11 DE MAIO DE 2026

23ª SESSÃO SOLENE PARA OUTORGA DE COLAR DE HONRA AO MÉRITO LEGISLATIVO DO ESTADO DE SÃO PAULO PARA A PASTORAL DO POVO DE RUA DE SÃO PAULO

        

Presidência: EDIANE MARIA

        

RESUMO

        

1 - EDIANE MARIA

Assume a Presidência e abre a sessão às 20h21min.

        

2 - MESTRE DE CERIMÔNIAS

Anuncia a composição da Mesa. Convida o público para ouvir, de pé, o “Hino Nacional Brasileiro”.

        

3 - PRESIDENTE EDIANE MARIA

Informa que a Presidência efetiva convocara a presente solenidade para a "Outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo Para a Pastoral do Povo da Rua de São Paulo", por solicitação desta deputada, na direção dos trabalhos. Saúda as autoridades e os convidados presentes. Lamenta o momento difícil pelo qual está atravessando o estado de São Paulo, que considera um momento de retrocesso. Lembra quando conheceu o padre Julio Lancelotti durante a pandemia, ao levar o “Cozinhas Solidárias” para a população em situação de rua da Sé. Ressalta o trabalho fundamental desenvolvido pela Pastoral do Povo da Rua de São Paulo, de luta pela população de rua e denúncia da falta de habitação e da fome. Cita sua chegada ao MTST em 2017, com seus 4 filhos. Agradece o apoio recebido por todos. Diz estar muito feliz em trazer o povo para esta Casa.

        

4 - VANESSA DA SILVA

Agente pastoral da Pastoral do Povo da Rua de São Paulo, faz pronunciamento.

        

5 - ORLANDO SILVA

Deputado federal, faz pronunciamento.

        

6 - EDUARDO SUPLICY

Deputado estadual, faz pronunciamento.

        

7 - MESTRE DE CERIMÔNIAS

Anuncia a exibição de vídeo sobre a trajetória da Pastoral do Povo da Rua e do padre Julio Lancelotti.

        

8 - DAYANE DA SILVA

Cidadã atendida pela Pastoral do Povo da Rua, faz pronunciamento.

        

9 - MESTRE DE CERIMÔNIAS

Menciona passagem da Bíblia, relacionada com o trabalho desenvolvido pela Pastoral do Povo da Rua. Anuncia a outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo à Pastoral do Povo da Rua, representada pela irmã Brígida Cecília de Freitas.

        

10 - BRIGIDA CECÍLIA DE FREITAS

Irmã representante da Pastoral do Povo da Rua de São Paulo, faz pronunciamento.

        

11 - JULIO LANCELOTTI

Padre coordenador da Pastoral do Povo da Rua de São Paulo, faz pronunciamento.

        

12 - PRESIDENTE EDIANE MARIA

Demonstra sua alegria em ter presidido uma incrível homenagem. Cita o movimento para trazer o povo para dentro desta Casa. Saúda e agradece seus companheiros do MTST, que sempre caminharam ao seu lado. Faz agradecimentos gerais. Encerra a sessão às 21h29min.

        

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ÍNTEGRA

 

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- Assume a Presidência e abre a sessão a Sra. Ediane Maria.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Boa noite, pessoal. Boa noite, gente. (Manifestações nas galerias.) Está todo mundo bem nessa noite fria? Bom, boa noite, eu sou a Tabata, faço parte da equipe do mandato da deputada Ediane Maria.

Nesta noite, nós estamos reunidos aqui para celebrar e homenagear a trajetória do padre Julio Lancellotti e da Pastoral do Povo de Rua com a mais alta honraria do Parlamento Paulista, o Colar de Honra ao Mérito Legislativo. Então uma salva de palmas, gente. (Palmas.)

Nós estamos sendo gravados aqui e a TV Alesp já pode começar a transmissão. Gente, para começarmos muito bem essa noite, estamos aqui com o Pagode na Lata, que vai abrir essa noite. (Palmas.) Abrilhantando e começando bem os trabalhos, não é mesmo? Vamos lá, Pagode na Lata. Fiquem à vontade, o palco é de vocês.

 

O SR. RAPHAEL ESCOBAR - Boa noite, boa noite!

 

TODOS - Boa noite!

 

O SR. RAPHAEL ESCOBAR - Vamos embora, então, minha gente? Está frio, mas vamos esquentar um pouquinho? Então chama!

 

* * *

 

- É feita a apresentação musical.

 

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O SR. RAPHAEL ESCOBAR - Isso aí, vamos esquentando. (Palmas.) Obrigado. Boa noite a todo mundo, boa noite, boa noite - noite bonita. A gente... Tem uma hora que a gente dá uma paradinha só para falar quem a gente é. Aqui é bem enxutinho, só para dar um gostinho para vocês para depois vocês virem nos conhecer.

Nós somos o Pagode na Lata. Nós somos o coletivo formado por trabalhadores, ex-trabalhadores e usuários do território conhecido como Cracolândia, lá na Luz, no centro de São Paulo. Em 2017, quando então o prefeito João Doria Júnior decidiu demitir os trabalhadores e sucatear os serviços, a gente decidiu não ir embora. A gente decidiu continuar fazendo o que a gente acredita.

A gente acredita nisto daqui: no samba, na cultura como cuidado, como criação de vínculo, como insumo da redução de danos. A gente é contra a bala. A gente é contra a bomba. (Palmas.) A gente é contra a enganação compulsória. A gente é contra as comunidades terapêuticas e, principalmente, a gente é contra a cadeia. A gente acha que tem outros métodos de cuidado, e o pagode vem mostrar isso.

Sabe como funciona? Quinzenalmente, a gente vai lá para o fluxo, esteja ele onde estiver. Agora, com a atual gestão, que está batendo em todo mundo e fazendo rodar o centro de São Paulo inteiro, a gente vai atrás, independentemente de onde.

Hoje em dia, a gente está com dois projetos: um com o “papito” Suplicy, que a gente tem rodado doze ou quinze? Eu nunca lembro. (Vozes fora do microfone.) Doze? Doze Caps na cidade de São Paulo. E um com a Ediane, nossa parceira, que estamos rodando quinze? (Vozes fora do microfone.)

Dezoito quebradas na cidade de São Paulo, porque a gente está indo aonde estão os nossos. A gente vai aonde estão os nossos. A gente vai encontrá-los onde estiverem. É para isso que funciona o Pagode na Lata.

Mas, quando está lá no centro, depois a gente vai lá para o Bar da Nice, na Rua General Osório, nº 25. (Vozes fora do microfone.) Rua General Osório, nº 25. E lá o samba continua, sem saber, ensaiando para chegar em lugares muito importantes.

Já tocamos com a Fabiana Cozza, já abrimos show do Marcelo D2, já abrimos show do KL Jay, já tocamos com Pérola... Calma, Jurandir. Oh, meu Deus. O Jurandir é ansioso. Já tocamos... Já tocamos com Cassiana Pérola Negra, Pedrinho da Flor, Tiago Du Guetto, Roberto Oliveira, Adriana Moreira... Muita gente importante.

E eu, como o Jurandir não me deixa esquecer, a gente já voou de avião para Brasília. Tocamos no Planalto, certo? (Palmas.) Eu acho que alguém já nos viu aqui nessa situação. Tirando toda a parte simbólica de um grupo da Cracolândia estar ocupando esses espaços, mostrando outras camadas da “craco”, outras camadas da rua, tem a moedinha no bolso, não é?

Para comprar um tênis da hora, para comprar um relógio para não chegar atrasado no trampo, mas, principalmente, para alugar uma moradia. Hoje em dia mais ninguém no Pagode na Lata mora na calçada. Isso é importante para caralho. (Palmas.)

O pagode é sobre isso, não é, minha gente? O pagode é sobre cuidado em liberdade. O pagode é mostrar a importância da redução de danos, não é, padre Julio? Então é isso que a gente veio aqui mostrar, certo? O pagode tem essa perspectiva, que tenta ficar mostrando a todo momento, porque a droga é uma passagem da história toda, não é?

Tem gente que toma uma cervejinha, toma um remedinho para dormir, um remedinho para acordar, toma umazinha depois do trabalho - ou antes de ir para o trabalho, não é? Está tudo certo. Ninguém está julgando ninguém. É só entender que tem outros caminhos para o cuidado, e o pagode vem mostrar isso.

Daí vem aquele hino maravilhoso, que a gente queria ter composto, mas o Zeca fez para a gente. Bora?

 

* * *

 

- É feita a apresentação musical.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muitas palmas, gente! Muitas palmas para o Pagode na Lata! (Palmas.)

 

O SR. - Obrigado, Tabata. Obrigado, Ediane. Obrigado a todo mundo que luta. Valeu, povo de luta!

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Vou pedir para todo mundo se sentar novamente. Essa é a melhor maneira de começar um evento como esse, com alegria, porque muitas vezes a gente ouve falar do povo de rua e é em uma chave da tristeza da falta, do caso de polícia e aqui não, a gente já abriu o evento dizendo que hoje nós vamos ser felizes, hoje nós vamos sorrir.

E para começar isso do jeito certo, vamos compor a nossa Mesa agora, dando continuidade. E para começar a compor a Mesa, enquanto os meninos vão saindo, o pessoal já vai orientando ali certinho, fiquem bem à vontade, vamos chamar aqui a proponente desta sessão solene, e a primeira empregada doméstica eleita no estado de São Paulo, deputada estadual Ediane Maria. (Palmas.) Da bagunça que a gente gosta.

Vou chamar também o coordenador da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo, o nosso querido e amado padre Julio Lancellotti. Muitas palmas, gente, ele merece, ele merece. (Palmas.) Também vou chamar para compor a Mesa a colaboradora da Pastoral do Povo de Rua e que, hoje, junto com o padre Julio, está representando a Pastoral do Povo de Rua na nossa homenagem, irmã Cecília de Freitas.

Muitas palmas pra irmã Cecília. (Palmas.) Para encerrar a nossa Mesa, vou convidar a agente pastoral da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo, Vanessa da Silva. (Palmas.)

Convido a todos, agora, a se levantarem e ficarem em posição de respeito, para que a gente cante o Hino Nacional.

 

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- É reproduzido o Hino Nacional Brasileiro.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Podem se sentar, fiquem bem à vontade. Essas poltronas aqui são bem confortáveis, né? Porque aí quem ficam sentados são os deputados e hoje o povo está ocupando este Parlamento. Então é muito importante o que a gente está fazendo aqui hoje, muito simbólico.

Bom, para abrir a Mesa, eu vou convidar a deputada Ediane Maria para fazer o uso da palavra.

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Muito obrigada.

Iniciamos os nossos trabalhos nos termos regimentais. Senhoras e senhores, esta sessão solene foi convocada pelo presidente desta Casa de Leis, deputado André do Prado, atendendo à minha solicitação, com a finalidade de homenagear as “Cozinhas Solidárias” e a Pastoral do Povo de Rua.

Posso começar a falar agora normal? Vamos lá, então, deixa eu começar aqui, sem lá muito Regimento. Agora acabou. Eu quero primeiro dar uma excelente boa-noite para todos vocês que estão aqui hoje.

Eu quero saudar com muito orgulho e com muita honra o nosso amado, querido padre Julio Lancellotti, seja muito bem-vindo a esta Casa. Eu quero saudar aqui a minha irmã, posso chamar a minha irmã, Cecília. Muito obrigada, meu amor, sua diva, a Brigida Cecília de Freitas, que está aqui hoje, também recebendo essa homenagem.

Quero saudar a Vanessa, que diz que deixou o padre Julio, os cabelinhos brancos do padre Julio têm um pouco da Vanessa aí, hein? Quero saudar, neste momento, eu quero saudar a todos vocês que receberam esse chamado e que atenderam com tanto amor, com tanto carinho, porque a gente sabe que a gente está atravessando um momento muito difícil aqui no estado de São Paulo, um momento de muito retrocesso. Então, quando a gente abre esta Casa aqui com o Pagode na Lata, inclusive, uma salva de palmas para o Pagode na Lata, porque pelo amor de Deus.

E a gente abre esse espaço com a certeza de uma coisa. Eu vi aqui, padre Julio, a gente acompanhou ali, todo mundo aqui dançando, se divertindo, eu vi aqui funcionários da TV Alesp dançando, mas trabalhando, fazendo uma coisa que deveria ser tão leve.

Então eu quero que vocês sintam, assim como a Tabata falou, essas poltronas, sabe, essas coisas de couro, tudo tão bem organizado, bem estruturado, mas que não é para garantir... Para quem está em situação, o povo de rua, os que mais precisam dessa Casa, muitas vezes ela vira as costas.

Então estar hoje aqui com vocês e podendo homenagear, na imagem do padre Julio, a Pastoral do Povo de Rua. Eu quero voltar lá atrás, porque muita gente acha que eu conhecia o padre Julio, né? Esta Casa aqui... Eu não conhecia o padre Julio, isso até meados de 2017.

Eu me lembro do momento que a gente estava passando, um momento bem duro, bem difícil, que foi a pandemia. E aí, nós, o MTST, do “Cozinhas Solidárias”, fizemos um trabalho que foi vamos levar as “Cozinhas Solidárias” ali para a Praça da Sé. E eu lembro como hoje: o padre Julio prontamente atendeu e estava junto.

Quem estava sendo atendido naquele momento? Era a população que estava ali em situação de rua. Ali a gente viu subir muito, não é, padre Julio? Hoje são mais de, contabilizando, quase 100 mil pessoas que estão hoje em situação de rua. A gente se lembra, Orlando Silva, de um momento muito difícil da nossa história.

A Pastoral... E eu me lembro do padre Julio indo para denunciar a fome. Nós fizemos uma grande marcha, ali na Praça da Sé e o padre Julio estava na linha de frente. Então eu quero saudar e homenagear uma pessoa em quem eu acredito. E, assim, não vou tratar como fã, não, tá, padre Julio? Porque eu fico como fã, “ei, padre Julio!”, querendo agarrar o padre Julio o tempo todo.

Bom, e aí, eu, olhando para a pastoral e o trabalho fundamental do padre Julio, que poderia ser só um prato de comida que a pastoral serve, que o padre Julio serve, mas é para além disso. Lutar com a população, com o povo em situação de rua, é lutar e denunciar um país que invisibiliza, que esquece, que maltrata. Estar hoje em situação de rua virou caso de polícia.

O padre Julio e a pastoral fazem um trabalho que é fundamental, que é de denunciar. Denunciar é um ato político. Quando a gente denuncia, se levanta, os movimentos de moradia que estão aqui hoje... Eu quero saudar o MTST, a Povo pelo Povo.

Quando a gente sai para a rua para denunciar a falta de uma política de habitação, quando a gente sai para a rua para denunciar a fome, nós estamos fazendo uma denúncia direta ao estado que nos nega esse direito.

Então estar aqui hoje, enquanto uma mulher que também sei o que é a fome, porque a pior dor não é... As pessoas imaginam que a dor é só da fome. A dor, ela é para além da fome, porque você se sente impotente, você se sente incapaz.

Quantas vezes... Eu até falei para o padre Julio que eu também, se não tivesse encontrado o MTST lá em 2017, eu seria uma das que estaria na fila. Porque foram as minhas companheiras que me salvaram no momento de agonia, né? Eu, com meus quatro filhos, eu sei muito bem o que foi ali no trabalho doméstico, muitas vezes não tendo as coisas para dar para as crianças. E eu não dormia à noite.

É a pior dor que existe, porque é uma dor que a gente não quer falar para o outro, a gente quer guardar para nós o tempo todo. A gente tem vergonha de falar que está com fome, de falar que não conseguiu comprar o pão para os nossos filhos, de dizer que não conseguiu garantir o arroz e feijão para os nossos filhos. Essa é uma dor que atravessa a gente.

Então estar aqui hoje é, primeiro, para fazer com que esta Casa homenageie e reconheça o trabalho do padre Julio e da Pastoral do Povo de Rua em grande estilo, né? Esse Colar de Honra ao Mérito é para aqueles que fizeram e fazem um trabalho de reconstrução, de denúncia e de luta pelo Orçamento do estado de São Paulo. E dizer que o povo, a população de rua, elas existem, elas são Maria, são José, são Teresa, são Vanessa, são nós. Nós estamos ali.

Então ainda existe uma sociedade que se incomoda com a barraca na frente da sua casa e ela não está preocupada em se perguntar: “por que essa mulher, ou esse homem, por que essa família veio para a rua?” Que os nossos incômodos sejam outros, sejam de pegar na mão, sejam de garantir direitos.

Então eu fico muito feliz por estar nesse canto e poder trazer tanta gente assim como eu, que não podia nem entrar nesta Casa, viu, padre Julio? Mas que bom poder abrir, escancarar esta Casa e trazer aqueles que nunca se acovardaram, aqueles que nunca ignoraram que a fome existe, que a desigualdade existe e que o nosso trabalho é se organizar para garantir dignidade.

Então eu estou muito feliz, agora vou parar de chorar, viu, padre Julio? Chega que nós somos alegria, nós somos festa, nós estamos vivos e lutando. Então, sejam muito bem-vindos, esta Casa é nossa. E que esta Casa entenda o trabalho fundamental e que pare com essa perseguição contra toda a luta e o trabalho do nosso querido e amado padre Julio Lancellotti. (Palmas.)

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito obrigada, deputada Ediane.

Quero registrar a presença de algumas pessoas aqui, porque hoje a gente está com uma plateia muito potente. Membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Flaviano Adolfo de Oliveira; Sheik Rodrigo Jalloul, representando a Mesquita da Penha; Aline Moraes, do coletivo Cordão da Mentira.

Elvis Justino de Souza, membro da Família Stronger; Bruno Henrique Batista, presidente da parada do Orgulho LGBT de Arujá; “Cozinhas Solidárias” do MTST. (Palmas.) Regina Fazioli, vice-presidenta do Conselho Regional de Biblioteconomia; Márcio Rachkorsky, fundador do projeto “Condomínio do Bem”. Logo mais vou citar mais pessoas.

Agora vou passar a palavra para a Vanessa da Silva, colaboradora; na verdade, agente pastoral da Pastoral do Povo de Rua de São Paulo. (Palmas.)

 

A SRA. VANESSA DA SILVA - Boa noite, me chamo Vanessa e vou contar um pouco da minha história. Eu conheci o padre em 1994. Eu saí de casa muito jovem, saí de casa para não ser abusada pelo meu padrasto. Eu espero que vocês entendam que estou em um momento em que a Vanessinha daquele passado está acordando, e estou me cuidando.

Mas falar do padre para mim é meu orgulho. O padre... Quando eu conheci o padre... Eu saí de casa em 1994, eu tinha de 13 para 14 anos, como eu disse, para não ser abusada pelo meu padrasto, e eu fui criada com a minha mãe falando que eu era um resto de parto, que eu era um lixo. Peguei um ônibus para não ser maltratada pelo meu padrasto e me deparei na Praça da Sé.

Chegando na Praça da Sé, conheci dois casais de senhores que usavam álcool e comecei a ficar com eles lá. Eles cuidavam de mim, foi um anjo que Deus colocou na minha vida. E lá, muitas das vezes naquela época, o Conselho Tutelar passava constantemente com a Kombi.

Não é como hoje, que a assistente social vem e conversa com as mães para depois retirar as crianças. Eles não, eles arrastavam das mães e jogavam dentro de uma Kombi. E esse senhor falou: "Olha, eu não posso cuidar de você. Você precisa ir para a Mooca, porque na Mooca tem um padre que vai cuidar de você muito bem”.

Aqui tem algumas pessoas da comunidade que me conhecem desde novinha. Eu cheguei na Mooca e a figura masculina, para mim, era a pior coisa da minha vida. Eu brigava, discutia bastante, falava e muitas vezes me aproximava da paróquia do padre e falava pro padre: “Eu vou bater em fulano”. Ia lá e batia.

O padre entrava no meio das confusões, minha filha, mas nunca brigou comigo. Sempre puxava minha orelha como um pai, e eu xingava. O padre sabe, xingava, jogava pedra, fazia o inferno e ele sempre olhava para mim e falava: "Eu te amo. Eu confio e acredito na sua mudança". E isso me intrigava, porque eu xingava tanto ele, eu maltratava tanto ele, mas mesmo assim ele falava que gostava de mim, que me mudaria, que eu era capaz de mudar. (Palmas.)

Nisso eu me deparei uma vez... O “rapa” passando e brigando para tirar as carroças, nós na frente do São Martinho, lá embaixo do Viaduto Guadalajara, e o padre chega.

Lembro que nós levamos muitos sprays de pimenta com a GCM, com o “rapa”, e eu me deparei em uma confusão tão grande defendendo o padre, brigando por causa do padre, porque os caras começaram... Juntou eu e os meus irmãos de rua, porque a rua para mim é minha família.

Eu não posso dizer da minha família de sangue, mas a minha rua é minha família, onde matou minha fome, onde são meus amigos, onde eu brigo por eles e onde eu aprendi a amar da mesma forma que o padre me ensinou o amor. E hoje eu falo, esse velhinho me venceu pelo amor. (Palmas.)

Eu posso dizer que o padre é meu pai de rua, é meu irmão, é meu amigo, é aquela pessoa que quando eu estou do jeito que eu estou, que não vou dizer para vocês que a Vanessinha não acorda muitas vezes e ninguém me entende, porque eu migalho pelo amor da minha mãe, e minha mãe não me dá.

A minha felicidade é estar com meus irmãos de rua. Brigo, sou briguenta, arrumo confusão e muitas vezes o padre vê que eu estou agitada e fala: "Olha, você precisa se cuidar”. E sempre com aquele amor; nunca, tipo assim, de me chamar a atenção e de me deixar para baixo, pior do que eu já esteja. Obrigada. (Palmas.)

O padre é meu paizão, gente. Quem falar que eu puxo o saco, puxo mesmo. Sou capaz de morrer por ele. Se ele matar alguém, eu sou capaz de esconder o corpo e assim vai indo. Eu sou muito suspeita de falar do padre Julio.

Se hoje estou aqui, sou agente pastoral da Pastoral do Povo de Rua, eu posso dizer que, meus filhos, eu aprendi a amar. Hoje eu retribuo esse amor para meus filhos. Eu agradeço ao padre e não me arrependo nada do que fiz. Eu dou graças a Deus por estar na rua.

Eu agradeço a Deus por todos os obstáculos que Ele me deu e me fez passar, senão não conheceria esse anjo. E eu sou, do padre eu sou um ídolo dele, eu sou número um. Fã, fã, “fanzaça” dele. E te amo, viu, meu gato? (Palmas.)

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito obrigada, Vanessa.

Vou registrar a presença de mais algumas pessoas: Djalma Costa, representando o Cedeca Interlagos; Carlos Eduardo Duarte, representando o Instituto Telma de Souza; Paulo Felix, coordenador do MST Taboão e todo o MST Taboão presente. (Palmas.)

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Meus divos! Taboão da Serra! Amo, amo, amo.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - A Juventude Fogo no Pavio aqui presente também; Helena e Lucélia, do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase; Ana Paula e Thaís, Escola da Luz e Coletivo Mulheres da Luz.

Registrar a presença também da Valdirene, da Povo pelo Povo; do Movimento dos Trabalhadores sem Direito também; Áurea Lopes, da Comissão Arns de Direitos Humanos. Queria registrar também a presença da co-vereadora do mandato coletivo do Cardume de Jundiaí, Carol Lemos.

Vou registrar a presença e já pedir para subir para fazer a fala, o deputado federal Orlando Silva, por favor. (Palmas.)

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - É aqui em cima. Orlando, sobe. Vai.

 

O SR. ORLANDO SILVA - Oi, boa noite.

 

TODOS - Boa noite.

 

O SR. ORLANDO SILVA - Boa noite, gente.

 

TODOS - Boa noite.

 

O SR. ORLANDO SILVA - Eu quero apenas agradecer. Em primeiro lugar, eu quero agradecer a cada pessoa que participa deste momento tão importante na Assembleia Legislativa.

Eu vou te falar uma coisa, eu já fui vereador e sou deputado federal, eu nunca vi uma sessão solene tão divertida igual essa aqui. É a mais legal que eu já vi. O segundo agradecimento eu quero fazer à deputada Ediane. Ediane é minha prima, porque eu sou baiano, ela é pernambucana. Nordestino é tudo primo.

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Irmãos.

 

O SR. ORLANDO SILVA - A Ediane, ela veio do Nordeste para construir uma vida inteira aqui. Eu agradeço a existência da Ediane como pessoa, como liderança política, como mulher, como mãe, como deputada, como revelação da política de São Paulo e do Brasil. Eu acompanho o trabalho da Ediane.

Eu quero dizer para cada um e cada uma que ajudou a trazer essa mulher para cá que vocês não têm, talvez, dimensão da importância que é ter uma mulher preta, trabalhadora, líder do Movimento dos Trabalhadores sem Teto, representando o povo de São Paulo. Ediane é a cara do povo de São Paulo e a legítima representação do povo paulista neste Parlamento. (Palmas.)

Então, Ediane, eu quero te agradecer de coração, porque para mim é comovente, é emocionante saber de uma mulher com a sua história, vem para cá, ocupa esse espaço, é respeitada, fala o que pensa, é coerente, tem compromisso e nos representa. Ediane nos representa ou não?

 

TODOS - Sim.

 

O SR. ORLANDO SILVA - Muito bem, muito bem, parabéns. (Palmas.)

O segundo agradecimento é à Pastoral do Povo de Rua. Irmã Cecília, Vanessa, eu quero, de coração, agradecer. Não por acaso essa homenagem... A gente olha muito para o padre Julio, todo mundo aqui é apaixonado pelo padre Julio, mas nós também sabemos que essa é uma obra coletiva.

Há homens e mulheres que se dedicam à construção desse trabalho extraordinário, inspirador, fundamental para resgatar o que Vanessa acabou de falar para nós, um trabalho inspirador, fundamental para resgatar a vida das pessoas, resgatar o amor e dar exemplo. Nos ensina todo dia.

A Pastoral do Povo de Rua faz um trabalho pedagógico, nos ensina como é o amor de Cristo, como é a solidariedade e o que fazer para que o mundo seja melhor para todos nós. Muito obrigado à Pastoral do Povo de Rua. (Palmas.).

E por fim, para parar de falar... Eita, eu não saudei o senador Suplicy, nosso deputado.

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - É nosso senador.

 

O SR. ORLANDO SILVA - Suplicy, um abraço no seu coração, moço. Querido Suplicy.

E por fim, para parar de falar, eu quero agradecer ao padre Julio Lancellotti, o homenageado da noite, pela existência do padre Julio. Ediane, o padre Julio lidera um processo que tem muitos ângulos de observação.

O meu ângulo de observação é assim: nos momentos mais duros, nos momentos mais sofridos, quando eu olho para um lado, olho para o outro, eu precisando ter energia. Domingo já sei onde eu me dirijo, eu vou à missa do padre Julio e saio de lá fortalecido, com mais capacidade de enfrentar as batalhas que a gente vive lá em Brasília, que são muito difíceis.

Já teve tempo pior, devo dizer, já teve tempo mais duro, mas muitas vezes a gente acaba ficando exposto àquele horror de Brasília. E o padre Julio, a motivação do padre Julio é que nos ajuda. Não só a mim, eu sei, a muitas pessoas.

Eu tive a honra, Ediane, de relatar um projeto de lei que falava sobre a aporofobia, que é aquela arquitetura hostil nas cidades, para a gente enfrentar isso. A lei ainda está precisando avançar mais para melhorar de verdade as cidades, mas a inspiração do padre Julio.

A deputada Erika Hilton é autora de uma proposta de uma política nacional para garantir direitos à população de rua, que eu tive a honra de ser o relator, mas eu tenho certeza de que a Erika se inspirou também no trabalho do padre Julio. Então eu queria dizer, padre Julio, que para mim é uma alegria imensa, é uma honra enorme poder, não apenas assistir esse momento, mas compartilhar com a sua existência.

Muito obrigado por todo o trabalho que tu realizas por São Paulo, pelo Brasil, eu diria para vocês, pela humanidade. Obrigado, padre Julio. Obrigado, deputada Ediane Maria, a minha deputada que me representa na Assembleia de São Paulo.

Boa noite.

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Esse é o meu deputado.

 

O SR. ORLANDO SILVA - Não falei uma coisa: a Ediane loira ficou gata, não é?

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Ah, não. Obrigada.

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito obrigada, deputado Orlando Silva. E vou registrar a presença também e já convidar para fazer a fala, o sempre senador, deputado estadual Eduardo Suplicy. (Palmas.)

 

O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Que animadora essa moça, Tabata, que está presidindo, coordenando os nossos trabalhos.

Querida Ediane, que coisa bela que você organizou para hoje com a vinda do padre Julio para ser, por nós, homenageado, tão querido que ele é pelo povo de São Paulo.

Eu quero muito agradecer a essas pessoas que você trouxe aqui, Ediane, porque o padre Julio, para mim, tem sido como que um orientador espiritual, uma liderança, uma pessoa que ajudou a abrir os caminhos daqueles que estavam preocupados, desde meninos, da adolescência e tal, como é poder melhorar o Brasil, torná-lo uma nação justa, civilizada, fraterna, onde todas as pessoas possam se sentir vivendo em harmonia.

Então eu fui conhecendo o padre Julio nas mais diversas situações, seja na busca dos direitos das pessoas que vivem na Cracolândia, nos mais diversos lugares, em como foram afastados tantas vezes e, muitas vezes, nós estivemos juntos para ver como seria possível diminuir o sofrimento daquelas pessoas.

Eu também interagi bastante com os coordenadores do movimento nacional e estadual e municipal da população em situação de rua. Certo dia, o presidente me convidou para fazer a apresentação do projeto de lei que, felizmente, consegui aprovar no Senado Federal para os moradores em situação de rua ali na... Acho que é Cisarte. Como é que chama aquele lugar onde ele reúne os moradores em situação de rua?

E eu, para dezenas deles, eu expliquei. Ao terminar, eles me disseram: “Olha, Eduardo, nós queremos escrever uma carta ao presidente da República”, que era o Bolsonaro, “para dizer que essa lei tem que ser colocada em prática”.

E foi uma iniciativa da Defensoria Pública da União de Porto Alegre, em nome de um morador de rua de Porto Alegre, dizendo que, sim, aquele homem morador de rua com epilepsia, 50 e poucos anos, recebendo “Bolsa Família”, tinha que estar ganhando a remuneração da Renda Básica de Cidadania.

O Supremo Tribunal Federal deu razão à Defensoria Pública, e agora falta implementar. Por que ainda não acontece? Por que vocês não estão recebendo ainda a renda suficiente para atender as necessidades vitais de cada pessoa? Porque diz a lei que será instituída por etapas a critério do Poder Executivo, começando pelos mais necessitados.

E eu quero lhes dizer que eu ainda hoje completei um artigo para ser publicado na imprensa, dizendo como será possível reunir duas coisas que agora se combinam: a diminuição do regime atual de 6x1 para 5x2. Como é que vai ser a diminuição da jornada de trabalho, que hoje afeta tão dificilmente os mais pobres?

Então há um movimento agora que descobriu que essa lei da nova jornada de 5x2 deverá ser analisada e aprovada junto com a Renda Básica de Cidadania. Assim, nós vamos chegar a atender mais proximamente aquela recomendação do Prêmio Nobel de Economia, o Amartya Sen, bem como a do papa Francisco, que diz que está na hora agora de experimentar a renda básica.

Permitam-me dizer por que será tão melhor. Qual a principal vantagem? Já está explicado por nada mais, nada menos do que um dos grandes artistas, atores nacionais, o amigo de muitos e meu amigo, Mano Brown: “Homem na Estrada”.

“Um homem na estrada, que recomeça seu caminho. Sua dignidade, sua liberdade que foi perdida, subtraída. Quer mostrar a si mesmo que realmente mudou, que se recuperou. Quer viver em paz e dizer ao crime: ‘Nunca mais!’”

O dia que houver para si, assim como para aquela mãe que veio me visitar junto com uma freira de uma ordem italiana que cuida das prostitutas... “Olha, nós queremos te convidar para vir aqui no Parque da Luz falar conosco, para as prostitutas, para discutir alguma coisa”. E eu fui lá, aceitei o convite. Uma mãe disse: “Olha, eu estava sem dinheiro para comprar comida para minhas crianças. Vim aqui vender o meu corpo, me prostituir”.

Bom, para essa mãe, para aquele jovem personagem do “Homem na Estrada”, o dia que houver para si e para cada membro da sua família uma renda suficiente para atender as necessidades vitais, essa mãe, essa pessoa vai ganhar o direito de dizer:

“Não! Agora eu não preciso aceitar essa única alternativa que me surge pela frente, mas que vai ferir minha dignidade, colocar minha saúde e vida em risco. Agora eu vou poder aguardar um tempo, quem sabe fazer um curso, aqui com a Ediane, de maneira tal que eu possa aprender uma nova profissão, e dizer, felizmente, não a alguma que só vai ferir a minha dignidade, prejudicar a minha saúde. Vou poder aguardar aquela que vai me fazer bem”. (Palmas.)

E é nesse sentido pois que a Renda Básica de Cidadania vai elevar o grau de dignidade, liberdade real para todos. É por isso que eu sugiro a vocês que digam ao presidente Lula que nós o queremos reeleger, junto com Fernando Haddad para governador. Vamos sim colocar em prática a Renda Básica de Cidadania junto com a nova jornada 5x2. (Palmas.) Está bom?

Um grande abraço. Parabéns, padre Julio. (Palmas.) A sua atuação nos comove, me comove, me faz mais e mais ser solidário ao povo carente brasileiro.

Um grande abraço.

Vamos à luta, companheiros. (Palmas.)

 

 A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito obrigada, deputado Eduardo Suplicy. Vou saudar também o Everaldo Oliveira, do Cedeca-Sé, e padre Arlindo Dias, da Rede Rua. Tem mais uma pessoa muito importante para saudar. Vou até pegar aqui. Stefani, que foi uma grande parceira na organização deste evento, e Marcelo Augusto de Souza e Silva, presidente do Instituto Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia. Uma salva de palma, gente. (Palmas.)

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Falou do Márcio, Tabata? Falou do Márcio? Saudou ele?

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Bom, gente, antes de a gente fazer o momento da homenagem, eu vou chamar agora um vídeo, para a gente conhecer um pouquinho mais da trajetória da Pastoral de Rua e do padre Julio Lancellotti.

 

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- É exibido o vídeo.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Eu queria saudar a Ana Maria Silva Alexandre também. Ela mandou um vídeo para a gente, fez questão de ir até lá, mesmo em recuperação. A gente não conseguiu aproveitar o vídeo aqui, mas queria saudá-la. (Fala fora do microfone.)

Ela veio? Uma salva de palmas, gente, para a Ana. (Palmas.) Mesmo em recuperação de saúde, fez questão de ir até lá, gravar o vídeo. A gente não conseguiu por conta do tempo, mas a gente agradece muito e que bom que você está aqui.

Eu quero chamar agora um depoimento surpresa, que é de alguém que tem uma trajetória marcada pelo apoio do padre e da Pastoral do Povo de Rua, Dayane Rodrigues. Por favor, suba aqui. Uma salva de palmas, gente. (Palmas.)

 

A SRA. DAYANE DA SILVA - Boa noite.

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Boa noite!

 

A SRA. DAYANE DA SILVA - Gente, eu vou ficar um pouco nervosa, tá? Porque emoção também... E assim, meu nome é Dayane, tenho 35 anos, tenho três filhas e o padre na minha vida é uma bênção, porque quando eu cheguei lá no padre, gente, eu cheguei “perrequeira”, não é, padre? Eu cheguei “perrecando” lá na porta, não é? Sempre brigando com o padre, não é? Sendo meio que rebelde.

E, assim... O bom do padre Julio é que ele nunca, assim, desprezou, não é? Ele sempre acredita. Nós, mulheres, ainda mais quando a gente está em situação de rua, que não é fácil, quem vive em situação de rua, é difícil, ainda mais quando a gente tem três filhos. Quando a gente tem um, dois, três, não importa a quantidade de filho.

Mas não é fácil você pedir nas portas, não é fácil você manguear, manguear e pedir. Não é fácil, é difícil, gente, porque quando a gente está pedindo - a tia Vanessa é prova -, as pessoas falam assim: "Ah, vai trabalhar". É uma humilhação, muita, muita humilhação mesmo. E, assim, eu, quando eu precisei... Gente, eu estou nervosa, tá? Mas eu vou...

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - É, Dayane, se solta!

 

A SRA. DAYANE DA SILVA - E, assim, foi difícil, não é? Foi difícil tirar essa rebeldia minha e tal. Mas, assim, é igual eu falei para vocês: a gente viver em situação de rua não é fácil. Não é, mas também não é difícil. A gente tem que saber se virar, ainda mais nós, mulheres.

E, assim, o padre, gente... Hoje eu dou graças a Deus ao padre no meu caminho, porque a hora que... Quando eu fui morar na Mooca de novo, eu acompanhei, eu ia tomar café lá onde o padre dava o café, na Irmã Dulce, e eu tinha os atendimentos lá também, eu pedia para fazer currículo, eu pedia atenção, porque lá na Casa da Irmã Dulce, lá dá atenção de tudo.

Lá, a gente tem direito a fazer um currículo, lá a gente tem direito de ter uma vida, uma vida diferente, não uma vida só de rua. Então ali a gente tem muita atenção, tem abraço do padre, não só dele, como também de muitos que trabalham lá. E eu cheguei ali como uma convivente, não é? Eu convivi lá, recebendo ajuda deles.

E hoje, gente, o padre me tirou da rua. Hoje, graças ao padre, eu estou debaixo de um lar, onde eu posso chegar e dormir em paz, que eu morava em um lugar que não era fácil. Era uma violência por parte de polícia, por parte de GCM, porque é uma ocupação, uma invasão. Então, quem mora em invasão também não tem sossego, tá?

E o padre, ele entendeu a minha situação, porque eu chegava lá e ele via que a gente tinha que acordar, tinha dia que a gente não dormia direito, tinha dia que minhas filhas tinham medo de entrar, acontecer alguma coisa grave. E o padre me ajudou, a Pastoral do Povo de Rua me ajudou.

Hoje eu tenho uma casa em que eu posso dormir, em que eu posso ter paz. Gente, onde eu morava acordava com o “perreco”, não é? Agora, onde eu moro, eu acordo com os passarinhos cantando, graças a Deus, que é bem diferente. (Palmas.)

E, assim, hoje, onde eu era atendida como convivente, hoje eu faço parte, hoje eu trabalho lá. O padre me deu uma oportunidade que muita gente... Ex-presidiária, moradora de rua, ex-moradora de rua, muita gente hoje não dá oportunidade porque a gente é julgada. Então, o padre me deu essa oportunidade, ele confiou em mim e ele fala que a gente, mulheres, não tem que desistir.

Eu sou muito grata, porque saí da rua e hoje tenho um lugar em paz, hoje tenho um lugar em que posso comer, fazer minha comidinha fresca. Gente, onde eu morava também não tinha privada e onde eu moro agora tem. Padre, eu sou grata a ele e à pastoral.

E outra: graças ao padre e ao Márcio - que eu não sei falar o nome dele todo -, graças a eles eu vou voltar a sorrir, porque sofri muita violência doméstica também. Sofri violência doméstica e perdi todos os meus dentes. Eles estão me ajudando a voltar a sorrir. E como perdi minha mãe, hoje eu me sinto abraçada pelo padre, pela tia Vanessa, pelo tio Augusto, todo mundo da pastoral. Gente, sou eternamente grata.

Então, o padre, quem puder ajudar, continue ajudando, porque a ajuda que vocês dão para ele não é em vão, é uma ajuda que ajuda a nós, que precisamos de amor, precisamos de abraço. Onde o padre está, onde o padre oferece café e ajuda, é onde nós todos, mulheres, homens, moradores de rua, somos abraçados por ele.

Eu agradeço, gente. Só fiquei nervosa, mas eu agradeço, padre. (Palmas.)

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Muito obrigada. Quero saudar também o José Aécio Cordeiro da Silva, da Pastoral Carcerária, e a Paróquia São José de Perus, que também está aqui presente.

Gente, a gente chegou ao momento mais importante, que é o momento da entrega do Colar de Honra ao Mérito Legislativo para a Pastoral do Povo de Rua. Neste momento, vou pedir para toda a Mesa ficar de pé e todos vocês ficarem de pé também. Esse é um momento histórico para o estado de São Paulo.

Tem uma passagem na Bíblia que fiz questão de separar, fiz questão de preparar, antes de a deputada entregar, para que a gente reflita um pouco sobre a importância do trabalho do padre Julio. Em Isaías, 58:3, Isaías diz o seguinte:

“O povo pergunta a Deus: ‘Que adianta jejuar se tu nem notas? Por que passar fome se não te importas com isso?’

O Senhor responde: ‘A verdade é que nos dias de jejum vocês cuidam dos seus negócios, exploram os seus empregados, vocês passam os dias de jejum discutindo e brigando e chegam até a bater uns nos outros. Será que vocês pensam que quando jejuam assim eu vou ouvir as suas orações?

O que eu quero que vocês façam no dia de jejum? Será que desejo que passem fome, que se curvem como bambu, que vistam roupa feita de pano grosso e se deitem em cima de cinzas? É isso que vocês chamam de jejum? Acham que um dia de jejum assim me agrada?

Não, não é esse o jejum que eu quero. Eu quero que soltem aqueles que foram presos injustamente, que tirem de cima deles o peso que os faz sofrer, que ponham em liberdade os que estão sendo oprimidos, que acabem com todo o tipo de escravidão.

O jejum que me agrada é que vocês repartam a sua comida com os famintos, que recebam em casa os pobres que estão desabrigados, que deem roupas aos que não têm e que nunca deixem de socorrer os seus parentes.

Então, a luz da minha salvação brilhará como o sol e logo vocês todos ficarão curados. Seu Senhor os guiará e a presença do Senhor os protegerá por todos os lados. Quando vocês gritarem pedindo socorro, eu atenderei. Pedirão a minha ajuda e eu direi: ‘Estou aqui’.

Se acabarem com todo o tipo de exploração, com todas as ameaças e xingamentos, se derem de comer aos famintos e socorrerem os necessitados, a luz da minha salvação brilhará e a escuridão em que vocês vivem ficará igual a luz do meio-dia.’”

Esse é o trabalho que a Pastoral do Povo de Rua faz para a humanidade, como bem lembrou o deputado Orlando Silva. É fazer aquilo que está escrito na Bíblia. Não é muito difícil, não é?

Então, neste momento, a deputada estadual Ediane Maria vai entregar o Colar de Honra ao Mérito Legislativo à pastoral. Nenhuma pessoa vai vestir, porque é uma entrega para a instituição Pastoral. Então, a irmã Cecília, que hoje representa, junto com o padro Julio, a Pastoral do Povo de Rua e que faz um trabalho fundamental, recebe agora o Colar de Honra ao Mérito Legislativo. Uma salva de palmas, gente. (Palmas.)

 

* * *

 

- É feita a outorga do Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo.

 

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A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Peço que o padre Julio se junte para a gente fazer uma foto bonita. (Palmas.)

Vou convidar para virem ao púlpito agora a irmã Cecília e o padre Julio para fazerem o discurso sobre essa sessão.

 

A SRA. BRIGIDA CECÍLIA DE FREITAS - É um momento realmente de muita emoção. Ao mesmo tempo, de ação de graças, porque estar aqui junto com o padre Julio para receber esta homenagem, Honra ao Mérito, da Pastoral do Povo de Rua, realmente é um momento de uma emoção muito grande, porque, tendo essa parceria com o padre Julio, a nossa congregação...

E eu agradeço, padre Julio, pelo convite que o senhor fez à congregação, de estar aqui com o senhor na Paróquia de São Miguel Arcanjo.

Eu já conhecia o trabalho do padre Julio há muito tempo nas redes sociais. Quando a irmã Katia disse: “Você vai para São Paulo para trabalhar na Paróquia São Miguel Arcanjo”, ela não me disse que era com o padre Julio. Ela fez de propósito, eu acredito, porque ela sabia o quanto eu gosto, eu amo trabalhar com esse povo.

Eu acho que estar no meio desse povo, nossos irmãos que vivem em situação de rua, gente, é viver com eles, conviver com eles um pouquinho, não da experiência deles, mas poder ouvir, poder ver no rosto de cada um a alegria quando recebe aquele pão da manhã, o café com leite quentinho, agora no frio.

É interessante que nunca ouvi um morador em situação de rua reclamar de Deus. Eu nunca ouvi. Eles sempre dizem: “Muito obrigado, irmã, Deus abençoe”. Deus é bom, não é?

Então, essa retribuição deles é uma alegria muito grande para a gente que está ali junto com eles. E quando a gente sai na rua, é interessante que eles nos conhecem, eles nos protegem.

É verdade ou não é?

 

TODOS - É! (Palmas.)

 

A SRA. BRIGIDA CECÍLIA DE FREITAS - Então, padre Julio, acho que o seu trabalho, essa parceria com o senhor, em nome da minha congregação, “Irmãs Mensageiras do Amor Divino”, que também temos esse trabalho em Aparecida.

Lá na nossa casa, todos os dias, de segunda a sexta-feira, geralmente almoçam lá 70 pessoas. Tem dias que são 50, 70. Mas tem gente que repete quatro ou cinco vezes. Então, contando, mais de 100 refeições são distribuídas na nossa casa, todos os dias. E o padre Julio também - pode falar depois, está nos ajudando também com o Refeitório Papa Francisco.

Também nós temos lá os projetos das mulheres de costuras, de artesanatos e variedades para que elas também possam aprender para depois voltar ao mercado de trabalho.

Então, padre Julio, muito obrigada pela sua presença, muito obrigada pelo seu convite à nossa congregação de estar nessa parceria com o senhor nesse trabalho tão nobre e tão necessário nos dias de hoje. (Palmas.)

 

O SR. JULIO LANCELLOTTI - A palavra de gratidão a todos e todas que, juntos, tecemos essa história, a história da Pastoral de Rua da Arquidiocese de São Paulo. Um agradecimento especialíssimo à deputada Ediane Maria, pela sua história, pelo seu compromisso, pelo seu testemunho, pelo seu sorriso e pela sua simpatia. (Palmas.) Agradecimento ao deputado federal Orlando Silva e ao deputado estadual Eduardo Suplicy, a cada pessoa que está aqui, cada um, cada uma, que estão nesse compromisso e nessa luta.

Eu estava aqui no plenário, Ediane, me lembrando de quando os estudantes da rede estadual e das Etecs ocuparam este plenário. Eu fui um dos que conseguiram furar o cerco em que os estudantes estavam e entrei aqui neste plenário para entregar para os estudantes o pão que o povo da rua fez para eles.

Nós conseguimos, estava aqui tudo cheio de barricadas e foi uma negociação imensa com a Polícia Militar para que nós entrássemos aqui neste plenário. Ninguém podia entrar aqui. Eu não sei como nós convencemos os policiais militares, que nos deixaram passar, e nós entramos aqui com cestas cheias de pão que vieram da Casa de Oração do Povo da Rua, feita pelo povo da rua, para alimentar os estudantes que estavam aqui cercados. (Palmas.)

Então foi uma coisa que está muito forte ainda na minha memória, a imagem deles aqui deitados, ficaram dormindo aqui vários dias, e nós conseguimos entregar o pão, que ainda é feito lá na nossa Padaria-Escola Dom Paulo Evaristo Arns.

Cada pessoa que está aqui tem a sua participação, a sua colaboração, a sua maneira de enfrentar todo esse desafio que é conviver com uma população que, nesse momento da história de São Paulo, incomoda muito, porque nós sabemos que hoje o grande interesse na cidade de São Paulo e nas grandes cidades do Brasil e do estado de São Paulo é do mercado imobiliário, é da especulação imobiliária.

O mercado imobiliário, a especulação imobiliária, não quer acabar com a escala 6x1. Não quer. Os trabalhadores da construção civil são trabalhadores que constroem, e nunca se construiu tanta moradia em São Paulo como agora; mas eles não vão morar naquilo que eles estão construindo. Nunca se construiu tanta moradia, e nunca teve tanta gente na rua.

Por que será que não fecha isso? Porque o mercado imobiliário tem interesse de especulação, e essa especulação imobiliária que nas cidades, nas grandes cidades, tem o seu irmão gêmeo no interior, que é o agronegócio, que estão oprimindo os mais pobres, estão oprimindo os trabalhadores, as trabalhadoras.

É por isso que quem está do lado dos que são desprezados é desprezado também. Quem está do lado dos que são exterminados é exterminado também. Quem está do lado daqueles que estão calados, fica calado também. A gente não pode ter a ilusão de achar que, estando do lado dos pobres, dos abandonados, dos humilhados, dos ultrajados, nós não seremos também humilhados, ultrajados e exterminados. A gente sabe disso.

A história de vida de muitos que estão aqui... O Eduardo, que esteve comigo tantas vezes em rebeliões nos presídios femininos e na antiga Febem, sabe o que significa ter que enfrentar, como eu tive que muitas vezes enfrentar a Tropa de Choque, a violência da Polícia Militar, a violência da Guarda Civil Metropolitana, a violência que atinge a população de rua de uma maneira cruel e o cotidiano que nós vemos, todos os dias, da chamada zeladoria urbana. Esta missão de convivência com a população em situação de rua é difícil, é desafiadora, é uma luta que deixa marcas, que deixa cicatrizes.

Então, esta Medalha do Mérito Legislativo vai ser colocada em cima de uma ferida, vai ser colocada em cima de uma cicatriz, vai ser colocada em cima de um ferimento. É um sinal da tua resistência, Ediane, das tuas alianças, do lado em que você está. (Palmas.)

Nessa luta nós não podemos ser indiferentes. Nós sabemos que é uma luta difícil e que é uma luta que, muitas vezes, nós vamos perder. Por isso eu disse desde a pandemia: eu não luto para vencer, eu sei que vou perder, mas eu luto para ser fiel até o fim.

Lutem, meus irmãos. Lutemos juntos. (Palmas.)

 

A SRA. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Uma pausa para as fotos.

Nós estamos caminhando para o final da nossa solenidade. Eu queria agradecer muito a presença de cada pessoa que se dispôs a estar aqui. Saudar a Paróquia São Miguel Arcanjo também, paróquia do padre Julio, as irmãs, os irmãos que estão aqui hoje. (Palmas.)

Como que finaliza uma noite tão especial como essa, né? Eu não aceito esse desafio, vou deixar esse desafio para a Edi. Edi, pode fazer a sua fala final. E antes de todo mundo ir embora, eu vou pedir para todo mundo levantar enquanto a deputada está fazendo a fala.

Vamos ficar de pé, para a gente fazer uma foto bem bonita.

 

A SRA. PRESIDENTE - EDIANE MARIA - PSOL - Primeiro, olha só que atividade linda, que homenagem incrível. E vocês viram que quando o povo ocupa esses espaços, a Casa muda, o olhar muda, o pensamento das políticas muda também. Então, hoje, a gente está fazendo um movimento que é bem interessante, que é um movimento, Paulo Felix, um movimento, padre Julio, que é de trazer o povo para dentro desses espaços.

E é uma grande honra ter estado com vocês esse dia todo, mas não é só hoje. Aqui são companheiros, padre Julio, companheiros que me viram chegar no MTST, companheiros que me deram um prato de comida quando estava com fome, companheiros que a gente lutou pelos camelôs, os trabalhadores sem direito.

Então, quem está aqui hoje, a juventude que me leva nas universidades. Porque que eu não fiz universidade, minha filha que faz. Vou ter uma grande honra de poder ocupar as universidades a partir da juventude, fogo no pavio. Então, eu quero saudar a juventude ali. (Manifestação nas galerias.)

Então, eu quero saudar meus companheiros do MTST que mostraram para mim que esta Casa também era para o sem-teto, que esta Casa também era para os que sofrem.

Então, muito obrigada por caminharem, por me fazerem ter dignidade, ter humanidade. Então, é para isso que esta Casa serve, é para isso que a gente se coloca todos os dias e se levanta para saudar e abrir esses espaços, abrindo caminhos.

O padre Julio nos lembrou dos jovens que estavam aqui e hoje, infelizmente, a gente viu vereadores que foram lá para um ato pacífico dos jovens que estudam hoje, que estudam na USP e que levaram spray de pimenta.

Então, se está faltando trabalho para os vereadores da cidade de São Paulo, então a gente vai mostrar para eles, padre Julio, que existe muito trabalho. Então, a gente vai, primeiro, repudiar essas ações e dizer que a juventude se sinta pertencente e que esta Casa aqui, e o estado de São Paulo e a cidade de São Paulo, é deles. Então, muito obrigada mais uma vez e vamos encerrar.

Tem que subir o rito? Tem um rito aqui, padre Julio. É que eu não consigo, gente, eu não sei esse negócio aqui. Bom, aí eu quero agradecer, padre Julio, maravilhoso divo, quero saudar a irmã Cecília, a Vanessa, a Pastoral do Povo de Rua, a todos vocês que chegaram até aqui nesta noite fria, a todos vocês que estão acompanhando pela TV Alesp e dizer que nosso coração hoje está mais quentinho. Apesar do desafio que a gente tem, nosso coração sai quente porque aqui tem um povo de luta, que está disposto a lutar pela cidade de São Paulo e pelo Brasil.

Então, bom, agora sim, quero agradecer a todos que tornaram possível este momento, cada servidor, cada autoridade aqui presente e, sobretudo, a cada cidadão que prestigiou esse momento.

Declaro encerrada esta solenidade.

Muito obrigada.

 

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- Encerra-se a sessão às 21 horas e 29 minutos.

 

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