
24 DE FEVEREIRO DE 2026
4ª SESSÃO EXTRAORDINÁRIA
Presidência: ANDRÉ DO PRADO
Secretaria: GILMACI SANTOS e DANI ALONSO
RESUMO
ORDEM DO DIA
1 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO
Abre a sessão às 16h43min. Coloca em discussão o PL 1083/25.
2 - EDIANE MARIA
Solicita verificação de presença.
3 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO
Defere o pedido. Determina que seja feita a chamada de verificação de presença, que interrompe quando observado quórum.
4 - MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS
Discute o PL 1083/25 (aparteada pela deputada Professora Bebel).
5 - ORTIZ JUNIOR
Para comunicação, faz pronunciamento.
6 - PROFESSORA BEBEL
Discute o PL 1083/25.
7 - DR. JORGE DO CARMO
Discute o PL 1083/25 (aparteado pelo deputado Ortiz Junior).
8 - PAULA DA BANCADA FEMINISTA
Para comunicação, faz pronunciamento.
9 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO
Endossa o pronunciamento da deputada Paula da Bancada Feminista. Ressalta o bom senso entre as bancadas desta Casa no atendimento de demandas sociais através da aprovação de projetos.
10 - GILMACI SANTOS
Para comunicação, faz pronunciamento.
11 - EDIANE MARIA
Discute o PL 1083/25.
12 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO
Convoca as Comissões de Constituição, Justiça e Redação, de Administração Pública e Relações do Trabalho, e de Finanças, Orçamento e Planejamento, para reunião conjunta a ser realizada, amanhã, às 15 horas, em primeira convocação, e às 15 horas e 16 minutos, em segunda convocação.
13 - BARROS MUNHOZ
Discute o PL 1083/25.
14 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO
Encerra a discussão do PL 1083/25.
15 - GILMACI SANTOS
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
16 - PRESIDENTE ANDRÉ DO PRADO
Defere o pedido. Levanta a sessão às 18h13min.
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* *
ÍNTEGRA
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-
Abre a sessão o Sr. André do Prado.
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O SR. PRESIDENTE -
ANDRÉ DO PRADO - PL - Presente o número
regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus,
iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da
sessão anterior.
Ordem
do Dia.
* * *
- Passa-se à
ORDEM DO DIA
* * *
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Discussão e
votação do Projeto de lei nº 1.083, de 2025, de autoria do Sr. Governador. Em
discussão. Para dar sequência à lista de oradores inscritos, para discutir a
favor, com a palavra o deputado Barros Munhoz. Ausente o deputado Barros
Munhoz.
A
SRA. EDIANE MARIA - PSOL - Pela ordem, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Com a palavra a
deputada Ediane Maria.
A
SRA. EDIANE MARIA - PSOL - Para pedir uma
verificação de presença.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - É regimental o
pedido de Vossa Excelência. Vamos pedir ao deputado Gilmaci Santos, juntamente
com a deputada Dani Alonso, que façam a verificação de presença.
*
* *
- Verificação de presença.
*
* *
O
SR. GILMACI SANTOS - REPUBLICANOS - Presidente,
permita-me até quebrar o protocolo, eu queria mandar uma saudação especial, um
abraço ao deputado Mauro Bragato, que essa semana perdeu a mãezinha dele, com
mais de 90 anos. Mauro Bragato, V. Exa. não está aqui, mas vai aqui o abraço da
Assembleia Legislativa. Não é isso, presidente?
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Constatado o
coro regimental, dando sequência à lista de oradores inscritos para discussão
do projeto, com a palavra para discutir contra, com a palavra a deputada Monica
Seixas.
A
SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - SEM REVISÃO DO ORADOR - Obrigada,
presidente. Boa tarde, colegas. Bom, antes de entrar na matéria, que também tem
como tema saneamento básico, eu quero começar me solidarizando com os moradores
do Litoral Norte, do Litoral Sul, da Baixada Santista, das cidades como São
João de Boa Vista, no interior de São Paulo, e outras tantas que estão embaixo
d'água agora.
Nós tivemos
mais mortes entre ontem e hoje por conta da chuva, desabamento, temos centenas
de desabrigados no estado de São Paulo e a Defesa Civil acaba de emitir alerta
de que as chuvas devem continuar, e agora a preocupação é com as pessoas que
vivem em área de risco por causa do risco de desabamento.
A Defesa Civil
lembra que poste tombado, árvore caindo, portas e janelas que momentaneamente
emperram, significa alto risco de deslizamento e pede para as pessoas se
retirarem de áreas de risco. E aí eu quero fazer um pedido também. É importante
educar as pessoas para que reconheçam sinais de fenômenos extremos, e que
possam salvar suas vidas.
Mas eu quero
pedir ao Governo do Estado de São Paulo e à Defesa Civil, aos prefeitos e às
prefeituras que salvem vidas. Se existe um alerta de que a chuva é persistente
e deve continuar, se existe a possibilidade de deslizamento, se existe a
possibilidade de pessoas morrerem afogadas, abram abrigos agora, convidem as
pessoas a saírem de área de risco agora.
Não vamos
esperar a chuva levar mais vidas no estado de São Paulo para depois a gente
distribuir cobertores e praticar solidariedade. Abram os ginásios agora, abram
as escolas agora, notifiquem as pessoas que vivem nessa área de risco para que
elas saiam esta semana agora.
A tecnologia já
nos permite antecipar a passagem de fenômenos extremos. Quero me solidarizar a
todas as vítimas de enchentes e alagamentos. Há, neste momento, inúmeras
campanhas de solidariedade ativa, sobretudo para os moradores de Peruíbe, onde
tem a maior parte dos desabrigados e desalojados, mas continuo apelando.
Nós podemos,
com a ajuda da tecnologia que já dispomos, antecipar esse tipo de passagem de
fenômenos extremos, avisar as pessoas que estão em área de risco e salvar vidas
antes da passagem dos fenômenos extremos.
Para vocês que
nos acompanham de casa, mora num barranco ou embaixo de um barranco? Mora numa
área de várzea de rio que costumeiramente alaga? Mora sobre um córrego e está
com medo? Você pode ligar 199, que é o número da Defesa Civil, e obter
informações precisas sobre os riscos da sua localidade. Tudo isso é redução de
danos. Espero que vocês façam para salvar as próprias vidas.
Mas, repito, eu
que militei muito pelos alertas, e os alertas salvam vidas, é preciso que, além
dos alertas, a gente crie um sistema de política para acolher as pessoas antes
das passagens de fenômenos extremos, porque talvez uma dona Maria, um seu José,
um trabalhador não tenha assistido à televisão, não esteja informado sobre a
meteorologia, talvez não tenha um lugar para ir, não tenha um familiar, um
parente, tenha crianças e não saiba onde vai dormir hoje, apesar do risco de
desabamento. Então, prefeituras, abram abrigos antes. Convidem as pessoas a
saírem antes.
A Professora
Bebel está repetindo: escolas, escolas, escolas. Eu não entendi, mas tem
escolas que também desabaram e estão debaixo d'água agora, não é isso? Pode
fazer um aparte, professora, que eu não estou conseguindo entender a senhora.
A SRA. PROFESSORA BEBEL - PT - COM ASSENTIMENTO DO ORADOR -
Solicitaram para mim, lá de Peruíbe, porque, veja, a secretaria municipal abriu
as escolas para poder alojar as pessoas que ficaram sem casas. E a gente está
pedindo que abram as escolas estaduais também, porque aí você pode alojar mais
pessoas. “Ah, mas os alunos vão ficar sem aula”. E as pessoas, vão ficar...
A SRA. MONICA SEIXAS DO MOVIMENTO PRETAS - PSOL - Antes a vida, não é? Salvar a vida
dessas famílias. É isso. O Governo do Estado de São Paulo pode abrir seus
ginásios, suas escolas e convidar diretamente as pessoas. “Você que mora em
barranco, que está sob risco de morte hoje, durma aqui”. É melhor salvar a vida
das pessoas antes do que chorar e fazer campanha de solidariedade para
arrecadar cobertores e colchões depois.
Dito isso, a
gente está em uma matéria importante sobre esse tema, que tem a ver com
saneamento básico, que tem a ver com drenagem, que tem a ver com a água que a
gente tem ou não tem na torneira. E é uma matéria muito difícil. Acho o Marco do
Saneamento Básico e todos os seus desdobramentos muito difíceis. E olha que eu
estudo muito saneamento básico, porque eu tenho uma trajetória voltada ao
debate do acesso à água, que ainda não é universal no estado de São Paulo.
Na minha região
e na minha cidade, Itu, é muito comum vivermos sem água. E a gente tem cidades,
como Embu-Guaçu, que visitei esse final de semana, que sequer têm água
encanada. Tem grandes regiões na cidade de Embu-Guaçu que ainda recebem água
apenas por caminhão-pipa, ainda não tem água encanada. E mesmo dedicada ao
debate de saneamento básico, eu acho o debate sobre o novo Marco do Saneamento
Básico muito difícil.
Mas, vamos
lá... E é por isso que eu peço calma para votar esse tipo de decisão. Por quê?
O estado de São Paulo vai atravessar, este ano, uma crise gigantesca de
abastecimento de água. No mesmo ano em que a gente começa assim, eu dizendo:
“Olha, tem gente que vai morrer no alagamento ou no deslizamento”, a gente vai
estar, no meio, com uma grande escassez de abastecimento. A essa altura, mesmo
tendo gente debaixo d’água agora, já tem cafeteria fechando por dificuldade de
abastecimento.
No meio do ano,
talvez a gente tenha dificuldade para tomar banho - negócios serão atingidos,
hospitais, escolas. O estado tem mesmo uma dificuldade, que exige da gente
atenção.
O Projeto nº
10.083 reclassifica as Uraes - Unidades Regionais de Água e Esgoto. Hoje, o
estado de São Paulo tem quatro Uraes, e essas unidades regionais não têm mais a
ver com as bacias hidrográficas ou com os limites da cidade, ou com divisão da
água por território. “Aqui nós temos um rio, a gente tira tanto; aqui a gente
tem uma represa, a gente tira tanto”. Não é sobre isso; as Uraes são sobre
adesão.
A gente já tem,
nessa conformação de Unidade Regional de Água e Esgoto, uma cidade aqui e outra
cidade acolá, numa nova lógica, que é muito difícil de a gente entender e
interpretar. Agora, esse projeto de lei extingue as Uraes 3 e 4, deixando o
estado dividido só em duas grandes áreas: a Urae-1 e a Urae-2, deixando a essas
duas grandes áreas a subdivisão em sub-Uraes.
O novo Marco do
Saneamento Básico está sendo usado pelo governador Tarcísio e outros tantos
governadores apenas para empurrar as privatizações. A reorganização em Uraes
veio correndo antes do projeto de privatização da Sabesp, porque aí cada
município não tinha que decidir por si se iria aderir ou não à Sabesp
privatizada.
Entraram numa
grande Urae e foram de pacote. Agora isso vai ser redividido e, no meu ponto de
vista, isso vai servir para que a Sabesp fique atendendo apenas às cidades
lucrativas e abandone as cidades que não são.
Se antes a
gente tinha o abastecimento de água seguindo o princípio de direito humano, de
direito público, de bem-estar social, com grandes obras que são custosas,
caras, bilionárias, geralmente financiadas, sim, por dinheiro público, porque o
único que faz obra de infraestrutura desse montante de saneamento básico no
estado de São Paulo continua a ser as obras do PAC...
Não é a Sabesp,
não é o Governo do Estado de São Paulo. Agora vai seguir os interesses das
empresas privadas. A gente está empurrando o resto do estado para privatização
- Barretos, Bauru, Itu. Marília privatizou recentemente, vão privatizar para
uma outra grande concessionária.
A Sabesp já
atende à Urae-1, e essas novas sub-Uraes que a gente está autorizando criar
provavelmente não ficarão dentro desse pacotão da concessionária. E aí, meu
bem, não tem prefeitura que seja capaz, sozinha, de fazer obra de saneamento
básico, porque é muito caro.
E aí, meu bem,
vai ficar muito fácil para a Sabesp e para a Enel acumularem muito lucro que
fala inglês e que vai para fora, enquanto quem precisa de saneamento básico de
verdade não será atendido.
Essa é uma
matéria muito delicada, que também vem num momento muito delicado de estado. No
caso da Enel, que é um problemão... Um problemão. Nos noticiários desse final
de semana, estavam prefeitos e governadores falando do atendimento da Enel. Nem
Jesus dá conta de tirar a Enel, nem de consertar a Enel, nem de fazer a Enel
atender etc. e tal.
O problema que
a gente fala é sobre a nossa capacidade de fiscalização da entrega do
saneamento básico para gigantes multinacionais que assumem essas concessões a
longo prazo.
Na semana
retrasada, antes do Carnaval, a gente recebeu aqui na Assembleia Legislativa a
sabatina do novo diretor presidente da Arcesp, que tem a responsabilidade de
fiscalizar os serviços concedidos em saneamento básico, energia e gás, o Sr.
Diego Domingos.
O Sr. Diego
chegou aqui na Assembleia Legislativa para ser sabatinado, e eu só joguei o
nome dele no Google, porque eu não recebi um currículo, uma apresentação. Só
joguei o nome dele no Google. Recomendo para os colegas jogar o nome do Sr.
Diego no Google.
O Sr. Diego
veio da Secretaria de Parceria e Privatizações do Governo do Estado de São
Paulo. Até ontem, antes de ser presidente diretor da Arsesp, ele estava como
chefe de gabinete da secretaria que preparou e apresentou aqui para nós a
privatização da Sabesp, que vendeu a Sabesp abaixo do preço.
Esse senhor
também era do conselho de fiscalizador da Sabesp. Ele estava no conselho da
Sabesp, preparou a privatização da Sabesp e veio no momento seguinte ser
presidente, diretor da Arsesp que vai fiscalizar a Sabesp.
Outra coisa que
me chocou foi que, durante a sua trajetória, a sua passagem nas secretarias do
Doria e do Tarcísio, preparando privatizações e extinções de empresa, como
parte de uma secretaria de Estado, ele foi conselheiro em uma série de empresas
públicas. Uma série. EMTU... Eu vi pelo menos uma dezena.
Quero grifar
aqui que essa função é remunerada, porque as pessoas confundem conselheiros de
empresas públicas e autarquias com conselho de cultura, que é uma galera
voluntária que vai lá e não tem dinheiro nem para a passagem e não é
deliberativo.
Esses conselhos
de autarquia, para cada conselho que ele compõe é entre quatro ou seis mil
reais a mais, furando o teto, porque ele já ganha uma granona ali como chefe de
gabinete de secretaria e estava compondo uns dez, 20 conselhos do estado. Cada
um por seis mil.
E aí eu fico me
perguntando: como é que uma pessoa consegue atuar em tantas frentes ao mesmo
tempo? Como é que está deliberando sobre transporte público, saneamento básico,
infraestrutura urbana e trabalhando na Secretaria de Privatização? Se ele é
conselheiro e participa de uma reunião por semana, ele trabalha todos os dias
no conselho, só não sei em que secretaria ele cumpre.
Se isso não
choca os senhores, ele estava como conselheiro da Emplasa quando o Doria
apresentou o processo de extinção aqui na Assembleia Legislativa. Mas, Monica,
o que tem isso haver com a matéria de hoje? A Emplasa era justamente a
autarquia que ajudava prefeitos e prefeituras a planejar obras de
infraestrutura em comum essencial para evitar enchentes e alagamentos.
Essencial.
Está fazendo
falta, e se conversar com prefeitos e prefeituras mais antigos, a Alesp vai
saber o tamanho do erro que foi a extinção da Emplasa para este momento em que
a gente tem a Baixada Santista debaixo de água.
Então esse
senhor que furou o teto, que atuou pelas privatizações, que foi responsável
pela privatização da Sabesp agora vai fiscalizá-la. A gente está com um
processo, um projeto complexo aqui, que muda as Uraes. Eu acho essa matéria
muito delicada.
Eu acho difícil
de entender e eu gostaria que a gente tivesse mais calma para deliberar. O
governador Tarcísio sabe que água e saneamento básico vai impactar nas eleições
deste ano, porque impacta na vida das pessoas e a gente tem uma responsabilidade
enorme em votar isso daqui hoje.
Obrigada.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Dando sequência
à lista de oradores inscritos, para dar sequência para discutir contra, com a
palavra a deputada Professora Bebel.
O SR. ORTIZ JR - CIDADANIA -
Presidente, uma breve comunicação.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Sim, tem dois
minutos, V. Exa., deputado Ortiz Jr.
O SR. ORTIZ JR - CIDADANIA -
PARA
COMUNICAÇÃO - Eu queria ser um pouco invasivo e pedir uma parte à deputada, mas
ela tocou em um ponto fundamental aqui, que é a questão dos eventos climáticos
extremos ali no litoral de São Paulo, porque aquilo não é mais um evento
extraordinário, aquilo é um evento recorrente.
O Oceano
Atlântico, naquela faixa de litoral entre São Sebastião e Parati, hoje tem 1,5º
a mais de temperatura do que dez anos atrás. A média de temperatura ali é de
29º. É muito grave o que vem acontecendo, porque ali a gente tem um
estrangulamento nas redes de galeria de água de chuva.
E quando a maré
sobe, essas águas ficam represadas nas ruas. É muito importante que se discuta
hoje essa questão desses eventos, que são recorrentes agora no nosso estado de
São Paulo, sobretudo na faixa litorânea.
Eu vou propor
uma frente parlamentar para que a gente possa estudar um projeto de lei juntos,
para que a gente possa autorizar o governo do estado a tomar medidas
emergenciais e investimentos, como tem sido adotado hoje nas principais cidades
dos Estados Unidos ou nas principais cidades banhadas pelo Oceano Atlântico,
ali na Espanha e Portugal, que vêm sofrendo com os mesmos problemas - não com
tempestades, mas com problemas de alagamentos -, para que a gente possa
disponibilizar uma ferramenta para que o governo do estado faça obras
emergenciais para situações climáticas, que agora é o novo normal.
Há dez anos a
gente vem percebendo um aumento da temperatura dos oceanos. Eu venho falando
recorrentemente disso, e agora a conta chegou. O Instituto Oceanográfico da
USP, ali no litoral, dá conta de que, nos próximos cinco anos, nós vamos ter
mais meio grau ainda, deputada, do que temos hoje. Então nós vamos ter 29 graus
e meio de temperatura. Isso representa um aumento de dois graus na última
década. Então acho que está na hora de a gente discutir isso como o novo
normal.
Obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Obrigado,
deputado Ortiz Jr. Com a palavra, então, a deputada Professora Bebel para
discutir contrário.
A
SRA. PROFESSORA BEBEL - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Boa tarde, Sr. Presidente, cumprimento a Mesa Diretora
de trabalhos, os assessores a minha direita, a minha esquerda, as Sras.
Deputadas, os Srs. Deputados, o público presente e todos que nos assistem e nos
veem através da TV Alesp.
O assunto, em
que pese a nós estarmos tratando do Projeto de lei nº 1.083, que altera a Lei
Estadual nº 17.383, de 2021, que criou as Unidades Regionais de Saneamento
Básico, as Uraes, e tenta buscar, adequá-las ao novo Marco Legal do Saneamento
Básico, a Lei Federal nº 14.026, de 2020, e ao programa “Universaliza São
Paulo”.
As mudanças
centrais propostas pelo Executivo são: redução e concentração, extinção das
Uraes 3 e 4, sua fusão na nova Urae-2 - está dito lá no Art. 4º -, mantendo a
Urae-1 consolidada com um contrato de concessão da Sabesp. O estado passa a ter
apenas duas grandes unidades regionais. Isso é importante de destacar.
Agora, esta
Casa, quando teve o processo de debate, enfim, de embates até, de privatização
da Sabesp, ela foi um palco muito triste, eu diria, até de enfrentamento
policial contra os manifestantes aqui nesta bancada.
A gente viu
gente sair ensanguentada, pessoas saírem presas, espancadas até, porque estavam
indignadas, e nós aqui no plenário dizendo que a privatização da Sabesp não era
necessária por uma razão: primeiro que privatização não é a solução para gerir.
Essa é uma questão.
Segundo, que a
Sabesp era uma das empresas mais rentáveis do mundo, uma das empresas que,
inclusive, tinha ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque, o que não
justificava a sua privatização.
Então, quando a
gente dizia isso e, ao longo de todas as... Por experiência de quem foi
prefeito, enfim, de quem já conviveu com processos na Câmara de Vereadores aqui
da Capital, era dito o quê? Vai haver um aumento de tarifa de água. Não é
verdade que a privatização vai desonerar o bolso dos usuários da Sabesp. Pelo
contrário, na verdade, a água vai ficar mais cara.
E a gente está
sentindo, não só isso. Haverá falta d’água. E é só ir nas torneirinhas aí da
periferia e rodar a torneira. Você vai ficar lá rodando, porque não vai sair
água. E, se sair, vai ter aquela história do racionamento, que também vai
depender da quantidade de água que nós vamos ter na Cantareira, vai ter que
buscar água do...
Lembro na época
do Geraldo Alckmin, quando teve aquela seca e que faltou água aqui no estado de
São Paulo, foi buscar água até do Aquífero Guarani. Por quê? Porque são eventos
que tem que ser antevistos, como V. Exa. muito bem colocou aqui, mas não podem
ser antevistos e vistos com uma ação emergencial. Ela é estrutural. Há a
necessidade de se pensar como é que a gente vai lidar com algo que o homem
sobrepôs à natureza. O homem atacou a natureza, e nós estamos sofrendo isso.
Então, quando
você faz o debate sobre a Sabesp e as Uraes, nós estamos fazendo um debate
sobre onde é que terá água. Será que a água vai estar presente ainda para a
gente fazer um debate, da forma como está? Eu acho que não. Nós vamos ter que
pensar.
O Governo do
Estado de São Paulo vai ter que pensar. A gente sai de uma COP 30 com
compromisso mundial, exatamente para atender os eventos climáticos. Porque se
faltar água, vai faltar vida. Não tem jeito. Todos morreremos. Fique sem água
um tempo, e a gente vai ver o que acontecerá.
Então, quando,
agora, vem esse projeto de fundir as Uraes, a gente está entendendo o quê? Que isso
vai se estender para o interior do estado de São Paulo. A gente tem a... Por
exemplo, em Piracicaba. Nós temos a Semae, ainda não é a Sabesp, mas, se
transformar em Uraes e Piracicaba entrar na Uraes, ela vai, por conseguinte,
entrar debaixo do guarda-chuva da Sabesp e, portanto, vai sofrer os problemas
que a gente sofre.
Para não falar
da gestão da água! Porque isso é importante dizer. A gente às vezes fala da
falta d’água. A gente tem a falta d’água pelos efeitos climáticos, mas nós
temos a falta d’água por perda de água nos encanamentos - porque estão velhos,
estão desgastados e precisam, na verdade, ser trocados. Tem que ter uma
estratégia.
Eu acho que ter
uma estratégia estadual e um pacto pela defesa da água, do direito à vida até.
Por quê? Porque se a gente não fizer isso, a gente vai não só encarecer a água
pela má gestão, porque não tem um acompanhamento...
Eu vejo lá em
Piracicaba, você pega ali a rua da rodoviária, que se chama Rua Itapeva, Rio
Itapeva, a Trinta e Um de Março, demarcadamente, ali você tem... Durante as
chuvas, ali inunda. Inunda ao ponto de você falar: “Poxa vida”. É boa a chuva?
É boa a chuva, mas ela está tirando as pessoas de suas moradias, e ficar como
está Peruíbe hoje, as pessoas tendo que ser alojadas em escolas.
Não só escolas,
mas ginásios de esportes. E a gente está apelando para a Secretaria da Educação
abrir as escolas estaduais. E eles dizem: “Não pode parar as aulas”. Mas as
famílias também não podem ficar nas ruas, porque verdadeiramente nós estamos
passando por isso.
Então,
voltando para o assunto das Uraes, nos preocupa essa fusão exatamente porque
vai para os municípios. Os municípios têm feito a gestão, e tende a encarecer
também. “A delegação de estrutura. Autorização para que a instância colegiada
deliberativa de cada Urae crie subunidades regionais, definindo os seus
critérios e normas em regimento próprio”.
E ampliação a
gente vê também a ampliação de escopo, que é a inclusão dos serviços de
drenagem, manejo de águas pluviais urbanas no escopo das unidades regionais.
Apesar de a
regionalização ser uma exigência federal... E eu não vou negar isto, porque
está lá no marco regulatório para a universalização do saneamento do PL
1083/25, que implementa essa reorganização de forma a reorganizar a forma... De
forma a concentrar poder e esvaziar o controle do Poder Legislativo. Veja bem,
o nosso papel aqui depois de passado esse projeto de lei está esvaziado, nós
não opinaremos mais sobre a estrutura básica do serviço.
Análise
crítica, fragilidade de governança, é importante porque isso vai reunir
municípios com diferentes realidades hídricas, capacidades financeiras. Então
são questões que a gente tem que levar em conta com relação a esse projeto de
lei. E a regionalização deve buscar coerência técnica e a viabilidade e não
apenas a simplificação administrativa, que pode criar mais problemas
administrativos também.
Delegação do
Poder Legislativo e “autossubjetivismo”, esse é um erro de natureza legal - o
senhor, que é advogado, sabe disso perfeitamente e tantos outros advogados que
estão aí -, porque... Ao delegar a criação da estrutura básica de serviços
públicos para as Uraes e tirar de nós esse poder, seja também das câmaras
municipais.
Delegação
excessiva é uma outra questão que a gente detecta neste PL, subjetivismo
disfarçado, que, embora os critérios para a criação de Sub-Uraes sejam técnicos
- coerência hidrográfica, compartilhamento de infraestrutura, viabilidade
econômico-financeira -, a decisão final é subjetiva, de ratificação ou revisão
legal. O controle social e a transparência são reduzidos e a decisão pode ser
pautada por interesses majoritários em detrimento do interesse público
regional.
Adesão
municipal e prazos arbitrários. O projeto fragiliza o poder de deliberação dos
municípios sobre a decisão, a adesão à nova Urae-2. Então eu chamo atenção que
a Urae-2 será definida em decreto.
A fixação de um
prazo para uma decisão política tão importante por um ato discricionário do
Poder Executivo e não pela própria lei pode ser utilizada para pressionar ou
limitar o tempo de debate nas câmaras municipais e na sociedade civil. A
autonomia municipal e o princípio de publicidade exigem prazos razoáveis e
definidos em leis.
Para tanto, o
nosso posicionamento é... Indicamos que ele é falho por buscar regionalização
através da centralização do poder e da delegação de prerrogativa legislativa à
estrutura de governança. Recomendação de criação de novas estruturas regionais,
deve ter o crivo do Poder Legislativo e o prazo para adesão deve ser razoável e
estabelecido em lei e não por ato unilateral do Executivo.
A nossa posição
é contrária ao PL ora tratado aqui na tribuna e pedimos a aprovação das emendas
protocoladas pela bancada do Partido dos Trabalhadores e também, por óbvio, da
bancada de oposição, que melhoram a Lei Estadual nº 17.383, de 2021, e
favorável às subemendas “a”, “b” e “c”.
Então é
importante que os Srs. Deputados e as Sras. Deputadas que vão votar neste
projeto de lei de criação das Uraes, aliás, de fusão dessas Uraes, tenham
consciência de que nós vamos universalizar não o saneamento; vamos
universalizar, na verdade, o que está acontecendo de forma centralizada: a
falta de água, o aumento da tarifa de água, do valor da tarifa de água, enfim,
tudo o que nós denunciamos durante o processo de debate aqui nesta Casa.
Muito obrigada,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Obrigado,
deputada Professora Bebel. Com a palavra, para a sequência da lista de oradores
inscritos, Dr. Jorge do Carmo. Tem a palavra para discutir contrário.
O
SR. DR. JORGE DO CARMO - PT -
Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados, público da TV Alesp,
assessores aqui presentes, público que está na galeria hoje nos prestigiando e
acompanhando de perto a discussão de um projeto tão importante para o estado e
que estamos aqui discursando, discutindo contrariamente, porque entendemos que
esse projeto não é bom para o estado de São Paulo, sobretudo para questões de
abastecimento de água, problema que a gente já tem em nosso estado.
Então o PL
1.083, de 2025, que altera a Lei nº 17.383, de 5 de julho de 2021, que dispõe
sobre a criação de Unidades Regionais de Saneamento Básico com fundamento nos
Arts. 2º, inciso XIV, e 3º, inciso VI, alínea ‘b’, da Lei Federal nº 11.445, de
5 de janeiro de 2007, e dá providências correlatas.
Sr. Presidente,
antes de adentrar no mérito da questão da discussão deste projeto, é impossível
falar de abastecimento, falar de falta de água, falar de crise hídrica sem
falar, evidentemente, dos eventos climáticos. Uma das deputadas que me
antecedeu já falou sobre o problema das enchentes, das vítimas das mudanças
climáticas e da ausência de política eficaz do governador.
Eu chamo
atenção para a cidade de Peruíbe, além das outras que a deputada Monica citou
aqui. A cidade de Peruíbe teve mais de 100 pessoas desabrigadas em um único
evento.
É bem verdade
que, naquela região, chove bastante, mas a ausência de política pública, a
ausência de um programa, a ausência de compromisso dessa administração estadual
com essa questão, isso agrava cada vez mais o problema, e todo ano se repete, o
que é lamentável.
A gente vê
acontecer, o governador acampa lá, vai para lá, como foi para São Sebastião,
fica lá, e no outro ano acontece lá ou em outro lugar. E daí? Falta política
eficaz.
Então lá em
Peruíbe o risco é 3 e 4. O que precisa, Sr. Presidente, até para adentrar no
projeto, o que precisa é de um plano estadual permanente. Um plano estadual
permanente de prevenção de desastres climáticos.
O SR. ORTIZ JR - CIDADANIA - O deputado me dá um aparte?
O SR. DR. JORGE DO CARMO - PT - Só para... Já te dou a palavra.
Um orçamento
próprio vinculante, metas públicas por município, um cronograma de eliminação
das áreas de risco 3 e 4, transparência na execução, articulação com municípios
e o governo federal.
Só para ter uma
ideia - já te dou a palavra para um aparte, deputado -, apresentei nesta Casa
dois projetos de lei e vou aqui mencioná-los. Um, apresentei nesta Casa um
projeto de lei que criava um fundo estadual específico para prevenção de
desastres climáticos para áreas de risco 3 e 4 ou até mais que isso, que
infelizmente tem. Apresentei outro projeto, deputado Ortiz Jr, que também
criava uma política estadual permanente de prevenção de desastres
subambientais.
Digo para V.
Exa., ambos foram aprovados aqui e ambos foram vetados pelo governador. Ou
seja, ele quer resolver o problema, acha que vai resolver o problema, mas não
tem uma proposta, senão aquela de dizer: “Alerta”. Portanto, não basta
monitorar. É importante, mas não é suficiente. Não basta alertar. Alerta e
resolve o problema? Ajuda, mas não resolve, não é eficaz.
É preciso agir
antes da chuva, ou seja, a prevenção, a política preventiva. Então fica aqui o
meu apelo e a minha cobrança ao governo do estado: que apresente um plano
concreto com recursos, garantias e metas para que a gente evite outros
desastres que infelizmente acontecem todo ano. Então prevenção não é gasto,
prevenção é salvar vidas.
Vossa
excelência, quer um aparte? Pois não?
O SR. ORTIZ JR - CIDADANIA - COM ASSENTIMENTO DO ORADOR -
Concordo 100%, mas só chamar a atenção que em Ubatuba choveu 290 milímetros em
48 horas. São 290 milímetros, é todo o volume de chuva esperado para o mês de
fevereiro, e eu concordo que esse é o normal. Os eventos climáticos extremos
agora se instalaram como o novo normal.
E eu concordo
com V. Exa. sobre esse projeto de lei, a importância, a urgência desse projeto
de lei. O que eu proponho? Vamos verificar quais são os motivos de veto desse
projeto de lei. Vamos tentar reapresentar esse projeto na Casa. Ele é
fundamental.
Eu acho que o
governo do estado, esta Casa, enfim, a sociedade civil perderam um pouco o
tempo na necessidade de ter um projeto de lei desse para permitir ao Estado as
intervenções necessárias. Porque eu concordo, a questão toda não é evacuar, a
questão toda não é criar abrigos, a questão toda é fazer o enfrentamento.
Então criar
diques, contradiques, enfrentar as questões de maré, galerias de água de chuva,
piscinões a montante. Eu acho que há uma série de medidas que devem ser
implementadas e eu concordo.
Então eu
proponho ao deputado que a gente possa fazer aqui uma frente parlamentar e a
gente vai estudar os motivos do veto e reapresentar o projeto de lei para que a
gente tenha um instrumento legal que permita o governo do estado fazer o
enfrentamento.
Eu não tenho
dúvida de que esse é o assunto deste milênio. A gente vai passar maus bocados
nos próximos anos, nas próximas décadas, se isso não for enfrentado com
investimento.
Obrigado pelo
aparte.
O SR. DR. JORGE DO CARMO - PT - Obrigado, deputado Ortiz Jr,
obrigado pelas vossas palavras e pelo apoio de entender que esse caso é
premente, é necessário, é urgente e, como eu disse, o critério aqui é se... Na
verdade, o governador veta até os projetos da base, quiçá os da oposição.
Então o
critério não é se ele é constitucional ou é inconstitucional, até porque tem a
CCJR aqui. Mas acho importante a sugestão de V. Exa. e, desde já, quero dizer
que quero aderir e quero... Vamos discutir, o Parlamento é para isso, é para se
parlar, é para se discutir.
Agora, precisa
ter seriedade e responsabilidade na hora de analisar os projetos. Mas, muito
bem, continuando aqui, estou inscrito para falar sobre o Projeto nº 1.083, de
2025, e tem umas lâminas que eu pedi para preparar. É mais para ilustrar um
pouco aquilo que já foi falado aqui brilhantemente pelas pessoas que me antecederam.
Todos nós
sabemos que a ideia desse projeto é, exatamente, reduzir a capacidade dos
municípios de terem sua autonomia, e é por isso que ele propõe essa
regionalização, diminuindo as Uraes, que são as Unidades Regionais de Água,
Esgoto e Saneamento, para... Eram propostas, antes, quatro de duas, e sem
nenhum critério.
Como disse aqui
a deputada, acho que foi a deputada Monica Seixas, disse o seguinte: que tem
alguma lógica. Eu acho até, deputada, que não tem lógica nenhuma, não tem
sentido. Aqui vou usar um exemplo, uma cidade da região de Araçatuba pertencer
à mesma Urae que uma cidade da região da Baixada Santista.
É coisa de,
assim, não é esse caso, exatamente, mas são situações, exatamente, sem nenhuma
lógica, sem nenhum critério que possa ser compreendido por esta Casa e muito
menos... Não sei como é que os técnicos conseguem entender e aceitar uma
proposta tão absurda como essa.
Então, o PL
promove essas alterações, aprofunda a regionalização do saneamento, como também
foi aqui mencionado, que é a próxima lâmina. Faz a gentileza de passar.
* * *
- É exibida a
imagem.
* * *
E aí, como
também foi falado aqui, falta transparência. O problema central, como diz aí,
promove alterações profundas na regionalização. A próxima lâmina. Falta
transparência. Transparência. Chama a atenção a falta de transparência dos
estudos técnicos, claros, objetivos, que justifiquem.
Então, esses
problemas de querer simplesmente dividir o Estado em duas rurais sem ter um
critério técnico correto, sem ter uma transparência que justifique e que nos
convença, que convença esta Casa, porque aqui nós não votamos contrariamente
por ser do contra, por ser oposição. Nós votamos contra porque o projeto é
ruim.
E, por falar em
ruim, já, já nós vamos falar um pouco sobre a questão da famigerada
privatização da Sabesp. A próxima lâmina fala sobre a perda, que também já foi
mencionada pelos colegas, a perda de autonomia municipal. Ou seja, a
concentração das decisões. São duas rurais, que é para ficar mais fácil de
conduzir e de aprofundar a privatização, o enfraquecimento do controle social.
Ou seja, a
população não vai ter controle algum, como já não tinha tanto. Com essa
divisão, com essa distribuição, piora ainda mais o controle social, porque é a
privatização. Quem disse que para alguém quer e privatiza algo quer controle
social? Então, a privatização é exatamente para que não tenha controle social.
E como também
quero mencionar aqui, os municípios menores serão sempre prejudicados. Porque é
claro que os municípios maiores terão mais autonomia, terão mais poder de
discussão, terão mais condições de dialogar com quem privatiza.
Mas já o
município que não tem força política, que não é nem tão importante para quem
privatiza, porque quem privatiza não quer saber se o problema vai atender o
povo, quer saber se tem lucro, que é essa a lógica da privatização e da entrega
do serviço de saneamento básico no estado de São Paulo, infelizmente.
Não tem como a
gente falar desse assunto sem tratar da famigerada privatização da Sabesp.
Passa a próxima lâmina aí, meu amigo. Olha só a próxima. Olha só o tamanho das
contas. Contas da Sabesp de 517 reais para uma senhora - vai ter um vídeo daqui
a pouco - para uma senhora que mora ela e duas crianças, uma senhora
aposentada, que mora ela e duas crianças lá no distrito Lajeado, no fundão da
zona leste.
Essa semana
estive em outra comunidade, em Itaquera, contas de 1.100 reais para uma família
de três, quatro pessoas, deputada Paula. Então, essa é a lógica da
privatização, é pagar, é receber, é cobrar, não importa se há qualidade.
Todo mundo sabe
que a qualidade vem piorando, a qualidade da água da Sabesp e o abastecimento,
a falta de água e a qualidade daquela que tem. Passa um vídeo que tem aí logo
em seguida, por gentileza.
* * *
- É exibido o
vídeo.
* * *
Pois bem, tenho
certeza de que as deputadas e os deputados aqui já foram. Imaginem quem votou a
favor, não é, Presidente? Imaginem quem votou a favor desse projeto, dessa
maldade, quando é abordado por alguém da cidade, uma comunidade, com esses
problemas, infelizmente, que nós estamos vivendo. Porque esses são os efeitos.
São os efeitos da privatização.
É o que
acontece quando entrega o patrimônio público para alguém ganhar dinheiro. Não
importa se o serviço...o serviço não precisa ser entregue. As Uraes, a divisão,
essa nova lógica, que para mim não tem lógica alguma, é o mesmo objeto, é o
mesmo objetivo.
É exatamente
concentrar poder, é exatamente fazer com que não tenha controle social, é
exatamente para que as pessoas tenham um péssimo serviço, péssima qualidade,
mas quem ganha é quem compra, porque realmente essa pessoa precisa ter muito
lucro. Porque esse é um compromisso do governador, só pode ser com essas
pessoas e não com a população de São Paulo.
Por essas
razões e por outras tantas que aqui já foram mencionadas, é que não tem a menor
condição de a gente votar favorável a um projeto dessa natureza. Um projeto que
é mais maldade, é mais dificuldade para as pessoas. Por isso, o projeto nº 1083
de 2025 é um projeto que não reúne as condições para que nós possamos votar a
favor dele.
Agora, nós
temos emendas. Se as emendas nossas pudessem ser incorporadas, o que a gente
sabe que não é também uma prática de quem conduz aqui, não só o presidente, mas
a liderança do governo, que pode tratar essa negociação e negociar isso com o
governo, infelizmente não consegue.
Mas é por essas
razões que, se assim continuar o projeto, nós não temos condições de votar a
favor, e votaremos contrário a ele, Sr. Presidente.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Muito obrigado,
deputado Dr. Jorge do Carmo. Dando sequência à lista de oradores inscritos, com
a palavra o deputado Maurici.
A
SRA. PAULA DA BANCADA FEMINISTA - PSOL - Pela ordem,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Pela ordem,
deputada. Dra. Paula.
A
SRA. PAULA DA BANCADA FEMINISTA - PSOL - Gostaria de
ter uma comunicação.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Tem dois
minutos, Vossa Excelência.
A
SRA. PAULA DA BANCADA FEMINISTA - PSOL - PARA COMUNICAÇÃO - Muito obrigada. Sr. Presidente, eu
queria manifestar a minha alegria em ter tido o meu projeto de lei aprovado por
unanimidade nesta Casa, sancionado pelo governador Tarcísio. Então, agora, a
Lei nº 18.399, de 2026, é uma lei de minha autoria, mas de coautoria de todas
as deputadas mulheres da oposição desta Casa. Uma lei que institui o selo
Empresa Amiga do Cuidado.
A Empresa Amiga
do Cuidado é qualquer empresa que não desconte faltas de seus funcionários por
levar filhos a consultas médicas, ou em reuniões escolares. A CLT estabelece a
previsão de não descontar só um dia de trabalho de mães, pais, demais
cuidadores para levar seus filhos a consultas médicas.
Mas a nossa
ideia é que, a partir da existência desse selo, o Governo do Estado fomente que
empresas vinculadas ao selo não descontem mais dias de trabalho para qualquer
consulta médica de seus filhos, ou para qualquer acompanhamento em reunião
escolar.
Vossa
Excelência, assim como eu, tem uma criança pequena. A minha filha, na creche,
tem, pelo menos, duas reuniões por semestre, fora os dias da família e tantas
outras atividades que eu sempre tento participar com muito afinco, porque
entendo que é muito importante que eu possa fazer isso. Então, poder ver esse
direito garantido também para todas as trabalhadoras e trabalhadores do estado
é uma alegria.
Então, eu
queria agradecer às deputadas mulheres dessa Casa pela confiança na coautoria
do projeto, e também dizer que a luta feminista dá muitos frutos. Um desses
frutos é o reconhecimento por parte do Governo do Estado, da importância da
instituição do selo Empresa Amiga do Cuidado, que, é importante dizer, é fruto
de uma articulação de 200 parlamentares de todo o País, que apresentaram esse
mesmo projeto em diversas Casas Legislativas. Vários deles aprovados, e agora o
estado de São Paulo também tem esse selo.
Obrigada, Sr.
Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Parabéns,
deputada Dra. Paula, juntamente com todas as demais deputadas coautoras desse
projeto, bem como todos os deputados desta Casa também, que aprovaram esse
projeto no final do ano.
Agradecer ao governo também pela
sensibilidade de promulgar esse projeto tão importante, como foi dito aqui,
explicado pela nossa deputada, Dra. Paula. Acho que é um avanço muito
importante para as mães e demonstra aqui o equilíbrio, a sensatez, o trabalho
desta Casa, que está atenta a todas as necessidades da população do estado de
São Paulo.
Muitos projetos, às vezes, são
aprovados nesta Casa, mas não sancionados, mas são projetos importantes, que
muitas vezes têm vício de iniciativa, ou questão financeira, ou questão
jurídica, e não podem ser promulgados.
Mas quando a gente consegue aprovar um
projeto como esse, ser sancionado, demonstra que nós estamos no caminho certo,
sim, ao buscar os acordos entre as bancadas para a gente poder votar o maior
número de projetos possíveis, mesmo aqueles que nós sabemos que muitas vezes
serão vetados, mas abre a discussão no estado de São Paulo, no Brasil, de
projetos importantes que são votados nesta Casa.
Que nós continuemos assim este ano
também, juntamente com o bom senso entre as bancadas, como ocorreu no ano
passado, para votar o maior número de projetos possíveis.
Quando a gente consegue aprovar um
projeto como esse, demonstra o valor desta Casa, a importância. E a gente fica
muito feliz, honrado e contemplado também com a aprovação e promulgação desse
projeto, que nós sabemos que fará a diferença na vida de milhares de mulheres
no estado de São Paulo. Parabéns, Dra. Paula, todas as mulheres que assinaram
esse projeto e toda a Assembleia Legislativa.
Com a palavra o deputado Gilmaci
Santos.
O SR. GILMACI SANTOS -
REPUBLICANOS - PARA COMUNICAÇÃO -Sr. Presidente, só para uma
comunicação também. Eu queria aqui parabenizar a Dra. Paula. Até no dia da
sanção ela me passou a mensagem, eu retornei para ela imediatamente,
parabenizando-a.
E dizer que
também a crítica de que o governador só promove vetos aos projetos não é
realidade. Eu também tive meu projeto aprovado e, como líder do Governo, meu
projeto foi vetado. Foi vetado porque acharam ali uma inconstitucionalidade,
acharam alguma coisa que não poderia ser sancionada. Então isso faz parte do
jogo. E sancionou o projeto de V. Exa., das mulheres, outros deputados tiveram
seus projetos sancionados também.
Então mostra
realmente o equilíbrio, o Governo do Estado procurando fazer o que é melhor
realmente para o estado, sem ultrapassar os limites, sem ultrapassar as
proporções, ultrapassar aquilo que lhe é devido, mas que esta Casa está
trabalhando bem. E muitos projetos, sim, sancionados.
Então o
governador do estado de São Paulo, juntamente com a Procuradoria do Estado, não
é somente veto. Os projetos que são bons, que são constitucionais, que não têm
vício de iniciativa, que são apresentados nesta Casa, são sancionados, viram
lei, como virou lei o projeto de V. Exa. e tantos outros projetos que viraram
nesse monte que foi aprovado agora, e outros que vamos aprovar aqui também, que
serão sancionados.
Então esta Casa
trabalha, sim, muito bem, os deputados aqui têm qualidade, têm potencial, sabem
fazer projetos, mas, infelizmente, às vezes, nós apresentamos esses projetos
inconstitucionais, com vício de iniciativa, que são vetados. Mas projetos como
o da senhora, parabéns.
E que continue
assim, apresentando bons projetos, para que a gente possa aprovar o projeto da
senhora e de outros, para que sejam transformados em lei, como transformou o de
Vossa Excelência.
Parabéns à
senhora e parabéns ao Governo do Estado de São Paulo.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Obrigado,
deputado Gilmaci. Dando sequência à lista dos oradores inscritos, o deputado
Maurici abriu mão da palavra. Com a palavra, então, o próximo orador inscrito,
a deputada Ediane Maria.
A
SRA. EDIANE MARIA - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Muito obrigada, Sr. Presidente.
Hoje estamos
aqui, nesta Casa, dando aquela continuidade. Lembra? Lá de 2023, 2024. A
continuidade da privatização da Sabesp, continua em curso aqui, na Assembleia
Legislativa de São Paulo. Todo mundo acompanhou, todos, independentemente da
classe social, todo mundo acompanhou que a sua água aumentou e que ela está
vindo hoje insalubre.
As falas que
nós ouvimos aqui, que tiveram uma grande repercussão, uma grande violência aqui
neste plenário, todo mundo acompanhou. E a fala nossa sempre foi: a água vai
piorar, ela não vai chegar nos lugares que estão prometendo e a qualidade da
água também. A fatura nem se fala.
Para alguns,
talvez, lá para o Tarcísio, lá para os amigos dele, empresários, a água não
importa, o valor da água. Talvez essa água da Sabesp, que está sendo entregue,
insalubre, insalubre.
Eu mesma fui
uma das vítimas, assim como o deputado aqui colocou - que em várias comunidades
está faltando água, está tendo enchente, está tendo várias precarizações do
Saneamento Básico, e aí eu olho com preocupação. Porque eu vi aqui, em 2024,
vários parlamentares saindo candidatos a prefeito.
Será que esses
deputados iriam abrir mão de poder gerir ou direcionar quem seria, quem
cuidaria do Saneamento Básico da sua cidade? Já que, quando um prefeito é
eleito, ele é eleito para cuidar da cidade. Cuidar da cidade é o que, gente?
Quem vem de
outro estado, eu, chegou água lá na minha casa, na periferia, no Caetano II, em
Floresta, lá no sertão de Pernambuco. Eu estava com mais de 12 anos de idade.
Doze anos de idade. Eu lembro, como hoje, meus irmãos mais velhos - porque eu
sou a penúltima da família de oito irmãos - indo buscar água no Pajeú. Com o
tempo, começou a vir um caminhão-pipa. Logo em seguida - aí facilitou um pouco
-, veio a canalização da água. O Saneamento Básico chegou à nossa rua.
E aí, quando eu
olho aqui para o estado de São Paulo, gente, sinceramente falando, esta Casa
não pode ser o retrocesso que determina, no final do dia, se a periferia, se
bairros que alagam o tempo inteiro... E aí vamos falar que é a crise climática.
E é.
Com o
desmatamento, obviamente a crise climática vai piorar. Então, em lugares que já
alagavam, vai intensificar ainda mais. Aí a chuva, que vinha dez milímetros,
vai vir 200 milímetros, 600 milímetros, igual a como foi lá em São Sebastião;
todo mundo se lembra muito bem da tragédia que foi em 2023, início de 2023.
Então, quando
eu subo aqui, eu subo muito preocupada. Muito preocupada porque, com esse
projeto, o Tarcísio está querendo, inclusive, calar a boca dos próprios
prefeitos. Porque os prefeitos não vão conseguir cuidar da sua cidade, do
Saneamento Básico.
Quando passou
aqui nesta Casa a privatização da Sabesp, tinha algumas cidades que eram fator
primordial para que barrasse a privatização, que eram as cidades de São Paulo e
Guarulhos.
Fomos para cima
das duas, para tentar barrar a privatização nessas cidades. A gente não
conseguiu avançar, mas a denúncia, deputados, foi feita nesta Casa. Nós
denunciamos que a água não iria chegar. Foi igual a quando entregaram a
Eletropaulo. Quem não se lembra da Eletropaulo? Será que a gente esqueceu?
Nós estamos
vivendo o terror que é a falta d’água, a diminuição da água nas torneiras: à
noite, falta; de manhã, volta. Muita gente ficando sem água, pessoas que usam a
água à noite não têm acesso a ela.
Agora, vamos
imaginar que os prefeitos... Existe um conselho na cidade, onde se debate o
Saneamento Básico dentro da própria cidade. Afinal de contas, estamos falando
da cidade. E o prefeito, todo e qualquer prefeito, foi eleito para cuidar dos
seus eleitores; votando nele ou não, ele tem que cuidar e fazer com que aquela
cidade funcione.
Se esse projeto
aqui passa, é um cala-boca para os prefeitos. E aquele usuário da Sabesp vai
ficar refém mais uma vez. Refém da privatização. Entregue à privatização. Não
vai ter um conselho. Eles não vão poder nomear conselheiros, pessoas que vão
debater sobre aonde tem que chegar o Saneamento Básico.
Esses dias,
quando privatizou, falaram que a água ia baixar. O debate aqui foi muito claro,
eu me lembro muito bem disso - que a água iria baixar, que iria manter a
qualidade da água. A água não baixou. Esses dias, estou eu lá em casa, falei:
“será que estão desligando a torneira, será que está faltando água à noite? O
que está acontecendo?”.
Porque era
ligar o chuveiro, a água acabava. Ligava o chuveiro, a água acabava. Beleza,
foi lá o encanador. Sabe o que era? Sujeira. Sujeira que vem da água da rua e
que está entupindo os canos. A melhoria não veio, a água não baixou.
Nós deveríamos
aqui estar discutindo, seriamente falando, a reestatização: voltar a Sabesp
para o estado geri-la, não estar entregue lá na Bolsa de Valores, não estar
entregue para um grupo de empresários que não vão estar preocupados se a dona
Maria, se o Sr. José têm água para tomar banho, se ele consegue pagar a sua
água ou não.
Estávamos
lutando pela tarifa social para que chegue para todo mundo, para quem for baixa
renda. Eu vejo um debate muito horroroso, pavoroso, porque fala mal do “Vale
Gás”, fala mal do “Bolsa Família”, mas são esses programas que garantem que as
pessoas de baixa renda, ou que não têm renda nenhuma, hoje consigam pagar a sua
água.
São as mesmas
pessoas que no final do dia, mesmo o trabalhador hoje registrado ganhando um
salário mínimo, ele não vai conseguir, gente. Eu gostaria que os funcionários
da Alesp se manifestassem. Não consegue. Ou você paga água... Água que vem 700
reais, 600 reais, mil reais, e quem ganha um salário mínimo não consegue. Quem
consegue pagar uma água e uma luz é quem hoje ganha um salário mínimo, e tem o
aluguel ainda.
Aí eu vou falar
de saneamento básico. Bom, muita gente está esperando que venha o encanamento,
muita gente está esperando que venha melhorias na água, que a água chegue. Aí
essa pessoa que está esperando vai cobrar de quem? O prefeito neste momento
lava as suas mãos, ele coloca que essa não é mais uma responsabilidade dele, a
responsabilidade agora está com o Governo do Estado, agora está com a própria
Sabesp, que ele pode nesse projeto que está aberto, inclusive a própria Sabesp,
colocar diretores, pessoas que vão tratar se a água vai chegar ou não.
Agora, será
mesmo que quem está hoje ganhando bilhões com a Sabesp está preocupado com a
dona Maria e Sr. José que estão lá sem água? Será que está preocupado com isso?
Obviamente que não, nós já sabemos que eles nunca estiveram preocupados com o
nosso bem-estar. Aí me preocupa.
O Tarcísio veio
para governar, mas eu vejo que ele está só entregando as estatais nossa, só
está entregando. Ou seja, é um governo entreguista. Muita gente que fala mal da
escala 6x1 deveria agradecer, tem gente que nem trabalha na escala 4X3. Vamos
ter a consciência, nós não podemos continuar colocando a raposa para cuidar do
galinheiro, porque nós já sabemos que a raposa vai comer as galinhas e ainda
vai sair como herói.
Nós temos que
estar atentos e vendo o que esta Casa está passando hoje, e o que está passando
é se você que está em casa agora vai conseguir negociar a sua dívida lá com a
Sabesp.
A água está
ruim, a água está cara, com quem você vai falar? E se a água não vier, com que
você vai reclamar? Vai poder falar com o prefeito? Não, porque não é
responsabilidade dele se este projeto, o Projeto nº 1.083, de 2025, da Urais
passar, você não vai ter com quem falar.
Hoje já é
difícil, você vai entrar lá e vai falar: entra no sistema, entra em outro, vai
em outro, vai não sei aonde. Você quer negociar a sua dívida e não consegue
negociar com ninguém, é difícil negociar.
Ou seja, está
cada vez mais difícil viver no estado de São Paulo, porque não é a preocupação
cuidar do povo, não existe preocupação nenhuma. E não dá para quem consegue
pagar as suas contas de água, quem consegue negociar, colocar em xeque aqueles
que estão precisando nesse momento.
Saneamento
básico é fundamental. Estamos falando de saneamento básico, a gente está
falando do básico, do mínimo daquilo que o estado de São Paulo já era para ter
garantido faz tempo, gente.
A gente está
pedindo esmola o tempo inteiro, a gente está lutando por coisas que são nossas
e que estão retirando, simplesmente retirando em uma canetada. É isso que está
acontecendo, é triste e é lamentável.
Todo mundo
aqui... Eu fui uma das que adoeceu, assim como vários de nós que adoeceram na
entrega da Sabesp. E nós estamos vendo a continuidade da privatização, da
entrega da Sabesp.
Agora, sim, o
Tarcísio tencionando os prefeitos para que eles façam esse acordo, já que se eu
pago meus impostos, é óbvio que tem direitos que eu preciso ter. Eu preciso ter
a água, eu preciso ter a luz, eu preciso ter o asfalto, eu preciso ter o
saneamento básico e eles estão simplesmente tirando das mãos dos prefeitos.
E aí eu olho o
seguinte, vi lá em Guarulhos esses dias que alagou em um espaço onde a Sabesp
começou a mexer. Teve um alagamento, várias famílias perderam tudo e aí
falaram: “ah, porque agora...” E os moradores falaram que depois que começaram
a mexer em uma tal de canalização, que a Sabesp veio e começou a alagar minha
casa. Ou seja, a Sabesp, gente, está fazendo um desserviço.
Se hoje falta
água nas nossas casas, assim como o apagão da Enel, ninguém consegue falar com
ninguém, porque não contratam mais funcionários, você não consegue falar com
ninguém e para o governo e para as estatais isso é legal.
Porque eles
colocam o funcionário precarizado para ir lá ligar a sua água ou arrumar a sua
energia. As pessoas, cansadas de ficar cinco dias, dez dias sem água ou sem
energia, ficam agoniadas, às vezes vão discutir, sabe com quem? Com o
funcionário, que também está refém dessas empresas privadas.
Água, gente,
água não é mercadoria, saneamento básico não é mercadoria. É só a gente andar
nas periferias do estado de São Paulo. Eu tenho certeza que todo mundo aqui
anda nas periferias e sabe a necessidade. A necessidade não é continuar o
processo de privatização da Sabesp.
O passo deveria
ser o contrário, já que estava até se debatendo que ia reestatizar, que ia
tomar da mão lá da empresa privada e ia voltar para o Estado, deveria voltar,
não continuar esse processo. Ou seja, o Tarcísio deveria colocar a mão na
consciência, já que ele está no processo já da sua reeleição aqui para o estado
de São Paulo.
Mas será que
ele quer ser reeleito para continuar atacando os direitos dos paulistas, dos
paulistanos? Só pode ser isso, porque não estou vendo nenhum avanço, não estou
vendo nenhuma melhora.
Eu até gostaria
que alguém falasse qual que é a melhora que o Tarcísio está fazendo aqui no
estado de São Paulo, já que o foco dele principal foi entregar a Sabesp e ele
continua tirando da mão dos usuários o direito de pleitear, de lutar, de
reivindicar aqui na sua cidade que a sua água chegue, mas chegue com qualidade
e que o saneamento básico seja para todos.
A periferia
sofre, o centro da cidade também, lugares que não alagavam estão alagando, quem
está cuidando disso? Quem está cuidando disso? É a Sabesp? Assim como a Enel
está cuidando dos apagões que estão acontecendo? E das energias e da água
supercara.
Quando a gente
tira o nosso direito, o nosso direito aqui de debater, a gente está fazendo com
que a sociedade também coloque uma venda nos olhos e coloque, igual os
deputados bolsonaristas colocaram no Congresso Nacional, um tampão na boca, a
gente está tapando. A Assembleia está dando um cala boca, cala boca nos
prefeitos que se renderam ao Tarcísio.
Não podemos
aceitar isso e a nossa função aqui é denunciar o retrocesso do estado de São
Paulo. Ou seja, o Tarcísio está dando para os seus amigos, dando para a raposa
cuidar do galinheiro, que é cuidar da Sabesp, que dá muito lucro para o estado
de São Paulo e deixando mais uma vez as cidades precarizadas. E os prefeitos
deveriam se mobilizar e ir para cima do Tarcísio e tencionar e votar contrário
a esse projeto de lei das Uraes, que retira ainda mais o direito dos usuários
da Sabesp.
É uma vergonha,
mais uma vez, eu olho para esta Casa e falo: “olhe, gente, precisamos avançar
mais e colocar mais gente do povo”.
Obrigada.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Obrigado,
deputada Ediane Maria. Dando sequência à lista de oradores inscritos, o último
orador, deputado Barros Munhoz.
Antes, porém, deputado Barros, gostaria
de fazer uma convocação aqui nos termos do Art. 18º, Inciso III, Alínea “d”,
combinado com o Art. 68º do Regimento Interno, para uma reunião conjunta de
comissões, da Comissão de Constituição, Justiça e Redação; Administração
Pública e Relações do Trabalho; Finanças, Orçamento e Planejamento, a
realizar-se amanhã às 15 horas e, em seguida, convocação às 15 horas e 16
minutos, no salão nobre Campos Machado, com a finalidade de apreciar o Projeto
de lei nº 1.316, de 2025, de autoria do Sr. Governador.
Com a apalavra o deputado Barros
Munhoz.
O
SR. BARROS MUNHOZ - PSDB -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados e
companheiros aqui da nossa Assembleia Legislativa, olhe, eu entendo que como
relator do projeto da Sabesp tenho obrigação de falar sobre o que se está
discutindo no presente momento.
Em primeiro
lugar, nunca se investiu tanto em obras de saneamento em São Paulo como agora.
Conforme o governador Tarcísio já esclareceu na época do processo de
desestatização a iniciativa privada tem muito mais condições de investir do que
a Sabesp tinha e continuaria tendo se continuasse uma empresa estatal. Isso
aqui é uma verdade inexorável, incontestável. A realidade mostra isso.
O pior cego é
aquele que não quer ver. Então nós queremos ver. Nós queremos ver a Sabesp
fazer o seu papel e cumprir o abastecimento de água, coleta e tratamento de
esgoto.
A diferença é
clara. Desde julho do ano passado, a Sabesp investiu cerca de 15 bilhões de
reais em obras de saneamento. Esse valor representa um aumento de 151% em
relação ao aplicado pela empresa antes da desestatização. Ou seja, pelas mãos
da iniciativa privada a Sabesp de hoje investiu três vezes mais do que
investia.
O que isso significa?
Água potável e tratamento de esgoto para quem antes não tinha acesso ao
saneamento. É dignidade e qualidade de vida. Mais de 600 mil novos domicílios
já passaram a receber água potável, e 700 mil foram conectados à rede de
esgoto.
Além disso,
quase um milhão de unidades foram contempladas com tratamento de esgoto. Mesmo
com todo esse investimento, a tarifa não aumentou. E isso é o que é. O que de
melhor a gente pode comemorar.
A partir de
janeiro, a tarifa da Sabesp representa apenas a reposição da inflação do IPCA
acumulada nesses 16 meses, uma inflação de 6,11 por cento. Conforme o prometido
pelo governador Tarcísio, além de não ter um aumento real no valor, a tarifa
ficou abaixo 15% do valor previsto caso a Sabesp fosse uma estatal.
Isso só é possível
porque o contrato da Sabesp considera na tarifa apenas os investimentos já
realizados, garantindo que a empresa seja remunerada pelo que de fato investiu
em melhorias estruturais somente após o reconhecimento do investimento
realizado. Não quero me estender muito, não.
Além disso, o
contrato tem mecanismos para garantir a tarifa mais barata, como o fundo de
apoio à universalização do saneamento - FAUSP. Assim, a tarifa ficará sempre
abaixo do valor que seria praticado pela Sabesp caso ainda fosse estatal.
E mais: hoje,
mais de seis milhões de paulistas são beneficiados pela tarifa social da
Sabesp, que concede descontos de até 78% na tarifa de água e esgoto. Antes da
desestatização, eram três milhões de beneficiados. O projeto de
desestabilização... Desestatização, melhor dizendo, da Sabesp foi tratado com
muito cuidado e transparência, para garantir água potável, tratamento de esgoto
e tarifa justa a todos os paulistas.
Pessoal, eu vou
tomar a liberdade de usar da minha vivência sobre esse assunto. Itapira era uma
cidade-modelo para o Brasil em matéria de abastecimento de água e tratamento de
esgoto. Foi uma das primeiras cidades do Brasil que trataram o esgoto. Eu tive
a felicidade de vivenciar tudo isso como prefeito da minha cidade, da minha querida
Itapira.
Não fui eu quem
fiz o tratamento de esgoto; foi o prefeito que me antecedeu, um cidadão chamado
Alcides de Oliveira. Mais conhecido por “Alemão”. Alemão, seu Alcides de
Oliveira.
Prefeito
simples, humilde, mas de visão. Fez o tratamento de esgoto que pouquíssimas,
raríssimas cidades, de se contar nas mãos, nos dedos de duas mãos... Raríssimas
cidades tratavam o esgoto no Brasil. E um abastecimento de água fantástico,
modelar também.
E o que
aconteceu? Eu entendi que para continuar assim, a cidade precisava entregar o
seu serviço de abastecimento de água para a Sabesp e foi entregue. Depois de
amplos estudos, de amplo aprofundamento do problema saneamento básico, foi-se
destinado à Sabesp o tratamento de água e esgoto de Itapira.
Muito bem, politicamente
se explorou isso, barbaramente, de forma bárbara, até porque não dizer o
contrário, e se venceu uma eleição com base nesse argumento, entregar o serviço
de água e esgoto para a Sabesp. “Isso vai ser um desgaste, isso vai ser uma
tragédia, isso vai ficar caro” e etc., etc., etc., etc., etc.!
Muito bem, hoje
em dia, quem vai a Itapira chora e quem é itapirense chora. A cidade hoje está
em ebulição, são dezenas, centenas de vazamentos, é água escoando por tudo
quanto é canto e o tratamento de esgoto não é nem sombra do que era. Por quê?
Porque o município não tem recursos, não tem condição de fazer o que precisa
ser feito para zelar pelo abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto.
Então eu faço
questão de registrar a minha vivência, que fortalece a minha crença de que o
governador Tarcísio estava certo, com coragem, com disposição, ele enfrentou
críticas de toda espécie, mas ele levou adiante esse projeto, que está dando
resultado sim!
É lógico que o
problema de abastecimento de água não está acontecendo só em São Paulo, está
acontecendo no Brasil e no mundo! Nós estamos vivendo uma situação triste e
lamentável no planeta Terra, todo mundo sabe disso, mas é com fé, com ânimo,
com disposição e com trabalho sério, honesto e honrado, como tem sido o do
governador Tarcísio, que nós vamos enfrentar as vicissitudes e vencer as
dificuldades.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Obrigado,
deputado Barros Munhoz. Não havendo mais oradores inscritos, está encerrada a
discussão. Há sobre a mesa o requerimento de método de votação, apresentado
pelo deputado Gilmaci Santos...
O
SR. GILMACI SANTOS - REPUBLICANOS - Pela ordem,
presidente.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - Pela ordem,
deputado Gilmaci Santos.
O
SR. GILMACI SANTOS - REPUBLICANOS - Sr.
Presidente, havendo acordo aqui de lideranças, estava conversando com o líder
aqui da federação, com V. Exa. também, eu queria solicitar a V. Exa. o
levantamento então da presente sessão.
O
SR. PRESIDENTE - ANDRÉ DO PRADO - PL - É regimental o
pedido de Vossa Excelência. Então, havendo acordo entre as lideranças, está
levantada a sessão.
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* *
- Levanta-se a
sessão às 18 horas e 13 minutos.
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