
27 DE NOVEMBRO DE 2025
172ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: EDUARDO SUPLICY, MAURO BRAGATO e ANA PERUGINI
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h05min.
2 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - MAURO BRAGATO
Assume a Presidência.
4 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
5 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência.
6 - MAURO BRAGATO
Por inscrição, faz pronunciamento.
7 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Cumprimenta o deputado Mauro Bragato por sua atuação parlamentar.
8 - ANA PERUGINI
Por inscrição, faz pronunciamento.
9 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Cumprimenta a deputada Ana Perugini por sua atuação parlamentar.
10 - ANA PERUGINI
Assume a Presidência.
11 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
12 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
13 - MARINA HELOU
Por inscrição, faz pronunciamento.
14 - MARINA HELOU
Solicita o levantamento da sessão, por acordo de lideranças.
15 - PRESIDENTE ANA PERUGINI
Defere o pedido. Convoca os Srs.
Deputados para a sessão ordinária do dia 28/11, à hora regimental, sem Ordem do
Dia. Levanta a sessão às 15h04min.
*
* *
ÍNTEGRA
*
* *
-
Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
-
Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
* * *
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Presente o
número regimental de Sras. Deputadas e Srs. Deputados, sob a proteção de Deus,
iniciamos os nossos trabalhos.
Esta Presidência dispensa a leitura da
Ata da sessão anterior e recebe o expediente. Vamos abrir o Pequeno Expediente.
Tem a palavra a deputada Márcia Lia.
(Pausa.) Tem a palavra o deputado Léo Oliveira. (Pausa.) Agente Federal Danilo
Balas. (Pausa.) Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Itamar Borges. (Pausa.)
Ricardo Madalena. (Pausa.) Dr. Jorge do Carmo. Delegado Olim. (Pausa.) Dani
Alonso. (Pausa.) Sebastião Santos. (Pausa.)
Deputado Reis, tem a palavra pelo tempo
regimental.
O
SR. REIS - PT -
Cumprimentar o presidente, deputado Suplicy, o público presente, os
funcionários desta Casa. Cumprimentar também o deputado Mauro Bragato, os integrantes
da Polícia Civil, da Polícia Penal, da Polícia Técnico-Científica, da Polícia
Militar, também cumprimentar todos aqueles e aquelas que estão nos acompanhando
pela Rede Alesp.
Presidente, eu
fiz questão de falar neste Pequeno Expediente, primeiro para cobrar do
presidente, deputado André do Prado, para que ele encaminhe o autógrafo do
Projeto de lei Complementar nº 135 ao governador do estado de São Paulo.
Já são mais de,
praticamente, cinco meses que esse projeto foi aprovado aqui. Foi aprovado
pelos Srs. Deputados, pelas Sras. Deputadas, e está hibernando na sala do
presidente. Cinco meses hibernando.
E os policiais
têm mandado e-mails, têm cobrado, porque criou-se uma grande expectativa deles
poderem trazer tempo de fora para poder se aposentar, para contar tempo. E,
como foi vendido para eles que poderia ser aprovado, criou-se essa expectativa.
Criou-se essa
expectativa. E o projeto tramitou nas comissões, chegou ao Plenário, foi
aprovado, e o presidente não pode fazer o que está fazendo, sentou em cima.
Então, pedir
para o presidente André do Prado, ontem tentei três vezes falar com ele, mas a
sala dele estava lotada, filas e filas, para falar com o presidente da
Assembleia. Filas, eram secretários, conselheiros, prefeitos, vereadores, para
falar com ele. Eu não consegui falar.
Pedi agora para
agendar, porque falei para ele que precisava falar com ele, que eu fui lá e
tive dificuldade, e ele falou, “não, pode meter o pé na porta”, mas não é bem
isso. Então, hoje pedi para a minha assessoria agendar na reunião com ele que
quero tratar desse Projeto nº 135, o por quê não sai lá do gabinete dele, para
que ele mande esse autógrafo, porque tem essa expectativa.
E o governador
se posiciona, “o governador vai vetar, vai ser um ônus para o governo”, ué, o
projeto foi aprovado? Aprovou, o caminho é encaminhar para o governador o
autógrafo. Não existe, “tem um recurso e aí vai ficar parado...”, não existe
isso. Se existe um recurso, é proposital.
Então, o que a
gente tem que pedir para o presidente é que ele envie esse autógrafo o quanto
antes, para o governador se posicionar a respeito desse PLC nº 135.
Eu quero
reafirmar o que já falei aqui, presidente, deputado Suplicy, que a bancada de
sustentação do governo, o PL, o Partido Liberal, teve todos os votos dos policiais,
o Republicanos teve os votos dos policiais, o MDB teve os votos dos policiais,
porque os policiais não votam na esquerda. Eles mesmos falam: “A gente vota na
direita”.
Então, a gente
está pedindo para a direita fazer um gesto para eles. Faz um gesto. Se esses
partidos têm os votos dos policiais, o que vocês entregaram para eles até
agora? Nesse período todo, o que esses partidos de direita entregaram para
esses policiais? Praticamente nada. Só “blablablá”.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Mauro Bragato.
* * *
Então, um gesto
seria derrubar o veto ao PL 1.712, que trata da gratuidade do transporte para
os policiais entre cidades. Falei com o líder já, inclusive conversei com o
líder e ele falou: “Não tem como, é impossível”. Como não tem como? Não tem se
não há vontade política de fazer, de resolver, mas a derrubada do veto a esse
projeto vai ajudar muito os policiais.
Os policiais
estão sendo ajudados agora pelo presidente Lula, porque o presidente Lula,
ontem, assinou a lei garantindo isenção de imposto para quem ganha até cinco
mil reais. Imposto de renda. Então, garantindo isenção de imposto de renda para
quem ganha até cinco mil reais.
Então, os
policiais, os soldados, os cabos, os sargentos vão ser beneficiados com essa
isenção de imposto. E o presidente Lula também garantiu nessa lei que foi
sancionada ontem que quem ganha até 7.350 reais, essa diferença entre cinco mil
e 7.350 reais, vai ter desconto, o que vai ajudar bastante os funcionários
públicos, os trabalhadores do comércio, da indústria, da construção civil.
Então, o presidente Lula fez um gesto para os policiais.
Agora, o que a
direita, que tem os votos dos policiais, pode fazer? Derrubar o veto ao Projeto
nº 1.712, que garante o transporte gratuito entre cidades para os policiais
civis, penais, militares e técnico-científicos. E derrubar o veto também do PL
187, que é a identidade digital; do PLC 7, que trata da prova oral.
Está aí o
concurso de investigador suspenso porque houve fraude na prova oral. Então,
aqui se aprovou um projeto para investigadores, escrivães, para os policiais da
base não terem obrigação de prova oral. Manter a prova oral para os delegados,
mas para a base da polícia, não ter necessidade. Derrubar o veto também desse
projeto.
A questão do
Programa de Proteção a Agente de Segurança Pública Gestante, as policiais
femininas, as policiais civis, militares, técnico-científicas, penais,
gestantes. Garantir esse programa. Então, é o PL 369, de 2021, que também
precisa ser derrubado o veto. E a questão da garantia de prisão especial para
os guardas municipais e agentes de segurança, que hoje não têm.
Então, são
cinco PLs de que a gente precisa derrubar os vetos, que têm relação direta com
os policiais. O PLC 61 não tem mais necessidade de derrubar o veto, porque nós
derrubamos lá no Supremo Tribunal Federal, aquela questão da classe ou nível em
que o policial tem que ficar cinco anos.
Isso nós já
derrubamos, mas esses cinco projetos - quatro PLs e um PLC -, a gente pede para
que a base de sustentação do governo faça a reflexão e valorize os votos que
eles tiveram na eleição de 2022, derrubando esses vetos.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - MAURO BRAGATO - PSDB - Tem a palavra
o deputado Edson Giriboni. (Pausa.) Tem a palavra a deputada Thainara Faria.
(Pausa.) Deputada Beth Sahão. (Pausa.) Deputado Enio Tatto. (Pausa.) Deputado
Fábio Faria de Sá. (Pausa.) Deputado Donato. (Pausa.)
Deputado Capitão Telhada. (Pausa.)
Deputado Alex Madureira. (Pausa.) Tem a palavra o deputado Bruno Zambelli.
(Pausa.) Deputado Caio França. (Pausa.) Deputada Fabiana Bolsonaro. (Pausa.)
Tem a palavra a deputada Profª Camila Godoi. (Pausa.)
Tem a palavra o Jorge Wilson Xerife do
Consumidor. (Pausa) Tem a palavra o deputado Atila Jacomussi. (Pausa.) Tem a
palavra a deputada Carla Morando. (Pausa.) O deputado Dirceu Dalben. (Pausa.) O
deputado Rafael Saraiva. (Pausa.) A Professora Bebel. (Pausa.) Tem a palavra o
deputado Luiz Fernando Ferreira. (Pausa.) Tem a palavra o deputado Danilo
Campetti. (Pausa.)
Tem a palavra o deputado Eduardo
Suplicy, que está com a palavra.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro presidente Mauro Bragato, que foi meu colega aqui
na Assembleia Legislativa de São Paulo do Estado de São Paulo, quando fomos
eleitos em 1978 para o mandato até 1982, quando daí fui eleito deputado
federal.
Mas fico
pensando, naquela época, acho que disputávamos mais ou estávamos mais
frequentemente na tribuna falando. Eu continuo aqui quase que diariamente.
Estou aqui e V. Exa. também tem sido um dos mais assíduos. Mas eu tenho a
impressão de que, naquela época, havia mais debates aqui entre nós, deputados,
não é verdade? Usava-se mais a tribuna da Assembleia Legislativa.
O SR. PRESIDENTE - MAURO BRAGATO - PSDB - É verdade, deputado. Naquele
tempo, a pessoa fazia a política verdadeira.
O SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Mas nós temos que aqui falar das
coisas que são de grande interesse da população de São Paulo e do Brasil. Hoje
estive no lançamento do Mapa da Desigualdade de 2025, que a Rede Nossa São
Paulo tem apresentado e que ocorreu no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc.
Tenho grande
admiração pelo trabalho persistente da Rede Nossa São Paulo, que há mais de uma
década nos oferece, ano após ano, um verdadeiro raio-x das desigualdades na
cidade, um instrumento para que possamos pensar políticas públicas com base em
evidências e não em impressões ou suposições. O Mapa da Desigualdade tem uma
virtude que considero essencial.
Ao organizar os
dados dos 96 distritos em temas como Saúde, Habitação, Trabalho e renda,
Mobilidade e Cultura, direitos humanos, Segurança Pública, Meio Ambiente e
infraestrutura digital, o mapa nos mostra com muita clareza onde estão as
maiores carências e onde deveriam estar as prioridades de investimento do poder
público.
Ao acessar o
material desta edição de 2025, confesso que fiquei novamente muito impactado.
Vemos que, na cidade de São Paulo, ainda hoje, a idade média ao morrer pode
variar 20 anos de um distrito para outro. Em Cidades Tiradentes, por exemplo,
no extremo da zona leste, a idade média ao morrer é de apenas 62 anos, enquanto
em Alto de Pinheiro chega a 82.
Eu, felizmente,
já cheguei nos 84 e espero poder continuar. Em 41 distritos, a maior parte
deles nas periferias, a idade média fica abaixo dos 70 anos. Esta desigualdade
se reflete também no tempo de vida, na chance de ver crescer os filhos e netos,
na possibilidade de envelhecer com dignidade.
É como se
algumas regiões da cidade fossem países diferentes, separados por um abismo de
oportunidades. Quando olhamos para o acesso à Cultura, vemos que em 24
distritos da Capital não existe sequer um equipamento público municipal de
Cultura. Em muitas dessas regiões, a juventude cresce sem biblioteca, sem
teatro, sem cinema ou centro cultural.
Em outras
palavras, sem acesso ao que alimenta a imaginação, a criatividade, o sentimento
de pertencimento à cidade. Os indicadores de violência também são muito graves.
O mapa mostra
que o distrito da Sé concentra a maior taxa de homicídios e de violência racial
na cidade, ao mesmo tempo em que é o que mais emite poluentes atmosféricos
associados às viagens de ônibus. Isso revela que a desigualdade se expressa na
violência que tira vidas, no racismo que humilha, na poluição que adoece.
Poderíamos
seguir olhando indicador por indicador, como gravidez na adolescência, a
diferença de velocidade média nos ônibus, a remuneração média de emprego
formal, mas o que todos esses dados nos dizem juntos é que a periferia da
cidade de São Paulo ainda paga o preço mais alto da desigualdade, seja em tempo
de deslocamento, em renda, seja em acesso a serviços públicos, à cultura ou na
experiência de vida.
Ao longo de
minha vida pública, tenho me dedicado justamente a enfrentar estas
desigualdades, a lutar pela superação da pobreza e pela construção de uma
sociedade mais justa e igualitária. A Lei nº 10.835 de 2004, de minha autoria,
que institui a Renda Básica de Cidadania, é o direito de todos os brasileiros
residentes no País, estrangeiros residentes há cinco anos ou mais, sem importar
a sua origem, raça, sexo, idade ou condição socioeconômica, de receber um benefício
humanitário de igual valor para todos, suficiente para atender às despesas
mínimas de cada pessoa.
E é
precisamente essa característica de universalidade e incondicionalidade que a
torna tão poderosa no combate à desigualdade social e racial. E, por isso,
devemos juntos lutar por sua implementação. Eu tenho uma plena convicção de que
a renda básica é capaz de prover dignidade e liberdade real para toda a
população.
Quando olhamos
para o mapa da desigualdade, vemos que o nível de renda se manifesta na falta
de tempo, de transporte adequado, de espaços de cultura, de segurança e de ar
respirável.
Uma renda
básica incondicional, aliada a políticas universais de Saúde, Educação,
Habitação e Mobilidade, pode oferecer a todos e todas um patamar mínimo de
segurança econômica para que possam planejar a vida, recusar trabalhos
degradantes, estudar, empreender e cuidar dos filhos.
Que possamos, a
partir deste mapa de 2025, fortalecer políticas públicas que combatam as
desigualdades em todas as suas formas e que a Renda Básica de Cidadania seja
cada vez mais compreendida como um dos pilares desta transformação.
Que os jovens
da periferia possam sonhar com um futuro em que viver 80 anos com dignidade não
seja privilégio de poucos, mas direito de todas e todos. Ainda vou tratar da
renda básica na próxima ocasião que puder falar, ainda hoje.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - MAURO BRAGATO - PSDB - Vamos passar a
palavra para o deputado Marcos Damasio. (Pausa.) Deputado Guilherme Cortez.
(Pausa.) Deputada Ediane Maria. (Pausa.) Deputada Solange Freitas. (Pausa.)
Deputado Conte Lopes. (Pausa.) Deputado Major Mecca. (Pausa.) Deputado Thiago
Auricchio. (Pausa.)
*
* *
-
Assume a Presidência o Sr. Eduardo Suplicy.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Deputado Marcos
Damasio. (Pausa.) Deputado Guilherme Cortez. (Pausa.) Deputada Ediane Maria.
(Pausa.) Deputada Solange Freitas. (Pausa.) Conte Lopes. (Pausa.) Major Mecca.
(Pausa.) Thiago Auricchio. (Pausa.) Deputado Rafa Zimbaldi. (Pausa.) Deputada
Paula da Bancada Feminista. (Pausa.) Deputado Mauro Bragato. Tem a palavra pelo
tempo regimental.
O
SR. MAURO BRAGATO - PSDB
- SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy, de fato nós
entramos em 78, o senhor era meu colega aqui na Assembleia Legislativa, tivemos
grandes experiências aqui e muita política foi discutida aqui. Infelizmente,
nos dias de hoje, não se fala na política como se falava naquele tempo.
Mas eu estou
vindo a esta tribuna para fazer uma cobrança para uma empresa chamada Eixo, que
é a concessionária da Rodovia SP-294, a Comandante João Ribeiro de Barros, nos
trechos que abrangem os municípios de Parapuã, Panorama, Adamantina, Tupã,
Dracena e toda a região sob sua responsabilidade.
Todos aqui
sabem que a SP-294 é uma das principais artérias viárias do interior de São
Paulo. Por ela circulam diariamente trabalhadores, estudantes, famílias e uma
parte importante da produção agrícola e industrial do nosso Estado. Em trechos
já duplicados, como entre Marília e Oriente, houve redução expressiva nos
acidentes, queda de cerca de 50% no número de feridos e de quase 30% nos
índices gerais de acidentes.
Em rodovias de
pista simples, as colisões frontais, laterais e atropelamentos são muito mais
frequentes. Quando há pista dupla, canteiro central, acesso bem-planejado, os
riscos caem drasticamente.
Por isso, Sr.
Presidente, é inaceitável que a mesma prioridade não esteja sendo dada aos
trechos que atendem os municípios de Panorama a Parapuã. A própria
concessionária Eixo já recebeu autorização para obras importantes, como esses
segmentos que eu pude abordar neste momento.
Pois bem, já
passamos desse prazo e as obras ainda não aconteceram na velocidade e na
proporção prometidas. Quero registrar que não me calei diante dessa situação.
Já cobramos a Eixo - SP, formalmente, já estivemos em reuniões, já fizemos
apelos públicos, encaminhamos pedidos oficiais, para que a concessionária desse
mais agilidade à duplicação da SP-294.
A duplicação da
rodovia nesse trecho é fundamental por quatro grandes motivos. Primeiro, pela
segurança viária. Segundo, pela fluidez do tráfico. Terceiro, pela integração
territorial. E quarto, pela modernização da infraestrutura.
Sr. Presidente,
Srs. Deputados, a Eixo - SP administra mais de 1.200 quilômetros de rodovias no
interior paulista, sob a supervisão da Artesp, agência reguladora do Estado.
Portanto, não estamos diante de um favor.
Estamos falando
de obrigações contratuais, metas de investimento e prazos que precisam ser
cumpridos com transparência e respeito ao usuário. Como representante dessa
região nesta Casa, reitero meu compromisso de continuar fiscalizando, cobrando
e acompanhando de perto cada etapa desse processo.
A duplicação da
São Paulo-294 não pode continuar em papel nem em promessa; ela é condição para
salvar vidas, garantir um trânsito mais eficiente e seguro e fomentar o
desenvolvimento socioeconômico das cidades que dependem dessa rodovia.
Era isso que eu
tinha que dizer, Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Deputado
Mauro Bragato, sempre atento às necessidades das diversas regiões do estado de
São Paulo.
Agora, na Lista Suplementar, tem a
palavra o deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.) Carla Morando. (Pausa.)
Enio Tatto. (Pausa.) Tenente Coimbra. (Pausa.) Deputada Ana Perugini, está aqui
presente. Tem a palavra pelo tempo regimental.
A
SRA. ANA PERUGINI - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Obrigada, deputado Suplicy, já começando lhe
agradecendo a presença na inauguração do espaço de acolhimento da Procuradoria
Especial das Mulheres aqui na Assembleia Legislativa.
Eu quero também
agradecer à delegada Ana Liporini... Desculpe-me, Adriana Liporoni, que é
coordenadora das Delegacias de Defesa das Mulheres aqui no estado de São Paulo.
À Dra. Camila Marques, que é ouvidora-geral da Defensoria Pública do Estado de
São Paulo; e também à Dra. Rebeca de Holanda Braga Rocha Freire, que esteve
representando a Dra. Luciana Jordão, que é a defensora pública geral aqui no
estado.
Quero agradecer
também à Josefa Teixeira, que é do Departamento de Mulheres da Prefeitura de
Hortolândia, onde eu moro. Quero agradecer também à Ana Amélia Caldas Saad de
Oliveira, que é ouvidora do Tribunal de Contas aqui do estado de São Paulo.
Agradecer
também à Dra. Margarete Pedroso, que representa a Procuradoria do Estado, que
estava presente no nosso encontro. E quero agradecer ainda às nossas adjuntas,
que é hoje a deputada Paula, a deputada Carla e a deputada Dâmila, que são
nossas adjuntas.
Hoje eu faço
questão de trabalhar no coletivo, porque não concordo com essa forma
centralizadora de trabalhar. E sei que nós crescemos muito quando pessoas que
pensam de maneira diferente, trabalham de maneira diferente, conseguem se
juntar em torno de um assunto, por um ponto do bem comum, que, nesse caso, era
a instalação aqui, que começou com o projeto de resolução da deputada Telma.
A deputada Telma
apresentou isso no ano de 2012. Desde então, nós tivemos Procuradoria Especial
das Mulheres, depois nós tivemos o SOS Mulher, que nasceu no núcleo ali da
Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, aqui na Casa, e, desde então, sem
nenhuma estrutura desta Casa, funcionando, inclusive, com a última procuradora,
que foi a nossa Professora Bebel, no gabinete da Professora Bebel, com os
funcionários da Professora Bebel.
E quando nós
ventilamos a possibilidade de assumir esse espaço, que eu vi nascer ainda, falei
que, sem estrutura da Casa, é um absurdo. Por quê? Sem estrutura da Casa é um
absurdo.
Porque,
normalmente, as mulheres são confinadas em algum espaço para, de fato, não
fazerem a disputa que deve ser feita nesta Casa, que é da Presidência,
Vice-Presidência, 1ª Secretaria, 2ª Secretaria, e nós sabemos como é que
funciona a política. Há um acordo, e deve haver um acordo entre as partes que
trabalham juntas.
É por demais
salutar que os acordos sejam respeitados. Mas não há por que um espaço, como o
do Parlamento Paulista, o maior parlamento que nós temos notícia na América
Latina, com deputados tão atuantes nas suas bases e sabedores que nós somos...
De como houve um aumento ainda do feminicídio. E o Mapa da Violência trata e
retrata muito bem, de forma estatística, isso que aconteceu.
No último mapa,
traz essa questão com muita evidência, além de falar do aumento de outras
violências que acabam gerando depois, culminando na violência, na pior das
violências, que é o feminicídio. Mas esse espaço agora tem um local com o
funcionário da Casa, que vai permanecer aqui quando eu não estiver mais nesse
espaço.
Ele deve
permanecer. Há uma tratativa já com o presidente André do Prado, que acolheu a
iniciativa, que foi um incentivador para que isso acontecesse. O deputado
Maurici, que é da 1ª Secretaria, se prontificou e esteve presente, fez uso da
palavra junto com o deputado Suplicy também, para que nós possamos continuar
avançando nessa instalação.
O que já existe
de concreto hoje? Uma tratativa, inclusive nós podemos fazer o boletim online
na própria Procuradoria Especial das Mulheres aqui. Há já uma tratativa de um
protocolo integrado, e a existência agora dessa Procuradoria, inclusive no
portal de acesso da Assembleia Legislativa, aqui do estado, o que não existia
ainda...
E agora nós
precisamos também de uma rede segura, que garanta o sigilo, porque nós vamos
tratar de algo que é sigiloso, que se trata da violência contra as mulheres,
mas que não tem como escopo, absolutamente, só essa questão.
Aqui é uma Casa
de produção de leis, e quando nós temos uma Procuradoria Especial das Mulheres
numa casa de leis, seja ela a nível de estado, como deve acontecer, porque está
no nosso cronograma de trabalho, a instalação em todas as câmaras municipais
aqui do nosso Estado, nós estamos falando de um espaço de produção, de produção
e de defesa dessas leis, de vigilância dessas leis, de fiscalização dessas
leis.
E, recentemente
nós tivemos alteração na nossa legislação, com a incorporação, inclusive, e a
conceituação, e uma lei muito completa que prevê a sanção, que é a violência
política de gênero e a violência política.
Nós temos uma
lei que é nova, que é recente, que é a lei da importunação, que é pouco
conhecida, mas também de propiciar condição para que as instituições
competentes, como o caso das procuradorias, as promotorias locais, até a
Procuradoria do Estado, tenham uma uniformização da forma de atender essas
mulheres que procuram, se socorrem desses espaços, para verem garantidos seus
direitos.
Então, muitas
vezes, e nós encontramos muitas mulheres que são procuradoras aqui, mas a
peregrinação que elas enfrentaram para a instalação dessa procuradoria nas
câmaras municipais.
E ainda há
relatos de câmaras municipais que não veem essa necessidade e dizem que não é
de competência da Câmara Municipal. Mas nós sabemos que o espaço, que é a Casa
do povo, seja ela a nível municipal, estadual ou federal, é uma casa que deve
atender e ter o olhar voltado para as necessidades desse próprio povo.
E hoje as mulheres
enfrentam algo que foi gerado, propiciado no passado pelo Estado, e o Estado
tem o dever de propiciar também, acabar com essa violência. E esse espaço é um
espaço legítimo e necessário, porque é aqui que nós vamos fazer a escuta
qualificada daquilo que vem faltando, para que nós possamos acelerar esse
processo do rompimento da violência.
Ainda, nós
tratamos daquilo que está sendo proposto na reforma, na reforma de um mínimo de
20% para as minorias ocuparem espaço a nível de Parlamento. E nós avançamos
nesse sentido já no dia a dia, nesse espaço, principalmente a nível federal.
Então, é um
espaço também de formação, e à medida que as nossas vereadoras e nossos
vereadores tomarem pé dessa situação, dessa necessária interlocução com outras
instituições, como o Ministério Público, como o Tribunal de Contas, como a
Defensoria do Estado, nós temos certeza que isso vai propiciar o crescimento de
cada uma de nós.
Ainda há a
perspectiva de que o nosso Instituto Legislativo possa também dar conta de
cursos de formação, tanto no letramento, porque há muito que se aprender com o
letramento, a palavra tem um poder muito forte, como também na formação das
promotoras legais populares, que vem acontecendo Brasil a fora, de forma muito
especial aqui no estado de São Paulo, e isso favorece, com certeza, o banimento
dessa violência contra a mulher.
Então, algo
simples e singelo, mas que contou com uma densa representatividade de
instituições importantes do nosso Estado, e eu tenho convicção, porque nós não
vamos descansar enquanto isso não acontecer, que vai se expandir estado a fora.
E nós tivemos a
oportunidade de ver nos cidadãos que nunca ocuparam o microfone nessa Casa,
terem a oportunidade de falar daquilo que vem afligindo aqui no estado de São
Paulo.
Homens e mulheres,
porque homens também trouxeram relato ali, e nós queremos dar a condição para
que isso seja contínuo. E, deputado Suplicy, o senhor será com certeza um
grande parceiro para que nós possamos fazer essa escuta qualificada das
mulheres organizadas aqui no nosso Estado e que precisam de ganhar voz neste
Parlamento.
Muito obrigada.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos, querida deputada Ana Perugini, e por seu empenho em proporcionar
às mulheres cada vez maior possibilidade de influenciar as decisões de nosso
Estado, de nossa cidade, de nosso País. Se puder, eu vou passar a Presidência à
deputada Ana Perugini, para que eu possa mais uma vez utilizar da tribuna.
*
* *
- Assume a Presidência a Sra. Ana Perugini.
* * *
A SRA. PRESIDENTE -
ANA PERUGINI - PT
- Na Lista Suplementar ainda do Pequeno Expediente, próximo orador, deputado
Eduardo Suplicy.
O SR. EDUARDO SUPLICY
- PT - SEM REVISÃO DO ORADOR - Querida
presidente, deputada Ana Perugini, Sras. Deputadas, Srs. Deputados.
Gostaria aqui de comentar a
observação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que hoje diz que o crime
organizado tem usado paraíso fiscal nos Estados Unidos para a evasão de divisas
e defendeu uma parceria com os norte-americanos para ações contra a lavagem de
dinheiro.
A declaração foi dada depois da
nova operação que tem como alvo o Grupo FIT, a ex-REFIT, da Refinaria de Manguinhos,
do empresário e advogado Ricardo Magro. Os investigadores cumprem mandados de
busca e apreensão em 190 alvos sob acusação de prática de crimes como
sonegação, fraude ou ocultação de patrimônio.
O chefe da equipe econômica disse
que pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em conjunto com o ministro
Ricardo Lewandowski, da Justiça e Segurança Pública, que o tema seja incluído
nas negociações com o governo de Donald Trump.
“Fizemos chegar ao presidente Lula
a necessidade de, nas negociações com os Estados Unidos, pautar o combate ao
crime organizado, porque eles estão utilizando o estado de Delaware, que é um
paraíso fiscal nos Estados Unidos, para montar operações lá de evasão de
divisas e lavagem de dinheiro”, afirmou.
Segundo Fernando Haddad, trata-se
de uma operação de triangulação internacional. Dezenas de empresas e fundos
estão sendo abertos fora do Brasil. “O esquema é: você faz um empréstimo para
esses fundos, um empréstimo que há suspeita da Receita de que jamais serão
pagos, e voltam na forma de aplicação lícita em atividades econômicas no
Brasil. Mas o dinheiro que vai para lá não é um dinheiro lícito”, disse.
O ministro afirmou que a última
operação envolveu 1,2 bilhão de recursos, enviado para fundos em Delaware, que
voltaram ao País sob a forma de aplicação, como se fosse um investimento direto
estrangeiro no Brasil.
“A partir dessas investigações, a
Polícia Federal, evidentemente, vai envolver a recuperação de ativos no
exterior, a criminalização de pessoas não residentes, eventualmente, a
mobilização da Interpol”, acrescentou Fernando Haddad, que defendeu abrir uma
frente de trabalho com o governo dos Estados Unidos para também coibir outras
práticas como exportação ilegal de armas ou peças de armas ao Brasil.
Ele ainda voltou a pedir a
aprovação pelo Congresso Nacional da Lei do Devedor Contumaz. O Fisco entende
que um contribuinte se enquadra nessa classificação quando se dedica à
inadimplência de forma recorrente e intencional.
Segundo os investigadores, a
Refit, como é mais conhecida, é o maior devedor contumaz do Brasil, com débitos
em torno de 26 bilhões de reais. “O que esse grupo econômico deixou de pagar
aos cofres estaduais, ao cofre estadual do Rio de Janeiro, é suficiente para
custear um ano toda a polícia do Rio de Janeiro. Esse é o volume de recursos
que está envolvido”, afirmou Fernando Haddad.
A operação foi batizada de Poço de Lobato, numa
referência ao primeiro poço de petróleo do Brasil, localizado no bairro de
Lobato, em Salvador, Bahia, cuja exploração começou em 1939, quando o escritor
Monteiro Lobato era um entusiasta da atividade. A ação conta com o trabalho
conjunto entre a Receita Federal, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e
órgãos como o Ministério Público, Procuradoria e Secretaria de Fazenda e Segurança
Pública.
Sra. Presidente, eu ainda teria mais uma fala, se for
possível, porque surgiu uma notícia muito interessante no site “Forward to
Civilization” sobre um novo programa de renda básica que está acontecendo nas
Ilhas Marshall.
Se eu tiver a disponibilidade de falar?
A SRA. PRESIDENTE - ANA PERUGINI - PT - Com toda certeza, deputado.
O SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Muitíssimo obrigado. Eu tenho muita felicidade em
compartilhar a notícia da criação de um novo programa de renda básica,
universal e incondicional, que se inicia já nos próximos meses nas Ilhas
Marshall, na Oceania.
Isso representa um marco histórico no debate global sobre
políticas de transferência de renda.
Para compreender plenamente essa conquista, é necessário
revisitar o contexto político-econômico e geoestratégico que moldou o país ao
longo das últimas décadas. Após a Segunda Guerra Mundial, as Ilhas Marshall
tornaram-se parte do Trust Territory of the Pacific Islands, administrado pelos
Estados Unidos como território estratégico. Essa
classificação permitiu que os Estados Unidos transformassem grandes áreas do
arquipélago em campos de testes militares, especialmente para armas nucleares.
Entre 1946 e 1958, foram detonadas 67 bombas atômicas na
região, algumas com potência várias vezes superior à de Hiroshima, produzindo
deslocamentos populacionais, devastação ambiental e impactos sanitários de
longo alcance. Quando se tornaram independentes, em 1979, as Ilhas Marshall
passaram a negociar sua relação com os Estados Unidos em novos termos.
O Compact of Free Association, Cofa, firmado em 1986,
conferiu soberania ao arquipélago, mas manteve sob o controle norte-americano a
sua defesa e segurança, incluindo direitos de instalação de bases militares em
troca de ajuda financeira e outros benefícios.
Na renegociação do Cofa, em 2003, criou-se o Trust Fund for
the People of the Republic of the Marshall Islands, concebido como um fundo
soberano que garantia receitas estáveis após o fim previsto das transferências
de ajuda direta dos Estados Unidos, programado inicialmente para 2023.
Nesse modelo, os Estados Unidos passaram a aportar contribuições
anuais, começando com sete milhões de dólares, aumentando progressivamente,
enquanto as Ilhas Marshall e Taiwan também adicionaram recursos ao fundo.
A nova renegociação de 2023 redefiniu esse arranjo de modo
ainda mais significativo. Os Estados Unidos comprometeram-se a realizar aportes
massivos e concentrados até 2027, sem projeção de novas contribuições após esse
período. A partir de então, o fundo deveria se sustentar principalmente por
seus rendimentos financeiros.
Em meados de 2025, o Trust Fund acumulava aproximadamente
1,3 bilhão, distribuídos em diferentes contas especiais, crescendo a uma taxa
média anual de 6,9% desde 2004. É justamente desse conjunto de recursos que
emerge a base financeira para o novo programa nacional de renda básica.
O programa, chamado Enra, foi aprovado pela legislação
marshallense como política permanente,
não como projeto piloto ou expediência temporária. Os primeiros pagamentos
foram agendados para começar já em dezembro de 2025. A característica central
do Enra é a sua universalidade.
Todos os
cidadãos das Ilhas Marshall residentes no país, incluindo crianças também,
cerca de 800 dólares por ano pagos em parcelas trimestrais de 200 dólares. O
benefício é individual, incondicional e regular sem comprovação de renda ou
exigência de trabalho. Os pagamentos podem ser recebidos por cheques, depósito
bancário ou pela carteira digital pública Lomalo, que utiliza o ativo estável e
o USDM1 vinculado ao dólar.
A inclusão
dessa infraestrutura digital visa ampliar a inclusão financeira em um país onde
muitas pessoas não têm conta bancária e, ao mesmo tempo, reduzir custos
administrativos. Além da camada universal, o país estruturou um importante
mecanismo e complementação territorial, chamado Extraordinary
Needs Distribution, financiado por uma conta separada dentro do
Fundo Soberano.
Esse programa
direciona recursos a comunidades que enfrentam circunstâncias extraordinárias,
como ilhas remotas, atóis com um território escasso, habitação precária,
economias locais frágeis ou histórico de impacto diretos de testes nucleares.
O END apoia
governos locais no fornecimento de alimentos, reparos domiciliares e outras
formas de assistência. Em uma terceira camada, um novo programa social passará
a pagar 100 dólares mensais para aposentados e pessoas com deficiência,
enquanto uma política de primeira infância pagará a transferência de renda
regulares para mães de crianças de zero a cinco anos, configurando uma espécie
de benefício universal para a infância.
Assim o sistema
marshallês combina uma renda básica universal, complementos destinados a
desigualdade territoriais históricas e benefícios sociais voltados a grupos
específicos. Estamos diante de uma arquitetura integrada de proteção social
rara em país de renda média ou baixa e praticamente inédita em escala nacional
para uma renda básica permanente.
O tamanho
relativo desse programa impressiona quando comparado à economia nacional.
Estimando-se o PIB per capita Ilhas Marshall em torno de 7.500 dólares anuais,
os 800 dólares de renda básica equivalem a cerca de 10% a 11% do PIB por
pessoa.
O governo
compromete-se com cerca de 8% do PIB apenas para o Enra, enquanto o END
adiciona mais 6%, totalizando aproximadamente 14% do PIB em transferências
diretas de renda.
Para entender a
magnitude basta imaginar um programa proporcional no Brasil com um PIB per
capita de cerca de 56.078 reais. Isso equivaleria pagar aproximadamente 5.600
reais por ano, algo em torno de 466 reais por mês para cada cidadão, incluindo
crianças sem qualquer condicionalidade. Trata-se, portanto, de um investimento
social extraordinário quando medido em termos relativos, especialmente para um
país com aproximadamente 60 mil habitantes.
O caso das
Ilhas Marshall tem importância que ultrapassa as suas fronteiras pela força de
seu exemplo. Em primeiro lugar, demostra que é possível implementar uma renda
básica nacional permanente, financiada de maneira sustentável e sem
condicionalidades. O Enra corrige uma lacuna frequentemente alegada por
críticos da renda básica: a suposta inviabilidade econômica ou política de um
programa universal.
Em segundo
lugar, o modelo “marshalense” mostra que a universalidade e focalização não são
mutualmente excludentes. Ao contrário, convivem harmonicamente quando se
estabelece um piso universal e complementos inteligentemente direcionados a
necessidades específicas.
Em terceiro
lugar, a decisão de utilizar os rendimentos de um fundo soberano para
distribuir riquezas diretamente à população reforça uma concepção de justiça
distributiva baseada na ideia de que recursos nacionais, especialmente
proeminentes de processos históricos marcados por exploração, militarização e
compensações, pertencem à sociedade como um todo, não apenas ao Estado.
E em quarto
lugar, o programa oferece um modelo relevante para países pequenos, insulares
ou dependentes de fundos soberanos, demonstrando como a estabilidade financeira
pode ser alcançada ao garantir segurança econômica à população.
Por fim, as
Ilhas Marshall se colocam na vanguarda da inovação ao incorporar meios digitais
de pagamento por meio de USDM1, ainda que essa dimensão tenha despertado
críticas do Fundo Monetário Internacional, que expressa preocupações com riscos
regulatórios e financeiros.
Essa tensão,
porém, apenas evidencia que a política, mesmo em seus elementos mais
tecnológicos, está orientada por um princípio simples: garantir a todos a
liberdade e a dignidade real.
Assim, espero
que essa experiência possa inspirar a nossa atuação legislativa, para que
venhamos a discutir e aprovemos o PL nº 991, de 2025, que cria uma política de
Renda Básica de Cidadania também em São Paulo, como nas Ilhas Marshall. Temos
todos os recursos necessários para levar essa proposta adiante, basta tomarmos essa
decisão com serenidade e comprometimento com o bem-estar de todos os paulistas.
Muito obrigado,
Sra. Presidenta, pela tolerância.
A
SRA. PRESIDENTE - ANA PERUGINI - PT - Está inscrita,
ainda, para falar a deputada Marina Helou, pelo tempo remanescente.
A
SRA. MARINA HELOU - REDE -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Obrigada, presidente. É um prazer ter a senhora
conduzindo a sessão. É um prazer escutar, sempre, o professor Eduardo Suplicy,
com a luta incansável para que a gente tenha um País mais justo e próspero para
todas as pessoas. É uma honra poder compartilhar essa tribuna com o senhor,
sempre senador. Cumprimento vocês e a todos os que estão aqui trabalhando, para
que a gente possa, então, representar a população paulista nesta Casa.
E subo para
falar de um tema difícil. Porque nesta semana, na data do dia 25 de novembro, a
gente se uniu com todas as mulheres do mundo no Dia de Combate à Violência
Contra a Mulher. Esse é um dia que, geralmente, a gente sobe aqui nesta tribuna
para falar de números.
A gente fala
dos dados, que são alarmantes, do crescimento do feminicídio, dos números de
estupro, do número de estupros de vulneráveis, o quanto a violência contra a
mulher dentro das casas ainda é uma realidade grave no nosso País.
Mas hoje eu
quero subir aqui para falar de uma outra perspectiva dessa violência. Eu quero
falar do silêncio que antecede o grito. O silêncio que é o primeiro passo em
uma cadeia da violência. Porque o feminicídio, o assassinato de uma mulher por
ela ser mulher é a última violência de uma cadeia de violências a que essa
mulher está submetida.
A mulher que
apanha, a mulher que sofre a violência física, já sofreu muitas outras
violências, que começam sutilmente. E a gente precisa ter coragem de olhar para
essas violências e encarar elas, trazer clareza do que está acontecendo, para
que as mulheres possam se livrar e romper esse ciclo de violência.
A gente tem a
violência inicial, que começa como um simples ciúme, disfarçado de amor,
disfarçado de cuidado. Na sequência, a gente vai para um grau psicológico, que
chama o “gaslighting”, que é um termo que fala dos homens que começam a fazer
as mulheres duvidarem delas mesmas, se está certo o que elas estão falando, se
elas estão realmente sendo muito abusadas, se elas estão realmente rompendo
padrões porque devem ser elas mesmas, mina a autoestima e a vontade de sair, a
vontade de criar relações sociais, isolando essa mulher.
O terceiro grau
é o controle financeiro, um controle que você, presidente, sabe muito bem -
quando ouve as mulheres quando a gente vai para as ruas - o quanto faz a
diferença, porque se essa mulher perde a possibilidade de ter recursos
financeiros, de se sustentar, de sustentar seus filhos, ela não consegue romper
esse ciclo de violência. E esse é um controle que começa pequeno, “O que você
está gastando? Vamos economizar” e começa a tomar conta da vida dessa mulher.
Na sequência, a
gente vai... Isso se chama violência patrimonial. A gente falou de violência
“gaslighting”, a gente falou de violência psicológica, de violência patrimonial
e a gente está indo, então, na violência física, que começa com um empurrão,
que começa com uma demonstração de muita raiva porque gosta muito e sempre vem
com arrependimento, mas essa violência física vai crescendo.
A gente sabe
que a gente precisa dar ferramentas para que as mulheres entendam o que está
acontecendo com elas, identifiquem essa violência e lutem contra essa violência
o quanto antes. O quanto antes ela souber e se preparar para isso, melhor ela
vai conseguir sair desse ciclo antes de sofrer uma violência cada vez mais
séria.
E nesse
sentido, a gente vem trabalhando incansavelmente no meu mandato, fortalecendo
frentes de apoio a mulheres em situação de violência, fortalecendo frentes de
percepção, de comunicação e de entendimento do que é a violência contra a mulher
e de clareza, de que a gente tem muito para fazer ainda.
A gente luta
pelo Projeto de Lei nº 499, de 2020, para que os canais de denúncia e apoio
sejam amplamente divulgados em todo o estado. A mulher precisa saber que aquele
controle excessivo, aquele xingamento já é uma violência e a gente precisa
prover uma rede de apoio para ela.
E eu não posso
deixar de citar aqui a nossa atuação no protocolo Não Se Cale, que foi uma
iniciativa que nasceu nessa Casa, que foi construída com toda a sociedade e hoje
tem toda uma formação para restaurantes, para bares, para que a gente possa ter
as mulheres seguras e para que a gente tenha um sistema de apoio para quando a
violência acontecer, ela saiba o que precisa fazer e a gente consiga coibir
mais rápido.
A gente sabe
que a violência acontece principalmente dentro de casa, mas a gente sabe que
não é só a violência física, é proibir e cercear a liberdade de ir e vir e se
divertir com segurança.
E daí, Sra.
Presidente, queria encerrar minha fala nessa semana de combate à violência com
um apelo, para a gente parar de tolerar esses pequenos abusos, não existe
pequena violência. O controle financeiro, o abuso emocional, a invasão de
privacidade, tudo isso é o alicerce que sustenta o feminicídio no nosso País.
A gente vai
continuar trabalhando todos os dias para desconstruir essa escala, degrau por
degrau, começando pela base, por mais autonomia, liberdade e vida de todas as
mulheres.
Obrigada,
Presidente.
A
SRA. MARINA HELOU - REDE - Agora, tendo acordo
com todas as lideranças aqui presentes, queria pedir então para a gente
levantar a sessão.
A SRA. PRESIDENTE - ANA PERUGINI - PT -
Havendo acordo de lideranças, esta Presidência, antes de dar por levantados os
trabalhos, convoca V. Exas. para a sessão ordinária de amanhã, à hora
regimental, sem Ordem do Dia.
Está levantada
a sessão.
Muito obrigada,
deputada.
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- Levanta-se a
sessão às 15 horas e 04 minutos.
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