
10 DE FEVEREIRO DE 2026
1ª SESSÃO EXTRAORDINÁRIA
Presidência: ANDRÉ DO PRADO e THIAGO AURICCHIO
Secretaria: GILMACI SANTOS, FÁBIO FARIA DE SÁ, VALERIA BOLSONARO e DANILO CAMPETTI
RESUMO
ORDEM DO DIA
1 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO
Abre a sessão às 16h50min. Coloca em discussão o PL 1083/25.
2 - DONATO
Solicita verificação de presença.
3 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO
Defere o pedido. Determina que seja feita a chamada de verificação de presença, que interrompe quando observado quórum.
4 - PAULO FIORILO
Discute o PL 1083/25.
5 - THIAGO AURICCHIO
Assume a Presidência.
6 - FABIANA BOLSONARO
Para questão de ordem, faz pronunciamento.
7 - PRESIDENTE THIAGO AURICCHIO
Solicita que o orador na tribuna se atenha ao tema do PL em discussão.
8 - PROFESSORA BEBEL
Para questão de ordem, faz pronunciamento.
9 - PRESIDENTE THIAGO AURICCHIO
Dá resposta à deputada Professora Bebel.
10 - DR. JORGE DO CARMO
Para comunicação, faz pronunciamento.
11 - LUIZ CLAUDIO MARCOLINO
Discute o PL 1083/25.
12 - EDUARDO SUPLICY
Discute o PL 1083/25.
13 - DONATO
Discute o PL 1083/25.
14 - PROFESSORA BEBEL
Solicita verificação de presença.
15 - PRESIDENTE THIAGO AURICCHIO
Defere o pedido. Determina que seja feita a chamada de verificação de presença, que interrompe quando observado quórum.
16 - RÔMULO FERNANDES
Discute o PL 1083/25.
17 - THAINARA FARIA
Discute o PL 1083/25.
18 - GILMACI SANTOS
Solicita a suspensão da sessão por cinco minutos, por acordo de lideranças.
19 - PRESIDENTE THIAGO AURICCHIO
Defere o pedido e suspende a sessão às 18h34min, reabrindo-a às 18h38min.
20 - GILMACI SANTOS
Para comunicação, faz pronunciamento.
21 - GILMACI SANTOS
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
22 - PRESIDENTE THIAGO AURICCHIO
Defere o pedido. Lembra sessão extraordinária a realizar-se hoje, às 16 horas e 49 minutos. Levanta a sessão às 18h39min.
*
* *
ÍNTEGRA
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* *
-
Abre a sessão o Sr. André do Prado.
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* *
O SR. PRESIDENTE -
ANDRÉ DO PRADO - PL - Presente o número
regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus,
iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da sessão
anterior.
Ordem
do Dia.
* * *
- Passa-se à
ORDEM DO DIA
* * *
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Discussão e
votação do Projeto de lei nº 1.083, de 2025, de autoria do Sr. Governador. Em
discussão.
O
SR. DONATO - PT - Pela ordem, Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Pela ordem,
deputado Donato.
O
SR. DONATO - PT - Uma verificação de presença.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - É regimental o
pedido de Vossa Excelência. Faremos então uma verificação de presença. Solicito
ao deputado Gilmaci Santos, juntamente com o deputado Fábio Faria de Sá, para
uma verificação de presença.
*
* *
- Verificação de presença.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Constatado
quórum regimental. Em discussão o requerimento de método de votação,
apresentado... Ao projeto, não é? Desculpa.
O
SR. PAULO FIORILO - PT - Em discussão, não é?
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Em discussão.
Deputado Paulo Fiorilo, para discutir contra.
O
SR. PAULO FIORILO - PT - SEM
REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, público
que nos acompanha pela TV Alesp ou nas galerias, estamos retomando aqui o
debate sobre o PL nº 1083, de 2025, de autoria do Sr. Governador Tarcísio de
Freitas, que trata da alteração da Lei nº 17.383, de cinco de julho de 2021,
que dispõe sobre a criação de unidades regionais de saneamento básico, com
fundamento nos Artigos 2º, inciso XIV, e 3º, inciso VI, alínea b, da Lei Federal
nº 11.445, de cinco de janeiro de 2007, dá outras providências correlatas.
Ao fim e ao
cabo, o que o projeto discute é a ampliação da privatização ou a ampliação da
Sabesp no estado de São Paulo, na operação da distribuição de água e no
tratamento de esgoto.
Eu acho que era
importante todo mundo ter claro que, para o governador e para a secretária,
que, aliás, era bom a gente lembrar, insistiu muito para que esse projeto fosse
votado no ano passado, o que nós, da oposição, dissemos que era difícil, até porque
a gente estava no final do semestre e havia outros temas que estavam pautados.
Por isso, a gente não discutiu naquele momento. A secretária insiste para que a
gente discuta.
Quem acompanha
a TV Alesp e quem está aqui acompanhando presencialmente percebeu que, para o
governo colocar aqui os 24, teve uma dificuldade muito grande, até porque a
secretária tem pressa, mas a conjuntura não ajuda, até porque tem muitos
problemas nesse período.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Thiago Auricchio.
* * *
Mas eu queria
começar com os problemas da Sabesp, até porque esta Casa aprovou a privatização
da Sabesp. É interessante, porque se a gente olhar o serviço que a Sabesp está
prestando hoje, é só perguntar para as pessoas. A tarifa aumentou. A qualidade
da água, em algumas regiões, piorou. A redução do atendimento é visível. As
pessoas estão reclamando.
Eu estive no
Jardim Ângela, deputada Monica, lá no Sapopemba, não na zona sul, e os
moradores disseram que não tem mais o cara que passa lá para medir. Se não
passar, eles vão cobrar um valor maior.
Portanto,
aquilo que o governador defendeu e aquilo que os deputados e deputadas votaram
neste plenário para entregar a Sabesp, dizendo que iria melhorar o serviço, não
aconteceu. E você que nos acompanha, é bom saber quais foram os deputados e
deputadas que votaram pela privatização da Sabesp a pedido do governador,
enquadrados pelo governador.
Aliás, por
falar em enquadrados, eu queria relatar aqui um fato interessante. O governador
do estado tem a prática de enquadrar a bancada. Enquadrou a “bancada da bala”
no projeto de dois anos atrás. Enquadrou de novo agora, quando vetou um projeto
importante do deputado Mecca para o pessoal da segurança.
Só que quem
muito enquadra acaba sendo enquadrado. O governador foi literalmente enquadrado
pelo presidiário que está na Papudinha para apoiar o filho dele. Literalmente.
Tentou segurar,
reagiu, não foi na semana que tinha marcado, depois teve que ir e foi
enquadrado. Então, portanto, o partido dos Republicanos, além do PL, tem mais
um quadro: o governador de São Paulo enquadrado, enquadrado pelo ex-presidente
presidiário Bolsonaro, que está na Papudinha. Depois eu até falo da Papudinha,
porque é importante. O então presidente tripudiou sobre muita gente falando que
iriam para a Papuda, para a Papuda, e acabou indo para a Papudinha.
Bom, vou voltar
ao projeto, porque a responsabilidade é dos deputados e deputadas, de aprovar
mais uma barbaridade. Agora, o Governo do Estado quer ampliar a atuação da
Sabesp.
A proposta
deles é criar uma Uraes 2 e juntar as cidades que não fizeram parte do primeiro
processo, facilitando e até pressionando as prefeituras que estavam fora da
concessão da Sabesp a aderirem ao “Universaliza SP”, criando o maior monopólio
de saneamento básico, tornando os 645 municípios reféns da Sabesp privatizada.
Vou de novo
perguntar para o senhor e para a senhora que acompanham este debate: a Sabesp
melhorou ou piorou? É só fazer a comparação. O deputado Vitão do Cachorrão, lá
de Sorocaba, possivelmente deve ter encontrado vários eleitores ao longo desses
meses depois da privatização da Sabesp, que devem ter reclamado com o senhor da
conta de água, da falta de água, da qualidade da água e da redução daqueles que
atuam nessa área.
A SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - PARA QUESTÃO DE ORDEM - Com
licença. Questão de ordem, Sr. Presidente. Só um momentinho, que teve uma fala
aqui da Papuda, do presidente Jair Bolsonaro.
O SR. PAULO FIORILO - PT - Sr. Presidente.
A SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - Fora completamente do tema que
está sendo colocado aqui. Então é só para fazer essa colocação. Pode continuar
sua fala tranquilamente, só para tirar dos Anais da Casa, por gentileza.
O SR. PAULO FIORILO - PT - Desculpe, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Só pedir para o orador voltar ao
tema.
O SR. PAULO FIORILO - PT - Mas eu estou no tema. O que eu
disse...
A SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - Tem o Pequeno e o Grande
Expediente para a gente poder falar.
O SR. PAULO FIORILO - PT - Sr. Presidente, o senhor pode...
Se a questão de ordem foi concluída...
O SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Manter o tempo do orador na
tribuna.
O SR. PAULO FIORILO - PT - Sr. Presidente, se a questão de
ordem que eu não entendi qual é foi concluída, eu vou retomar o meu debate. O
meu debate é sobre a privatização da Sabesp.
A SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - Questão de ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Questão de ordem, deputada
Fabiana.
A SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - PARA QUESTÃO DE ORDEM - A questão
de ordem foi solicitada por conta que no Regimento Interno implica que o orador
no momento da discussão de um projeto precisa se atentar justamente ao tema
pertinente ao projeto e quando a gente for falar temas exteriores, a gente
precisa usar o Pequeno e o Grande Expediente.
A SRA. PROFESSORA BEBEL - PT - Questão de ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Questão de ordem, deputada Bebel.
Antes de tudo, pelo que a gente está observando, o orador na tribuna já
retornou ao tema do projeto, deputada. Obrigado.
A SRA. PROFESSORA BEBEL - PT - PARA QUESTÃO DE ORDEM - Mas seja qual tema for, nós vivemos dentro de um contexto
municipal, estadual e nacional. Nada acontece sozinho. As coisas não acontecem
assim.
Então, essa
coisa de ficar “quando interessa, eu vou lá e faço uma questão de ordem para
cortar a fala”, mas a gente vê outros deputados que saem do tema e a gente não
faz questão disso. Isso se chama maturidade política, Sr. Presidente.
A SRA. FABIANA BOLSONARO - PL - Eu entendo, deputada Bebel. É que
eu sou muito pontual com as regras.
A SRA. PROFESSORA BEBEL - PT - Então a minha questão de ordem
é... Não, eu respeitei V. Exa. e V. Exa. pode contar com meu respeito, mas eu
tenho clareza de como as questões se colocam. Então, a questão de ordem que eu
coloco é: eu acho que as pessoas estão livres para expor dentro de uma
conjuntura e é isso que o deputado Paulo Fiorilo faz.
Muito obrigada.
O SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - O tempo está mantido. É o deputado
Paulo retornando à sua fala na tribuna.
O SR. PAULO FIORILO - PT - Muito obrigado, Sr. Presidente.
Na realidade, Sr. Presidente, quando nós viemos aqui fazer o debate, a
discussão, a gente faz um debate por inteiro. Até porque, por exemplo, eu vou
falar do Master. Daqui a pouco alguém vem aqui no microfone: “Não tem nada a
ver o Master”.
Claro que tem!
Claro que tem! Porque o Master tem uma relação com o Sr. Tanure, que comprou a
Emae do estado de São Paulo. E eu pergunto, Sr. Presidente, a Emae tem relação
ou não tem relação com esse projeto da Sabesp, que foi adquirida pela Sabesp?
Então, é
interessante, não é? Porque as pessoas se incomodam quando elas precisam ouvir
a verdade daquilo que nós debatemos aqui. E eu vou repetir, a deputada
Bolsonaro, a deputada Valeria Bolsonaro, votou na privatização da Sabesp. É
importante saber disso. A deputada Valeria não, desculpe.
A deputada
Valeria também deve ter votado. Votou, não é? Quem votou na privatização da
Sabesp? Deputada Valeria, se eu tivesse me enganado, eu faria aqui a minha
culpa e retiraria, mas a senhora votou.
Quem votou na
privatização da Sabesp tem que assumir o ônus. Ué, votaram. Aliás, era bom que
todo mundo aqui que votou pudesse dizer: “Eu votei, eu votei e aumentou a
tarifa. Eu votei e a água piorou. Eu votei e o que o governador disse não era
verdade”.
Então, o que eu
disse aqui? O governador enquadrou a bancada para votar a privatização da
Sabesp. Enquadrou. E eu usei o enquadro do Bolsonaro no governador.
Qual é o
problema? Bom, se o ex-presidente está na Papudinha, o que eu posso fazer? Foi
lá que o governador foi para ser enquadrado. Bom, dito isso, Sr. Presidente,
que eu considero que não foge do debate, eu quero continuar, porque isso tem
uma importância grande. Agora, o governador quer entregar, quer obrigar as
prefeituras a entrarem nesse sistema da Sabesp no estado todo, 645 municípios.
Vamos lá. A
Sabesp fez anúncio dizendo que nós estamos vivendo um problema grave, porque
não chove na represa, porque nós chegamos a 20 por cento. Quando a Sabesp era
do estado, nós tivemos várias ações no sentido de tentar reduzir o uso ou o
desperdício de água.
Eu vou lembrar.
O governador, na época, fez toda a transposição, ampliou, investiu, informou e
fez uma coisa interessante, talvez todos aqui se lembrem: aqueles que
cumprissem a meta teriam desconto.
Interessante,
não é? Agora, a Sabesp privatizada não fala disso. Sabe por quê? Porque a
Sabesp privatizada está preocupada com o seu lucro, por isso que cortou equipes
que trabalhavam nas ruas, por isso que criou um departamento de lucro. Então a
empresa está interessada em ganhar dinheiro, e nós aqui vamos possibilitar que
amplie os serviços com “Universaliza SP”?
Deputado
Gilmaci esteve aqui no microfone fazendo a defesa da privatização da Sabesp. Eu
queria perguntar àqueles que conhecem o deputado, não só o deputado Gilmaci, eu
estou falando dele porque é o líder do Governo, mas qualquer outro que votou a
favor da privatização.
Tem que cobrar,
porque agora eles estão querendo ampliar. Então, você que mora em outra cidade,
que não estava sendo operada pela Sabesp, eles querem que ela opere. Vai
aumentar a tarifa. O governo: “Não vai”. Vai. Aumentou. “Vai melhorar o
serviço.” Claro que vai. “Não, não dá para comparar com a Enel.” Claro que dá.
Até porque a Sabesp não tem tomado medidas importantes para poder fazer a
redução. Tem que contar com a chuva. Aliás, é o que eles estão fazendo,
deputada Bebel, contando com a chuva.
Agora os
mananciais tiveram uma pequena melhora, de 20 foi para 27 por cento. Mas é
insuficiente, se não tiver medidas concretas. E não adianta fazer propaganda
para enganar as pessoas. Precisa dizer exatamente o que será feito, quais as
ações.
Agora vão usar
a Billings, o maior reservatório e tal. Todo mundo sabe, a Billings tem um
problema grave de poluição, pressupõe investir muito mais recursos. Então, nós
aqui temos a responsabilidade e não podemos vacilar, como foi no caso da
privatização.
Aqui, deputada
Bebel, Rômulo, Marcolino, Dr. Jorge, Monica, Paula, Suplicy, Donato, nós
acompanhamos de perto a guerra que foi aqui para poder entregar a Sabesp. A que
preço? Vamos lembrar: a um preço alto para os deputados que tiveram 20 milhões
de emendas. Não vamos esquecer disso e achar que: “Não, entregaram, os
deputados votaram, os deputados votaram porque tiveram emenda do governador, 20
milhões, esse governador enquadrado. Então assim, nós precisamos decidir, nós
vamos continuar entregando para a iniciativa privada uma empresa, como a gente
fez com a Sabesp, nós vamos propor todos os municípios.
Aliás, por
falar em município, aqui quem anda pelo interior tem escutado reclamação de
prefeitos o tempo todo, o tempo todo. Prefeito reclamando porque o governador
chama os caras para o palácio, vão lá 200 e não tem absolutamente nada além de
fumaça.
Esse é o
governador do estado. Eu tive a oportunidade de fazer várias visitas no final
do ano passado. Eu fui ao Vale do Ribeira. O que tem de obra do governo federal
na área da Educação, na área da Saúde, é impressionante. Eu não consigo ver uma
obra do Governo do Estado.
Aliás, Governo
do Estado que usa o chapéu do governo Lula pra fazer propaganda. Na Tabela SUS,
na “Casa Paulista”, em todos, todos. Impressionante. O Governo Federal está
investindo agora um bilhão e 400 milhões no Butantã, Butantã que o governo Dora
queria privatizar, que o governo Tarcísio se vacilar entrega dinheiro que vai
fazer vacinas.
Eu sei que o
tema da vacina, para alguns, é complicado, principalmente para os
negacionistas, para aqueles que disseram que a vacina iria transformar as
pessoas em jacaré. Eu não vi nenhum jacaré por enquanto. Não sei se os que
defenderam essa tese encontraram algum jacaré por aí. Eu não vi.
Aliás, onde não
tem vacina, no caso dos Estados Unidos, do Trump, a gente tem visto aumentar
sarampo. E alguns ainda vêm para cá, para ser tratado pela rede pública, pelo
SUS. Então o governo federal tem investido, está investindo no Túnel
Santos-Guarujá, está investindo recursos no Butantã, está investindo recursos
no SUS, no “Minha Casa, Minha Vida”.
Mas para eles é
melhor a gente enganar o povo. Agora, nesse caso da Sabesp, nós não podemos
permitir isso. Nós não podemos permitir que os outros municípios possam ser
levados para uma empresa que está preocupada com lucro.
Vou fazer um
desafio a você que assiste o depoimento aqui meu. Se você tiver problema na
Sabesp, manda uma mensagem para a TV Alesp, manda uma mensagem para as minhas
redes, só para a gente perceber. Aliás, você pode mandar para mim, mas manda
também para os deputados que votaram a privatização da Sabesp. É disso que a
gente está falando, é da responsabilidade de cada um. E nós dissemos aqui: “A
Sabesp vai piorar”. As pessoas duvidaram, não acreditaram, e o que a gente viu?
Piorou. Piorou.
Então está na
hora de a gente assumir a nossa responsabilidade. Este é um ano eleitoral. É
quando as pessoas vão olhar o que cada deputado e deputada fizeram aqui nesse
Parlamento, quais foram as leis que elas votaram, de que lado elas ficaram, se
elas ficaram do lado do governador que entregou a Sabesp, que piorou a
Segurança Pública, que não se preocupou com os militares.
Aqui, a bancada
da bala sabe do que estou falando. O veto agora recente ao projeto dos
deputados que apoiaram essa lei que podia melhorar a situação deles é um tiro
no pé da bancada da bala e do governador, e eu estou falando isso porque a
gente está vendo todo tipo de reclamação, pela Polícia Civil e pela Polícia
Militar.
O Major Mecca
sabe do que estou falando. Deputados que estão aqui, que são ligados à bancada
da bala, sabem do que eu estou falando. Ou o governador revê a sua política e
sua posição, ou muitos dos que estão aqui vão ter dificuldade, vão ter
problema.
Por isso, eu
quero fazer esse registro e dizer, nós não podemos aprovar esse projeto, não
podemos, nós temos que dizer “não” a esse projeto. E aí, aqueles que disseram
sim, tem que ser responsabilizado pelo seu voto, para entregar os outros
municípios para uma empresa que tem aumentado a tarifa e piorado o atendimento.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. DR. JORGE DO CARMO - PT - Pela ordem, Sr. Presidente. Para fazer uma
comunicação.
O
SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Antes de dar a
palavra ao deputado Dr. Jorge do Carmo, chamar para discutir contra o deputado
Luiz Claudio Marcolino. Com a palavra, Dr. Jorge.
O
SR. DR. JORGE DO CARMO - PT - PARA
COMUNICAÇÃO - Obrigado, Sr. Presidente. Boa tarde, Sras.
Deputadas e Srs. Deputados. Vou falar aqui de uma matéria que foi publicada
hoje, na “Folha de São Paulo”.
“População
reconhece o valor e a importância do SUS.
“Estudos realizados
pela OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, revelam
que, de 2022” - o último ano do desgoverno do Bolsonaro - “para 2025, aumentou
de maneira significativa a satisfação da população com o SUS, que é o Sistema
Único de Saúde.
A pesquisa da
OCDE, com o título ‘Confiança às Instituições Públicas na América Latina e no
Caribe’, revela a percepção da população sobre o acesso e a qualidade dos
serviços, que subiu 18 pontos percentuais, de 24% para 42 por cento.
Ainda, segundo
a OCDE, a pesquisa, feita com amostra de duas mil pessoas, abordou quesitos
como integridade, confiabilidade e equidade. A medida está 10% acima quando
comparada a outros países da América Latina.
O Ministério da
Saúde, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirma que o crescimento da
avaliação positiva é reflexo do maior acesso da população aos serviços públicos
de Saúde, com destaque para o programa “Agora tem Especialistas”. Essa
iniciativa do governo Lula garantiu a realização de exames, consultas no SUS,
para quase 45 milhões de brasileiros, em 2025.”
É o reflexo do
nosso compromisso com o SUS, cada vez melhor e mais eficiente, e com
atendimento digno para toda a população do Brasil. Por isso, Sr. Presidente,
Sras. Deputadas e Srs. Deputados, viva o SUS.
Com a palavra o
deputado Luiz Claudio Marcolino, pelo tempo regimental.
O
SR. LUIZ CLAUDIO MARCOLINO - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sra.
Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados. O Machado poderia colocar aqui a
apresentação? Quero começar aqui minha argumentação trazendo justamente este
cartaz que nós apresentamos no momento da privatização da Sabesp.
Nós tínhamos
levantado aqui uma informação naquele momento, que foi justamente na semana em
que duas milhões de pessoas ficaram sem energia na Grande São Paulo. E nós já
tínhamos alertado. Duas milhões de pessoas ficaram sem luz. O que acontece se
privatizar a Sabesp?
E nós falamos
isso diversas vezes, que privatizar a Sabesp no estado de São Paulo seria um
prejuízo para a população, seria um prejuízo para os empresários, seria um
prejuízo para os prefeitos e vereadores do nosso Estado. E é importante essa
frase, esse cartaz, porque nós rodamos muito o estado de São Paulo conversando
com diversas regionais da Sabesp na época sobre o processo de privatização.
Nós estivemos
em Marília e, lá em Marília, a população foi direta. Ela falou: “Marcolino,
aqui nós temos diversas cidades que são abastecidas pela Sabesp. Nós já temos
100% de saneamento básico, 100% de água tratada e 100% de água coletada”.
Resumindo: todas as cidades da região de Marília já eram abastecidas e bem
abastecidas pela Sabesp.
Eu voltei a dialogar
com esses mesmos municípios pós-privatização, e hoje a maior reclamação feita
pelo conjunto dos prefeitos e vereadores das cidades é que caiu a qualidade.
Não tem mais com quem conversar.
Porque até
então os prefeitos e vereadores, quando tinham um eventual problema da Sabesp
na região, tinham a quem se reportar, tinham com quem conversar.
Pós-privatização, esse espaço de diálogo das prefeituras com a Sabesp já não
existe mais.
Então, nós
tínhamos alertado já no processo de privatização da Sabesp que isso iria
acontecer. E agora nós não entendemos porque agora novamente vem o governador
Tarcísio apresentando o PL 1.083, de 2025, com a criação de unidades regionais
de saneamento básico no estado de São Paulo, criando, então, uma segunda...
E eu quero trazer
aqui alguns problemas, porque, novamente, quem traz esse debate de novo para a
Assembleia Legislativa é justamente o governador Tarcísio de Freitas, que traz
de novo um projeto de lei que vai prejudicar ainda mais a população do estado
de São Paulo.
Então essa
proposta altera aqui a lei de 21 para adequar a proposta deles a uma estrutura
regional de saneamento básico, que é uma diretriz que é feita pelo Governo
Federal para os estados da nossa nação - eles usam isso como argumento -, mas,
na prática, nós vamos apresentar vários itens críticos que esse projeto tem. E
é mais uma ação do governo Tarcísio para prejudicar os municípios paulistas.
Eu comentei da
Sabesp, mas nós já tivemos aqui o problema na CPTM, nós estamos tendo problemas
no Metrô, nós estamos tendo problemas na Educação, estamos tendo problemas no
Meio Ambiente. Então é um governo do estado de São Paulo que assumiu em 2023 e
que vem trazendo e aumentando - a cada mês que passa, a cada ano que passa -
mais problemas à população do estado de São Paulo.
Nós tivemos, no
final do ano passado, o governador Tarcísio privatizando a Furp, uma empresa
importante de produção de remédio popular para o estado de São Paulo - o maior
produtor de remédio para farmácias populares.
E com esse
desmonte que o governador fez, mesmo assim, o governo do presidente Lula, no
dia de ontem, trouxe mais investimento para o Instituto Butantan, demonstrando
que o nosso papel é fortalecer as empresas públicas, fortalecer a Saúde
pública, enquanto o governador Tarcísio tem desmontado e desestruturado a Saúde
também no estado de São Paulo.
Além do Metrô,
da CPTM, da Sabesp, da Emae, da EMTU, da própria Furp, o governador Tarcísio
está desmontando agora os equipamentos de saúde estaduais do nosso Estado. A
maioria, os que foram construídos na gestão passada, todos eles estão sendo
administrados pelas OSSs. Então vai desmontando o serviço público, não faz mais
concurso público e, com isso, desqualifica e desmonta a Saúde no estado de São
Paulo.
Então, eu quero
trazer aqui um dos pontos críticos, que é a questão da reorganização das
unidades regionais que têm o risco de perda de governança local. Porque hoje os
municípios que ainda estão e têm gestão própria da gestão da água, na hora que
eu crio e estruturo mais uma Uraes, como está sendo preparado agora...
Lembrando que a
Secretaria de Estado, que é responsável pela gestão da Sabesp no estado de São
Paulo, não conseguiu ter adesão na Uraes 1, e fala que a solução é a produção
da Uraes 2, porque isso vai ajudar, melhorar... Não vai melhorar. Não vai
ajudar. Vai prejudicar ainda mais os municípios que já têm hoje uma gestão da
água.
Vou dar um
exemplo para vocês. Na última crise hídrica que nós tivemos aqui no estado de
São Paulo, a Grande São Paulo estava com perda de distribuição de água no
estado de São Paulo. O que foi feito pela Sabesp naquele momento? A gestão da
água já era feita pela Sabesp.
Guarulhos tinha
uma empresa de gestão própria de água, de saneamento básico, de geração e
distribuição da água. Só que a água chegava até Guarulhos por uma gestão também
da Sabesp, e a Sabesp diminuía a água da cidade de Guarulhos para garantir o
atendimento na cidade de São Paulo e na Grande São Paulo. Isso antes de ser
privatizada. Antes de ser privatizada, a Sabesp já fazia esse tipo de gestão.
Imagine agora,
em que 100% dos municípios do estado de São Paulo passam a ser gestados pela
Sabesp. Muitos prefeitos não aceitaram passar a gestão da água
pós-privatização.
Então o recado
já foi dado ao governador Tarcísio, o recado já foi dado na Sabesp, o recado já
foi dado para a secretária que hoje faz a gestão da Sabesp, a secretária
Natália Resende. Já foi dado o recado. Mesmo assim, apresenta um projeto que
vai tirar a governança dos municípios. Agora o governo começa a pressionar.
Vou dar aqui
mais um exemplo. Quando o governo apresenta que é uma perspectiva ou uma
organização de fazer uma reorganização da gestão da água, as cidades que hoje
fazem a gestão própria vão perder essa capacidade.
Um outro ponto
crítico que o projeto apresenta é que ele traz que a intenção do projeto é
fazer uma reorganização. Só que no projeto apresentado, quando o governo
discute a estruturação do saneamento básico a partir de uma lei federal, ele
discute a regionalização.
Só que a
regionalização do jeito que está sendo feita não é regionalização. Serão apenas
duas Uraes que vão coexistir no estado de São Paulo como um todo. E até um
recurso que o estado de São Paulo poderia receber pela regionalização da água,
o estado de São Paulo vai perder a possibilidade de ter um recurso federal para
ajudar na estrutura do saneamento básico do estado de São Paulo.
Então nós vamos
trazendo aqui um problema que vai... Essas duas regiões podem agravar os
desafios de integração em áreas com realidades sanitárias e hídricas diversas,
especialmente aquelas com menor densidade proporcional ou menor arrecadação
própria. Então isso vai prejudicar a criação de duas Uraes, os menores
municípios do estado de São Paulo.
Um outro ponto
crítico também apresentado, como eu comentei, são os recursos que podem ser
feitos pelo Governo do Estado, de recurso do governo federal, mas mais do que
isso, quem fará a fiscalização? Quem organizará os relatórios anuais sobre
metas, indicadores, tarifas, investimentos para Uraes e Sub-Uraes?
A proposta
ainda precisa assegurar mecanismos robustos de transparência pública que não
existem nesse projeto. Não tem fiscalização social, que é uma condição
essencial para uso de recursos públicos e para confiança da sociedade na
execução de políticas de saneamento. Isso não está colocado no projeto ora
apresentado para ser debatido no dia de hoje.
Outro ponto
crítico, como eu comentei, é a questão dos recursos do governo federal. Está
aqui colocado que, com essas duas Uraes, não haverá mais uma regionalização,
haverá uma regionalização verticalizada e, com essa regionalização
verticalizada, o estado de São Paulo perde o direito de receber recursos
federais para a questão do saneamento.
Outro ponto crítico
também é a questão que a nova redação ora apresentada não apresenta quais são
os critérios técnicos e a adaptação socioambiental para a formação das Sub-Uraes.
Não estão no projeto que foi apresentado pelo governador Tarcísio.
Não tem também
quais serão os mecanismos que haverá, a participação dos conselhos e da
sociedade civil. Esse é um problema também apresentado no projeto encaminhado
pelo governador Tarcísio.
Então eu
quero... Esses são alguns dos pontos que foram colocados. Tem o desmonte da
estrutura dos servidores que a Sabesp hoje tem, já tem uma redução de quase 10%
do número de servidores. Na semana passada, acabou a garantia de emprego dos
servidores da Sabesp, então com certeza agora a Sabesp vai desmontar totalmente
aquela empresa que garantiu um bom atendimento à população ao longo das últimas
décadas.
Pode passar à
próxima. Não, volte, deixe essa aqui. Eu quero trazer aqui alguns elementos
para mostrar a farsa que foi também a privatização da Sabesp no estado de São
Paulo. Aqui nós estamos falando em relação às ações, que o governo falou que a
ação valeria acima de 100 reais.
Quando a Sabesp
foi vendida, ela foi vendida a 67 reais, bem abaixo do valor proposto pelo
governador de Tarcísio, e no dia seguinte à venda essa ação subiu para 87
reais. Então, com certeza, muita gente especulou e ganhou dinheiro com a
privatização da Sabesp. Aqui é um valor de ação. O governo falou que a ação
valeria 100 reais. Ela caiu no dia da privatização; no dia seguinte, o valor da
ação foi a 87 reais.
Um outro ponto
em relação à farsa da privatização da Sabesp é que o governo colocou que ia
investir 70 bilhões de reais até 2029. E nós já ouvimos e estamos vendo agora a
Sabesp colocar que tem dificuldade, vai ter dificuldade de fazer um
investimento até 2029.
Por parte do
governador Tarcísio, já estava dentro do plano de metas, dentro do plano plurianual
um investimento na Sabesp e a universalização. Então, quando alega que será
feita a privatização da Sabesp numa perspectiva de universalizar, não vai.
Nós já estamos
em 2026, já passou 2025, e nós não estamos vendo por parte da Sabesp uma
proposta ou um projeto de investimento no estado de São Paulo. O que tem de
investimento ainda é resquício do governo passado, e parte de algumas obras do
atual governo que já estavam previstas no plano plurianual.
Um outro ponto,
também, que vale a pena trazer aqui em relação à Sabesp, é dos impactos. Eu
coloquei: são 10% de redução de servidores. O Procon já registrou 486
reclamações contra a concessionária por falta de abastecimento no ano de 2025.
Os impactos observados são em relação ao aumento das tarifas. O governador
propôs que haveria uma economia. E hoje entrega aumento na conta para os
trabalhadores e para os empresários.
O governador
falou que haveria redução de tarifa. E, a partir de janeiro deste ano, aumento
de 6,11 por cento. Aumentou também a tarifa para aquelas pessoas de baixa renda
que não estavam registradas no CadÚnico; já aumentou o valor da tarifa de água
para essas pessoas. E com certeza, agora, quando vencerem os quatro meses que
foram apresentados pelo governador Tarcísio a quem está no CadÚnico, vai
aumentar também para esses trabalhadores.
Um outro impacto também já observado na farsa
da privatização: os (Inaudível.), como acabei colocando, a perda de
estabilidade a partir deste mês. Outros impactos: também, quando ele comenta de
problemas que aconteceram no estado de São Paulo.
Na hora em que
tem menos trabalhadores, mais terceirização, automaticamente estamos tendo mais
vazamentos e mais acidentes na estrutura da Sabesp no estado de São Paulo. E o
aumento não é apenas um acidente, como o governador coloca: que teve uma crise
hídrica, então aumenta o acidente.
Não é um
acidente; já estava previsto, já estava programado que, dentro do processo de
privatização da Sabesp, o lucro dos acionistas, os ganhos de capital desses
acionistas seriam ganhos... Logo no primeiro ano, isso aconteceu, e os
investimentos não foram feitos na mesma proporção.
Eu trouxe aqui
também uma reportagem da “Folha de S. Paulo”, do dia de ontem: “Moradores
denunciam desabastecimento de água na Grande São Paulo”. Nós não tínhamos visto
desabastecimento há muito tempo; e voltou agora, com a privatização.
Então, a
privatização não melhorou a gestão da Sabesp no estado de São Paulo; aumentaram
os problemas. E agora o governador quer trazer outro projeto, que quer tirar
dos municípios a autonomia da gestão da água. Se o município não passou ainda à
gestão da Sabesp, é porque para ele não interessa que o seu município seja
gestado pela Sabesp.
Então, não
adianta, governador, fazer pressão aos prefeitos, de que não vai mandar recurso
daquele que não aderir à Uraes. Os prefeitos já não aderiram, e essa lei que
vocês querem aprovar, nós vamos fazer de tudo para ela não ser aprovada.
Nós temos o
apoio dos prefeitos, que não aceitam essa gestão, que não fez a gestão como deveria,
como foi prometido pelo governador. Então, eles sabem que a Sabesp não entregou
e não vai entregar com essa nova Uraes.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
Por isso que
nossa bancada será contrária à aprovação desse projeto.
O
SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Obrigado,
deputado. Chamar agora, para uso da palavra, o deputado Eduardo Suplicy.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - SEM
REVISÃO DO ORADOR - Caro deputado, Thiago Auricchio, Srs. Deputados, Sras.
Deputadas, queridos paulistas, brasileiros e de todas nacionalidades, vejo com
muita apreensão a proposta do governo no Projeto de lei nº 1.083/2025, que
altera a Lei nº 17.383, de cinco de julho de 2021, que dispõe sobre a criação
de unidades regionais de saneamento básico.
A medida
proposta fundamenta-se na necessidade de adequar a estrutura regional de
saneamento básico do estado às diretrizes estabelecidas pelo novo marco legal
do saneamento básico, ou seja, a Lei Federal nº 14.026 de 2020, e as
estratégias delineadas no âmbito das políticas públicas de saneamento básico
formuladas pelo Estado. Notadamente o programa “Universaliza SP”, instituído
pelo Decreto Estadual nº 67.814, de 18 de julho de 2023.
Sobre este
debate, chamou a minha atenção uma questão trazida na audiência pública deste
projeto pela coordenadora do Ondas, Observatório Nacional dos Direitos à Água e
ao Saneamento, a engenheira Renata de Faria, que fez crítica à nova proposta
das Uraes, Unidades Regionais de Serviço de Abastecimento de Água Potável e
Esgotamento Sanitários, ao afirmar que essa proposta tem o intuito de facilitar
a privatização e os oligopólios das empresas de saneamento e esgotamento
sanitário.
Percebe-se um
preocupante movimento de consolidação do monopólio da Sabesp privatizada,
atualmente ampliado com aquisição da Emae, o que lhe garante a exclusividade na
exploração dos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo. Além disso,
propõe-se agora a fusão das Uraes 2, 3 e 4 em uma nova Uraes 2, medida que visa
facilitar e pressionar os gestores municipais a aderirem ao programa
“Universaliza São Paulo”.
Essa
estratégia, no entanto, diz respeito aos interesses econômicos da Sabesp
privatizada e de seus investidores em prejuízo do interesse público e do
bem-estar da população paulista. É imprescindível que esta Casa legisle em
defesa da sociedade e não do capital. Acredito que essas propostas devem ser
melhor debatidas com a população e não em um regime de urgência, como está
sendo conduzida. Água é direito, não mercadoria.
Gostaria de me
posicionar, portanto, favorável à aprovação do PL com as emendas protocoladas
pela Bancada do Partido dos Trabalhadores, que melhoram a Lei Estadual nº
17.383 de 2021, aprovada pelo Parlamento Estadual. Gostaria de defender
especialmente a revogação do Art. 5º, buscando preservar a atual estrutura das Uraes
1, 2, 3 e 4, estabelecida pela Lei nº 17.383 de 2021, garantindo o equilíbrio
regional e a gestão descentralizada dos serviços de saneamento básico.
A unificação
dessas unidades em apenas duas tende a concentrar poder político e econômico,
diminuindo a representatividade dos territórios e prejudicando o planejamento
regional por bacias hidrográficas. Manter as quatro Uraes assegura uma melhor
adequação às especificidades territoriais e ambientais, fortalece o controle
social e reforça a articulação com os planos da bacia e o PERH.
Essa medida é
fundamental para sustentar o modelo de saneamento público descentralizado e
socialmente equitativo, alinhado às diretrizes de gestão integrada de recursos
no estado de São Paulo. Assim, Sr. Presidente, concluo.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Para discutir
contra, chamo à tribuna o deputado Donato.
O
SR. DONATO - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sras. Deputadas, todos
que nos acompanham aqui presencialmente, todos que nos acompanham pela Rede
Alesp, estou aqui para discutir esse PL, que precisa ser destrinchado, porque
as razões reais da existência dele não estão explicitadas no projeto.
Relembrando,
ainda na gestão Rodrigo Garcia, foi aprovado, seguindo lá as normas do marco de
saneamento, quatro Uraes em São Paulo: Uraes 1, que é Unidade Regional de Água,
Esgoto e Saneamento, Uraes 1, 2 3 e quatro. A Uraes 1, composta por todos
aqueles municípios que tinham contrato com a Sabesp.
O marco
regional de saneamento até permite essa possibilidade, mas a ideia das Uraes é
por bacias hidrográficas, por uso comum de mananciais, ou seja, estava ligado a
uma ideia dos recursos hídricos e não uma ideia simplesmente de financeirização
contratual, como foi feito aqui na Sabesp.
Mas, enfim, a Uraes-1
foi constituída, levou à privatização da Sabesp, tirando a autonomia dos
municípios, juntando tudo em uma Uraes e sob o comando, com mão de ferro, do
governo do Estado, para impor uma privatização, que, além de prejudicar a
população, piorar os serviços - e nós vamos discutir isso em seguida - tirou
totalmente a autonomia dos municípios. E aqui a gente vai nesse caminho.
Existe a Uraes
2, 3 e 4, dividindo mais ou menos por bacias hidrográficas no estado de São
Paulo. O que esse projeto propõe é unificar em uma só. Qual a razão disso? A
razão disso é criar escala para uma grande privatização.
Isso não está
dito no projeto, mas só essa razão justifica, porque as razões elencadas -
precisa melhorar o planejamento - são possíveis de serem feitas mantendo as
três Uraes existentes. Então é a ideia de criar um grande bloco para que seja
privatizado e tirar a autonomia dos municípios.
E aqui eu
queria dialogar com os deputados, principalmente esses que têm base municipal,
que são de muitas cidades que serão prejudicadas por esse modelo, para que
conversasse com seus prefeitos, conversassem com os vereadores e, principalmente,
com o povo da cidade a partir da experiência da Sabesp e pudesse explicar.
Por exemplo, a
gente tem sistemas de serviço autônomos de água e esgoto em Campinas, em
Ribeirão Preto, em São José do Rio Preto, em Jaguariúna, em Penápolis, em
Sorocaba, em Jundiaí, em Araraquara, sistemas que muitos deles funcionam com
indicadores melhores do que o da Sabesp - indicadores de perda de água,
indicadores de atendimento.
Tem até
municípios que têm o tal do trezentos por cento. O que é trezentos por cento?
Cem por cento de fornecimento de água, 100% de coleta de esgoto e 100% de
tratamento de esgoto. Portanto, são um filé mignon aí para um serviço
privatizado, que sequestre isso dos municípios e entregue para a iniciativa
privada, como foi entregue a Sabesp para a Equatorial.
E depois - não
é tema de hoje nem quero adiantar hoje -, mas a gente vai mostrar toda a
ligação Equatorial, Ambipar, Tanure, Emae, Master e Tarcísio “Submisso” de
Freitas. Posso falar submisso, porque o secretário de governo falou que ele é
submisso, não é? Acho que não é xingamento, não é? Ele não mandou embora o
secretário, acho que ele reconheceu que ele é submisso.
Mas qual a
situação hoje desse debate? A secretária veio aqui no ano passado e falou:
“Poxa, precisamos organizar melhor, porque temos uma crise hídrica”. Vamos ver
aqui como estão tratando a crise hídrica sob a gestão privada da Sabesp. Eu
queria passar aqui três slides, todos tirados da Agência Nacional de Águas e da
própria SP Águas.
A situação das
nossas represas: a gente tem uma situação muito crítica no Sistema Cantareira,
com 29% hoje, mas chegou a 20%; a gente está vivendo de trazer água do Paraíba
do Sul. Eu vou mostrar a complicação disso. Mas por que a gente chegou a essa
situação na Cantareira? Tem a emergência climática, tem as mudanças climáticas,
mas não é só isso. Tem uma opção de lucro feita pela Sabesp. Vamos ao próximo
slide.
Aqui é um
boletim histórico do Sistema Cantareira. Aquele ponto mais baixo é a crise de
2014/2015, que chegou ao volume morto, abaixo do zero por cento. Agora a gente
pode ver aqui que o volume útil do Sistema Cantareira, na data de hoje, é 29%,
porque choveu um pouco esta semana, mas, em 10 de fevereiro de 2025, um ano
atrás, já com a Sabesp privatizada, era 57 por cento. Por que caiu tão bruscamente?
Eu vou ler aqui
a fala de um especialista, em uma entrevista. Aí a gente já começa a entender o
que significa a gestão privada. “O Sistema Cantareira esvaziou muito
rapidamente. Há um ano estava com mais de 50% de reservação.” Cinquenta e sete
por cento. “Isso ocorreu por superexploração. Operar o Cantareira é mais barato
do que operar a Guarapiranga.” Que a gente viu no quadro que está com o
reservatório relativamente cheio.
“A água da
Guarapiranga exige mais produtos químicos e maior gasto de energia elétrica
para bombeamento. Produzir um metro cúbico de água tratada no Cantareira
custava, à época, de 30 a 50% menos do que na Guarapiranga.”
Então, foi uma
opção pelo lucro chegar a essa crise que a gente está vivendo no Sistema
Cantareira. “Dentro da lógica do máximo lucro, segurou-se a produção na
Guarapiranga e aumentou-se no Cantareira, levando ao esvaziamento abrupto do
sistema.”
Então, temos
uma decisão que tem a ver com o lucro da Equatorial, de pegar a água mais
barata no Cantareira, comprometendo o reservatório, ao invés de pegar em
reservatórios em que o tratamento e o custo de captação de água é mais caro.
Vamos para o
próximo slide. Hoje, o Sistema Cantareira está na faixa 4 de restrição na
tabela da ANA. O que significa a faixa quatro? Faltou um slide aqui para
explicar.
A SRA. PROFESSORA BEBEL - PT - Pela ordem, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Pela ordem, deputada Professora
Bebel.
A SRA. PROFESSORA BEBEL - PT - Eu queria uma verificação de
presença.
O SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - É regimental o pedido de Vossa
Excelência. Convido a deputada Valeria Bolsonaro, ao lado do deputado Danilo
Campetti, para realizarem a verificação de presença no plenário.
* * *
- Verificação
de presença.
* * *
O SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Constatado o quórum regimental,
devolvo a palavra ao deputado Donato pelo tempo restante de sete minutos e 27
segundos.
O SR. DONATO - PT - Bom, como eu explicava, o Sistema Cantareira está na
“Faixa 4: Restrição”, decretada pela ANA, Agência Nacional de Águas. Isso
significa que você só pode retirar 23 metros cúbicos por segundo de água do
sistema. A região metropolitana, no Sistema Cantareira, precisa de 31 metros
cúbicos.
E o que ocorre?
Vamos lá para o próximo slide. No slide, você tem a transposição ali da Jaguari
e da Atibainha, que foi feita em 2015 para poder enfrentar a crise hídrica, que
capta recursos hídricos do Paraíba do Sul. Ele deveria captar, em média, cinco
metros cúbicos por segundo; 5,16 metros cúbicos por segundo, para ser exato, e,
no máximo, 8,5 metros cúbicos por segundo.
Desde janeiro,
desde o ano passado, está se captando exatamente 8,5 metros cúbicos por
segundo. O total previsto no acordo... Porque o Paraíba do Sul abastece o Rio
de Janeiro também. Então, você tem um acordo federativo. Aliás, quando foi
feita essa transposição, chegou até o Supremo Tribunal Federal para arbitrar
essa disputa pela água. E a gente pode gastar, nesse acordo, até 162
hectômetros cúbicos por ano.
Nesse ritmo, em
agosto não teremos mais a possibilidade de captar água no Paraíba do Sul, a
menos que tenha um novo acordo com o Rio de Janeiro. Portanto, a gente está
numa situação gravíssima. Gravíssima, e o Governo do Estado não trata dessa
forma. Vai empurrando com a barriga.
Resolveu fazer
uma campanha de economia de água agora. Essa semana começou na televisão,
quando a crise vem desde o ano passado. Vai empurrando com a barriga para não
afetar os lucros da Sabesp, muito menos a imagem da Sabesp. Mas olha só.
Vamos para o
último slide, que a gente vai ver as duas formas de tratar essa crise. Em 2015,
a Sabesp pública tratou de que forma a crise, para economizar água? Estabeleceu
um bônus para quem economizasse água, que começava em 10% de desconto, e podia
chegar até 30% de desconto.
Com grande
efeito, a adesão foi altíssima, com cerca de 83% dos clientes da região
metropolitana, reduzindo o consumo em junho de 2015, voluntariamente, em troca
de um bônus. E isso afetava universalmente todos os consumidores. Os pobres e
os ricos podiam economizar e diminuir sua conta.
Qual é a forma
que a Sabesp privatizada está lidando com a crise para economizar água?
Diminuindo a pressão na rede. Todo mundo que anda por essa periferia, pelas
regiões metropolitanas e mesmo por cidade do interior, sabe o que está
acontecendo. Nas pontas da rede, a pressão é muito menor.
Então, a água
não chega atingindo principalmente os consumidores mais pobres, mais
vulneráveis, porque ou não tem caixa d'água, muita gente não tem caixa d'água,
não tem como armazenar, durante o pouco tempo que tem, a água liberada, ou a
caixa d'água é pequena para o seu consumo, e fica sem água.
E a restrição
para a água está atingindo a população mais pobre, enquanto os bairros nobres,
porque não estão na ponta da rede, e porque tem reservatórios maiores, porque
os prédios têm reservatórios maiores, tem bombas, você não os atinge.
Então, é
profundamente injusta a maneira que a crise hídrica vem sendo tratada por esse
governo, com a lógica de preservar o lucro da Sabesp. Essa é a lógica. E agora,
para quem anda aqui, está aqui o deputado Maurici, que pode dar um relato
também, a Sabesp... E prestem atenção, porque isso vai acontecer em todas as
áreas de atuação da Sabesp. Ela tem um grande plano, não é de aumentar a rede,
não é de renovar a rede, é de instalar novos hidrômetros.
E onde instala
novo hidrômetro - e o deputado Maurici pode dar o testemunho de Franco da Rocha
e Caieiras - a conta explode. Eu imagino que muitos de vocês já tenham se
deparado com esse problema: o hidrômetro é trocado e a conta explode.
A política da
Sabesp vai ser trocar massivamente hidrômetros, ou seja, visando mais uma vez à
receita da Sabesp e não ao bem-estar da população. Ao invés de trabalhar para
renovar a rede, diminuir perdas, para que a gente possa ter novos
investimentos, para ter mais água tratada, tratando os mananciais da Billings,
da Guarapiranga - que são mananciais importantes, mas comprometidos pelo esgoto
e que exigem um alto custo de retirada da água -, a Sabesp vai pelo caminho
mais fácil de aumentar o lucro.
A Sabesp, que
também está no caso Master. Eu não vou ter tempo de demonstrar isso, mas vou
mostrar. Porque a Emae a gente sabe. A Emae foi comprada por um fundo chamado
Phoenix, fundo basicamente de ações da Ambipar. A Ambipar é uma empresa do
Nelson Tanure, sócio oculto do Master. A Sabesp... A Emae, não cumpriu suas
obrigações, onde ela pegou o dinheiro emprestado, e ela foi vendida para a
Sabesp.
E eu vou... Eu
não vou contar hoje, mas depois vou contar o pulo do gato dessa história,
mostrando como é circular e como o esquema Master está totalmente metido na
privatização da Emae e da Sabesp, e o Sr. Tarcísio tem muito que explicar isso.
Tarcísio, o submisso.
E não é
xingamento, porque ele não mandou embora o secretário de Governo, que chamou
ele de submisso. Então acho que ele admitiu que ele é submisso mesmo. Então o
Sr. Tarcísio, o submisso, está enrolado com o Master, com o Nelson Tanure, com
a Ambipar, com a compra da Emae, com a privatização da Sabesp e com o péssimo
serviço que está sendo prestado em São Paulo.
Por isso, na
verdade, esse projeto é para ampliar a privatização, talvez com a mesma
Equatorial, com o mesmo Master, com o mesmo Nelson Tanure, e prejudicar a
população de São Paulo. Por isso, nós somos contra.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Para discutir
contra, chamo à tribuna o deputado Rômulo Fernandes.
O
SR. RÔMULO FERNANDES - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Srs. Deputados, Sras. Deputadas, Sr. Presidente
Auricchio, novamente aqui nesta tribuna. Não é possível que esta Assembleia
Legislativa vai continuar cometendo os mesmos erros. Eu fico impressionado.
Esse projeto de
lei... Eu queria ser bem professoral aqui na dinâmica. Eu vou ler aqui
rapidamente do que se trata, porque as pessoas às vezes não entendem o que é Uraes,
o que está por trás dessa história, o que está por trás desse projeto de lei.
Esse Projeto de
lei nº 10.083, de 2025, é um exemplo claro da continuação da natureza desse
governo Tarcísio. É isso o que as pessoas precisam entender. A natureza desse
governo é: quanto menos governo, melhor é.
A gente tem um
caso clássico, que está todo mundo falando aqui, que é o caso da Sabesp. Todo
mundo que me assiste, principalmente a população, eu faço a seguinte pergunta:
“Melhorou? Melhorou a sua vida? Melhorou o preço da sua água? Ou foi o
inverso?”
Porque quando
vieram aqui na Casa e defenderam a privatização - e vários de vocês acompanharam
- foi um absurdo o que aconteceu, inclusive com violência física aqui,
violência física. Isso foi muito ruim.
Nós estamos em
um momento de crise climática, de crise de abastecimento, e esta Casa está
dando uma demonstração de muita irresponsabilidade. Quando eles vieram aqui,
falaram que ia baixar o preço, eu fiz a pergunta aqui. Não abaixou. Ao inverso
disso, aumentou o preço da água.
Quando eles
vieram aqui, eles falaram da qualidade da água. A gente viu várias reportagens
em tudo quanto é televisão em que as pessoas abriam a torneira e a água não era
clara, era quase marrom.
Então isso
também não aconteceu. Com relação à quantidade, o fornecimento adequado para as
famílias, também não melhorou. Essas coisas a gente precisa resgatar. E o atendimento
da Sabesp para os problemas de falta de água também piorou.
E isso agora,
esse projeto, é exatamente a continuação disso. Por isso que a gente está
fazendo um alerta aqui, conversando com todos os pares, usando todos os
instrumentos legais para a gente impedir a continuação desse desmonte. O
governo Tarcísio, como eu sempre falo aqui, a sua natureza é privatista.
A gente pode
dar um monte de exemplos, mas eu vou dar um exemplo aqui da Educação, essa
questão da privatização e da falta de capacidade administrativa do governo
Tarcísio. E, recentemente, a gente viu o que significa a escola cívico-militar.
A Bebel, que é a nossa referência na pauta da Educação, deve ter chorado quando
viu duas pessoas dentro da escola escrevendo aquele absurdo lá, o “descançar”
com cedilha.
É trágico, não
é? A gente tem vontade de rir, mas é de uma tragédia e de uma desqualificação
terrível. Outra palavra, se não me falha, é “continêcia”, sem o “n”. É um
absurdo. Então é disso que estou falando. É um exemplo muito pequeno, mas que
mostra exatamente a qualidade desse desgoverno do Tarcísio. É isso que ele quer
fazer.
São dois
exemplos. E a gente pode falar muito mais. Pedágio. A gente tem brigado.
Vereadores, inclusive da base de sustentação desse governador, têm pedido, assim,
clamado, para eles poderem parar de fazer o que eles estão fazendo nas estradas
do estado de São Paulo. Aquele freeflow, que é aquele pedágio que ninguém vê,
que ninguém sabe, só percebe quando chega a cobrança na sua casa.
Você pega a
questão do Metrô, a questão da privatização do Metrô, a questão da privatização
da CPTM. Eu faço a pergunta para todos os usuários: melhorou? Eu tenho certeza
absoluta de que não melhorou. E é disso que nós estamos falando aqui. É a
continuação da privatização da Sabesp.
A Uraes tem,
esse projeto de lei tem na sua origem a diminuição das unidades regionais de
saneamento. Só para vocês saberem, quem está escutando a gente, você tem quatro
Uraes que estão se transformando em duas. E aí eu queria alertar a população do
que nós estamos falando aqui, além do que foi dito aqui por todas as pessoas
que me antecederam.
A Uraes-2
significa Região Metropolitana de Campinas, Região Administrativa de Sorocaba e
parte do Vale do Paraíba. A Uraes-3, região de Ribeirão Preto, Bauru, São José
do Rio Preto e Araçatuba. A Uraes-4 é região de Presidente Prudente, Marília,
englobando o extremo oeste do estado.
Sabe uma coisa
que pouca gente está percebendo? Nessas regiões que a gente mencionou, que
estão sendo aglutinadas, que estão virando Uraes-2, tem um negócio ali que é a
maior região de mananciais do estado de São Paulo. Aqueles que nos escutam,
vocês sabem quem consome mais água neste país? Não é o consumo humano, é o
consumo da agricultura.
Ali está o pulo
do gato. São os lugares onde tem mananciais. Nós vamos ter problema com relação
a isso. O controle da Sabesp, o pulo do gato, está exatamente aí. Também, eles
vão controlar esses mananciais. Por isso a nossa preocupação aqui.
E tem alguns
exemplos que foram ditos aqui, Piracicaba, Bauru e Limeira, que são exemplos de
qualidade, são exemplos de cidades que têm administração. Eu administrei, eu
fui superintendente de uma agência, na Sama, em Mauá, e a gente sabe o que
significa ter uma autarquia.
Por uma questão
de administração anterior, eles acabaram com a Sama, e a gente acabou, o
governo teve que colocar na mão da Sabesp. E a gente está sofrendo muito com
relação à Sabesp. Além da falta d’água, é o despreparo dos funcionários.
Eu queria ler
aqui rapidamente, nosso tempo está terminando... Dizer, didaticamente, o que
está acontecendo. O governo Tarcísio enviou esse projeto para a Assembleia
Legislativa modificando a Lei Estadual nº 17.383, que criou o Marco Regulatório
Paulista de Saneamento.
A matéria
propõe uma única mudança: a redução de quatro unidades regionais de Saneamento
Básico para apenas duas unidades. Isso é o que a gente está discutindo aqui. Por
que a mudança? É o controle, o controle monetário da água.
Todo mundo
falava aqui, e nós falamos o tempo todo com relação ao que significa a água -
se ela é um bem público ou é um bem que você pode monetizar. Não é isso. A água
é um patrimônio nosso, e não pode ser mercadoria. A gente falou isso o tempo
todo, em todas as discussões.
E o que a gente
está vendo aqui... A gente pede para os pares não continuarem cometendo o mesmo
erro com relação à continuação dessa privatização. Olhem o que aconteceu com
Enel.
A gente não vai
ter modificação nenhuma, absolutamente nenhuma, a favor da população. Porque o
que conta, no final das contas, é o serviço público, o que a Dona Maria vai ter
se ela vai abrir a torneira dela lá, e se a água vai estar limpa, vai estar com
qualidade, ou vai sair aquela água marrom.
O que conta é
que a pessoa, quando for pagar a sua conta de água, se ela vai ter direito à
tarifa social ou se ela vai, novamente, como aconteceu agora, e está
acontecendo, ter o aumento da água aqui no estado de São Paulo. É disso que nós
estamos falando.
Por isso que eu
queria pedir a todos os pares aqui que tenham consciência. Tenham consciência e
a responsabilidade de ajudar a população do estado de São Paulo.
E, para
finalizar, eu queria só, no tempo que me resta aqui: ontem, nós tivemos a
visita do nosso querido presidente Lula na cidade de Mauá, falando sobre várias
coisas. E eu queria fazer um registro aqui do Instituto Federal, Bebel, que a
gente vai ter na cidade de Mauá.
É uma área
bastante grande. O Lula, ontem, lá, falou em quase 37 milhões de recursos
aportados à cidade de Mauá, para a gente poder ter uma Educação melhor,
diferente do que o que o
E ontem ele foi
lá assinar a ordem de serviço para a gente poder já ter, no segundo semestre,
um Instituto Federal. Tinha carreta de especialidade lá ontem, também. É um
marco, também. A gente vai ter quatro UPAs reformadas, uma quinta UPA sendo
construída lá. A primeira policlínica aqui do estado de São Paulo, que será
construída na cidade de Mauá.
Então, eu
queria fazer esse registro, um agradecimento explícito ao nosso querido
presidente Lula, que tem transformado... Além disso, ele deu mais 37
ambulâncias lá, Bebel, para todos os municípios, independentemente das
bandeiras partidárias. Foram 37 distribuídas nos sete municípios ali da região
do Grande ABC.
Por isso, eu
quis fazer questão de registrar o meu agradecimento e dizer que o nosso querido
presidente Lula tem transformado, e irá continuar transformando, este país.
Muito obrigado,
presidente.
O
SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Convido, para
discutir contra, a deputada Thainara Faria.
A
SRA. THAINARA FARIA - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente em exercício, nobre deputado Thiago
Auricchio, deputados, deputadas, servidores, policiais e todas as pessoas que
nos acompanham aqui no plenário: muito boa tarde para o estado de São Paulo.
Primeiro que é
a primeira sessão extraordinária em que a gente discute um projeto após o
recesso parlamentar, Professora Bebel. E dizer que nós rodamos o estado de São
Paulo nesse recesso. Nós conversamos com os prefeitos, com as prefeitas, os
vereadores, as vereadoras, e é uníssono o quanto o governo Tarcísio tem sido
omisso nas necessidades primárias da população do estado de São Paulo.
Todos os
prefeitos, todas as prefeitas têm a infelicidade de relatar o quão ineficiente
o governador tem sido em atender às necessidades primárias do povo do estado de
São Paulo.
Nós
acompanhamos um atraso na entrega dos matérias escolares agora para as crianças
que voltam às aulas; nós acompanhamos todo o desmonte da política de Segurança
Pública do estado de São Paulo. Rodando, inclusive, pelas cidades do interior,
a gente viu o tanto de freeflow que foi instalado por aí. Então, realmente, o
desastre do governo Tarcísio tem sido muito ruim na vida do povo do estado de
São Paulo.
Mas a gente
volta para esta Casa para discutir os projetos e para tentar barrar minimamente
aquilo que vai trazer ônus à população. Nós avisamos, nós tentamos barrar a
privatização da Sabesp. O que nós vemos hoje são contas de água muito mais
caras, pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social sem conseguir ter
acesso ao direito básico, que é ter uma água para esquentar uma comida, para
tomar um banho quando chega em casa.
Choveu na
capital ou em qualquer outra cidade, ninguém sabe se a Sabesp privatizada vai
conseguir entregar água de qualidade para o povo. Então, a gente tem muito
receito nessa carta em branco que a Assembleia Legislativa, através da base do
governo, dá para o governador Tarcísio para desmontar o Estado, para privatizar
a torto e a direta, sempre a direita, não é? E aí criar um ônus infeliz na vida
do povo.
Nós estamos
hoje discutindo o Projeto nº 1.083 de 2025, que chegou nesta Casa para alterar
a Lei nº 17.383, de cinco de julho de 2021, que dispõe sobre a criação de
unidades regionais de saneamento básico, com fundamento no Art. 2 e inciso XIV,
inciso III, inciso VI, alínea “b”, da Lei Federal nº 11.445, de cinco de
janeiro de 2007, e dá providências correlatas. Chegou dessa forma essa
propositura para a gente com a justificativa seguinte do governo:
“A medida
proposta fundamenta-se na necessidade de adequar a estrutura regional de
saneamento básico do estado de São Paulo às diretrizes estabelecidas pelo novo
marco legal do saneamento básico na lei Federal nº 14.026/2020 e às estratégias
delineadas no âmbito das políticas públicas de saneamento básico formuladas
pelo Estado, notadamente no Programa “Universaliza SP”.
Pessoal, este
programa aqui é um grande de um problema. Onde o governador Tarcísio, através
da privatização da Sabesp, não conseguiu sucatear a água nos outros municípios
onde não há essa concessão ele vem com esse “Universaliza SP”, que até a última
vez que eu acessei o site do governo do Estado tinha nada mais do que um powerpoint para explicar o que ele
significa, vazio, sem uma justificativa consistente. O que a gente sabe é que
ele quer universalizar a privatização, não é universalizar o acesso à água, o acesso
ao saneamento.
Bom, então ele
quer, notadamente, o programa “Universaliza SP” instituído pelo Decreto
Estadual nº 67.814, de 18 de julho de 2023, visando o efetivo atendimento do
novo marco de saneamento básico. Não visa.
Não visa porque
nós vemos aqui, sobretudo na Capital, choveu, falta água, a Sabesp não está
dando conta, não tem gente suficiente para tratar a água, não tem gente
suficiente. Despejo irregular de esgoto dentro de nascentes, então ele não
quer, de fato, democratizar o acesso à água.
Também diz que
esse programa visa a “manutenção da Uraes - 1, consolidada por força do
contrato de concessão vigente celebrado com a Sabesp, dispensando nova
manifestação de adesão dos seus entes integrantes do instrumento contratual”.
Ou seja, ele quer trazer aqui as prefeituras que ainda não são cuidadas, a água
das cidades, pela Sabesp, para entrar nessa grande furada.
Também visa,
esse projeto enviado para nós, a “reestruturação da unidade regional de
saneamento denominada Uraes - 2, compreendendo os demais municípios não
operados pela Sabesp”. Aqui que está o pulo do gato, é aqui que a gente tem que
abrir o olho. Vou ler novamente: “reestruturação da unidade regional de
saneamento denominada Uraes - 2, compreendendo os demais municípios não
operados pela Sabesp no bojo do contrato de concessão nº 01/2024, excluindo-se
as demais unidades”.
Ou seja, essa
parte aqui da justificativa do governo confirma o que eu disse para vocês: as
cidades que não eram de responsabilidades da Sabesp, que não entraram nessa
privatização, ele quer privatizar agora com esse projeto. Também “autorização
para que, por deliberação de uma instância colegiada, sejam criadas subunidades
regionais de saneamento básico, Sub-Uraes, baseadas em critérios técnicos e
hidrográficos igualmente trazidos pelo referido anteprojeto de lei.
Destaca-se que
a criação das Sub-Uraes pela respectiva instância colegiada deliberativa,
composta por representantes do Estado, dos municípios integrantes e de
entidades da sociedade civil, confere maior cooperação interfederativa e
técnica ao processo decisório para o adequado agrupamento regional dos
municípios, conforme as necessidades locais e regionais e assegurando o
exercício da titularidade conjunta dos serviços de abastecimento de água e
esgotamento sanitário no âmbito da prestação regionalizada prevista no artigo
3º, inciso VI, “b”, da Lei federal nº 11.445/2007.”
Então voltamos
a dizer aqui que ele entendeu que a palavra “privatização” pegava muito mal,
que o termo “entregar o bem público a uma exploração da iniciativa privada” não
é aceito pelo povo do estado de São Paulo. Então, ele usa outras palavras,
subterfúgios para pode enganar aqueles municípios e trazer para a adesão desse
projeto, então, desmascarando o governador. É mais um engodo do Tarcísio de
Freitas.
O governador
tem pautado o desmonte do estado e a lógica do projeto de lei ora apresentado
concomitante ao PL nº 1046, de 2025, que atualiza o plano estadual de recursos
hídricos, referente ao período de 2024 a 2027, e altera as Leis nº 7663, de 30
de dezembro de 1991, esboça-se a consolidação do monopólio da Sabesp
privatizada, ora em curso, com a compra da Emae.
Portanto,
exclusividade em explorar os mananciais da Região Metropolitana de São Paulo.
Vou repetir - isso aqui é muito importante -, exclusividade em explorar os
mananciais da Região Metropolitana de São Paulo. É isso que ele realmente quer.
E agora, para
finalizar, propõe a aglutinação das Uraes 2, 3 e 4 à nova Uraes 2 e, assim,
facilitar e pressionar os executivos municipais a aderirem ao “Universaliza
SP”. É o jeitinho dele de pressionar, porque ele viu que muitos prefeitos
entenderam que “Universaliza SP” não era bom para as suas prefeituras, para os
seus municípios e não aderiram. E agora ele quer, através desse engodo, colocar
o “Universaliza SP” goela abaixo das prefeituras.
E, também, com
a criação de unidades regionais de saneamento básico, criando o maior monopólio
de saneamento básico jamais visto no mundo, tornando os 645 municípios reféns
da maior valia da Sabesp privatizada, garantindo a sanha capitalista dos
investidores em detrimento do bem comum da sociedade paulista.
Nós precisamos,
com urgência, dar tempo de discussão a esse projeto, analisa-lo a fundo,
dialogar com os prefeitos dessas prefeituras que não aderiram ao “Universaliza
SP”, os motivos deles e atender efetivamente os interesses do povo do estado de
São Paulo.
Nós precisamos
entender que a água é um bem público, é um bem básico, que não deve ser motivo
de lucro para ninguém. Há, sim, de se recolher as taxas para a manutenção da
água, para ela chegar na sua casa, mas ter que pagar para dar lucro para alguns
investidores?
Isto é coisa de
um governador que quer tirar tudo aquilo que é do povo e entregar para os seus
amigos privatistas, entregar para a iniciativa privada, entregar para o grande
capital, àqueles que exploram até não poder mais o povo não só do estado de São
Paulo, mas do mundo inteiro, onde a sociedade está entregue a esta doença que é
o capitalismo.
Então nós
precisamos continuar essa discussão, nós precisamos aprofundar essa discussão,
chamar audiências públicas, chamar os prefeitos para discutir e fazer aquilo
que for melhor para o povo do estado de São Paulo.
Muito obrigada,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Para discutir
contra, deputada Monica Seixas do Movimento Pretas.
O
SR. GILMACI SANTOS - REPUBLICANOS - Presidente,
havendo acordo de lideranças, eu queria pedir a V. Exa. suspensão por cinco
minutos do nosso trabalho.
O
SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Por
conveniência da ordem, suspender a sessão por cinco minutos.
*
* *
- Suspensa às 18 horas e 34 minutos, a
sessão é reaberta às 18 horas e 38 minutos, sob a Presidência do Sr. Thiago
Auricchio.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL – Reaberta a
sessão.
O
SR. GILMACI SANTOS - REPUBLICANOS - PARA
COMUNICAÇÃO - Pela ordem,
presidente. Sr. Presidente, conversando aqui com a liderança do PT e os líderes
aqui em plenário, nós chegamos a um acordo de que encerraríamos a sessão neste
momento, restando uma hora e meia para o encerramento da discussão desse
projeto.
As pessoas inscritas continuariam
naquela lista, dessa forma que está, mas encerraríamos a sessão neste momento,
ficando uma hora e meia para a semana depois do Carnaval, assim como o
presidente pediu e sugeriu. Então, esse é o acordo que temos neste momento.
Não é isso, deputado Donato?
O
SR. DONATO - PT - Exatamente.
O
SR. GILMACI SANTOS - REPUBLICANOS - Havendo acordo
de lideranças, então, peço a V. Exa. o levantamento da sessão.
O
SR. PRESIDENTE - THIAGO AURICCHIO - PL - Então,
existindo acordo entre os líderes e havendo acordo das lideranças, declaro
encerrada a presente sessão, lembrando da segunda sessão extraordinária a se
iniciar dez minutos após a presente sessão.
Muito obrigado.
*
* *
- Levanta-se a sessão às 18 horas e 39
minutos.
*
* *