
15 DE MAIO DE 2026
61ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: CARLOS GIANNAZI e EDUARDO SUPLICY
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h02min.
2 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Discorre sobre iniciativas de seu mandato na área da Educação pública.
4 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência.
5 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
6 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
7 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
8 - EDUARDO SUPLICY
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
9 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Defere o pedido. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária de 18/05, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 14h45min.
* * *
ÍNTEGRA
* * *
- Assume a Presidência e abre a sessão o Sr.
Carlos Giannazi.
* * *
- Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
* * *
O SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Presente o número regimental de
Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos
trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da sessão anterior e
recebe o expediente. Dando início à lista de oradores inscritos no Pequeno
Expediente, hoje, sexta-feira, dia 15 de maio de 2026, com a palavra o primeiro
orador, sempre o primeiro, deputado Reis, que terá uso regimental da tribuna.
O
SR. REIS - PT -
Hoje, literalmente, eu sou o primeiro. Está lá na listagem, deputado. Não
precisa nem chamar ninguém antes de mim. Cumprimentar, o presidente, o deputado
Carlos Giannazi, deputado Suplicy, o público presente, os funcionários desta
Casa, cumprimentar os integrantes da Polícia Civil, da Polícia Militar, da
Polícia Penal, da Polícia Técnico-Científica, e também cumprimentar todos
aqueles e aquelas que estão nos acompanhando pela Rede Alesp.
Presidente,
hoje já apareceu nos meios de comunicação mais um vazamento de gás provocado
por mais uma obra da dona Sabesp, a dona Sabesp privatizada. Isso aconteceu
agora, em Itaquera. Segundo a Comgás, as equipes da concessionária foram
acionadas, já eliminou o vazamento, mas o que demonstram esses acontecimentos?
A grande
preocupação que nós temos que ter com relação a essa empresa de saneamento que
foi privatizada e que agora não sai das páginas de jornais, não só dos jornais
escritos, mas também dos jornais televisivos, das redes sociais. Qualquer rede
social que a gente entrar - ali no Google - e jogar “Sabesp” já vem a grande
quantidade de desastre, Sr. Presidente, provocado por essa empresa.
Explosão no
Jaguaré, já são duas pessoas que morreram, primeiramente uma e ontem já foi
noticiado uma segunda vítima dessa explosão. E, olhando as reportagens, nós
temos problemas em Jaguaré, Itaquera, Mairiporã, Mauá. Aqui diz a matéria:
“Explosão de gás provocou incêndio em diversas casas próximo à Dr. Benedito de
Moraes, Rua Dr. Benedito de Moraes, no Jaguaré. Em março deste ano, outra
ocorrência também, durante o serviço prestado pela companhia, acabou em morte”.
Então nós temos
que ficar com medo dessa empresa, que é uma empresa da morte. “Um funcionário
terceirizado da Sabesp, de 45 anos, morreu após uma caixa d'água romper em uma
obra do reservatório de água em Mairiporã, região metropolitana do estado. Sete
pessoas ficaram feridas e foram socorridas”. Então ela não só mata como a
Sabesp está machucando as pessoas. Outra morte envolvendo a Sabesp aconteceu em
setembro do ano passado.
“Uma idosa de
79 anos morreu após uma tubulação da Sabesp desprender e invadir a sua casa em
Mauá, também na região metropolitana. O caso foi registrado no 4º Distrito
Policial da cidade”. “Em Osasco, uma megacratera, adutora da Sabesp, se rompeu
no bairro Jardim Veloso, agora em abril. A água invadiu pelo menos quatro
moradias na região.
Um vazamento
ocasionado pelas obras de recuperação de um interceptor de esgoto, localizado
na Marginal Tietê, na altura da Ponte Atílio Fontes, também abriu a megacratera
e foram praticamente 11 meses prejudicando a população de São Paulo...”
E a Sabesp
jogando esgoto no Rio Tietê e no Rio Pinheiros, que ninguém aguentava nem
passar ali perto por conta do cheiro, o cheiro dos dejetos que a Sabesp jogou
nos rios, e também uma obra que prejudicou bastante a população de São Paulo.
E tem mais
matérias: “Crise em Hortolândia expõe falhas da Sabesp privatizada”. E não é um
caso isolado. A situação em Hortolândia acendeu um alerta grave sobre a
qualidade do serviço prestado pela Sabesp após a privatização.
Há três
semanas, moradores conviviam com água saindo das torneiras com odor e sabor
alterado”. Isso não é só lá em Hortolândia, isso aqui tem denúncias do Capão
Redondo, denúncias de Cidade Tiradentes, denúncias que vêm de Suzano, várias
cidades que temos andado, a população está reclamando.
“O prefeito da
cidade disse que piorou, a Sabesp piorou bastante após a privatização. O caso é
grave, não é isolado, você tem uma queda na qualidade do serviço, falta de
resposta e aumento da insatisfação popular”. Tanto é que nós estamos aí, Sr.
Presidente, com cerca de 20 reclamações, na média, por dia da Sabesp.
Ela conseguiu
ultrapassar a Enel. E dessas quase sete mil queixas, registros de reclamações,
apenas 2.137 foram atendidos. Também a ineficiência na resposta. A Sabesp é uma
empresa que está matando as pessoas de São Paulo, está ferindo as pessoas de
São Paulo.
E ela não
consegue ter eficiência nas respostas das reclamações que chegam a ela, em que
superou até a Enel em reclamações. Isso quer dizer que a privatização da Sabesp
é um dano para a população de São Paulo, é um prejuízo para a população de São
Paulo.
E o Sr.
Tarcísio vai ter que se explicar, vai ter que explicar bem o porquê, ele vendeu
uma empresa que era eficiente, uma empresa que era rentável, entregou para a
iniciativa privada, e que essa iniciativa privada, o mercado, conforme diz o
povo, não está dando resposta para as pessoas, não está dando resposta para os
cidadãos e para as cidadãs de São Paulo.
Não só dando
resposta, não estão dando resposta, mas também estão matando o nosso povo. Além
de matar, além desses casos de mortes envolvendo a Sabesp, estão ferindo o povo
de São Paulo.
Então é muita
explicação que nós temos que cobrar do governador de plantão. Essa privataria,
conforme diz já o deputado Carlos Giannazi, a privataria bolsotucana... Porque
vamos lembrar de quanto próprio do Estado os tucanos privatizaram.
Então essa
privataria que está prejudicando a população de São Paulo, prejudicando no que
se refere ao fornecimento de água, prejudicando no que se refere à qualidade da
água, prejudicando no ar que está chegando às torneiras, porque, com a redução
da pressão, o povo está pagando por vento e não por água, além das pessoas que
estão sendo vítimas e morrendo - vítimas dessa ineficiência da dona Sabesp.
O governador
anunciou hoje que está suspendendo as obras da Sabesp, e isso é um outro
prejuízo que ele vai trazer para a população, porque imaginem vocês quem está
ali próximo de uma obra da Sabesp, e aí aquela obra vai ficar paralisada.
Quanto tempo essa população vai ficar esperando para, às vezes, até poder
entrar em suas casas?
Então eu quero
continuar esse debate, porque tem outros temas, outras cidades que a gente
levantou as reclamações, mas o tempo é muito curto. Mas para dizer que é
lamentável o que o governador de São Paulo fez, lamentável a privatização da
Sabesp. Tem vários pedidos de CPIs, inclusive, que eu assinei ontem.
E eu espero que
sejam, sim, instauradas aqui essas CPIs, deputado Carlos Giannazi, para
investigar essa destruição, esse descaso e essa ineficiência da dona Sabesp.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Obrigado,
deputado Reis.
Com a palavra o deputado Rodrigo
Moraes. (Pausa.) Com a palavra o deputado Sebastião Santos. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Rômulo Fernandes. (Pausa.) Com a palavra o deputado Rui
Alves. (Pausa.) Com a palavra o deputado Dirceu Dalben. (Pausa.) Com a palavra
o deputado Dr. Eduardo Nóbrega. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Conte Lopes.
(Pausa.) Com a palavra a deputada Valeria Bolsonaro. (Pausa.) Com a palavra a
deputada Leci Brandão. (Pausa.) Com a palavra o deputado Donato. (Pausa.) Com a
palavra o deputado Major Mecca. (Pausa.) Com a palavra o deputado Dr. Jorge do
Carmo. (Pausa.)
Chamo o deputado Reis para... (Vozes
fora do microfone.) Ah, ele saiu? Então, eu chamo o deputado Suplicy para
conduzir a sessão, de tal forma que eu possa fazer uso da tribuna.
Mas, já adianto daqui, deputado
Suplicy, que o nosso coletivo Educação em Primeiro Lugar, que é composto pela
deputada federal Luciene Cavalcante, pelo vereador Celso Giannazi, que é membro
da Comissão de Educação da Câmara Municipal, e pelo nosso mandato aqui na
Assembleia Legislativa, entrou, através do nosso partido, do PSOL, com uma
Adin, na data de ontem, contra a sanção da Lei nº 18.463, de 2026, fruto do
famigerado Projeto de lei nº 354, de 2026, que, infelizmente, foi aprovado no
último dia 13, na Câmara Municipal, que é a farsa do reajuste salarial.
Nesse projeto, deputado Suplicy, Srs.
Deputados e Sras. Deputadas, o governo colocou vários submarinos, vários
jabutis, entre eles, aumentando ainda mais a contratação precarizada de
servidores da Educação, quando, na verdade, nós lutamos para que haja concurso
público de provas e títulos para o ingresso no Magistério.
O governo municipal, a gestão Ricardo
Nunes, vai na contramão do que determina, inclusive, o Art. 37 da nossa
Constituição, do Plano Nacional da Educação, que foi aprovado recentemente.
Essa lei da gestão Ricardo Nunes ataca
o concurso público, ataca a educação infantil; intensifica a terceirização, a
privatização, colocando em processo de extinção o cargo de professora de
educação infantil, cargo de PEI; ataca de forma brutal e cruel os professores
readaptados.
São vários ataques, por isso que nós, o
nosso coletivo Educação em Primeiro Lugar, entramos com uma Adin para revogar
essa famigerada lei, que é uma lei contra a Educação municipal. Nós teremos
muitos retrocessos caso ela permaneça vigente. Por isso que a nossa ação na
Justiça é para que ela seja revogada e anulada em caráter de extrema urgência.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Eduardo
Suplicy.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Prosseguindo,
então, com a lista de oradores do Pequeno Expediente, tem a palavra agora o
deputado Carlos Giannazi, pelo tempo regimental.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy, eu fiquei
aqui chocado e os professores também, deputado Suplicy, porque no dia 13 foi
publicado um edital no “Diário Oficial”, que é o edital do processo seletivo
simplificado para a contratação temporária de docentes para atuação na educação
básica da rede pública estadual para o ano letivo de 2027.
Está aqui, são
68 páginas de um edital para contratar, em caráter precário, professores para a
rede estadual, sendo, Sr. Presidente, que tem concurso vigente, que nós lutamos
pela prorrogação para que os professores que foram classificados, aprovados,
sejam efetivados, como determina a legislação.
Mas, no
entanto, esse PSS, esse processo seletivo simplificado, Sr. Presidente, é um
absurdo total. Primeiro porque ele cobra, no texto original aqui, cobrava uma
taxa de 100 reais para que o professor pudesse fazer a inscrição.
E esse edital é
coordenado - essa prova, esse processo - pela Fundação Getúlio Vargas. Então
eles estavam cobrando 100 reais, deram uma recuada, porque pegou mal, então
recuou-se, mas cobrando ainda 60 reais.
É caro, Sr.
Presidente, para os professores que são obrigados a pagar para trabalhar na
rede estadual de ensino, para prestar um serviço público. Eles terão que pagar
uma taxa de 60 reais. Mas não é só isso, tem outros absurdos aqui, entre eles a
exigência daquela famigerada videoaula.
O professor da
rede estadual de ensino, o professor do ensino fundamental e do ensino médio
não é youtuber. Ele não vai dar aula à distância, ele vai dar aula presencial,
na sala de aula, para os alunos, tanto no ensino fundamental como no ensino
médio.
Mas a prova
exige, tem a prova objetiva e tem a prova prática, que é, na verdade, resumida
numa videoaula. O professor tem que gravar uma aula, gravar um vídeo na sua
casa, em qualquer lugar, e encaminhar. Isso deu a maior confusão nas outras
provas, porque é uma avaliação. Quem avalia, avalia de forma totalmente
subjetiva.
Então muitos
professores foram prejudicados nos concursos anteriores, nas provas anteriores.
E essa videoaula reaparece novamente, apesar de todas as nossas denúncias,
apesar do fracasso que foi avaliar professores através do envio de videoaulas.
Então, nós somos totalmente contra isso, o Magistério é contra a videoaula.
Repito, o professor não é youtuber, professor dá aula presencial, em sala de
aula.
Tem também uma
outra questão gravíssima aqui, que é em relação ao Conselho Regional de
Educação Física. Os professores da área de Educação Física, para fazer a
inscrição, além de pagar 60 reais, terão que estar inscritos no Cref, no
Conselho Regional de Educação Física, que cobra anuidade dos professores. É
como se fosse a OAB, o advogado, para ele exercer a profissão, tem que pagar à
OAB uma anuidade.
Aqui também, o
Cref exige dos professores da educação básica do estado de São Paulo, na rede
estadual, nas redes municipais, na rede privada, inscrição. Isso é ilegal, Sr.
Presidente, isso é inconstitucional.
Na semana
passada, eu falei sobre isso. Inclusive, nós temos projeto de lei aqui
aprovado, que eu aprovei aqui. O meu projeto de lei foi aprovado, proibindo o
Cref de cobrar anuidade, de cobrar a filiação dos professores das redes
públicas e privadas do estado de São Paulo para poderem lecionar.
E, no entanto,
eu vejo aqui, infelizmente, o projeto foi vetado pelo governador Tarcísio de
Freitas - o projeto aprovado aqui. Os deputados votaram no meu projeto a favor,
mas ele vetou. Agora a nossa luta é pela derrubada do veto, mas há essa
exigência no edital.
Isso é um
absurdo, que o estado mais rico, que tem a maior banca de advogados, de
juristas, que tem a PGE, se curve aos interesses do Cref, do Conselho Regional
de Educação Física.
Então nós
queremos deixar aqui, dizer que nós queremos a retirada imediata, Sr.
Presidente, desse item também, desse edital. Então, olha, é caro, R$ 60,00 para
fazer a prova, era 100 reais. Videoaula, que é um absurdo, exigência do Cref, e
isso tem que ser alterado, Sr. Presidente. Nós temos que, na verdade, nós defendemos
concurso público, prorrogação dos concursos, do concurso que houve.
Nós temos mais
de 80 mil professores categoria “O” na rede estadual, e uma boa parte desses
professores fez o concurso, e esses professores são classificados, poderiam ser
efetivados.
Mas não, o
governo insiste nesse modelo de processo seletivo simplificado, e com todos
esses ataques ao Magistério. Taxa altíssima, exigência de Cref, exigência de
videoaula. Então, nós estamos tomando providências para que todos esses itens
sejam retirados, Sr. Presidente, do edital.
E, por fim, Sr.
Presidente, antes de terminar a minha intervenção hoje, eu quero aqui fazer uma
denúncia gravíssima. Nós estamos recebendo várias denúncias, várias
reclamações, de várias regiões, aqui da cidade de São Paulo, também do
interior, de escolas que estão sendo obrigadas a aderir ao Programa de Ensino
Integral, a famosa escola PEI, que é uma escola excludente, é uma escola
autoritária. Porque ela exclui alunos, ela diminui o número de alunos naquela
escola, ela promove demissão de professores, porque diminui o número de
professores nessas escolas.
Por exemplo, se
uma escola tem mil alunos, e ela vira uma escola PEI, um programa integral, ela
só vai atender, no máximo, 300 ou 400 alunos, no único turno. Então, nós teremos
600 alunos que serão transferidos para outras escolas, superlotando outras
escolas, muitas vezes escolas distantes. E o governo insiste nesse modelo,
nessa farsa da escola de tempo integral.
E nós estamos
recebendo denúncias de várias regiões, das antigas diretorias de ensino, agora
unidades regionais de ensino, de que há uma forçação de barra, que há quase que
uma ordem para que as escolas até manipulem a consulta à comunidade escolar.
Porque quem decide se uma escola vira PEI ou não é a comunidade escolar,
através das suas instituições, sobretudo de representação, como é o conselho de
escola.
Mas o governo
não quer saber do conselho de escola. Ele faz uma consulta extremamente
duvidosa, parcial, induzindo, sobretudo, os pais dos alunos a aceitar essa
farsa da escola integral no estado de São Paulo. Então, várias escolas estão
passando por esse processo agora, por esse constrangimento, muitas se
organizando, dizendo não, porque não querem que os seus filhos estudem em
regiões distantes.
Sem contar, Sr.
Presidente, que esse modelo de escola acaba com o período noturno, ele
intensifica mais ainda o fim do ensino médio regular noturno e o fim da
educação de jovens e adultos, porque em escola, PEI normalmente não tem o
período noturno em geral.
Então, se nós
já temos uma grande evasão escolar no estado de São Paulo, não é uma evasão, é
uma exclusão, na verdade, tanto é que os dados do MEC, do Ministério da
Educação, os dados recentes mostram que o estado de São Paulo foi o estado onde
nós tivemos o maior número de desistências de alunos do ensino médio, que foram
excluídos do processo educacional por conta do fechamento de salas, do período,
sobretudo, do período noturno.
Há também
fechamento de salas no período diurno, do vespertino. Nós temos várias denúncias,
mas na noite é onde há a maior intensificação do fechamento, prejudicando os
alunos trabalhadores. Os alunos que estudam, cursam, por exemplo, cursos
profissionalizantes, esses alunos não têm mais a possibilidade de estudar no
período noturno porque as escolas estão fechando o ensino médio regular e EJA
também, a Educação de Jovens e Adultos.
Então é a farsa
do PEI, desse “Programa de Educação Integral”, que está sendo imposto para
muitas regiões, muitas unidades regionais, muitas escolas da rede estadual, Sr.
Presidente.
Eu queria fazer
essa denúncia e dizer que nós estamos pedindo aqui a convocação do Secretário
da Educação na Comissão de Educação para ele explicar isso, respeitar a
comunidade escolar e respeitar a gestão democrática da escola pública.
A escola é que
decide seu conselho de escola junto com o grêmio, junto com a PM, são essas
instituições escolares que compõem o que nós chamamos de gestão democrática da
escola pública.
E essas
instituições, a comunidade que tem que tomar a decisão se quer ou não esse
modelo que, nós sabemos, que é uma verdadeira farsa porque a escola PEI no
estado de São Paulo é uma escola sem laboratórios, muitas delas não têm quadras
para as aulas de educação física.
Escolas
sucateadas, degradadas, que faltam professores porque o governo não contrata,
falta toda a infraestrutura e elas se transformaram, muitas delas, em
verdadeiros depósitos de crianças e adolescentes.
Então por isso
nós vamos continuar a nossa luta aqui contra a implantação autoritária e excludente
do “Programa de Ensino Integral”.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Cumprimentos
ao deputado Carlos Giannazi. Tem a palavra agora a Dra. Damaris Moura. (Pausa.)
Enio Tatto. (Pausa.) Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Luiz Fernando.
(Pausa.) Paulo Mansur. (Pausa.) Teonilio Barba. (Pausa.) Guilherme Cortez.
(Pausa.)
Agora à Lista Suplementar. Deputado
Sebastião Santos. (Pausa.) Deputado Eduardo Suplicy. Se o deputado Carlos
Giannazi puder assumir, agradeço.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Carlos
Giannazi.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Dando
sequência à lista de oradores inscritos. Agora, com a palavra, o deputado
Eduardo Suplicy.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro presidente, deputado Carlos Giannazi, Sras.
Deputadas, Srs. Deputados, gostaria de manifestar aqui o meu apoio à Comissão
Parlamentar de Inquérito que foi criada na Câmara Municipal de São Paulo, com a
finalidade de investigar a produção e a comercialização irregular de habitações
de interesse social por entidades e empresas que desenvolvem empreendimentos no
município de São Paulo.
A CPI foi
encabeçada pelo vereador Nabil Bonduki, vice-presidente da comissão. As
habitações de interesse social são dos principais instrumentos do Plano Diretor
Estratégico de São Paulo para garantir o direito à moradia e combater as
desigualdades socioespaciais da cidade.
O Plano de
Desenvolvimento Estratégico estabelece diretrizes para produzir moradia popular
em áreas bem localizadas, próximos do transporte, emprego, infraestrutura e
serviços urbanos. Um dos instrumentos centrais do Plano Diretor são as Zeis,
Zonas Especiais de Interesse Social.
Essas áreas são
reservadas prioritariamente para moradia popular, regularização fundiária,
urbanização de assentamentos precários. O PDE determina que as regras das Zeis
prevalecem sobre outras regras de zoneamento justamente para assegurar a função
social da terra urbana.
O que temos observado
na cidade nos últimos anos, no entanto, foi uma desvirtuação da finalidade
social de novos empreendimentos que obtiverem isenção fiscal nas construções
dos prédios em áreas valorizadas, bem servidas de transporte público e serviço,
de forma inapropriada.
Pois, ao invés
de destinarem as moradias prontas às pessoas que ganham de três a dez salários
mínimos, os apartamentos desses novos condomínios foram destinados às pessoas
com maior poder aquisitivo e aos investidores que estavam fora dessa faixa de renda,
incentivando, inclusive, que esses investidores fizessem aluguéis de curta
duração nesses apartamentos, como em plataforma tipo Airbnb.
Esse é o
contexto que tem sido objeto da CPI que vem interrogando consultores, feito
diversos requerimentos de informação para apurar as irregularidades. E desde
setembro de 2025, quando começou os trabalhos, obteve algumas conquistas
importantes para reparar injustiças cometidas por essas construtoras.
Como conquistas
importantes destacam a pressão exercida sobre a prefeitura que publicou o
Decreto nº 64.244, de 2025, de duas Portarias: nº 12 e nº 122, pela Secretaria
de Habitação, que estabelece obrigatoriedade às construtoras, exigindo a
padronização da publicidade dos empreendimentos HIS e HMP, incluindo o selo institucional
e informações obrigatórias.
A Portaria nº
122, de 2025, foi importante, porque reforçou o mecanismo de transparência e
fiscalização exigindo identificação clara de empreendimentos HIS e HMP para
evitar fraudes, publicidade enganosa, comercialização fora das faixas de renda
previstas pela política habitacional.
Também destaca
outras vitórias, a plataforma Airbnb renovou anúncios irregulares de Habitação
de Interesse Social da plataforma. Ainda existem outras plataformas que
precisam tomar a mesma providência.
As fraudes e a
farra de investidores que compram moradia popular para aluguel temporário estão
começando a acabar. Esse avanço só foi possível graças à insistência do mandato
do Nabil Bonduki, para que a prefeitura enviasse a lista completa das unidades
HIS.
As empresas que
recebem benefícios fiscais para construir Habitações de Interesse Social devem
cumprir o seu compromisso e oferecer moradias a quem mais precisa e não
especular com fraudes no mercado imobiliário, em uma cidade que ainda sofre com
grande déficit habitacional. É fundamental que a CPI não se encerre prontamente
e possa continuar os trabalhos, e promovendo justiça social.
Também gostaria
de analisar o que está acontecendo com a greve de professores da rede
municipal. Hoje subo a esta tribuna para novamente manifestar total
solidariedade a servidores e servidoras de Educação municipal em São Paulo que
seguem em greve e realizam mais um importante ato, nesta sexta-feira, em defesa
da educação pública, da valorização profissional, da dignidade do serviço
público.
Agradeço e
parabenizo cada trabalhador e trabalhadora da Educação que, mesmo diante de
ataques, ameaças e tentativa de desmoralização, permanece firme na luta, porque
quem luta pela educação pública, luta pelo futuro do povo brasileiro.
A greve é
legítima, nasce da revolta contra um projeto de lei do prefeito Ricardo Nunes
de baixo reajuste salarial e com mudanças estruturais na carreira. Esse projeto
foi enviado à Câmara na terça da semana passada e foi aprovado em duas votações
para a Câmara Municipal a toque de caixa.
O prefeito, as
vereadoras e os vereadores não fizeram uma escuta ativa com a categoria e
familiares. Relembro que são as servidoras e servidores que estão no dia a dia
da sala de aula, quem enfrenta escolas superlotadas, falta de estrutura,
precarização e adoecimento.
As
trabalhadoras e trabalhadores não estão em greve apenas por salário; estão em
greve porque defendem a escola pública. Em greve contra a precarização do
trabalho docente. Em greve porque sabem que sem valorização profissional não
existe educação de qualidade.
E eu quero aqui
também reconhecer o papel fundamental do sindicato e das entidades
representativas da categoria, que, além da mobilização nas ruas, recorreram à
justiça para defender o direito de greve, denunciar os abusos cometidos pela
prefeitura na lei já sancionada.
Na data de
ontem, a Aprofem - Associação dos Professores e Funcionários Municipais de São
Paulo - protocolou ação direta de inconstitucionalidade no Tribunal de Justiça
de São Paulo com um pedido de suspensão imediata dos dispositivos
inconstitucionais inseridos na nova lei. A Aprofem não questiona as medidas e
reajustes salariais, abono e vale-alimentação, ainda que os índices sejam
insatisfatórios.
O que está
sendo pedido é a impugnação das alterações inseridas no projeto sem relação com
a revisão geral anual e que afetam diretamente os direitos dos servidores
municipais, como, por exemplo, a transformação do cargo sem concurso público,
avaliação psicológica sem critérios objetivos em lei e remuneração reduzida
durante curso e formação, entre outros.
A marca da
gestão Ricardo Nunes tem sido o autoritarismo com o servidor e generosidade com
os interesses privados. Falta valorização dos servidores, aumenta a
terceirização, causando uma grave precariedade dos serviços essenciais.
Valorização da educação não pode ser discurso de campanha. Tem que aparecer no
orçamento, no salário, nas condições de trabalho e no respeito aos
profissionais.
Por isso, faço
aqui um apelo para que a Prefeitura retire imediatamente... Reabra
imediatamente as negociações com a categoria, apresente uma proposta digna que
respeite os educadores da maior cidade do país. Faço, também, um apelo à
sociedade paulista: defendam os seus professores. Quando um professor vai às
ruas, ele não está lutando apenas por si mesmo, está lutando pela qualidade da
escola pública dos filhos da classe trabalhadora.
E quem deveria
se envergonhar não são os educadores mobilizados; é uma gestão que trata
educação como gasto, e não como investimento. Toda a minha solidariedade às
trabalhadoras e aos trabalhadores da educação municipal de São Paulo. Por isso
estive, também, com eles andando na Avenida Paulista, na tarde desta semana.
Finalmente, Sr.
Presidente, venho falar da contratação de PMs em escolas e despejo do Espaço
Augusta. Trago novamente o assunto da educação, agora sobre educação pública
estadual.
Parabenizo o
Ministério Público do Estado de São Paulo, pela lucidez e compromisso com a
Constituição ao afirmar que aquilo que já estamos dizendo há muito tempo é
ilegal: transformar a escola pública em extensão do aparato militar.
Segundo a notícia
de hoje, na “Folha de S. Paulo”, o Ministério Público defendeu a anulação do
edital do governo Tarcísio de Freitas que prevê a contratação de policiais
militares da reserva para a função de monitores das escolas cívico-militares.
O parecer do
Grupo de Atuação Especial de Educação do Ministério Público desmonta ponto por
ponto a propaganda do governo Tarcísio sobre as chamadas escolas
cívico-militares. O Ministério Público afirma que não existe autorização
constitucional para esse modelo híbrido, e que a contratação de policiais
militares reservada para atuar nas escolas afronta princípios básicos da
administração pública e da educação brasileira.
A manifestação
foi feita a partir de uma ação popular movida pelo nosso colega Carlos
Giannazi, que agora preside esta sessão, juntamente com o vereador Celso
Giannazi e a deputada federal Luciene Cavalcante. Então, quero parabenizar também
meus queridos colegas pela importante ação.
Educação se faz
com professores valorizados, coordenadores pedagógicos, psicólogos,
bibliotecários, funcionários concursados e a comunidade escolar participando
das decisões. Educação não se faz com hierarquia militar, intimidação e
disciplina autoritária.
O próprio
Ministério Público lembrou um fato constrangedor, mas simbólico: um policial
contratado para atuar em escolas escreveu na lousa palavras erradas como
“descançar” e “continêcia”. Não se trata de humilhar ninguém. Trata-se de
mostrar que Educação exige formação específica, preparo pedagógico e
valorização profissional.
Enquanto isso,
o estado de São Paulo enfrenta a falta de mais de 40 mil profissionais
efetivos, quase 20 mil agentes de organização escolar. Em vez de fazer concurso
público, melhorar salário e investir na estrutura das escolas, o governo
prefere gastar recursos com um projeto ideológico de militarização do ensino.
Precisamos
enfrentar bullying, evasão e conflitos nas escolas? É claro que precisamos, mas
isso se faz com equipe multidisciplinar, cultura, esporte, assistente social,
mediação de conflitos, participação das famílias, não com militarização do
ambiente escolar.
Nós defendemos
a escola pública democrática, plural, inclusiva e emancipadora. São Paulo
precisa de valorização e investimento em Educação de qualidade e não de
propaganda ideológica travestida de segurança.
Antes de
finalizar, quero também trazer a triste notícia do despejo do Espaço Augusta de
Cinema e do Café Fellini, na região central de São Paulo, ocorrido na data de
ontem. Vimos mais um capítulo da expulsão da cultura popular e da memória de
nossa cidade.
O despejo do
Espaço Augusta de Cinema e do Café Fellini não é apenas uma disputa
imobiliária, é um ataque à história cultural da Rua Augusta, ao cinema de rua,
aos trabalhadores da Cultura, ao direito da população de ocupar a cidade com
arte, convivência e pensamento crítico.
Estamos falando
de um espaço que há décadas faz parte da vida cultural paulistana, lugares onde
gerações assistiram filmes, fizeram debates, encontraram amigos, produziram
cultura, lugares vivos, lugares de memória afetiva, e agora tudo isso corre
risco de virar mais um empreendimento comercial, mais um símbolo de especulação
imobiliária, que transforma a cidade em um negócio para poucos.
É triste ver
que, enquanto faltam políticas públicas robustas para a Cultura, sobra rapidez
quando o interesse é atender a grandes incorporadores. O próprio imóvel foi
reconhecido como Zona Especial de Preservação Cultural, justamente porque
possui importância histórica e cultural para São Paulo. Ainda assim, vemos
caminhões chegando para retirar móveis, desmontar sonhos, apagar parte da
identidade da cidade.
A cultura não é um detalhe. A cultura gera
emprego, movimenta a economia, fortalece o turismo, cria pertencimento e
combate a violência pela ocupação viva do espaço urbano. Quando um cinema de
rua fecha, quando um café cultural fecha, perde o artista, perde o trabalhador,
perde o comerciante, perde a juventude. Perde a democracia.
Por isso,
manifesto aqui minha total solidariedade aos trabalhadores, frequentadores,
artistas e movimentos culturais que resistem para manter vivo o Espaço Augusta
e o Café Fellini. Defender esse espaço é defender o direito à memória, o
direito à Cultura e o direito à Saúde.
Caro presidente
Carlos Giannazi, agradeço muito a sua generosidade e parceria com este deputado
estadual.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Muito obrigado,
deputado Suplicy.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Se houver a
concordância entre as lideranças, solicito o levantamento da sessão, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Havendo acordo
de lideranças, esta Presidência, antes de dar por levantados os trabalhos,
convoca V. Exas. para a sessão ordinária de segunda-feira, à hora regimental,
sem Ordem do Dia.
Está levantada a sessão.
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- Levanta-se a sessão às 14 horas e 45
minutos.
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