24 DE JUNHO DE 2026

86ª SESSÃO ORDINÁRIA

        

Presidência: EDUARDO SUPLICY e CARLOS GIANNAZI

        

RESUMO

        

PEQUENO EXPEDIENTE

1 - EDUARDO SUPLICY

Assume a Presidência e abre a sessão às 14h04min.

        

2 - CARLOS GIANNAZI

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

3 - CARLOS GIANNAZI

Assume a Presidência. Convida o público e os deputados da Alesp para participarem de audiência pública, amanhã, às 18 horas, em defesa da prorrogação de concurso docente realizado em 2023.

        

4 - EDUARDO SUPLICY

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

5 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI

Manifesta repudio à gestão Tarcísio de Freitas em razão de proposta de privatização da Fundação Casa.

        

6 - EDUARDO SUPLICY

Assume a Presidência. Endossa o pronunciamento do deputado Carlos Giannazi.

        

7 - CARLOS GIANNAZI

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

8 - CARLOS GIANNAZI

Assume a Presidência. Manifesta-se contrário ao leilão de escolas estaduais na Bolsa de Valores.

        

9 - EDUARDO SUPLICY

Por inscrição, faz pronunciamento.

        

10 - EDUARDO SUPLICY

Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.

        

11 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI

Defere o pedido. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 25/06, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 14h43min.

        

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ÍNTEGRA

 

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- Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Eduardo Suplicy.

 

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- Passa-se ao

 

PEQUENO EXPEDIENTE

 

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O SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Presente o número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos. Está dispensada a leitura da Ata da sessão anterior. Esta Presidência recebe o expediente.

Tem a palavra, no Pequeno Expediente, o deputado Delegado Olim. (Pausa.) A deputada Beth Sahão. (Pausa.) Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Sebastião Santos. (Pausa.) Reis. (Pausa.) Fábio Faria de Sá. (Pausa.) Enio Tatto. (Pausa.) Thainara Faria. (Pausa.) André Bueno. (Pausa.) Rafael Saraiva. (Pausa.) Leci Brandão. (Pausa.)

Thiago Auricchio. (Pausa.) Deputado Dr. Jorge do Carmo. (Pausa.) Bruno Zambelli. (Pausa.) Márcia Lia. (Pausa.) Deputado Carlos Giannazi, do PSOL, tem a palavra pelo tempo regimental.

 

O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy, telespectador da TV Assembleia, esse governo do Tarcísio de Freitas não se cansa de atacar os servidores e as servidoras do estado de São Paulo.

Atacam os direitos conquistados historicamente pelos servidores não só de São Paulo, mas de todo o Brasil. Eu me refiro aqui, Sr. Presidente, a um direito que é uma conquista, que é o abono de permanência, que está inscrito tanto na Constituição Estadual, na nossa Constituição, no Art. 126, como também na Federal, na Carta Magna, no Art. 40, §19. No entanto, o governo estadual insiste em atacar esse direito dos servidores.

No ano passado, o governo tinha publicado uma instrução normativa retirando esse direito, banindo esse direito, Sr. Presidente, de vários segmentos de servidores do estado de São Paulo, sobretudo daqueles admitidos pela Lei nº 574.

Eu quero me referir aqui especialmente aos professores da categoria “F” e também aos secretários de escola da rede estadual de ensino, por exemplo, que não são da Lei nº 500, mas, como os cargos foram colocados injustamente em extinção, o governo retira deles, através dessa instrução normativa, o abono de permanência, suspendendo já o pagamento, Sr. Presidente. É um absurdo.

Nós entramos - o nosso coletivo Educação em Primeiro Lugar, a deputada federal Luciene Cavalcante, o vereador Celso Giannazi, o nosso mandato aqui na Alesp - com uma Adin, através do nosso partido, do PSOL, aqui no TJ, e ganhamos uma liminar, suspendendo aquela instrução normativa, que deu um fôlego para os servidores, suspendendo, inclusive, o cancelamento dos pagamentos dos servidores, Sr. Presidente, que já estão, repito, com os salários arrochados e defasados.

No entanto, o governo agora recorreu e conseguiu suspender a nossa liminar do coletivo Educação em Primeiro Lugar. Suspendeu apenas a liminar, Sr. Presidente, mas não... Vai ter ainda o julgamento do mérito e no julgamento de mérito nós queremos mostrar ao Tribunal de Justiça que essa é uma grande injustiça, acabar com o abono de permanência de vários segmentos dos servidores estaduais. Então, nós vamos acompanhar isso.

Quero dizer que a guerra não está perdida, não. Nós temos ainda a possibilidade real de reverter no julgamento de mérito. Então, o governo o que fez, Sr. Presidente? Assim que foi suspensa a nossa liminar, que durou até agora, foi em setembro do ano passado, Sr. Presidente, que nós conseguimos essa liminar, suspendendo seus efeitos perversos, sobretudo no pagamento dos professores, dos secretários e de outros setores do funcionalismo público estadual.

Tem aqui vários segmentos, Sr. Presidente, que foram, eu vou ler aqui, mas o governo publicou uma nova instrução normativa, que é essa que está aqui no telão da Alesp, eu quero mostrar - TV Alesp, por favor.

Essa é a Instrução Normativa de agora, do dia 19 de junho, que diz o seguinte: que o pagamento do abono de permanência restabelecido ou concedido aos servidores ocupantes do cargo em regime de extinção na vacância, que tem que ser suspenso a partir do dia 15 de junho. Isso vai trazer um prejuízo, um dano, Sr. Presidente, irreparável no pagamento de milhares e milhares de servidoras e servidores do estado de São Paulo.

Então, nós estamos aqui agora acompanhando, Sr. Presidente, vamos acompanhar o julgamento do mérito. Mas, olha, são tantos os cargos que serão prejudicados de servidores, auxiliar de apoio à pesquisa científica e tecnológica, auxiliar de apoio agropecuário, auxiliar de enfermagem, auxiliar de laboratório, auxiliar de radiologia, auxiliar de saúde, auxiliar de serviços gerais, são vários, oficial operacional, secretário de escola, que eu citei há pouco, todas as funções e atividades cuja admissão se deu nos termos da Lei nº 500, de 74, agentes técnicos de saúde, auxiliares de análises técnicas, auxílio de apoio à pesquisa científica e tecnológica.

Presidente, são vários, dezenas de cargos que serão prejudicados, sobretudo também, além dos que eu citei na área, olha, até enfermeiro do trabalho, motorista de ambulância, todos serão prejudicados, perderão, se for mantida essa instrução normativa e essa decisão do governo, todos esses servidores perderão, e muitos outros, que eu não citei aqui, perderão o seu direito ao abono de permanência.

Mas nós estamos em luta, Sr. Presidente, vamos acompanhar agora o julgamento de mérito. Tenho certeza de que nós vamos conseguir convencer o Tribunal de Justiça, com bons argumentos jurídicos de que esse é um ataque que não deve ter a chancela do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, porque o abono de permanência é um direito a todos os servidores, não importa se ele foi contratado pela Lei nº 500, se ele é categoria “F”, se é secretário de escola, em extinção, isso não importa, é um direito que ele conquistou e tem que ser mantido.

Então, o abono de permanência fica, Sr. Presidente, a todos os servidores e servidoras do estado de São Paulo.

 

O SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Tem a palavra agora o deputado Rômulo Fernandes. (Pausa.) Marcelo Aguiar. (Pausa.) Professora Bebel. (Pausa.) Edson Giriboni. (Pausa.) Atila Jacomussi. (Pausa.) Vitão do Cachorrão. (Pausa.) Rui Alves. (Pausa.) Maria Lúcia Amary. (Pausa.) Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Eduardo Suplicy. (Pausa.) Peço a gentileza de o deputado Carlos Giannazi assumir a Presidência.

 

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- Assume a Presidência o Sr. Carlos Giannazi.

 

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O SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Enquanto o deputado Suplicy se dirige à tribuna, porque ele é o próximo orador, quero aqui estender o convite, na verdade reforçar o convite, a todas as pessoas que estão acompanhando a programação, a todos os deputados e deputadas, para a nossa audiência pública, que será realizada amanhã, aqui na Assembleia Legislativa, em defesa da prorrogação do concurso de 2023 para o cargo de professor, bem como a prorrogação já e convocação já, porque o Seduc fez um concurso em 2023, deputado Suplicy, e só chamou 15 mil aprovados.

No entanto, nós temos mais de 90 mil, cem mil vagas disponíveis, e o governo não está querendo prorrogar o concurso; já abriu um procedimento, publicou inclusive no “Diário Oficial”, para contratar uma empresa por milhões de reais para realizar um novo concurso. Isso é improbidade administrativa, um absurdo.

Nosso mandato, junto com a deputada Luciene Cavalcante e o vereador Celso Giannazi, o nosso Coletivo Educação em Primeiro Lugar, já acionou o Ministério Público Estadual, Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, para que providências sejam tomadas para que haja a prorrogação do concurso que vence agora, no mês de julho.

O governo pode, a Seduc pode fazer uma prorrogação, dentro da lei, dentro da legislação, e chamar todos os aprovados, classificados. São mais de 100 mil professores aprovados, deputado Suplicy. No entanto, até agora o governo só chamou 15 mil. Desses só uns 13 ou 12 mil conseguiram assumir.

Então amanhã, às 18 horas, nós vamos realizar essa importante audiência pública aqui na Assembleia Legislativa, com professores, com entidades, para pressionar a Secretaria da Educação a prorrogar o concurso e fazer a chamada imediata de todos os aprovados.

Com a palavra, o deputado Eduardo Suplicy, que fará uso regimental da tribuna.

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro presidente, deputado Carlos Giannazi, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, o Romeu Zema fez uma observação sobre o “Bolsa Família” e a Copa do Mundo que merece correção. É muito preocupante a fala de Romeu Zema, pré-candidato a presidente da República, sobre o programa “Bolsa Família” esta semana.

Durante um evento em Brasília, na segunda-feira, Zema defendeu que, se eleito, exigirá que beneficiários do “Bolsa Família" comprovem conclusão de estudos, e ainda mais que visa apenas os homens, pois as mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens.

Esta fala, além de machista, ignora dados conhecidos sobre programas de transferência de renda. Em 2019, visitei a experiência de renda básica no Quênia, liderada pela ONG GiveDirectly, onde cada cidadão das vilas rurais contempladas recebe mensalmente uma renda de US$ 22,50; uma remuneração baixa, mas para um dos países mais pobres do mundo, é relevante.

Com foco especial nas mulheres, observou-se, após dois anos, que domicílios em que as mulheres recebem transferência de renda, a taxa de violência doméstica caiu 51% e a incidência de violência sexual 66 por cento.

Além disso, é importante nos lembrarmos da mais importante vantagem da renda básica de cidadania, que se dá pela perspectiva da liberdade e da dignidade humana, de que nos fala o professor Amartya Sen, Prêmio Nobel de Economia em Desenvolvimento com Liberdade, em 1999. O desenvolvimento, se for para valer, deve significar um maior grau de liberdade para todas as pessoas na sociedade.

Bem, ao receber uma renda básica ou um benefício do “Bolsa Família”, o beneficiário pode recusar situações que colocariam sua vida e saúde em risco para prover sua família e dizer: “não, agora, graças à renda garantida para mim e para cada membro da minha família, eu posso esperar um pouco, talvez fazer um curso em uma instituição na minha cidade, até ter a chance de uma oportunidade mais alinhada à minha vocação”.

Nesse sentido, diferente do que foi apresentado por Romeu Zema em sua fala, o “Bolsa Família” permite que o cidadão tenha mais acesso à Educação e a trabalhos que se adequem a seus interesses. Um estudo de 2024, realizado por pesquisadores da Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, mostrou um aumento de 0,8% por ano de escolaridade entre os beneficiários do “Bolsa Família”.

Além disso, o estudo indicou também que os beneficiários têm menor probabilidade de trabalhar em setores de baixa produtividade, como a pesca ou os serviços comunitários, que são mais propensos a exercer ofício em locais de maior produtividade.

Portanto, precisamos trabalhar para que o “Bolsa Família” siga avançando gradualmente para uma renda básica de cidadania, com menos condicionalidades e não com mais exigências, como sugeriu Zema. O direito à renda protege as mulheres, os homens e toda a sociedade ao permitir autonomia para que todos sigam seus sonhos.

Aproveito também o jogo do Brasil contra a Escócia, hoje, pela Copa do Mundo, para destacar o papel da renda básica na Escócia. Um em cada cinco escoceses enfrenta uma condição de saúde mental e quem vive nas áreas mais pobres da Escócia tem o dobro da chance de desenvolver ansiedade ou depressão e três vezes mais risco de morrer por suicídio.

A resposta que a Escócia encontrou? Qual? Buscar garantir que ninguém fique abaixo de um patamar digno de renda. Em 2025, o governo escocês publicou um relatório detalhado propondo uma garantia de renda mínima, combinando proteção social robusta, trabalho justo e serviços públicos universais.

A lógica é simples: investir na renda básica e na segurança econômica e saúde mental. A Escócia está construindo esse caminho. Torço para que o Brasil vença a Escócia no jogo de hoje e torço mais ainda para que tanto a Escócia quanto o Brasil implementem uma renda básica de cidadania a todas e todos, garantindo dignidade e liberdade real.

Muito obrigado, deputado Carlos Giannazi.

 

O SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Gostaria de chamar V. Exa. para continuar presidindo essa sessão. Aproveito, Sr. Deputado que vai presidir essa sessão, deputado Suplicy, também, para manifestar o nosso total repúdio a essa tentativa do governo estadual, da gestão Tarcísio de Freitas, em tentar a privatização da Fundação Casa.

Lembrando que o governo Doria tentou aqui privatizar o sistema penitenciário, e nós fizemos uma ampla mobilização, inclusive com apoio da Defensoria Pública, do Ministério Público, e nós derrotamos essa proposta perversa aqui no estado de São Paulo.

E agora a gestão do Tarcísio de Freitas ameaça privatizar a Fundação Casa, e isso é inconstitucional, isso agride a Carta Magna, a Constituição Estadual. Ao invés do governo investir mais recursos na recuperação dos adolescentes infratores, no processo de reeducação, investindo nas unidades existentes, valorizando os servidores, o governo faz o contrário, ele vai sucateando, degradando a Fundação Casa.

Que está vivendo um momento muito difícil, com salários arrochados dos seus servidores, com assédio, com perseguição, com adoecimento dos servidores, com transferências, com fechamento também de até algumas unidades, por todo o Estado. E a situação lá é muito grave.

E o governo, parece-me que faz de propósito, para poder justificar essa possível privatização. Então fica aqui o nosso total repúdio a essa tentativa, Sr. Presidente. A Fundação Casa tem que ficar nas mãos do Estado, do Poder Público.

 

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- Assume a Presidência o Sr. Eduardo Suplicy.

 

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 O SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Muito bem, deputado Carlos Giannazi. Estou de acordo com as suas observações e que convém ser seguida pelos representantes do governo.

Tem a palavra agora o deputado Dr. Eduardo Nóbrega. (Pausa.) Deputado Paulo Mansur. (Pausa.) Deputado Conte Lopes. (Pausa.) Deputado Dr. Elton. (Pausa.) Deputado Marcio Nakashima, Deputado Tenente Coimbra. (Pausa.) Ediane Maria. (Pausa.) Andréa Werner. (Pausa.) Rafa Zimbaldi. (Pausa.) Valdomiro Lopes. (Pausa.) Caio França. (Pausa.) Letícia Aguiar. (Pausa.) Solange Freitas. (Pausa.) Luiz Fernando Ferreira. (Pausa.) Paulo Fiorilo. (Pausa.) Guilherme Cortez.

Na Lista Suplementar, tem a palavra o deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Deputado Carlos Giannazi, do PSOL, pelo tempo regimental.

 

O SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy, telespectador da TV Assembleia. Sr. Presidente, nós tivemos mais uma vitória na Justiça, aqui no Tribunal de Justiça, contra a Secretaria da Educação, que, numa das suas perversidades, que publica...

A Secretaria, que publica o tempo todo resoluções, portarias e outros documentos contra o Magistério, contra os profissionais da Educação e contra a Educação, sofreu mais uma derrota aqui por conta de uma ação nossa, uma ação popular do nosso coletivo “Educação em Primeiro Lugar”, da deputada federal Luciene Cavalcante, do vereador Celso Giannazi, do nosso mandato aqui na Assembleia Legislativa.

Eu me refiro aqui à ação popular suspendendo os efeitos da Resolução nº 19, de 2026, aquela que penalizava os professores da rede estadual de ensino, impedindo que os professores pudessem fazer um contrato, os professores que tiveram seus contratos rescindidos, aqueles que perderam os contratos por conta da famigerada avaliação de desempenho - a farsa da avaliação de desempenho punitivista, Sr. Presidente...

Então esses professores não poderiam, pela Resolução nº 19, é o que ela diz, não poderiam fazer novos contratos durante o ano sem que houvesse a realização daquela prova simplificada, aquele processo simplificado, aquela prova, que é um absurdo, Sr. Presidente.

Então, só durante os professores que tinham então perdido os seus contratos, professores categoria “O”, por conta exatamente da farsa da avaliação de desempenho, eles não poderiam, no mesmo ano, celebrar o novo contrato, se não realizassem no mesmo ano o PSS, essa famigerada prova. Isso é um absurdo, isso iria impedir a contratação de milhares e milhares de professoras e professores na rede estadual.

Então nós derrubamos essa Resolução nº 19 aqui através da liminar, Sr. Presidente. E o governo recorreu contra a nossa liminar, mas não ganhou, porque está aqui a decisão que saiu nesta semana, a Justiça nega o efeito suspensivo da nossa liminar.

Significa que nós ganhamos e essa resolução continua suspensa, Sr. Presidente. Isso que eu queria deixar registrado aqui, que são um absurdo as tentativas do governo de penalizar os professores e os servidores em geral.

Todas as semanas nós temos uma medida, parece que o governo fica pensando como prejudicar os professores. Parece que a Secretaria da Educação talvez tenha uma equipe lá pensando, articulando e montando estratégias contra os professores, como desmontar o Magistério, como atacar os direitos e a dignidade dos servidores da Educação. Parece que é isso que vem acontecendo, porque é uma resolução em cima da outra, Sr. Presidente.

E nós... Nosso coletivo “Educação em Primeiro Lugar” vem reagindo na Justiça, acionando o Tribunal de Justiça, acionando o Ministério Público, acionando o Tribunal de Contas, acionando aqui as comissões permanentes da Assembleia Legislativa, enfim, tomando várias providências e denunciando, apresentando PDLs para revogar também essas resoluções. Todas elas já receberam PDLs meus, que eu apresentei, para que sejam todas revogadas.

E essa é uma das muitas resoluções que nós fomos ao Tribunal de Justiça para que fossem revogadas, Sr. Presidente. E nessa, por enquanto, nós estamos na frente, o governo sofreu mais uma derrota, porque ele não pode mais exigir que o professor, para ter a celebração de um novo contrato, professor categoria “O”, contratado pela Lei nº 1.093, de 2009, que ele tenha realizado no mesmo ano o PSS. Então está aqui essa vitória importante, que suspende.

É lógico, o governo vai tentar no mérito agora, ele tenta outros recursos, mas, por enquanto, os professores podem, sim, categoria “O”, celebrar esse contrato, novo contrato mesmo, independentemente da avaliação de desempenho, que nós temos que derrubar também, Sr. Presidente, que ontem até falei sobre isso, que o Ministério Público Estadual deu um parecer favorável a uma outra ação popular do nosso coletivo “Educação em Primeiro Lugar”, referente exatamente à Avaliação 360, que espero que seja mantida também a liminar contra ela. Então, Sr. Presidente, era isso, em relação a essa vitória que nós tivemos no Tribunal de Justiça.

Mas quero, Sr. Presidente, aqui dizer que eu apresentei um projeto de lei para a recriação da Sucen e também dos institutos de pesquisas que foram extintos pelo governo Doria/Rodrigo Garcia: o Instituto Florestal, o Instituto Botânico, o Instituto Geológico e também a própria Sucen.

Nós temos uma notícia aqui, uma denúncia gravíssima feita pela APQC, Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo, dando conta, Sr. Presidente, do sucateamento dos instrumentos, dos aparelhos científicos do estado de São Paulo. Tem aqui uma matéria, eu queria colocar aqui para os telespectadores acompanharem, que é justamente sobre essa denúncia: "Laboratório que monitora febre maculosa e doença de chagas está sem veterinário e registro há 5 anos”, diz a associação aqui, que é a APQC, que eu acabei de citar.

Isso é muito grave, porque nós temos, Sr. Presidente, aqui o abandono da rede de vigilância sanitária, porque esse laboratório é um deles, é o de Mogi Guaçu. Existem mais outros 14 laboratórios em todo o estado de São Paulo passando talvez pela mesma dificuldade. Porque a Sucen foi extinta, que é um absurdo que uma superintendência de combate às endemias tenha sido extinta no estado de São Paulo.

Então, nós não temos quem faça a fiscalização, os estudos, Sr. Presidente, sobre doenças de chagas, sobre essa febre maculosa, que é transmitida pelo carrapato, sobre os acidentes com os escorpiões, isso é muito importante no interior paulista, em várias regiões do estado de São Paulo, mas é uma área que fica abandonada, porque o governo vai sucateando a pesquisa científica e, sobretudo, essa rede de vigilância científica, que está sendo detonada, degradada pelo governo.

O governo é contra a Ciência, contra a Tecnologia, contra a Educação, é contra a Cultura, e ele vai promovendo todo esse desmonte no estado de São Paulo. Então essa é uma denúncia importante da APQC. E nós queremos, Sr. Presidente, vamos tomar providências, logicamente, aqui pela Assembleia Legislativa, porque a nossa função não é só denunciar, nós também tomamos providências, porque o parlamentar tem que denunciar e acionar os órgãos competentes.

Tem que acionar o Ministério Público, Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça, às vezes a Defensoria Pública do Estado de São Paulo e as comissões aqui.  É o mínimo que um parlamentar quando recebe uma denúncia tem que fazer: investigar e tomar as providências cabíveis, e é isso que nós vamos fazer, já estamos fazendo. Eu apresentei exatamente um projeto de lei que está tramitando aqui, eu preciso do apoio de todos os deputados para que ele seja aprovado. Ele recria a Sucen.

A Sucen tem que ser recriada com os seus instrumentos, com as suas unidades, trazendo de volta os seus servidores, os seus pesquisadores, para que a gente possa combater essas endemias todas, Sr. Presidente.

E também a recriação dos institutos de pesquisa, como o Florestal, o Botânico e o Geológico, que também foram extintos e são muito importantes, sobretudo nesse momento que nós estamos vivendo, de crise climática, crise hídrica, aquecimento global, desequilíbrio ambiental e ecológico, sobretudo no estado de São Paulo.

Esses institutos são fundamentais, no entanto, eles foram extintos, e o governo Tarcísio ainda nada, Sr. Presidente, de recriá-los. Então, o nosso projeto de lei, o projeto que eu apresentei, ele vai nessa direção, na recriação dos institutos e da Sucen, para que isso não aconteça mais.

Essa denúncia gravíssima que eu estou apresentando aqui, que é, na verdade, uma denúncia da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo, mas nós estamos encaminhando várias providências aqui pela Assembleia Legislativa, Sr. Presidente.

 

O SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Se puder presidir um pouco mais a sessão para que eu possa ter ainda o direito à palavra. Eu sou o próximo orador inscrito.

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- Assume a Presidência o Sr. Carlos Giannazi.

 

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O SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Enquanto o deputado Suplicy se dirige à tribuna, eu gostaria de dizer aqui que os alunos, os professores, toda a comunidade escolar das escolas do Rio Grande do Sul, tiveram uma grande vitória agora, deputado Suplicy, porque São Paulo está fazendo escola aqui.

O governador Tarcísio inaugurou o leilão de escolas na Bolsa de Valores de São Paulo, na B3, e vários estados estão imitando o governador Tarcísio. Paraná, Minas Gerais, que já fez o leilão, e agora o Rio Grande do Sul também anunciou que faria um leilão agora, sexta-feira que vem, aqui na B3.

Leiloando, vendendo, deputado Suplicy, mais de 90 escolas estaduais, olha só, que iria transferir recursos do orçamento público do Rio Grande do Sul, do povo do Rio Grande do Sul, para a iniciativa privada, para empresas terem lucro em cima da prestação de serviços na área educacional.

No entanto, houve uma ampla mobilização lá no Rio Grande do Sul e eles suspenderam, adiaram, na verdade, para julho, para ganhar tempo. Ia ser no dia 26 de junho, agora o leilão foi marcado para o dia 23 de julho, mas houve ali uma derrota do governo.

Eu queria dizer que isso é um absurdo, nós somos contra, aqui nós judicializamos, acionamos aqui o MP, o Tribunal de Contas, contra o leilão de escolas na Bolsa de Valores. O governador Tarcísio de Freitas já fez isso com 33 escolas, e isso prejudica a educação, prejudica o Fundeb, prejudica o vínculo dos servidores da educação, a permanência deles nas escolas, é um atraso e um prejuízo muito grande para a aprendizagem dos alunos, para os profissionais da educação.

Então, nós há muito tempo denunciamos, deputado Suplicy, o leilão de escolas públicas aqui no estado de São Paulo, que virou referência, infelizmente, uma má referência para outros estados. Repito, Paraná, Minas Gerais, agora o Rio Grande do Sul tentando seguir esse péssimo e nefasto exemplo.

Por isso que nós dizemos não ao leilão de escolas públicas em São Paulo e em todo o Brasil. Com a palavra, o deputado Eduardo Suplicy.

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - SEM REVISÃO DO ORADOR -Considero importantes as observações de V. Exa., deputado Carlos Giannazi, a respeito da privatização das escolas. Avalio que seria importante que o próprio governo fizesse um levantamento dos resultados desta privatização, comparando com as escolas públicas que permanecem estaduais.

Mas eu gostaria agora de falar sobre o aumento da violência digital contra as mulheres. Subo hoje a esta tribuna para tratar de um tema que muitos ainda insistem em minimizar, mas que está se tornando uma das formas mais cruéis e disseminadas de violência contra as mulheres no século XXI: a violência digital.

Dados do Ministério das Mulheres, com base na Central de Atendimento à Mulher, Ligue 180, divulgados ontem pelo portal UOL, revelam um dado alarmante: as denúncias de violência digital contra mulheres cresceram 188% nos primeiros cinco meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Foram mais de 16 mil registros no Ligue 180 apenas entre janeiro e maio. O ambiente virtual já ocupa a 5ª posição entre os locais com mais denúncias de violência contra as mulheres em nosso país. A maior parte das denúncias foi feita pela própria vítima.

Segundo o Ministério, os registros mostram predominância de mulheres negras, 48%, com maior faixa etária entre 35 e 44 anos, 21,6 por cento. Esses números não representam apenas estatísticas, são mulheres perseguidas por ex-companheiros nas redes sociais.

São meninas expostas por meio de compartilhamento criminoso de imagens íntimas. São jornalistas, professoras, lideranças comunitárias, parlamentares e ativistas atacadas diariamente por redes de ódio que utilizam a internet como instrumento de intimidação e silenciamento.

Estamos vendo uma migração de uma cultura machista e violenta para o ambiente digital. A tecnologia avançou, as formas de agressão também. A lógica continua a mesma: controlar, humilhar, ameaçar e tentar expulsar as mulheres dos espaços de participação social, política e profissional.

Destaco que violência digital não é briga de internet. É crime. É violência psicológica. Muitas vezes é a porta de entrada para agressões físicas e para situações ainda mais graves. Segundo a reportagem, a ministra Márcia Lopes atribui o aumento ao maior conhecimento da população sobre o canal.

“A partir do momento que a gente informa quais são essas violências, e que tipo de violência que elas podem denunciar pelo ligue 180, a gente vê esse ‘boom’ de denúncias sendo realizadas, que por vezes eram denúncias que estavam subnotificadas. A gente tem esse entendimento. Os números ajudam o Ministério a adotar ações específicas.

Por exemplo, nós temos um dado de que 43% das mulheres evangélicas sofrem violência. Então temos tido iniciativas voltadas a este público. Eu me reuni com 1.500 pastores lá em Nova Iguaçu para dizer para eles o quanto era importante que as igrejas evangélicas entrassem no debate e que a gente tem feito isso pelo país”, afirmou a ministra em café da manhã com jornalistas.

“Fazer esta separação e ter essa leitura nos ajuda a tomar decisões melhores”, afirmou Lopes. “Teremos agora um seminário com todos os observatórios do Brasil, das universidades, dos estados, para trazer as evidências, qualificar esses dados categorizando, classificando e, também, territorializando. Isso é fundamental. É muito diferente as mulheres pescadoras que sofrem violência, das mulheres em situação de rua”.

Portanto, parabenizo o governo Lula, que tem avançado na divulgação do canal 180, e no atendimento às mulheres vítimas de violência. Que as políticas para as mulheres possam alcançar todas as mulheres e ajudem a diminuir os casos de violência.

Muito obrigado, presidente Carlos Giannazi.

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Havendo concordância das lideranças, peço que seja levantada a presente sessão.

 

O SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Havendo acordo, então, deputado Suplicy, de lideranças, esta Presidência, antes de dar por levantados os trabalhos, convoca V. Exas. Para a sessão ordinária de amanhã, à hora regimental, sem Ordem do Dia.

Está levantada a sessão.

 

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- Levanta-se a sessão às 14 horas e 43 minutos.

 

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