20 DE FEVEREIRO DE 2026

10ª SESSÃO ORDINÁRIA

        

Presidência: EDUARDO SUPLICY

 

RESUMO

        

PEQUENO EXPEDIENTE

1 - EDUARDO SUPLICY

Assume a Presidência e abre a sessão às 14h11min. Exibe e comenta vídeo a respeito da defesa da Renda Básica de Cidadania, pelo ministro Fernando Haddad. Lê artigo de sua autoria, publicado no jornal "Folha de S. Paulo", acerca de afronta aos direitos humanos como política orçamentária do governo estadual. Convoca os Srs. Deputados para a sessão ordinária do dia 23/02, à hora regimental, sem Ordem do Dia. Levanta a sessão às 14h23min.

 

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ÍNTEGRA

 

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- Assume a Presidência e abre a sessão o Sr. Eduardo Suplicy.

 

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- Passa-se ao

 

PEQUENO EXPEDIENTE

 

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O SR. PRESIDENTE - EDUARDO SUPLICY - PT - Presente o número regimental de Srs. Deputados e Sras. Deputadas, sob a proteção de Deus, iniciamos os nossos trabalhos. Esta Presidência dispensa a leitura da Ata da sessão anterior e recebe o expediente.

Gostaríamos de, primeiro, solicitar a gentileza ao Sr. Wagner para passarmos o vídeo em que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diz que está se realizando estudos para se aprimorar as formas de transferência de renda no Brasil. Então peço a gentileza de colocar o vídeo no ar.

 

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- É exibido o vídeo.

 

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Muito bem. Quero aqui confirmar, saudar essa declaração tão alvissareira do querido ministro Fernando Haddad, que sempre teve a disposição de defender aquilo que já é lei no Brasil, aprovado por todos os partidos e sancionado pelo presidente Lula em 8 de janeiro de 2004, faz 22 anos, e vai acontecer.

E isso está, inclusive, no programa do Partido dos Trabalhadores e, inclusive, foi objeto de reflexão do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e Sustentável, que foi realizada em dezembro último, e ali se repetiu de maneira muito positiva a respeito da Renda Básica Universal. Portanto, eu quero saudar esta avaliação que o querido ministro Fernando Haddad fez a respeito da possibilidade de se desenhar um aperfeiçoamento dos sistemas de transferência de renda.

Eu quero aqui me colocar à disposição do governo do presidente Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do ministro Wellington Dias, do Desenvolvimento Social, do Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, enfim, de todos os membros da equipe, do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e, então, para avançarmos na direção daquilo que considero muito importante, para se assegurar dignidade e liberdade real para todos os seres humanos em nosso país.

Não havendo mais oradores presentes, esta Presidência, antes de dar por levantados os trabalhos, convoca V. Exas. para a sessão ordinária de segunda-feira, à hora regimental, sem Ordem do Dia.

Permita apenas que eu, para concluir a minha fala hoje, possa ler o artigo publicado pela “Folha de S. Paulo”, de minha autoria, “Quando direitos humanos viram nota de rodapé”.

“Acompanho com inquietação sinais cada vez mais nítidos de desmonte das políticas de Direitos Humanos no estado de São Paulo. Não me refiro apenas a discurso, mas a escolhas concretas e reiteradas, que enfraquecem mecanismos de controle social, reduzem espaços de participação e esvaziam estruturas criadas para proteger a dignidade humana.

Ao longo da minha trajetória política, tive a honra de servir a cidade de São Paulo como secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, e de presidir comissões de Direitos Humanos, tanto na Câmara Municipal quanto na Assembleia Legislativa. Aprendi na prática que a institucionalidade de Direitos Humanos não é um adorno do Estado, é um de seus alicerces.

Há frases que dizem muito sobre o projeto de governo. Em 8 de março de 2024, ao ser questionado sobre as denúncias relacionadas à letalidade policial, o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, afirmou: ‘Pode ir na ONU, pode ir na Liga da Justiça, no raio que o parta, que eu não estou nem aí’.

Ora, não se tratava de um deslize retórico, era uma mensagem que agora encontra correspondência em decisões orçamentárias e administrativas que rebaixam Direitos Humanos a uma nota de rodapé.

Os números ajudam a compreender a gravidade do momento. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que 813 pessoas morreram em São Paulo em decorrência de ações policiais em 2024, um aumento de quase 61% em relação a 2023. São vidas interrompidas, famílias dilaceradas e um indicador perigoso em qualquer Estado democrático.

Também não podemos naturalizar a violência contra pessoas LGBTQIA+, em especial a população trans. Dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais, Antra, registra 122 assassinatos de pessoas trans no Brasil em 2024 e aponta São Paulo como o estado com maior número absoluto. Nenhuma sociedade que se pretenda civilizada pode aceitar que alguém viva sob tamanho risco apenas por existir.

Diante desse cenário, a política pública de Direitos Humanos deveria ser fortalecida. O que se vê é o oposto. As coordenações das Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania, responsáveis por políticas voltadas à população negra, aos povos indígenas, à população LGBTQIA+ e às juventudes, tinham em 2024 um orçamento em torno de 1,6 milhão de reais para todo o estado.

Em 2025, o orçamento chegou a propor um corte dramático de 163 mil, posteriormente recomposto pelo Legislativo para 1,1 milhão e plenamente executado. Em 2026, a lógica do corte é retomada. O orçamento cai para cerca de 370 mil reais anuais, valor insuficiente para sustentar políticas públicas.

O mesmo ocorre com os mecanismos de participação e controle social. O investimento destinado a sete conselhos estaduais de Direitos Humanos sofrerá uma redução crítica, caindo de 526 mil reais, em 2024, para apenas 34 mil reais, em 2026.

Essa asfixia financeira torna a existência desses órgãos meramente formal, já que o valor irrisório impede o cumprimento de suas funções constitucionais e enfraquece a capilaridade da democracia.

Tudo isso acontece num país marcado por desigualdades profundas. Ainda assim, setores que por muito tempo ridicularizaram a pauta dos Direitos Humanos passaram a exigir garantias quando seus próprios aliados foram presos após os atos de 8 de janeiro.

Se há algo que a História ensina, é que os direitos humanos não podem ser seletivos. Existem justamente para proteger qualquer pessoa contra abusos, arbitrariedades, humilhações e violências, inclusive quando a opinião pública se sente tentada a aplaudir o sofrimento alheio.

Quando se desmonta a política de Direitos Humanos, desmonta-se uma parte essencial do pacto democrático de 1988, que afirmou que a dignidade como valor central da República é importantíssima. Se São Paulo perder isso de vista, perderá algo maior do que uma estrutura administrativa, perderá um pedaço de sua própria humanidade.”

Assim, não havendo mais nada a tratar, esta Presidência convoca V. Exas. para a sessão ordinária de segunda-feira, à hora regimental, sem Ordem do Dia.

Está levantada a presente sessão.

Muito obrigado.

 

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- Levanta-se a sessão às 14 horas e 23 minutos.

 

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