
26 DE MARÇO DE 2026
33ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: EDUARDO SUPLICY e CARLOS GIANNAZI
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h03min.
2 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
4 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
5 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência.
6 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
7 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
8 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
9 - EDUARDO SUPLICY
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
10 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Defere o pedido. Endossa o pronunciamento do deputado Eduardo Suplicy. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 27/03, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 14h58min.
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* *
ÍNTEGRA
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- Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
- Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
* * *
O SR. PRESIDENTE
- EDUARDO SUPLICY - PT - Presente o número
regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus,
iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da
sessão anterior e recebe o Expediente. Passemos à lista dos oradores inscritos
no Pequeno Expediente. Tem a palavra o deputado
Carlos Giannazi, pelo tempo regulamentar.
O SR. CARLOS GIANNAZI
- PSOL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente,
deputado Eduardo Suplicy, público aqui presente e telespectador da TV
Assembleia, em primeiro lugar eu quero manifestar o meu total apoio à luta dos
estudantes do estado de São Paulo, que, na noite de ontem, fizeram um protesto,
uma manifestação e uma ocupação pacífica e política de um setor da Secretaria
da Educação, na Praça da República, porque os estudantes não aguentam mais, os
estudantes não são recebidos pelo secretário da Educação.
Aliás,
esse secretário da Educação, que é empresário da Educação, Sr. Presidente, não
recebe ninguém. Nem na Assembleia Legislativa ele vem mais. Quando tem
audiência pública ele manda o seu secretário executivo, porque ele não tem coragem de fazer o debate aqui e
discutir as maldades que ele vem fazendo, os ataques que ele vem fazendo contra
a Educação do estado de São Paulo.
Então ele
sempre envia, em geral, o seu secretário executivo. Se ele faz isso com o
Parlamento paulista, com os deputados da Assembleia Legislativa, fico
imaginando o que ele não faz com os servidores, como os funcionários. Não
recebe as entidades representativas do Magistério também, manda o seu
secretário executivo negociar.
E os estudantes
não aguentam mais, Sr. Presidente, sobretudo as plataformas digitais, essa
máfia, essa ditadura das plataformas digitais que foram implantadas na rede
estadual, que retiram a autonomia pedagógica dos professores e professoras, e
prejudica imensamente a aprendizagem dos alunos. Os alunos não estão mais
aprendendo nada com essas plataformas digitais.
Em vários sistemas
de ensino no mundo há um retrocesso em relação a uso de telas, retrocesso no
sentido de retirada, do banimento das telas das nossas escolas. O maior exemplo
foi aqui, que nós aprovamos um projeto proibindo celular em sala de aula. Aliás
o Brasil proibiu através de uma aprovação de uma lei no Congresso Nacional.
Então aqui em
São Paulo é o contrário: para enriquecer as empresas de tecnologia, o governo
estadual gasta milhões e milhões de reais para prejudicar a rede estadual,
prejudicar os alunos e prejudicar também os nossos professores, os nossos
profissionais da Educação.
Então os alunos
estavam lá, fazendo essa manifestação, querendo ser recebidos pelo secretário
ou pelo governador, Sr. Presidente, porque eles são os mais prejudicados com o
corte do orçamento da Educação, com o fechamento de salas, com o fechamento de
turnos, com a militarização das escolas, com a violência contra as escolas, com
a privatização das escolas estaduais.
O governador
Tarcísio de Freitas com o seu secretário, e empresário da Educação, estão
vendendo escolas estaduais através de leilões na Bolsa de Valores. Olha o
absurdo, a que ponto nós chegamos. A Educação no estado de São Paulo virou um
ativo financeiro, Sr. Presidente, é disso que se trata.
Então os
estudantes estavam lá ontem, mas infelizmente o secretário, ao invés de receber
os alunos, abrir negociações, ouvir os alunos do Ensino Médio da rede estadual
de ensino, o secretário recebeu os alunos com a tropa de choque da Polícia
Militar, reprimindo a manifestação e prendendo alunos; foram todos levados para
um distrito policial.
Ou seja, o
secretário da Educação trata a manifestação democrática e pacífica dos alunos
como um ato criminoso, como caso de polícia, Sr. Presidente. Então é isso que
está acontecendo na rede estadual.
Mas quero
lembrar o governador Tarcísio, e quero lembrar também o empresário da Educação,
o ex-dono - não sei se é dono ainda - da Multilaser, Renato Feder, que se diz
secretário da Educação, mas parece que só recebe as empresas de tecnologia, as
fundações empresariais. Essas ele recebe lá no seu gabinete, mas não recebe
entidades do Magistério, não recebe alunos, esses ele trata com caso de
polícia, tropa de choque, é repressão.
Mas quero
avisar, Sr. Presidente, que faz dez anos que, em 2015, nós tivemos grandes
manifestações dos alunos secundaristas aqui do estado de São Paulo, onde o
governador da época, Geraldo Alkmin, tentou fechar mais de 200 escolas de rede
estadual, o famoso projeto da reorganização.
Todos se
lembram, os alunos ocuparam dezenas, talvez centenas de escolas em todo o
Estado com apoio da população, apoio da imprensa, apoio do Ministério Público,
apoio da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.
O movimento foi
vitorioso, eles foram as ruas, ocuparam as escolas e o governador da época teve
que recuar o seu projeto tenebroso de fechamento de escolas, e teve que demitir
o secretário da Educação.
Isso aconteceu
em 2015, aqui em São Paulo, e em 2016 outras centenas de escolas foram ocupadas
em São Paulo e no Brasil contra a reforma do Ensino Médio, lá do Temer, que
produziu aqueles itinerários formativos absurdos.
Então, Sr.
Presidente, vai ter mais manifestação, com certeza; os alunos estão
descontentes. Os alunos não aceitam, nem os profissionais da Educação. Os
profissionais da Educação vão às ruas agora, dia 9, no dia 10, talvez tenha a
greve geral da Educação do estado de São Paulo.
E os estudantes
estão se movimentando também, ocuparam a Secretaria da Educação, podem ocupar
escolas, podem ocupar as 91 diretorias de ensino da rede estadual, já que o
secretário não recebe os alunos, o secretário não abre diálogo nem com o movimento
estudantil, não recebe os alunos, não recebe as entidades, Sr. Presidente,
representativas do Magistério.
Mas, pelo que
eu sei, me parece que ele só recebe as fundações empresariais, e talvez essas
empresas de tecnologia, não sei o que o secretário está fazendo, o secretário
da Educação.
Mas é isso, Sr.
Presidente.
Então, todo o
apoio aos estudantes da rede estadual que estão em luta contra o desmonte da
Educação.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Agradeço ao
deputado Giannazi se puder, agora, presidir a sessão, para que eu possa usar da
palavra.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Carlos
Giannazi.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Dando sequência
à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra, o deputado
Delegado Olim. (Pausa.) Com a palavra, o deputado Itamar Borges. (Pausa.) Com a
palavra, o deputado Valdomiro Lopes. (Pausa.) Com a palavra, o deputado
Sebastião Santos. (Pausa.) Com a palavra, o deputado Fábio Faria de Sá.
(Pausa.)
Com a palavra, o deputado Reis.
(Pausa.) Com a palavra, o deputado Edson Giriboni. (Pausa.) Com a palavra, o
deputado Dr. Jorge do Carmo. (Pausa.) Com a palavra, o deputado Thiago Auricchio.
(Pausa.) Com a palavra, o deputado Capitão Telhada. (Pausa.)
Com a palavra, a deputada Professora
Bebel. (Pausa.) Com a palavra, o deputado Danilo Campetti. (Pausa.) Com a
palavra, o deputado Luiz Fernando Teixeira. (Pausa.) Com a palavra, o deputado
Carlão Pignatari. (Pausa.)
Com a palavra, o deputado Alex
Madureira. (Pausa.) Com a palavra, a deputada Valeria Bolsonaro. (Pausa.) Com a
palavra, o deputado Oseias de Madureira. (Pausa.) Com a palavra, a deputada
Prof.ª Camila Godoi. (Pausa.)
Com a palavra, o deputado Atila Jacomussi.
(Pausa.) Com a palavra, a deputada Leci Brandão. (Pausa.) Com a palavra, o
deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Com a palavra, o deputado Rafa Zimbaldi.
(Pausa.)
Com a palavra, agora, o deputado
Eduardo Suplicy, que fará uso regimental da tribuna.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Prezado presidente,
deputado Giannazi, na manhã de hoje tivemos uma rica reunião da Frente Parlamentar
da Cannabis Medicinal e Cânhamo Industrial sobre os impactos de alterações
regulatórias na resolução da Diretoria Colegiada, RDC nº 327/2019 da Anvisa.
Na condição de
vice-coordenador, quero cumprimentar o nosso coordenador, deputado Caio França.
Agradecer a presença de cada um dos especialistas, representantes de
associações, de pacientes, familiares, profissionais da advocacia, farmácia,
medicina, medicina veterinária, cirurgiões dentistas, pesquisadores e tantos
outros que participaram dessa primeira reunião de 2026 da frente parlamentar.
Saí de lá muito
animado com uma discussão tão valiosa e essencial para a nossa Casa
Legislativa, por isso acho necessário relatar essa atividade. Debatemos a
mudança da resolução da Diretoria Colegiada, da RDC nº327/2019 para a nova RDC nº
1.015, de 2026. Foi pontuado pelos especialistas que, sem dúvida, houve avanços
significativos.
Essa nova
regulação representa um passo importante da Anvisa ao reconhecer a necessidade
do saber científico e da ampliação do acesso ao tratamento, bem como
simplificar alguns trâmites e, o mais importante, regular o cultivo nacional
para a produção desse tratamento.
No entanto, a
reunião também deixou claro que ainda há necessidades não contempladas. Por
mais que tenhamos evoluído na regulação, ouvimos com atenção os relatos dos
profissionais e das associações. O acesso pelo Sistema Único de Saúde, o SUS,
permanece insuficiente. Outras enfermidades precisam ser contempladas.
Precisamos,
ainda, avançar, para que nenhum paciente seja obrigado a recorrer ao Judiciário
ou arcar custos proibitivos para ter direito a um tratamento que possa lhe
trazer qualidade de vida e dignidade.
Além
disso, um dos pontos centrais que emergiu do encontro foi a necessidade de um
diálogo urgente com os operadores da Segurança Pública e, nesse sentido, a
frente se propõe a intermediar uma conversa com o delegado- geral e com a
Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo.
Precisamos
levar a eles o relato dos avanços científicos e regulatórios ocorridos e,
sobretudo, discutir a necessidade de se relaxar a atuação do Poder Público no
que tange a criminalização do movimento associativo no estado de São Paulo. As
associações de pacientes não podem ser tratadas como organizações criminosas.
Elas são, na verdade, a linha de frente do acolhimento, da esperança e do
cuidado.
Portanto,
saímos dessa reunião com a convicção do caminho escolhido por essa frente. É
com diálogo incansável que vamos pleitear uma regulação cada vez mais justa,
para que o SUS garanta o acesso e para que o Estado, em todas as suas esferas,
proteja quem cuida, ao invés de criminalizar quem salva vidas.
Também, Sr.
Presidente... Sr. Presidente, gostaria aqui de analisar erros na tecnologia de
reconhecimento facial, pois na data de hoje o “G1” publicou matéria intitulada
“Morador da zona sul de São Paulo é detido 4 vezes por engano em 7 meses”.
Segundo a
reportagem, Ailton Alves de Sousa foi reiteradamente abordado e detido por
forças de Segurança após ser identificado de forma equivocada pelo sistema de
reconhecimento facial “Smart Sampa”, da Prefeitura de São Paulo.
Segundo a
matéria, Ailton foi detido ao sair de casa, no trabalho, ao levar a mãe ao
hospital e em uma corrida de rua. Os policiais militares que o conduziram à
delegacia disseram que Ailton está cadastrado no sistema “Smart Sampa” e no
programa de reconhecimento facial da Prefeitura de São Paulo como um foragido
da Justiça por cometer homicídio no estado de Mato Grosso.
Morador de
Heliópolis, a maior favela de São Paulo, na zona sul, Ailton disse que nunca
foi ao Centro-Oeste e que sente um grande constrangimento por conta de tantas
detenções por engano.
Na primeira
vez, ele foi retirado de dentro de casa. Nas quatro vezes em que foi detido,
Ailton foi indevidamente conduzido por policiais da delegacia, denotando que há
um problema estrutural no uso dessa tecnologia de reconhecimento facial.
O fato,
noticiado hoje, não é caso isolado. Tenho falado sobre isso muitas vezes neste
plenário. A própria Defensoria Pública do Estado de São Paulo já apontou para
os problemas do uso indiscriminado do reconhecimento facial pelo programa
“Smart Sampa”, alertando para seus riscos e erros de viés racial,
criminalização indevida.
Também a
Defensoria Pública da União, em conjunto com o CESeC, Centro de Estudos de
Segurança e Cidadania, lançou, em 2025, o relatório intitulado “Mapeando a
Vigilância Biométrica”, que analisou a expansão do reconhecimento facial na
segurança pública brasileira.
O relatório
alerta para graves riscos à privacidade, à igualdade e ao devido processo legal
em um cenário marcado pela ausência de regulamentação específica e pela falta
de mecanismos de controle social.
Segundo o
relatório, entre os principais problemas estruturais no uso das tecnologias
biométrica estão a falta de padronização de abordagens policiais, o uso de
bancos de dados com critérios opacos e a inexistência de auditorias
independentes.
O relatório
cita ainda os estudos do National Institute of Standards in Technology, que
apontam que os sistemas de reconhecimento facial têm taxas de erro até 100
vezes maiores para pessoas negras, indígenas e asiáticas em comparação a
pessoas brancas. No Brasil, segundo o CESeC, 90% das pessoas presas por
reconhecimento facial em 2019 eram negras, majoritariamente acusadas de crimes
sem violência.
Ou seja, não
estamos diante de uma ferramenta tecnológica neutra, estamos diante de uma
ferramenta que, sem o devido controle, pode reproduzir e aprofundar
desigualdades históricas, além de colocar em risco direitos fundamentais.
Diante disso, é
imperativo que o Poder Público atue com responsabilidade e esta Casa cobre as
devidas responsabilidades e correções nas ferramentas de reconhecimento facial.
A incorporação de tecnologias na Segurança Pública deve ser necessariamente condicionada
a garantir as robustas e direitos.
E, portanto, é
fundamental se assegurar a regulamentação federal específica para o uso da
tecnologia, a realização de auditorias independentes e regulares, o
monitoramento contínuo de sua precisão e impactos, transparência nos contratos,
algoritmos e bases de dados, controle externo e social com participação da
sociedade civil e mecanismos eficazes de correção e responsabilização em caso
de erros.
O caso relatado
hoje é um alerta de que não podemos delegar às ferramentas tecnológicas
decisões que impactam profundamente a vida das pessoas sem as garantias
adequadas. Esta Casa tem a responsabilidade de fiscalizar e de cobrar das
autoridades competentes a implementação imediata dessas garantias.
Assim,
presidente...
O SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Muito obrigado, deputado Suplicy.
Gostaria de chamá-lo para continuar presidindo a sessão, para que eu possa
utilizar a tribuna.
O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Com o maior prazer, deputado
Carlos Giannazi. E depois, ainda poderemos continuar a nossa cooperação, para
que eu ainda tenha mais uma oportunidade de fala.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Eduardo
Suplicy.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Tem a palavra
agora a deputada Carla Morando. (Pausa.) Deputado Mauro Bragato. (Pausa.)
Deputada Dani Alonso. (Pausa.) Deputada Ana Perugini. (Pausa.) Deputado
Teonilio Barba. (Pausa.) Deputada Maria Lúcia Amary. (Pausa.) Deputada Beth
Sahão. (Pausa.) Deputada Andréa Werner. (Pausa.)
Deputado Rômulo Fernandes. (Pausa.)
Delegada Graciela. (Pausa.) Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Dr.
Eduardo Nóbrega. (Pausa.) Deputado Rafael Saraiva. (Pausa.) Conte Lopes.
(Pausa.) Rogério Santos. (Pausa.) Marcos Damasio. (Pausa.) Paulo Fiorilo.
(Pausa.) Guilherme Cortez. (Pausa.) Fabiana Bolsonaro. (Pausa.)
Passamos à Lista Suplementar. Deputado
Enio Tatto. (Pausa.) Deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Deputado Carlos
Giannazi.
Tem a palavra pelo tempo regimental.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy, de volta à
tribuna no dia de hoje, eu queria dizer que nós não desistimos de estender o
reajuste dos servidores da Segurança Pública para os servidores da Polícia
Penal.
Aliás, para
todos os servidores da SAP, da Secretaria de Administração Penitenciária, os
motoristas, os oficiais administrativos, todos têm direito a esse reajuste, que
é pouco, que está muito aquém de atender às necessidades de todos os servidores
da Segurança Pública; mesmo assim, o governador Tarcísio deu um golpe, deu um
“passa-moleque” nos servidores da SAP, deixando-os de fora.
No passado ele
dizia que ainda não tinha regulamentado a Polícia Penal, mas eles são parte da Segurança
Pública, eles são amparados pela Constituição Federal. Os policiais penais são
oriundos, hoje, dos quadros da Segurança Pública. Está na Constituição Federal.
O governo tem que garantir isonomia. Se eles são da Segurança Pública, eles têm
que ter a isonomia e ter o reajuste.
Eu apresentei a
primeira emenda, a Emenda nº 1, incluindo todos os servidores, os policiais
penais e todos os servidores da SAP nesse reajuste. Está aqui. Embora a emenda
não tenha sido acatada pela base do Governo no congresso de comissões, ainda
nós podemos reverter esse quadro na próxima terça-feira, em que haverá então a
votação do PLC 226, que trata desse reajuste.
Não ocorreu
ainda a votação final, então, nós podemos, aqui no plenário, votar favoravelmente
à Emenda nº 1, que inclui os policiais penais e todos os servidores da SAP também
no reajuste.
Então, faço um
apelo aqui a todos os 94 deputados e deputadas, a todos os líderes partidários
que realmente têm compromisso com a Segurança Pública e com a Polícia Penal,
com os servidores da SAP, para que votem favoravelmente aqui, na terça-feira
que vem, a nossa Emenda nº 1 e nas outras também que por ventura tratem do
mesmo tema. Então, fica aqui o nosso apelo.
Vamos continuar
mobilizados e é importante que todas as entidades representativas dos
servidores da Polícia Penal estejam também, como já estão, mobilizadas, essas
entidades combativas, pressionando, conversando com os deputados para que
possamos reverter essa situação e incluir todos os policiais penais e
servidores da SAP no reajuste dos 10%, como também da Fundação Casa, que está
nessa Emenda nº 1.
Então, nós não
desistimos nunca, Sr. Presidente, dos servidores da Polícia Penal.
Por falar em
reajuste, Sr. Presidente, nós estamos acompanhando com lupa a execução
orçamentária em relação aos gastos com pessoal. Nós temos números para mostrar
que o governador realmente não tem nenhum compromisso com a valorização
salarial e funcional dos servidores do estado de São Paulo.
Ele não está
cumprindo a data-base salarial, que já venceu no dia 1º de março. Ele está
afrontando a Lei nº 12.391, de 2006, que diz que a data-base é dia 1º de março,
e está também afrontando o Art. 37 da Constituição Federal, que obriga todos os
entes federativos - municípios, estados e União - a fazerem a reposição anual,
pelo menos, das perdas inflacionárias.
Então, o governador
só está dando esse reajuste dos 10% para um setor da Segurança Pública, que é
pouco ainda. É isso que ele está fazendo, mas deixou de fora os profissionais
da Educação, deixou de fora os profissionais da Saúde e de várias outras
secretarias, que ficaram alijadas do reajuste.
E também, mais
grave ainda é o que ele está fazendo com os professores e professoras da rede
estadual, porque, além de não pagar na data-base, ele também não está dando o
reajuste de 5,4% do Piso Nacional do Magistério, que é a lei federal.
Ele tem que dar
esse reajuste, ele é obrigado por lei, que já venceu agora, no final de janeiro.
Já tem medida provisória do presidente da República, o presidente Lula,
tramitando no Congresso Nacional. Então ele é obrigado a dar esse reajuste
também.
Então os
professores estão perdendo duas vezes, porque não tem data-base e não tem o
valor do piso nacional, o reajuste do piso nacional, que nós defendemos que
seja com repercussão em toda a carreira, presidente.
Essa é a nossa
luta aqui no estado de São Paulo, porque quando ele paga, ele paga de forma
irregular, usando abono complementar e não cumprindo nem a lei do piso e nem a
lei da data-base.
Além de
prejudicar os servidores da ativa, ele está prejudicando também os aposentados
e pensionistas, que também ficam privados, ficam excluídos desses dois
reajustes. Então, assim, a perversidade é muito grande, os prejuízos, os
transtornos para os servidores da ativa e os aposentados e pensionistas é
grande com essa omissão do governo.
Eu já, por
conta disso, acionei o Ministério Público estadual, o Tribunal de Contas, para
que providências sejam tomadas, porque o governo está cometendo improbidade
administrativa ao não respeitar duas leis importantes do estado de São Paulo.
Então, eu tenho aqui os dados, só para concluir, Sr. Presidente, essa parte aqui
do meu pronunciamento.
Olha que
absurdo. O governo, a Lei de Responsabilidade Fiscal, que é a lei tão defendida
pelo governo, diz o seguinte: que o limite máximo de investimento no gasto com
o pessoal - para nós não é gasto, é investimento em pessoal, porque o pessoal é
o funcionário público que está atendendo a população na ponta, na escola
pública, no SUS, no hospital público, na Segurança Pública, na Assistência Social.
Então, isso é investimento.
Mas o governo
coloca como gasto com o pessoal. Então, o limite máximo é de 49 por cento. O
limite prudencial é de 46% e o limite de alerta é de 44,10 por cento. O governo
está ainda em 41,29 por cento. Está bem abaixo do limite de alerta, do limite
prudencial e do limite máximo.
Significa que
ele está deixando de investir o que ele poderia estar investindo em todo o
funcionalismo, dando reajustes para várias categorias, reajustes dignos. Ele
poderia estar fazendo isso, Sr. Presidente. Então, ele está deixando, tenho
aqui os dados. Esses são os últimos estudos do final do ano passado, do último
quadrimestre de 2025.
Então, ele
deixou, no ano passado, de investir mais de 7 bilhões de reais na valorização
dos servidores. Mas, ao mesmo tempo, ele investe em isenção fiscal para
beneficiar grandes grupos econômicos, muitos deles sonegadores da dívida
pública, mais de 80 bilhões de reais de isenção fiscal. Sem contar a lentidão
para cobrar a dívida pública do Estado, a dívida ativa do Estado, com as
grandes empresas sonegadoras, Sr. Presidente.
Então, estão aqui
os dados. Tem condições orçamentárias para que o governador dê um reajuste
digno para todos os profissionais da Educação. Mas é isso, eu acionei já o
Tribunal de Contas, acionei o Ministério Público, para que providências sejam
tomadas, Sr. Presidente, e a legislação seja cumprida imediatamente aqui no estado
de São Paulo e todos os servidores tenham acesso à reposição das perdas
inflacionárias.
Quero ainda, Sr.
Presidente, para concluir, dizer que nós estamos acompanhando aqui pela
Assembleia Legislativa e em parceria também com a Câmara Federal, através da
deputada federal Luciene Cavalcante, a implantação no estado de São Paulo da
Lei federal nº 15.326, de 2026, que é a lei da deputada Luciene Cavalcanti,
aprovada no final do ano passado e agora sancionada pelo presidente da
República, reconhecendo a função docente das educadoras de Educação Infantil de
todo o Brasil na carreira do Magistério.
No entanto, há
algumas resistências de alguns prefeitos, Sr. Presidente, que não entenderam
acho que a legislação ou estão agindo de má-fé, que não querem fazer o
enquadramento de quem cuida da primeiríssima infância, quem está lá na ponta,
atendendo as nossas crianças, bebês, nas nossas creches.
Então, nunca se
falou tanto na valorização da primeiríssima infância, mas esses prefeitos que
falam tanto em Educação Infantil, tanto em valorização da primeiríssima
infância, estão sabotando quem cuida da primeiríssima infância, que são as
educadoras de educação infantil, impedindo que elas sejam enquadradas na
carreira do Magistério.
Nós estamos
acompanhando 645 municípios do estado de São Paulo, Sr. Presidente. São Paulo
já fez isso em 2003, 2004 - a Capital -, mas tem vários municípios que não
fizeram. Só que agora tem a lei, a Lei Federal nº 15.326, Sr. Presidente.
Então, por
exemplo, eu estou com um caso aqui: as educadoras de educação infantil do
município de Campos do Jordão estão fazendo a luta para serem enquadradas na
carreira do Magistério, mas a prefeitura tem negado esse direito, negado o
cumprimento da Lei Federal nº 15.326, dizendo que na época em que elas fizeram
o concurso não havia exigência do Magistério ou de Pedagogia, alegando ainda que
elas não têm a função docente.
Acho que lá tem
que ter uma assessoria jurídica um pouco melhor para assessorar o prefeito. Ou
é falha na assessoria, falha de entendimento, ou é má-fé com a valorização das
educadoras de Educação Infantil, que lá são berçaristas, recreacionistas,
auxiliares técnicos infantis, em Educação Infantil, e auxiliares de serviço em Educação
Infantil. O que diz a lei? Vou sintetizar aqui, desenhar para a Prefeitura de
Campos do Jordão, e esse desenho vai servir para todas as prefeituras do
Brasil. O que diz a lei?
Vou resumir a
Lei nº 15.326, que regulamenta a LDB, que altera a LDB, e também a Lei do Piso
Nacional Salarial. Essa lei, da deputada Luciene Cavalcante, fruto de uma ampla
mobilização que começou aqui, na Assembleia Legislativa, em 2017, 2018, 2019,
2020, 2021, 2022, nós fizemos várias audiências públicas com várias educadoras
de Educação Infantil de vários municípios do nosso Estado.
O movimento foi
crescendo, crescendo, ganhou esse nome de “Somos Todas Professoras”, virou um
movimento nacional, a deputada Luciene Cavalcante é eleita em 2022, em 2023
assumiu e já foi o primeiro projeto que ela apresentou, porque ela já fazia
parte também desse movimento. Projeto aprovado.
Então o que diz
a lei, Sr. Presidente, para que os prefeitos saibam que eles são obrigados a
fazer enquadramento? Tem três exigências. Primeiro que as educadoras de Educação
Infantil, independentemente da designação do cargo - não importa se ela é
berçarista, se ela é pajem, se ela é auxiliar de Educação Infantil, se ela é
auxiliar de serviço, nada disso importa mais, prefeitos -, o importante é a
função docente.
E a lei é muito
clara, e, antes disso, a própria legislação federal já apontava isso, que não
existe, na Educação Infantil, separação entre cuidar, educar e brincar. Na
creche, isso é função docente.
Portanto, todas
as educadoras, todas as pessoas que estão na creche e têm contato direto, o dia
todo, com as crianças, com os bebês, estão, sim, exercendo a função docente,
independentemente desses nomes aqui.
Então, primeira
coisa, elas têm, sim, a função docente. Todas elas estão tendo relação com a
criança. Então tudo é educar na creche, que é diferente a função docente numa
creche e no Ensino Médio. Lógico que é, mas na função docente. Aí a lei é muito
clara em relação a isso.
Em segundo
lugar, a educadora tenha sido aprovada em concurso público, quando ela
ingressou na rede municipal. Então não importa se na época não havia exigência
de Pedagogia ou do Magistério.
Isso não
importa lá, importa agora, para que ela seja enquadrada nesse momento, ela tem
que ter a formação, ou no Magistério - antigo Magistério -, ou no curso de
Pedagogia. Essa é uma outra exigência. E o concurso público: que ela tenha sido
aprovada em concurso público de provas e títulos.
Então são essas
três exigências: função docente, formação, presidente, que eu coloquei agora,
tem que ter formação e ser aprovada em concurso público de provas e títulos na
época em que ela ingressou.
Então são as
três exigências da Lei nº 15.326. Logo, todas essas educadoras de Educação Infantil
têm o direito de serem enquadradas na carreira do Magistério, é o que diz a
lei, para que elas tenham direito ao piso nacional do Magistério, a jornada do
piso da Lei nº 11.738, para que elas tenham direito também à aposentadoria
especial. Porque elas não são tias, elas não são auxiliares, elas são
professoras, são todas professoras, Sr. Presidente.
Então, fica
aqui o nosso pedido, o nosso apelo à Prefeitura de Campos do Jordão, para que
faça o enquadramento imediato, porque nós vamos cobrar, Sr. Presidente, nós
vamos.
Os prefeitos
que não fizerem o enquadramento das educadoras de Educação Infantil na carreira
do Magistério, que descumprirem a Lei nº 15.326, de 2026, da deputada Luciane
Cavalcanti, serão enquadrados, porque nós vamos pedir para que sejam
enquadrados, pelo Tribunal de Contas, pelo Ministério Público, vamos pedir para
que sejam investigadas as contas dessas prefeituras na área da Educação. Porque
muitos alegam que não têm recursos. Como que não, se tem dinheiro do Fundeb?
Então, é isso,
Sr. Presidente, todo o nosso apoio à luta das educadoras de Educação Infantil
de Campos do Jordão e de todos os municípios do estado de São Paulo.
E, por fim, Sr.
Presidente, para concluir a minha intervenção na data de hoje, porque a V. Exª
já vai assumir a tribuna novamente, eu quero dizer que nós conseguimos, através
de uma ação popular, Sr. Presidente, suspender, revogar a resolução da Seduc,
aquela resolução perversa e cruel, Resolução nº 19, agora de 2026, que exigia
aquele PSS, aquele processo, aquela prova dos professores, Sr. Presidente, aquele
absurdo de 2026, para que eles pudessem ser contratados novamente.
Lembrando que
quase 40 mil professores categoria “O” ficaram de fora, foram demitidos
praticamente da rede estadual de ensino, uma boa parte por conta dessa
resolução.
O governo,
inclusive, tinha apresentado a proposta, exigindo o seguinte: que os
professores só poderiam voltar daqui a três anos, impondo a eles uma quarentena
de três anos, que é um absurdo. Era tão ilegal que ele teve que recuar, mas
manteve esse PSS de 2026, só que não tem prova, não tem processo seletivo,
simplificado, no ano de 2026.
Então, os
professores continuam de fora. Nós derrubamos essa exigência com a nossa ação
popular, do nosso coletivo “Educação em Primeiro Lugar”, que é composto pela
deputada federal Luciane Cavalcanti, pelo vereador Celso Giannazi e pelo nosso
mandato aqui na Alesp. No entanto, a Seduc não está cumprindo uma decisão
judicial.
Então, agora
nós fizemos o quê? Nós entramos com o cumprimento de decisão provisória, Sr.
Presidente, pedindo para que o TJ, que a 3ª Vara da Fazenda Pública, da comarca
aqui de São Paulo, tome as devidas providências, por conta do não cumprimento
da liminar.
Esse governo,
essa secretaria vive fora da lei, e também não respeita liminar, não respeita a
decisão judicial. Então, o que diz o nosso pedido, o nosso cumprimento de decisão
provisória, Sr. Presidente?
Que é dentro do
Art. 536, primeiro parágrafo do Código de Processo Civil, que autoriza o juiz a
determinar as medidas necessárias para garantir o cumprimento de ordem
judicial, incluindo a imposição de multa e outras medidas que garantam a
obtenção da tutela, pelo resultado prático equivalente.
Então, vai além
o nosso pedido aqui, com base na legislação. O que diz: “A recusa dos gestores
públicos em dar cumprimento à ordem judicial, além de configurar desobediência,
caracteriza ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios
da Administração Pública, conforme a Lei nº 8.429, de 1992.” O governo está
cometendo improbidade administrativa ao não cumprir a nossa liminar, revogando
a Resolução nº 92, Sr. Presidente.
Daí, dos
pedidos. O que nós pedimos? A intimação pessoal dos réus, na pessoa do
governador do estado de São Paulo e do secretário estadual de Educação, para
que comprovem, no prazo de 24 horas, o cumprimento integral e imediato da
decisão liminar, devendo, para tanto, demonstrar a emissão de orientação formal
para todas as unidades regionais de ensino, para que deem imediato e restrito
cumprimento à referida decisão. Além disso, nós pedimos multa e que as cópias
sejam enviadas ao Ministério Público Estadual, Sr. Presidente.
Esse
governo não está respeitando mais nada. A gente ganha, na Justiça, liminares;
não só nós, as entidades também representativas do Magistério têm avançado, têm
conseguido também vitórias importantes, Sr. Presidente, com a ação civil,
enfim, mas o governo não respeita as liminares.
Então,
que as providências sejam tomadas imediatamente. Nós queremos agora que a 3ª
Vara da Fazenda tome as providências para que haja o cumprimento imediato da
nossa resolução.
E,
por fim, Sr. Presidente, agora, por fim mesmo, para concluir de fato a minha
participação hoje aqui, eu quero dizer da nossa estranheza, Sr. Presidente, com
uma lei complementar que foi aprovada na Câmara Municipal de São Vicente. Lei complementar,
aqui o número dela, nº 1.226, tudo é 26 agora, 26/26.
Que
trata aqui do reajuste salarial dos servidores, mas ela também traz aqui, Sr.
Presidente, a questão do descongelamento, o cumprimento, “cumprimento” entre
aspas, aí que eu quero falar do meu estranhamento do descongelamento da Lei complementar
nº 226, lei federal, Lei complementar nº 226, de 2026, que trata do
descongelamento dos 583 dias da pandemia. Que também...
Que
foi uma lei, cujo texto da lei é de autoria também da deputada federal, Luciene
Cavalcanti, ela foi a grande responsável dentro do Parlamento pela aprovação da
lei, tanto na Câmara quanto no Senado, ela fez toda uma movimentação e o texto
do PLP dela, do PLP nº 21, foi o texto aprovado, no Senado Federal. Só que o
descongelamento é automático, o Tribunal de Justiça já se manifestou, o
Tribunal de Contas, o Ministério Público Estadual, a própria Assembleia
Legislativa, o próprio governo estadual já soltou um decreto, a Prefeitura de
São Paulo, as universidades, várias prefeituras já descongelaram.
No entanto, a
Prefeitura de São Vicente está inovando, ela está parcelando o descongelamento.
Olhe só que absurdo. Que estranho isso. Ela está na lei, aqui ela aprovou o
seguinte: que dos 583 dias ela vai descongelar 300 dias agora, em 2026, e só no
ano que vem que ela vai descongelar os 283 dias.
Isso só para o Magistério,
para os profissionais da Educação do município de São Vicente. Isso aqui é, no
mínimo, estranho, nós vamos fazer uma consulta jurídica para ver se isso é
possível, senão nós vamos acionar aqui o Tribunal de Contas, porque isso tem
que ser feito agora. Já. De imediato. |É automático o descongelamento, não é
para o ano que vem, não é para parcelar.
E lembrando que
o município, essa prefeitura, esse governo municipal é um antigo conhecido
nosso aqui, no pior sentido, Sr. Presidente. Nós, no ano passado, tivemos que
entrar com uma ação popular, com o nosso coletivo “Educação em Primeiro Lugar”,
para restabelecer o adicional por titulação dos servidores do município de São
Vicente, porque o governo tinha cortado isso. Nós fomos à Justiça e ganhamos, o
nosso coletivo, a deputada Luciene Cavalcanti, vereador Celso, o nosso mandato.
E tem mais, Sr.
Presidente, agora nós estamos acompanhando também o descumprimento lá da Lei nº
15.326, porque a prefeitura não está querendo também enquadrar as educadoras de
Educação Infantil na carreira do Magistério.
Nós tivemos uma
audiência pública, recentemente, no sindicato dos servidores lá, no Guarujá,
com várias educadoras de Educação Infantil; Guarujá, Santos, Bertioga, Praia
Grande, de várias regiões, Peruíbe.
E, no entanto, Sr.
Presidente, em São Vicente, não há enquadramento, a prefeitura está se
recusando a cumprir a lei federal. Então, nós vamos atuar também, e quero fazer
um apelo aqui à Prefeitura de São Vicente para que faça o enquadramento
imediato e urgente de todas as educadoras de Educação Infantil, de todas as
trabalhadoras de Educação Infantil, que não fique nenhuma delas de fora, que a
lei seja colocada em prática, porque, senão, Sr. Presidente, nós vamos tomar
providências também.
Eu disse, o
prefeito que não enquadrar as educadoras de Educação Infantil será enquadrado,
ele será enquadrado pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas.
Então, é isso, Sr.
Presidente.
Muito
obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos, deputado Carlos Giannazi. Se puder, V. Exa., mais uma vez
presidir a sessão para que eu possa ainda fazer uma consideração a respeito de
como a Educação paulista pede socorro...
*
* *
- Assume a
Presidência o Sr. Carlos Giannazi.
*
* *
O SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL -
Dando sequência à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, agora já
na Lista Suplementar, já que encerramos toda a lista de oradores do Pequeno
Expediente - a lista principal.
Agora, na Lista
Suplementar, com a palavra o deputado Eduardo Suplicy, que fará o uso
regimental da tribuna.
O SR. EDUARDO SUPLICY
- PT - SEM REVISÃO DO
ORADOR - Caro presidente Carlos Giannazi, que tem realizado um esforço
contínuo, cotidiano a respeito de como melhorar a Educação em São Paulo e no
Brasil, é com pesar que expresso a todas e a todos que a educação pública no estado
de São Paulo passa por momentos difíceis.
Hoje
li uma notícia publicada pelo portal “g1” sobre a precariedade da Escola Estadual
Indígena Djekupe Amba Arandy, localizada na terra indígena Jaraguá, na região
noroeste da cidade de São Paulo.
Segundo
a reportagem, a unidade escolar foi interditada no último dia 10 pela Defesa
Civil Municipal e pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação, FDE, por
não oferecer segurança aos alunos e professores.
Acontece
que o local tem problemas identificados pela Secretaria da Educação do Estado
de São Paulo, Seduc, há cinco anos. A comunidade indígena, em 2021, pressionou
a pasta por melhorias na ocasião, mas, pelo jeito, foi em vão. Agora os alunos
foram alocados em um centro de convivência na própria comunidade, que dispõe de
banheiros sem portas e salas adaptadas com quadros pequenos, não oferece
bebedouros e nem água filtrada. Essa é a situação na educação pública paulista.
Ainda
ontem, a União Paulista de Estudantes Secundaristas, Upes, a União Brasileira
de Estudantes Secundaristas, Ubes, a União Nacional dos Estudantes, UNE, e a
União Estadual dos Estudantes de São Paulo, UEE, expressaram um pedido de
socorro por meio de uma ocupação simbólica das instalações da Seduc,
conclamando o povo paulista a exigir melhorias aos alunos, aos professores e aos
demais servidores.
Não
é de hoje que a Seduc tem problemas. Essa triste realidade vem desde o início
da gestão Tarcísio de Freitas, que escolheu Renato Feder para comandar essa
importante pasta. Vejam os seus atributos.
Quando
estava em terras paranaenses, sua gestão foi marcada por tensões, como a
privatização de escolas públicas, a perseguição de professores e gestores
escolares e o negacionismo de fatos históricos, como um caso identificado no
material didático de geografia, que rotulava opositores de ditaduras
latino-americanas como antipatriotas.
E
logo no início, após sua posse, o Ministério Público do Estado de São Paulo
achou indícios robustos de conflitos de interesses. Renato Feder mantinha ações
da empresa Multilaser em offshore, mesmo após a companhia fechar contratos com
a gestão pública. Mas isso não preocupou o governador Tarcísio de Freitas.
Então,
após esse aval do governador, o secretário começou com tudo, disse que não
usaria os livros didáticos do consagrado Programa Nacional do Livro Didático. Mas
foi obrigado a recuar após a qualidade do material produzido por seus técnicos
apresentar erros grosseiros.
Implementou uma
PPP da Educação, que ainda está sub judice, diga-se de passagem, entregando à
iniciativa privada 33 escolas estaduais. Conseguiu mudar o fundamento da Educação,
diminuindo de 30% para 25% o percentual constitucional. Ainda aprovou um
projeto de lei aqui nesta Casa, mudando o critério de rateio dos recursos
financeiros vindos do ICMS para a Educação.
Com isso, o
desempenho educacional medido por um instrumento de aferição, denominado Índice
de Qualidade da Educação Municipal, composto pelo resultado das avaliações do
Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar no Estado de São Paulo, Saresp,
passou a ser considerado. Com isto, territórios como o Sudoeste Paulista e o
Vale do Ribeira serão analisados pelos mesmos critérios adotados para regiões
como o Ribeirão Preto ou o Vale do Paraíba.
Ou seja, a
meritocracia vai tirar recursos de quem já não tem, pois, áreas mais pobres não
estão no mesmo patamar das regiões mais ricas. Além disso, deixou de se chamar
parte dos 15 mil professores que passaram no concurso público, herdado do
governo Rodrigo Garcia e, em relação às atribuições de aula, desde o início da
sua gestão, há confusões. Neste ano, 40 mil professores não conseguiram
atribuir a maioria com contratos precários das categorias “O” e “F”.
E como se não
bastasse, Tarcísio de Freitas apresentou o PL 1316/2025, que altera oito leis
complementares. Segundo a categoria, a mudança piora critérios de remoções e
afastamentos, pois não evidencia os critérios avaliativos considerados, uma vez
que a conjuntura escolar varia em muitos dos 645 municípios paulistas e nas
regiões metropolitanas.
Enfim, a Educação
pública paulista passa por uma tragédia.
Precisamos
reverter essa situação.
Muito obrigado,
Sr. Presidente, deputado Carlos Giannazi.
O
SR. EDUARDO SUPLICY – PT - Havendo
concordância, Sr. Presidente, peço o levantamento da sessão.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Obrigado,
deputado Eduardo Suplicy. Quero aqui me associar, me filiar ao que disse V. Exa.
em relação ao caos que vive a Educação do estado de São Paulo, e dizer que a
única saída para esse momento é o grito de guerra dos estudantes e professores:
fora Feder, e fora Tarcísio.
Havendo acordo de lideranças, esta Presidência,
antes de dar por levantado os trabalhos, convoca V. Exas. para a sessão ordinária
de amanhã, à hora regimental, sem Ordem do Dia.
Está levantada a sessão.
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- Levanta-se
a sessão às 14 horas e 58 minutos.
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