
13 DE MARÇO DE 2026
24ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: CARLOS GIANNAZI e EDUARDO SUPLICY
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h07min.
2 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência.
4 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
5 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
6 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
7 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Anuncia a visita de João Paulo, ex-prefeito de Recife.
8 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência.
9 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
GRANDE EXPEDIENTE
10 - CARLOS GIANNAZI
Pelo Art. 82, faz pronunciamento.
11 - CARLOS GIANNAZI
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
12 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Defere o pedido. Lamenta rompimento de reservatório de água no bairro de Capoavinha, em Mairiporã. Informa que um trabalhador foi vitimado. Transmite condolências aos familiares. Lembra falecimento de mulher de 79 anos, em Mauá, após desprendimento de tubulação, durante obra. Cita abertura de cratera na Marginal Tietê. Clama por fiscalização da Sabesp. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 16/03, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 15h09min.
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ÍNTEGRA
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-
Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Carlos Giannazi.
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-
Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
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O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Presente o
número regimental de Sras. Deputadas e de Srs. Deputados, sob a proteção de
Deus, iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata
da sessão anterior e recebe o expediente.
Dando início à lista de oradores
inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o deputado Valdomiro Lopes.
(Pausa.) Deputado Dr. Jorge do Carmo. (Pausa.) Deputado Paulo Fiorilo. (Pausa.)
Deputado Reis. (Pausa.) Deputado Eduardo Suplicy, que fará uso regimental da
tribuna.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Presidente, deputado Carlos Giannazi, Sras. Deputadas,
Srs. Deputados, me sinto hoje na responsabilidade de falar aqui de uma colega
parlamentar: a questão da eleição da deputada Erika Hilton para a Comissão de
Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.
Primeiro, quero
parabenizar a querida Erika por essa importante eleição. Fico muito feliz de
vê-la ocupando espaços tão importantes e sei que sua situação será fundamental
na promoção das garantias de todas as mulheres brasileiras.
Em segundo
lugar, destaco que respeito o lugar de fala de todas as mulheres. Minha
assessoria é formada em 61% por mulheres, inclusive duas mulheres trans, que
são ativistas da causa trans. Todas as minhas assessoras me instruíram a
elaborar este discurso, colaborando na sua construção.
Antes de entrar
na polêmica, que nem deveria ser uma polêmica, quero prestar minha mais
profunda solidariedade à deputada Erika Hilton, mulher negra, trans, vinda da periferia,
que transforma, propõe, questiona, denuncia injustiças e é símbolo de
liderança.
Uma parlamentar
de excelência, que tem uma conduta, a coragem de enfrentar e afrontar os moldes
do conservadorismo e que busca transformar a realidade das pessoas LGBTQIAPN+,
e sobretudo de todas as mulheres em sua diversidade.
Na Câmara
Municipal de São Paulo, tive a honra de compor com ela a Comissão de Direitos
Humanos - ela como presidenta e eu como vice. Na ocasião, pude ver o seu
profundo compromisso com a justiça social, com a dignidade das pessoas mais
vulneráveis, com o combate às desigualdades e com a defesa intransigente dos
direitos humanos.
Depois de se
tornar a vereadora mais votada do País, foi eleita deputada federal com mais de
250 mil votos, sendo hoje a primeira travesti negra a ocupar uma cadeira na
Câmara dos Deputados.
Em seus
mandatos, tanto na Câmara Municipal quanto agora no Congresso Nacional, mantém
o compromisso com a luta das mulheres, com o enfrentamento da fome, a defesa do
SUS, a valorização das culturas periféricas, a promoção da equidade racial e de
gênero, com o fim da escala 6x1, e segue na luta pelos direitos da população
LGBTQIAPN+, da população em situação de rua, pela dignidade das mulheres, sendo
contra a misoginia e o machismo.
Na última
quarta-feira, fiquei extremamente contente com a eleição da querida deputada
Erika Hilton para ser a presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher
na Câmara dos Deputados. Entretanto, fiquei profundamente preocupado com
algumas declarações transfóbicas que ocorreram após as eleições, como a
declaração do Ratinho em seu programa de televisão no SBT, e de nossa colega, a
deputada Valeria Bolsonaro, que ontem subiu a esta tribuna para questionar uma
eleição legítima que ocorreu em uma Casa Legislativa.
Repudio
totalmente o ato da deputada Valeria, que fez gesto de aspas na palavra
“mulher” ao falar de Erika Hilton. Valeria ainda diz que, para ser mulher,
precisa de vivências biológicas, como maternidade, amamentação e reprodução
humana. Discordo dessa declaração.
Uma mulher que
não consegue ser mãe, ou escolhe não ser mãe, não é mulher? Não há lógica. Além
disso, a deputada ainda afirmou, dentro da Comissão da Mulher: “Nós exigimos
respeito e nós queremos lá dentro mulheres que saibam o que nós vivemos, o que
nós passamos, o que nós sentimos, para junto conosco discutir o que nós
precisamos avançar”.
E ainda
declarou: “Nós, mulheres, queremos o nosso direito conquistado respeitado pelas
trans”. São declarações absurdas e transfóbicas, a não ser que ela considere
que toda mulher trans é mulher, primeiramente é mulher. Erika Hilton é uma
mulher.
A comissão em
que ela foi eleita presidente é a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
Portanto, está apta para participar da comissão e será presidente se as
parlamentares a elegerem, como foi o caso na última quarta-feira.
Portanto, quem
está questionando a deputada Erika Hilton como presidente da Comissão da Mulher
está, na verdade, negando os processos democráticos que, inclusive, elegeram os
próprios que estão questionando, como é o caso da deputada Valeria Bolsonaro.
Faço o apoio para que as pessoas respeitem a democracia.
A Antra,
Associação Nacional de Travestis e Transexuais, em sua nota pública, afirmou
“como mulher legitimamente eleita e comprometida com a agenda de direito das
mulheres, sua presença nesse espaço representa um avanço democrático e
reconhecimento da diversidade que compõe a sociedade brasileira.”
A identidade de
gênero de Erika jamais deve ser contestada. Não cabe à opinião alheia querer
expor seu sexo designado ao nascer. A maioria dos ministros do Supremo Tribunal
Federal votou a favor de criminalizar a discriminação por orientação sexual e
identidade de gênero, em 2019. Visto isso, o respeito às pessoas trans e à
democracia tem que predominar.
É por isso que
hoje faço questão de deixar registrado aqui na tribuna: Erika Hilton não está
só. Todo o meu apoio, minha confiança e solidariedade. Seguiremos juntos, ela
no Congresso Nacional, eu aqui na Assembleia Legislativa. Seguimos confiantes
na construção de um país mais justo, solidário e fraterno.
Tenho muita
admiração pela deputada Erika Hilton, que atua com ética, coragem, seriedade,
consistência técnica, preparo político e um profundo senso de responsabilidade
e justiça. Erika, você é para brilhar.
Quando ela
chegou na Câmara dos Vereadores de São Paulo e eu era vereador e presidia a
Comissão de Direitos Humanos, ela me disse que gostaria de ser a presidente. E
eu, claro, aceitei e me tornei vice-presidente, e tive com ela uma parceria de
propósitos e ações muito significativas.
Assim, caro presidente
Carlos Giannazi, aqui reitero o meu respeito, a minha admiração e o meu apoio à
deputada Erika Hilton. Teremos muito ainda que contribuir para que o Brasil se
torne uma nação justa, civilizada, fraterna e solidária.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Obrigado,
deputado Eduardo Suplicy.
Gostaria de chamar V. Exa. para
presidir esta sessão aqui, do Pequeno Expediente, para que eu possa, também,
utilizar a tribuna da Assembleia, para que eu possa fazer os meus
pronunciamentos no dia de hoje.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Eduardo
Suplicy.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Tem, então,
a palavra o deputado Carlos Giannazi, do PSOL, pelo tempo regimental.
Desculpem-me, mas ainda há alguns vereadores a serem chamados, se me permitem.
Então, agora, tem a palavra o deputado Bruno Zambelli. (Pausa.)
Deputado Oseias de Madureira. (Pausa.)
Deputado Delegado Olim. (Pausa.) Deputado Caio França. (Pausa.) Deputado Jorge
Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.)
E agora sim, deputado Carlos Giannazi,
pelo tempo regimental.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy,
telespectador da TV Assembleia, Sr.
Presidente, quero dar aqui uma boa notícia.
Nós
conseguimos, nós entramos, o nosso coletivo Educação em Primeiro Lugar,
composto pela deputada federal Luciene Cavalcante, o vereador Celso Giannazi e
o nosso mandato aqui da Assembleia Legislativa, o nosso coletivo ingressou com
uma ação popular contra a gestão do Feder aqui em São Paulo, a Secretaria da
Educação.
Exatamente, Sr. Presidente, contra, aqui, a
Portaria nº 13, de 09/2024, as Resoluções nº 4, de 2024, e nº 143, de 2025, que
tratam desse nefasto processo, Sr.
Presidente, de Avaliação de Desempenho - Avaliação 360, que são
avaliações punitivistas, que tentam criminalizar o Magistério estadual, punindo
o Magistério de várias formas: no processo de atribuição de aulas, no processo
de recebimento do bônus, na permanência nas escolas. Ou seja, são resoluções e
portarias que estão vindo nessa direção, para perseguir, para assediar e para
prejudicar, sobretudo, a saúde mental do Magistério estadual.
Nós conseguimos
aqui, nós entramos com uma ação popular, conseguimos uma liminar no Tribunal de
Justiça. O governo recorreu, através de um agravo de instrumento, e o Tribunal
de Justiça pediu, logicamente, um parecer, a opinião da Procuradoria Geral do
Estado de São Paulo, da Procuradoria de Justiça de Interesses Difusos e
Coletivos, e saiu.
Nós tivemos
acesso agora a esse parecer, a essa decisão aqui do Ministério Público
estadual, negando ao governo estadual o agravo de instrumento. Ou seja,
mantendo, Sr. Presidente, a
nossa liminar.
Então o
Ministério Público estadual está dizendo que nós estamos certos, e que a
secretaria está errada, que ela tem que revogar essas medidas nefastas,
perversas e cruéis, Sr. Presidente.
Repito que só querem criminalizar o Magistério estadual. Está aqui o agravo de
instrumento. Não sei se dá para colocar, pessoal da Técnica, só a capa. Isso, a
decisão.
Aqui, do agravo
de instrumento. Agravados: a Luciene Cavalcanti, o vereador Celso Giannazi,
nosso mandato, nos “Outros” ali. Então essa é uma decisão do Ministério Público
estadual, se alinhando à nossa tese, à nossa ação popular, defendendo o que nós
colocamos aqui.
E ela é bem
precisa, Sr. Presidente, em
todos os níveis, porque ela faz uma análise. Eu vou ler aqui alguns trechos
para as pessoas entenderem, porque daí vão entender também a gravidade da situação
do que vem acontecendo na rede estadual. “Com a presente ação popular, os
autores...”, que somos nós. “Objetivam a anulação de atos relativos à avaliação
e à classificação de docentes, especialmente à resolução Seduc nº 143, de 2025,
a resolução Seduc nº 4, de 2024 e a Portaria Conjunta Coped-CGRH, de
13/09/2024...”, que eu citei agora no começo.
“Os autores
sustentam que a portaria permita que o diretor impeça o professor de atuar na
escola com base em avaliação subjetiva, o tal do perfil, possibilitando
perseguições e arbitrariedades.”
Olha só, isso é
o MP aqui falando. “Alegam que a Avaliação 360”. Nós estamos alegando. “Utiliza
expressões indeterminadas como ‘explicar bem o conteúdo’, ‘dinâmica de aula’,
‘perfil adequado’, sem parâmetros verificáveis. Tais normas, segundo os autores
populares”.
Que somos nós.
“Trazem graves consequências aos docentes, tais como o uso do Saresp por alunos
como mecanismo de retaliação, ambiente de medo e instabilidade, risco de
perseguição política e perda arbitrária de aulas.”
Então, Sr. Presidente, além disso, nós
alegamos violação aos princípios da legalidade, da impessoalidade, da
moralidade, da publicidade, transparência e, sobretudo, gestão democrática da
escola pública.
Contra tal
liminar, insurge-se aí o estado de São Paulo, através desse agravo de
instrumento. Sustenta a presunção de legitimidade dos atos administrativos,
ausência dos requisitos da tutela de urgência e risco sistêmico ao cronograma
escolar, requerendo dessa forma, a decisão e a concessão de efeitos
suspensivos”, Sr. Presidente, que não conseguiu, logicamente.
Aí, no final, o
Ministério Público, corretamente, nega esse agravo de instrumento, entendendo
que, realmente, tudo isso está acontecendo, Sr. Presidente, na rede estadual de
ensino. Só para finalizar, ainda, na decisão, aqui, no texto do Ministério
Público estadual.
“Note-se, não
há qualquer demonstração de que a suspensão de critérios ilegais inviabiliza o
processo de atribuição...”, aqui já rebatendo a afirmação do governo, para tentar
conseguir a suspensão da nossa liminar. “O que inviabiliza é a manutenção de
normas irregulares”, que são todas essas normas punitivistas, Sr. Presidente.
Por fim,
terminando, último parágrafo, “diante do exposto, manifesta-se essa
procuradoria de justiça pelo não provimento do cargo de instrumento, com a
consequência e a manutenção da liminar concedida.”
É a nossa
liminar que está valendo, Sr. Presidente, ou seja, nossa liminar coloca em
xeque, obriga o Feder, a Secretaria da Educação, a recuar, Sr. Presidente,
dessas avaliações punitivistas que tentam satanizar, que tentam criminalizar os
professores e as professoras da rede estadual.
Está aqui, Sr.
Presidente, uma decisão importante do Ministério Público estadual a pedido...
Esse parecer é feito a pedido do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. O
Ministério Público nega esse agravo de instrumento, diz que não é para dar, que
tem que manter a nossa liminar, suspendendo a Avaliação de Desempenho, essa
farsa de Avaliação de Desempenho, Sr. Presidente. Então é uma notícia
importante. Espero que o Tribunal de Justiça realmente mantenha agora a nossa
liminar, porque agora vem com o peso, com o apoio aqui do Ministério Público
estadual, Sr. Presidente.
Quero ainda,
Sr. Presidente, aqui manifestar o nosso total apoio às professoras de educação
infantil, às educadoras, todas as pessoas que trabalham na área da educação
infantil na cidade de Barretos, que estão em luta pelo enquadramento na
carreira do Magistério, por conta da lei aprovada, a Lei nº 15.326, de 2026,
fruto de um projeto de lei da deputada federal Luciene Cavalcante.
Ela apresentou
um projeto, em 2023, o projeto foi aprovado na Câmara, foi aprovado no Senado e
foi, no início do ano, sancionado pelo presidente da República, pelo presidente
Lula. Esse projeto reconhece a função docente das pessoas que trabalham na
educação infantil, nas creches, sobretudo, Sr. Presidente.
Não importando
a denominação do cargo da pessoa, a partir do momento em que ela exerce essa
função do cuidar, do educar, porque na educação infantil, na creche, não há
separação entre cuidar e educar. Então essa é uma função docente, reconhecida
pela LDB e reconhecida também, sobretudo, pela Lei nº 15.326, de 2026, há o
reconhecimento dessa função docente.
Então, lá em
Barretos, eu estou acompanhando a luta das pajens, tenho aqui os cargos dos
cuidadores, dos auxiliares de cuidados diários, esses cargos são importantes,
do monitor de criança e adolescente. Então são cargos importantes que têm uma
atuação direta com a criança dentro da creche.
Então, pela Lei
nº 15.326, essas funções, essas pessoas que estão nessas funções devem ser
enquadradas na carreira do Magistério, de tal forma que elas possam ter direito
ao piso nacional, aposentadoria especial e a todos os direitos que o Magistério
público tem, tanto na cidade de Barretos como no Brasil.
Então eu queria
dizer isso e aqui mandar um recado para a prefeitura, para as pessoas que estão
à frente dessa negociação, para a Procuradoria de Barretos, para a Secretaria
da Educação, para o próprio prefeito: que estudem a lei sob essa ótica que eu
estou dizendo, porque eu acompanhei a elaboração desse projeto que nasceu aqui
na Assembleia Legislativa, porque a deputada Luciene Cavalcante, antes de ser
eleita deputada federal, já participava aqui desse movimento Somos Todas
Professoras - começou aqui na Assembleia Legislativa em 2017, 2018, 2019.
Depois ela foi
eleita deputada federal e levou a luta para Brasília, para aprovar o projeto,
porque, infelizmente, não passava aqui pela Assembleia Legislativa. A educação
infantil é com o município, e tinha que mexer na LDB e na Lei do Piso Nacional
Salarial, nº 11.738, de 2008. E foi exatamente o que a deputada Luciene fez.
Ela conseguiu mudar a LDB e mudou a lei do piso, incluindo, então, as educadoras
em educação infantil na carreira do Magistério.
Então é muito
simples. São três os requisitos principais para que uma pessoa seja enquadrada
na carreira do Magistério agora, com a lei da deputada Luciene Cavalcante. Ela
tem que ter função docente, cuidar e educar. Não há separação, está na própria
LDB isso, no Plano Nacional da Educação, isso é claro. Concurso público, na
época em que a pessoa ingressou na rede municipal, e aí não importa a formação
que ela tinha, o que importa é agora.
E formação ela
tem que ter hoje. Não quando ela entrou, quando ela ingressou, mas hoje. Se a
pessoa, por exemplo, pegar a pajem. A pajem, na época, acho que talvez tenha
sido exigido para ela o ensino fundamental, o ensino médio. Mas, se ela se
formou durante o processo, se ela fez um curso de Pedagogia, por exemplo,
então, ela já tem, ela atende ao requisito da formação, ela tem função docente
e ela foi aprovada em um concurso público da sua cidade. Então ela tem que ser
enquadrada.
Então não sou
eu que estou dizendo, é a legislação, e a lei tem que ser cumprida. Então faço
aqui um apelo à Prefeitura de Barretos para que reveja essa decisão. Eu recebi
aqui alguns documentos negando, com uma argumentação extremamente equivocada.
Esses documentos são equivocados, no mínimo.
Então é
importante reler, abrir negociação com a categoria e fazer o enquadramento, Sr.
Presidente, porque nós estamos monitorando todo o estado de São Paulo, 644
municípios. Nós estamos aqui com o observatório, a deputada federal Luciene
Cavalcante, o nosso mandato aqui na Alesp, acompanhando. Então nós estamos
esperando agora, logicamente. Há negociação, tem um processo de transição dos
prefeitos, com as categorias que estão vendo.
Agora, vai
chegar o momento em que, se os prefeitos realmente não cumprirem a lei, nós
vamos tomar aqui providências junto ao Tribunal de Contas do Estado de São
Paulo, junto ao Ministério Público estadual, junto ao Tribunal de Contas da
União, porque todos os municípios recebem dinheiro do Fundeb, Sr. Presidente, e
têm, então, que cumprir a legislação.
Então nós vamos
fazer toda uma movimentação, dizendo o seguinte: o prefeito que não enquadrar
as professoras, as educadoras em educação infantil... E não importa se ela é
cuidadora, se ela é pajem, não importa se ela é auxiliar de educação infantil.
A partir do momento que ela exerce a função docente, a lei reconhece a função
docente.
E não tem
inconstitucionalidade nenhuma, até porque a lei passou por um forte processo de
análise da Câmara Federal, do Senado Federal e depois do próprio governo
federal e do MEC. O presidente assinou - o presidente não ia assinar uma lei
inconstitucional. Então ela é constitucional e tem que ser seguida.
Então os
prefeitos que não fizerem o enquadramento das educadoras e educação infantil na
carreira do Magistério, nós faremos esse enquadramento pelo Tribunal de Contas,
pelo Ministério Público, nós vamos pedir uma devassa nas contas, vamos pedir
improbidade administrativa pelo não cumprimento da lei. Espero não chegar a
esse ponto, Sr. Presidente.
Espero que os
prefeitos compreendam isso, compreendam a importância do investimento na
primeiríssima infância. E prefeito que tem compromisso com a educação infantil,
prefeito que tem compromisso com a primeiríssima infância tem que investir em
quem cuida o dia todo da primeiríssima infância, que são essas educadoras de
educação infantil, porque elas são todas professoras.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Caro
deputado, Carlos Giannazi, se puder solicitar a V. Exa. que ainda presida um
pouco para que eu possa continuar algumas reflexões, eu o farei.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Carlos
Giannazi.
*
* *
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro deputado Carlos Giannazi, do PSOL, quero hoje
assinalar com alegria, felicidade mesmo, a visita do ex-prefeito de Recife,
deputado federal que já foi, hoje deputado estadual ali em Pernambuco, e que
tantas vezes, desde a fundação do PT, em 1980, eu tenho convivido com o
deputado João Paulo. Sempre estivemos assim, batalhando pelo aperfeiçoamento da
democracia e da colocação em prática dos instrumentos de política econômica que
venham a ajudar a construção de um Brasil justo, civilizado e fraterno.
Gostaria de
assinalar. Muito bem-vindo, acompanhado da sua assessora, Isadora Arraes, que
contribui muito significativamente. É parente também de Miguel Arraes? (Vozes
fora do microfone.) Sobrinha-neta? Filha? Como? (Vozes fora do microfone.) Sobrinha-neta
então. Que bom lembrarmos aqui do Miguel Arraes, que tanto contribuiu para a
democratização de nosso país. Estive com ele diversas vezes e me tornei, assim,
um amigo dele.
Gostaria de
aqui assinalar, saiu no dia 11 de março um artigo sobre a renda mínima e o
desemprego por inteligência artificial, com algumas reflexões importantes que
quero aqui registrar.
“Para quem
pensa o futuro das contas públicas federais, o tamanho da dívida e o buraco
crescente da Previdência Social podem nem ser os maiores problemas. A grande
questão que aguarda logo adiante é a onda de desemprego a ser provocada pelo
avanço da inteligência artificial.
No governo e na
oposição, há cabeças ocupadas com o tema. Não se tem notícia de proposta
pronta, mas as ideias convergem para a criação de um programa de renda mínima.
Quem seria atendido e, mais importante, como a conta seria paga, são perguntas
ainda sem resposta.
Sem referência
à inteligência artificial, a ideia do programa de renda mínima foi levantada
pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e ele disse considerar que o
orçamento brasileiro está maduro para isso. Não entrou em detalhes, mas
mencionou que o tema foi discutido pelo governo no final de 2024. Em verdade,
Fernando Haddad, como ministro da Fazenda, mencionou a renda básica, não apenas
a garantia de renda mínima, mas a renda básica universal e incondicional.
Entre os
estudos da época, estava a reorganização dos benefícios sociais, como ‘Bolsa
Família’, o ‘Benefício da Prestação Continuada’, o seguro-defeso, o abono
salarial, o seguro-desemprego. Havia outros candidatos a entrar no bolo, como
uma parcela do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica -
Fundeb.
Tudo poderia
ser fundido num novo programa. Atenderia, por exemplo, as famílias do Cadastro
Único ou quem estivesse fora do mercado de trabalho, ou ainda trabalhadores de
renda baixa, como empregados domésticos. Eram várias as possibilidades sobre a
mesa, a amarração final dependia da decisão política.
Havia
configurações que permitiriam pagar benefícios superiores a um salário mínimo.
A percepção era de que, considerando os benefícios já pagos, o Brasil já tem na
prática um programa de renda mínima. Era questão de organizar, dependendo da
ambição política, encontrar mais pontos de recurso para atender um público
maior.
Esse rearranjo
passaria como um trator sobre batalhas, várias perdidas pelos técnicos. Por
exemplo, a dificuldade de encontrar as concessões de seguro-defesa e do
programa de prestação continuada; a impossibilidade de reformular o abono
salarial, que hoje deixa de fora os trabalhadores informais de baixa renda; os
elevados volumes transferidos para a educação básica, num momento em que a
demografia do País mudou.
Por fim, seria
possível desatrelar os benefícios sociais do salário mínimo. Nos bastidores,
esses estudos foram atacados pela ala política do governo e voltaram para as
gavetas. Um momento para retorná-las seria, talvez, a campanha eleitoral ou
imediatamente após. O programa de garantia de renda mínima poderia servir para
atenuar o problema social do desemprego decorrente do uso da inteligência
artificial.
Também, na
oposição, esse é um ponto de preocupação, não só pelo desemprego em si, mas
pelo impacto que isso provocará na atividade econômica. Um programa de renda
mínima para apoiar os mais vulneráveis é discutido.
No evento Rumos
2026, promovido pelo ‘Valor’ no início deste mês, a diretora de Macroeconomia
para o Brasil, o UBS Global Wealth Management, Solange Srour, apontou o impacto
da inteligência artificial na Economia, sobretudo no mercado de trabalho, como
o principal desafio do momento.
Na China, a
linha de frente na adoção de inteligência artificial aposta-se na
requalificação de mão de obra para uma nova economia, um novo mercado de
trabalho. O foco está na formação tecnológica de adultos, jovens e até crianças
do ensino primário. Aqui, em contraste, o número de formandos em Engenharia
recuou perto de 30% de 2015 para 2023.
Apesar do
otimismo chinês quanto à recolocação dos trabalhadores em novos empregos, especialistas
questionam o que acontecerá na fase de transição. O que acontecer por lá pode
dar pistas sobre como reagir aqui. De saída do governo desde janeiro, o Haddad
deve desocupar o gabinete ministerial na semana que vem. Nesta terça, dia 10,
não confirmou que concorrerá ao governo de São Paulo, algo dado como certo na
ala política do governo. Eu tenho como certo.
Vai levar no
currículo a reforma tributária que ficou em negociação por questão de décadas.
E, quando implementada, agregará cerca de 6% a 20% do produto interno bruto.
Também colocou a Receita Federal como uma engrenagem da Segurança Pública, como
se viu em ocupações, como carbono oculto.
Entregará um
conjunto de indicadores favoráveis ao governo, como a menor inflação num ciclo
de quatro anos e o menor desemprego da história. Faltou dar um horizonte de
sustentabilidade para a dívida pública. Ele mesmo disse que as medidas de
ajustes fiscais ficaram aquém do que gostaria. Fernando Haddad levantou a lebre
do programa da renda mínima, na verdade, da renda básica.
O secretário do
Tesouro Nacional, Rogério Ceron, cotado para ser o número dois da Fazenda nesta
reta final, falou em acelerar o ajuste fiscal do próximo ciclo e em mudanças na
Previdência social. O governo ainda define programas e bandeiras que irão para
a campanha, mas o ministro e sua equipe se anteciparam para marcar posição por
uma agenda de reformas estruturais”.
Lu Aiko Otta,
repórter especial do “Valor”, é quem escreveu essa notícia. Mas eu quero aqui
transmitir algo, em especial diante da visita do ex-prefeito de Recife, hoje
deputado estadual, ex-deputado federal.
Então estamos
vendo essas reflexões sobre possivelmente unificar diversos programas de
transferência de renda e formas de financiamento, como as que têm sido estudadas
por mais de uma dezena de economistas que estão refletindo sobre esse tema.
Quero aqui
lembrar que, cerca de quatro anos atrás, o atual prefeito de Recife, João
Campos, até conversou comigo longamente, porque estava presidindo a Frente
Parlamentar em Defesa da Renda Básica de Cidadania. Depois, quando assumiu a
Prefeitura de Recife, ele passou o cargo para, justamente, sua atual
companheira, a deputada Tabata Amaral. Então isso indica que o casal tem
afinidade por essa proposta.
E eu fico
pensando, João Paulo perguntou: “quando é que você vai a Recife novamente?” Eu
falei, “olha, quem sabe possa lá fazer, seja na Assembleia Legislativa, na
Câmara Municipal ou na Universidade de Pernambuco, onde há estudiosos do tema,
uma palestra sobre como fazer de Recife, de Pernambuco, exemplos para todo o
Brasil a respeito da aplicação da Lei 10.835, de 2004”, aprovada por todos os
partidos do Congresso Nacional, primeiro no Senado, depois na Câmara, e
sancionada em uma belíssima cerimônia em 8 de janeiro de 2004. Faz 22 anos,
portanto.
Agora seria
interessante, uma vez que o próprio ministro Fernando Haddad, nesses últimos
dois meses, deu diversas entrevistas dizendo que está considerando estudos que
levam em conta tanto o programa “Bolsa Família” como outras transferências de
renda existentes no conjunto da legislação brasileira, que poderiam significar
uma união de esforços para tornar realidade a renda básica universal, cuja
maior qualidade será prover dignidade e liberdade real para todas as pessoas,
conforme a boa recomendação de Amartya Sen, Prêmio Nobel de Economia:
desenvolvimento, se for para valer, deve significar maior grau de liberdade
para todas as pessoas, todos os seres humanos, homens e mulheres, na sociedade.
Muito obrigado.
Um grande
abraço, João Paulo.
Parabéns a
vocês por essa jornada.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Muito
obrigado, deputado.
Gostaria de chamar Vossa Excelência
para continuar a presidir a sessão. Quero também aqui falar da honrosa presença
do João Paulo, prefeito de Recife, deputado estadual, deputado federal. É uma
honra recebê-lo aqui, no Parlamento Paulista. Parabéns pela sua gestão,
acompanhei a sua gestão em Recife e seus mandatos também. Seja bem-vindo.
*
* *
-
Assume a Presidência o Sr. Eduardo Suplicy.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Tem a palavra o
deputado Carlos Giannazi, pelo tempo regimental.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy, público aqui
presente, telespectador da TV Assembleia, Sr. Presidente, o nosso coletivo
Educação em Primeiro Lugar, composto pela deputada federal Luciene Cavalcante,
o vereador aqui da Câmara Municipal, Celso Giannazi, e o nosso mandato aqui na
Assembleia, protocolou uma representação no Ministério Público estadual contra
esse famigerado e perverso decreto do governador Tarcísio de Freitas. Eu me
refiro aqui ao Decreto nº 70.410, de 2026, que coloca em processo de extinção
mais de 30 mil cargos, em várias áreas, Sr. Presidente.
Eu já tinha
apresentado um PDL, o primeiro PDL apresentado foi o meu. O PDL é o Projeto de
decreto Legislativo nº 07, de 2026, que revoga, que anula esse famigerado decreto
do governador. Depois fiquei sabendo que outros parlamentares, outras
parlamentares ingressaram também, o que é muito bom - que todos os deputados
ingressem com PDLs para revogar o Decreto nº 70.410.
Mas nós também
protocolamos, Sr. Presidente Eduardo Suplicy, uma representação no Ministério
Público, pedindo que o Ministério Público entre com ação na Justiça e peça
também a revogação desse decreto, que coloca em extinção, Sr. Presidente,
cargos importantes na área da Saúde, da Educação, do Centro Paula Souza, da
pesquisa científica, de várias secretarias.
Darei exemplos,
Sr. Presidente. Tenho aqui a relação de todos os cargos colocados em extinção:
1.613 cargos de agentes de organização escolar - olha que absurdo. Nós
precisamos de mais servidores nas escolas estaduais, faltam servidores nessa
área, e o governo, ao invés de abrir concurso público e contratar mais
servidores para as nossas escolas - são mais de cinco mil escolas, Sr.
Presidente, que estão sem servidores -, vai extinguir, para precarizar e para
terceirizar.
É disso que se
trata. Na área do Iamspe, Hospital do Servidor Público, ele está extinguindo
315 cargos de técnicos de enfermagem. Olha só, Sr. Presidente, vamos perder no
Iamspe mais de 300 cargos de técnicos de enfermagem. Nós precisamos de mais
servidores concursados lá, não de menos. Ele vai extinguir.
Tem mais, na
Secretaria da Saúde, no SUS estadual, Sistema Único de Saúde, está aqui:
extinção de 1.278 cargos de cirurgião-dentista, os dentistas que estão
atendendo à população lá na ponta, na periferia. As pessoas que não têm
condições de pagar um tratamento dentário ficarão sem o atendimento, porque o
governador Tarcísio, Sr. Presidente, está extinguindo 1.278 cargos de
cirurgião-dentista no SUS, Secretaria da Saúde.
Ainda na Secretaria
da Saúde, ele vai extinguir 1.100 cargos de enfermeiro. Ainda na Secretaria da
Saúde, 2.966 cargos de técnico de Enfermagem serão extintos. Então é
enfermeiro, técnico de enfermagem, todos extintos. Vai faltar enfermagem nos
hospitais públicos do estado de São Paulo, Sr. Presidente.
E tem vários
outros: o Centro Paula Souza. Na área da pesquisa científica, Sr. Presidente.
Em várias, no sistema prisional. São várias secretarias afetadas, e são vários
cargos, são mais de 30 mil cargos que serão extintos pelo governo. Então nós
temos que barrar essa extinção, Sr. Presidente. Esse decreto, que nem passa
aqui pela Assembleia Legislativa, tem que ser instinto, tem que ser revogado
imediatamente.
Por isso que eu
apresentei o PDL, o primeiro PDL apresentado, que foi o nosso, o PDL 7/26, que
revoga, que anula o decreto e também uma representação do nosso coletivo
Educação em Primeiro Lugar, para que esses cargos permaneçam e que haja a
abertura de concurso público de provas e títulos para todos esses concursos,
Sr. Presidente.
Então fica aqui
a nossa denúncia e o nosso anúncio de providências. Nós denunciamos, mas
anunciamos aqui as medidas e as providências contra todos esses ataques do
governo estadual.
Quero ainda,
Sr. Presidente, aproveitar aqui para, também, dar ciência a todo o parlamento
paulista, às pessoas que estão nos acompanhando pela TV Alesp, que nós também,
nosso coletivo Educação em Primeiro Lugar - deputada federal Luciene
Cavalcante, vereador Celso Giannazi e também o nosso mandato aqui -,
ingressamos, Sr. Presidente, com uma ação popular contra a Resolução nº 19, da
Secretaria da Educação, de 2026, que exige, que condiciona, Sr. Presidente, a
permanência, a contração de professores categoria “O”. Só se eles realizarem o
famoso Processo Seletivo Simplificado no mesmo ano.
Nós tivemos no
ano de 2026, o processo de atribuição de aulas, milhares... Há quem diga que
nós perdemos já 40 mil professores categoria “O” que foram demitidos, foram
expulsos da rede estadual, por conta também primeiro da Resolução nº 8 e agora
essa nova... Essa nº 19 - desculpa, Sr. Presidente -, a Resolução nº 19, que
foi a última editada. A nº 8 foi a primeira, logo no início do ano, e logo
depois veio a nº 19 que aperfeiçoou a maldade.
O governo
queria até impor uma quarentena de três anos, ele foi obrigado a recuar, mas
ele mantém essa exigência extremamente sem fundamento nenhum, Sr. Presidente.
Tanto é que nós colocamos aqui na nossa ação popular para as pessoas
entenderem: “Ocorre que o Processo Seletivo Simplificado sempre ocorre no ano
anterior a divulgação dos aprovados e respectiva atribuição de aulas, conforme
consta no edital de 2025”.
Isso significa
que aqueles professores que foram indicados por não permanência pelo diretor da
escola, nas atribuições do início deste ano, conforme a Resolução nº 8, de
2026, não poderão participar de nova contratação futura, visto que, de acordo
com a Resolução nº 19, de 2026 - que é esta que a gente pretende revogar -, é
requisito indispensável a realização da prova no mesmo ano em que houve a indicação. O que não ocorreu, já que a
prova foi aplicada no ano passado.
Então como que
vai exigir esse processo, a prova do PSS, Processo Seletivo Simplificado, no
ano de 2026, se não tem prova em 2026? Sr. Presidente, não teve prova, teve no
ano passado, mas a do ano passado o governo não reconhece, porque ele age de má
fé, age para expulsar os professores, age para dificultar, age com cinismo, Sr.
Presidente.
Eu vi aqui, eu
não estava presente, mas tinha uma parte das intervenções do secretário
executivo da Secretaria da Educação, porque o Feder nunca vem nas audiências
públicas. Teve a audiência contra o PL 1316, da famosa reforma contra o
Magistério, e aí são um cinismo, Sr. Presidente, as intervenções da Seduc para
tentar justificar todos esses ataques e todas essas maldades, que me dão,
realmente, ânsia, Sr. Presidente.
Mas, enfim, nós
estamos tomando providências com uma ação popular do nosso coletivo para
revogar, então, essa famigerada Resolução nº 19, que exige processo seletivo
agora no ano de 2026 para manter os professores da não permanência. Um absurdo,
o professor fica sem poder fazer contrato, por isso nós temos quase 40 mil ou
mais, não sei, professores demitidos da categoria “O”.
Então nós
estamos, Sr. Presidente, tomando providências em relação a isso, agora com a
ação popular para reverter essa situação.
Por fim, Sr.
Presidente, acho já encerrou o Pequeno Expediente. Como que está? Ainda não? Eu
só queria falar pelo Art. 82, depois devolvo a palavra a Vossa Excelência.
Eu acho que já
estourou o nosso tempo aqui.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Encerrado o
Pequeno Expediente.
* * *
-
Passa-se ao
GRANDE EXPEDIENTE
* * *
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Pelo Art. 82,
tem a palavra Vossa Excelência. Em seguida vou pedir também a palavra para uma
breve comunicação.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL
- PELO ART. 82 - Obrigado, Sr. Presidente deputado Eduardo Suplicy.
Falando agora
pelo Art. 82 do Regimento Interno, para concluir aqui a minha participação hoje
na tribuna, Sr. Presidente, gostaria aqui de reafirmar que, na quarta-feira,
dia 11, estive presente no Supremo Tribunal Federal.
Fiz uma
audiência com o presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Edson
Fachin, Sr. Presidente. Uma audiência para fazer um apelo a ele, para que
coloque, para que retorne com o julgamento daquelas Adins que versam sobre o
fim do confisco das aposentadorias e pensões que estão paradas há um tempão.
Aquela discussão, aquele julgamento está
parado, congelado por conta de um pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes,
que só faltava o voto dele. Ele estava tendo o julgamento já, só faltava o voto
que era o dele. Ele pediu vistas, depois teve um prazo de 90 dias, devolveu, mas
até agora o Supremo não retomou esse importante julgamento, Sr. Presidente.
Então nós
tivemos uma reunião, tinha essa agenda na quarta-feira, que já estava marcada,
fui até lá. Foi uma agenda marcada pelo ministro da Secretaria da Presidência
do Governo Federal, do presidente Lula, o Guilherme Boulos, e nós fomos
acompanhados.
Foi uma reunião
coletiva com a presença do professor Francisco Poli, presidente do Udemo; a
professora Walneide Romano, que é presidente da Apampesp, Associação das
Professoras Aposentadas do Magistério Público do Estado de São Paulo; com a
presença da deputada federal Luciene Cavalcante; com a presença do vereador
Celso Giannazi, que luta aqui na Câmara Municipal para revogar o confisco
municipal.
Então essa foi
uma reunião muito importante, Sr. Presidente, porque nós conversamos bastante
com o ministro, explicando a ele toda a situação dos aposentados no Brasil,
desse confisco desumano e cruel que está matando os nossos aposentados e,
sobretudo, as professoras aposentadas aqui de São Paulo.
Enfim, o
ministro Fachin já tinha feito o voto dele contra o confisco, então está... Ele
entendeu, logicamente, porque o voto dele foi contra o confisco das
aposentadorias e ele se comprometeu lá em colocar em votação e retomar o
julgamento em caráter de urgência, talvez já no próximo mês, ele determinou
isso para a assessoria. Nós sabemos que temos cinco ou seis votos já favoráveis
ao fim do confisco e, se nenhum ministro mudar o voto, nós temos tudo para
derrubar o confisco.
Lembrei ainda, nesta reunião, que a PGR,
Procuradoria-Geral da República, lá atrás já tinha dado um parecer contra o
confisco, um parecer solicitado pelo próprio Supremo Tribunal Federal, na época
era Aras o procurador-geral, aquele indicado pelo Bolsonaro que se colocou contra
a reforma do próprio Bolsonaro, de tão grave que é confiscar a aposentadoria de
aposentados e pensionistas.
Então, Sr.
Presidente, foi uma conversa, ele se comprometeu a talvez colocar já agora em
abril em julgamento para terminar este julgamento. E aí com essa decisão do
Supremo, pela inconstitucionalidade do confisco das aposentadorias de quem
ganha abaixo do teto do INSS, nós vamos, com certeza, derrubar o confisco em
todo o Brasil.
Aqui em São
Paulo, sobretudo, na Prefeitura de São Paulo, onde a gestão Ricardo Nunes está
confiscando 14% das aposentadas, dos aposentados, Sr. Presidente, que já tem
uma redução salarial na aposentadoria e são hoje confiscadas em 14 por cento.
Aqui no estado,
através de uma ampla mobilização que nós fizemos, conseguimos derrubar o
confisco do Doria e do Rodrigo Garcia. Mas foram dois anos de assaltos, Sr.
Presidente, de roubo das aposentadorias. E agora nós lutamos para que haja
devolução do que foi confiscado de pelo menos 600 mil aposentados e
pensionistas do estado de São Paulo.
Então a luta em
São Pulo, do ponto de vista dos servidores estaduais, dos servidores
aposentados, é pela devolução, porque nós derrubamos o confisco, porque não é
obrigatório. O governador confisca se quiser, e os prefeitos também. Tanto é
que tem estado que não confisca, tem prefeitura que não confisca.
Mas a gente,
derrubando, Sr. Presidente, essa exigência da Emenda nº 103, acho que é o Art.
149, então nem o prefeito vai poder confiscar, nem governador. Aí o Tarcísio
vai ter que devolver o dinheiro confiscado aqui em São Paulo. Eu já tenho um
projeto de lei aqui tramitando, que já passou inclusive na Comissão de
Constituição e Justiça, e o vereador Celso Giannazi tem um PDL na Câmara
Municipal, PDL 92, que revoga o Sampaprev, que revoga o confisco aqui na
Capital.
Então essa é a
nossa luta, Sr. Presidente. Pelo fim, pela revogação imediata do confisco das
aposentadorias e das pensões e pela devolução do que foi confiscado aqui em São
Paulo.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Espero que a
iniciativa seja bem recebida e gostaria, prezado...
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - Só, pela ordem, um
minuto. Vou deixar aqui já a solicitação de levantamento da sessão, assim que
V. Exa. terminar de falar aí mesmo da Presidência. Não havendo mais nenhum
orador inscrito e havendo acordo de lideranças, eu solicito, após a sua
intervenção, o levantamento da sessão.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Muito
obrigado, deputado Carlos Giannazi.
Eu gostaria de manifestar, ainda, uma
preocupação diante da sequência de graves incidentes envolvendo a Sabesp
privatizada, pois, desde o ano passado, três episódios tiveram grande impacto.
O incidente mais recente, na última
quarta-feira, foi o rompimento de reservatório de água ainda em construção no
bairro de Capoavinha, em Mairiporã, na Grande São Paulo. A estrutura se rompeu
de forma violenta, causando a morte de um trabalhador, deixando outras pessoas
feridas, além de provocar danos a resistências, obrigar famílias a deixarem
suas casas.
Gostaria, primeiramente, de manifestar
minha solidariedade à família do trabalhador que perdeu a vida exercendo o seu
ofício e também às famílias que deixaram as suas casas em função do problema
ainda não diagnosticado.
Como estratégia de mitigação, a Sabesp
realizou uma reunião com moradores do bairro de Capoavinha, afetado pelo
incidente, se comprometeu a pagar 2.000 para moradores deslocados como ação
inicial e afirmou ter disponibilizado uma vã para atendimentos que vivem na área.
Foram contabilizadas 216 casas afetadas.
Apesar do rápido pronunciamento do
governador e da secretaria, é urgente que as causas do acidente sejam
esclarecidas, bem como tomadas as providências de reparação de danos e
compensação às famílias atingidas.
Antes desse episódio, já havíamos
assistido, em setembro do ano passado, a outro fato profundamente trágico. Em
Mauá, uma pessoa idosa de 79 anos morreu dentro de sua própria casa, após
tubulação de grande porte se desprender durante uma obra e atingir a residência
onde ela estava.
Em abril, houve abertura de uma cratera
na Marginal Tietê e o primeiro reparo feito pela empresa durou uma semana. Mas,
um mês depois, em maio, o buraco reabriu. O reparo completo do local demorou
quase um ano, em fevereiro deste ano, com 75 milhões de custo.
É fundamental que haja uma apuração
rigorosa de todos esses fatos, que as concessionárias reforcem os protocolos de
segurança das obras e garanta a fiscalização permanente e tenham transparência
para assegurar que qualquer obra de infraestrutura seja sempre conduzida com
rigor técnico e responsabilidade social, para que tais tragédias não se
repitam.
Havendo, então, acordo de lideranças, a
Presidência, antes de dar por levantados os trabalhos, convoca todas as V.
Exas. para, na segunda-feira, uma nova sessão ordinária, à hora regimental, sem
Ordem do Dia.
Está levantada a presente sessão.
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- Levanta-se a sessão às 15 horas e
nove minutos.
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