
23 DE ABRIL DE 2026
47ª SESSÃO ORDINÁRIA
Presidência: EDUARDO SUPLICY, CARLOS GIANNAZI e REIS
RESUMO
PEQUENO EXPEDIENTE
1 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência e abre a sessão às 14h01min.
2 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
3 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Parabeniza o deputado Carlos Giannazi pelos trabalhos realizados na área da Educação.
4 - CARLOS GIANNAZI
Assume a Presidência.
5 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
6 - PRESIDENTE CARLOS GIANNAZI
Parabeniza o deputado Reis por seu pronunciamento.
7 - EDUARDO SUPLICY
Por inscrição, faz pronunciamento.
8 - REIS
Assume a Presidência.
9 - CARLOS GIANNAZI
Por inscrição, faz pronunciamento.
10 - EDUARDO SUPLICY
Assume a Presidência.
11 - REIS
Por inscrição, faz pronunciamento.
12 - PRESIDENTE EDUARDO SUPLICY
Parabeniza o deputado Reis por seu pronunciamento. Comenta matéria, publicada no “Valor Econômico”, sobre a PEC do Sistema Único de Assistência Social, em debate na Câmara dos Deputados. Parabeniza a repórter de Economia Lu Aiko Otta pelas colunas publicadas no “Valor Econômico”. Discorre sobre o Programa da Renda Básica Universal, através de leitura de carta direcionada ao 8º Congresso do Partido dos Trabalhadores. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 24/04, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão, por acordo de lideranças, às 15h04min.
*
* *
ÍNTEGRA
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-
Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Eduardo Suplicy.
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-
Passa-se ao
PEQUENO EXPEDIENTE
* * *
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Abertura da
sessão ordinária. Presente o número regimental de Sras. Deputadas e Srs.
Deputados, sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos. Esta
Presidência dispensa a leitura da Ata da sessão anterior e recebe o Expediente.
Vamos à lista de oradores do Pequeno
Expediente desse 23 de março de 2026. Tem a palavra a deputada Dani Alonso.
(Pausa.)
Tem a palavra, pelo tempo regimental, o
deputado Carlos Giannazi.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Eduardo Suplicy, público aqui
presente, telespectador da TV Assembleia. Sr. Presidente, a Secretaria da
Educação, ou seja, essa gestão, Tarcísio/Feder, não se cansa de fazer ataques à
Educação do estado de São Paulo. Não se cansa, praticamente todos os dias, todas
as semanas, de tentar desmontar a Educação do estado de São Paulo.
E nós fomos
surpreendidos, Sr. Presidente, ontem, com a publicação de um edital. Olhe só.
Edital de sessão de atribuição de aulas - Professor Auxiliar/Ações Judiciais de
22/04/2026, aqui é da Seduc, lá da região de Mogi Mirim, da Unidade Regional de
Ensino da Região de Mogi Mirim, que trata dessa questão de atribuição de aulas
para professores da educação especial.
Professoras, na
verdade, que atendem crianças com deficiência, que é um tema que tenho abordado
muito aqui na Assembleia Legislativa, e cobrado o governo, pressionado o
governo, e denunciado o governo, na sua omissão, e os seus ataques contra essa
área.
Mas tudo aquilo
que eu vinha falando, que o governo estava atacando as professoras auxiliares
especializadas na área da educação especial, está acontecendo, Sr. Presidente.
Infelizmente, eu não queria estar certo, mas não foi falta de aviso, e fiz
várias denúncias, mas várias ações também para impedir.
Acionei o
Ministério Público, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, Tribunal de
Justiça, nós entramos com uma ação popular contra essas medidas, esses ataques,
mas, até agora, Sr. Presidente, o governo continua atacando, e essa publicação
é grave, porque ela é a prova de que o governo estadual, que é a gestão
Tarcísio/Feder não quer mais professoras auxiliares especializadas na educação
especial. Eles querem precarizar esse atendimento.
Tanto é que
aqui nas considerações, Sr. Presidente, sobre a atribuição de aulas, o primeiro
item está aqui. Primeiro, prioritariamente agentes de organização escolar com
atuação prioritária no acompanhamento, apoio e suporte aos alunos elegíveis aos
serviços de educação especial, quando a ação judicial não requerer a figura de
um professor, conforme a edital específico.
Então, já abre
dizendo, olha, prioritariamente, nós queremos agente de organização escolar. O
agente de organização escolar é fundamental. Nós estamos defendendo há anos,
Sr. Presidente, a valorização salarial funcional e a melhoria das condições de
trabalho dos agentes de organização escolar, inclusive defendendo agora, neste
momento, como ontem eu fiz aqui na tribuna, a aprovação do PL, do Projeto de
lei, no Senado Federal, nº 2531, que vai criar o piso nacional para os agentes
de organização escolar, que vai representar 75% do piso nacional do Magistério.
Mas eles estão
usando aqui o agente de organização escolar para uma função que não seria dele,
e ele não vai receber um centavo a mais - é isso que eles estão fazendo aqui em
São Paulo -, para tirar os professores especializados, que têm formação na área,
Sr. Presidente. Isso aqui é um golpe, um truque aqui para tentar escamotear
esse procedimento de não ter mais professores auxiliares de educação especial
na rede estadual.
E aqui tem um
outro escândalo já - que ele fala em ação judicial. Ou seja, eu tenho dito, Sr.
Presidente, que aqui é o escândalo dentro do escândalo. Uma criança hoje, no
estado de São Paulo, para que ela tenha atendimento especializado na rede
estadual - que é um direito garantido pela Constituição Federal, pela
Constituição Estadual, pela LDB, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente - a
família precisa recorrer à Justiça, porque o governo não oferece. Está aqui,
tem que ter ação judicial.
Olha só o
absurdo: o Estado mais rico da América Latina, que tem o maior orçamento
estadual da Educação, não permite que um aluno ingresse na rede, caso ele tenha
necessidade especial. Está aqui, tem que ter ação judicial, Sr. Presidente.
Isso é um
crime, é uma afronta à dignidade humana dessas crianças, desses adolescentes e
às suas respectivas famílias. Por isso que eu estou apresentando hoje um
projeto de decreto legislativo, primeiro, para revogar, para anular esse
famigerado, Sr. Presidente, edital. Ele tem que ser revogado imediatamente -
agora, já.
E nós estamos
também acionando o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e o Ministério
Público para que as providências sejam tomadas contra mais esse ataque às
nossas crianças e adolescentes, que estão sendo atendidas por professoras de educação
especial, professoras auxiliares, que estão aqui com um contrato, Sr.
Presidente, que vence agora, no meio do ano, e não há nenhuma garantia de que
elas possam continuar - tem isso também.
Então,
Ministério Público, Tribunal de Contas e PDL, projeto de decreto legislativo
que eu estou protocolando hoje para revogar esse famigerado edital, publicado
pela Secretaria da Educação, através da Unidade Regional de Ensino da região de
Mogi Mirim.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos, deputado Carlos Giannazi, pela sua incansável observação sobre a
qualidade da Educação no estado de São Paulo. A cada dia, V. Exa. nos brinda
com a análise de algum setor da Educação no estado de São Paulo que não está
agindo a contento. É tão importante que haja parlamentares com tanta atenção à
Educação, como no seu caso.
Venho solicitar a possibilidade de
presidir a sessão para que eu possa também agora falar.
*
* *
- Assume a Presidência o Sr. Carlos
Giannazi.
*
* *
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Dando
sequência à lista de oradores inscritos no Pequeno Expediente, com a palavra o
deputado Delegado Olim. (Pausa.) Com a palavra o deputado Major Mecca. (Pausa.)
Com a palavra a deputada Paula da Bancada Feminista. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Rui Alves.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Jorge do Carmo. (Pausa.) Com a palavra o
deputado Caio França. (Pausa.) Com a palavra o deputado Bruno Zambelli.
(Pausa.) Com a palavra o deputado Fábio Faria de Sá. Com a palavra o deputado
Donato. (Pausa.)
Com a palavra o deputado Reis, que fará
uso regimental da tribuna.
O
SR. REIS - PT -
Cumprimentar o presidente, deputado Carlos Giannazi; também cumprimentar o
público presente; o deputado Suplicy. Cumprimentar todos os funcionários desta
Casa, os integrantes da Polícia Civil, da Polícia Militar, da Polícia Penal, da
Polícia Técnico-Científica e também cumprimentar todos aqueles e aquelas que
estão em suas residências, nos seus afazeres, e nos acompanham; acompanham
agora, durante o dia, acompanham à noite, na reprise do programa, pela Rede
Alesp.
Sr. Presidente,
eu vou passar um vídeo que tentei passar semana passada e não consegui. A
ocorrência aconteceu no dia 16 de abril, mas eu acho por bem registrar, deixar
registrado aqui nesta Casa de Leis, nesta Casa fiscalizadora do Executivo, para
que a sociedade possa tomar conhecimento da grave crise que tem a Segurança
Pública no estado de São Paulo.
Crise que vem
de muitos anos, mas se agravou com a chegada do Sr. Tarcísio de Freitas, que
veio do Rio de Janeiro de mala e cuia e se apossou do Palácio dos Bandeirantes.
Então é uma
crise que se agravou e eu quero mostrar aqui, pedir assessoria técnica para
colocar o vídeo.
* * *
- É exibido o
vídeo.
* * *
Então, é um
absurdo. E toda essa paisagem aí mostra realmente o que é o governador Tarcísio
de Freitas: um equipamento público onde não tem funcionários, as motos dentro
da sala de atendimento, carros sucateados, abandonados em todo o entorno da
delegacia, viaturas caindo aos pedaços...
Então, você
olha para isso aí, o que que você enxerga? O governador. Ele é incompetente,
ele é incapaz de resolver isso. Ele está aí, já está no último ano da gestão, e
ele não teve competência para resolver esta questão.
E esse fato que
foi registrado nessa reportagem é um fato que se reproduz em outras delegacias.
Qualquer delegacia que você visitar no estado de São Paulo, principalmente na
região metropolitana, na Capital, você vai encontrar esse cenário de abandono,
esse cenário de sucateamento, de destruição de terra arrasada. É como esse governo
que aí está deixou a Segurança Pública.
E, obviamente,
nós temos denunciado, desde o primeiro dia que eu cheguei aqui eu tenho feito
as denúncias, a falta de funcionários, a falta de investigadores, de delegados,
escrivães de polícia, de agentes policiais, desde o primeiro dia que eu estou
aqui nessa Casa, denunciando e cobrando o governador. Mas ele faz de conta que
não é com ele, a preocupação dele é o que ele tem para vender.
Se ele pudesse
vender essa delegacia, ele já teria colocado lá no leilão da Bolsa de Valores e
batido aquele martelo, e já teria vendido ela. Não, é que vender delegacia
politicamente não é bom, causa um mal-estar na sociedade nossa. Ele vende
escolas também, ele está privatizando 132 escolas. Privatizou a Sabesp, a Emae,
as rodovias, colocou Free Flow em tudo. Mas delegacia ele ficou um pouco
contido e não as vendeu.
Mas também não
deu a atenção necessária que as delegacias precisam e à segurança, ao ponto de
ter essa invasão na delegacia. O vidro foi quebrado, o policial foi agredido e
o agressor só se conteve quando escorregou e bateu a cabeça no banco e acabou
vindo a óbito.
Se nós
tivéssemos uma delegacia com profissionais trabalhando ali, a equipe toda, o
delegado, o escrivão, o investigador, o agente, porque a equipe de plantão são
vários funcionários, vários servidores, vários policiais, talvez esse agressor
não tivesse quebrado o vidro e invadido a delegacia.
Talvez, se o
governo tivesse colocado uma segurança privada, porque ele desperdiça policiais
cuidando de prédios, de prédios e delegacias que à noite não funcionam. Das 93
delegacias que nós temos na Capital, deputados e policiais, somente 27
funcionam diuturnamente, somente 27 funcionam todos os dias, as demais fecham
aos sábados, aos domingos, aos feriados, fecham à noite. Como se o crime só
acontecesse em horário de expedientes e em dias úteis. É como enxerga o Sr.
Governador de São Paulo.
Então, essa
ocorrência, esse acontecimento mostra o caos, mostra a situação de terra
arrasada em que o Sr. Governador Tarcísio de Freitas está deixando a Segurança
Pública do estado de São Paulo.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - CARLOS GIANNAZI - PSOL - Parabéns,
deputado Reis, por essa gravíssima denúncia que mostra, que ilustra bem a
situação hoje de todo o estado de São Paulo nessa área da Segurança Pública. O
abandono das delegacias de polícia, o fechamento delas, sobretudo no período
noturno.
Com a palavra, deputada Ediane Maria.
(Pausa.) Com a palavra, deputado Enio Tatto. (Pausa.) Com a palavra, deputado
Alex Madureira. (Pausa.)
Com a palavra, o deputado Eduardo
Suplicy, que fará uso regimental da tribuna.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Caro presidente, deputado Carlos Giannazi, senhoras
deputadas, senhores deputados, eu hoje quero falar uma palavra sobre a
Coopamare. Quero manifestar minha indignação com a Subprefeitura de Pinheiros,
que está ameaçando, mais uma vez, a permanência da Cooperativa de Catadores
Autônomos de Papel, Aparas e Materiais Reaproveitáveis, conhecida como
Coopamare, que ocupa há 37 anos uma área pública embaixo de um viaduto que
passa por cima da rua João Moura, em Pinheiros, bairro elitizado da zona oeste
da cidade.
Neste mês, os
trabalhadores receberam, sem aviso prévio, um comunicado da gestão Ricardo
Nunes, obrigando a desocupação do espaço em 15 dias. A Coopamare, considerada a
cooperativa de recicláveis mais antiga do Brasil, é fonte de sustento para mais
de 80 pessoas que desempenham um papel fundamental na gestão dos resíduos e
materiais recicláveis na cidade.
Além disso,
constitui-se como referência nacional de economia solidária, inclusão
produtiva, sustentabilidade urbana e valorização do trabalho digno. Sua
trajetória representa a transformação social de trabalhadoras e trabalhadores
que encontraram na reciclagem uma alternativa concreta de geração de renda,
autonomia e cidadania.
Além disso, a
cooperativa exerce funções essenciais ao território, operando na prática como
uma importante estrutura comunitária de apoio socioambiental, prestando serviço
de interesse público.
Em muitas
regiões, equipamentos dessa natureza são demandados pela população. Em
Pinheiros, essa estrutura já existe há décadas, construída com esforço
coletivo, reconhecida socialmente, e a prefeitura simplesmente decide ignorar a
relação da comunidade que existe entre a população e a Coopamare, decidindo
realocá-la sem o menor diálogo. Foram oferecidos outros espaços na mesma
subprefeitura, mas a quase 10 quilômetros de distância, fato que compromete
bastante as necessidades do Distrito de Pinheiros.
Em um contexto
de crise climática, com aumento da produção de resíduos e necessidade de
ampliar políticas ambientais urbanas, entendemos que iniciativas como a
Coopamare devem ser fortalecidas como estratégia fundamental na gestão de
resíduos urbanos.
É relevante
destacar também que não se trata de um fato isolado, mas de uma política da
atual gestão municipal, que pouco valoriza os catadores e, recentemente, tem
despejado diversas cooperativas pela cidade. A própria Coopamare já sofreu
ameaças de despejo em outras ocasiões em que foram possíveis a reversão.
Por essas
razões, aqui reitero as solicitações feitas pelo Conselho Participativo
Municipal de Pinheiros, que defende a permanência da cooperativa no local atual
e sugere que a prefeitura invista na melhoria do espaço, que possui expertise
acumulada há décadas e também fortaleça parcerias institucionais,
considerando-a como polo ambiental e social de Pinheiros.
Meu mandato
seguirá acompanhando essa questão juntamente com a sociedade civil e os
mandatos da vereadora Luna Zarattini e do vereador Nabil Bonduki. Haverá uma
reunião na semana que vem e minha assessoria estará presente.
Faço apelo ao
prefeito Ricardo Nunes, para que volte atrás nessa decisão e renove o termo de
permissão de uso da cooperativa, além de investir na infraestrutura do local.
Reafirmo que defender a Coopamare é defender o trabalho digno e a economia
solidária, a justiça social, a gestão responsável de resíduos e o futuro
ecológico da cidade.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Reis.
* * *
E eu aqui quero
lembrar, caro presidente Carlos Giannazi, o nosso querido professor Paul
Singer, que foi um grande batalhador e estimulador das formas cooperativas de
produção.
Pudesse Paul
Singer estar vivo aqui, ele estaria recomendando muito fortemente ao prefeito
Ricardo Nunes que venha a reconsiderar a decisão de fechar a Coopamare nesse
local de Pinheiros. Vamos estimular e criar as condições para o melhor
funcionamento possível da Coopamare ali em Pinheiros.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Vossa Excelência
terminou?
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Terminei, mas estou
inscrito para...
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - É que o deputado
Carlos Giannazi vai falar. Vou pedir para V. Exa. assumir a Presidência, porque
eu também estou inscrito para falar novamente.
O
SR. EDUARDO SUPLICY - PT - Daí falaremos os três
novamente?
O
SR. PRESIDENTE - REIS - PT - Exato. Chamo, para
fazer uso da palavra, o deputado Rômulo Fernandes. (Pausa.) Deputado Edson
Giriboni. (Pausa.) Deputado Gil Diniz Bolsonaro. (Pausa.) Deputado Paulo
Mansur. (Pausa.) Deputada Profª Camila Godoi. (Pausa.)
Deputado Marcos Damasio. (Pausa.)
Deputado Jorge Wilson Xerife do Consumidor. (Pausa.) Deputado Thiago Auricchio.
(Pausa.) Deputada Carla Morando. (Pausa.) Deputado Conte Lopes. (Pausa.)
Deputado Lucas Bove. (Pausa.) Deputado Paulo Fiorilo. (Pausa.) Deputado Dr.
Elton. (Pausa.)
Agora, entrando na Lista Suplementar,
chamo, para fazer uso da palavra, o deputado Luiz Claudio Marcolino. (Pausa.)
Deputado Thiago Auricchio. (Pausa.)
Deputado Carlos Giannazi, tem V. Exa. o
tempo regimental de cinco minutos.
O
SR. CARLOS GIANNAZI - PSOL -
SEM REVISÃO DO ORADOR - Sr. Presidente, deputado Reis, de volta à tribuna na
tarde de hoje aqui na Assembleia Legislativa. Senhor Presidente, eu quero
comunicar a todos que eu protocolei um projeto muito importante. Aliás, dois
projetos que eu estou protocolando aqui na Assembleia Legislativa.
O primeiro
deles é o PL 345/2026, que trata, Sr. Presidente, de... Ele faz referência a um
outro projeto, aprovado na Câmara Federal, no Senado Federal, que virou lei, um
projeto que foi apresentado em 2023 pela deputada federal Professora Luciene
Cavalcante.
* * *
- Assume a
Presidência o Sr. Eduardo Suplicy.
* * *
Eu me refiro
aqui à agora já Lei nº 15.326, de 2026. E esse projeto que eu apresentei,
professor... Deputado, agora professor também, Suplicy - sempre professor.
Professor da GV durante muitos anos.
Esse projeto de
lei praticamente vai oferecer todas as condições, Sr. Presidente, para que o
Tribunal de Contas do Estado de São Paulo possa punir os prefeitos do nosso
estado que não cumprirem essa importante lei, que obriga as prefeituras a
fazerem o enquadramento, o reconhecimento das educadoras de educação infantil
na carreira do Magistério municipal.
A lei foi
aprovada, já tem prefeituras fazendo corretamente o enquadramento dessas
educadoras, que são professoras de fato. Mas tem prefeito que não, dizendo que
não vai cumprir a lei.
Enfim, mas o
prefeito que não cumpre a lei, Sr. Presidente, seja municipal, estadual ou
federal, incorre na improbidade administrativa, já está cometendo uma
gravíssima irregularidade. Mas nós vamos reforçar isso, Sr. Presidente, através
de um projeto de lei que eu apresentei aqui.
Apresentei dois
com o mesmo teor: um projeto de lei e também uma PEC, para que haja também esse
mesmo dispositivo na Constituição Estadual do estado de São Paulo, de tal forma
que, resumindo, o prefeito ou a prefeita que não fizer o enquadramento, o
reconhecimento das educadoras de educação infantil, conforme reza, conforme
determina, conforme obriga a Lei nº 15.326, de 2026, da deputada federal Luciene
Cavalcante, terá suas contas reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado de
São Paulo. É disso que se trata, Sr. Presidente.
Então, um
projeto de lei que já tem até o número aqui, é o PL 345/26, e mais uma PEC, uma
Proposta de Emenda à Constituição estadual, para que a gente possa oferecer
todas as condições, que já existem, na verdade.
O Tribunal de
Contas já pode fazer isso. Mas, agora, para que não reste nenhuma dúvida, esses
dois projetos que eu estou apresentando aqui na Assembleia Legislativa terão
como foco central punir os prefeitos que não cumprirem a lei, que não fizerem,
que resistirem.
Daí, então, o
prefeito que não fizer o enquadramento das educadoras da educação infantil na
carreira do Magistério será enquadrado pelo Tribunal de Contas e também pelo
Ministério Público estadual.
Então nós
estamos tomando, Sr. Presidente, essas providências para que essa conquista do
movimento “Somos Todas Professoras”, das educadoras de educação infantil de
todo o Brasil e para que a lei seja respeitada.
E eu quero
aqui, Sr. Presidente, dizer que a lei é muito clara, não cabe nem
interpretação, porque quando ela foi formulada pela deputada, professora,
supervisora de ensino, advogada, Luciene Cavalcante, ela foi bem clara. Então
ela mudou a LDB, a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, e a Lei do
Piso Nacional do Magistério.
Eu quero ler
rapidamente, Sr. Presidente, para que não paire nenhuma dúvida sobre o
enquadramento. Primeiro a lei no seu § 2º, do Art. 2º, diz o seguinte: “Por
profissionais do Magistério Público da Educação Básica entendem-se aqueles que
desempenham as atividades de docência ou de suporte pedagógico à docência”. E
aí continua: “Reconhecendo o princípio da integralidade entre cuidar, brincar e
educar, independentemente da designação do cargo ou da função que ocupam”.
E depois, só
para concluir, nós temos mais ainda quando ela altera, agora, a LDB no § 2º, do
Art. 3º: “São considerados professores de educação infantil, devendo - Sr.
Presidente, a palavra fala ‘devendo’ - ser enquadrados na carreira do
Magistério, independentemente da designação do cargo que ocupam, os que exercem
função docente e atuam diretamente com as crianças educandas”. Está aqui a lei,
é muito clara.
Não importa se
o nome da professora não é professora no momento da sua contratação, se é
pajem, se é ADI, se é recreacionista, isso não importa, o importante é a função
docente dela. A lei é muito clara dizendo que não há separação entre cuidar,
brincar e educar, tudo é educação na Educação Básica, sobretudo também na
creche.
Então ela tem a
função docente, foi aprovada em concurso público na época e hoje ela tem
formação, ou no Magistério ou em Pedagogia, por isso ela tem que ser enquadrada
na carreira do Magistério, é simples assim.
E a gente faz
aqui um apelo a todos os prefeitos e prefeitas do estado de São Paulo para que
façam imediatamente, em caráter de urgência, esse enquadramento, Sr.
Presidente, sob pena de responder por improbidade administrativa. Nós estamos
fazendo o acompanhamento, o monitoramento de todos os municípios do estado de
São Paulo, e nós vamos tomar providências. Onde houver afronta e violação à Lei
nº 15.326, nós estaremos atuando, Sr. Presidente.
E esses dois
projetos são importantíssimos aqui, que a Assembleia Legislativa também vai
reforçar ainda mais o cumprimento dessa lei ao apontar para a punição de
prefeitos pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, com a reprovação das
suas contas, porque todas essas educadoras de educação infantil são todas, Sr.
Presidente, professoras e devem ter acesso ao piso nacional do Magistério,
devem ter acesso a jornada do piso e também a aposentadoria especial.
Era isso, Sr.
Presidente.
Muito obrigado.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Tem a palavra o
deputado Reis, pelo tempo regimental.
O SR. REIS - PT - Sr. Presidente, eu estou
retornando à tribuna neste Pequeno Expediente para continuar o debate que eu
comecei hoje sobre a insegurança pública no estado de São Paulo, e por falta de
aviso não é.
Nós temos
recomendado ao governador, indicado ao governador para que ele recomponha o
efetivo da Polícia Militar, o efetivo da Polícia Civil, o efetivo da Polícia
Penal, o efetivo da Polícia Técnico-Científica para garantir que o aparelho de
Segurança Pública funcione adequadamente.
E o que nós
estamos vendo é que a situação, o sentimento de insegurança está aumentando
cada vez mais no estado de São Paulo, principalmente na capital paulista com
todo sistema de câmeras que a prefeitura está colocando.
Está chegando a
praticamente quase 50 mil câmeras, a Smart Sampa com viaturas novas que a
prefeitura está colocando, você vê mais a guarda na rua, está vendo mais a
guarda do que o aparelho Estado.
Porque o Sr.
Governador tem dificuldade de entender que precisa contratar mais policiais
para trabalhar e o concurso de investigador até agora está parado e está parado
por conta agora da própria administração. Porque a Justiça já deu o seu
veredito, a administração que é lenta, que é inerte, é uma gestão muito
devagar, quase parando.
Então precisa
sim contratar o quanto antes esses 1.400 investigadores que estão aguardando
para serem nomeados. E a gente está vendo que o governo está muito devagar
mesmo.
Enquanto o
governo fica nessa soneira, que a gente chamava no quartel aquele que tinha
dificuldade de fazer ordem unida, muitas vezes tropeçava, errava o passo, a
gente chamava ele de soneira. Então o governador Tarcísio é uma soneira e está
dormindo em berço esplêndido. Enquanto ele dorme em berço esplêndido o crime
está crescendo, a insegurança crescente.
Um celular
roubado a cada dez minutos, foi dito aqui ontem por um integrante do próprio
partido do governo. O próprio deputado que é apoiador do governo e do partido
do governo veio aqui ontem falar isso, eu estava ouvindo pela televisão a fala
do deputado do próprio partido do Tarcísio. Disse que dois assessores dele
foram vítimas de violência perdendo os seus celulares.
Então nós temos
aqui a gangue do quebra-vidro, que vem e dá um soco no vidro do carro e assusta
todo mundo, põe as pessoas em pânico para levar o celular. Nós temos os
latrocínios. Em menos de uma semana, praticamente, quatro latrocínios
aconteceram aqui em São Paulo.
Estava até
vendo aqui a matéria na “Folha”: “Um casal de advogados seguia para a missa lá
em Moema - lá em Moema, um bairro nobre - quando foram abordados por um ladrão
armado, na Avenida Juriti, em Moema, zona sul. Luciano Teixeira, 46 anos, que
passava pelo local decidiu intervir. Teria dito ‘aqui não’, segundo testemunha,
e avançou em direção ao criminoso, que atirou. Ferido na cabeça Luciano foi
encaminhado ao hospital, onde morreu.”
Então essa
falta de segurança, essa falta de investimento, da recomposição do efetivo,
esse crime de responsabilidade que o governador está cometendo com São Paulo
está provocando mortes.
Em menos de
quatro dias... E hoje aconteceu mais um caso ali na região da Vila Olímpia, e
tivemos um caso na Rua das Margaridas Amarelas - o Sr. Alisson Oliveira, foi
também vítima de latrocínio; a Sra. Sarah Andrade, ali no Viaduto Matheus
Torloni, também vítima de latrocínio; Sr. Luciano Teixeira, na Avenida Juriti,
que eu já falei.
E o secretário
Henguel fala do mapa de calor. O que é esse mapa de calor? Eles fazem o
levantamento de onde mais acontecem os delitos e ali põem a polícia para
circular. Mas o crime migra, a cidade é muito grande. Então você tem o mapa de
calor que hoje está ali em Moema, amanhã está em Pinheiros.
Então esse
negócio de deslocar o aparelho de segurança de acordo com o mapa de calor não
dá muito certo. O que tem que ter é ronda nos bairros, a ronda presente em
todos os bairros. Não dá para escolher um em detrimento do outro, porque quando
não acontece em um bairro, o outro está descoberto, vai acontecer lá.
Então o Governo
do Estado de São Paulo parece que desaprendeu, parece que, talvez, com essa
aposentadoria, com cerca de 90 coronéis da PM que se aposentaram recentemente,
os novos estão meio perdidos. Porque não é possível ouvir isso aqui, eu ler
isso aqui na matéria sobre essa questão de mapa de calor.
O que tem que
atentar é para a recomposição do efetivo, valorização dos policiais e ter um
programa de Segurança Pública que possa cobrir todos os bairros, todas as
regiões. Não dá para falar: “Se ali acontece mais, eu tenho policiamento. Ali
está acontecendo menos, eu reduzo.” Eu tenho que ter policiamento em todos
esses setores, em todas essas regiões para fazer a prevenção.
Então você tem
a câmera que diz que está funcionando bem, mas você não tem a ronda no bairro,
você não tem a prevenção. E por isso que, por todo esse investimento que dizem
ser tecnologia - Muralha Paulista, Detecta, Smart Sampa -, o sentimento de
insegurança em São Paulo continua crescente.
E esse
sentimento de insegurança é uma marca deste governo. É uma marca do Governo
Tarcísio de Freitas. Conforme eu tinha mostrado na minha fala anterior, o
retrato daquela delegacia, com aqueles carros, todos desmontados, aquele monte
de moto dentro da sala da delegacia de atendimento, aquelas viaturas caindo aos
pedaços ali na frente da delegacia. Ou seja, aquele retrato é o retrato da
insegurança em São Paulo.
É o que
significa a marca registrada do governador de plantão que aí está.
Muito obrigado,
Sr. Presidente.
O
SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Meus
cumprimentos, deputado Reis, por sua atenção sempre à questão da Educação.
Eu gostaria, agora, de... o próximo
orador inscrito sou eu mesmo, Eduardo Suplicy. Mas como compreendo que o
deputado Reis e o deputado Giannazi terão que se ausentar, então falarei aqui
da tribuna, da Presidência mesmo, sobre o tema que eu iria falar em seguida,
relativamente à “Pauta-bomba, mas poderia ser pauta do bem”, o artigo de Lu
Aiko Otta, no “Valor” de ontem, 22 de abril de 2026.
Diz ela:
“A Câmara dos Deputados se prepara para
votar mais uma pauta-bomba e desperdiçar uma chance de qualificar o debate
nacional. A Proposta de Emenda à Constituição - PEC - do Sistema Único de
Assistência Social - Suas - repete pecados contra o orçamento da União, quando
poderia se aliar ao crescente debate mundial sobre uma renda básica para
enfrentar o desemprego provocado pelo uso da inteligência artificial - IA.
Difícil achar quem se coloque contra
destinar mais dinheiro para assistência social em um país desigual como o
Brasil. A PEC em questão direciona 1% da receita corrente líquida da União à
área, o que dariam 4,8 bilhões em 2027, segundo cálculos obtidos pela repórter
Giordanna Neves, deste jornal, o valor.globo.
É dinheiro do tamanho do orçamento do
Ministério do Meio Ambiente e um pouco maior do que o do Ministério de Portos e
Aeroportos. Parece boa notícia, mas a experiência mostra que apenas direcionar
dinheiro nem sempre dá o retorno que se espera.
A ex-ministra do planejamento, Simone
Tebet, costumava citar como exemplo o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da
Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação - Fundeb. De dois
bilhões em 2007, a transferência da União passou para 15 bilhões de reais em
2020, e este ano chegará a 69 bilhões de reais.
Apesar do investimento de anos, os
brasileirinhos continuam com um baixo desempenho nas provas do Programa
Internacional de Avaliação de Estudantes - Pisa. Havia algum problema no uso
dos recursos, insistia. O desenho da PEC do Suas ignora a crise vivida pelo
país no fim de 2024, quando a perspectiva de colapso do orçamento levou o dólar
ao nível-recorde de 6,26 reais.
A regra fiscal estava e está
pressionada, porque estabelece um teto de crescimento de dois e meio por cento
para as despesas, mas alguns itens crescem mais rápido, porque avançam conforme
a arrecadação. Colocar mais dinheiro na Assistência Social poder ser
necessário, mas atropela uma discussão prévia: quanto se gasta hoje em
benefícios sociais, para quem, com quais resultados.
‘Se vocês me perguntarem quanto cada
indivíduo recebe de benefícios hoje no Brasil, eu não consigo responder’, disse
a secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, em
entrevista publicada no dia 13 de abril.
O mapeamento desses benefícios é uma
das tarefas que ela pretende concluir até o fim deste ano. Se desse trabalho
emergirá um programa de ‘Renda Básica da Cidadania’, é algo que ainda não se
sabe.
No momento, o foco está no desbalanço
entre benefícios contributivos e os não contributivos, como o ‘Benefício de
Prestação Continuada’. O trabalho conduzido por Freire vai na direção do que
disse em fevereiro o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad: que o
Orçamento brasileiro está maduro para um programa de renda mínima.” Na verdade,
Haddad falou na renda de cidadania.
“‘O Estado vai ter que criar uma renda
básica porque ele vai ter que sustentar o seu ser humano’”, disse em
entrevista, há duas semanas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após
comentar que uma parte da sociedade será considerada ‘inútil’ diante do avanço
da tecnologia.
‘Lidar com esse novo ambiente do mundo
do trabalho é um dos principais motores de discussão sobre a renda básica em
nível internacional’, disse à coluna Vinicius Amaral, consultor legislativo do
Senado e secretário-geral da Rede Brasileira de Renda Básica. Ele é autor de
uma tese de mestrado sobre o tema, que deverá ser publicada em livro em maio.
A tese de Amaral tem como objeto um
programa de renda cujo objetivo é a eliminação da pobreza. Sua conclusão é que
seria possível atender toda a população abaixo da linha da pobreza ao custo de
6% do Produto Interno Bruto. ‘Parece muito, mas o país deixa de arrecadar 8% do
Produto Interno Bruto com gastos tributários, que são descontos de impostos
para setores específicos’, comparou.
E qual é o retorno para a sociedade
dessas renúncias versus um programa que vai beneficiar mais de 90% da população
brasileira? ‘No debate que vários países fazem sobre a renda básica para lidar
com a onda de desemprego, uma ideia muito presente é a de cobrar uma espécie de
royalty das empresas que se beneficiaram do conhecimento humano para criar a IA’,
contou.
‘Discussões como a PEC do Suas deveriam
ser feitas junto com a da renda básica’, opinou. ‘Essas decisões têm que ser
tomadas em conjunto, com certeza’, afirmou. ‘Aliás, esse é um dos grandes
problemas do sistema de seguridade do Brasil como um todo: ele foi sendo
construído aos pedaços, olhando problemas muito específicos e sem um momento de
uma revisão global.’
Um programa de Renda Básica da
Cidadania está previsto na Constituição. Foi regulado por uma lei, aprovada em
2004 e batizada de Lei Suplicy, em homenagem ao principal defensor da causa, o
ex-senador Eduardo Suplicy, PT-SP. Por fim, há uma decisão do Supremo Tribunal
Federal, de 2021, que manda implementá-lo a partir de 2022.
A questão é o ‘como’. Em um país com o
orçamento apertado, como o nosso, passou da hora de se discutir em mais
profundidade como o dinheiro público é usado, quais os resultados alcançados e
como fazer melhor uso dos recursos.”
Quero cumprimentar a Lu Aiko Otta,
repórter especial em Brasília, que escreve às quartas-feiras no “Valor
Econômico”.
Tendo em vista esse artigo tão
significativo a respeito da sugestão da renda básica, eu gostaria aqui de
informar que, nessa sexta-feira, sábado e domingo, será realizado em Brasília o
8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores e, juntamente com a
presidente da Rede Brasileira da Renda Básica, a Sra. Paola Loureiro Carvalho,
eu estou enviando a seguinte carta, na qualidade de presidente de honra da Rede
Brasileira da Renda Básica e autor da Lei nº 10.835, de 2004.
Então passo a ler essa carta ao 8º
Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, pela implementação da Renda
Básica de Cidadania.
“Brasília, 1º de maio de 2026.” A
carta, portanto, está sendo enviada para chegar às mãos, amanhã, dos membros do
Congresso Nacional do PT.
“No momento em que este partido
histórico se reúne para debater e definir as diretrizes do programa de governo
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o período 2027-2030, dirigimo-nos
a este espaço com o compromisso de fortalecer um projeto de País mais justo,
democrático e inclusivo.
A trajetória do Partido dos
Trabalhadores sempre esteve vinculada à luta pela superação da pobreza, pela
redução das desigualdades e pela ampliação de direitos. Nesse sentido,
consideramos fundamental que o programa a ser construído neste congresso
incorpore de forma explícita e estratégica a diretriz de implementação gradual
da Renda Básica de Cidadania - RBC - até que se torne universal e incondicional
no Brasil.
Trata-se de um direito já instituído no
ordenamento jurídico brasileiro por meio da Lei nº 10.835, de 2004, da qual fui
o autor, que estabelece a Renda Básica de Cidadania como um direito de todos os
brasileiros e imigrantes residentes no País há pelo menos cinco anos.
Diante da omissão do Poder Executivo em
regulamentar sua implementação, o tema chegou ao Supremo Tribunal Federal por
meio do Mandado de Injunção nº 7.300, no qual a Corte determinou, em 2021, a
adoção de medidas para sua implementação a partir do exercício fiscal de 2022.
Esse marco foi recentemente reforçado e
atualizado no contexto das políticas de transferência de renda pela Lei Federal
nº 14.601, de 2023, promulgada pelo presidente Lula e aprovada pelo Congresso
Nacional em 2023, no mês de julho, e que restituiu o programa ‘Bolsa Família’,
revogou a Lei nº 14.284 de 2021, promulgada pelo governo de Jair Bolsonaro, que
havia instituído o ‘Auxílio Brasil’, tendo como principal contribuição o §1º do
Art. 1º nos seguintes termos.
‘O Programa Bolsa Família constitui
etapa do processo gradual e progressivo de implementação da universalização da
Renda Básica de Cidadania, na forma estabelecida no parágrafo único do Art. 6º
da Constituição Federal e no caput e no §1º do Art. 1º da Lei nº 10.835, de 8
de janeiro de 2004.’
Além disso, é fundamental reconhecer e
dialogar com os acúmulos já produzidos no âmbito do Conselho de Desenvolvimento
Econômico, Social e Sustentável, o chamado ‘Conselhão’, especialmente a partir
do grupo de trabalho que elaborou as bases para a implementação de uma renda
básica voltada à primeira infância.
Tal iniciativa oferece fundamentos
técnicos e políticos relevantes para uma estratégia de implementação
progressiva, iniciando pelos segmentos mais vulneráveis e ampliando-se até
alcançar o caráter universal.
Qual é a vantagem principal da renda
básica universal? É do ponto de vista da dignidade e da liberdade do ser
humano, de que nos fala Amartya Sen, em ‘Desenvolvimento como Liberdade’, este
brilhante laureado com o Prêmio Nobel de Economia.
Primeiro, eliminamos toda e qualquer
burocracia envolvida em se ter que saber quanto cada pessoa ganha no mercado
formal ou em qualquer atividade que façamos. Digamos, se uma mãe toma conta das
crianças da vizinha e recebe um trocado no dia seguinte, não precisa declarar.
Eliminamos qualquer sentimento de estigma ou de vergonha de a pessoa precisar
declarar: ‘Eu só ganho isso e, por isso, tenho a necessidade de tal complemento’.
Eliminamos o chamado fenômeno da
dependência, que causa as armadilhas do desemprego ou da pobreza. Também para
as mulheres, a Renda Básica de Cidadania será uma ferramenta de garantia de
autonomia, permitindo que tenham segurança de renda sem que tenham que se
submeter a relações abusivas.
O dia que cada brasileiro tiver para si
e cada membro da sua família uma renda suficiente para atender às suas
necessidades vitais, todos poderão dizer: ‘Agora, graças à renda básica
universal, eu posso aguardar um tempo, não aceitar uma proposta de emprego que
fira a minha dignidade ou a minha saúde. Quem sabe eu possa fazer um curso, até
que surja uma oportunidade, mas de acordo com a minha vocação, minha vontade?’
Por isso é que a renda básica universal
vai elevar o grau de dignidade e liberdade de cada pessoa. Diante disso,
propomos que o programa de governo de 2027 a 2030, do governo do presidente
Lula, que acredito que será reeleito em outubro próximo, que primeiro afirme a ‘Renda
Básica de Cidadania’ como horizonte estratégico das políticas sociais
brasileiras.
Segundo, que estabeleça um plano de
implementação gradual com metas, etapas e fontes de financiamento claramente
definidas, considerando experiências como a proposta da renda básica para a
primeira infância. Integre a ‘Renda Básica de Cidadania’ às políticas já
existentes, como o ‘Bolsa Família’, ampliando progressivamente sua cobertura
até alcançar o caráter universal.
Reforce o princípio da
incondicionalidade como fundamento de dignidade, autonomia e cidadania e
reconheça a Renda Básica de Cidadania como um instrumento estruturante para
enfrentar as múltiplas dimensões da desigualdade de renda territorial, de
gênero e racial.
Adicionalmente, informamos que está em
curso a construção de uma frente de parlamentares em defesa da Renda Básica de
Cidadania, reunindo representantes comprometidos com essa agenda no Congresso
Nacional e nas Assembleias Legislativas.
Essa articulação será fundamental para
ampliar o debate institucional, fortalecer a incidência legislativa e
viabilizar os avanços necessários à implementação da política em escala
nacional.
A implementação da Renda Básica de
Cidadania representa não apenas a continuidade de uma agenda histórica
defendida por lideranças como Philippe Van Parijs, Guy Standing, Amartya Sen e
o nosso querido e saudoso papa Francisco, mas também uma resposta contemporânea
aos desafios de um mundo marcado por transformações no trabalho ocasionadas
pela inteligência artificial, crises econômicas recorrentes e novas formas de vulnerabilidade
social.
Incorporar essa agenda ao programa do
próximo governo é reafirmar o compromisso do Partido dos Trabalhadores com a
construção de um Brasil onde todas as pessoas tenham garantido o direito
inalienável de participar da riqueza comum da Nação.
Da mesma forma, entendemos que a Renda
Básica de Cidadania não deve estar presente apenas no texto do programa de
governo; pela sua densidade ética, política e programática, essa diretriz
precisa também ser incorporada aos demais documentos em debate neste Congresso:
o programa partidário, a conjuntura e tática política eleitoral, organização e
estatutos, Fundação Perseu Abramo, para que se afirme como orientação
transversal do Partido dos Trabalhadores, vinculando sua formulação
estratégica, sua identidade programática, sua produção teórica e sua ação
política concreta.
Seguimos na convicção de que é possível
e necessário avançar a Renda Básica da Cidadania como um direito, um caminho,
um compromisso. Respeitosamente, Paola Loureiro Carvalho, presidente da Rede
Brasileira da Renda Básica, e Eduardo Matarazzo Suplicy, presidente de honra da
Rede Brasileira da Renda Básica.”
Eu espero, Srs. Deputados, Sras.
Deputadas, que tenhamos nesta sexta, sábado e domingo, em Brasília, muito
importante, o 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, que vai,
assim, colocar a sua contribuição para a construção do Brasil justo,
civilizado, fraterno, que tanto queremos ver acontecer.
Srs. Deputados, Sras. Deputadas,
havendo acordo de lideranças, esta Presidência, antes de dar por levantados os
trabalhos, convoca V. Exas. para a sessão ordinária de amanhã, à hora
regimental, sem Ordem do Dia.
Está levantada a sessão.
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- Levanta-se a sessão às 15 horas e
quatro minutos.
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