24 DE ABRIL DE 2026

19ª SESSÃO SOLENE EM MEMÓRIA DOS 1.500.000 MÁRTIRES ARMÊNIOS DO GENOCÍDIO DE 1915

        

Presidência: AGENTE FEDERAL DANILO BALAS

 

RESUMO

        

1 - AGENTE FEDERAL DANILO BALAS

Assume a Presidência e abre a sessão às 20h02min.

        

2 - MESTRE DE CERIMÔNIAS

Nomeia Mesa e demais autoridades presentes. Convida o público, para ouvir, de pé, o "Hino Nacional da Armênia" e o "Hino Nacional Brasileiro".

        

3 - PRESIDENTE AGENTE FEDERAL DANILO BALAS

Informa que a Presidência efetiva convocara a presente sessão solene em "Memória dos 1.500.000 Mártires Armênios do Genocídio de 1915", por solicitação deste deputado, e do deputado Gil Diniz Bolsonaro. Ressalta a cultura, a fé e a identidade do povo armênio. Clama por justiça.

        

4 - MESTRE DE CERIMÔNIAS

Anuncia apresentação musical do Coral Vahak Minassian, da Sama - Sociedade Artística Melodias Armênias.

        

5 - NAREG BERBERIAN

Bispo primaz da Igreja Apostólica Armênica no Brasil, faz pronunciamento.

        

6 - VAHAN AGOPYAN

Secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, faz pronunciamento.

        

7 - ANGELA GANDRA

Secretária municipal de Relações Internacionais, a representar o prefeito Ricardo Nunes, faz pronunciamento.

        

8 - DOM ODILO PEDRO SCHERER

Arcebispo metropolitano de São Paulo, faz pronunciamento.

        

9 - GIL DINIZ BOLSONARO

Deputado estadual, faz pronunciamento.

        

10 - VICTORIA SAYEGH BURUNSIZIAN

Cantora, faz pronunciamento.

        

11 - MESTRE DE CERIMÔNIAS

Anuncia apresentação musical da cantora Victoria Sayegh Burunsizian.

        

12 - PRESIDENTE AGENTE FEDERAL DANILO BALAS

Faz agradecimentos gerais. Afirma a necessidade de honrar as vítimas do genocídio armênio de 1915. Ressalta a dignidade humana, o respeito e a paz. Encerra a sessão às 21h39min.

        

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ÍNTEGRA

 

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- Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Agente Federal Danilo Balas.

 

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O SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Bom, meus amigos, eu tenho a honra de convidar para presidir esta sessão solene o deputado estadual Danilo Balas, proponente e presidente desta sessão solene. (Palmas.) E como “partner” desta cerimônia de homenagem, convido também o deputado estadual Gil Diniz Bolsonaro, também proponente conjunto desta sessão solene. (Palmas.)

Quero convidar para compor a Mesa a Sra. Hilda Diruhy Burmaian, cônsul honorária da República da Armênia em São Paulo. (Palmas.) Quero convidar sua eminência o cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo. (Palmas.) Convidar a Sra. Angela Gandra, secretária municipal de Relações Internacionais da cidade de São Paulo, que neste ato representa o prefeito Ricardo Nunes. (Palmas.)

Quero convidar o Sr. Professor Dr. Vahan Agopyan, secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo. E, para compor a Mesa, quero convidar Sua Eminência Narek Berberian, bispo primaz da Igreja Apostólica Armênia do Brasil.

Os senhores podem se sentar, por favor. Senhoras e senhores, muito boa noite. Sejam todos bem-vindos à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Após essa linda cerimônia ecumênica, marcante e emocionante, iniciamos esta sessão solene em homenagem à memória de um milhão e meio de mártires armênios, vítimas do genocídio de 1915, preservando a verdade histórica e reafirmando o compromisso com a dignidade humana e a justiça.

O genocídio armênio aconteceu durante a Primeira Guerra Mundial e todo dia 24 de abril é lembrado o início do genocídio, pois marca a prisão de intelectuais armênios na Turquia. A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo também reconheceu a data no estado de São Paulo ao instituir a Lei nº 15.813, de 2015, que criou o Dia do Reconhecimento e Lembrança às Vítimas do Genocídio do Povo Armênio.

Eu convido todos os presentes para, em posição de respeito, de pé - aqueles que puderem -, ouvirmos o Hino Nacional Armênio e, em seguida, o Hino Nacional Brasileiro, executados pela Banda do Corpo Musical da Polícia Militar do Estado de São Paulo, sob a regência do maestro 1º sargento Edison Henrique Barcaro.

 

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- É executado o Hino Nacional da Armênia.

 

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- É executado o Hino Nacional Brasileiro.

 

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O SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Podemos sentar? Sargento Edison, quero agradecer ao comando do Corpo Musical pela apresentação da seção de banda neste evento e uma homenagem a quase bicentenária corporação como a nossa Polícia Militar. Parabéns pela apresentação e muito obrigado pela oportunidade de ouvi-los. (Palmas.)

Antes de passar a abertura dos trabalhos ao presidente deputado Danilo Balas, eu quero registrar e agradecer a presença das seguintes autoridades. Sra. Angeles Chu, cônsul de Taiwan. (Palmas.) Pastor Ismael Rachid Junior, representante da Igreja Evangélica Armênia de São Paulo. (Palmas.) Sr. Vartan Moumdjian, vice-presidente da Igreja Central Evangélica e presidente do Fundo Armênia. (Palmas.)

Padre Antonio Lelo, representante da Igreja Católica Armênia no Brasil. (Palmas.) Der Yeznig Guzelian e Der Boghos Baronian, os párocos nossos da Igreja Apostólica Armênia de São Paulo. (Palmas.) O irmão Garo Aharonian, representante da Igreja Evangélica Irmãos Armênios. (Palmas.)

Sérgio Krikor Arakelian, presidente da Diretoria da Igreja Apostólica Armênia do Brasil e presidente do Conselho Deliberativo do Sama Clube Armênio. (Palmas.) Maurício Behisnelian, presidente da Sama - Sociedade Artística e Melodias Armênias. (Palmas.) Ubiratan Djivan Khatchikian, presidente da Comunidade Armênia de Osasco. (Palmas.)

Carlos Garabet Giovoglanian, presidente da Associação Cultural Armênia de São Paulo. (Palmas.) Garabed Deovlet Pilavjian, vice-presidente da Mesa do Conselho do Clube Armênio. (Palmas.) Vartuhi Atchabahian, vice-presidente da H.O.M. Massis de Osasco. (Palmas.)

Coronel Aveag Agamalian, aviador da Força Aérea Brasileira, filho de armênio. (Palmas.) Delegado de Polícia do Deic, Ronaldo Tossunian, filho de armênio. (Palmas.) Capitã Karoline Burunsizian, chefe da seção de comunicação social do Corpo de Bombeiros, filha de armênio. (Palmas.)

Professora Ossanna Chememian Tolmajian, diretora do Centro Universitário FIG Unimesp, onde eu tive a honra de ter estudado. (Palmas.) Takvor Jorge Arapian, diretor da Sociedade Beneficente e Cultural Marachá. (Palmas.) Paulo Pandjiarjian, diretor de comunicação da Ugab Brasil. (Palmas.)

Virgílio Carvalho, representando a secretária de Estado de Turismo e Viagens, Ana Biselli. (Palmas.) Denis Tchobnian, diretor da Badanegan Miutiun Serop Aghpyur. (Palmas.) E a vereadora de Porto Ferreira, Renata Braga. (Palmas.)

Agora eu tenho a honra de passar a palavra ao deputado Danilo Balas, presidente desta sessão solene, para proceder à abertura oficial deste ato.

 

O SR. PRESIDENTE - AGENTE FEDERAL DANILO BALAS - PL - Boa noite a todos. Sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos nos termos regimentais.

Senhoras e senhores, esta sessão solene foi convocada pelo presidente desta Casa de Leis, deputado estadual André do Prado, atendendo a minha solicitação e do deputado Gil Diniz, com a finalidade de homenagear a memória dos 1.500.000 mártires armênios vítimas do genocídio de 1915.

Feita a abertura da sessão solene, quero agradecer mais uma vez a todos os presentes, em especial ao meu amigo pessoal, deputado Gil Diniz, que se elegeu em 2018 ao meu lado, trilhando já no segundo mandato nesta Casa de Leis.

Sra. Hilda Burmaian, cônsul honorária da Armênia em São Paulo, obrigado pela presença e sempre pelo carinho que me recebe no consulado, e em alguns eventos que nós nos encontramos. Vahan Agopyan, secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, parabéns pelo trabalho que o senhor vem fazendo à frente desta tão importante pasta, e ao lado do nosso governador Tarcísio de Freitas.

Sra. Angela Gandra, secretária municipal de Relações Internacionais da cidade de São Paulo, neste ato representando nosso prefeito Ricardo Nunes. Mando um abraço também, parabenize o prefeito Ricardo Nunes e toda a sua equipe. (Palmas.) Cardeal Dom Odilo Scherer, bispo metropolitano de São Paulo, obrigado pela presença do senhor. Senhor Nareg Berberian, bispo primaz da Igreja Apostólica no Brasil. Senhora Ángeles Chu, cônsul de Taiwan, aqui presente, senhoras e senhores.

Hoje, 24 de abril, nos reunimos nesta Casa para lembrar e homenagear os um milhão e meio de mártires armênios do genocídio de 1915. Desde que assumi o meu primeiro mandato, eleito em 2018, faço questão de realizar esta sessão solene todos os anos.

É um compromisso com a memória, com a verdade e com a justiça. E faço isso ao lado da Sra. Hilda Burmaian, cônsul honorária da Armênia, que mantém viva esta história com tanta dedicação.

O povo armênio, ao longo dos séculos, enfrentou perseguições, até que em 1915 teve o início de um processo cruel e sistemático de extermínio. Homens, mulheres, crianças, idosos foram expulsos de seus lares, privados de tudo e levados à morte.

Esse episódio ficou marcado como o primeiro genocídio do século XX. Mesmo diante de tanta dor, o povo armênio resistiu, sobreviveu e se espalhou pelo mundo, formando comunidades que até hoje preservam sua cultura, sua fé e sua identidade.

E é isso que estamos fazendo hoje, dando sequência à preservação da cultura, da fé e de identidade das senhoras e dos senhores. Reconhecer o genocídio é mais do que lembrar da história, é reafirmar nosso compromisso com os Direitos Humanos e com a dignidade de cada um de nossos familiares.

Hoje, rendemos essa homenagem aos santos mártires armênios e nos unimos ao clamor por justiça e reconhecimento.

Que esta memória nunca seja apagada.

Muito obrigado. (Palmas.)

 

O SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Quero convidar os integrantes do Coral da Sociedade Artística Melodias Armênias, o Coral Vahakn Minassian, para que se posicionem aqui à frente, que eles vão fazer a apresentação de dois números musicais.

O Coral Vahakn Minassian, este ano, completa 100 anos de sua fundação. (Palmas.) Atualmente está sob a regência da maestrina Ana Carolina Martins de Moura. Hoje eles apresentarão duas músicas, duas canções: “Zartir Lao”, traduzindo “Floresce Filho”, e “Es Im Anush Hayastani”, “Eu amo a minha doce Armênia”.

 

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- É feita a apresentação musical.

 

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O SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Que bela apresentação do Coro Vahakn Minassian, sob a regência da maestrina Ana Carolina Martins de Moura. Parabéns.

O deputado Danilo Balas convida agora, para fazer uso da palavra, o bispo primaz da Igreja Apostólica Armênia no Brasil, bispo Nareg Berberian.

 

O SR. NAREG BERBERIAN - Digníssimas autoridades, queridos amigos, amados irmãos e irmãs. Hoje nos reunimos nesta nobre Casa não apenas para recordar um capítulo doloroso da história, mas para nos colocarmos diante da memória, da verdade e da responsabilidade sagrada. Reunimo-nos para recordar o genocídio armênio, recordarmos um milhão e meio de armênios, homens, mulheres, crianças, sacerdotes e famílias inteiras cujas vidas foram tiradas em uma das mais sombrias tragédias do mundo moderno.

Mas este dia não é apenas um dia de luto, é também um dia de testemunho. É por isso que nós, como armênios no Brasil, devemos compreender que esta recordação não fala apenas daquilo que foi perdido, ela fala também daquilo que foi preservado. Por isso, o genocídio armênio não é apenas algo que lamentamos, é também um chamado.

Um chamado para permanecermos dignos daqueles que hoje recordamos. Um chamado para recordarmos a nossa fé, amarmos a nossa igreja, preservarmos a nossa identidade e transmitirmos às novas gerações não apenas um nome, mas uma herança espiritual viva.

Cada igreja que permanece de pé, cada criança que aprende a nossa fé, cada família que permanece próxima do altar de Deus, cada oração oferecida no espírito armênio, tudo isso é a nossa resposta àqueles que tentaram nos apagar. Tudo isso são sinais de que o nosso povo continua vivo, que a nossa fé continua viva e que a nossa memória continua viva.

Damos graças ao Brasil, especialmente a São Paulo, por terem se tornado uma terra aonde os armênios puderam recomeçar com dignidade e esperança. Aqui o nosso povo encontrou acolhimento. Aqui a nossa igreja, a Igreja Armênia, continua a sua oração. E aqui o coração armênio encontrou um futuro.

Entretanto, a recordação traz consigo responsabilidade. Se honramos os mártires apenas com palavras, mas negligenciamos a fé pela qual sofreram, então a nossa recordação está incompleta. Se falamos do Seu sacrifício, mas deixamos de fortalecer a nossa igreja, de orientar os nossos filhos, então ainda não ouvimos plenamente a voz da história, pois os mártires ainda falam.

Eles nos dizem: permaneçam fiéis, permaneçam unidos, não se esqueçam de quem vocês são, não deixem a sua fé enfraquecer, não permitam que a memória se transforme em mera cerimônia.

E assim hoje, nesta Assembleia, inclinamos a cabeça diante da memória dos santos mártires, mas também elevamos o coração com renovada determinação. Que no Brasil o espírito armênio permaneça vivo, que a Igreja Armênia permaneça forte e que a luz que nos foi confiada por meio dos sofrimentos jamais se apague.

E, também, a minha oração mais sincera é a minha esperança mais profunda. Que a paz reine em todo o mundo, que o ódio desapareça do meio dos povos e que as nações aprendam a viver em paz, respeito mútuo e harmonia. Que nenhum povo volte a sofrer o horror do genocídio, que nenhuma nação volte a ser marcada por tamanha escuridão e que a consciência da humanidade seja despertada para proteger cada povo, cada vida e toda dignidade humana concedida por Deus.

Que a memória dos santos mártires do genocídio armênio permaneça eternamente bendita, que o seu testemunho fortaleça os nossos corações e que Deus abençoe a comunidade armênia no Brasil com fé, dignidade, unidade e coragem.

Amém. (Palmas.)

 

O SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - O deputado Danilo Balas tem o prazer de convidar para fazer uso da palavra o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, professor Dr. Vahan Agopyan.

 

O SR. VAHAN AGOPYAN - Boa noite, senhoras e senhores. Quero começar, iniciar esta minha fala agradecendo ao deputado Danilo Balas e ao deputado Gil Diniz Bolsonaro pela iniciativa desta cerimônia.

Eu agradeço muito porque os senhores estão garantindo nesta Casa de Leis a lembrança de uma atitude trágica, de um acontecimento trágico do começo do século passado e que, se não fosse devidamente divulgado e lembrado, nós não estaríamos colaborando para que o mundo seja um pouco mais controlado e que nós saibamos que os erros passados não devem ser repetidos.

Agradeço inclusive ao nosso presidente, deputado André do Prado, pela permissão desta cerimônia, deste evento. Como representante do governo, posso dizer que a Assembleia Legislativa de São Paulo é um braço seguro para orientar, para apoiar, para criticar, para sugerir ações do nosso governo.

O nosso governador Tarcísio não se cansa de agradecer aos deputados estaduais pelo belíssimo trabalho que estão realizando. Então, por favor, transmita ao nosso presidente e aos seus colegas os meus agradecimentos.

Eu quero também cumprimentar a nossa cônsul honorária, a Sra. Hilda Diruhy Burmaian, que formalmente é a representante do governo da República Armênia aqui em São Paulo, pela dedicação com que conduz esse consulado. Eu diria que nós, os descendentes de armênios aqui no estado de São Paulo, temos esse privilégio de contarmos com uma pessoa dedicada à causa armênia.

Não posso também, em nome do nosso querido bispo, Exmo. Sr. Nareg Berberian, bispo primaz da Igreja Apostólica Armênia no Brasil, quero cumprimentar todo o clérigo aqui presente, de todas as denominações cristãs. Dom Odilo, eu insisto em lembrar bem a Igreja Apostólica Armênia porque na nossa história da Armênia, durante sete, oito séculos, a Armênia não teve uma pátria, os armênios não tiveram uma pátria.

Graças à fé cristã, a Igreja Apostólica, na época - depois a igreja, mais recentemente, com outras denominações -, conseguiu manter a armenidade viva. Não apenas a religião, muito mais que a religião, a língua armênia foi mantida viva e, principalmente, a cultura armênia.

Então, nesses seis, sete séculos em que não existia uma Armênia, não existia um país dominado por outros, era o povo espalhado, parte no Império Russo, parte no Império Otomano, parte no Império Persa, pessoas espalhadas, povos espalhados em cidades com maior densidade de armênios ou menor densidade de armênios, e, graças à religião cristã, graças à Igreja Apostólica Armênia, nós mantivemos esse povo durante séculos.

Por exemplo, na minha família, para minha mãe, o Catholicos, ela considerava como o rei da Armênia, em uma época em que também a Armênia não era independente. Então é um simbolismo muito grande e acho que Deus ajudou, com a fé, manter o país.

Eu quero também cumprimentar o Dom Odilo Scherer, que é o cardeal arcebispo metropolitano de São Paulo. Eu tive o prazer de conhecê-lo já há vários anos, nas atividades que eu fazia. É um religioso de uma humanidade muito grande, que realmente me cativou. Eu fiquei muito alegre de saber que o senhor também está administrando a Igreja Católica Armênia aqui. Acho que em toda a América do Sul, não é? (Fala fora do microfone.) Só Brasil? No Brasil.

Eu também quero cumprimentar a minha amiga Angela Gandra, neste ato representando o nosso prefeito, todas as autoridades presentes e nominadas aqui e todos os meus amigos e amigas que eu estou revendo.

Eu queria, não quero me prolongar, mas quero destacar dois aspectos. Primeiro, eu vou ser um pouco repetitivo, a rememoração, a homenagem, a lembrança dessa data é imprescindível.

É lógico que logo depois do genocídio, com a população toda espalhada em todo o mundo, era impossível os armênios conseguirem ter uma atividade mais presente e externar o horror que foi vivido no começo do século XX. Mas acho que nas últimas décadas nós conseguimos, já estabelecidos em outros países, reforçar e, principalmente no centenário, foi uma ação muito forte em todo o mundo - lembrar esse triste episódio.

Eu acho que é a nossa obrigação mostrar às gerações novas o quão fanático, o quão terrível o ser humano pode ser, conduzido por líderes populistas carismáticos que os manipulam de uma maneira errônea.

Eu estou falando isso porque a minha avó materna foi salva por uma família turca, ficou escondida meses na casa de uma família turca; ela sobreviveu por causa disso. Então é uma questão de líderes corruptos, que, para se manter, utilizam, criam inimigos e dizimam esses inimigos.

Outro ponto que eu queria destacar: nós falamos sempre em um milhão e meio. É um número enorme, absurdo. Mas acho que nós precisamos contar para todo o mundo que naquela região - que é uma região, hoje, da parte mais leste da Turquia -, a população armênia, espalhada em várias cidades, não tinha mais do que dois milhões, dois milhões e 200 mil.

Portanto, foi, sim, uma tentativa de exterminação de um povo. Naquela região, não tinha uma população enorme de armênios e um milhão e meio foram mortos; a população era pequena. E infelizmente o genocídio foi a pior maneira possível...

Logicamente, em abril de 1915, os líderes armênios foram enforcados, algumas centenas deles, em Constantinopla, mas depois o genocídio consistia em fazer a população andar no deserto até chegar em Aleppo, dizimando, com isso, quase um milhão e meio de pessoas. Logicamente, morriam inicialmente as crianças muito pequenas - foi o caso do meu tio; ou então as pessoas mais idosas - o caso de dois dos meus bisavós.

Os mais jovens, os adolescentes, alguns conseguiram escapar, e aí tivemos um exército de órfãos espalhados no leste europeu. Então esse ponto importante: houve uma tentativa de exterminação de um povo. Não foi uma coisa apenas de uma luta, e houve muitas perdas; não, foi extermínio.

E o outro ponto que eu queria destacar é que o genocídio é muito doloroso. Todos nós lembramos, todo ano, essa data de uma maneira muito triste. Mas o não reconhecimento é um segundo genocídio. E após 111 anos ainda temos resistência do reconhecimento de um fato historicamente relatado. Século XX, nós tínhamos fotos, alguns filmes disso aqui. Então nós estamos sofrendo um segundo genocídio pelo não reconhecimento, pela não aceitação de um fato histórico.

Então precisamos, todo ano, e agradeço ao deputado, espero que possamos repetir esses fatos. E lembrar que tentaram exterminar, não conseguiram; mas continuam nos ferindo não respeitando os nossos mortos, que todos os que estão aqui são descendentes dos sobreviventes. Eu sou neto, deve ter bisnetos, alguns tataranetos desses mártires.

Muito obrigado. (Palmas.)

 

O SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - O deputado Danilo Balas tem a honra de convidar, para fazer o seu pronunciamento, a secretária municipal de Relações Internacionais da Cidade de São Paulo, Angela Gandra. (Palmas.)

 

A SRA. ANGELA GANDRA - Boa noite a todos. Eu queria cumprimentar especialmente o deputado Danilo e agradecer muito por essa iniciativa de manter essa memória viva. Depois, eu queria também agradecer ao bispo Nareg, por suas palavras e pela oração que foi feita aqui.

Queria cumprimentar também nosso cardeal Dom Odilo, por quem eu tenho tanto respeito e admiração. E agradeço muito o amor a Deus que ele tem, o quanto ele transmite para nós e cuida da nossa cidade.

Queria também cumprimentar o Gil Diniz Bolsonaro, um grande parceiro. Queria cumprimentar, ainda, muito especialmente, a dona Hilda, com quem eu realmente aprendo a cada dia.

Não é só uma cônsul tremendamente competente, mas é uma mulher de uma fibra tremenda e, ao mesmo tempo, de uma generosidade muito grande. Ela tem ajudado a cidade de São Paulo, dado um exemplo muito grande.

Em um desses momentos, ela comentou com o prefeito, diante de uma ajuda que ela ofereceu, ela falou: “meu pai chegou aqui com a camisa do corpo, e essa cidade deu oportunidade para nós. Então eu quero devolver a essa cidade o que foi feito para a minha família.” Eu me emociono de pensar nisso; e a família dela também, junto com ela, nos ensina muito com essa atitude.

Eu queria dizer, antes de tudo, cumprimentar a toda essa comunidade, que está mais do que no meu coração, pessoalmente, mas também no coração do prefeito. Ele fez questão... Ele não poderia vir hoje, ele ficava: “Tu vai, né? Tu vai?”. Ele queria que eu estivesse aqui, presente, me solidarizando também com esta data. Eu agradeço que hoje nós começamos este ato com essa oração, porque gente de uma realidade tão dura, só a fé e a esperança para poder encarar toda essa atrocidade, né?

Eu queria trazer só três pequenininhas reflexões. Em primeiro lugar, pensar que esse um milhão e meio de mártires nos dão certa luz. E em primeiro lugar eu fico pensando, como é duro um coração... O que enfrenta um mártir, né? Nós quando somos pouco injustiçados já ficamos revoltados. Injustiça é uma coisa que nos toca profundamente.

Como o secretário Vahan... Aliás, não falei do secretário Vahan. O secretário Vahan, que é um grande companheiro, trouxe aqui o que é caminhar no deserto e como é o coração de um mártir. Muitas vezes penso, como católica, o que foi e como é você estar diante de uma injustiça, o que é você saber perdoar, o que é você não ter quase condições de morrer em paz se não for pela graça de Deus, né?

Então eu peço que eles nos iluminem hoje. Eu penso que a memória traz também essa proximidade desses mártires, e que eles nos iluminem hoje para ter esse coração de perdão, de paz e de céu, como eles atingiram ao serem fiéis a sua pátria e a sua fé.

A segunda coisa que eu queria que a gente pensasse é que, de fato, Deus se forma, em termos Catholicos, em “Omnia in bonum”: tudo vem para o bem, vem dos escolhidos, né? E é impressionante ver como Deus, dos nossos males, tira bens.

Eu vou dizer que, para mim, o bem disso tudo é a honra de que tantos armênios tenham escolhido a nossa cidade como lar. Eu agradeço muito que a comunidade tenha aqui a sua casa e que nos ensinem a cada dia com o seu espírito de trabalho, com a sua resiliência e com o seu coração generoso. Isso para nós é um grande bem. A cidade de São Paulo celebra a comunidade armênia.

E a última reflexão é pensar que São Paulo é a cidade... Nós fizemos uma declaração, né? A cidade de todos os povos. Nós temos uma tradição cosmopolita, o prefeito tem essa preocupação de que todos possam conviver em paz, e no momento geopoliticamente muito complicado onde, de fato, os homens continuam querendo ter poder um sobre os outros, não dando liberdade, não respeitando a soberania, não respeitando a tradição, a cultura, que é uma riqueza.

Nós queremos desde a cidade, junto com vocês, buscar o que nos une e não o que nos desune. Desde as escolas que contam com 110 nacionalidades, nós lutamos para que essas pessoas possam se dar bem, que se ensine o respeito, a convivência e celebrar a riqueza da diversidade dos filhos de Deus.

E eu termino pedindo e agradecendo... Pedindo em primeiro lugar, de novo, a esses mártires, e agradecendo a possibilidade de ter essa memória viva nos nossos corações, que esses mártires, que já sabem o que vale a pena nessa vida, nos tornem, cada um de nós, instrumentos de paz. Como é que eu mesma, dentro do meu lar, dentro do meu trabalho, com as pessoas com quem eu convivo, levo essa paz, e por outro lado também exigindo dos líderes.

Agradecer muito ao secretário Vahan, quando o senhor trouxe esse fato de uma família turca que quis ajudar. Às vezes os líderes decidem coisas e por isso nós cuidamos da educação nas escolas, porque as crianças não têm que sofrer bullying, porque os seus líderes não são justos.

Nós temos que lutar dentro do que nos cabe a cada um para que haja justiça dentro do nosso... Em termos de governo, o que nós fazemos para que haja justiça na nossa cidade com as comunidades e assim por diante? E lutar de fato por líderes justos.

Mas a coisa que eu mais queria dizer em tudo isso: o nosso bispo agradeceu a São Paulo, em nome de São Paulo, e eu gostaria de falar (Pronunciamento em língua estrangeira.)

Muito obrigada, Armênia.

Eu aqui celebro até com as cores da bandeira, porque vocês estão mais do que no nosso coração. (Palmas.)

 

O SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - O deputado Danilo Balas tem a honra de convidar para fazer o uso da palavra, Sua Eminência Reverendíssima Cardial Dom Odilo Pedro Scherer. (Palmas.) Cardial arcebispo metropolitano de São Paulo e administrador apostólico do Exarcado Armênio da América Latina.

 

O SR. DOM ODILO PEDRO SCHERER ­- Boa noite a todos. Quero saudar de maneira especial o Sr. Deputado Danilo Balas, presidente desta sessão, e também o deputado Gil Diniz, junto com o deputado Danilo Balas, proponentes desta sessão em memória das vítimas do genocídio armênio.

Também saúdo a Sra. Angela Gandra, que fez o uso da palavra, e também a Sra. Hilda Burmaian, cônsul honorária da Armênia, bispo Nareg Berberian, bispo primaz da Igreja Apostólica Armênia, e o Sr. Secretário Vahan. Assim também saúdo os demais líderes religiosos aqui presentes, representando as várias igrejas que agregam a comunidade armênia. Saúdo também os representantes das demais organizações e instituições da sociedade presentes aqui neste momento de memória e de homenagem.

O motivo da minha presença aqui, em primeiro lugar, é a solidariedade com o povo armênio, com vocês, descendentes de armênios, como foi dito. Provavelmente todos têm parentes que foram trucidados, antepassados, e que, portanto, os recordam, e se recordam, além dos mais...

Tantos, não é? Um milhão e meio, uma população que foi dizimada. Não só dizimada: “dízimo” fala de dez por cento. Foi muito mais de 10% da população que foi trucidada e eliminada com um propósito, realmente, de eliminar todo um povo.

Eu me solidarizo, portanto, da maneira mais profunda com esta comunidade, com todo o povo armênio e fazendo memória também de todos aqueles que perderam a vida, pedindo a Deus que os tenha junto de si e que eles continuem a inspirar também coragem, lucidez, perseverança a todos aqueles que sobreviveram e continuam a dar vida ao povo armênio, quer na Armênia, quer também na diáspora, em muitos outros lugares do mundo.

Mas também a minha presença aqui, é a primeira vez que tenho esse contato mais global com a comunidade armênia de São Paulo. Tem um outro motivo, uma vez que eu sou, de alguma forma, parte deste povo armênio de São Paulo agora também. Pelo menos por algum tempo, uma vez que o Santo Padre Leão XIV me nomeou como administrador apostólico para a comunidade armênia católica do Brasil.

Administrador apostólico corresponde a bispo, enquanto bispo não tem. Esperando que a comunidade católica armênia volte a ter o seu bispo armênio, que possa cuidar naturalmente daquilo que é do interesse e das necessidades da comunidade armênia de São Paulo e da América Latina.

Sou só do Brasil, porque foi nomeado administrador apostólico para a comunidade armênia também do Uruguai, o arcebispo de Montevidéu, e para a comunidade armênia da Argentina, o arcebispo de Buenos Aires.

 É importante manter viva a memória dessa tragédia que se abateu sobre o povo armênio, desta tragédia imensa que foi o genocídio armênio, que aconteceu na primeira parte do Século XX. Manter viva a memória ajuda naturalmente a manter viva a memória de quem perdeu a vida, mas manter viva também a memória do próprio país, da própria cultura, das próprias raízes que são tão importantes, mesmo quando se está fora do país.

E normalmente um grande sofrimento enfrentado por um povo o mantém ainda mais unido. É motivo de mantê-lo mais unido e forte para enfrentar também as diversidades que vêm pela frente.

E vocês enfrentaram tantas adversidades, embora certamente foram acolhidos aqui em São Paulo, em outras partes da América Latina, do mundo. Porém, a dor é sempre grande quando você tem que deixar tudo e começar do zero para uma nova vida.

Manter viva a memória é importante para que também se tenha um alerta e se diga não só à própria comunidade, mas se diga à sociedade como um todo, ao mundo, que isso não deve acontecer mais, que fatos semelhantes não devem acontecer com nenhum povo, com nenhum povo.

Porém, infelizmente ainda acontecem. E quantos fatos semelhantes aconteceram ao longo do Século XX com outros povos, infelizmente. E acontecem também agora, nesses dias que nós vivemos, continuam acontecendo fatos semelhantes, infelizmente.

 Dias atrás, quando o Papa Leão XIV visitava vários países da África, ali também com vários conflitos em curso, verdadeiros genocídios também aconteceram, acontecem.

O Papa recordava não só em relação àquilo que acontece na África, mas no mundo todo, dizendo: "O mundo está sendo destruído por um punhado de tiranos. O mundo está sendo destruído e posto em risco por um punhado de tiranos que conseguem, com o seu poder, movimentar toda a força de uma população contra um outro povo para destruí-lo”. Isso é uma grande pena. Os genocídios não acontecem de um momento para outro.

 Ainda antes de nos reunirmos aqui, lá fora, alguém recordava que o genocídio armênio foi sendo preparado ao longo de vários anos, na medida em que se espalhava o ódio, em que se procurava culpabilizar um povo, achar um culpado, achar um culpado pela tragédia nacional.

E por isso o ódio, o ódio que se espalha, que se torna uma espécie de forma de relação global contra alguém, contra um povo; é a antessala das violências. É a antessala das violências e também das maiores tragédias que podem acontecer.

Os genocídios acontecem como consequência de doutrinações, como consequência de ódios que se acentuam, acentuam, acentuam. É um alerta também para o nosso tempo, quando nós vivemos um período muito complicado, nesse sentido de incentivo, acirramento da cultura do ódio, através das mídias sociais, a cultura do ódio onde muitas vezes, exatamente se trata disso, e de incentivar a lacração, a exclusão, a destruição de alguém outro, muitas vezes sem motivo. Sem motivo nenhum, simplesmente para espalhar ódio, e de uma maneira fanática.

É muito importante que nos recordemos disso, que também isso prepara tragédias. Também isso prepara tragédias. Deus nos livre, que nós, em nossa geração, nos tornemos participantes de uma tragédia contra um grupo social, contra pessoas, contra quem quer que seja, um grupo religioso também.

Por isso mesmo, esta ocasião de recordar, da recordação do genocídio armênio é para nós também motivo de fazermos um exame de consciência sobre aquilo que se passa ao nosso redor, aquilo que se passa no mundo atual.

A promoção da cultura do ódio não constrói, ela destrói. Pelo contrário, devemos então ser promotores da cultura da paz, do respeito, da solidariedade, construir pontes em vez de levantar muros e de cavar trincheiras. Esta sim é uma cultura que ajuda a edificar um futuro para todos.

Muito obrigado. (Palmas.)

 

O SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - E agora o deputado Danilo Balas passa a palavra ao também proponente desta solenidade, ao deputado estadual Gil Diniz Bolsonaro. (Palmas.)

 

O SR. GIL DINIZ BOLSONARO - PL - Meu boa noite a todos. Cumprimento primeiro meu amigo, deputado estadual, Agente Federal Danilo Balas. Dizia aqui fora que eu conheci o Balas muito antes de pensar em ser político, ser deputado estadual, ele na Polícia Federal, e quis a providência divina que estivéssemos aqui juntos na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Então eu fico muito feliz, Balas, de estar aqui ao seu lado, mais uma vez celebrando aqui a memória dos mártires armênios. Eu tenho a certeza de que enquanto estivermos aqui, ao menos um de nós estivermos aqui, esta data, com toda certeza, será lembrada e as memórias desses mártires serão justamente homenageadas e reconhecidas como se deve.

Cumprimentar a Eminência Reverendíssima Dom Odilo Pedro Scherer, cardeal arcebispo metropolitano de São Paulo. Sempre peço a Dom Odilo e, ultimamente, um pouco mais, a orientação, a bênção, justamente para tentar, Dom Odilo, transmitir ao nosso povo esses valores tão caros a nós aqui, e tentando transformar as nossas ações, do nosso mandato, em um serviço efetivo à nossa população.

Que a nossa vida, que o nosso trabalho, que as nossas palavras se transformem em ações reais, ações concretas, lá na ponta, onde a população mais sofre. A população precisa de nós, do poder público.

Cumprimento a eminência Nareg Berberian, bispo primaz da Igreja Apostólica no Brasil. Saúdo aqui a dona Hilda Burmaian, cônsul honorária da Armênia em São Paulo. Muito obrigado, dona Hilda, por mais uma vez estar conosco aqui, nos permitindo homenagear o povo da Armênia.

Cumprimento a minha amiga Angela Gandra, que aqui representa o nosso prefeito Ricardo Nunes. Mande um abraço ao prefeito. Mande um abraço também ao seu pai, um grande amigo, muito querido, Dr. Ives Gandra. Muito obrigado mais uma vez por estar aqui conosco.

Cumprimento o Sr. Vahan Agopyan, secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação, que nos dá a honra da sua presença. É descendente dos heróis armênios. Também sua família tem aí a sua identidade nessa diáspora que acabou chegando aqui ao Brasil e que tanto contribui para o nosso estado de São Paulo, para o nosso país. O Sr. Vahan, que hoje é secretário do estado de São Paulo, ajudando a construir o nosso estado, a grandeza do nosso estado.

Cumprimentar também a minha amiga e cônsul de Taiwan, Ángeles Chu. Muito obrigado pela presença, Isabel, que a acompanha, e todas as outras autoridades civis e religiosas que aqui estão, militares também. Então, muito obrigado pela presença.

Eu entrava aqui na Assembleia e via aqui os escoteiros. Via, Dom Odilo, no braço de uma escoteira, um distintivo do Escoteiro da Pátria. Quando foi sênior, dos seus 15 aos 17 anos, ela recebeu o distintivo máximo que um escoteiro sênior pode receber.

Mas antes disso, senhoras e senhores, ela fez uma promessa. Todos aqui, escoteiros, fizeram uma promessa: “Prometo pela minha honra fazer o melhor possível para cumprir com meus deveres, para com Deus e minha pátria, ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião e obedecer à lei escoteira”. E eu me lembro disso, Dom Odilo, porque muito jovem também fiz essa promessa.

Sempre me marcou muito essa promessa de fazer o melhor possível para cumprir com meus deveres, para com Deus e minha pátria, e mais uma vez me colocar a serviço do nosso povo. Então, muito jovem nós fizemos isso, essa promessa. E quando eu vejo uma escoteira aqui...

Ontem nós celebramos o Dia do Movimento Escoteiro, Dia de São Jorge. Aliás, eu fico muito feliz, porque são esses valores que nos trouxeram até aqui: Deus, o nosso país, a nossa pátria, a nossa família. Eu sei que o povo armênio tem, em suas raízes... Raízes históricas: o primeiro país que se tornou cristão. E sofreu por isso.

E ainda sofre por isso, por essa perseguição desses... Como falávamos agora há pouco. Perseguição essa, hoje, em Artsakh. Igrejas, Dom Nareg, sendo demolidas, jogadas ao chão. A Igreja da Santa Mãe de Deus, demolida. A igreja, esse mês, de São Tiago, demolida.

Então nós celebramos aqui a memória dos mártires, desses heróis armênios de 1915, há 111 anos. Mas nós precisamos lembrar, como foi dito aqui por Dom Odilo, pelo secretário Vahan, destes líderes que promovem esse tipo de ação: o genocídio em 1915; agora todo o deslocamento de uma população em Nagorno-Karabakh; a destruição de símbolos religiosos, de símbolos culturais; a prisão de lideranças, de ex-presidentes de Artsakh, nesse momento. Podem conferir na internet, quem nos acompanha pela Rede Alesp.

Assim como foi dito aqui, talvez seja o prelúdio de algo maior que possa estar por vir. É aquilo que nós queremos evitar. É isso o que nós não queremos. Eu fico muito triste. Por quê? Porque a nossa mídia não divulga isso aqui, não fala desse conflito, hoje, entre o Azerbaijão e a população armênia. Azerbaijão, satélite da Turquia.

E foi dito aqui. Os jovens turcos, em 1915, começaram esse processo, secretário Vahan, que culminou, no dia 24 de abril de 1915, na prisão e no assassinato de várias lideranças políticas e intelectuais armênias.

Foi toda essa preparação, e depois a execução desse plano. E é isso o que nós queremos evitar. Nós trazemos aqui esses temas para a Assembleia e somos censurados. Eu disse a vocês no ano passado, e é real: o embaixador do Azerbaijão veio aqui conversar com o presidente da Comissão de Relações Internacionais à época, para me censurar.

A Embaixada da Turquia mandou uma nota de censura e um trabalho acadêmico para explicar que: “Não, nós não cometemos nenhum genocídio”. Tentando me convencer de que isso não existiu. Mas existiu, e eles sabem da minha posição.

Assim como a Armênia sofre hoje, Taiwan também sofre. Muitos de vocês talvez não saibam: o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, tentou visitar um país africano, Essuatíni, se não me engano, salvo engano, esses dias atrás. A China continental, a China comunista pressionou os países vizinhos para que não permitissem que a aeronave do presidente pousasse no país, gerando uma insegurança terrível. Ele não pôde visitar um país.

Então hoje, senhoras e senhores, nós trazemos esses temas aqui à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, temas que às vezes são espinhosos, temas que não têm consenso, mas nós trazemos aqui.

Eu, Dom Odilo, sou muito próximo das autoridades de Israel, mas não pude deixar de repudiar a atitude de um soldado israelense quebrando um crucifixo. Não tem como não falarmos sobre isso. E quando faço esse gesto, me acusam de ser antissemita. Poxa, não é por aí.

Nós queremos a paz, nós buscamos o diálogo nas nossas preces, nas nossas orações, nós pedimos por isso. Somos muito próximos do governo americano, mas como não rechaçar as palavras do presidente dos Estados Unidos quando ele diz que o Santo Padre é fraco? Não tem como não repudiar uma fala como essa.

E o Santo Padre o responde: “Olha, eu não sou político, eu não tenho medo do presidente dos Estados Unidos”. E são justamente esses valores, essa fé, essa coragem, esse apostolado que essas lideranças fazem que nos permitem ter essa independência de chegar até aqui e tratarmos sobre esses assuntos.

Porque nós confiamos na providência divina e se ele nos quis aqui, justamente nós precisamos honrar cada voto que nós conseguimos ter através da confiança dessa população.

Então, eu fico muito feliz de mais um ano, deputado Danilo Balas, graças a V. Exa. como parlamentar aqui, que nos chamou a atenção, chamou a atenção de todos os deputados; os deputados depois que criaram a Comissão de Relações Internacionais, que homenageia os mártires armênios, que fala dessa história que foi vivida, mas essa história que é muito atual.

E para finalizar, sei que já me alonguei, não poderia, Dom Nareg, deixar de citar o componente religioso também nessa disputa, nessa batalha, nessa guerra. Nós somos cristãos, nós professamos a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.

Nós não nos envergonhamos do evangelho, de falar de nosso Senhor. E o governo turco, que, através dos seus satélites ali no Azerbaijão, quer sim diminuir as fronteiras da Armênia, quer sim que esse povo marcadamente cristão perca as suas raízes, perca a sua identidade.

Mas quando eu vejo vocês aqui na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, jovens aqui nesta galeria, cantando o Hino da Armênia, o povo armênio se unindo, clamando a Deus pelos seus mártires, mas trazendo a memória e trazendo a história atual do que vem acontecendo, isso nos traz esperança de que dias melhores virão para o povo da Armênia, para o povo de Taiwan, nós queremos paz no Estreito de Taiwan, para o povo ali do Oriente Médio.

Nós pedimos a Deus, nas nossas orações, que traga essa paz a cada um de nós. É isso que nós sempre pedimos e é isso que nós buscamos com a nossa atuação política aqui no estado de São Paulo. Parabéns mais uma vez, deputado Danilo Balas.

Viva o povo armênio. 

Parabéns, muito obrigado. (Palmas.)

 

O SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Após ouvirmos as manifestações dos componentes da Mesa, eu quero convidar a jovem soprano Caroline... Victoria Sayegh Burunsizian. É que quando a gente tem muito filho, a gente troca de nome, não é? Essa é a caçula: Victoria Sayegh, Burunsizian, para a apresentação de três músicas. (Palmas.)

 

A SRA. VICTORIA SAYEGH BURUNSIZIAN - Boa noite, tudo bom? Bom, primeiramente eu gostaria de pedir permissão, para todos os presentes, para fazer um discurso; um breve discurso que não vai chegar nem aos pés do que foram todos esses discursos apresentados até agora.

Mas eu tenho 20 anos e eu sou filha de armênios, e de libaneses também. E eu só queria fazer esse discurso para a minha geração e para as gerações seguintes. Não se esqueçam nunca do que aconteceu há 111 anos.

Nunca se esqueçam do que aconteceu. Do mesmo jeito que o meu pai, que o meu avô, que os meus antepassados me ensinaram o que foi o genocídio armênio, que foi sim um genocídio, ensinem para os seus filhos, ensinem para os seus netos e agradeçam todos os dias que nós estamos em um país sem guerra, e que isso só foi possível por conta dos nossos antepassados que morreram por nós e pela nossa paz.

É muito triste imaginar que, bom, saber que até hoje não foi reconhecido nas escolas como matéria para ser ensinada. Eu me lembro de estar no ensino médio e ensinar meus colegas o que foi o genocídio armênio, porque ninguém sabia, não se ensinava. Eu ensinei para todos o que foi o genocídio armênio.

Então, geração, minha geração, gerações seguintes: vamos ensinar o que foi esse genocídio, o que foi essa luta e vamos mostrar para todos que, além de luto, também há esperança, porque eu acredito em Deus e acredito na força do sangue armênio.

Então ensinem, ensinem para todos o que foi isso, falem sobre isso, ensinem as músicas que ensinaram para vocês quando vocês eram pequenos, quando sua mãe te pegava no colo e cantava para você músicas armênias. Ensinem para todos, passem a arte da cultura armênia adiante.

E é com muita honra que hoje eu vou cantar três canções armênias, a primeira sendo basicamente um segundo hino para a Armênia, não vou precisar nem falar o nome, vocês já vão saber pela primeira nota, mas não se esqueçam do que foi isso, jamais. (Palmas.)

E eu quero convidar todos a cantarem comigo, porque todos os armênios conhecem a letra dessa música.

 

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- É feita a apresentação musical.

 

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A SRA. VICTORIA SAYEGH BURUNSIZIAN - A próxima música todo mundo também conhece. E, gente, é para cantar, tá? Podem cantar. “Giligia.” Pode voltar? Obrigada.

 

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- É feita a apresentação musical.

 

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A SRA. VICTORIA SAYEGH BURUNSIZIAN - E a última música, na minha opinião, é a música que mais fala comigo, como se fossem realmente os meus antepassados falando comigo. “Dle Yaman.” É, eu também vou chorar. E eu irei cantar sem nenhum acompanhamento.

 

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- É feita a apresentação musical.

 

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A SRA. VICTORIA SAYEGH BURUNSIZIAN - Muito obrigada.

 

O SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Parabéns, Victoria. Após essa bela e emocionante apresentação... Eu falei que não iria chorar. É que eu escuto todo dia ela cantando e todo dia eu choro. Devolvo a palavra ao deputado estadual Danilo Balas, para o encerramento desta sessão.

 

O SR. PRESIDENTE - AGENTE FEDERAL DANILO BALAS - PL - Agradeço a todos pela presença. Em todos os anos que estamos aqui, não tem como não nos emocionar. Desta vez, três canções, músicas que representam muito para vocês, mas a gente acompanha nos olhos de cada um de vocês a emoção e a gente se emociona também.

Então, Victoria, parabéns pela brilhante e emocionante apresentação. Tive a honra de trabalhar com seu pai, coronel Mardiros, e aí tem muito... A culpa é dele de eu estar aqui, de eu me apresentar à comunidade armênia maravilhosa. Dona Hilda também sempre me recebendo de braços abertos.

Estamos indo para o encerramento da sessão. Agradeço a todos os envolvidos na realização desta solenidade, assim como agradeço a presença de todos, a Victoria, ao coral maravilhoso que se apresentou aqui hoje também.

Que este momento de memória nos inspire a preservar a verdade histórica, a honrar as vítimas e reafirmar em nossa sociedade os valores da dignidade humana, do respeito e da paz, para que tragédias como o genocídio armênio nunca mais se repitam.

Muito obrigado a todos e uma boa noite. (Palmas.)

 

O SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS - Estão todos convidados para um coquetel que será oferecido no Salão dos Espelhos.

 

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- Encerra-se a sessão às 21 horas e 39 minutos.

 

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