de imprensa. Era o direito de manifestação. O direito
de um trabalhador exercer a sua profissão sem ser mutilado pelo próprio estado.
As
manifestações de 2013 marcaram profundamente o Brasil e também revelaram algo
preocupante: o uso desproporcional da força por agentes públicos, especialmente
contra jornalistas e manifestantes.
Não podemos
normalizar isso. Quando um fotógrafo perde o olho trabalhando, não é um
“acidente”, entre aspas, é uma falha grave do Estado, é uma violação de
Direitos Humanos e, muitas vezes, é o resultado de uma cultura de Segurança
Pública que enxerga o cidadão como inimigo.
Por isso a
adição do Supremo tem um alcance muito maior, reafirma a chamada
responsabilidade objetiva do Estado, prevista na Constituição. Cabe ao Poder
Público reparar o dano, e não a vítima provar o impossível.
E isso muda a
lógica, porque durante anos vimos decisões que negavam indenização, sob o
argumento da falta de prova sobre quem disparou, como se fosse razoável exigir
que uma vítima, em meio ao caos de uma operação policial, identificasse
exatamente o agente responsável. O Supremo Tribunal Federal corrigiu essa
distorção.
Segundo o STF,
se há indícios de atuação estatal e o dano ocorreu nesse contexto, o Estado
responde, salvo provem o contrário. Isso é justiça, mas também é chamado de
responsabilidade, porque não basta indenizar depois, é preciso evitar que isso
aconteça.
E aqui faço um
apelo ao Governo do Estado de São Paulo. É urgente revisar protocolos de
atuação policial em manifestações, urgente investir em formação de Direitos
Humanos, urgente garantir o uso proporcional da força, sobretudo reconhecer que
Segurança Pública não pode mais ser sinônimo de violência.
Precisamos
defender um modelo de Segurança que proteja a vida, que respeite a democracia,
que valorize os profissionais da imprensa, porque sem imprensa livre não há
democracia, sem direito de manifestação não há cidadania, sem responsabilização
do Estado não há justiça.
Que esse caso
sirva de marco, para que nunca mais um trabalhador seja mutilado por exercer
sua função, para que nunca mais a violência estatal seja tratada como normal e
para que a democracia brasileira siga avançando, com Justiça, com
responsabilidade, com humanidade.
Então, Sr.
Presidente, eu me inscrevi ainda para uma segunda fala no Pequeno Expediente,
mas vou aguardar a fila.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Perfeitamente,
deputado Eduardo Suplicy.
Com a palavra o deputado Guilherme
Cortez. Vossa Excelência tem o tempo regimental de cinco minutos, deputado.
O
SR. GUILHERME CORTEZ - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Muito boa tarde, Sr. Presidente, meus colegas deputados
e deputadas.
Presidente,
assim como o deputado Suplicy já fez, eu queria começar saudando a presença do
meu amigo, jovem vereador de São Roque, o Paulo Juventude, que foi eleito, ele
já está no segundo mandato dele. E no primeiro mandato que ele se elegeu se
tornou o vereador mais jovem da história de São Paulo, com 18 anos. Dezoito
anos! Ele ainda estava no terceiro ano do ensino médio. Você imagina se
candidatar e ser eleito vereador.
O Paulo faz um
mandato brilhante, muito combativo na cidade de São Roque, mas que é um mandato
que já tem se estendido para outras cidades no nosso estado, justamente porque
eu acho que é uma das jovens e mais capacitadas lideranças da renovação da
política que a gente precisa em São Paulo e, sobretudo, no nosso interior.
Então queria
que você seja muito bem-recebido, Paulo, e que você já se acostume com esse
ambiente, que eu espero que logo mais você e tantas outras jovens lideranças
possam estar ocupando esse espaço, como a gente faz hoje. Tenho certeza de que
faria muito bem para a política de São Paulo. Seja bem-vindo, meu querido.
E, presidente,
passando de São Roque para outra cidade, em Barra Bonita, eu queria falar de
uma notícia muito pior do que essa e me solidarizar com a vereadora Poliana
Quirino, vereadora do PSOL, uma parceira, uma lutadora e que foi vítima, mais
uma vez, de violência política de gênero na última sessão da Câmara Municipal.
Foi atacada com
ofensas pessoais por um outro vereador, que busca desqualificar ela e o seu
trabalho por ser mulher e não pelas suas ideias, não pela sua atuação e não
pelo que eles discordam. Isso é lamentável e só mostra a importância dessa
ocupação da política e, também, como que o trabalho que a vereadora Poliana faz
na cidade de Barra Bonita incomoda aqueles que querem ver a política quieta, silenciosa.
Queria me
solidarizar com a vereadora, dizer que o nosso mandato está acompanhando esse
caso e que eu espero providências da Câmara Municipal, que não pode ser um
espaço que tolere, não pode ser um espaço livre para misoginia, para violência
política de gênero, desincentivando a participação das mulheres nos espaços da
política.
Para isso, é
preciso que se dê respostas contundentes, que o vereador que cometeu e que
proferiu esse discurso tão desrespeitoso, inclusive falando de uma assessora do
nosso mandato, que não faz parte do nosso mandato por ser amiga de ninguém, mas
por ser uma pessoa que representa e representa muito bem a cidade e toda a
região do centro-oeste paulista e que tem conseguido trazer muita coisa para
toda aquela região.
Então, esperar
que a Justiça Eleitoral, que a Justiça dê um encaminhamento para mais um caso
de violência política de gênero, que não pode ser tolerado, e que a Câmara
Municipal tome as providências cabíveis para que esse mandato que não respeita
as mulheres, não respeita uma parlamentar legitimamente eleita, seja
responsabilizado pelas suas ações.
Presidente, no
dia de ontem nós também tivemos uma vitória aqui na Assembleia Legislativa. Não
é sempre que nós, que estamos do lado do povo - não é, deputado Reis? -, nós
temos vitórias aqui, porque infelizmente a maior parte dos deputados não têm
compromisso com a defesa do serviço público. Geralmente, quando esta Casa enche
é para votar retrocessos contra a população.
E ontem nós
conseguimos adiar, mais uma vez, a discussão da reforma administrativa de
Educação que, como tudo o que esse governo propõe para a área da Educação, é
ruim. Piora a escola pública, piora a qualidade de ensino. Esse governo, desde
que começou, já quis substituir o livro didático por material virtual, o
professor por inteligência artificial, já privatizou e militarizou escola e já
cortou 11 bilhões de reais da rede estadual de ensino.
Não obstante,
agora ele quer precarizar ainda mais as condições de trabalho dos nossos
professores com mais uma reforma administrativa. Quero parabenizar todo o
movimento dos professores e da comunidade educacional, escolar, aqui de São
Paulo, que conseguiu mais uma vez barrar a discussão desse projeto graças à
mobilização da categoria e a gente vai seguir com ela para que esse projeto não
seja votado.
Eu sei que tem
muitos deputados da base do Governo que não querem votar esse projeto porque
sabem que é um projeto ruim e estão a cinco meses da eleição. Eu sempre digo
que, se o deputado não quer votar porque acha que vai perder voto, já é
atestado de que o projeto não é bom, que ele não deveria votar por consciência,
não só pela oportunidade de ter ou perder voto.
Então, espero
que a gente consiga barrar a tramitação desse projeto. Vamos seguir em
obstrução. Parabenizo todo o movimento, a Apeoesp, os professores, os
estudantes que estão se mobilizando contra mais esse ataque contra a Educação.
Assim como os
professores da rede estadual estão lutando contra esse nefasto projeto de
reforma administrativa, os estudantes da USP estão em greve, uma greve muito
forte, muito diversa, em todos os campi da universidade, em todos os institutos
da universidade, em defesa da Educação de qualidade.
Ninguém gosta
de fazer greve, deputado Reis. A greve atrapalha a vida de todo mundo,
atrapalha o dia a dia das pessoas. A greve é o último instrumento que, às
vezes, os movimentos têm quando não são ouvidos em suas reivindicações.
Os estudantes
da Universidade de São Paulo, que é a maior universidade do País, relatam uma
série de problemas com as bolsas de permanência estudantil, com os bandejões
que servem a comida para os estudantes, inclusive bandejão com larva.
Os servidores e
professores estão sofrendo com a defasagem em seus salários, e tudo isso
porque, desde antes de eu nascer, há 31 anos, desde 1995, o percentual que o
estado de São Paulo investe na USP, na Unesp e na Unicamp não é atualizado. São
9,57% do ICMS há 31 anos e esse valor hoje é completamente deficitário, não
consegue pagar e investir adequadamente nas nossas universidades pelo trabalho
que elas fazem.
Então, essa
mobilização dos estudantes não é uma mobilização para não ter aula, não é uma
mobilização só pelos seus próprios interesses; é uma mobilização para que a
universidade pública tenha um investimento e as condições adequadas para poder
oferecer e cumprir a sua função social para o estado de São Paulo.
Para terminar,
Sr. Presidente, a gente está às vésperas do 1º de maio, uma data histórica e um
marco na luta dos trabalhadores, das trabalhadoras. Neste ano, mais do que
nunca, nossa principal luta, nossa principal bandeira é pelo direito à vida
além do trabalho.
É inadmissível
que tantas e tantas pessoas trabalhem durante seis dias consecutivos e só
tenham um dia para descansar. Eu rodo pela Assembleia e toda vez que encontro
com alguém que trabalha como terceirizado na limpeza, na segurança, ou que vou
a uma loja, as pessoas me perguntam: “Quando vocês vão acabar com a escala
6x1?” Eu espero que neste ano a gente possa acabar com a escala 6x1, porque é
um avanço civilizatório para que as pessoas possam ter tempo de viver além de
trabalhar.
Então, neste 1º
de maio, vamos ter uma manifestação na Praça Roosevelt e estaremos lá junto com
os movimentos sociais, com as centrais sindicais, lutando para que o Congresso
Nacional escute a opinião de mais de 70% da população brasileira e acabe de uma
vez por todas com essa escala abusiva e desumana para que o nosso povo trabalhador
possa ter tempo de viver, passar tempo com a sua família, estudar e não apenas
viver para trabalhar para os outros.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - FÁBIO FARIA DE SÁ - PODE - Obrigado,
deputado Guilherme Cortez. Com a palavra, o deputado Capitão Telhada. Vossa
Excelência tem o tempo regimental de cinco minutos, deputado.
O
SR. CAPITÃO TELHADA - PP -
Uma excelente tarde, Exmo. Presidente, deputado Fábio Faria de Sá, a todos os
parlamentares que nos acompanham, à galeria, aos funcionários militares e civis
desta Casa, àqueles que nos acompanham pelas redes. Uma excelente tarde de
quarta-feira.
Venho, nesta
tarde, presidente, trazer alguns assuntos. Primeiramente, nesta manhã,
participamos da transmissão de comando, da passagem de comando da Polícia
Militar do Estado de São Paulo, recentemente publicada em “Diário Oficial”, o
coronel, comandante-geral, Coutinho, e o subcomandante-geral, coronel Erick,
após o cumprimento de suas missões em mais de 30 anos servindo à Polícia Militar,
servindo à sociedade paulista.
Realizaram um
grande comando da nossa instituição com operações de referência ao combate ao
crime organizado, operações que levaram e trouxeram à sociedade os melhores
resultados da série histórica da Polícia Militar dos últimos 25 anos.
Os melhores
resultados alcançados são justamente nessa gestão do coronel Cássio, do coronel
Coutinho. Então, eu quero, primeiramente, deixar os meus parabéns, a minha
gratidão, o reconhecimento público da Assembleia Legislativa.
E comigo lá
nesta manhã tinha vários deputados, inclusive o presidente da Assembleia,
acompanhando esse ato e muito foi falado dos resultados alcançados. Então,
parabéns a toda a equipe que agora passa o bastão. Parabéns ao coronel
Coutinho, ao coronel Erick e a todos os que estiveram compondo esse grande
comando.
Com certeza
deixam um legado de sucesso à Polícia Militar e essa transmissão à nova
comandante-geral da PM, coronel Glauce Cavalli e ao subcomandante coronel
Kitsuwa, com certeza essa missão é grande, a responsabilidade é maior ainda,
justamente porque vem rendendo comandos de sucesso.
Aqui está a
fotografia, eu gostaria que passasse na TV Alesp, a imagem veiculada pelo
próprio Instagram oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo, da coronel
Glauce Cavalli.
Com 33 anos de
serviço prestado à Polícia Militar, ela assume o comando-geral e o detalhe, a
primeira comandante mulher da maior força policial do Brasil. A Polícia Militar
de São Paulo é maior do que a Marinha do Brasil, é maior do que a Força Aérea
Brasileira. É uma das maiores, maiores que muitos exércitos sul-americanos.
Então, uma responsabilidade gigantesca de conduzir homens e mulheres na guerra,
no combate cotidiano.
Eu desejo muito
sucesso, que Deus abençoe muito a carreira e essa jornada de desafios que vêm
aí pelo horizonte à coronel Glauce, ao coronel Kitsuwa e àqueles comandantes
que estarão também levando e tomando as decisões no próximo período.
Muito foi
falado na solenidade das mulheres pioneiras da Polícia Militar, Major Mecca, lá
de 1955, quando um pouco mais de uma dezena de mulheres ingressaram na Polícia
Militar, iniciando, inaugurando uma fase de abertura para as mulheres em um
serviço que até então era tipicamente masculino, um ambiente masculino. Elas
foram pioneiras e hoje a coronel Glauce é também a pioneira, a primeira mulher
comandante.
Então, parabéns
à carreira dela. Com certeza, ela não está assumindo o comando-geral por ser
mulher. Não é um gesto político, é por competência e a carreira dela fala por
si só.
De qualquer
maneira, parabéns ao nosso governador Tarcísio pela coragem de tomar uma
decisão. Muitos a gente sabe que, infelizmente, são contra. Porém, eu tenho
certeza que foi uma decisão acertada e a polícia também entrará numa fase de
prevenção, uma fase de combate endurecido justamente à violência de gênero, à
violência contra a mulher, à violência doméstica.
Foi falado
também hoje, nas palavras da comandante Glauce, que este será o grande objetivo
do seu comando: diminuir e evitar a violência contra a mulher no estado de São
Paulo.
Eu quero também
trazer um outro assunto. Estive presente nessa segunda e terça-feira dessa
semana na Agrishow, um grande evento do agronegócio, a maior feira da América
Latina, mais de quinhentos mil metros quadrados, de estandes, de demonstrações,
de tecnologia, de equipamento, de maquinário, de inovações.
Inclusive, este
ano com muito enfoque na inteligência artificial para aquecer o mercado, para
trazer condições dos trabalhadores do campo, dos trabalhadores rurais, dos
produtores, grandes e pequenos, a justamente melhorarem a sua força de
trabalho, melhorarem e terem mais eficiência na produção, tanto da pecuária
quanto do plantio.
Nós
acompanhamos lá o senador Flávio Bolsonaro nesses dois dias na feira, o
governador Tarcísio, diversos deputados, diversos empresários desse segmento. E
como é bom a gente ver que São Paulo vai justamente na contramão do governo
federal.
Enquanto o
governo federal veio no domingo e anunciou um investimento que ninguém entendeu
o que queria dizer, foi lá o vice-presidente Geraldo Alckmin, trouxe lá a
informação de que teria o investimento para o agronegócio paulista, mas ninguém
sabe o quanto que esse crédito vai ter de juros, como vai ser pago, em que
condições que será, quem será o portador desse crédito, algo mal falado, mal
explicado.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Guilherme Cortez.
* * *
E São Paulo vem
justamente no contrário, entregando maquinário, 174 municípios recebendo
maquinário, recebendo viatura, recebendo retroescavadeira, recebendo muito
equipamento de Defesa Civil. Então, como é bom a gente ver que o Governo de São
Paulo vai justamente na contramão do governo federal e vai na mão do sucesso.
Para acabar meu tempo, presidente, mais 30 segundos.
* * *
- É exibido
imagem.
* * *
Quero dizer que
nessa oportunidade estive visitando a cidade de Serrana. Pode colocar a imagem,
por favor, lá na Escola Silvia Helena Sanjulião? Está aí a foto, eu juntamente
com o meu parceiro lá, o vereador Paulo Cassiolato, a diretora Patrícia,
prefeito Léo, o secretário Guilherme, um colégio, o deputado Guilherme falou de
31 anos de colégio.
Esse colégio
tem 31 anos e carecia de uma reforma estrutural: pisos, paredes, revestimentos,
elétrica. E, numa parceria com a Secretaria da Educação e com a Prefeitura de
Serrana, a gente está conseguindo levar 200 mil reais para a reforma desse
colégio que estivemos lá conhecendo, e aproveitei para passar também na sede da
Polícia Militar de Serrana, lá no pelotão.
* * *
- É exibido
imagem.
* * *
Está aí a
fotografia também.
Estivemos lá
conversando com o tenente Lucas, com o cabo Garcia, com o cabo Honório, o
Araújo, o Fernandes, o Guerino e o sub Idálio, falando um pouquinho de
Segurança Pública, conhecendo as dificuldades, os desafios da Polícia Militar
em Serrana. Estaremos levando em breve um auxílio de recurso para esses bravos
homens e mulheres.
Então muito
obrigado pela recepção aos amigos de Serrana, contem com o nosso mandato,
contem com o apoio do Capitão Telhado aqui pela Assembleia, de toda a bancada
da Segurança Pública. Parabéns ao trabalho que os senhores exercem aí, tanto os
professores de Serrana, que são heróis da Educação, cuidando das nossas futuras
gerações, como também os nossos heróis policiais, civis e militares, que fazem
a diferença no dia a dia. Contem com o nosso trabalho.
Muito obrigado
por todo o serviço que os senhores prestam para a sociedade paulista.
Obrigado,
presidente.
O
SR. PRESIDENTE - GUILHERME CORTEZ - PSOL - Muito
obrigado, Sr. Deputado.
Seguindo agora na Lista Suplementar,
gostaria chamar o nobre deputado Major Mecca para utilizar a tribuna pelo tempo
regimental de cinco minutos. Seja bem-vindo, deputado.
O
SR. MAJOR MECCA - PL
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde, presidente, Guilherme Cortez, todos os
deputados e as deputadas presentes.
Gostaria de
parabenizar pela posse a coronel Glauce, coronel Kitsuwa; a coronel Glauce:
comandante da Polícia Militar do Estado de São Paulo; o coronel Kitsuwa: o
subcomandante; pessoas fantásticas, maravilhosas, com um histórico de prestação
de serviços enorme ao povo de São Paulo, trabalhei com a coronel
Glauce, quando eu fui comandante da Escola de Oficiais, ela era capitão,
trabalhava comigo lá, o coronel Kitsuwa, quando eu fui tenente na Rota, ele era
tenente junto comigo na Rota noturna.
Combatemos o crime organizado juntos, lado a lado, e eu
tenho certeza que a Polícia Militar continua em boas mãos e o povo de São Paulo
pode continuar contando com toda a Polícia Militar do estado de São Paulo, como
sempre contou.
Na última sexta-feira, eu estive no quartel do
Comando-Geral, fui cumprimentar pessoalmente a coronel Glauce, o Coronel
Kitsuwa, conversar com eles, expor os projetos que nós temos na Assembleia
Legislativa, pela Polícia Militar, pelos policiais militares e pelo povo de São
Paulo. Porque quando nós falamos no bem-estar, na autoestima e na segurança
jurídica de um policial, nós estamos falando em mais segurança para o povo.
Falei da Lei nº 18.025, que é o programa “Moradia Segura”,
que é um projeto de lei da minha autoria, onde as cartas de crédito estão para
serem entregues a policiais militares, a policiais civis, policiais penais,
policiais técnico-científicos. Externei sobre o Projeto de lei Complementar nº
35, que altera o tempo de averbação, o tempo que o policial militar trabalhou
fora, contribuiu para a Previdência, e simplesmente subtraíram o tempo de
contribuição, assim como o valor da contribuição que o policial fez ao INSS.
Estão os policiais militares no estado de São Paulo em situação de desespero e
isso muito nos preocupa.
Eu fiz essa fala a comandante-geral, à coronel Glauce, fiz
essa fala ao coronel Kitsuwa, o subcomandante. Porque eu entendo que o alto
comando da Polícia Militar é imprescindível nas articulações junto ao governo,
para que nós possamos mostrar ao governador as reais condições dos policiais no
estado de São Paulo.
E é importante, muito importante, quando um político quer
saber como está a situação, ele tem que conversar com quem está na ponta da
linha, tem que conversar com o cidadão de bem, que pega ônibus todo dia, que
fica duas horas dentro de um ônibus, em uma condução, aí desce na Praça da Sé,
desce do Metrô, e quem observa a plataforma da estação Sé não acredita que
aquele mundaréu de gente vai conseguir embarcar.
Tem que ir nas filas dos hospitais, onde pessoas estão
morrendo por falta de atendimento, por não haver leito de enfermaria, não haver
leito de UTI. Os policiais que estão morrendo nas ruas, fazendo das tripas
coração para combater o crime, que é o que aconteceu ontem com o soldado Lucas
em Osasco, soldado do 14º Batalhão, baleado, internado no Hospital das Clínicas
em estado grave.
E assim se encontram os nossos irmãos de farda, fazendo o
que podem, o possível para defender o povo de São Paulo, em uma situação de
extrema precariedade, extrema precariedade.
Nós acompanhamos mães de família, deputado Guilherme, perdem
o dedo porque a aliança não saiu, o ladrão arranca o dedo de uma senhora para
poder levar a aliança, arremessa violentamente uma mulher, uma senhora de idade
ao solo, machuca para
poder subtrair a bolsa.
E é esse o
cenário que os policiais e o povo de São Paulo enfrentam para sobreviver no seu
dia a dia. Nós seremos incansáveis em todos os projetos que apresentamos,
porque quando nós apresentamos um projeto, isso não sai única e exclusivamente
da nossa mente, vindo de Marte, não.
É um clamor de
quem está nas ruas, de quem trabalha, de quem vive as dificuldades. Não é a
dificuldade da vida palaciana - que a gente sabe que não existe -, porque a
vida palaciana leva o gestor, leva o chefe de Estado a crer que tudo está mil
maravilhas. E não está. Os policiais militares do estado de São Paulo estão
atravessando uma situação de penúria, de abandono, de precariedade.
E reforço aqui,
viu? Se o governo pensa em enterrar o Projeto de lei Complementar nº 135, saiba
que não é o projeto que vocês estão enterrando, não, vocês estarão jogando uma
pá de cal e enterrando inúmeros policiais militares no estado de São Paulo
doentes, sofrendo de dores físicas e psicológicas por conta das injustiças
promovidas na última reforma previdenciária e no último gesto do governador de
assumir um compromisso comigo e não cumprir.
Muito obrigado,
presidente.
O
SR. PRESIDENTE - GUILHERME CORTEZ - PSOL - Muito
obrigado, deputado Major Mecca. Chamando agora, imediatamente, correndo, a
deputada Solange Freitas, para utilizar o tempo remanescente do Pequeno
Expediente.
Seja bem-vinda, deputada.
A
SRA. SOLANGE FREITAS - UNIÃO -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Obrigada, Sr. Presidente.
Muito boa tarde
a todos. Eu faço questão de hoje estar aqui nesta tribuna porque a PM, a
Polícia Militar do Estado de São Paulo, existe há quase 200 anos. E, pela
primeira vez, nós agora, a Polícia Militar vai ser comandada, já está sendo
comandada por uma mulher. E eu fiquei muito feliz de ter uma mulher no comando
da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Parabéns para a
coronel Glauce, que já tem um trabalho lindo na corporação. E, além de tudo,
ela é uma mulher, ela é mãe, ela tem a sensibilidade da mãe, da mulher, mas a
força, a coragem e a determinação de uma policial militar. Então eu tenho
certeza de que a Polícia Militar do Estado de São Paulo está em muitas boas
mãos.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Reis.
* * *
E hoje teve a
transmissão da posse, a transmissão do cargo, a cerimônia, que foi muito bonita
na Academia da Polícia Militar do Barro Branco. E eu fiz questão de estar lá
para poder dar um abraço na coronel Glauce, para dar um abraço e dizer que
estamos juntas nessa luta.
Conte com a
gente também nessa luta por nós, mulheres, pela força das mulheres e pela
Segurança Pública do estado de São Paulo também. E eu prestei muita atenção no
discurso dela e ela falou muito sobre a questão do combate à violência
doméstica ao feminicídio. Ela disse que esse combate vai ser ainda mais
intenso, que os quartéis vão ser abertos para dar esse acolhimento às mulheres,
com a cabine lilás.
A tecnologia
sendo usada, como, por exemplo, a tornozeleira eletrônica, com mais afinco para
que a gente possa fazer com que esses agressores fiquem longe das mulheres,
para a gente diminuir essa estatística tão difícil dos feminicídios. Então é
uma força muito grande e a gente tem que dizer o seguinte. Somos todas uma só
voz, mas também somos todos uma só voz no combate à violência doméstica.
E eu aproveitei
a oportunidade que estava lá na cerimônia e me encontrei com o presidente do
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, o desembargador Francisco Loureiro,
e eu conversei com ele mais uma vez e reforcei o pedido que já foi negado pelo
Tribunal de Justiça. Eu disse para o desembargador Francisco que estou muito
chateada com o TJ, porque negou a criação de uma Vara da Violência Doméstica em
São Vicente.
Eu falei
“Desembargador, nós não podemos negar uma Vara de combate a toda essa violência
que as mulheres vêm sofrendo com números tão frios, números que são usados para
dizer ‘Ah, não tem número suficiente de processos para que a gente possa dizer
que é importante a instalação da Vara’. Mas, é, sim, São Vicente precisa de uma
Vara de Violência Doméstica.”
Estou
conversando também com os promotores, os juízes de São Vicente para a gente
pegar outros números e poder, agora sim, de verdade, lutar. E vou continuar
lutando.
O que me deixou
animada é que o desembargador Francisco disse que vai tentar ver por que foi
negada e vai estar junto com a gente nessa luta para que a gente tenha em São
Vicente a Vara de Violência Doméstica. Estou muito animada e a nossa luta
continua. A gente recebe o “não”, mas a gente vai sempre em busca do “sim”.
Muito obrigada.
* * *
- Passa-se ao
GRANDE EXPEDIENTE
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Encerrado o Pequeno
Expediente e já entrando no Grande Expediente, chamo para fazer uso da palavra
o deputado Eduardo Matarazzo Suplicy, em permuta com o deputado Dr. Jorge do
Carmo. Tem V. Exa. o tempo regimental de dez minutos.
O SR. EDUARDO SUPLICY
- PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro deputado Reis, gostaria aqui
de assinalar que outro assunto que quero aqui assinalar é a gravidade do
episódio recente ocorrido em Mogi das Cruzes, amplamente divulgado pela
imprensa, inclusive pelo “G1”. Um trabalhador, um entregador, um jovem que
estava ali na correria do dia a dia, tentando garantir o sustento, teve sua
bicicleta jogada em um córrego por um agente da Guarda Civil Municipal.
Não estamos
falando de um objeto qualquer, mas de um meio de sobrevivência de milhares de
trabalhadores e trabalhadoras que vivem da chamada economia de aplicativos,
gente que pedala sob sol e chuva, sem direitos, sem garantias, muitas vezes
invisibilizada.
E, ainda assim,
sustenta parte significativa da dinâmica urbana de nossas cidades. As imagens
são revoltantes. O próprio trabalhador relata que teve seu pneu danificado e
sua atividade interrompida. Isso não é apenas abuso de autoridade, é violência
institucional contra quem mais precisa.
Agradeço ao
senhor que está tomando conta das comunicações, que possa transmitir a imagem
da cena que aconteceu ali em Mogi das Cruzes. Por favor.
* * *
- É exibido o
vídeo.
* * *
Muito obrigado.
Portanto, não
estamos falando de um projeto qualquer, é o meio de sobrevivência de milhares
de trabalhadores e trabalhadoras que vivem da economia de aplicativos. As
imagens são revoltantes. O próprio trabalhador relata que teve seu pneu
danificado e sua atividade interrompida.
Não é apenas
abuso de autoridade, é violência institucional contra quem mais precisa. Não se
trata de caso isolado, é um sintoma de um modelo de Segurança Pública que
muitas vezes enxerga o trabalhador pobre como suspeito, como alguém a ser
reprimido, e não protegido.
A prefeitura
anunciou o afastamento do agente e a abertura de sindicância. Isso é
necessário, mas insuficiente. O que precisamos é mudança estrutural. Precisamos
de formação cidadã das forças de Segurança, de protocolos claros de abordagem,
de responsabilização efetiva e, acima de tudo, de respeito à dignidade humana.
Não podemos naturalizar esse tipo de violência.
Quando um
entregador tem sua bicicleta jogada em um córrego, não é apenas ele que é
atingido, é uma ideia de trabalho digno que está sendo jogada fora. Que
mensagem estamos passando? Que quem trabalha honestamente pode ser humilhado?
Que o Estado pode agir com arbitrariedade contra os mais vulneráveis? Não
podemos aceitar isso.
Defender
Segurança Pública não é defender abuso. Defender ordem não é aceitar a
injustiça. Segurança de verdade se constrói com respeito, com direitos e com
humanidade, por isso deixo aqui minha solidariedade a esse trabalhador e a
todos os entregadores de nosso estado.
Reafirmo:
enquanto houver injustiça contra quem trabalha, haverá luta e estaremos do lado
certo nessa luta.
Muito obrigado,
deputado Reis.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Vossa Excelência pode
assumir a Presidência para que eu possa falar?
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Pois não?
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Eduardo
Suplicy.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Continuando a
lista de oradores agora do Grande Expediente, tem a palavra o deputado Reis, em
permuta com a deputada Leci Brandão, pelo tempo regimental.
O
SR. REIS - PT -
Presidente, eu retorno aqui a esta tribuna no Grande Expediente. Um tema muito
preocupante, matéria que saiu em vários meios de comunicação e mostra, sim, o
que a gente tem visto nas reportagens: essa ronda que o PCC faz junto ao
Palácio dos Bandeirantes.
Eu até estava
aqui no Google. E quando você joga no Google “informações sobre o Primeiro
Comando da Capital”, aparece na “Folha de S. Paulo”: “Tarcísio jantou e tirou
fotos com empresário do funk preso, que é acusado de lavar dinheiro para o
PCC”. Ele jantou e tirou fotos. Não, tudo bem jantar, tirar fotos - isso não
está no Código Penal, que é um crime. “Ah, tirou fotos com integrantes do PCC.
Pena: dez anos de cadeia”. Não está, não tem isso lá.
Mas isso mostra
como o crime organizado vai se apropriando das pessoas, vai se aproximando das
pessoas, muitas vezes pessoas que têm poder de decisão, poder de mando.
“Intercept
Brasil”: “Ligação com PCC ronda campanha de Tarcísio para 2026”. Comandante da
PM de Tarcísio pediu para sair, segundo as reportagens, porque a Corregedoria
da Polícia Militar e o próprio Ministério Público identificaram que ele não
tomou providências, que ele prevaricou quando os policias que faziam escolta de
empresas ligadas ao PCC foram informados ao comando e ele, na época, não tomou providências.
E o fato do nome dele aparecer na investigação acabou fazendo com que ele
pedisse para sair, né?
A saga entre
Tarcísio e PCC continua. “‘Estadão’ mostra ligação entre o governo Tarcísio e o
PCC”. “Tarcísio fala sobre saída de coronel da PM após inquérito sobre PCC”.
“Infiltração do PCC expõe falhas na PM e limites do governo Tarcísio”. Tudo são
matérias jornalísticas, e são matérias jornalísticas preocupantes, porque nós
não estamos falando de um baixo clero, nós estamos falando do mandatário-mor,
do chefe do executivo.
E até outro dia
também teve um integrante da segurança do Tarcísio, que frequentava a cozinha
do Tarcísio, que foi preso também pela Polícia Federal por conta de ter sido
acusado de ter envolvimento com o PCC.
A doadora de
campanha, a segunda maior doação que o Tarcísio recebeu na campanha vem de uma
pecuarista, a dona Maribel Golin, que doou 500 mil reais para a campanha do
Tarcísio, e também é acusada de lavar dinheiro para o PCC.
Sobre o coronel
Coutinho, que eu já falei, ele deixa o comando da Polícia Militar após ser
citado em investigação da Corregedoria sobre suposta proteção a policiais
envolvidos na escolta de integrantes em empresa ligada ao PCC.
Em agosto do
ano passado, o governador Tarcísio jantou com o empresário do funk, o Rodrigo
Inácio Oliveira, da GR6 Explode. Dia 15 de abril, agora, ele foi preso pela
Polícia Federal na Operação Narcofluxo, um esquema de lavagem de dinheiro.
E aí a gente
falando desse período “Tarcisiano”, mas vem uma notícia que um integrante, um
PCC, usou o heliponto do Palácio dos Bandeirantes durante a gestão Doria. Então
esse namoro, essa aproximação não é só do Tarcísio, vem da gestão anterior.
Um relatório da
Polícia Civil revela que um helicóptero com um integrante do Primeiro Comando
da Capital pousou no heliponto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo
paulista, em 10 de março de 2022, depois de obter autorização em cerca de seis
horas. Segundo a investigação, o pedido foi viabilizado por meio de contatos
políticos.
O episódio
integra documentos da Operação Contaminatio, deflagrada nesta segunda-feira dia
27, pela Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes. A
ofensiva apura infiltração de integrantes da facção em administrações
municipais do interior paulista, e o financiamento de candidatos nas eleições
de 2024.
Isso é muito
grave, são gravíssimas essas notícias, né? De acordo com relatório policial, o
traficante preferiria o Estádio do Morumbi para assistir a partido entre São
Paulo e Palmeiras pelo Campeonato Paulista.
O documento
classifica o pouso como surpreendente, e afirma que o caso demonstra o alcance
da infiltração do crime organizado no Poder Público e o risco que isso pode
gerar nas instituições estatais. O relatório foi elaborado pelo delegado
Fabrício e encaminhado à delegada Dra. Margarete Barreto, responsável pela
Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes, e divulgado, primeiramente, pelo jornal
“Estado de S. Paulo”.
Segundo a
investigação, o passageiro era o empresário João Gabriel de Mello Yamawaki,
preso em 2 de março de 2026, no interior de Tocantins. Ele é suspeito de
ligação com um carregamento de 500 quilos de cocaína apreendido em um avião
vindo da Bolívia, e estava foragido desde março de 2025, quando foi alvo da
Operação Decurio.
Então, com base
nessas informações, Sr. Presidente, não vou ler toda a matéria, porque a
matéria é muito extensa e o tempo aqui é tudo muito curto. Mas, com base nessas
matérias, nessas informações preocupantes do envolvimento do crime organizado
com pessoas que autorizam pouso de helicóptero no Palácio dos Bandeirantes...
Não foi em um heliponto qualquer, nós estamos falando da sede do governador.
Então estou
pedindo que o governo possa me informar: “1 - Qual é o regramento normativo
atualmente vigente para utilização do heliponto localizado no Palácio dos
Bandeirantes, especialmente no que diz respeito à voos civis e não
institucionais?” Ou seja, qualquer um pode usar o heliponto do Palácio do
governo?
“Qual órgão ou
autoridade é competente para autorizar o pouso e a decolagem de aeronaves no
referido heliponto? Quais são os critérios técnicos e administrativos de
segurança adotados para concessão de autorização de pouso no local? Existe
procedimento formal de solicitação e registro dessas autorizações?
Em caso
positivo, encaminhar cópia do fluxo administrativo correspondente. Desde
primeiro de janeiro de 2022 até a presente data, quais aeronaves, a
identificação, prefixo e operador foram autorizadas a pousar no heliponto do
Palácio dos Bandeirantes?”
Porque se isso
aconteceu com esse helicóptero, usando esse heliponto, será que isso continua
acontecendo? Quais são os helicópteros que são pousados ali, na casa do
governador?
“Quais
aeronaves efetivamente utilizaram o heliponto neste período? Há distinção entre
voos oficiais e particulares no controle de acesso ao heliponto? Em caso
positivo, como se dá essa diferenciação? Quais medidas de controle e auditoria
são adotadas para verificar a regularidade das autorizações concedidas?
Houve, desde
2022, instauração de procedimentos administrativos, sindicâncias ou
investigações internas relacionadas ao uso indevido do heliponto do Palácio dos
Bandeirantes? Em caso positivo, encaminhar informações detalhadas.
Considerando
que operações com aeronaves civis e helipontos dependem de regra de autorização
prévia do operador da instalação, como se dá a articulação entre o governo do
estado e os órgãos reguladores da Aviação Civil neste processo, no caso a Anac?
O governo do
estado pretende revisar os protocolos de autorização de controle de acesso ao
heliponto diante dos fatos recentemente divulgados? Em caso positivo, indicar
quais medidas estão sendo estudadas ou implementadas.
Então, se
justifica esse requerimento de informação para obter esclarecimentos formais
acerca do uso do heliponto do Palácio dos Bandeirantes diante das notícias
amplamente divulgadas pela imprensa que apontam a possível utilização da
estrutura por um indivíduo investigado por vínculo com organização criminosa no
ano de 2022.
Trata-se de questão
de alta relevância institucional, uma vez que o heliponto está localizado na
sede do governo do estado, ambiente que demanda rigorosos protocolos de
segurança, controle e transparência.
Nesse contexto
impõe o seu pleno esclarecimento dos fatos, bem como a verificação dos
mecanismos de governança, adotada para autorizar e fiscalizar o uso da referida
estrutura pública, garantindo integridade da instituição e adequado uso do
patrimônio estatal.
Sala das
sessões, deputado Reis.”
Então este
requerimento estou encaminhando para o governador para que ele informe o que
realmente acontece nesse heliponto, a partir dessa denúncia que aconteceu em
2022. Mas a gente precisa saber de 2022 até agora, diante de tantas notícias
que relacionam a figura do Executivo com o PCC.
Quando a gente
entra nos noticiários, nos jornais, são várias matérias que vêm fazendo essas
insinuações e que a gente precisa saber. Nós, como fiscais do povo, eleitos
para fiscalizar o governo, precisamos dessas informações. A gente precisa acompanhar
o que acontece na cozinha do governador e o que acontece no heliponto do
Palácio dos Bandeirantes, Sr. Presidente.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Muito bem.
O
SR. REIS - PT - Sr. Presidente, havendo o acordo
de lideranças, eu requeiro de V. Exa. que a presente sessão seja levantada.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Muito bem,
deputado Reis.
Gostaria, ao concluir a nossa sessão de
hoje, de fazer aqui um apelo muito sincero ao presidente dos Estados Unidos,
Donald Trump, para que ele possa melhor absorver as lições dos grandes líderes
pacifistas da história da humanidade, como Mahatma Gandhi, Nelson Mandela,
Madre Teresa, Thomas Alva Edison e tantas outras pessoas que, através da
proposição da não-violência, conseguiram atingir objetivos pacificadores
extraordinários em seus países, como foi o caso de Mahatma Gandhi ao conquistar
a independência da Índia pela não-violência, como também foi o caso de Nelson
Mandela, após 27 anos de prisão.
Saiu da prisão para presidir o seu
país, para a construção de nações mais justas e que assegurem a todos o direito
à cidadania para valer.
Muito obrigado, deputado Reis. Parabéns
pelas suas contribuições.
Havendo acordo, portanto, das
lideranças, esta Presidência, antes de dar por encerrados os trabalhos, convoca
Vossas Excelências para a sessão ordinária de amanhã, à hora regimental, sem
Ordem do Dia.
Obrigado.
Está levantada a presente sessão.
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- Levanta-se a sessão às 15 horas e 22
minutos.
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